Percival Puggina
Ocorreu-me ler os textos que escrevi no período entre o primeiro e o segundo turno da eleição presidencial de 2022. Eram, quase todos, artigos críticos à atuação do combo STF/TSE, claramente antagônica ao candidato Bolsonaro, que concorria à reeleição. Dias depois, na cerimônia de diplomação de Lula, ante uma plateia repleta de companheiros em festa, o presidente do TSE, ministro Alexandre de Moraes, foi aplaudido tão insistente e prolongadamente quanto Lula. Mas com ainda maior entusiasmo. Jamais se viu coisa igual.
Nenhum desses textos (foram 25 entre os dias 2 e 30 de outubro!) mencionava a necessidade de que todos fossem às urnas. Em nenhum me ocorreu advertir que não se abstivessem. Parecia-me que a vida pregressa de Lula, embora proibida qualquer menção a ela, era algo real, tão real quanto suas péssimas companhias na política nacional e internacional. A abstenção/omissão se manteve nos 21% habituais e Lula foi eleito.
Não tenho qualquer interesse que não seja cívico. Sou apenas um pai e avô, consciente de que estou na fila de espera da eternidade. Por isso, do mesmo modo como irei votar apesar de legalmente dispensado, apelo a todos os eleitores para que não sejam cúmplices dos males que possam advir de sua omissão. A destruição da ordem, a barafunda institucional e a corrupção, lavada e deslavada, exigem uma contestação democrática, mesmo que em urnas ainda sem impressoras.
A simples ideia de Lula indicando quatro novos ministros para o STF faz pensar, imediatamente, nos próximos 30 anos! No dia 25, vote Flávio 22 e reze por ele e pelo Brasil.
Percival Puggina (81) é arquiteto, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
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