• Percival Puggina
  • 23/09/2021
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NOSSOS PRESOS POLÍTICOS

Percival Puggina

 

         Como recebo assiduamente notícias de Cuba, em virtude dos contatos e amizades que fiz por lá, também tenho ocasionais informações sobre desaparecimentos, detenções sem justificativa, dificuldade de acesso de familiares a notícias sobre prisões políticas feitas nas ruas e, não raro, greves de fome. Algumas terminam em morte.

         A sempre alerta lucidez do amigo Alexandre Garcia, ao comentar o discurso do presidente Bolsonaro na ONU, deixou no ar uma pergunta que só não perturbou aqueles em quem a ideologia calcificou os sentimentos de humanidade: “E se Bolsonaro tivesse mencionado os presos políticos no Brasil?”.

         Pois os temos por aqui; e estão nessas condições por ordem do Supremo Tribunal Federal, como se a liberdade de cada um dependesse, exclusivamente, da autoridade que se incomodou com ele e o mandou prender. Que país é esse? Que Estado de Direito é esse?

         Contudo, estamos ainda mais próximos de uma realidade cubana do que se possa depreender das linhas acima. O jornalista Wellington Macedo está preso no “contexto” do inquérito dos atos antidemocráticos e entrou em greve de fome há 19 dias! Enquanto a família clama por socorro as instituições se fazem surdas!

         Terrível, não? E o que se dizer dos grandes grupos de comunicação, dos principais jornais do país, em seu mutismo sobre esse assunto? Faça a experiência: procure no Google pelo nome dele, acrescente “greve de fome” e veja quais meios de comunicação registram alguma informação ou comentário a respeito.  Silêncio de cemitério. Silêncio no triste cemitério da liberdade de opinião, de expressão e, claro, do jornalismo brasileiro.

Percival Puggina (76), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.


Ivani Lima -   28/09/2021 10:06:36

Toda a velha mídia calada. Têm razão os que ainda têm coragem de dizer o por quê dessa atitude.

Alcemar de Godoi -   27/09/2021 17:50:27

Porque a grande mídia está calada diante dessa situação trágica?

Armando Andrade -   26/09/2021 11:19:13

Sou um devorador de noticiário não fosse a lide em que me empenhei como jornalista, filho de outro, acostumado a leitura. O mundo sempre me fascinou, mas parece que essa coisa de "trégua" é mesmo fantasiosa. Os homens ou suas voracidades incrementam por toda parte aquilo de "anjos ou demônios". Cuba é um reflexo, onde eles vivem doando vacinas. Que mundo é esse?

Ariel -   25/09/2021 12:08:20

Pugina; somos todos omissos!.....casualmente, estou lendo a vida de Benito Mossulini......neste e em tantos outras biografias, vemos coisas absurdasse repetirem e, o quê mais se vê ´a OMISSÃO....

Darcy Francisco Carvalho Dos Santos -   25/09/2021 12:02:55

Caro Puggina, outra pergunta que faltou fazer foi onde andam o defensores dos direitos humanos, sempre tão atentos em circunstâncias, nem sempre tão justas e humanas? E os jornalistas não dizem nada por seus colegas presos por "crimes" de opinião? Cuidado que Isso pode inverter, quado chegarem ao poder aqueles que falam na regulamentação da mídia.

carlos edison domingues -   24/09/2021 11:11:43

PUGGINA A nossa miséria moral é maior; pois, quem manda prender na Venezuela, na Coreia do Norte e em Cuba não é "jurista" e nem "professor". Aqui, no Brasil, é um conjunto de uma Instância Superior, respaldando decisão de uma pessoa e contra a qual não há apelação. Só a repetição, do dia glorioso, de 7 de setembro indicando quem é "canalha " poderá impedir o aumento do número dos "presos políticos " na terra da "Constituição Cidadã" Carlos Edison Domingues

RONALDO RAMOS LARANJEIRA -   23/09/2021 22:17:06

grato por destacar esse ataque aos nossos direitos humanos no Brasil

Menelau Santos -   23/09/2021 17:21:01

Professor. Artigo corajoso. Eu, por exemplo, não sabia.