Alex Pipkin, PhD
Eu não sou cinéfilo. Não estudo cinema, não escrevo sobre enquadramentos nem faço reverência a teorias narrativas. Quem me lê, porém, sabe: eu amo o cinema. Amo porque, quando acerta, ele funciona como um espelho moral, desses que deformam o rosto para revelar o caráter. A arte serve para dizer verdades que a vida real prefere esconder atrás de discursos moralmente edificantes e consagrados pelo aplauso social automático.
O cinema sempre foi válvula de escape e laboratório social. Talvez por isso, em tempos de delírio coletivo, a ficção tenha começado a parecer menos imaginação e mais ensaio geral. Há filmes que envelhecem mal; outros envelhecem rápido demais. O Amor é Cego pertence à segunda categoria porque se transformou num diagnóstico exato da realidade vermelho-verde-amarela de 2026.
À primeira vista, é uma comédia romântica leve. Jack Black interpreta um sujeito raso, obcecado por padrões estéticos que jamais alcança. Então surge o guru — sempre surge — oferecendo iluminação instantânea. O truque é singelo. O protagonista passa a enxergar apenas a “beleza interior”. O efeito é cômico. Ele se apaixona por uma mulher que, no mundo real, não corresponde ao ideal que ele dizia cultuar. Para ele, porém, ela é perfeita. Não porque ela mudou, mas porque a realidade foi suspensa.
A genialidade do filme está aí. Não se trata de aprender a ver melhor, mas de aprender a não ver. A hipnose não cria virtude; cria cegueira. Mas quando a cegueira deixa de ser acidente e se transforma em estratégia, ela abandona a ingenuidade e se converte num projeto evidente de poder.
É preciso chamar as coisas pelo nome. Desde Karl Marx, o grande formulador da ideologia do fracasso, a moral é tratada como um incômodo descartável. Para ele, ética é superestrutura: um artifício criado para legitimar relações econômicas. Não existe bem ou mal em si; existe o projeto. Os meios são irrelevantes, desde que o fim seja proclamado como justo. A corrupção, nesse esquema mental, não é um problema moral, é apenas uma ferramenta. Se serve ao projeto, absolve-se. Se escandaliza, relativiza-se. A moral não limita o poder; ela é sacrificada em nome dele.
Por isso o filme é atualíssimo. Basta olhar ao redor para enxergar uma sociedade submetida ao mesmo transe. Não por um guru excêntrico num elevador, mas por uma ideologia inteira que promete redenção enquanto suspende qualquer critério de realidade.
O resultado é a obscenidade normalizada. Ou não? Aposentados roubados no INSS tratados como “falhas técnicas”, Correios afundados sem culpados, escândalos financeiros como no caso Master escancarados recebidos com indiferença moral. A corrupção deixou de se esconder; perdeu o pudor e ganhou, como sempre, narrativas.
O mais espantoso não é a existência do encantador de burros — toda época produz o seu. O espantoso é a multidão disposta a manter os olhos fechados mesmo depois de revelado o velho novo truque.
Enxergar exige responsabilidade, a de admissão do engano. Impõe o “acordar-se”.
Bem, talvez algo esteja mudando. Pesquisa recente indica um dado incômodo para o “hipnotizador de burros”. Até parte dos sustentados pelo assistencialismo tupiniquim começa a rejeitar o encanto. Não é lucidez plena, mas já é um espasmo de consciência no país hipnotizado pela farsa lulopetista.
No filme, a hipnose acaba. Na vida real, ela costuma durar mais, porque rende cargos, discursos, dinheiro sujo, e a confortável cumplicidade dos que fingem não ver. Nenhuma ilusão, porém, resiste eternamente à realidade. Quando o transe se desfaz, o encantador desaparece, o truque fica evidente e sobra apenas o essencial.
Oxalá o país comece a se olhar no espelho e se pergunte, sem anestesia, como aceitou chamar cegueira de virtude, e farsa e ruína de “governo do povo”.
Dartagnan da Silva Zanela
A professora Inger Enkvist, em seus livros e palestras, frequentemente chama a atenção para uma obviedade ululante que, para a infelicidade geral das futuras gerações, é desdenhada por praticamente todos nós. Ela afirma, de forma clara e categórica, que uma nação minimamente séria deve cultivar uma atenção especial para com a educação das tenras gerações; porque, se isso não for feito, estaremos literalmente colocando em risco a existência futura de toda a nossa sociedade. Por essa razão, e por inúmeras outras, não poderia haver espaço para levianas aventuras experimentais nesta seara.
Aliás, quando tomamos a palavra educação e meditamos sobre o seu significado, compreendemos claramente o tamanho do enrosco em que estamos nos metendo, devido à forma como atualmente as autoridades (políticas e intelectuais) vêm tratando a questão. Como todos nós sabemos, educação vem do latim ex-ducere, que quer dizer, simplesmente, "guiar para fora". Deste modo, o ato de educar consiste em levar o infante a sair de seu universo pueril, das suas cercanias subjetivas, para iniciar uma longa jornada por um mundo que vai muito além da sua imaginação. Tal empreitada não é fácil, tendo em vista que muitas e muitas vezes o indivíduo prefere ficar encastelado no conforto do seu mundinho caprichoso do que ser contrariado pelo conhecimento da verdade.
Como a própria professora Enkvist nos lembra — e o bom senso também —, aprender qualquer coisa exige de nós esforço, perseverança e ordem (disciplina); caso contrário, não conseguiríamos integrar uma nova dimensão do conhecimento em nossa personalidade e acabaríamos tolhendo a amplitude do nosso círculo de ação humana. Qualquer um que já estudou uma língua estrangeira, uma arte marcial ou aprendeu a tocar um instrumento musical sabe muitíssimo bem do que estamos falando.
Agora, a visão que norteia a educação em nosso país segue um riscado bem diferente. No lugar da devida valoração do esforço individual, do estímulo à perseverança e do cultivo de ações com propósitos claros, o que temos é o fomento da centralidade em aspectos subjetivos albergados caprichosamente por cada indivíduo em seu íntimo.
Não estou dizendo, de modo algum, que a subjetividade de cada pessoa não seja importante, mas apenas, e tão somente, que ela não deve ser o centro do processo educativo. Fazendo isso, ao invés de possibilitarmos aos indivíduos uma real ampliação da sua capacidade de ação através das ferramentas intelectuais adquiridas, estaremos agrilhoando-os em seus caprichos de momento e, de quebra, estimulando, sorrateiramente, atitudes narcísicas e comportamentos antissociais. E isso, venhamos e convenhamos, é o contrário da educação.
Não é à toa que o analfabetismo funcional impera nestas terras de desterrados, nem por acaso que o número de não leitores nestas plagas é maior que o de leitores.
* O autor, Dartagnan da Silva Zanela, é professor, escrevinhador e bebedor de café. Autor de "O SEPULCRO CAIADO", entre outros livros.
Gilberto Simões Pires
ESTATÍSTICAS NADA CONFIÁVEIS
Mais do que sabido, nos países COMUNISTAS OU SOCIALISTAS, tipo -China, Cuba, Coreia do Norte-, por exemplo, as ESTATÍSTICAS OFICIAIS sempre foram vistas com grande DESCONFIANÇA mundo afora. Como tal são bastante questionadas pelas instituições internacionais, que, gostem ou não, entendem que os DADOS OFICIAIS dos países -COMUNISTAS são PRODUZIDOS com o propósito de serem utilizados em PROPAGANDAS POLÍTICAS ou para VALIDAR O CUMPRIMENTO DE METAS PLANEJADAS PELO ESTADO.
BRASIL COMUNISTA
Como o presidente LULA, em inúmeras oportunidades afirmou, alto e bom som, que ser chamado de COMUNISTA é MOTIVO DE ORGULHO, isto é mais do que bastante para admitir que a sua GRANDE E MAIOR INTENÇÃO é FAZER DO BRASIL UM PAÍS COMUNISTA, como de resto sempre disse e se comprometeu -abertamente- nos encontros anuais promovidos pelo FORO DE SÃO PAULO, organização que foi criada em 1990 por Lula e Fidel Castro e que reúne diversos países da região da América Latina e Caribe.
IBGE
A partir dessas INCONTESTÁVEIS INFORMAÇÕES, não pode ser visto com SURPRESA o FATO do presidente LULA ter escolhido, em agosto de 2023, o -COMUNISTA- Márcio Pochmann para presidir o IBGE- INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA, tido e havido como INSTITUIÇÃO PROVEDORA DE DADOS OFICIAIS DO BRASIL. Pois, desde então o -Sindicato Nacional dos Trabalhadores em Fundações Públicas Federais de Geografia e Estatística- percebeu que o papel de Pochmann tinha tudo a ver com a MANIPULAÇÃO DE DADOS OFICIAIS. E mais recentemente, em NOTA TÉCNICA o sindicato cita inconsistências em relação a referências internacionais, como os -Princípios Fundamentais das Estatísticas Oficiais da ONU-. Mais: reafirmou a defesa do IBGE como órgão de Estado (e não de governo), com autonomia técnica e rigor científico, e anunciou que seguirá denunciando tentativas de esvaziamento institucional.
MANIPULAÇÕES ESTATÍSTICAS
Como se vê, pelas mãos e mentes de Lula, Pochmann e a esquerdalha em geral, o BRASIL já aparece entre os países COMUNISTAS cujas ESTATÍSTICAS OFICIAIS estão sendo VISTAS E/OU PERCEBIDAS COM -DESCONFIANÇA-. Aliás, basta ver o cálculo da TAXA DE DESEMPREGO DO PAÍS, onde o contingente enorme de brasileiros que recebem o BOLSA FAMÍLIA ficam fora da lista de DESEMPREGADOS. Que tal?
Gilberto Simões Pires
O TEMPO NÃO APAGA TUDO...
Uma certeira prova de que -O TEMPO NÃO APAGA TUDO- está plenamente contida, por exemplo, na afirmação feita -alto e bom som- pelo vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, no dia 09 de dezembro de 2017, ao se referir ao então candidato LULA: -DEPOIS DE TER QUEBRADO O BRASIL, LULA DIZ QUE QUER VOLTAR AO PODER-, OU SEJA, -LULA QUER VOLTAR À CENA DO CRIME-.
SETOR CRIME
Ora, passados mais de -OITO ANOS- do dia em que Geraldo Alkimin fez a clara e incontestável afirmação de que -LULA QUERIA VOLTAR À CENA DO CRIME-, O TEMPO SE MOSTROU MAIS DO QUE IMPLACÁVEL NO SENTIDO DE -REAVIVAR-, CONSTANTEMENTE, A MEMÓRIA DO POVO BRASILEIRO. Mais: o TEMPO CIMENTOU A CERTEZA DE QUE O -SETOR CRIME- CRESCEU ACIMA DE TODAS AS EXPECTATIVAS, DEIXANDO PARA TRÁS QUALQUER POSSIBILIDADE DE SER SUPERADO.
SÍTIOS DE LAZER
O mais curioso nesta clara constatação é que EM MEIO A TANTA FALCATRUA sempre aparece um SÍTIO DE LAZER para confirmar a existência de ROUBALHEIRAS. Pois, da mesma forma que LULA deixou suas impressões digitais nas portas e janelas no SÍTIO DE ATIBAIA, que se tornou central nas investigações da OPERAÇÃO LAVA JATO, por conta de REFORMAS PAGAS PELAS EMPREITEIRAS -ODEBRECHT E OAS-; o ministro do STF, Dias Toffoli também deixa claras pistas de que está enroscado com um RESORT de nome -TAYAYÁ- Ou seja, o-TAYAYÁ já é visto como o SÍTIO DE ATIBAIA DO SUSPEITO MINISTRO DA SUPREMA CORTE. Que tal?
RESORT DO TOFFOLI
Como bem diz o jornalista Cláudio Dantas, -embora Toffoli não seja formalmente dono do resort localizado em Ribeirão Claro (PR), o fato é que funcionários do Tayayá o tratam como PROPRIETÁRIO. Na cidade, o empreendimento é conhecido como “RESORT DO TOFFOLI -.
Alex Pipkin, PhD
Hoje, sexta-feira, acordei com a notícia de que o Brasil bateu recorde de arrecadação em 2025. R$ 2,89 trilhões. Recorde. A palavra vem sempre com um brilho indevido, como se fosse medalha olímpica, não a prova silenciosa de um assalto bem-sucedido.
Tecnicamente, e todo mundo sabe, imposto é coerção. Em português direto, sem maquiagem moral, um roubo institucionalizado, com selo oficial, recibo e discurso edificante para aliviar a consciência de quem cobra e constranger quem paga. A notícia não veio com sirenes nem com vergonha. Veio com naturalidade. E é aí que a ficha caiu ou tem que cair.
Existe um momento silencioso da vida adulta em que a ficha cai mesmo. Não despenca. Desliza.
Acontece quando você percebe que acorda cedo, trabalha, calcula, posterga prazeres, controla impulsos e, ao final do mês, sustenta um sócio invisível, improdutivo e moralmente falido. Um sócio que não aparece para trabalhar, não assume risco, não responde por erros e ainda exige gratidão. Crescer, no Brasil, virou pragmaticamente isso, ou seja, bancar a infância permanente de terceiros. E que terceiros…
Na infância, o mundo é simples. Há regras e castigos, mas eles têm rosto. Na vida adulta tupiniquim, o castigo é mais sofisticado. Vem embalado como virtude cívica. Quanto mais responsável você tenta ser, mais o ambiente institucional te reduz. Não à criança curiosa que aprende, mas à criança obediente que entrega o lanche e não pergunta para onde foi. Trabalhe, produza, cale-se. Não rende admiração nem respeito. Rende obrigação.
A mente adulta começa então a fazer cálculos que ninguém confessa em voz alta. Gary Becker explicou, com frieza científica, que o comportamento responde a incentivos. Quando o custo supera o benefício, a conduta muda. O raciocínio, pensado para a economia do crime, invade a vida do trabalhador honesto. Vale a pena se esforçar mais para financiar um sistema que pune quem produz e acaricia quem depende? Vale ampliar renda para ampliar o confisco? Em certos momentos, a resposta íntima é brutal; talvez seja melhor não avançar. Talvez seja melhor ficar parado. Não por preguiça, mas por lucidez.
Enquanto isso, o sistema romantiza a dependência. A irresponsabilidade, como uma névoa verde-amarela, ganha contornos de virtude social. Viver às custas do esforço alheio se transforma em gesto solidário; cobrar passa a ser cuidado; subtrair assume ares de afeto público. Quem resiste é tachado de egoísta, sem coração. Quem calcula é acusado de frieza. Quem questiona é tratado como imaturo, uma ironia perfeita num país que infantiliza adultos e santifica a dependência.
O imposto deixa de ser instrumento e se torna em um duro castigo. Castigo por amadurecer, por planejar, por querer autonomia. Castigo por não aceitar que o fruto do próprio trabalho seja redistribuído conforme humores políticos, sentimentalismo retórico e promíscuas conveniências eleitorais.
No final das contas, o castigo tupiniquim de ser adulto não é pagar imposto. É pagar e ainda ter que dar uma de hiena.
É sustentar um sistema que transforma coerção em virtude, desperdício em política pública e dependência em ideal moral.
É acordar cedo, trabalhar duro e descobrir, ao ler a manchete do dia, que o prêmio pela maturidade é ser tratado como culpado, enquanto o sistema “progressista” posa de generoso, humanista e igualitário. Piada muito séria.
Amarilio Tadeu Freesz de Almeida
O episódio ocorrido na formatura do curso de Direito da Universidade de São Paulo deveria ser estudado no futuro, não como exemplo de excelência acadêmica, mas como marco da degradação ética da universidade pública brasileira.
O ministro Alexandre de Moraes, investido de um dos cargos mais elevados da República, optou por transformar uma solenidade acadêmica em palco de vaidade pessoal, sarcasmo e deboche. Debochou de um réu que ele próprio condenou. Ironizou uma decisão que ele mesmo proferiu. Riu, e fez rir, da desgraça humana de um homem idoso, doente, sob custódia do Estado. Isso não é autoridade. Isso é soberba.
Não se tratou de uma aula, nem de um discurso institucional. Foi um espetáculo grotesco de autocomplacência, no qual o poder se aplaude a si mesmo, sem qualquer freio moral, sem empatia, sem humanidade. Quando um juiz ri do jurisdicionado, o Direito já morreu. O que resta é força nua, travestida de toga.
Mas nada, absolutamente nada, foi tão revelador quanto os aplausos. O entusiasmo juvenil. As gargalhadas. Ali ficou claro que a universidade deixou de formar juristas e passou a fabricar militantes de toga, adoradores do poder, prontos a aplaudir qualquer abuso desde que venha do lado “certo”.
Aplausos à humilhação não são neutros. São escolhas morais. Quem aplaude o escárnio hoje, amanhã o praticará no balcão do fórum, na sala de audiência, no gabinete refrigerado. Quem aprende a rir da dor alheia aprende, com igual facilidade, a ignorá-la.
O mais estarrecedor é perceber que aqueles jovens, que em tese estudam Constituição, dignidade da pessoa humana e devido processo legal, vibraram não com ideias, mas com a desumanização. Vibraram não com o Direito, mas com o poder exercido sem limites.
A universidade, que deveria ser espaço de pensamento crítico, converteu-se em linha de montagem ideológica. Não se ensina a pensar, ensina-se a repetir. Não se ensina a duvidar, ensina-se a aplaudir. Forma-se não o jurista, mas o executor obediente do arbítrio.
E então a pergunta deixa de ser retórica e passa a ser assustadora: que tipo de juízes, promotores, delegados e advogados estão sendo gestados nesse ambiente moralmente falido? Que tipo de Justiça pode surgir de uma geração que confunde crueldade com virtude e ironia com inteligência?
O que se viu naquela formatura não foi apenas uma vergonha acadêmica. Foi um alerta. Um aviso claro de que, quando o poder passa a rir da própria brutalidade e a juventude o aplaude, o Estado de Direito já está em coma. E a toga, nesse cenário, deixa de ser símbolo de Justiça para se tornar fantasia de carnaval autoritário.
* O autor, Amarilio Tadeu Freesz de Almeida, é Procurador de Justiça aposentado do MPDFT, advogado e professor de Direito