• Percival Puggina
  • 03/12/2021
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ORGULHO E PRECONCEITO: AS TIAS DO ZAP

 

Percival Puggina

 

         Em comentário a um artigo que escrevi sobre mazelas nacionais, uma leitora se exclamou dizendo não ver saída nem solução. “O que posso fazer eu, que sou uma pobre tia do Zap?”, perguntou.

A indagação carregava clara desconsideração do próprio valor. Expliquei a ela que a expressão “tia do Zap” foi criada em laboratório com o intuito de suscitar precisamente esse sentimento, levando as mulheres a abdicarem de sua atividade como cidadãs em uma sociedade politicamente conflituosa.

Quem dera muitos milhões de mulheres se acrescentassem aos milhões de tias do Zap já motivadas! De fato, o Brasil já muito lhes deve. Elas estão nas ruas e estão nas redes sociais e estavam na linha de frente da mobilização que promoveu a derrota esquerdista em 2018.

É fácil compreender as razões da importância das mulheres para o apoio à preservação de princípios e valores, a saber: a preservação da inocência das crianças, a valorização do papel da instituição familiar, a defesa do direito ao trinômio vida-propriedade-trabalho, as mais veementes demandas por segurança pública, o combate à criminalidade e ao avanço das dependências químicas, a proteção da juventude contra influências nocivas no ambiente escolar.

Estas pautas são tão inerentes à condição feminina que, se explicitadas, constariam da agenda da imensa maioria das mães, avós e tias do Zap. Sabem por quê? Porque esses apreciáveis bens materiais e espirituais estão sob intenso ataque em todo o Ocidente e onde se façam sentir as filosofias embusteiras, tóxicas e destrutivas que nele prosperam periodicamente.

Tal enfrentamento político e cultural coloca o Brasil e seu atual governo no olho de um furacão publicitário e midiático. A política que rola aqui, em particular a futura eleição brasileira, interessa ao mundo e às suas tias do Zap bem mais do que os acontecimentos nos Estados Unidos, onde os mesmos problemas são enfrentados e onde as tias do Zap foram derrotadas em 2020.

Aos tropeços e por linhas tortas, com falta de meios e experiência, essa é uma empreitada em defesa da civilização ocidental, de sua cultura e de seus valores, frente a um novo totalitarismo emergente. O estrago que já fez mostra aonde quer chegar e certamente as mães, as avós, as tias e as educadoras de verdade percebem-no com cotidiana clareza.

Se há uma guerra contra a cultura ocidental e se essa é uma guerra sem armas letais, seus alvos e vítimas estão na essência do conservadorismo – religiosidade, instituição familiar, história e tradição.

Eis por que vejo com tanta esperança a ação das tias do Zap. Eis por que convivem elas com esse misto de justificado orgulho e malévolo preconceito.

Percival Puggina (76), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.


João Ghizoni -   11/12/2021 17:04:25

Excelente texto. Apenas dois retoques "no português": a) Eis por que... b) "em face de" em vez de "face a".

Pedro Ubiratan Machado de Campos -   06/12/2021 14:13:38

Como sempre, mestre Puggina mata a cobra e mostra o pau. Ah, se as tias soubessem do que são capazes...

DENISE FARINA -   05/12/2021 12:19:00

Sou uma orgulhosa "avó do Zap"! As filhas, adestradas em escolas caríssimas, saíram bem mais "politicamente corretas" do que eu gostaria, mas nenhuma é esquerdopata. No máximo, demasiado tolerantes com a intolerância. Estão ocupadas com a carreira e com a família e assumo a tarefa de militar.

Adalgisa Cecilia Polari -   04/12/2021 21:12:29

É muito fácil tirar o prestígio e a auto estima de uma mulher. As tia do zap de hoje, uma das quais sou eu com muito orgulho, são as "mal-amadas" de São Paulo na década de 1960 em suas passeatas "Com Deus Pela Liberdade" Há sempre algum fazedor de frases pronto a dizer algo que nos humilhe no intuito de nos menosprezar. O importante é não nos deixarmos convencer de que "lugar de mulher é na cozinha", posto que, nosso lugar é na casa inteira conduzindo seu bom desenvolvimento e na política, no futebol, nos esportes em geral, nas salas de aula, ensinando filhos de outrem enquanto aos nossos falta sempre um pouco de nós. Lugar de mulher é lutando por aquilo em que acredita, seja onde for!

FERNANDO A O PRIETO -   04/12/2021 06:33:16

Ótimo! Parabéns! Orgulhemo-nos (não no sentido ridículo de nos julgarmos superiores, mas no de darmos valor ao que preservamos) de sermos "tios" e "tias". Podemos perfeitamente respeitar os outros sem jamais abdicarmos de guardar os princípios que fizeram de nós o que somos, na parte boa, e lutar para corrigir a parte que não é boa, inerente à natureza humana. Deus nos ajude!

Neize Tavares -   04/12/2021 01:15:09

Nunca li nada tão verdadeiro. Não tinha pensado nisso.

Jorge Roberto Ellwanger -   03/12/2021 13:06:50

Como sempre, muito bom.

Solange Baumer -   03/12/2021 11:44:20

Sou tia do zap, do face, do telegram e de todo lugar onde puder alertar, difundir, compartilhar, palpitar.

Miriam -   03/12/2021 11:39:33

Tia do Zap, veio da Havan, são expressões inventadas por marketeiros esquerdopatas, para que levantar preconceito contra mulheres e idosos, e ainda mais, contra mulheres idosas. O autor escreveu muito bem. Só que, assim como Luciano Hang, temos orgulho de quem somos, pois fomos forjados no fogo do trabalho, do esforço é persistência.