Percival Puggina

06/06/2010
Tomo emprestado para este artigo o nome de um livro de Roberto Campos. A imagem da lanterna iluminando a esteira deixada pelo barco enquanto a proa abre caminho nas trevas é uma das permanentes analogias nacionais. A próxima eleição presidencial é, apenas, o mais recente exemplo. O país do futuro traz o passado como chiclete na sola do sapato. Tudo está sendo conduzido para que o pleito se transforme numa espécie de plebiscito em que o eleitor votará como se estivesse escolhendo entre os governos de Fernando Henrique e Lula. Lula ou FHC? FHC ou Lula? Nenhum dos dois estará com a foto na urna eletrônica e a disputa se dará entre diferentes arranjos políticos, envolvendo pessoas ainda mais diferentes. Teimosamente, a lanterna nega foco ao futuro e a seus verdadeiros protagonistas. Admito, é uma estratégia. Mas, convenhamos, é quase uma fraude. Os governistas pretendem provar a superioridade do governo Lula em relação ao de FHC, como se fosse possível comparar gestões transcorridas em circunstâncias tão distintas. Não é. Conduzir as campanhas por essa trilha significa levar a nação a uma escolha alheia ao cardápio eleitoral. Equivale a promover uma eleição psicografada por personagens que saíram do palco. Ou, pura e simplesmente, é ser levado naquela conversa de comprar Evita por Perón e Cristina por Nestor. Não tenho dúvidas de que essa estratégia acabará imposta ao pleito, mesmo que só possa funcionar com fatos submetidos a requintes de prestidigitação publicitária. Afinal, nem mesmo a tropa de choque do PSDB no Senado fez por FHC entre 1995 e 2002 o que Lula lhe proporcionou ao ficar no posto, de 2003 a 2010, sem mudar uma vírgula das diretrizes centrais do governo ao qual sucedeu. Uma decisão como essa de dar continuidade às linhas implementadas por aquele a quem fazia feroz oposição fornece ao observador que não se deixa enganar um bem testemunhado e sincero reconhecimento do valor de tais políticas. Lula se tornou o mais fiel seguidor de FHC! Fez alguma coisa melhor, outras pior, o filoesquerdismo chique engrossou, mas a essência de tudo foi preservada. Então, que raios de estratégia é essa que pretende transformar a eleição de 2010 numa réplica da de 2002? Simples, meu caro Watson. Uma coisa é o que de fato aconteceu nos últimos anos, graças à manutenção de políticas corretas, ao longo do tempo, sob o benefício de circunstâncias favoráveis, enquanto elas se mantiveram. Outra, bem diferente, é o resultado da desconstrução de imagem que a agitprop petista fez com FHC depois de perder para ele duas eleições consecutivas. Trata-se de verdadeiro paradoxo, apoiado apenas na capacidade de comunicação de Lula. O presidente, todos sabem, consegue arrancar aplausos do auditório até quando, num mesmo discurso, diz A e o contrário de A. Com a maior desenvoltura, fala em tom professoral sobre tudo que convém ainda que nada saiba sobre o assunto. E age como se tivesse ocorrendo na China e sendo publicado em árabe, tudo que não lhe convém, ainda que esteja perfeitamente a par. Foi assim, com esse talento, que ele deletou, numa frase, o lero-lero demagógico com que atacou a imagem do governo FHC. Era tudo bravata. Coisa muito louca isso que vem por aí: um novo pleito entre Lula e FHC, assim proposto pelo primeiro, que é o principal beneficiário e o mais ortodoxo seguidor do segundo. ZERO HORA, 06 de junho de 2010

Percival Puggina

22/05/2010
Aqueles que causam o escândalo são culpados de assassinato espiritual. Aqueles que acolhem o escândalo, permitindo que destrua sua fé, são culpados de suicídio espiritual (S. Francisco de Sales, citado pelo Pe. Roger J. Landry). Entre os muitos chamados, apenas 12 foram escolhidos. Pessoalmente escolhidos por Jesus. Seleção feita a dedo. Tu, tu e tu. Pois ali mesmo, entre os doze, houve um traidor. Fraquezas e traições humanas não são incomuns na vida da Igreja. Entretanto, como lembra o mencionado padre Roger em belo sermão, se o escândalo de Judas tivesse sido a única coisa com que os membros da Igreja primitiva houvessem se preocupado, a Igreja teria acabado antes de começar. Diante de acontecimentos reprováveis é comum ouvir-se: São coisas que acontecem!. No entanto, muitas dessas coisas só acontecem porque, quando acontecem, a gente apenas diz que são coisas que acontecem. Creio, diferentemente, que erros têm que ser corrigidos e que a responsabilidade pelas retificações e penalidades recai sobre as autoridades em cuja jurisdição ocorrem. Misericórdia com o pecador não é quitação do criminoso perante a Justiça. Ponto. Voltemos à Igreja. No século 15, de baixo para cima e de cima para baixo, a cobiça, o apego ao poder e a devassidão dominaram parcela do clero, do episcopado, da cúria romana e alcançaram alguns papas. Inocêncio VIII teve dois filhos. Alexandre VI, além de ter sido um corrupto, vendilhão de indulgências, teve nove filhos com seis mulheres. Aquela terrível crise se prolongou por quase cem anos. Mas é em épocas assim que emergem multidões de santos para suscitar as mudanças necessárias. E o século 16 ficou conhecido como o que mais santos produziu. As denúncias e os fatos que chegam ao nosso conhecimento nestes dias, com toda sua gravidade, envolvem raríssimos colegas de D. Lugo e alguns presbíteros (entre quase meio milhão de religiosos em atividade no mundo). Quem aposta no descrédito da Igreja joga nessa fração contra o todo. E toma um bonde muito errado. A Igreja persistirá como luz da História e como instituição incomparável a qualquer outra, por palavras, obras e vocação. Também erra feio quem pretende atribuir às exigências da castidade os gravíssimos problemas que estão sendo revelados. Promíscuos, pervertidos e tarados de beco, em todos os tempos, e nas mais diferentes esferas da atividade humana, são frutos do hedonismo. Não são frutos do celibato nem da castidade. Ora, convenhamos! Acontece que, para a contracultura da ganância, do poder e do prazer, resulta intolerável que tantos homens e mulheres, livremente, por amor a Deus e ao próximo, prefiram a pobreza, a obediência e a castidade. Quanto desprezo à virtude! Contudo, quem quiser escrever meia página honesta sobre os seres humanos que mais contribuíram para elevar a humanidade, com generosa dedicação aos seus semelhantes, haverá de encontrar, a cada passo, a multidão dos que, através dos séculos, voluntariamente, assumiram os encargos e as alegrias da vida religiosa. Paradoxalmente, na realidade do mundo em que vivemos, esses santos do cotidiano tornam-se vítimas da maledicência dos que são incapazes de entender a virtude e não têm metade da bravura necessária para dizer não a si mesmos. Nessa contracultura, São Francisco de Assis seria visto como um oprimido ou degenerado... Especial para ZERO HORA

Percival Puggina

21/05/2010
Pessoas inteligentes não devem apresentar tolices como se argumentos fossem. Quando fazem isso é por pura e simples má fé. Por desonestidade intelectual. E o pior é que funciona. Repita-se uma tolice insistentemente nos meios de comunicação e, em breve, verdadeira multidão estará dizendo a mesma coisa. A sensatez é bem menos contagiante do que a tolice. Veja-se este exemplo. Certamente, por tanto ouvir, o leitor conhece a afirmação de cor e salteada: ?O Brasil é um Estado laico. Portanto, quem não quiser fazer aborto que não faça, mas não queira impor a proibição aos demais?. Hein? Quantas vezes você já ouviu essa patacoada, repetida por gente de sebo e lustro intelectual? No entanto, trata-se de algo sem pé nem cabeça. Aceitar tal dito como argumento implica acolhê-lo para outras situações análogas. Assim: ?Quem não quiser espancar a mulher, abandonar os filhos, apropriar-se do alheio, ter várias esposas, andar nu na rua, fazer sexo em público, matar seus inimigos, que não o faça, mas não queira impor aos demais essas vedações da moral cristã. O Brasil é um estado laico?. O Brasil é, de fato, um Estado laico. Como devem ser os Estados modernos. Mesmo assim, a maioria das proibições (e também dos direitos) vigentes no país corresponde a direitos e proibições acolhidos pela moral cristã, como se viu no brevíssimo sumário acima. A lista completa é imensa. E nem por isso tem a vigência sustada em virtude de sua conformidade com determinada moral religiosa. A condição de Estado laico significa coisa bem diferente do que pretendem os enunciadores de tais tolices. Significa, por exemplo, que se o Congresso Nacional legalizar a poligamia, os setores inconformados da sociedade poderão se mobilizar, questionar o preceito perante o STF, sapatear de indignação. No entanto, por mais que a moral cristã repila tal prática, por mais que a poligamia contribua para o servilismo feminino, se o Supremo a referendar, ela passa a valer. E ponto final. Em relação ao aborto é a mesma coisa. Quando a somali Ayaan Hirsi Ali, autora do livro Infiel, conseguiu fugir para a Holanda, percebeu que nas famílias imigrantes de países fundamentalistas islâmicos persistiam as práticas abusivas contra a dignidade feminina (inclusive infibulação e espancamento). Deu início, então, a uma campanha para tornar obrigatória aos imigrantes a sujeição às leis holandesas, o que implicou considerar delituosos aqueles procedimentos. Pergunto: não seria uma rematada tolice contrapor à brava somali (que acabou deputada no parlamento holandês) que a Holanda era um Estado laico onde quem quisesse moer a mulher de pancada poderia fazê-lo se estivesse habituado a outro código moral ou religioso? Não se alegue que o aborto difere dos demais casos porque envolve um direito da mulher. Também isso é falso. Assim como o suposto ?direito? de o marido castigar a esposa atinge o direito da esposa à própria dignidade, o ?direito de abortar? (muito mais gravemente ainda) atinge o direito à vida de outro ser humano. E o direito à vida cobra suprema proteção legal! Aliás, a última pesquisa feita no Brasil pelo Datafolha sobre o assunto, em 2003, mostrava que a população feminina (65%) era ainda mais contrária ao aborto do que a masculina (63%). Mas cá entre nós, sei que não adianta argumentar. Os propagadores de tolices estão interessados, apenas, em vencer e convencer, ainda que às custas da razão, da verdade e das vidas alheias. _____________________ * Percival Puggina (65) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site www.puggina.org, articulista de Zero Hora e de dezena de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo e de Cuba, a tragédia da utopia.

Percival Puggina

16/05/2010
Meus leitores habituais talvez recordem do artigo que escrevi recentemente com o título Os culpados pela pobreza (1). Nesse texto, entre as causas da constrangedora miséria persistente no país, incluí os luxos e requintes de certos palácios construídos para acolher os altos escalões dos poderes da república. E citei como exemplo o prédio do TSE em Brasília, uma obra de R$ 328 milhões na qual o escritório do comunista Oscar Niemayer abocanhou R$ 5 milhões, graças ao monopólio de projetos que estabeleceu sobre a Capital. Esse relato suscitou reação indignada de um leitor que se confessou comunista e me interpelou sobre a fonte de tão destrambelhada e escandalosa informação. Esclareceu-me que Niemayer era um comunista convicto, que vivia com simplicidade e destinava seus bens aos necessitados. E me adiantou que havia tentado, sem êxito, falar com o mestre (com quem sugeria manter relações de camaradagem) para adverti-lo sobre minhas aleivosias. Niemayer não o atendera, disse-me, por estar hospitalizado. Em resposta, indiquei-lhe algumas palavras que, digitadas no Google, lhe forneceriam, em abundância, a confirmação do que eu escrevera. Horas depois o velho comunista retornou em outro tom. Se Niemayer havia cobrado aquele robusto valor era porque o projeto valia isso mesmo, tanto assim que a proposta fora aceita pelo governo. Pronto! De uma hora para outra, perante o mesmo fato, a indignação desapareceu dando lugar a uma justificativa. Sem se dar por vencido, contudo, fez emergir nova suspeita sobre meu texto: de onde tirara eu que o velho arquiteto exercia um monopólio sobre os projetos públicos na capital da república? Que irresponsabilidade minha! Com toda a paciência, ensinei-o a encontrar ainda mais abundante informação sobre o assunto. Quando eu estava dando o papo por encerrado, o sujeito volta à cena, numa repetição da farsa anterior, transmudando a indignação em explicação: Oscar Niemayer era o maior arquiteto do país e tinha todo o direito de projetar em Brasília quantos prédios quisesse. E, mais uma vez, fingiu-se de vitorioso, denunciando que um dos relatos sobre esse monopólio estava em coluna do jornalista Cláudio Humberto (jornalista do presidente Collor, Dr. Puggina, que horror!). E com esse achado na gaveta dos argumentos ele pretendeu desqualificar dezenas de informações sobre o mesmo assunto. Camarada é coisa para se guardar no lado esquerdo do peito. Achei-me, então, no direito e na obrigação de desmascarar toda aquela retórica de botequim da Lapa. Mostrei-lhe o quanto sua ética estava submetida ao partido, à ideologia e à propaganda. Disse-lhe que os comunistas nunca agiram de outro modo. Afirmei-lhe que, com essa ética, haviam matado 100 milhões de pessoas no século passado sem que uma sequer lhes pesasse na consciência porque, afinal, tudo se tornava justo e santo no sagrado interesse do partido e da ideologia. E lhe pedi, dado que ele me alinhava entre seus desafetos, que, tendo oportunidade, me poupasse a vida. Por que relato este diálogo travado por e-mail? Porque eu o considero absolutamente característico da moralidade dos militantes comunistas, que muitos insistem em afirmar que, ou não existem, ou, se existem, são diferentes disso aí. (1) www.puggina.org/artigos/percival_puggina-os_culpados_pela_pobreza.php _____________________ * Percival Puggina (65) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site www.puggina.org, articulista de Zero Hora e de dezena de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo e de Cuba, a tragédia da utopia.

Mauro Zanatta Valor Econômico

16/05/2010
ÍNDICES DE PRODUTIVIDADE, MERO RECUO TÁTICO Por mero recuo tático, o governo Lula desistiu de promover a atualização dos índices de produtividade agropecuária, usados como parâmetro nos processos de desapropriação para a reforma agrária. Essa medida absurda - com fortes embates ideológicos - prejudicaria ainda mais à campanha da candidata do Presidente ao Planalto, identificada com o MST. Com toda razão ela desagrada aos produtores rurais. O custo político da aprovação desses famigerados índices seria alto demais para o PT. Não podemos fazer marola em ano eleitoral, resumiu um ministro do governo. A medida que só vigoraria em 2012, obrigaria os produtores rurais a elevar a produção, mesmo em anos de crise, para cumprir requisitos de utilização da terra (GUT) e de eficiência da exploração (GEE), o que não é exigido de nenhum outro setor produtivo. Para o MST e assemelhados isso não ficará assim, pois não vão deixar de cobrar essa dívida do Estado. Para eles, o assunto divide a sociedade [eles de um lado e a sociedade do outro...]. Em agosto de 2009, Lula havia fixado prazo de 15 dias para a publicação de uma portaria interministerial com a revisão dos índices. Mas os ruralistas reagiram e o PMDB fechou questão contra a revisão para evitar que suas digitais fossem impressas na medida antipática aos eleitores rurais. Curiosamente, a senha para a desistência de Lula foi a exacerbação dos debates que vêm sendo provocados pelo anúncio do PNDH-3, no início do ano. Fonte: Mauro Zanatta Valor Econômico 13/05/10

Percival Puggina

15/05/2010
A mitologia grega transmite na história de Narciso uma mensagem muito vigorosa. Apaixonou-se o jovem pela imagem que refletia no remanso de uma fonte e ali quedou-se a contemplá-la até definhar e morrer. Morreu de amor. De paixão por si. O nome desse trágico personagem é derivado do vocábulo grego narke, do qual se origina a palavra narcótico. Está, portanto, relacionado com entorpecimento e perda de sensibilidade em relação aos outros. Insuficiência para amar de verdade. Paixão de si. Narcisismo. O arquétipo do ser humano pós-moderno se torna, cada vez mais, nestas preliminares do século 21, uma versão up-to-date de Narciso. Sua capacidade de amar termina no vestido ou no paletó, nos bens materiais de seu entorno, embargando-lhe relações que impliquem compromisso fora ou além do que vê diante do espelho. Vivemos num mundo tomado pelo amor de novela, de revista, com capítulos curtos, pot-pourri de impulsos, climas que pintam, que na teoria e na prática acabam sendo amor pelo avesso. O mais nobre sentimento humano vira sacola de supermercado, onde se enfiam prazer, desfrute, vaidade, conveniência, tesão, e objetos de uso provável, como pulseiras coloridas, pílulas e camisinhas de cores e sabores variados. Dia desses, assistindo a um filme, demo-nos conta, minha mulher e eu, de que não se consegue ver cenas de uma ceia do Dia de Ação de Graças, tradicional feriado americano, em que os membros das famílias não se trinchem mais do que ao peito do peru. Sempre fica evidente o distanciamento, o alheamento, a fragilidade dos laços. E sempre terminam em brigas. As pessoas não conseguem mais suportar os respectivos egoísmos. O amor foi embora há muito tempo. No entanto, o ser humano persiste em suas carências e potências amorosas. Na falta delas, fenece como Narciso à beira da fonte das possibilidades existenciais. Ora, leitores, as potências do amor implicam aquilo que as mães nos ensinam: amor afetivo e efetivo. Porque afetivo aquece os corações. Porque efetivo se realiza em realizar o bem dos filhos, mesmo com sacrifícios pessoais; e em encontrar, nisso, razão de ser e de felicidade. Amor que não resiste ao teste do sacrifício e não supera obstáculos não merece esse nome e muito provavelmente é mero uso do outro para bem de si mesmo. É egoísmo. É o definhamento para onde se arrasta mais alguém. O Dia das Mães, que vivemos neste domingo, nos remete a uma reflexão sobre a extraordinária natureza do amor materno. Ele é exemplo de amor, mas é, também, modelo para todos os amores. Ali, no coração das mães, está a medida de não ter medidas para encontrar o próprio bem na realização do bem do outro. O poeta Carlos Drummond de Andrade sentenciou que mãe não tem limite, é tempo sem hora, luz que não apaga. Esse amor, que tive a ventura de receber da minha mãe e a graça de contemplar no exemplo da minha mulher há 41 anos, é o que desejo e é o que de melhor posso desejar aos que me leem neste domingo. Especial para ZERO HORA 09/10/2010

O Dia Online

08/05/2010
PROBLEMA PARA LULA, MARCO AURÉLIO E DILMA O Dia Online PF prende no Brasil segundo homem das Farc José Sanchez, conhecido como Tatareto, foi preso em Manaus com outras oito pessoas e 45 kg de cocaína POR ANA D?ANGELO Brasília - A Polícia Federal em Manaus fisgou na quinta-feira um peixe graúdo ao desbaratar uma quadrilha de traficantes de drogas que atuavam na Região Amazônica. Foi preso o segundo homem no comando da organização guerrilheira colombiana Forças Armadas Revolucionárias, as Farc. José Sanchez, que usa o codinome de Tatareto (gago, em espanhol). Procurado pelo governo da Colômbia por envolvimento em homicídio, sequestro e extorsão, ele é membro da comissão de finanças da cúpula das Farc, segundo informou o Exército colombiano à PF. Além dele, outras oito pessoas foram detidas e 45 quilos de cocaína apreendidos. A prisão de um dos cabeças das Farc no Brasil deixou a cúpula da PF em Brasília em polvorosa, por temer repercussão política. O PT condena publicamente as ações do grupo. Mas está junto com a Farc no Foro de São Paulo, uma articulação que congrega movimentos de esquerda da América Latina. A PF nega que a Farc esteja agindo no Brasil. Na verdade, esse indivíduo veio pra cá para atuar no narcotráfico para levantar capital e financiar as ações do grupo, acredita o chefe da Delegacia de Repressão a Entorpecentes no Estado do Amazonas, delegado Leandro Almada da Costa. Tatareto foi preso quinta-feira à tarde, mas sua prisão foi divulgada somente às 16h desta sexta-feira pela PF de Manaus.

Percival Puggina

08/05/2010
Este artigo reproduz carta que enviei a um jovem. Por e-mail, ele manifestara dissabor com o artigo O vampiro argentino (1). Bem educado, em texto correto e movido por evidente boa intenção, ele expressou sua contrariedade ante a referência que fiz ao fato de jovens que não sabem apontar com o nariz para que lado fica a Bolívia e que não conseguiriam escrever meia página sobre os episódios de Cuba andarem pelas ruas ostentando camisetas com a estampa do Che. O meu leitor sabia as duas coisas e se magoou. Nas correspondências que trocamos, pedi a ele que em vez de apontar para Bolívia, me indicasse suas razões para reverenciar a memória do argentino. Respondeu-me ele que seu herói renunciou às comodidades de que desfrutava como médico, buscou viver e alcançar seus ideais, lutou e deu a própria vida pelas suas convicções. E acrescentou que se havia algo que ele prezava e respeitava era a coragem e a iniciativa de uma pessoa. Imagino que esse leitor não seja o único que firma sua admiração a Che Guevara nas mesmas bases. Eis, a seguir, o que lhe respondi. Transcrevo na esperança de que sirva para outros em idêntica situação. Caro jovem: as razões que apontas estão muito mais no plano da reverência a certos sentimentos do que em fatos que os expressem de modo louvável. Valorizaste a coragem, os ideais, a renúncia aos confortos e bens materiais e à disposição de dar a vida por algo em que se crê. O problema do Che não estava obviamente aí, mas no uso que fez desses atributos de seu caráter. Tua referência à renúncia aos bens materiais, aliás, me fez lembrar o filme Diários de Motocicleta. Certamente o assististe. Nele, o diretor Walter Salles Jr. comete amazônica injustiça contra as religiosas que atendiam os índios no leprosário de San Pablo, no meio da selva, dezenas de quilômetros a jusante de Iquitos. Che é apresentado nas manipulações do filme como um anjo de bondade e as irmãs como megeras. No entanto, aquelas mulheres passaram suas vidas inteiras enfiadas em barracos de madeira, no meio do mato, cuidando de leprosos. Não uma semana. Vida inteira! E não por ódio a alguém, mas por puro amor ao próximo. Quem sabe passas a usar uma camiseta com a estampa das irmãs de San Pablo? E já que falei em cuidar de doentes, lembro outro caso. Em 1913, um talentoso jovem alemão, com doutorado em filosofia, teologia, medicina e música, exímio organista, considerado o maior intérprete de Bach em seu tempo, muito bem sucedido profissionalmente, decidiu instalar por conta própria um hospital às margens do rio Ogowe, no Gabão. Ergueu-o com as próprias mãos. Como forma de mantê-lo, voltava periodicamente à Europa a dar recitais. Fez isso não por uns dias, mas por toda a vida desde os trinta anos. Em 1953, sua contínua dedicação à tarefa que abraçou lhe valeu o Prêmio Nobel da Paz. É dele esta frase que bem serviria para a reflexão do vampiro argentino que se dizia sedento de sangue, médico como ele: Tudo que é vivo deseja viver. Nenhum sofrimento pode ser imposto sobre as coisas vivas para satisfazer o desejo dos homens. Quem sabe usas uma camiseta com a estampa do pastor Dr. Albert Schweitzer? A fuga de um prisioneiro do campo de Auschwitz, em 1941, levou o comandante a sentenciar outros dez à morte por inanição. Entre os escolhidos para cumprir a condenação havia um pai de família que muito se lastimava pela orfandade que adviria aos filhos pequenos. Pois um senhor polonês, de nome Maximiliano Kolbe, que estava preso por haver dado fuga a mais de dois mil judeus, se apresentou para substituí-lo e cumpriu a sentença que recaíra sobre seu companheiro de prisão. Com tão justificado apreço pelos valores que apontas, por que não usas uma camiseta com a estampa do padre Kolbe? As pessoas que mencionei, meu jovem (e existem inúmeras assim!) superam Che Guevara em tudo e por tudo. Exercitaram virtudes supremas sem qualquer ódio. Deram quanto tinham, inclusive suas vidas inteiras a seus ideais. Che fez isso? Fez. Mas, se colocou a própria vida em risco, como de fato podia fazer em nome de seus ideais, achou-se no direito de, pelo mesmo motivo, tomar a vida dos outros. E tal direito ele não tinha. Isso é muito diferente e satanicamente pior! O resultado dos exemplos que citei foram vidas salvas. O resultado da obra de Che foram vidas tomadas, sangue derramado, e liberdades extintas. Cordial abraço, Puggina. Agora, escrevo a quem me lê aqui: mesmo diante do que acabo de expor, muitos persistirão achando Che Guevara o máximo. Mas estão forçados a admitir que é na revolução, na luta de classes, na tomada do poder pelas armas e no comunismo que repousam seus apreços. E nesse caso me permitam afirmar que camisetas do Che são tão ofensivas e ameaçadoras, quando portadas num país livre e democrático, quanto a suástica, a foice com martelo, ou a cruz flamejante da KKK. (1) www.puggina.org/newblue/pesquisa_detalhes.php?ARTIGO_ID=997). _____________________ * Percival Puggina (65) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site www.puggina.org, articulista de Zero Hora e de dezena de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo e de Cuba, a tragédia da utopia.

Martha Ferreira

05/05/2010
MENOS, LULA; MENOS (Mensagem recebida da economista Martha Ferreira) Meus amigos, achei muito estranha a notícia, publicada pelo Globo e fui conferir a lista original da revista Time. A imprensa brasileira, amestrada pelas verbas oficiais, adora aumentar as coisas a favor do Governo e desinformar: Abaixo a lista original da revista TIME, edição atual, com a votação completa: como pode ser visto, até o Presidente do Iraque - Mousavi- teve uma votação seis vezes superior ao do Presidente brasileiro, isto sem contar Bill Clinton, Elton Jones, Manmohan Singh (premier indiano) etc. Na imprensa brasileira ele aparece em primeiro lugar, na revista está perto quadragésimo lugar. Barack Obama - 7,740,557 Lady Gaga - 6,697,752 Ashton Kutcher - 6,390,600 Taylor Swift - 5,608,398 Oprah Winfrey - 2,907,504 Robert Pattinson - 2,298,274 Ben Stiller - 1,735,285 Serena Williams - 1,681,207 Conan OBrien - 1,352,195 Jet Li - 1,220,613 Damon Lindelof - 977,222 Carlton Cuse - 969,097 Sarah Palin - 884,145 Glenn Beck - 621,436 Neil Patrick Harris - 493,561 Sandra Bullock - 329,229 Marc Jacobs - 275,689 Banksy - 259,153 Sachin Tendulkar - 175,852 Simon Cowell - 171,726 Bill Clinton - 160,731 Lea Michele - 151,916 Scott Brown - 131,053 Didier Drogba - 97,611 Chetan Bhagat - 94,074 Mir-Hossein Mousavi - 77,455 James Cameron - 50,394 Kim Yu-Na - 49,493 Mike Krahulik - 41,305 Zaha Hadid - 33,242 Lee Kuan Yew - 27,859 Ricky Gervais - 27,422 Mike Mullen - 22,849 Zahra Rahnavard - 21,747 Elton John - 19,309 Nancy Pelosi - 19,123 Manmohan Singh - 17,977 Phil Mickelson - 14,922 Michael Pollan - 14,956 Sonia Sotomayor - 13,399 Jenny Beth Martin - 13,266 Annise Parker - 13,093 Luiz Inácio Lula da Silva - 12,371 Steve Jobs - 10,662 Temple Grandin - 8,898 Tim Westergren - 8,152 Christine Lagarde - 7,913 Sheik Khalifa bin Zayed al Nahyan - 6,598 Suzanne Collins - 5,960 Recep Tayyip Erdogan - 5,925 Elizabeth Warren - 5,875 Kathryn Bigelow - 5,326 Lisa Jackson - 4,746 Stanley McChrystal - 2,886 Jon Kyl - 2,696 Amartya Sen - 2,621 Yukio Hatoyama - 2,228 Malalai Joya - 1,874 Tidjane Thiam - 1,675 Jerry Holkins - 1,483 Valery Gergiev - 1,307 Graca Machel - 1,234 Atul Gawande - 1,190 Neill Blomkamp - 1,113 Deborah Gist - 1,022 Jaime Lerner - 905 Elon Musk - 780 Salam Fayyad - 574 Paul Volcker - 465 Dominique Strauss-Kahn - 431 Kathleen Merrigan - 356 Tristan Lecomte - 249 Matt Berg - 198 David Boies - 151 Nay Phone Latt - 122 Victor Pinchuk - 114 Theodore Olson - 40 Liya Kebede - 12 Kiran Mazumdar-Shaw - 3 Amy Smith - 0 Bo Xilai - 0 Chen Shu-chu - 0 David Chang - 0 Douglas Schwartzentruber - 0 P. Namperumalsamy - 0 Valentin Abe - 0 Edna Foa - 0 Han Han - 0 J.T. Wang - 0 Jaron Lanier - 0 Karls Paul-Noel - 0 Larry Kwak - 0 Mark Carney - 0 Michael Sherraden - 0 Prince - 0 Rahul Singh - 0 Reem Al Numery - 0 Robin Li - 0 Ron Bloom - 0 Sanjit Bunker Roy - 0 Tony Travis - 0 Sister Carol Keehan - 0 Tim White - 0 Will Allen - 0