• Dr. Constantine Menges
  • 19/09/2015
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BLOQUEANDO UM NOVO EIXO DO MAL

O ARTIGO QUE DEU ORIGEM AO TÍTULO DO LIVRO “O EIXO DO MAL LATINO-AMERICANO E A NOVA ORDEM MUNDIAL”

7 de Agosto de 2002

Uma nova ameaça que inclui terrorismo e armas e mísseis balísticos pode surgir de um novo eixo incluindo Fidel Castro, de Cuba, o regime de Chávez na Venezuela e o candidato radical a Presidente do Brasil, todos ligados ao Iraque, Irã e China. Ao visitar o Irã no ano passado, Mr. Castro disse: “Irã e Cuba podem colocar os Estados Unidos de joelhos”, e expressou sua admiração por Saddam Hussein quando visitou o Iraque.

O novo eixo ainda pode ser evitado, mas se o candidato pró-Castro for eleito Presidente do Brasil, o resultado pode incluir um regime radical que restabeleça o programa de armas nucleares e o de mísseis balísticos (1) e o incremento dos laços com os países que promovem o terrorismo, como Cuba, Iraque e Irã, e ainda podendo apoiar a desestabilização das frágeis democracias vizinhas. Isto poderia levar a que 300 milhões de pessoas em seis países se submetessem ao controle de regimes radicalmente anti-Americanos e à possibilidade de doutrinação de milhares de novos terroristas que poderiam atacar os Estados Unidos a partir da América Latina. No entanto, a administração em Washington parece não estar dando a devida atenção.
O Brasil terá eleições presidenciais em outubro e, se as atuais pesquisas forem confiáveis, o vencedor será um radical pró-Castro com profundas ligações ao terrorismo internacional. Seu nome é Luís Ignácio Lula da Silva, o candidato do Partido dos Trabalhadores que conta com aproximadamente 40% nas pesquisas. O candidato Comunista está em segundo lugar com 25% e o concorrente democrata em torno de 14% (2).
Mr. da Silva não faz segredo de suas simpatias. Foi aliado de Mr. Castro por mais de 25 anos e com seu apoio fundou o Foro de São Paulo em 1990, uma reunião anual de comunistas e outras organizações políticas e terroristas da América Latina, Europa e Oriente Médio. (O Foro) foi utilizado para coordenar e planejar atividades políticas e terroristas em todo o mundo, contra os Estados Unidos. O último encontro foi em Havana, Cuba, em Dezembro de 2001. Envolveu terroristas da América Latina, Europa e Oriente Médio e condenou fortemente a administração Bush e suas ações contra o terrorismo internacional.
Como Mr. Castro, Mr. da Silva culpa os Estados Unidos e o neo-liberalismo por todos os reais problemas sociais e econômicos com que se defrontam o Brasil e a América Latina. Mr. Da Silva chamou o Free Trade Area of the Americas (3) de uma conspiração dos Estados Unidos para “anexar” o Brasil e acusou todos os credores internacionais que esperam o pagamento de $250 milhões em empréstimos de “terroristas econômicos”. Também afirmou que todos os que estavam retirando seu dinheiro do Brasil, o faziam por temerem seu regime, e também acusou-os de “terroristas econômicos”. Isto nos dá uma pista sobre o tipo de “guerra contra o terrorismo” que será conduzido em seu governo.
O Brasil é um País ricamente dotado, quase do tamanho dos Estados Unidos, com uma população de 180 milhões de habitantes e a oitava economia mundial (com um PIB de mais de $ 1.1 trilhão de dólares). Poderia em curto prazo se tornar uma das potência nucleares. Entre 1965 e 1994 os militares trabalharam para desenvolver armas nucleares, conseguiram projetar duas bombas atômicas e estavam a ponto de testar um artefato nuclear quando um novo governo democrático e uma investigação legislativa encerraram o projeto.
Aquela investigação revelou, no entanto, que os militares haviam vendido oito toneladas de urânio ao Iraque em 1981. Também foi relatado que após o bem sucedido programa de mísseis balísticos ter sido fechado, o General (4) e 24 cientistas que lá trabalhavam foram para o Iraque. Existem relatórios revelando que, com financiamento iraquiano, a capacidade em armas nucleares foi desenvolvida em segredo, contrariando as diretivas dos líderes civis democratas.
Mr. da Silva declarou que o Brasil deveria possuir armas nucleares e aproximar-se da China, que vinha ativamente cortejando os militares brasileiros. A China vendeu ao Brasil urânio enriquecido e investiu na indústria aeroespacial brasileira, tendo como resultado um satélite conjunto de observação e reconhecimento.
O Brasil tem fronteira com outros dez países na América do Sul, o que ajudaria da Silva a incrementar, como disse que faria, uma política exterior mais próxima do regime pro-Castro e pro-Iraque de Chávez na Venezuela que apoia a guerrilha narco-terrorista das FARC colombianas, assim como outros grupos anti-democráticos da América do Sul. Hugo Chávez trabalhou com Mr. Castro para temporariamente desestabilizar a frágil democracia no Equador há dois anos. No momento, ambos apoiam o líder socialista dos cocaleiros, Evo Morales, que espera tornar-se Presidente da Bolívia em agosto próximo.
Além de ajudar as guerrilhas comunistas a tomarem o poder na conturbada democracia colombiana, um regime de Mr. Da Silva no Brasil estaria muito bem situado para auxiliar os narco-terroristas e outros grupos antidemocráticos a desestabilizar as frágeis democracias da Bolívia, do Equador e do Peru, além de explorar as profundas crises econômicas na Argentina e no Paraguai.
Ainda mais, um governo de Mr. Da Silva tenderia a não pagar sua dívida, levando a uma aguda crise econômica em toda a América Latina, com isso aumentando a vulnerabilidade das democracias da região. Poderia desencadear uma segunda crise econômica nos Estados Unidos com a contração dos mercados exportadores.
Um eixo Castro-Chávez-da Silva significaria a união da guerra política de Castro contra os Estados Unidos que já dura 43 anos com a riqueza petrolífera da Venezuela e o potencial econômico do Brasil, além da possível construção de mísseis balísticos.
Nas nossas eleições de 2004 os Americanos podem perguntar: quem perdeu a América do Sul? Os Estados Unidos permaneceram passivos durante a administração Clinton, ignorando os pedidos de ajuda dos líderes democráticos da Venezuela para se opor às ações anticonstitucionais e ilegais de Mr. Chávez e também ignoraram suas óbvias alianças com países patrocinadores do terrorismo. Por que a administração Bush não poderia agir frente a 20 anos de ganhos democráticos na América Latina que estavam ameaçados de serem revertidos? Por que não poderia fazer alguma coisa frente à abertura de nosso flanco sul às ameaças terroristas e ver nossa nação ameaçada por mais um regime anti-americano radical com intenções de adquirir armas nucleares e mísseis balísticos?
Este desastre para a segurança nacional dos Estados Unidos e para o povo da América Latina deve e pode ser evitado se os elaboradores de nossas políticas agirem rápida e decisivamente, mas isto deve ser feito já. Uma oportuna atenção e ação políticas por parte dos Estados Unidos e outras democracias deveria incluir o encorajamento para os partidos políticos pro-democráticos do Brasil se unirem e apoiarem um líder honesto e capaz que represente as esperanças da maioria dos brasileiros por uma genuína democracia e que possua os recursos de montar uma campanha nacional efetiva.
(1) Refere-se ao programa nuclear encerrado por Collor na Serra do Cachimbo e à produção de foguetes em Alcântara, MA
(2) Menges provavelmente se referia a José Serra (comunista) e Anthony Garotinho (democrata). O resultado foi: Lula (PT) 39.455.233, 46,44%, José Serra (PSDB) 19.705.445, 23,19% e Anthony Garotinho (PSB) 15.180.097, 17,86%
(3) Área de Livre Comércio das Américas [ALCA] uma proposta em 11 de dezembro de 1994 como acordo para eliminar ou reduzir as barreiras tarifárias entre todos os países das Américas, com exceção de Cuba.
(4) Provável referência ao Brigadeiro Hugo de Oliveira Piva, exageradamente chamado de “Von Braun brasileiro”. Ver entrevista do mesmo ao Reservaer (http://www.reservaer.com.br/gblrnew/texto.php?pSerial=10665) , onde mostra simpatias por Saddam Hussein e hostilidade em relação a GeorgeW. Bush.
Constantine C. Menges, quando escreveu este artigo era um senior fellow do Hudson Institute e ex membro do Conselho de Segurança Nacional dos Estados Unidos. Nasceu em Ancara, Turquia, a 1º de setembro de 1939 e faleceu em Washington, D.C., 11 de julho de 2004. Chegou aos Estados Unidos com a família em 1943. Bacharel em Física. Foi diretor para assuntos latino-americanos do Conselho de Segurança Nacional dos Estados Unidos, nomeado por Ronald Reagan em 1983. Anteriormente, entre 1981 e 1983, foi analista de informações da Central Intelligence Agency (CIA) para a América Latina. Desde esta época já pertencia ao Hudson Institute, think tank sediado em Washington, D.C. que reúne a nata do conservadorismo estadunidense. Foi doutor em Ciência Política pela Universidade Columbia.
Artigos selecionados sobre o Autor
http://michellemalkin.com/2004/07/12/constantine-menges-rip/
http://www.washingtontimes.com/news/2004/jul/15/20040715-082645-4699r/
http://themengesproject.blogspot.com.br/
Troca de cartas com Olavo de Carvalho e outros artigos:
http://www.olavodecarvalho.org/semana/040717globo.htm
http://www.olavodecarvalho.org/english/texts/menges_letter_en.htm
http://www.olavodecarvalho.org/semana/070718dc.html
http://www.olavodecarvalho.org/english/texts/menges_letter_en.htm
http://www.olavodecarvalho.org/traducoes/carta_menges.htm
Tradução: Heitor De Paola

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They who can give up essential liberty to obtain a little temporary safety deserve neither liberty nor safety. Benjamin Franklin

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