Aqui se cultuam grandes pensadores e líderes que impulsionaram positivamente a história.

“Uma vez criada a entidade burocrática, ela, como a matéria de Lavoisier, jamais se destrói, apenas se transforma.”

Roberto Campos

"Nós, conservadores, somos chatos. Mas também estamos certos"..

Roger Scruton

"Os homens tropeçam por vezes na verdade, mas a maior parte torna a levantar-se e continua depressa o seu caminho, como se nada houvesse acontecido."

 

Winston Churchill

 

"O exército pode passar cem anos sem ser usado, mas não pode passar um minuto sem estar preparado".
  

Rui Barbosa

 

"A humanidade precisa,antes de mais nada, se libertar da submissão a slogans absurdos e voltar a confiar na sensatez e na razão."
 

 

Ludwig Von Mises

 

"Os homens não podem melhorar uma sociedade ateando fogo nela: precisam buscar suas antigas virtudes e trazê-las de volta à luz.“

 

Russel Kirk

 

"Aprendi a procurar a felicidade limitando os desejos, em vez de tentar satisfazê-los."

 

John Stuart Mill

 

"Comunistas são pessoas que leram Marx e Lenin; anticomunistas são as que entenderam."

Ronald Reagan

 

"É a fé que incita a razão a sair de qualquer isolamento e a abraçar de bom grado qualquer risco por tudo o que é belo, bom e verdadeiro."

S. João Paulo II

"A marca especial do mundo moderno não é ser cético, mas ser dogmático sem se dar conta disso".

Gilbert Keith Chesterton


Artigos do Puggina

Percival Puggina

27/01/2022

 

Percival Puggina

 

         As últimas semanas aferiram a viabilidade da candidatura de Sérgio Moro. O teste foi negativo.

Poderosos grupos de comunicação fizeram o possível para viabilizá-lo como terceira via. De saída, a ideia seduziu parte dos eleitores que buscavam uma variante às candidaturas de Lula e Bolsonaro. O ex-juiz, o cara que condenou um e rompeu com o outro, parecia servido sob encomenda para cumprir a função.

Posta na vitrine, porém, a novidade do mercado político não agregou interessados. Estacionou no ponto de partida. Pior do que isso, a terceira via dessa aposta mostrou ter pista curta e esburacada. Como viabilizar um candidato detestado pelos eleitores de Lula porque ele foi o juiz que o condenou e pelos de Bolsonaro porque ele foi o ministro que o traiu? Como transformá-lo em opção por qualquer dos dois lados? Como colocar a terceira via no segundo turno desse jeito? Não bastasse isso, se o candidato do PODEMOS foi um juiz com a cara da função, como político, é um peixe fora d’água.

Moro pré-candidato exibiu uma fragilidade alarmante. Por seus últimos trabalhos como juiz, ele sabe tudo sobre as organizações criminosas que operaram durante os governos petistas. Em relação a seu oponente Lula, ele leu os inquéritos policiais. Ouviu testemunhas, delatores, procuradores e advogados. Examinou minuciosamente todas as provas, em processos de dezenas de réus. Puxou o fio da meada e não deu ponto sem nó. Por esse trabalho conquistou enorme reconhecimento.

Depois de deixar tudo de lado para participar de um governo com cujas ideias não concordava, saiu dele atirando para, passivamente, assistir ao STF desmantelar o processo de sua vida. Sabe quase tudo de Lula. E nada diz? Jogou pá de cal e coloca pedra em cima do que sabe? Incompreensível e eu agregaria, imperdoável.

Por tudo isso, nos grandes grupos de comunicação, a turma da terceira via começa a espichar os olhos e bater pestana para o brutamontes Ciro Gomes, peixe mais graúdo, que costuma morrer pela boca e tem antiga inimizade com a coerência.  

Percival Puggina (77), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.

 

Percival Puggina

25/01/2022

 

Percival Puggina

 

Outro dia, recebi, em inglês, uma frase afirmando o seguinte: “As agências de checagem surgiram quando a verdade começou a aparecer”. Particularmente muito interessadas, elas negarão isso enfaticamente.

Recebo, agora reportagem referente a uma entrevista da premiada jornalista Sharyl Attkinson, cinco vezes agraciada com o Emmy Award (grande premiação artística e técnica da TV americana). Da entrevista, concedida à EpochTV, destaco o seguinte parágrafo: “Praticamente todos os meios de comunicação, se podem ser cooptados, foram cooptados por algum grupo; agências de checagem não são diferentes”.

O texto reporta a coincidência de que tais agências e sua origem estejam alinhadas contra os conservadores e sejam convenientes aos esquerdistas, ou “progressistas”.  

Obviamente, ao ler essa matéria cuja íntegra, em inglês, pode ser acessada aqui, fiquei pensando no Brasil. Assim como nos EUA, quando surgiram entre nós as plataformas que viabilizaram as redes sociais de relacionamento, abriram-se portas à liberdade de opinião contra a hegemonia do pensamento esquerdista nos grupos de comunicação.

Ocorreu, então, o que foi expresso na citação com que iniciei este texto: era preciso como disse Clinton, “sanear a comunicação”, ou “regulamentar a mídia” como diz Lula, ou “regular as plataformas” como querem tantos, incluído o TSE, ansioso por se servir das agências para estatizar verdades políticas na campanha para as eleições de outubro. 

Há muito tempo, os grandes veículos de comunicação de massa, operando com número limitado de “formadores de opinião” e de “peritos” com o mesmo entendimento, formavam trincheiras contra o pluralismo e a busca esclarecida da verdade. Com as redes, criou-se um espaço caótico, contudo livre, e as opiniões fundamentadas, a boa lógica, o conservadorismo e seus autores, o liberalismo e seus autores ganharam espaço, ganharam o debate, ganharam público e derrotaram nas urnas o esquerdismo.

Contudo, as fake analysis, baseadas em lógica falsa, falsa busca da verdade, ocultação e rotulagem da divergência, persistem cotidianas nos grandes grupos de comunicação. E nunca foram objeto da atenção de checadores, embora corroam a verdade de modo mais eficiente do que fake news.

A reação formal à derrota da esquerda nas redes sociais não tardou a se fazer sentir. De uns tempos para cá, se a divergência pela direita envolve o que denominam “temas sensíveis”, os feiticeiros das plataformas, a seu próprio arbítrio, censuram e impõem sanções.

Intimidação e censura enquanto as folhinhas do calendário vão caindo no ano eleitoral de 2022.

Percival Puggina (77), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.

 

 

Percival Puggina

22/01/2022

Percival Puggina

 

         Durante a Assembleia Nacional Constituinte teve início o longo funeral dos partidos políticos brasileiros. São duras estas palavras? Sei que são, mas as escrevo porque foi no consentimento proporcionado pelo silêncio, que chegamos à situação atual. Nela, só não olham indignados para o quadro político nacional aqueles que perderam a capacidade de reagir ante a iniquidade. Qual a influência positiva dos nssos partidos?

Desde 1988, o “centrão” é governo e aprendeu, com FHC, Lula e José Dirceu que o Estado é, e precisa ser, o butim dos vencedores, sem o qual a boa vida não rola. O modelo político gerado na Constituinte apodreceu nossa política. Foro privilegiado, dinheiro fácil, costas quentes, risco baixo, companheiros e camaradas no TCU e no STF inverteram e aceleraram o processo de seleção natural, atraindo os maus e expelindo os bons. Regionalmente há exceções, mas são exatamente isso, exceções.

Apesar do imenso relevo que tem a política entre nós, os partidos políticos não atraem e não formam novas lideranças. São meras siglas. As mais antigas, mandaram a própria imagem às cucuias; penso que não haja espelhos em seus diretórios nacionais. As muitas novas legendas são meras letras e números que raros, raríssimos, identificam desde fora do respectivo quadrado. Antigas e novas parecem ter o mesmo e único preceito em seus programas: aqui se busca o poder ou suas cercanias. Nada a dizer sobre a nação.

O Senado Federal é o habitat quase privativo das principais lideranças partidárias. Examine o quadro sucessório brasileiro e veja onde estão as figuras que dominaram cotidianamente os espaços da mídia militante brasileira, graças ao tipo de jornalismo que nela encarnou. Onde estão Rodrigo Maia (o ambicioso que queria ser primeiro-ministro ou presidente), Davi Alcolumbre (o vingativo), Rodrigo Pacheco (o grande omisso), Renan Calheiros (o Torquemada de ficha encardida), Simone Tebet (a bem falante), Alessandro Vieira (que confunde ar sério com seriedade)? E a propósito, cadê Rodrigo Maia (o ambicioso ex-presidente da Câmara que queria ser primeiro-ministro ou presidente)?

Observe agora, leitor, os partidos com maiores bancadas no Senado nas pesquisas da eleição presidencial. Deles, apenas o PMDB (15 senadores) tem a candidata Tebet (com 1%) e o PSDB (5 senadores) tem o candidato Dória (com 2 %). Ou seja, não têm nome a apresentar à sociedade. As outras bancadas numerosas ou tradicionais: PSD (11 senadores) testa Rodrigo Pacheco (0%) e o DEM (6 senadores) não tem uma carta que seja para colocar na mesa. O PODEMOS (9 senadores) foi buscar Moro fora dos seus quadros. 

Os senadores e seus partidos, calaram-se quando deveriam falar. Falaram quando deveriam calar. Viraram as costas à sociedade. Durante três anos articularam, conspiraram e ocuparam com voracidade os generosos espaços que a mídia lhes concedeu. Gastaram a bateria dos holofotes para uma irresponsável oposição ao governo. Agora, na miséria de seus quadros, chegam ao pleito com as mãos vazias.

Percival Puggina (77), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.

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Por que criei este site

Minha posição política é conservadora em relação ao que tem valor permanente. Quer mudar dentro da ordem o que precisa ser mudado. É democrata e serve ao bem da pessoa humana segundo uma antropologia e uma ética cristã. É pró-vida e sustenta a superior dignidade da pessoa humana. Vê a liberdade como sócia bem sucedida da verdade e da responsabilidade. É liberal porque sabe o quanto é necessário impor freios e limites ao Estado, cujos poderes deveriam agir para se tornarem cada vez menos necessários. Defende o direito de propriedade e as liberdades econômicas. Sem prejuízo de muitas outras exclusões, nessa posição política não há lugar para defensores de totalitarismos e autoritarismos, para fabianos e companheiros de viagem de esquerdistas, nem para políticos patrimonialistas.

 

Para defender essas posições, nasceu este website em 2003. Mediante sucessivas incorporações de novas tecnologias chega a esta quarta forma visual de apresentar os conteúdos com que espera proporcionar a seus leitores bom alimento à mente e ao espírito. Sejam todos muito bem-vindos e que Deus os abençoe.

Fique Sabendo

EM TORNO DA FILOSOFIA DO OLAVO DE CARVALHO – UMA SINGELA HOMENAGEM DE UM ALUNO RELAPSO.

Michael Max Pires Amorim, Burke Instituto Conservador

28/01/2022

 

Michael Max Pires Amorim

 

É notório o ódio que os detratores do professor Olavo nutrem por ele. Nem mesmo o luto da família é respeitado. Eles o odeiam, pois as trevas odeiam a luz e o erro despreza a verdade. Odeiam, sobretudo, por serem incapazes de atingi-lo; incapazes de combater sua filosofia.

Tomás de Aquino dizia que a Verdade é uma adequação entre a coisa e o intelecto, mas, para os adeptos do antiolavismo, não passa de uma relação banal entre a burrice e afetação emocionais. Por mais que gritem, batam o pé e praguejem, jamais apagarão o fato de serem limitados demais para sequer compreenderem a obra do professor, que se mantém inabalável. Resta, portanto, uma única maneira de combater o gigante: o assassinato de reputação.

Como o alpinista que, frustrado diante da grandeza do Everest, chuta uma pedrinha que rolou do monte e declara, esbravejando: “Você não é de nada!” O que essas pobres almas pensam ser uma demonstração pública de superioridade acaba por ser apenas uma prova cabal de impotência diante do filósofo. Não podendo combatê-lo, declaram a morte do inimigo; contentando-se com a auto-ilusão da vitória. Adotando, como seu mais elevado feito heroico, a icônica assertiva: “eu não preciso delas, estão verdes mesmo”.

Frase extraída do texto: "Em torno da filosofia do Olavo de Carvalho – uma singela homenagem de um aluno relapso."

Por Michael Max Pires Amorim

Link para ler o texto completo no link:

https://www.burkeinstituto.com/.../em-torno-da-filosofia.../

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Percival Puggina

 

         Acabo de ler em Epoch Times que a inflação medida no Índice de Preços ao Consumidor norte-americano pelo Bureau of Labor Statistics alcançou 7%, o maior salto em 12 meses desde o ano de 1982.  É o efeito lá, em dólares, da chamada inflação mundial. No Brasil a alta de preços foi medida em 10% no ano de 2021.  

O resultado afeta o bolso de todos e, claro, sofre mais quem pode menos.

O mal estar social é grande. As pessoas reclamam. A oposição se refestela! Seus economistas põem a culpa em Bolsonaro e recheiam seus candidatos com criativas inutilidades.

No entanto, caro leitor, há um problema. A queixa é grátis, mas não deveria ser totalmente liberada. Na minha perspectiva, cá no meu observatório, só deveriam ter direito a reclamar aqueles cidadãos que se opuseram ao fique-em-casa, ao fecha-tudo, ao lockdown e ao discurso segundo o qual “a economia a gente vê depois”.

Convenhamos, durante meses a fio tivemos que defender o direito ao trabalho e a liberdade num ambiente em que éramos vistos como seres insensíveis, para os quais o dinheiro valia mais do que a vida... Sim, até esse tipo de insulto tivemos que ler e ouvir.

Agora, infelizmente, o depois e a inflação vieram para todos.

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SUICÍDIO MULTICULTURAL DA ALEMANHA

Giulio Meotti

07/01/2022

 

Giulio Meotti
Em 6 de Janeiro de 2022

 

-  Vou continuar tendo uma postura crítica àqueles... que usam a estrutura liberal e a tolerância da constituição para impor visões totalitárias do estado que minam as normas do Estado de Direito usando doutrinação antiocidental...Não vou adaptar a minha visão de liberdade de expressão... 'Todos têm o direito de expressar livremente sua opinião desde que não seja contrária à lei da Sharia." Ralph Giordano, FAZ.net.

-   Depois que uma barragem se rompe, é um salve-se quem puder para ver quem cede mais rápido.

-   A cidade também está mudando o nome de suas praças para dar espaço ao Islã. "Moscheeplatz" ("Praça da Mesquita"), nome almejado pelo prefeito Marcel Philipp, acordado com o Departamento de Assuntos Religiosos da Turquia...

-    A despeito disso, diz-se que a "Grande Substituição" e a islamização da Europa não passam de teorias da conspiração. Será que realmente estamos cientes de como será a Europa do amanhã?

A hegemonia do Ocidente acabou,"ressaltou recentemente o presidente turco Recep Tayyip Erdogan. "Durou séculos, mas já era".

Concomitantemente, as mesquitas da cidade de Colônia, a quarta maior cidade da Alemanha, obtiveram licença para transmitir todas as sextas-feiras o chamado às orações pelos sistemas de alto-falantes dos minaretes.

"Muitos residentes de Colônia são muçulmanos", salientou a prefeita Henriette Reker, "e na minha opinião é um sinal de respeito permitir a chamada do muezim (encarregado que chama os muçulmanos às orações do alto dos minaretes)."

Para outros, o chamado muçulmano às orações representa o mesmo grito de conquista que os cristãos do Oriente Médio e da África ouvem cinco vezes todos os dias e todas as noites nas portas das igrejas e casas. Agora é a vez da Alemanha.

Há dezesseis anos, o Papa Bento XVI fez sua primeira visita papal à cidade de Colônia. Ele convidou os jovens da Europa a voltarem às suas raízes numa peregrinação ao túmulo dos Reis Magos. Um ano depois, em Regensburg, ele soou o alerta em relação à violência intrínseca do Islã. Colônia agora virou o palco onde a Alemanha acabou de assinar a rendição ao Islã político.

O jornalista Daniel Kremer, escreveu no jornal Bild, lembrando que muitas das mesquitas de Colônia são financiadas pelo governo turco e administradas por Erdogan, "um sujeito que se opõe aos valores liberais de nossa democracia" e salientou:

"é errado equiparar os sinos da igreja ao chamado para a oração. Os sinos representam um sinal sem palavras que também ajuda a dizer as horas. Mas o muezim grita 'Alá é Grande!' e 'eu atesto que não há outro Deus a não ser Alá.' É uma enorme diferença."

Os sinos das igrejas não proclamam que o deus cristão é o único deus e que Jesus é seu filho.

Ahmad Mansour, especialista em integração, também refutou a posição da prefeita Recker. "Não se trata de 'liberdade religiosa' ou 'diversidade', como quer fazer crer a prefeita Reker," ressaltou Mansour. "A mesquita quer visibilidade. O muezim é uma demonstração de poder".

No ano passado, um tribunal da cidade de Münster deliberou que uma mesquita local seja autorizada a realizar o chamado às orações em público na sexta-feira pelo sistema de alto-falantes. A mesquita é administrada pela União Turco-Islâmica para Assuntos Religiosos (DITIB). Sendo a maior organização pai de mesquitas da Alemanha, a DITIB providencia imãs e financiamento, além de administrar cerca de 900 mesquitas na Alemanha, contando com aproximadamente 800 mil membros.

Pouco depois da decisão, o governo estadual de Hesse deliberou que as chamadas do muezim para as orações por meio dos alto-falantes da minarete estão autorizadas sem a necessidade de licença.

Oito das 100 cidades mais populosas da Alemanha, observou a revista Der Spiegel, já deram luz verde para a transmissão de chamadas islâmicas para orações em público. Em Düren, a mesquita turca Fatih chama os fiéis para as orações três vezes ao dia. A professora de etnologia Susanne Schröter, da Universidade Goethe em Frankfurt, esclarece que os muçulmanos veem as chamadas para as orações como triunfo do "Islã forte" em cima do "cristianismo fraco" e, ao que tudo indica, acompanhado pelo anseio do crescente islâmico substituir as estrelas da União Europeia.

"Será que o chamado do muezim será ouvido em toda a Alemanha?" perguntou o Bild, jornal de maior circulação da Alemanha. O chamado do muezim já pode ser ouvido em Munique. Desde abril de 2020, cinco mesquitas estão transmitindo o chamado às orações pelo sistema de alto-falantes. "A chamada do muezim não necessita licença," ressaltaram as autoridades de Hanover, onde há 27 mesquitas. "Lembra o som dos sinos das igrejas, da liberdade da prática religiosa que é protegida pela constituição".

Uma resposta na mesma linha veio de Dresden: "nós nos vemos como uma sociedade urbana diversificada e cosmopolita".

De Frankfurt, domicílio de uma mesquita que acomoda até 6 mil fiéis, o prefeito declarou: "a lei não prevê a necessidade de licença para a oração do muezim, a exemplo dos sinos das igrejas".

Cidades como Dortmund, Hamm, Siegen, Düren e Oldenburg também permitiram que mesquitas transmitissem o chamado islâmico à oração por intermédio do sistema de alto-falantes. Em Nuremberg, sede de uma dozena de mesquitas, permitir a chamada do muezim aparentemente "não é nenhum problema".

O ex-presidente do Tribunal Constitucional da região do Reno, Norte da Westphalia, Michael Bertrams,fala de um "triunfo político" do presidente da Turquia, já Hamed Abdel-Samad, um sociólogo que vive protegido por seguranças armados por conta de ameaças de morte dos islamistas, meteu o dedo na ferida:

"o chamado às orações começa com 'Allahu Akbar', também é o grito de guerra dos muçulmanos. Isso significa que Alá é o maior. Maior que o inimigo, maior que o povo, maior que a vida, maior que a Alemanha, maior que tudo. E como ele é maior que tudo, ao fim e ao cabo só vale a sua lei, a sharia".

Malte Kaufmann, membro do Bundestag escreveu:

"doravante, em todas as sextas-feiras em Colônia, 'não há outro deus a não ser Alá!' Mas a islamização não deveria tomar forma na Alemanha... Estamos alertando há anos! O clamor do muezim é uma asseveração de poder. Passo a passo, o Ocidente cristão está sendo traído".

"A história da Mesquita Central de Colônia documenta a ingenuidade das autoridades alemãs no trato com as organizações islâmicas", relata da Suíça o Neue Zürcher Zeitung, o jornal no idioma alemão mais antigo da Europa.

"Antes do início da construção, a Associação Turca prometeu ao então prefeito de Colônia, Fritz Schramma, que os sermões seriam realizados em alemão e que a mesquita se tornaria um ponto de encontro de membros de diferentes religiões. O ex-prefeito, um dos maiores patrocinadores da mesquita, não foi convidado para a inauguração. Eles queriam construir uma casa para encontros interculturais nos quais o Islã fosse pregado em alemão. No estado de espírito de Erdogan, foi criado um centro nacionalista islâmico. Depois dessa chicana, quem acredita que o muezim vai parar por cinco minutos sequer está sendo embalado no mundo dos contos de fadas ".

O que dá a impressão é que há uma atmosfera infantil, gritantemente aberta de capitulação. "Quem diz sim aos campanários também deve dizer sim aos minaretes", disse o Cardeal Rainer Maria Woelki, arcebispo de Colônia. Parece que as igrejas alemãs estão cometendo suicídio. A arquidiocese de Colônia, a maior da Alemanha e uma das mais ricas do mundo, planeja reduzir suas paróquias de 500 para 50 até 2030. Em Colônia, Erdogan veio para a inauguração da maior mesquita e foi recebido pela chanceler alemã Angela Merkel, filha de um pastor prussiano. Este gesto de boa vontade não impediu o presidente turco, em 2020, de transformar a grande basílica bizantina de Hagia Sophia em mesquita. A Igreja Católica de São Teodoro em Colônia até contribuiu para a islamização da cidade ao financiar a mesquita, em nome de algum quimérico diálogo inter-religioso.

Ralph Giordano, escritor judeu que escapou do Holocausto, criticou a decisão de Colônia, o "islã político" e a "megalomania da grande mesquita", é ao seu ver "uma espécie de declaração de guerra". Em um artigo para o jornal FAZ, Giordano escreveu:

"Vou continuar tendo uma postura crítica aos imãs que usam a estrutura liberal e a tolerância da constituição para impor visões totalitárias do estado que minam as normas do Estado de Direito usando doutrinação antiocidental para incutir a lei da Sharia..."

"Quero ter o direito de dizer que não quero ver burcas ou xadores nas ruas alemãs, assim como não quero ouvir os chamados dos muezins dos minaretes. Também não vou adaptar a minha visão de liberdade de expressão a um demônio que a interpreta da seguinte forma: todos têm o direito de expressar livremente sua opinião desde que não seja contrária à lei da Sharia'. Não e três vezes não!".

Depois que uma barragem se rompe, é um salve-se quem puder para ver quem cede mais rápido. Até o chefe da Chancelaria Alemã, Helge Braun, que ao que consta gostaria de se tornar o líder do partido CDU de Angela Merkel, se manifestou favorável que as mesquitas transmitissem a chamada às orações.

Em Aachen, cidade do imperador Carlos Magno e sua maravilhosa catedral e seus arredores, o chamado do muezim não só se sente em casa. A cidade também está mudando o nome de suas praças para dar espaço ao Islã. "Moscheeplatz" ("Praça da Mesquita") é o novo nome de uma praça pública em Aachen. Evidentemente, trata-se da mudança almejada pelo prefeito Marcel Philipp, que de acordo com a DITIB turca salientou: "estou muito contente na qualidade de prefeito por termos uma Praça da Mesquita", ressaltou o prefeito.

Em 11 de novembro, o muezim chegou em Raunheim, uma cidade nos arredores de Frankfurt, a primeira em Hesse a permitir oficialmente orações por meio de alto-falantes todas as sextas-feiras e, durante o Ramadã, todos os dias antes da oração antes do pôr do sol.

"O princípio da equanimidade também se aplica à religião numa sociedade democrática", explicou o prefeito Thomas Jühe. E também há a questão demográfica: 70% da população de Raunheim é formada por migrantes. "Aqui há mais muçulmanos do que cristãos", enfatizou Jühe.

A despeito disso, diz-se que a "Grande Substituição" e a islamização da Europa não passam de teorias da conspiração. Será que realmente estamos cientes de como será a Europa do amanhã?

Em uma entrevista com Boulevard Voltaire, Thilo Sarrazin, ex-presidente do banco central da Alemanha e autor de dois best-sellers sobre multiculturalismo e islã que sacudiu o debate na Alemanha, diz que a decisão de Colônia está perfeitamente alinhada com o futuro demográfico da Alemanha:

"se esta a tendência não esfriar, a população alemã, chegará ao fim nos próximos 100 anos. No último capítulo do Germany is Disappearing, esbocei o rumo que a situação tomará nos próximos anos... A decisão de Colônia não me surpreende em nada. Corresponde à minha imagem de como as coisas vão evoluir nesta área. Na França, descobri que Michel Houellebecq diz o mesmo em seu livro Soumission".

Até os dois principais jornais do establishment alemão criticaram a crescente tendência.

O Frankfurter Allgemeine Zeitung tomou partido contrário à decisão de Colônia de autorizar a oração do muezim em 50 mesquitas da cidade. Ronya Othmann escreveu:

"contrastando com o Adhan, a chamada islâmica às orações, o badalar dos sinos é apenas um som, não uma mensagem. 'Tolerância' é uma palavra como 'diversidade' e 'respeito', um chiclete velho mascado até não ter mais gosto. Se Erdogan acarpetou aldeias Alevis e Yazidi com mesquitas e as fez ressoar a fé islâmica cinco vezes por dia, é um ato de submissão islamista e não podemos permitir que isto aconteça em Colônia".

O jornal Süddeutsche Zeitung de Munique também foi duro:

"o chamado às orações não é novidade na Alemanha. Ele já é ouvido em dezenas de cidades há muito tempo. O Ocidente Cristão, se é que ainda existe, não cairá de sopetão. Mas Recep Tayyip Erdo?an uma vez citou um poema: 'minaretes são baionetas, cúpulas são capacetes,... crentes são soldados. Uma coisa é inegável: o islamismo está em ascensão há décadas. A ascensão ao poder do Talibã no Afeganistão é saudada pelos islamistas como triunfo abençoado com o poder da fé. Então a transformação de Hagia Sophia em mesquita... Isso pode ter pouco a ver com as ideias e pensamentos da maioria dos muçulmanos na Alemanha. Mas para um islamista, o Adhan é a confirmação diária do mandato político".

Agora temos música alta ecoando de uma tenda acima da Willy-Brandt-Platz de Leipzig, enormes banners verdes com letras em árabe e jovens distribuindo panfletos aos transeuntes. O Bild nos diz que o aniversário de Maomé está sendo comemorado em uma grande cidade alemã. Se a França é o país da agressão islamista, a Alemanha é o país da rendição. O Pew Research Center estima que em 2050, a população muçulmana da Alemanha atingirá 17,5 milhões, 20% da população. Hoje ela é de apenas 8%. A "cidade dos Três Magos" será renomeada de "cidade dos muezins"?

"Prepare-se para o muezim diário..."alertou Henryk Broder no jornal Die Welt. "Já é uma realidade em EstocolmoLondresBruxelas e Amsterdam... "

*       Giulio Meotti, Editor Cultural do diário Il Foglio, é jornalista e escritor italiano.

**     Original em inglês: Germany's Multicultural Suicide
***    Tradução: Joseph Skilnik

****   Publicado originalmente em https://pt.gatestoneinstitute.org/18106/suicidio-multicultural-alemanha

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É meu mais recente livro publicado. Aos 60 anos da revolução que destruiu a antiga Pérola do Caribe, ampliei e atualizei neste livro a primeira edição da obra, publicada em 2004. A análise da realidade cubana segue os mesmos passos, mas o foco do texto vai posto, principalmente, no jovem leitor brasileiro. Enquanto a primeira edição olhou de modo descritivo a realidade em si, esta segunda edição amplia as informações e registra as alterações constatadas ao longo dos últimos 15 anos, levando em conta a necessidade de confrontar as mentiras que a propaganda pró Cuba conta com a verdade que lá se vê, e de destruir com as razões da Razão os sofismas que são construídos para justificar a perversidade do regime.

 

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Fato Comentado

 

Percival Puggina

 

         Quem noticia que Olavo de Carvalho morreu esquece que certas pessoas são agraciadas com uma espécie de imortalidade. Por suas obras, elas se fragmentam em milhões de outros indivíduos, contemporâneos e pósteros. Elas permanecerão vivas nas bibliotecas e seu pensamento continuará a suscitar reflexões, verbalizações e ações.

Há muitos anos, lá pelo início da década de 90, recebi um convite do Olavo para me reunir com ele e outras pessoas em São Paulo. Iríamos conhecer-nos e trocar ideias sobre os rumos do Brasil. Estranhei o convite porque eu era apenas aquele que ainda sou, um discreto cronista provinciano. Como um filósofo do centro do país, com brilhantes artigos publicados assiduamente nos principais jornalões, havia tomado conhecimento da minha existência? Até hoje não sei a resposta e não a obtive sequer quando compareci àquele e a outros encontros que se seguiram, em São Paulo e Curitiba. Nesses eventos, de conversa amável e generosa, conheci, entre outros, a Graça Salgueiro, o Heitor de Paola, o José Monir Nasser, o Nivaldo Cordeiro, o Eduy Ferro, o Carlos Illitch Azambuja.

Convivi com ele e sua família quando, morando em Curitiba, convidou-me para gravarmos um programa de TV com a participação do saudoso José Monir sobre meu livro "A tragédia da Utopia". Se, por um lado, nesse breve convívio, conheci um sábio que passou a influenciar fortemente minha formação - ainda que nunca tenha sido formalmente seu aluno -, por outro conheci sua família, pernoitei na casa deles onde fui acolhido de modo doce e amável pela Roxane e pelos filhos, então pouco mais que adolescentes. Vi um lar como poucos, uma usina de amor e sabedoria (mais ou menos a mesma coisa, não?). Anos mais tarde, desde os EUA, o trabalho de Olavo iria se derramar em proporções inimagináveis pelo país inteiro e mundo afora.

No meu amado grupo de estudos, que há décadas se reúne semanalmente, quase todos estudam com ele, o intelectual que mais influenciou o Brasil, positivamente, no século 21.

Neste dia, em que sim, há luto, estou em oração com a querida Roxane, filhos e netos. Melhor do que ninguém eles sabem o imenso bem representado pelo convívio que tiveram e quanto amor recolhem e continuarão a recolher de milhões de brasileiros nessa perene memória do coração chamada saudade.   

Percival Puggina (77), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.

 

        

        

 

  • Percival Puggina
  • 25 Janeiro 2022

 

Percival Puggina

 

Há cerca de um mês, o grupo de advogados, denominado Prerrogativas, organizou uma expressiva homenagem a Lula. Estava ali a crême de la crême da abastada advocacia esquerdista do Brasil. Grata, reverenciava o grande líder que, para obter liberdade e condição de candidato, deu causa à soltura dos clientes de alguns deles.

Lula ganhou um quadro de Cândido Portinari (só por aí já se vê que o grupo tem tinta na caneta). E ganhou beca de um causídico mais entusiasmado que declarou vê-lo como símbolo da justiça no país. Pelo que tenho visto acontecer no topo do ambiente judicial do país, infelizmente o título faz algum sentido, sim.

Ali estava, também, o alto comando petista observando possíveis ocupantes de futuras (que Deus nos livre de tamanho mal!) cadeiras no STF. É nesses quadros que o PT garimpa as figuras que tem agraciado com tais honrarias e a elas submetido a nação. Em consonância com o ambiente de impunidade estabelecido no país, um dos oradores chutou a consciência nacional: “Se o crime já aconteceu, por que punir?”. Acho que até Lula se engasgou com essa.

Recentemente, mais de mil advogados e juristas brasileiros protestaram contra a homenagem, o título e o teor das manifestações dos colegas. Em seu manifesto, afirmam que "a advocacia brasileira não glamouriza o crime, o criminoso, a injustiça, a impunidade e a corrupção”.

Fiquei com pena da toga. A turma do Prerrogativas (Prerrô, para os íntimos) fez dela menos do que um pano de chão.

 

  • Percival Puggina
  • 22 Janeiro 2022

 

Percival Puggina

 

         Sábado, 15 de janeiro. Foi noticiado que a ministra Rosa Weber, do STF, concedeu prazo de 10 dias para que o presidente Jair Bolsonaro e os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal prestem informações sobre a denunciada ocorrência de “assédio à imprensa”.

Do que li, entendi que a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo acionou o Supremo para coibir a tal prática, que seria uma forma de pressão contra jornalistas. Esses poderes da República estariam cobrando indenização e reparação por danos morais causados por certos conteúdos publicados. Os jornalistas querem que as ações corram todas no foro dos autores das matérias e não no foro daqueles que por elas sejam atingidos. Tal inversão dificultaria o trabalho das supostas vítimas e facilitaria o dos supostos réus.

Até aí nada de mais, exceto quando olhamos para a balancinha porreta da Justiça e vemos quanto ela está desequilibrada. Tem um peso quando lida com o próprio poder e outro quando lida com os demais poderes, especialmente com apoiadores do presidente da República. Jornalistas que incomodaram os senhores ministros sofreram severas e imediatas sanções diretas.

Coincidentemente, o JCO (Jornal da Cidade Online), do mesmo sábado, conta que desde 21 de agosto do ano passado está sem poder receber os valores que recebe por publicidade, como produto financeiro de sua operação. O jornal digital divulgou uma nota em que o advogado Luiz Carlos Nemetz, da banca que defende o veículo, se queixa disso amargamente. Diz ter entrado com habeas corpus, habeas data, representações no CNJ e outros instrumentos e, nem assim consegue acessar os autos e ter ciência da acusação contra seu cliente.

Quantas são as vítimas de medidas semelhantes? De investigações sem fim? Quem responde pelo clima de medo que se instala no país?

É fácil compreender que não faltem a quem seja atacado razões para usar meios judiciais contra o ofensor. Basta estar vivo para ver isso quase todo dia contra o presidente da República, por exemplo. Mas quando se trata de ministros do STF, a banda toca outra música? Tudo é visto sob outro prisma e tem outro peso? Aí o ofendido retruca com a força do Estado?

  • Percival Puggina
  • 17 Janeiro 2022

 

Percival Puggina

 

         As ordens de Lisboa eram muito claras e rapidamente a notícia se propagou pelas províncias: as Cortes Gerais do Reino (constituinte portuguesa) cobravam o retorno de D. Pedro a Portugal, a cessação da autonomia administrativa do Regente e atribuíam a si o encargo de indicar os gestores das províncias.

Na perspectiva de Portugal as ordens faziam muito sentido. Desde o início do século XIX, com a vinda da família real para o Brasil, o caixa português estava no vermelho e se deslocara para este outro lado do Atlântico o eixo do poder político e econômico. O retorno de D. João, em 26 de abril de 1821 restabelecera a coroa no Palácio da Bemposta, mas naquele momento as rédeas do poder estavam nas mãos das Cortes.

A população se mobilizou contra as ordens. Agitaram-se os independentistas. José Bonifácio, o maior deles. Circulou um abaixo-assinado entre a elite brasileira, com oito mil assinaturas, pedindo a D. Pedro que descumprisse as determinações recebidas e permanecesse no Brasil.

Em Lisboa, D. João VI nada podia fazer. O poder estava nas Cortes e ele, para manter a Coroa, jurara a Constituição. Contudo, deixara acionado o GPS com o rumo a ser seguido pelo filho em caso de necessidade: “Pedro, se o Brasil se separar, antes seja para ti que me hás de respeitar, do que para algum desses aventureiros”.

Assim, em 9 de janeiro de 1822 (200 anos no dia de ontem), o príncipe expressa o sentimento nacional emergente e anuncia sua decisão de permanecer no Brasil.

As oito mil assinaturas representavam 8% da população do Rio de Janeiro, mas D. Pedro compreendeu a vontade de seus súditos. Hoje, milhões de assinaturas de eleitores vão para a lixeira de um Congresso  que volta as costas às petições, ao clamor das ruas, ao interesse nacional. E só desperta quando os temas suscitam o interesse eleitoral, ou financeiro, ou muito particular das suas remexidas maiorias.

Esses portugueses de nossa história amaram mais o Brasil do que muitos brasileiros de hoje.

  • Percival Puggina
  • 10 Janeiro 2022

 

Percival Puggina

 

         Tenho em mãos uma caixa de Dipirona, um medicamento de uso corrente que me foi receitado para emprego em caso de dor ou febre, pois estou com Covid-19.

Como faço com tudo que me cai nas mãos, leio a bula da Dipirona. As três partes mais prolixas são, respectivamente, “Quando não devo usar este medicamento”, “O que devo saber antes de usar este medicamento”, e a longa lista que alinha “Quais os males que este medicamento pode causar”. Quem lê, não toma. Aliás, não pretendo tomar. Meus sintomas são muito brandos e o mais incomodo é o isolamento.

São todos esses alertas, feitos pelo laboratório fabricante de um medicamento comum, que me trazem ao tema da vacinação infantil contra a Covid-19. Querem torná-la obrigatória e contam, para isso, com agressiva campanha nos meios de comunicação. Reproduz-se o surrado mecanismo que parece ungir tantos jornalistas à condição de sacerdotes missionários de uma causa sagrada. Agem como exorcistas da divergência. Aventam a possibilidade de perda de direitos familiares sobre as crianças!

Pergunto-me: como podem usar seus espaços nos meios de comunicação para defender a irrestrita vacinação infantil contra a Covid-19, sem cogitar de eventuais condições prévias? Sem a mais tênue advertência sobre o que observar nas crianças após a vacinação (reações adversas)? Sem sequer alertar para o caráter experimental da vacina, usada em condições emergenciais, numa população de baixíssimo risco?

Os amados mestres, que ao longo da vida me ensinaram a pensar, também achariam tudo isso muito estranho e me apontam como mais correto o caminho que passa pela ampla informação e pelo respeito ao direito dos pais. O clima deste país está ficando sufocante.

  • Percival Puggina
  • 07 Janeiro 2022