• Samir Keedi
  • 17 Maio 2019

 

Nota do editor: O autor publicou este artigo em setembro de 2012 . Ele ajuda a compreender o quanto os governos petistas, cujos líderes agora reaparecem apresentando como "solução" a manutenção das mesmas práticas que produziram o desastre brasileiro.  Para que ninguém esqueça, foi da reiteração disso que escapamos em 2018.

Há cerca de uma década vimos, quase solitariamente, apontando mazelas e descrevendo o país do futuro. Ceteris paribus, sem futuro aparente. Para ter um futuro será necessário mudar tudo. Da maneira como vamos, não haverá recursos para nada em 2020. Isso, claro, sob a descrença de todos que nos lêem e ouvem. Somos realistas, e a realidade está ai, à frente de todos, para quem quiser entendê-la, tarefa difícil no Brasil atual.

Temos ouvido que o país já tirou milhões de pessoas da pobreza encaixando-as na classe média. Que mais gente está comendo, e melhor. Está consumindo e o mercado consumidor é cada vez maior. Que mais gente está estudando, com milhões a mais nas universidades. Que o país está crescendo muito. Que nós é que não estamos vendo o que está acontecendo. Pois é. O que é a cegueira que interessa.

O problema é que tudo isso é falso, uma fantasia criada para iludir os incautos. Todos estão sendo iludidos e fica tudo por isso mesmo. Enxerga-se a árvore em detrimento da floresta. Podemos dizer que estão vigiando determinadas árvores, e estas não estão sendo mortas. Enquanto isso, a floresta está em pleno desmatamento. É esta exatamente a situação que estamos vivendo, senão vejamos.

Para começar, o país considera, através da SAE – Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência (da República), classe média quem tem renda familiar per capita entre R$ 291,00 e R$ 1.019,00 mensais. E esse contingente social é 54% da população, o maior do país. Se R$ 291,00 é valor para classe média, e uma família de quatro pessoas está nessa categoria tendo uma renda familiar de R$ 1.164,00 estamos mais em pânico do que nunca.

Obviamente, não há como uma família de quatro pessoas, com essa renda, menos de dois salários mínimos, ter casa, carro, estudar, se vestir bem, ter um convênio médico decente, etc. E, sem isso, não há como se falar em classe média, mesmo que baixa. Uma renda per capita de apenas um salário mínimo já não poderia, em nossa modesta opinião, ser considerada classe média num país com o nível de vida dos mais caros do planeta. Tudo nos EUA, por exemplo, custa bem menos que aqui, e lá a renda per capita é cinco vezes maior que a nossa.

As pessoas estão comendo e consumindo um pouco mais porque o país está lhes dando dinheiro a fundo perdido, via bolsa-esmola. Sem que façam algo pelo país. Enquanto isso, nossa infraestrutura com portos, rodovias, ferrovias, etc., está destroçada. Nossa matriz de transporte é a pior do mundo. Todo este contingente poderia ser alocado para construir portos, rodovias, ferrovias, etc. E ganhando e consumindo mais, e com dignidade.

Nós investimos 0,49% do PIB – produto interno bruto em infra-estrutura. A China e a Rússia 5%. A Índia 4%. Acreditamos que todos ficariam mais felizes, e bem melhores financeira e economicamente, trabalhando pelo país. Bastaria haver investimento na área. Melhorando a infraestrutura, ficaríamos mais competitivos e o emprego e consumo seriam ainda maiores. E levando benefícios à importante atividade de comércio exterior, em que não somos quase ninguém, com 1,3% do comércio mundial.

Estamos colocando mais gente nas universidades, mas sabemos a que preço. Com bom contingente sem a devida preparação básica para isso, já que o ensino fundamental é péssimo. Assim, o nível vai diminuindo, enquanto a quantidade de universitários e formados vai aumentando. Melhora a estatística e piora a cultura e educação.

No início do 2º semestre de 2012, duas matérias do jornal Folha de São Paulo tinham como título “Brasil: Rico ao investir, pobre ao educar” e “Entre os universitários, 38% não sabem ler e escrever plenamente”. Nossos empregos não conseguem ser ocupados adequadamente. O que vai levando o país cada vez mais para o buraco 2020. Em olimpíada internacional em 2011, ficamos, em leitura, matemática e ciências, nas 53ª, 57ª e 53ª posições. A China, considerando Xangai, na 1ª posição em todas. A Coréia, que estava em situação pior que a do Brasil nos anos 70, está na 2ª posição em tudo.
O funcionalismo público aumentou significativamente nos 10 anos passados. E seus aumentos salariais foram bem maiores que os da sociedade “comum”, inflando mais ainda os gastos públicos.

Os desvios financeiros são recordes na história do país. E isso não tem como ser contestado. Sendo comprovado pela carga tributária, a mais elevada do mundo. Está, por ora, em 37% do PIB, e sem quase retorno. Era 13% em 1948 e 22% em 1989. E cresce todos os anos, retirando da população renda disponível, que deveria ir para o consumo. E não adianta querer citar alguns países europeus com carga tributária absoluta maior que a nossa. Lá retorna, o que a alivia e a torna menor. A nossa é a maior do mundo em termos relativos. E até absolutos, se tivermos que dar ao governo o suficiente para nos proporcionar, pelo menos, saúde, educação e segurança que não nos são dados com os impostos pagos. Nesse caso, em nossa opinião, ela está por volta de 45/50%, maior do mundo também em termos absolutos.

Para compararmos apenas com alguns países, nos EUA ela é de 24%, no Japão 28%, no Chile 18%, na Coréia 26%, na Suíça 30%, no Canadá 31% segundo a OCDE/IBPT 2009. E eles vivem bem com essas cargas tributárias.
Em face da nossa enorme, impagável e crescente dívida interna, que em abril/12 chegou a 2,7 trilhões de reais, pagamos em 2011 a bagatela de R$ 237 bilhões em juros em face da mais alta taxa de juros no mundo. E ela era de 89 bilhões em 1994, 1,1 trilhão em 2002 e 2,4 trilhões em 2010. E poderá ser, pelo andar da carruagem, ceteris paribus, entre 4 e 5 trilhões em 2020, praticamente um PIB – produto interno bruto.

Assim, só para ficarmos por aqui, em 2020 não haverá dinheiro para a bolsa-esmola, aposentadorias, juros e principal da dívida, para o funcionalismo, etc. A menos que a carga tributária continue crescendo para o nível de uns 50/60/70% ou mais. Assim, deixando nada para o consumo e crescimento da economia. Ou seja, o caos absoluto.

E tudo que está aqui não é fantasia, mas realidade, e está disponível a todos. E o que está por vir pode ser um futuro negro. Ou grafite, ceteris paribus.

*     Jornal Diário do Comércio de 06/09/2012

**  https://blogdosamirkeedi.com.br/?p=1684
 

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  • Harley Wanzeller
  • 17 Maio 2019

 

Madrugada calada.
Noite abraçada pelo cansaço.
Todos dormindo.
Ou melhor, quase todos.
O silêncio gritava um diapasão no ouvido estafado.
O ronco acordava o mais despreocupado.
O bebê declarava o amor sob prantos.
A mãe trabalhava o peito, declarando seu amor,
Ansiosa por negar o despeito da vizinha sonolenta.
Rabugenta.
Amargurada e esquecida da própria infância.
Mal-agradecida pela maternidade que jamais conhecera.
A vida era comum.
Estranhamente comum.
Seguia em calmaria inocente ou indolente.
Mas seguia.
Dia após dia, sob espaço calmo.
Obscuramente calmo.
Cada qual ao seu amparo,
Garantindo, assim, o silêncio pacífico na "Vila Andrada".
Vila feliz,
Onde tudo acontecia, e nada se falava.

De repente, um único estalo.
Todos acordados, movidos pela curiosidade.
Tontos, e ainda embaçados em suas vistas,
Abrem as portas de suas casas, avistando a cena do crime - Dona Maria, da casa seis, deitada sobre bloquetes.
Fazia-lhe companhia um rastro de sangue cru, e uma arma ainda quente.
A visão feriu mortalmente os corações dos moradores.
A histeria começou a reinar sobre a Vila.
Todos indignados pela morte da professora que havia ensinado gerações, e ainda ensinaria outras.
Um choro copioso e inconsolado,
Vertia sobre o corpo enrugado da velha tia.
Velha conhecida como "A professorinha da Vila Andrada".
Quem teria tamanha coragem e sandice?
Tirar a vida de uma senhorinha...
A quem sobrou sangue frio para esfriar o corpo da cansada tia?
Logo a professorinha!

A revolta contagia...
E sem esperar o raiar do dia,
Os moradores da Vila,
Pródigos em histeria,
Iniciaram a celebração póstuma da velha tia.
Coitada da tia!
Honrada por cartazes feitos com cauteloso carinho.
Com amor incomum, e inigualável esmero,
Escreviam palavras impregnadas de ódio, dor e amor.
Na última homenagem à tia da Vila:

"Quem matô minha tia?"
"Mecheu com a Tia, mecheu com todos!"
"Tiramão da minha Tia"
"Matarão minha profeçora"
"O que vai ser da minha educassão!"
"Quem trazerá educassão pra Vila?"
"Sauve a Tia da Vila!"

Placas e palavras ornavam o caixão da velha tia.
Se vida tivesse, estaria a tia orgulhosa de seus frutos?
A pergunta ecoou em ouvidos mais atentos.
O mais inquieto era aquele que mostrava maior intimidade com o cadáver.
Seu Freire - entre lágrimas de lamentos e consolo de viúvos - expressava sua gratidão.
E sentia...
Mediunicamente, ouvia a voz da velha amiga que ali jazia.

- Freire, Freire!
- Meu amigo. Não procure assassino algum.
- Suicidei-me!
- Não aguentava mais os frutos de uma vida inteira.
- Se queres saber o motivo de minha ida, leia atentamente os cartazes, e veja com seus próprios olhos tudo que fiz, e a vergonha que me tomou.
- Suicidei-me!
- E após tantas palavras escritas, irei descansar.
- Deixe-me ir!

A revelação pesou sobre Freire que, fingindo passamento menor, curou-se com água e açúcar.
Logo Freire recobrou o juízo, tratando de acalmar os espíritos doloridos.
Pranteou, como poucos, o luto da Tia da "Vila Andrada".
E comemorou, com todos, a chegada da nova Professora da Vila.
Uma jovem bonita e vistosa.
Substituta da velha tia,
Em todos os termos.
Em novos tempos.
Parecia sobremaneira inteligente.
Apta ao lugar.

De pronto abusaram, ambos, da "empatia".
Freire e a "nova" professorinha tornaram-se íntimos.
Ímpios parceiros intelectuais,
Cúmplices gramaticais,
Párocos da letargia.
E a Tia?
Todos passam.
Ela passou.
A vida retomou seu curso...
Os moradores seguiram passivos.
Freire, como bom e velho amigo, aconselhava a todos.
A nova professorinha, escutava.
E a "Vila Andrada" seguia moribunda.
Rota e analfabeta.
Burra.
Porém, "feliz".

 

Harley Wanzeller. 16.05.2019


 

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  • Renato Sant'Ana
  • 17 Maio 2019

 

          Ela é como o arbusto que, à fúria da ventania, verga mas não cai, não se quebra, e quando a calma retorna, ergue-se com todo viço.

          Porque o padrasto não deixa, ela não mora com a mãe, que não tem energia. O pai, meio hippie, trabalha só de vez em quando e é mais imaturo que a filha. Resta-lhe viver com os avós, que são muito pobres, doentes e atrapalhados. Porém, apesar de tanto desmantelo e de andar quase sempre mal alimentada, Carol encara a vida com entusiasmo: é alegre, delicada, positiva e aplicada aos estudos. E conseguiu terminar o ensino médio aos 17 anos.

          Há pessoas que, em vez de acumular amargura, adoçam a alma com o sofrimento. Carol é dessa têmpera. De incoercível bondade, olhar doce, alegria serena, ela é de um tipo raro de ser humano que acredita existir amanhã.

          Fez contagem regressiva para o dia da formatura, a singela solenidade de entrega do certificado de conclusão do ensino médio, que haveria de orgulhar seus pais. Ia ser em 2017! Mas... A pobre Carol é da Escola Estadual Tereza Francescucci, em Canoas, RS. E, como em todos os anos, em 2017 houve greve do magistério estadual. Foram mais de três meses sem aula, minguando o sonho da menina.

           O vestido comprado com sacrifício, o salão de festa contratado coletivamente por garotas pobres como ela, o passeio que o grupo de colegas faria para selar a amizade antes da natural diáspora de fim de curso, além doutros eventos juvenis para marcar o último ano de escola, foi tudo arruinado. Não teve solenidade. Formatura não houve.

          Como sempre, os grevistas prometeram recuperar aulas perdidas. E como sempre... Mais de três meses de greve viraram um mês de recuperação - terminando em janeiro, com dois feriados pelo meio. E, no lugar de dar aula, houve docentes que só "passaram trabalhinhos".

          Desde 1979 até hoje não houve ano sem greve dos professores. Nos governos petistas foi só um jogo de cena. Com alunos sem aula, claro. Já nos outros governos... São 38 anos consecutivos de grevismo, um genocídio cultural, condenando o futuro de várias gerações de gaúchos.

          Carol está magoada. É natural. Percebe que o ensino médio foi-lhe sofrível. Diz que os professores tomaram os alunos por bobos, quando falaram que o governador estava pagando só R$ 300 por mês. Sabia que isso era só uma parcela, não o salário todo - o que é ruim, mas não é culpa dela. E critica os professores que faziam propaganda do PT em sala de aula. Humilde, ouvia tudo calada. Ela não quer saber de ideologia. A seu modo, define o jogo do poder como egoísta. Diz não entender de política. Acha que não é hora de se ocupar dessas coisas. Carol deseja formar-se para trabalhar. Acha que, terminando os estudos, supera a pobreza. Carol só quer mudar de vida. Só isso - coisa simples que o sindicato dos professores despreza.

Post scriptum:

Crônica escrita há um ano, mas vale a releitura, porque os professores gaúchos seguem mentindo e enganando.

*  Renato Sant’Ana é Advogado e Psicólogo

**  Publicado originalmente em https://blogdopolibiobraga.blogspot.com/2019/05/artigo-renato-santana-menina-de-canoas.html
 

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  • Gilberto Simões Pires, em Ponto Crítico
  • 16 Maio 2019


TSUNAMI
Depois que o TSUNAMI ( palavra de origem japonesa, onde -tsu- significa "porto", e -nami- "onda", portanto "onda de porto") atingiu vários países do Oceano Índico, provocando a morte de mais de 170.000 pessoas só na Indonésia, a maioria na província de Aceh, cada vez que estamos diante de algo arrasador virou praxe utilizar o termo para definir o tamanho do estrago.


APÓS DERROTAS
Como foi amplamente noticiado, após se manifestar sobre as derrotas que sofreu:
1- na discussão da REFORMA ADMINISTRATIVA no Congresso;
2- da contestação quanto ao DECRETO DAS ARMAS; e,
3- através das críticas quanto ao CONTIGENCIAMENTO DE GASTOS COM AS UNIVERSIDADES;
o presidente Jair Bolsonaro previu um TSUNAMI para esta semana.


DESCUIDO ELEITORAL
Dito e feito. Ontem, 3ª feira, 14, o mundo todo viu e ouviu o governo admitir que as propostas que levaram a maioria do povo brasileiro a eleger Jair Bolsonaro não agradam a maioria dos ocupantes do Poder Legislativo. Uma prova de que ao mesmo tempo em que teve cuidado para eleger Bolsonaro, não teve o mesmo cuidado na escolha da maioria dos deputados.


ONDAS ENORMES E CRESCENTES
Se o TSUNAMI POLÍTICO já vinha dando sinais de que promete muita destruição e pouca construção, o TSUNAMI ECONÔMICO não deixa dúvida. As ONDAS ENORMES E CRESCENTES do DÉFICIT FISCAL aí estão para comprovar seus TERRÍVEIS E ARRASADORES EFEITOS. Um verdadeiro e triste DESASTRE, diga-se de passagem.


INEVITÁVEL CAPOTAMENTO
O que mais chama a atenção é que, da mesma maneira em que não existe uma viva alma que desconheça o tamanho da ENCRENCA FISCAL que levou o nosso país literalmente à lona, não são poucos aqueles que, sabendo que o VEÍCULO BRASIL está com os freios totalmente avariados, se colocam nas curvas que beiram o GRANDE E PROFUNDO ABISMO para se deliciar com as cenas do INEVITÁVEL CAPOTAMENTO.


PEDIDOS DE SOCORRO
Este, infelizmente, é o quadro da nossa crítica situação. O carro está desgovernado, as contas públicas arrasadas, o futuro comprometido e mesmo assim grande parte dos nossos maus deputados não manifesta a mínima vontade e/ou pressa para evitar a TRAGÉDIA ANUNCIADA. Mais: faz de conta que não ouve os estridentes gritos de insistentes pedidos de SOCORRO. Pode?
 

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  • Amir Kanitz
  • 09 Maio 2019

 

Tem muito farsante passando na minha timeline.

Pesquisei os guerreiros da última hora e conclui que entre alunos e ex-alunos há somente duas exceções que se salvam. A maioria é de hipócritas, manipulados ou egoístas.

São pessoas que não lêem (os pouquíssimos que lêem levam dois meses para ler um livro de vampiro/zumbi/lobisomem, e essa não é exatamente uma leitura científica), escrevem mal, não estudam e sobretudo DESPREZAM a busca pelo conhecimento.

Eu sou testemunha de como desrespeitam professores e não valorizam nem um pouco o ambiente escolar.
Sempre quiseram notas, mas pouco se importaram em saber.

Ver neles agora essa defesa apaixonada pela educação é surpreendente, é repentino, e pode se encaixar em três possibilidades:

1- São apenas hipócritas que acham bonito defender a educação, mas SEMPRE FORAM RELAPSOS na busca por instrução.
2- Odeiam insanamente o governo do momento, e por isso MACAQUEIAM qualquer coisa pra comprovar a tese tosca de "fascismo, ditadura, opressão". Ou seja, são manipulados pela militância da oposição.
3- Alguns também têm medo sincero de verem seu curso "superior" ser prejudicado. E esse é um receio egoísta, não tem nada a ver com conhecimento, mas com o pavor de não realizar o desejo bem brasileiro de ver SEU SONHO PESSOAL SER CUSTEADO PELO DINHEIRO PÚBLICO (do povo pobre).

Estou falando de quem eu conheço.

Eu aponto o dedo na cara de cada um e desmascaro esses que NÃO SE IMPORTAM COM O CONHECIMENTO DE VERDADE, que não respeitaram a educação que receberam até hoje, mas lutam pelo "direito à educação".

São em sua maioria hipócritas, manipulados ou egoístas que esperam que o povo pobre desse país pague por seu diploma, sem que esse mesmo povo receba o retorno pela "produção científica".

Sabe como eu respeito e luto pela educação? Eu busco conhecimento onde eu estou e com os meios que tenho.
Comece por aí também.


 

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  • Donald Boudreaux
  • 09 Maio 2019

Os ricos e poderosos nunca precisaram do capitalismo.

Responda rápido: quem realmente foi o grande beneficiado pelo capitalismo?

Se você respondeu "os ricos", você nunca estudou história.

A história nos mostra que todo o progresso industrial, todos os aperfeiçoamentos mecânicos e elétricos, todas as grandes maravilhas tecnológicas da era moderna, e todas as grandes conveniências e facilidades que hoje nos são disponíveis teriam significado relativamente pouco para os ricos e poderosos em qualquer época da história.

Por exemplo: um sistema moderno de saneamento básico, com rede de esgoto e água encanada, teria trazido benefícios adicionais para os ricos da Grécia Antiga? Dificilmente, pois eles tinham servos para lhes garantir todas essas comodidades. Os servos faziam o papel da água corrente.

Os nobres da Roma Antiga teriam maior qualidade de vida caso houvesse televisão e rádio? Improvável, pois eles podiam ter os principais músicos e atores da época fazendo apresentações exclusivas em suas mansões, como se fossem seus serventes.

Roupas manufaturadas, máquinas de lavar, microondas e supermercados? Os ricos e poderosos nunca precisaram se preocupar com essas coisas. Roupas e alimentos eram feitos e mantidos por seus serventes, que lhes entregavam tudo em mãos.

Que tal coisas mais modernas, como máquinas fotográficas ou mesmo smartphones para fazer selfies? Isso teria trazido pouquíssimos benefícios adicionais para os aristocratas da antiga, pois eles podiam simplesmente ordenar que os melhores e mais talentosos artistas do reino pintassem quadros com seus retratos e os retratos de outros membros da realeza.

Avancemos as comparações agora para o mundo moderno. Hoje, no smartphone de cada cidadão comum há inúmeros aplicativos que trazem grandes comodidades. Irei destacar dois: o GPS e os serviços de transporte, como Uber, Cabify e Lyft.

Pergunta: como exatamente os ricos e poderosos são beneficiados por um GPS e pelo Uber? Eles dificilmente precisam dessas duas comodidades, pois raramente dirigem por conta própria e ainda mais raramente pegam um taxi. Além de terem motoristas particulares, eles andam de limusines próprias e viajam de jatinhos, e possuem toda uma equipe de funcionários para esquematizar e cuidar de todos os detalhes de suas viagens.

Por outro lado, pense nos enormes benefícios que o GPS, a Uber e o Cabify trouxeram para o cidadão comum, que agora não apenas pode ir a qualquer lugar com seu próprio carro como também pode se deslocar de forma barata e luxuosa em sua própria cidade. E sem precisar de toda uma equipe de funcionários para fazer os preparativos e arranjos.

Os exemplos são inúmeros e podem ser expandidos infinitamente: desde toda a enciclopédia de informações trazidas pela internet ao cidadão comum (os ricos e poderosos nunca tiveram dificuldade de acesso à informação), passando pelas facilidades de lazer, entretenimento e cultura (hoje, você lê todos os livros em seu smartphone e assiste a todos os filmes na comodidade de sua casa, sob demanda; acesso a livros e filmes nunca foi problema para os ricos e poderosos), e culminando na fartura e na facilidade de acesso à alimentação e moradia.

Nada disso nunca foi problema para os ricos e poderosos. Já o capitalismo disponibilizou tudo para o cidadão comum.
Por isso, Ludwig von Mises sempre dizia que o capitalismo não é simplesmente produção em massa, mas sim produção em massa para satisfazer as necessidades das massas. No capitalismo, os grandes inovadores não produzem artigos caros, acessíveis apenas às classes mais altas: produzem bens baratos, que podem satisfazer as necessidades de todos.

Ao passo que, séculos atrás, toda a produção funcionava a serviço da gente abastada das cidades, existindo quase que exclusivamente para corresponder às demandas dessas classes privilegiadas, o surgimento e a expansão do capitalismo geraram a produção de artigos acessíveis a toda a população. Produção em massa para satisfazer às necessidades das massas.

Por isso, todas as grandes conquistas do capitalismo resultaram primordialmente no benefício do cidadão comum. Essas conquistas disponibilizaram para as massas confortos, luxos e conveniências que, antes, eram prerrogativa exclusiva dos ricos e poderosos.

Uma porção desproporcional dos benefícios do capitalismo, do livre mercado, da inovação, da invenção de novos produtos, do comércio e dos avanços tecnológicos vai para o cidadão comum, e não para os ricos e poderosos.
Eis o que disse Joseph Schumpeter sobre o poder do capitalismo em aprimorar o padrão de vida dos comuns:
O motor do capitalismo é, acima de tudo, um motor de produção em massa, o que inevitavelmente também significa produção para as massas. [...]

Verificar isso é fácil. Sem dúvidas, há bens e serviços disponíveis hoje ao cidadão comum atual que o próprio Luis XIV adoraria ter: por exemplo, a odontologia moderna. [...] Por outro lado, a luz elétrica não representaria um grande conforto ou dádiva para uma pessoa poderosa o suficiente para comprar um grande número de velas e ter servos para mantê-las constantemente acesas. Até mesmo a velocidade com que se viajava à época não deve ter sido objeto de grande consideração para um cavalheiro tão distinto.

Roupas fartas e baratas, fábricas de seda e algodão, sapatos, automóveis e vários outros bens são as típicas façanhas da produção capitalista. Por si sós, elas não representam aprimoramentos que mudariam enormemente a vida do homem rico e poderoso.

A Rainha Elizabeth sempre teve meias de seda. A façanha do capitalismo não consiste em fornecer mais meias de seda para as rainhas, mas sim em disponibilizá-las para as mulheres trabalhadoras em troca de quantidades de esforço continuamente decrescentes.

Apenas leia esse último parágrafo de novo. Deveríamos estar ensinando isso para as nossas crianças. No entanto, o que elas estão sendo ensinadas neste exato momento é que, sob o capitalismo, os ricos ficam cada vez mais ricos e os pobres, cada vez mais pobres. O exato oposto da realidade.

Conclusão
Progressistas que dizem que todos os ganhos de uma economia de mercado vão para os ricos são ignorantes da realidade que os cerca. Apenas pense no tanto que essas pessoas estão erradas da próxima vez que você usar seu laptop, tablet, smartphone, GPS, Spotify, ou se deslocar utilizando Uber, Lyft ou Cabify.

A única entidade que pode afetar, atrasar e atrapalhar todo esse progresso incrível, dificultando o acesso do cidadão comum a essas comodidades que melhoram seu padrão de vida, é o governo e suas políticas que destroçam a economia e o poder de compra das pessoas.

* Donald Boudreaux foi presidente da Foudation for Economic Education, leciona economia na George Mason University e é o autor do livro Hypocrites and Half-Wits.
**https://imb17.azurewebsites.net/Article.aspx?id=2646&ac=230369
***Publicado originalmente em https://www.mises.org.br/Article.aspx?id=2646, em 10/03/2017
 

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