• Alex Pipkin, PhD
  • 23 Maio 2019

 

Todos cidadãos deveriam compreender e agir com racionalidade. Tão singelo como assumir o controle da própria vida e atuar com responsabilidade. Na vida privada, quando eventos espontâneos e incontroláveis modificam a receita familiar, compulsoriamente, tomam-se medidas para reduzir custos. Sem tais ações não há como sobreviver. (Claro que no Brasil, indivíduos foram "treinados" para recorrer ao Estado provedor!). Nas empresas privadas, quando se deseja e necessita-se inovar para criar mais utilidade para os consumidores e, simultaneamente, superar concorrentes, é preciso repensar o modelo de criação de valor. A Toyota, por exemplo, a fim de ganhar em produtividade e rentabilidade, pesquisou modelos americanos e europeus de fabricação de veículos, com suas conhecidas táticas ocidentais de redução de custos, e percebeu que a única forma de competir e sobreviver seria desenvolvendo um modelo de negócios diferente e inovador: sistema Toyota da cadeia de abastecimento, logrado por meio da formação de estreitas associações colaborativas com fornecedores, redução total do desperdício e dos famosos métodos kanban e just-in-time. Inovou incentivando a base de fornecedores, pois depende de provedores de sistemas integrados que se envolvem o mais cedo possível no planejamento e desenvolvimento de novos produtos. No nível de país, a própria China comunista, entendeu que era fundamental inovar e adentrar a economia de mercado para crescer e progredir.

No Brasil aparenta inexistir racionalidade. Errar uma, duas vezes, natural. Insistir no erro, burrice. Também não é surpresa. Desde os tempos de colônia portuguesa a mentalidade estatista e intervencionista encontra-se na massa do sangue dos brasileiros. De fato, a efetiva economia de mercado só deu os ares da graça por essas bandas no tempo do Império, como um mercado vibrante por meio de empresários de todos os portes que faziam a economia girar e prosperar, mesmo assim, sendo um negócio à parte do patrimonialismo e intervencionismo da Coroa, com seus empresários clientelistas e interesseiros; aquilo que estamos acostumados a identificar atualmente. Verdadeiramente, nunca as elites políticas e a sociedade se preocuparam com a liberdade, livre iniciativa e a limitação do Estado e do governo e do próprio papel a ser desempenhado pelas Forças Armadas. Em terras pau brasilis, sempre empresários eficientes de verdade - fora aqueles do compadrio - devem perder para que o negócio seja bom para o Estado. A mentalidade estatista e intervencionista influencia sobremaneira os brasileiros - especialmente políticos populistas, demagogos e corruptos - que acreditam e confiam que o governo existe para resolver problemas individuais. Quanto mais problemas a receita quimérica ideal: mais Estado!

Desde a "grande democracia" republicana que se instalou no Brasil, ou temos políticos juristas intervencionistas ou populistas despreparados que precisam subornar os eleitores com seus programas assistencialistas e seus parceiros políticos corruptos com cargos e nomeações. Até quando se resistirá ao tradicional toma lá, dá cá? A democracia no país, pelo que se observa faz muito tempo, é a fonte de populismo, corrupção desenfreada e de serviços públicos caros, escassos e ineficientes.

No período da ditadura militar, apesar do investimento e construção da infraestrutura e indústrias básicas, as custas da supressão das liberdades individuais, a direita sempre foi dirigista, com pensamentos e ações utópicas centralistas e planificadoras. O amor pelo estatismo e intervencionismo fez - e faz - parte de uma espécie de religiosidade política da direita militar, dos social-democratas e dos socialistas tupiniquins. Desde 1500, percebe-se que a agenda política, econômica, social e cultural brasileira põe em relevo os tais direitos individuais acima dos deveres e da responsabilidade. Os brasileiros sempre foram doutrinados a acreditar no governo como provedor da liberdade e de seus "extensos direitos", longe de ser uma conquista individual. Infantilização e imbecilização de indivíduos por meio do desestímulo a educação, cultura, trabalho, espírito e descoberta empreendedora e consequente pouca geração de crescimento econômico com criação de emprego, renda e riqueza. Coerção e extorsão popular! Quem quer trabalhar cinco meses para sustentar o patrão Estado?!

O país está sempre a espera do redentor que nos livre da insana tradição estatista, patrimonialista e intervencionista. Até mesmo o social-democrata FHC, com a estabilização da moeda, algumas - importantes mas insuficientes - privatizações e abertura comercial tímida, revelou como as pessoas mais livres conseguem resolver melhor seus problemas econômicos e sociais quando os obstáculos e impedimentos estatais deixam de atrapalhar.

Prosaicamente, aqueles que se são taxados de egoístas e contra uma sociedade mais igualitária. É a experiência, doutrinação e opõem a esse nefasto status quo ineficiente, corrupto, patrimonialista e intervencionista o espírito de manada reagindo fortemente. O hábito e interesses fazem o monge!

Agora assistimos parte dos brasileiros esperneando contra uma tentativa de reação e transformação desse estado caótico das coisas no Brasil. A real agenda de liberalização da economia, capaz de inibir a presença e interferência estatal nos mercados e nas diversas esferas da vida social é rejeitada por todos aqueles da "elite" política, pelos grandes magistrados, por intelectuais, por professores, estudantes e pelos empresariado - dos laços - que se recusam a pensar no país, confiando numa "mágica" e em mais endividamento, menos riqueza e prosperidade geral, a fim da manutenção de seus benefícios e privilégios impagáveis logo adiante. Essas são as verdadeiras instituições extrativistas verde-amarelas!

A maioria da população escolheu um projeto novo para o país. Justamente optou pela maioria em detrimento de uma minoria e casta estatal de privilegiados.

O nobre "povo" foi as ruas para protestar contra os "cortes" na educação. O mesmo povo não entende que, na verdade, trata-se de contingenciamento necessário e previsto. Educação? Bem, essa quase sempre esteve aparelhada. Por vezes, contra a ameaça comunista. No mínimo tínhamos amor a bandeira verde-amarela, matemática e português... Seguramente, o aparelhamento mais ferrenho deu-se com a doutrinação de jovens inexperientes quanto ao mesmo pensamento estatizante, intervencionista e da exigência de direitos adquiridos sem a correspondente responsabilização individual. Faz parte da cartilha social-democrata e socialista, a mesma desde sempre no país, populista e enganadora, desejosa do "poderoso" Estado, a grande instituição benevolente, assistencialista e eleitora na grande democracia brasileira. O mindset estatista está encrustado na retina de incautos, desletrados, corporativistas e interesseiros com suas apaixonadas bandeiras partidárias.

O momento é crítico! Para que o mal estatista continue a defraudar a bandeira verde-amarela só é necessário que os bons homens não façam nada! A genuína elite pensante - grupo social mais valorizado e de qualidade reconhecida - despida de desejos corporativistas precisa reagir, conjuntamente com a população que votou contra o eterno estatismo empobrecedor! Primordial que a elite se posicione claramente a favor da efetiva transformação deste Estado ineficiente, caro, patrimonialista, intervencionista e gerador de pobreza e de menos oportunidades. Dessa forma, pelo menos, teremos maiores chances de apostar em uma economia mais livre, mais empreendedora, geradora de mais renda e riqueza para todos. O estatismo de sempre é receita certa para o fracasso, pobreza e submissão.
Rogai por nós! Livre-nos do pensamento colonial! Urge inovar para o bem geral da nação!


Alex Pipkin, PhD

 

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  • José Henrique Westphalen
  • 22 Maio 2019

Introdução

Os cachorros e os políticos sempre irão escolher o biscoito! Esses dias li um texto no site Nord Research, de uma amiga, a Dra Marize Schons, analisando a sabatina do Ministro Paulo Guedes no Senado, sobre o projeto da nova previdência. No texto, a professora enfatiza a vontade de Guedes em fazer um novo pacto federativo, retirando das mãos dos ministros a caneta, dando maior autonomia e poder aos municípios e legisladores.

Durante sua explanação, o Ministro é interrompido pelo Senador Lasier Martins, com a seguinte pergunta: “Quero que tu me diga com todas as letras: a Lei Kandir vai ou não vai acontecer?”

Na sua análise, Marize observa:

"Guedes quer dar a chave do cofre… enquanto o douto parlamentar está preocupado com o quanto vai receber de mesada. Alguém aponta para a Lua, uns olham para a Lua e outros olham para o dedo...

Eu consigo imaginar a frustração que é oferecer liberdade e autonomia para uma das casas mais poderosas do País e ter como respostas interesses nos velhos vícios - fundos públicos ineficientes, articulação orçamentária centralizadora que não atende logisticamente nossos 5570 municípios, planos que nunca saem do papel porque idealizam o impraticável."

Logo a seguir, ela escreve, o que para mim, é a melhor definição da mente esquerdista:

"A situação do Guedes é análoga a uma brincadeira que um aluno propôs, [...] cheguei para o Schutz, meu Chow Chow, e perguntei: “se você tivesse os meios para a própria emancipação, escolheria ser livre (estendi a mão esquerda) ou ganhar um biscoito (estendi a mão direita)?

Ele lambeu a mão direita.

Nossos senadores claramente também escolhem o biscoito, e isso não necessariamente nos impede de aprovarmos a Reforma, mas nos limita de conquistarmos esse “outro Brasil”."


O biscoito é a síntese do socialismo, o comportamento do parlamento o exemplo de como a mente esquerdista funciona. Para compreender como o socialismo atua nos tempos modernos, como o marxismo cultural se dissemina, é preciso entender algumas questões básicas, como o conceito de socialismo e como age e pensa a mente coletivista. Para a compreensão destes pontos, irei dividir o estudo em 3 partes, publicadas independentes, dando vida à “Trilogia Suja do Socialismo", sendo elas:

1. O que é socialismo
2. Capitalismo de laços
3. Jogos ocultos

Mas afinal, o que é socialismo?

Usarei a definição explicita na obra do Dr. Lyle H. Rossiter, A mente Esquerdista, para definir:

"O socialismo é tipicamente definido como um sistema de processos econômicos, sociais e políticos no qual se destaca o controle coletivo sobre a propriedade, o investimento e os meios de produção e distribuição. Por coletivo, se define um “governo centralizado” [….] Além disso, o estado socialista moderno tende a ser totalmente gerencial, tutelar e parental em suas políticas sociais. Numa sociedade fundamentada nos princípios coletivistas, o desenvolvimento da competência individual na população como um todo deve estar limitado para preservar uma relação dependente e submissa das pessoas para com o governo dominante."

Com essa dependência, ao invés de rezarmos para um poder maior, pedindo forças e orientação em nossas lutas pessoais, para servir os outros enquanto servimos a nós mesmo, nós imploramos aos nossos legisladores por um lugar no cocho político e esperamos que sejam generosos conosco.

A moralidade coletivista implica que você, o cidadão comum, não precisa fazer escolhas racionais que protejam seu sustento ou sua segurança, não precisa garantir sua saúde com plano médico, e não precisa pagar pela educação de seus filhos ou guardar dinheiro para quando for idoso, porque o governo fará tudo para você às custas de alguém.

A ascensão da agenda esquerdista transforma o Estado em uma fonte da qual se satisfaz os anseios do povo por formas de cuidado paternal. Como resposta aos políticos esquerdistas, as pessoas agora pedem a intervenção pública nos principais setores da vida: creches, educação pública escolar e pré-escolar, educação sexual, regulamentação de empregos, segurança ocupacional, qualidade e confiabilidade de produtos, ética no local de trabalho, regulação de moedas e bancos, regulação de alimentos e remédios, políticas de saúde, compensação por deficiências pessoais, segurança da aposentadoria etc.

Em resumo, o socialismo moderno não pode ser visto como reacionário ou revolucionário, mas sim, como um governo centralizado e paternalista, repleto de políticos agarrados ao biscoito. Este biscoito são as políticas públicas assistencialistas e coletivistas, que colocam o estado à frente das pessoas e o coletivo à frente da individualidade.

O projeto da nova previdência, com capitalização individual busca romper parte desse sistema. O fim de benefícios e prebendas estatais abusivas, outra parte. Contudo, assim como o Schutz, os parlamentares preferem lamber a mão do biscoito à enfrentar de vez os problemas do país.

No próximo texto, irei falar sobre o capitalismo de laços, sobre as razões da esquerda idolatrar ícones comunistas, mas não dispensar umas férias na Disney, devidamente registradas com seus Iphone.


* José Henrique Westphalen, cientista político e mestre em comunicação.

 

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  • Rafael Rosset
  • 22 Maio 2019

 

Li hoje de um professor da UFRJ que “não existe ciência sem forte financiamento estatal nos EUA”, citando como exemplo Harvard, “que tem quase 4 vezes o orçamento de todas as nossas universidades federais somadas”. Obviamente, o docente acha que o contingenciamento (não corte) de 3,75% (e não 30%) do orçamento do MEC é o fim da ciência brasileira, já que a ciência na meca do capitalismo é, segundo ele, financiada pelo pagador de impostos. O citado professor reclama ainda da “burguesia” nacional, que ao contrário da norte-americana não tem projeto de país nem comprometimento com o futuro da nação, já que não doa dinheiro para suas universidades.

Ele tem direito a achar o que quiser. Só não pode mentir nem falsear dados e informações. Harvard, assim como a esmagadora maioria das universidades americanas, são pessoas jurídicas de direito privado organizadas sob a forma de fundações. Estão nesse grupo todas as universidades da Ivy League, mais o MIT e Stanford. A maior biblioteca privada do mundo, inclusive, é a de Harvard. As universidades lá geralmente foram instituídas por um benfeitor (que costuma dar nome à instituição que fundou – Stanford, Yale, Duke e Cornell são exemplos) que doou um “endowment” (o que no Brasil denominamos “patrimônio afetado”, uma grande quantia em dinheiro que forma um fundo perpétuo cujos juros servirão para financiar as atividades da fundação, e que, no caso de Harvard, passa de US$ 37 bilhões), alimentado por “tuitions” (taxas cobradas dos alunos, que podem passar de US$ 50.000/ano no caso de Harvard), e gerido por um comitê de gestores profissionais (não por militantes do PSOL). Além delas, as Universidades financiam suas atividades através de doações (principalmente de ex-alunos bem sucedidos que desejam retribuir o que receberam de suas respectivas “alma-maters”), bolsas de estudo (company scholarships e sponsored degrees) oferecidas por empresas (por critérios de mérito fixados por quem concede a bolsa, possibilitando que mesmo os mais pobres tenham acesso ao ensino superior, desde que talentosos) e royalties de patentes geradas por suas pesquisas.

E esse último ponto é muito importante – existe por lá uma mentalidade fortíssima de resultados. As pesquisas mais valorizadas são aquelas que geram patentes, que por sua vez viram produtos e serviços que dão lucro. Isso não quer dizer, obviamente, que não são feitas pesquisas em Ciências Sociais ou Humanidades – mas há uma métrica rigorosa de avaliação, geralmente envolvendo publicação em revistas de divulgação científica e publicação de livros que atraiam prestígio para o nome da universidade. Quem não é publicado, quem não é relevante, deixa de receber dinheiro, por mais “socialmente justa” que seja sua pesquisa. As universidades americanas estão repletas de justiceiros sociais, é verdade, mas a dissertação sobre o Banheirão da Lapa jamais seria financiada pelo board de Harvard.

Não existem universidades federais nos EUA, com exceção dos institutos de formação ligados às forças armadas. Existem sim universidades públicas, mas não existem universidades “grátis”: mesmo as que recebem alguma subvenção de governos locais cobram anualidades (US$ 8.000 em média, não muito distante do que cobram as universidades privadas de ponta no Brasil) e lucram com royalties de suas patentes. É extremamente comum que empresas se estabeleçam dentro dos campi para integrar a comunidade acadêmica no desenvolvimento de seus produtos e serviços. Lá, ao contrário daqui, isso não é visto como anátema nem como violação da “autonomia universitária”, e sim como uma simbiose saudável para a universidade (que financia suas atividades sem precisar de dinheiro do pagador de impostos), para os alunos (que aplicam o conhecimento teórico adquirido na prática e já saem do curso com uma carreira útil encaminhada), para as empresas (que aproveitam a atividade criativa da academia para potencializar seus lucros e captar os melhores profissionais enquanto ainda são estudantes, antes da concorrência) e para a sociedade (que incrementa exponencialmente seu nível de vida pelas patentes de produtos e serviços geradas pela parceria empresa-universidade).

O Vale do Silício nasceu dentro de Stanford, que dispõe inclusive de incubadora para start-ups. O incentivo ao empreendedorismo, junto com a pressão por resultados, são fortíssimos.

No Brasil esse modelo é inviabilizado por interesses corporativos de professores e associações de estudantes. Qualquer iniciativa para se cobrar mensalidades, ao menos dos alunos que possam pagar, é vista como “privatização” e “elitização” (o que é irônico, dado o perfil histórico dos alunos de universidades públicas gratuitas no Brasil). Doações para universidades públicas dependem de aprovação prévia dos respectivos Conselho Técnico-Administrativo, do Conselho Deliberativo, e do Conselho Gestor, em processo administrativo que pode durar MESES; se a doação for em dinheiro, há necessidade de aprovação pela Procuradoria Geral (contei aqui minha saga para tentar doar livros para a escola em que cursei o ensino médio: https://www.facebook.com/rafaelrosset/posts/10212097093480859). Apesar de não haver vedação legal, as universidades em geral recusam doação de acessões artificiais (reformas) pela complexidade do processo administrativo exigido por lei. Se o Ministério Público entender que a doação implica em alguma contrapartida (por exemplo, a colocação de uma placa com o nome do doador, prática comum nos EUA, desde o nome das instituições até prédios e bibliotecas), pode recomendar a abertura de procedimento licitatório (sim, você leu direito - se você quiser doar a uma universidade pública no Brasil pode precisar ENTRAR NUMA LICITAÇÃO).

Não existe cultura de parceria entre a universidade pública e a iniciativa privada. Aliás, a livre empresa e o lucro são demonizados em nossas universidades públicas, principalmente nas Humanidades, mas não somente. Os poucos exemplos de parcerias entre empresas e universidades são apenas no setor privado (a SAP, multinacional alemã no setor de tecnologia, tem uma sede dentro do campus São Leopoldo da Unisinos, uma universidade católica, com investimento de R$ 120 milhões e geração de 700 bons empregos diretos).

O sistema norte-americano, privado até a alma, sem um centavo de dinheiro federal, e que qualquer professor marxista no Brasil (um pleonasmo, eu sei) qualificaria como “cruel” e “desumano”, ajudou a produzir a maior máquina de bem-estar e prosperidade distribuída que a humanidade já viu. É verdade que Harvard sozinha tem quase 4 vezes o orçamento de todas as universidades federais brasileiras, mas Harvard sozinha também produziu 42 ganhadores do Prêmio Nobel, ao passo que nossas universidades federais produziram um total de ZERO laureados. O raciocínio “mais dinheiro = melhor pesquisa” até valeria se as universidades brasileiras houvessem produzido um quarto de ganhadores do Nobel quando comparadas a Harvard, mas, como vimos, não é bem assim que funciona. Tem mais coisa aí além de dinheiro. Muito mais coisa.

Resta saber se a afirmação tão falsa e errônea, vinda de um catedrático, é má-fé ou só ignorância. Dada a irrelevância e inutilidade do que se ensina nas nossas universidades hoje, eu sinceramente acredito mais na hipótese de ignorância mesmo.

*Por extremamente valioso, reproduzido do Facebook do autor:  https://www.facebook.com/rafaelrosset/posts/10216342176925292 
 

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  • José Antônio Lemos dos Santos
  • 22 Maio 2019

 

      As cidades brasileiras pedem socorro. Enquanto vão morrendo como “locus” da civilização as nossas cidades matam ou mutilam nas mais diversas formas seus cidadãos, ao invés de evoluírem como ferramentas-mestra de promoção da qualidade de vida de seus habitantes. Na contramão do mundo civilizado a ciência do Urbanismo é desprezada bem como seus especialistas e suas normas integrantes dos Planos Diretores de Desenvolvimento Urbano exigidos pela Constituição Federal. Valem nada! Os cidadãos morrem em áreas de risco sob enormes pedras em clara iminência de quedas, em áreas inundáveis indispensáveis aos processos “respiratórios” dos corpos hídricos, em áreas em grande declividade ou outra condição geotécnica imprópria aos parcelamentos, sob barragens instaladas à montante e coladas a núcleos urbanos, ou em rodoanéis traçados desconsiderando seus possíveis impactos sobre a cidade circundada, casos configuradores de um quadro urbanístico trágico que infelizmente que só tende a piorar.

Como entidade que congrega os profissionais da arquitetura e do urbanismo com competência técnica e legal exclusiva na área do urbanismo no país, o Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU), tanto em nível nacional como em nível das unidades federativas, tem entre suas preocupações principais a busca de maior eficiência e eficácia nas ações orientativas, punitivas e de fomento às boas práticas inovadoras em sua área de atuação conforme determina sua lei de criação. Nesse sentido mantem constante discussão sobre as diversas áreas da profissão e, diante do quadro urbano dramático vivido no país, muito em especial sobre as dificuldades enfrentadas pelo urbanismo em busca de sua afirmação como instrumento de ordenamento das cidades brasileiras e de melhoria na vida de seus habitantes.

Nesta semana o CAU/BR promove em Brasília o II Encontro Nacional das Comissões Especiais de Planejamento Urbano e Ambiental (CEPUAs) com extensa pauta de trabalho, onde o CAU/MT apresentará através de sua CEPUA propostas específicas de intervenção nesse quadro grave em que vive as cidades brasileiras, propostas desenvolvidas e aperfeiçoadas ao menos desde 2017 quando da realização do I Seminário Nacional de Política Urbana e Ambiental também realizada em Brasília. O objetivo destas propostas é resgatar para o urbanismo o protagonismo que lhe compete nas ações referentes ao desenvolvimento urbano no Brasil pois, apesar de se fazer presente em grande parte dos processos de planejamento das cidades brasileiras, é inegável que de um modo geral tem sido negligenciado durante a aplicação daquilo que planeja e regulamenta, bem como durante as apurações de responsabilidades sobre as sucessivas tragédias decorrentes dessa situação.

Trata-se de duas proposições. A primeira, trata de uma proposta de deliberação ao CAU/BR no sentido de que os CAU/UFs através de suas CEPUAs se apresentem de imediato nos locais de novas tragédias de caráter urbanístico (indesejáveis, mas, infelizmente muito prováveis), providenciando laudos próprios sobre suas causas e com indicação ao Ministério Público dos possíveis responsáveis. A outra é a proposta de uma lei de responsabilidade com a qual possam ser punidos os prefeitos em cujas administrações sejam descumpridas a legislação urbana repassando ao sucessor a cidade com indicadores básicos piores do que os recebidos. A ideia é que a punição implique na reprovação das contas públicas do mandatário e na sua consequente inelegibilidade. A ideia é que a categoria dos arquitetos e urbanistas não espere mais ser chamada, mas se antecipe assumindo sua grande e intransferível responsabilidade social.

*O autor é arquiteto e urbanista, conselheiro do CAU/MT, acadêmico da AAU/MT e professor universitário aposentado.

 

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  • Samir Keedi
  • 17 Maio 2019

 

Nota do editor: O autor publicou este artigo em setembro de 2012 . Ele ajuda a compreender o quanto os governos petistas, cujos líderes agora reaparecem apresentando como "solução" a manutenção das mesmas práticas que produziram o desastre brasileiro.  Para que ninguém esqueça, foi da reiteração disso que escapamos em 2018.

Há cerca de uma década vimos, quase solitariamente, apontando mazelas e descrevendo o país do futuro. Ceteris paribus, sem futuro aparente. Para ter um futuro será necessário mudar tudo. Da maneira como vamos, não haverá recursos para nada em 2020. Isso, claro, sob a descrença de todos que nos lêem e ouvem. Somos realistas, e a realidade está ai, à frente de todos, para quem quiser entendê-la, tarefa difícil no Brasil atual.

Temos ouvido que o país já tirou milhões de pessoas da pobreza encaixando-as na classe média. Que mais gente está comendo, e melhor. Está consumindo e o mercado consumidor é cada vez maior. Que mais gente está estudando, com milhões a mais nas universidades. Que o país está crescendo muito. Que nós é que não estamos vendo o que está acontecendo. Pois é. O que é a cegueira que interessa.

O problema é que tudo isso é falso, uma fantasia criada para iludir os incautos. Todos estão sendo iludidos e fica tudo por isso mesmo. Enxerga-se a árvore em detrimento da floresta. Podemos dizer que estão vigiando determinadas árvores, e estas não estão sendo mortas. Enquanto isso, a floresta está em pleno desmatamento. É esta exatamente a situação que estamos vivendo, senão vejamos.

Para começar, o país considera, através da SAE – Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência (da República), classe média quem tem renda familiar per capita entre R$ 291,00 e R$ 1.019,00 mensais. E esse contingente social é 54% da população, o maior do país. Se R$ 291,00 é valor para classe média, e uma família de quatro pessoas está nessa categoria tendo uma renda familiar de R$ 1.164,00 estamos mais em pânico do que nunca.

Obviamente, não há como uma família de quatro pessoas, com essa renda, menos de dois salários mínimos, ter casa, carro, estudar, se vestir bem, ter um convênio médico decente, etc. E, sem isso, não há como se falar em classe média, mesmo que baixa. Uma renda per capita de apenas um salário mínimo já não poderia, em nossa modesta opinião, ser considerada classe média num país com o nível de vida dos mais caros do planeta. Tudo nos EUA, por exemplo, custa bem menos que aqui, e lá a renda per capita é cinco vezes maior que a nossa.

As pessoas estão comendo e consumindo um pouco mais porque o país está lhes dando dinheiro a fundo perdido, via bolsa-esmola. Sem que façam algo pelo país. Enquanto isso, nossa infraestrutura com portos, rodovias, ferrovias, etc., está destroçada. Nossa matriz de transporte é a pior do mundo. Todo este contingente poderia ser alocado para construir portos, rodovias, ferrovias, etc. E ganhando e consumindo mais, e com dignidade.

Nós investimos 0,49% do PIB – produto interno bruto em infra-estrutura. A China e a Rússia 5%. A Índia 4%. Acreditamos que todos ficariam mais felizes, e bem melhores financeira e economicamente, trabalhando pelo país. Bastaria haver investimento na área. Melhorando a infraestrutura, ficaríamos mais competitivos e o emprego e consumo seriam ainda maiores. E levando benefícios à importante atividade de comércio exterior, em que não somos quase ninguém, com 1,3% do comércio mundial.

Estamos colocando mais gente nas universidades, mas sabemos a que preço. Com bom contingente sem a devida preparação básica para isso, já que o ensino fundamental é péssimo. Assim, o nível vai diminuindo, enquanto a quantidade de universitários e formados vai aumentando. Melhora a estatística e piora a cultura e educação.

No início do 2º semestre de 2012, duas matérias do jornal Folha de São Paulo tinham como título “Brasil: Rico ao investir, pobre ao educar” e “Entre os universitários, 38% não sabem ler e escrever plenamente”. Nossos empregos não conseguem ser ocupados adequadamente. O que vai levando o país cada vez mais para o buraco 2020. Em olimpíada internacional em 2011, ficamos, em leitura, matemática e ciências, nas 53ª, 57ª e 53ª posições. A China, considerando Xangai, na 1ª posição em todas. A Coréia, que estava em situação pior que a do Brasil nos anos 70, está na 2ª posição em tudo.
O funcionalismo público aumentou significativamente nos 10 anos passados. E seus aumentos salariais foram bem maiores que os da sociedade “comum”, inflando mais ainda os gastos públicos.

Os desvios financeiros são recordes na história do país. E isso não tem como ser contestado. Sendo comprovado pela carga tributária, a mais elevada do mundo. Está, por ora, em 37% do PIB, e sem quase retorno. Era 13% em 1948 e 22% em 1989. E cresce todos os anos, retirando da população renda disponível, que deveria ir para o consumo. E não adianta querer citar alguns países europeus com carga tributária absoluta maior que a nossa. Lá retorna, o que a alivia e a torna menor. A nossa é a maior do mundo em termos relativos. E até absolutos, se tivermos que dar ao governo o suficiente para nos proporcionar, pelo menos, saúde, educação e segurança que não nos são dados com os impostos pagos. Nesse caso, em nossa opinião, ela está por volta de 45/50%, maior do mundo também em termos absolutos.

Para compararmos apenas com alguns países, nos EUA ela é de 24%, no Japão 28%, no Chile 18%, na Coréia 26%, na Suíça 30%, no Canadá 31% segundo a OCDE/IBPT 2009. E eles vivem bem com essas cargas tributárias.
Em face da nossa enorme, impagável e crescente dívida interna, que em abril/12 chegou a 2,7 trilhões de reais, pagamos em 2011 a bagatela de R$ 237 bilhões em juros em face da mais alta taxa de juros no mundo. E ela era de 89 bilhões em 1994, 1,1 trilhão em 2002 e 2,4 trilhões em 2010. E poderá ser, pelo andar da carruagem, ceteris paribus, entre 4 e 5 trilhões em 2020, praticamente um PIB – produto interno bruto.

Assim, só para ficarmos por aqui, em 2020 não haverá dinheiro para a bolsa-esmola, aposentadorias, juros e principal da dívida, para o funcionalismo, etc. A menos que a carga tributária continue crescendo para o nível de uns 50/60/70% ou mais. Assim, deixando nada para o consumo e crescimento da economia. Ou seja, o caos absoluto.

E tudo que está aqui não é fantasia, mas realidade, e está disponível a todos. E o que está por vir pode ser um futuro negro. Ou grafite, ceteris paribus.

*     Jornal Diário do Comércio de 06/09/2012

**  https://blogdosamirkeedi.com.br/?p=1684
 

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  • Harley Wanzeller
  • 17 Maio 2019

 

Madrugada calada.
Noite abraçada pelo cansaço.
Todos dormindo.
Ou melhor, quase todos.
O silêncio gritava um diapasão no ouvido estafado.
O ronco acordava o mais despreocupado.
O bebê declarava o amor sob prantos.
A mãe trabalhava o peito, declarando seu amor,
Ansiosa por negar o despeito da vizinha sonolenta.
Rabugenta.
Amargurada e esquecida da própria infância.
Mal-agradecida pela maternidade que jamais conhecera.
A vida era comum.
Estranhamente comum.
Seguia em calmaria inocente ou indolente.
Mas seguia.
Dia após dia, sob espaço calmo.
Obscuramente calmo.
Cada qual ao seu amparo,
Garantindo, assim, o silêncio pacífico na "Vila Andrada".
Vila feliz,
Onde tudo acontecia, e nada se falava.

De repente, um único estalo.
Todos acordados, movidos pela curiosidade.
Tontos, e ainda embaçados em suas vistas,
Abrem as portas de suas casas, avistando a cena do crime - Dona Maria, da casa seis, deitada sobre bloquetes.
Fazia-lhe companhia um rastro de sangue cru, e uma arma ainda quente.
A visão feriu mortalmente os corações dos moradores.
A histeria começou a reinar sobre a Vila.
Todos indignados pela morte da professora que havia ensinado gerações, e ainda ensinaria outras.
Um choro copioso e inconsolado,
Vertia sobre o corpo enrugado da velha tia.
Velha conhecida como "A professorinha da Vila Andrada".
Quem teria tamanha coragem e sandice?
Tirar a vida de uma senhorinha...
A quem sobrou sangue frio para esfriar o corpo da cansada tia?
Logo a professorinha!

A revolta contagia...
E sem esperar o raiar do dia,
Os moradores da Vila,
Pródigos em histeria,
Iniciaram a celebração póstuma da velha tia.
Coitada da tia!
Honrada por cartazes feitos com cauteloso carinho.
Com amor incomum, e inigualável esmero,
Escreviam palavras impregnadas de ódio, dor e amor.
Na última homenagem à tia da Vila:

"Quem matô minha tia?"
"Mecheu com a Tia, mecheu com todos!"
"Tiramão da minha Tia"
"Matarão minha profeçora"
"O que vai ser da minha educassão!"
"Quem trazerá educassão pra Vila?"
"Sauve a Tia da Vila!"

Placas e palavras ornavam o caixão da velha tia.
Se vida tivesse, estaria a tia orgulhosa de seus frutos?
A pergunta ecoou em ouvidos mais atentos.
O mais inquieto era aquele que mostrava maior intimidade com o cadáver.
Seu Freire - entre lágrimas de lamentos e consolo de viúvos - expressava sua gratidão.
E sentia...
Mediunicamente, ouvia a voz da velha amiga que ali jazia.

- Freire, Freire!
- Meu amigo. Não procure assassino algum.
- Suicidei-me!
- Não aguentava mais os frutos de uma vida inteira.
- Se queres saber o motivo de minha ida, leia atentamente os cartazes, e veja com seus próprios olhos tudo que fiz, e a vergonha que me tomou.
- Suicidei-me!
- E após tantas palavras escritas, irei descansar.
- Deixe-me ir!

A revelação pesou sobre Freire que, fingindo passamento menor, curou-se com água e açúcar.
Logo Freire recobrou o juízo, tratando de acalmar os espíritos doloridos.
Pranteou, como poucos, o luto da Tia da "Vila Andrada".
E comemorou, com todos, a chegada da nova Professora da Vila.
Uma jovem bonita e vistosa.
Substituta da velha tia,
Em todos os termos.
Em novos tempos.
Parecia sobremaneira inteligente.
Apta ao lugar.

De pronto abusaram, ambos, da "empatia".
Freire e a "nova" professorinha tornaram-se íntimos.
Ímpios parceiros intelectuais,
Cúmplices gramaticais,
Párocos da letargia.
E a Tia?
Todos passam.
Ela passou.
A vida retomou seu curso...
Os moradores seguiram passivos.
Freire, como bom e velho amigo, aconselhava a todos.
A nova professorinha, escutava.
E a "Vila Andrada" seguia moribunda.
Rota e analfabeta.
Burra.
Porém, "feliz".

 

Harley Wanzeller. 16.05.2019


 

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