• Percival Puggina
  • 14/10/2021
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HOMENS, MULHERES, ETC.

 

Percival Puggina

 

         Em 13 de outubro, a Gazeta do Povo publicou matéria do Daily Signal sobre a ONU Mulheres, uma organização das Nações Unidas. Como se diz cá no Rio Grande do Sul em situações de grande espanto: “Me caíram os butiás do bolso!”.

Imagine, leitor, que a ONU Mulheres, uma espécie de albergue internacional do movimento feminista, decidiu que em vez de cuidar dos direitos das mulheres passaria a tratar da igualdade de todos os gêneros. Segundo a organização, “termos como masculino e feminino, mulheres e homens, excluem pessoas não binárias e intersexuais que não se enquadram em nenhuma dessas categorias”. E recomenda que em vez de senhores e senhoras, sejam adotados vocativos de gênero neutro, como “Pessoal!”, “Crianças!”, “Vocês aí!”. Gente, é sério.

Recomendo fortemente a leitura da matéria em questão. O texto me fez pensar que, seguindo por essa mesma linha de raciocínio, a própria organização não deveria se chamar ONU Mulheres porque a palavra mulheres tem um sentido não inclusivo, ou diretamente excludente do sexo masculino e isso não fica bem para uma entidade que se pretende inclusiva. Talvez pudesse mudar o nome para ONU, simplesmente, encerrando-se as atividades da matriz que custa muito e faz pouco.

Pensando com meus botões, percebo que a própria palavra “casal”, opressoramente excludente como se sabe, poderia ser substituída por um coletivo, como “nós” ou “vocês”, ainda que vocês, por não serem nós, acabem também excluídos. Não se diga diferente de “família”, que além das incorretas questões de ordem sexista, reforça a exclusão com a presença de relações afetivas e – coisa terrível – de consanguinidade.

E se todos os pronomes possessivos pudessem ser apagados na linguagem humana? Já pensou, leitor, num mundo sem meu nem teu, sem cercas nem muros, sem portas nem fechaduras, sem bens privados? Já pensou na fraternidade dos desprovidos e dos filhos de ninguém? Nem meu corpo, nem minhas regras, companheir@? (Não, isso não!).

É incrível, mas ideias assim, que parecem cozidas numa enlouquecida babel linguística, são apresentadas como trunfos de superioridade moral. E o mais incrível ainda é que se propaguem e avancem, sem cessar, em direção aos objetivos propostos. A cada passo dado, mais remota vai ficando a pura e simples dignidade humana.

Aprendi, cedo, que advertir é um ato de amor.

Percival Puggina (76), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.


José Rui Sandim Benites -   20/10/2021 05:48:52

Estimado professor Puggina. Não dá para levar a sério. Neste diapasão, conto uma estória em viagem pelo Mato Grosso do Norte, ao entrar em restaurante de beira de estrada. Fui procurar um banheiro e me deparei em dizeres em duas portas: "quem manda" e "quem obedece". Nobre professor certamente, fui para a porta de quem obedece. Um abraço.

Haremhab -   16/10/2021 09:05:12

Puro lixo, chorume e cadaverina, nada além! Linguagem neutra, ideologia de gênero (ideologia sim, sem base científica para chamar de identidade), enquanto não provarem suas baboseiras biológica e cientificamente, continuo com macho e fêmea, mulher e homem, masculino e feminino, cromossomo x e y, casal termo exclusivamente hetero, danem-se os ofendidinhos.

Douglas Bolinelli -   14/10/2021 22:14:10

Considerando que, atualmente, já foi encontrada a equação para os formatos de ovos; considerando que os pais estão sendo relegados ao último plano para os filhos serem entregues ao Estado, e também considerando que, pelo andar da carruagem, a mentalidade de "nós, ", baseado nos últimos acontecimentos, tende a ficar cada dia pior. Não será surpresa alguma se em pouco tempo o chamar alguém de filho de chocadeira se tornar um elogio... Desculpe Puggina, mas vendo nossa realidade, não resisti.

Mara Montezuma Assaf -   14/10/2021 16:51:57

Percival, com meu 76 anos fui com minha irmã tomar uma cerveja artesanal num bar da Vila Madalena em São Paulo e quando fui ao banheiro descobri que em todas as portas estava escrito TODES , ou seja, todos mesmo, de A a Z. Tempos bicudos esses que vivemos hoje.

Menelau Santos -   14/10/2021 16:40:15

Ainda bem que para classificar essa turma da ONU há uma palavra que abrange todos os gêneros: IGNORANTES.

Elis -   14/10/2021 14:21:40

Eu só conheço gênero masculino e feminino- será que o "pessoal" da ONU sabe sobre biologia- Agora sexo ja foram catlogados, por essa "turma" ,11 tipos. Estão falando de gênero ou sexo? Antes que tratava de línguas eram os linguísticas, agora pelo jeito são os analfabetos. Deus tenha piedade de nós.

Vilma Andrade -   14/10/2021 13:38:52

Boa tarde Prof. Percival Puggina. Sou tua fã. Fico muito agradecida quando posso ter uma mensagem de ensinamentos vindos de V. Sa. SOU AVSOLUTAMENTE CONTRA ESSA LINGUISTICA HORROROSA E CONTRA A IDEOLOGUA DE GÊNERO, que aliás, gênero eu aprendi que se dizia quando se tratasse de animal, vegetal, mineral, humano, etc..

Nahum Angelo -   14/10/2021 10:51:55

A tal da ONU deixou de ser representar bons ideais a muito tempo,hoje ,através de suas agências e demais tentáculos ,apóia tudo aquilo que destrói por dentro as nações e as famílias. Qualquer valor que lembre,minimamente, a família tradicional é atacado e a noção de auto determinação é tida como entrave,exceto se lhes favorecer objetivos pré concebidos por mentes deturpadas que querem a todo custo e jeito reunir o grosso da população no seu caldeirão degenerado. Fico me perguntando...de que seve esse troço?

Mirza -   14/10/2021 10:01:11

Brilhante sua reflexão! As relações humanas estão ficando insuportáveis com tanto controle. A espontaneidade vai morrendo e um dia vamos sentir saudades de dar um abraço, um beijo no rosto ou um adeus. Meodeus!!!!!