Aqui se cultuam grandes pensadores e líderes que impulsionaram positivamente a história.

“O estado deve ser um servo. E não um mestre!”

Margaret Thatcher

"Todos querem viver à custa do Estado, mas esquecem que o Estado vive à custa de todos".

Frédéric Bastiat

"Justiça sem misericórdia é crueldade."

S. Tomás de Aquino

“No final de contas, o valor de um Estado é o valor dos indivíduos que o compõem.”

John Stuart Mill

"A Cultura é o mar onde navega ou se perde, bóia ou naufraga o barco da política partidária".

Olavo de Carvalho

"Os marxistas inteligentes são patifes. Os marxistas honestos são burros. E os inteligentes e honestos nunca são marxistas."

José Osvaldo de Meira Penna

"As pessoas não serão capazes de olhar para a posteridade, se não tiverem em consideração a experiência dos seus antepassados."

Edmond Burke

"Cuidado com o Estado. Ele é perigoso e anda armado.”

Roberto Campos

"⁠Como os comunistas perceberam desde o início, controlar a linguagem é controlar o pensamento - não o pensamento real, mas as possibilidades do pensamento."

Roger Scruton

"Um homem com convicção pode superar uma centena que tem apenas opiniões."

 

Winston Churchill

 

"O poder concentrado sempre foi o inimigo da liberdade."

Ronald Reagan

Artigos do Puggina

Percival Puggina

20/02/2024

 

Percival Puggina

 

         Escrevo sobre a frase de Lula a respeito da guerra entre Israel e o Hamas:

“O que está acontecendo na Faixa de Gaza com o povo palestino não existiu em nenhum outro momento histórico. Aliás, existiu. Quando Hitler resolveu matar os judeus”

Pois é. Se Lula fosse judeu e estivesse sentado na cadeira de Netanyahu é óbvio que a estas alturas já teria tomado meia dúzia de chopes com Al-Synvar. O terrorista teria trazido seus reféns de volta para aconchego familiar em Israel e, meio sem jeito, diria a Lula “Foi mal!”. Lula, por sua vez, encerraria o ciclo de negociações bebuns com um “Desculpa qualquer coisa, companheiro” e voltado cambaleante para casa. Mas Lula não é judeu, não é primeiro ministro de Israel, Al-Synvar é terrorista casca grossa e não bebe.

Então, como cidadão brasileiro, se pudesse falar a Lula, lhe diria o mesmo que o rei Juan Carlos I, de Espanha, disse a Hugo Chávez em novembro de 2007: “Por que no te callas?”. Mania essa de ficar, sempre, no lado errado da História, arrastando suas vítimas à mesma perdição!

Para quem não lembra, escolher o lado errado é uma síndrome petista. Querem ver?

  1. O petismo foi contra a Constituição Federal (ele a queria mais socialista);
  2. Foi contra o Plano Real;
  3. Foi contra o pagamento da dívida externa;
  4. É contra as privatizações;
  5. É contra a Lei de Responsabilidade Fiscal
  6. É contra o teto de gastos;
  7. É contra o agronegócio;
  8. É contra o marco temporal e quer entregar tradicionais áreas de lavoura aos índios;
  9. Apoia as estripulias imobiliárias dos quilombolas;
  10. É contra o direito de propriedade;
  11. É contra o direito de herança;
  12. Quer implantar a novilíngua e impor a tirania do “politicamente correto”;
  13. Apoia, sustenta e agora alimenta as ditaduras de esquerda;
  14. Quer impor a censura das opiniões;
  15. Quer patrulhar as redes sociais;
  16. Criou o MST que promove invasões;
  17. Incentiva conflitos, quer sejam de classe, quer sejam identitários;
  18. Condena a atividade policial e protege a criminalidade;
  19. Quer desarmar as instituições policiais;
  20. Manifestamente entende que direitos humanos são privativos de bandidos e companheiros;
  21. Quer políticas de desarmamento dos cidadãos de bem;
  22. Jamais cogita em tomar as armas dos bandidos e enfrentar os estados paralelos das organizações criminosas;
  23. Opõe-se à redução da maioridade penal;
  24. Possui verdadeira fobia por presídios e órgãos de segurança;
  25. Vale-se da laicidade do Estado para sufocar os valores cristãos, relegando-os ao silêncio das consciências individuais, mas libera e estimula o ataque furioso e multiforme a esses mesmos valores;
  26. Transforma as salas de aula em laboratório de encolhimento de cérebros e formação de militantes;
  27. É contra a escola sem ideologia, homeschooling e escola cívico-militar;
  28. Defende o aborto e naturaliza sua prática;
  29. Oficializa o racismo com leis de quotas;
  30. Criou e instituiu o Foro de São Paulo;
  31. Aparelha a administração pública e os poderes de Estado com seus filiados e aliados;
  32. Onde exerce o poder, defende toda pluralidade, menos a de expressão divergente, mesmo quando amplamente majoritária;
  33. Financia obras para companheiros e governos maus pagadores;
  34. Empenhou-se em impingir à sociedade o PNDH-3 e, agora, quer aplicar a ideologia do partido à rede de ensino com o programa da Conae;
  35. Proporcionou os dois maiores e mais rumorosos escândalos de corrupção deste século, o mensalão e o petrolão.

Tendo sido testemunha viva e atenta desse período da história republicana, conheço pessoas que se encantam com o lado desastroso da história e querem viver nele. Não entendo os que, recusando o inteiro pacote resumido acima, deixam cair os braços, afirmam estar tudo dominado, e repetem, sem cessar, que falar não resolve. Ora, se não resolvesse, Lula e seus consectários não incluiriam entre os objetivos estratégicos comuns os itens 14 e 15 acima.

Percival Puggina (79) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.

 

 

Percival Puggina

18/02/2024

 

Percival Puggina

         Acordei, nesta manhã de domingo 18 de fevereiro, com a sensação de estar revivendo dias marcados pela inutilidade do tempo, como se o chão dos meses e anos passasse sob nossos pés, fosse adiante e nós ficássemos para trás. Lembrei-me, então, de um livro que publiquei em 2015 – “A tomada do Brasil pelos maus brasileiros”. Era inevitável a lembrança, afinal, estamos às voltas com os problemas de dez anos atrás agravados em proporções exponenciais.

Apanhei da biblioteca o livro financiado por crowfunding e pus-me a folheá-lo, apreciando a esplêndida edição que o amigo jornalista Mateus Colombo Mendes elaborou para a editora Concreta e que rapidamente se esgotou. A obra foi gratificada por prefácio do mestre Olavo de Carvalho que inicia assim, com generosidade e amizade:

“Decorridos quarenta anos de decadência do jornalismo (digo do jornalismo porque no caso da literatura seria mais apropriado falar em desaparição), ler os artigos do Percival Puggina é um dos poucos consolos que restam a quem estreou na profissão na época de Nelson Rodrigues, David Nasser, Carlos Lacerda, Rubem Braga, Antônio Maria e não sei mais quantos. Hoje em dia, quando se diz que um sujeito é jornalista, o que se entende é que ele não é de maneira alguma um escritor. Então, digo logo de cara, Percival Puggina não é um jornalista. É um escritor.”

Uma curiosidade desse livro é que reuni nele dois amigos pessoais que à época andavam às turras: o Olavo e o Constantino. Na apresentação que ocupa a primeira contracapa do livro, Rodrigo Constantino escreve:

“Para construir uma sociedade de verdade, livre e próspera, pilares morais são fundamentais. No caso, a moralidade presente na tradição judaico-cristã ocidental seria a resposta contra tanta subversão de valores que assola nosso país, tendo o PT como seu maior sintoma. É esta a principal mensagem deste livro de Percival Puggina, com olhar sempre arguto e coragem para remar contra a maré vermelha e colocar o dedo na ferida. A começar por não ter receio de se referir aos indecentes que tomaram conta do país como “os maus”.

Recentemente, o CEDET, em sua área de distribuição de livros tomou o encargo de reimprimir A tomada do Brasil pelos maus brasileiros, de modo que, hoje, basta procurar no Google para encontrá-lo em diversos fornecedores. Na condição de autor, faço aqui a divulgação dessa possibilidade que se abriu num momento em que, andando para trás, nos reencontramos com os maus.

Sim, porque os males são visíveis e a farsa se repete, como farsa, em versão piorada.

Percival Puggina (79) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.

 

Percival Puggina

16/02/2024

 

Percival Puggina 

A Educação pode ser a salvação ou a perdição de um povo. Uma Educação que crie condições para o desenvolvimento de aptidões, talentos, competências, virtudes, bem como a superação de dificuldades, promove o bem pessoal e social. Uma “educação” que negligencie estes aspectos e veja a si mesma como instrumento político para aliciamento e formação de militantes resulta em miséria e discriminação. Todas as suas experiências são miseráveis, sendo o êxito e a prosperidade pessoal privilégios dos controladores e de quem lhes escape ao controle. Tal “educação” se oporá, sempre, a movimentos como “Escola sem partido”, escolas cívico-militares e “home schooling”, como fez Lula ao falar durante a Conae. É lógico, esse projeto de poder não aceita abrir mão de uma única vítima! Consulte o Google sobre “escola e cidadania” e você entenderá melhor o que estou afirmando.

O caso cubano serve como exemplo. No início deste século, Cuba envelhecia e esclerosava, parada nos anos 50 do século passado. População empobrecida; três em cada quatro cubanos trabalhavam para o Estado; o salário mensal máximo equivalia a uns US$ 30. O Estado comunista se apropriava da totalidade do PIB gerado para proveito da elite política proporcionando uma infraestrutura miserável ao povo e oferecendo seu alardeado mérito: saúde e educação para a população.

Por três vezes fui lá. Escrevi dois livros e incontáveis artigos a respeito. O equipamento de saúde disponível para a população era indigente, mas, honestamente, não diria o mesmo da rede de ensino. O regime cuidava e cuida dela obedecendo a uma lógica interna. Ele sabe o quanto o ensino serve para formar os herdeiros dos “frutos de la revolución”. Tá bem. Todos os regimes comunistas têm consciência disso e comandam as salas de aula. É por elas que passam tanto os caminhos da liberdade quanto os da servidão futura. Aqui no Brasil, o governo fez sua escolha! A Conae fornece a evidência.

A estas alturas já vi e ouvi o suficiente dessa gestão para saber que veio completar o que ficou faltando às anteriores, tucanas e petistas. Especialmente, combate policialesco à liberdade de expressão nas redes sociais; mais dinheiro aos companheiros “artistas pela democracia”; muita verba publicitária ao jornalismo que engorda no pasto estatal e a joia das coroas totalitárias: controle centralizado, unificado, federal do que se ensina em sala de aula.

Os mecanismos de infiltração já produziram o inteiro suporte ao que está por vir. O futuro apareceu nítido no visual companheiro da Conae e compreensível no que ela propõe. Todas as pautas petistas estão bem servidas! É estarrecedor perceber quanto a máquina produtora do fracasso educacional festeja com risos e aplausos sua cristalização normativa.

Mexa-se, grite, reclame, vá para a rua, escreva, envie mensagens, cobre de seu congressista. Salvo surpresa, talvez não haja pauta mais importante nestes dias. Dependendo do que prevaleça, um futuro mais promissor pode mudar de 2026 para a geração subsequente, lá por 2056.

Percival Puggina (79) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.

 

 

 

 

 

        

        

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Por que criei este site

Minha posição política é conservadora em relação ao que tem valor permanente. Quer mudar dentro da ordem o que precisa ser mudado. É democrata e serve ao bem da pessoa humana segundo uma antropologia e uma ética cristã. É pró-vida e sustenta a superior dignidade da pessoa humana. Vê a liberdade como sócia bem sucedida da verdade e da responsabilidade. É liberal porque sabe o quanto é necessário impor freios e limites ao Estado, cujos poderes deveriam agir para se tornarem cada vez menos necessários. Defende o direito de propriedade e as liberdades econômicas. Sem prejuízo de muitas outras exclusões, nessa posição política não há lugar para defensores de totalitarismos e autoritarismos, para fabianos e companheiros de viagem de esquerdistas, nem para políticos patrimonialistas.

 

Para defender essas posições, nasceu este website em 2003. Mediante sucessivas incorporações de novas tecnologias chega a esta quarta forma visual de apresentar os conteúdos com que espera proporcionar a seus leitores bom alimento à mente e ao espírito. Sejam todos muito bem-vindos e que Deus os abençoe.

Fique Sabendo

 

Leandro Ruschel

        Ontem, uma corte de NY decidiu multar Donald Trump em US$ 355 milhões por suposta fraude contábil num processo civil, além de suspender seus negócios em NY por três anos, o que é uma sentença de morte ao negócio.

Segundo a procuradora de extrema-esquerda que levou o caso adiante, Trump inflou o valor dos seus ativos para tomar empréstimos bancários.

Trump contesta de forma veemente as acusações. O fato é que os empréstimos foram pagos, e ninguém foi prejudicado.

O caso girou em torno do valor da sua propriedade em Mar-a-lago, na Flórida. A avaliação da casa oficial de Trump é complexa, porque parte da propriedade é tombada.

O fato incontestável é que esse processo jamais existiria, se o dono da empresa questionada não fosse Donald Trump. A esquerda quer destruí-lo de qualquer forma, e estão utilizando o Judiciário como ferramenta para atingir o objetivo.

No mês passado, uma mulher que acusou Trump de estupro, sem nem mesmo se lembrar ao certo o ano em que o abuso teria ocorrido, ainda na década de 90, foi agraciada com uma indenização de US$ 88 milhões. A própria defesa dela, bancada por um bilionário globalista, tinha pedido US$ 8 milhões...

Para deixar claro o caráter de show trial do caso julgado ontem, o juiz participo de uma sessão de fotos para a imprensa, em que ele aparece sorrindo para as câmeras. O aparelhamento dos tribunais significa a morte da Justiça. Os EUA ainda não chegaram no nível brasileiro de captura da Justiça pela esquerda, mas o caminho está traçado.

*       Reproduzido de postagem do autor na plataforma X.

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Declaração de Westminster

141 personalidades internacionais

03/02/2024

Declaração assinada por 141 personalidades internacionais

         Escrevemos na qualidade de jornalistas, artistas, escritores, ativistas, profissionais da tecnologia e acadêmicos para fazer um alerta a respeito do aumento da censura internacional, que ameaça corroer normas democráticas centenárias.

Vindo da esquerda, da direita e do centro, estamos unidos pelo nosso compromisso com os direitos humanos universais e a liberdade de expressão, e estamos profundamente preocupados com as tentativas de rotular a expressão protegida como ‘desinformação’ e outros termos mal definidos.

Esse abuso de termos resultou na censura de pessoas comuns, jornalistas e dissidentes em países de todo o mundo.

Tal interferência no direito à liberdade de expressão suprime discussões legítimas sobre questões de interesse público urgente e mina os princípios fundamentais da democracia representativa.

Em todo o mundo, agentes governamentais, empresas de mídia social, universidades e ONGs estão cada vez mais trabalhando para monitorar cidadãos e roubá-los de suas vozes. Esses esforços coordenados em grande escala são às vezes chamados de ‘Complexo Industrial da Censura’.

Este complexo muitas vezes opera através de políticas governamentais diretas. Autoridades na Índia[1] e na Turquia[2] se apossaram do poder de remover conteúdo político das redes sociais. O legislativo da Alemanha[3] e o Supremo Tribunal Federal do Brasil[4] estão criminalizando o discurso político. Em outros países, medidas como o Projeto de Lei de ‘Discurso de Ódio’ da Irlanda,[5] o Ato de Crime de Ódio da Escócia,[6] o Projeto de Lei de Segurança Online do Reino Unido[7] e o Projeto de Lei da ‘Desinformação’ da Austrália[8] ameaçam restringir severamente a expressão e criar um efeito inibidor.

Mas o Complexo Industrial da Censura opera através de métodos mais sutis. Estes incluem filtragem de visibilidade, aplicação de rótulos e manipulação de resultados de mecanismos de busca. Através de suspensões, banimentos e denúncias, os censores das redes sociais já silenciaram opiniões legalmente permissíveis em assuntos de importância nacional e geopolítica. Fizeram-no com o total apoio de ‘especialistas em desinformação’ e ‘checadores de fatos’ na mídia convencional, que abandonaram os valores jornalísticos de debate e investigação intelectual.

Como os Arquivos do Twitter revelaram, empresas de tecnologia frequentemente realizam ‘moderação de conteúdo’ censória em coordenação com agências governamentais e a sociedade civil. Em breve, o Ato de Serviços Digitais da União Europeia formalizará essa relação, fornecendo dados das plataformas a ‘pesquisadores credenciados’ de ONGs e da academia, relegando nossos direitos de expressão ao arbítrio dessas entidades não eleitas e imunes a escrutínio.

Alguns políticos e ONGs[9] estão até mesmo visando aplicativos de mensagens criptografadas de ponta a ponta como WhatsApp, Signal e Telegram.[10] Se a criptografia de ponta a ponta for rompida, não teremos mais nenhum canal restante para conversas privadas autênticas no âmbito digital.

Embora a desinformação estrangeira entre estados seja um problema real, agências projetadas para combater essas ameaças, como a Agência de Segurança Cibernética e Infraestrutura nos Estados Unidos, estão cada vez mais sendo voltadas para dentro, contra o público. Sob o pretexto de prevenir danos e proteger a verdade, a expressão está sendo tratada como uma atividade permitida em vez de um direito inalienável.

Reconhecemos que palavras podem às vezes causar ofensa, mas rejeitamos a ideia de que sentimentos feridos e desconforto, mesmo que agudos, são motivos para a censura. A expressão aberta é o pilar central de uma sociedade livre e é essencial para responsabilizar governos, empoderar grupos vulneráveis e reduzir o risco de tirania.

Proteções à expressão não são apenas para pontos de vista com os quais concordamos; devemos proteger vigorosamente a expressão para os pontos de vista a que mais fortemente nos opomos. Somente na praça pública essas visões podem ser ouvidas e devidamente desafiadas.

Além disso, repetidamente, opiniões e ideias impopulares ao fim se tornaram sabedoria convencional. Ao rotular certas posições políticas ou científicas como ‘desinformação’, nossas sociedades correm o risco de ficar presas em paradigmas falsos que roubarão a humanidade de conhecimentos conquistados a duras penas e eliminarão a possibilidade de adquirir novos conhecimentos. A liberdade de expressão é a nossa melhor defesa contra a desinformação.

O ataque à expressão não diz respeito apenas a regras e regulamentos distorcidos — é uma crise da própria humanidade. Toda campanha de igualdade e justiça na história dependeu de um fórum aberto para expressar discordância. Em inúmeros exemplos, incluindo a abolição da escravidão e o movimento pelos direitos civis, o progresso social dependeu da liberdade de expressão.

Não queremos que nossos filhos cresçam em um mundo onde vivam com medo de expressar suas opiniões. Queremos que eles cresçam em um mundo onde suas ideias possam ser expressas, exploradas e debatidas abertamente — um mundo que os fundadores de nossas democracias imaginaram quando consagraram a liberdade de expressão em nossas leis e Constituições.

A Primeira Emenda dos EUA é um forte exemplo de como o direito à liberdade de expressão, de imprensa e de consciência pode ser firmemente protegido pela lei. Não é preciso concordar com os EUA em todas as questões para reconhecer que essa é uma ‘primeira liberdade’ vital da qual todas as outras liberdades se seguem. É só pela liberdade de expressão que podemos denunciar violações de nossos direitos e lutar por novas liberdades.

Também existe uma proteção internacional clara e robusta para a liberdade de expressão. A Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH)[11] foi elaborada em 1948 em resposta às atrocidades cometidas durante a Segunda Guerra Mundial. O Artigo 19 da DUDH afirma: ‘Todo ser humano tem direito à liberdade de opinião e expressão; esse direito inclui a liberdade de manter opiniões sem interferência e de procurar, receber e transmitir informações e ideias através de qualquer meio e independentemente de fronteiras’. Embora possa haver necessidade de governos regularem alguns aspectos das redes sociais, como limites de idade, essas regulamentações nunca devem infringir o direito humano à liberdade de expressão.

Como é deixado claro pelo Artigo 19, o corolário do direito à liberdade de expressão é o direito à informação. Em uma democracia, ninguém tem monopólio sobre o que é considerado verdadeiro. Em vez disso, a verdade deve ser descoberta através do diálogo e do debate — e não podemos descobrir a verdade sem permitir a possibilidade de erro.

A censura em nome de ‘preservar a democracia’ inverte o que deveria ser um sistema de representação de baixo para cima para um sistema de controle ideológico de cima para baixo. Essa censura é, em última análise, contraproducente: semeia desconfiança, incentiva a radicalização e deslegitima o processo democrático.

No curso da história humana, ataques à liberdade de expressão foram um precursor de ataques a todas as outras liberdades. Regimes que corroeram a liberdade de expressão sempre, inevitavelmente, também enfraqueceram e prejudicaram outras estruturas democráticas centrais. Da mesma forma, as elites que hoje defendem a censura também estão minando a democracia. O que mudou, no entanto, é a escala ampla e as ferramentas tecnológicas através das quais a censura pode ser posta em prática.

Acreditamos que a liberdade de expressão é essencial para garantir nossa segurança contra abusos de poder do Estado — abusos que historicamente representaram uma ameaça muito maior do que as palavras de indivíduos solitários ou mesmo grupos organizados. Pelo bem-estar e florescimento humano, fazemos as seguintes três reivindicações.

  • Pedimos aos governos e organizações internacionais que cumpram suas responsabilidades para com o povo e defendam o Artigo 19 da DUDH.

  • Pedimos às corporações de tecnologia que se comprometam a proteger a praça pública digital conforme definido no Artigo 19 da DUDH e se abstenham de censura politicamente motivada, censura de vozes dissidentes e censura de opinião política.

  • E, finalmente, pedimos ao público em geral que se junte a nós na luta para preservar os direitos democráticos do povo. Mudanças legislativas não são suficientes. Também devemos construir uma atmosfera de liberdade de expressão desde a base, rejeitando o clima de intolerância que incentiva a autocensura e que cria conflitos pessoais desnecessários para muitos. Em vez de medo e dogmatismo, devemos abraçar a investigação e o debate.

Defendemos o seu direito de fazer perguntas. Discussões acaloradas, mesmo aquelas que podem causar angústia, são muito melhores do que não ter discussões.

A censura rouba-nos da riqueza da própria vida. A liberdade de expressão é a base para criar uma vida de significado e uma humanidade próspera — através da arte, poesia, drama, história, filosofia, música e mais.

Esta declaração foi o resultado de uma reunião inicial de defensores da liberdade de expressão de todo o mundo que se reuniram em Westminster, Londres, no final de junho de 2023. Como signatários desta declaração, temos discordâncias políticas e ideológicas fundamentais. No entanto, é apenas pela união que derrotaremos as forças crescentes da censura para que possamos manter nossa capacidade de debater e desafiar abertamente uns aos outros. É no espírito da diferença e do debate que assinamos a Declaração de Westminster.

*         Traduzido por: Eli Vieira, jornalista e biólogo genético

**        Transcrito do original acessível em https://westminsterdeclaration.org/portugues, que inclui nomes, credenciais dos signatários e notas de rodapé.

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Peter Kwasniewski 

          Todo o mundo diz que "a educação é a chave para o futuro, a solução para os nossos problemas, a única maneira de formar o destino da nação". Mas quem realmente entende o que é a educação? 

Para os burocratas do governo, muitas vezes é uma palavra da moda que significa: gastar muito dinheiro com profissionais que buscam interesses próprios, mesmo que muitas pesquisas demonstrem que os estudantes estão ficando cada vez mais imbecilizados, sem capacidade de raciocínio e conhecimento cultural — de fato, nem mesmo caligrafia legível, grafia correta ou gramática básica. Sem falar na imoralidade desenfreada que é promovida por "educadores" e legisladores, que evidentemente querem que a sociedade seja tomada por hordas de homens e mulheres escravos de suas paixões. 

Educação, do latim ex ducere, significa "liderar" [1] — então, a questão lógica é: liderar a partir de quê e para quê? Da ignorância, do erro e do pecado, ao conhecimento, à verdade e à santidade. A educação deve refletir a trajetória do povo de Israel, conduzido da escravidão, no Egito, à liberdade em Canaã. A verdadeira educação pressupõe a revelação cristã da situação decaída do ser humano e da sabedoria do alto que pode curá-lo e elevá-lo. 

A educação deve refletir a trajetória do povo de Israel, conduzido da escravidão, no Egito, à liberdade em Canaã. 

Este é, de fato, o significado mais básico do tempo do Advento, com o qual a Igreja Católica, em seus ritos ocidentais, começa cada novo ano litúrgico: recomeçamos repetidas vezes a partir do desejo de libertação da escravidão, que perdura há muitos séculos e é também o nosso desejo. Como afirma São Paulo: "Sabemos que toda a Criação geme e sofre como que dores de parto até o presente dia. Não só ela, mas também nós, que temos as primícias do Espírito, gememos em nós mesmos, aguardando a adoção, a redenção do nosso corpo" (Rm 8, 22-23). 

É necessário admitir que entre os seres humanos não existe um mestre que esteja completamente livre de ignorância, erro e pecado, por mais inteligente ou bem-intencionado que seja. Entretanto, alguns pecados são qualitativamente piores que outros; alguns erros são mais densos e nocivos que outros; e alguns tipos de ignorância são muito mais terríveis que outras. Os professores não precisam ser perfeitos para serem instrumentos eficazes da Sabedoria Eterna e Encarnada, que está além de todos nós. Basta que estejam atrelados à verdade que nos liberta; que indiquem a beleza da santidade; e que demonstrem a aspiração constante por descobrir a realidade das coisas. Se assim for, bem-aventurados serão os seus alunos, que compreenderão o que significa viver plenamente em Cristo. 

Em 15 de dezembro de 2011, o Papa Bento XVI fez uma homilia, durante a oração das Vésperas com universitários de Roma, partindo da Carta de São Tiago (5, 7): "Tende, pois, paciência, meus irmãos, até a vinda do Senhor. Vede o agricultor: ele aguarda o precioso fruto da terra e tem paciência até receber a chuva do outono e a da primavera" (5, 7). Aí ele falou da "atitude interior de nos prepararmos para ouvir e acolher novamente o anúncio do nascimento do Redentor na gruta de Belém, um mistério inefável de luz, amor e graça". Como professor, muitas vezes fico impressionado com quanta paciência, dedicação e atenção são necessárias, tanto por parte dos alunos quanto por parte das instituições de ensino, para se acolher a espantosa verdade de que a Palavra Eterna do Pai — a Sabedoria Divina em que e para quem todas as coisas existem — tornou-se homem, a fim de que possamos nos tornar como Deus, sendo "divinizados" através de sua graça. 

Entre os seres humanos não existe um mestre que esteja completamente livre de ignorância, erro e pecado. 

Esta é a verdade determinante para a nossa salvação, é a premissa fundamental do cristianismo. Cada Advento nos recorda a necessidade que temos do auxílio de outrem — não apenas de outras pessoas, mas, de forma mais precisa, de outra fonte que não seja a humanidade decaída ou qualquer elemento da ordem natural. Cada Natal nos lembra da bondade inefável de Deus para conosco, não porque merecemos, mas porque necessitamos. Essa é uma verdade que qualquer pessoa — até a mais simples, pobre ou iletrada — é capaz de a ouvir e acolher, nela crer e se alegrar. 

Infelizmente, também se trata de uma verdade que o mundo, a carne e o diabo odeiam ouvir e se esforçam incessantemente para suprimir com uma variedade de ferramentas: programas governamentais progressistas, doutrinação secularista compulsória, descrédito social, desprezo profissional, refutações sofísticas, alternativas ilusórias, ameaças violentas ou o velho silêncio. É por isso que, em todas as épocas, houve a necessidade e, sempre haverá, de que os católicos se formem como professores, pregadores, apologistas, escritores, testemunhas e líderes de referência. Porém, não haverá formação de católicos sem o mesmo tipo de trabalho árduo e persistência paciente que caracteriza o agricultor mencionado na Carta de São Tiago. 

Santo Agostinho, um dos maiores pregadores e mestres de todos os tempos, compreendeu muito claramente que, para alcançar um entendimento básico dos mistérios da Revelação divina, é preciso dedicar-se a todo um grupo de discípulos com constância, energia e concentração. O trabalho é gratificante e desgastante para a nossa natureza humana; geralmente não vemos o que está por vir, de onde viemos ou como teremos sucesso. Nesse sentido, o Papa Bento XVI afirmou aos estudantes universitários na homilia supramencionada: 

A exortação do Apóstolo à constância paciente, que no nosso tempo poderia deixar-nos um pouco perplexos, é na realidade o caminho para acolher profundamente a questão de Deus, o sentido que Ele tem na vida e na história, porque precisamente na paciência, na fidelidade e na constância da busca de Deus, da abertura a Deus, Ele revela a sua Face. Não temos necessidade de um deus genérico, indefinido, mas do Deus vivo e verdadeiro, que abra o horizonte do futuro do homem a uma perspectiva de esperança firme e segura, uma esperança rica de eternidade e que permita enfrentar com coragem o presente em todos os seus aspectos.  

Certamente é disso que a nossa época precisa: a revelação do rosto de Deus, para que possamos ter esperança. O mundo, tão amado por Deus e tão contrário a Ele, não conseguirá aquilo de que necessita sem homens e mulheres sedentos de Deus, que desejem ver sua face, e viver unidos a Ele, confiantes nas suas promessas  — e que, ao mesmo tempo, estejam capacitados para "responder em vossa defesa a todo aquele que vos pedir a razão de vossa esperança" (1Pd 3, 15). 

As palavras do Papa emérito são fundamentais para prosseguirmos com o "cultivo" da vida intelectual, onde os resultados não são instantâneos e onde a tecnologia não pode substituir o caráter e a sabedoria: 

A paciência é a virtude daqueles que confiam nesta presença na história, que não se deixam vencer pela tentação de depositar toda a esperança no imediato, em perspectivas puramente horizontais, em programas tecnicamente perfeitos, mas distantes da realidade mais profunda, aquela que confere a dignidade mais excelsa à pessoa humana: a dimensão transcendente, ser criatura à imagem e semelhança de Deus, trazer no coração o desejo de se elevar a Ele. 

O objetivo da educação liberal não é formar seres perfeitos a partir da instrução de seres que já são perfeitos; mas iniciar uma vida de aprendizado com o único e verdadeiro Mestre, Jesus Cristo, libertando a mente e o coração dos escombros de uma civilização que está em colapso, porque é escrava de suas paixões. Os estudantes que recebem essa educação têm a oportunidade de encontrar uma liberdade espiritual mais preciosa do que todas as riquezas deste mundo. 

Hoje, são as escolas católicas mais novas e geralmente muito pequenas e independentes que oferecem a seus alunos um ambiente católico propício à oração e ao discernimento, um currículo relevante, com professores dedicados, a oportunidade de amizades honrosas e a inspiração para buscar as verdades perenes sobre Deus, o homem e o mundo, sem as quais perecemos na miséria de nossos confortos materiais e em nosso desespero existencial. 

Sem a Verdade, perecemos na miséria de nossos confortos materiais e em nosso desespero existencial. 

Quando Natanael, de forma cética, pergunta: "Pode, porventura, vir coisa boa de Nazaré?" (Jo 1, 46), Filipe, ao responder, não inicia uma discussão, mas lhe faz um convite, e até um desafio: "Venha e veja". Sim, precisamos ir e ver o que essas escolas estão fazendo a crianças, adolescentes e jovens adultos, futuros cônjuges, padres e religiosos. Elas estão atendendo a um chamado que é semelhante ao do Advento: praticar um cultivo paciente, fiel e inabalável dos corações e das mentes, para o bem das almas e a glória de Deus. 

*         Publicado originalmente em https://padrepauloricardo.org/blog/ainda-e-possivel-uma-educacao-de-fato-catolica, no dia 17 de dezembro de 2019.

 

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LIVRO - A Tragédia da Utopia

É meu mais recente livro publicado. Aos 60 anos da revolução que destruiu a antiga Pérola do Caribe, ampliei e atualizei neste livro a primeira edição da obra, publicada em 2004. A análise da realidade cubana segue os mesmos passos, mas o foco do texto vai posto, principalmente, no jovem leitor brasileiro. Enquanto a primeira edição olhou de modo descritivo a realidade em si, esta segunda edição amplia as informações e registra as alterações constatadas ao longo dos últimos 15 anos, levando em conta a necessidade de confrontar as mentiras que a propaganda pró Cuba conta com a verdade que lá se vê, e de destruir com as razões da Razão os sofismas que são construídos para justificar a perversidade do regime.

 

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Fato Comentado

 

Percival Puggina

Lido no site da Agência Brasil

     O governo brasileiro enviou nesta segunda-feira (12) um lote de 125 toneladas de leite em pó para Cuba. O Ministério das Relações Exteriores informou, por meio de nota, que carregamentos adicionais de leite em pó, além de arroz, milho e soja, também serão enviados ao país nas próximas semanas.

No final de 2023, Brasil, Emirados Árabes Unidos e Cuba pactuaram, durante a Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 28), uma iniciativa para promover a segurança alimentar e nutricional na América Latina, fornecendo recursos para a produção, distribuição e suporte de sistemas alimentares saudáveis e sustentáveis.

Comento

Tendo lido também essa matéria, que circulou como grande feito da generosidade petista nas redações do jornalismo companheiro, um amigo me enviou o seguinte comentário:

“Imagine se durante a campanha eleitoral Lula dissesse que antes de acabar com a fome no Brasil iria mandar alimentos para outros países! Isso é fazer contrapropaganda do socialismo e usar nosso dinheiro para fazer doações ao país errado. Afinal, o próprio petismo vive afirmando que no socialismo há uma justa repartição dos bens e, por isso, em Cuba, ‘todos têm o básico e ninguém passa fome...”.

Estranho, muito estranho: Cuba passa fome, mas pactuou "com Brasil e Países Árabes, uma iniciativa para promover segurança alimentar e nutricional na América Latina" e em seguida entra na fila com prato na mão para receber 150 toneladas de leite em pó.

  • Percival Puggina, com conteúdo Agência Brasil
  • 19 Favereiro 2024

 

Percival Puggina

 

Leio no Diário do Poder

      Na última segunda-feira (12), o instituto Paraná Pesquisas revelou que 73,4% dos brasileiros não sabem citar uma medida positiva ou benefício que o governo Lula III realizou desde o início de sua vigência.

Entre o percentual de 26,6% relativo às pessoas que dizem conhecer as ações positivas da gestão, as respostas mencionaram investimentos no Bolsa Família, em educação pública, seguidas por investimentos em programas de moradia e habitação popular, entre outros temas.

Um percentual de 41,1% respondeu ao instituto sobre erros do governo Lula. As respostas versaram sobre aumento de impostos, boatos sobre envolvimento em corrupção e excesso de gastos.

O Paraná Pesquisas ouviu 2.026 eleitores com 16 anos ou mais, pertencentes a 164 municípios, nos 26 Estados e no Distrito Federal. A margem de erro da pesquisa é de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos, o nível de confiança é de 95%.

Comento

No último dia 9, a Veja assemelhou a uma bomba o efeito da informação acima transcrita sobre a área de comunicação do governo. Imagino que tenha ocorrido isso mesmo. Afinal, com tanto dinheiro despejado se poderia supor um resultado melhor. Há um tipo de comunicação da qual se espera competência para fazer volume com coisa alguma.

Essa avaliação merece um outro ponto de vista. Fui verificar quais os veículos de comunicação que haviam registrado a informação disponibilizada por Paraná Pesquisas. Passados quatro dias (às 11 horas desta terça-feira) apenas Diário do Poder, Gazeta do Povo, O Antagonista, Poder 360°, Revista Oeste e Jovem Pan haviam concedido espaços à importante informação. Silenciar também faz parte do negócio, já se vê.

O mais impressionante na pesquisa: os eleitores consultados que não perceberam méritos no governo, assim como não apontaram virtudes e utilidades, foram capazes de listar 22 defeitos e malfeitos da gestão lulista, revelando um elevado nível de formação e informação. Eles souberam indicar, entre outros, os seguintes males: aumentos e reajustes de impostos, inatividade no combate à corrupção, excesso de gastos, viagens, número excessivo de ministérios e má escolha de ministros, más companhias (alianças políticas), assistencialismo ineficiente, falta de investimento em segurança pública, etc...

O povo está vendo, mas há um jornalismo que engorda no curral e não vê o que não convém.

  • Percival Puggina, com conteúdo do Diário do Poder
  • 14 Favereiro 2024

 

Percival Puggina 

        Depois de ouvir os presidentes de três destacadíssimas instituições universitárias norte-americanas (Harvard, Pensilvânia e Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), o Congresso dos Estados Unidos resolveu abrir investigação. Afinal, durante audiência em que as manifestações de antissemitismo foram tratadas de modo severo no Capitólio, as representações das universidades relativizaram o fato numa alarmante proporção.

Anteontem, num encontro casual com um amigo judeu no supermercado, ouvi dele que quando soube das manifestações estudantis nos EUA tratando de genocídio, ele pensou serem protestos contra o ataque de Israel ao Hamas em Gaza. Só mais tarde ficou sabendo que eram movimentos a favor de um genocídio de judeus.

A diferença entre o que se pode imaginar e o que está acontecendo de fato é abismal. Quem pensa tratar-se de uma crise no âmbito da cultura ocidental está subestimando o problema. Num processo que faz lembrar o que aconteceu no mundo inteiro durante a pandemia, todas as vertentes da nossa cultura foram inoculadas com venenos específicos que lhe atacaram o cerne: a Educação, as Igrejas, especialmente a católica, os meios de comunicação, a estética, as instituições políticas, o Direito, a Justiça e o inteiro pacote das Ciências Sociais.

Isso não se resolve com chá de camomila. Não é nem parecido com o que se estabeleceu entre o Hamas palestino e Israel. O que vimos acontecer em todo o Ocidente é de muito maior gravidade. Disseminar o terror e acossar judeus mundo afora é traço de união dos velhos totalitarismos, que no passo seguinte vão atrás dos homossexuais, dos religiosos, dos diferentes e dos divergentes.

Os eventos em curso na América do Norte – Estados Unidos e Canadá – mostram que estamos, no Brasil, atrasados em relação ao ritmo dos acontecimentos de lá. É lá que operam os laboratórios de envenenamento cultural cujas fórmulas nossos “intelectuais de esquerda” traduzem pelo Google Transator. Essas mesmas pessoas, amanhã ou depois, em quaisquer circunstâncias, estarão nos púlpitos, nos palanques e nos microfones, gritando contra “discurso de ódio” (hate speech) e fake news quando alguém desmascara as mazelas de seus intelectos. Cada vez mais nitidamente se percebem os sintomas de uma guerra espiritual. Oremos!

  

 

 

 

 

 

 

  • Percival Puggina
  • 29 Dezembro 2023

 

Percival Puggina

        Segundo informou O Globo em 20 de julho deste ano, um milhão de pessoas foram submetidas a alguma forma de coerção e tiveram seus celulares tomados. Será que algum desses criminosos foi preso e acabou dormindo na Papuda? 

Claro que não! Afinal, esse é um crime de “menor gravidade”, é um “roubinho” como dizem os protetores de bandidos. Suponho que nunca passaram por essa experiência sinistra e nunca pensaram nas consequências da subtração desse bem na vida de tanta gente.

Aprendi, nos primeiros anos de escola, que o corpo humano se dividia em cabeça, tronco e membros. Passadas sete décadas de modernidade, podemos afirmar, conscientemente, que nosso corpo tem cabeça, tronco, membros e ... celular. Esse aparelhinho é parte de nosso corpo, é nossa memória portátil e nosso principal meio de comunicação, tem a lista de nossos amigos, nossa agenda, nossas lembranças, dados pessoais e vida financeira.

Para milhões de pessoas, passam por ele os meios de ganhar o pão de cada dia e sua supressão constitui uma tragédia pessoal. Causar tal tormento a outra pessoa, mediante coerção, para com o fruto do roubo comprar um “baseado” ou uma cervejinha, é motivo mais do que suficiente à aplicação de severa sanção. Não é “roubinho”, mas roubo com agravante, em vista do valor de uso do bem subtraído, muito superior ao preço de aquisição.

8Uma vez que criar tipo penal por analogia já não é mais novidade, sugiro que o roubo de telefone celular, entendido como parte do corpo do proprietário, seja qualificado como roubo com mutilação da vítima...

  • Percival Puggina
  • 15 Dezembro 2023

 

Percival Puggina

Leio no Diário do Poder

         O novo presidente da Argentina, Javier Milei, começou seu governo cumprindo o compromisso de usar a “motosserra” que virou símbolo da sua campanha, e extinguiu metade dos 18 ministérios existentes no desastrado governo do antecessor Alberto Fernández.

Após o corte, cujo objetivo é reduzir os gastos públicos, o governo Milei será composto apenas pelos ministério do Comércio Internacional e Culto, Defesa, Economia, Infraestrutura, Interior, Justiça, Relações Exteriores, Saúde e Capital Humano e Segurança.

O decreto reduzindo seu ministério à metade foi o primeiro que Milei assinou tão logo começou a trabalhar em seu gabinete na Casa Rosada, sede do governo argentino.

Em seu discurso oficial de posse, ele prometeu que não haverá retorno aos tempos que levaram a Argentina ao caos econômico.

“Não há retorno”, avisou. “Hoje encerramos décadas de fracasso e disputas sem sentido. Hoje começa uma nova era na Argentina, era de paz e prosperidade, de conhecimento e desenvolvimento, de liberdade e progresso”.

Comento

Não conheço a Constituição argentina, mas fico pensando se Bolsonaro tivesse iniciado seu governo com o mesmo ânimo saudável – é importante que se diga – com que Milei inicia seu ataque ao Estado casca grossa e intervencionista.

O que fariam os príncipes da República? O que diriam os signatários do manifesto da USP? Como reagiriam os que puxam os cordéis no STF e qual teria sido a reação do TSE argentino durante a campanha eleitoral? A motosserra seria tolerada ou vista como uma incitação ao desmatamento?

Num dos meus primeiros artigos quando, em 1985, comecei a escrever sobre política expressou um delírio distópico. Nele, o Estado era uma disputada vaca leiteira e eu sonhava com que alguém desse um nó nas tetas dessa vaca que dissipava e malbaratava os bens gerados pela sociedade.

Por isso, olho com imensa simpatia para o ânimo de Milei, esperando que ele perdure e que os incomodados percebam o quanto são necessárias as medidas que serão tomadas.

  • Percival Puggina, com conteúdo do Diário do Poder
  • 11 Dezembro 2023