• Alex Pipkin, PhD
  • 28 Janeiro 2022


Alex Pipkin, PhD


Nos últimos dias impressionou-me o número de artigos que li, alertando e rechaçando sobre a estéril cultura do cancelamento.

Tal fato não deixa de ser um sinal positivo em relação a esse estúpido hábito, já que os “novos juízes” sentenciam punição e banimento de todos aqueles que divergem em pensamento e opinião da “constituição progressista”, elaborada por “especialistas”, em especial em termos de atitudes e de comportamentos.

O patrulhamento sistemático, apesar de bisonho, faz derramar sangue entre os lábios daqueles que, em última análise, desejam a censura.

Alguns, seguramente, irão se resignar e afirmar que “deixa pra lá, é assim”, porém, todos os lados e cantos devem compulsoriamente ter a liberdade e o ambiente propício para se manifestarem, caso contrário, rumaremos para uma sociedade em que inexiste a vital liberdade de expressão e, pior, para um futuro de emburrecimento e de involução.

O nascedouro pensante e transformador para a implantação e disseminação desta cartilha ideológica é a universidade, das elites, dos intelectuais interessados e dos experts dos livros, embora livros de uma só cor e visão de mundo.

Mas a universidade não deveria expressar e propagar a totalidade do conhecimento? A universidade não deveria formar especialistas nas diversas e respectivas áreas do conhecimento, ao invés de militantes de uma única facção?
Não se combate um eventual mal com um outro mal. O que agora vemos, especialmente, nas universidades, na forma de retórica e de ação, é a discriminação para além do pensamento, já que a fisionomia e a aparência são aquelas que contam. Desse modo, discrimina-se os possuidores de características que se opõem a “constituição progressista”.

Desta forma, apesar de não possuirmos nenhum Prêmio Nobel, tenho a sensação de que quase que diariamente avançamos as “fronteiras do conhecimento”.

Aliás, a discriminação não é exclusividade do mundo acadêmico. A cultura do despertar e do cancelamento adentrou o último reduto, o meio empresarial, em que os CEO’s querem - muitos deles comprovadamente em nível de estratégia de comunicação - resolver os problemas sociais do globo -; esses fartam-se com os investimentos de capital em suas empresas, enquanto os “não despertos” precisam ser alijados de tais recursos e, portanto, punidos. Mas a concentração excessiva nas preocupações com o ESG não poderá desviar o foco e reduzir a lucratividade de uma empresa? Penso que objetivamente sim.

Não é difícil observar que a cultura do despertar e do cancelamento entranhou-se em toda a sociedade, em todos os campos, amaldiçoando os valores civilizacionais que construíram e suportam o Ocidente.

Tradições são tradições, evidente, podem ou não serem adotadas pelos indivíduos, não são ditames jurídicos, estão aí para ser escolhidas ou não pelas pessoas, contudo, é imperativo e vital que se respeite, com tolerância, distintas decisões.

O que me parece temerário, é a perda de valores essenciais, e mais do que isso, o verniz do bom-mocismo e do altruísmo da cultura do despertar e do cancelamento, apagando valores que direcionam o bem comum e a prosperidade.

Excelência é um valor edificador e inegociável, especialmente quando se quer trocar pela discriminadora identidade.

Fundamental é avançar com base nos fatos e nas evidências.

Portanto, não apoio esse autoritarismo disfarçado de “justiça social”, prezo pelo contraditório e, especialmente, oponho-me a essa clara pressão por conformidade ideológica.

 

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  • Márcio de Carvalho Damin
  • 27 Janeiro 2022

 

Márcio de Carvalho Damin

 

“Uma vida não examinada não é digna de ser vivida”. (Sócrates)

Analisando as situações que vivo, aqueles que me cercam e o mundo no entorno, percebo nitidamente a confusão das pessoas perante a realidade. Não só da realidade política caótica em que o Brasil chafurda, mas a realidade das almas mesmas que estão inseridas neste contexto.

Pequeno exemplo. Ao assistir um vídeo em que cachaça era oferecida a cinco reais para os viciados da ‘’cracolândia’’ na cidade de São Paulo, me peguei a pensar sobre o mundo em que vivemos. Monta-se uma pequena tenda onde se vende pinga a seres que há muito tempo se tornaram escravos das drogas para lhes adicionar outro tipo de entorpecente. Os “comerciantes” que servem a bebida não avaliam a moralidade de sua ação. Não há explicação lógica para isso, exceto o embate entre o bem e o mal.

O problema maior que vejo é a interação dos pecados com a personalidade das pessoas de uma maneira harmônica. O cidadão imagina, por exemplo, que o lugar onde nasceu o faz superior a outros seres humanos, ou decide que sua conta bancária é a prova cabal de sua superioridade moral perante aqueles com menor poder econômico. No momento mesmo em que essas ideias surgem na cabeça do indivíduo elas ainda não fazem parte da personalidade, elas ainda não se mesclaram ao ser de forma peremptória. Todavia, ao não rechaçar de prontidão esses pensamentos que surgem para desviar o foco do individuo do supremo bem, que é o amor e por consequência o próprio Deus, o que surge na consciência como espúrio a natureza do ser vai gradualmente se mesclando a ele e, de modo triste e nefasto, convencendo-o de sua veracidade.

A santa missa nos diz claramente, no ato penitencial, para nos arrependermos dos ‘’pensamentos e palavras, atos e omissões’’, mas o que ocorre com a alma que se funde ao seu pecado de maneira a não mais percebê-lo? O que ocorre quando uma personalidade se deforma a tal ponto de não discernir mais o que é ela mesma e o que é o erro em sua vida?

Com alguma ironia eu poderia responder “bem, você se torna um político”. Mas é o que percebo, infelizmente, num grande número de pessoas com quem convivo. Já não há mais exame de consciência, tudo é relativo e por consequência permitido. E, se permitido é, a personalidade pode se amoldar a tudo de ruim que um dia pululou na mente não vigilante de uma inerme vítima de uma sociedade doente.

Os dramas de consciência que atormentaram os seres humanos ao longo dos séculos já não mais existem, e, como escreveu Sócrates “uma vida não examinada não é digna de ser vivida”.

Quando o amor e a verdade, e o amor à verdade se perdem numa busca de uma falsa sensação de paz e felicidade, tanto no indivíduo quanto na sociedade em geral o que se vê é uma lenta derrocada, uma desumanização, uma animalização do ser e do ambiente que o cerca.

Oro muito pela conversão das pessoas que me cercam, mas reconheço que tenho orado pouco pelas pessoas que não conheço, pelo nosso país e pelo mundo. Eis algo de que minha consciência me acusa neste exato momento.

*         Márcio de Carvalho Damin é Músico

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  • Gilberto Simões Pires, em Ponto Crítico
  • 26 Janeiro 2022

 

Gilberto Simões Pires

 

BANQUEIROS -LEIA-SE FEBRABAN-

No editorial de ontem, 24, que recebeu o título -LUTA DESIGUAL-, elenquei vários (não todos) integrantes da vasta lista daqueles que desde a posse do atual presidente se colocaram escancaradamente CONTRA O GOVERNO. Na lista daqueles que querem ver o presidente Jair Bolsonaro pelas costas consta - BANQUEIROS (leia-se Febraban), sem especificar os motivos para o tamanho descontentamento que mostram a todo momento com a POLÍTICA ECONÔMICA proposta e executada pelo Ministério da Economia. 

 MOTIVOS

Um dos motivos, indiscutivelmente, diz respeito ao BANCO CENTRAL, que por força e determinação do governo Bolsonaro, se tornou uma instituição INDEPENDENTE. Como bem diz o termo, ao se tornar INDEPENDENTE, o BC deixou, enfim, de ser -DEPENDENTE- DO SETOR BANCÁRIO E/OU FINANCEIRO. Antes disso, mais precisamente no dia 2 de janeiro de 2019, os BANQUEIROS não gostaram nem um pouco quando ouviram o ministro Paulo Guedes dizer, alto e bom som, que o "Brasil deixará de ser paraíso dos rentistas e inferno para empreendedores". 

 DESCOBERTA

Pois, ontem, 24, foi a vez dos BANQUEIROS odiarem não apenas o governo, mas o BANCO CENTRAL - INDEPENDENTE-. O motivo está no anúncio de que a partir de agora (já) está em vigor uma OPERAÇÃO QUE PERMITE que PESSOAS FÍSICAS E JURÍDICAS consultem se têm valores para receber de bancos e outras instituições financeiras. A nota do BC informa que na primeira etapa da iniciativa, cerca de R$ 3,9 bilhões serão -DESCOBERTOS- por 24 milhões de pessoas físicas e jurídicas que -ESQUECERAM- da existência de depósitos que tinham nas suas contas correntes bancárias. Que tal?

 R$ 8 BILHÕES -ESQUECIDOS-

Mais: o Banco Central estima que os clientes tenham R$ 8 bilhões à sua disposição, quer seja para sacar e/ou investir de acordo com seus interesses. Vale dizer que estes valores têm dono e estes donos são pessoas físicas e jurídicas e não os bancos. Para facilitar a vida dos -esquecidos- o Banco Central já disponibilizou um SERVIÇO DE CONSULTA que pode ser feito através do site do BC (https://www3.bcb.gov.br/), usando apenas o CPF ou CNPJ da empresa e quem for cadastrado no login único do governo federal pode usar os mesmos dados. Ah, o resgate do dinheiro pode ser feito via PIX na conta indicada no sistema para bancos e instituições que aderiram a um termo específico junto ao Banco Central ou por meio de pagamento ou transferência a ser informado pela instituição bancária. 

 DUAS FASES

De novo: a consulta e -constatação- de valores estão divididas em duas fases.

Na PRIMEIRA FASE, já disponível, são cerca de R$ 3,9 bilhões de valores a serem devolvidos, como recursos de conta corrente ou poupança encerradas com saldo disponível, além de tarifas, parcelas ou obrigações relativas a operações de crédito cobradas indevidamente (com devolução prevista em Termo de Compromisso do banco com o BC). Também estão incluídos nessa fase cotas de capital e rateio de sobras líquidas de beneficiários e participantes de cooperativas de crédito, assim como recursos não procurados relativos a grupos de consórcio encerrados.

Já a SEGUNDA FASE deve ser iniciada ainda no primeiro semestre de 2022,  quando estarão disponíveis recursos de: tarifas e parcelas ou obrigações relativas a operações de crédito cobradas indevidamente, previstas ou não em Termo de Compromisso com o BC; contas de pagamento pré-paga e pós-paga encerradas com saldo disponível; contas de registro mantidas por corretoras e distribuidoras de títulos e valores mobiliários encerradas com saldo disponível; entre outros.

 

 

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  • Fernão Lara Mesquita, em O Vespeiro
  • 24 Janeiro 2022

 

 Fernão Lara Mesquita

 

Citado em artigo de Jordan Peterson, que remete a tradução de discurso recente do ex-chefe da policia política soviética (NKVD) e presidente eterno da Russia publicado no site http://MEMRI.org

"Os advogados do auto-proclamado 'progresso social' acreditam que estão empurrando a humanidade para um nível de conscientização novo e melhor. Benza deus, hasteiem-se as bandeiras, toda a força à frente. A única coisa que eu quero lembrar é que não ha nada de novo nisso. Pode ser surpresa para muita gente, mas a Russia já esteve lá. Depois da revolução de 1917 os bolchevistas, confiando nos dogmas de Marx e Engels, também diziam que iam mudar todos os comportamentos e costumes, e não apenas os políticos e econômicos; queriam mudar a própria noção de moralidade e os fundamentos de uma sociedade saudável. A destruição de valores solidamente estabelecidos e das relações entre as pessoas até o limite da completa destruição da família (que nós também tivemos), o encorajamento para que as pessoas denunciassem seus entes queridos, tudo isso foi saudado como progresso e, por sinal, foi amplamente festejado pelo mundo afora; estava tão na moda quanto está hoje. E os bolchevistas, nunca é demais lembrar, também eram radicalmente intolerantes com quaisquer opiniões que não fossem as suas próprias.

Tudo isso deveria vir à nossa mente diante do que estamos vendo hoje. Olhando o que está acontecendo em tantos países do Ocidente fico embasbacado de ver de volta as práticas que eu espero que nós tenhamos abandonado para sempre num passado distante. A luta pela igualdade e contra a discriminação transformou-se numa forma agressiva de dogmatismo que beira o absurdo, quando as obras dos grandes autores do passado, como Shakespeare não podem mais ser ensinadas nas escolas e universidades porque suas ideias passaram a ser condenadas como atrasadas. Os clássicos agora são acusados de atraso e ignorância da importância do gênero ou da raça. Hollywood distribui panfletos decretando qual a forma correta de contar uma história e quantos personagens de cada raça e gênero deve haver em cada filme. Tudo isso vai muito mais longe do que foi, lá atras, o Departamento de Agitprop do Comitê Central do Partido Comunista da União Soviética".

*       Publicado originalmente no excelente O Vespeiro: https://vespeiro.com/2022/01/23/a-surpreendente-advertencia-de-putin/

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  • Alex Pipkin, PhD
  • 24 Janeiro 2022

 

Alex Pipkin, PhD

Resolver problemas das pessoas é a atividade precípua do administrador. Como fazer?

Fazendo escolhas e tomando decisões direcionadas para entregar melhores soluções – produtos/serviços/experiências - para os consumidores.

Mas os dias da “empresa individual” se foram; é toda a cadeia de valor que conta para ganhar ou perder dinheiro.

Dentro do ambiente organizacional, tais decisões envolvem talentos humanos, suprimentos, operações, marketing, vendas, finanças, TI, engenharia, P&D, jurídico, entre outros processos.

O pilar da tomada de decisão é a informação.

Presenciamos uma nova revolução industrial trazida pelas tecnologias digitais. Embora incipiente - em algumas situações - já possibilitam extrema automatização e conectividade, mais ampla e mais rápida. Elas potencializam a colaboração!

Esta transformação traz uma infinidade de dados e informações que pode ser aplicada, por exemplo, para desenvolver produtos customizados e inovadores, ajustar operações de imediato, reduzir estoques, realizar investimentos rentáveis, acessar fornecedores mais competitivos, entre outras.

Digitalização virou um mantra. Todos verbalizam. Isomorfismo empresarial empurra a busca, muitas vezes equivocada de “respostas de TI” e obtenção de mais informação que levaria a decisões robustas e mais rápidas.

Mas calma lá! É imperativo respeitar o tempo e estágio organizacional individual e do setor envolvido. Claro que informação é vital, propicia visibilidade.

Visibilidade na cadeia é, sem sombra de dúvida, vital para se solucionar melhor os problemas dos clientes e ganhar mais dinheiro.

O problema é que muitas organizações sequer realizam o singelo básico, como por exemplo, integrar interna e externamente seus processos. Porém, impulsionadas por áreas de tecnologia e/ou consultores externos, desejam visibilidade em nível de comunicação, alardeando novas tecnologias - vide agora o metaverso -, por meio de projetos de marketing que são efêmeros e que não trazem resultados efetivos de longo prazo para as empresas.

Primeiro, indispensável transformar dados em informação acionável. Necessário integrar funcionalmente a organização e toda cadeia de valor para tal acesso.

Penso que uma empresa precisa se concentrar e focar naquelas tecnologias que são essenciais e de maior impacto para seus processos e seus negócios. Por foco considero um aprofundamento da aplicação, de utilização e de desenvolvimento de tecnologias (ex.: inteligência artificial), objetivamente acompanhando e analisando as novidades sob um olhar crítico.

Primordial, de posse de informação, ter habilidades e competências para utilizá-las no processo decisório. Além da retórica, procedimentos operacionais sólidos e cultura organizacional impactam rigorosamente para sua real utilização. Cultura genuína, ou seja, aquela que foi forjada ao longo dos tempos, relacionada com a missão e o negócio, não a acionada em razão de oportunidades de marketing, por vezes desvinculadas do real objetivo organizacional.

Como acadêmico, repito o mantra. A transformação digital irá disruptar todos os setores. Pela experiência executiva, alerto que informação é diferente de conhecimento, que conduz a tomada de decisões eficientes e eficazes.

Todas empresas, com a escala e barateamento, poderão acessar tecnologias e a respectiva visibilidade de dados. Somente algumas – maiores - já estão contratando especialistas de dados que, inexoravelmente, precisam buscar, a princípio, integração interna/funcional. Pari passu, integração externa com parceiros de negócios.

Sugiro iniciar pelo simples e prioritário. Integre internamente. De posse de informação, construa conhecimento, compartilhando-o em toda cadeia de valor. Parece-me essencial que haja uma cultura inspiradora de construção do conhecimento, por meio da aquisição e respectiva utilização dos dados, informações, fatos e relações sociais.

É a utilização da informação que gera o conhecimento através do desenvolvimento de novas habilidades, produtos e processos mais eficientes. Acessar informações é preciso, mas preferencialmente, integrar interna e externamente a fim de produzir conhecimento distinto.

Isoladamente, tecnologia de informação raramente será fonte de vantagem competitiva sustentável, uma vez que esta pode ser imitada pelos concorrentes. Somente o seu compartilhamento é que permitirá a geração de conhecimento para uma tomada de decisão mais efetiva e rápida.

Soa simplório, mas não é. Abandone as panaceias e, primeiro, integre dentro e fora com o “básico”.

Foque nas tecnologias que, de fato, possuem aplicações práticas para seus negócios, e acompanhe às inovações e as tendências de longo prazo com criticidade, para além dos modismos desmesurados.

Só a partir daí passe a pensar em tecnologias digitais revolucionárias. Prefiro as práticas e inovadoras.

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  • Dom Fernando Arêas Rifan
  • 21 Janeiro 2022

 

Nota do editor: Na véspera do  dia do padroeiro do Rio de Janeiro, um grande bispo escreveu aos mártires de hoje, sobre esse grande mártir do cristianismo. 

Dom Fernando Arêas Rifan            

Amanhã celebraremos a solenidade do glorioso mártir São Sebastião, padroeiro da Cidade maravilhosa, nossa capital, e, portanto, especial protetor do Estado do Rio de Janeiro.

Conforme nos explica Dom Orani João Tempesta, Cardeal Arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro, São Sebastião nasceu em Narbona, uma cidade ao Sul da França, no século III. Era filho de uma família ilustre. Ficou órfão do pai ainda menino, e então, foi levado para Milão por sua mãe, onde passou os primeiros anos da infância e juventude.

A mãe educou-o com esmero e muito zelo. Ele ingressou no exército imperial, e, por sua cultura e grande capacidade atingiu os mais altos graus da hierarquia militar, chegando a ocupar o posto de Comandante do Primeiro Tribunal da Guarda Pretoriana durante o reinado de Diocleciano, um dos mais severos imperadores romanos, perseguidor dos cristãos.

Foi denunciado ao Imperador como sendo cristão. Mesmo sendo um bom soldado romano, suas atitudes demonstravam sua fé cristã, e, diante de todos, confessou bravamente sua convicção. Foi acusado, então, de traição. Na época, o imperador tinha abolido os direitos civis dos cristãos. Por não aceitar renunciar a Cristo, São Sebastião foi condenado à morte, sendo amarrado a um tronco de árvore e flechado. Porém, não morreu ali. Foi encontrado vivo por uma mulher cristã piedosa que tinha vindo buscar o seu corpo. Diante do ocorrido, recuperada a saúde, apresentou-se diante do Imperador e reafirmou sua convicção cristã. E nova sentença de morte veio sobre ele: foi condenado ao martírio no Circo. Sebastião foi executado, então, com pauladas e boladas de chumbo, sendo açoitado até a morte e jogado nos esgotos perto do Arco de Constantino. Era 20 de janeiro.

Seu corpo foi resgatado e levado para as catacumbas romanas com grande honra e piedade. Sua fama se espalhou rapidamente. Suas relíquias repousam sobre a Basílica de São Sebastião, na via Apia, em Roma. O Papa Caio escolheu-o como defensor da Igreja e da fé.

Nesses tempos de grande negação da fé e de valores espirituais e religiosos, humanos e sociais, São Sebastião torna-se um grande modelo de ajuda para nós hoje, principalmente aos jovens, envoltos em grande confusão moral e espiritual. Ele é um sinal de fidelidade a Cristo mesmo com as pressões contrárias. Dessa forma, ele continua anunciando Jesus Cristo, por quem viveu, até os dias de hoje. Ele nos ensina a não desanimarmos com as flechadas que recebemos e a continuarmos firmes na fé.

Um mártir não deve ser um estranho para nós. Ainda em pleno século XXI encontramos irmãos e irmãs nossas que são mortos em tantos países, outros têm ainda seus direitos civis cassados por serem cristãos, outros são condenados à prisão ou à morte por aderirem ao Cristianismo, e ainda são expulsos de suas cidades e suas igrejas queimadas. Além disso, muitos são martirizados em sua fama, em sua honra e tantas outras maneiras modernas de “matar” pessoas por causa da fé ou de suas convicções cristãs.

*       O autor é ordinário da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney e bispo-titular de Cedamusa.. 

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