• Percival Puggina
  • 26/03/2024
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O suposto roubo dos móveis e a régua moral de Lula

 

Percival Puggina

         Tive oportunidade de acompanhar de perto, a partir de 1986, o surgimento da primeira representação política parlamentar do PT na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul. Desde os contatos iniciais, pude perceber que o novo partido apresentava três características marcantes: a) postura de agressiva desconfiança em relação a quem não fosse companheiro ou parceiro, b) desejo de ser visto como régua de supremacia moral que permitia aos seus tratar como eticamente inferiores todos os demais, c) desrespeito aos adversários, conduta grosseira e gratuita, entendida como inerente à “luta política”.

O que vi com meus próprios olhos e pude perceber em dezenas, se não centenas de debates em rádio e TV, levou-me muitas vezes a expor os interlocutores, desnudando as características antiéticas de seu comportamento. O que então era intelectualmente estimulante e divertido, o tempo cuidou de tornar assustador, fixando aquelas percepções iniciais numa moldura que diz muito sobre a política brasileira nos últimos 40 anos.

O querido e saudoso amigo Carlos Alberto Allgayer, com sabedoria vaticinava: “Ainda teremos que parar na Estação PT”. Era inevitável, de fato, a chegada ao poder das vestais do templo da estrela. Elas devolviam os jetons das convocações extraordinárias, entregavam ao partido boa parte de seus subsídios ou salários e sua carência material seria franciscana se não fosse arrogante.

A ascensão do petismo ao poder, nos municípios, nos Estados e no governo da União se fez mediante o rotineiro e persistente assassinato de reputações, expressão que deu título a um livro de Romeu Tuma Júnior. Antes da primeira eleição de Lula, por oito anos, o petismo se dedicou a destruir mediante sistemática pancadaria a imagem de quem o derrotou nas duas oportunidades anteriores. E nunca parou de fazer o mesmo com quem se pusesse no caminho.

A vida, porém, contou história diferente. O mensalão estourou aos dois anos do governo Lula I e a Lava Jato abriu suas válvulas dez anos mais tarde, durante o governo Dilma II, revelando a lama encoberta pelo longo e já surrado manto do poder.

Há, portanto, traços de comédia na denúncia do casal presidencial sobre o suposto roubo do mobiliário palaciano por seu antecessor (a velha “luta política” sem limites) e substituição de algumas dessas peças por produtos tão caros quanto luxuosos (a velha “régua moral” irrecuperavelmente destruída, como dá testemunho altissonante o coro das ruas).

No Brasil, periodicamente, voltamos ao passado, não para buscar as virtudes perdidas, mas em vã tentativa de reciclar o que caiu do caminhão. Isso até poderia ser virtuoso, se a reciclagem funcionasse.

Percival Puggina (79) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.

 

 


Menelau Santos -   26/03/2024 21:34:44

Sempre a mesma arma...a mentira!

Gustavo Braun -   26/03/2024 17:06:45

Sempre achei o petismo não afeito ao debate, mas sempre a desconstrução do adversário. Repetidas mentiras, frases e palavras de baixo calado, enganam os seus eleitores, vivem do estado. Falam em democracia mas são eles, os tiranos que tentam implantar o estado totalitário. Até quando iremos aguentar esse autoritarismo?

Luiz R. Vilela -   26/03/2024 16:01:40

Já dizia a minha falecia avó,"quem desdenha, quer comprar". Para o petismo, tudo era podridão nas hostes adversárias, sua militância trazia na ideologia formada a pureza e a virtude dos dignos e ilibados seres que salvariam o pais da velhacaria. Até eu mesmo, no começo fui admirador destes indivíduos que prometiam o Eden ou Xangri-lá, para quem os acompanhassem, e que o Brasil seria a verdadeira terra onde corriam o leite e o mel. Isso foi até o povo acreditar no discurso deles. Dali para frente, tudo foi diferente, quando começaram a receber as primeiras prefeituras, com o dinheiro na mão, esqueceram tudo o que haviam dito quando estavam na maré baixa. Nunca houve tantos escândalos financeiros como na era petista, parece que nunca haviam comido melado, e quando o fizeram, se lambuzaram, uma tristeza. Hoje estão por ai novamente, e agora estão até proibindo que se faça qualquer menção ao movimento de 31 de março de 1964, que dizem matou menos de 500 pessoas, mas no entanto, até a câmara de deputados, tem sessão solene para comemorar a revolução russa, que matou mais de 20 milhões de pessoas, e arruinou uma população inteira. Realmente a régua com que se mede parâmetros da dignidade humana esta quebrada.

PAULO KRUG -   26/03/2024 14:27:08

Tenho 66 Anos.Nasci no Bomfim.Trabalhei no Banrisul da Osvaldo. Acreditei , renasci com esperança de me orgulhar de Minha Bandeira. Fui traido !!! Infelizmente , não acredito mais . Deverá correr Sangue nas Ruas ??? Sem problemas , posso oferecer novamente o Meu !! Exercito ??mais uma vez ( a história conta ..) : LIXO !!

HÉLIO DE SOUZA -   26/03/2024 14:17:32

Quase me esqueci: Encontraram as filmagens desaparecidas do 08/01? Porquê os 60.000.000 de eleitores não acompanham as lives do Lula não tem audiência e do presidente que perdeu atraem milhares de pessoas? Porquê nas convocações do Presidente eleito com 60.000.000 de votos não atraem público? Porque o presidente com 60.000.000, depois de eleito, faz o mesmo que fazia quando ainda era candidato, só participando de alguma atividade de estiver em ambiente controlado. Chega nesse local de carro ou helicóptero, tem medo dos seus 60.000.000 de eleitores?

HÉLIO DE SOUZA -   26/03/2024 14:10:13

Acuse os outros aquilo que você faz. Chamavam Bolsonaro de genocida mesmo comprando vacinas da covid19, cadê a vacina da dengue? E os Yanomâmi pararam de morrer? As queimadas da Amazônia acabaram? E as Estatais, como estão? E as contas do governo, vão bem? E a isenção do IRPF no valor de R$5.000,00? Quando as viagens internacionais do casal trouxeram de investimentos externos para o Brasil, ou foi só turismo mesmo? E a "democracia", já podemos dar opiniões ou ainda é crime? E o Hamas é um grupo terrorista? A última: Quem matou Marielle?

Roberto -   26/03/2024 13:48:53

Alguém, nesse governo, tem régua moral que preste?

roberto lima de almeida neves -   26/03/2024 13:43:23

Este artigo do Puggina só realça a falta de caráter dos petistas. Denigrem aos que a eles se opõem. Jogam sujo o tempo todo. De um lado p encobrir seus crimes e de outro para alertar "sou, mas quem não é".

Flávio Casaccia -   26/03/2024 11:49:04

Eles falam, dizem asneiras, conforme agem - vide mensalao, petróleo como exemplos.

Maceira -   26/03/2024 11:43:04

Parabéns pelo texto e o assunto tratado

EDNA PEREZ -   26/03/2024 11:32:57

Pois é Prof. Puggina é desalentador constatar a vitória perniciosa dessa mentalidade mesquinha e amplamente destruidora. O pêndulo da história parou e parece não querer se movimentar. Creio que nossa resiliência vencerá. Grata por sua precisa reflexão. Abs

Eustaquio A F Gracas -   26/03/2024 11:21:54

Eu digo sempre que o PT não é um partido político. Trata-se de uma organização Criminosa e Terrorista. Os métodos são os mesmos e eles tem uma coleção de assassinatos suspeitos..... que nunca foram esclarecidos........

IGNÁCIO MAHFUZ -   26/03/2024 11:15:41

Percival, Caro Mestre Puggina. SAÚDE E PAZ! Chê, petelhos são iguais a peidos - fedorentos e inconvenientes, em qualquer lugar... Simples assim. Fraternal abraço, Ignácio Mahfuz

Antonio Bastos -   26/03/2024 10:57:37

Prezado Puggina, essa organização criminosa só chegou ao Poder, porque os adversários não souberam se impor. Deveriam, quando um desses meliantes os agredissem moralmente, bastava processa-lo por injuria, calunia ou difamação. E é isso que agora o Bolsoraro aprendeu. Processos no ladrão cachaceiro e na biscaite.