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SÉRGIO MORO NO SENADO

por Percival Puggina. Artigo publicado em


Por Percival Puggina

 No momento em que escrevo, estou ouvindo a inquirição do ministro Sérgio Moro em seu comparecimento espontâneo à Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal. Não pretendia escrever sobre isso ainda hoje, em virtude de outros afazeres. Não obstante, com o passar das horas, foi surgindo aquela comichão nos dedos a clamar por um teclado. E aqui estou, obediente a uma demanda de natureza moral que assim se expressa. Preciso desabafar diante do que ouço.

 Nosso país foi escandalosamente saqueado ao longo de décadas. Várias organizações criminosas, envolvendo diretamente diversos partidos; apropriaram-se de parcela expressiva do PIB; promoveram o enriquecimento ilegal de pessoas, servidores, políticos e empresas; comprometeram o desenvolvimento nacional e distorceram, por meios financeiros a representação política do país. A Operação Lava Jato puxou o fio da meada e deu no que se viu ao longo de vários anos de uma história bastante bem conhecida.

 De repente, vem a público o trabalho dos hackers que serviram à The Intercept. Por causa disso, Sérgio Moro vai ao Senado e eu assisto a senadores petistas exigirem de Sérgio Moro que renuncie ao ministério e peça desculpas ao país, agredindo-o com aquela pilha de acusações falsas que, há anos, enchem as páginas dos sites de esquerda.

Aí a comichão se tornou irresistível. Houve uma invasão criminosa nos telefones do juiz e dos procuradores. É mais um crime em benefício dos mesmos e está em seus desdobramentos! Os hackers restringiram sua ação no sentido de produzir matéria que desacreditasse a Lava Jato em si, tanto assim que logo se agitaram os defensores dos réus a clamar pela nulidade dos processos em que seus clientes foram condenados. Os criminosos não foram hackeados. Seus partidos não foram hackeados. Entre os mocinhos e os bandidos, os bandidos, claro, escolheram seu lado, contra a lei, para proteger os criminosos. Isso nada lhes diz?

Nunca ouvi dirigente de qualquer dos partidos integrantes daquele núcleo da Orcrim desculpar-se perante a nação. Jamais admitiram os crimes praticados em seu governo. Bilhões roubados à nação sumiram tragados na moenda da corrupção e reapareceram lavados e enxaguados em contas secretas, malas de dinheiro e vistosos mandatos adquiridos a custa de dinheiro roubado. E essas lideranças de consciência frouxa, pouca vergonha e indignação seletiva têm a coragem de pedir que Sérgio Moro renuncie, peça desculpas, se anulem as condenações e se soltem os companheiros? Me poupem.

Pronto. Falei. Agora vou trabalhar.