Alex Pipkin, PhD
Recentemente, ao comentar o declínio intelectual promovido por décadas de hegemonia "progressista" nas universidades, recebi uma observação que me levou a uma conclusão talvez mais importante do que a crítica original. O verdadeiro problema não é a existência de determinadas ideias, mas a institucionalização de ideias imunes à lógica da ralidade.
Toda geração produz suas utopias. O problema começa quando elas deixam de ser hipóteses e passam a ser tratadas como verdades sagradas. Nesse instante, os fatos deixam de ser um teste da teoria, e essa teoria passa a julgar os fatos.
Foi exatamente esse erro que acompanhou tantas experiências coletivistas ao longo da história. Não faltaram boas intenções. Faltou realidade.
O mundo não é como gostaríamos que fosse. O mundo é como é.
O ser humano não é uma peça de laboratório esperando ser moldada por burocratas, intelectuais ou engenheiros sociais. Ele possui interesses, ambições, medos, virtudes e defeitos. Coopera, mas também compete. É capaz de solidariedade, mas responde a incentivos. Ignorar essa realidade não transforma a natureza humana, apenas converte a teoria em ficção.
Existe uma característica particularmente resistente nas utopias; elas nunca admitem fracasso. Quando produzem pobreza, a culpa é dos governantes. Quando produzem escassez, a culpa é das circunstâncias. Quando produzem miséria, a culpa é de sabotagens externas. A teoria permanece sempre "inocente".
Vejam Cuba, por exemplo. Décadas de estagnação, escassez e fuga de cidadãos. Ainda assim, para muitos, o problema não está no modelo. A explicação é sempre a mesma; foi mal aplicado.
Mas quantas vezes uma ideia pode fracassar antes que se considere a possibilidade de que o problema esteja na própria ideia? A realidade não exige perfeição, mas resultados.
A grande tragédia das utopias não é produzir fracassos. É convencer sucessivas gerações de que, desta vez, a realidade finalmente se curvará à teoria.
Nunca se curvou. Nunca se curvará.
Alguns amigos que visitaram o antigo Leste Europeu, caminharam pelas ruas de Cuba, conversaram com pessoas que escaparam da Coreia do Norte ou testemunharam os contrastes da China moderna relatam a mesma sensação. Em determinado momento, a névoa desaparece. As teorias ficam para trás, restando apenas os fatos.
É assim. A realidade não vota, não milita, não assina manifestos e não participa de debates ideológicos.
Quem tem os pés no chão sabe que, mais cedo ou mais tarde, a realidade sempre apresenta a conta.