Percival Puggina
23/11/2014Por todas as razões e evidências sociais e históricas, combater política e culturalmente o comunismo não é fascismo. É dever moral. Aliás, em países submetidos a esse totalitarismo, quem acusasse o regime de homicídio e genocídio era rotulado fascista. E virava prova material da acusação que fazia. Portanto, chamar adversários de "fascistas", como fazem muitos vermelhos e estrelados por aí, não é novidade. Para completar o antigo ritual, só falta o tiro na nuca.
A Câmara de Porto Alegre, com honrosas exceções, criou condições para que se erguesse um Memorial da Iniquidade, destinado à Luiz Carlos Prestes, o homem símbolo da luta bolchevista no Brasil. Nosso legislativo anda em descompasso com a opinião pública, como se viu nos dias de fúria e baixaria que a Casa tolerou por dez dias, em 2013, quando um bloco de pelados a ocupou, se drogou e, literalmente, ejaculou no Plenário.
Certas decisões sugerem que o tradicional cafezinho foi substituído pelo chá do Santo Daime. Recentemente, foi alterado o nome da Av. Castelo Branco para Av. da Legalidade e da Democracia. Alegação: Castelo foi um ditador. Como se Deodoro não tivesse dado um golpe militar. Como se Floriano não houvesse feito pior. Como se Júlio de Castilhos, não fosse o "homem que inventou a ditadura no Brasil", seguido à risca pelo discípulo Borges. Como se o ditador Getúlio Vargas fosse um expoente do constitucionalismo democrático. Ou está havendo manipulação da ignorância de alguns edis pelos mais sabidos, ou tem chá no meio dessa alucinação.
Há anos, na gestão de Raul Pont, a cidade doou terreno para um memorial a Luiz Carlos Prestes. Se dependesse da generosidade dos fãs do referido senhor, a obra jamais aconteceria. Mas com recursos alheios, à moda comunista, é prá já. Bastaria que a Câmara aprovasse o que aprovou em 2009: cessão de parte do terreno para a Federação Gaúcha de Futebol, que se comprometeu a construir o Memorial. Terreno público e obra construída com dinheiro dos pagadores de ingressos no futebol. Feito.
O apátrida, símbolo do comunismo, terá o que não parecem merecer gaúchos de imenso valor moral e serviço ao povo e sua cultura, como, entre outros, D. Vicente, Osvaldo Aranha, Silveira Martins, Flores da Cunha, Pasqualini, Landell de Moura, Érico Veríssimo, Simões Lopes Neto, Lupicínio. Pergunto: não são todos maiores e melhores do que o homem que mandou matar a menina Elvira Cupelo Colônio, por mera suspeita de delação? Enquanto, no mundo, somem de vergonha os funestos símbolos do comunismo, edis espetaram esse Memorial da Iniquidade no coração da capital dos gaúchos.
Zero Hora, 23/11/2014
Percival Puggina
21/11/2014O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso que me perdoe. Malgrado seus muitos e inegáveis méritos, ele tem grande responsabilidade pela expansão e consolidação de seus opositores no poder.
Sim, a nação lhe deve boas iniciativas. Mas ele tem grave responsabilidade pela chegada do PT ao poder. Nada fez para evitar que isso acontecesse. Franqueou ao partido da estrela acesso à alma de parcela significativa do povo brasileiro pela via da mistificação e da mentira. Enquanto no governo, Fernando Henrique Cardoso prestava atenção e levava em grande conta o que Lula dizia. Havia algo de petista, um pigarro socialista, na garganta e na alma do acadêmico que governou o Brasil durante oito anos. Lula, por seu turno, uma vez eleito, teve o mérito de manter o que havia de melhor nas políticas de seu antecessor, lixando-se para o seu próprio discurso e para seu partido. Está aí o principal motivo do maior sucesso político do governo de Lula sobre o de FHC. Como consequência, o PT cresceu mais com FHC do que com Lula. Com Lula, o PT ganhou o controle da máquina. Com FHC o controle de corações e mentes.
O ex-presidente que me perdoe, mas isso é imperdoável. Visivelmente, ofereceu-se ele em holocausto para a vitória do PT. Tirou o casaco, a gravata e abriu a camisa para o assassinato de sua reputação. Permitiu que o importante trabalho social iniciado por sua mulher, Ruth Cardoso, fosse menosprezado e, depois, usurpado por seus adversários. Omitiu-se nas eleições subsequentes ou, por tudo isso, foi alijado delas por seus correligionários Serra e Alckmin. Retornou agora, tarde demais, idoso demais, irrelevante demais, na campanha de Aécio Neves.
Não agiu contra o assassinato da própria reputação. Não mostrou que o PT no governo, com todos os meios de investigação disponíveis, não provou uma única das acusações que lhe fez ao longo de oito anos. Não exibiu o consagrador estado de probidade administrativa representado por esse silêncio. Não se valeu dele para mostrar a criminosa capacidade de difamar e injuriar que caracteriza o petismo. Com tudo isso, Fernando Henrique descumpriu um dever moral perante o qual não poderia se omitir. Não é próprio dos homens de bem tolerar o que ele tolerou. Por agir como agiu, tornou possível o escárnio dos escárnios, que se manifesta quando os petistas, confrontados com a indizível tragédia moral em que se meteram, permitem-se afirmar que não são piores do que os demais. E encontram quem neles creia!
Ao abrir caminho, como de fato abriu, para o crescimento do PT e sua ascensão ao poder, Fernando Henrique fez mal ao Brasil. Desde que li o Manifesto de fundação do PT em 1980, eu sabia o que era e o que viria a ser esse partido. Com muito maior razão ele, homem inteligente e político experiente, tinha que saber o que iria acontecer quando o país caísse nas mãos em que veio a cair.
* Percival Puggina (69), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões, integrante do grupo Pensar+.
Percival Puggina
18/11/2014Em sessão com clima de anúncio relevante, a presidente da Petrobras Graça Forster montou no cavalo encilhado dos escândalos e assumiu seu lugar à mesa dos trabalhos com fisionomia de atendente de UTI de Pronto Socorro, em final de turno, numa segunda de Carnaval. Do cabelo à ponta do nariz, tudo que podia desabar tinha desabado. Afinal, as horas antecedentes não haviam sido moleza. Todos os grandes senhores das empreiteiras nacionais, que eram recebidos com tapete vermelho nos gabinetes da empresa, estavam dormindo no chão do xadrez. Delações premiadas espocavam de toda parte e lembravam extrações da Loteria Federal. Às avessas. Milhões regurgitavam de todos os cantos.
Os sólidos muros da impunidade tombavam pelo simples fato de que ainda há juízes em Curitiba e lá está o celebérrimo magistrado federal Sérgio Moro, a quem a capital paranaense já deve uma estátua no meio da Praça Carlos Gomes.
A presidente da empresa iria anunciar providências. Eram necessárias. Dois dias antes, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, chamado às falas, mostrou porque o antipetismo é tão indispensável ao país. Estas investigações, havia dito ele, não podem ser vistas "como o 3º turno da eleição presidencial". Chegará o dia em que esse petismo desabrido vai entrar para o CID-10 (Código Internacional das Doenças).
Voltando à Graça e aos perigos do petismo delirante. Qual o anúncio feito por aquela senhora de quem já se disse ser tão competente e familiarizada com a empresa que conhece como ninguém? Ela anunciou a criação de uma diretoria para fiscalizar as diretorias. Não é genial? É algo assim como uma presidência para fiscalizar a presidência. Pelo que se sabe, ninguém ainda foi cogitado e, principalmente, claro, não há partidos interessados.
Percival Puggina
16/11/2014Já vi concentrações maiores, inundadas por bandeiras vermelhas. Eram manifestações assustadoras! Nada era dito sobre o Brasil e muito era dito sobre a tomada do poder no Brasil. Festejavam vitórias no mesmo tom com que o MST comemora suas invasões. Algo fora tomado de alguém. A democracia dava mais um passo para trás e a revolução mais um passo a frente. E eram vistosas as manifestações.
Foi curioso perceber que a eleição do dia 26 de outubro não proporcionou qualquer daquelas antigas explosões estelares e escarlates. Ao contrário, viu-se muita gente cabisbaixa, com expressão de criança que sujou as fraldas. Fez e sabe que fez. De algum modo, manifestavam o sentimento nacional, o sentimento de um país que precisa trocar as fraldas, um país que não pode continuar sendo governado por um governo que não controla os esfíncteres.
No início da tarde do último sábado, feriado de 15 de novembro, aniversário da Proclamação da República, um grupo de 5 mil pessoas se reuniu numa das esquinas do Parque Moinhos de Vento em Porto Alegre (vídeos aqui e aqui). Era um desses dias esplendorosos, em que o céu da capital gaúcha se engalana num azul de lápis de cor. Vi pais levando seus filhos em carrinhos de bebê. Vi uma senhora de 93 anos percorrer altiva e solene a longa caminhada de três horas até o Monumento do Expedicionário, no Parque Farroupilha.
Qual a força que me levou até lá, uniu-me a eles numa aderência eletrostática, que nos imantou e mobilizou a todos através da marcha? Não hesito em afirmar: foi um sentimento de bastança, de demasia. O partido que nos governa foi longe demais e a multidão regurgitava 12 anos de desaforos levados para casa. Quem estava ali eram pais e mães de família de verdade, trabalhadores que trabalham, empresários que fazem andar a roda dos negócios mas não se vendem, estudantes que estudam, pessoas de fé que rezam e pessoas sem fé que respeitam a religiosidade alheia, pensadores que pensam a liberdade, a democracia, os bons princípios e os mais elevados valores. "Ou ficar a Pátria livre ou morrer pelo Brasil" sussurrou-me alguém ao ouvido. E essas palavras acompanharam-me ao voltar para casa.
É preciso libertar a Pátria. Soltar as amarras em que vem sendo gradualmente envolta. Romper a teia conspiratória e apátrida que quer nos unir à "Pátria Grande" neocomunista, bolivariana, no mapa continental vermelho, sem fronteiras e virado do avesso, proposto pelo Foro de São Paulo. E, por fim, mas não por último, acabar com eleições que não merecem crédito, com o império da mentira, da enganação, da chantagem, da injúria, onde o juiz da partida é sócio do clube, onde se faz gol com a mão, três horas depois do segundo tempo. O Brasil do bem não suporta mais ser explorado, taxado, tributado, rotulado, dividido, roubado, enganado, e reagirá com os meios proporcionados pelo Estado de Direito e pela democracia.
É preciso dizer à imprensa infiltrada, submissa e omissa, à imprensa "empadinha", que combater o comunismo, ainda que disfarçado e com vergonha do próprio nome, não é fascismo (como acusavam embusteiramente os marxistas-leninistas ao levar seus opositores para o agasalho definitivo das covas rasas). Ao contrário, é indeclinável exigência moral, numa sociedade de homens livres, que conhecem História. E foi o que fizemos, da melhor forma que pudemos, numa tarde em que o céu de Porto Alegre exibia, orgulhoso, um céu azul de lápis cor.
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* Percival Puggina (69), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões, integrante do grupo Pensar+.
Percival Puggina
14/11/2014Doravante, cada vez mais, você ouvirá falar de "Pátria Grande". A expressão é cunhada nas elucubrações do Foro de São Paulo. Designa a unidade geopolítica a ser construída através da exportação do comunismo cubano e venezuelano aos demais países da outrora chamada América Latina ou Ibero-América, em marcha para se tornar "Pátria Grande". Pátria grande uma pinoia!
Exceto nas cabeças petistas (assista vídeos de Lula e Rui Falcão aqui), o Brasil nada tem a ver com essas pequenas nações que outrora integraram a Coroa espanhola. Se elas sonham com deitar à sombra da economia brasileira, se creem que continuarão, vida afora, contando com as prodigalidades proporcionadas pelo governo petista em seus sonhos de hegemonia continental, podem armar suas redes noutras varandas. Tivemos origem diversa, cursamos rumos diferentes na História e os dias do PT estão contados. Julgo oportuna esta advertência porque, do jeito que a coisa vai, em breve haverá cubanos, bolivianos, salvadorenhos e nicaraguenses fazendo projetos com os recursos do pré-sal... Vamos parar com isso! E vamos parar já.
Um dos elementos da identidade brasileira cuja construção inspira justificado sentimento de orgulho é a unidade do território e da língua comum. Ao longo dos séculos, essa não foi uma conquista fácil. Não nos faltaram invasores nem traidores. Não nos faltaram divisionistas e, em muitos momentos, não nos faltaram motivos para a divisão. A América Espanhola, seja como território, seja pelo vulto dos recursos populacionais, seja pelos minerais preciosos disponíveis para o custeio do povoamento, andou melhor e ensejou mais rápida prosperidade ao projeto da Coroa espanhola. Portugal, a seu turno, era carente de recursos humanos e materiais e o Brasil nunca lhe foi fonte de abundantes riquezas. Povoar defender um país continental, guardar a extensa Costa Atlântica, muito acessível à cobiça de ingleses, franceses, holandeses, envolveu gastos elevadíssimos. No entanto, enquanto o Brasil permaneceu unido, eles se dividiram e pagam a conta da divisão. Agora os bolivarianos querem "Pátria Grande". E conosco...
Quando, no início do século 19, Napoleão invadiu a Península Ibérica, a Coroa portuguesa percebeu que deveria mudar-se para o Estado do Brasil. O Brasil era, desde sempre, Província e Estado de Portugal como qualquer outro Estado lusitano. O ineditismo caracterizado pela transferência da Coroa para América foi motivo de surpresa em Portugal e de alegria no Brasil. Cogitaram do mesmo, mas não levaram a cabo suas intenções, os reis de Espanha, Carlos IV e Maria Luísa. Essa hesitação e demora, ensejou a invasão francesa e a designação de José Bonaparte para o trono espanhol. Nesse momento rompeu-se o laço com a matriz ibérica e com os Bourbons, desencadeou-se uma sucessão de fracionamentos e surgiram muitas novas nações, governadas por caudilhos e déspotas locais. Já o Brasil, com D. João, D. Pedro I e D. Pedro II, manteve-se uno, seja nas guerras da Independência, seja nas da República.
Essa história e nossa identidade não são patrimônio de desmiolados que deveriam estar declamando noutra freguesia seus projetos de Napoleão de hospício.
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* Percival Puggina (69), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões, integrante do grupo Pensar+.
Percival Puggina
11/11/2014
Na véspera do dia em que se celebravam os 25 anos da queda do Muro de Berlim, um grupo de cidadãos marchou pela Avenida Borges de Medeiros, em Porto Alegre, rumo às obras do Memorial Luiz Carlos Prestes onde realizaram breve protesto. Denunciavam um paradoxo. E bota paradoxo nisso! Enquanto o mundo livre e civilizado rememora o fim do Muro, maior evidência do fracasso do comunismo, em Porto Alegre ultimam-se as obras de um Memorial que permanentemente exaltará tal regime através do personagem que, com maior ênfase, simboliza a luta suja por sua implantação no Brasil.
O Memorial é um projeto do arquiteto Oscar Niemayer, o milionário mais festejado pelos marxistas-leninistas. Sua construção e instalação foi proposta à cidade de Porto Alegre em 1998 pelo petista Raul Pont, então prefeito da Capital, em projeto que enviou ao legislativo municipal, obtendo inimaginável aprovação pelo voto majoritário dos edis.
As coisas teriam terminado por aí. O prefeito teria atendido seus amigos da foice e do martelo e destinado o terreno para o projeto. A Câmara teria feito mais uma de suas tradicionais trapalhadas. O terreno viraria estacionamento ou depósito de lixo. E assim foi, de fato, por muito tempo. Até quê? Até que a Federação Gaúcha de Futebol, interessada em construir seu edifício-sede, estendeu olhar cobiçoso para aquele privilegiadíssimo local.
Pintou negócio. De onde menos se poderia imaginar, apareceu dinheiro para que se completasse a ofensa ao caráter democrático do povo de Porto Alegre. Assim: a) o terreno seria dividido ao meio; b) a Federação ficaria com uma das metades do que não lhe pertencia; e c) em retribuição, entregaria à cidade, pronta e acabada, a fatídica obra. "Não, muito obrigado!", diríamos, por certo, eu e o leitor destas linhas. Afinal, não faltam obras mais urgentes e necessárias à nossa população. Mas nossa Câmara, liderada pelo empenho dos vereadores da bancada do futebol disse o contrário. E nos brindou com essa histórica ridicularia.
Nem virando a cidade pelo avesso se congregariam em Porto Alegre, felizmente, adeptos do comunismo em número suficiente para reunir os meios necessários à construção do Memorial. No balcão das negociações da FGF com a bancada do futebol, ele saiu de graça. Bem como costumam ser as coisas comunistas - tudo, sempre, com o dinheiro dos outros. Então, sob o egrégio patrocínio dos pagantes de ingresso para jogos de futebol e dos cidadãos de Porto Alegre, o comunismo, varrido a grito do Leste Europeu, ganhará um vexatório memorial em Porto Alegre. Será nossa homenagem a um mau brasileiro, traidor de sua pátria, agente soviético no Brasil, responsável direto e indireto pela morte de muitos brasileiros.
Tais mortes deveriam estar elencadas no prontuário de Prestes! Sua Coluna, tão famosa quanto inútil, foi um delírio do líder que lhe deu o nome. Arregimentados morriam de doenças e de fraqueza. Enquanto se deslocou pelos famosos 25 mil km, fugindo dos combates contra as forças oficiais, deixou um rastro de torpezas e destruição (1). Após sua conversão à foice e ao martelo, aliou-se ao profissionalismo assassino do Partido Comunista da URSS e, nessa condição associou-se aos autores de repetidos genocídios. Também caem na sua conta os mortos da Intentona Comunista de 1935.
Lamentável, também, foi o tom das matérias que divulgaram o gesto democrático, cívico e ordeiro da pequena marcha pela avenida Borges de Medeiros até as obras do Memorial no dia 8. Habitualmente, o esquerdismo descerebrado que se alojou nas redações de certos veículos procura desqualificar como fascista todo e qualquer repúdio ao comunismo. Foi o que, ora explícita, ora veladamente, fizeram neste caso. Tais notas são redigidas como se ser anticomunista fosse fascismo e não fosse uma imposição moral incidente sobre todo cidadão que conheça História! Aliás, essa mesma História ensina que, ao longo do século passado, os comunistas, sem qualquer constrangimento, eliminaram dezenas de milhões de seus próprios conterrâneos civis, sob idêntica alegação! Eram ditos fascistas e destinados às fossas coletivas todos que se opunham à malignidade do totalitarismo vermelho, que se auto condenou com o famigerado Muro, cujo fim foi celebrado, no domingo passado, para irritação de certos redatores.
(1) NARLOCH, Leandro. Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil . Editora Leya, 2009.
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* Percival Puggina (69), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões, integrante do grupo Pensar+.
Percival Puggina
09/11/2014Na recente campanha presidencial, o lado em que 51 milhões de brasileiros se arregimentaram foi apresentado por Lula como síntese de todas as perversões e maldades. Dando continuidade a isso, na última terça-feira, o Diretório Nacional do PT divulgou uma Resolução que reduz a pó a busca de entendimento sugerida pela presidente no dia 6. A referida Resolução diz como deve ser a luta pela hegemonia, que é a supremacia do pensamento partidário sobre a sociedade. Para viabilizar isso, o partido insiste na sua reforma política, na imposição do controle social da mídia (agora com o nome bem bolivariano de "Lei da Mídia Democrática"), e na retomada da criação dos conselhos populares recentemente barrados pela Câmara dos Deputados. Assim é o petismo.
Sob vários aspectos, o documento é uma resoluta declaração de guerra. Lá pelas tantas diz assim, referindo-se à campanha recém finda: "A oposição, encabeçada por Aécio Neves, além de representar o retrocesso neoliberal, incorreu nas piores práticas políticas: o machismo, o racismo, o preconceito, o ódio, a intolerância, a nostalgia da ditadura militar". Não importa que nada disso tenha acontecido. É da mera afirmação que os resultados são colhidos. Também assim é o petismo. E, mais adiante: "A oposição, ressentida, insiste na divisão do país".
Claro que a nação resulta dividida! É uma divisão feia, fruto de retórica maligna, como a do vociferante Lula e como a que explodiu na Resolução mencionada acima. No entanto, se a divisão entre grupos sociais é indesejável, a divisão para o jogo político se faz necessária. A superação dos conflitos fantasiosos produzidos pelo marketing da tal hegemonia exige que se estruture e consolide o antipetismo. Havendo o petismo, o antipetismo torna-se uma imposição da racionalidade política. As redes sociais servem à construção de uma oposição, mas não dispensam a oposição parlamentar, com representatividade, mandato, tribuna e voto. Por isso, a defesa da democracia clama por unidade suprapartidária oposicionista, compondo, nos parlamentos, frentes que restabeleçam o democrático e indispensável papel da oposição.
O fracionamento dos partidos pelo poder de compra do governo da República precisa ser vencido por uma força política organizada e coesa que expresse o que metade dos brasileiros manifestou com seus votos e prossegue reafirmando em sua mobilização nas redes sociais e nas ruas. Que haja, enfim, governo e oposição atuantes no país. E que nunca mais tenhamos que votar num sistema no qual poucos ainda insistem em confiar cegamente.
ZERO HORA, 9 de novembro de 2012
Percival Puggina
07/11/2014
Raras vezes se ouviu semelhantes confissões. Confessaram em dueto, Lula e Dilma. "Eles não sabem o que somos capazes de fazer!" proclamou ele, enfático. "Nós podemos fazer o diabo quando é a hora da eleição!" admitiu ela, faceira.
E assim foi. Nunca se viu tanta baixaria. Nunca a verdade foi tão chicoteada pela mentira. Nunca se disse tanta estupidez, porque a estupidez, de algum modo, renderia votos. Desde as eleições que sucederam o Plano Cruzado, em 1986, não se praticava no Brasil um estelionato eleitoral de tais proporções. Todas as providências, todas as urgentes providências demandadas pela péssima situação econômica e pelas deficitárias contas públicas agravaram-se por terem sido postergadas para depois das eleições. Ainda se discutem as urnas e já os preços administrados pelo governo começam a subir. A realidade nacional não podia chegar ao conhecimento do povo. Menos ainda na hora de o povo deliberar sobre quem estava mais capacitado para enfrentar a realidade.
Em todo o país, os militantes e agentes petistas exploravam a ignorância alheia advertindo que se Dilma não vencesse a eleição o Bolsa Família deixaria de existir. E isso era repetido milhões de vezes, com a face lenhosa de quem mantém acirrada inimizade com os fatos. Aécio Neves já havia apresentado e aprovado na CCJ do Senado projeto de lei que torna o Bolsa Família programa de Estado. Algo que o PT não fez, exatamente para não prejudicar sua chantagem política contra os miseráveis do país.
Numa eleição acirrada, apenas esse diabo solto já seria suficiente para alterar o resultado do pleito. Mas houve muito mais! Qualquer prefeita, candidata a reeleição, que fizesse dez por cento do que foi feito na campanha de Dilma teria seu nome retirado das urnas por decisão da Justiça Eleitoral. Imagine uma prefeita cujos garis fossem incumbidos de entregar seus "santinhos" de porta em porta! Imaginem o que faria a Justiça contra uma prefeita, lá do interior, cujos CCs se pusessem ao telefone ameaçando os moradores de determinado bairro de que as obras em execução seriam suspensas se a chefe não fosse reeleita!
Já não falo nas muitas mentiras e acusações vis que arrastaram para esta campanha o qualificativo de "a mais suja da história da República". Estas, as mentiras, revelam o fundo da alma de quem as propaga. Atenho-me, antes, ao que todos viram, assistiram e souberam. Numa eleição em que a diferença de votos ficou em dois pontos percentuais, bastaria que um desses abusos e ilegalidades não fosse cometido para que o resultado final se invertesse. Mas se entende. Quem olha a situação nacional e o esforço do petismo em impor sua hegemonia (intenção reiterada na recentíssima Resolução do Diretório Nacional do PT), sabe que o partido governante não poderia perder as eleições. Este pleito presidencial de 2014 foi disputado sob condição especialíssima: havia nele um partido que simplesmente não saberia viver sem tudo que já tem como coisa sua no patrimônio da União.
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* Percival Puggina (69), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões, integrante do grupo Pensar+.
Percival Puggina
02/11/2014
Todo dia recebo mensagens de petistas. Muitas procedem de gente boa, que tenta justificar moralmente seu voto em Dilma sob a alegação de que "corruptos por corruptos eu fico com os que, na minha opinião, estão conduzindo melhor o país".
Tal frase é produto de duas informações falsas. Segundo ela, a) os números do governo petista seriam favoráveis quando comparados com os do governo tucano; b) se o governo petista foi uma infindável sucessão de escândalos, com o alto comando do partido mudando-se para a Papuda, também no governo FHC houve corrupção, "como todo mundo sabe". Sabe? Veremos.
1) Os números favoráveis do governo petista
É sempre difícil e impreciso comparar situações sociais, políticas e econômicas em épocas e circunstâncias diversas. Mesmo assim, julgo importante lembrar que os anos de Lula foram mágicos para o Tesouro Nacional e para as contas públicas. Naquele período, o mercado chinês foi às compras com uma voracidade inexcedível em qualquer momento da história. Centenas de milhões de chineses passaram a demandar grandes quantidades de quase tudo que o mundo podia oferecer. Nossas commodities alcançaram preços antes impensáveis.
No governo Itamar Franco, o Brasil precisou vencer uma inflação de 80% ao mês e reverter, com severo ajuste fiscal, a má fama brasileira no mercado mundial. O governo Lula surfou na onda chinesa. O estouro dos mercados mundiais de 2008 encontrou o Brasil bem protegido por um ortopédico colchão de divisas, levando a gestão petista a julgar desnecessário adequar-se. Enquanto outros países faziam como a formiga da fábula de Esopo, o PT, deslumbrado pelo que considerava êxitos seus, brincava de cigarra. Por isso, os 12 anos petistas resultaram desastrosos política, moral, econômica e financeiramente.
O PT gosta de comparar certos dados de 2014 com os de 2002 (último ano do governo tucano). Omite, porém, o fato de que nos meses que precederam a vitória e a posse de Lula, o medo tomou conta dos mercados. A bolsa caiu, o dólar disparou e os preços subiram como precaução ante o que aconteceria se o PT, ao assumir, fizesse o que, irresponsavelmente, exigia de seu antecessor. Tal comparação, portanto, alcança requintes de desonestidade: é o PT cobrando de seu opositor o mal que ele próprio causou por ter feito uma oposição perversa e moralmente desonesta.
Os fatos divergem do que o PT gosta de proclamar: o Brasil deve muito ao governo de FHC. Agora, sob a gestão petista, apresenta um desempenho muito inferior ao dos países de seu entorno, que foram mais prudentes nas suas contas. O Brasil de Lula e Dilma malbaratou os ganhos herdados e se reencontra, agora, com os velhos males da inflação e da recessão. Ao fim e ao cabo, a gestão petista foi melhor? Melhor em quê?
2) O alvará de boa conduta passado pelo PT ao PSDB
Pela cartilha petista, escândalo no território inimigo era e continua sendo coisa que ou existe ou se fabrica. Onde houvesse o mais tênue fio de fumaça da suspeita o partido era o primeiro a chegar, com um tonel de gasolina. Apontava o dedo acusador com a suposta autoridade moral de quem jamais contou dinheiro mal havido. Foi assim que o partido, sem muito esforço, diga-se, destruiu moralmente os governos Collor e Sarney. Foi assim que o partido avançou contra o governo FHC, requerendo mais de duas dezenas de CPIs, sempre com apoio da mesma mídia que o PT hoje execra. As investidas foram tantas, tão contínuas e violentas que o prestígio do ex-presidente despencou dos elevados índices a que chegara nos pleitos que venceu. Quanto de verdade havia naquelas acusações? Não pergunte isso ao PT. Sabe por quê? Porque o PT concedeu ao PSDB um atestado de boa conduta.
Com efeito, em 2003, com a posse de Lula, os petistas não mais dependiam das CPIs para investigar coisa alguma. Passavam a dispor de todos os meios para isso. Ministério da Justiça, Controladoria-Geral da União, ABIN, Polícia Federal, Receita Federal, eram apenas alguns dentre os muitos instrumentos disponíveis. Sem esquecer, ainda, gavetas e arquivos de todos os ministérios, repartições e empresas estatais do país. Entretanto, surpresa! Empossado Lula, a inquisição petista deve ter embarcado em Alcântara rumo a algum asteróide distante. Nada foi investigado! O outrora refinado faro não capta mau cheiro sequer quando vem da sola do próprio sapato. Seus sherloques, seus produtores de dossiês, seus assassinos de reputações, que antes pareciam saber de tudo que acontecia na República, foram acometidos de um alheamento, de um autismo em que não apenas ninguém está a par do que acontece na sala ao lado, mas é a própria mão direita a primeira a desconhecer o que a esquerda faz. Sobre essa duplicidade de conduta nada se fala, nada se escreve. Quando não há explicação moralmente aceitável é preferível deixar o dito pelo não dito. E Lula maneja com perfeição a prolongada retórica do silêncio. Se, na oposição, acusavam sem evidências, cometeram crimes de injúria e difamação. Se, no governo, dispunham de meios para investigar e não o fizeram, cometeram crime de prevaricação.
Já cansei de escrever sobre isso. E só colho silêncio como resposta. É um silêncio que comprova a tese: o melhor atestado de boa conduta do PSDB é passado pelo PT. O resto é conversa fiada. Não, não sou tucano. Nem idiota.
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* Percival Puggina (69), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões, integrante do grupo Pensar+.