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DO IDEALISMO JUVENIL À CRUEZA DA VIDA REAL

por Alex Pipkin, PhD. Artigo publicado em

 


Todos fomos jovens. O mundo progrediu "cientificamente", involuiu em honestidade! Mas não cabe saudosismo. Dependendo do ângulo que se olha, como seria boa a virilidade da juventude e a experiência dos "mais vividos"!

Quando jovens – independente de classe, raça, religião, gênero, orientação sexual – o desejo de autonomia parece tão familiar. Rebeldes por natureza. Desejamos – como em um passe de mágica – transformar o mundo em um lugar mais "igual".

O jovem aparenta buscar uma "marca", algo que o identifique. Ele quer justiça, igualdade, liberdade e proteção do meio ambiente. Nesta busca, o "moço" exterioriza seus sentimentos de compaixão pelos outros. E neste exercício de liberdade que ele e seus "iguais" se juntam na avenida da "esquerda".

A jovem e enfática Greta Thunberg é notório exemplo, embora claramente misture desejo original de proteção ambiental com esforço ideológico. Percebe-se a transformação do tema ambiental em uma causa ideológica muito distante dos ideais ambientais. A matéria é complexa, exigindo verdadeiras evidências no sentido de contrabalançar desenvolvimento econômico com proteção ambiental. Mas parece-me importante, menos sentimentalismos e mais fatos. Politização do tema é perverso.

Embora mais "experiente", também desejo liberdade, mais oportunidades para as pessoas e um mundo melhor. Porém e especialmente, "dois dos cordões do nó", parecem estar mais frouxos na juventude: respeito às instituições e responsabilidade individual. Parafraseando o dramaturgo Bernard Shaw: a "juventude é uma coisa maravilhosa. Que pena desperdiçá-la em jovens".

Justamente no momento de se "achar no mundo", é que o jovem embaralha os desejos de um ideal coletivista e a paixão pela liberdade. Claro que tem recebido formidável ajuda para tal "mistura". Vamos "passear" pela universidade – em latim, totalidade. Não creio – exatamente – que as universidades se transformaram em locais totalmente de doutrinação. Algumas exceções. Mas acredito que se transformaram num lugar que sofre de abandono moral e intelectual. "Sabedoria prática", conhecimento acumulado do ser humano sobre suas virtudes foi descartado, agora taxado de opressivo. Nesse cenário, ideologias se transformaram em certezas para tudo! Possuo poucas dúvidas de que, no ambiente universitário, há uma espécie de silenciamento das vozes contrárias ao pensamento "totalitário" de esquerda.

Evidente que isso reforça o contato de estudantes com "visões abstratas" e, por consequência, propagam-se ciclos de "professorado de esquerda". Desse modo, no seio universitário, ideias mais conservadoras e/ou liberais, contrárias as ditas "progressistas", são vistas como inadequadas e imorais, inibindo suas aparições. Ideologia fantasiosa propaga a falácia de que a vida humana pode ser isenta de preocupações morais.

A universidade tem deixado de ser um lugar de discussão intelectual e plural. Não há estímulo ao pensamento próprio e crítico. Visão "crítica" encorajada é crítica no sentido de criticar o capitalismo!

Não há dúvida de que a influência do professor sobre os jovens é abissal! Na realidade dos mercados, jovens irão se deparar com a necessidade de resolverem "problemas mundanos", não ideológicos. A perspectiva romântica de mundo não é boa. A vida real tem sofrimento, de todos! Ideologias e críticas vazias só dão emprego a alguns mestres e doutores, "intelectuais" e cientistas políticos.

Na vida real das redes de empresas, estudantes-executivos terão que, compulsoriamente, contrair riscos. Liberdade "intelectual e geral" para acertar e/ou errar e assumir, de fato, responsabilidades da ação individual. Importante pensar no "abstrato", mas executivos precisam resolver problemas cotidianos dos "reles mortais".

É preciso ver "o mundo" como ele realmente é! Não há muito espaço para se fingir que se importam com coisas que não se têm motivos para se preocupar, como por exemplo, a celebração do feminismo ou a permanente adoção de companhas por salários mais "justos". (Não sistematicamente). Não há tempo e espaço para ressentimentos quanto aos "dramas da humanidade". Imperioso é o alcance de resultados econômico-financeiros, seguramente contemplando objetivos sociais e ambientais.

Nesta direção, jovens também deveriam compreender que é o livre mercado que permite desenvolvimento econômico e social; a prosperidade. Não há mais espaço para esse estreitamento ideológico na universidade. Há necessidade de alargar o leque intelectual, para todos os "lados". A partir daí, são os alunos que formarão suas convicções, com a consciência do que acreditam ser certo e, muito mais, pela prática e responsabilidade individual. O processo é demorado, exigindo observação, educação, reflexão, interação social e prática.
Como na vida das empresas, no "mercado de verdade", precisamos de menos ideologias e mais soluções para os problemas das pessoas. Não creio que faça bem proteger os jovens de visões que eles encontram nos mercados reais.

Ao invés de qualquer tipo de "doutrinação política", é fundamental que as instituições de ensino retornem foco para o conhecimento intelectual genuíno e às virtudes humanas! Sem isso, ficará cada vez mais difícil que os jovens saibam "agir por contra própria" – e, de modo mandatório, com responsabilidade.

O estudo liberta! Não é saudável se deixar seduzir pelas belas retóricas e ideologias. O estudo, a vida "vivida", a maturidade e a experiência tornam as pessoas mais "conservadoras", ou talvez, mais realistas. Como seres humanos, cada um de nós tem certa dose de sofrimento. Diferentemente de falaciosos ideais ideológicos, a moralidade, o regramento e o esforço e responsabilidade individual importam muito! Para aqueles com mais "janela", fica mais fácil sentir que a sabedoria advém da observação e da experiência, não de conjunturas abstratas.

Como definiu o filósofo Nicolás Gómez Dávila, mais ou menos assim, não se parte de ideias reacionárias; geralmente chega-se a elas. Ou como disse o estadista francês Georges Clemenceau: "Um homem que não seja um socialista aos 20 anos não tem coração. Um homem que ainda seja um socialista aos 40 não tem cabeça".

Então, jovens! É por conta própria do estudo e da reflexão pessoal e, especialmente, das descobertas pela ação que penso que cada um "se acha no mundo". Sem dúvida, pela colaboração de mestres de todos os lados, com genuíno conteúdo intelectual e moral. Água mole em pedra dura, (tomara) tanto bate até que fura!

Alex Pipkin, PhD
  

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