Percival Puggina
O silêncio do povo é o diploma de formatura das tiranias. Quando as pessoas pararem de falar, quando manifestações públicas forem proibidas, ficará certificado que a tirania se graduou. O silêncio nacional será o tributo que lhes terão prestado os não cidadãos. São tristonhas e sombrias as sociedades comunistas onde o Estado é tudo para todos. Não queremos isso para nosso país!
No Brasil, os direitos civis e as liberdades individuais estão sendo relativizados. Isso está gerando, em muitos, insegurança jurídica e um silêncio de desistência, desesperança, desânimo. Cale-se o povo! Tenho observado manifestações desse fenômeno. Num círculo qualquer, perante o assunto “situação nacional”, muitos não falam mais. Murmuram, deixam cair os braços, sacodem a cabeça. As fisionomias se tornam expressões vivas de um triste desalento cujo futuro é algo como Habana Vieja.
Quer dizer, senhores, que o soberano não é mais o povo? Pergunto: restarão, então, a autocensura e o silêncio, filhos do medo, subprodutos da censura e irmãos gêmeos do absenteísmo eleitoral? Os escombros urbanos e humanos de Habana Vieja são resultado do estatismo bruto e do sempre estúpido comunismo, a cujas parcerias nos empurram as estratégias políticas e geopolíticas em curso.
Enquanto descreio dos tiranos, aprendizes ou diplomados, eu continuo acreditando na liberdade, na democracia e na política feita por democratas. Ante o fiasco da COP 30, símbolo das pretensões estatais, eu reconheço a liberdade como a mais barata e limpa forma de energia para vivificar uma sociedade. Ante tarifas e tarifaços, eu refugo e amaldiçoo os casuísmos e artimanhas que derrubam o Estado de direito, trazem descrédito à democracia, corrompem as instituições do Estado, vão transformando a Constituição de Ulysses Guimarães em lojinha de conveniência e desmoralizam o país perante o Ocidente democrático.
Na percepção do poder que se fez supremo na República, é dele a última palavra. Ora, última palavra é a que encerra a conversa, certo? Depois dela ninguém fala, certo? Ela impõe silêncio, certo? Errado! Três vezes errado! O povo fala sempre. Há limites legítimos para sua ação, contudo, por mais que desagradem ao regime instalado são inerentes à dignidade humana e ao regime democrático as manifestações, as opiniões, as críticas, as cobranças, a tarefa de formação das consciências e o clamor por respostas negadas a perguntas tão lógicas quanto inconvenientes.
É ainda mais importante registrar isso quando a maior parte da representação popular no Congresso Nacional recua ante qualquer demonstração de enfado ou desagrado provinda do lado sul da Praça dos Três Poderes. É ainda mais importante fazê-lo, também, quando tantos se sentem capturados num labirinto distópico, sem saída. Ali, tudo que importa é sugado por uma esponja de prerrogativas e resolvido em reuniões reservadas, sem agenda nem ata, onde estratégias políticas e jurídicas são servidas como hors d’oeuvres de descontraídos jantares.
Devemos, então, buscar alento, respirar o ar dos livres, dar asas ao pensamento, cientes e conscientes de que há um Senhor da História e de que a Ele, o Verbo, pertencem a primeira e a última palavra. Enquanto Ele quiser, amanhã será um novo dia.
Percival Puggina (80) é arquiteto, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
DAGOBERTO LIMA GODOY - 27/11/2025 16:56:24
Sim, haverá um amanhã em que a liberdade voltará a ter vez no seio da Pátria. Só temo que — com a cumplicidade interesseira dos potentados empresariais e suas entidades representativas, a vergonhosa omissão da OAB e o silêncio desencantado e/ou temeroso da parcela dita educada da população — esse amanhã redentor demore tanto e tão penosamete quanto aconteceu na Venezuela, até que os prenúncios da queda de Maduro viessem a aparecer.Felix Maier - 25/11/2025 20:19:50
Com o aparelhamento do STF feito por Lula e Dilma, vivemos sob a ditadura toga-petralha, uma ditadura perfeita, pois não há a quem recorrer. Assim, não importa quem seja presidente do Brasil, de direita ou de esquerda, pois quem vai mandar por décadas é o Sistema Toga Petralha - o Ogro de Nove Dedos está até remoçando o "Instituto Lula" com Messias (45 anos). Bienvenidos a Brazuela!Pedro Amaro Ramos Machado - 25/11/2025 11:41:19
Amigos, o que me deixa perplexo é saber que existem cidadãos e mais cidadãos super inteligentes e influentes e, mesmo assim, as coisas não se resolvem levando todo o membro a ruína!!??EDOARDO PACELLI - 24/11/2025 18:33:01
Reginaldo Farah disse tudo!Reynaldo Farah - 24/11/2025 12:09:35
A culpa por esse estado de coisas é exclusivamente do senado. O senado é o órgão de correição do stf. Bastava o senado impichar um ou dois ministros do stf que essa bagunça toda acabava. Alcolumbre e seus asseclas são os grandes culpados e cúmplices por essa situação infame.Antonio Dantas - 24/11/2025 11:25:27
Enquanto tivermos um congresso presidido por políticos rabos presos e sempre o teremos, a situação se perpetuaráAfonso Pires Faria - 23/11/2025 20:00:20
É! Chegamos em uma situação que, para nos salvar, somente Ele. A situação escalou a um patamar, que penso não ter mais volta.