• Alex Pipkin, PhD
  • 23 Janeiro 2021


Alex Pipkin, PhD


O economista Armen Alchian foi certeiro quando afirmou que o êxito ou o fracasso de um determinado projeto não dependem necessariamente de uma grande habilidade ou incompetência, e sim de “circunstâncias fortuitas”. Os processos aleatórios são onipresentes em todas as esferas da nossa existência.
Analisando os acontecimentos da minha vida, sem dúvida, eu consigo identificar alguns eventos aleatórios, aparentemente inconsequentes, que me conduziram a grandes mudanças na minha trajetória.
Assim acontece com países, empresas e indivíduos.
Contudo, é bom não dar sorte para o azar. Estudo, preparo, experiências pragmáticas, vontade de fazer acontecer e foco são essenciais.
Mas nesse mundo da disrupção tecnológica, das cadeias globais de valor, da colaboração, da necessidade de complementação de recursos e de capacidades com parceiros estratégicos, e sobretudo, do império das inovações, é fundamental olhar para além do foco, que em algumas situações pode ser estreito.
Tendo sido afirmado que ninguém é uma ilha! Países, empresas e indivíduos dependem de uma rede de conexões com terceiros (vide o tema atual das vacinas!).
Eu diria que a mais grandiosa missão estratégica para as organizações, hoje, é justamente integrar e coordenar as iniciativas estratégicas com todos os membros da cadeia de valor estendida. E neste sentido, há farta literatura suportando que as inovações emergem exatamente dos relacionamentos colaborativos com os parceiros de negócios.
Oportunidades de inovar também podem surgir de encontros aparentemente aleatórios, misturando o foco do negócio a maravilhosa abertura para o desconhecido, projetando e testando novas soluções para os mercados.
Estamos basicamente falando do conceito de serendipidade, ou seja, uma circunstância ou capacidade de descobrir coisas boas por mero acaso, sem previsão.
É muito salutar que empresas eficientes pensem e atuem desta maneira, afinal de contas, são os negócios e as empresas que farão a diferença mais fundamental para a sorte econômica de um determinado lugar.
Entretanto, para que essas oportunidades possam se materializar, é vital ter a mente aberta e receptiva ao “inesperado e diferente”.
E é aqui que eu começo a entristecer e ficar desesperançado com relação aos indivíduos “modernos”.
Nossos homens e mulheres solidificaram as mentes e os corações. Jovens não mais atentam para o fato de que o conhecimento e as experiências deveriam fazê-los refletir sobre suas posições.
Atualmente, todos parecem conhecer “a verdade”, sendo essa diferente dependendo de seus grupos de pertencimento.
O que mais se vê são intolerância e ilusão, que tecnicamente eu chamaria de viés de confirmação. Claro, tenta-se provar que as nossas crenças e ideias - equivocadas e isentas de evidências - é que são as corretas.
Aliás, nada novo. Em 1620, o filósofo Francis Bacon, afirmou que “a compreensão humana, após ter adotado uma opinião, coleciona quaisquer instâncias que a confirmem, e ainda que as instâncias contrárias possam ser muito mais numerosas e influentes, ela não as percebe, ou então as rejeita, de modo que sua opinião permaneça inabalada”.
As mentes se fecharam! Desconsideram-se opiniões alheias, e mais, condenam-se.
Esta é a razão da desesperança, pois se não há troca efetiva de ideias, não existe evolução de ideias e inovações; há apequenamento nas tocas e estagnação.
É o contraditório racional e factível que nos faz evoluir; o experimentar e o refletir sobre visões distintas nos fazem descobrir em quê de fato acreditamos.
A liberdade de expressão está indo para o ralo, especialmente, pela pura rejeição a ideias diferentes daquelas que um indivíduo professa.
Com esta indecente situação, não só se tem mais divisão social, como também se colocam antolhos que impedem aos indivíduos aproveitarem as oportunidades aleatórias que nos permitem inovar, crescer e melhorar nossas condições humanas.

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  • Valterlucio Bessa Campelo
  • 22 Janeiro 2021

 

Valterlucio Bessa Campelo

Carlos Ayres Brito, ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, hoje em dia superadvogado de supercausas junto aos supertribunais, disse em entrevista recente que, do ponto de vista jurídico, o presidente Jair Bolsonaro cometeu crimes de responsabilidade que justificariam um processo de impeachment contra ele. Abaixo alguns trechos da entrevista, retiradas do site da Folha de S. Paulo

 “O povo diz ‘saúde é o que interessa, o resto não tem pressa’, a Constituição, que saúde é dever do Estado e direito de todos. Salta aos olhos: ele promove aglomerações, não tem usado máscara, não faz distanciamento social. Respostas como ‘e daí? ou, ‘não sou coveiro’ não sinalizam um caminhar na contramão da Constituição?”, questionou o ex-ministro do STF.

“Se o presidente não adota políticas de promoção da saúde, segmentos expressivos da sociedade —a imprensa à frente— passam a adverti-lo de que saúde é direito constitucional. Prioridades na Constituição não estão sendo observadas: demarcação de terra indígena, meio ambiente”, lembrou Ayres Brito.

Ainda de acordo com o ex-ministro do STF, o impeachment é a “mais severa sanção” e “tem explicação”. “Somente se aplica àquele presidente que adota como estilo um ódio governamental de ser, uma incompatibilidade com a Constituição. É um mandato de costas para a Constituição, se torna uma ameaça a ela. E aí o país se vê numa encruzilhada. A nação diz, “olha, ou a Constituição ou o presidente. E a opção só pode ser pela Constituição’, disse. Em outro momento, o ex-ministro afirmou que Bolsonaro merece um processo de impeachment pelo “conjunto da obra”.

O que vemos acima, sabe muito bem o ex-ministro, figurinha fácil diante de holofotes e microfones da imprensa, pode ser facilmente classificado no item falácia da ampliação indevida, proposto pelo filósofo alemão Artur Schopenhauer em sua dialética erística, publicada postumamente e popularizada como “38 estratagemas para ganhar uma discussão sem ter razão”. A julgar por sua entrevista, Ayres Brito é um falacioso descarado, que conta com o favor da mídia militante para reverberar seus falsos argumentos como verdadeiros.

Neste caso, Ayres Brito usa o estratagema da ampliação indevida. Trata-se, em síntese, do seguinte: Quanto mais genérica for a acusação, maior será a possibilidade de ataques a ela, portanto, a tese mais genérica é, também, a mais indefesa porque admite um número bem maior de ataques.

Quando, Ayres Brito diz que o “conjunto da obra” faz razão de pedir o impeachment ele, voluntariamente, abre um leque quase infinito de ataques ao presidente. Ou seja, qualquer declaração ou ação do Presidente em dois anos de mandato, pode ser apresentada como “prego” na construção da bomba que derrubaria seu mandato, embora, em si mesma nenhuma delas seja de fato relevante. Obviamente, Ayres Brito não faz essa argumentação medonha como jurista respeitável, ele fala como se ainda fosse filiado ao PT, onde militou por 18 anos. Seus antigos companheiros agradecem.

Por outro lado, fica o alvo – Bolsonaro, obrigado a se defender de todos os “pregos” argumentativos lançados diariamente, sem trégua, pela imprensa e políticos adversários. Aí está a falácia da ampliação. Ou Brito acha que a frase “não sou coveiro” derruba um presidente democraticamente eleito? Quem sabe, o não uso de máscara vira crime de responsabilidade? Soaria ridículo, se não fosse trágico. Na falta de motivos, ele apela para o meio ambiente, política indígena etc., somando tudo como um saco de batatas a que dá o nome de conjunto da obra.

Bem sabe Ayres Brito que, a não ser por novo salto triplo hermenêutico no STF, os argumentos elencados por ele mesmo são ridículos e “conjunto da obra” não enseja impeachment. Do contrário, a extensa trama político-administrativa que envolveu o mensalão teria derrubado Lula e a Dilma nem teria sido reeleita. Aliás, fica ele devendo o artigo que estaria tipificado o “conjunto da obra”.

Ciente disso, em outra frente, mais pragmática, mas no mesmo sentido, labuta agora o Deputado Rodrigo Maia, também conhecido pela alcunha “botafogo” nas planilhas da ODEBRECHT. Sugere o filho de César Maia (outro enrolado com a Justiça), que “não há como o governo escapar de uma Comissão Parlamentar de Inquérito - CPI em razão da questão da falta de oxigênio em Manaus”. Maia, o novo/antigo aliado da extrema-esquerda quer criar o “fato determinado” que caracterize uma CPI, para que daí surja um eventual crime de responsabilidade capaz de motivar um pedido de impeachment. Se tudo sair como planejado, o Baleia Rossi estará a postos como presidente da Câmara dos Deputados para o serviço seboso.

Voltemos a Schopenhauer. Da falácia da ampliação indevida decorrem outras formas de ganhar o debate sem ter razão. Uma delas é a mudança de sentido de frases ou palavras. Tomemos a declaração do ex-ministro em forma de pergunta: “Respostas como ‘e daí?’ ou ‘não sou coveiro’ não sinalizam um caminhar na contramão da Constituição?” Ora, é obvio que as frases infelizes do Bolsonaro não são mais do que isso mesmo - infelizes. Vistas em seu contexto, cada uma das respostas dadas pelo Presidente foi, no máximo, indelicada. Que história é essa de “caminhar contra a constituição”? Neste caso, Brito altera o sentido da frase de Bolsonaro (Schopenhauer explica) e o ataca sem nenhuma lógica. Novamente, está sendo intelectualmente desonesto.

Em outro trecho, Ayres Brito insinua que o presidente “adota como estilo um ódio governamental de ser, uma incompatibilidade com a Constituição. É um mandato de costas para a Constituição, se torna uma ameaça a ela”. Notaram a palavra ódio colocada na frase sem cabimento? Ela apareceu aí do nada? Não. No melhor estilo descrito pelo filósofo alemão ela foi inserida como sinônimo de qualquer coisa que se queira, para que se possa atacar este “ódio” fantasioso. Que contorcionismo hermenêutico encontraria sentido neste “ódio governamental”? Entretanto, o sujeito – Bolsonaro, terá que se defender dessa sinonímia picareta criada apenas para atacá-lo.

Enfim, percebe-se ao olhar de modo um pouquinho mais apurado, que nos dias de hoje a “verdade” lida nos jornalões não existe. A grande mídia morreu. A imprensa mainstream renunciou ao seu melhor papel, o da informação, e dedica-se exclusivamente a militar por uma causa – o progressismo e a necessária eleição de governos de esquerda. Para isto, atrai, como vimos, uma autoridade do mundo jurídico, o que também já está em Schopenhauer (argumento da autoridade), que se presta ao serviço de construir em entrevista flagrantemente guiada, uma falácia ampliada indevidamente, visando sustentar a viabilidade jurídica de um impeachment contra o presidente que se elegeu e se sustenta contra todo o establishment.

Tristemente, aos 78 anos de idade, Ayres Brito empresta seu brilho e história como constitucionalista a este embuste que o conluio mídia-justiça-parlamento concerta contra o voto legitimo do povo brasileiro. Retorna sob aplausos às suas origens petistas.

Nós, pessoas comuns, precisamos atentar que a luta não é simplesmente entre a orfandade de Lula abrigada em siglas de esquerda e o Bolsonarismo confuso que tenta falar à sociedade pelas mídias alternativas, mas entre visões de mundo opostas. Uma, de ruptura coletivista, assassina, autoritária e globalista e, outra, de avanço reformista, liberal, democrático e nacional. Este é, afinal, o jogo que está sendo jogado no mundo inteiro. A escolha é de lado e não de personagens.

*   Valterlucio Bessa Campelo escreve opiniões e contos em seu BLOG

**  Enviado pelo autor

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  • Gilberto Simões Pires, em Ponto Crítico
  • 22 Janeiro 2021

 

Gilberto Simões Pires, em Ponto Crítico

MOVIMENTO - FORA BOLSONARO -

Desde o momento em que foi dada por encerrada a apuração dos votos que elegeram Jair Bolsonaro como presidente do Brasil, seus opositores deram início, com forte apoio da MÍDIA ABUTRE, a um MOVIMENTO com o -confessado- propósito de CASSAR, o mais rápido possível, a CHAPA VENCEDORA, ou seja, de uma só tacada tirar o presidente Bolsonaro e o vice Hamilton Mourão.

 APOIOS IMPORTANTES

Vale lembrar, e repetir à exaustão, que na medida em que o governo Bolsonaro tratava de dar seguimento ao programa que -vendeu- aos eleitores durante a campana eleitoral, o MOVIMENTO DA OPOSIÇÃO jamais deu trégua: seguiu, e segue como nunca, focado no IMPEACHMENT do presidente. Como se viu ao longo de 2020, as FORÇAS DO MAL, lideradas pela MÍDIA ABUTRE, que não se conforma com a perda de BILHÕES DE REAIS em publicidade governamental, e pelo indescritível presidente da Câmara, Rodrigo Maia, ganharam o apoio do STF, cujos 11 ministros, de forma monocrática ou mesmo colegiada, resolveram acumular as FUNÇÕES DOS TRÊS PODERE

IMPEACHMENT

Ora, para que fique bem claro, a atitude de pedir e/ou exigir o IMPEACHMENT do presidente deveria caber aos seus eleitores, apontando como motivo o DESCUMPRIMENTO DAS PROMESSAS FEITAS DURANTE A CAMPANHA ELEITORAL. Pois, o que estamos vendo é o contrário: os OPOSITORES, motivados pela possível perda de privilégios e certos DIREITOS NOJENTOS E INCONCEBÍVEIS, se mostram indignados e insatisfeitos com as pretensões do governo, que não consegue colocar em prática o que prometeu.   

 NOTA PÚBLICA EMITIDA PELA PGR

Pois, ontem, como se cansado de tantos desmandos, o chefe da Procuradoria Geral da República , Augusto Aras, levou pânico ao STF ao emitir uma NOTA PÚBLICA cujo teor aponta o RISCO DE O ATUAL ESTADO DE CALAMIDADE PROGREDIR PARA O ESTADO DE DEFESA, previsto na Constituição, que pode ser decretado pelo Presidente da República a fim de PRESERVAR OU RESTABELECER "A ORDEM PÚBLICA OU A PAZ SOCIAL ameaçadas por grave e iminente instabilidade institucional ou atingidas por calamidades de grandes proporções na natureza". Tal recurso, sujeito à aprovação do Congresso em DEZ DIAS, permite ao presidente restringir direitos da população.

 PERPLEXO

O curioso, mas nada surpreendente, foi o grito do ministro Marco Aurélio Mello, do STF, se dizendo PERPLEXO COM A NOTA. "A sinalização de que tudo seria resolvido no Legislativo causa perplexidade", afirmou o péssimo ministro. Disse mais: - "Não se pode lavar as mãos, não é? O que nós esperamos dele (Aras) é que ele realmente atue e com desassombro, já que tem um mandato e só pode ser destituído, inclusive, pelo Legislativo", acrescentou. Que tal?

 ARTIGO 142

O fato do ministro Marco Aurélio ter afirmado que é "impensável" qualquer decreto de ESTADO DE DEFESA no atual contexto, mesmo admitindo que esta providência está prevista no artigo 136 da Constituição, aí o membro do nojento STF, pediu, alto e bom som, que o presidente Jair Bolsonaro faça uso imediato do ART. 142 da Constituição. Como bem diz o bom jurista Ives Gandra Martins, o artigo 142 diz que -para a DEFESA DA DEMOCRACIA, do ESTADO E DE SUAS INSTITUIÇÕES, se um Poder sentir-se atropelado por outro poderá solicitar às Forças Armadas que ajam como Poder Moderador para repor, naquele ponto, a lei e a ordem, se esta realmente tiver sido ferida pelo Poder em conflito com o postulante". Que tal?

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  • Adriano Marreiros
  • 20 Janeiro 2021

... pastoreado por lobos...

Adriano Marreiros

Imagine there’s no coutries (ainda John Lennon e seu hino globalista)

Não lembro exatamente qual era o assunto, mas lembro claramente da primeira vez que tive contato claro com o globalismo: após algo ser dito por uma colega, eu falei – Mas isso viola a Soberania do país!!! – recebendo logo a resposta que hoje sei ser globalista: “o conceito de soberania mudou, não é mais absoluto”...

Tive que rir. Nunca ouvira nada mais cínico na vida. Uma soberania não absoluta é uma autonomia, não é uma soberania.  Sempre foi essa a diferenciação.  Pode parecer um mero jogo de palavras, mas o jogo é com sua Liberdade, sua propriedade, suas tradições, com o poder do seu voto, aquele que emana do povo e só deveria ser exercido em seu nome.

Mas aí, comecei a ver que em copas do mundo, jogadores se negavam a cantar seus hinos; em outros esportes, se ajoelhavam em desrespeito, tudo com grande apoio da imprensa, e dos modinhas de sempre até chegar ao ponto em que existem propostas reais de alterar o hino da França, do Rio Grande do Sul e já mudaram o do Canadá, tudo por razões que apenas parecem estúpidas mas que são um método para destruir a herança histórica, as identidades regionais nacionais  e acabar com o próprio conceito de nação e de tradição.

Depois comecei a ver gente defendendo que as decisões, até do Supremo Tribunal Federal, poderiam ser revistas por tribunais internacionais, globalistas, como se realmente não houvesse soberania.

Vi mais... Vi gente dizendo que, para sair de tratados que violavam nossa soberania, teríamos que fazer todo um procedimento e só depois de um prazo poderíamos descumpri-los... Lamento dizer: ISSO É UMA GRANDE BESTEIRA!!! Isso mesmo! BESTEIRA!  Soberania é fundamento de nosso país como consta da Constituição, e, como tal, é cláusula pétrea e completamente indisponível para quem quer que seja.  Se um presidente assina um tratado que viola nossa soberania, nos coloca sob jugo estrangeiro ou internacional, isso equivale àquele seu despachante, que recebe uma procuração com poderes especiais estritamente para fazer a transferência de um carro para o seu nome, e resolve transferir, com essa procuração, a sua casa para o nome dele.  Pode assinar tudo, negociar tudo, mas o que ele fez não vale nada.  Não valendo, pouco importa maioria simples, absoluta, de 3/5, tratar sobre direitos humanos ou sobre alta gastronomia compulsória: mesmo o Congresso Nacional aprovando, continua não valendo nada.

Ah, mas se o próprio Supremo disser que vale sim, é ele que dá a última palavra.  Bem, estou falando de Direito, mas já que você tocou nisso, não posso criticar esse argumento, há “perigo à espreita na mata tão voraz”, encerro por aqui, enquanto não me sai da cabeça um trecho da mesma canção militar:

A nossa luta pela força do Direito

Com o direito da força em validade.

(Da Canção do CIGS, de Newton Aguiar)

P.S.  #TodasAsVidasImportamDesdeAConcepção

P.S. 2.  Quando escrevo globalismo ou globalista, o Word sublinha em vermelho como se fosse palavra errada ou inexistente...

Crux Sacra Sit Mihi Lux / Non Draco Sit Mihi Dux 
Vade Retro Satana / Nunquam Suade Mihi Vana 
Sunt Mala Quae Libas / Ipse Venena Bibas

(Oração de São Bento cuja proteção eu suplico)

 

*    Adriano Alves-Marreiros é Cronista, pessimista, Mestre em Direito, membro do MCI e MP Pró-Sociedade e autor da obra Hierarquia e Disciplina são Garantias Constitucionais, da Editora E.D.A.

**   Publicado originalmente no Tribuna Diária.

     https://www.tribunadiaria.com.br/ler-coluna/711/sobre-um-unico-rebanho-mundial.html

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  • Leandro G.M. Govinda
  • 19 Janeiro 2021

 

Leandro G.M. Govinda

Em decisão polêmica, uma juíza de Goiânia determinou a soltura de uma advogada que estava presa preventivamente por suspeita de envolvimento com uma organização criminosa. De acordo com a decisão, a detenta era vegana e supostamente não estava recebendo alimentação adequada no presídio, razão pela qual a juíza substituiu a prisão por medidas cautelares diversas.

Antes de mais nada, cumpre notar que as decisões judiciais, como qualquer ato público, estão sujeitas ao escrutínio popular, afinal o poder exercido por magistrados, como os demais poderes estatais, emana do povo. Os processos judiciais são, em regra, públicos justamente para permitir que o cidadão possa acompanhar o trabalho do Poder Judiciário. Agora, esse direito à critica não se confunde com ataques pessoais e ameaças dirigidas a quem que proferiu a decisão, o que é inadmissível em uma sociedade livre.

Sobre a decisão propriamente dita, de fato, não foi acertada. Aparentemente, a juíza entendeu que a advogada presa, por ser vegana, necessitava de um cardápio especial. Não há dúvidas de que o Estado deve prestar assistência às pessoas presas, o que inclui fornecer alimentação suficiente e suprir as suas necessidades pessoais (artigos 10, 12 e 41, I, da Lei de Execução Penal). Isso não significa que o preso tem direito de escolher o que vai comer, afinal o refeitório da prisão não é um restaurante cinco estrelas com serviços à la carte. Perceba-se que a lei empregou a expressão “necessidades” pessoais e não “preferências” pessoais. O dicionário Michaelis ensina que “necessário” é aquilo “impossível de ser dispensado; obrigado a ser cumprido, inevitável”, ou seja, algo imperioso, impositivo. No caso da alimentação, algumas pessoas têm alergia a determinados alimentos, como o glúten. Essas pessoas, quando ingerem esse componente, têm reações que vão desde um desconforto intestinal até vômitos e diarreia, o que certamente pode colocar em risco a sua saúde. Nesse caso, pode-se dizer que é necessário oferecer alimentação sem glúten para um detento com essa condição. Mas repare-se que a pessoa não escolhe ser alérgica ao glúten. Essa alergia é inerente a determinados organismos humanos.

Já ser vegano é uma opção para aqueles que acreditam que a alimentação baseada unicamente em recursos vegetais proporciona mais qualidade de vida, além de não agredir o bem-estar dos animais. Só que essa opção, como tantas outras na vida, é própria das pessoas livres. Os grupos defensores de direitos humanos precisam entender que a pessoa presa não tem apenas a sua liberdade cercada. Enquanto preso, o sujeito sofre restrições de todo tipo e precisa se adaptar. Por exemplo, um cidadão que estava acostumado a dormir em uma cama king, com colchão ortopédico e travesseiros com plumas de ganso certamente terá dificuldades para dormir em uma cama de presídio e, como se sabe, noites mal dormidas podem causar danos à saúde. Igualmente, um praticante assíduo de natação, enquanto estiver preso, não poderá exercitar o seu nado, ainda que natação seja um dos esportes mais benéficos para a saúde humana. Eu mesmo tenho o hábito de tomar todos os dias de manhã um suco composto por cerca de 30 ingredientes, entre frutas, legumes, verduras e sementes. Esse suco custa caro e dá um trabalho danado para preparar (escolher os ingredientes no supermercado, lavá-los cuidadosamente, cortá-los em pequenos pedaços, separá-los em porções, batê-los no liquidificador e depois limpar toda a sujeira na cozinha, sob os olhos vigilantes da minha esposa), mas o médico nutrólogo que consultei garante vida longa e saudável para quem tomar esse suco diariamente. Apesar disso, em uma prisão, dificilmente encontraria um carcereiro disposto a preparar todos os dias esse suco especialmente para mim.

Da mesma forma, um vegano não tem nenhuma legítima expectativa de ser alimentado com um cardápio cuidadosamente balanceado como estava acostumado fora do cárcere. Aliás, causa estranheza um vegano ter dificuldades para se adaptar à dieta na cadeia. Não sei como é o cardápio no sistema prisional em Goiás, mas é improvável que falte alimentos de origem vegetal. No começo da minha carreira como Promotor de Justiça, fiscalizei os presídios na região metropolitana de Florianópolis e nunca ouvi um preso reclamar da falta de arroz, feijão, pão ou batata. Os itens escassos eram carne, frango, peixe e musse de chocolate, mas isso não deveria ser um problema para um vegano. De qualquer maneira, a ausência de um cardápio especial não seria motivo para conceder liberdade ao preso, assim como também não seria lícito soltar um detento porque ele não consegue dormir na prisão ou porque ele não pode praticar o esporte como usualmente fazia fora da cadeia. Se a pessoa quer conservar os seus hábitos, isso é apenas mais um motivo para não cometer nenhum crime, a fim de evitar a clausura, porque, uma vez presa, o cidadão deixa de gozar de certos privilégios próprios das pessoas livres, entre os quais escolher a sua dieta.

A magistrada de Goiânia até poderia estar preocupada com a saúde da detenta. O que talvez lhe passou despercebido é que a deterioração da saúde da advogada presa não foi causada pelo Estado, já que, ao que tudo indica, não havia outros presos em estado famélico nesse estabelecimento prisional. A saúde dessa detenta pode ter se debilitado porque ela se recusou comer o que lhe era servido. Daí a concluir que o Estado deveria satisfazer o exigente paladar da presidiária é um perigoso salto de complacência com pessoas que nem de longe merecem tamanha distinção.

 

* Artigo enviado ao site pelo autor. Leandro G.M. Govinda é Promotor de Justiça em Santa Catarina e aluno do Mestrado em Direito na Universidade George Washington em Washington D.C. Formou-se em Direito na Universidade Federal de Santa Catarina e especializou-se em Direito Tributário pela Universidade do Sul de Santa Catarina. Foi pesquisador do CNPq, Técnico e Auditor-Fiscal da Receita Federal e Procurador da Fazenda Nacional. Ex-Professor da Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL) e da Escola do Ministério Público. Escreveu artigos publicados na Revista Tributária e de Finanças Públicas, na Revista Fórum de Direito Tributário, na Revista dos Tribunais (RTSUL), na Revista Eletrônica “Jus Navigandi” e no portal “Meu Site Jurídico”.

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  • Alex Pipkin, PhD
  • 17 Janeiro 2021

Alex Pipkin, PhD

Talvez por não ser publicitário, normalmente propagadores de cânticos otimistas em relação a vida em sociedade e a cultura, eu tenho sido, para além de pessimista?, temeroso quanto ao nosso futuro.

As razões para o meu “desespero” são para lá de objetivas e verificáveis na realidade prática.

Vivemos na atualidade dois grandes miasmas sociais, culturais, econômicos e políticos.

De um lado, uma mera crença religiosa de um coletivismo contraprodutivo e destruidor, que toda vez que foi tentado, produziu miséria, pobreza, violência e horror.

De outro, uma espécie de existencialismo, que desconsidera o ser pensante, e sobrevaloriza seus sentimentos e a sua vivência interior.

Ambos os miasmas, embora retoricamente nobres, são completamente abstratos e léguas de distância das experiências humanas concretas e objetivas.

O lema-chave nessa sociedade pós-moderna é “viva o amor”; lindo não acham?!

Porém, todos aqueles que pensam de maneira mais pragmática e objetiva, como eu, são taxados de “isentos de amor”, homens e mulheres sem coração...

Os julgamentos baseados em meras crenças, de valor, apoderaram-se da objetividade e da lógica comprovada; vale aquilo que se alinha com as vontades imediatas de sujeitos com transparentes objetivos particulares e de grupos.

Gosto de filosofias poéticas, mas essas não podem e não devem se sobrepor aos fatos e à realidade.

Pois a Covid-19, apesar da luta ideológica patética, dos mais de três patetas, todos ávidos pelo poder, reacendeu com tudo a chama da nefasta crença coletivista, nas instituições e na própria população, trazendo a falácia de que a salvação dos problemas das pessoas deve vir do grande - e ineficiente - Estado.

Esta é, reiteradamente, uma fantasia sedutora que soa como verdade e que nega a realidade dos fatos.

Objetivamente, os incentivos institucionais que precisariam ser invertidos para o estímulo das garantias e das liberdades individuais e econômicas, loucamente serão recrudescidos em prol de políticas públicas coletivistas.

  A bagunça cultural, social, econômica e política é gigantesca, justamente porque os seres humanos aparentam ter perdido o vínculo objetivo com as experiências engendradoras que servem para capturar a verdade da realidade, e o resultado é o domínio do pensamento mágico do coletivismo.

Aliado a isso, os ares existencialistas nos tornaram refratários a “moral” - que palavra opressora! -, enclausurando-nos em nossos próprios “eus” e egos delicados, e fazendo-nos perder o mais profundo senso de identidade e nossos vínculos e oportunidades com mundo exterior e a realidade para além de nossas cabeças.

A universidade aqui fez um trabalho brilhante!

Meu Deus, claro que há realidade, verdades e o certo e o errado!

Especialmente os mais jovens, parecem querer habitar a terra de Alice, de fantasias e de guloseimas mil, repletos de direitos, mas despossuídos de responsabilidades.

Eu acredito que os verdadeiros preceitos religiosos (e esses são praticados individualmente) servem de parâmetros morais que nos orientam quanto aos propósitos individuais e coletivos e, assim, sobre nossas responsabilidades, conosco e para com os outros.
Os princípios do individualismo metodológico nada tem a ver com as doenças pós-modernas do egocentrismo e dos distúrbios de personalidade.

Que mundo é esse? E o pior, a tendência é de agravamento deste quadro sombrio.

Nunca se viu tantas pessoas abdicarem das responsabilidades por seus próprios atos.

E a “providência” coletivista tem esse grande mérito. Que horror...

A culpa pelos fracassos individuais nunca é do indivíduo, sempre há o grande ambiente externo e/ou alguns outros para se jogar a responsabilidade, a raiva e a inveja.

Bem, ou os indivíduos em casa, na supervisão das escolas e nos círculos de interação mais próximos, começam a exercer e valorizar os genuínos valores individuais, centrados nas verdades objetivas, nos valores morais e nas responsabilidades pessoais, ou às liberdades individuais e econômicas, e o desenvolvimento econômico, cultural e social irão definitivamente desaparecer, por mais um longo período, do mapa verde-amarelo.

Pessimista, eu? Mas há muita gente que adora o coletivismo e a convivência com zumbis deambulantes.

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