• Dartagnan da Silva Zanela
  • 30 Outubro 2026

 

Dartagnan da Silva Zanela

           Um dos traços da nossa cultura política são as práticas de mandonismo que se fazem presentes de norte a sul do Brasil desde longa data. Claro, cada momento histórico tem lá suas peculiaridades, cada região, suas especificidades; mas esse trem doído continua presente em nossa sociedade — com outras roupagens, é claro.

Todos conhecemos a história da formação dos redutos eleitorais cativos que são controlados por caciques políticos — redutos estes edificados com uma série de benefícios regalados aos seus eleitores que, nos termos populares, sentem-se obrigados a votar em quem o cacique indicar.

O historiador José Murilo de Carvalho, em seu livro Cidadania no Brasil: O longo caminho, chama-nos a atenção para esse triste traço da história política do nosso país, no qual os cidadãos se encontram em uma situação de fragilidade dentro de uma sociedade sem uma sólida cultura de participação democrática.

Detalhe importante: o grande despreparo não vem tanto da parte dos cidadãos desvalidos, mas sim da nossa classe política e das nossas elites econômicas e intelectuais. Isso mesmo, cara-pálida. Pergunte-se: quem coagia os eleitores? Quem comprava os votos? Quem falsificava as atas eleitorais? Com certeza não era o pobre do Jeca Tatu. Demais a mais, o brocardo "em uma eleição vale tudo, menos perder" reflete muito bem a mentalidade predatória dos donos do poder nestas terras de ninguém.

Mas voltemos ao ponto do conto: a compra de votos em nosso país por bagatelas, juntamente com a troca de favores, é um traço permanente na história das eleições brazucas — traço esse que reflete a carência que imperou e impera entre nós e que, de forma cruel, força muitas pessoas a se sentirem reféns daqueles que se apresentam como seus protetores.

Como nos lembra José Osvaldo de Meira Penna, em seu livro O Dinossauro, caudilhos e demagogos de todos os naipes ideológicos não se cansam de se apresentar no imaginário midiático e propagandístico como uma espécie de Robin Hood — que tira dos ricos para dar aos pobres —, quando, na verdade, na maioria das vezes não passam de maquiavélicos Xerifes de Nottingham, que tomam de todos para beneficiar a si mesmos e aos seus.

Podemos dizer que, de certa forma, a velha política do pão e circo nunca sai de cartaz. Sempre funcionou muito bem, funciona online que é uma beleza e, ao que tudo indica, continuará fazendo sucesso por muito tempo. Por quanto tempo? Só Deus sabe.

Pensando nisso e voltando nossos olhos para a conjuntura atual, é bom não nos esquecermos de que muitíssimos brasileiros dependem de algum programa social. Além disso, uma fatia significativa de lares brasileiros possui algum tipo de dívida e outros tantos estão com contas atrasadas ou inadimplentes. Em resumo: são muitos os cidadãos que se encontram em uma situação delicada.

Por isso, as palavras do senhor Luiz Inácio, ditas no ano de 2000, são muito interessantes. Dizia ele que a compra de votos, o clientelismo e demais práticas similares levavam o povo a pensar com o estômago, e não com a cabeça. É por isso que se distribui tanta cesta básica, tanto tíquete de leite, porque na verdade tudo isso seria uma peça de troca em época de eleição que despolitiza o processo eleitoral. É, meu amigo: Luiz Inácio falou, Luiz Inácio avisou, e ele está certíssimo no que disse.

Enfim, ao levantar esses pontos, não estou sugerindo que essas famílias devam ser desassistidas — muito pelo contrário, cara-pálida. O que faço é refletir com meus alfarrábios sobre esses pontos e constatar, com pesar, o quão precárias são nossas discussões políticas porque, mesmo estando em pleno século XXI, ainda nos vemos às voltas com um emaranhado de subprodutos do velho coronelismo que, de certa forma, tornou-se, à sua maneira, uma espécie de "doutrina" extraoficial do clientelismo estatista brasileiro, que instrumentaliza a filantropia, reduzindo direitos sociais a favores concedidos por pretensos e intocáveis benfeitores.

*             O autor, Dartagnan da Silva Zanela, é professor, escrevinhador e bebedor de café. Autor de "NAS ENTRANHAS DO LEVIATÃ", entre outros livros.

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  • Jordani Silveira Maciel
  • 29 Outubro 2026

 

Jordani Silveira Maciel

            O Brasil precisa enfrentar uma pergunta incômoda: quem limita o poder daqueles que afirmam agir para proteger a democracia? A questão alcança ministros do Supremo Tribunal Federal, governantes e autoridades eleitorais. Nenhuma dessas funções concede licença para atropelar garantias constitucionais, dispensar explicações ou tratar a crítica legítima como ameaça ao regime democrático.

A eleição terminou com a reeleição de Lula. O resultado, contudo, não encerra a discussão sobre as condições da disputa nem concede absolvição antecipada a decisões judiciais controversas ou a possíveis abusos da máquina pública. A fiscalização permanece tão necessária depois das urnas quanto antes delas.

O episódio da prorrogação da votação no segundo turno exige escrutínio. Em 25 de outubro, Cristiano Zanin determinou a extensão do horário até as 19h, atendendo a uma ação da campanha petista fundamentada em dificuldades de transporte. Posteriormente, esclareceu-se que a medida alcançaria apenas as seções ainda abertas, mantendo fechadas aquelas que já haviam encerrado os trabalhos. A campanha de Flávio Bolsonaro também havia solicitado prorrogação ao TSE, para localidades afetadas por chuvas. Esse fato precisa constar da análise.

A existência de pedidos das duas campanhas não dispensa o exame da decisão. Uma intervenção dessa dimensão, no encerramento da votação, exige fundamentação rigorosa, critérios verificáveis e comunicação inequívoca. Quais elementos justificaram a abrangência da ordem? Como foi avaliada a diferença entre seções encerradas e seções abertas? Como se preservou a previsibilidade do procedimento?

O cenário se torna especialmente sensível pela trajetória do julgador. Antes de vestir a toga, Zanin foi advogado de Lula e integrou a equipe jurídica de sua campanha presidencial de 2022. Em 2023, foi indicado e nomeado ao Supremo pelo próprio presidente, após aprovação do Senado. Em 2026, coube a ele decidir sobre as condições de votação a pedido da campanha de seu antigo cliente.

Esse histórico, isoladamente, não comprova favorecimento nem estabelece automaticamente impedimento jurídico. Mas impõe uma questão republicana: como preservar a confiança na imparcialidade diante desse vínculo anterior? A nomeação constitucionalmente regular não elimina o dever de demonstrar independência em cada decisão.

A toga não apaga a trajetória de quem a veste. E a confiança pública não pode depender apenas da declaração de imparcialidade de quem exerce o poder.

Outro episódio deste ano expõe a delicadeza dessa fronteira. Após a divulgação do contrato entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes, o ministro abriu, de ofício, uma investigação sobre possíveis vazamentos de dados de integrantes do Supremo e de seus familiares, inicialmente sob sua própria relatoria. A família de uma autoridade estava no centro do noticiário, enquanto essa mesma autoridade conduzia judicialmente a apuração de possíveis vazamentos naquele contexto.

Em fevereiro, o Supremo informou que haviam sido identificados acessos sem justificativa funcional a sistemas da Receita Federal e que medidas cautelares contra servidores foram determinadas a pedido da Procuradoria-Geral da República. Esses elementos justificam apurar eventuais violações de sigilo. Não respondem, entretanto, à pergunta sobre quem deveria conduzir um procedimento que envolve a proteção dos interesses do próprio ministro e de seus familiares.

É essa sobreposição de posições que considero inaceitável. O direito de um magistrado à proteção de seus dados exige uma investigação independente. A mesma independência deve orientar o esclarecimento das denúncias sobre sua conduta. Apurar um vazamento não esclarece, por si, o conteúdo das informações divulgadas; tampouco a existência de denúncias autoriza violar sigilos.

A separação dessas responsabilidades protege o cidadão e a própria Justiça. Quem exerce autoridade judicial precisa manter distância dos interesses pessoais atingidos pelo processo. Quando essa distância se torna duvidosa, a cobrança pública é indispensável.

É nesse terreno que a expressão “ditadura da toga” encontra eco como denúncia política da concentração de poder. A resposta institucional precisa vir de limites efetivos, transparência e possibilidade de revisão. A crítica não desaparece por ordem de quem é criticado.

Também é necessário examinar o uso eleitoral da máquina pública. Após a votação, o PL reconheceu o resultado e questionou a ampliação de gastos com benefícios sociais às vésperas da eleição. A cobrança exige apuração rigorosa sobre calendário, critérios, publicidade e eventual finalidade eleitoral das medidas.

Programas sociais existem para amparar quem precisa. Seu financiamento vem do contribuinte, e nenhum partido tem o direito de convertê-los em instrumento de perpetuação no poder. Se houve abuso de poder político ou econômico, os responsáveis devem responder por ele. A vitória eleitoral não oferece imunidade.

A direita precisa transformar essa cobrança em atuação concreta: apresentar documentos, fiscalizar despesas, exigir esclarecimentos e utilizar os instrumentos constitucionais de controle. Parlamentares conservadores devem entregar mais do que discursos indignados. Devem demonstrar coragem para fiscalizar e competência para sustentar suas denúncias.

A defesa da democracia exige limites para todos os poderes. Ministros devem responder por seus atos. Governantes devem prestar contas do dinheiro que administram. E o cidadão conserva o direito de cobrar ambos, sem precisar de licença de nenhum deles.

*         O autor, Jordani Silveira Maciel, é Administrador, ex-diretor de Desenvolvimento Econômico e Habitação e relator da Lei da Liberdade Econômica de Glorinha/RS.

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  • Dagoberto Lima Godoy
  • 29 Outubro 2026

 

Dagoberto Lima Godoy

                 Há momentos em que a coragem exige permanecer; em outros, sobreviver para prosseguir na luta.

Em 622, Maomé deixou Meca sob perseguição e estabeleceu em Medina a comunidade que sustentaria a expansão do Islã. Séculos depois, refugiado no castelo de Wartburg, Lutero traduziu o Novo Testamento para o alemão, ampliando o alcance da Reforma. Bolívar encontrou no Haiti apoio para retomar suas campanhas pela independência. Em 1940, de Gaulle partiu para Londres e organizou a França Livre. Oliver Tambo conduziu do exterior parte essencial da luta contra o apartheid. O Dalai Lama preserva no exílio a voz e as tradições de seu povo.

São causas e trajetórias distintas, mas todas ajudam a compreender que uma retirada pode preservar a capacidade de resistência.

Rui Barbosa buscou no exílio proteção contra a perseguição política durante o governo de Floriano Peixoto. De Londres, continuou a defender as liberdades e a criticar os rumos da República nos textos reunidos em Cartas de Inglaterra. Fernando Henrique, ameaçado após 1964, encontrou no exílio condições para continuar seu trabalho intelectual. Ao regressar, participou da luta pela redemocratização e chegou à Presidência.

O refúgio, por si só, não demonstra coragem nem covardia. Seu significado se revela no que vem depois. Quando a retirada permite reconstruir a ação pública e manter o compromisso com o bem comum, ela se torna expressão de resiliência cívica: a capacidade de atravessar a adversidade sem abandonar a responsabilidade perante a comunidade.

*        O autor, Dagoberto Lima Godoy, é engenheiro civil.

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  • Gilberto Simões Pires, em Ponto Crítico
  • 28 Outubro 2026

 

Gilberto Simões Pires       

DECISÃO ESTRANHA

Ontem, na medida em que tentava entender a estranha decisão tomada pelo ministro-petista do STF, Cristiano Zanin, que resolveu, às 17h e 01m, invadir brutalmente a competência do TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL, eis que de repente comecei a ouvir o famoso samba composto por Neguinho da Beija-Flor e eternizado na voz de Bezerra da Silva, -MALANDRO É MALANDRO E MANÉ É MANÉ.

O MALANDRO E O MANÉ

Antes de tudo, embora mais do que sabido, o -MALANDRO- é o sujeito SAFO, que sabe das coisas, tem dinheiro, desenrola seus caminhos e não se prende a regras. Já o -MANÉ- é o sujeito IDIOTA, que não ganha de ninguém, é azarado e ainda por cima acredita que as regras do jogo existem para serem cumpridas...

DESCONFIANÇA RECORRENTE

Pois, como se viu ontem à noite, a GRANDE E RECORRENTE -DESCONFIANÇA- QUE OCORRE SEMPRE NO MOMENTO PREVISTO PARA O INÍCIO DA CONTAGEM DOS VOTOS PARA PRESIDENTE DO BRASIL, algo pra lá de SINISTRO ACONTECE. E em todas as ocasiões, sem exceção, a ESPERTA ESQUERDA se apresenta vestida de -MALANDRO- enquanto a ESTÚPIDA DIREITA, sem ter a quem recorrer, acaba assumindo o triste papel de MANÉ. Simples assim. 

PENSAMENTO DE JOSEPH STALIN

A propósito para que fique bem claro, como integrante do GRUPO DOS MANÉS seguirei lutando no sentido de que as VITÓRIAS devam ser plenamente reconhecidas desde que obtidas DENTRO DA LEI. Diferente do GRUPO DOS MALANDROS, cujos integrantes rezam pela cartilha de JOSEPH STALIN, que -CONSIDERA COMPLETAMENTE SEM IMPORTÂNCIA QUEM NO PARTIDO VAI VOTAR, OU COMO, O QUE É EXTRAORDINARIAMENTE IMPORTANTE É QUEM CONTARÁ OS VOTOS E COMO-.

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  • Gilberto Simões Pires, em Ponto Crítico
  • 24 Outubro 2026

Glberto Simões Pires        

ÚLTIMO EDITORIAL ANTES DO SEGUNDO TURNO

Antes de tudo, escrevo este EDITORIAL -último antes da realização do SEGUNDO TURNO das ELEIÇÕES 2026- com a PLENA CERTEZA DO DEVER CUMPRIDO e REPLETO DE ESPERANÇA de que POSSAMOS COMEMORAR NO FINAL DESTE DOMINGO O -FIM DA ERA PETISTA-, marcada por MUITA CORRUPÇÃO, GASTANÇA ILIMITADA, ROMBOS NAS CONTAS PÚBLICAS E NAS ESTATAIS, ELEVAÇÃO DE IMPOSTOS, ENORME ENDIVIDAMENTO, ETC., ETC. 

RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO

Ao longo desses últimos SEIS MESES, como os leitores bem sabem e acompanharam, me propus a PRODUZIR e/ou COMPARTILHAR CONTEÚDOS sempre bem identificados com a importante -RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO- sobre as mais terríveis decisões -tomadas, ou que deixaram de ser tomadas-, 1- por vários MINISTROS-TIRANOS DO STF; 2- pelo POPULISTA E MENTIROSO PRESIDENTE LULA-PETISTA ; e, 3- PELOS PRESIDENTES DA CÂMARA E DO SENADO.  

EXERCER O DIREITO DO VOTO

Entretanto, para que possamos, enfim, COMEMORAR o -FIM DA ERA LULA-PETISTA, basta comparecer às urnas, DIGITAR 22 para PRESIDENTE e CONFIRMAR. 

Como bem refere o jornalista Alexandre Garcia -é importante exercermos o direito e a obrigação do voto. Está em jogo NÃO SÓ O PRÓXIMO QUADRIÊNIO, porque os efeitos das escolhas de agora se tornam duradouros. Por exemplo, o Brasil tem quase R$ 11 trilhões em dívida pública, paga mais de R$ 1 trilhão por ano em juros, é como jogar fora duas Petrobras a cada ano. Por quê? Porque o governo gasta demais e não consegue cobrar tudo em impostos, porque do contrário as pessoas param de pagar.

A Curva de Laffer mostra que, quando a TRIBUTAÇÃO chega a certo ponto, as pessoas preferem deixar de produzir, ou então começam a sonegar. Então, o governo tem de tomar dinheiro emprestado: vende papéis e tem de pagar juros; como o governo gasta muito, só consegue vender seus papéis se oferecer juros altos. E assim os juros sobem para todos. As empresas que dão emprego estão cobertas até o pescoço não só em pagamento de juros, mas também em tributos altíssimos.

VOTAR

Alexandre Garcia também aponta para o importante FATO de que ainda há INDECISOS, pessoas pensando em VOTAR EM BRANCO, ANULAR, OU NEM IR VOTAR. Como tal ressalta, exemplarmente, que sua mãe, que passou dos 100 anos, votou sempre e lhe ensinou a ter essa consciência de que nós, por meio do voto, somos a origem do poder que conferimos a um presidente da República, a um deputado, a um senador, a um vereador. 

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  • Alex Pipkin, PhD
  • 23 Outubro 2026


Alex Pipkin, PhD

                 Existe um barco chamado Brasil. No convés superior, a elite estatal, acadêmica e artística discursa sobre igualdade enquanto, evidente, tranca suas cabines. No porão, o povo recebe migalhas do eterno pai dos pobres e agradece por continuar remando. O segredo é muito simples. O lulopetismo precisa que os pobres permaneçam filhos.

A academia, convertida em catedral da consciência superior, decidiu que democracia é a vitória permanente de suas ideias. Se a esquerda vence, o povo decidiu; se perde, o povo foi enganado. Para essa aristocracia do Lattes, aprovar uma lei conservadora é autoritarismo; aparelhar o STF e silenciar divergentes são apenas “cuidados contra o fascismo”.

Cármen Lúcia sintetizou a fórmula, declarando inadmissível a censura “sob qualquer argumento”, para logo chancelá-la sob a justificativa de uma “situação excepcionalíssima”. A liberdade tornou-se concessão temporária do Estado.

O populismo escrachado vai muito além. Lula anunciou que a mobilização de estudantes, mulheres e trabalhadores o obrigará a adotar “um novo jeito de governar”. No idioma demagógico, a rua deixa de pressionar o poder e passa a servir de salvo-conduto. Uma eleição autoriza governar sob a Constituição, não reinventá-la em nome da multidão.

Bingo. Golpes raramente se anunciam como tal; apresentam-se como participação popular, a expressão da “democracia”.

A grande imprensa é a orquestra do navio. Enquanto o casco estala, enxerga ameaças à direita com microscópio, mas fica míope quando o autoritarismo vem por bombordo. Não informa; escolta.

Na ponte, benefícios são distribuídos como presentes pessoais. Comprar votos com dinheiro público? Jamais. Chama-se sensibilidade social. A conta fiscal chega depois; o voto chega antes. É caridade e a virtuosa sinalização de virtude com o bolso alheio.

Cada grupo imagina ter um bote exclusivo. O funcionalismo confia no contracheque; o militante, na causa; o artista, no edital; a burguesia culpada compra indulgência na primeira classe. E o pobre? Ah, o pobre recebe um colete furado para reverenciar o capitão que o afunda.

Essa coalizão privatiza as benesses e socializa o naufrágio. O casco, porém, é um só.

Quando a água cobrir o convés, os virtuosos prenderão quem apontou o furo, a orquestra culpará o mar e o capitão chamará o afundamento de vitória da democracia.

Domingo, o Brasil decidirá se tapa o rombo ou agradece ao capitão pela água.

 

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