• Percival Puggina
  • 10/05/2025
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Quebradeira de ovos para a “omelete” esquerdista

 

Percival Puggina

         Fascista, nazista, racista, xenofóbico, homofóbico, misógino, genocida, lavajatista, gado, bolsominion, terraplanista, golpista, terrorista, populista, extremista. Só que não.

Os vocábulos acima são algumas etiquetas, gastas por repetição, que me vieram de memória. É provável que um passeio pela Internet encontre mais algumas evidências (melhor seria dizer sintomas) do mal que afeta a esquerda brasileira. Como alguém mentalmente sadio pode dizer tudo isso de uma só mesma pessoa ou grupo de pessoas e se considerar convencido e convincente no uso que faz desse besteirol?

Embora a maioria dessas palavras, gramaticalmente, sejam substantivos, no dicionário esquerdista funcionam como adjetivos “desqualificativos”, depreciativos, aplicáveis a toda divergência. Esse não é, porém, seu único objetivo. No pequeno mundo intelectual em que veem sendo gastas, etiquetas cumprem outra função: operam como conceitos. Sim, poupam toda a exaustiva elaboração intelectual que seria necessária para definir aquilo de que se fala. Quem profere o xingatório se convence de manter com a sabedoria uma intimidade conjugal e se motiva para ir em busca do único objetivo permanente da esquerda brasileira: gerar animosidade e desentendimento. Por isso, não tendo o que dizer sobre o próprio governo, têm, como assunto único, o governo anterior.

Está longe de ser um privilégio esse caminho estreito e rápido da mente à motivação. Na vida social, mentes de trânsito rápido são perigosas, como perigosos eram, em sua habilidade, os pistoleiros do faroeste norte-americano. Gatilhos mentais céleres como os que acionam o percurso referido acima, são sintomas de pelo menos dois graves problemas. O primeiro é observável naqueles que o jornalista Augusto Nunes costuma designar como “bestas quadradas”. Sua ignorância é o expoente que potencializa sua ação.

O segundo, bem mais complicado, se caracteriza pelo complexo de superioridade e narcisismo. Na política, diferentes graus de psicopatia são identificados pelo desejo de encurralar a humanidade num cercado mental, campo de concentração sob rigoroso controle onde tudo será conforme quer o portador da enfermidade. “Isso é distópico!”, exclamará o leitor atento. Ora se é! É totalmente distópico, mas é a corrente verborrágica dominante nos níveis mais altos do poder político brasileiro.

É incrível a quebradeira de ovos que essas pessoas promovem para fazer sua hipótese de omelete em proporções nacionais.

Percival Puggina (80) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.


Juan Albornoz -   17/05/2025 23:39:20

Não lembro do jornalista de quem li o seguinte comentário: Esquerdistas de nível supostamente superior e que supostamente saiban os mecanismos para fazer um raciocinio lógico, continuam do lado esquerdo da lógica, na contramão. Isto levou a esse jornalista a concluir que depois de tantos anos na lavanderia cerebrar, esses "intelectuais" teriam perdido o sentido da lógica, do raciocinio estruturado, como alguém que passou muito tempo numa caverna escura e, ao salir à claridade do meio dia, se senta agredido pela luz. Visto que tem algumas pessoas de aparencia normal, defendendo o indefensável, acho que esse jornalista tem razão. O oscurantismo os converteu em Bestas Quadradas

João Correia Lages -   13/05/2025 21:32:37

Os textos do sr. Puggina são memoráveis. Obs: os comentários não deveriam ser quase tão longos quanto o texto em sim.

João Alberto Martens -   13/05/2025 15:19:02

Mas a extrema direita bolsonarista também tem seus acessos. No blog do Políbio, num post sobre uma pessoa de Novo Hamburgo que estaria envolvida na organização de atentados no show da Lady Gaga, um deles chegou à extrema estupidez de culpar a Globo e a RBS pela desinformação.

Sandra Andrade -   13/05/2025 12:22:06

Falta de escrúpulo, cidadania, indecentes, delinquentes, comparsas, coniventes , conluiados , mancomunados. Gente da pior espécie.

Danubio Edon Franco -   12/05/2025 12:03:50

O distúrbio mental da esquerda brasileira resume-se no discurso sobre a roubalheira no INSS. Afirmam, com a maior cara de pau , que Lula salvou o INSS. Impossível dialogar com essa gente. São doentes mentais. Quando buscam desviar o debate para o governo anterior, esquecem que este editou medida provisória para evitar fraude, mas eles a derrubaram. Psicopatas ou sociopatas?

Decio Antonio Damin -   12/05/2025 11:48:08

As palavras o vento leva...! Os termos ofensivos estão gastos polo tempo e perdem, inexoravelmente, o significado... O que importa agora é o lugar a que chegamos, à extrema decadência de um governante que, ainda que perdendo o rumo e aliando-se politicamente a extremistas totalitários pretende ser o arauto da paz, da conciliação sem se olhar no espelho e se ver ridículo, e nos tornando a todos ridículos como ele que pretende, eu acho ser Premio Nobel da Paz...! As companhias nas comemorações russas foram incríveis, inimagináveis...! O escândalo da Previdência, aumentando exponencialmente sob as barbas de um governo inepto, cego, ensimesmado e egoísta que só se preocupa com um reles populismo eleitoreiro não tem o direto de classificar tão pejorativamente os anteriores, apesar de esses não sere também dignos de todas as loas que lhes querem atribuir...!

Dulce Ester da Cunha Bedatty -   12/05/2025 10:44:03

Maravilhoso, inspirador e dono de uma narrativa , no caso verdadeira e brilhante. Admiro muito seu talento escrever.

Luiz R. Vilela -   11/05/2025 09:56:26

É surpreendente como nos dias atuais se perdeu o parâmetro para diferenciar a honestidade da desonestidade. Pelo poder e sua manutenção vale tudo. Desqualificar os que pensam diferente com termos pejorativos é a base da ofensa de quem na verdade esta bem mais perto da desqualificação, a aqueles a quem acusam. Os atuais mandatários brasileiros, em termos de padrão moral e ética, pouco podem acusar a quem quer que seja por qualquer motivos de conduta inapropriada, que eles próprios não sejam incursos nelas. Alias, a administração pública no Brasil em tempos mais recentes, tem sido de fazer corar qualquer gerente de casa de tolerância, até mesmo das menos respeitáveis. É uma sucessão de escândalos a nunca terminar. Então pergunta-se, a que serve um pais que não tem por prioridade o desenvolvimento e o bem estar da população como um todo, apenas tem como preocupação de um segmento se manter no poder, e em consequência desfrutar da riqueza que é de todos? Faz sentido um pais assim?

Afonso Pires Faria -   11/05/2025 08:46:55

Muito bom trazer a tona este tipo de assunto. Não podemos deixar passar impune todos os xingamentos que recebemos, e trata-los como normais àqueles que o proferem.