• Percival Puggina
  • 03/09/2025
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O julgamento

 

Percival Puggina

 

         Iniciou o julgamento politicamente mais importante deste século no Brasil. Sua importância vem da magnitude dos crimes? Não. Vem da solidez da narrativa que os descreve? Não. Vem da exuberância e veemência das provas? Não. Vem da esmerada condução processual? Não. Vem de sua necessidade para o momento histórico nacional? Não, três vezes não. Bem ao contrário. O processo caminha para seu final acompanhado por denúncias de violações de direitos humanos, de ter instituído o direito penal do inimigo e assim tratado os réus, antecipando julgamentos, construindo versões e imagens em consonância com o viés político assumido pela Corte ao longo dos últimos 14 anos.

Um ambiente soturno rondou essa ação penal. Houve, inclusive, momentos de Família Adams, nos quais o Tribunal agia como se não tomasse conhecimento da opinião pública, mas falando a ela sem parar, impondo uma narrativa e sugerindo culpas antes mesmo de estar a investigação conclusa e de ter a PGR oferecido a denúncia. Advogados dos réus relatam obstáculos processuais que a tudo faziam penoso, inacessível, em meio à obscuridade de perguntas incômodas ficarem sem resposta. Aliás, ignoradas ficaram, também, as denúncias das Vaza Togas que ganharam novo capítulo em recente sessão da CSP do Senado Federal.

O Brasil e o mundo sabem que os manés perderão e tudo sugere que seu principal líder será condenado à mais extravagante das penas.

Arrisco aqui minha opinião sobre o que se pode esperar das futuras páginas dessa história já redigida nas linhas enigmáticas das artimanhas juspolíticas. Quem exerce com tamanha facilidade um poder descomunal vai ficar por aí, parar tão longe do fim? Nunca houve poder assim! 11 ministros em suas togas impuseram-se aos demais entes do Estado e sobre a nação. Como? Transformando o que era um poder sob a Constituição, num poder sobre a Constituição, atributo que ela não concede a qualquer dos poderes que institui. Transformaram a Carta de 1988 numa caixa de ferramentas de valor privativo e uso reservado. Nessa nova ortodoxia, ninguém pretenda lê-la e interpretá-la. Parece ser conteúdo de uso exclusivo da Corte. Há meses avisaram que derrubarão a anistia...

Daí meu receio: aqueles que realizarem feito de tais proporções, nas circunstâncias do tempo presente, desfilarão atrás das fanfarras da vitória. Poderão, inclusive, arrastar 213 milhões de brasileiros para um completo desvio de rota. Poderão levá-los a companhias que não guardam relação amistosa com a democracia nem com os direitos dos cidadãos. Tal menção, aliás, foi proibida na eleição de 2022, lembram?

Percival Puggina (80) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.

 


Christian Andreves Bugmann -   10/09/2025 08:01:54

Nepal fez seu regime Comunista cair em um dia, o que estamos esperando?!

CIRINEU AFONSO DE LUCA -   09/09/2025 12:38:16

Professor, já que o Sr. também não acredita em nada depois do que tudo foi falado e mostrado na impressa, assista a partir de hoje e acompanhe os votos do julgamento, pois deixaram rastros(* provas com marcas de dinossauro) das provas que não deixam dúvidas nenhuma. Serão 5 votos, não será a visão só do Moraes. Tem que cair na real professor

Valdomiro Valdez Dourado -   08/09/2025 18:31:01

Dr. Puggina sempre preciso, verdadeiro, com verbo impecavel, mais uma vez vai direto ao ponto. O Brasil inteiro precisa compartir dessa sabedoria, obrigado Professor..

DANUBIO EDON FRANCO -   08/09/2025 18:13:12

A angústia que martiriza o povo brasileiro é saber até onde vai o arbítrio travestido de legalidade, que conta com o apoio da grande imprensa. Prova disso, foi o que publicou o Estado de São Paulo, pedindo que o STF volte a normalidade uma vez encerrado o julgamento dos golpistas. Está dito, até aqui tudo normal, mas depois, respeitem a Constituição. A Min. Cármen Lúcia, em outro julgamento, reconheceu que a decisão proposta era inconstitucional, "mas desta vez pode", concordando, assim, com a ilegalidade. Penso que a solução passa pelo Congresso Nacional, mas aí não tenho esperança. Resta apenas a pressão popular e ação dos políticos honestos e que acreditam no respeito à Constituição.

EDNA PEREZ -   08/09/2025 15:51:57

O poder efêmero dos homens parece se perpetuar para o mal. Sua análise, infelizmente, é cirúrgica.

marisa van de putte -   08/09/2025 12:46:14

E ainda dizem que o maior perigo que enfrentamos são as "armas nucleares".E lamentável o que está ocorrendo no Brasil. Não há a quem apelar.

IVONE DOSSIN ZANROSSO -   08/09/2025 11:33:57

Análise perfeita!

Frederico Hagel -   08/09/2025 10:00:50

Essa é talvez a maior farsa ocorrida no Brasil, uma nação dilacerada por uma corte arrogante aliada a pior espécie de mandatários da nossa história.

Maria da Glória Nunes -   08/09/2025 08:13:17

Caro Puggina,bom dia Acredito que dentro das 4 linhas,não se resolverá

GINO BECCATO -   06/09/2025 16:16:51

Comentario como costumeiramente IRRETOCAVEL.

Afonso Pires Faria -   04/09/2025 10:09:50

É preciso ter estômago para falar sobre este assunto, tamanha as desobediências daqueles que deveriam obedecer a nossa CF. Parabéns pela coragem.

FERNANDO A O PRIETO -   04/09/2025 06:02:53

Muito obrigado por seu ótimo comentário! Devo dizer que mudei de opinião sobre um tema: sempre achei que a classe política conseguia atrair para si o pior, a escória da humanidade (90% dela não presta). Agora, descobri que há uma classe que atrai mais ainda esses celerados: são os juízes. Conseguem ser ainda piores. Há exceções (5%, 1% ?) mas acho isso. Deus nos salve desses megalomaníacos...