• Rubem Sabino Machado
  • 26/03/2026
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Ela é uma brasa, mora?...

 

Rubem Sabino Machado

PRA FRENTE, BRASIL!!!

        Não sei por que, justamente esta semana, lembrei daquela que, de fato,  “é uma brasa, mora?!”: sabem de quem eu falo, né? Claro, da Jovem Guarda!  Pensaram que eu iria falar de futebol?! Nada a ver! Prossigo falando de música, que tem uma memória afetiva ainda maior que o Escrete Nacional!

Que lembranças, que vozes!  Ah, aquela franja da Wanderléa e de outros brotinhos, em um tempo de alegria, muito antes da Rivotril. Em um tempo em que o carro é que era vermelho, fosse Cadillac ou calhambeque e em que eu não usava “espelho pra me pentear”, mesmo tendo muito mais cabelo que hoje...  Um tempo em que mandar tudo pro inferno era força de expressão, não uma intenção satânica.

O programa não chegou a ver o Tricampeonato da Seleção, durou só 3 anos, mas seus participantes viram e se imortalizaram em nossas memórias, também nas décadas seguintes, especialmente seu Rei: se o futebol tinha um Rei, que reinava absoluto, a Jovem guarda tinha o seu.  Nenhum dos dois jamais seria deixado de lado: ainda que um 22 ou outro quisesse afastá-los questionando sua visão,  ninguém seria tantã de fazer um programa ou uma Copa sem eles... 

Um tempo em que, pasmem,  o 13 era sorte, até nas sextas-feiras: o 13 do Zagallo.  “Zagallo eterno” e “Brasil campeão” tinham 13 letras, como o número favorito do jogador que venceu duas copas e que, como treinador, o adotou, vencendo mais duas Copas na comissão técnica: o único tetracampeão mundial, saudoso Lobo! 

80 milhões em ação, pra frente BRASIL, salve a Seleção.” Dizia a canção que não era da Jovem Guarda, mas que até poderíamos dizer – mas nunca dissemos –  que “era uma brasa, mora?!”, gíria que podemos usar até hoje, mas que nunca alterou o jeito de chamarmos nosso time nacional: Seleção, Brasil, Escrete (não Scratch,) Canarinho (não Canary).  “Pra frente, Brasil! Salve a Seleção”:  “Brasil, Brasil, Brasil”, se recuarmos mais, para Lamartine em 1950,  ano da tragédia do Maracanaço...  Nem como adjetivo, essa gíria famosa, eu vi alguém usar sobre a Seleção.  Era mais sobre os brotinhos de então...

Mas voltemos à Jovem Guarda: estamos em um tempo em que o saudosismo se impõe não pela nostalgia, mas pela qualidade.  Como não pensar, com o que temos visto ultimamente, em versos como  “Pobre menina, não tem ninguém”, “Por favor, pare agora!!!  Senhor Juiz, pare, agora”!  Ou, diante de um mundo cada vez pior: “Estou guardando o que há de bom em mim”!  Tempo em que havia mais biquinis de bolinha amarelinha e menos camisões escuros.  Como esquecer de Roberto e de seu amigo Erasmo, de Celly Campelo, de Leno e Lilian, Os Vips, Martinha, Jerry Adriani?!...

Hoje, só posso ter saudade de um tempo de boa música em que, a cada dia,   surgiam mais belas canções... Tempo em que, em cada show ou jogo,  um Rei dava show.  Que saudade! “E por falar em saudade, onde anda você?” dizia a bela canção que não era da Jovem Guarda, que essa sim era uma brasa,  enquanto nosso Escrete sempre foi o Brasil!  Salve a Seleção!!!

Ao recordar,

eu não acredito,

que sofrendo assim,

eu vá viver,

você se foi...

(Leno e Lilian)

 

* O autor, Rubem Sabino Machado, é cronista fictício e dizem que é uma Brasa, mora?!  PRA FRENTE, BRASIL!!!

 

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