Percival Puggina

 

Leio no Diário do Poder

O ex-presidiário Lula está em passeio pelos estados do Nordeste em busca de apoio aos governos locais para as eleições 2022.

No Ceará, hospedado pelo governador petista Camilo Santana, Lula recebeu tratamento VIP com a escolta de três viaturas e 20 policiais militares a sua disposição.

Na praia de Picos, distante 200 quilômetros da capital Fortaleza, o desfrute de Lula e sua namorada foi patrocinado pela força de segurança militar, que isolou parte da enseada para que o casal aproveitasse com privacidade o litoral cearense.

Um proprietário de uma pousada filmou a ação e divulgou as imagens que mostram moradores e demais turistas impedidos de acessarem a praia, de uso exclusivo de Lula no momento.

A assessoria do governador Camilo Santana informou que a operação foi “garantir a segurança” de Lula, não para dar-lhe privilégios.

Comento

Observe, leitor, que Lula só gera matéria em pesquisa de opinião, prognósticos e especulações da mídia amiga. Está solto, mas vive recluso. Está "inocentado", mas se sabe culpado. E não há esforço para popularizá-lo que prescinda da arregimentação da parceria para fazer de conta que ali tem povo.

Quando não, praia deserta e policiamento, coisa que na palavra do companheiro Camilo Santana não é privilégio. É segurança. Mas todo mundo sabe que são as duas coisas por motivos óbvios.

  • Percival Puggina, com conteúdo do Diário do Poder
  • 21 Setembro 2021

 

Percival Puggina

 

Leio no UOL

São Paulo 17/09/2021 10h53Atualizada em 17/09/2021 19h00

Em decisão liminar, a Justiça Federal do Rio de Janeiro proibiu o governo federal de "praticar qualquer ato institucional atentatório a dignidade do professor Paulo Freire", considerado Patrono da Educação Brasileira e que, se estivesse vivo, completaria 100 anos no próximo domingo (19). A liminar — ou seja, proferida de forma provisória e em caráter de urgência — foi deferida ontem à noite pela juíza Geraldine Vital, atendendo pedido do MNDH (Movimento Nacional de Direitos Humanos). Ainda cabe recurso por parte da AGU (Advocacia-Geral da União).

Leia mais em: https://educacao.uol.com.br/noticias/2021/09/17/justica-atentar-contra-dignidade-paulo-freire-educador-patrono-educacao.htm?

Comento

Paulo Freire causa grande mal à educação brasileira. As pessoas falam no “método Paulo Freire” como se fosse um vade mecum para tesouros pedagógicos. O único método freireano foi o que ele aplicouem 1963 para uma experiência em alfabetização de adultos, na pequena comunidade de Angicos (RN). Que se saiba, só é utilizado na Alemanha para introdução de imigrantes ao idioma.

O mal freireano está no conjunto de sua obra escrita, marcada por uma perspectiva marxista, com a visão de que educar é ato político que deve levar à transformação social. Por consequência, gera uma pedagogia militante, ideológica, que vem contaminando a educação brasileira de modo deletério, agravando aquilo que pretende corrigir – as desigualdades sociais. Toda exaltação internacional à sua obra é apenas reflexo da tradicional promoção que reciprocamente se prestam os intelectuais comunistas mundo afora.

E a decisão da magistrada federal proibindo o governo federal de "praticar qualquer ato institucional atentatório a dignidade do professor Paulo Freire"? O que seria isso? Será que esta minha opinião, hoje tão comum, corresponde a um ato que estaria interdito ao governo federal? Perguntem à doutora.

Depois que o STF assumiu o controle das opiniões e estatizou a verdade, não é de surpreender que eventos semelhantes comecem a pipocar pelo país, reduzindo a dignidade do poder pelo seu mau exercício. Quando conservadores e liberais reaparecem na cena política, os censores da esquerda afiam sua tesouras.. 

  • Percival Puggina
  • 18 Setembro 2021

Percival Puggina

 

         O Procurador Geral da República, Augusto Aras, assumiu posição contrária à fixação do marco temporal para resolver os atuais 303 litígios na demarcação de terras indígenas no país. A tese do marco temporal – data da promulgação da atual Constituição (5 de outubro de 1988) – limita as terras indígenas às ocupadas naquele momento histórico. A tese oposta considera a necessidade de respeitar o tradicionalmente ocupado pelos diferentes grupos indígenas.

Proprietários que têm áreas de lavoura disputadas alegam haver comprado terras do governo e serem portadores de títulos legítimos. Os argumentos opostos falam em expulsão dos índios e em grilagem.

Enfim, a confusão está armada e vai ser decidida pelo STF que, movido pelo clima do atual momento político entre poderes, resolveu adiar a decisão que começaria a ser tomada hoje, 14 de setembro.

O que me move a este comentário é a afirmação do douto PGR, para quem o Brasil não teria sido descoberto. Essa é a tese da esquerda que ressurge neste ano de 2021 carinhosa, afetuosa e sobretudo virtuosa, queixando-se dos ódios e tensões causados pela direita. No ano 2000, ela promoveu protestos em todo o Brasil contra as comemorações dos 500 anos do Descobrimento. Em Porto Alegre, índios de mocassim e roupas de grife incendiaram um relógio que apontava, em contagem regressiva, o importante marco histórico. Enquanto realizavam aquele ritual, dançavam curvados em torno da fogueira no melhor estilo ... apache!

Ora, pois. A história da humanidade é, em grande parte, o relato de seu andar sobre as terras e mares do planeta. É a história do nomadismo, das guerras de conquista, das civilizações e suas derrocadas, das ocupações e dos êxodos. É também a história das migrações.

Vejo como extremamente reacionária e racista a ideia de que o Descobrimento foi um mal por si mesmo. Reacionária porque desejaria que a história andasse para trás até um ponto de partida para ser refeita ao gosto de quem conta. Racista e inepta, porque faz crer que Deus deu a Europa aos brancos, a África aos negros, Ásia aos amarelos e a América aos índios.

O fato de o território que hoje corresponde ao nosso país já existir e haver uma população esparsa em seu território não desfaz o Descobrimento porque só se descobre o que já existe. Ora essa, senhor Procurador-Geral! É por isso que o Caminho das Índias foi descoberto, que o ouro foi descoberto nas Gerais e é assim que se descobre o conhecimento superficial da história por certas correntes políticas.

 

  • Percival Puggina
  • 14 Setembro 2021

Percival Puggina

 

         Você jamais lerá algo assim  nessa mídia que tem nota dez em autoestima e nota zero em estima e respeito a seu público. Foi na excelente Gazeta do Povo que li, no início do mês, a seguinte informação.

Gazeta do Povo

Senadores governistas têm procurado integrantes do Planalto para pressionar o presidente Jair Bolsonaro a desistir da indicação de André Mendonça para a vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). A resistência ao nome do ex-ministro aumentou depois que chegaram aos parlamentares trechos de conversas vazadas da Operação Spoofing que confirmam um encontro entre ele e procuradores da força-tarefa da Lava Jato, em fevereiro de 2019, quando Mendonça ainda ocupava o cargo de advogado-geral da União (AGU).

Para os Senadores, essa é uma prova de que ele teria apoiado o escopo da operação. As informações são da Folha de S. Paulo. Segundo a publicação, os senadores temem que, uma vez empossado como ministro da Corte, Mendonça passe a apoiar pautas desfavoráveis à classe política. A sabatina de André Mendonça no Senado, cuja indicação foi feita há mais de um mês, ainda não tem dada agendada. (1)

Comento

Aprendamos. A corrupção estabiliza a República. Quem a desestabiliza é o combate à corrupção.

Dois em cada três senadores ocupam suas cadeiras e desempenham seus mandatos com dedicação exclusiva. Sim, exclusivamente centrada no próprio interesse, na autoproteção, no espírito de corpo, nos privilégios, no subterrâneo dos negócios e nas magras tetas do sugado e exaurido Estado.

Os gigantes da mídia nacional, por sua vez, silenciam. Afirmam que as instituições estão funcionando, que está tudo muito bem e só o povo atrapalha. Nesse mal acostumado modo de ver as coisas, o povo só deve  falar na urna. Manifestação popular fora do teclado da eletrônica é denunciada como agressão à democracia e desrespeito à sabedoria e legitimidade de instituições plenamente confiáveis como seriam o Congresso Nacional e o STF...

Nada, ninguém, desperta tão fiel paixão quanto o assim chamado Tesouro Nacional. Ali está a cocaína da política brasileira, atraindo, como sempre, seus cães farejadores.

(1) https://www.gazetadopovo.com.br/republica/breves/senadores-fazem-pressao-para-bolsonaro-desistir-de-andre-mendonca-no-stf/

  • Percival Puggina (com conteúdo da Gazeta do Povo)
  • 06 Setembro 2021

Percival Puggina

 

Leio no Diário do Poder (01/09) *

Toffoli deu 48 horas para Lira 'explicar' decisão do plenário por 322x139 votos

Em uma daquelas atitudes sempre interpretadas como interferência do Poder Judiciário em assuntos privativos do Poder Legislativo, o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu prazo de 48 horas para que o presidente da Câmara, deputado Arthur Lira (PP-AL), explique a aprovação, pelo plenário da Casa, do regime de urgência para tramitação do projeto de lei do novo Código Eleitoral.

O detalhe é que o mandado de segurança foi protocolado no STF por in integrantes próprio Poder Legislativo, que tanto reclama de interferência. Seus autores são dois senadores e quatro deputados federais derrotados na votação da Câmara que definiu o regime de urgência por esmagadora maioria de 322 votos a 139 .

Os parlamentares que impetraram o mandado de segurança tentam impedir a votação do novo Código Eleitoral sem “ampla discussão”, mas a história é outra.

Trata-se na verdade de uma manobra da minoria derrotada no plenário da Câmara para impedir a pela lei, mudanças na legislação eleitoral devem ser adotadas até um ano antes da eleição, dentro do princípio da anualidade, e os deputados correm contra o tempo porque o projeto ainda terá de ser votado no Senado.

O projeto está sob discussão há cerca de dois meses e prevê a unificação de toda a legislação eleitoral e resoluções do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

-    Leia original da matéria aqui: https://diariodopoder.com.br/brasil-e-regioes/stf-avalia-nova-interferencia-no-legislativo-em-plena-discussao-do-codigo-eleitoral

Comento

Se é para explicar urgência a quem não entendeu, deve ser possível ao presidente da Câmara dos Deputados dar, também, 48 horas ao ministro para explicar por que quer resposta em apenas 48 horas.

Inimaginável o protagonismo assumido pelo STF na política nacional. Matéria eleitoral é competência do Congresso, o prazo para a reforma curtíssimo porque o prazo para introduzir mudanças na lei vence nos primeiros dias de outubro e o Senado já reclama da demora em receber o projeto para sua deliberação.

Esses congressistas que recorrem ao Supremo ante qualquer contrariedade se contam entre os responsáveis pelo ativismo judicial. Ele é proporcional ao “inativismo” legislativo. Tal afirmação não tem o objetivo de justificar a intromissão da corte em tantos assuntos da esfera política. É, tão somente, uma denúncia da tolerância do Congresso Nacional com essa regência geral que cada ministro, isoladamente, exerce na vida nacional.

Quando algum poder recua, outro avança no espaço deixado. É o que acontece com o povo brasileiro, mesmo que seja, ele mesmo, origem de todo o poder e do poder de todos. Por isso, dia 7 eu vou.

  • Percival Puggina, com conteúdo do Diário do Poder
  • 01 Setembro 2021

Percival Puggina

 

         Para desgosto de seus algozes, Bárbara Destefani, do canal “Te atualizei”, vai entrar para a história e para o futuro da comunicação social no Brasil. Ninguém como ela conseguiu realizar tanto, de modo tão criativo, com poucos recursos, mobilizando para isso um invejável leque de talentos.

Sua ironia e sua posição politica incomodaram a Corte. Seus membros, habituados às máximas vênias, lisonjas, rapapés – e às próprias ironias – têm-se como credores eternos dessas incondicionais reverências.

Na guerra que travam contra a vontade popular consagrada nas urnas de 2018, procederam como generais de um alto comando, cortando estrategicamente as fontes de suprimento do inimigo. Dizendo agir em nome da democracia, atropelando a Constituição, o Supremo censura dezenas de jornalistas, veículos de comunicação, influenciadores, youtubers e sites ditos “de direita”.

Anteontem (26/08), o ministro presidente de STF, com uma retórica de faroeste, foi bem enfático: “É preferível evitar que o cão morda”. Ele justificava as ações ordenadas por Alexandre de Moraes. Contudo, é preciso dar adeus à razão e à sensibilidade para não ver nelas o uso abusivo do poder de Estado. Não é à toa que a sociedade se sente ao desabrigo, numa “democracia” sem ouvidos, que sequer consegue sustentar com aprumo seu aspecto formal.

O leitor talvez tenha observado que só as fake news atribuíveis à direita são objeto de punição. Todos os cotidianos maus tratos à verdade proporcionados por jornalistas, analistas, grupos de comunicação, formadores de opinião e youtubers – de esquerda – estão resguardados  no lado esquerdo do peito dos poderes reais da República.

Bárbara Destefani, com seus vídeos, trouxe riso e conforto para milhões de brasileiros que se percebem ínfimos perante seu Supremo. O silêncio daquela jovem dói em mim. Ofende-me o Estado que lhe toma a fonte de subsistência.

Percival Puggina (76), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.

  • Percival Puggina
  • 28 Agosto 2021