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O Estado a que chegamos  -  14/03/2026

 

 

Percival Puggina  

         Dezenas de milhões de brasileiros arrendaram a consciência ao senso moral do Estado, desse Estado a que chegamos. Exclamará o leitor: “Impressionante! E a que preço? Qual o valor desse arrendamento?”. Pois então: trata-se de mercadoria alienada a preço vil. A consciência desses cidadãos não vale um centavo mais do que o senso moral do Estado que tenham como senhor de seus bolsos e almas.

Se estas são palavras duras, a realidade que todos veem e sentem deveria cortar como lâminas do mais puro aço alemão a couraça de quantos não percebem a malignidade do patrão a que se submetem – o Estado que virou feitor da sociedade. Abriram mão da liberdade de pensar, malgrado os milhares de alertas com que Millôr Fernandes, ao longo dos anos, carimbava suas páginas afirmando que “Livre pensar é só pensar”. E ele não falava na liberdade do pensamento irrelevante, da coisa à toa, sem valor ético nem estético.

Para usar uma expressão da moda que não significa coisa alguma, a exemplo de tantos outros modismos como a estampa das meias, os cidadãos a que me refiro abriram mão de seu “lugar de fala”.  Como cidadãos, podem e devem falar, mas o Estado em que vivemos, esse Estado a que chegamos, esvaziou em sala de aula os pneus do pensamento, substituído por maus sentimentos contra qualquer um que ouse pensar fora da esparrela mental em que foram capturados. Só quem já observou a naturalidade com que vandalizam seus próprios ambientes e os assistiu, como que em matilha, expulsando deles, aos gritos de “Recua, fascista, recua!” quem tem a ousadia de pensar, sabe do que e de quem estou falando. E sabe quanto essa conduta faz lembrar  um regimento da Hitlerjugend, a juventude hitlerista.

Sucessivas décadas de domínio esquerdista do ambiente educacional garantiu a esses moços a condição de face visível do Estado a que chegamos. Refiro-me a um Estado que considera totalmente ociosa a opinião pública. Em si e por si, ele detém o “notável saber”, sendo motivo de escândalo que alguém expresse um pensamento ou um argumento. Aliás, para esse Estado em que vivemos, o cidadão é, sobretudo, um chato, indesejável, de quem se espera e a quem se recomenda o silêncio eterno.

Quando se acumulam os escândalos, esse Estado a que chegamos investiga e inferniza a vida do denunciante. Ele interroga quem formula perguntas e se cobre de misteriosos segredos. Enquanto expõe quem incomoda, impõe sigilo sobre o incômodo que causou... 

Em outubro haverá eleições. É o último recurso disponível para nos resgatar dos abusos do Estado, desse deplorável Estado a que chegamos. Sigamos o bom ânimo inaciano que nos indica trabalhar como se fôssemos a democracia com que sonhamos e tudo dependesse de nós, mas vamos rezar colocando os resultados nas mãos de Deus.

Percival Puggina (81) é arquiteto, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.

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Freio de arrumação  -  11/03/2026

 

Percival Puggina

         Ante os olhos de todos, a senhora avançou o potente automóvel contra a mureta que havia na frente de um centrinho comercial. Quanto mais fragmentos de carro e concreto eram vistos em meio à fumaceira dos pneus que queimavam, mais ela pisava no acelerador pensando ser ele o freio. E permaneceu assim até o carro salvar a própria vida e desligar tudo.

Ocorreu-me a analogia entre a cena e o maltratado Brasil de meu tão bem querer. Pensei na maioria do Senado, hábil em business, mas destruindo o próprio poder e criando condições para o protagonismo político do Supremo Tribunal Federal. Lembrei-me, também, dos ministros do STF, que pisam no acelerador da política instrumentalizando o poderoso motor da justiça. Lembrei-me do lamentável jornalismo da velha imprensa, selecionando o que publicar e fazendo convenientes “recortagens” quando tão necessários se faziam os furos de reportagem.

Um desastre em modo dane-se. No balaio dos desacertos, vi os egos se inflarem, as prisões políticas se multiplicarem e a censura se instalar; vi o cala-boca virar multiformes projetos de lei, ganhar apelido em inglês e se tornar inquérito policial, com cabeça neste mundo e pés no outro. Vi a prepotência sendo verbalizada e a arrogância da débil natureza humana ser cultuada como sarça ardente, manifestação divina do próprio poder, teofania de uns, venerada com medalhas e aplausos de outros.

Ao longo destes últimos anos, em diversos artigos, mostrei que criticar um deputado não é o mesmo que criticar o parlamento; criticar um senador não é o mesmo que criticar o senado e, por pura lógica, criticar um ministro do Supremo não é o mesmo que criticar o Supremo. Certo? Certíssimo. E ainda que fosse a mesma coisa, camarada, qual o problema? Se todos se omitirem na crítica às instituições, como serão elas corrigidas? Como retornará o rio da Justiça ao leito do bom Direito? Convenhamos, essas instituições do Estado, perfeitas é que não são; se fossem, não teriam chegado a estas semanas de tão desolador descrédito.

O otimismo dos constituintes de 1988 esgotou o prazo de validade. É hora de realismo. Não surpreende que uma Constituição com tantos defeitos tenha produzido essa mescla de corrupção com impunidade. Não surpreende tenha ela gerado tantos partidos que são, em quase totalidade, interesses fragmentados e transformado a Carta de Ulysses em caixa de ferramentas da maioria do STF. As eleições de outubro são a hora de corrigir o erro e confiar o poder a mãos hábeis, sem cometer, por exemplo, o erro de quem entregou o carro àquela senhora que acelerou quando tinha que frear.

Percival Puggina (81) é arquiteto, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.

 

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A culpa dos outros e a fita tape da censura.  -  11/01/2025

 

Percival Puggina

      A frase de Homer Simpson – “A culpa é minha e a ponho em quem eu quiser” – é expressão máxima do realismo cínico e narcisista, frequentemente apropriada por indivíduos, empresas, corporações, instituições e poderes de Estado. Trata-se de um vício moral ruinoso, cultivado na infância e, como qualquer outro, potencialmente capaz de criar dependência. Cuide-se, leitor amigo, de quem atribui a outros os próprios erros. Cuide-se, também, de quem jamais reconhece uma incorreção, de quem nunca se desculpa, de quem sempre encontra nos outros motivos para os próprios maus resultados, de quem se permite mudar de princípios sem dar quaisquer explicações e de quem, mormente tendo poder, perde a paciência com perguntas desconfortáveis.

A extrema esquerda é medalhista nessas categorias. Em qualquer tempo e lugar – seja em Cuba, Rússia, China, Brasil ou Venezuela – essa esquerda criaria um paraíso não fosse a último governo do adversário, não fossem seus opositores atuais, não fossem circunstâncias externas ao seu controle, não fossem sinistras traições e/ou conspirações. É por culpa dos outros que só conseguem criar infernos na terra. Como todo vício, também esse, cria dependência. Do mesmo modo como precisa do poder para consolidar suas posições, a extrema-esquerda a que o atual governo brasileiro se integra depende de opositores e inimigos externos nos quais descarregar as próprias culpas e os piores adjetivos do dicionário político.

O problema é que, tendo opositores e aplicando a eles essa prática abusiva, o partido acaba aborrecendo verdadeira multidão de eleitores. Demora um pouco, mas é inevitável que, por saturação, mesmo cidadãos desatentos percebam o que está sendo feito e se sintam desrespeitados pelo mal que tais práticas causam. Não é comum a insensibilidade ante a injustiça praticada ao próximo ou ante a perseguição a um congressista opositor, ou quando uma rede de comunicação fica parecida com agência governamental tratando seu público como um “coletivo” tão descerebrado quanto ela se empenha em ser.

Vi o mesmo acontecer lá atrás, no começo do século. Antes das redes sociais, “quando eram felizes e não sabiam” nas palavras de um ministro do STF, governos petistas quiseram manipular a fita tape da censura para silenciar as opiniões divergentes por meios diretos e indiretos. Entre os primeiros estavam a tentativa de estabelecer o “marco regulatório da imprensa” previsto no famoso PNDH-3 e a tentativa de criar os conselhos nacional e regionais de jornalismo. Entre os meios indiretos, incluía-se o esforço de dominar a linguagem impondo os mandamentos apócrifos do “politicamente correto”, as “analogias penais” e as medidas excepcionais criadas pelo STF/TSE...

Tais práticas funcionam por algum tempo e com algumas pessoas, mas não por todo o tempo nem com todas as pessoas, principalmente após a ruptura dos monopólios da comunicação com o surgimento das redes sociais, que se tornaram os mais óbvios e viáveis escoadouros dessas inconformidades.

Começa, então, o jogo das apostas dobradas. O regime entra com a censura. O mundo civilizado se escandaliza. O regime abre inquéritos em sigilosos pacotes. Eles são tantos que se tornam exaustivos e insuficientes. O regime ameaça e multa as plataformas. A oposição cresce sem cessar. O regime reage com prisões preventivas eternas e desproporcionais condenações. Por fim, é como se vivêssemos tempos bíblicos: até os cegos veem, até os mudos falam, até os surdos ouvem, o apoio ao governo despenca e 2026 entra, em contagem regressiva, no horizonte das esperanças.

Percival Puggina (80) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.

 

 

 

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O maior sequestro da história  -  22/03/2022

Percival Puggina

 

         Não, não me refiro a valor do resgate pago a sequestradores. O que tenho em mente é o imenso valor do bem sequestrado, que tem vínculo estreito com o sucesso, ou com o fracasso de uma nação.  

Em nosso país, a Educação foi sequestrada por interesses políticos, ideológicos e corporativos que a mantêm cativa, sob ferrolhos, impedindo-a de cumprir suas funções enquanto muitos dela se aproveitam para os próprios fins.

O art. 206 da Constituição Federal não deixa margem para fanatismos paulofreireanos. Nenhuma “autonomia” do professor, da escola, do departamento, da universidade, do Conselho, do sindicato pode desrespeitar o disposto no inciso III do art. 206 da Constituição Federal quando dispõe que o ensino será ministrado com “pluralismo de ideias e de concepções”. Mas para ler e entender isso é preciso não ser analfabeto.

Há um incompreensível silêncio sobre o dado divulgado em junho do ano passado pelo IMD World Competitiveness Center, que comparou a prosperidade e a competitividade de 64 nações. No eixo que avalia a Educação, o Brasil ficou em último lugar! Não surpreende o resultado, num país em que relacionar atividades pedagógicas a expectativas burguesas como competitividade e prosperidade é crime hediondo, punido com “cancelamento” definitivo do infeliz que o fizer. 

Quem desejar um Brasil mais qualificado sob o ponto de vista educacional terá que arrumar um banquinho e aguardar pelo menos uma geração inteira. Isso se começarmos amanhã de manhã bem cedo. Afinal, o fique em casa deixou nossas crianças por dois anos sem aula minimamente proveitosa e a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD Contínua 2021) apontou um aumento de 66,7% no número de crianças de 6 a 7 anos que não sabem ler nem escrever!

"Uma geração inteira?", talvez exclame, preocupado, o leitor destas linhas. Sim, uma geração inteira porque para podermos alfabetizar melhor nossas crianças será preciso refazer um longo percurso que começa pela formação dos professores naquelas usinas dos recursos humanos do sistema que são as universidades. Ao mesmo tempo, haverá que abrir caminho até os registros e válvulas que comandam a entrada e saída de recursos do erário. E, também concomitantemente, acabar com as iniquidades instaladas na tradição brasileira, entre elas a que faculta ensino superior gratuito a quem pode pagar por ele. Em menos palavras: melhores professores, mais recursos financeiros, mais bom senso.

Por fim, se abrirmos a janela para espiar o Brasil real, será impossível não perceber que se instalou a cultura do não saber. Poucos são os alunos que querem aprender. Menos numerosos ainda os que têm hábitos de leitura. Separa-se o lixo na cozinha, mas não se separa o lixo inserido na Educação e nos meios de comunicação.

É a epifania da ignorância, cultuada em cativeiro e fanatismo.

Percival Puggina (77), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.

 

 

            

 

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UMA REFLEXÃO PROPOSTA POR ALEXANDRE GARCIA  -  29/12/2021

Percival Puggina

 

           Sim, o Brasil pode mais!

         Em sua coluna de ontem (28/12) na Gazeta do Povo, o amigo Alexandre Garcia, sempre um raio de luz no jornalismo brasileiro, rendeu justa homenagem à indústria nacional. Em tempos de sucesso do agronegócio, têm passado sem as devidas referências muitas atividades industriais em que o Brasil, com criatividade e competência, ganha destaque no mercado mundial apesar da corrida de obstáculos imposta a quem deseja empreender.

Diante dessa constatação, Alexandre faz duas perguntas:

Então, um país que tem essas indústrias e muito mais, que tem essa capacidade e tecnologia para produzir o que produz, eu fico pensando por que esse país não está entre as cinco maiores potências do mundo? É porque tem alguma coisa que prejudica o empreendedorismo do brasileiro na legislação, nos tribunais, na burocracia, nos governos inchados e nos políticos, não é isso?

De fato, o PIB brasileiro faz lembrar um farol de trânsito. Ora está no amarelo, ora no vermelho e, em poucos períodos, é favorecido pelo sinal verde da liberdade. O PIB patina, canta pneu e pouco sai do lugar.

O Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), estima que o PIB per capita encerre 2021 com alta de 3,8% sobre o ano passado. Esse indicador, se confirmado, é 1% inferior ao de 2019, anterior à pandemia, e fica 7,7% abaixo do pico medido em 2013. Agora, o lado pior da notícia: provavelmente só retornaremos a esse nível dentro de sete anos!

Sigamos na esteira aberta pelas duas perguntas do Alexandre. Toda riqueza do país é gerada pela iniciativa privada. Quem investe pode dar-se mal e perder dinheiro se cometer erros de naturezas diversas, mas quando quase toda a economia perde dinheiro, quando o PIB cai e não se recupera, há que buscar culpados entre a elite política e nessas muito mal concebidas instituições do Estado, que alguns ministros do STF consideram inquestionáveis sinônimos de estável plenitude democrática.

Nosso modelo institucional gera crises em sequência, em cascata; é uma usina de instabilidade e desconfiança. No seu lado pior, estimula a corrupção e, inequivocamente, resguarda a impunidade. O jogo político, por decorrência, é de muito má qualidade. Não bastasse isso, parcela expressiva de seus agentes é sadomasoquista.

Sim, isso mesmo: sadomasoquista. Observe a conduta da oposição (midiática, cultural, funcional, parlamentar e judicial). Ela se satisfaz impondo males ao governo sem se importar com o fato de que, sendo parte da sociedade, acaba fazendo mal a si mesma. 

Sim, o Brasil pode mais, mas tem muitas contas políticas pendentes das urnas em outubro próximo.

Percival Puggina (77), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.

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POR QUE VOU À RUA NO DIA 25 DE AGOSTO  -  22/08/2019

 

 “Será que adianta?”, perguntam-me muitos leitores. É o que adianta. Durante décadas, as manifestações de rua no Brasil careceram de legitimidade, eram manipuladas a “um sanduba e dez real”, e não mereciam ser tomadas em conta. Mais do que cidadãos querendo expressar-se, envolviam pneu queimado, piquete de grevistas e “miguelitos” para impedir a circulação. Visavam, no velho perfil totalitário, impor à nação inteira as pautas corporativas e eleitorais da vez.

As atuais mobilizações envolvem grandes temas, focam legítimos e consistentes anseios de parcela expressiva da opinião pública: combate à corrupção e à impunidade, segurança pública, redução do tamanho e peso do Estado. Houvesse sintonia entre a nação e suas instituições, seriam desnecessárias. Mas o fato é que, como de hábito, a opinião pública vai para um lado e elas para o outro. Alias, entre os fatos altamente positivos destes últimos anos sublinho a crescente consciência de que temos instituições e de que há, nelas, gravíssimos problemas.

Até recentemente, não chegava a dois dígitos em todo o país, ou seja, contavam-se nos dedos do Lula, os colunistas que, como eu, identificavam e abordavam tais questões. Hoje, esse número aumentou. Infelizmente, porém, aumentou incluindo os do contra. Chutando o balde da Razão, eles cobram reverência popular às instituições nacionais, cuja existência e conexões acabam de descobrir, afirmando que elas “estão cumprindo seu papel” e que o povo deve aceitar com submissão a regra que o exclui, permanecendo em casa, assistindo-os dizer isso na TV.

Não! As instituições não são confiáveis! Já o revelaram com excesso de evidências. Protegem-se reciprocamente num círculo de ferro. Estão em flagrante dissintonia com a sociedade. Nos longos anos de desatenção nacional, à sombra do desinteresse geral, desenvolveram o talento de entortar boas ideias, contornar o bem, tangenciar a verdade para, depois, enterrá-la viva, em posição vertical, sob toneladas de falácias. Exercem, na plenitude, o silencioso poder dos arquivos! A quem julgam enganar quando dizem aprovar uma lei contra o abuso de autoridade para proteger o “cidadão comum”?

As redes sociais e o povo na rua me enganam menos, me respeitam mais e – creiam! – me representam melhor.

Enfim, para ser bem entendido: os bons congressistas (e eu conheço muitos que correspondem a esse conceito) precisam dos cidadãos para constituírem maioria e cumprirem o que a história está a lhes exigir. E o STF precisa saber de nossa total inconformidade com um colegiado onde não há sequer um conservador, onde não há um único liberal, e que eles, os onze, são sequelas de uma grave doença que acometeu o país. Só em países totalitários vamos encontrar supremas cortes tão rompidas com a nação a que deveriam servir.

 

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* Percival Puggina (74), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
 

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MANIPULAÇÃO DA INFORMAÇÃO  -  29/09/2018

 

Das empresas de comunicação se deve esperar mais do que um conjunto de manipulações e menos do que um pacote de ocultações. O consumidor da notícia, das matérias, tem direito de ser bem informado sobre assuntos de relevante interesse social.

O público sabe que muitos veículos preferiam ver Bolsonaro em qualquer lugar, menos no topo da preferência dos eleitores. Por isso, reservam espaços diários para atacá-lo e, por isso, tantos jornalistas, esquecendo-se dos demais candidatos, dedicam horas de expediente a comentários negativos, muxoxos, sorrisos, ironias e mistificações. Em contrapartida, silêncios coniventes cercam a vida e a obra de Fernando Haddad; ocultam seus livros e sua confessada adesão à Escola de Frankfurt, círculo de intelectuais que se dedicaram à tarefa de viabilizar o marxismo no Ocidente cristão mediante a dissolução dos fundamentos de sua cultura. Até seu alarmante Plano de Governo passa batido! Não faz jus a uma perguntinha sequer ao candidato a proposta de uma “Refundação Democrática do Brasil” mediante nova constituinte, notícia que evoca o processo venezuelano, inclusive pela ênfase à “soberania popular em grau máximo”. E note-se: Haddad, há pouco mais de uma semana, em entrevista a O Globo, atribuiu à oposição a crise da Venezuela. Disse (sic): “A Venezuela não vive um processo de normalidade, não vive. Por que há contestação sobre o ambiente democrático, não se reconhece resultado eleitoral, a oposição contesta quando um plebiscito é chamado, as eleições não são respeitadas. O clima alí é de conflagração. Inequívoco.” Pelo jeito, esse estrabismo ideológico do candidato faz sentido e não põe em dúvida o discernimento de um aspirante à cadeira presidencial. Afinal, é Bolsonaro quem constitui risco à democracia...

Voltemos, porém, ao Plano de Governo descartado das pautas dos grandes veículos como se afasta do caminho e da visão uma inconveniente barata seca. Nem uma palavra sobre a proposta de um Programa Transcidadania que anuncia a concessão de bolsas de estudo para travestis e transexuais em situação de vulnerabilidade (note-se que o motivo da concessão não é a vulnerabilidade, mas a condição transexual). Silêncio! Desinteressante, também, pelo jeito, a proposta de uma Nova Política sobre Drogas, mediante descriminalização e regulação do comércio.

A apreensão em relação à posição eleitoral de Bolsonaro leva muitos veículos a esquecerem dos riscos inerentes ao retorno petista à cena do crime. Obscurece a terrível herança deixada por um governo que atuou ininterruptamente entre 2003 e 2016. Não permite ver, no Plano de Governo de Haddad, a ressureição do famigerado PNDH-3, a ser “resgatado e atualizado”, nem a promessa de implementar as recomendações da Comissão Nacional da Verdade.

O PNDH-3 (2010), para lembrar, desfigurava a democracia representativa, o Poder Judiciário, o direito de propriedade, a religiosidade popular, a cultura nacional, a família e a liberdade de imprensa. Numa tacada, liberava o aborto, mudava para pior o Estatuto do Índio, valorizava a prostituição e se intrometia em temas que iam da transgenia à nanotecnologia. Já a Comissão da Verdade, aquela com sete membros escolhidos por Dilma, entre os quais não havia qualquer historiador, foi mais um dos muitos meios pelos quais o PT quis maquilar-se como defensor da democracia (desde que não se mencione Cuba, Venezuela, Coreia do Norte, Nicarágua, Muro de Berlim etc.).

Nada disso, porém, interessa a setores da imprensa. Pode até parecer que são apenas livros e ideias no papel. Contudo, as ideias não são do papel.

 

* Percival Puggina (73), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o Totalitarismo; Cuba, a Tragédia da Utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil, integrante do grupo Pensar+.

 

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QUEM É O GREVISTA DE GREVE GERAL?  -  30/06/2017

 

 Inicialmente cabe perguntar: como pode ser "geral" uma greve sem apoio da população? Pelas siglas das bandeiras que agitam, os habituais construtores da confusão e suas massas de manobra acham muito bom o ambiente político promovido na Venezuela e os resultados colhidos em Cuba. Creem, então, ser de boa política demonstrar força parando o país na marra. O sucesso deles depende do fracasso de todos os demais.

 São pequenos grupos articulados nacionalmente. Param o transporte coletivo na base da pedrada e do "miguelito", mas não são, eles mesmos, motoristas de ônibus porque isso é muito trabalhoso. Bloqueiam rodovias e avenidas, incendiando pneus, mas não são, eles mesmos, transeuntes desses caminhos. Impedem os demais de trabalhar, mas são raros, raríssimos em tais grupos, os ativistas que ganham seu sustento com o suor do próprio rosto. Menor ainda é o número daqueles cuja atividade, por sua natureza, agrega algum valor à economia nacional. Querem é distância do mérito, da concorrência, do livre mercado. São nutridos por alguma teta política, pública, sindical ou familiar. São, estes últimos, filhinhos do papai entregues à sanha dos encolhedores de cabeças do sistema de ensino. É a geração nem-nem, mas com direito a mesada.

O que estou descrevendo aqui por intuição, os italianos diriam ser algo que "si sente col naso" (se percebe com o nariz). E bem mereceria ser objeto de uma pesquisa acadêmica. Conviria à sociedade conhecer o perfil dessas pessoas que volta e meia se congregam para infernizar a vida dos outros. No entanto, também com o nariz, posso intuir que a academia brasileira não teria o menor interesse em executar essa tarefa porque ela iria desmoralizar, politicamente, as seivas de que essa militância se nutre. E as grandes empresas de comunicação? Bem, pelo que tenho visto ao longo deste dia 30 de junho, tampouco elas, diante das depredações e da queimação de pneus, pronunciaram uma sílaba sequer que fosse além da mais cirúrgica narrativa dos fatos em curso. Tão lépidos em comentar tudo, entendam ou não dos assuntos, demonstram-se, hoje, absolutamente indispostos a qualquer análise do que está acontecendo. No entanto, há uma riqueza de conteúdo, tanto no que não aconteceu quanto no que aconteceu. Tudo por ser investigado.

Creio que só uma colaboração premiada poderia desvendar as entranhas dessas articulações político-ideológicas tão nocivas ao bem comum...

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* Percival Puggina (72), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.

 

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A REBELIÃO DOS PELEGOS  -  01/05/2017

 

É impossível negar o que todos constataram. No último dia 28 ocorreu no Brasil uma rebelião de sindicalistas que, mediante um sem número de ações criminosas, impediram o ir e vir dos cidadãos. Convém, a propósito, ler o disposto no Código Penal sobre crime de constrangimento ilegal:

Art. 146 - "Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, (...) a não fazer o que a lei permite, ou a fazer o que ela não manda. Pena – detenção, de três meses a um ano, ou multa". A pena se agrava quando, para a execução do crime, se reúnem mais de três pessoas.

Ora, em muitos casos havia mais pneus queimando do que delinquentes praticando o crime de constrangimento ilegal. Mas, visivelmente, sempre eram mais de três a pôr fogo na pista, com a finalidade de impedir a população de fazer o que a lei permite. A necessidade de ostentar como adesão à greve aquilo que foi o seu inverso, ou seja, a paralisia forçada de um sem número de atividades, incluiu a reiterada prática de uma outra conduta criminosa capitulada no Código Penal:

Art. 163 - "Destruir, inutilizar ou deteriorar coisa alheia. Pena - Detenção de um a seis meses ou multa". Uma das hipóteses de agravamento da pena se refere, especificamente, ao dano causado em patrimônio público.

Convocaram a greve geral com voz de gente grande, como expressão de uma eminente tarefa, mas se comportaram qual marmanjos incivilizados. Como pretende essa esquerda voltar ao poder se nem uma greve assim é capaz de realizar? O evento foi do esmero do planejamento à selvageria da execução. A data, escolhida a dedo na folhinha: sexta-feira, véspera de feriadão. O Brasil já estaria em slow motion natural, com milhões de brasileiros na malemolência da beira da praia, sob o sol dos trópicos. Passo seguinte, cometeram duas nítidas incongruências: 1ª) terceirizaram, a soldo (a CUT terceirizando!), contratando ações de fechamento de rodovias, avenidas, pontes, ferrovias; e 2ª) buscaram, à base de "miguelitos" e queima de ônibus, o objetivo principal do desastrado empreendimento - a paralisia forçada do transporte de passageiros. Tudo em nome da liberdade de manifestação. Tudo em nome do butim de R$ 2,1 bilhões referentes à contribuição sindical compulsória.

"E o povo?", perguntará o leitor destas linhas. O povo não conseguiu chegar aos hospitais ou comparecer a consultas médicas. O povo ficou parado nos congestionamentos forçados, impedido de cumprir tarefas e honrar compromissos. O povo indignou-se com o constrangimento a que estava submetido. O povo sabia que seus detratores, nutridos com os direitos que lhe tomavam, arrotavam sucesso nos megafones.

De toda aquela atrapalhação não se aproveitou um discurso, não surgiu uma ideia útil para as reformas, nada aconteceu que conferisse substância e força aos que as antagonizavam. O fracasso da greve geral se mede pelos milhares de vezes, Brasil afora, que o Código Penal foi violado para que a rebelião dos sindicalistas se tornasse visível.

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* Percival Puggina (72), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.


 

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ROLEZINHO E PRECONCEITO  -  24/01/2014

Honestamente, devo reconhecer: tenho um preconceito. Os rolezinhos me ajudaram a percebê-lo. Para ampla maioria, a moda de invadir shoppings é mais uma das tantas perturbações da ordem mediante ações coletivas que ocorrem no Brasil. Viés oposto, para ampla minoria, tais perturbações são veneráveis expressões de honoráveis movimentos sociais. Voto com a maioria, mas isso não é preconceito. É simples constatação. O meu preconceito aparecerá adiante. A massa dos rolezinhos está nessa para zoar. Não passa pela cabeça dos jovens a ideia de estarem decapitando Maria Antonieta ou restaurando a República nestes tempos nada republicanos. No entanto, como em todas as mobilizações desse tipo, há alguém mexendo cordéis para que elas aconteçam. Diariamente, jovens entram e saem dos shoppings, Brasil afora, sem qualquer restrição de circulação. E não chegam às centenas, numa determinada hora, em determinado lugar, sem prévia e bem concebida articulação. Existem peritos nessas coisas. Perguntem ao ministro Gilberto Carvalho que ele explica como é que se faz. Meu recém descoberto preconceito aparece ante o que vem depois da invasão. Ele se ouriça com aqueles que, tão logo os fatos ocorrem, deitam falação sobre apartheid social, racismo, segregação, consumismo, desalmado capitalismo e, claro, preconceito. Com sua vigarice intelectual, essas pessoas despertam em mim, como diria Roberto Jefferson, sentimentos primitivos. Constroem ódios para fazerem política. Entram em dispneia numa atmosfera sem conflito. Então, para produzir luta de classe onde não há, concebem analogias idiotas como esta, que ouvi: Aconteceria a mesma coisa se fossem centenas de senhoras com bolsas Louis Vuitton?. Ou ainda: Ah! Se fossem músicos de orquestra para surpreender com um recital seriam recebidos sob aplausos. É claro que seriam recebidos sob aplausos! As pessoas distinguem, sem canseira mental, um espetáculo de uma invasão. Ora bolas! Meu preconceito vai contra os que têm esse delírio de ver preconceito na mais límpida normalidade. Explicam a reprovação aos rolezinhos com frases assim - É a velha suspeição que, no Brasil, incide sobre quem é pobre, pardo ou preto. Ora, pessoas de todas as condições sociais circulam nos estabelecimentos desse tipo. Lojistas promovem custosas campanhas publicitárias para seduzir seus variados públicos. Disputam-nos entre si com concorrência de preços e de prazos de pagamento. Aliás, tanto os lojistas se interessam em atrair as populações de baixa renda que preferem vender-lhes a prazo para que periodicamente retornem às suas vitrinas e balcões. Nestes últimos dias, os ideólogos do preconceito entraram em prontidão. No Planalto aconteceu uma reunião de emergência que superou, no interesse das autoridades, até mesmo a chacina no Maranhão. Foi aí que aflorou, ainda mais nitidamente, meu preconceito contra essa mistificação intelectual, de motivação política e ideológica. Experimente, leitor, organizar um rolezinho no Palácio Piratini. Basta um pequeno grupo de pessoas de qualquer cor, pêlo e extrato social, se reunir na esquina da praça para que um pelotão policial, pronto para combate, aflore das entranhas palacianas e se poste diante do prédio em atitude defensiva. E olhe que o Piratini é um bem público! Já o shopping é um negócio privado, uma empresa comercial para centenas de outros negócios e local de trabalho para milhares de comerciários. Note mais: os que mexem os cordéis dos rolezinhos e os que saem em sua defesa remam o mesmo barco. São estrategistas da destruição, atuantes em todos os setores da vida nacional. Rolezinho, no fundo, é peça do jogo de poder. _____________ * Percival Puggina (69) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões, membro do grupo Pensar+.
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PARA O GOVERNO PETISTA, POLICIAL QUE MATA BANDIDO É BANDIDO. ATÉ PROVA EM CONTRÁRIO.  -  03/01/2013

PARA O GOVERNO PETISTA, POLICIAL QUE MATA BANDIDO É BANDIDO. ATÉ PROVA EM CONTRÁRIO. A ministra Maria do Rosário, como presidenta do Conselho de Defesa dos Direitos Humanos, deu-se ao desplante de, por simples Resolução (Resolução Nº 8 de 21 de dezembro de 2012, estabelecer um enorme regramento sobre a atividade policial no Brasil em caso de enfrentamento armado com bandidos. O texto é um disparate cujo único efeito será salvaguardar os bandidos mesmo quando atiram contra cidadãos ou contra policiais. Dispõe a ministra, com uma resolução que vai muito além de suas chinelas, que todo policial que ferir ou matar um bandido responderá por homicídio ou lesão corporal (conforme seja o caso). Será, também, afastado de suas funções externas e perderá o direito de ser promovido, ainda que por bravura, até o esclarecimento dos fatos e responsabilidades. E vai por aí, normatizando, legislando e se intrometendo nos outros poderes, determinando como deve agir o Ministério Público nesses casos. Se duvida, procure no google pela referida resolução. Entre as justificavas alegadas, a ministra menciona que a violência destas mortes atinge vítimas e familiares, assim como cria um ambiente de insegurança e medo para toda a comunidade. Ou seja, na opinião da ministra e seus conselheiros, não é a morte de cidadãos de bem por bandidos o que apavora a sociedade, mas, isto sim, a morte de bandidos pela polícia. Ela não tem a menor ideia do que a sociedade pensa e segue a cartilha partidária, pretendendo impor às instituições nacionais o programa de desagregação social proposto pelo PNDH-3. Sabe você quando haverá segurança neste país com o PT? Nunca! Note-se, por fim, que essa tolice toda sai da caneta da ministra com base numa tal Lei Nº 4.319, de 16 de março de 1964, que criou o Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana. No entanto, lido e relido o teor dessa lei, não encontrei nela autorização alguma para que o governo edite normas com tão desmedida abrangência e profundidade. O CDDPH é um órgão de estudo, aconselhamento, recomendações, articulações e fica totalmente contido nesse nível. Será que ninguém viu esse absurdo? Será que o Congresso nada fará a respeito? Será que as instituições policiais ficarão passivas diante disso? Será que o Ministério Público concordará, pelo silêncio, com essa violência que concede saúde e longa vida aos criminosos pela, doravante, prudente omissão dos policiais em serviço?
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ELVIS MORREU, MAS STALIN VIVE  -  24/03/2012

Confesso que volta e meia me vejo assistindo, pela tevê, às sessões do Senado Federal ou às da Câmara dos Deputados, embora esta últimas, não raro, se assemelhem a uma fila de telefone público mandando recados para o interior. Pois foi num desses cateterismos televisivos através do coração da democracia brasileira que me deparei, na última quinta-feira, com a transmissão de uma sessão da Comissão de Relações Exteriores do Senado, sob presidência do senador Fernando Collor. Na pauta, dois requerimentos apresentados por Eduardo Suplicy. O paulista, com sua retórica de hipnotizador, propôs o envio de duas moções. Uma ao governo dos Estados Unidos pedindo a desocupação de Guantánamo, a liberdade dos cinco agentes cubanos presos e condenados pela justiça norte-americana, e o fim do tal embargo comercial que ninguém respeita. A outra moção seria dirigida a Cuba, pedindo a libertação dos presos políticos e o levantamento das restrições às entradas e saídas de cidadãos cubanos no próprio país. Para quem não sabe, cubanos só saem de Cuba com beneplácito do governo ou dos tubarões. E o beneplácito do governo é o menos provável. A primeira moção teve aprovação resoluta, unânime, indiscutível. A segunda abatumou. Os senadores Ranulfe Rodrigues, Vanezza Grazziotin, Fernando Collor e, principalmente, Delcídio do Amaral, entenderam inconveniente que o Brasil se imiscuísse em assuntos internos de Cuba. A moção foi rejeitada. Em vão Pedro Simon e Ana Amélia expressaram surpresa com a escancarada contradição. A maioria dos presentes não viu problemas em dar palpites à política norte-americana, mas fazer o mesmo em relação a Cuba, sim, constituiria grave intromissão em assuntos internos de uma nação soberana. Exclame-se, amigo leitor. Xingue. Mas escolha adjetivos que correspondam a um diagnóstico político correto. Aquela turma conta muito com a ingenuidade alheia. Preza imensamente a ingenuidade alheia! Graças a essa ingenuidade, pela qual o ocorrido aponta direto para a rematada incoerência e para o absurdo, eles se dão o direito de fazer política segundo uma lógica própria, uma racionalidade disciplinada e obedecendo a um mínimo ético que é o máximo da malícia. As pessoas tendem a concluir assim: Um peixinho de aquário perceberia tal contradição!. Sim, um peixinho de aquário e um senador stalinista. Então, entenda: qualquer deles, jamais votaria moção contra Cuba. Os repórteres que perguntaram à presidente Dilma e ao governador Tarso o que tinham a dizer sobre direitos humanos por lá, depois das recentes visitas à Ilha, proporcionaram a ambos oportunidade de tecer pesadas críticas aos Estados Unidos. Sem qualquer embaraço. Sobre Cuba, nada. Contradição? Não, apenas ética stalinista. Tudo pela causa, camaradas! Digam-me quando não foi assim. É por serem assim que tais autoridades, homens e mulheres, fazem um discurso sobre direitos humanos no Brasil, criam um Ministério da Mulher - e andam aos abraços com as autoridades iranianas. Vou encerrar reproduzindo parte de um artigo no qual Eça de Queiroz, em 1871, expressou seu constrangimento ante o que via acontecer em seu Portugal. No caso, ele menciona a Espanha. Nós deveríamos colocar-nos, pelos mesmos e muitos outros motivos, também constrangidos diante do mundo. Diz ele: O país não pode, em sua honra, consentir que os espanhóis o venham ver. O país está atrasado, embrutecido, remendado, sujo, insípido. O país precisa fechar-se por dentro e correr as cortinas. E é uma impertinência introduzir no meio de nosso total desarranjo, hóspedes curiosos, interessados, de luneta sarcástica. Com a sociedade ingenuamente adaptada a uma crise moral de rosto sujo e cauda longa, podíamos, muito bem, passar sem ressuscitar entre nós e exibir ao mundo uma ética stalinista de malícia e conveniência que se impõe sobre tudo. Espere a incoerência e não se surpreenderá jamais. ______________ * Percival Puggina (67) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site www.puggina.org, articulista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões.
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O PETISMO E A DESORDEM PÚBLICA  -  27/08/2011

Notícias do Rio Grande Twitter: @percivalpuggina O PT retornou ao governo gaúcho montado na mesma estratégia que o conduziu à vitória anterior em 1998: através de uma atividade como oposicionista que fazia lembrar os assédios nas guerras medievais, quando se atacavam as fortificações adversárias por todos os lados, anos a fio, até a queda final de seus muros. Uma oposição sem limites. O objetivo era tomar o governo desacreditando moralmente quem o exercia, cobrando o pronto atendimento de todas as demandas sociais e exigindo a imediata satisfação de todas as reivindicações dos servidores públicos. Tarso Genro foi levado ao poder na crista dessa horda. É, eu escrevi horda, mesmo. Assumiu num dia e, no outro, jogou para o fim de seu governo, em 2014, o cumprimento das inúmeras reivindicações que seu partido suscitara, patrocinara e levara aos microfones e megafones oposicionistas no quadriênio anterior. Tudo foi catapultado de ontem para depois da Copa. Nesse meio tempo, queixem-se ao Papa. Quem não gostar do Papa tente com o Dalai Lama. O resultado é que as reivindicações agora batem no Piratini por todos os lados. E é quase sempre pauta de companheiro, muitas vezes com aquele jeito petista de meter o pé na porta como se pé na porta fosse manifestação social. Assim, por exemplo, quem poderia imaginar policiais militares da conceituada e histórica Brigada Militar gaúcha incendiando pneus nas rodovias, lançando fogo e rolos de fumaça negra aos ares, estragando o asfalto e paralisando o tráfego? Parece-lhe fácil admitir tais práticas como compatíveis com quem exerce atividade de preservação da ordem pública e proteção dos cidadãos? Claro que não. Tais procedimentos são usuais entre os inimigos da ordem, entre os que estão no outro lado da lei, entre os que tocariam fogo no circo todo se tivessem pneus em quantidade suficiente. Os policiais militares do Rio Grande do Sul esperavam que o PT no poder fizesse o que cobrava na oposição. Eles acreditaram! Ganham pouco, querem aumento, foram enganados. E vão tocando fogo em pneus no leito de rodovias e vias urbanas. Os jornais desta manhã em que escrevo trazem foto e texto sobre uma reunião ocorrida ontem, sexta-feira, 26 de agosto, entre autoridades do governo gaúcho - chefe da Casa Civil e Secretário de Segurança Pública - e o presidente da associação que representa cabos e soldados da Brigada Militar. Não houve acordo, mas o representante dos policiais foi magnânimo e prometeu ao governo uma trégua. Nos próximos dias, os agentes da ordem não promoverão novas desordens. Saiu solto. É assim que as coisas começam a ter explicação e que o surpreendente deixa de causar espanto. Passa a fazer sentido. Há um permanente desconforto moral no governo. O PT sabe que enganou a todos. Ademais, são filhos do mesmo ventre. São pedagogias da mesma escola. No anterior governo petista - o governo Olívio Dutra, de até hoje incorrigíveis efeitos - os mais agressivos e destrutivos movimentos sociais gaúchos ganharam contracheque, cargo público e infraestrutura paga pelos cidadãos. Invasões de terra recebiam proteção policial e as mobilizações dos proprietários em defesa de seu patrimônio eram tratadas como associações criminosas. Nada de mais, portanto, quando uma entidade de servidores que está promovendo tumulto em via pública seja chamada para negociar e que o governo extraia da reunião uma vitoriosa trégua. ______________ * Percival Puggina (66) é titular do blog www.puggina.org, articulista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões.
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JOÃOZINHO E A ANISTIA  -  15/01/2011

O Joãozinho é aquele menino das anedotas. Quando quer algo, azucrina tanto, tanto, tanto, atormenta de tal modo quem se antepõe a seus anseios que acaba conseguindo o que deseja. Pois tenho me lembrado do Joãozinho quando vejo a insistência de setores da esquerda em pautas como aborto, supressão de símbolos religiosos, limitação da propriedade da terra e revisão da lei da anistia. Não têm suporte legal, a opinião pública rejeita-lhes as teses, o STF as declara inconstitucionais, mas pouco se lhes dá. Encanzinados, criam ONGs, comissões, conselhos e até ministérios inteiros. Mobilizam as bases, extraem aqui e ali decisões judiciais que não resistem à primeira contestação, mas vão angariando apoios, sempre pressionando, até a exaustão. Dos outros. A luta contra a Lei de Anistia é típica. Os joõezinhos já começaram. Primeiro trataram do assunto no âmbito da Comissão de Anistia. Aliás, temos uma Comissão de Anistia que se voltou contra a anistia. No final de 2009 embutiram sua revisão no megadecreto do PNDH-3. Depois tentaram convencer o STF de que a interpretação dada à lei, desde que promulgada em 1979, descumpre preceito constitucional fundamental. Perderam por sete a dois, em decisão do dia 29 de abril do ano passado. Inútil. Poucos mais tarde, Lula mandou ao Congresso projeto criando a Comissão Nacional da Verdade no âmbito da Casa Civil da Presidência da República ...a fim de efetivar o direito à memória e à verdade histórica e promover a reconciliação nacional). Enquanto o projeto tramita, conseguiram na Corte Interamericana de Direitos Humanos, agora em dezembro, uma condenação ao Brasil por manter a vigência da lei. Temos aí um suposto interesse pela verdade casado com memória curta. A anistia foi objeto de persistente campanha da oposição ao regime militar, sendo aprovada pelas duas bancadas (ARENA e MDB), em 1979, por votação simbólica. Mas ainda não era ampla, nem geral, nem irrestrita. A emenda nesse sentido foi derrotada. Ela só alcançou essa extensão seis anos depois, após intensa mobilização oposicionista, com a emenda constitucional que convocou a Constituinte, visando à volta dos exilados remanescentes e à total reconciliação. Passados vinte e cinco anos parece que se arrependeram. O artigo primeiro do projeto presidencial em tramitação no Congresso começa com uma mentira, ao alegar a necessidade de uma reconciliação nacional. Mas isso é o que a anistia já fez! E fez tão bem que os anistiados da esquerda estão no poder pelo voto popular. O que de fato os interessa, ao contrário do que alegam (grande novidade!), são os dividendos políticos dos processos que teriam início. Jamais haverá entendimento ou verdade singular sobre a história de um período tão deplorável. Em torno dele já há historiografia para todos os gostos. E o atual interesse pela verdade, que beatifica os crimes cometidos pelos que pegaram em armas pelo comunismo não produz meia verdade nem gera meia anistia. É uma inteira farsa. Se não conseguimos solucionar crimes do mês passado, como esclareceremos os de quase meio século atrás? É impossível nos entendermos sobre o passado. Mas com a Lei de Anistia já o fizemos sobre o futuro, obtendo uma pacificação nacional que os joõezinhos, irresponsavelmente, desejam romper. Aliás, a maior prova de que já nos entendemos está em que essa esquerda, hoje como ontem, quer arrumar confusão. Sabem por quê? Porque para ela não há realidade fora do conflito. Mas isso daria um outro artigo. Especial para ZERO HORA 16/01/2010
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NOVO PUXÃO EM ORELHAS MOUCAS  -  21/11/2010

Tenho sob os olhos quatro documentos: 1) o Programa Nacional de Direitos Humanos ? 3 (PNDH-3); 2) a declaração da CNBB sobre o tal programa, datada de 15 de janeiro deste ano; 3) o manifesto subscrito por mais de duas centenas de entidades que integram a Campanha pela Integralidade e Implementação do PNDH-3, lançado no dia 20 de maio; e 4) o discurso proferido pelo Papa Bento XVI aos bispos da Região Centro-Oeste no dia 15 deste mês de novembro. O primeiro, o PNDH-3, é um bolo de pretensões ideológicas coberto com merengue de direitos humanos. Muito já escrevi sobre ele, apontando suas agressões a verdadeiros direitos da pessoa, como vida, liberdade e propriedade. O documento sofreu forte rejeição de vários setores. Mesmo assim, o PT o referendou de fio a pavio em seu Congresso Nacional realizado no mês de fevereiro deste ano. No entanto, com a aproximação da campanha presidencial, o bolo foi posto no freezer à espera de dias mais adequados para o retorno à vitrina da confeitaria petista. O segundo, a declaração oficial da CNBB sobre o PNDH-3, só falta pedir desculpas por ter que discordar dele em quatro pontos. Aliás, bem contadas, das 572 palavras dessa declaração, apenas 100 podem ser lidas como expressão de divergência. As demais são de louvor e endosso àquele horroroso e mal concebido calhamaço. A entidade chega ao cúmulo de se desdobrar em elogios à ?tão sonhada democracia participativa? (artimanha petista de lamentáveis resultados no Rio Grande do Sul, onde ficou tão desacreditada que saiu de pauta para nunca mais voltar). Mas até aí nada que surpreenda. A gente sabe que o coletivismo beato adora essas coisas. O terceiro, o manifesto da Campanha pela Integralidade e Implementação do PNDH-3 é firmado por mais de duas centenas de organizações, em sua maioria pertencente ao segmento de gays, lésbicas, travestis e transgêneros. Sai em ardorosa defesa do programa, que deseja ver implantado sem alterações. Não há surpresa alguma em seu conteúdo, mas no fato de estar subscrito por organismos vinculados à mesma CNBB que apontou senões ao PNDH-3. Ali estão, por exemplo, entre os signatários do apoio, os bem conhecidos Conselho Indigenista Missionário e a Comissão Pastoral da Terra. Ali está, também, a Comissão de Justiça e Paz de São Paulo. E para completar o enrosco, também o subscreve o Conselho Nacional das Igrejas Cristãs do Brasil, o CONIC, do qual faz parte ? adivinhem quem! ? a própria Igreja Católica. Se você entrar no site do CONIC verá que a primeira e maior das cinco igrejas que integram aquele conselho é a Igreja Católica, representada por Dom Geraldo Lyrio Rocha, presidente da CNBB e signatário daquela declaração de discordância a que me referi acima. Pode uma coisa dessas? Ser contra e a favor? Pode. Na CNBB pode. Para ampliar o paradoxo, o manifesto da Campanha pela Integralidade e Implementação do PNDH-3, lá pelas tantas, afirma textualmente o seguinte: ?Desde que foi lançado, em dezembro de 2009, no entanto, o PNDH-3 vem sofrendo duros ataques de setores conservadores de nossa sociedade ? sobretudo da Igreja (sic), dos donos da mídia, de setores antidemocráticos do Exército e de latifundiários. Esses segmentos não reconhecem o processo de construção participativa que resultou no Programa Nacional de Direitos Humanos ...?. E lá vai a assinatura do CONIC, arrastando consigo não apenas a CNBB, mas a própria Igreja Católica em nosso país a falar mal de si mesma. Durma-se! Por essas e por muitas outras, cada vez que Bento XVI se reúne com bispos brasileiros nas tradicionais visitas ad Limina Apostolorum, lá vem um sermão focando os desvios que tantas e tantas vezes tenho apontado na conduta da CNBB. Agora foi a vez dos senhores bispos do Centro-Oeste, recebidos no dia 15 de novembro, saírem com as orelhas ardendo. Ciente dos abusos cometidos em nome da entidade, por seus dirigentes, seus assessores e por alguns de seus organismos vinculados, que pintam e bordam em nome da CNBB e da Igreja, o Papa usou palavras firmes que, muito provavelmente, chegaram, mais uma vez, a ouvidos moucos. Disse Sua Santidade, entre outras coisas: a) Trata-se em definitivo de buscar que a Conferência Episcopal, com seus organismos, funcione cada vez mais como órgão propulsor da solicitude pastoral dos bispos, cuja preocupação primária deve ser a salvação das almas, que é, além disso, a missão fundamental da Igreja; b) Ao mesmo tempo é necessário lembrar que os assessores e as estruturas da Conferência Episcopal existem para o serviço dos bispos, não para substituí-los; e c) Esse organismo deve evitar colocar-se como uma realidade paralela ou substituta do ministério de cada um dos bispos nem constituir-se em intermediário entre o bispo e a sé de Pedro. Quando é que a maioria dos bispos brasileiros, sensatos e fiéis, vai ouvir o Papa e fazer o que precisa ser feito na entidade que os congrega? Quando vai rever suas assessorias, instituições vinculadas e essas associações esdrúxulas a ponto de a tornarem esquizofrênica, como se viu acima? ______________ * Percival Puggina (65) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site www.puggina.org, articulista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões.
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A TOLERÂNCIA DOS MODERADOS  -  30/07/2010

Na CNBB, quando um bispo assume posições muito definidas, os outros não gostam de apresentar opiniões divergentes. (D. Cristiano Krapf, bispo de Jequié em seu blog). Era bem antiga a minha curiosidade sobre como os grupos radicais da CNBB conseguiam dar trânsito às suas estapafúrdias propostas e fazer com que elas venham a público sob as bênçãos da entidade, para serem acolhidas como se representassem a posição da Igreja. Essa curiosidade ressurgiu quando eu soube que a CNBB acolhera e dera curso à Campanha Nacional pelo Limite da Propriedade da Terra. Como uma coisa dessas passa pelo plenário? Eu sabia que, para vários efeitos, havia uma diferença entre os documentos de capa verde da CNBB (estudos para discussão) e os de capa azul (oficializados pela instituição). Mas quantas pessoas no país são capazes de fazer essa distinção? Pois foi com esse devastador argumento, o de que a proposição do plebiscito sairá com capa verde e não com capa azul, que os bispos proponentes da campanha conseguiram a concordância dos colegas. O leitor não acredita? Vá, então, ao blog de D. Cristiano (www.domcristiano.com.br) e leia o artigo Um plebiscito para dividir fazendas?. Ali, o bispo de Jequié acende a luz do plenário e mostra (viva a Internet!) que o processo usado pela ala canhota da CNBB para fazer o que lhe dá na veneta é o mesmo dos mal-educados que chegam tarde e querem assistir o show na primeira fila. Metem uma perna por baixo, um ombro por cima e se posicionam onde querem contando com a inerte tolerância dos demais (quando um bispo assume posições muito definidas, os outros não gostam de apresentar opiniões diferentes). Quanta falta de firmeza, eminências! É assim, então, que irá às ruas, com o selo da CNBB, o dito plebiscito que visa a colher apoio popular para fixar em 35 módulos rurais a máxima extensão legal das propriedades de terra no país. A campanha em si é como frango refrigerado, não tem pé nem cabeça. Só serve para que os revolucionários se sintam fazendo revolução. Seu único produto é a aporrinhação ideológica, tão ao gosto da Teologia da Libertação, para a qual a pobreza será superada mediante a total destruição da riqueza. É uma iniciativa que segue a constrangedora tradição do anterior plebiscito pelo calote da dívida externa, prestidigitação sacada da mitra de alguns prelados, no ano 2000, como um achado de cartola de mágico. Você lembra, não é, leitor? Não se deve pagar a dívida com o sangue do povo!. Todos riam na foto que registrou o momento solene em que alguns bispos entregaram ao presidente Fernando Henrique o resultado do tal plebiscito. As grandes bobagens são assim, provocam grandes risadas. A CNBB endossava o discurso dos petistas que hoje riem, orgulhosos e faceiros por estarem pagando direitinho e antecipadamente. Há quem goste de fazer esse tipo de papel. Agora, a CNBB entra na linha do PNDH-3 e o artigo de D. Cristiano dá o serviço sobre como se passaram as coisas na reunião dos bispos em Brasília. O esclarecimento ganha relevo porque contém o relato da infrutífera resistência do autor ao trânsito da matéria pelo plenário: a proposta, assumida por pastorais, foi apresentada por uma comissão nomeada pela presidência e foi endossada pela maioria em virtude daquela tolerância que os moderados têm perante a intolerância dos imoderados. De nada valeu, bem se vê, a eloquente e firme exortação feita por Bento XVI aos bispos brasileiros do Sul III e IV em fins de dezembro do ano passado quando os advertiu para ?o perigo que comporta a assunção acrítica, feita por alguns teólogos, de teses e metodologias provenientes do marxismo, cujas sequelas mais ou menos visíveis, feitas de rebelião, divisão, dissenso, ofensa e anarquia fazem-se sentir ainda, criando, nas vossas comunidades diocesanas, grande sofrimento e grave perda de forças vivas?. Tudo indica que o discurso do Papa entrou por um ouvido e saiu pelo outro. É surpreendente essa inclinação da CNBB para a autofagia pastoral, ora se associando a iniciativas e teses tresloucadas, ora sapecando sua sigla e marca em tolices como as que povoam os Documentos-Base das últimas Campanhas da Fraternidade. É tão lamentável quanto verdadeiro: qualquer empresa privada é mais zelosa com sua imagem e com o que é feito em seu nome do que a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. _____________________ * Percival Puggina (65) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site www.puggina.org, articulista de Zero Hora e de dezena de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo e de Cuba, a tragédia da utopia. Este artigo foi publicado originalmente no Diário do Comércio/SP, em 27/07/2010
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CODINOME PNDH-3  -  11/01/2010

Méritos inquestionáveis a Reinaldo Azevedo, o primeiro jornalista a ler a imensa tralha de ponta a ponta. Até que ele postasse a primeira denúncia pública sobre seu verdadeiro conteúdo, a mídia nacional já escrevera bastante sobre o Programa Nacional de Direitos Humanos (codinome PNDH-3) sem o haver analisado. Durante quase três semanas as matérias versavam sobre a proposta de investigação dos crimes de tortura e a ?busca da verdade histórica da repressão? ? vale dizer, o que constara dos releases oficiais. Mas Reinaldo descobriu que esse específico tema era uma pequena marola no tsunami concebido para varrer o ordenamento jurídico e institucional do país, transformando-o num território subordinado à engenharia social e política petista. Fiz o mesmo, então. Li tudo. São 41 páginas em letra corpo 8 praticamente inacessível a uma pessoa com visão normal. Posto em corpo 11, letra de gente, a peça saltou para 76 páginas! Seu coordenador foi o ministro Paulo Vannuchi. Ele comanda a Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, setor do governo que, há coisa de quatro anos, sob direção anterior de Nilmário Miranda, respondeu pela edição da famosa ?Cartilha do Politicamente Correto?. Para quem não lembra, esse outro documento visava a banir do vocabulário nacional o uso de inúmeras palavras tais como veado, funcionário público, comunista, homossexualismo, sapatão, negro, palhaço e até farinha do mesmo saco. Agora, Paulo Vannuchi brinda-nos com algo infinitamente mais pretensioso. Quer desfigurar a democracia representativa, o poder judiciário, o direito de propriedade, a religiosidade popular, a cultura nacional, a família e a liberdade de imprensa. Numa tacada, pretende liberar o aborto, mudar para pior o Estatuto do Índio, autorizar a adoção de filhos por casais homossexuais, valorizar a prostituição e se intrometer em temas que vão da transgenia à nanotecnologia e do financiamento público das campanhas eleitorais à taxação de grandes fortunas. Que dirão os eternos defensores do indefensável? Alegarão que Lula não sabia de nada? Que desconhecia o conteúdo do decreto assinado por todo seu governo? Impossível admitir como verdadeira tal alegação porque Lula participou do ato de lançamento do programa, fez um enorme discurso e afirmou que o PNDH-3 era ?resultado da maturação democrática da sociedade brasileira?. E a ministra Dilma (que, por dever de ofício deve ler tudo que leva para o presidente assinar) está deixando claro a que pretende vir, se lhe permitirem chegar. Ela também conhecia o conteúdo daquela maçaroca. Ambos sabiam o que estavam enaltecendo em seus emocionados discursos no dia 21 de dezembro. O PNDH-3 é uma ladainha em que direitos humanos e democracia fazem o estribilho, mas tudo vai em direção oposta por uma simples razão: seus objetivos reais, do primeiro ao último, são todos partidários. Se houvesse efetivo compromisso de nosso governo com democracia e direitos humanos, seus representantes não se posicionariam contra quaisquer decisões da ONU que reprovem a situação de países como Cuba e China. Por fim, todo o auê em torno da ?verdade? e da ?memória histórica? é uma tentativa de tomar conta de um discurso que serviu muito bem ao crescimento da esquerda: a tal luta pela democracia, com a qual o PT nada teve a ver porque sequer existia quando tudo começou e porque era insignificante quando tudo terminou (o PT saiu do pleito de 1986 com apenas 16 deputados federais). Como o discurso da ética foi para o saco há muito tempo, o partido trata, agora, de se apropriar desse. E nada melhor do que criar um conflito para dominar um dos lados do tabuleiro. * Percival Puggina (65) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site www.puggina.org, articulista de Zero Hora e de dezena de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo e de Cuba, a tragédia da utopia.
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CODINOME PNDH-3  -  10/01/2010

Méritos inquestionáveis a Reinaldo Azevedo, o primeiro jornalista a ler a imensa tralha de ponta a ponta. Até que ele postasse a primeira denúncia pública sobre seu verdadeiro conteúdo, a mídia nacional já escrevera bastante sobre o Programa Nacional de Direitos Humanos (codinome PNDH-3) sem o haver analisado. Durante quase três semanas as matérias versavam sobre a proposta de investigação dos crimes de tortura e a ?busca da verdade histórica da repressão? ? vale dizer, o que constara dos releases oficiais. Mas Reinaldo descobriu que esse específico tema era uma pequena marola no tsunami concebido para varrer o ordenamento jurídico e institucional do país, transformando-o num território subordinado à engenharia social e política petista. Fiz o mesmo, então. Li tudo. São 41 páginas em letra corpo 8 praticamente inacessível a uma pessoa com visão normal. Posto em corpo 11, letra de gente, a peça saltou para 76 páginas! Seu coordenador foi o ministro Paulo Vannuchi. Ele comanda a Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, setor do governo que, há coisa de quatro anos, sob direção anterior de Nilmário Miranda, respondeu pela edição da famosa ?Cartilha do Politicamente Correto?. Para quem não lembra, esse outro documento visava a banir do vocabulário nacional o uso de inúmeras palavras tais como veado, funcionário público, comunista, homossexualismo, sapatão, negro, palhaço e até farinha do mesmo saco. Agora, Paulo Vannuchi brinda-nos com algo infinitamente mais pretensioso. Quer desfigurar a democracia representativa, o poder judiciário, o direito de propriedade, a religiosidade popular, a cultura nacional, a família e a liberdade de imprensa. Numa tacada, pretende liberar o aborto, mudar para pior o Estatuto do Índio, autorizar a adoção de filhos por casais homossexuais, valorizar a prostituição e se intrometer em temas que vão da transgenia à nanotecnologia e do financiamento público das campanhas eleitorais à taxação de grandes fortunas. Que dirão os eternos defensores do indefensável? Alegarão que Lula não sabia de nada? Que desconhecia o conteúdo do decreto assinado por todo seu governo? Impossível admitir como verdadeira tal alegação porque Lula participou do ato de lançamento do programa, fez um enorme discurso e afirmou que o PNDH-3 era ?resultado da maturação democrática da sociedade brasileira?. E a ministra Dilma (que, por dever de ofício deve ler tudo que leva para o presidente assinar) está deixando claro a que pretende vir, se lhe permitirem chegar. Ela também conhecia o conteúdo daquela maçaroca. Ambos sabiam o que estavam enaltecendo em seus emocionados discursos no dia 21 de dezembro. O PNDH-3 é uma ladainha em que direitos humanos e democracia fazem o estribilho, mas tudo vai em direção oposta por uma simples razão: seus objetivos reais, do primeiro ao último, são todos partidários. Se houvesse efetivo compromisso de nosso governo com democracia e direitos humanos, seus representantes não se posicionariam contra quaisquer decisões da ONU que reprovem a situação de países como Cuba e China. Por fim, todo o auê em torno da ?verdade? e da ?memória histórica? é uma tentativa de tomar conta de um discurso que serviu muito bem ao crescimento da esquerda: a tal luta pela democracia, com a qual o PT nada teve a ver porque sequer existia quando tudo começou e porque era insignificante quando tudo terminou (o PT saiu do pleito de 1986 com apenas 16 deputados federais). Como o discurso da ética foi para o saco há muito tempo, o partido trata, agora, de se apropriar desse. E nada melhor do que criar um conflito para dominar um dos lados do tabuleiro. * Percival Puggina (65) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site www.puggina.org, articulista de Zero Hora e de dezena de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo e de Cuba, a tragédia da utopia.
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ESTA MO? NÏ APRENDEU A ODIAR. ENTÏ UM TRIBUNAL RACIAL CASSOU A SUA VAGA NA UNIVERSIDADE  -  19/04/2009

Da coluna de Reinaldo Azevedo - Revista Veja A covardia tomou conta do pa? e o racismo avan?. ?covarde boa parte da imprensa, que se cala diante do abuso de celerados racistas! ?covarde a Justi? que permite que a Constitui? seja violada sob o pretexto de se fazer justi?hist?a. ?covarde o Congresso Nacional, que tem cedido ao lobby dos racistas. S?covardes os que, mesmo discordando das leis racialistas, se conformam com a institui? de tribunais raciais no pa? ?covarde o Minist?o P?co — quando n??onivente — ao permitir, sem dar um pio, que direitos sejam cotidianamente agravados. Voc?certamente leram o caso da estudante Tatiana Oliveira, 22 anos, que cursa pedagogia na Universidade Federal de Santa Maria. Apelou ?ei das cotas para ingressar na faculdade. Declarou-se parda. Segundo entendi, seu pai ?esti? e a m??ranca. Leiam o que foi publicado no Globo On Line. Retomo em seguida: Logo depois da aprova?, Tatiana entregou os documentos que a UFSM exige dos futuros alunos. No caso dos cotistas afro-brasileiros, ?ecess?a uma autodeclara? do aprovado dizendo que ?egro ou pardo. Tatiana fez o que foi pedido e come? as aulas normalmente. A surpresa veio no dia 18 de mar? quando ela foi convocada para comparecer a uma entrevista na reitoria. Segundo Tatiana, na reuni?estavam sete pessoas, tr?negras. Por alguns minutos, eles a teriam questionado sobre sua ra? se j?avia sofrido preconceito e o porqu?a op? pelo sistema de cotas. Tatiana, filha de branca e pardo e neta de negro, respondeu: - Eu falei que me considero parda. Menos parda do que meu pai, porque minha m??ranca. Respondi que nunca sofri preconceito e que escolhi me inscrever no sistema de cotas porque ele d?hance para que n?de cor parda, possamos ingressar na universidade. Falei a verdade - diz Tatiana. Depois da entrevista, ela foi comunicada pela coordenadora do seu curso que a sua matr?la foi cancelada. A decis?revoltou Tatiana e sua m? a t?ica em Enfermagem Adriana Oliveira. - O que a UFSM quer? Que s?tre quem j?ofreu preconceito? Ningu?aqui usou de m??ara conseguir uma vaga. A Tatiana s? inscreveu por cotas porque entendemos que era um direito dela. Mas, pelo jeito, agora teremos de definir a cor da minha filha na Justi?- indigna-se Adriana. Voltei Olhem a que ponto chegou a estupidez! Escrevi h?ns dois ou tr?dias que os negros, no Brasil, s?6% da popula?. Um leitor, realmente curioso, indagou: “U?mas os negros j??s?mais de 50% do pa?” N? n?s? n? meu caro! Trata-se de uma mentira pol?ca e de uma farsa ideol?a. Em dezembro do ano passado, o Ipea, em parceria com o IBGE, divulgou a fal?a de que os negros j??49,8% dos brasileiros — 51,1% da popula? masculina. Como ?ue 6% viram 49,8%? Simples: pegaram os 43,8% de mesti? e somaram aos 6% realmente negros, e todos ficaram sendo “negros”. E “ser negro” est?ome?do a virar uma categoria pol?ca no Brasil. Esse grupo que o Ipea/IBGE pretende chamar de “negro” correspondia a 45,1% da popula? em 1993. Em 2007, saltou para 49,8%!!! Teria havido uma explos?de natalidade? N? Como a pesquisa ?eita com base na autodeclara?, ?vidente que mais gente passou a se declarar “negra” ou, a exemplo de Tatiana, “parda” porque isso passou a ser uma vantagem competitiva. Os n?os de dezembro de 2008 tinham sido parcialmente antecipados no dia 13 de maio daquele ano por ocasi?dos 120 anos da Aboli?. Divulgaram-se, ent? dados com o perfil racial das regi?brasileiras. A vigarice ?al, que se sustenta que a Regi?Norte tem 85% de... negros! ?um esc?alo estat?ico e hist?o. E que pode ser percebido a olho nu. A esmagadora maioria dos “pardos” daquela regi?deriva da mesti?em de branco com ?io. VALE DIZER: SE, NO PASSADO, FEZ-SE UM ESFOR? DE EMBRANQUECIMENTO DO BRASIL, HOJE, FAZ-SE O ESFOR? DO ENEGRECIMENTO. Antes que avance, uma observa?. N?me venham com a tolice de que os n?os s?s?os porque tirados do Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domic?os), O Pnad n?determina que “pardo” ?gual a “negro”. Essa ?ma leitura pol?ca, n?t?ica. Adiante. Comiss?fascist? Mesmo diante dessa avalanche de mentiras, de leituras ideologicamente interessadas, n?imaginei poss?l a brutalidade que colheu a estudante Tatiana. N? eu n?acho que ela seja “negra”. Quem diz que ela ?egra ? IBGE. Quem diz que ela ?negra” ? Ipea. Quem diz que ela ?egra ? pol?ca de cotas raciais. ATEN?O: TATIANA EST`NOS N?EROS OFICIAIS QUE DIZEM HAVER 49,8% DE NEGROS NO BRASIL. OU BEM ELA ?NEGRA E TEM “DIREITO” SUA VAGA (SEGUNDO A POL?ICA DE COTAS VIGENTES), OU BEM, COMO ?FATO, ESSES N?EROS SÏ FALSOS, E A POL?ICA DE COTAS RACIAIS FICA ABSOLUTAMENTE DESMORALIZADA. Sim, os n?os s?falsos, e tal expediente j?e desmoralizou. Mas est?m vig?ia. E Tatiana n?pode ser discriminada por uma comiss?que agora decide quem ? quem n??egro. Grupos como esse foram muito ativos na Alemanha nas d?das de 30 e 40 do s?lo passado... N?basta ser negro... Acontece, meus caros, que n?basta ser negro; ?reciso tamb?ser v?ma. N?basta dizer-se pertencente a uma minoria; ?reciso tamb?aderir ?ol?ca do coitadismo. N?basta dizer-se pertencente ao grupo; ?reciso exercitar um tanto de rancor. NÏ BASTA TER UM DIREITO (OU PRIVIL?IO); ?PRECISO TAMB? SER UM MILITANTE DA CAUSA. E Tatiana n??Tatiana ?lgu?a quem foi dado um “direito” — a ela e a milh?de outros. E ela resolveu exercit?o. Um certo Jorge Luiz da Cunha, pr?itor de Gradua? da universidade, que assina os documentos de cancelamento de vaga, disse o seguinte em entrevista: “Ela respondeu que nunca sofreu discrimina?, que nunca se considerou parda, que se considera mais clara que outros integrantes da sua fam?a e que, no vestibular, foi a primeira vez que se disse ‘parda’. Partindo do esp?to das pol?cas de a?s afirmativas, a comiss? que inclusive tem representantes do Movimento Negro, entendeu que ela n?se sente participante desse grupo”. Entenderam? Se o Minist?o P?co tiver vergonha na cara, aciona este senhor sob a acusa? de abuso de autoridade. A lei das cotas raciais n?exige que a pessoa se sinta discriminada ou tenha sido alvo de preconceito. O fato de haver pessoas do “Movimento Negro” — o “movimento” agora virou tribunal racial? — na comiss?n?torna legal a arbitrariedade. E se Tatiana tivesse mentido? Onde ?ue est?scrito que s? sofredores t?direito a cotas? Observem como as coisas se d? Essa gente toma para si a Constitui? e resolve reinterpret?a ao bel-prazer, transformando a desigualdade em instrumento de justi? Para que pudesse lograr o seu intento, reivindicou o direito de DECIDIR QUEM ?NEGRO. E foi assim que os mesti? se tornaram, ent? negros. Agora que lhe foi dado esse poder, executa a manobra t?ca das revolu?s vitoriosas: come? a fase dos expurgos. E AQUELES QUE DECIDIRAM QUEM ?NEGRO COME?M A DECIDIR QUEM NÏ ?NEGRO. Antes, diziam reivindicar um direito. Agora est?laro que, de fato, eles se tornaram concessores de privil?os. O Senado discute uma lei que oficializa o racismo no pa?sob o pretexto de instituir uma pol?ca de cotas em todas as escolas federais. Que preste bem aten? ao caso da estudante Tatiana. Obviamente parda, ela foi v?ma de um tribunal racial. N?que a cor de sua pele n?lhe d?direito” ?ota — segundo a lei vigente, d?sim. Ocorre que o problema de Tatiana est?o cora?: FALTA-LHE A DOSE NECESSRIA DE ?IO, QUE ?O VERDADEIRO ALIMENTO DO RACISMO. DE QUALQUER RACISMO.
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O ESP?ITO SANTO, ALMA DA ESCATOLOGIA CRIST?  -  04/04/2009

1. O Esp?to da promessa Escutemos a passagem de Romanos 8, sobre a qual vamos meditar hoje: «Tamb?n?que temos as prim?as do Esp?to, gememos em n?esmos, aguardando a ado?, a reden? do nosso corpo. Porque pela esperan??ue fomos salvos. Ora, ver o objeto da esperan?j???speran? porque o que algu?v?como ?ue ainda o espera? N?ue esperamos o que n?vemos, ?m paci?ia que o aguardamos.» (Rom 8, 23-25) A mesma tens?entre promessa e cumprimento que se observa na Escritura a prop?o da pessoa de Cristo, percebe-se tamb?com rela? ?essoa do Esp?to Santo. Como Jesus primeiro foi prometido nas Escrituras, depois se manifestou segundo a carne e por ?mo se espera em seu retorno final, assim o Esp?to, em um tempo «prometido pelo Pai», foi dado em Pente costes e agora de novo o espera e invoca «com gemidos inef?is» o homem e toda a cria?, que tendo aproveitado as prim?as, aguardam a plenitude de seu dom. Neste espa?que se estende de Pentecostes ?arusia, o Esp?to ? for?que nos impulsiona adiante, que nos mant?em caminho, que n?nos permite acomodar-nos e converter-nos em um povo «sedent?o», que nos faz cantar com um sentido novo os «salmos das ascens?: «Que alegria quando me disseram: vamos para a casa do Senhor!». Ele ?uem nos d?mpulso e p?sas em nossa esperan? mais ainda: ? pr?o princ?o e a alma de nossa esperan? Dois autores nos falam do Esp?to como «promessa» no Novo Testamento: Lucas e Paulo, mas, como veremos, com uma importante diferen? No Evangelho de Lucas e nos Atos dos Ap?los ? pr?o Jesus quem fala do Esp?to como «a promessa do Pai». «Eu – diz – enviarei sobre v? promessa de meu Pai»; «Enquanto estava comendo com eles, mandou que n?se ausentassem de Jerusal? mas que aguardassem a promessa do Pai, ‘que ouvistes de mim: que Jo?batizou com ?a, mas v?ereis batizados no Esp?to Santo dentro de poucos dias’» (Atos 1, 4-5). A que se refere Jesus quando chama o Esp?to Santo de promessa do Pai? Onde o Pai fez esta promessa? Pode -se dizer que todo o Antigo Testamento ?ma promessa do Esp?to. A obra do Messias se apresenta constantemente como culminante em uma nova efus?universal do Esp?to de Deus sobre a terra. A compara? com o que Pedro diz no dia de Pentecostes mostra que Lucas pensa, em particular, na profecia de Joel: «Acontecer?os ?mos dias, diz Deus: Derramarei meu Esp?to sobre toda carne» (Ez 36, 27). Quanto ao conte?da promessa, Lucas sublinha, como de costume, o aspecto carism?co do dom do Esp?to, em especial a profecia. A promessa do Pai ?o poder do alto» que tornar?s disc?los capazes de levar a salva? aos confins da terra. Mas n?ignora os aspectos mais profundos, santificadores e salv?cos, da a? do Esp?to, como a remiss?dos pecados, o dom de uma lei nova e de uma nova alian? como se deduz da aproxima? que tra?entre o Sinai e Pentecostes. A frase de Pedro: «a promessa ?ara v?(Atos 2, 39) se refere ?romessa da salva?, n?s? profecia ou de alguns carismas. < b>2.O Esp?to, prim?a e prenda Passando de Lucas a Paulo, entra-se em uma perspectiva nova, teologicamente muito mais profunda. Ele enumera diferentes objetos da promessa: a justifica?, a filia? divina, a heran? mas o que resume tudo, o objeto por excel?ia da promessa, ?recisamente o Esp?to Santo, a quem chama de «promessa do Esp?to» (G?3, 14) e «Esp?to da promessa» (Ef 1, 13) Duas s?as ideias novas que o Ap?lo introduz no conceito de promessa. A prim?a ?ue a promessa de Deus n?depende da observ?ia da lei, mas da f? portanto da gra? Deus n?promete o Esp?to a quem observa a lei, mas a quem cr?m Cristo: «Recebestes o Esp?to pelas obras da lei ou pela f?a prega??», «Se a heran?a dependesse da lei, j??procederia da promessa» (G?3, 2.18) Atrav?do conceito de promessa, a teologia do Esp?to Santo se liga, em Paulo, com o resto de seu pensamento e se converte em sua demonstra? concreta. Os crist? sabem bem que ?epois da prega? do Evangelho que tiveram a experi?ia nova do Esp?to, n?por ter observado a lei com maior fidelidade que de costume. O Ap?lo pode remeter-se a um dado da realidade. A segunda novidade ?m certo sentido desconcertante. ?como se Paulo quisesse cortar pela raiz toda tenta? «entusiasta», dizendo que a promessa n?se cumpriu ainda... ao menos por completo! A respeito disso, s?reveladores dois conceitos aplic?is ao Esp?to Santo: prim?a (aparche) e prenda (arrab? O primeiro presente em nosso texto de Romanos 8; o outro se l?a Sagrada Carta aos Cor?ios: «N?s?a, mas tamb?n?que temos as prim?as do Esp?to, gememos em n?esmos, aguardando a ado?, a reden? do nosso corpo» (Rm 8, 23). «Ora, quem nos confirma a n? a v?m Cristo, e nos consagrou, ?eus. Ele nos marcou com o seu selo e deu aos nossos cora?s o penhor do Esp?to.» (2 Co 1, 21-22). «Aquele que nos formou para este destino ?eus mesmo, que nos deu por penhor o seu Esp?to (2 Cor 5,5).» O que o Ap?lo quer dizer desta forma? Que o cumprimento operado em Cristo n?esgotou a promessa. N? diz com singular contraste – «possu?s... esperando», possu?s e esperamos. Precisamente porque o que possu&iacut e;mos n??inda a plenitude, mas s?a prim?a, uma antecipa?, nasce em n? esperan? ?mais, o desejo, a espera, o anseio se tornam mais intensos ainda que antes, porque agora se sabe o que ? Esp?to. Na chama do desejo humano, a vinda do Esp?to em Pentecostes colocou combust?l, por diz?o de alguma. Acontece exatamente como em Cristo. Sua vinda cumpriu todas as promessas, mas n?p?im ?spera. A espera se relan?sob a forma de espera de seu retorno na gl?. O t?lo «promessa do Pai» situa o Esp?to Santo no pr?o cora? da escatologia crist?Portanto, n?se pode aceitar sem reservas a afirma? de certos estudiosos para quem «na concep? dos judeus crist?, o Esp?to era primariamente a for?do mu ndo futuro; na dos crist? helenos ? for?do mundo superior». Paulo demonstra que as duas concep?s n?se op?necessariamente entre si, mas que podem coexistir: o Esp?to ?ao mesmo tempo, realidade do mundo superior, divino e for?do mundo futuro. No passar das prim?as ?lenitude, as primeiras n?se desfar?para dar lugar ?egunda, mas elas mesmas se transformar?mais em plenitude. Conservaremos o que j?ossu?s e adquiriremos o que ainda n?temos. Ser? pr?o Esp?to que se expandir?m plenitude. O princ?o teol?o «a gra?? in?o da gl?», aplicado ao Esp?to Santo, significa que as prim?as s?in?o do cumprimento, o in?o da gl?, parte dela. Neste cas o, n??reciso traduzir arrab?or «penhor» (pignus), mas s?r prenda (arra). O penhor n?? in?o do pagamento, mas algo que se d?m espera do pagamento. Uma vez que este se efetua, o penhor ?estitu?. N?assim as prendas, que n?se restituem no momento do pagamento, mas que se completam. Fazem parte dos pagamentos. «Se Deus nos deu como penhor o amor atrav?de seu Esp?to, quando nos der toda a realidade, ?ue nos tirar? penhor? Certamente n? mas completar? que j?eu» [1]. O amor de Deus que pr?xperimentamos aqui, gra? ?prendas do Esp?to, ?nt?da mesma qualidade do que experimentaremos na vida eterna, mas n?da mesma intensidade. O mesmo se deve dizer da posse do Esp?to Santo. Como se v?houve uma profunda transforma? no significado da festa de Pentecostes. Em sua origem, Pentecostes era a celebra? das prim?as [2], ou seja, o dia em que se ofereciam a Deus as prim?as da colheita. Continua sendo a festa das prim?as, mas das que Deus oferece ?umanidade, em seu Esp?to. Inverteram-se os pap? do doador e do benefici?o, em perfeita sintonia com o que ocorre, em todos os campos, na passagem da lei ?ra? da salva? como obra do homem ?alva? como dom gratuito de Deus. Isso explica por que a interpreta? de Pentecostes, como festa das prim?as, n?teve, estranhamente, quase nenhuma correspond?ia no ?ito crist? Santo Irineu fez um intento em tal sentido, dizendo que no dia de Pentecostes «o Esp?to oferecia ao Pai as prim?ias de todos os povos» [3], mas praticamente n?teve eco no pensamento crist? 3. O Esp?to Santo, alma da Tradi? A ?ca patr?ica, ao contr?o dos demais aspectos da pneumatologia, n?oferece, a prop?o do Esp?to como promessa, uma contribui? importante, e isso por causa do menor interesse que os Padres t?pela perspectiva hist?a e escatol?a com rela? ?ntol?a. S?Bas?o conta com um belo texto sobre o papel do Esp?to na consuma? final; escreve: «No momento da esperada manifesta? do Senhor dos c?, tampouco estar?usente o Esp?to Santo... Quem pode ignorar at?al ponto os bens que Deus prepara aos que lhe s?dignos como para n?entender que tamb?a coroa dos justos &eac ute; gra?do Esp?to Santo?» [4]. Mas, observando bem, o santo diz s?e o Esp?to Santo ter?ma parte ativa tamb?no ato final da hist? humana, quando se passar?o tempo ?ternidade. Est?usente qualquer reflex?sobre o que o Esp?to Santo faz agora, no tempo, para impulsionar a humanidade para o cumprimento. Falta o sentido do Esp?to Santo como impulso, for?de propuls?do povo de Deus, a caminho rumo ??ia. O Esp?to impulsiona os crentes a permanecerem vigilantes e em espera do retorno de Cristo, ensinando a Igreja a dizer: «Vem, Senhor Jesus» (Ap 22, 20). Quando o Esp?to diz Maranatha com a Igreja, ?omo quando diz Abba no cora? do crente: deve-se entender que Ele faz dizer, que se faz voz da Igreja. Por si mesmo, de fato, o Par?clito n?poderia gritar Abba, porque n?? filho do Pai, nem poderia gritar Marana-tha, «Vem, Senhor», porque n??ervo de Cristo, mas «Senhor» igual a Ele, como professamos no Credo. «Ele vos anunciar? que h?e vir», diz Jesus do Par?ito (Jo 16, 13): isto ?revelar? conhecimento da nova ordem de coisas surgidas da P?oa. O Esp?to Santo ?portanto, a fonte da escatologia crist?que mant?a Igreja em tend?ia para adiante, para o retorno do Senhor. E isso ?recisamente o que tentou evidenciar a reflex?b?ica e teol?a de nossos dias. A nova exist?ia suscitada pelo Esp?to – escreve Moltmann – ??la mesma escatol?a, sem esperar o momento final da Parusia, no sentido de que ? come?de uma vida que se manifestar?lenamente s?ando se tiver estabelecido o modo de exist?ia determinado pelo Esp?to, j??contrariado pela carne. O Esp?to n???omessa em sentido est?co, mas a for?da promessa, que faz sentir a possibilidade da liberta?, que permite que se percebam como mais pesadas e intoler?is ainda as correntes, e por isso impulsiona a romp?as [5]. Esta vis?paulina do Esp?to Santo como promessa e como prim?a nos permite descobrir o verdadeiro sentido da Tradi? da Igreja. A Tradi? n??ntes de tudo um conjunto de coisas «transmitidas», mas ?em primeiro lugar, o princ?o din?co de transmiss? ?mais, ? pr?a vida da Igreja, enquanto que, animada pelo Esp?to sob a guia do magist&eacut e;rio, desenvolve-se na fidelidade a Jesus Cristo. Santo Irineu escreve que a revela? ?como um dep?o precioso contido em um vaso de valor, que gra? ao Esp?to de Deus rejuvenesce sempre e faz que rejuvenes?tamb?o recipiente que o cont? [6]. O valioso vaso que rejuvenesce junto a seu conte??precisamente, a prega? da Igreja e a Tradi?. Por isso, o Esp?to Santo ? alma da Tradi?. Quando se elimina ou se esquece do Esp?to Santo, o que resta dela ??tra morta. Se – como afirma S?Tom?de Aquino – «sem a gra?do Esp?to Santo, at?s preceitos do Evangelho ser?letra que mata», o que dever?os dizer da Tradi?? A Tradi? ?nt? sim, uma for&cce dil;a de perman?ia e de conserva? do passado, mas ?amb?uma for?de inova? e de crescimento; ?em? e antecipa? ao mesmo tempo. ?como a onda da prega? apost?a que avan?e se propaga nos s?los [7]. A onda n?se pode captar mais que em movimento. Congelar a tradi? em um momento determinado da hist? significa fazer dela uma «tradi? morta», j?? como a denomina Santo Irineu, uma «tradi? viva». 4. O Esp?to Santo nos faz abundar na esperan? Com sua enc?ica sobre a esperan? o Santo Padre Bento XVI nos indica a consequ?ia pr?ca que se desprende de nossa medita?: esperar, esperar sempre, e se j?speramos mil vezes em v? volta r a esperar! A enc?ica (cujo t?lo «Spe salvi» – «Na esperan?fomos salvos» – procede precisamente da passagem paulina que comentamos) come?com estas palavras: «Segundo a f?rist?a ‘reden?’, a salva?, n??implesmente um dado de fato. ?nos oferecida a salva? no sentido de que se nos deu a esperan? uma esperan?fi?l, gra? ?ual podemos enfrentar nosso presente: o presente, ainda que seja um presente fatigoso, pode ser vivido e aceito quando se leva para uma meta, se podemos estar seguros desta meta e se esta meta ??grande que justifica o esfor?do caminho.» Estabelece-se uma esp?e de equival?ia e de qualidade de interc?io entre esperar e ser salvos, como tamb?entre esperar e crer. «A f? escreve o Papa – ?speran?, confirmando assim, de um ponto de vista teol?o, a intui? po?ca de Charles P?y, quem inicia seu poema sobre a segunda virtude com as palavras: «A f?ue prefiro – diz Deus – ? esperan?. Da mesma forma que distinguimos dois tipos de f?a f?rida e a f?rente (ou seja, as coisas cridas, e o pr?o ato de crer), assim ocorre com a esperan? Existe uma esperan?objetiva que indica a coisa esperada – a heran?eterna – e existe uma esperan?subjetiva que ? pr?o ato de esperar essa coisa. Esta ?ma ?ma for?de propuls?para diante, um impulso interior, uma extens?da alma, uma dilata? para o futuro. «Uma migra? amorosa do esp?to para o que se espera», dizia um antigo Padre [8]. Paulo nos ajuda a descobrir a rela? vital que existe entre a virtude teologal da esperan?e o Esp?to Santo. Faz que cada uma das tr?virtudes teologais se remontem ?? do Esp?to Santo. Escreve: «Pois n?em virtude do Esp?to, aguardamos pela f? justi?que ?bjeto da esperan? Porque em Cristo Jesus nem a circuncis?nem a incircuncis?t?valor, mas somente a f?ue atua pela caridade» [9]. O Esp?to Santo nos ?presentado assim como a fonte e a for?de nossa vida teologal. ?por m?to seu, em especial, que podemos «abundar na esperan?. «O Deus da esperan?– escreve o Ap?lo um pouco mais adiante, na mesma Carta aos Romanos – vo s cumula de todo gozo e paz em vossa f?at?ransbordar de esperan?pela for?do Esp?to Santo» (Rm 15, 13). «O Deus da esperan?: que ins?a defini? de Deus! 3 vezes se chamou a esperan?de «a parente pobre» das virtudes teologais. Houve, ?erto, um momento de intensa reflex?sobre o tema da esperan? at?ar lugar a uma «teologia da esperan?. Mas faltou uma reflex?sobre a rela? entre esperan?e Esp?to Santo. Contudo, n?se compreende a peculiaridade da esperan?crist? sua alteridade com rela? a qualquer outra ideia de esperan?se n?for contemplada em sua ?ima rela? com o Esp?to Santo. ?Ele quem marca a diferen?entre o «princ?o esperan? e a virtude teologal da esperan? As virtudes teologais s?tais n?s?rque t?Deus como seu fim, mas tamb?porque t?Deus como seu princ?o; Deus n???u objeto, mas tamb?sua causa. S?causadas, infusas, por Deus. Precisamos de esperan?para viver e necessitamos do Esp?to Santo para esperar! Um dos principais perigos no caminho espiritual ? de desalentar-se diante da repeti? dos pr?os pecados e a aparentemente in? sucess?de prop?os e reca?s. A esperan?nos salva. D?os a for?para recome?, para crer cada vez que essa ser? ocasi?boa, a da verdadeira convers? Atuando assim, comove-se o cora? de Deus, que vir?m nossa ajuda com sua gra? «A f& eacute; n?me surpreende, diz Deus. (Continua sendo o poeta da esperan?quem fala; melhor dito, quem faz Deus falar). Resplande?assim em minha cria?. A caridade n?me surpreende, diz Deus. Essas pobres criaturas s?t?infelizes que, a menos que tenham um cora? de pedra, como n?deveriam ter caridade umas pelas outras... Mas a esperan? diz Deus, ? que me surpreende. Que os pobres filhos vejam como v?as coisas e que creiam que melhorar?amanh?Isso ?lucinante. E se precisa que minha gra?seja de verdade de uma for?incr?l.» [10] N?podemos contentar-nos em ter esperan?s?ra n?O Esp?to Santo quer fazer de n?emeadores de esperan? N?h?om mais belo que difundir esperan?em casa, em comunidade, na Igreja local e universal. &Eac ute; como certos produtos modernos que regeneram o ar, perfumando todo o ambiente. Concluo a s?e destas medita?s quaresmais com um texto de Paulo VI que resume muitos dos pontos que toquei nelas: «N?os perguntamos v?as vezes... que necessidade advertimos, primeira e final, para esta Igreja nossa aben?da e amada. Devemos dizer quase com temor e s?ca, porque ?eu mist?o e sua vida, j?abeis: o Esp?to Santo, animador e santificador da Igreja, seu alento divino, o vento de suas velas, seu princ?o unificador, sua fonte interior de luz e de for? seu apoio e seu consolador, sua fonte de carismas e de cantos, sua paz e sua alegria, seu penhor e prel? de vida feliz e eterna. A Igreja precisa de seu perene Pentecostes; precisa de fogo no cora?, de palavra em seus l?os, de profecia no olhar... Precisa, a Igreja, re cuperar o desejo, o gosto e a certeza de sua verdade.» [11] Desejo ao senhor, Santidade, e a v?vener?is padres, irm? e irm? uma feliz e santa P?oa! --------------------------------------- [1] S. Agostino, Discorsi, 23, 9 (CC 41, p. 314). [2] Cf. Num 28,26; Lev 23, 10. [3] S. Ireneo, Contro le eresie, III, 17,2; cf. anche Eusebio di Cesarea, Sulla solennit?asquale,4 (PG 24, 700A). [4] S. Basilio, Sullo Spirito Santo, XVI, 40 (PG 32, 141A). [5] Cf. J. Molmann, Lo Spirito della vita, Brescia 1994, pp. 18. 92 s. 190. [6] S. Ireneo, Adv. Haer. III, 24, 1. [7] H. Holstein, La tradition dans l’Eglise, Grasset, Parigi 1960 (Trad. ital. La tradizione nella Chiesa, Vita e Pensiero, Milano 1968. [8] Diadoco di Fotica, Cento capitoli, preambolo (SCh 5, p.84). [9]Gal 5, 5-6; cf. Rom 5,5. [10] Ch. P?y, Le porche du myst? de la deuxi? vertu, in Œuvres po?ques compl?s,Gallimard, Paris 1975, pp. 531 ss. [11] Discorso all’udienza generale del 29 Novembre 1972 (Insegnamenti di Paolo VI, Tipografia Poliglotta Vaticana, X, pp. 1210s.).
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LAN?DO ALERTA VERDE   -  01/04/2009

Num percurso de mais de 40 quil?ros, sob um sol escaldante e muita poeira, um comboio de potentes picapes percorreu uma estrada de ch? ontem ?arde, at? Fazenda Aroeira, em Candiota. Esse foi o local onde aconteceu o ato mais importante do lan?ento do movimento “Alerta Verde” dos produtores rurais. Numa resposta a a? das mulheres da Via Campesina, que ?m dos bra? do Movimento dos Sem-Terra (MST), ruralistas e pol?cos fizeram o replantio de 1,6 mil mudas de eucaliptos na mesma ?a onde as plantas foram cortadas pelas agricultoras no dia 3 de mar? Desta vez, as bandeiras verdes e o som do hino rio-grandense substitu?m o vermelho do MST. Com esse ato ficou selado o movimento “Alerta Verde” num contraponto ao “Abril Vermelho” dos Sem-Terra. “Este ato, sim, vai estar na mem? de todos, inclusive daqueles (Via Campesina) que causaram preju?s neste local”, afirmou o presidente da Federa? da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Carlos Sperotto. Mobiliza? Bag?em se firmado como o centro das decis?dos produtores rurais de todo o Rio Grande do Sul. Na Rainha da Fronteira j?avia nascido o “Maio Verde”, tamb?um contraponto ao “Abril Vermelho”. A movimenta?, ontem, iniciou cedo na Associa? Rural de Bag?Aos poucos, munidos de bandeiras verdes e adesivos com o lema “Alerta Verde” come?am a chegar ruralistas de todos os recantos do Estado. Uma das presen? mais importantes foi a do presidente da Farsul, Carlos Sperotto. Os deputados federal e estadual, Afonso Hamm e Lu?Augusto Lara e os vereadores, S? Leite e Divaldo Lara marcaram presen? Por volta das 10h o comboio com 170 ve?los come? o percurso da Rural rumo ?venida Sete de Setembro. 3 10h25min os primeiros carros com as bandeiras verdes passaram em frente a um dos cart?postais da cidade, a imponente Catedral de S?Sebasti? Num coro de buzinas, ao som do hino do Rio Grande do Sul, o comboio percorreu as avenidas Sete de Setembro, Presidente Vargas e Santa Tecla rumo ?R 290 e da?ireto para o CTG Batalha do Seival, na Vila Oper?a, em Candiota. 3 11h50min, come?am a chegar os primeiros ve?los ao local com o sugestivo nome Batalha do Seival que foi o conflito militar que ensejou a proclama? da Rep?ca Rio-Grandense, por Ant? de Souza Neto (11 de setembro de 1836). “Ningu?vai invadir” O CTG constru? com madeiras e decorado com l?adas e chifres ficou pequeno para abrigar os representantes de 21 sindicatos rurais de todo o Estado. O primeiro a falar foi o presidente da Associa? Rural de Bag?Eduardo M?a Su?Ele disse que frente ?epreda? praticada pelas mulheres da Via Campesina da Fazenda Aroeira, era necess?o uma atitude. “Aqui ningu?vai invadir terra e nem ter Abril Vermelho”, sentenciou sob os aplausos dos presentes. Su?nformou que o replantio da ?a destru? representava a afirma? do in?o do movimento “Alerta Verde”. Vil?da estrada Em quase todas as mani-festa?es, as lideran? ruralistas n?mencionaram a sigla MST e sim “eles”. O vice- presidente da Farsul, Gede?Pereira, falou sobre a import?ia do agroneg? para o pa? Segundo ele, hoje o setor ?espons?l por 40% do Produto Interno Bruto (Pib) do Brasil. Para o dirigente, os ?mos governos ainda n?entenderam a import?ia do agroneg?. Ao falar de toda a mobiliza? do setor, Pereira disse “os ruralistas n?t?tempo de andar nas estradas, eles (MST) t?, afirmou. O presidente da Farsul, uma das maiores lideran? ga?s do setor, Carlos Sperotto, enalteceu a receptividade dos bajeenses ao longo do percurso pelas ruas da cidade. “N?recebemos nenhum contra-aceno, isso ?m sinal dos tempos e de vit?”, observou. Sperotto conclamou a classe ruralista a estar unida e a partir do movimento “Alerta Verde”, ter a?s objetivas. Ou seja, sempre que qualquer produtor precisar de aux?o em qualquer parte do Rio Grande do Sul, os outros devem atender imediatamente. “No Abril Vermelho eles (MST) fazem anarquia”, enfatizou. Durante sua fala, Carlos Sperotto disse que uma das sugest?? extin? do Instituto Nacional de Coloniza? e Reforma Agr?a “Incra”. O presidente da Farsul citou que o assentado vive do Bolsa Fam?a e outros aux?os do governo, enquanto os ruralistas vivem do que produzem. Armadilhas para receber ruralistas **************************** Um fato que pode servir como prova de que os passos dos ruralistas estavam sendo monitorados foram as armadilhas encontradas na estrada de ch? Da vila Oper?a, em Candiota, at? Fazenda Aroiera d?ns 40 quil?ros. Durante o percurso, havia miguelitos (artefatos para furar pneus). Sete picapes dos produtores, inclusive a do deputado estadual Lu?Augusto Lara, tiveram os pneus furados. O mist?o fica por conta de que esse ato na Aroeira n?foi divulgado pelos organizadores do evento por precau?. Portanto, sup?e que pouca gente sabia do trajeto que seria feito. Devido a esse incidente, no retorno a Bag?os organizadores resolveram alterar a rota e voltar pela estrada que sai na Col? Nova. Por quest?de seguran? todos foram orientados a andar juntos. Uma pequena caminhonete estava ?rente do comboio fazendo o monitoramento via r?o. Logo atr?uma viatura da Brigada Militar. No entanto, novas armadilhas aguardavam os ruralistas no percurso diferente. O carro com a reportagem do MINUANO estava bem ?rente dos demais e deparou-se com dois casos. Num dos pontos foi cortada uma extens?de uns dez metros da cerca de arame e colocado no meio da estrada. Logo adiante, outro peda?de cerca da mesma extens? s?e de arame farpado. A sensa? era de que olhos vigilantes do meio da planta? de eucal?os acompanhava todo o movimento do comboio. Por volta das 18h os primeiros ve?los come?am a chegar de volta em Bag? Avalia? Em entrevista ao MINUANO, no final do evento, o presidente da Rural, Eduardo Su?avaliou o dia como extremamente positivo, pelo fato de ter mobilizado representantes de 24 sindicatos rurais e autoridades. Estiveram presentes em torno de 600 pessoas em 200 carros. Su?nformou que o momento ?e alerta m?mo a qualquer movimento estranho e que atitudes do MST ser?coibidas. Perguntado se isso poderia ocorrer pela for? o presidente pensou antes de responder e depois disse que os ruralistas v?agir dentro da lei em todas as circunt?ias, mas n?descartou que se necess?o a for?ser?sada. O que ? “Alerta Verde” ******************** ?um contraponto ao “Abril Vermelho” do MST. Serve como alerta aos produtores rurais para se organizarem na defesa da propriedade. Um ato para os produtores informar sobre a import?ia do agroneg? brasileiro, que, segundo eles, ?lvo do MST. O movimento consiste em vigil?ia permanente nas estradas no sentido de coibir qualquer a? do MST e assentados.
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Discurso do presidente da República no Lançamento do Programa Brasil pela Vida e pela Família  -  10/06/2022

Nota do editor: Este pronunciamento do presidente deveria ser lido por todos. É longo, sim, porque os assuntos são importantíssimos e as evidências que traz são indiscutíveis. Reitero: em algum momento do dia, pare e leia, para o bem do Brasil.

Senhoras e senhores, boa tarde.

Eu vou falar do tema, mas queria perguntar para vocês: o que é indignação? Quando é que você fica indignado? Quando você vê um brutal ato de injustiça. E não interessa contra quem seja esse ato de injustiça. Nós temos que nos indignar. Nós temos que demonstrar o nosso sentimento. Nós temos que tentar mostrar que o outro lado está errado. Bem, tem um jurista aqui na frente, nosso ministro Humberto. Nós somos autoridade para agir em flagrante delito. Não é isso mesmo? Nós podemos deter uma pessoa que tenha cometido um delito grave, de forma flagrante. Eu pergunto: eu poderia aqui, agora, deter alguém por ter espancado um marciano? Poderia? Acredito que não. Não existe nada na lei que fale: se você espancar marciano, maltratar ou matar, você vem a detê-lo. Eu pergunto a vocês: pode alguém ser punido por fake news? "Olha, ele está espalhando o fake news". E se esse fake news não for fake news, for uma verdade, pior ainda. Enquanto aqui a gente está num evento voltado para a fraternidade, amizade, amor, compaixão, aqui, do outro lado da Praça dos Três Poderes, uma turma do Supremo Tribunal Federal, por 3 a 2, mantém a cassação de um deputado acusado em 2018 de espalhar fake news. Esse deputado não espalhou fake news. Porque, o que ele falou na live, eu também falei para todo mundo: que estava havendo fraude nas eleições 2018. Ia se apertar o número, quando se apertava o número 1, já aparecia o 13 na tela e concluía a votação. Foram dezenas de vídeos. Dezenas de pessoas ligaram para mim, ao longo de toda noite daquela primeira votação do 1° turno, de 2018. Isso é uma verdade.

E esse deputado foi cassado. Primeiro ele foi absolvido por 7 a 0 no TRE do Paraná, depois por 6 a 1 foi condenado no Tribunal Superior Eleitoral, cujo objetivo era criar jurisprudência para perseguir os outros que, porventura, não gostassem do seu comportamento. Deputados que estão aqui que, porventura, estejam vendo, vai chegar a sua hora, se você não se indignar. Não existe tipificação penal para fake news. Se for para punir fake news com a derrubada de páginas, fecha a imprensa brasileira, que é uma fábrica de fake news. Em especial, O Globo, Folha. Outro caso hipotético, vamos supor, um caso hipotético, que o João assassinou a esposa, Maria, e ele foi condenado. Algum tempo depois, descobriu-se que o João não era casado com a Maria. Eles viviam em união estável. Solte-se o João. Volte o processo às origens. Assim foi a absolvição do Lula. Patrocinada por quem? Edson Fachin? Ele que botou o Lula em liberdade. Baseado no quê? No CEP, Código de Endereçamento Postal. Ele não podia ser julgado em Curitiba. Tinha que ser julgado em São Paulo ou Brasília. E anulou-se na época que já se prescrevia todas as acusações contra ele. Que Brasil é esse? Que justiça é essa, me desculpem os demais magistrados aqui presentes? Onde está o nosso TSE, quando convida as Forças Armadas, via portaria assinada pelo ministro Barroso, a participar de uma Comissão de Transparência Eleitoral? As Forças Armadas descobrem centenas de vulnerabilidades. Apresentam nove sugestões. Não gostaram. "Eleição é coisa para forças desarmadas." Convidá-los para quê, ora bolas? Para fazer o papel do quê? Eu sou o chefe das Forças Armadas. Nós não vamos fazer o papel de idiotas. Eu tenho a obrigação de agir.

Tenho jogado dentro das quatro linhas. Não acham uma só palavra minha, um só gesto, um só ato fora da Constituição. Será que 3 do Supremo Tribunal Federal, que podem muito, pode continuar achando que podem tudo? Eu não vou viver como um rato. Tem que haver uma reação. E se a população achar que não deve ser dessa maneira, preparem-se para ser prisioneiros sem algemas. O ministro que solta o Lula é o mesmo que está à frente do Tribunal Supremo Eleitoral, dando as cartas como dono da verdade. O que ele fez essa semana que passou? A política externa é minha e do ministro França, do Itamaraty. Ele convida, então, 70 embaixadores, e eles vão lá para dentro do TSE, e ele, de forma indireta, ataca a Presidência da República, como "o homem que não respeita a Constituição, que não respeita o processo eleitoral, que pensa em dar um golpe". E conclui de forma indireta: "acabou as eleições, imediatamente seu Chefe de Estado deve reconhecer o ganhador das eleições, para que não haja qualquer questionamento junto à Justiça." O que é isso, senão arbítrio? Um estupro à democracia brasileira? Para mim, é muito mais fácil eu estar do outro lado, muito mais fácil. Otoni de Paula, Carla Zambelli, é muito mais fácil.

Tenho a família toda perseguida, até a esposa processada. Canalhas. Processar minha esposa? Vem pra cima de mim, se são homens. Eu sou suspeito para falar de parentes ao meu lado. A minha esposa, pelo que eu vejo, pelo que eu sei, é uma pessoa discreta, que trabalha pelos menos favorecidos, por pessoas com deficiência, aprendeu libras, dá exemplo. Porque participa ao lado da ministra da Mulher no Dia das Mães, no horário das 20h30 da noite, ela é processada. O que querem com isso? Essa questão, julgada agora há pouco por 3 a 2, o ministro Alexandre de Moraes falou: "Temos jurisprudência em cima do Francischini para cassar registro e prender candidatos que, porventura, duvidem do sistema eleitoral."

 A dúvida, o debate, faz parte da democracia. Onde não há debate, há ditadura. Nós confiamos nas máquinas, e eu confio nas máquinas. Não confio em quem está atrás das máquinas.

Se me permitem avançar, a minha segunda live do ano passado, onde eu peguei o inquérito da Polícia Federal, que foi aberto no início de novembro. Por que foi aberto? Porque um hacker fez uma denúncia e a ministra Rosa Weber, que não sabia de nada, fez com que a Polícia Federal, determinou, que instaurasse o inquérito. O que vou falar aqui está dentro do inquérito, que não tinha qualquer classificação sigilosa até aquele momento. E lá está escrito, dentro do inquérito, porque o delegado encarregado do inquérito pediu ao TSE informações. O TSE informou que os hackers ficaram por oito meses dentro do TSE, com a senha do ministro Banhos. Está escrito isso, e essa imprensa não enxerga isso? Vai falar amanhã que eu estou atacando as urnas eletrônicas. Vocês serão os primeiros a ser perseguidos no futuro, podem ter certeza disso. Os hackers tiveram oito meses com a senha do ministro Banhos. Nos primeiros dias, o delegado encarregado do inquérito pediu os logs. Sete meses depois, o TSE informou. Está no processo que os logs foram apagados por uma firma terceirizada que fazia manutenção dos computadores. Os logs são entregues no mesmo dia, no dia seguinte, é como um backup. Por que há sete meses? Ficaram arrumando o quê dentro do TSE? Porque só sobra margem para desconfiança.

Será que o Datafolha está perfeitamente alinhado com o que está previsto no resultado do TSE? Nós não podemos viver sob suspeição. Até num casal, tem que sentar e conversar. Por que é que os técnicos do TSE não conversam com os técnicos das Forças Armadas que foram convidados a participar do critério? Queriam a participação das Forças Armadas como uma moldura de uma fotografia, para dar ares de credibilidade? Esqueceram que eu sou o chefe das Forças Armadas? O que queremos pro nosso Brasil? Ganhe quem ganhar as eleições, eu entrego a faixa numas eleições limpas, democráticas e auditáveis. O que aconteceu no dia de ontem, depois do show com os embaixadores? O ministro Fachin, presidente do TSE, convida lideranças religiosas. E o título do convite era Paz e Tolerância. Olhe só, o Ministro Fachin fala Paz e Tolerância. O que o Ministro Fachin fez no ano passado? Tentou, de todas as formas, no TSE, criar uma jurisprudência ao tentar cassar uma vereadora evangélica, de Luziânia, Goiás, que pediu votos numa pequena igreja para meia dúzia de pessoas. "Vote em mim". Com essa cena, o ministro Edson Fachin tentou criar a jurisprudência para cassar registro de cristãos, evangélicos e espíritas sobre abuso do poder religioso.

Qual é a coerência desse ministro? Um convite falando sobre tolerância, ele sendo um intolerante com uma pobre de uma coitada de uma vereadora eleita em Luziânia. Qual a isenção que tem esse ministro para conduzir as eleições? Qual terá Alexandre de Moraes para, 40 dias, assumir aquele posto? O que podemos pensar que essas pessoas… o que eles querem? Querem uma ruptura? Por que atacam a democracia o tempo todo? Aqui não tem ninguém mais homem do que outro. Mas nós não podemos nos curvar. Eu não sou dono da verdade nem dono do Brasil. Eu não sou a pessoa mais poderosa. Eu não sou a pessoa perfeita. E assim, ninguém o é. Ou nós nos indignamos, acordamos para o que está acontecendo, ou marcharemos no caminho da Venezuela.

O outro lado fala de aborto, isso de forma escancarada. Ataca os valores familiares o tempo todo, como o decreto 2009 do PNDH3, cujo capítulo mais importante é a desconstrução da heteronormatividade. O outro lado diz que vai valorizar o MST, que nós acalmamos, titulando os mesmos. Diz que vai voltar a fazer empréstimos para outros países, que isso é investimento. Nós já pagamos 4 bilhões, nós, no FAT, para o BNDES, dinheiro emprestado para a Venezuela. Mineiro, se tem algum aqui: Belo Horizonte não tem metrô, mas Caracas tem. Com dinheiro nosso. Esse outro lado fala em desarmar a população. Não deu certo a política de desarmamento. O Chile está sendo desarmado agora. Todas as ditaduras precederam de movimentos desarmamentistas. Povo armado jamais será escravizado. Ninguém desarma o povo americano. Não adianta aparecer por lá alguém com espírito de ditador, que não vai dar certo. O Brasil tem que criar esse espírito também. Tenho falado para todos os meus ministros: em 64, tentaram tomar o poder pelas armas; agora, as armas que usam são as armas da democracia.

"Eu quero, eu não quero, eu puno, eu caço, eu prendo um deputado por oito meses, eu faço com que a jornalista seja exilado, outros sejam presos." Oras, bolas, se as urnas são inexpugnáveis, por que temos o hacker preso há quase um ano em Minas Gerais? São inexpugnáveis. O que se espera de um país que age dessa maneira?

Eu não estou dizendo que há fraude, mas há suspeita. Temos que dissipar essa nuvem da suspeição. Não podemos viver dessa maneira. Metade do meu tempo eu tomo para me defender de acusações do outro lado da Praça dos Três Poderes. Como agora, uma ministra me dá 10 dias para explicar como anda a população de rua do Brasil. Agora, Alexandre de Moraes, novamente: "Qual é o seu plano para defender os yanomâmis?" Se eu perguntar para ele qual o tamanho da área Yanomami, duvido que ele saiba. Olha, se foi demarcado, é porque não podemos estar lá dentro.

É o tempo todo aceitando ações propostas por partidos que não têm mais que meia dúzia de representantes. As coisas mais absurdas acontecem, como, por exemplo, começamos a fazer um contorno numa reserva indígena de 190 km, aqui em Mato Grosso, onde que, passando pela reserva, seriam 110. E pela reserva pode passar, mas não pode asfaltar a estrada, é uma estrada intransitável grande parte do tempo, tendo em vista os atoleiros. Vamos fazer um contorno de mais 80 km. Cada safra, 2.000 caminhões bi-trens passam por essa rodovia, que agora vão andar mais 80 para ir e mais 80 para voltar, com o preço do diesel que está aí nas alturas. Mas a Justiça diz: "Não pode asfaltar a reserva indígena." E agora, para concluir, que eu gostaria de falar 1 hora com os senhores, desde que os senhores não fossem embora, obviamente, está o Supremo discutindo marco temporal. O que é isso?

Já temos no Brasil uma área do tamanho da região Sudeste demarcada como terra indígena. Uma nova interpretação querem dar a um artigo da Constituição. E quem quer dar essa nova interpretação? Ministro Fachin, marxista-leninista, advogado do MST, votou depois o Cássio Nunes, 1 a 1. Agora está com o ministro Alexandre de Moraes. E eu tenho falado: se o novo Marco Temporal for aprovado, além de uma área do tamanho da região Sudeste, já demarcada como terra indígena, teremos outra área do tamanho da região Sul; que, pela localização geográfica dessas centenas de terras indígenas, teremos uma outra área, também, do tamanho do estado de São Paulo, como terra indígena. Acabou a economia brasileira do agronegócio, acabou a nossa garantia alimentar, acabou o Brasil. O que eu faço se aprovar o marco temporal? Tenho duas opções: entrego a chave para o ministro supremo ou digo "não vou cumprir".

Eu fui do tempo em que decisão do Supremo não se discute, se cumpre. Eu fui desse tempo, não sou mais. Certas medidas saltam aos olhos dos leigos. É inacreditável o que fazem. Querem prejudicar a mim e prejudicam o Brasil. Para onde vai a nossa Pátria? Como está o Brasil pós pandemia? E mesmo com essa guerra, estamos bem, levando-se em conta a maioria dos outros países do mundo. Para onde queremos ir? Por que essas decisões? Não têm um diálogo, não tem um convite para nada. É só pancada, pancada, pancada o tempo todo.

Querem a volta daquele cara que roubou o país, o cara responsável pelo maior lote de corrupção da Via Láctea. Quer isso de volta? Já loteou todo o futuro ministério, o outro lado. Inclusive as duas vagas para o Supremo Tribunal Federal. Cristiane, quando se fala em aborto, que nós somos contra. Primeiro, eu conheço o Parlamento. Não vão aprovar uma proposta nesse sentido lá. Se aprovarem, tem o poder de veto aqui. Mas quem aprovou aborto na Colômbia foi a Suprema Corte colombiana. Vocês acham que, aquele cara voltando, botando o advogado do PT lá, o Zanin, e outro indicado por esse que está fazendo a miséria do TSE, vai botar que perfil de gente lá? Não adianta o André Mendonça pedir vista, porque ele é um evangélico. Vão passar o trator em cima dele. O que vão fazer com a nossa pátria?

Olha o que está sendo feito, via Assembleia Constituinte no Chile, um país que estava redondinho na economia, que crescia no mínimo, cinco 5%, próximo disso, todos os anos. Olha para onde foi. E olha que lá o voto é no papel. O outro lado ganhou porque o pessoal resolveu se acomodar. "Eu sou isentão, eu sou limpinho, uso talco pompom". E não foi votar. Agora estão fazendo movimento de rua: "Fora, Presidente do Chile".

E aqui, as andanças minhas pelo Brasil. Não é no local onde eu vou, que tem 1.000, 2.000, 5.000, 10.000 pessoas, que aí podem falar: "essa gente é simpático a ele". Mesmo sem ter um ônibus parado na periferia. Mas, ao longo do percurso, como povo nos trata, a mim e aos meus meninos. O outro lado não consegue sair às ruas. Não sai de casa. Agora diz que está com Covid. Dez dias que não vai sair de casa mesmo. Que eleições são essas? Eu sou do tempo em que, eleições, ganhava quem tinha o voto nas urnas. Agora, parece que é quem tem amigo no TSE. E lá tem uma sala cofre que ninguém entra. A apuração é um ato público. Qualquer um de vocês tem que entender como são feitas as apurações. Não interessa se conheça ou não de tecnologia. E como é feito? Ninguém sabe. Pode ser que seja feito corretamente? Pode, mas não podemos ter a suspeição. Não podemos terminar umas eleições onde um lado não vai se satisfazer com o resultado. E olha que eu sou o chefe do Executivo. O que é normal seria o chefe do Executivo estar conspirando para permanecer no poder. Jamais farei isso. Entrego para qualquer um a faixa, mas tem que ganhar no voto transparente. Alguns falam: "Ah, o Bolsonaro, está fazendo isso porque está criando um clima, que vai perder."

Meu Deus do céu, se o Lula tem 45%, vamos dar transparência para ele ganhar no primeiro turno. Isso não é um desabafo, é um alerta à nação brasileira. Podia ter ficado quieto, como quase todos os meus ministros, me aconselham: "fique quieto, fique na tua, calma". Olha o que aconteceu agora, o 3 a 2. O que nós estamos vendo no dia-a-dia? É para ficar calmo? Vamos esperar acabar o jogo para pedir o VAR? Aqui tem gente que vai votar na esquerda, tenho certeza disso. É um direito teu, parabéns. Mas quem tem que ganhar a eleição é quem tem mais voto. E outra, se houver, se por acaso houver, vai haver só para presidente, ou não vai haver para outros cargos? Por que é que o TSE não fala o seguinte: "Presidente, deixa os técnicos das Forças Armadas virem aqui para dentro do TSE, conversar com o nosso pessoal, debater, e fazer com que não tenhamos quaisquer dúvidas no pleito eleitoral"?. Nada mais justo do que isso. Por que vivemos na incerteza? É um milagre eu estar aqui. Sobrevivi a uma facada. Um milagre minha eleição. Quem eu era? Eu não era nada dentro do Parlamento. Era mais um deputado do baixo clero que discursava para as paredes, como tantos outros discursam lá dentro. Resolvi vir candidato porque, me desculpe, deputado, eu cansei do Parlamento. Eu quero cuidar da minha vida. E falava durante a campanha: Eu tenho duas alternativas, praia ou Planalto. Me dei mal. Vim para o Planalto.

Mas eu entendo, aqui, Otoni, a gente que não podemos medir a fé. Não temos como ter uma fita métrica para isso. A fé está dentro de você. Ou você tem, ou você não tem. Eu aprendi uma coisa ao longo da minha vida. Sou católico, já li a Bíblia quando estava na fronteira. Naquele tempo, não tinha energia elétrica, não tinha celular. Então tinha mais tempo para a família, para ler a Bíblia. E o que eu aprendi? O que for possível fazer, que você faça. O que for impossível, bote nas mãos de Deus. Eu entendo que é dessa forma que devemos agir, e concluo mais uma vez: Não sou mais homem que nenhum dos homens que estão aqui. Somos iguais. Quando tiver um ponto final para cada um de nós, o nosso destino é o mesmo. Se ninguém enterrar, o urubu vai comer. Nada temeis, nem mesmo a morte, a não ser a morte eterna.

Parabéns a todos da secretaria pelo brilhante trabalho que fazem. Não queremos que pessoas, que está viva na memória de nós, voltem a ocupar o lugar que já ocupou a Damares e que ocupa atualmente a Cristiane.

Muito obrigado a todos vocês.

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NEGLIGÊNCIA DOS CONSERVADORES  -  21/09/2020

 

 Leio no portal da Câmara dos Deputados

A comissão externa criada na Câmara dos Deputados para acompanhar os trabalhos do Ministério da Educação (MEC), aprovou por unanimidade, nesta terça-feira (10) o relatório final, apresentado pelo deputado Felipe Rigoni (PSB-ES).

O relator apresentou nova versão do texto nesta segunda (9), incorporando algumas sugestões de deputados. Entre elas, a recomendação ao Poder Executivo de apoio aos estados, DF e municípios para implementação do ensino técnico.

Rigoni explica os próximos passos do colegiado: “Apresentaremos o relatório ao presidente da Câmara, à Comissão de Educação, que terá a responsabilidade de aprovar os projetos sugeridos, e ao próprio ministro da Educação e sua equipe, se assim o desejarem”, disse.

"A partir daí, continuaremos com os trabalhos da comissão acompanhando a gestão do MEC e acompanhando como as sugestões estão sendo implementadas”, completou.

O texto, que tem 273 páginas, avalia o planejamento e a gestão do MEC como “muito aquém do esperado e insuficientes para dar conta dos desafios educacionais que se apresentam no País". Evidência disso, segundo Rigoni, é que o ministério ainda não apresentou Planejamento Estratégico para o ano de 2019, e diversas metas do Plano Nacional de Educação (PNE) estão atrasadas sem cronograma de ação para atingi-las.

Rigoni acrescenta que outro fator preocupante é a baixa execução orçamentária em diversos programas. Conforme Rigone, até julho foi executado apenas 4,4% do montante para investimentos do MEC — valor que corresponde a menos da metade do executado no mesmo período de 2018.

“A gente não está só batendo de frente, está apresentando soluções, está apresentando caminhos. E ano que vem é mais trabalho de novo, aqui na Câmara para aprovar os projetos que a gente sugere. E com o Ministério da Educação, para que a gente possa corrigir essa rota juntos”, disse a coordenadora do colegiado, deputada Tabata Amaral (PDT-SP).

Fonte: Agência Câmara de Notícias

COMENTO
Todos sabemos o quanto é fundamental ao conservadorismo agir contra a influência do movimento e dos partidos revolucionários sobre a Educação. Nela é cozinhado o pão da revolução cultural, é manipulada a história, são construídas versões, é dominada a linguagem, são destruídos valores, são desestruturados os fundamentos de uma ordem moral e manipulados princípios para manipular leis. Ou não. Ou se evita, ali, que isso aconteça. Nesse território, infelizmente, os militantes dos movimentos revolucionários agiram com total liberdade de ação durante décadas, produzindo os resultados que bem observamos.

O texto transcrito acima é do ano de 2019. A Comissão Externa, como tudo ao longo deste ano, enfiou nariz na máscara e não teve atividade registrada. A última está datada de 17/12/2019.

 O que chama atenção é a composição desse colegiado. A saber, Coordenador Felipe Rigoni (PDT/ES); Vice-Coordenador João H. Campos (PSB/PB); Relatora Tabata Amaral (PDT/SP. A estes se acrescem seis sub-relatores, sendo dois do PDT um do PSB, um do PV, um do PTB e um do Novo.

 O leitor poderá perguntar, mas não havia conservadores em posição de influência, seja de coordenação ou relatoria? Não. “Para quê?”, talvez tenham perguntado entre si os demais membros da comissão, inteiramente confiada a mãos e a um comando comando “terrivelmente” esquerdista.

Uma Comissão da Câmara vai “ficar de olho no MEC (logo no MEC!) e é controlada pela oposição esquerdista que quer deixar tudo como está, limitando-se a pedir mais e mais verbas. É alarmante a negligência de congressistas eleitos em 2018 por eleitores conservadores, num pleito em que estes se revelaram majoritários, mas votaram em representantes sem esse perfil. Que sirva de lição.

*  Colaborou: Denisa Puggina

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CONFINAMENTO, TESTES EM LARGA ESCALA E CLOROQUINA.  -  28/03/2020

Nota do editor: Esta entrevista de Didier Raoult ao jornal Le Parisien (22/03) foi transcrita por Gilberto Simões Pires em Ponto Crítico (27/03)

IMPERDÍVEL ENTREVISTA DE DIDIER RAOULT:
CONFINAMENTO, TESTES EM LARGA ESCALA E CLOROQUINA.


CLOROQUINA
LE PARISIEN: - O governo autorizou um grande ensaio clínico para testar o efeito da cloroquina no coronavírus. É importante para você ter obtido isso?

DIDIER RAOULT: - Não, eu não ligo. Eu acho que existem pessoas vivendo na Lua que comparam os testes terapêuticos da AIDS com uma doença infecciosa emergente. Eu, como qualquer médico, uma vez demonstrado que um tratamento é eficaz, acho imoral não administrá-lo. É simples assim.

LE PARISIEN: - O que você diz aos médicos que pedem cautela e estão reservados quanto aos seus testes e ao efeito da cloroquina, especialmente na ausência de mais estudos?
DIDIER RAOULT: - Entenda-me bem: sou um cientista e penso como um cientista com elementos verificáveis. Eu produzi mais dados sobre doenças infecciosas do que qualquer pessoa no mundo. Sou médico, vejo pessoas doentes. Eu tenho 75 pacientes hospitalizados, 600 consultas por dia. Então as opiniões de todos, se você soubesse como eu não me importo. Na minha equipe, somos pessoas pragmáticas, NÃO PÁSSAROS DE PROGRAMAS DE TV.


ENSAIOS EM LARGA ESCALA
LE PARISIEN: - Como você começou a trabalhar com cloroquina e concluiu que poderia ser eficaz no tratamento de coronavírus?
DIDIER RAOULT: - O problema neste país é que as pessoas que falam são de total ignorância. Eu fiz um estudo científico sobre cloroquina e os vírus, treze anos atrás, que foi publicado. Desde então, outros quatro estudos de outros autores mostraram que o coronavírus é sensível à cloroquina. Tudo isso não é novo. É sufocante que o círculo de tomadores de decisão nem sequer seja informado sobre o estado da ciência. Sabíamos da eficácia potencial da cloroquina em modelos de cultura viral. Sabíamos que era um antiviral eficaz. Decidimos em nossas experiências adicionar um tratamento com azitromicina (um antibiótico contra pneumonia bacteriana, nota do editor) para evitar infecções secundárias por bactérias. Os resultados foram espetaculares em pacientes com Covid-19 quando a azitromicina foi adicionada à hidroxicloroquina.

LE PARISIEN: - O que você espera de ensaios em larga escala em torno da cloroquina?

DIDIER RAOULT: - Nada mesmo. Com minha equipe, acreditamos ter encontrado uma cura. E em termos de ética médica, acredito que não tenho o direito como médico de não usar o único tratamento que até agora se mostrou bem-sucedido. Estou convencido de que, no final, todos usarão esse tratamento. É apenas uma questão de tempo até que as pessoas concordem em reconhecer que erraram e dizer: essa é a coisa a fazer.


SEIS DIAS
LE PARISIEN: - De que forma e por quanto tempo você administra cloroquina a seus pacientes?

DIDIER RAOULT: - A hidroxicloroquina é administrada na dose de 600 mg por dia, durante dez dias (na forma de Plaquenil, o nome do medicamento na França, nota do editor) na forma de comprimidos administrados três vezes ao dia. E 250 mg de azitromicina duas vezes no primeiro dia e depois uma vez ao dia por cinco dias.

LE PARISIEN: - É um tratamento que pode ser tomado para prevenir a doença?

DIDIER RAOULT: - Nós não sabemos.

LE PARISIEN: - Quando você administra, quanto tempo leva para um paciente do Covid-19 se recuperar?

DIDIER RAOULT: - O que sabemos no momento é que o vírus desaparece após seis dias.

LE PARISIEN: - Você entende, no entanto, que alguns de seus colegas pedem cautela com este tratamento?

DIDIER RAOULT: - As pessoas dão sua opinião sobre tudo, mas só falo do que sei: afinal, não fico por aí dando minha opinião sobre a composição da seleção francesa! Todo mundo tem seu próprio trabalho. Hoje, a comunicação científica neste país é semelhante à conversa de botequim.


RISCOS
LE PARISIEN: - Mas não existem regras de prudência a serem respeitadas antes de administrar um novo tratamento?

DIDIER RAOULT: - Para aqueles que dizem que precisamos de trinta estudos multicêntricos e mil pacientes incluídos, respondo que, se aplicássemos as regras dos atuais metodologistas, teríamos que refazer um estudo sobre o interesse do paraquedas. Pegue 100 pessoas, metade com paraquedas e a outra sem e conte os mortos no final para ver o que é mais eficaz. Quando você tem um tratamento que funciona contra zero outro tratamento disponível, esse tratamento deve se tornar a referência. E é minha liberdade prescrever como médico. Não precisamos obedecer às ordens do governo para tratar os doentes. As recomendações da Alta Comissão da Saúde são uma indicação, mas não nos obrigam. Desde Hipócrates, o médico faz o melhor que pode, no estado de seu conhecimento e no estado da ciência.

LE PARISIEN: - E quanto aos riscos de graves efeitos indesejáveis relacionados ao uso de cloroquina, especialmente em altas doses?

DIDIER RAOULT: - Ao contrário do que algumas pessoas dizem na televisão, a nivaquina (o nome de uma das drogas projetadas à base de cloroquina, nota do editor) é bastante menos tóxica que o doliprano ou a aspirina ingerida em altas doses. Em qualquer caso, um medicamento não deve ser tomado de ânimo leve e sempre deve ser prescrito por um clínico geral.

LE PARISIEN: - Você está ciente da imensa esperança de cura para os pacientes?

DIDIER RAOULT: - Vejo acima de tudo que existem médicos que me escrevem diariamente em todo o mundo para descobrir como tratamos doenças com hidroxicloroquina. Recebi telefonemas do Hospital Geral de Massachusetts e da Clínica Mayo em Londres. Os dois maiores especialistas do mundo, um em doenças infecciosas e outro em tratamentos com antibióticos, entraram em contato comigo pedindo detalhes sobre como configurar esse tratamento. E até Donald Trump twittou sobre os resultados de nossos testes. É apenas neste país que não está claro quem eu sou! Não é porque aqui em Marselha não vivemos dentro do anel viário de Paris que não fazemos ciência. Este país se tornou Versalhes no século XVIII!

LE PARISIEN: - O que você quer dizer com isso?

DIDIER RAOULT: - Estamos fazendo perguntas franco-francesas e até parisiano-parisienses. Mas Paris está completamente fora de sintonia com o resto do mundo. Tomemos o exemplo da Coréia do Sul e da China, onde não há mais casos novos. Nesses dois países, eles decidiram há muito tempo realizar testes em larga escala para poder diagnosticar pacientes infectados mais cedo. Esse é o princípio básico do gerenciamento de doenças infecciosas. Mas chegamos a um nível de loucura tal que os médicos que aparecem na TV não aconselham mais diagnosticar a doença, mas dizem às pessoas para ficarem confinadas em suas casas. Isto não é Medicina.

LE PARISIEN: - Você acha que confinar a população não será eficaz?

DIDIER RAOULT: - Nunca antes isso foi feito nos tempos modernos. Estávamos fazendo isso no século 19 para a cólera em Marselha. A ideia de limitar as pessoas para bloquear doenças infecciosas nunca foi comprovada. Nem sabemos se funciona. É improvisação social e não medimos seus efeitos colaterais. O que acontecerá quando as pessoas ficarem trancadas, a portas fechadas, por 30 ou 40 dias? Na China, há relatos de suicídios por medo do coronavírus. Alguns vão lutar entre si.

LE PARISIEN: - Deveríamos, como exige a Organização Mundial da Saúde, generalizar os testes na França?

DIDIER RAOULT: - Vamos ter a coragem de dizê-lo: a gambiarra ao estilo francês, não funciona. A França faz apenas 5.000 testes por dia, quando a Alemanha realiza 160.000 por semana! Existe um tipo de discordância. Nas doenças infecciosas, diagnosticamos pessoas e, uma vez obtido o resultado, as tratamos. Especialmente porque estamos começando a ver pessoas portadoras do vírus, aparentemente sem sinais clínicos, mas que, em um número não desprezível de casos, já têm lesões pulmonares visíveis no scanner mostrando que estão doentes. Se essas pessoas não forem tratadas a tempo, existe um risco razoável de se encontrarem depois em terapia intensiva, onde será muito difícil salvá-las. Testar pessoas apenas quando já estão gravemente doentes é, portanto, uma maneira extremamente artificial de aumentar a mortalidade.

LE PARISIEN: - E devemos generalizar o uso de máscaras?

DIDIER RAOULT: - É difícil de avaliar. Sabemos que elas são importantes para o pessoal da saúde, porque são as poucas pessoas que realmente têm um relacionamento muito próximo com os pacientes quando os examinam, às vezes a 20 cm do rosto. Não está claro até que ponto os vírus voam. Mas dificilmente mais que um metro. Portanto, além dessa distância, pode não fazer muito sentido usar uma máscara. De qualquer forma, é nos hospitais que essas máscaras devem ser enviadas como prioridade para proteger os cuidadores. Na Itália e na China, uma parte extremamente grande dos pacientes acabou sendo pessoal de saúde.
 

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OS EFEITOS DA DEMAGOGIA  -  24/04/2017


Governos do PT entenderam que justiça social é ato de vontade. O resultado da insanidade está aí.

Dos perversos efeitos da irresponsabilidade fiscal dos governos lulopetistas, os mais significativos foram a reversão da queda da desigualdade e a estagnação do desenvolvimento humano, constatadas por estudos recém-publicados. Tal cenário indica o grau de deterioração do bem-estar da atual geração de brasileiros e, especialmente, as perspectivas sombrias para as próximas, algo que não pode ser modificado por medidas triviais. Se era preciso alguma prova de que a promessa demagógica de felicidade instantânea e sem sacrifícios pereniza a mediocridade e compromete o futuro do País, a prova aí está.

O mais recente relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) mostrou que o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Brasil, com dados de 2015, ficou estagnado pela primeira vez desde 2004. Isso significa que as políticas de Lula da Silva e, principalmente, de Dilma Rousseff, a título de fazer “justiça social” e “incluir o pobre no Orçamento”, como gostam de alardear os ex-presidentes petistas, na verdade tiveram o efeito exatamente oposto ao pretendido – isto é, em vez de ajudar os mais pobres, interromperam o processo de melhoria da qualidade de vida do conjunto da sociedade.

O IDH leva em conta renda, educação e saúde. Vai de 0 a 1 – quanto mais próximo de 1, maior o desenvolvimento. Em 2015, o Brasil obteve IDH de 0,754, o mesmo de 2014. Entre 188 países, o Brasil ficou estacionado em 79.º lugar, ao lado de Granada. Continua entre os países considerados de “alto desenvolvimento humano”, mas encontra-se abaixo de Cuba (68.º) e Venezuela (71.º).

Quando o índice é ajustado se levando em conta a desigualdade – de renda, de saúde e de educação –, o Brasil cai 19 posições. Pelo Coeficiente de Gini, que mede especificamente a desigualdade de renda, o Brasil aparece como o 10.º mais desigual entre 143 países.

Esse aspecto aparece em outro estudo, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), segundo o qual em 2016 houve o primeiro aumento da disparidade de renda domiciliar per capita em 22 anos. Isso significa que o ganho proporcionado pela estabilização da economia com o Plano Real, implementado há 23 anos, foi comprometido pelos governos de Lula e Dilma.

A façanha da dupla é espantosa. A partir de meados dos anos 1990 o Brasil começou a caminhar para reduzir a afrontosa desigualdade de renda que marca sua sociedade desde sempre. O controle da inflação deu o primeiro impulso para isso, pois permitiu que os mais pobres parassem de pagar, na forma do chamado “imposto inflacionário”, o custo do endividamento inconsequente do governo.

Foi necessário ainda um grande esforço para levar escolaridade às classes mais baixas, aumentando suas possibilidades no mercado de trabalho. Além disso, os programas de transferência condicionada de renda foram importantes para ajudar a mitigar a miséria.

Tudo somado, esperava-se que, no ritmo verificado a partir do início dos anos 2000, o Brasil já tivesse erradicado a pobreza extrema por volta de 2016. Mas isso não ocorreu. Ao contrário, em 2015 voltou a crescer o número de famílias com rendimento per capita inferior a 25% do salário mínimo, chegando a 9,2% da população, contra 8% em 2014, de acordo com dados do IBGE. Um ano depois, em 2016, a desigualdade cresceu 1,6% em relação a 2015, conforme o estudo da FGV, anulando os ganhos dos anos anteriores.

Os indicadores de desigualdade são especialmente significativos porque refletem os efeitos de longo prazo das políticas econômicas. A redução da renda dos mais pobres e o consequente aumento do abismo destes em relação aos mais ricos, depois de um período em que essa diferença parecia fadada a diminuir em razão da maturidade econômica e institucional do País, não resultam de erros pontuais, mas sim de decisões que respeitaram uma visão totalmente equivocada do papel do Estado no desenvolvimento. Mas os governos petistas entenderam que justiça social não é o resultado de um processo econômico de longo prazo, e sim um ato de vontade. O resultado dessa insanidade está aí.
 

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PETROBRAS FESTEJA A QUEDA DO PREÇO DO PETRÓLEO!  -  05/07/2015


Jacy de Souza Mendonça - trecho de um artigo intitulado "Petrobras".

(...) Soou estranho, entretanto, escutar o Presidente da Petrobras declarar que estava sendo beneficiado pela queda do preço internacional do petróleo... Linguagem típica de importador do produto, para um povo habituado às fanfarronices de administradores políticos vendendo a imagem de termos conquistado a autonomia e de nos incluirmos até entre os grandes exportadores do produto. Se o que eles diziam tivesse um pingo de veracidade, deveríamos agora lamentar e não festejar a queda do preço; deveríamos até ambicionar sua alta.

Outra coisa que deu para sentir na séria singeleza dos planos foi a ausência de mãos políticas sujas de óleo e conspurcadas pela descarada e gigantesca roubalheira.

Oxalá esse banho de honestidade permita-nos vencer os hipnóticos refrãos de que o petróleo é nosso e de que só uma empresa estatal pode tocá-lo. Oxalá, em futuro próximo, possamos registrar a presença de muitas empresas petrolíferas internacionais extraindo o óleo de nosso subsolo, refinando-o, vendendo-o e, destarte, gerando empregos para os brasileiros, recolhendo tributos e aumentando nosso PIB e o saldo de nossa balança no comércio internacional. Temos tantas empresas com capital e administração estrangeiros operando entre nós há décadas, em vários setores da economia, com extraordinário sucesso, por que não podemos ter mais algumas, exatamente nessa área tão fundamental para o País e tão mal servida? Só porque os políticos embeberam esse segmento econômico de ideologias políticas? A competição da estatal com outras empresas só serviria como estímulo para que ela cresça e beneficiados seriam todos os brasileiros, não apenas os políticos. A realização desse sonho precisa ser para breve, porque a tecnologia mundial caminha em direção à substituição do petróleo como combustível e quando isso ocorrer teremos nosso subsolo encharcado por um óleo inútil.

A Petrobrás é, a propósito, uma das duas únicas empresas estatais de petróleo que existem no mundo para importar... a outra é da Argentina (que, depois de privatizada, foi reestatizada, vive hoje as mesmas deficiências da nossa e não nos dá inveja) as demais têm como objetivo exportar. (...)

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Fato Comentado


Lira x Pacheco: as duas Casas em briga  -  01/04/2023

 

Conteúdo Jovem Pan

Pacheco contraria Lira, diz que rito constitucional sobre MPs é ‘imperativo’ e amplia crise

O presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), respondeu o ofício enviado pelo presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), que pede para que o rito sobre medidas provisórias (MPs) seja discutido em plenário. Nesta sexta-feira, 31, Pacheco negou a possibilidade e afirmou que o rito é “imperativo”. “A observância desse rito não está na esfera de discricionariedade das Mesas das Casas do Congresso Nacional. Antes, trata-se de imperativo constitucional cujo afastamento somente se pode dar em situações excepcionalíssimas, tal como ocorreu com o advento da Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional decorrente da pandemia de Covid-19″, respondeu o político mineiro, que não vê necessidade de uma sessão para debater o tema. “Reitero que a observância do rito constitucional das medidas provisórias é ordem cuja imposição deve se dar de ofício por esta presidência, pelo que seria dispensável provocação por questão de ordem, como o é a realização de sessão conjunta para tal finalidade”, afirmou.

Fonte: Jovem Pan

jovempan.com.br

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Comento

Era inevitável. O bicameralismo pode levar a situações assim, e isso fatalmente ocorre quando as duas Casas têm maiorias opostas. A Câmara dos Deputados é majoritariamente oposicionista e o Senado majoritariamente governista.

Tudo se acentua quando o senador mais influente no Senado é Renan Calheiros, adversário político de Arthur Lira em Alagoas. Aliás, foi ele, Renan, que abriu o debate no Senado reclamando do pretendido protagonismo de Lira na votação das Medidas Provisórias editadas por Lula tão logo tomou posse. Elaborar essas medidas foi parte da tarefa daquela numerosa equipe de transição que operou nas semanas que antecederam o dia 1º de janeiro. Todos sabemos quanta "droga" gerada pelo petismo ali está empacotada.

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VAIAS AO STF E VIVAS À FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ  -  26/12/2020

 

 

Li em O Globo (23/12)

BRASÍIA - O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luiz Fux, defendeu o pedido feito pela Corte à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) para reservar 7 mil doses da vacina contra a Covid-19. A reserva de vacinas não está prevista no plano nacional de imunização (PNI) contra a doença divulgada pelo Ministério da Saúde na semana passada. Mas, segundo Fux, o pedido feito pelo STF seria atendido apenas dentro das possibilidades e depois da imunização dos grupos prioritários.

O ofício do STF foi enviado no dia 30 de novembro e é assinado pelo diretor-geral do STF, Edmundo Veras dos Santos Filho. O documento não pede que as vacinas sejam encaminhadas de forma antecipada ao STF e ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que também é presidido por Fux. Mas, se a reserva fosse acatada, isso poderia permitir que pessoas que não estão nos grupos considerados prioritários segundo o Ministério da Saúde teriam acesso à vacina antes do restante da população em geral. O Superior Tribunal  de Justiça (STJ) também fez um pedido semelhante. A Fiocruz já negou ambas as solicitações e informou que a produção é destinada "integralmente" ao Ministério da Saúde.

COMENTO

            Isso é o Supremo, sendo o mesmo, “se achando” e crendo que até a saúde da Corte deve ser prioridade nacional. No pedido da reserva de 7 mil doses da vacina, o Diretor Geral do Tribunal, explica que com o STF assumindo essa vacinação de seu pessoal, o sistema público de saúde seria aliviado dessa responsabilidade, preservando-se o sistema público para cuidar  inteiramente do restante da população. E acrescenta haver na instituição pessoas que compõem os grupos de risco. Desnecessário lembrar que nenhum dos ministros tem 75 anos (aposentam-se ao completar essa idade) e não integram, portanto, a ordem de prioridades determinada pelo Ministério da Saúde...

Que coisa horrorosa! Isso é um selfie do STF enviado à nação e agora exigindo do presidente Fux malabarismos retóricos para explicar porque a foto saiu tão ruim.

            Parabéns à Fiocruz – aplausos de pé, por favor! – que teve a inusitada bravura de dizer – Não! – ao Supremo Tribunal Federal, informando-o de que as vacinas seriam entregues integralmente ao Ministério da Saúde.  A Fundação Oswaldo Cruz completou, em maio, 120 anos de inestimáveis serviços à saúde da população brasileira.

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  -  21/09/2020

SEQUESTRADA, DESPIDA E ESPANCADA POR DOAR ALIMENTOS E MEDICAMENTOS

Cubanet, boletim.


"Disseram-me para pensar antes de continuar a fazer a contra-revolução, porque aparentemente, ajudar os mais necessitados, para eles, é a contra-revolução"

HAVANA, Cuba.- “Disseram-me que me fariam desaparecer se continuasse com atividades contrarrevolucionárias”, disse Idelisa Diasniurka Salcedo Verdecia (Eli Salcedo) após ser libertada cerca de 5 horas após seu sequestro, esta sexta-feira, 18 de setembro, em Alquízar, Província de Artemisa.

A ativista havia sido detida na rua pela Polícia Nacional Revolucionária (PNR) quando estava prestes a entregar alguns remédios e receber outros, destinados a famílias carentes.

Segundo o narrador, a prisão foi violenta, uma mulher vestida com uniforme do PNR e dois homens vestidos de civis a algemaram e empurraram para a patrulha 7022 da Guarda Operacional; Seu celular e carteira também lhe foram tirados.

Não lhe explicaram o motivo da prisão, não lhe apresentaram um mandado de prisão nem leram seus direitos.

Na unidade policial de Alquízar, duas policiais mandaram que ela se despisse. Quando ela se recusou, bateram nela, forçando-a a fazê-lo e até agachando-se para se certificar de que ela não estava usando nada escondido em seus órgãos genitais.

Mais tarde, foi interrogada e ameaçada por um oficial da Segurança do Estado (SE) que se identificou como Oscar.

Eli, como todos a conhecem, é promotora do projeto comunitário “Casa a Casa”, através do qual são entregues alimentos e remédios a pessoas carentes da província. Para isso, criou também o grupo no Facebook Las Marianas del Presente.

Salcedo Verdecia afirma que foi liberada em poucas horas, pois os policiais estavam cientes da pressão que vinha sendo exercida nas redes sociais e na imprensa desde o momento de sua prisão.

Antes de ser libertada, apreenderam 200 CUC que, segundo ela, vinha transportando com o objetivo de comprar alimentos para um refeitório comunitário que pretende construir, para ajudar as pessoas que não têm o que comer. Também apreenderam seu celular, medicamentos e seu kit de pressão arterial.
 

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  -  03/04/2019

OS “MIGUELITOS” DE RODRIGO MAIA

Percival Puggina

 

Leio em Poder 360º


"Em reunião com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), nesta 3ª feira (2.abr.2019), as principais centrais sindicais afirmaram que pretendem enterrar a medida provisória que acaba com o imposto sindical automático. Além disso, o Solidariedade, presidido pelo deputado sindicalista Paulinho da Força (SD-SP), apresentará 1 projeto substitutivo para a reforma da Previdência."


Anda segundo o mesmo site, a acima medida provisória acima referida


 “proíbe sindicatos de descontarem a contribuição sindical diretamente nos salários dos trabalhadores. Pelo texto, o pagamento deverá ser feito por boleto bancário, enviado àqueles que autorizarem previamente a cobrança.”

 

COMENTO


 O presidente da Câmara dos Deputados está se revelando um ativista das tragédias, dedicado a fazer o possível e o impossível para esvaziar os pneus do governo. Está funcionando como aqueles sindicalistas que para evitar a circulação do transporte coletivo durante uma greve espalham miguelitos na pista para furar os pneus dos veículos.

 Ao se alinhar com os dirigentes das centrais sindicais, o presidente da Câmara firma parceria, também, com as fontes de financiamento dos aparelhos de esquerda, cujo principal interesse, hoje, é frustrar todas as iniciativas liberalizantes do governo.

 Com isso, reforça a oposição derrotada nas urnas e ajuda a frustrar o projeto vitorioso. O partido de Maia, o DEM, tem três ministros no governo federal. Por maiores que sejam suas imprecisões doutrinárias, nunca foi um partido alinhado com as pautas da esquerda. O presidente da Câmara, porém, começou atirando farpas e agora partiu para os miguelitos.
 

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  -  21/02/2016

Até que não reste pedra sobre pedra?
NÚMERO DE DESEMPREGADOS SOBE 41,5% EM UM ANO E CHEGA A 9,1 MI, DIZ IBGE

Do UOL, em São Paulo

O número de desempregados no Brasil chegou a 9,1 milhões no trimestre de setembro a novembro do ano passado. Na comparação com o mesmo período de 2014, o aumento foi de 41,5%, com 2,7 milhões de desempregados a mais, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Em relação ao trimestre anterior, de junho a agosto de 2015, a alta foi de 3,7%, ou 323 mil pessoas a mais. O total de pessoas sem emprego é o maior já registrado pelo IBGE desde o início da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua mensal, em 2012.

O número de pessoas com emprego era de 92,2 milhões entre setembro de novembro do ano passado. Ele ficou estável em relação ao trimestre anterior, mas caiu 0,6% na comparação com o mesmo período de 2014. Isso significa que, em um ano, são 533 mil empregos a menos.

Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (19). A Pnad Contínua mensal usa dados de trimestres móveis, ou seja, de três meses até a pesquisa. As informações são coletadas em 211.344 domicílios, em cerca de 3.500 cidades.

Desemprego vai a 9%
A taxa de desemprego no trimestre de setembro a novembro do ano passado foi de 9%, a maior para o período desde 2012, quando o IBGE começou a fazer a pesquisa.

Ela é 0,3 ponto percentual maior do que o do trimestre anterior, entre junho e agosto. Na comparação com o período de setembro a novembro de 2014 (6,5%), o aumento foi de 2,5 pontos percentuais.
O IBGE tem outra pesquisa de desemprego, a PME (Pesquisa Mensal de Emprego), que mede a taxa mês a mês, com base em seis regiões metropolitanas. Divulgada no mês passado, ela indicou que o desemprego em 2015 teve média de 6,8%.

O instituto considera desempregado quem não tem trabalho e procurou algum nos 30 dias anteriores à semana em que os dados foram coletados.

1,1 mi de carteiras a menos
Entre setembro e novembro de 2014 e o mesmo período de 2015, o setor privado perdeu 1,1 milhão de trabalhadores com carteira assinada, uma queda de 3,1%. Em relação ao trimestre de junho a agosto, o número ficou estável, segundo o IBGE.

Além do IBGE, o Ministério do Trabalho também apresenta dados sobre emprego, levando em conta o número de contratações e demissões de pessoas com carteira assinada, baseados no Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados).

No mês passado, o Ministério divulgou que o Brasil perdeu 1,54 milhão de vagas de trabalho com carteira em 2015, pior resultado para um ano desde o início da pesquisa, em 1992.


 

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Outros Autores


A hipnose do lulopetismo  -  31/01/2026

 


Alex Pipkin, PhD      

            Eu não sou cinéfilo. Não estudo cinema, não escrevo sobre enquadramentos nem faço reverência a teorias narrativas. Quem me lê, porém, sabe: eu amo o cinema. Amo porque, quando acerta, ele funciona como um espelho moral, desses que deformam o rosto para revelar o caráter. A arte serve para dizer verdades que a vida real prefere esconder atrás de discursos moralmente edificantes e consagrados pelo aplauso social automático.

O cinema sempre foi válvula de escape e laboratório social. Talvez por isso, em tempos de delírio coletivo, a ficção tenha começado a parecer menos imaginação e mais ensaio geral. Há filmes que envelhecem mal; outros envelhecem rápido demais. O Amor é Cego pertence à segunda categoria porque se transformou num diagnóstico exato da realidade vermelho-verde-amarela de 2026.

À primeira vista, é uma comédia romântica leve. Jack Black interpreta um sujeito raso, obcecado por padrões estéticos que jamais alcança. Então surge o guru — sempre surge — oferecendo iluminação instantânea. O truque é singelo. O protagonista passa a enxergar apenas a “beleza interior”. O efeito é cômico. Ele se apaixona por uma mulher que, no mundo real, não corresponde ao ideal que ele dizia cultuar. Para ele, porém, ela é perfeita. Não porque ela mudou, mas porque a realidade foi suspensa.

A genialidade do filme está aí. Não se trata de aprender a ver melhor, mas de aprender a não ver. A hipnose não cria virtude; cria cegueira. Mas quando a cegueira deixa de ser acidente e se transforma em estratégia, ela abandona a ingenuidade e se converte num projeto evidente de poder.

É preciso chamar as coisas pelo nome. Desde Karl Marx, o grande formulador da ideologia do fracasso, a moral é tratada como um incômodo descartável. Para ele, ética é superestrutura: um artifício criado para legitimar relações econômicas. Não existe bem ou mal em si; existe o projeto. Os meios são irrelevantes, desde que o fim seja proclamado como justo. A corrupção, nesse esquema mental, não é um problema moral, é apenas uma ferramenta. Se serve ao projeto, absolve-se. Se escandaliza, relativiza-se. A moral não limita o poder; ela é sacrificada em nome dele.

Por isso o filme é atualíssimo. Basta olhar ao redor para enxergar uma sociedade submetida ao mesmo transe. Não por um guru excêntrico num elevador, mas por uma ideologia inteira que promete redenção enquanto suspende qualquer critério de realidade.

O resultado é a obscenidade normalizada. Ou não? Aposentados roubados no INSS tratados como “falhas técnicas”, Correios afundados sem culpados, escândalos financeiros como no caso Master escancarados recebidos com indiferença moral. A corrupção deixou de se esconder; perdeu o pudor e ganhou, como sempre, narrativas.

O mais espantoso não é a existência do encantador de burros — toda época produz o seu. O espantoso é a multidão disposta a manter os olhos fechados mesmo depois de revelado o velho novo truque.

Enxergar exige responsabilidade, a de admissão do engano. Impõe o “acordar-se”.

Bem, talvez algo esteja mudando. Pesquisa recente indica um dado incômodo para o “hipnotizador de burros”. Até parte dos sustentados pelo assistencialismo tupiniquim começa a rejeitar o encanto. Não é lucidez plena, mas já é um espasmo de consciência no país hipnotizado pela farsa lulopetista.

No filme, a hipnose acaba. Na vida real, ela costuma durar mais, porque rende cargos, discursos, dinheiro sujo, e a confortável cumplicidade dos que fingem não ver. Nenhuma ilusão, porém, resiste eternamente à realidade. Quando o transe se desfaz, o encantador desaparece, o truque fica evidente e sobra apenas o essencial.

Oxalá o país comece a se olhar no espelho e se pergunte, sem anestesia, como aceitou chamar cegueira de virtude, e farsa e ruína de “governo do povo”.

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Cantos de crime e desgraça: a realidade nas entrelinhas das músicas...  -  02/11/2025

Adriano Alves-Marreiros

          (Esta semana, precisamos trazer de volta esta crônica: Mais atual que nunca!!!  Do saudoso Tribuna Diária...)

“– Ah, a música – disse Dumbledore, secando os olhos. – Uma mágica que transcende todas que fazemos aqui!”

J.K. Rowling

Prosseguimos com nossa série de artigos de inspiração na Música.  Com uma abordagem crítica da bandidolatria, do coitadismo penal e expondo a guerra cultural, passamos, agora, à famosa “O meu guri”.  Embora muitos vislumbrem a obra como um relato de alienação, da mãe que estaria cega por amor ao filho e nada vê, vamos mostrar uma análise bem mais... desagradável do assunto.

Chico Buarque foi um grande autor como uma imensa produção de obras primas – mesmo sendo um autor muito ideológico, já que a forma prevalece na análise da qualidade lírica – e boa parte dessas obras é essencialmente de cunho político com uma visão extremamente parcial. A que abordaremos é claro instrumento de atuação na guerra cultural, neste caso, romantizando o bandido e justificando seus crimes.  Claro: vai parecer que algumas coisas são repetições do artigo anterior (faroeste caboclo)[1], mas devo explicar a você – são mesmo!!!  Esta música não foge da proposta anterior: se “Maria Lúcia era uma menina linda, o coração dele pra ela o santo Cristo prometeu” e fomos manipulados pela redenção do bandido por meio da paixão homem-mulher, neste nos manipularão por meio da nossa sensibilidade ao amor de mãe.

Enfim, a música perdeu muito quando Chico perdeu a mão há uns 30 anos: nestas 3 décadas mais recentes pouco produziu de relevante, exceto opiniões políticas também baseadas na ficção.

O meu guri: tentando romantizar a figura do criminoso, Chico acaba escancarando o cinismo da mãe de bandido...

Nos anos 80, época em que essa música foi lançada, havia muita filosofia e esoterismo circulando em todos os círculos: na maior parte de origem duvidosa ou distorcida.  Lembro que que disseram que a de Lao Tsé – o TAO— pregava que “Antes de se estudar o Tao o mar é mar e a montanha é montanha. Quando se está estudando o Tao, o mar deixa de ser mar e a montanha deixa de ser montanha. Mas quando se conclui o estudo: o mar volta a ser mar e a montanha volta a ser montanha”.  Pode até ser falsificação barata e Lao jamais ter dito isso, mas o fato é que isso aconteceu comigo quanto a essa música: primeiro achei que era uma defesa cínica dos bandidos, apelando para o sentimentalismo.  Depois achei que era apenas a expressão da ingenuidade da mãe, cega por seu amor. Mas finalmente vi que era mesmo uma defesa cínica dos bandidos: e no contexto da guerra cultural, tentando se aproveitar do amor do brasileiro por um coitadinho...

Claro que a narração tinha que ser genialmente em primeira pessoa, para obrigar você a se colocar no lugar dela, e  tinha que se começar pelas dificuldades da mãe solteira (já que “Não era o momento dele rebentar” e que ele “já foi nascendo com cara de fome”.  Isso já nos induzindo a lembrar que sua vida foi difícil desde o nascimento e que apenas isso foi a causa invencível de sua vida dedicada ao crime, apesar do que já dissemos no artigo  anterior sobre vizinhos na mesma situação, parentes, e tantas outras pessoas filhas de mães solteiras e que são trabalhadores honestos.  Aliás, a própria narradora (a mãe) nada fala sobre ter praticado assaltos e outros crimes para criá-lo.

Na “filosofia” de R$ 1,99[2] anos 80, é claro que teremos uma “pérola de otimismo”[3] dele, do “meu guri” , que “um dia me disse que chegava lá”.  Vejamos, então, até onde Chico pretende chegar para nos convencer que somos culpados da opção do “meu guri” pelo crime.

Claro que o criminoso é um trabalhador que “chega suado e veloz do batente”, ganhando o pão com o suor do seu rosto, aliás, não só o pão, mas também “Tanta corrente de ouro, seu moço, que haja pescoço pra enfiar” sugerindo que provavelmente outras pessoas também suaram: suaram frio com o “trabalho” do “meu guri”.  Aliás, é justamente a partir de alguns frutos de seu trabalho – “Me trouxe uma bolsa já com tudo dentro, chave, caderneta, terço e patuá, um lenço e uma penca de documentos, pra finalmente eu me identificar” que não restam dúvidas de que a mãe não era  “cega de amor a ponto de não ver o óbvio”, como o personagem Tavares do Jô Soares[4], a coisa se torna tão evidente que temos que dar à coisa o seu nome: CINISMO! O mesmo cinismo que gera aquelas entrevistas em que mães e parentes de traficantes, assassinos, membros de facções criminosas e corruptos sempre exaltam seus filhos como trabalhadores honestos injustamente presos pela polícia “opressora” ou perseguidos pelos “malignos” membros do Ministério Público e Juízes “fascistas” mancomunados.

E mostrando que é um trabalhador incansável e que diversifica, “Chega no morro com o carregamento, pulseira, cimento, relógio, pneu, gravador”.  A vida é dura e não se pode perder oportunidades, mesmo quando isso significa que a vida é ainda mais dura pra quem “perdeu, play”: as vítimas de seus crimes, se é que eles ainda têm vida... 

Prosseguindo no cinismo, ela quer que você pense que sua cegueira deliberada seria alienação, e busca demonstrar preocupação e fé dizendo “Rezo até ele chegar cá no alto, essa onda de assaltos tá um horror”.  Reforçando o cinismo já comprovado antes e que não se importa com as pessoas prejudicadas pelo seu filho bandido: só com “meu guri”.

Aí, pra deixar você ainda mais próximo e comovido com a atitude e a profunda humanidade de um bom filho, ela te romantiza: “Eu consolo ele, ele me consola, boto ele no colo pra ele me ninar”, só esquecendo de falar de tantas mães que não podem mais consolar nem ser consoladas pelos filhos por causa de guris como o “o meu guri”.  Mas elas não importam, nem meros números são, pois não fazem estatísticas com mães e pais de vítimas...  Ela, sim é que é merecedora de todos os direitos, da atenção de ONGs, de ativistas, de “garantistas”, pois é mãe de um batalhador, que vai cedo labutar, como ela relata: “De repente acordo, olho pro lado e o danado já foi trabalhar, olha aí”.  Que importa se, no dia seguinte de cada labuta de seu guri, OUTRA MÃE ACORDA, OLHA PRO LADO E FILHO DELA JÁ NÃO TÁ MAIS LÁ, OLHA AÍ...

 Levando a dramaticidade ao ponto máximo, chegamos ao epílogo quando ele “Chega estampado, manchete, retrato, com venda nos olhos, legenda e as iniciais” referindo-se à barrinha preta que colocavam na foto do jornal para não expor o rosto de um “di menor” e às iniciais para não revelar o nome.  Aí, claro que ela que ela vai reclamar das pessoas que estão criticando ou falando daquela prisão, já que, ela só vê motivo de orgulho, já que ela não se importa com mais ninguém, não se importa com a maldade de seu filho: “O guri no mato, acho que tá rindo, acho que tá lindo de papo pro ar”.  Há quem ache que esses versos significariam que o bandido morreu e que a alienação da mãe, com a dor da perda,  ter-se-ia tornado total, mas entendemos que é orgulho mesmo, já que ele apareceu no jornal, que seu “papo pro ar” seria aquela pose arrogante de bandido convicto de que “não vai dá nada porque  sô di menor” e até porque para chegar a ponto de sua prisão aparecer na manchete do jornal, é porque ele se tornou uma bandido muito procurado e com hierarquia alta no crime... É como ela diz “Desde o começo, eu não disse, seu moço, ele disse que chegava lá”.

É, olha aí, olha “o meu guri, olha aí” porque o seu guri, vítima dele, você não vai poder olhar mais: nunca mais...

Algumas pessoas vivem cheias de EUforia,

Todas as outras vivem cheias dos egoístas

(Millôr Fernandes)

 

Agradeço à Fernanda, minha mulher, por algumas sugestões essenciais para o estilo. (te amo!)

Agora vou ouvir a música...

Adriano Alves-Marreiros é alguém que detesta cinismo...

 

[1] face

[2] Muito antes das lojas de 1,99, e nem real era: era Cruzeiro.

[3] Daria um ótimo nome de livro de autoajuda (outro ajuda?) dos anos 8º, se é que não deu...

[4]

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Lula em estado puro  -  12/10/2022

 

Guilherme Baumhardt

         “Eles têm que saber que a morte de um combatente não para a revolução. Eles têm que saber que nós vamos fazer, definitivamente, uma regulação dos meios de comunicação, para que o povo não seja vítima das mentiras todo santo dia. E eles têm que saber que vocês, quem sabe, são até mais inteligentes do que eu. E poderão queimar os pneus que vocês tanto queimam, fazer as passeatas, fazer as ocupações, no campo e na cidade.” As frases acima, ditas alguns dias atrás, do alto de um caminhão de som, foram pronunciadas pelo sujeito que promete pacificar o país, pelo sujeito que fala em salvar e defender a democracia, que diz combater o “genocida”. Senhoras e senhores, este é Luiz Inácio Lula da Silva, em estado puro, sem travas. É o que ele pensa, é o que ele defende.

O Lula versão 2022 não está amarrado à Carta ao Povo Brasileiro, como estava em 2002. Na época, havia alguns compromissos: respeitar o Plano Real, a estabilidade da moeda, as metas de inflação, o superávit primário. A contragosto, Lula viu que era o único caminho para vencer a eleição. E venceu. O cenário, também, era outro. Os tucanos sucumbiram (ah, que novidade!) ao discurso surrado contra o neoliberalismo. “Venderam nossas riquezas”, diziam os petistas, em referência à privatização de meia dúzia de empresas durante o governo FHC. O brasileiro deixou de ser refém de companhias públicas, passou a ter telefone (celular, inclusive), sem precisar comprar ações de sucatas do Estado. E os tucanos ficaram com vergonha. Hoje, quando vemos FHC ao lado de Lula, fica fácil entender o porquê.

O Lula versão 2022 fala abertamente em revolução. Fala abertamente em queimar pneus. Fala abertamente em regular a mídia – leia-se censura. É o Lula que, anos atrás, ameaçou acionar o exército do Stédile (os bandoleiros do MST). É o sujeito que tempos atrás tentou implantar no país um conselho com o poder de cassar diploma de jornalista, com base no “crime de opinião”.

Se você ainda não acredita que isso pode acontecer, o que está faltando para perceber que propriedade privada será um detalhe? Não interessa o tamanho. Dos grandes aos pequenos. Será um detalhe. A estabilidade da moeda é o que dá segurança especialmente aos mais pobres. É o que permite que o crédito encontre a previsibilidade, conferindo segurança a quem contrata e a quem empresta o dinheiro.

Não estou falando da compra de um carro importado ou de uma cobertura. Estou falando de uma máquina de costura, de uma carrocinha de cachorro-quente ou de uma geladeira, o início de muita gente. Refiro-me à reforma de uma casa ou até mesmo à compra de uma moradia. Onde foi parar a estabilidade na Argentina, dos amigos de Lula? Foi embora. Ninguém sabe, ninguém viu. Os sinais estão postos. Lula até agora não apresentou seu plano de governo. Não disse quem será o titular do Ministério da Economia/Fazenda. E precisa? O modelo é o argentino, o venezuelano, aquele que assumiu recentemente o Chile.

Esta não é apenas uma eleição de direita versus esquerda. É uma disputa entre a sua liberdade e o que ainda existe de país por estas bandas, versus a barbárie e a balbúrdia. Liberdade de viver, de se expressar, de empreender. Liberdade religiosa, de conquistar algo que será seu, por mérito e esforço próprios. É o momento de tomar uma decisão. Você pretende deixar algo para seus filhos e netos? Ou vai iniciar a contagem regressiva para fugir daqui? E, se isso não for possível, prepare-se para comer o pão que o diabo amassou. Ou, quem sabe, comer o seu gato e depois o cachorro. Aliás, já identificou onde fica a picanha no Totó?

 

*         O autor é jornalista

**        Artigo publicado originalmente no Correio do Povo transcrito por necessidade cívica.

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Uma lição urgente  -  20/07/2022

Daniel Marcondes

 

Eis o que dizia Olavo de Carvalho ainda no segundo episódio do True Outspeak, ao ar no dia 11 de dezembro de 2006:

“(…) do Ortega y Gasset peguei sobretudo essa ideia de que a filosofia deve se articular muito em torno da vida pessoal do próprio filósofo, quer dizer, a vida pessoal do filósofo é uma interpretação que ele dá à sua filosofia. Ortega y Gasset dizia que essa forma de existência tipicamente humana que é ter uma biografia, uma vida narrável desde a primeira pessoa, é um dos eixos articuladores da filosofia. Eu também acho que é. (…) Acho que quando uma filosofia não se justifica na vida pessoal do filósofo é porque ele não acredita nela; mas se ele não acredita nela, por que nós deveríamos acreditar?”

Esta lição, que pode e deve ser aplicada não só à filosofia, mas a tudo o que fazemos, nunca nos foi tão urgente. A já moribunda vida cultural brasileira, mesmo nos meios ditos conservadores e cristãos, está se tornando cada vez mais uma caricatura, um circo de “likes” e “views”, em lugar de proporcionar o necessário saneamento intelectual e moral. Não se trata de ter “mais gente falando de assuntos conservadores”, e sim de se perceber mais coerência, maturidade e seriedade naqueles que o fazem, por poucos que sejam. É uma questão qualitativa, e não quantitativa. Um único sujeito verdadeiramente interessado, ainda que silencioso, converte mais do que mil desinteressados barulhentos que, no íntimo, estão pensando apenas em si próprios.

Não se trata também de que nos tornemos todos um São Francisco de Assis ou um Aristóteles da noite para o dia; basta apenas realmente querer e tentar, não mais do que tentar — cada um dentro do que a própria personalidade e situação permitem –, viver um pouco mais aquilo que se professa, tendo por plateia a Deus antes de quaisquer outros espectadores. É tudo isso e só isso.

O resultado será de fato uma caminhada árdua, de cruz e solidão na maior parte do tempo. O problema é que não há outra; ou entendemos isso de uma vez por todas, ou tudo o que faremos será induzir a nós e àqueles ao nosso redor ao mesmo sono hipnótico do qual tanto gostamos de nos gabar de ter despertado.

*        Comentário originalmente escrito no canal do Telegram do Cultura de Fato.

**       Texto reproduzido de Mídia Sem Máscara: https://midiasemmascara.net/uma-licao-urgente/

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POR QUE O PT É UMA AMEAÇA AOS VALORES DO CRISTIANISMO  -  15/03/2022

 

Reinaldo Morais

 

Desde há muito tempo, a esquerda e o Partido dos Trabalhadores alimentam uma relação hostil com cristãos, especialmente do segmento evangélico, devido a suas posições totalmente antagônicas. Esse conflito não é por acaso, mas, sim, decorrente da impossibilidade de convergência do pensamento esquerdista com os valores da fé cristã.

De um lado, a defesa do direito à vida; do outro, a guerra pela liberação do aborto. No mundo cristão, a valorização da família e da continuação da espécie humana; nos partidos de esquerda, o incentivo a relacionamentos não tradicionais, ao declínio da ordem e da moralidade, com a sexualização precoce de crianças, por exemplo.

Como principal partido de esquerda do Brasil, é natural que o PT lidere a organização de ataques e perseguição a quem devota sua vida à religiosidade. Embora tente esconder seu discurso radical, a ação de seus integrantes, ao longo dos anos, expõe o ódio contido e enraizado no interior deste partido político contra religiosos.

Não por acaso, no início de fevereiro deste ano, um vereador do Partido dos Trabalhadores comandou uma invasão à Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, em Curitiba. A intimidação às famílias, às crianças e ao próprio padre foram notícia em todo o país.

As imagens são revoltantes e repugnantes! Certamente um dos episódios de maior intolerância religiosa já ocorrido no Brasil.

Mas verdade seja dita, seja por meio de atos de violência física ou pela tentativa de destruição de valores, não é de hoje que o PT investe contra os cristãos.

Em 2012, os petistas se achavam tão acima do bem e do mal que sequer conseguiam esconder seu desprezo e perseguição à comunidade evangélica. Durante um evento em Porto Alegre, o ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência, do governo petista, Gilberto Carvalho, pregou o “confronto ideológico contra os evangélicos” de todo o Brasil, uma vez que esse segmento representaria uma ameaça à perpetuação do PT no poder.

Para além destes episódios, como se sabe, o PT se utiliza também dos espaços da administração e das instituições públicas para atacar os valores cristãos, através de sua bancada de vereadores, prefeitos, governadores, deputados, senadores e a própria Presidência da República.

Quando chegou ao poder, o PT impôs sua agenda. Em 2004, criou o programa “Brasil sem Homofobia”, dando início à imposição de um pensamento ideológico de uma minoria sobre uma maioria cristã existente no país.

Foi a partir deste programa que nasceu o projeto “Escola sem Homofobia”, em que educadores passariam a “ensinar” às crianças em sala de aula questões relacionadas ao gênero e à sexualidade. Conhecido como “Kit gay”, a cartilha trazia incentivos à homossexualidade e à sexualização precoce de crianças, transformando escolas que sempre foram ambientes de aprendizagem, convívio social e confraternização familiar em locais de doutrinação ideológica da chamada “pauta gay”.

Um dos materiais audiovisuais trazia a seguinte descrição: “Leonardo conversa com Rafael e, depois da despedida, fica refletindo sobre a atração sexual que sentiu pelo novo amigo que partia. Inicialmente sentiu-se confuso, porque também se sentia atraído por mulheres, mas ficou aliviado quando começou a aceitar sua bissexualidade”.

Na época foram gastos aproximadamente R$ 2 milhões pelo Ministério da Educação para produção do “Kit gay”, que trazia também orientações sobre como debater em sala de aula questões de gênero, orientação sexual e a relação de poder entre homens e mulheres na sociedade atual: “o fato de o pênis penetrar a vagina não implica superioridade ou inferioridade dos participantes do ato sexual”, dizia o material elaborado pelo PT destinado aos nossos filhos.

Foi também nos governos petistas que a pauta do aborto foi trazida à exaustão. Em 2009, o Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH3) trazia quase que de forma inédita em toda a história do nosso país um incentivo expresso ao aborto.

Mais recentemente, em 2020, o PT comemorou a aprovação, na Argentina, da Lei pela Interrupção Voluntária da Gravidez (IVE na sigla em espanhol). Em nota no site do PT, os petistas chamaram de “madrugada histórica” a noite da votação da legalização do aborto no país vizinho. O que ocorreu na Argentina serve de exemplo para um futuro governo petista aqui no Brasil.

Mas mesmo com todo esse histórico e tantas diferenças de pensamento com o mundo cristão, o PT anuncia que busca uma “reaproximação” com lideranças religiosas, visando às eleições de 2022. De acordo com uma deputada federal petista, “o Brasil evangélico tem crescido muito na área popular”, e o que antes era desprezado agora passa a ser alvo de cobiça dos petistas: o voto do eleitor evangélico.

Para as eleições deste ano, o PT chegou a criar um núcleo evangélico. “É um front que nós consideramos extremamente importante, e temos estimulado muito o nosso pessoal, sobretudo nos estados, a fazer um contato com as igrejas”, afirmou Gilberto Carvalho, aquele mesmo ex-ministro que anos atrás falava em combater os evangélicos.

Até onde vai o cinismo e o mau-caratismo do PT e da esquerda? Buscam o voto dos cristãos para, logo em seguida, perseguir esse público, usar da violência para invadir igrejas e templos religiosos e promover um sem número de aberrações contrárias aos valores da fé cristã.

Líderes petistas já admitem que uma das estratégias do discurso petista para dialogar com os fiéis de todo país será a moderação do tom de voz e o encobrimento de suas ideias, embora seus pensamentos contra a palavra de Deus permaneçam radicalizados no interior do partido. Ou seja, tentarão esconder suas bandeiras ideológicas em troca de uma promessa de “esperança” para o Brasil.

Assim sendo, cabe a todos nós fazer o alerta:

“Cuidado com os falsos profetas. Eles chegam disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos devoradores. Vocês os conhecerão pelo que eles fazem. Os espinheiros não dão uvas, e os pés de urtiga não dão figos, (Mateus 7:15-16)”.

O PT vai bater a sua porta. Não por você, mas pelo seu voto, para depois impor uma agenda de imoralidades contrária à vontade da maioria de 80% da população cristã do Brasil.

Não se deixe enganar!

*      Reinaldo Morais é escritor, autor do best-seller “Segredos de Pai para filho”; filiado ao PL, foi candidato ao Senado pelo Mato Grosso.

**     Publicado originalmente no Diário do Poder, em https://diariodopoder.com.br/opiniao/

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SAFETY CAR E ZIG ZAG NA RECUPERAÇÃO DA ECONOMIA  -  16/05/2021

Gilberto Simões Pires

         

SAFETY CAR

Quem acompanha as competições automobilísticas tipo Fórmula 1, Stock Car, GP2, entre outras, certamente já viu a presença do Safety Car nas pistas. O acionamento deste veículo se dá sempre que a segurança dos pilotos fica em risco, como no caso  de acidentes, de chuvas muito fortes e/ou quando detritos, óleo, areia ou pedaços de pneus ficam espalhados na pista, aumentando ainda mais a probabilidade de novos desastres.  

ZIG-ZAG

Com o Safety Car na pista, os pilotos ficam obrigados a manter a posição anterior, quando as bandeiras vermelhas foram ativadas, sendo que os carros devem ficar em fila única, atrás do Safety Car, até a liberação total da pista. Assim, as distâncias entre um e outro simplesmente deixam de existir, o que pode dar mais emoção à competição. Mais: ao longo da permanência do Safety Car na pista, como a preocupação maior é com a temperatura dos pneus, os pilotos se veem obrigados a realizar um constante ZIG-ZAG com o propósito de mantê-los minimamente aquecidos.

COMPARAÇÃO

Pois, fazendo uma simples comparação entre o que acontece nas competições automobilísticas e a nossa economia, a situação que estamos vivendo dá a entender que estamos diante da presença de um Safety Car na pista, onde PRODUTORES, INVESTIDORES E CONSUMIDORES estão aguardando, ansiosamente, que a VACINAÇÃO atinja o patamar necessário para a liberação de todas as atividades. A partir daí a CORRIDA ECONÔMICA, graças à LIBERDADE, poderá recomeçar pra valer dando enormes emoções e motivação para que todos saiam vitoriosos.

ATIVIDADES SENDO AQUECIDAS

Por enquanto, felizmente, já se percebe que muitos agentes que participam da CORRIDA ECONÔMICA, para manter aquecidas as atividades (pneus), já estão fazendo o ZIG- ZAG necessário. Aliás, a rodada de bons balanços de empresas, referentes ao primeiro trimestre de 2021, é um indicador forte do quanto é promissor e possível um importante crescimento do PIB para este ano e seguintes. 

NOVAS EMOÇÕES

Diante de tamanha disposição que vem sendo demonstrada pelos competidores da INICIATIVA PRIVADA, fico imaginando o quanto seria maravilhoso para todos, competidores e assistentes, se os PODERES LEGISLATIVO E JUDICIÁRIO tratassem de ajudar na LIMPEZA DA PISTA, através da aprovação da longa pauta de projetos que fariam, indiscutivelmente, com que a CORRIDA ECONÔMICA pudesse recomeçar com as EMOÇÕES que só a LIBERDADE de poder fazer e acontecer é capaz de conferir e promover. 

LIBERDADE

Resumo: Não precisamos de um NOVO NORMAL. Precisamos, apenas e tão somente, de LIBERDADE. Quanto mais LIBERDADE, maior o potencial para crescimento e desenvolvimento. O resto é só o resto.

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UM CHAMADO ÀS IDEIAS ILUMINADORAS, PARA ALÉM DAS IDEOLOGIAS  -  09/06/2020


 

Mentes pequenas discutem pessoas, grandes mentes discutem ideias!

Infelizmente, grande parte dos tupiniquins desconhecem ou ignoram um princípio básico e fundamental para a vida econômica e social: as pessoas respondem a incentivos, para o bem ou para o mal, que se aplicam indistintamente para todo o tecido social.
A pobre massa geral nacional ainda se encontra enraizada e hipnotizada, discutindo sobre ideologias e seus respectivos e adorados deuses ex machina.

Nessa terra do pau Brasil, reduz-se tudo a querelas, retóricas e falsas verdades do imbecil embate "direita versus esquerda". (Muitos nem sabem porquê e de onde vem pautas que inclusive inverteram-se ao longo dos tempos!).

Essa bizarra e emotiva discussão sobre raça, nada mais é do que a externalização de falsos moralismos tanto quanto aos negros, como também aos ataques criminosos de bandidos a polícia e aos comerciantes, inclusive muitos empreendedores negros.

O racismo é abominável e deve ser repudiado, mas não politizado dogmaticamente. O racismo intelectualizado não é novo e tem infectado gerações. Darwin comprovou que todos somos iguais; temos todos uma ancestralidade comum. Infelizmente, essa gente confunde a teoria evolucionária com aquilo que esses apedeutas, que enxergam tudo como ações opressoras, chamam de "darwinismo social". Evidente interesse ideológico e abissal falta de estudo e de respeito pela ciência factual. Poucos indivíduos querem realizar que não existe justiça coletiva; justiça é individual!

Na verdade, repetem-se as certezas subjetivas de intelectuais, jornalistas e professores - a grande maioria - que desastrosamente alardeiam o desastroso pós-modernismo, do relativismo que refuta tudo, do pessimismo cultural de filósofos que instigaram que a modernidade é sempre odiosa, e que absolutamente tudo é construído como mecanismo de opressão. Esse vírus epidemiológico, instigado principalmente nas universidades, tem infectado e passado de pessoas para outras pessoas.

Quanto aos antifascistas verdadeiros fascistas, já está mais do que surrado esse ilusionismo interesseiro dessa trupe da resistência! Nossas instituições continuam aparelhadas pelo vírus humanista da concessão de direitos descolados de deveres. Tudo isso combinado com o insaciável desejo de derrubar um presidente, visando o voo cego para o retorno ao stalinismo disfarçado de igualdade econômica e social. A triste realidade é que temos antifascistas a favor do fascismo.

Especialistas e "acadêmicos científicos" passam uma vida toda olhando pelo espelho retrovisor, e seus estudos "científicos" não passam de pretextos para bradar contra o mundo opressor. Seria bom que olhassem, pelo menos em algum momento, para frente!

Enquanto o debate continuar raso e desinteligente, tudo continuará no mesmo lugar; errado!

Cada evento que desponta no horizonte midiático tende a repetir um ciclo de discussões e de indignações dogmáticas e baseadas em burocratas e seus respectivos escravos negros e brancos, condenando-nos a burra procrastinação e/ou ao retrocesso.

Submetidos ao faz de conta, todos estaremos ad aeternum presos ao solo infértil, caso não interrompermos esse processo anacrônico, demagógico e destruidor, por meio da busca da formação de um consenso mínimo sobre os temas nacionais cruciais, baseados nas ideias iluminadoras que podem resolver factualmente os problemas dos brasileiros de todas as cores, raças, gêneros, idades, religiões...

O maior imbróglio, porém, é que as elites contam com os animadores circenses que foram cooptados ideologicamente para excitar e incitar suas próprias festas pétit-comitê, regadas a lagostas e aos excelentes vinhos premiados.

O espetáculo, espantosamente, não pode parar.
 

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O GRANDE TESTE  -  03/04/2020


RASTRO DE DESTRUIÇÃO GARANTIDO
Queiram ou não o fato é que a TRAGÉDIA ECONÔMICA que já se espalhou por todos os cantos do nosso empobrecido Brasil, cuja colheita, pelo fantástico tamanho da safra, já GARANTIU que teremos pela frente um terrível rastro de destruição, notadamente para quem opera o SETOR PRIVADO, responsável único e direto pela PRODUÇÃO, COMERCIALIZAÇÃO E PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS.

PNEUMONIA
Observem que, em termos COMPARATIVOS, o estrago ECONÔMICO provocado pelo CORONAVÍRUS ao SETOR PRIVADO (QUE FAZ O PRODUTO, COMERCIALIZA E PRESTA SERVIÇOS), pelo efeito QUARENTENA -INDISCRIMINADA- imposta como forma de conter o avanço da doença, é infinitamente mais sério e destruidor do que uma -PNEUMONIA- é capaz de fazer nos pulmões de qualquer ser humano com baixo índice de imunidade.

RESFRIADO
Já para boa parte dos PRIVILEGIADOS BRASILEIROS DA -PRIMEIRA CLASSE-, que estão lotados no inatacável SETOR PÚBLICO, o que é uma TRAGÉDIA INCALCULÁVEL para quem é empregado do SETOR PRIVADO, a CRISE DO CORONAVÍRUS não passou de um simples e insignificante RESFRIADO.

BLOCO DOS INGÊNUOS
Pois, mesmo que me recuse a fazer parte do BLOCO DOS INGÊNUOS, ainda assim não posso entender como o povo e as mais diversas entidades empobrecidas com a paralisação da economia ainda não se rebelaram contra esta incrível BLINDAGEM que mantém os SERVIDORES PÚBLICOS totalmente protegidos e fora da TRAGÉDIA.

PAUTA COMUM
Atenção: - Enquanto o desemprego e/ou a redução dos salários são -PAUTA COMUM E INEVITÁVEL- para quem opera no SETOR PRIVADO, a empregabilidade, os magníficos salários e outros tantos penduricalhos conferidos à PRIMEIRA CLASSE, ocupada por SERVIDORES PÚBLICOS PRIVILEGIADOS, seguem imexíveis. Pode?

PODERES LEGISLATIVO E JUDICIÁRIO
Mais: os líderes, que estão à frente dos Poderes LEGISLATIVO e JUDICIÁRIO, aos quais caberia o estabelecimento de uma igualdade de ganhos para todos, neste momento grave, todos estão quietos, recolhidos e fechados contra qualquer perda dos absurdos benefícios da classe privilegiada.

ATESTADO DEFINITIVO
Gente, a pedra está lançada. Vamos ver até onde vai a covardia e/ou leniência do povo. Se esta grave CRISE ECONÔMICA não se mostrar suficiente para que o povo acabe, definitivamente, com esta nojenta e injusta existência de DUAS CLASSE SOCIAIS pra lá de DISTINTAS, aí estaremos passando o atestado definitivo de que até o CORONAVÍRUS não passou de uma grande piada!
 

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“OU TE MANDAS, DEIXAS O PAÍS, OU SEREI TEU MAIOR PESADELO”  -  12/03/2020

 

Havana, Cuba ( 11/03/2020). Usurpação de funções públicas, violação do Decreto-Lei 370, permanência ilegal em Havana, deportação para a Ilha da Juventude, acompanhamento por nove meses por "não trabalhar" e ser uma pessoa de interesse policial; o repressor Alejandro listou os "crimes" nos quais eu supostamente havia incorrido. Segundo ele, a lei estava sendo aplicada a mim.

“Você precisará ir mensalmente para se registrar no setor policial e, se nesses nove meses, continuares a te comportar como até agora, aplicaremos a você a periculosidade pré-criminal; Mas você não irá para a cadeia, porque queremos limpar as prisões; o que você precisará fazer é trabalho social sem internação, no que é mais necessário: limpar pisos ou áreas comuns”, acrescentou.

Ao ouvi-lo, pensei que ele estava certo: eles fizeram a lei em Cuba de tal maneira que aqueles que detêm o poder podem esmagar os cidadãos sempre que quiserem e com a maior impunidade.

Eu havia sido presa no mesmo dia, segunda-feira, 9 de março, quando estava cobrindo um protesto cívico pela liberdade do artista Luis Manuel Otero Alcántara, no cruzamento das ruas 23 e 12 do Vedado de Havana. Mal pode iniciar a apresentação porque os agentes das Brigadas de Segurança do Estado (SE) e de resposta rápida estavam estacionados no local, talvez já alertados para a iniciativa, e tentaram nos silenciar. Alguns se tornaram violentos, enquanto a maioria da população assistia e filmava, com certa prudência e medo, mas ao mesmo tempo consciente e admirada da bravura daqueles poucos conterrâneos. Vários até perguntaram quem era Luis Manuel Otero Alcántara.

Éramos apenas quatro pessoas, pois o resto não podia contornar as operações policiais para chegar ao compromisso: quatro pessoas armadas com pôsteres, nossas vozes pacíficas e nossos telefones: como capturar as evidências.

Pouco depois, quando nos retiramos do local, às 21 e 10, várias patrulhas policiais nos pararam. Abu Duyanah Tamayo, Omara Ruíz Urquiola e eu fomos presos. Iliana Hernández seria presa logo depois.

Uma vez na delegacia de Zapata e C, o de sempre: a busca, a masmorra e os interrogatórios. Embora seja necessário reconhecer que a polícia nos tratou com respeito e com óbvio desconforto; Eles sabiam que não éramos criminosos e que estavam negligenciando suas reais funções.

Conheci o major Alejandro por referência, pois, nos últimos meses, ele esteve na vanguarda da repressão às mulheres ativistas, principalmente em Havana. Uma vez na sala de interrogatório, ele reconheceu que. Há longo tempo queria me encontrar e que conseguiria o que os outros agentes não haviam conseguido anteriormente porque ninguém suportaria o assédio que estava disposto a aplicar.

“Não vou oferecer-te para colaborar conosco. Comigo você tem apenas duas opções: ou você se manda ou sai - ele retrucou. Subitamente, ofereceu-me um emprego no ICRT (Instituto Cubano de Rádio e Televisão); e "ah, quem mexe com Camila Acosta", nem mesmo o presidente do ICRT se atreverá a fazê-lo, disse ele. Caso contrário, "vou me tornar seu pior pesadelo".

O major Alejandro passou vários dias me localizando em Havana. Desde que fui expulsa da casa em que morava - devido às pressões do SE para os proprietários - em 20 de fevereiro, meu paradeiro era desconhecido. Nesta segunda-feira, começando pela manhã, eles até montaram uma grande operação policial para me prender. Eles queriam impedir-me de atender a um convite de Mara Tekach, encarregada de negócios dos Estados Unidos em Cuba, para comemorar o Dia Internacional da Mulher em sua residência.

Emtre Línea e 12, exatamente no ponto em que eu deveria encontrar Ángel Santiesteban, ele foi detido, mas deu-lhe tempo para me alertar para que me desviasse. Eles nem sequer o questionaram: "Até Camila não aparecer, não vamos deixar você ir." Horas depois, para surpresa do repressor, me detiveram.

Alejandro mostrou aborrecimento evidente durante seu interrogatório, embora fosse um monólogo, já que eu mal respondi ou até o atendi. Ele se alegrava com suas ameaças, com um cinismo arrepiante: "Tudo isso que vou aplicar a você a partir de agora é porque você está fazendo seu trabalho não apenas bem, mas muito bem seu trabalho" e "Estou louco para ver sobre o que você escreverá sobre isto ”.

Contraditório, ele esclareceu que eu estava cometendo o crime de "usurpação de funções públicas" porque o jornalismo independente não é reconhecido por nenhuma lei ou mesmo na Constituição. "E eu vou deportá-la para a Ilha da Juventude, porque você é ilegal em Havana", ele ameaçou constantemente. Eu tenho um endereço em Havana, moro aqui há mais de dez anos, mas isso não importava para ele: "você não mora no endereço que seu cartão de identidade diz e seu registro civil diz que você é da ilha". Claro, eu nasci lá. "Além disso, por qualquer motivo, eu vou deportar você, essa é a medida que você irá levar", disse ele, como se eu não fosse fazer jornalismo em lugar algum.

O capanga nem sequer hesitou em ameaçar minha família e que, é claro, tudo o que acontecesse seria minha culpa. Nas duas horas e meia que fiquei trancada na sala de interrogatório, senti medo, reconheço, mas, acima de tudo, senti raiva, desamparo.

Obviamente, eles farão qualquer coisa para me impedir de praticar jornalismo independente. Se uma coisa o repressor deixou claro, foi isso; eles também me temem, temem meu trabalho e os danos que jornalistas independentes estão causando à ditadura. Claro, para ele, só fazemos isso por dinheiro. Não conheço os outros, mas o faria de graça, apenas pela satisfação de me sentir realmente útil, orgulhosa da minha profissão, pelo prazer de exercer liberdade de expressão e opinião. Mas isso é algo que sua mediocridade impede de entender.

No final da noite, fui libertada, mas não antes de confiscarem meu telefone celular. Eles me deixaram em um corredor onde um oficial me disse que eu não podia estar, que eles já haviam terminado comigo e que eu poderia sair; Dito isto, me acompanhou até a saída.

Eu sabia que eles me seguiriam para saber onde eu estava hospedada, sabia que a melhor maneira de enganá-los era desaparecer de seus radares novamente. Tão rapidamente desapareci que eles me perderam de vista. Isso deve ter deixado Alexander muito desconfortável e talvez tenha merecido uma grande repreensão de seus superiores. Desde então, talvez tentando "salvar" sua posição e demonstrar sua "eficiência", ele liga para familiares e amigos, ameaçando "me explodir" e me condenar a um a três anos de prisão por "evasão". Segundo ele, fugi da delegacia. Como é possível escapar sozinho e desarmado de um quartel cheio de policiais? Deixar esse é algo que deve ser feito com uma permissão ou em companhia der um oficial.

Hoje, quarta-feira, 11 de março, irei à unidade policial para que possam ser cruéis comigo novamente, para enfrentar o "pesadelo".

Recuso-me a deixar de fazer jornalismo independente ou a deixar meu país; Mas se a comunidade internacional e o exílio cubano continuarem permitindo que a ditadura nos esmague com total impunidade, se não houver maior apoio à oposição interna cubana, em breve as vozes dissidentes dentro da ilha perecerão.

Se você tem parentes em Cuba, compartilhe com eles este link (faça o download do Psiphon), a VPN através da qual eles terão acesso a todas as informações da CubaNet. Você também pode assinar nossa Newsletter clicando aqui.

* Camila Acosta é uma jornalista independente . Atua em Havana.

** Publicado originalmente em https://www.cubanet.org/destacados/cuba-quitas-te-vas-del-pais-o-me-convierto-en-tu-peor-pesadilla/

*** Traduzido para o português por Percival Puggina.

 

COMENTÁRIO DO EDITOR DO BLOG

Todo dissidente cubano, como descrevi em A tragédia da Utopia, está exposto a esse tipo de perseguição por vezes branda, por vezes verdadeiros pesadelos incidindo sobre a pessoa e seus familiares. Há muita gente no Brasil que considera tudo isso muito comum desde que seja para autoproteção de bandos comunistas no poder. 
 

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CHEGOU A VEZ DO DARWINISMO DAS IDEIAS - LIBERALIZANTES - PROSPERAR!  -  31/05/2019

 

Vai estourar! É só uma questão temporal - e é atemporal - como de costume! O Brasil é um veículo - de modelo não tão velho assim - rodando com quatro pneus bem carecas e extraviados. Os buracos com um pouco de asfalto também não ajudam! O problema maior e insolúvel em algum momento, é que os dois pneus dianteiros já adentraram aos arames de aço e, tristemente, só há um estepe, igualmente na mesma debilitada situação. Inexistem condições de continuar rodando sem uma reforma nos cinco pneus, e muito provavelmente, também em outras partes sistêmicas do veículo brasileiro.

O país depende de várias e novas edificações - dignas e não maquiagens - para continuar respirando sem tubos de oxigênio. A reforma da Previdência é apenas o começo de uma longa lista de mudanças que o país necessita para ser atrativo ao investimento - interno e externo - a fim de gerar empregos, renda e riqueza. Por óbvio, é preciso deixar os brasileiros mais livres e menos expropriados coercitivamente.

A realidade real torna proibitivo que se performe o tradicional papel de vítima dos yankees capitalistas exploradores! Adeus ao usual álibi! O ponto relevante, ou seja, a verdadeira culpa, é de nossa cultura entranhada e prática estatista, intervencionista e patrimonialista que se materializa por meio de políticas irresponsáveis e assistencialistas com o dinheiro público. Tal cultura e prática resulta que o rio corra para o mar: déficit crônico no orçamento da União! No país de Macunaíma, essa peça contábil é representada pela despesa; sinônimo de autorização para gastar, e receita, um número fictício com o qual não se têm nenhum compromisso efetivo, pois sempre há o famoso jeitinho brasileiro para identificar alguma brecha na monstrenga estrutura e legislação do gigante Estado verde-amarelo. Ademais, impostos são impessoais e anônimos (O pessoal não sente...). O político tupiniquim age e gasta eleitoreiramente como se o poço nunca tivesse fundo! Claro que tem, mas esse sempre só chegará no limite na próxima legislatura... Imoralmente, ano após ano, sabe-se que o orçamento brasileiro é "pra inglês ver"!

Os brasileiros de todas as estirpes, faz pouco, começaram a dar-se conta que o dinheiro que financia gastos públicos absurdos (vide STF e sua singela farra alimentar) e parasitismo estatal, além de programas assistencialistas, populistas e eleitoreiros, é subtraído do esforço e do trabalho popular, por meio de impostos aviltantes e de políticas clientelistas que inibem e obstaculizam à iniciativa privada a produzir eficientemente, gerando emprego e renda.
Cabe igualmente frisar que não se pode despejar a culpa no capitalismo - aquele "de verdade", embasado em genuíno livre mercado e concorrência, nunca passou por aqui, e tampouco ao liberalismo, que episodicamente tivemos, no tempo do Império e em algumas iniciativas no governo social-democrata de FHC.

O avanço no sentido liberalizante da economia é uma questão de sobrevivência! Claro que sempre existe uma força contrária da mesma intensidade, tentando barrar o processo de "modernização" brasileira. Embora a realidade pragmática da experiência mundial comprove a falácia de veias marxistas, é fácil jogar para a torcida, especialmente no meio político. O populismo é a conduta inconsistente e inconsequente a serviço da política eleitoreira. Por aqui, muito Estado para abancar uma minoria que se locupleta com as benesses do poder, juntamente com seus empresários "favoritos e especiais". O governo é campeão em eleger "seus campeões" (quais são as regras objetivas; reais determinantes e critérios?!) para exercer - como sempre - seus atos de bondade divina decorrentes de enormes privilégios para empresas que não deveriam depender de dinheiro público. Notadamente, por aqui há uma relação umbilical entre políticas industriais ativas e corrupção. Além disso, quanto mais bu(r)rocracia melhor, afinal existe muita gente no inchado Estado que têm que fazer - ou não fazer - muitas coisas improdutivas, sem nenhum sentido de real agregação de valor à vida dos indivíduos.

De fato, o Brasil precisa não só da reforma da Previdência, mas de uma reforma tributária que simplifique a selva de tributos, não penalize a produção, e que deixe transparente - e com vergonha - a tributação indireta e a voraz fome governamental para impor tributação escorchante que hoje passa quase que despercebida pelo cidadão comum. Igualmente, é imprescindível algum critério que premie o comportamento virtuoso e penalize a irresponsabilidade fiscal e gerencial de administradores estatais ineptos e/ou mal-intencionados.

Reformas nos "pneus" estatais previdenciário, tributário e administrativo são urgentes e vitais. Não há mais espaço para populismo e demagogia! O povo acordou! Reformas orçamentária e fiscal que simplifiquem, reduzam "direitos" anacrônicos e deem visibilidade àquilo que parlamentares populistas fazem com o dinheiro público, contrariamente a políticas saudáveis de sustentabilidade, simples conta entre receita e despesa.

Chegou a vez do darwinismo das ideias finalmente prosperar! De ideias e inciativas liberalizantes por meio de privatizações, com critérios objetivos que melhorem custos, preços e serviços a população - eliminando as graves e notórias fontes de corrupção. Da real abertura ao capital estrangeiro, que encontra-se bloqueado em setores protegidos para "empresários" nacionais, impedindo a concorrência e os ganhos em escala e a efetiva participação nacional nos fluxos tecnológicos e de inovação, em especial das grandes transnacionais. Além disso, faz-se necessário eliminar intervenções absurdas, tais como exigências de altos "conteúdo nacional" nos insumos, manifestação meramente populista e eleitoreira que inibe a participação de empresas nacionais nas cadeias globais de valor, reduzindo nossa produtividade e competitividade. Igualmente imperativo é a premência da desburocratização e agilização de processos relacionados a iniciativa privada - tais como abertura de firmas e documentos exigidos, por exemplo - a fim de criar um ambiente de negócios mais propício aos investimentos.

O povo saiu as ruas para protestar, espontaneamente! Foi as ruas para defender as inadiáveis reformas e mostrar sua indignação para com os políticos populistas, corporativistas e interesseiros, que enxergam mas se negam a ver a indeclinável e urgente necessidade de tais reformas estruturantes e fundamentais para o momento presente e para o futuro nacional. Mais um teste de força contra parlamentares preocupados em se servir da nação. O movimento pode até ter impacto franzino, pelo conhecido bunker parlamentar, mas a pressão social é, sem dúvida, o meio de causar um certo sobressalto na conduta e costumeiras iniciativas eleitoreiras e/ou interesseiras desses "políticos".

No Brasil, um dia quem sabe, haja verdadeiro temor do constrangimento social e/ou da potencial rejeição nas urnas. Esperemos. Tomará que antes de estourar, pelo menos, dois dos extraviados pneus brasileiros!
 

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LONGA NOITE  -  04/01/2019



Se há uma coisa que, quanto mais você perde, menos sente falta dela, é a inteligência. Uso a palavra não no sentido vulgar de habilidadezinhas mensuráveis, mas no de percepção da realidade. Quanto menos você percebe, menos percebe que não percebe. Quase que invariavelmente, a perda vem por isso acompanhada de um sentimento de plenitude, de segurança, quase de infalibilidade. É claro: quanto mais burro você fica, menos atina com as contradições e dificuldades, e tudo lhe parece explicável em meia dúzia de palavras. Se as palavras vêm com a chancela da intelligentzia falante, então, meu filho, nada mais no mundo pode se opor à força avassaladora dos chavões que, num estalar de dedos, respondem a todas as perguntas, dirimem todas as dúvidas e instalam, com soberana tranqüilidade, o império do consenso final. Refiro-me especialmente a expressões como "desigualdade social", "diversidade", "fundamentalismo", "direitos", "extremismo", "intolerância", "tortura", "medieval", "racismo", "ditadura", "crença religiosa" e similares. O leitor pode, se quiser, completar o repertório mediante breve consulta às seções de opinião da chamada "grande imprensa". Na mais ousada das hipóteses, não passam de uns vinte ou trinta vocábulos. Existe algo, entre os céus e a terra, que esses termos não exprimam com perfeição, não expliquem nos seus mais mínimos detalhes, não transmutem em conclusões inabaláveis que só um louco ousaria contestar? Em torno deles gira a mente brasileira hoje em dia, incapaz de conceber o que quer que esteja para além do que esse exíguo vocabulário pode abranger.

Que essas certezas sejam ostentadas por pessoas que ao mesmo tempo fazem profissão-de-fé relativista e até mesmo neguem peremptoriamente a existência de verdades objetivas, eis uma prova suplementar daquilo que eu vinha dizendo: quanto menos você entende, menos entende que não entende. Ao inverso da economia, onde vigora o princípio da escassez, na esfera da inteligência rege o princípio da abundância: quanto mais falta, mais dá a impressão de que sobra. A estupidez completa, se tão sublime ideal se pudesse atingir, corresponderia assim à plena auto-satisfação universal.

O mais eloqüente indício é o fato de que, num país onde há trinta anos não se publica um romance, uma novela, uma peça de teatro que valha a pena ler, ninguém dê pela falta de uma coisa outrora tão abundante, tão rica nestas plagas, que era a – como se chamava mesmo? – "literatura". Digo que essa entidade sumiu porque – creiam – não cesso de procurá-la. Vasculho catálogos de editoras, reviro a internet em busca de sites literários, leio dezenas de obras de ficção e poesias que seus autores têm o sadismo de me enviar, e no fim das contas encontrei o quê? Nada. Tudo é monstruosamente bobo, vazio, presunçoso e escrito em língua de orangotangos. No máximo aponta aqui e ali algum talento anêmico, que para vingar precisaria ainda de muita leitura, experiência da vida e uns bons tabefes.

Mas, assim como não vejo nenhuma obra de literatura imaginativa que mereça atenção, muito menos deparo, nas resenhas de jornais e nas revistas "de cultura" que não cessam de aparecer, com alguém que se dê conta do descalabro, do supremo escândalo intelectual que é um país de quase duzentos milhões de habitantes, com uma universidade em cada esquina, sem nenhuma literatura superior. Ninguém se mostra assustado, ninguém reclama, ninguém diz um "ai". Todos parecem sentir que a casa está na mais perfeita ordem, e alguns até são loucos o bastante para acreditar que o grande sinal de saúde cultural do país são eles próprios. Pois não houve até um ministro da Cultura que assegurou estar a nossa produção cultural atravessando um dos seus momentos mais brilhantes, mais criativos? Media, decerto, pelo número de shows de funk.

Estão vendo como, no reino da inteligência, a escassez é abundância?

Mas o pior não é a penúria quantitativa.

Da Independência até os anos 70 do século XX, a história social e psicológica do Brasil aparecia, translúcida, na literatura nacional. Lendo os livros de Machado de Assis, Raul Pompéia, Lima Barreto, Antônio de Alcântara Machado, Graciliano Ramos, José Lins do Rego, Jorge Amado, Marques Rebelo, José Geraldo Vieira, Ciro dos Anjos, Octávio de Faria, Anníbal M. Machado e tantos outros, obtínhamos a imagem vívida da experiência de ser brasileiro, refletida com toda a variedade das suas manifestações regionais e epocais e com toda a complexidade das relações entre alma e História, indivíduo e sociedade.

A partir da década de 80, a literatura brasileira desaparece. A complexa e rica imagem da vida nacional que se via nas obras dos melhores escritores é então substituída por um sistema de estereótipos, vulgares e mecânicos até o desespero, infinitamente repetidos pela TV, pelo jornalismo, pelos livros didáticos e pelos discursos dos políticos.

No mesmo período, o Brasil sofreu mudanças histórico-culturais avassaladoras, que, sem o testemunho da literatura, não podem se integrar no imaginário coletivo nem muito menos tornar-se objeto de reflexão. Foram trinta anos de metamorfoses vividas em estado de sono hipnótico, talvez irrecuperáveis para sempre.

O tom de certeza definitiva com que qualquer bobagem politicamente correta se apresenta hoje como o nec plus ultra da inteligência humana jamais teria se tornado possível sem esse longo período de entorpecimento e de trevas, essa longa noite da inteligência, ao fim da qual estava perdida a simples capacidade de discernir entre o normal e o aberrante, o sensato e o absurdo, a obviedade gritante e o ilogismo impenetrável.

*Publicado originalmente em Diário do Comércio, 4 de junho de 2012

 

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A RAZÃO FALA POR ESTA MÃE  -  24/10/2018

 

Juventude da classe média ou média alta, que foi educada em colégios particulares, que mora em casas confortáveis, desfruta de comida de qualidade na mesa, possui celulares tops, que aos 18 anos ganha um carro dos pais, que já foi para a Disney várias ou algumas vezes, que, aos 14 anos, já tem em seus currículos viagens para a Europa e outros países, que cresceu no banco traseiro do carro dos pais, sem nunca passar o aperto de um ônibus lotado, que fez natação, ballet, judô, inglês, hipismo, violão, bateria e muitas outras coisas mais... Que viveu na casa dos pais, fortalecida pelos direitos que sempre reivindicou... Que faz a unha em salão, que escolheu entre viagem e festa de quinze anos... mas que agita a bandeira do comunismo de Marx...

Seres extremamente capitalistas que afrontam nossa geração agitando a bandeira do comunismo...

Então, é para vocês que falo, com a autoridade e o respeito de mãe de vocês todos – jovens de 2018.

Foi nas escolas públicas de qualidade, onde hasteávamos a bandeira nacional, cantávamos o nosso hino, onde reinava o respeito, onde todos pertenciam ao mesmo grupo, que nos criamos... Nunca soubemos o que era negro, branco, mestiço, homo, hétero... Éramos todos da mesma turma, do mesmo grupo, da mesma escola... Éramos vizinhos do mesmo bairro...

Fomos nós, com o nosso mundo simples, com a nossa forma natural de encarar as diferenças, com as nossas dificuldades, com a nossa falta de luxo, que parimos vocês, que lhes proporcionamos os celulares da Apple, as escolas particulares, as viagens para Disney, as aulas de esportes, música e idiomas... Fomos nós que levamos vocês de carro ou que contratamos transporte escolar para que não corressem nenhum risco... Fomos nós que, através de muito estudo e trabalho, pudemos galgar um passo acima de nossa origem ... Não foi o socialismo que deu a vida burguesa de cada um de vocês... com festas, faculdades, piscinas, viagens, roupas de marca, comida e bebida boas... Foi o capitalismo, que de dentro de suas casas confortáveis ou passando as férias em sua casa de praia, fez de vocês os socialistas de boutique que hoje são...

Onde erramos ? Podem nos responder ?

Demos o exemplo de que lutando, estudando, trabalhando - através do mérito individual, da amizade, da tolerância, alcançamos um lugar nesse país e no mundo. E hoje vocês flertam com o socialismo de Lula, com direito a aceitação do roubo, da mentira, da negação de que, enquanto ele fazia acordos de poder e riqueza, brasileiros morriam nas filas de hospitais...enquanto ele e seus amigos fiéis afundavam a Petrobrás e ganhavam triplex, sítios, milhões, as universidades que vocês queriam estudar caíam aos pedaços...

Que causa vocês defendem ? Vocês se tornaram tudo aquilo que vocês mesmos combatem: radicais, intolerantes e preconceituosos... Vocês viraram FAKE NEWS de si próprios... Hipnotizados por uma causa da qual não fazem parte e que, na prática, nunca fizeram. Vocês e aquilo que pregam são como água e óleo: não se misturam!

Me digam, onde foi que erramos ?

Qual é a sua dúvida meu amigo ?

Acusado de fazer apologia ao ódio, mas é ele que toma a facada.

Acusado de ser machista, mas ajuda a eleger as duas mulheres deputadas mais votadas da história .

Acusado de ser racista mas elege o negro deputado mais votado.

Convalescente e sem dinheiro para campanha enfrenta a máquina de milhões (roubados da Nação) do candidato oponente.

Aconselha -se com generais e homens ficha limpa enquanto o opositor se aconselha com um presidiário e um bando de revolucionários.

Tem admiração por países com alto índice de desenvolvimento humano, enquanto o adversário admira ditaduras aonde o povo tem precárias condições de vida.

É ficha limpa, enquanto a Organização criminosa do adversário é acusada de desvio de Bilhões do erário público.

Então eu te pergunto, com toda a tranquilidade do mundo.

Qual é a sua dúvida, meu amigo?

Nova Iorque é uma cidade majoritariamente "progressista", historicamente administrada pelos Democratas, a esquerda americana.

Quando a cidade estava destruída, com a violência e criminalidade explodindo, metrôs sucateados, imundos, insegura, suja e com serviços públicos de péssima qualidade, após anos de gestões democratas lenientes e incompetentes, o que fizeram os novaiorquinos?

Mudaram.

Elegeram, em 1994, um sujeito completamente antipático, briguento, impulsivo, voluntarioso, com principios morais rígidos, que não relativizava o certo e o errado, o bem e o mal.

Um republicano.

A seu respeito chegaram a comentar, após se negar a receber um líder de movimento negro:
"Ele não é racista, é desagradável com todos."

De onde veio esse sujeito?

Da promotoria que desbaratou as famílias mafiosas, após décadas de domínio da cidade.
Entendia de economia, educação e saúde?

Não.

Seu nome:
Rudolph Giuliani.

Seu programa:
Tolerância Zero.

E o que foi esse programa "revolucionário", que revitalizou e transformou a cidade na mais segura do país?

Aplicação da lei, sem tergiversação e cumprimento dos deveres de um gestor público.

Quebrou uma janela do metrô?

Troca.

Foi pego pichando uma parede?

Penaliza e obriga a indenizar.

Pego em corrupção?

Afasta, processa, prende e restitui.

Saneou a cidade.

Parece óbvio, não?

Mas muitos parecem ter dificuldade em entender o óbvio e ainda se encantam com as promessas vazias de presidiários, indiciados, suspeitos, políticos profissionais (que estão há 20, 30 anos vivendo da política) e relativistas morais que deixaram nosso país nessa situação lastimável.

Não precisamos de belos discursos.

Precisamos de alguém que separe o certo do errado, o bem do mal, cumpra as leis e suas obrigações.

Mesmo que nos soe antipático e desagradável.”

 

* Texto apanhado na rede.
 

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BRASIL CONSERVADOR OU PROGRESSISTA?  -  19/09/2018

 

Como sempre acontece, às vezes analisamos a vida como uma novela, que tem um personagem do mal contra outro do bem. E a confusão nas nossas mentes é tão grande que os artistas que fazem os papéis das pessoas malignas são agredidos nas ruas, enquanto na vida real se dá o contrário, os criminosos atacando e matando as pessoas de bem, sem nenhuma punição.

Nas eleições não é diferente. Nós confundimos a pessoa física do candidato com o projeto de governo. E ficamos brigando pela pessoa e não pelo país.

Na época da greve dos caminhoneiros, para esclarecer que não era uma pessoa física contra outra pessoa física, escrevi isto no whatsapp:

Vejo todos se batendo contra pessoas que pouco farão na estrutura atual do Brasil. Urge mudar a estrutura das instituições e governos: mudar para parlamentarismo; adotar o voto distrital puro; quebrarmos todos os monopólios (o problema vivido agora é decorrente do "petróleo é nosso", ou seja, monopólio da Petrobrás); mudança na forma de escolha dos ministros do STF; vendas da Caixa Econômica e Banco do Brasil (o governo fica somente com o Banco Central); reformas da previdência e fundos de pensão (todos devem contribuir e receber da mesma fonte e em valores iguais (nenhum país aguenta pagar aposentadorias de R$30.000,00); inversão do fluxo do dinheiro dos impostos ( o municipal já fica no município, o estadual já fica no estado e o federal vai para a União), porque, enquanto vão e voltam, os custos comem a maior parte; reforma tributária, com implantação do IVA sobre vendas e tantas outras. Não adianta Fora Temer, volta Lula. O problema brasileiro é estrutural.

Agora, nas eleições, a confusão se acentuou, pela inclusão das questões morais: corrupção, aborto, homossexualismo, homofobia e outros tantos.

Para tentar mostrar que a eleição não é de uma pessoa física contra a outra, há várias menções na Internet para a divisão do Brasil em dois, sendo um conservador e um progressista, mais ou menos com as seguintes características e composição:

1 – BRASIL CONSERVADOR: organizado e cristão, que una o povo; com respeito à família tradicional; contra o aborto; contra as drogas proibidas; escolas com disciplina e respeito às professoras, para não apanharem dos alunos; respeito ao tempo da criança; sem ideologia de gênero; com as pessoas reconhecidas pelo seu sexo natural, masculino ou feminino; economia de mercado livre; empreendedores, empresários e comerciantes, pequenos ou grandes, com seus contratos e negócios respeitados; todos igualmente respeitando as leis; policiais que defendem nossas vidas respeitados; o exército, que a paz quer com fervor, garantindo a segurança nacional; com os estupradores presos; com os assassinos condenados e cumprindo suas penas; sem MST invadindo terras e matando o gado; sem o MST destruindo centro de pesquisas de 15 anos, sem sindicatos queimando pneus e impedindo as pessoas de irem para o trabalho; sem black blocs destruindo vitrinas; sem bolsa prisão; com todos iguais e incentivados a estudar e pesquisar, para todos melhorarem suas condições de vida; com os que têm boas condições físicas trabalhando para seu sustento; com a valorização do mérito de cada um; com governantes empenhados nas prioridades da Nação e um país aliado aos outros países democráticos do mundo.

2 – PAÍS PROGRESSISTA: com um governo socialista ou anarquista; desejando uma bala e uma vala para todos os que pensarem diferente; com luta de classes (branco contra negros, trabalhadores contra empresários, nordestinos contra sulistas, homossexuais contra heterossexuais, feministas contra donas de casa e muitas outras classes); sem cristãos; com vadias vilipendiando a crença dos outros; com família de qualquer tipo; com todos sem sexo ou com o mesmo sexo; com escola sem disciplina e professoras apanhando; com crianças de 4 a 10 anos aprendendo na escola a fazer sexo; com aborto livre; com drogas livres, com pedofilia livre; com policiais considerados criminosos; com traficantes e assassinos considerados vítimas; com governo a favor do assalto; com governo aprovando roubos; sem exército para defender o país; sem polícia armada para defender as pessoas; sem presídios e sem cumprimento de penas pelos criminosos; sem empreendedores, empresários e comerciantes livres; com estado socialista, monopolizador das empresas e da economia; com as pessoas estimuladas a não estudar; com as pessoas desobrigadas de trabalhar para seu sustento, esperando tudo do Estado; sem a obrigação de respeitar as leis; com bolsa-prisão para os criminosos maior que o salário mínimo; com partido único, socialista ou comunista, e um país aliado somente de Cuba, Venezuela, Coréia do Norte, Nicarágua e outras ditaduras do planeta.

É claro que a pessoa e a vida social do candidato devem ser examinadas, para não serem eleitas pessoas inescrupulosas, que se apropriam dos bens do povo, que buscam as prioridades próprias e dos seus partidos. O cristão deve participar da política, votando e sendo votado, porque busca o bem comum, conforme orienta o Magistério da Igreja Católica.

Na hora de votar, muito além das pessoas físicas dos candidatos, precisamos analisar bem qual dos projetos queremos para nós, para as gerações futuras e para o Brasil: um país conservador ou um país progressista?
   

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A PATOLOGIA LULA  -  15/04/2018


As romarias, os cânticos em seu nome, a louvação às suas palavras, tudo leva a crer que os adoradores de Lula já o colocaram em um pedestal de divindade, no qual nenhuma acusação de crime, nenhuma prova ou evidência pode alcançá-lo. Nem mesmo erros conhecidos, a clamorosa afronta às instituições, o descaso que demonstrou com a Lei e a ordem, a incitação à baderna – sugerindo aos seguidores “queimar pneus”, “fazer passeatas” e “ocupações no campo e na cidade” – serão capazes de denegri-lo. Não para esses fiéis, cegos na veneração. Não importa, não tem valor os desmandos, não maculem a imagem do protetor dos desassistidos – mesmo que ele tenha se locupletado com o dinheiro alheio, justamente daqueles a quem prometia a salvação. É perjúrio dizer isso, pecado capital. Bem-aventurados os que creem porque esses seguirão ao lado do todo-poderoso.

 O próprio Lula, como diz na pregação que fez de autorreferência, nos momentos derradeiros do martírio rumo ao calabouço, descortinou o caminho da fé: “eu não sou mais um ser humano, sou uma ideia”. Talvez o grau etílico no momento da fala, naquele sábado de paixão petista, tenha contribuído para o delírio. Mas há de se supor que Lula acredita na própria profecia. A ascensão do mundo dos mortais à esfera dos deuses se dá com a sagração de seus apóstolos. Cada um deles, congressistas de carteirinha, tratou logo de pedir à plenária daquela casa de tolerância a inclusão da menção “Lula” em seus respectivos nomes parlamentares. Assim Gleisi “Lula” Hoffmann, Paulo “Lula” Pimenta e quetais, da noite para o dia, devotaram sua existência política ao redentor. Eis a mensagem da fé! Aleluia ao Senhor. Seria cômico, não fosse triste.

O Partido dos Trabalhadores agoniza engolfado pelo devaneio. Deixou de lado programas, bandeiras, a própria essência ideológica que dava corpo à agremiação, para virar seita. Tal qual a de reverendos suicidas que conclamam incautos para a reclusão e o fim trágico coletivo em nome de uma crença. A cúria petista, nos dias que se seguiram a prisão de seu líder maior, arrastou uma patológica massa de romeiros para Curitiba, sede da masmorra/recanto de seu mentor, e ali fincou acampamento, revezou hordas de peregrinos nos gritos de saudação “bom dia, Lula”, “boa noite, Lula” e maquinou a ressurreição do demiurgo. Levou governadores partidários para visitas improváveis, articulou comissões no Senado para a averiguação das condições da cadeia, promoveu algazarra e violência a intimidar os locais. Em suma, rezou conforme a cartilha de insanidades do lulopetismo. No enredo do calvário que culminou com a rendição midiática o ingrediente das vaias e fogos a comemorar o feito da Justiça não poderia faltar. Lula aquiesceu na última das quedas de sua paixão, em pleno heliporto da atual morada.

Horas antes, do palanque improvisado em um carro de som, como numa missa de corpo presente, exibiu-se à imagem e semelhança de um cadáver político. Dava para notar no tom soturno de suas imprecações, inconformado com o próprio fim, que rogava por uma plateia maior que a avistada ali de cima. Lula almejava a reencarnação em “um pedacinho de célula de cada um de vocês”. Pedia a militância de muitos “lulinhas”, dos “milhões e milhões de Lulas”. Já era o ente falando. Os exegetas bíblicos deveriam rapidamente rever as encíclicas para incluir o nome do novo santo. Lula tem certeza de seu direito divino a figurar nos versículos do livro sagrado. Disse em certa ocasião que “as pessoas deveriam ler mais a bíblia para não usar tanto meu nome em vão” e cravou a memorável lembrança de que “não existe uma viva alma mais honesta do que eu”.

A mística do Salvador da Pátria em pessoa deu o tom do desvario de lá para cá. Não há na política brasileira mais espaço para um messias oportunista. De mais a mais, as previsões apocalípticas não se confirmaram. O mundo não acabou com a sua prisão, como ele e a parolagem petista vaticinaram. Lula é agora apenas um número no Cadastro Nacional de Presos (CNP). Detento ficha 700004553820. Até ressuscitar vai uma penosa provação. Aleluia.

*Carlos Marques é diretor editorial da revista IstoÉ, onde este texto foi publicado originalmente.

 

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ESCOLA DE FRANFKURT: SATANISMO, FEIÚRA E REVOLUÇÃO.  -  10/02/2018

 

A mídia e a Escola de Frankfurt

Um dos grandes paradoxos da civilização moderna é a coexistência de uma prosperidade material desconhecida junto à crescente feiúra e brutalidade social. As antigas formas de convivência social foram completamente devastadas e trocadas por diversões alucinadas onde uma música fabricada em laboratório hipnotiza e brutaliza os participantes. Nas ocasiões mais calmas, inexiste a antiga arte da conversa, da música e da poesia: só o que vemos são zumbis grudados em suas TVs e celulares. Muitos consideram que isso é uma evolução cultural natural, e até mesmo algo desejável e “progressista”. Mas em uma perspectiva histórica mais ampla, essa tirania da feiúra se mostra completamente injustificada. No final do século e no começo do século 20, a humanidade talvez tenha passado por um de seus maiores períodos criativos, com desenvolvimentos magníficos na música clássica, na literatura, na filosofia e em vários outros campos, e, pelo menos até a Segunda Guerra Mundial, esses desenvolvimentos tinham ampla reverberação na cultura popular. Como se deu uma queda tão rápida? Como chegamos ao mundo em que tudo é cultura, em que os estudantes universitários desejam proibir os grandes clássicos da literatura por não se encaixarem nos ditames do politicamente correto? O centro de onde irradiou essa verdadeira conspiração foi o Instituto de Pesquisa Social, popularmente conhecido como a Escola de Frankfurt.

Após a Revolução Comunista na Rússia em 1917, a crença geral do comunismo internacional era de que a revolução se espalharia como fogo por todo o mundo. Como isso não aconteceu, a Internacional Comunista deu início a uma série de iniciativas que buscavam compreender os motivos. Uma delas era liderada por Georg Lukács, um aristocrata húngaro, filho de um dos maiores banqueiros do Império Austro-Húngaro. Como comissário de cultura do breve regime comunista de Budapeste em 1919, ele descobrira um interessante fenômeno em relação à doutrinação ideológica. Um de seus projetos consistia na doutrinação marxista das crianças e adolescentes dos bairros mais pobres de Budapeste. Apesar da pesada carga de aulas e estudos, ele percebia que os jovens, ao saírem das salas de aula logo retomavam seus terços e sua devoção aos sacerdotes. Inspirado no pansexualismo de Sigmund Freud, ele optou por uma abordagem diferente: começaria com cursos de educação sexual. À medida que os cursos se espalharam, e incitaram alguns jovens a relações extraconjugais ou ao mero desafio das normas morais tradicionais, Lukács percebeu que os que entravam em conflito com suas igrejas e famílias logo estavam dispostos a aceitar qualquer tipo de doutrina que lhes fosse ensinada. Um dos motivos que levou à rápida queda do regime foi implantação por Lukács da educação sexual obrigatória, do acesso à contracepção, e do relaxamento da lei do divórcio, o que enfureceu a população devotamente católica da Húngria.

Lukács foi enviado para a Alemanha em 1922, onde liderou um encontro de sociólogos e intelectuais comunistas que viria a se tornar o Instituto de Pesquisa Social, a maior arma de guerra psicológica já desenvolvida pelo comunismo internacional. Para Lukács, o comunismo só invadiria o Ocidente com um movimento de características demoníacas, que fizesse prevalecer o sentimento de que fomos abandonados por Deus. A revolução só ocorreu na Rússia porque o país era há muito dominado por uma versão gnóstica do Cristianismo, como aparece nos escritos de Dostoievski. O que diferenciava o Ocidente da Rússia era principalmente a crença na sacralidade do indivíduo e sua capacidade de discernir a vontade divina através do uso progressivo da razão e da inteligência. A tarefa da Escola de Frankfurt consistiria então em destruir o legado judaico-cristão, por meio de uma abolição da cultura e a criação de novas formas culturais que levariam a uma alienação crescente da população e um novo barbarismo. Num período de três décadas, o Instituto de Pesquisa Social conseguiria o patrocínio das seguintes instituições para sua “causa”: universidades americanas e alemãs, a Fundação Rockfeller, a CBS(canal de TV americano), o Comitê Judeu-Americano, vários serviços de inteligência americanos, a Organização Internacional do Trabalho, etc..

Logo Stálin, enfurecido com o caráter cosmopolita do Instituto, cortou todo o financiamento soviético, uma atitude que expressa a relação de amor e ódio entre o nascente marxismo cultural e a ortodoxia do comunismo-leninismo. Uma outra grande figura do Instituto era Herbert Marcuse. Ele começou como um comunista, tornou-se um protegido de Heidegger no exato momento em que este se tornava um nazista; na América serviu à OSS, o embrião da CIA, e se tornou o analista chefe de política soviética durante o período de Joseph McCarthy; na década de 60 houve uma nova virada, e ele se tornou o guru mais importante da Nova Esquerda, e terminou seus dias fundando o Partido Verde na Alemanha Ocidental. Em tudo isso só há uma tentativa de responder à pergunta: quem poderá nos salvar da civilização ocidental?

O empreendimento de maior sucesso da escola de Frankfurt foi a influência maciça sobre o desenvolvimento da programação de rádio e TV da modernidade. Isso se deu a partir dos trabalhos de Theodor Adorno e Walter Benjamin. Em 1924, Adorno se mudou para Viena, para estudar com os compositores atonais Alban Berg e Arnold Schonberg, e se associou ao círculo ocultista ao redor do marxista renegado Karl Kraus. Ali ele entrou em contato com as idéias de Otto Gross, um discípulo extremista de Freud. Gross, um viciado em cocaína, tinha desenvolvido a teoria de que a saúde mental só seria atingida no Ocidente através de uma renascença do antigo culto de Astarte, que destruiria o monoteísmo e a família burguesa.

Um dos primeiros problemas em que se engajaram Adorno e Benjamin foi o da criação de uma base materialista sólida para a estética. O inimigo de ambos era Gottfried Leibniz, que era acima de tudo um antidualista, um inimigo da divisão gnóstica de corpo e mente, e que também afirmara a liberdade criativa humana. Para o marxismo, que tudo enxerga como fruto de uma teia de relações sociais, essa perspectiva é claramente um problema. Benjamin afirma então que a preponderância da mente racional é um erro, um triste legado de Sócrates. De fato, na origem de tudo está a capacidade de dar nomes às coisas, tomada aqui como uma espécie de imposição linguístico-social que nunca pode ter certeza de sua base objetiva. A tentativa de expressar a realidade é completamente distorcida pela natureza das relações de classe. Ao historicizar e relativizar dessa forma a busca da verdade, o conceito antiquado de bem e mal também pode ser esquecido. Foi por isso que Benjamin defendeu o que chamou de “Satanismo” dos simbolistas e surrealistas franceses, pois considerava que o cerne do Satanismo é o culto do mal como instrumento político, como instrumento de combate contra o diletantismo moralizante da burguesia. O objetivo de uma elite cultural na sociedade capitalista moderna deve ser a destruição da concepção da arte como imitação consciente do Deus criador; é preciso mostrar que a iluminação religiosa é, na verdade, uma iluminação profana, uma inspiração materialista e antropológica que pode ser iniciada pela maconha, pelo ópio e outras drogas. É preciso também criar novas formas culturais que aumentem a alienação da população, pois o povo precisa entender o quão alienante é viver sem o socialismo. Na música, por exemplo, ninguém deve acreditar que é possível compor hoje como Mozart e Beethoven; a composição deve ser atonal, diz Adorno, pois a atonalidade é doentia, e “o caráter doentio, dialeticamente, é ao mesmo tempo a cura…”. O objetivo da arte moderna deve ser a destruição do caráter elevador da arte, para que o homem, privado de sua ligação com o divino, só enxergue a revolta política como opção criativa. Trata-se de fomentar e organizar o pessimismo com instrumento político. Benjamin colaborou com Bertold Bretcht nesse sentido, e as peças teatrais que daí surgiram buscam desmoralizar e deixar a platéia gratuitamente irritadiça.

A análise feita por Adorno e Benjamin também é a base teórica de quase todas as tendências estéticas politicamente corretas que dominam as universidades. O pós-estruturalismo de Roland Barthes, Michael Foucault, e Jacques Derrida, a semiótica de Umberto Eco e o Desconstrucionismo de Paul de Man têm todos como fonte o trabalho de Benjamin. A novela Em Nome da Rosa, de Umberto Eco, é , por exemplo, nada mais que uma ode a Benjamin. Atualmente todos já têm a experiência de universitários alucinados que dizem que Monteiro de Lobato, Shakesperare e Platão são racistas, machistas e homofóbicos, e que isso é a única coisa que importa em suas obras. Mas a origem profunda dessa loucura é a tese de Benjamin-Adorno de que o que importa na obra artística é o contexto inconsciente das relações e tensões sociais. O abandono dos clássicos em prol de autores negros e feministas é bom porque a tradição é somente um conglomerado de falsos nomes, um logocentrismo que reflete a dependência que a burguesia tem de suas palavras. Se essas palavras de ordem universitárias parecem retardadas, é porque foram calculadas para serem. Adorno acreditava que as gerações vindouras seriam receptivas a esse tipo de propaganda porque seriam completamente retardadas pela reprodução mecânica da arte.

Antes do século 20, a distinção entre arte e entretenimento era muito maior. A experiência artística poderia ser divertida, mas era fundamentalmente ativa e não passiva. Era preciso fazer a escolha consciente de ir a um concerto, comprar um livro ou ir a uma exibição de arte. Não havia um acesso facilitado e até forçado às grandes formas culturais. A grande arte exigia um poder de concentração máximo e amplo conhecimento do assunto tratado. Naqueles tempos, a memorização da poesia e de peças de teatro e a reunião da família para um recital caseiro de piano eram a norma até no campo. As pessoas não aprendiam a “apreciar” a música, mas sim a executá-la. No entanto, as novas tecnologias contêm um potencial dialético de manipulação das massas na perspectiva marxista. O fato de que uma sinfonia de Beethoven pode ser infinitamente reproduzível leva a uma dessacralização da experiência e uma alienação crescente. Segundo Adorno, trata-se de um processo de desmitologização. Esta nova passividade diante do que antes exigia um esforço monstruoso poderia levar ao fracionamento da composição musical em partes “divertidas”, que poderiam ser então “fetichizadas” na memória do ouvinte, enquanto as partes difíceis seriam esquecidas. O ouvinte atomístico e dissociado é infantilizado, só que seu primitivismo não é o dos primitivos, mas sim dos forçosamente retardados.

Esse retardo conceitual indicava que que a programação das rádios poderia determinar as preferências. Se você tocar Mozart e Caetano Veloso na mesma rádio, tudo acabará mesclado como “música de rádio” na cabeça do ouvinte. Idéias agressivas e novas também poderiam ser introduzidas através da homogeneização da indústria cultural, que seria assim explorada pelas forças “progressistas”. Foram estas percepções que provavelmente justificaram o apoio maçiço que o Instituto recebeu do establishment americano depois de sua transferência para os Eua em 1934. Em 1937, a Fundação Rockfeller começou a financiar uma pesquisa sobre os efeitos sociais das novas formas de mídia de massas, particularmente o rádio, que ficou popularmente conhecida como o “Projeto do Rádio”. O diretor do projeto era Paul Lazersfeld, o filho adotivo do economista austro-marxista Rudolph Hilferding, e antigo colaborador do Instituto de Pesquisas Sociais. Dentre os colaboradores estavam Frank Staton, um P.H.D em psicologia industrial que viria a se tornar presidente da CBS no cume de sua influência e auxiliar influente de Lyndon Johnson; Herta Herzog, que se casaria com Lazersfelz e se tornaria a primeira diretora de pesquisa da Voz da América; e Hazel Gaudet, um dos principais diretores de pesquisas políticas dos Eua. Theodor Adorno era o chefe da seção musical. O objetivo era testar a tese de Adorno-Benjamin e mensurar o potencial da grande mídia para a lavagem cerebral.

O sucesso foi estrondoso. Uma das primeiras descobertas foi a do formato seriado de programação de novelas. Antes se acreditava que o sucesso desse formato se restringia a mulheres das classes baixas, que precisavam de um escapismo para suas vidas entediantes. Herta Herzog descobriu que não havia a menor correlação com o status socioeconômico e nem mesmo com o conteúdo. O fator determinante era a forma seriada; as pessoas se viciavam no formato, no desejo de saber o que irá acontecer na próxima semana. Descobriu-se que era possível até dobrar a audiência de uma peça de rádio dividindo-a em fragmentos. Não é nem preciso dizer como a indústria do entretenimento se apropriou desse insight. O próximo estudo do projeto foi uma investigação do terror causado pela transmissão que Orson Welles fez de A Guerra dos Mundos em 1938. A despeito de vários alertas sobre o caráter fictício da peça, aproximadamente 25% dos ouvintes acreditaram que era um relato real. Os pesquisadores descobriram que a maioria dos que entraram em pânico não acreditaram que marcianos estavam invadindo e sim os alemães. Os ouvintes já estavam condicionados pelas outras notícias e pela quebra do noticiário em pequenos boletins alarmistas. Welles usou essa técnica em seu programa, simulando que se tratava de uma série de boletins urgentes no meio de uma programação musical. A técnica de seriação das novelas, transplantada para o noticiário, funcionava perfeitamente.

Adorno e o Projeto do Rádio chegaram à conclusão de que a repetição do formato era a chave para a popularidade. O sucesso era determinado pela escolha e o formato da programação. Se um contexto familiar fosse mantido, qualquer conteúdo poderia se tornar aceitável. E nós, que padecemos com o funk e o sertanejo universitário, podemos atestar esse diagnóstico. A maior descoberta do projeto foi “Little Annnie” o apelido dado ao sistema de análise programas de Stanton-Lazersfelz. Os métodos anteriores de pesquisa de audiência eram bastante ineficazes e se limitavam a perguntar ao fim de um programa se a audiência estava satisfeita ou não e pedir uma opinião sobre o conteúdo. Isso não levava em conta a percepção atomizada do sujeito moderno, e exigia a análise racional de uma experiência irracional. O Projeto desenvolveu então um aparelho em que a pessoa podia registrar a intensidade do seu gosto e desgosto a cada momento de um programa. Ao comparar os gráficos, os pesquisadores puderam avaliar quais situações ou personagens provocavam um estado momentâneo de prazer. Essa descoberta transformou toda a indústria do entretenimento; os resultados das análises de programação e a audiência têm uma correlação que se aproxima de 85%. É por isso que hoje temos uma sensação de dejá vu em qualquer programa de TV. São os mesmos personagens e situações que se repetem indefinidamente, e somente o cenário se altera, pouco importando se é a Idade Média ou o espaço sideral. E a grande verdade é que o conteúdo estúpido e erótico da indústria do entretenimento não é uma necessidade natural, mas algo que foi planejado.

Esses esforços de manipulação da população geraram a pseudociência da pesquisa de opinião pública. Atualmente, tudo na mídia é direcionado por pesquisas de opinião, mesmo quando os jornalistas e senhores da mídia juram desejar estimular a liberdade de opinião e pensamento. A idéia da opinião pública como corte julgadora de tudo e todos é ademais absurda e irracional, pois nega a idéia da mente racional individual. A verdade é fruto do pensamento correto, e não do fato que 50,1% das pessoas concordam ou não com determinada asserção.

As técnicas de manipulação das pesquisas de opinião são inteiramente baseadas na psicanálise e se tornaram padrão em todo o mundo. Tudo gira ao redor do projeto de estudo da personalidade autoritária desenvolvido por Max Horkheimer, diretor do Instituto de Pesquisa Social pelos idos de 1942. Segundo Horkheimer, o objetivo era entender o preconceito com o objetivo de erradicá-lo. Nova traços de personalidade foram mensurados, incluindo o grau de convencionalismo, de agressão autoritária a pessoas que violam valores convencionais, de projetividade sobre os perigos do mundo e de preocupação com a sexualidade. A partir dessas mensurações foram construídas várias escalas: a escala E de etnocentrismo, a escala PEC de conservadorismo político e econômico, a escala A-S de antissemitismo e a escala F de fascismo. Surge um novo tipo ideal weberiano: a personalidade autoritária. Um observador mais benigno diria que a pesquisa provou que a população americana era conservadora, mas os mestres da Escola de Frankfurt viram nos resultados a prova de um fascismo irredutível e perigoso, oriundo da própria civilização cristã. A pesquisa foi popularizada por Hanna Arendt no seu famoso livro As Origens do Totalitarismo: todo mundo é um fascista em potencial.

Esse método de interpretação de pesquisas de opinião e personalidade é dominante até hoje nas ciências sociais e também em todos os grandes institutos de pesquisa, que surgiram motivados exatamente por essas novas descobertas e projetos. É ele também que perpassa todo o marketing das campanhas políticas, e por isso o maior medo de um político moderno é o “extremismo”, ou o fascismo na linguagem frankfurtiana. E não para por aí: todo o desenvolvimento da propaganda e da televisão nas décadas de 50 e 60 foi iniciado por pessoas treinadas nas técnicas frankfurtianas de alienação em massa, incluindo os diretores das grandes redes de televisão. Essa popularidade da Escola de Frankfurt advém do fato incrível de que as teorias da escola foram oficialmente aceitas pelo governo americano durante a Segunda Guerra Mundial, ao mesmo tempo em que este dizia combater a ameaça comunista. A OSS, o embrião da CIA, era basicamente composto de frankfurtianos, dentre eles: Carl Schorske, Franz Neumann, Herbert Marcuse, Paul Baran, Otto Kirchheimer, Leo Lowenthal, Sophie Marcuse, Siegfried Kracauer, Norman Brown, Barrington Moore Jr, Gregory Bateson e Arthur Schlesinger. Um dos primeiros projetos da OSS, liderado por Marcurse, foi o uso de técnicas de lavagem cerebral para desnazificação da Alemanha do pós-guerra. Horkheimer, que recebeu dupla nacionalidade, sendo naquele momento o único indivíduo que era ao mesmo tempo alemão e americano, foi enviado à Alemanha para reformar todo o sistema universitário, tendo como fruto toda uma geração de pensadores antiocidentais como Hans-Georg Gadamer e Jurgen Habermas. Nos Eua, a influência intelectual da Escola de Frankfurt se fez sentir no fato de que a sociologia se tornou o curso universitário mais procurado durante a década de 60 e nas revoltas estudantis que marcaram a época.

Um outro braço das operações frankfurtianas chegou até às experiências da CIA com drogas psicodélicas. O LSD se tornou a droga de uso da própria agência e dos antigos membros do Instituto de Pesquisa Social. Foi Gregory Bateson, por exemplo, que levou o poeta Allen Ginsberg a participar de um experimento da Marinha com o LSD em Palo Alto, California. Esses alucinógenos tornam a vítima completamente antissocial e autocentrada, preocupada somente com objetos, que ganham uma aura monstruosa e ilusiva. As drogas produzem instantaneamente o estado de espírito desejado e propagado pela Escola de Frankfurt. Os famosos protestos de 1968 foram simplesmente frutos de décadas de atividade frankfurtiana e muitas drogas, não espantando que ao fim Herbert Marcuse tivesse emergido como o grande líder da revolta dos loucos. O visual de cabelos longos, a comida macrobiótica, a libertação sexual: tudo já tinha sido testado em comunidades ocultistas relacionadas com a Escola de Frankfurt, como a comuna de Ascona antes de 1920. O documento fundador da contracultura da década de 60 foi o Eros e Civilização de Marcuse, publicado em 1955 e financiado pela Fundação Rockfeller. Para Marcuse, o homem ocidental é unidimensional, e a única salvação é a libertação absoluta do erotismo em uma rebelião contra a racionalidade tecnológica. Foi ele que criou, na nova edição de 1966, o famoso slogan “faça amor, não faça guerra”. O objetivo era propagar a perversidade polimórfica e o pansexualismo como ideal civilizacional. Wilhem Reich, um membro mais marginal e louco da Escola de Frankfurt, chegou a dizer que o Nazismo fora causado pela monogamia. A educação primária foi dominada por um seguidor de Reich, A.S Neill, um ateísta militante e membro da Sociedade Teosófica, cujas teorias pregavam a rebelião aberta dos alunos contra os professores. Seu livro Summerhill atingiu a marca de 2 milhões de unidades vendidas em 1970 e se tornou leitura obrigatória de mais de 600 cursos universitários, influência que permanece até hoje. A libertação sexual da Escola de Frankfurt sempre foi um instrumento de controle político que visava transformar as pessoas em categorias objetivas através da despersonalização sexual. A partir daí, não somos mais indivíduos, mas negros, mulheres ou homossexuais. Tudo o que hoje chamamos de ideologia de gênero tem sua raiz em Marcuse, Fromm, Reich e outros agregados da Escola de Frankfurt.

Essa popularização da vida como um ritual pessimista e erótico é base do horror da vida moderna. Os herdeiros de Frankfurt dominam completamente as universidades e treinam os alunos em seus rituais de purgação politicamente corretos. A intolerância universitária é uma implementação da tolerância libertadora de Marcuse: toda a tolerância com a esquerda, nenhuma com a direita. Toda a arte foi erotizada e brutalizada até o ponto em que é impossível assistir um concerto de Mozart sem indicações de um contexto erótico. Crianças de 5 anos assistem em casa a filmes de terror com imagens que petrificariam os mais entusiasmados frequentadores do Coliseu romano. Fica claro que sem a destruição dessa verdadeira abominação da desolação, não será possível qualquer ressurgência da civilização ocidental em sua tradição judaico-cristã.

• Aluno do Seminário Filosofia - Olavo de Carvalho desde 2009, Doutor em Economia pela FGV/EPGE e professor universitário.
• Publicado originalmente no blog do autor
https://muriloresende.org  (inclua nas suas preferências!)
Fontes
Minnicino, Michael. The Franfkurt School and Political Correctness. Disponível em: https://www.schillerinstitute.org/fid_91-96/921_frankfurt.html
 

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A FÓRMULA PARA ENLOUQUECER O MUNDO  -  21/01/2018

Hipnotizada pela lógica do desejo, que não enxerga cura para os males senão na busca de mais satisfações e mais liberdade, como poderia ela descobrir que seu problema não é falta de bens ou prazeres, mas falta de deveres e sacrifícios que restaurem o sentido da vida e a integridade da alma? (Olavo de Carvalho)


Adam Smith observa que em toda sociedade coexistem dois sistemas morais: um, rigidamente conservador, para os pobres; outro, flexível e permissivo, para os ricos e elegantes. A história confirma abundantemente essa generalização, mas ainda podemos extrair dela muita substância que não existia no tempo de Adam Smith. O que aconteceu foi que o advento da moderna democracia modificou bastante a convivência entre os dois códigos. Primeiro elevou até à classe dominante o moralismo dos pobres: na América do século XIX vemos surgir pela primeira vez na História uma casta de governantes que admitem ser julgados pelas mesmas regras vigentes entre o resto da população. No século seguinte, as proporções se invertem: a permissividade não só se instala de novo entre a classe chique, mas daí desce e contamina o povão. É verdade que não o faz por completo: metade da nação americana ainda se compreende e se julga segundo os preceitos da Bíblia. Mas os efeitos da "revolução sexual" foram profundos, espalhando por toda parte o permissivismo e o deboche para muito além da esfera sexual. O episódio Clinton, perdoado pelo Parlamento após ter usado o Salão Oval da Casa Branca como quarto de motel, mostra que, para uma grande parcela da opinião pública, até as aparências de moralidade se tornaram dispensáveis. Um breve exame das estatísticas de gravidez infanto-juvenil e do uso de drogas mostra que idêntica transformação ocorreu nos países da Europa ocidental, onde a dissolução dos costumes já vinha desde o fim da I Guerra Mundial (v. Modris Eksteins, Rites of Spring ).

As conseqüências dessa transformação se ampliam para muito além do domínio "moral". Conforme vem demonstrando E. Michael Jones numa série memorável de estudos (Degenerate Moderns: Modernity as Rationalized Sexual Misbehavior , San Francisco, Ignatius Press, 1993, e volumes subseqüentes) , é aí mesmo que se deve procurar a causa do sucesso das ideologias totalitárias no século XX. Articulando o seu diagnóstico com o de Gertrude Himmelfarb em One Nation, Two Cultures: A Searching Examination of American Society in the Aftermath of Our Cultural Revolution (New York, Vintage Books, 1999), podemos chegar a algumas conclusões bem elucidativas.

O poeta Stephen Spender, após romper com o Partido Comunista, já havia admitido que o que conduzia os intelectuais ocidentais à paixão por ideologias contrárias à própria liberdade de que desfrutavam era o sentimento de culpa e o desejo de livrar-se dele a baixo preço. A origem dessa culpa reside no fato de que amplas faixas da classe média passaram a desfrutar de lazeres e prazeres praticamente ilimitados, sem ter de arcar com as responsabilidades políticas, militares e religiosas com que a antiga aristocracia pagava o preço moral dos seus desmandos sexuais e etílicos. Num tempo em que a França era o país mais cristão da Europa, Luís XIV tinha nada menos de 28 amantes, mas sua rotina de trabalho era mais pesada que a de qualquer executivo de multinacional, sem contar o fato, tão brilhantemente enfatizado por René Girard (Le Bouc Émissaire , Paris, Grasset, 1982), de que a função real trazia consigo a obrigação de servir de bode expiatório para os males nacionais: quando a cabeça de Luís XVI rolou em pagamento das dívidas de seu pai e de seu avô, isso não foi uma inovação revolucionária, mas o simples cumprimento de um acordo tácito vigente no cerne mesmo do sistema monárquico. Já na Idade Média, os encargos da defesa territorial incumbiam inteiramente à classe aristocrática: ninguém podia obrigar um camponês ou comerciante a ir para a guerra, mas o nobre que fugisse aos seus deveres bélicos seria instantaneamente executado pelos seus pares. Noblesse oblige : a classe aristocrática era liberada de parte dos rigores morais cristãos na mesma medida em que pagava pela sua liberdade com a permanente oferta da própria vida em sacrifício pelo bem de todos. A democratização da permissividade espalha os direitos da aristocracia por uma multidão de recém-chegados que de repente se vêem liberados da pressão religiosa sem ter de assumir por isso nenhum encargo extra, por mínimo que seja, capaz de restaurar o equilíbrio entre direitos e deveres. Ao contrário, junto com a liberdade vem o acesso a bens inumeráveis e a um padrão de vida que chega mesmo a ser superior ao da velha aristocracia – tudo isso a leite de pato. Ortega y Gasset notou, no seu clássico de 1928, La Rebelión de las Masas , que o típico representante da moderna classe média, o "homem massa", era realmente um filhinho-de-papai, um señorito satisfecho que se julgava herdeiro legítimo de todos os benefícios da civilização moderna para os quais não havia contribuído em absolutamente nada, pelos quais não tinha de pagar coisa nenhuma e dos quais, geralmente, ignorava tudo quanto aos sacrifícios que os produziram.

Por toda parte, nas civilizações anteriores, um certo equilíbrio entre custo e benefício, entre direitos e deveres, entre prazeres e sacrifícios, era reconhecido como o princípio central da sanidade humana. A liberação de massas imensas de população para o desfrute de prazeres e requintes gratuitos é uma das situações psicológicas mais ameaçadoras já vividas pela humanidade desde o tempo das cavernas. Para cada indivíduo engolfado nesse processo, o efeito mais direto e incontornável da experiência é um sentimento de culpa tanto mais profundo e avassalador quanto menos conscientizado. Mas como poderia ele ser conscientizado, se na mesma medida em que se abrem as portas do prazer se fecham as da consciência religiosa? O señorito satisfecho é corroído por um profundo ódio a si mesmo, mas está proibido, pela cultura vigente, de perceber a verdadeira natureza de suas culpas, e mais ainda de aliviá-las mediante a confissão religiosa e o cumprimento de deveres penitenciais. A culpa mal conscientizada, conforme a psicanálise demonstrou vezes sem conta, acaba sempre se exteriorizando como fantasia persecutória e acusatória projetada sobre os outros, sobre "o mundo" sobre "o sistema". O homem medianamente instruído do nosso tempo joga suas culpas sobre "o sistema", fingindo para si mesmo que está revoltado pelo que ele nega aos pobres, quando na realidade o odeia por aquilo que esse sistema lhe dá sem exigir nada em troca. Não que o sistema seja isento de culpas; mas a mesma prosperidade geral que espalha os benefícios da civilização entre massas crescentes que jamais poderiam sonhar com isso nos séculos anteriores mostra que essas culpas não são de ordem econômica, mas cultural: o capitalismo não cria miséria e sim riqueza; mas junto com ela espalha o laicismo e o permissivismo, rompendo o equilíbrio entre o prazer e o sacrifício, necessidade básica da psique humana. Daí o aparente paradoxo de que o ódio ao sistema se dissemine principalmente – ou exclusivamente – entre as classes que dele mais se beneficiam materialmente (lembre-se do que eu disse sobre o movimento gay no artigo da semana passada). A tentação socialista aparece aí como o canal mais fácil por onde as culpas do filhinho-de-papai são jogadas precisamente sobre as fontes do seu bem-estar e da sua liberdade.

Vejam essa meninada da USP, gente de classe média e alta, depredando uma universidade gratuita, e compreenderão do que estou falando: o que esses garotos precisam não é de mais benefícios; é de uma cobrança moral que restaure a sua sanidade. Mas, como os representantes do Estado são eles próprios señoritos satisfechos que também não compreendem a origem das suas próprias culpas, sua tendência é fazer dos jovens enragés um símbolo da sua própria consciência moral faltante; daí que lhes cedam tudo, num arremedo de penitência, corrompendo-os e corrompendo-se cada vez mais e precipitando uma acumulação de culpas que só pode culminar na suprema culpa da sangueira revolucionária. "Vivemos num mundo demente, e sabemos perfeitamente disso", dizia Jan Huizinga na década de 30, pouco antes que o desequilíbrio da alma européia desaguasse no morticínio geral. Transcorridas quase oito décadas, a humanidade ocidental nada aprendeu com a experiência e está pronta a repeti-la. Hipnotizada pela lógica do desejo, que não enxerga cura para os males senão na busca de mais satisfações e mais liberdade, como poderia ela descobrir que seu problema não é falta de bens ou prazeres, mas falta de deveres e sacrifícios que restaurem o sentido da vida e a integridade da alma?

Não é preciso dizer que a adesão ao Ersatz revolucionário e socialista, sendo na base uma farsa neurótica, não alivia as culpas de maneira alguma, mas as recalca ainda mais fundo no inconsciente, onde se tornam tanto mais explosivas e letais quanto mais encobertas por um discurso de autobeatificação ideológica (Marilena Chauí sonhava em "viver sem culpas"; o sr. Luís Inácio Lula da Silva admite modestamente ter realizado esse ideal). O ódio ao sistema – com sua expressão mais típica hoje em dia, o anti-americanismo — cresce na medida mesma em que a ilusão autolisonjeira da pureza de intenções induz cada um a sujar-se cada vez mais na cumplicidade com a corrupção e os crimes do partido revolucionário. Os capitalistas, os representantes do "sistema", por sua vez, aceitam passivamente ser objeto de ódio e até se regozijam nele, na vã esperança de assim purgar suas próprias culpas; mas, como estas não residem onde as aponta o discurso revolucionário, cada nova concessão ao clamor esquerdista os torna ainda mais culpados e vulneráveis.

Antecipando as análises de Jones e de Himmelfarb, Igor Caruso ( Psychanalyse pour la Personne , Paris, Le Seuil, 1962) localizava a origem das neuroses não na repressão do desejo sexual, mas na rejeição dos apelos da consciência moral. O abandono da consciência de culpa não pode trazer outro resultado senão a proliferação de culpas inconscientes. E as culpas inconscientes necessitam de novos e novos bodes expiatórios, cujo sacrifício só as torna ainda mais angustiantes e intoleráveis.

Diário do Comércio, 11 de junho de 2007
 

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O QUE O PT FEZ PELO BRASIL  -  25/12/2017


Nota do editor: este texto de Rodrigo da Silva, publicado no excelente Spotniks.com é de 09/2016, mas merece ser divulgado e repassado.


Dilma Rousseff foi afastada do seu mandato como presidente reprisando aquilo que o seu partido vem insistindo em dizer nos últimos anos: que transformou um país miserável num lugar de dignidade, especialmente para os mais pobres. Só tem um problema nesse discurso: ele não é real. Longe do marketing político, o Brasil permanece onde sempre esteve – ainda miseravelmente pobre, sujo e ignorante.

Talvez você não saiba disso, mas há mais de 25 milhões de brasileiros (uma Austrália) vivendo com uma renda domiciliar per capita inferior à linha de pobreza, e mais de 8 milhões (uma Suíça) vivendo abaixo da linha de extrema pobreza (ou seja, na indigência). Mais da metade das casas brasileiras vivem com até um salário mínimo. E pobreza está longe de ser o nosso único problema.

Nós ainda somos um país terrivelmente ignorante. Segundo o IBGE, 39,5% das pessoas aptas a trabalhar no Brasil não possuem sequer o ensino fundamental e mais de 13 milhões de brasileiros são incapazes de ler um texto como esse pela única razão de serem analfabetos – e se você não faz ideia do que esse número significa, imagine que se somarmos a população do Uruguai, da Nova Zelândia e da Irlanda não alcançaremos a quantidade de analfabetos que existem por aqui. É muita gente.

E ainda há os analfabetos funcionais. Segundo um estudo publicado em fevereiro pelo Instituto Paulo Montenegro em parceria com a ONG Ação Educativa, 27% da nossa população pertence a essa categoria. Achou o número alto? De acordo com a pesquisa, apenas 8% dos brasileiros têm condições de compreender e se expressar plenamente (isto é, são capazes de entender e elaborar textos de diferentes tipos, seguindo normas gramaticais).

E não vá pensando que a língua portuguesa é o único dos nossos problemas. Segundo um estudo da ONG Todos Pela Educação, apenas 4,9% dos estudantes da rede pública saem do ensino médio com conhecimentos básicos em matemática. Em resumo: nós ainda não sabemos nos expressar direito, nem fazermos contas básicas de aritmética.

Na média, os nossos estudantes passam menos tempo numa escola que os estudantes do Irã e da Cisjordânia e os nossos professores recebem os piores salários do mundo – na penúltima posição no ranking da OCDE (no mesmo índice nós ainda "celebramos" a mais baixa média de pessoas com ensino superior e o terceiro pior índice entre os que completam o ensino médio).

E educação é apenas uma amostra da nossa miséria. Se ela funciona muito longe do que é aceitável, com a saúde o cenário é ainda pior. Num índice elaborado pela Bloomberg que compara a expectativa de vida da população com o gasto em saúde, o Brasil está na última posição no ranking dos sistemas de saúde mais eficientes do mundo. Em geral, a nossa população sobrevive em hospitais públicos caindo aos pedaços, lidando com um número de médicos per capita muito abaixo do ideal, com falta de remédios e recursos.

Também possuímos gargalos de terceiro mundo no saneamento básico. Segundo dados do Ministério das Cidades, mais de 35 milhões de brasileiros não possuem acesso sequer ao abastecimento de água tratada. É como se houvesse um Canadá inteiro sem uma mísera torneira jorrando água dentro de casa. De acordo com o relatório, quase 100 milhões de brasileiros não possuem acesso nem à coleta de esgoto – e do esgoto coletado, apenas 40% é tratado. 17 milhões de pessoas (uma Holanda) não têm acesso à coleta de lixo (e nunca é demais lembrar que cada brasileiro produz, em média, 1 quilo de lixo por dia) e outras 4 milhões de pessoas (uma Croácia) não possuem sequer um banheiro em casa. Já imaginou? Eis o caos do cocô.

Também temos um déficit habitacional de 6,2 milhões de moradias (e aqui não estamos falando apenas da falta de residências, mas também de habitações em más condições), que afeta dezenas de milhões de pessoas, expostas às piores condições possíveis.

E se a infraestrutura micro é inoperante, a macro é praticamente inexistente. No índice que mede a qualidade da infraestrutura de um país, organizado pelo Fórum Econômico Mundial, nós ocupamos o vergonhoso 120º lugar em 144 posições possíveis, atrás de países como Etiópia, Suazilândia, Uganda, Camboja e Tanzânia. Só pra se ter uma ideia, dos 29.165 quilômetros de malha ferroviária que o Brasil possui, apenas um terço é produtivo. Passados quase dois séculos, o número é equivalente ao período do Império no Brasil.

Num ranking elaborado pelo IPEA a partir da análise da qualidade do setor portuário, estamos na 123ª posição entre 134 países (todos os portos brasileiros somados movimentam menos conteineres que o porto de Hamburgo, na Alemanha). Em outro ranking, o dos países mais competitivos do mundo, estamos na 75ª posição, atrás de países como Irã, Marrocos, Ruanda e Cisjordânia – segundo o Fórum Econômico Mundial porque nossos sistemas regulatório e tributário são inadequados, nossa infraestrutura é deficiente e nossa educação é de baixa qualidade.

O resultado inevitável disso tudo? Pobreza e baixa qualidade de vida. Hoje quatro trabalhadores brasileiros são necessários para atingir a mesma produtividade de um trabalhador norte-americano (em 1980, um brasileiro tinha produtividade equivalente a 40% da de um americano; hoje, ela está em 24%). Há dez anos, em média, ganhávamos 50% a mais que os chineses – hoje ganhamos 20% a menos.

E isso para não falar de segurança pública. Em 2014, nós registramos o maior número de assassinatos da nossa história: foram 59.627 homicídios. Visto de outra perspectiva, o crime mata mais no Brasil do que a guerra entre Israel e Palestina, e outros confrontos bélicos ao redor do mundo. Segundo o Atlas da Violência 2016, do IPEA, nós detemos o título mundial de assassinatos no planeta. Não é pouca coisa. A taxa de homicídios por aqui é quase três vezes maior daquela que a ONU classifica como 'epidêmica'. Ou seja, nós estamos muito abaixo daquilo que já é considerado inaceitável.

Muito longe da prosperidade, Dilma encerrou 13 anos de Partido dos Trabalhadores no controle de um país que permanece duramente miserável, ignorante, sujo e violento. Apesar da propaganda oficial, num olhar distante das nossas paixões políticas sobre a realidade, o fato é que ainda estamos muito longe de mudarmos a nossa condição subdesenvolvida, apesar das tentativas de estancarem o sangue jorrado em nossas feridas com band-aids, enaltecidas pelo antigo governo.

A solução para resolver todos esses problemas? Certamente não virá da noite para o dia, como num passe de mágicas. Passará por reformas institucionais que abram o país para o comércio internacional, diminuam o inchaço da máquina pública, aumentem os investimentos em infraestrutura e ampliem os direitos de propriedade (e se você quer entender mais a respeito, dediquei quase 7 mil palavras para escrever sobre esse assunto neste texto).

Longe do populismo e perto dos bons incentivos econômicos.

Chegou a hora de finalmente entrarmos no século 21 e abandonarmos o marketing político como sinônimo de verdade.

 

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PREFÁCIO AO LIVRO DE MAURO ABRANCHES E VLADIMÍR PETRILÁK SOBRE A ATUAÇÃO DA KGB NO BRASIL  -  10/11/2017


* Publicado originalmente em
www.midiasemmascara.org

Condensando um zunzum que já circulava em jornais comunistas e em teses do Comitê Central do PCB, o livro do jornalista Edmar Morel, O Golpe começou em Washington, publicado pela Editora Civilização Brasileira em 1965, lançou, já no seu título, o mantra que desde então foi repetido incansavelmente em artigos, reportagens, livros, teses universitárias, filmes, especiais de TV e vídeos do YouTube: o movimento que removeu do cargo o então presidente João Goulart foi, no essencial, uma trama do governo americano, uma brutal intervenção estrangeira dos assuntos nacionais, uma manobra da CIA urdida para derrubar um governo nacionalista cujas reformas ameaçavam os interesses do capital imperialista.

A Civilização Brasileira era a maior editora comunista do país, dirigida pelo militante histórico Ênio Silveira, e Edmar Morel, tendo servido ao famigerado Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) da ditadura Vargas, soube adaptar-se rapidamente aos novos ares após a queda do ditador: ganhou do governo soviético uma viagem a Moscou, que relatou num livro de 1952. Ninguém ignora o que essas viagens significam na longa história das cooptações e recrutamentos.

Não é humanamente possível fazer a lista das publicações e produções que endossaram a tese de Edmar Morel. Praticamente nenhum jornal, canal de TV ou universidade no Brasil (e algumas no exterior) falhou em repeti-la com a constância de um devoto recitando preces jaculatórias. Mais recentemente, a tese ganhou o apoio de celebridades americanas, entre as quais Noam Chomsky, e, entre inumeráveis filmes que confirmavam a mesma versão dos acontecimentos, pelo menos um recebeu um prêmio nos EUA.

Tão vasta, contínua e prestigiosa unanimidade é de molde a desencorajar, no nascedouro, qualquer objeção que possa colocá-la em dúvida.[1]

No entanto, toda essa vistosa e idolatrada construção, em que se empenharam tantos cérebros, tantas verbas públicas e tantos patrocínios privados, é posta abaixo e reduzida a pó mediante uma simples pergunta: como é possível que a CIA tenha exercido tão profunda e avassaladora influência no curso da história nacional em 1964, se até agora não apareceu, na imensa bibliografia a respeito, o nome de um único agente daquela organização que estivesse lotado no Brasil na época? Nem unzinho só.

Como é possível tanta ação sem nenhum agente?

Inversa e complementarmente, a teoria moreliana do golpe de 1964 baseia-se na premissa — tão unânime e indiscutida quanto ela mesma — de que não havia nem séria infiltração comunista no governo João Goulart, nem o menor risco de uma revolução comunista, nem muito menos qualquer ingerência soviética nos assuntos nacionais.

A importância vital deste livro reside em que demole a porretadas esse mito, mostrando que, em contraste com a ausência total de homens da CIA operando no Brasil naquela ocasião, os agentes da KGB nas altas esferas da República eram, documentadamente, centenas, talvez milhares. O governo Goulart nunca foi senão uma ponta-de-lança do imperialismo soviético.

Mauro “Abranches” Kraenski, tradutor brasileiro residente na Polônia, que domina a língua polonesa e conhece suficientemente o idioma checo, e Vladimír Petrilák, colunista checo, não fazem aqui obra de polêmica, muito menos de acusação: lêem e resumem documentos de fontes primárias — sobretudo do serviço checo de inteligência, a StB — com extrema idoneidade científica e têm o cuidado de não sair carimbando ninguém de “agente da KGB”, nem mesmo quando há razões de sobra para fazê-lo, enfatizando, antes, que muitas pessoas mencionadas nesses documentos não passam de inocentes úteis, levados a colaborar com a subversão comunista sem seu pleno consentimento e às vezes sem clara consciência do que se passava. Ainda assim, o panorama que eles traçam da presença soviética no governo João Goulart ultrapassa as dimensões da mera “infiltração” e justifica falar, mesmo, de “ocupação”.

Sem nenhum exagero, a narrativa oficial de 1964 é uma inversão completa e cínica da realidade, dando foros de certeza ao que é mera conjetura, quando não invencionice, e ocultando montanhas de fatos decisivos.

Este livro, sozinho, vale mais do que toda a bibliografia consagrada sobre os acontecimentos de 1964. E uma pergunta que ele suscita inevitavelmente é: quanto dessa bibliografia não foi inspirado ou produzido, justamente, pelos mesmos agentes soviéticos aqui nomeados e fichados?

Antes mesmo das revelações aqui estampadas, os rombos da narrativa canônica já eram tão gigantescos que, para não vê-los, era preciso um considerável esforço de auto-hipnose.

Vinha, em primeiro lugar, a crença geral de que Goulart fora derrubado, não por ser um joguete nas mãos dos comunistas, mas por ser um patriota, um nacionalista, cujas “reformas de base” constituíam um acinte e uma ameaça aos interesses do capital imperialista.
Mas como podia ser isso, se o malfadado presidente jamais apresentou um único projeto de “reforma de base”, todas as iniciativas nesse sentido partindo do Congresso contra o qual ele tanto esbravejava?

Como observei em artigo de 25 de maio de 2014,

a lei mesma da remessa de lucros, que teria sido a “causa imediata” do golpe, só o que Goulart fez com ela foi sentar-se em cima do projeto, que acabou sendo aprovado por iniciativa do Congresso, sem nenhuma participação do presidente. Se a fúria do capital estrangeiro contra essa lei fosse a causa do golpe, este teria se voltado não contra Goulart e sim contra o Congresso — Congresso que, vejam só, aprovou o golpe e tomou, sem pressão militar alguma, a iniciativa de substituir Goulart por um presidente interino.[2]

Outro simulacro de prova em favor da tese da “intervenção imperialista” foi a ajuda que algumas entidades americanas — não a CIA — deram à resistência parlamentar e jornalística anti-Goulart. Ninguém, entre os que apelavam a esse argumento, fez jamais a seguinte pergunta: se os tais agentes do imperialismo ianque exerciam tanta influência sobre o Congresso e a grande mídia, reunindo condições para um impeachment do presidente, com uma transição legal e pacífica, por que iriam recorrer ao método traumático e desnecessário da intervenção militar?

Para sustentar que “o golpe começou em Washington” seria preciso provar, não que o governo americano ajudou a fomentar uma gritaria difusa contra a situação, mas que os agentes dele participaram ativa e materialmente da conspiração militar em si, entrando em reuniões secretas de generais e discutindo com eles os detalhes estratégicos e táticos da mobilização final. Mas, se não existe sequer indício da presença de um único agente da CIA no território nacional, como poderia haver provas de que essa criatura inexistente fez isso ou aquilo?

A tese consagrada mistura, numa síntese confusa mais conveniente aos objetivos da propaganda que aos da ciência histórica, a ação pública com a ação secreta, a atmosfera política geral com as iniciativas concretas dos militares e, fundindo tudo sob a mágica do símbolo “interesse imperialista”, enxerga uma autoria única e central por trás de processos não só diversos, como antagônicos.

De fato, quando o general Mourão partiu de Minas Gerais com suas tropas, ninguém, absolutamente ninguém num Congresso que estava ansioso para se livrar do incômodo presidente, tinha a menor idéia de que houvesse alguma iniciativa militar em andamento.

Longe de tramar o golpe, os americanos estavam, isto sim, apostando no que se destinava a ser e poderia ter sido uma alternativa parlamentar à intervenção militar.

No mesmo artigo citado, escrevi:

Todos os jornais do país, até hoje, usam como prova da cumplicidade americana (com o golpe) a gravação de uma conversa telefônica na qual o embaixador Lincoln Gordon pedia ao presidente Lyndon Johnson que tomasse alguma providência ante o risco iminente de uma guerra civil no Brasil. Johnson, em resposta, determinou que uma frota americana se deslocasse para o litoral brasileiro. Fica aí provado… que os americanos foram, se não os autores, ao menos cúmplices do golpe. Mas, para que essa prova funcione, é necessário escamotear quatro detalhes: (1) a conversa aconteceu no próprio dia 31 de março, quando os tanques do general Mourão Filho já estavam na rua e João Goulart já ia fazendo as malas. Não foi nenhuma participação em planos conspiratórios, mas a reação de emergência ante um fato consumado. (2) A frota americana estava destinada a chegar aos portos brasileiros só em 11 de abril. Ante a notícia de que não haveria guerra civil nenhuma, retornou aos EUA sem nunca ter chegado perto das nossas costas. (3) É obrigação constitucional do presidente dos EUA enviar tropas imediatamente para qualquer lugar do mundo onde uma ameaça de conflito armado ponha em risco os americanos ali residentes. Se Johnson não cumprisse essa obrigação, estaria sujeito a um impeachment. (4) As tropas enviadas não bastavam nem para ocupar a cidade do Rio de Janeiro, quanto mais para espalhar-se pelos quatro cantos do país onde houvesse resistência pró-Jango e dar a vitória aos golpistas.

A insistência obstinada numa tese impossível explica também o silêncio atordoante com que mídia e o establishment bem-pensante em geral receberam a revelação do então chefe da KGB no Brasil, Ladislav Bittman, de que essa mesma tese fora inventada pela própria espionagem soviética, mediante documento falso enviado a todos os jornais na ocasião.[3]De 2001 a 2014, várias vezes tentei, em vão, chamar a atenção da classe jornalística para o livro de memórias em que o agente checo[4] faz essa confissão explosiva.

O silêncio cúmplice, o comodismo, a mistura promíscua e obscena de jornalismo com militância esquerdista, conseguiram bloquear, por meio século, o acesso do povo brasileiro não só a fatos como a meras perguntas que pudessem abalar a mitologia dominante.

Mas agora a brincadeira acabou. Não só este livro memorável traz a prova cabal e definitiva do engodo, mas surge numa situação bem diversa daquela em que o país viveu nos últimos cinquenta e tantos anos. Hoje há um público mais consciente, que, desmoronada a farsa do comunopetismo, já não se verga, com mutismo servil, ante a opinião do beautiful people jornalístico e universitário.
O trabalho paciente e consciencioso de Vladimír Petrilák e Mauro “Abranches” Kraenski vai, com certeza, encontrar uma platéia atenta e sensível, madura para desprezar o argumentum auctoritatis e sobrepor, à lenda, a realidade.

Petersburg, VA, 25 de outubro de 2017.
 

Notas:
[1] Não preciso relembrar aqui os freqüentes e discretíssimos episódios de carreiras universitárias abruptamente encerradas pela ousadia de contestar esse ou qualquer outro dogma do credo esquerdista.
[2] V. www.olavodecarvalho.org/falsificacao-integral/.
[3] V. meu artigo “Sugestão aos colegas”, de 17 de fevereiro de 2001: www.olavodecarvalho.org/sugestao-aos-colegas/.
[4] Como se verá no presente livro, a KGB, nos países do Terceiro Mundo, não atuava diretamente, mas através dos serviços secretos dos países satélites; no Brasil, a StB, serviço de inteligência da Tchecoslováquia.

 

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ROUBANDO O GÊNERO DE UM BEBÊ  -  18/10/2017


Uma criança canadense que nasceu em novembro é considerada a primeira pessoa no mundo que teve uma identidade emitida pelo governo
sem uma designação de gênero.

Previsão: Esta criança irá crescer com problemas emocionais graves e talvez incuráveis.

A mãe do bebê, Kori Doty, é uma mina que pensa que é um cara.

A NBC News refere-se a Kori como “uma pessoa transgênero não binária que não aceita pronomes masculinos ou femininos”, o que prova apenas que a NBC News é parte do problema.

Pra deixar tudo mais complexo, Kori refere-se a si própria como “uma pessoa trans não-binária genderqueer” que mora na “Colômbia Britânica no Canadá ocupado”. Ávida por holofotes, ela alega que “lutou contra distúrbios metais, explorou mudanças de gênero, explorou fertilidade + gravidez, conviveu com um transtorno do tecido conjuntivo e buscou tratamento de diversas formas”.

Em uma nota à imprensa em seu website, Kori defende sua decisão de não designar um gênero ao bebê, que atualmente se chama Searyl Atli Doty:

Não designei um gênero ao meu filho. Cabe a Searyl decidir como se identificar, quando tiver idade suficiente para desenvolver sua própria identidade de gênero. Não irei impedir suas escolhas baseada em uma designação arbitrária de gênero no nascimento baseada em uma inspeção de suas genitálias.

Ahh, dá um tempo mulher barbada. Será que essa garota retardada ao menos sabe o que a palavra “arbitrária” significa? Ninguém “designa gênero” ao bel-prazer – eles apenas checam se o bebê possui um pênis ou uma vagina e reconhecem que o gênero do bebê já foi designado – pela natureza, não pela sociedade. É e sempre foi assim em todo o reino animal, até que doentes mentais da extrema esquerda apareceram negando as puras realidades do dimorfismo sexual.

O sistema de saúde da Colômbia Britânica cooperou totalmente com as desilusões de Kori e emitiu uma identidade para o bebê designando o sexo como “D”, que assumo que signifique “desconhecido”, “não determinado” ou talvez somente “desagradável”.

E pra deixar tudo ainda mais bizarro, a advogada de Doty é uma mulher chamada barbara findlay que exige que seu nome seja grafado sem letras maiúsculas, mas só para ser passivo-agressivo, vou grafar “Barbara Findlay”. A senhorita Barbara Findlay novamente evoca o fantasma da inspeção genital do recém-nascido praticamente como se fosse um estupro da criança:

A designação do sexo nesta cultura é feito quando um médico levanta as pernas do bebê e olha para suas genitálias. Mas sabemos que a própria identidade de gênero do bebê não estará desenvolvida por alguns anos após seu nascimento.

Por sorte, esta arbitrária e até estapafúrdia “designação de sexo” apenas acaba por corresponder a eventual “identidade de gênero” de 199 de cada 200 casos. E poderíamos usar um argumento mais convincente que ao invés de estar “preso no corpo errado”, estes poucos infelizes estão “dominados por um cérebro que diz a eles que eles são algo que eles não são”.

A Gender-Free I.D. Coalition do Canadá comemorou a carteira de identidade sem gênero de Searyl Atli Doty. De um universo paralelo onde a verdade é mentira e encima é embaixo, esta instituição insiste que quando o estado anota o gênero de um bebê em uma carteira de identidade, “está certificando como verdade algo que não se pode saber se é verdade”. O website desta instituição vomita esta pérola de sandice contrafactual:

PELO FIM DA DESIGNAÇÃO ESTATAL DE GÊNERO!

O Estado não deve se meter nas roupas íntimas da nação.

Se eles acreditassem mesmo que por um segundo nisso, eles não estariam constantemente fazendo petições para que o sistema público de saúde financiasse bloqueadores de puberdade e injeções de hormônio e cirurgias radicais de reconstrução genital. Eles não estariam exigindo que pagadores de impostos se rendessem humilhados para a noção patentemente falsa de que para se tornarem “quem elas realmente são”, algumas pessoas com distrofia de gênero precisam cortar e serrar e costurar e injetar e se mutilar até que não reste qualquer semelhança com o corpo que a natureza originalmente deu a elas. Se eles estivessem mesmo que remotamente conectados com a realidade, eles iriam admitir que a frase “o gênero que foram designadas no nascimento” é uma maneira intrincada e desonesta de dizer “o gênero delas”.

Ainda mais sinistro, mês passado a província de Ontário aprovou uma lei que efetivamente tornaria criminosos pais que não aprovassem a escolha de “identidade de gênero” de seus filhos, rotulando isso como “abuso infantil”, arriscandoperder totalmente a custódia.

Aos oito meses de idade, o bebezinho Doty é o caso mais jovem que já ouvi falar de pais tentando arrastar suas crias para este buraco ideológico de indeterminação de gênero. Mas já vinham treinando com cada vez mais jovens. Em 2015, uma mãe britânica declarou que seu filho de três anos era na verdade uma menina depois que ela supostamente o encontrou tentando cortar seu pênis fora. Na Austrália ano passado, foi confirmado que uma criança de quatro anos tinha iniciado uma “mudança de gênero”. Ano passado em Londres, uma menina de nove anos que tinha decidido que ela era na verdade um menino chamado Jason começou a receber injeções de bloqueadores de hormônio para evitar que construções sociais incômodas como seios femininos aparecessem.

Então de repente temos a nova moda de “homens” dando a luz. Esta é a emocionante (deprimente?) história de um “homem britânico” que de alguma maneira nasceu mulher e manteve a capacidade de gerar um bebê em seu útero. Ano passado a revista TIME apresentou uma história com uma foto absolutamente nojenta (estou avisando!) e um título que incluía a frase “A gravidez do meu irmão”. No verão passado o The Guardian publicou um artigo intitulado “Amamentando como um pai trans”. Em janeiro, a National Geographic – que hoje em dia não passa de um veículo do Marxismo Cultural – dedicou uma edição inteira a “Revolução de Gênero”.

Seria isso uma revolução, ou apenas revoltante?

A rendição incondicional da mídia mainstream ao moderno Delírio de Gênero constitui a maior renúncia dos padrões jornalísticos que eu já vi em toda a minha vida, e isso não é qualquer coisa. Praticamente toda a mídia engole esta louca retórica de negação de gênero e obedientemente se refere a homens como mulheres e a mulheres como homens, e a meninos que podem vir a ser meninas e meninas que podem vir a ser meninos. Não existe essa coisa de “transfobia”, mas parece que incomodamente grande parte do público está totalmente aterrorizada com esta realidade.

O que é ainda mais deprimente para quem já está deprimido com a condição humana é como muitas pessoas aderem voluntariamente a esta insanidade. Há apenas dez anos, praticamente ninguém fora um insignificante punhado de “teóricos GLS” acreditava nesta imbecilidade. Quando eu era criança, o caso da cirurgia de mudança de sexo de Christine Jorgensen foi considerado a abominação mais chocante da história da humanidade – muito mais chocante até do que estupro ou assassinato. 

Mas hoje, apesar da astronômica porcentagem de suicídios de pessoas com distrofia de gênero e dos custos de saúde estratosféricos que vão incidir se médicos continuarem a incentivar a desordem ao invés de trata-la, somos condicionados, sob pena de ostracismo social perpétuo, a fingir que tudo isso é saudável e bom, e que qualquer um que pense o contrário é na verdade o “doente”.

Sim, eu entendo que para alguém abraçar as mentiras igualitárias esquerdistas, deve ser sistematicamente exposto a uma incansável propaganda. Mas com essa coisa toda de “trans”, acho que talvez estejam passando dos limites.

A sociedade ainda é sã o bastante para perceber que não é saudável uma mulher anoréxica achar que ela é obesa, para uma pessoa branca achar que ela é negra, e para alguém com desordem de identidade da integridade do corpo possuir uma necessidade constante de cortar um de seus membros fora. Mas somos obrigados a achar que não é apenas saudável um homem achar que ele é uma mulher – e agora para um menino achar que ele é uma menina – é também virtuoso.

As vezes eu acho que os poderosos estão ferrando com a gente só para verem quanta insanidade nós vamos aceitar.

Tradução de Fernando Chiocca
Artigo original aqui
 

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A REVOLUÇÃO GLOBALISTA  -  12/10/2017

 

Para quem deseje se orientar na política de hoje – ou simplesmente compreender algo da história dos séculos passados –, nada é mais urgente do que obter alguma clareza quanto ao conceito de "revolução". Tanto entre a opinião pública quanto na esfera dos estudos acadêmicos reina a maior confusão a respeito, pelo simples fato de que a idéia geral de revolução é formada quase sempre na base das analogias fortuitas e do empirismo cego, em vez de buscar os fatores estruturais profundos e permanentes que definem o movimento revolucionário como uma realidade contínua e avassaladora ao longo de pelo menos três séculos.

Só para dar um exemplo ilustre, o historiador Crane Brinton, em seu clássico The Anatomy of Revolution, busca extrair um conceito geral de revolução da comparação entre quatro grandes fatos históricos tidos nominalmente como revolucionários: as revoluções inglesa, americana, francesa e russa. O que há de comum entre esses quatro processos é que foram momentos de grande fermentação ideológica, resultando em mudanças substantivas do regime político. Bastaria isso para classificá-los uniformemente como "revoluções"? Só no sentido popular e impressionista da palavra. Embora não podendo, nas dimensões deste escrito, justificar todas as precauções conceptuais e metodológicas que me levaram a esta conclusão, o que tenho a observar é que as diferenças estruturais entre os dois primeiros e os dois últimos fenômenos estudados por Brinton são tão profundas que, apesar das suas aparências igualmente espetaculares e sangrentas, não cabe classificá-los sob o mesmo rótulo.

Só se pode falar legitimamente de "revolução" quando uma proposta de mutação integral da sociedade vem acompanhada da exigência da concentração do poder nas mãos de um grupo dirigente como meio de realizar essa mutação. Nesse sentido, jamais houve revoluções no mundo anglo-saxônico, exceto a de Cromwell, que fracassou, e a Reforma Anglicana, um caso muito particular que não cabe comentar aqui. Na Inglaterra, tanto a revolta dos nobres contra o rei em 1215 quanto a Revolução Gloriosa de 1688 buscaram antes a limitação do poder central do que a sua concentração. O mesmo aconteceu na América em 1786. E em nenhum desses três casos o grupo revolucionário tentou mudar a estrutura da sociedade ou os costumes estabelecidos, antes forçando o governo a conformar-se às tradições populares e ao direito consuetudinário. Que pode haver de comum entre esses processos, mais restauradores e corretivos do que revolucionários, e os casos da França e da Rússia, onde um grupo de iluminados, imbuídos do projeto de uma sociedade totalmente inédita em radical oposição com a anterior, toma o poder firmemente resolvido a transformar não somente o sistema de governo, mas a moral e a cultura, os usos e costumes, a mentalidade da população e até a natureza humana em geral?

Não, não houve revoluções no mundo anglo-saxônico e bastaria esse fato para explicar a preponderância mundial da Inglaterra e dos EUA nos últimos séculos. Se, além dos fatores estruturais que as definem – o projeto de mudança radical da sociedade e a concentração do poder como meio de realizá-lo –, algo há de comum entre todas as revoluções, é que elas enfraquecem e destroem as nações onde ocorrem, deixando atrás de si nada mais que um rastro de sangue e a nostalgia psicótica das ambições impossíveis. A França, antes de 1789, era o país mais rico e a potência dominante da Europa. A revolução inaugura o seu longo declínio, que hoje, com a invasão islâmica, alcança dimensões patéticas. A Rússia, após um arremedo de crescimento imperial artificialmente possibilitado pela ajuda americana, desmantelou-se numa terra-de-ninguém dominada por bandidos e pela corrupção irrefreável da sociedade. A China, após realizar o prodígio de matar de fome trinta milhões de pessoas numa só década, só se salvou ao renegar os princípios revolucionários que orientavam a sua economia e entregar-se, gostosamente, às abomináveis delícias do livre mercado. De Cuba, de Angola, do Vietnã e da Coréia do Norte, nem digo nada: são teatros de Grand Guignol, onde a violência estatal crônica não basta para esconder a miséria indescritível.

Todos os equívocos em torno da idéia de "revolução" vêm do prestígio associado a essa palavra como sinônimo de renovação e progresso, mas esse prestígio lhe advém precisamente do sucesso alcançado pelas "revoluções" inglesa e americana que, no sentido estrito e técnico com que emprego essa palavra, não foram revoluções de maneira alguma. Essa mesma ilusão semântica impede o observador ingênuo – e incluo nisso boa parte da classe acadêmica especializada – de enxergar a revolução onde ela acontece sob a camuflagem de transmutações lentas e aparentemente pacíficas, como, por exemplo, a implantação do governo mundial que hoje se desenrola ante os olhos cegos das massas atônitas.

O critério distintivo suficiente para eliminar todas as hesitações e equívocos é sempre o mesmo: com ou sem transmutações súbitas e espetaculares, com ou sem violência insurrecional ou governamental, com ou sem discursos de acusação histéricos e matança geral dos adversários, uma revolução está presente sempre que esteja em ascensão ou em curso de implantação um projeto de transformação profunda da sociedade, se não da humanidade inteira, por meio da concentração de poder.

É por não compreenderem isso que muitas vezes as correntes liberais e conservadoras, opondo-se aos aspectos mais vistosos e repugnantes de algum processo revolucionário, acabam por fomentá-lo inconscientemente sob algum outro de seus aspectos, cuja periculosidade lhes escape no momento. No Brasil de hoje, a concentração exclusiva nos males do petismo, do MST e similares pode levar liberais e conservadores a cortejar certos "movimentos sociais", na ilusão de poder explorá-los eleitoralmente. O que aí escapa à visão desses falsos espertos é que tais movimentos, ao menos a longo prazo, desempenham na implantação da nova ordem mundial socialista um papel ainda mais decisivo que o da esquerda nominalmente radical.

Outra ilusão perigosa é a de crer que o advento da administração planetária é uma fatalidade histórica inevitável. A facilidade com que a pequena Honduras quebrou as pernas do gigante mundialista mostra que, ao menos por enquanto, o poder desse monstrengo se constitui apenas de um blefe publicitário monumental. É da natureza de todo blefe extrair sua substância vital da crença fictícia que consegue inocular em suas vítimas. Com grande freqüência vejo liberais e conservadores repetindo os slogans mais estúpidos do globalismo, como por exemplo o de que certos problemas – narcotráfico, pedofilia, etc. – não podem ser enfrentados em escala local, requerendo antes a intervenção de uma autoridade global. O contrasenso dessa afirmativa é tão patente que só um estado geral de sonsice hipnótica pode explicar que ela desfrute de alguma credibilidade. Aristóteles, Descartes e Leibniz ensinavam que, quando você tem um problema grande, a melhor maneira de resolvê-lo é subdividi-lo em unidades menores. A retórica globalista nada pode contra essa regra de método. Ampliar a escala de um problema jamais pode ser um bom meio de enfrentá-lo. A experiência de certas cidades americanas, que praticamente eliminaram a criminalidade de seus territórios usando apenas seus recursos locais, é a melhor prova de que, em vez de ampliar, é preciso diminuir a escala, subdividir o poder, e enfrentar os males na dimensão do contato direto e local em vez de deixar-se embriagar pela grandeza das ambições globais.

Que o globalismo é um processo revolucionário, não há como negar. E é o processo mais vasto e ambicioso de todos. Ele abrange a mutação radical não só das estruturas de poder, mas da sociedade, da educação, da moral, e até das reações mais íntimas da alma humana. É um projeto civilizacional completo e sua demanda de poder é a mais alta e voraz que já se viu. Tantos são os aspectos que o compõem, tal a multiplicidade de movimentos que ele abrange, que sua própria unidade escapa ao horizonte de visão de muitos liberais e conservadores, levando-os a tomar decisões desastradas e suicidas no momento mesmo em que se esforçam para deter o avanço da "esquerda". A idéia do livre comércio, por exemplo, que é tão cara ao conservadorismo tradicional (e até a mim mesmo), tem sido usada como instrumento para destruir as soberanias nacionais e construir sobre suas ruínas um onipotente Leviatã universal. Um princípio certo sempre pode ser usado da maneira errada. Se nos apegamos à letra do princípio, sem reparar nas ambigüidades estratégicas e geopolíticas envolvidas na sua aplicação, contribuímos para que a idéia criada para ser instrumento da liberdade se torne uma ferramenta para a construção da tirania.

*Publicado originalmente em Digesto Econômico, setembro/outubro de 2009.
 

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NÃO PODEMOS NOS BANHAR DUAS VEZES NO MESMO RIO  -  24/07/2017

 

O ensinamento que dá título a esse artigo pertence ao filósofo Heráclito, considerado o pai da dialética. Para ele tudo está em movimento. Isso significa que nós e nossas circunstâncias estão sempre mudando, portanto, nada se repete.

Transpondo o antigo e sempre atual pensamento do filósofo grego para a política do momento, tomemos como exemplo o caso de Lula e de seu partido, o PT. Discute-se se ele ganha ou não a eleição presidencial de 2018. Surgem pesquisas onde ele figura com 30% de votação, porcentagem que o PT manteve por muito tempo sem lograr vencer. Mas na mesma pesquisa ele é rejeitado por 54% dos entrevistados. Para confundir mais a opinião pública Lula é no momento o único candidato em campanha frenética mesmo antes de ser indicado pelo PT, o que é ilegal, mas permitido ao petista. Pesquisas podem ser eficiente marketing de campanha e muita gente pode até crer que o candidato único já ganhou.

Entretanto, é interessante analisar se Lula e suas circunstâncias são as mesmas de antes, quando ele pairava acima da lei e hipnotizava as massas com bravatas, mentiras e palavreado vulgar.

Relembre-se que Lula foi transformado pelo marketing em um mito inatacável, sendo que no Dicionário Aurélio uma das definições de mito é: “ideia falsa, sem correspondente na realidade”. Será que agora o mito está sofrendo uma erosão? Recordemos resumidamente alguns fatos que mostram como mudaram as circunstâncias do poderoso chefão e do seu partido.

1º - O impeachment de Rousseff foi antecedido por impressionantes, inéditos e espontâneos protestos populares em todo o país, quando milhões foram às ruas gritar: “Fora Dilma”. “Fora Lula”. “Fora PT”.

2º - A pressão das ruas desencadeou o impeachment que venceu por larga margem de votos na Câmara e no Senado. Muito pedidos foram protocolados, mas foi aceito aquele em que um dos signatários, significativamente, foi Hélio Bicudo, um dos fundadores do PT, eminente companheiro por muito tempo.

Em vão Lula tentou evitar que deputados e senadores votassem a favor da cassação de sua criatura política. Seu desprestígio ficou evidente e pode ser simbolizado pela “traição” do deputado Tiririca. Nem este obedeceu ao “mestre”.

Mesmo Rousseff tendo conservado seus direitos políticos por uma manobra inconstitucional, seu impeachment foi um tiro de canhão no peito da Jararaca e do PT, algo cuja profundidade ainda não foi devidamente analisada. De todo modo, pode-se dizer que ali começou a erosão do mito.

3º - Uma das consequências do impeachment apareceu nas eleições de 2016, quando o PT perdeu 60% de suas prefeituras. Em termos de poder e cargos isso foi uma enormidade. Se o PT repetir a performance em 2018, o que pode acontecer, se transformará em partido nanico, com pouca representação no Congresso.

4º - A descrença com o partido foi demonstrada não só por Hélio Bicudo. Em 9 de abril deste ano, membros do PT escolheram dirigentes municipais e delegados estaduais. Compareceram cerca de 200 mil militantes, o que representa menos da metade dos votantes de 2013. Além disso, 27% dos municípios não conseguiram sequer formar uma chapa de 20 filiados para compor o diretório municipal.

5º - Diante da crise petista, que sem dúvida enfraquece o “lulismo”, ditos movimentos sociais resolveram arregimentar forças. Duas greves gerais foram tentadas e as duas fracassaram redondamente.

6º – Lula, o inimputável foi condenado pelo Juiz Sergio Moro que também sequestrou seus bens. Houve um ralo movimento de apoio ao líder na Av. paulista, alguns gatos pingados em poucas cidades. Nenhuma multidão foi às ruas para rasgar as vestes e arrancar os cabelos como Lula e o PT esperavam.

7º - Enquanto isso, Temer não cai, está melhorando a economia e conseguindo aprovação dos seus projetos no Congresso. Inclusive, as mudanças na ultrapassada Lei Trabalhista, em que pese o espetáculo pueril e ridículo das senadoras que tentaram em vão barrar a votação se aboletando por sete horas na mesa diretora.

8º - Lula não tem mais a força do PMDB, os magnatas empreiteiros que o elegeram estão presos, sem falar que seu próprio partido está enfraquecido e atônito.

Poderá Lula ser absolvido por outros tribunais? Tudo é possível no país da impunidade. Wesley Batista não recebeu “indulgência plenária” e disse que processa quem o chamar de bandido?

Se lula for absolvido poderá voltar à presidência em 2018? Ninguém dispõe de bola de cristal para prever o futuro e o povo é facilmente enganado, como já demonstrou em eleições passadas.

Um fato, porém, é real: nem Lula nem suas circunstâncias são as mesmas e, assim, está difícil para ele conseguir nadar de novo no rio do poder. Pelo bem do Brasil que isso não aconteça.

* Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga.

 

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O PRIVILÉGIO DA RAIVA. OU: A BOA RAIVA É DE ESQUERDA, A MÁ RAIVA É DE DIREITA  -  23/06/2017

 

(Reproduzido de http://www.gazetadopovo.com.br/rodrigo-constantino)

Se você quiser saber quem tem privilégios em uma sociedade, vá atrás da raiva.
Há pessoas nos EUA que podem expressar a raiva com segurança. E há pessoas que não podem. Se você está com raiva porque Trump venceu, sua raiva é socialmente aceitável. Se você está com raiva porque Obama venceu, ela não é.

A raiva de James Hodgkinson era socialmente aceitável. Ela continuou sendo socialmente aceitável até ele extrapolar e chegar ao homicídio. E ele não está só. Existe Micah Xavier Johnson, o assassino de policial do Black Lives Matter de Dallas, e Gavin Long, o assassino de policiais do Black Lives Matter em Baton Rouge. Se você é negro e sente raiva da polícia, sua raiva é festejada. Se você é branco e sente raiva pelo bloqueio de viagens do Terror, pela rejeição ao tratado do clima de Paris, ou por qualquer causa da esquerda, você está do lado dos anjos raivosos.

Mas se você é branco e sente raiva porque seu emprego está indo para a China ou por ter escapado por um triz de ser morto por um muçulmano suicida com bombas, sua raiva é inaceitável.

Se você é um esquerdista raivoso, seu líder partidário, Tom Perez, vai gritar e xingar ao microfone, e sua aspirante a candidata à presidência, Kirsten Gillibrand, vai xingar junto, para canalizar a raiva da base. Mas se você é um conservador raivoso, então Trump canalizar sua raiva é “perigoso” porque você não tem permissão para sentir raiva.

Nem toda raiva é igual. Alguma raiva é raiva privilegiada.

A boa raiva consegue uma boquinha de comentarista na CNN. A má raiva faz você ser expulso do seu emprego. A boa raiva não é, de forma alguma, descrita como raiva. Em vez disso, ela é linguisticamente transformada em “passional” ou “corajosa”. A má raiva, entretanto, é “preocupante” e “perigosa”. Os militantes esquerdistas raivosos “clamam”; os militantes de direita raivosos “ameaçam”. A boa raiva é de esquerda. A má raiva é de direita.

Demonstrações de raiva socialmente aceitáveis, do Occupy Wall Street aos distúrbios do Black Lives Matter até as marchas contra Trump e os furiosos protestos nos campus universitários, são invariavelmente esquerdistas.

A raiva da esquerda pela eleição de Bush e de Trump foi santificada. A indignação da direita pela vitória de Obama foi demonizada. Agora, a raiva da esquerda levou um voluntário de Bernie Sanders a abrir fogo em um evento beneficente republicano, um treino de beisebol. E a mídia hesita em admitir que talvez os dois lados devam moderar a retórica. Antes de listar exemplos que tenham tendência à direita como o “Prende ela”.

Por que slogans como o “Prende ela” são desmedidos, mas os gritos de “o chefe na cadeia” da era Bush não são? Por que os comícios do Tea Party eram “ameaçadores”, mas a última marcha “Nós Odiamos Trump” é corajosa? Por que matar Trump no palco é a forma mais maneira de encenar Shakespeare enquanto um palhaço de rodeio que usou uma máscara de Obama foi massacrado por todos, do vice-governador do Missouri até a NAACP?

Nem toda raiva é igual. A raiva, como qualquer outra coisa, é ideologicamente codificada. A raiva esquerdista é boa porque os fundamentos ideológicos são bons. A raiva da direita é má porque a ideologia é má.

O que torna a raiva boa ou má não é o nível, a intensidade ou a natureza ameaçadora.

E é por isso que a esquerda recorre à violência com tanta facilidade. Todos os fins ideológicos dela são bons. Portanto, significa que desde fome maciça, gulags, distúrbios e tirania, tudo tem de ser bom. Se eu furar seus pneus por causa do seu adesivo favorável ao Obama, eu sou um monstro. Mas se você arranhar o meu carro por causa do meu adesivo favorável ao Trump, você está combatendo o racismo e o machismo. Suas táticas podem ser equivocadas, mas seu ponto de vista não é.

Não há padrões universais de comportamento. A civilidade, como tudo o mais, é limitada ideologicamente.

A teoria interseccional não desaprova a expectativa de comportamento civilizado vinda de manifestantes “oprimidos”. Pedir que os estridentes manifestantes dos campus não berrem ameaças na sua cara é “policiamento de tom”. A filha de um afro-americano milionário em Yale está lutando pela própria “existência”, diferente de um mineiro de carvão da Pensilvânia, do oficial de polícia de Baltimore e da florista cristã cujas existências estão realmente ameaçadas.

O policiamento de tom é o que protege a raiva dos esquerdistas privilegiados, enquanto a frustração das vítimas deles é suprimida. A existência do policiamento de tom como um termo específico de proteção das demonstrações de raiva da esquerda exibe o colapso da civilidade sugada pelo privilégio da raiva. A civilidade foi substituída por uma prerrogativa política à raiva.

A esquerda se orgulha de ter uma superioridade moral não conquistada (“Quando eles descem, nós subimos”) reforçada pela própria câmara de eco enquanto ela se torna incapaz de controlar os próprios acessos de raiva. O chilique nacional depois da vitória de Trump quase conseguiu calar o governo, transformou todos os veículos de mídia em alimento inesgotável de teorias de conspiração e disparou protestos que logo chegaram à violência urbana.

Mas a Síndrome da Irracionalidade de Trump é um sintoma de um problema da esquerda que existia desde antes de ele nascer. A esquerda é um movimento raivoso. Ela é animada por uma indignação pomposa cuja superioridade moral se desdobra em desumanização. E o maquinário cultural da esquerda dá glamour a essa raiva. A mídia enfeita a raiva borbulhante de modo a que a esquerda nunca tenha de encarar o próprio Hodgkinson no espelho.

A esquerda está mais raivosa do que nunca. Os distúrbios nos campus e os atentados contra políticos republicanos não são nenhuma novidade. O que está mudando é que os adversários estão começando a se igualar em raiva. A esquerda ainda se agarra à mesma raiva que tinha quando era um movimento teórico com planos, mas pouco impacto no país. A indignação contra a esquerda não é mais ideológica. Há milhões de pessoas cujos planos de saúde foram destruídos pelo Obamacare, cujo direito à livre expressão foi retirado, cuja terra foi confiscada, cujos filhos foram doutrinados contra eles e cujos meios de vida foram destruídos.

A esquerda raivosa ganhou muito poder. Ela usou esse poder para destroçar vidas. Ela está conspirando ansiosamente para privar cerca de 63 milhões de pessoas de seus votos pelo uso de seu poder entrincheirado no governo, da mídia e do terceiro setor. E ela está blindada demais pela própria raiva pelo resultado da eleição para reconhecer a raiva dos próprios abusos de poder no atacado e nos chiliques privilegiados.

Mas o monopólio da raiva só funciona em estados totalitários. Em uma sociedade livre, espera-se que os dois lados controlem a raiva e encontrem termos nos quais possam debater e resolver as questões. A esquerda rejeita a civilidade e se recusa a controlar a raiva. O único termo que ela vai aceitar é o poder absoluto. Se uma eleição não dá um resultado que lhe agrade, ela vai derrubar o resultado. Se alguém a ofende, tem de ser punido. Ou haverá raiva.

A esquerda raivosa exige que todos reconheçam a absoluta retidão da sua raiva como base do seu poder. Esse privilégio da raiva, como o policiamento de tom, é frequentemente apresentado em termos de grupos oprimidos. Mas a raiva da esquerda não desafia a opressão, ela busca a opressão.

O privilégio da raiva é usado para silenciar a oposição, para fazer cumprir postura ilegais e para tomar o poder. Mas o monopólio da raiva da esquerda é cultural, não político. A indústria do entretenimento e a mídia podem fazer cumprir as normas do privilégio da raiva através da humilhação pública, mas a difamação não pode deter as consequências do colapso da civilidade na vida pública. Não existe monopólio de emoção.

Quando a raiva se torna a base do poder politico, ela não vai parar com Howard Dean ou Bernie Sanders. Foi isso o que a esquerda descobriu na última eleição. O falso horror da esquerda foi uma reação às consequências da própria destruição da civilidade. A reação da esquerda à demonstração de raiva dos conservadores e dos independentes foi o agravamento do conflito. Em vez de se apresentar como oposição, a esquerda se tornou a “resistência”. Trump se tornou simultaneamente Hitler e traidor. Os republicanos se tornaram feras malignas.

James Hodgkinson absorveu tudo isso. A esquerda alimentou a raiva dele. E, finalmente, ele surtou.
A raiva tem de escoar.

A esquerda gosta de pensar que a própria raiva é boa raiva porque é raiva contra as tribulações de estrangeiros ilegais, terroristas muçulmanos, banheiros transgêneros, a falta de aborto na Carolina do Sul, o salário mínimo no Taco Bell, os cortes de orçamento, os cortes tributários, as prisões pela polícia, os ataques com drones e todos os outros modos em que a realidade seja diferente da utopia. Mas tanta raiva não leva a um mundo melhor, mas leva ao ódio e à violência.

Milhões de esquerdistas como Hodgkinson ouvem todo dia que os republicanos são responsáveis por tudo de errado na vida deles, no país e no planeta. Apesar de tudo o que eles fazem, de todas as petições que eles assinam, das marchas a que comparecem, dos donativos, das cartas raivosas, das arengas nas mídias sociais, os republicanos continuam a existir e até são eleitos para cargos públicos. Pra onde vai tanta raiva?

Ou nós temos um sistema politico baseado nas leis em vigor e nas normas de civilidade, ou teremos um baseado em golpes e na raiva populista da esquerda. E eles já existem aos montes ao sul das nossas fronteiras.

A raiva da esquerda é uma bolha privilegiada de arrogância que estoura eleição sim, eleição não. A opção é tentar entender o resto do país ou intimidar, censurar e oprimir, chegando, enfim, a matar os outros.

James Hodgkinson escolheu a segunda opção. A revolução esquerdista pessoal dele acabou, como todas as outras revoluções esquerdistas acabam, em sangue e violência. A esquerda pode se desfazer do próprio privilégio à raiva e examinar a própria arrogância.

Ou a violência que vem dela será o nosso futuro.

* Publicado originalmente no FrontPage Magazine, em tradução livre de Claudia Costa.
 

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O PLANETA DOS MALANDROS  -  09/05/2017

 

(Publicado originalmente na Folha de São Paulo)

Charge da página 2 da Folha, no dia 28 de abril, intitulada "Planeta dos malandros", mostrava um grupo de pessoas, carregando placas favoráveis à greve, indo em direção a uma carteira de trabalho gigantesca, em parte afundada na areia.

Não fosse pelo título, a charge de Claudio Mor poderia assemelhar-se ao final do filme "O Planeta dos Macacos" (1968), quando Charlton Heston vê a Estátua da Liberdade semienterrada na areia.

Analisando o movimento das centrais de sindicatos que levou um pequeno número de pessoas às ruas -a maior parte delas com atitudes antidemocráticas ou de vandalismo, o que impediu a esmagadora maioria da população de exercer o sagrado direito de ir e vir livremente, assegurado pela Constituição-, a greve não foi o sucesso que esperavam seus organizadores, que escolheram a véspera de um feriado para estimular adesão daqueles que gostariam de desfrutá-lo mais prolongadamente.

Fosse um sucesso, como foram as manifestações públicas de 2015 e 2016, em que o povo rebelou-se contra os governantes e não precisou de violência para se impor, teriam adotado a mesma atitude democrática de protesto daqueles milhões de pessoas que foram às ruas.

As cenas de TV mostraram tais aspirantes de ditadores, mascarados, como quaisquer facínoras, queimando pneus para impedir empregados de trabalharem, destruindo bens alheios, depredando ônibus, numa demonstração de que todos esses cidadãos não estão preparados para viver num país democrático. São apenas baderneiros ou defensores de privilégios próprios, mais do que de direitos de terceiros.

Creio que a grande maioria dos poucos que participaram das manifestações nem sequer conhece o que estava defendendo. É difícil acreditar que alguém apoie aposentadoria para pessoas com pouco mais de 50 anos, uma vez que não há como fechar as contas previdenciárias com os deficits bilionários que o sistema atual gera.

É de se lembrar a elevada carga tributária do Brasil, sem contrapartida em serviços, que supera a da maior parte dos países desenvolvidos e emergentes, como Estados Unidos, Japão, Coreia do Sul, Suíça e México.

Defende-se o indefensável, embora os líderes grevistas não ignorem que somente com mais tributos, mais juros, maior endividamento, mais desemprego -além de poucos investimentos e nenhum desenvolvimento- pode-se manter tão esdrúxulo sistema.

Sempre tenho dito que a ignorância é a homenagem que a estupidez presta ao populismo.

O fracasso real dos governos anteriores mostra a necessidade de duas reformas essenciais, as trabalhista e previdenciária, como primeiro passo para o Brasil sair da crise. Caso contrário, estaremos a caminho do mesmo desastre protagonizado pelo governo Nicolás Maduro na Venezuela, tão prestigiado pelos governos anteriores.

"Alea jacta esto". Creio seja esta a melhor forma, pois do imperativo deve ter Júlio César se utilizado ao dizer a famosa frase; não do indicativo "alea jacta est".

"Lançada a sorte", vejamos se o Brasil está realmente a caminho da democracia que todos desejamos ou se Roberto Campos, cujo centenário comemorou-se em 17 de abril deste ano, tinha razão ao dizer que, com esta mentalidade, o Brasil não corre nenhum risco de melhorar.

 

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A APOTEOSE DO FINGIMENTO HISTÉRICO  -  13/08/2016



         "O camponês da Bavária e de Baden que não consegue enxergar para além do campanário da sua igreja local, o pequeno produtor francês de vinho que é levado à bancarrota pelos capitalistas de grande escala que adulteram vinho, e o pequeno plantador americano depenado por banqueiros e congressistas e jogado para longe da corrente maior do desenvolvimento, são convocados, no papel, a assumir a direção do Estado pelo regime da democracia política. Mas, na realidade, em todas as questões básicas que determinam os destinos dos povos, quem toma as decisões pelas costas da democracia parlamentar são as oligarquias financeiras."

         Esse parágrafo consta daquilo que foi provavelmente o discurso mais decisivo do século XX: as palavras de Leon Trotski no ato de fundação do Comintern em 1919, que determinariam em linhas gerais a estratégia do comunismo mundial por mais de meio século e, de algum modo, continuam a inspirá-lo até hoje.

         Como descrição da realidade, essas palavras continuam válidas: decorrido um século, o povo trabalhador e pagador de impostos continua tentando melhorar o curso das coisas por meio do voto, sendo constantemente ludibriado e frustrado pelas oligarquias financeiras e políticas que burlam o processo legislativo e impõem suas decisões por meio de tratados internacionais, decretos de presidentes, portarias de ministérios, regulamentos de repartições, de prefeituras, de administrações regionais e uma infinidade de outros artifícios, obrigando todo mundo a obedecer leis que nem mesmo existem.

         Só o que mudou, nesse ínterim, foi a identidade ideológica dos personagens. A minoria bilionária age em parceria com a esquerda internacional -- isto é, com os herdeiros de Trotski -- para impor a populações estupefatas, por vias transversas que neutralizam o processo legislativo, as mudanças socioculturais mais artificiosas e contrárias às crenças e valores do povo: feminismo, gayzismo, desarmamento civil, multiculturalismo, liberação das drogas, sexualização prematura das crianças nas escolas, dissolução das identidades nacionais por meio da imigração forçada, anticristianismo militante etc. etc.

         O povão simples apega-se cada vez mais aos seus valores antigos, cristãos e patrióticos, esperando fazê-los triunfar por meio de candidatos como Donald Trump, Jair Bolsonaro ou Nigel Farage, sendo por isso estigmatizado pela grande mídia de esquerda (a única que existe) como fascista, nazista, racista, assassino de gays, negros e mulheres etc. etc.

         A aliança mundial de globalistas e esquerdistas é o fenômeno mais geral e importante da nossa época, e não há um só fato da vida cultural ou política ocidental que não seja, em mais ou em menos, determinado por ela.

         À troca de papéis corresponde, pari passu, a inversão não só do conteúdo, mas da própria função do discurso público: a classe dominante rouba as palavras do povo para condená-lo e intimidá-lo como se ele fosse ela, e ela o povo. Intelectuais, artistas, jornalistas e publicitários pagos generosamente pela elite governante bilionária fazem-se de defensores da população ludibriada para poder continuar a ludibriá-la e a acumular poder e dinheiro sob os pretextos mais sedutores e hipnoticamente populistas que uma mendacidade ilimitadamente inventiva já logrou conceber.

         Esse discurso meticulosamente invertido é uma invenção, já velha, de engenheiros sociais que, é claro, não se deixam enganar pelo seu próprio ardil. Mas, quando a moda se dissemina no baixo clero do show business, das universidades e da mídia, ela modifica profundamente a psique de multidões inteiras de idiotas úteis, que sentem – e sentem com muita emoção – estar dizendo a mais pura verdade no instante mesmo em que repetem chavões que sua própria experiência direta desmente da maneira mais flagrante. É a síndrome da autopersuasão histérica que, como já explicava o dr. Andrew Lobaczewski, se espalha entre pessoas de mente fraca quando colocadas sob a influência de psicopatas astutos.

         Exemplos dessas mentes fracas não faltam. As redações, as cátedras universitárias, o cast inteiro dos canais de TV estão repletos deles. Escolho um a esmo, só porque é desta semana. Com aparente sinceridade, o sr. Fernando Meirelles, publicitário responsável pelo show de abertura das Olimpíadas, escreve no seu Twitter (reproduzo com as execráveis grafias originárias):
         "Bolsanaro vai odiar a cerimônia. Trump também. Pelo menos nisso acertamos. A cerimônia de hoje terá índios, empoderamento dos negros e das mulheres, transgêneros e um alerta contra os riscos do uso de petróleio."

         Os pobres e oprimidos são aí representados pelos índios, negros, mulheres e transgêneros. Os ricos opressores, pelos srs. Trump e Bolsonaro. Por meio do show, o sr. Meirelles, os patrocinadores do espetáculo e o governo aparecem como advogados dos primeiros contra a prepotência reacionária dos segundos, vagamente identificados, de passagem, como ligados de algum modo aos interesses da macabra indústria do petróleo.

         Mas quem não sabe que, para montar o espetáculo, o sr. Meirelles recebeu 270 milhões de reais de um bilionário esquema público-privado que jamais deu ou daria um tostão a políticos como Trump e Bolsonaro, aos quais odeia tanto quanto o povão os ama?

         Quem não sabe que o "empoderamento dos índios, negros e mulheres" é a Leitmotiv do discurso propagandístico de uma elite globalista que continua – para usar as palavras de Trotski – "jogando para longe da corrente maior do desenvolvimento" os trabalhadores, os pequenos plantadores, os micro-empresários e, por isso mesmo, uma multidão de "índios, negros e mulheres"?

         E quem não sabe que os donos do petróleo são ainda os árabes, os maiores assassinos de gays e mulheres que já existiram no mundo, contra os quais o show do sr. Meirelles não ousaria nem ousou dizer uma palavrinha incômoda sequer?

         Em que mundo, em que fração do universo imaginário o sr. Trump fez algum dano a gays e mulheres, que pelo menos fosse comparável ao que essas criaturas sofrem nas mãos dos muçulmanos sob aplausos frenéticos e incondicionais da esquerda internacional à qual o sr. Meirelles indiscutivelmente pertence e à qual mostrou descarada fidelidade por meio do símbolo comunista do punho esquerdo cerrado?

         E em que planeta do mundo da fantasia o sr. Bolsonaro, um modesto capitão da reserva que jamais foi visto sequer ao lado de um bilionário, faz parte da elite opressora?

         Sem dúvida o sr. Meirelles acredita no que diz. Mas não acredita pelos meios normais do conhecimento humano e sim por meio da autopersuasão histérica que desmente de maneira brutal e ostensiva tudo o que ele vê, tudo o que ele sabe, tudo o que lhe chega pelos cinco sentidos. O sr. Meirelles não raciocina a partir da sua própria experiência, mas da sua própria voz. Indo da boca para o ouvido, sua alma se entrega toda mole-mole nos braços de um discurso auto-hipnótico que lhe dá, como compensação automática, um prêmio de 270 milhões e a ilusão de fazer bonito.

         Com isso não quero dizer que o sr. Meirelles, só por expressar francamente o seu sentimento, seja honesto ou veraz. Se o tipo de sinceridade do fingidor histérico se distingue da mentira deliberada por não saber que é mentira, ela distingue-se das palavras do observador honesto porque não tem nada, absolutamente nada a ver com a categoria da veracidade. Constitui-se de sentimento apenas, e a nada o sentimento é mais obediente do que a imaginação. O fingidor histérico imagina alguma coisa na hora, sente em conformidade com ela, e diz o que sente. A distinção entre o verdadeiro e o falso nem lhe passa pela cabeça. E, se você lhe diz que o discurso dele é falso, ele entende que você apenas sente diferente dele, que tudo não passa de um confronto de emoções opostas, de uma disputa de poder entre dois corações – naturalmente, um malvado – você – e um bonzinho – ele.

         A histeria – sempre é bom lembrar – nada tem a ver com chiliques, gritinhos e crises de nervos, embora às vezes recorra a esses instrumentos expressivos quando a crença na mentira começa a falhar e tem de ser reforçada pela mise-en-scène. A histeria é eminentemente fingimento auto-hipnótico, tanto mais forte quanto mais tranqüilo e sereno em aparência.

         Aquilo que, na mente do manipulador psicopata, começou como uma mentira concebida friamente para tais ou quais propósitos práticos se torna, na mente passiva e servil dos seus imitadores, um modo de ser, um habitus profundamente arraigado e difícil de remover. A personalidade do psicopata não é afetada pelas suas mentiras, cvoncebidas para uso alheio. A do fingidor histérico é transfigurada e remoldada pela mentira, até que o poder de persuasão da própria voz se sobrepoõe ao apelo dos sentidos, da memória e da razão. O ser humano normal acredita no que vê, no que experimenta e no que sabe. O fingidor histérico, naquilo que aprendeu a dizer.

         Como bem observou o dr. Lobaczewski na sua Ponerologia – com certeza o livro mais importante de ciência política das últimas décadas --, numa sociedade dominada por criminosos psicopatas, o fingimento histérico se espalha como uma epidemia, que, se não controlada em tempo, acaba por se tornar o estado de espírito geral e permanente de amplas camadas sociais, especialmente aquelas que encontram nisso um modo de vida, como por exemplo os professores, os jornalistas, os publicitários e os artistas do show business, classes que, por definição, e mesmo em circunstâncias normais, vivem de repassar discursos aprendidos.

         Subsidiado por patrocínios bilionários, o fingimento histérico brasileiro fez da abertura das Olimpíadas a sua mais vistosa apoteose.
 

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RUIM COM ELE, PIOR SEM ELE  -  02/06/2016


Derrubar Michel Temer para por o quê no lugar dele? Dilma de novo?


(Publicado originalmente no Estadão)


Perguntar não ofende: qual o objetivo de quem é contra o impeachment de Dilma Rousseff e está queimando pneus em estradas, invadindo prédios da Cultura, gritando "Fora Temer" na parada LGBT, exibindo cartazes no exterior para dizer que "there is a coup in Brazil"? E qual o objetivo de quem é a favor do impeachment, mas torce contra o governo interino de Michel Temer, condena as propostas para combater o rombo das contas públicas e repudia a indispensável reforma da Previdência?

Tanto quem é a favor quanto quem é contra o afastamento de Dilma tem de ter em mente a responsabilidade coletiva com a história e que só há três saídas para um país mergulhado em tantas crises. Fora disso, não há alternativa, a não ser anarquia.

Uma saída é dar uma trégua para Temer governar e a equipe de Henrique Meirelles tentar pôr a economia em ordem nesses dois anos e meio, para entregar para os eleitores em 2018 um país razoavelmente saneado. Temer não é perfeito e o PMDB tornou-se muito imperfeito, mas ele foi escolhido por Dilma e por Lula e eleito na chapa do mesmo PT que anima os queimadores de pneus, os invasores da Cultura, os que gritam "Fora Temer" e uma turma que mora fora – uns, há tantas décadas, que deveriam estar mais preocupados com o Trump.

Além de habitar o Jaburu, Temer despacha agora no Planalto por força da Constituição, que assim determina: sai um(a) presidente, assume o vice. Não importa se é bonito, feio, gordo, magro, se é Itamar Franco ou se é Michel Temer. Ele está lá, e o Brasil, os brasileiros, a indústria, o comércio e os 11 milhões de desempregados precisam desesperadamente que comece a equilibrar as contas públicas e a fazer a economia andar.

A saída número 2 é a volta de Dilma. Sério mesmo, alguém deseja de fato a volta de Dilma, com sua incapacidade de presidir o País, negociar com o Congresso, ouvir os conselhos do padrinho Lula ou, aliás, ouvir qualquer expert de qualquer área sobre qualquer coisa? No aconchego dos seus lares, na convivência com familiares, amigos e vizinhos e nas conversas com seus travesseiros – e com o próprio Lula –, será que os petistas de raiz querem mesmo a volta de Dilma?

Os deputados não são lá essas coisas, mas acataram o impeachment pelo crime de responsabilidade fiscal, previsto na Constituição e confirmado pelo resultado final: um rombo que o governo Dilma admitia ser de R$ 96,6 bilhões e que a equipe de Meirelles descobriu bater em R$ 170 bilhões. Mas, além do fato formal, deputados e senadores tocaram o processo adiante pelo desmantelamento da economia, o esgarçamento das relações políticas e porque Dilma conseguiu ser a presidente mais impopular do país desde 1985.

A opção 3 (dos favoráveis e contrários ao impeachment) seria a antecipação de eleições diretas, empurrando Temer ou Dilma para a renúncia (dependendo de o Senado confirmar ou não o impeachment), ou dando um golpe branco e mudando a Constituição por questões conjunturais. E o que viria depois? Uma eleição às pressas, sem que os partidos tivessem se preparado e sem candidatos à altura da crise. Dá um frio na espinha pensar nos aventureiros que se lançariam como salvadores da pátria, da ética, da economia, dos "bons costumes", da "ordem" deles, do "progresso" deles.

Isso não é brincadeira. O seguro, que morreu de velho, recomenda respeitar a Constituição, o Congresso que o eleitor elegeu e a posse do vice que 2014 jogou no Jaburu, na perspectiva de assumir com o afastamento constitucional da presidente. Vale, sim, gritar contra muitas coisas, inclusive a nomeação de um ministro da Transparência indicado, ora, ora, pelo senador Renan Calheiros. Mas o esforço para derrubar Temer, neste momento, é trabalhar contra o Brasil.

 

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SHAKESPEARE AOS 400 ANOS DE SUA MORTE (23/ABRIL/1616)   -  24/04/2016


“Percamos o Império, mas salvemos o livro único, Shakespeare”. Carlyle

Há quatrocentos anos morria o maior dramaturgo da língua inglesa. Singularmente no mesmo dia em que nasceu em Stratford-on-Avon. Ainda jovem ligou-se a grupos teatrais, populares na época em que não havia cinema o teatro era presença indefectível em todo lugarejo. Principiou sua carreira de escritor criando peças cômicas. Quando descobriu as tragédias gregas de Sófocles, Eurípedes traduzidas ao latim, seu interesse literário derivou para o épico e histórico. A partir desta descoberta sua imaginação e criatividade dramática disparam num suceder de peças imortais que abordam todos os sentimentos humanos; esmiúçam o ódio, o amor, a calúnia, o ciúme, o cinismo, a angustia, a ambição, o poder, a honra. Todas estas idiossincrasias já perfilavam o teatro dramático grego. Shakespeare não plagiou, ele inspirou-se naquelas tragédias adaptando-as a língua falada inglesa, quando o latim predominava como idioma vernáculo; Thomas Bacon, homem de ciência escrevia em latim o idioma universal sob o primado da Igreja Católica e erudito da aristocracia européia, com ênfase na realeza britânica, cujos personagens históricos permeados por outros ficcionais de textura psicológica foram imortalizados pelo seu gênio, consagraram-se encarnações do ódio e do amor extremados ao paroxismo da loucura humana se derramam nas peças rei Lear, MacBeth, Ricardo III, Henrique VIII. No teatro burilou a língua inglesa onde as palavras soam na musicalidade apropriada ao momento e a precisão da idéia. Shakespeare navega no Renascimento literário tal como Dante firma o idioma italiano padrão literário, Cervantes nas figuras de Don Quijote e Sancho Pança espelham a “alma da civilização ocidental”, no dizer de Santiago Dantas, alicerça o classicismo da língua espanhola. São três artífices do idioma nacional, divisores do antes e depois de cada um na evolução da literatura de suas nações. Camões o equivalente em nossa língua infelizmente foi se esvanecendo como um luminar distante restrito a Portugal. Não se sustentou na altitude consagradora e perene dos seus iguais europeus, como merece. Entre os brasileiros permanece tão desconhecido de nossos estudantes universitários como os hieróglifos de Tutancâmon. Certamente o conhecimento do latim proporcionou a Shakespeare as traduções gregas dos clássicos dramaturgos Sófocles, Eurípedes e Aristófanes ensinaram-lhe a técnica teatral de hipnotizar o espectador ao ver representadas nas cenas fictícias suas próprias inquietações psicológicas, os paradoxos emocionais da espécie humana que permanecem insolúveis pro tempore. Em Romeu e Julieta ou O mouro de Veneza Shakespeare se inserem na atmosfera social da Itália e se apóiam em histórias venezianas vertidas ao inglês. Daí a reprodução perfeita do cenário social e urbano e familiar veneziano da época onde se desenrolam a tragédia e as comédias.

Os personagens shakespearianos conflitam no palco os sentimentos dramáticos da condição humana, expostos na rudeza e paroxismo das paixões. Hamlet – o príncipe da Dinamarca encarna a vingança. Othelo - o rei enlouquecido pelos ciúmes sutilmente instilado à sorrelfa pelo êmulo vira homicida da mulher amada. Brutus – o político padrão e espelho da moral republicana - mata o imperador Cesar que anelava ser rei. Romeu e Julieta – os amantes apaixonados que se desenlaçam no suicídio para vencer suas famílias rancorosas e inconciliáveis. A morte igualmente sentida pelos inimigos é o preço do arrependimento.

O bardo escreveu, estima-se, mais de cem peças teatrais. Setenta chegaram impressas até ao conhecimento documental do presente.

Carl Sagan, o cosmólogo, lamentava tenham se perdido outras maravilhas no tempo. A propósito da referência ao cientista, devo apontar com admiração e gáudio a recorrência de personalidades científicas anglo - saxônicas aos pensamentos de Shakespeare. Recordo de Stephen Hawking, Richard Dawkings, James Watson (Nobel de medicina de 1954) ou Bertrand Russel abrindo suas teses com epígrafes do bardo inglês. Citarei algumas: As horas silenciosas se aproximam (Ricardo III); Não se coloque entre o ladrão e sua presa (Rei Lear); Quando os três nos encontraremos de novo? (MacBeth); O que foi que viste no sombrio passado no abismo do tempo? Ser ou não ser? Eis a questão; Há mais mistérios entre o céu e a terra do que imagina nossa vã filosofia; Há algo de podre no reino da Dinamarca (Hamlet) Glorias vãs deste mundo, pompas fúteis. Tenho-vos ódio. (Henrique VIII); Posso viver numa casca de noz e me sentir o rei do universo. (Epígrafe de Breve historia do tempo, de Hawking).

Explica-se a familiaridade dos cientistas ingleses pela obra shakespeariana pela presença da literatura nos currículos universitários. Trata-se de condição inarredável a todo acadêmico saído de Oxford falar e escrever com elegância e clareza a língua materna, exigência normal na formação científica. Não há conflito entre literatura e ciência. Escolho dentre tantas peças de sua lavra, no fito de homenageá-lo aos 400 anos de sua morte, a tragédia histórica Júlio Cesar. O tema político que nela é o cerne, guarda a perenidade dos dramas políticos de todos os tempos. Podemos encontrar aqui e ali nas falas dos personagens conflituosos a semelhança com os confrontos e contradições e desmazelos hodiernos. A verossimilhança não é proposital; as ilações derivam de cada juízo particular no viés tendencioso de cada qual. Conhecer Shakespeare e sua arte pode contribuir para entender a política coeva, aos estudiosos das relações humanas, um instrumento elucidativo das paixões humanas desatadas no jogo pelo poder. Emocionante captar o ritmo crescente da oratória subversiva em Júlio César- o imperador temido e respeitável - que a ambição desmedida e a volúpia em vestir a coroa real, desafiam os brios republicanos. Para a máxima audácia, a máxima pena: Lex romanorum.

Seu filho adotivo Brutus, requestado pelos optimates senatoriais, assume a liderança da revolta. O dramaturgo faz deste o personagem principal, o epicentro do drama, esculpido no conflito moral e psicológico imortalizado na figura moral do político republicano. A subordinação do interesse individual ao imperativo da lei legitimada pelo Estado, e o Estado legitimado pela lei, e limitado em seu poder na igualdade de direitos cívicos. César ameaçou o estado de direito quando ambicionou a realeza. A justiça não era um poder independente; ao senado cumpria resolver o conflito entre o executivo amparado na força das Legiões e a corporação legislativa. Porém, quem desafiar Cesar sem o respaldo das Legiões, dos generais e senadores, está fadado ao cutelo. Assim funcionava a justiça governamental do Império Romano. Para cortar a ambição de Cesar impunha-se antecede-lo na ação. Na execução do plano letal de justiciamento, Bruto lidera o cortejo funéreo com aparência de séquito de honra, seguindo Cesar no anfiteatro do Senado. De chofre o atacam. Em golpes sucessivos de espadas e punhais, um a um os confidentes sangram o desavisado imperador. O grande César, imperador do mundo demora seu último olhar na face do último agressor: Até tu Bruto? Na história da humanidade a luta pelo poder adulcora os crimes por justificativas morais. Abro aqui um parêntese enfático: Eça Queiroz pode surpreender os apaixonados pela Marselhesa quando escreveu sobre a Revolução Francesa; “Eram sanguinários, mas exerciam a crueldade sob a ilusão do bem universal”.

Ao final de Júlio César Bruto, o honrado Bruto dirige-se ao povo justificando o crime. Agiu em defesa da república. A multidão se solidariza com o honrado Bruto. Morra Cesar! Seguiu-lhe o discurso do amigo de Cesar, Marco Antônio. É o momento da oração apoteótica, o elogio de Cesar, o discurso emocionante do talento político capaz de torcer a crença popular adversa na direção oposta da crença popular. Inverte-a seu favor. É a arte da eloqüência. A mesma claque que há pouco aplaudia Bruto, se volta contra ele em fúria repentina.

Em 1954 na crise provocada pelo suicídio de Vargas, seu adversário Carlos Lacerda, escritor primoroso, traduziu a peça política de Shakespeare com a eloqüência oratória de que era exímio portador. Transcrevo frases pinçadas mais sugestivas.

Bruto - Se houver aqui um amigo de César perguntar por que Bruto se levantou contra ele, eis minha resposta: Não foi por amar menos César, mas por amar mais a Roma. Lágrimas para sua amizade, alegria para sua fortuna, honra para seu valor e morte por sua ambição.

Marco Antônio (trechos selecionados) – Vim para fazer o enterro de César, não para elogiá-lo. O mal sobrevive aos homens que o fazem, mas o bem fica enterrado com seus ossos. O nobre Bruto vos contou que César era ambicioso. Se ele foi, grave falta era a sua. Gravemente ele a espiou. Até ontem a palavra de César podia resistir o mundo inteiro. Hoje ei-lo aí, sem que ante seu cadáver se curve o mais humilde. Vede este manto? O furo deixado pela adaga de Cássio; Vede o furo deixado pela adaga de Cássio; contemplai o estrago feito pelo invejoso Cássio. Através deste furo apunhalou-o Bruto. Foi o golpe mais ingrato. De todos, foi o golpe mais ingrato, pois quando a Bruto viu o nobre César, a ingratidão mais forte que o braço dos traidores.

Este discurso inverteu num relance a crença popular. De solidariedade a Bruto virou a dvinização de Cesar. Assim redirecionando a história. Cesar morto vence Bruto.

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Sonetos
Impossível esquecer neste sumário sumaríssimo o significado dos sonetos na obra literária do poeta. Deixou uma centena lapidada em brilhantes versos. A motivação é teimosamente a senectude e a superação da velhice pela herança filial. Não há em qualquer deles apelo a Deus. O soneto é a expressão poética definida por dois quartetos e dois tercetos; nos primeiros apresentam-se parâmetros da idéia central; o último terceto revela o fecho de ouro. É o sublime. Todos os versos são rimados e obedecem a métrica definida. Obedecidas estas condições definidoras que desafiam o talento dos grandes poetas. Shakespeare consagrou nos sonetos a mais excelsa melodia da palavra. Escolhi dois traduzidos pelo escritor e poeta brasileiro Ivo Barroso. Certo estou de que não pode haver melhor homenagem aos quatrocentos anos da morte de Shakespeare, vinda do Brasil e da língua portuguesa que esta versão portuguesa de seus sonetos:

1 - Dos seres ímpares ansiamos a prole / Para que a flor do belo não se extinga, / E se a rosa madura o tempo colhe / Fresco botão sua memória vinga. / Mas tu, que só com os olhos teus centrais / Nutres o ardor com as próprias energias / Causando fome onde a abundância jaz / Cruel rival, que o próprio ser crucias. / Tu, que és do mundo hoje o galardão / Arauto da festiva Natureza / Matas teu prazer inda em botão / E sovina, esperdiças na avareza / Piedade, senão ide, tu e o fundo / Do chão, comer o que é devido ao mundo.

2 – Quando o assédio dos quarenta invernos / Se cavarem as linhas de teu rosto / Da juventude os teus galões supernos / Pobres andrajos se tiverem posto /Se então te perguntarem pelo fausto / De teus dias de glória e de beleza / Dizer que tudo jaz no olhar exausto, / Opróbrio fora, encômio sem grandeza. /

Mais mérito terias nessa usança / Se pudesses dizer: “Meu filho há de / Saldar-me a dívida, exculpar-me a idade” / Provando que a beleza é tua herança. / Fora tornar em novo as coisas velhas / E ver o sangue quente enquanto engelhas.

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PS. Eu não abandonei o trema; não obedeço a picaretagem de acadêmicos subsidiados. Quem pode acompanhar com os versos do original inglês, valorizará o talento do tradutor.
 

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HITLER, O PT E AS SEREIAS PROBLEMATIZADORAS  -  16/04/2016

 

(Publicado originalmente em http://colombomendes.blogspot.com.br/)

Se tem algo que sempre me impressionou, que não cessa de me causar assombro (e, decerto, impressiona e assombra a qualquer um que pense no assunto), é o fato de nações inteiras[1] se prostrarem perante evidentes psicopatas e seguir-lhes cegamente. Como pode uma Alemanha inteira seguir um lunático como Hitler, aceitando que é preciso eliminar todo o resto do mundo, segundo um critério biológico? Como pode uma Rússia inteira seguir um lunático como Lenin, aceitando que é preciso eliminar todo o resto do mundo, segundo um critério social? Como pode, em ambos os casos, pai se voltar contra filho, filho denunciar mãe, mãe entregar marido, todos renunciarem à vida, à liberdade, à capacidade de discernimento e decisão, tudo para a força estatal e pela força estatal?

Em Hitler e os alemães, o filósofo Eric Voegelin, estudioso e inimigo declarado das ideologias, explica que as condições à aceitação do “führer” foram criadas por um processo de deterioração da linguagem, dos conceitos, das formas de estabilizar as percepções da realidade, a partir de concepções materialistas e pseudocientíficas, capazes de embrutecer as gentes e instaurar o reino da mesquinharia na nação. Os capitães desse processo foram os jornalistas e os intelectuais; ou melhor, cada jornalista e cada intelectual alemão de então, porque Voegelin não os aponta como categorias, grupos abstratos, mas como indivíduos específicos (de fato, culpar a todos, coletivamente, seria o mesmo que culpar a ninguém).

O resumo que ofereço no parágrafo acima decerto não dá a dimensão da excelência da obra de Voegelin, mas oferece uma pista para entendermos de que forma é possível a obtenção de sucesso pelos fenômenos fascistas, como o nazismo e o socialismo. Entretanto, mesmo compreendendo Voegelin e sua análise sem par, tais fenômenos não deixavam de me impressionar. As explicações do filósofo alemão jogavam forte luz sobre o problema; mas a luminosidade voegeliana era ofuscada logo em seguida pelo assombro que me causava a contemplação das histórias e das imagens legadas pelo nazismo e pelo comunismo (ainda que estas confirmassem perfeitamente as teses de Voegelin). Contudo, minha perplexidade acabou, graças ao petismo.

Contemple a imagem abaixo. Vemos um pequeno grupo bloqueando uma rodovia. São 28 pessoas a bloquear um lado de uma estrada, interrompendo o trânsito e atrapalhando o dia de milhares de pessoas – com pneus queimados e sua própria presença na via. Considerando a fumaça na extremidade direita da fotografia e o fato de o outro lado da rodovia estar vazio, concluímos que há lá outro pequeno grupo a obstruir a passagem de outros milhares de pessoas. A imagem é de 15 de abril de 2016, sexta-feira, dois dias antes da votação do impeachment de Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados. Imagens semelhantes a essa surgiram por todo o Brasil, sempre com pequenos grupos de militantes pagos e treinados por PT, PC do B, PSOL, CUT, MST e outras associações de esquerda parando estradas e grandes cidades, em um dia útil, em horário de expediente.

Essa imagem poderia estar no livro de Eric Voegelin, acompanhada de notícias de jornais e análises acadêmicas seu contexto. Voegelin diria: “Vemos na imagem e em suas repercussões jornalísticas e acadêmicas exemplos perfeitos de distorções da realidade estabilizadas na linguagem, condições indispensáveis ao surgimento de fenômenos como Adolf Hitler e o nazismo.” Pois, o que a imagem mostra objetivamente e representa na conjuntura atual são pequenos grupos improdutivos atrapalhando a vida de milhões de brasileiros, de forma violenta e intransigente, a mando e a soldo de uma elite política e econômica, defendendo a permanência dessa elite no poder, a despeito da vontade da imensa maioria da população, ignorando o desejo do povo brasileiro – tudo isso sob o subterfúgio da defesa da “democracia”, da soberania do... povo. Ou seja, são empregados da elite atrapalhando a vida do povo, defendendo a elite e contrariando o povo, dizendo que assim procedem em favor do povo.

Não, eles não são hipócritas; ao contrário: são absolutamente coerentes. Eles têm certeza de que defendem o povo de si mesmo, de sua ignorância. Por isso sentem-se grandes democratas, verdadeiros justiceiros, indispensáveis libertadores. Contudo, nada mais são, em verdade, que o resultado da deterioração da percepção da realidade oferecida pela intelectualidade e sedimentada pelo jornalismo; são, enfim, condições vivas à ascensão ao poder de figuras autoritárias, opressoras e psicóticas, com perigosos projetos de concentração de poder. Vejam como isso está escancarado na linguagem das faixas, em sua semântica, em sua retórica. Percebam a inversão dos predicáveis: o anseio do povo brasileiro é chamado de “golpe”; a manutenção do poder de uma elite corrupta e corruptora é chamada de “democracia”; e os termos são articulados de forma imperativa, inflexível, imposta, em um cenário de belicosidade, com direito a pneus queimados, bandeira vermelha, direito de ir e vir cerceado e punhos cerrados. É como se dissessem: “Não adianta vocês reclamarem, vocês não podem sequer locomover-se sem nossa autorização. E isso que vocês querem, não terão; imperará o que nós queremos.”

Não ignoremos que a ação vista na imagem pode ser lícita, justa, necessária. Em um contexto de real opressão, é legítimo que o povo se levante, normalmente, aos poucos, em pequenas minorias, para combater a repressão estatal, causando incômodo na maioria silente. Mas sabemos que não é o caso brasileiro. Aqui, temos o absurdo de um protesto a favor, com uma minoria favorecida defendendo uma minoria poderosa e ignorando os anseios da quase totalidade da nação.

As condições para os atuais absurdos brasileiros, representados pela fotografia acima, são semelhantes aos absurdos que permitiram a tomada e a manutenção do poder por fascistas, nazistas e comunistas – e foram igualmente gestados no ventre do jornalismo e do intelectualismo local. Há décadas, intelectuais formam e orientam e se associam a grupos como o da fotografia. Há décadas, jornalistas legitimam esses grupos, chamando-os de movimentos sociais. Esses movimentos sociais sustentam bandeiras que todo o restante da sociedade abomina: da prática corriqueira do aborto à expropriação violenta de rendas e propriedades, passando pela legalização de drogas entorpecentes e pelo desarmamento de civis. Ou seja, esses movimentos são qualquer coisa, menos sociais. Esses grupos se identificam como movimentos democráticos, a favor do povo e contra as elites, mas têm ditaduras como modelos de poder e defendem políticos que enriqueceram de forma impressionante desde que assumiram o governo. Esses grupos chamam seus inimigos de “fascistas”, mas exigem a estatização de todas as forças produtivas e o controle e o juízo estatal sobre as relações sociais, exatamente como propugna o ideário fascista. Enfim, esses grupos não percebem tampouco descrevem a realidade como ela é, com os termos apropriados; ao contrário, utilizam-se dos termos para alterar a realidade, para re-significá-la. Olham para si mesmos, uma minoria truculenta e defensora da elite, e, em vez de descreverem-se com os termos corretos, descrevem-se com os termos que imaginam merecer, projetando no restolho uma miríade de rótulos descolados da realidade. São, então, os democratas, os progressistas, os trabalhadores, os engajados, os iluminados. Nós, que não concordamos com eles, somos os fascistas, os alienados, os golpistas.

O fato é que observamos nessa pequena parcela da população brasileira o processo de imbecilização verificado na Alemanha nazista como um todo. Cabe, então, o questionamento:
Por que no Brasil o processo de estupidificação através da deterioração da linguagem, da percepção da realidade, conduzido por jornalistas e intelectuais, atingiu somente pequena parcela da população?

Acontece que, por aqui, esse processo se manteve restrito a grupos porque não possuíamos uma tradição acadêmica solidificada. Aqui, o sistema de ensino, em todos seus níveis, é precário, de modo que a imensa maioria da população sempre esteve alijada dos benefícios de uma educação de qualidade e, ao mesmo tempo, imune aos possíveis malefícios dessa educação em seu modo mais perigoso, o academicismo ressentido, engajado e revolucionário. Não por acaso, os governos do PT não se dedicaram a quase nada da forma como se dedicaram a criar, artificialmente, uma penetração do ambiente universitário e supostamente intelectual em todo o território.

Não foi por acaso que, em seus 13 anos de governo, o PT investiu pesado em programas de acesso ao ensino superior, negligenciando criminosamente a educação básica. Os governos de Lula e Dilma esbanjaram o dinheiro recolhido do povo para levar exércitos de ignorantes despreparados aos bancos universitários. Milhões de pessoas que não tiveram seu processo de alfabetização plenamente ou mesmo minimamente concluído foram lisonjeados com diplomas de graduação e bolsas de estudo. Toda essa gente foi submetida a anos de intensas distorções e incompreensões da realidade e a currículos fundamentados em marxismo, desconstrucionismo e outras pseudociências. Toda essa gente tem saído das universidades com a arrogância típica ao ignorante, com uma dívida de gratidão para com o governo que lhe permitiu a realização de um sonho [o sonho de receber um papel pintado e carimbado, dizendo “Você é dotô!”] e com a mente preparada para dizer que um mais um não dá dois, que defender uma elite política e econômica e contrariar o povo é democracia, que oferecer privilégios a pequenos grupos de pressão em detrimento de todo o restante da população é ação afirmativa, que concentrar poder na mão do Estado é progressismo democrático e ser contrário a isso é fascismo.

Não, não estou dizendo que a ignorância não é uma bênção. Mas, sim, é preferível ser iletrado a ser mal-formado. O iletrado conta “apenas” com suas percepções diretas da realidade. Coloquei o “apenas” entre aspas porque isso – as percepções diretas – é tudo de que se precisa para entender a realidade. Os estudos servem à compreensão e a estabilização dessas percepções, para que possamos dizê-las de formas minimamente inteligíveis (mas sempre muito distante de sua substância real) e, no caso das técnicas e tecnologias, evoluir em sua utilização. Historicamente, os homens viviam a realidade; depois, perceberam as realidades e passaram a estabilizá-las e comunicá-las. Contudo, em vez de avançar nesse processo, aperfeiçoando a percepção e mesmo a realidade, parte dos estudiosos passou a “problematizar” a realidade, a duvidar do que é certo e a considerar o duvidoso. Por exemplo: este homem produzia lanças, aquele produzia machados, mas ambos precisavam de lanças e machados, de modo que passaram a trocar o que lhes era excedente. Isso é a realidade das relações comerciais, que depois foi percebida, estabilizada e aperfeiçoada. Muito tempo depois, vieram as problematizações, os desconstrucionismos e as inversões psicóticas que nos levaram a conceber que pode ser uma boa idéia concentrar todo o poder econômico na mão da burocracia estatal.

Ora, alguém discorda de que é mais prudente ouvir os conselhos de umavô iletrado que sustentou uma família com trabalho honesto, vivendo as referidas relações naturais de troca de fato, do que seguir as concepções distorcidas de um mestre revolucionário que jamais produziu algo de fato e vive de dar opiniões sobre algo que desconhece na prática, inspirado por uma ideologia totalmente descolada da realidade?

O ideal é que este avô iletrado fique culto, evolua em suas compreensões, estabilizando suas percepções com base na realidade. Na Alemanha pré-nazismo, contava-se – na imprensa, nas universidades, no empresariado, em casa, em todos os ambientes – com avós cultos e com mestres revolucionários. Já sabemos quem fez o estrago. No Brasil, dispomos apenas dos conselhos do avô iletrado (que está em todos os ambientes) ou das orientações do mestre revolucionário (limitado às universidades e redações). As pessoas da fotografia que ilustra este texto fizeram sua escolha; o restante da população não está representado na fotografia porque teve de viver a vida real.[2]
A esquerda não conseguiu concluir o processo que iniciou nos anos 1960 e que foi potencializado nos governos do PT – falo do processo de espalhar o veneno da educação afetada, ressentida e revolucionária a tempo de anestesiar por completo o país. Quase conseguiram. A missão desta nação, portanto, após derrubar o esquema petista, será a de espalhar o antídoto da simples percepção da realidade. Em primeiro lugar, teremos de reafirmar que um mais um dá dois, que a grama é verde, que a água molha. Cabe a nós – que, como nação, na melhor das hipóteses, somos experientes e justos avós iletrados – transformarmo-nos em avós cultos ou ouvir aqueles que assim se formarem, para que o canto da sereia problematizadora e ressentida seja inaudito, para que osmestres revolucionários não consigam mais fomentar ódio e destruição “por um mundo melhor” e sejam colocados em seu devido lugar: num canto, babando na gravata, sem se atrever a mover uma palha[3].

[1] Figura de linguagem; é claro que não foram “nações inteiras” que seguiram Hitler, Lenin, Stalin, Fidel etc., mas maiorias, enormes porções, grandes o suficiente para garantir a vitória dos fascínoras.

[2] No Brasil, além dos iletrados imunes à idiotia academicista e dos estúpidos adestrados, sobram ainda aqueles poucos que, como eu, passaram pelo ambiente universitário e não sucumbiram ao canto da sereia problematizadora. Pois, afirmo com toda a certeza que os indivíduos desse terceiro grupo (o menor de todos), enquanto estiveram expostos à mentalidade revolucionária universitária, não raro duvidaram da realidade, das verdades dos fatos, dos limites entre o certo e o errado.

[3] << Até o século XIX o idiota era apenas o idiota e como tal se comportava. E o primeiro a saber-se idiota era o próprio idiota. Não tinha ilusões. Julgando-se um inepto nato e hereditário, jamais se atreveu a mover uma palha, ou tirar um cadeira do lugar. Em 50, 100 ou 200 mil anos, nunca um idiota ousou questionar os valores da vida. Simplesmente, não pensava. Os “melhores” pensavam por ele, sentiam por ele, decidiam por ele. Deve-se a Marx o formidável despertar dos idiotas. Estes descobriram que são em maior número e sentiram a embriaguez da onipotência numérica. E, então, aquele sujeito que, há 500 mil anos, limitava-se a babar na gravata, passou a existir socialmente, economicamente, politicamente, culturalmente etc. houve, em toda parte, a explosão triunfal dos idiotas. >> Nelson Rodrigues
 

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LENIN, STALIN, CEAUSESCU, OBAMA: COMO LÍDERES MARXISTAS ESCONDEM SEU PASSADO  -  11/09/2015

(PJ Media em Mundo - Internacional - Este artigo foi publicado originalmente em 13/11/2013, mas permanece atual e de leitura necessária)

Estive ausente destas páginas por um tempo. O meu novo livro Disinformation, escrito em coautoria com o professor Ronald Rychlak, e o documentário nele baseado monopolizaram o meu tempo. Mas, uma nauseante operação estiloglasnost em andamento nos Estados Unidos me faz sentir como se estivesse assistindo a uma reencenação da imensa glasnost que eu costumava conduzir durante a minha época como conselheiro do presidente da Romênia comunista, Nicolae Ceausescu.

Não, glasnost não é um erro de impressão ou digitação. Durante os meus anos no topo da comunidade KGB, glasnost era o codinome de uma ferramenta de inteligência ultrassecreta da ultrassecreta “ciência” negra de desinformação da KGB. A sua missão era transformar o país num monumento a seu líder e retratá-lo como o próprio Deus. Isto me trouxe de volta ao JP Media e aos seus leitores, pois a glasnost só funciona para quem não sabe o que ela realmente significa.

Se você pensa que Gorbachev inventou a palavra glasnost para descrever os seus esforços na condução da União Soviética “para longe do estado totalitário e na direção da democracia, liberdade e abertura”, você não está sozinho. Toda a mídia ocidental e a maioria dos especialistas ocidentais, até mesmo os de órgãos de inteligência e defesa, acreditam nisto também – como o comitê que deu a Gorbachev o Prêmio Nobel da Paz. A venerável Enciclopédia Britânica defineglasnost como “Política soviética de discussão aberta sobre questões políticas e sociais. Foi instituída por Mikhail Gorbachev no fim da década de 1980 e deu início à democratização da União Soviética” (1). E o American Heritage Dictionary define glasnost como uma política oficial do antigo governo soviético enfatizando a sinceridade na discussão de problemas e fraquezas sociais (2).

Mas glasnost é, na verdade, um velho termo russo cujo significado é dar brilho à imagem do ditador. Em meados da década de 1930 – meio século antes daglasnost de Gorbachev – a enciclopédia oficial soviética definiu a palavra glasnostcomo uma interpretação particular nas notícias liberadas para o público: “Dostupnost obshchestvennomy obsuzhdeniyu, kontrolyu; publichnost“, significando a qualidade da informação disponibilizada para o controle ou para a discussão pública (3). Em outras palavras, glasnost significa, literalmente, fazer propaganda, ou seja, autopromoção. Desde o século XVI, desde Ivan, o Terrível, o primeiro ditador a se tornar o czar de todos os russos, todos os líderes daquela nação têm usado a glasnost para se promover dentro e fora do país. Os czares comunistas adaptaram aos nossos dias a longa tradição da glasnost. A cidade de Tsaritsyn foi renomeada para Stalingrado – como São Petersburgo, assim chamada para homenagear Pedro, o Grande, foi renomeada para Leningrado para glorificar Lenin. O corpo embalsamado do mais novo santo da Rússia, Lenin, foi colocado em exibição em Moscou como uma relíquia sagrada para a adoração pública.

Como era de se esperar nos Balcãs, a glasnost romena tomou uma coloração gloriosamente bizantina. Praticamente todas as cidades tinham o seu Boulevard Gheorghiu-Dej, a sua Praça Gheorghiu-Dej, o seu Largo Gheorghiu-Dej. O retrato do seu sucessor, Nicolae Ceausescu, estava pendurado nas paredes de todos os escritórios romenos – como o busto de Putin hoje ornamenta todos os prédios da imensa burocracia russa.

Durante as eleições de 2008, quando o Partido Democrata proclamou o senador Barack Obama como um messias americano, eu desconfiei que a glasnost havia começado a infectar os Estados Unidos. O senador concordou. Em 8 de junho de 2008, durante um discurso em New Hampshire, ele disse que o início do seu mandato presidencial seria “o momento em que a elevação dos oceanos começaria a diminuir e o nosso planeta começaria a ser curado” (4). Uma sequência indiscreta no YouTube exibida na Fox TV revelou a imagem do ídolo comunista Che Guevara pendurada na parede do escritório de campanha do senador Obama em Houston (5). Logo em seguida, as assembleias eleitorais do Partido Democrata começaram a se parecer com as reuniões de despertar religioso de Ceausescu – mais de oitenta mil pessoas reunidas em frente do agora famoso templo grego semelhante à Casa Branca erguido em Denver para a aclamação do novo messias americano.

Muitos poucos americanos consideraram esta retórica como uma nova expressão de democracia. Para mim, foi uma repetição da glasnost de Ceausescu, concebida para transformar a Romênia num monumento a ele. “Um homem como eu só nasce a cada quinhentos anos”, dizia ele sem cessar.

Estaria o senador Obama usando uma glasnost ao estilo Ceausescu? Bem, eu duvido que ele tivesse uma ideia do real significado da glasnost. Ele estava usando calças curtas – na Indonésia comunista – quando a glasnost estava na moda. Mas, quando comparo algumas das coisas que o senador, e mais tarde presidente, Obama fez, ao lado dos seus pronunciamentos públicos, com o modus operandi e a história da glasnost, eu me vejo terrivelmente perto de uma glasnost real.

Vamos fazer o exercício juntos para você julgar por si mesmo.

Em 2008, o agora falecido veterano jornalista David S. Broder comparou as táticas do senador Obama para esconder o seu passado socialista às táticas de proteção usadas pelos pilotos militares ao sobrevoar um alvo fortemente defendido por armas antiaéreas: “Eles liberam uma nuvem de fragmentos metálicos leves na esperança de confundir a mira dos projéteis ou mísseis lançados na sua direção” (6). Eis uma boa definição de glasnost.

Toda glasnost que eu conheci tinha como tarefa prioritária apagar o passado do ditador dando-lhe uma nova identidade política. A glasnost de Stalin apagou o seu horrível passado de assassino de cerca de 24 milhões de pessoas retratando-o como um deus na terra, com o seu ícone exibido proeminentemente por todo o país. A glasnost de Khruschev visava construir uma fachada internacional de paz para o homem responsável por trazer para o Ocidente os assassinatos políticos da KGB. Isto foi provado pela Suprema Corte da Alemanha Ocidental em outubro de 1962, durante o julgamento público de Bogdan Stashinsky, oficial da KGB condecorado pelo próprio Khrushchev por ter assassinado inimigos da Rússia residentes no Ocidente (7). Gorbachev, informante da KGB quando estudante da Moscow State University (8) incumbiu a sua glasnost de tirar a atenção do seu passado na KGB retratando-o como um prestidigitador que exibia uma galanteadora “Miss KGB” para os correspondentes ocidentais e era o responsável pela transformação da União Soviética numa “sociedade marxista de pessoas livres” (9).

Em 2008, quando o senador Obama concorria para presidente, as suas políticas de tributos e o seu histórico de votos mostravam-no como “o candidato mais à esquerda jamais nomeado para presidente dos Estados Unidos” (10). Você se lembra? Concorrer como socialista, entretanto, significava navegar por águas desconhecidas, e o senador decidiu dissimular a sua imagem socialista apresentando-se como um Reagan contemporâneo (11). Após ser eleito, o presidente Obama foi mais longe, exibindo-se como um Lincoln dos dias de hoje (12) ou como um novo Teddy Roosevelt (13).

Os discursos de autopromoção foram outra arma da glasnost. Os discursos daglasnost de Lenin mudaram tanto o marxismo que os seus seguidores acabaram por chamá-lo de “leninismo”. Stalin colocou o marxismo, o leninismo, a dialética de Hegel e o materialismo de Feuerbach num mesmo balaio de glasnost e criou o seu próprio “marxismo-leninismo-stalinismo”.

Os discursos da glasnost de Ceausescu eram uma ridícula mistura de marxismo, nacionalismo e adulação bizantina chamada ceausismo. Todos os seus discursos eram focados em Ceausescu, e todos eram tão escorregadios, indefinidos e inconstantes que ele encheu 24 volumes dos seus trabalhos reunidos sem ser capaz de descrever o real significado do ceausismo. Em 9 de novembro de 1989, o Muro de Berlin caiu, sinalizando o fim do Império Soviético. No dia 14 de novembro, Ceausescu convocou o XIV Congresso do Partido Comunista no qual fez um discurso de glasnost de quatro horas que convenceu os participantes a reelegerem-no e a sua iletrada esposa como líderes da Romênia.

Os discursos de glasnost funcionam para quem não sabe o que ela realmente significa. Eles também funcionaram para o presidente Obama. Nos seus primeiros 231 dias na Casa Branca, ele fez 263 discursos (14). Todos eram, basicamente, sobre ele mesmo (15). O seu discurso State of Union de 2010 exibiu a palavra “eu” 76 vezes. Em 2011, quando anunciou a morte de Osama bin Laden pelas forças americanas, o presidente Obama usou as palavras “eu”, “mim” e “meu” 13 vezes combinadas num discurso de apenas 1300 palavras (16).

“Eu mandei o diretor da CIA… Eu me reuni repetidamente com a minha equipe de segurança nacional… Eu determinei que tínhamos inteligência suficiente para agir… Sob a minha direção, os Estados Unidos lançaram uma operação contra o Complexo de Abbottabad, no Paquistão” (17).

O discurso State of Union de 2012 do presidente Obama continha a palavra “eu” 45 vezes, e a palavra “mim” 13 vezes. Na ocasião, ele estava na Casa Branca fazia 1080 dias, e havia feito 726 discursos (18).

Em 2011, quando a agência S&P rebaixou a taxa de crédito dos Estados Unidos pela primeira vez na história do nosso país, o presidente Obama fez outro discurso. Foi um bom discurso, tão bom quanto um discurso pode ser – ele é um excelente orador. Mas aquele discurso foi tudo o que o presidente Obama fez. Por isso, o débito nacional aumentou, e o custo de garantia contra a inadimplência aumentou de uma base de 25 para 55 pontos.

Logo após o bárbaro assassinato do embaixador J. Christopher Stevens e três dos seus subordinados dentro do nosso posto diplomático em Benghazi, cometido na emblemática data de 11 de setembro por terroristas islâmicos assumidos, o presidente Obama fez outro discurso. Foi outro bom discurso, mas discursos não detêm o terrorismo. O subsequente ataque terrorista de 2013 na Maratona de Boston foi seguido por mais um discurso presidencial. “Extremistas domésticos. Este é o futuro do terrorismo”, proclamou o presidente. Tudo o que tínhamos a fazer era fechar Guantánamo e realizar uma ligeira alteração no modo como os drones eram usados.

Poucos meses atrás, quando o governo terrorista da Síria matou cerca de 1.300 pessoas com armas químicas, o presidente Obama fez diversos discursos. Mas discursar foi a sua única atitude, e isto permitiu à KGB de Putin, agora instalada no Kremlin, assumir o controle da nossa política em relação à Síria. Poucos dias atrás, quando o website do Obamacare fechou, o presidente reagiu com mais um discurso, garantindo ao país que o Obamacare “está funcionando excelentemente. Em alguns casos, na verdade, supera as expectativas.” Na opinião do jornalista do Washington Post, Ezra Klein, o discurso era quase idêntico ao que ele poderia ter feito se o lançamento de um produto tivesse ocorrido sem problemas. Ele estava certo. Foi apenas outro discurso à glasnost.

Por fim, há a tendência atual de transformar os EUA num monumento estiloglasnost ao seu líder. Mostro abaixo uma lista de instituições e locais já nomeados em homenagem ao presidente Obama:
Califórnia: President Barack Obama Parkway, Orlando; Obama Way, Seaside; Barack Obama Charter School, Compton; Barack Obama Global Preparation Academy, Los Angeles; Barack Obama Academy, Oakland.
Flórida: Barack Obama Avenue, Opa-loka; Barack Obama Boulevard, West Park.
Maryland: Barack Obama Elementary School, Upper Marlboro.
Missouri: Barack Obama Elementary School, Pine Lawn.
Minnesota: Barack and Michelle Obama Service Learning Elementary, Saint Paul.
Nova Jersey: Barack Obama Academy, Plainfield; Barack Obama Green Charter High School, Plainfield.
Nova York: Barack Obama Elementary School, Hempstead.
Pensilvânia: Obama High School, Pittsburgh.
Texas: Barack Obama Male Leadership Academy, Dallas.

Não quero dizer que o presidente Obama seja um Putin ou Ceausescu. O presidente é certamente ele mesmo – bem educado, bem falante, carismático e agradável. Pertence a uma minoria, como eu também pertenço a outra minoria. Mas ele aparentemente caiu no canto da sereia socialista e da glasnost, como eu mesmo e milhões de outros como eu em todo o mundo também caímos naquela idade da vida.

Os Estados Unidos venceram a Guerra Fria porque Ronald Reagan foi eleito presidente bem depois de ter se purgado de uma passageira paixão socialista. Foi então capaz de identificar a glasnost de Gorbachev como a fraude política que realmente era, e assim conseguiu vencê-la. Vamos torcer para que o presidente Obama faça o mesmo.
Em novembro de 2014 enfrentaremos, em minha opinião, as mais importantes eleições da história americana. Aparentemente, os eleitores decidirão quais dos dois principais partidos políticos controlará o Congresso dos EUA. Na realidade, o eleitor decidirá entre manter o nosso país como o líder do mundo livre ou transformá-lo numa irrelevância glasnost.

O PJ Media está unindo forças com o WND (o editor de Disinformation) para ajudar os seus leitores a adquirir o conhecimento para falar franca e abertamente – os inimigos a serem derrotados são o socialismo e a glasnost.

Fontes:
1 – Glasnost, Britannica Concise.
2 – http://dictionary.reference.com/browser/glasnost
3 – Tolkovyy Slovar Russkogo Yazyka (Explanatory Dictionary of the Russian Language), ed. D.N. Ushakov (Moscow: “Soviet Encyclopedia” State Institute, 1935), Vol. I, p. 570.
4 – http://www.youtube.com/watch?v=oQNkVmdicvA
5 – James Joyner, “Obama Che Guevara Flag Scandal“, Outside the Beltway, February 12, 2008.
6 – David S. Broder, “Obama’s Enigma”, The Washington Post, July 13, 2008, p. B7.
7 – John Barron, “KGB: The Secret Work of Soviet Secret Agents”. New York: Reader’s Digest Books, 1974, reprinted by Bantam Books, p. 429.
8 – Zhores Medvedev, “Gorbachev”. New York: Norton, 1987, p. 37.
9 – Mikhail Gorbachev, “Perestroika: New Thinking for Our Country and the World”. New York: Harper & Row, 1987; passim.
10 – Peter Kinder, “Missourians Reject Obama”.
11 – Jonathon M. Seidl, “Obama Compares Himself Tom Reagan: Republicans Aren’t Accusing Him Of ‘Being Socialist’”, The Blaze, October 5, 2011.
12 – Alexandra Petri, “Obama is up there with Lincoln, Roosevelt, and Johnson”, The Washington Post, December 12, 2011, PostOpinions.
13 – David Nakamura, “Obama invokes Teddy Roosevelt in speech attacking GOP policies”, The Washington Post, December 6, 2011.
14 – “How Many Speeches Did Obama Give“, Newswine.com, July 16, 2010.
15 – Thomas Lifson, “Obama’s troop withdrawal speech: when politics triumphs victory”, American Thinker, June 23, 2011.
16 – “Right-Wing Media Fixated On Obama’s ‘Shamless’ Bin Laden Speech“, Mediamatters, May 3, 2011.
17 – George Landrith, “The ‘it’s all about me’ president“, The Daily Caller, May 5, 2011.
18 – http://wiki.answer.com/Q/How_many_speeches_did_Obama_give (as searched in January.)
Esta matéria foi originalmente publicada pela PJ Media (via Mídia Sem Máscara)
 

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PEDIDO DE IMPEACHMENT DA PRESIDENTE DA REPÚBLICA  -  02/09/2015


EXCELENTÍSSIMO SENHOR PRESIDENTE DA CÂMARA DOS
DEPUTADOS FEDERAIS DO BRASIL
“O princípio geral a se observar é que ‘(...) não se
deve proceder contra a perversidade do tirano
por iniciativa privada, mas sim pela autoridade
pública’, dito isto, reitera-se a tese de que,
cabendo à multidão prover-se de um rei, cabe-lhe
também depô-lo, caso se torne tirano...” (Santo
Tomás de Aquino. Escritos Políticos. Petrópolis:
Vozes, 2001. p. 25).
“Em todo país civilizado, há duas necessidades
fundamentais: que o poder legislativo represente
o povo, isto é que a eleição não seja falsificada, e
que o povo influa efetivamente sobre os seus
representantes.” (Rui Barbosa. Migalhas de Rui
Barbosa, org.Miguel Matos).
HÉLIO PEREIRA BICUDO, brasileiro, casado, Procurador de
Justiça Aposentado, portador da Cédula Identidade RG n. 5888644, CPF n. 005.121418-
00, Título de Eleitor n. 148.181.900.124, com endereço na Rua José Maria Lisboa,
1356, apto 31, Jardim Paulista, São Paulo-SP; e JANAINA CONCEIÇÃO
PASCHOAL, brasileira, casada, advogada, portadora da Cédula de Identidade RG n.
24.130.055-1, CPF n. 195.295.878-48, Título de Eleitor n. 252.385.180.175, com
endereço na Rua Pamplona, 1.119, cj. 41, Jardim Paulista, São Paulo-SP; ambos
cidadãos brasileiros, como comprovam as certidões anexas, com fundamento nos
artigos 51, inciso I, e 85, incisos V, VI e VII, da Constituição Federal; nos artigos 4º.,
2
incisos V e VI; 9º. números 3 e 7; 10, números 6, 7, 8 e 9; e 11, número 3, da Lei
1.079/50; bem como no artigo 218 do Regimento Interno desta Egrégia Casa, vêm
apresentar DENÚNCIA em face da Presidente da República, Sra. DILMA VANA
ROUSSEFF, haja vista a prática de crime de responsabilidade, conforme as razões de
fato e direito a seguir descritas, requerendo seja decretada a perda de seu cargo, bem
como a inabilitação para exercer função pública, pelo prazo de oito anos.
I- Dos fatos:
O Brasil está mergulhado em profunda crise. Muito embora o
Governo Federal insista que se trata de crise exclusivamente econômica, na verdade, a
crise é política e, sobretudo, MORAL.
O Governo Federal também tenta fazer crer que tal crise pode se
tornar institucional; sugere que se arrefeçam os ânimos, admitindo-se o quadro de
horror que se estabeleceu no país; porém, não há que se falar em crise institucional. As
instituições estão funcionando bem e, por conseguinte, possibilitam sejam desvendados
todos os crimes perpetrados no coração do Poder.
O Tribunal Superior Eleitoral, em longo e minucioso processo,
tem apurado inúmeras fraudes, verdadeiros estelionatos, encetados para garantir a
reeleição da Presidente da República, tendo o Ministro Gilmar Mendes aduzido que, se
soubesse, anteriormente, do que sabe na atualidade, não estariam aprovadas as contas de
campanha da Presidente. Também o Ministro João Otávio de Noronha defendeu a
abertura de investigação referente à campanha da denunciada1.
Foi assim que, no último dia 26 de agosto, o Tribunal Superior
Eleitoral decidiu reabrir o julgamento sobre as contas da Presidente2.
1 - ver: http://www1.folha.uol.com.br/poder/2015/08/1668174-ministros-defendem-investigacao-no-tsesobre-
campanha-de-dilma.shtmlhttp
2 - conferir em:http://g1.globo.com/bom-dia-brasil/noticia/2015/08/tse-vota-para-reabrir-acao-sobrecontas-
da-campanha-de-dilma.html
3
Em paralelo, o Tribunal de Contas da União (TCU) assinalou
flagrantes violações à Lei de Responsabilidade Fiscal, as quais ensejaram
Representação Criminal à Procuradoria Geral da República, em petição elaborada pelo
Eminente Jurista Miguel Reale Júnior.
Essa notitia criminis demonstra que a Presidente, que sempre se
apresentou como valorosa economista, pessoalmente responsável pelas finanças
públicas, deixou de contabilizar empréstimos tomados de Instituições Financeiras
públicas (Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil), contrariando, a um só tempo, a
proibição de fazer referidos empréstimos e o dever de transparência quanto à situação
financeira do país. Em suma, houve uma maquiagem deliberadamente orientada a
passar para a nação (e também aos investidores internacionais) a sensação de que o
Brasil estaria economicamente saudável e, portanto, teria condições de manter os
programas em favor das classes mais vulneráveis3.
Em 26 de agosto do corrente ano, Ministro do TCU noticiou à
BBC que alertara a Presidente acerca das irregularidades em torno das chamadas
pedaladas fiscais4.
Na esteira do histórico processo do Mensalão, Ação Penal
Originária 470, em que restaram expostos os planos de perpetuação no poder por parte
do Partido Político ao qual a Presidente da República é filiada, foi deflagrada a
Operação Lava Jato, que em cada uma de suas várias fases colhe pessoas próximas à
Presidente, desconstruindo a aura de profissional competente e ilibada, criada por
marqueteiros muito bem pagos.
Com efeito, a máscara da competência fora primeiramente
arranhada no episódio envolvendo a compra da Refinaria em Pasadena pela Petrobrás.
Por todos os ângulos pelos quais se analise, impossível deixar de reconhecer que o
3 - íntegra da representação, disponível em: http://veja.abril.com.br/complemento/pdf/peticao.pdf
4 - http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/bbc/2015/08/26/presidente-se-assustou-com-crise-por-faltade-
contato-com-a-sociedade-diz-ministro-do-tcu.htm
4
negócio, mesmo à época, se revelava extremamente prejudicial ao Brasil. Segundo
consta, as perdas foram superiores a setecentos milhões de reais5.
Na oportunidade, a Presidente da República era presidente do
Conselho da Estatal e deu como desculpa um equívoco relativo a uma cláusula
contratual. À época, muitos indagaram se essa suposta falha não infirmaria a fama de
competência e expertise na seara de energia, porém, ninguém teve a audácia de
desconfiar da probidade da Presidente.
Mas, como se diz popularmente, Pasadena foi apenas a ponta do
“iceberg”, pois a Operação Lava Jato realizou verdadeira devassa em todos os negócios
feitos pela Petrobrás, constatando, a partir de colaborações premiadas intentadas por
Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef, que as obras e realizações propaladas como
grandes conquistas do Governo Dilma não passavam de meio para sangrar a promissora
estatal que, atualmente, encontra-se completamente descapitalizada e desacreditada,
inclusive internacionalmente. Nas palavras de um dos Ministros do Supremo Tribunal
Federal, comparado à Lava Jato, o Mensalão se transformou em feito passível de ser
julgado por Juizado de Pequenas Causas6.
Vale destacar que Paulo Roberto Costa era pessoa muito próxima
à Presidente da República, ao lado de quem posou para várias fotografias em eventos
públicos, tendo sido convidado para o casamento da filha da Presidente, em cerimônia
bastante reservada7.
Para a infelicidade do país, os prejuízos havidos com Pasadena
ficaram pequenos diante do quadro de descalabro que se descortinou. Reforça-se, a cada
dia, a convicção de que algumas empresas foram escolhidas para serem promovidas
internacionalmente e, a partir de então, participando de irreais licitações, drenar a
estatal, devolvendo grande parte dos valores por meio de propinas, ou de doações
aparentemente lícitas.
5 - ver: http://www1.folha.uol.com.br/poder/2015/02/1584966gracafostereoutroscincodiretoresdapetrobrasrenunciam.
shtml
6 - ver: http://adaorochas.jusbrasil.com.br/noticias/152845121/gilmarmendesdizmensalaoepequenascausasfrentealavajato
7 - http://veja.abril.com.br/blog/radar-on-line/brasil/veja-como-dilma-rousseff-e-paulo-roberto-costaeram-
proximos-ha-seis-anos/
5
Em outubro de 2014, ao prestar seu segundo depoimento em
colaboração, Alberto Youssef asseverou que, dentre outras autoridades, a Presidente da
República tinha ciência do que acontecia na Petrobrás8. Em 25 de agosto do ano
corrente, Youssef reafirmou que Lula e Dilma sabiam do esquema de propinas, na
Petrobrás9. Em acórdão da lavra do Ministro Dias Toffoli, exarado no Habeas Corpus de
número 127.483/PR, o Egrégio Supremo Tribunal Federal confirmou a validade da
colaboração premiada realizada com Youssef10.
Por força das constatações da Operação Lava Jato, foram presos o
ex- Ministro José Dirceu, o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, o ex-dirigente da
Petrobrás Nestor Cerveró, pessoas que a Presidente fazia questão de reverenciar, até que
negar os descalabros ficasse impossível.
Apesar das investigações em andamento e diante de fortes
indícios de que muitas irregularidades haviam sido praticadas, a denunciada seguiu
discursando pelo Brasil, reforçando a confiança nos dirigentes da estatal, como a
presidente Graça Foster11. Aliás, durante todo o processo eleitoral, a denunciada negou
que a situação da Petrobrás, seja sob o ponto de vista moral, seja sob o ponto de vista
econômico, era muito grave12.
Com efeito, mesmo com todas as notícias veiculadas, a
denunciada insistiu na estapafúrdia tese de que as denúncias seriam uma espécie de
golpe, mera tentativa de fragilizar a Petrobrás, sempre destacando sua expertise na área
de economia e energia, ou seja, a Presidente dava sua palavra acerca da higidez da
empresa! Vale lembrar que a presidente da Petrobrás deixou o cargo apenas em
fevereiro de 2015, quando a situação já era insustentável13.
8 - http://media.folha.uol.com.br/poder/2015/03/12/youssef-termo-de-colaboracao-002.pdf
9 - http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,youssef-diz-que-ouviu-de-janene-que-lula-ficoucontrariado-
com-nomeacao-de-costa,1750446
10 - http://s.conjur.com.br/dl/leia-voto-toffoli-reconhecendo-hc.pdf
11 - ver: http://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2014/04/14/dilma-diz-que-petrobras-ja-einvestigada-
e-nada-vai-destruir-a-empresa.htm
12 - ver: http://www.cartacapital.com.br/politica/em-ultimo-ato-de-campanha-dilma-faz-caminhada-emporto-
alegre-5180.html
13 - http://www1.folha.uol.com.br/poder/2015/02/1584966gracafostereoutroscincodiretoresdapetrobrasrenunciam.
shtml
6
Mas o quadro é ainda pior. A Operação Lava Jato jogou luz sobre
a promíscua relação havida entre o ex- Presidente Lula e a maior empreiteira envolvida
no escândalo, cujo presidente já está preso, há um bom tempo. Não há mais como negar
que o ex- Presidente se transformou em verdadeiro operador da empreiteira,
intermediando seus negócios junto a órgãos públicos, em troca de pagamentos
milionários por supostas palestras, dentre outras vantagens econômicas.
Em julho de 2015, o Ministério Público Federal do Distrito
Federal, por força do trabalho do Núcleo de Combate à Corrupção, iniciou investigação
pela suposta prática de tráfico de influência, por parte do ex-presidente Lula, a fim de
apurar favorecimento ao grupo Odebrecht, no exterior14.
Recentemente, o Egrégio Tribunal Regional Federal da 4ª.
Região, por meio de acórdão prolatado pelo Desembargador Federal João Pedro Gebran
Neto, nos autos do Habeas Corpus de número 503125866.2015.4.04.0000/PR,
impetrado em benefício do presidente da Odebrecht, denegou a ordem, aduzindo que os
fatos envolvendo a Petrobrás são notórios.
“O histórico do processo é extenso, não sendo possível tal
conclusão da análise crítica e exclusiva do decreto
prisional ora impugnado. Há critérios para a decretação
das prisões, os quais se fundam no art. 312 do Código de
Processo Penal, reservadas, como já ressaltado pela 8ª
Turma deste Tribunal, aos principais atores da empreitada
criminosa. Assim, 'em um grupo criminoso complexo e de
grandes dimensões, a prisão cautelar deve ser reservada
aos investigados que, pelos indícios colhidos, possuem o
domínio do fato como os representantes das empresas
envolvidas no esquema de cartelização ou que exercem
papel importante na engrenagem criminosa'. (HC nº
501676317.2015.404.0000). Ademais, a realidade
14 - http://epoca.globo.com/tempo/noticia/2015/07/mpf-abre-inquerito-contra-ex-presidente-lula-portrafico-
de-influencia-internacional.html
7
processual contradiz qualquer assertiva em sentido
contrário. Há delatores presos e não delatores em
liberdade. Bom exemplo é o caso do investigado e réu
Ricardo Ribeiro Pessoa, Diretor da UTC, que, mesmo
após a obtenção da liberdade provisória, decidiu, por
iniciativa própria, celebrar acordo de delação premiada.
Gerson de Mello Almada, dirigente da Engevix, mesmo
sem recorrer ao acordo de colaboração, admitiu a
existência de cartel, do pagamento de propinas e indicou a
participação da Odebrecht no esquema. 3.4. Assim,
presentes os pressupostos para decretação da prisão
preventiva, seja por força do risco à instrução processual,
dada a existência de indicativos que o paciente pretendeu
destruir provas, seja à ordem pública, ante a reiterada e
multiplicidade de condutas ilícitas praticadas por meio de
pessoas jurídicas, as quais até hoje mantém contratos com
a administração pública, atuando de modo organizado e
cooperado para fraudar licitações, aferir ganhos
extraordinários, bem como risco à ordem econômica.
Sobre este último aspecto, desnecessário gastar tinta,
porquanto basta abrir qualquer jornal para verificar
os prejuízos causados à Petrobrás, à economia nacional
e as severas consequências internacionais que a
empresa e o Estado estão na iminência de sofrer”15.
Os contornos de crime de responsabilidade ficam mais salientes,
quando se verifica que Lula é muito mais do que um ex- Presidente, mas alguém que,
segundo a própria denunciada, lhe é indissociável e NUNCA SAIU DO PODER.
15 - íntegra do acórdão disponível em http://www.migalhas.com.br/arquivos/2015/8/art20150826-04.pdf
(destacamos)
8
De fato, antes de o candidato do PT para a eleição de 2014 estar
definido, quando perguntada acerca da possibilidade de o ex- Presidente voltar, a atual
Presidente respondeu que ele (Lula) não iria voltar porque nunca havia saído, frisando
que ambos seriam indissociáveis16.
Ora, se a Presidente era (e é) indissociável de Lula, muito
provavelmente, sabia que ele estava viajando o mundo por conta da Construtora
Odebrecht, que coincidentemente sagrou-se vencedora para realizar muitas obras
públicas, no Brasil e no exterior! Aliás, não se podem desconsiderar as fortes acusações
feitas pelo empresário gaúcho Caio Gorentzvaig17.
Recentemente, houve o vazamento de um relatório do COAF,
dando conta de que o ex- Presidente Lula teria recebido quase TRINTA MILHÕES DE
REAIS, boa parte de empresas que contratam com o Governo Federal, por supostas
palestras. Pois bem, ao invés de mandar investigar os estranhos recebimentos, a
Presidente da República, por meio de seu Ministro mais próximo, mandou apurar o
vazamento da informação, em mais um sinal de que está disposta a tudo para proteger
seu antecessor18.
A esse respeito, cumpre ressaltar a constante defesa que a
denunciada faz da figura do ex-presidente Lula. Mesmo presentemente, objetivando lhe
conferir certa imunidade, estuda elevá-lo à condição de Ministro. Elevar à condição de
Ministro quem pode ter funcionado como operador da empreiteira que desfalcou a
Petrobrás?!
Independentemente de qualquer antecipação de juízo sobre culpa,
estando o presidente da Odebrecht preso, sendo fato notório que o Presidente Lula lhe
prestava assessoria nos contratos firmados e mantidos com o Poder Público, não seria
caso, no mínimo, de a Presidente Dilma Rousseff afastar-se, ao menos
institucionalmente, de seu antecessor?
16 - ver: http://www1.folha.uol.com.br/poder/2013/07/1317930-lula-nao-vai-voltar-porque-ele-nao-saiuafirma-
dilma.shtml
17 - conferir em: http://www.diariosp.com.br/mobile/noticia/detalhe/84897/empresariodenunciaesquemanaodebrecht
18 - ver: http://www.blogdokennedy.com.br/pf-vai-apurar-vazamento-de-dados-bancarios-de-lula/ e
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/tag/lula/
9
Necessário apontar que, apesar da edição da Lei de Acesso à
Informação, os montantes enviados para Cuba e Angola receberam a chancela de
sigilosos. Estranhamente, as empresas tão bem representadas pelo ex- Presidente,
indissociável da atual Presidente, segundo consta, conduziram obras nesses países!19.
Durante muitos anos, todos os brasileiros foram iludidos com o
discurso de que o ex- Presidente Lula seria um verdadeiro promotor do Brasil, no
exterior, um propagandista que estaria prospectando negócios para as empresas
nacionais, no estrangeiro. No entanto, conforme foram se descortinando os achados da
Operação Lava Jato, restou nítido que todo esse cenário serviu, única e exclusivamente,
para sangrar os cofres públicos.
Existe a tese de que nada haveria contra a Presidente da
República. No entanto, os escândalos que se sucedem, de há muito, passam próximos a
ela, não sendo possível falar em mera coincidência, ou falta de sorte. A Presidente da
República faz parte desse plano de poder. E os Poderes constituídos precisam, nos
termos da Constituição Federal, agir.
Não é exagero lembrar que, quando ainda era Ministra da Casa
Civil, a Presidente tinha como seu braço forte a ex-ministra Erenice Guerra, que sempre
se encontra em situações questionáveis, sendo certo que, mais recentemente, envolveuse
na Operação Zelotes, referente à corrupção no Carf20.
Como de costume, seja com relação a Erenice Guerra, seja com
relação a Graça Foster, seja com relação a Nestor Cerveró, ou Jorge Zelada, a
Presidente agiu como se nada soubesse, como se nada tivesse ocorrido, mantendo seus
assistentes intocáveis e operantes na máquina de poder instituída, à revelia da lei e da
Constituição Federal.
19 - conferir em: http://epoca.globo.com/tempo/noticia/2015/08/documentos-secretos-mostram-como-lulaintermediou-
negocios-da-odebrecht-em-cuba.html
20 - ver: http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2015/04/03/erenice-sera-investigada-na-operacaozelotes/
e http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/na-casa-civil-na-gestao-dilma-a-metros-dogabinete-
de-lula-caraca-que-dinheiro-e-esse-isso-aqui-e-meu-mesmo-eram-r-200-mil-em-dinheiro-vivo/
10
Para espanto de todos, Edinho Silva, tesoureiro da campanha da
Presidente, apontado como receptor de quase quatorze milhões de reais, é mantido no
Governo, no importante cargo de Ministro de Comunicação Social21. A situação é tão
gritante, que Ministro do Supremo Tribunal Federal determinou que o Ministro Edinho
Silva seja investigado22.
Poder-se-ia aduzir que fatos anteriores ao exercício da Presidência
da República seriam irrelevantes, como, por exemplo, a compra da Refinaria em
Pasadena, enquanto Dilma Rousseff era Presidente do Conselho da Petrobrás. Todavia,
fazer referência a esses acontecimentos se revela preciso, não com o fim de obter
responsabilização por eles, mas com o intuito de evidenciar que a tese do suposto
desconhecimento se mostra insustentável. Fosse um único fato, até se poderia admitir
tratar-se de um descuido, ou coincidência; porém, estando-se diante de uma verdadeira
continuidade delitiva, impossível crer que a Presidente da República não soubesse o que
estava passando a sua volta.
Em outras palavras, antes do descortinar dos fatos apurados na
Lava Jato, até era crível que a compra de Pasadena se tivesse dado por um erro relativo
a uma cláusula contratual; entretanto, passado todo esse tempo, com todos os
escândalos que vieram à tona, tem-se que Pasadena foi apenas mais um episódio e a
estratégia de “não sei, não vi” se revela modus operandi.
Em interceptação telefônica feita pela Polícia Federal, o ex-
Presidente Lula já evidenciou seu temor para com as apurações relativas ao BNDES.
Esse temor se justifica, pois os investimentos feitos pelo BNDES não serviram ao
desenvolvimento do país, mas à confecção de empresários subalternos, que traíram os
ditames da livre iniciativa, curvando-se aos detentores do poder, transformando-se em
meios para drenar o dinheiro público.
21 - ver: http://www.oantagonista.com/posts/investigando-dilma
22 - ver: http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/berreiro-do-pt-nao-intimida-as-instituicoes-gilmarmendes-
manda-janot-que-ate-agora-ignorou-edinho-silva-e-dilma-na-lava-jato-investigar-contas-dacampanha-
da-presid/ e http://eclipping.
imprensaoficial.com.br/pg.aspx?pg=NmVpbHpnL3ZwUWNXNWs3NTRkT0pXdz09
11
Renomados juristas proferiram pareceres favoráveis à instalação
do Processo de Impeachment e à perda do cargo da Presidente da República, sugerindo,
no entanto, que seus crimes de responsabilidade seriam de natureza culposa. Ao ver
desses dignos estudiosos, a governante máxima teria sido apenas negligente ao não
responsabilizar seus subalternos.
Com todo respeito a esses nobres pareceristas, com os quais ora
se concorda acerca do cabimento e procedência do Impeachment, nesta oportunidade,
afirma-se que tudo indica ter a denunciada agido com dolo, pois a reiteração dos fatos,
sua magnitude e o comportamento adotado, mesmo depois de avisada por várias fontes,
não são compatíveis com mera negligência.
Reforça o entendimento de que a Presidente da República agiu
com dolo o fato de ela sempre se mostrar muito consciente de todas as questões afetas
ao setor de energia, bem como aquelas relacionadas à área econômica e financeira.
Ademais, além de ser economista por formação, a dirigente máxima do país ocupou
cargos umbilicalmente relacionados ao setor de energia, não sendo possível negar sua
personalidade centralizadora. Em análise bastante minuciosa, o jornalista, escritor e
político Fernando Gabeira, mostra bem que só pode alegar falta de elementos para o
Impeachment quem não concatena os fatos23.
O caso é grave e, por isso, lança-se mão de medida drástica,
extrema, porém, CONSTITUCIONAL. Apresentar esta denúncia constitui verdadeiro
dever de quem estudou minimamente o Direito, sobretudo em seus ramos
Constitucional, Administrativo e Penal. Golpe será permitir que o estado de coisas
vigente se perpetue. Como bem ensinara o saudoso Ministro Paulo Brossard:
“O sujeito passivo do impeachment é a pessoa investida de
autoridade, como e enquanto tal. Só aquele que pode
malfazer ao Estado, como agente seu, está em condições
subjetivas de sofrer a acusação parlamentar, cujo escopo é
afastar do governo a autoridade que o exerceu mal, de
23 - disponível em http://opiniao.estadao.com.br/noticias/geral.banqueiros--empresarios-ecolunistas,
1752007
12
forma negligente, caprichosa, abusiva, ilegal ou facciosa,
de modo incompatível com a honra, a dignidade e o
decoro do cargo” (O Impeachment. 3ª. ed. São Paulo:
Saraiva, 1992. p. 134).
Se esta Casa não tomar as providências cabíveis, a tendência é
realmente este terrível quadro se acirrar, pois o Governo Federal já está movendo seus
tentáculos com o fim de mitigar a Lei Anticorrupção, objetivando, novamente, favorecer
as empresas que se encontram no centro dos escândalos que assolam o país, como bem
diagnosticado pelo Eminente Jurista Modesto Carvalhosa, em recente artigo24. Aliás, o
mesmo Professor denunciou a condescendência criminosa da Presidente da República,
já em dezembro de 201425.
Parte dos fatos objeto do presente feito pode constituir, além de
crimes de responsabilidade, crimes comuns. A Procuradoria Geral da República já está
de posse de representação pelos crimes comuns contrários à fé pública e às finanças
públicas. Por razões desconhecidas dos ora subscritores, a representação ainda não foi
avaliada pelo Procurador Geral da República, Dr. Rodrigo Janot, recém-reconduzido ao
cargo26.
Todavia, a possível ocorrência de crime comum não inviabiliza o
processo por crime de responsabilidade. Muito ao contrário, a existência de crimes
comuns apenas reforça a necessidade de se punir a irresponsabilidade. Em primeiro
lugar, tem-se que a Constituição Federal, a lei e a doutrina não afastam a possibilidade
de dupla punição (por infração política e também penal) e, em segundo lugar, diante da
inércia da autoridade competente para fazer apurar o crime comum, ainda mais legítimo
rogar a esta Egrégia Casa que assuma seu papel constitucional. É o que ora se requer!
24 - ver: http://opiniao.estadao.com.br/noticias/geral,a-petrobras-e-sua--dependencia-dacorrupcao,
1745833
25 - ver: http://opiniao.estadao.com.br/noticias/geral,o-crime-consumado-de-responsabilidade-imp-
,1610758
26 - íntegra da representação disponível em: http://veja.abril.com.br/complemento/pdf/peticao.pdf
13
Centenas de juristas reunidos em tradicional comemoração do dia
“XI de Agôsto” externaram sua indignação ao apoiar manifesto da lavra do Eminente
Jurisconsulto Flávio Flores da Cunha Bierrenbach27.
Em 2015, em diversas oportunidades, a população foi
maciçamente às ruas, em números muito superiores ao contingente de pessoas que se
mobilizou em 1992. Pouco antes da manifestação do dia 16 de agosto, ao lado de outros
tantos brasileiros, os denunciantes gravaram vídeo para o Movimento Vem pra Rua,
convidando a população a se mobilizar.
O vídeo feito com o primeiro signatário, bem como carta de sua
autoria, lida por Rogério Chequer, um dos líderes de tal Movimento, evidencia que, de
há muito, estamos vivendo em uma falsa Democracia, sendo certo que o resgate da
verdadeira se faz necessário.
O processo de Impeachment visa à verdade real, os fatos ora
narrados não limitam a atuação desta Câmara e do Senado Federal, por conseguinte,
desde logo, pleiteia-se que sejam levadas em consideração as revelações que ainda estão
por vir. De todo modo, o que já há apurado resta suficiente para deflagrar este processo.
II- Do Direito:
1. Da possibilidade jurídica do Impeachment por ato praticado no mandato
anterior:
“Embora não haja faltado quem alegasse que eleição
popular tem a virtude de apagar as faltas pretéritas, a
verdade é que infrações cometidas antes da investidura
no cargo, estranhas ao seu exercício ou relacionadas
com anterior desempenho, têm motivado o
impeachment, desde que a autoridade seja reinvestida
em função suscetível de acusação parlamentar. Estas
27 - conferir em: https://youtu.be/UPmelFZFnjc
14
dimensões, atribuídas ao impeachment, pela doutrina e
experiência americanas, condizentes, aliás, com as
características do instituto, não as ignora a literatura
brasileira. Maximiliano, a propósito, doutrinou: ‘só se
processa perante o Senado quem ainda é funcionário,
embora as faltas tenham sido cometidas no exercício de
mandato anterior’... Enfim, se infrações recentes ou
antigas podem motivar a apuração da
responsabilidade, a pena não vai além da destituição
do cargo, com inabilitação para o exercício de outro...”
(Paulo Brossard. O Impeachment. São Paulo: Saraiva,
3ª. ed. 1992. p. 137).
Em parecer apresentado ao Instituto dos Advogados de São Paulo
(IASP), o Eminente Jurista Adilson Abreu Dallari, quando questionado se “na hipótese
de reeleição do Presidente da República para mandato subsequente, pode haver
responsabilização por ato praticado no exercício da função em mandato anterior?”
respondeu: “Sim. No caso de reeleição, o Presidente da República estará no
exercício das funções, inerentes ao cargo, pelo período de oito anos, e pode ser
responsabilizado por atos e omissões que configurem crime de responsabilidade,
ocorridos durante todo esse período. A norma constitucional superveniente,
possibilitando o alargamento do período de exercício das funções inerentes ao
cargo, determina que a interpretação de normas, anteriormente existentes,
instituindo a responsabilidade com regra ampla e geral, seja feita de maneira
evolutiva, em conformidade com os princípios fundamentais da Constituição
Federal”28.
Ainda que indiretamente, também o Eminente Jurista Ives Gandra
Martins respondeu sim a este questionamento, na medida em que foi o primeiro a
publicamente sustentar a possibilidade e até a necessidade de cassar-se o mandato da
Presidente da República. E especificamente sobre o tema, aduziu: “Parece-me, pois, que
não se trata, no que diz respeito ao novo mandato, em que se mantém a mesma direção
28 - disponível em: http://s.conjur.com.br/dl/parecer-iasp-adilson-dallari-possivel.pdf
15
continuada da instituição do 1º mandato, se não de um mandato continuado, o que
levaria a possibilidade de considerar crime continuado contra a probidade da
administração, por falta das medidas necessárias de afastamento imediato de quem
dirigiu a estatal em setores estratégicos e agora na presidência da empresa, durante o
período de assalto a estatal (Presidente Lula e Presidente Dilma)”29.
Em maio de 2015, no Jornal do Advogado de São Paulo, Janaina
Conceição Paschoal, professora associada de Direito Penal na USP, subscritora da
presente, também respondeu sim, ao participar de debate referente ao cabimento de
Impeachment, por crime praticado no mandato anterior30. O professor associado de
Direito Processual Penal na USP, Gustavo Badaró, corroborou este entendimento31.
A esta altura, portanto, parece superada a exegese de que a
reeleição constituiria verdadeira anistia aos crimes perpetrados no primeiro mandato,
muitos dos quais, há que se dizer, intentados com o fim de garantir a reeleição.
Importante deixar bem claro que esta convicção não se deve apenas a uma vontade
política, decorrendo da análise sistemática da ordem jurídica. Vejamos.
A Constituição Federal, em seu artigo 85, diz que compete à lei
federal disciplinar os crimes de responsabilidade do Presidente da República, inclusive
no que concerne ao processo de Impeachment e a seu julgamento. Esses crimes são
previstos na Lei 1.079/50, que foi recepcionada pela Constituição Federal de 88; tanto
que sofreu posteriores alterações por parte da Lei 10.028/2000.
Em seu artigo 15, a Lei 1.079/50 estatui que “a denúncia só
poderá ser recebida enquanto o denunciado não tiver, por qualquer motivo,
deixado definitivamente o cargo”.
Em virtude da possibilidade de reeleição, houve manifestações no
sentido de que referido dispositivo impediria a perda do segundo mandato, em
decorrência de crime de responsabilidade praticado durante o primeiro.
29 - disponível em:
http://www.gandramartins.adv.br/parecer/detalhe/id/988010d8d9a94a46fb428519a0c3eaa7
30 - disponível em: http://www.hkl.com.br/oab_flip/default_novo.asp
31 - ver: http://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2015/08/1672125-presidente-reeleito-pode-sofrerimpeachment-
por-ato-realizado-em-mandato-anterior-sim.shtml
16
No entanto, impossível conferir tamanha amplitude para o artigo
15 da Lei 1.079/50. Referido dispositivo constitui apenas uma condição de
procedibilidade, como resta cristalino no acórdão prolatado pelo Egrégio Supremo
Tribunal Federal, no Mandado de Segurança n. 21.689/DF, impetrado em benefício do
ex- Presidente Fernando Collor de Mello.
Com efeito, na medida em que o fim primordial do processo de
Impeachment é a perda do cargo, a ação somente terá legitimidade para se iniciar, na
hipótese de o imputado estar no cargo a ser perdido. Daí a exigência de que não o tenha
deixado definitivamente.
Poder-se-ia pretender objetar, aduzindo que, na verdade, o artigo
15 implicaria uma condição de punibilidade, uma vez que está diretamente relacionado
à possibilidade de punição para o crime de responsabilidade. No entanto, uma vez
recebida a denúncia, se o acusado renunciar, objetivando se eximir do processo, tem-se
que, conforme ocorrera com o ex- Presidente Fernando Collor de Mello, o feito terá
seguimento, para a aplicação da sanção de inabilitação para função pública.
Nota-se, portanto, que a exigência de que o acusado esteja no
cargo para a recepção da denúncia funciona como a representação, nos crimes de ação
penal pública condicionada; ou seja, condição de procedibilidade.
Cumpre lembrar que, por não estar obrigado a se
desincompatibilizar para concorrer à reeleição, a bem da verdade, o Presidente da
República, sendo reeleito, nunca terá deixado definitivamente o cargo. Tanto é assim
que, durante a campanha, em regra, é tratado como Presidente/candidato, participando
de eventos de campanha e de compromissos oficiais. Esse é exatamente o caso da
Presidente Dilma Rousseff, ora denunciada, que não se licenciou do cargo de Presidente
por nenhum dia sequer. Em outras palavras, desde que eleita para seu primeiro mandato,
a denunciada jamais deixou definitivamente o cargo.
Em suma, desde a posse no primeiro mandato, não houve um só
momento em que o país tenha ficado sem sua Presidente. Não se pode, portanto, alegar
impossibilidade de Impeachment, por ter a denunciada deixado definitivamente o cargo.
17
Como se depreende da doutrina predominante, o processo de
Impeachment possui natureza político-administrativa; visa preservar a probidade
administrativa e o respeito para com o eleitorado.
Não é exagero destacar que o crime de responsabilidade pode se
verificar, independentemente de caracterizar-se também um crime comum. Por outro
lado, caso haja a dupla tipificação, os processos poderão coexistir, sendo certo que, na
eventualidade de o Procurador Geral da República não iniciar a ação por crime comum,
nos termos do artigo 33 da Lei 1.079/50, o próprio Senado Federal poderá suscitar a
questão perante o Supremo Tribunal Federal, caso entenda ter havido dupla tipificação.
Quando da narração dos fatos, acima, aduziu-se que, por força da
flagrante afronta à Lei de Responsabilidade Fiscal e da suposta prática dos crimes
capitulados no artigo 359-A e 359-C do Código Penal, além do delito de falsidade
ideológica, foi feita representação ao Procurador Geral da República. Os fatos agora
trazidos à apreciação desta Egrégia Câmara Federal extrapolam o objeto da mencionada
representação, caracterizando, extreme de dúvidas, crime de responsabilidade, como
mais adiante restará evidenciado.
Dizer que o processo de Impeachment tem natureza política não
liberta a acusação de evidenciar a tipicidade dos fatos. Ao contrário, no próximo item,
os ora denunciantes demonstrarão que todos os requisitos materiais estão presentes para
o início do processo e para a perda do cargo da denunciada ao final.
Não obstante, cumpre relembrar a natureza política do processo
de Impeachment, para que os membros desta Casa saibam que, embora vinculados pelos
estritos termos da Lei e da Constituição Federal, diversamente do juiz criminal, têm o
poder e o dever de analisar todo o contexto fático e não apenas os elementos
objetivamente trazidos à apreciação, na denúncia. Até por isso, o Professor Adilson
Abreu Dallari, no parecer antes mencionado, aduziu que eventuais falhas técnicas
podem ser a todo tempo sanadas, pois o fulcro não é meramente a verdade formal, mas a
verdade material, pelo bem do Brasil!
18
“Por ser um processo punitivo, o processo de cassação do mandato, para
apuração de infração político administrativa, deve observar as garantias
constitucionais decorrentes dos incisos LIV e LV do Art. 5º, de maneira a
assegurar sua eficácia, mas sem o rigorismo da legislação, da jurisprudência
e da doutrina do direito penal e do direito processual penal. Numa visão
estritamente jurídica, é preciso salientar que, enquanto o processo penal
busca a verdade processual, o processo administrativo está totalmente
dirigido à busca da verdade material. A tábua de salvação dos penalmente
acusados costuma ser alguma nulidade formal ou a insuficiência de provas.
No processo administrativo, entretanto, eventuais vícios podem ser
relevados, corrigidos ou convalidados, e é dever da autoridade processante
buscar provas para chegar à verdade material. Com muito maior razão estas
características devem estar presentes no processo político administrativo
voltado para a apuração de crime de responsabilidade”32.
Resta também imperioso que se tenha nítido que, em nenhuma
medida, considerar a possibilidade de Impeachment representa golpe. Muito ao
contrário, o que uma verdadeira República não pode admitir é que o governante lance
mão de todo tipo de desmando, até com o fim de garantir sua reeleição, ficando
blindado à devida ação dos demais poderes.
Ao concorrer à reeleição, o Presidente da República detém a
máquina estatal e, nem sempre, seus crimes de responsabilidade são conhecidos antes
do pleito eleitoral. Não é raro que tais crimes venham a ser desvendados apenas no
decorrer do segundo mandato. Inconstitucional é negar aos representantes de um povo
enganado o poder/dever de zelar pelo bom exercício do Poder Executivo.
Nesse sentido, resta absolutamente pertinente recorrer às lições do
Constitucionalista José Afonso da Silva que, em artigo recente, consignou que a perda
da legitimidade da atual Presidente da República é inegável, sendo certo que,
independentemente da ideologia adotada, o atual estado de coisas não pode persistir. Em
suas ponderações, o Eminente Jurista até admitiu que as alternativas disponíveis não são
32 - disponível em: http://s.conjur.com.br/dl/parecer-iasp-adilson-dallari-possivel.pdf
19
alvissareiras; entretanto, deixar de tomar as medidas cabíveis e necessárias não ajudará
a acomodar a situação33.
É bem verdade que vários formadores de opinião têm insistido no
pleito de que a Presidente da República, ora denunciada, renuncie, até com o objetivo de
não vitimar, ainda mais, a República. Compreendem-se as razões desses intelectuais;
porém, a nação não pode esperar. O histórico antes narrado e a sucessão de fatos
escabrosos que se desvelam indicam que a denunciada não está disposta a abandonar o
poder.
Imperioso, portanto, fazer cumprir a Constituição Federal, a lei
vigente e os princípios norteadores de uma verdadeira República. A Presidente está no
cargo. Desde que o assumiu, em 2011, jamais o deixou, ainda que provisoriamente. Não
existem óbices para o recebimento desta denúncia. Em nenhuma norma está escrito que
não cabe Impeachment, por crime de responsabilidade perpetrado no mandato anterior.
De todo modo, não resta excessivo lembrar que, muito embora a
grande maioria dos atos criminosos tenha ocorrido no primeiro mandato, já no curso do
segundo mandato, houve desrespeito para com a Lei de Responsabilidade Fiscal,
mediante a prática das chamadas pedaladas fiscais; sendo certo que, por um bom tempo,
a denunciada insistiu em defender e manter a diretoria da Petrobrás, apegando-se à tese,
sempre revisitada, de perseguição.
No que tange aos descalabros na Petrobrás, a continuidade
delitiva resta muito evidenciada nas fortes manifestações dos Ministros do Supremo
Tribunal Federal, Celso de Mello e Carmen Lúcia, quando do julgamento de Habeas
Corpus impetrado em benefício de um dos imputados na Lava Jato. Na oportunidade, os
Ministros, mostrando-se impressionados, apontaram verdadeira “delinquência
institucional”!34.
33 - ver: http://www1.folha.uol.com.br/paywall/logincolunista.
shtml?http://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2015/08/1671516-renuncia-e-legitimidade.shtml
34 - http://opiniao.estadao.com.br/noticias/geral,delinquenciainstitucional,1747326
20
Não só não há óbices ao recebimento desta denúncia, como a
autorização para que a Presidente seja processada com o fim de ser condenada à perda
do cargo é de rigor! A seguir, evidenciar-se-á que restaram caracterizados crimes de
responsabilidade.
2. Da caracterização de crime de responsabilidade:
A Constituição Federal, em seu artigo 85, preceitua que:
Art. 85. São crimes de responsabilidade os atos do Presidente da República
que atentem contra a Constituição Federal e, especialmente, contra:
I - a existência da União;
II - o livre exercício do Poder Legislativo, do Poder Judiciário, do
Ministério Público e dos Poderes constitucionais das unidades da Federação;
III - o exercício dos direitos políticos, individuais e sociais;
IV - a segurança interna do País;
V - a probidade na administração;
VI - a lei orçamentária;
VII - o cumprimento das leis e das decisões judiciais.
Parágrafo único. Esses crimes serão definidos em lei especial, que
estabelecerá as normas de processo e julgamento.
A Lei 1.079/50 confere concretude material e formal a esse
dispositivo constitucional, estatuindo, em seu artigo 4º. que:
Art. 4º São crimes de responsabilidade os atos do Presidente da República
que atentarem contra a Constituição Federal, e, especialmente, contra:
I - A existência da União:
II - O livre exercício do Poder Legislativo, do Poder Judiciário e dos
poderes constitucionais dos Estados;
21
III - O exercício dos direitos políticos, individuais e sociais:
IV - A segurança interna do país:
V - A probidade na administração;
VI - A lei orçamentária;
VII - A guarda e o legal emprego dos dinheiros públicos;
VIII - O cumprimento das decisões judiciárias (Constituição, artigo 89).
Desde logo, nota-se que os fatos que assolam a nação atentam
flagrantemente contra a probidade na administração e contra a lei orçamentária. Mas a
Lei 1.079/50 não se contentou em disciplinar a matéria assim tão genericamente,
cuidando de destrinçar os contornos das afrontas que efetivamente caracterizam crime
de responsabilidade. Com tal finalidade, em seus artigos 9, 10 e 11, aduziu que:
Art. 9º São crimes de responsabilidade contra a probidade
na administração:
1) omitir ou retardar dolosamente a publicação das leis e
resoluções do Poder Legislativo ou dos atos do Poder
Executivo;
2) não prestar ao Congresso Nacional dentro de sessenta
dias após a abertura da sessão legislativa, as contas
relativas ao exercício anterior;
3) não tornar efetiva a responsabilidade dos seus
subordinados, quando manifesta em delitos funcionais
ou na prática de atos contrários à Constituição;
4) expedir ordens ou fazer requisição de forma contrária às
disposições expressas da Constituição;
5) infringir no provimento dos cargos públicos, as normas
legais;
6) usar de violência ou ameaça contra funcionário público
para coagi-lo a proceder ilegalmente, bem como utilizar-se
22
de suborno ou de qualquer outra forma de corrupção para
o mesmo fim;
7) proceder de modo incompatível com a dignidade, a
honra e o decoro do cargo.
Art. 10. São crimes de responsabilidade contra a lei
orçamentária:
1- Não apresentar ao Congresso Nacional a proposta do
orçamento da República dentro dos primeiros dois meses
de cada sessão legislativa;
2 - Exceder ou transportar, sem autorização legal, as
verbas do orçamento;
3 - Realizar o estorno de verbas;
4 - Infringir, patentemente, e de qualquer modo,
dispositivo da lei orçamentária;
5) deixar de ordenar a redução do montante da dívida
consolidada, nos prazos estabelecidos em lei, quando o
montante ultrapassar o valor resultante da aplicação do
limite máximo fixado pelo Senado Federal; (Incluído pela
Lei nº 10.028, de 2000)
6) ordenar ou autorizar a abertura de crédito em
desacordo com os limites estabelecidos pelo Senado
Federal, sem fundamento na lei orçamentária ou na de
crédito adicional ou com inobservância de prescrição
legal; (Incluído pela Lei nº 10.028, de 2000)
7) deixar de promover ou de ordenar na forma da lei, o
cancelamento, a amortização ou a constituição de
reserva para anular os efeitos de operação de crédito
realizada com inobservância de limite, condição ou
montante estabelecido em lei; (Incluído pela Lei nº
10.028, de 2000)
8) deixar de promover ou de ordenar a liquidação
integral de operação de crédito por antecipação de
receita orçamentária, inclusive os respectivos juros e
demais encargos, até o encerramento do exercício
financeiro; (Incluído pela Lei nº 10.028, de 2000)
23
9) ordenar ou autorizar, em desacordo com a lei, a
realização de operação de crédito com qualquer um
dos demais entes da Federação, inclusive suas
entidades da administração indireta, ainda que na
forma de novação, refinanciamento ou postergação de
dívida contraída anteriormente; (Incluído pela Lei nº
10.028, de 2000)
10) captar recursos a título de antecipação de receita de
tributo ou contribuição cujo fato gerador ainda não tenha
ocorrido; (Incluído pela Lei nº 10.028, de 2000)
11) ordenar ou autorizar a destinação de recursos
provenientes da emissão de títulos para finalidade diversa
da prevista na lei que a autorizou; (Incluído pela Lei nº
10.028, de 2000)
12) realizar ou receber transferência voluntária em
desacordo com limite ou condição estabelecida em
lei;(Incluído pela Lei nº 10.028, de 2000)
Art. 11. São crimes de responsabilidade contra a guarda e
o legal emprego dos dinheiros públicos:
1) ordenar despesas não autorizadas por lei ou sem
observância das prescrições legais relativas às mesmas;
2) abrir crédito sem fundamento em lei ou sem as
formalidades legais;
3) contrair empréstimo, emitir moeda corrente ou
apólices, ou efetuar operação de crédito sem
autorização legal;
4) alienar imóveis nacionais ou empenhar rendas públicas
sem autorização em lei;
5) negligenciar a arrecadação das rendas, impostos e taxas,
bem como a conservação do patrimônio nacional.
À luz da legislação vigente, entende-se que a Presidente da
República atentou contra a probidade administrativa, primeiro, por “não tornar efetiva
a responsabilidade dos seus subordinados” e, em segundo lugar, por “proceder de
modo incompatível com a dignidade, a honra e o decoro do cargo”.
A sucessão de escândalos envolvendo pessoas tão próximas à
Presidente da República, que não foram por ela sequer afastadas, leva a crer que
também a Presidente participara dos conluios necessários ao desfalque da Petrobrás e,
como mais recentemente se constatou, da Eletrobrás.
24
A insistência em manter sigilosos os “investimentos” do BNDES
e as verbas enviadas a Cuba e a Angola, países em que, apenas posteriormente se soube,
as construtoras implicadas na Lava Jato realizaram obras pagas, a peso de ouro, também
permite inferir que a Presidente conhecia o esquema sofisticadamente criado para drenar
os recursos do país. Tudo com o fim de perpetuar seu grupo no poder.
Quando questionada acerca dos valores estranhamente
direcionados para o exterior, a Presidente sempre respondera firmemente que se tratava
de maneira de fortalecer as empresas brasileiras, que participavam das obras naquelas
localidades. O que o povo não sabia era que muitas dessas empresas eram alimentadas
com financiamentos públicos, que participavam de licitações fictícias e que o dinheiro a
elas pago (muito acima do valor de mercado) voltava para os detentores do poder, seja
por meio de propinas, seja por meio de doações às milionárias campanhas.
A relação íntima entre a denunciada e o ex-presidente Lula e entre
este e a principal construtora envolvida no esquema, cujo presidente está preso, indica
que a Presidente da República sempre soube. Ainda que assim não fosse, a probidade
teria restado lesada por meio de seu comportamento condescendente para com aqueles
que eram (e continuam sendo) alcançados pela Operação Lava Jato e seus
desdobramentos.
Como já dito, jamais a Presidente tomou a iniciativa de afastar
quem quer que fosse, ainda que provisoriamente, para fins de averiguação; para
preservar a coisa pública. O princípio da presunção de inocência se aplica na seara
penal, não na administrativa, onde deve preponderar o interesse público.
Diante do escândalo que recaiu sobre a Petrobrás, a Presidente
haveria de ter, de imediato, tomado a iniciativa de afastar a diretoria e não insistir na
tese fantasiosa de que a Petrobrás seria um exemplo e estava sendo vítima de detratores,
com finalidade eleitoreira.
Mesmo no presente, a denunciada alardeia que não respeita
delatores, adotando comportamento incompatível com o decoro de uma Chefe de
25
Estado, sobretudo por ter ela própria sancionado a Lei referente às organizações
criminosas e à colaboração premiada. Talvez não imaginasse que referido diploma seria
aplicado à Organização Criminosa que tomou conta do país.
A par de todos os problemas pertinentes à Petrobrás, ao que tudo
indica, a denunciada maquiou as contas públicas, deixando de lançar débitos referentes
aos empréstimos que o Tesouro fez junto ao Banco do Brasil e a Caixa Econômica
Federal, empréstimos vedados que levaram, no ano eleitoral, a população a crer estarem
as contas públicas equilibradas e que os programas sociais teriam continuidade.
Por meio de tal expediente, a Presidente da República,
novamente, feriu a honorabilidade do cargo e, pode-se, sem exagero, dizer: assassinou a
Lei de Responsabilidade Fiscal, a duras penas conquistada. Como consequência,
cometeu crime de responsabilidade, dentre outras condutas, por “ordenar ou autorizar,
em desacordo com a lei, a realização de operação de crédito com qualquer um dos
demais entes da Federação, inclusive suas entidades da administração indireta,
ainda que na forma de novação, refinanciamento ou postergação de dívida
contraída anteriormente”, bem como por “efetuar operação de crédito sem
autorização legal”.
Na Representação Criminal entregue à Procuradoria Geral da
República, o Professor Miguel Reale Júnior mostra bem que a Presidente não pode
alegar desconhecimento quanto às pedaladas fiscais, pois se reunia diariamente com
Arno Augustin, então Secretário do Tesouro Nacional, com quem era considerada unha
e carne.
Os atentados ao orçamento e à probidade administrativa são
tantos que resta impossível, em uma única denúncia, narrar todos. Cumpre, de todo
modo, chamar atenção para o discurso presidencial sempre objetivando iludir o público,
seja pela maquiagem das contas públicas, seja pelos disfarces acerca das obras públicas
feitas, no Brasil e no exterior. Com certeza, para o pesar da nação, a Comissão
Parlamentar de Inquérito do BNDES trará mais fatos a reforçar o quadro de atrocidades
a que o país se reduziu.
26
A toda evidência, a Presidente da República não só não procedeu
como deveria, como se valeu da grande fraude perpetrada para fazer palanque em sua
campanha, bradando os programas sociais que, na verdade, eram pagos pela Caixa
Econômica Federal, ilegalmente e, o que é pior, alardeando um superávit inexistente,
conferindo uma falsa sensação de estabilidade. Passada a eleição, os programas
começaram a ser cortados e, hoje, a juventude simples, a qual foram abertas as portas da
universidade, vê essas portas se cerrarem, quando estão no segundo, ou terceiro, anos da
faculdade. Verdadeira crueldade!
Em seu clássico Origens do Totalitarismo, Hannah Arendt bem
mostra que, nas tiranias, ocorre uma estranha desorganização da oposição, apesar do
descontentamento generalizado, sendo certo que todos os dados, sobretudo os
estatísticos, são fictícios, criando-se a verdade oficial de que aquilo que não corrobora
as mentiras do detentor do poder constitui inverdade (São Paulo: Companhia das Letras,
1989. p. 346).
O expediente conhecido por pedaladas seria mais do que
suficiente para ensejar o impedimento da Presidente da República. No entanto, a
sucessão de escândalos e o comportamento por ela reiteradamente adotado revelam
dolo, consubstanciado na adoção, no mínimo, da chamada cegueira deliberada.
De fato, a Presidente da República era Presidente do Conselho da
Petrobrás, quando ocorreram as fraudes na aquisição de Pasadena; a Presidente já era
Presidente da República, quando uma quadrilha se instalou na Petrobrás, drenando a
empresa que sempre foi conhecida como orgulho da Pátria e, durante muito tempo,
negou os crimes perpetrados e também se negou a afastar pessoas visivelmente
envolvidas, seja por ação seja por omissão.
A Presidente já era Presidente da República quando um executivo
holandês procurou a Controladoria Geral da União, reportando outras fraudes
envolvendo a Petrobrás. Consta que aquele órgão deixou de tomar as medidas cabíveis,
por se estar em período eleitoral.
27
A Presidente é diretamente responsável pelos investimentos
feitos, em prejuízo do povo brasileiro, em países que constituem cruéis ditaduras, como
é o caso de Cuba e Angola e, para agravar o quadro, faz tais investimentos sob a
chancela de sigilosos, traindo, uma vez mais, a transparência que deve nortear os gastos
públicos.
Em um primeiro momento, acreditava-se que a Presidente
utilizava o dinheiro do povo brasileiro em projetos que atendem mais à sua ideologia
pessoal que aos altos interesses da nação. No entanto, as revelações da Lava Jato
mostram que, a bem da verdade, a situação pode ser ainda pior, pois esses investimentos
servem apenas para que aqueles governos tenham dinheiro para pagar obras feitas com
empresas brasileiras parceiras de Dilma e Lula.
Se se conduzisse com probidade e respeitasse o orçamento, a
Presidente da República não precisaria fazer empréstimos vedados dos bancos públicos,
bem como maquiar as contas públicas, como fizera e, por tudo isso, há de ser impedida
de continuar em tão elevado cargo.
III- Do Pedido:
Os ora denunciantes, por óbvio, prefeririam que a Presidente da
República tivesse condições de levar seu mandato a termo. No entanto, a situação se
revela tão drástica e o comportamento da Chefe da nação se revela tão
inadmissível, que alternativa não resta além de pedir a esta Câmara dos Deputados
que autorize seja ela processada pelos crimes de responsabilidade previstos no
artigo 85, incisos V, VI e VII, da Constituição Federal; nos artigos 4º., incisos V e
VI; 9º. números 3 e 7; 10 números 6, 7, 8 e 9; e 11, número 3, da Lei 1.079/1950.
Alguns analistas têm advertido que o processo de Impeachment
seria muito custoso à nação. Não há dúvida de que será. No entanto, a sanha de poder
que orienta o grupo da denunciada, a qual se torna mais clara a cada dia, certamente se
revela ainda mais deletéria.
28
Imperioso, por outro lado, lembrar que o processo de
Impeachment tem previsão constitucional e os remédios, por mais que tenham efeitos
colaterais, devem ser ministrados, quando necessários e cabíveis. No caso de que ora se
trata, esta Egrégia Casa tem a missão de resgatar a legalidade, como, aliás, já fizera, sem
nenhuma consequência deletéria à nação.
A corrupção, a não observância de promessas, a ideia de que o
público, no lugar de ser de todos, não é de ninguém, infelizmente, sempre permeou a
mentalidade nacional, como ensina a Professora Denise Ramos35.
No entanto, nestes últimos anos, o sentimento de que, no Brasil,
toda sorte de desfaçatez é permitida popularizou-se. Tanto é assim que ex-detentores de
cargos públicos, e até mesmo atuais detentores de cargos públicos, não têm nenhum
pudor em dizer que recebem milhões a título de consultoria.
A moralidade precisa ser resgatada para que o cidadão que paga
seus impostos, que luta para educar e alimentar seus filhos, não sinta vergonha de ser
brasileiro.
“De pouco valerá falar ao menino em reverência,
justiça, probidade, veracidade, se essas leis se não
praticarem diante dele: é unicamente por atos que lhas
ensinaremos a conhecer.” (Rui Barbosa. Migalhas de Rui
Barbosa – org. Miguel Matos).
No teatro sem fim em que vivem engendrados a Presidente da
República e seus consortes, insiste-se que apenas a elite está descontente, supostamente
com a elevação das classes menos favorecidas.
Trata-se de mais uma falácia. A população, cansada, indignada,
mas ainda esperançosa na devida separação dos poderes, tem saído às ruas, para pedir o
básico: observância à lei e à Constituição Federal; como ocorrera, aliás, em 1992,
35
- “Symptom of a cultural complex in Brasil?”, In: Singer, T, and Kimbles, S. The Cultural Complex.
London: Brunner-Routledge, 2004, p 103- 123
29
quando Barbosa Lima Sobrinho e Marcelo Lavenère pleiteram o Impeachment do então
Presidente Fernando Collor de Mello36.
Somos negros e brancos, jovens e idosos, homens e mulheres de
várias orientações sexuais, nordestinos e sulistas, somos brasileiros querendo resgatar a
honra que ainda resta para este país. Os tiranos que dele se apoderaram construíram um
discurso de cisão, objetivando nos enfraquecer, para se perpetuarem. A simples adoção
de tal discurso já denotaria a inadmissível imprudência denunciada por Aristóteles, em
sua célebre obra A Política (Bauru: EDIPRO, 1995. p. 94); porém todos os atos,
recentemente trazidos à luz, levam à convicção de que houve crimes de
responsabilidade de várias ordens.
À Câmara dos Deputados Federais rogamos que coloque um
fim nesta situação, autorizando que a Presidente da República seja processada
pelos delitos perpetrados, encaminhando-se, por conseguinte, os autos ao Senado
Federal, onde será julgada para, ao final, ser condenada à perda do mandato, bem
como à inabilitação para exercer cargo público pelo prazo de oito anos, nos termos
do artigo 52, parágrafo único, da Constituição Federal. É o que ora se requer!
A presente denúncia segue instruída com notícias jornalísticas,
das mais diversificadas fontes, pareceres, representação e acórdãos, antes mencionados.
Os fatos são de conhecimento notório, de forma que os denunciantes entendem serem
suficientes à deflagração do processo de Impeachment.
No entanto, caso V. Exa. pense de modo diverso, em nome da
verdade real, que deve ser buscada em prol do país, desde logo, postula-se sejam
notificados o TCU, TSE, o STF, o TRF da 4ª. Região e a 13ª. Vara Federal Criminal de
Curitiba-PR, para que enviem a íntegra dos procedimentos referentes, respectivamente,
às pedaladas fiscais, às contas de campanha da denunciada e à Operação Lava Jato.
Por certo, os documentos são suficientes a instruir o feito; porém,
na eventualidade de a Câmara e o Senado entenderem pela necessidade de ouvir
36 - denúncia disponível em: http://imagem.camara.gov.br/Imagem/d/pdf/DCD03SET1992SUP.pdf
30
testemunhas, desde logo, arrolam-se aquelas cuja colaboração fora essencial para o
desvendar de toda essa terrível situação, em especial: Paulo Roberto Costa, Alberto
Youssef, Ricardo Pessoa e Milton Pascowitch, além de Nestor Cerveró e Caio
Gorentzvaig.
Por derradeiro, cumpre lembrar frase central em nosso Hino
Nacional: VERÁS QUE UM FILHO TEU NÃO FOGE A LUTA! Munidos da
Constituição Federal, estes dois filhos do Brasil vêm pedir ao Congresso Nacional que
tenha a CORAGEM necessária para fazer a devida JUSTIÇA!
Brasil, 31 de Agosto de 2015.
HÉLIO PEREIRA BICUDO JANAINA CONCEIÇÃO PASCHOAL
 

Leia mais  

FORO DE SÃO PAULO: CONFABULAÇÃO COMUNISTA NO MÉXICO  -  17/08/2015

(Para a íntegra do estudo, com todos os seus adendos e imagens, acesse o blog do autor: http://b-braga.blogspot.com.br/2015/08/foro-de-sao-paulo-confabulacao.html


O México foi o palco do XXI Encontro do Foro de São Paulo. O evento, que celebrava os vinte e cinco anos da organização criada por Lula e por Fidel Castro, aconteceu entre os dias 29 de Julho e 01 de Agosto, e reafirmou o propósito de seus fundadores: transformar a América Latina na imensa "Patria Grande" comunista.

A "Declaração final" do encontro enaltece as conquistas do projeto de poder, que atingiram dimensões continentais:
"Quando foi criado o FSP, apenas um país desta região, Cuba, estava governado por um partido pertencente ao Foro, e hoje, além de Cuba, estamos nos governos da Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Equador, El Salvador, Nicarágua, Uruguai e Venezuela, aos quais devemos somar centenas de governos subnacionais" (p. 01) [1].
Para ampliar e fortalecer o consórcio comunista repete-se a fórmula de outros encontros: "aprofundar a integração regional" por meio de uma "unidade na diversidade" com a "construção de blocos amplos em torno de um PROJETO POLÍTICO COMUM" (p. 02) - estratégia que deve ser concretizada com o Mercosul, a Alba, Celac, a UNASUL e o BRICS (p. 10).

Em um combate quixotesco, o Foro de São Paulo diz lutar contra um "inimigo principal": o "imperialismo" e a "direita oligárquica" (p. 01). É o adversário imaginário criado para justificar iniciativas e ações, ou para esconder os próprios malfeitos e crimes. É o caso, por exemplo, quando o assunto é o Brasil. O PT - e o Foro de São Paulo - assaltaram, saquearam o país. Mas, para a organização comunista, as denúncias e investigações são "ofensivas das forças de direta e conservadoras", de "forças neoliberais" (p. 09). Ora, se isso não for a expressão do mais puro cinismo, é patologia aguda.

No México, o Foro de São Paulo tratou de temas que servem - apesar da aparência de legitimidade - como instrumento para a promoção do seu objetivo primordial: a acumulação de forças e de poder. Encontro de "juventude", que reune militantes dos partidos membros, e de "afrodescendentes", que não passa de racialismo; migração; ambientalismo radical; controle dos meios de comunicação; indigenismo; "agenda feminista", que contém o compromisso expresso com a "ideologia de gênero" (p. 02).

É importante destacar que, no ano passado, a "ideologia de gênero" foi banida do Plano Nacional de Educação (PNE). No entanto, em 2015, os brasileiros foram surpreendidos com a tentativa ardilosa de incluir esta disparatada proposta de engenharia social e comportamental nos planos municipais e estaduais de educação - tentativa patrocinada pelo governo federal petista. É - no mínimo - curioso notar que o Foro de São Paulo incluiu entre as suas conquistas, "centenas de governos subnacionais" (p. 01) - isto é, prefeituras e governos estaduais. No México, inclusive, houve um encontro de "Autoridades Locales y Sub-nacionales" (31 de Julho). Por isso, é necessário reforçar a vigilância. Porque os projetos e iniciativas que geram reações contrárias sob o destaque dos holofotes nacionais, o Foro de São Paulo pode - por uma tática sorrateira - tentar passar na penumbra da administração pública municipal e estadual, sem muita resistência.

Enfim, no curto espaço de um texto não é possível abordar todos os temas, pautas e "análises de conjuntura" do XXI Encontro do Foro de São Paulo. De qualquer maneira, tudo está reduzido - em última instância - a um só propósito: promover o projeto de poder comunista na América Latina.

PS. Como "adendos", as notas que eu publiquei no Facebook sobre o evento estão reproduzidas logo abaixo.

REFERÊNCIAS.

[1]. "Declaración Final del XXI Encuentro del Foro de São Paulo, en la Ciudad de México DF" [http://forodesaopaulo.org/wp-content/uploads/2015/08/Declaracion-final-2015.pdf].


ADENDOS.

I.
Ex-Presidente Luiz Inácio envia mensagem para o XXI Encontro do Foro de São Paulo, que está sendo realizado na Cidade do México - e termina amanhã, 01 de Agosto (Cf. vídeo).
https://youtu.be/I1zgGA9KPn4

Lula relembra o início da organização fundada por ele e por Fidel Castro. Ressalta as conquistas do projeto de transformar a América Latina na imensa "Patria Grande" comunista - não só com mandatários e tiranetes em postos de poder, mas com a criação da CELAC, da UNASUL, do Banco do Sul - e observa: [...] "a luta continua, ainda temos muita coisa pra fazer no nosso continente, afinal de contas, estamos apenas começando" [...]

II.
"El Pepe" saúda o Foro de São Paulo.

José Mujica envia mensagem para o XXI Encontro da organização fundada por Lula e por Fidel Castro, realizado na Cidade do México entre os dias 29 de Julho e 01 de Agosto. O ex-Presidente do Uruguai - terrorista tupamaro e maconheiro - é parte ativa do projeto de fazer da América Latina a "Patria Grande" comunista.
A "Patria Grande" comunista e drogada.

Foro de São Paulo é plataforma para "grupo de jovens" empenhar-se na legalização das drogas. No XXI Encontro da organização, realizado na Cidade do México entre os dias 29 de Julho e 01 de Agosto, os militantes das "Juventudes de Izquierda" - ligada ao Partido de la Revolutión Democrática (PRD), do país anfitrião - indicaram a elaboração de um projeto de lei para legalizar a maconha e criar "clubes canábicos" (Cf. imagem. Fonte [http://www.prd.org.mx/portal/index.php/prdinforma/boletines/1506-las-juventudes-de-izquierda-impulsaran-paquete-de-iniciativas-para-iniciar-debate-sobre-regulacion-del-cannabis]).

É preciso ressaltar que outros partidos membros do Foro de São Paulo advogam a "causa" dos maconheiros por meio de seus grupos de "juventude" - como o PT e o PCdoB, no Brasil - , disfarçados em ONG's, "movimentos" ditos "sociais" e "estudantis". E o próprio Documento Base do encontro do Foro realizado no México determina entre os eixos do "plano de ação imediato": "Debatir políticas de drogas" (Cf. [http://forodesaopaulo.org/wp-content/uploads/2015/06/Documento-Base-Final.pdf], p. 27, 6) - "políticas" que, consequentemente, incluem, pelo contexto e agentes envolvidos, a legalização da maconha.

Não é segredo para mais ninguém: o Foro de São Paulo abriga grupos narco-terroristas que exploram o mercado de drogas e partidos que contam com a colaboração do crime organizado e de quadrilhas de traficantes. No entanto, é preciso lembrar também o que revelou Ion Mihai Pacepa. Em 1972 - note bem, em 1972 -, o ex-agente de inteligência da Romênia comunista visitou Cuba para estabelecer uma parceria entre o governo romeno e os irmãos Castro: investir no tráfico de drogas. Fidel Castro - fundador, junto com Lula, do Foro de São Paulo - dizia: "as drogas poderiam causar mais danos ao imperialismo do que as armas nucleares". Raúl - o irmão que atualmente tiraniza a ilha caribenha - dava o seu consentimento: "As drogas irão corroer o capitalismo desde dentro" (Cf. "Quem é Raúl Castro?" [http://b-braga.blogspot.com.br/2012/01/quem-e-raul-castro-bruno-braga.html]).

Pois bem. O Foro de São Paulo é uma organização comprometida com a promoção de um projeto de poder, e tudo o que nele é decido e acertado está, em última instância, ligado a este objetivo. O compromisso dos seus "jovens" com a legalização da maconha, portanto, mostra que, para construir a "Patria Grande" comunista vale até mesmo drogar toda a América Latina.

V.
Deputada do PCdoB no Foro de São Paulo: a defesa do governo Dilma como parte da "Patria Grande" comunista.
Alice Portugal participou do XXI Encontro do Foro de São Paulo, realizado na Cidade do México. No dia 31 de Julho, ela, que é Deputada Federal pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB-BA), apresentou no Senado Nacional do país anfitrião - no "Encuentro Parlamentario" promovido pelo próprio Foro - uma defesa destrambelhada do governo petista de Dilma Rousseff. Os velhos chavões alucinatórios, pronunciados em um portunhol de doer os ouvidos, na tentativa de preservar um aliado - uma peça fundamental - da organização criada por Lula e por Fidel Castro para transformar a América Latina na "Patria Grande" comunista. Propósito declarado na conclusão do pronunciamento: [...] "É a mensagem do PCdoB, de maneira rápida, mas de maneira profunda, aliados aos interesses dos povos da América Latina, PARA QUE FORTALEÇAMOS ESTA AMPLA ALIANÇA, QUE NOS UNE EM DIREÇÃO AO SOCIALISMO" (Cf. vídeo).

A presença de Alice Portugal no encontro do Foro de São Paulo compromete ainda o PCdoB e o próprio mandato da Deputada Federal. A Constituição brasileira e a legislação eleitoral vedam a vinculação e subordinação de partidos políticos a organizações internacionais (Cf. Constituição Federal, art. 17 e Lei 9.096-95, art. 28). E mais. A deputada comunista descumpre o primeiro dever fundamental do parlamentar: "promover a defesa do interesse público e da soberania nacional" (Cf. Código de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados, art. 3, I) - o que é suficiente para a abertura imediata de um processo para a cassação do seu mandato.

Disinformation": former spy chief reveals secret strategis for undermining freedom, attacking religion, and promoting terrorism. WND Books: Washington, 2013. Cap. 37. A KGB Empire (Tradução do trecho citado: Bruno Braga).

[2]. Cf. Declaração final, p. 03.

VII.

O Foro de São Paulo e o terrorismo basco.

?O Foro de São Paulo denunciou a "deportação" de dois integrantes do SORTU - partido político espanhol socialista que reivindica a independência basca - que participariam do seu vigésimo primeiro encontro, realizado recentemente no México. Os dirigentes da organização comunista fundada por Lula e por Fidel Castro solicitaram explicações às autoridades - que, parece, até o momento não se manifestaram.

De qualquer forma, a declaração de Carlos Navarrete sobre o episódio é curiosa. Ele é presidente nacional do PRD, um dos anfitriões do encontro do Foro de São Paulo: "O tema mais delicado é o dos dois bascos, QUE NÃO TÍNHAMOS CONHECIMENTO DE QUE IRIAM CHEGAR, NÃO SE TOMARAM MEDIDAS PREVENTIVAS e o Governo mexicano decidiu não deixá-los entrar no país" (Cf. [http://latino.foxnews.com/latino/espanol/2015/08/01/izquierda-latinoamericana-busca-reforzar-dialogo-al-cierre-del-foro-sao-paulo/]).

Ora, os integrantes do SORTU resolveram de última hora participar do evento comunista? Não deu tempo sequer de avisar o anfitrião? Ou eles tentaram entrar no México de forma "discreta", de modo que não chamassem a atenção? Quais "medidas preventivas" seriam necessárias para a entrada deles no país? E por quais motivos deveriam ser tomadas?
É importante observar que - independentemente de uma explicação oficial do governo Mexicano - a legalização do SORTU esteve cercada de polêmicas, inclusive por causa de vínculos com o ETA. Asier Altuna e Floren Aoiz - os dois "companheiros" que foram "deportados" pelas autoridades mexicanas - têm um histórico de relações e condenações penais por colaborarem com o grupo terrorista. Altuna, que já participou de outros encontros do Foro de São Paulo, foi preso em 2001 - ele guardava na garagem de sua casa um carro bomba (Cf. [http://www.elmundo.es/elmundo/2001/10/17/espana/1003299032.html]).


LEITURA RECOMENDADA.

BRAGA, Bruno. "Foro de São Paulo: a gênese criminosa da 'Patria Grande' comunista" [http://b-braga.blogspot.com.br/2015/08/foro-de-sao-paulo-genese-criminosa-da.html]. 

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O CARTEL NA POLÍTICA BRASILEIRA  -  06/06/2015

 

            O PT e o PMDB, depois também o PSDB - originário da espinha dorsal deste último, são ainda os sócios majoritários e controladores da Nova República, forjada no início dos anos 80 no movimento das Diretas Já.

           Ao longo dos últimos trinta anos, essas três legendas têm comandado a República (Partidos Cartel), exceção ao interregno 1990-92, quando Fernando Collor subiu e desceu a rampa do Planalto em meio a denúncias que hoje seriam nada mais do que gorjetas tendo em vista a avalanche de escândalos bilionários que assombram o País. PMDB, PT e PSDB comandam metade dos municípios brasileiros, 2/3 dos Estados e são as três maiores bancadas no Congresso.

            Pois bem, a eleição de FHC foi um momento histórico para o tucanato, que chegou ao poder sem ter construído uma narrativa eleitoral, mas teve como pano de fundo o sucesso do Plano Real. Posteriormente, uma conjugação de fatores internos (morte de lideranças da base de sustentação como Mario Covas, Montoro, Luiz Eduardo Magalhães e Sergio Motta, bem como a crise econômica de 1999 e o apagão de 2001) e externos (crise dos países emergentes) ruíram a base de apoio do PSDB, jogando no colo do PT a eleição de 2002.

           Após quase oito anos de ajustes e reformas institucionais na era FHC, somado a um período de bonança das commodities internacionais, o então Presidente Lula pôde por em prática a tão sonhada agenda de elevação do salário mínimo, bem como a ampliação acelerada do já existente programa de renda mínima aos menos favorecidos. A elite que antes tinha um pé atrás em relação à Lula, cantava em verso e prosa nas colunas dos jornais sobre a inteligência e sensibilidade do líder. Era o Cara! Mas, o escândalo do mensalão - mostrou o lado sombrio do PT-, conhecido como a compra de bancadas no Parlamento nacional, solapou a elite do partido dos trabalhadores. A linha de sucessão havia sido quebrada. Dirceu e Pallocci foram abatidos, sem fazer menção a outros integrantes do alto escalão do PT, como João Paulo Cunha, Genoino, Delúbio Soares - todos homens de confiança de Lula.

            Sob o comando hegemônico de Lula, e uma pífia atuação da oposição formal, eis que surgiu na arena política uma nova estrela do time. Era ela a ponta esquerda do partido, mãe do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), a gerentona da Casa Civil e do Conselho da Petrobrás. A irascível e competente Dilma Rousseff. Os adjetivos anteriores, cunhados por Lula, foram coadunados pela grande mídia que, por sua vez, exaltava a possível eleição da primeira mulher presidente do Brasil. Ou seja, alguém de fora do núcleo político - jamais tinha participado de uma eleição - iria tomar conta da sétima economia mundial, e dos pobres como mãe. Mais: lá pelos idos de 2008 (crise financeira mundial), ensaiou a Nova Matriz Econômica (desenvolvimentista), já que foi posta em prática em sua plenitude, só a partir de 2011 pelo quarteto Dilma-Mercadante-Mantega-Coutinho. Matriz essa, que nada mais era do que reinvenção do II PND - programa de Ernesto Geisel dos anos setenta, que dava ao Governo a prerrogativa de gastar mais e mais, a fim de fazer a economia crescer. O resultado da segunda metade dos anos 70 todos sabem qual foi: crowding-out. Ou seja, estatismo, inflação galopante, década perdida (anos 80) na economia e no social.

            Lula, político hábil, era "inconteste" ao final de seu mandato - 90% de aprovação segundo os institutos de pesquisas. Assim, fez sua sucessora, que, após 8 meses de sinalização de "ajuste", impôs a sua marca ideológica (Nova Matriz Econômica). Política econômica essa, fundamentalmente intervencionista, heterodoxa e desenvolvimentista, que deveria estimular a economia brasileira, segundo os economistas que acreditavam nesta escola. Ledo engano, mais uma vez em nossa história os desenvolvimentistas falharam. Resultado: crescimento pífio, inflação em aceleração e aumento de endividamento do Estado e das famílias. Digressão: a elite patrimonialista ganhou muito com os empréstimos subsidiados do BNDES.

Diante de tal cenário, Lula percebeu ao final de 2013 e início de 2014, que as coisas não iam bem com a gestão da gerentona, e com um grupo de amigos lançou o balão de ensaio do "Volta, Lula", a fim de salvar seu projeto político. Coincidentemente ou não, no mesmo período, surgiu em Curitiba denúncias sobre um tal de Petrolão que sacudiu o meio político-empresarial. As denúncias foram tímidas no começo - a Copa era mais importante -, mas cresceram de dentro para fora em uma espiral sem controle, arrastando a elite política e parte da elite empresarial para o núcleo da crise, às vésperas da eleição de 2014. Mal explicado ou não, Dilma venceu a queda de braço interna, e garantiu a indicação como candidata pelo PT.

Apesar de todo o cenário econômico em desaceleração e de fortes denúncias (Petrolão), não houve alternância de poder na eleição de 2014. Na reta final do primeiro turno, PT e PSDB uniram esforços, a fim de derrotar Marina Silva (PSB). Já no segundo turno, houve forte embate entre PT x PSDB. Por fim, a base aliada venceu as eleições, por pequena margem é verdade. Essa vitória, em parte, ocorreu, pois Dilma possuía coligação mais ampla, mais tempo de TV no agregado dos dois turnos, mais marketing político, mais recursos financeiros, além, é claro, do conjunto de promessas irrealistas, que após o pleito fora completamente alterado, caracterizando assim o denominado "estelionato eleitoral".

Após a eleição, como a economia já mostrava claros sinais de deterioração e o cenário para 2015 não era alvissareiro, foi então escalado para a Fazenda, pelo novo-velho governo, alguém que agradasse o mercado financeiro e as agências de rating: Joaquim Levy. A hegemonia petista - dentro do Cartel - estava prestes a ser completada quando a presidente e seu comandante em chefe, Aloisio Mercadante, apostaram de forma aloprada em eleger o Presidente da Câmara de seu partido (Arlindo Chinaglia), o que seria um ippon em seu aliado, o PMDB. Daí em diante veio o caos, com a avassaladora vitória de Eduardo Cunha e da Lista do procurador-geral Rodrigo Janot. Assim, formou-se o triunvirato político (Temer-Cunha-Renan), que impôs sua agenda. A Presidente não controlava mais a economia nem a política. As denúncias do Petrolão aceleravam a derrocada do governo.

Soma-se a esse quadro, as manifestações de rua contra a Presidente, que começaram tímidas na Av. Paulista, ainda em novembro/dezembro de 2014, e depois se alastraram pelo país. Os tucanos, dentre eles figuras de alta plumagem, gravaram vídeos de apoio às manifestações, inclusive aproximaram-se do líder de um dos movimentos, o Vem Pra Rua liderado por Rogério Chequer, que instantaneamente virou "porta-voz" do movimento para o grande público, aparecendo em jornais e revistas. Para o PSDB, como em 2005, a intenção era sangrar o governo. Essas palavras foram proferidas por Aloysio Nunes, fiel escudeiro de outro tucano, José Serra. Era preciso para o PSDB, de alguma forma, manter o controle ou tentáculos sobre as ruas.

No dia 15/03/15, milhões foram às ruas. O Palácio do Planalto tremeu. Todos tremeram em Brasília - vide entrevista dos ministros após as manifestações. Estaria a manifestação botando em risco os sócios-controladores da Nova República e os Donos do Poder? Como ficaria o cartel nesse cenário imprevisível? A sucessão estaria pronta? Quem assumiria? Povo na rua em um país patrimonialista é um "problema" adicional, pois exige resposta rápida das autoridades. Ninguém sabia o que fazer. A Faria Lima temeu pelo pior. Outro elemento se juntou a tudo isso: os panelaços que ecoavam pelas sacadas dos prédios nas grandes cidades, sempre que Dilma ou PT apareciam na TV. O Planalto foi às cordas – nível de ótimo/bom despencou para a faixa de 10%.

Eis que entra em campo o salvador da pátria, é claro, FHC. Com a pauta de que impeachment seria como uma bomba nuclear, ou seja, jamais deveria ser utilizada. Curiosamente, após entrar em campo, o apoio tímido inicial às manifestações foi minguando nas redações dos jornais, até desaparecer na Novílingua Orwelliana. Quase ninguém falava em povo nas ruas. As manifestações seguintes de 12/04 foram dadas como mortas. Eram apenas protestos de "coxinhas". Eis que segmentos da mídia tentavam controlar na fonte, o maior movimento civil independente dos partidos políticos com pauta organizada que o Brasil já teve. Mais: a marcha dos "meninos" para Brasília, do Movimento Brasil Livre (MBL), praticamente só foi vista por quem acompanhava-os pelas redes sociais, talvez por se tratar de jovens liberais ou conservadores que há tempo haviam desaparecido do espectro político-acadêmico.

Diante disso, era possível sentir um cheiro de "acordão político" no ar. Quase todos se faziam de desentendidos, em Brasília. As denúncias apesar de estarem presentes na mídia, não eram encadeadas de forma a constituir uma narrativa clara de que o atual modelo e gestão estavam levando o país para o buraco institucional. Parte da mídia, nas entrelinhas, classificou que ruim seria com Dilma, pior seria com o conservadorismo do PMDB. Sim, segmentos da mídia até estariam dispostos a fomentar o impeachment e/ou a queda da chapa Dilma-Temer, desde que o dia seguinte não fosse de posse para um governo conservador. A elite, de forma tácita, temendo greves (caminhoneiros), sindicatos e MST, e sabendo da força do PT junto aos sindicatos optou por manter Dilma/PT, desde que condicionado à manutenção do ajuste de Levy, e assim, tentar-se-ia salvar o investment grade do país. Enfim, o Brasil sempre foi vítima de miopia política, quando os Donos do Poder estão em perigo. É da nossa tradição patrimonialista. A justiça eleitoral, por sua vez, pouco se manifestou após os escândalos das gráficas supostamente fantasmas e de financiamento de campanha, basta acompanhar as delações da Lava Jato. Não há como negar: o País vai muito mal institucionalmente, com raras exceções e economicamente as incertezas são enormes

Em suma, o Brasil, atualmente, encontra-se regido na política pelo triunvirato às custas da deterioração da instituição da Presidência da República e da democracia. A imagem do Brasil colapsou no exterior. O mercado financeiro comprou a solução provisória do "ajuste". Digressão: ajuste fiscal, com governo sem credibilidade, em geral, tem pouca chance de dar certo. O povo, por sua vez, foi alijado do processo (ruas foram esvaziadas). E o país caminha a passos largos para mais uma década perdida - produtividade em baixa e fim do bônus demográfico. E a oposição, como em 2005, acha que vai deixar o petismo sangrando para voltar ao comando do país, em 2018. É mais do que sabido, que o Cartel não gosta de ruptura, mesmo quando essa dar-se-ia pela via constitucional (impeachment ou queda da chapa de Dilma). Num cartel, por definição, todos têm de certa forma o rabo preso e, por isso, se auto ajudam em momentos de crise. O tal "acordão" empurra com a barriga a atual crise política-econômica-institucional. O Brasil precisa de um choque de gestão e de credibilidade. Precisa, portanto, de um novo governo.

Enquanto isso, a mídia ocupa-se, principalmente, em escrever editoriais/colunas sobre o que está acontecendo na FIFA/CBF, do que a respeito dos escândalos políticos, CARF e lista HSBC (esses últimos dois, muito mal explicados). Colunistas pedem efusivamente a renúncia de Del Nero - pauta justa -, mas esquecem de cobrar, com a mesma intensidade, uma solução para a atual crise política que vive o País. Do ponto de vista institucional, largaram o Brasil, na banguela, ladeira abaixo.

Para finalizar, citamos uma breve passagem do pensador Alexis de Tocqueville que fala sobre a liberdade e a missão da imprensa em uma sociedade em desenvolvimento:
"A liberdade de imprensa não faz seu poder sentir-se apenas sobre as opiniões políticas, mas também sobre todas as opiniões dos homens. Ela não modifica apenas as leis, mas os costumes... Em certas nações que se pretendem livres, cada um dos agentes do poder tem a faculdade de violar impunemente a lei sem que a constituição do país dê aos oprimidos o direito de se queixar diante da justiça. Nesses povos, não se deve mais considerar a independência da imprensa como uma das garantias, mas como a única garantia que resta da liberdade e da segurança dos cidadãos."


Cristiano Rodrigues
Economista (USP) / Ciência Política

Vinícius Gouveia
Economista (USP) / Ciência Política
 

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SEM TEOLOGIA NEM LIBERTAÇÃO  -  09/01/2015


O estilo é o homem? Sim, e o é para o bem e para o mal. Para o bem, quando a análise revela, por trás das construções sintáticas e figuras de linguagem, a percepção viva de aspectos obscuros e dificilmente dizíveis da experiência humana, que assim emergem da nebulosidade hipnótica onde jaziam e se tornam objetos dóceis da meditação e da ação, transfigurando-se de fatores de escravidão em instrumentos da liberdade. Para o mal, quando nada mais se encontra por baixo da trama verbal senão o intuito perverso de construir uma “segunda realidade” à força de meras palavras, transportando o leitor do mundo real para um teatro de fantoches onde tudo e todos se movem sob as ordens do distinto autor, elevado assim às alturas de um pequeno demiurgo, criador de “outro mundo possível”.

Para demonstrá-lo, pedirei ao leitor a caridade de seguir até o fim esta exposição do sr. Leonardo Boff, conselheiro de governantes e, segundo se diz, até de um Papa, bem como, e sobretudo, porta-voz eminente de uma “teologia da libertação” onde não se encontra nenhuma teologia nem muito menos libertação:
A pobreza não se restringe ao seu aspecto principal e dramático, aquele material, mas se desdobra em pobreza política pela exclusão da participação social, em pobreza cultural pela marginalização dos processos de produção dos bens simbólicos...
“A pauperização gera por sua vez a massificação dos seres humanos. O povo deixa de existir como aquele conjunto articulado de comunidades que elaboram sua consciência, conservam e aprofundam sua identidade, trabalham por um projeto coletivo e passa a ser um conglomerado de indivíduos desgarrados e desenraizados, um exército de mão-de-obra barata e manipulável consoante o projeto da acumulação ilimitada e desumana.
“Essa situação provoca um modelo político altamente autoritário... Somente mediante formas de governo autoritárias e ditatoriais se pode manter um mínimo de coesão e se abafam os gritos ameaçadores que vêm da pobreza.”

O trecho é extraído do livro E a Igreja se Fez Povo (Círculo do Livro, 2011, p. 167). Tudo o que aí se descreve realmente aconteceu. São fatos, e fatos tão bem comprovados historicamente, que não teríamos como recusar ao sr. Boff um definitivo “Amém”, se não nos ocorresse a idéia horrível de perguntar: Aconteceu onde e quando?

O segundo parágrafo fala-nos de algo que aconteceu na Europa nas primeiras décadas do século XIX: massas de camponeses reduzidos à miséria pelo rateio dos seus parcos bens e obrigados a deixar suas terras para vir à cidade compor um “conglomerado de indivíduos desgarrados e desenraizados”, reservatório de mão-de-obra barata para a prosperidade dos novos capitalistas. Karl Marx descreve em páginas que se tornaram clássicas a formação do proletariado urbano com os destroços do antigo campesinato, no começo da Revolução Industrial.

Mas justamente onde isso aconteceu não aconteceu nem pode ter acontecido o que se descreve no parágrafo anterior: a “pobreza política pela exclusão da participação social” e a “pobreza cultural pela marginalização dos processos de produção dos bens simbólicos”. Bem ao contrário, a vinda dos camponeses para as concentrações urbanas coincidiu com o advento das eleições gerais, não apenas convidando mas forçando a participação das massas numa política que lhes era totalmente desconhecida no tempo em que viviam no campo, isoladas dos grandes centros. E coincidiu também com a criação da instrução escolar obrigatória, que extraía os filhos dos proletários das suas culturas locais provincianas para integrá-los na grande cultura urbana da razão, da ciência e da tecnologia, substancialmente a mesma cultura das classes altas, dos malditos capitalistas. Pode-se lamentar a dissolução das velhas culturas locais, mas ela não aconteceu pela exclusão e sim pela inclusão das massas na vida política e na cultura urbana.

A “exclusão da participação social” e a “marginalização dos processos de produção de bens simbólicos” aconteceram, sim, mas a centenas de milhares de quilômetros dali, em países da África, da Ásia e da América Latina que viriam a ser chamados de “Terceiro Mundo” justamente porque neles não houve Revolução Industrial nenhuma, nem portanto integração das massas, seja na política, seja na cultura urbana. O sr. Boff cria a unidade fictícia de um espantalho hediondo com recortes de processos históricos heterogêneos e incompatíveis, ocorridos em lugares enormemente distantes uns dos outros. A única realidade substantiva desse monstro de Frankenstein é o ódio que o sr. Boff desejaria instilar contra ele na alma do leitor.

Mas a fisionomia do monstro não estaria completa sem uma terceira peça, que o sr. Boff vai buscar em outro lugar ainda:
Esta situação, diz ele, provoca um modelo político altamente autoritário... Somente mediante formas de governo autoritárias e ditatoriais se pode manter um mínimo de coesão e se abafam os gritos ameaçadores que vêm da pobreza.”

Descontemos a imprecisão vocabular -- “provocam” em vez de “produzem” – e a sintaxe subginasiana: “esta” em vez de “essa” e “se pode manter um mínimo de coesão e se abafam os gritos” em vez de “se pode produzir um mínimo de coesão e abafar os gritos”. Vamos direto aos ponto essencial: é verdade que para controlar as massas esfomeadas surgiram governos autoritários, mas não na Europa da Revolução Industrial nem nos EUA da mesma época, onde justamente iam triunfando as instituições democráticas junto com o capitalismo nascente, e sim, bem ao contrário, em países subdesenvolvidos (ou empobrecidos pela guerra), que, invejando a prosperidade das nações industrializadas, mas não dispondo de uma classe capitalista pujante e criativa, resolveram industrializar-se às pressas e à força por via burocrática, desde cima, por meio do investimento estatal maciço e da economia planificada. Foi essa a fórmula econômica da Alemanha nazista, da Itália fascista e, obviamente, a de todas as nações socialistas queridinhas do sr. Boff. Foi também, pelas mesmíssimas razões, e embora em menor grau, a da ditadura Vargas e a do governo militar brasileiro.

Em suma, se fosse possível juntar o que há de mau nos países mais distantes, nos tempos mais diversos e nos regimes mais heterogêneos, teríamos aí o monstro ideal contra o qual o sr. Boff deseja voltar a ira da platéia. O sr. Boff aposta na possibilidade de que o leitor não repare na superposição postiça de recortes e, impressionado pela soma de maldades, acredite piamente estar vivendo entre as garras do monstro, tirando daí a conclusão lógica de que deve deixar-se libertar pelo sr. Boff.

Nisso, e em nada mais, consiste a “teologia da libertação”. A técnica da superposição é, a rigor, o único procedimento estilístico e dialético do sr. Boff e o resumo quintessencial do seu, digamos, pensamento. Podemos encontrá-la, praticamente, em cada página da sua autoria, onde em vão procuraremos outra coisa.

Já poucas linhas adiante temos outro exemplo, no trecho em que ele usa a figura de S. Francisco de Assis como protótipo do revolucionário que ele mesmo pretende ser. O leitor, paciente e bondoso, por favor, siga mais este paragrafinho:
Tal atitude [a de S. Francisco ao rejeitar os bens do mundo] corresponde à do revolucionário e não a do reformador e do agente do sistema vigente. O reformador reproduz o sistema, introduzindo apenas correções aos abusos por meio de reformas.... O que [Francisco] faz representa uma crítica radical às forças dominantes do tempo... Não optou simplesmente pelos pobres, mas pelos mais pobres entre os pobres, os leprosos, aos quais chamava carinhosamente ‘meus irmãos em Cristo’.

Francisco aparece aí, pois, como o revolucionário que em vez de servir ao sistema vigente busca destruí-lo e substituí-lo por algo de totalmente diverso. Nem discuto a inverdade histórica, que é demasiado patente. S. Francisco jamais se voltou contra o sistema hierárquico da Igreja, mas, ao contrário, fez da sua ordem mendicante o instrumento mais dócil e eficiente da autoridade papal. Para usar os termos do próprio Boff, corresponde rigorosamente à definição do “reformador” e não à do “revolucionário”. Mas o ponto não é esse. A coisa mais linda é que, segundo o sr. Boff, quando Francisco se aproxima não somente dos pobres, mas “dos mais pobres entre os pobres”, isto é, dos leprosos, há nisso um claro protesto contra a hierarquia social. Mas desde quando a lepra escolhe suas vítimas por classe social? Não eram leprosos o rei de Jerusalém, Balduíno IV, e o rei da Alemanha, Henrique VII, filho do grande imperador Frederico II e de Constança de Aragão? Francisco recusaria o beijo ao leproso de família rica? Superpondo artificialmente a idéia da deformidade mórbida à da inferioridade econômica, que lhe é totalmente alheia, o sr. Boff faz do menos anti-social dos gestos de caridade cristã um símbolo do ódio revolucionário, e o leitor, estonteado pela imagem composta, nem percebe que foi feito de trouxa mais uma vez, engolindo como pura teologia católica a velha distinção marxista entre reforma e revolução. Desfeito pela análise o jogo de impressões, a “teologia da libertação” do sr. Boff revela-se nada mais que uma técnica de escravização mental.

Sim, o estilo é o homem. Uns escrevem para mostrar, outros para esconder e esconder-se, lançando, desde as sombras, a miragem de uma falsa luz.
 

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NÚMEROS DO DESASTRE PETISTA  -  //

 

A trágica herança deixada pelos últimos anos da era lulopetista na economia fica evidente também nos dados sobre a demografia das empresas que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) acaba de divulgar. Em 2016, último ano da desastrosa passagem de Dilma Rousseff pela Presidência da República, o Brasil perdeu 70,8 mil empresas, o que resultou na demissão de 1,6 milhão de trabalhadores. É o que mostra o estudo Demografia das Empresas e Estatísticas de Empreendedorismo 2016 divulgado pelo IBGE.

O fato de esse ter sido o terceiro ano consecutivo em que o saldo total de empresas em operação no País foi negativo comprova, com estatísticas expressivas sobre a deterioração do ambiente empresarial, o que outros indicadores já mostravam. A crise que afetou duramente o País começara efetivamente em 2014. Foi o ano em que, escondendo dados sobre a realidade da economia e das finanças públicas e fazendo promessas que jamais poderia cumprir, Dilma iludiu boa parte do eleitorado e conseguiu sua reeleição.

As mentiras com que Dilma e sua companheirada animaram a campanha eleitoral tinham pernas curtas, a recessão se instalou, as pedaladas fiscais com que o governo petista tentou esconder a gravidade da crise das contas públicas se evidenciaram e a presidente, afinal, foi definitivamente afastada do cargo no dia 31 de agosto de 2016. Os efeitos de sua danosa gestão, porém, persistiram por vários meses após seu impeachment. Desse modo, comprometeram o início do governo de seu sucessor legítimo, Michel Temer, a despeito do esforço deste para iniciar um severo controle das contas públicas destroçadas nos anos anteriores.

Em 2016, havia 4,5 milhões de empresas ativas, que ocupavam 38,5 milhões de pessoas, das quais 32,0 milhões eram assalariadas e 6,5 milhões, sócias ou proprietárias. Em relação ao ano anterior, o saldo total de empresas caiu 1,6% e o total de pessoal assalariado, 4,8%.

A taxa de entrada das empresas no mercado, que mede a proporção de empreendimentos iniciados no ano em relação ao universo total das empresas, por sua vez, caiu pelo sétimo ano consecutivo. Essa taxa fixou em 14,5% em 2016, o menor valor da série iniciada em 2008. Isso sugere que, no Brasil, os efeitos da crise financeira mundial de 2008 - que afetaram a disposição de empreender em todo mundo durante algum tempo - se estenderam por um período mais longo em razão das imensas dificuldades que a equivocada política econômica do governo Dilma impôs à atividade empresarial.

O impacto negativo dessa política econômica foi particularmente notável nas estatísticas sobre as empresas consideradas de alto crescimento. São as empresas que desempenham um papel socioeconômico mais relevante, pois estão nessa classificação aquelas que aumentaram o número de empregados em pelo menos 20% ao ano, em média, por três anos consecutivos e tinham 10 ou mais pessoas ocupadas assalariadas no ano inicial da classificação. Entre 2015 e 2016, o número dessas empresas diminuiu 18,6% e seu pessoal assalariado caiu 23,5%. Mesmo assim, embora representassem apenas 0,9% do total do universo das empresas, elas ocupavam o equivalente a 8,3% de todo o pessoal assalariado.

O forte impacto social negativo dos últimos anos do governo de Dilma é nítido também nas taxas de desocupação aferidas regularmente pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) Contínua, também do IBGE. Essa taxa é a média do trimestre móvel encerrado no mês de referência. Ela começa a subir no trimestre encerrado em janeiro de 2015, primeiro mês do segundo mandato de Dilma, quando ficou em 6,8%. Um ano depois, já estava em 9,5%. A deterioração do mercado de trabalho em consequência da recessão provocada pelos equívocos da política econômica petista se acentuou nos meses seguintes, até alcançar seu ponto máximo em março de 2017, quando chegou a 13,7%.

São números que o eleitor deveria levar em conta quando for depositar seu voto domingo.
 

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