Para ser ou parecer ser um (pseudo)intelectual de esquerda, evidente que é muito singelo!
Traje-se despojadamente. De preferência use óculos “inovadores” (adoram aqueles de grifes comprados em viagens ao exterior!).
Gesticule e fale com tom de sabedoria e, convenientemente, mencione sua moral “superior” e humanista.
Cite sempre livros e faça menções às philosophies, francesas!
Utilize palavras “difíceis”, quem sabe até inventadas, ou troque seus reais significados e/ou a ordem das palavras, sempre argumentando contra o poder opressor!
No papo cabeça devem emergir palavras, tais como ação afirmativa, consciência, movimentos sociais, fascistas (com sc!), conquistas sociais, a elite, entreguistas, intolerância, minorias, empreendedorismo social, orgânicos, políticas públicas, reparações, ambientalismo e, claro, defenda sempre “às vítimas da sociedade injusta”.
Agora não parece um bom momento para continuar com aquela expressão cool “Lula Livre”, mas mantenha as camisas vermelhas, talvez com aquela tipografia do Che Guevara (seria interessante que homossexuais lessem minimamente sobre esse “libertário”!).
Pra fechar com chave de ouro, vá em grupos para bares e/ou restaurantes modernos e peça algo legal para beber. Talvez um bom vinho, uma cerveja artesanal ou um espumante...
Opa! Espumante não: Champagne, da histórica província francesa!
Trivial; não é preciso ter estudado quase nada, mas é fundamental tangenciar e citar quase tudo.
Ah, tente por um tempinho dissimular e esconder sua (in)tolerância caso haja alguém de visão centrista. Feito!
Pelo menos no Brasil, ao menos de forma tão explícita, ninguém ousou ir tão longe, ou melhor, descer tão baixo para chamar a atenção. Jamais alguém abusou de forma tão blasfema do espírito da tolerância cristã e da liberdade de expressão. Nem o Marquês de Sade chegou a tal baixeza. Uma coisa é debochar de cristãos ou seus líderes, seres humanos falíveis e dignos de repreensão. Outra coisa é zombar Daquele que é Rei dos Reis e Senhor dos Senhores.
Pelo visto, o politicamente correto só serve para fazer calar os profetas. Não tem poder algum contra os blasfemadores. Quando a liberdade de expressão se transforma em expressão de libertinagem, então a arte não está apenas decadente. Ela se tornou decadência. No lugar do belo, do bom e do verdadeiro está o horrível, o mal, o engano.
Este momento tão deprimente da nossa moral, tão pérfido, tão horrendo e escuro de nossa nação, tem algo a dizer a nós, milhões de cristãos que aqui vivemos. Ou reagimos e condenamos por todos os meios lícitos essa afronta imensa, ou seremos submergidos, não nas águas de um dilúvio do juízo divino, mas na lama pútrida e fétida produzida por pessoas, que longe de serem humoristas inocentes querendo divertir seu público, são blasfemos arrogantes que não têm qualquer respeito pelo imenso número de cristãos do país em que vivem e no qual prosperam.
Se há cristãos de verdade nesta nação, esta ofensa não pode ficar impune. Artigos, críticas, boicotes, rejeição pública, processos e ostracismo são nossas armas de paz. Podem e devem ser usadas contra aqueles que como os anjos caídos ou os habitantes de Sodoma e Gomorra blasfemam contra as dignidades. Se o silêncio é uma prece, neste caso ele seria uma ofensa, pois quem se cala diante do mal, consente com ele.
Em resposta às tolas justificativas onde cabia retratação, a desigualdade social não pode servir de álibi para blasfêmias contra valores tão caros para a maioria da população do Brasil. Tenho certeza que nosso amigo irá se entender com Deus quando chegar sua hora. Disso não tenho dúvida. Mas primeiro deveria pedir desculpas àqueles que amam esse Deus e que se sentiram ofendidos com tanta baixeza, ao invés de tentar justificar o injustificável. Homens públicos devem se desculpar publicamente por suas ofensas públicas. Vitupério à religião ainda é crime nesta nação.
Não importa se na esfera secular onde eles se movem, a palavra “pecado” se tornou obsoleta e vazia. O que importa é que dentro da esfera cristã dentro da qual milhares de brasileiros se movem e vivem, o que fizeram se chama pecado de blasfêmia.
Só nos resta parafrasear de modo santo o terceiro mandamento: Não usarás a imagem do Filho de Deus em vão, pois Deus não terá por inocente aquele que usar a imagem do Seu Filho em vão.
Quando o nome dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) é conhecido pelo povo em todo o País; quando se consegue antecipar o voto dos ministros sem errar; quando ministros se agridem oralmente, usando linguagem vulgar nas sessões; quando não hesitam em atropelar competências, a comprometer a segurança jurídica; isso só pode significar que o STF está numa trajetória equivocada de afirmar a sua superioridade política sobre os demais Poderes e está irreversivelmente enredado na política... É um desastre anunciado que já se instalou na Corte: a política está expulsando o Direito do tribunal.
O fato inegável é que o STF tem competências que o diferenciam do Executivo e do Legislativo. O poder de decretar a inconstitucionalidade de um diploma legal é exclusivo dele, afeta os outros dois Poderes sem ser por eles afetado. O STF não é um órgão eleito pelo povo, não está sujeito a mandato fixo, salvo por idade, e tem seus ministros indicados pelo Executivo e aprovados pelo Legislativo. Os freios da escolha popular ou do mandato com prazo fixo não o atingem. Por fim, é a última instância não só do Judiciário, como do sistema político em matéria jurídica.
Se o Judiciário tem esse poder que pode levá-lo a considerar-se superior aos outros dois, este também é o seu calcanhar de Aquiles.
Tribunais superiores, em regra, acautelam-se no exercício desses poderes. Não pretendem ser populares, detestam as especulações jornalísticas, proíbem fotografia, gravação ou filmagem de suas atividades, não dão entrevistas e evitam a todo o custo envolver-se na política. Preservam religiosamente sua discrição e sua independência, o mistério e a magia da instituição. Sabem que o maior inimigo da legitimidade da Corte é o envolvimento político. São 11 ministros que sabem qual o custo de tão elevada função: evitar a política, manter sob reserva suas características pessoais e evitar a popularidade, que gera expectativas e pressões.
Nosso Supremo, guardadas as diferenças entre os sistemas políticos de outras nações, tem se mantido dentro desses parâmetros comportamentais a maior parte do tempo.
Os casos desviantes sempre existiram, mas divisão por motivos políticos, com formação de blocos, controles de fidelidade e a ousadia de submeter a segurança jurídica a interesses políticos não faziam parte da história do STF.
Então, por que o STF cada vez mais se envolve em decisões políticas? Porque a política está expulsando o Direito do tribunal?
O próprio ex-presidente Lula respondeu a essa pergunta quando da divulgação dos telefonemas gravados pelo então juiz Sergio Moro. Neles o ex-presidente exigia de seus companheiros que “cobrassem” dos ministros o apoio de que estava necessitando, a revelar que a nomeação deles implicava a contrapartida em votos no plenário. Se a lógica do aparelhamento político precisava de confirmação, o ex-presidente encarregou-se de fornecê-la.
O ingresso da política no STF foi também coadjuvado pelo próprio tribunal quando liberou a transmissão das sessões pela TV. O público não acompanharia sessões técnicas, mas o faria nas sessões em que estavam em julgamento questões políticas.
Mas a TV no STF teve mais consequências. Ministros subitamente se tornaram figuras públicas. Seus acertos, como seus erros, passaram a ser vistos por todos, choveram convites para eventos, jornalistas estavam sempre em busca de entrevistas, sua presença nos noticiosos era frequente. Ministros, sendo 11, eram mais presentes na mídia do que as centenas de deputados e dezenas de senadores. Nem mesmo os presidentes das Casas Legislativas tinham cobertura de mídia tão intensa. Conflitos logo se tornaram públicos, o que exigia dos contendores coerência na continuidade da desarmonia.
A TV e a notoriedade pública envolveram os ministros do STF, atraindo-os para um protagonismo político para o qual não estavam preparados, mas cuja atração se revelou irresistível. Se a política entrou no STF, em boa parte foi porque a TV entrou na Corte.
Houve ainda um terceiro fator na politização da Corte. Como a ação da Lava Jato decorria numa comarca, sob a autoridade de um juiz singular, a investigação desembocava num processo e o processo conduzia ao julgamento, à sentença e, inevitavelmente, a recursos a instâncias superiores. A leitura dos que já estavam inoculados pela popularidade era de que um juiz de primeira instância havia aplicado uma capitis diminutio nos juízes do STF.
De início não se percebeu a desproporção que decorria da entrega do maior caso de corrupção da História do País a um jovem juiz singular. Não era uma ação de governo investigando suas entranhas, conduzida por autoridades de espectro nacional. Era uma ação em que o governo do País e suas autoridades surgiam como suspeitos e, como réus, ficaram sujeitos ao processo penal. Políticos, empresários e servidores da mais alta hierarquia acabaram submetidos à autoridade de um jovem juiz de subseção. Restaria ao STF, então, julgar recursos em matéria de Direito, porque em matéria de fato não havia mais o que fazer. E tudo o que surgia era resultado da ação de um juizado singular. Foi muito difícil para alguns ministros aceitar essa aparente humilhação.
Assim, Lava Jato e mensalão seguiram roteiros opostos quanto à sua origem: a Lava Jato deslocou-se de baixo para a cúpula do sistema político; o mensalão, ao contrário, nasceu e se extinguiu no STF.
Foi o mensalão televisionado, entretanto, que introduziu os ministros no mundo da política e do espetáculo, cujo ingresso ocorre com facilidade, até mesmo por descuido, mas cuja saída não se dá sem pagar um preço proibitivo na majestade institucional da Corte e naquele “terrível poder” dado ao homem para julgar o homem. Fácil é entrar no jogo político, difícil sair; impossível sair ileso e recuperar a pureza de outrora.
*PROFESSOR DE CIÊNCIA POLÍTICA, PÓS-GRADUADO PELA UNIVERSIDADE PRINCETON, EX-REITOR DA UFRGS, É CRIADOR E DIRETOR DO SITE WWW.MUNDODAPOLITICA.COM
** Publicado originalmente em O Estado de São Paulo 17/12.
CONSEQUÊNCIAS DESASTROSAS
Ao longo de décadas, notadamente no período em que o PT governou o Brasil e, particularmente, o Rio Grande do Sul e sua capital Porto Alegre, as medidas POPULISTAS, do tipo que produzem forte ilusão nas mentes dos menos instruídos, resultaram em consequências amplamente desastrosas para a economia brasileira como um todo.
SANGUE FUTURO
Pois, mesmo diante de forte agravamento da desgraça, que praticamente colocou as contas públicas no leito da morte, motivado pelo excessivo peso das DESPESAS SALARIAIS das mais diversas categorias de funcionários públicos, tanto ativos quanto (principalmente) inativos, as corporações nunca se sensibilizaram. Ao contrário: invadiram o necrotério para sugar o sangue -futuro-, provocando déficits fantásticos a ser extraído das novas gerações de pagadores de impostos.
DIFERENTES
Se a União (governo federal) conseguiu aprovar uma tímida REFORMA DA PREVIDÊNCIA que abrange os servidores federais, sem perda dos DIREITOS ADQUIRIDOS, boa parte dos deputados gaúchos entende que os funcionários públicos do RS são seres diferentes do resto do mundo. Pronto. A partir desta convicção, o Tesouro do Estado que trate de arrumar dinheiro para financiar o caos. Pode?
ALAVANCADOR DE INVESTIMENTOS EM SC E PR
É inegável o esforço do governador Eduardo Leite, do RS na tentativa de convencer os deputados gaúchos. O melhor deles está nos argumentos que usa, numericamente, para demonstrar que sem uma boa e correta REFORMA o Estado do RS acabará sendo muito festejado nos vizinhos estados de SC e PR (para ficar apenas na Região Sul), como um efetivo exportador e/ou alavancador de investimentos e, consequentemente, de crescimento econômico.
PROFESSORES DO MAL
Se todas as corporações gaúchas demonstram, cotidianamente, enorme e visível má vontade com reformas no setor público, nenhuma das existentes consegue superar o infernal e inconsequente CPERS - Sindicato dos professores do ensino público do RS.
Aí, desde sempre, a mediocridade é abissal. Vejam, para desespero geral, que é o sindicato que reúne aqueles que deveriam promover o ensino para o BEM, mas o fazem, com grande apreço e determinação, para o MAL.
O grupo fez coisas divertidas, mas sabemos que a sobrevivência por meio da arte é uma via penosa.
Três coisas que não se discutem, é verdade. Futebol virou uma insanidade coletiva. Comemora-se mais a derrota do adversário do que a vitória do próprio time; sobram pancadarias, depredações e mortes nas guerras das torcidas. Se é política, também não perco tempo batendo boca; cada qual tem sua receita de um país melhor, aposta nela e espera os resultados.
Religião, então, requer ainda mais cuidado. Desde que abriu os olhos na pré-história, o bicho-homem tenta enxergar um sentido para o viver. Encaramos diariamente o incômodo mistério de vir a este mundo sem pedir e ir embora dele sem saber quando, onde e, às vezes, nem por quê. Por isso a pessoa se abriga no seu divino, por mais bizarro que seja, onde encontra explicações e esperanças diante do sofrimento, das incertezas da vida e da certeza da morte.
Acho que a aceitação de que cada um tenha seu caminho espiritual particular ajuda-nos a expandir nossa porção generosa e solidária. Seja na dança dos índios numa aldeia amazônica; nas mãos postas numa capela cristã; no batuque do terreiro de umbanda; nos cânticos do coral gospel; no silêncio do “zazen”, cada homem busca a conexão com seu deus. É seu direito, e ninguém tem nada com isso.
Assim, respeito todas as crenças e não julgo nenhuma. Parto da minha própria fé, que, assim como a de tantos, não se insere num dogma; é resultado das experiências boas e ruins pelas quais passamos e das conclusões que delas extraímos. Disso fazemos uma salada de frutas doces e amargas para ir vivendo, seguindo a alma e o coração.
No entanto, desconfio que esses dois elementos fundamentais – alma e coração – andem faltando a alguns indivíduos. São aqueles adeptos das quebradeiras de imagens de santos; invasões de terreiros de umbanda; violações de cemitérios, locais sagrados e símbolos desta ou daquela religião, ofensas intoleráveis que revelam as mais nauseantes facetas do ser humano.
Em 2015 o jornal “Charlie Hebdo” foi atacado por islâmicos ofendidos pelas piadas ali publicadas.
Na época, certo ator que posa de guru para a meninada comentou assim o episódio: “Sou totalmente a favor dos humoristas do ‘Charlie’”. Poderia ter parado nesse ponto, mas concebeu a seguir a barbaridade “não sou obrigado a respeitar ‘o sagrado de uma pessoa’”.
Opa! Como não? Pimenta naquele negócio dos outros é refresco? Seria oportuno perguntar ao iconoclasta exibicionista como reagiria caso seus “sagrados pessoais” (Pais? Filhos? Namoradas?) fossem desrespeitados por um safado qualquer.
O mesmo rapaz participa agora de uma produção da TV que debocha de passagens da vida de Cristo. Com razão, o filme vem sendo alvo de protestos das comunidades cristãs e de manifestações nas redes.
Fui checar. Criativamente falando, é rasteiro. O grupo fez coisas divertidas, mas sabemos que a sobrevivência por meio da arte é uma via penosa. Nas fases de baixa ou no declínio, na falta de algo melhor, artistas costumam apelar para temas polêmicos, formatados ao marketing especializado em “chocar”. Tem muito disso por aí.
É fácil perceber no filme a intenção sensacionalista e mau-caráter dos acólitos dessa estranha seita. Ela afronta as características de um grupo, tal e qual fazem racistas, agressores de mulheres, fundamentalistas, homofóbicos e outros radicais. Na verdade, a produção é mais uma agressiva e indisfarçável forma de preconceito – no caso, contra os cristãos e sua fé.
Como se não bastasse, é vergonhosamente contraditória, já que vinda de artistas – aqueles caras tão atuantes quando combatem preconceitos. Ah, sim: mas só se indignam com os preconceitos quando tais preconceitos lhes convêm, não é mesmo?
• Publicado originalmente em O Tempo 12/12
Acaba de ser lançado o livro POLÍTICA AGRÍCOLA NO BRASIL, de Ivan Wedekin e vários colaboradores. É uma obra de primorosa clareza. Dá ao leitor - mesmo se não entendido em temas do agronegócio - um verdadeiro passeio guiado pelos meandros da agricultura de hoje e de como chegamos até o ponto onde estamos.
O principal recado do livro vai agradar a quem acredita na força do empreendedorismo e dos incentivos de mercado. Fica clara a noção de que liberar é preferível a intervir. Que fomentar é superior a coibir. Que delegar é melhor do que concentrar e assoberbar. No período de alto intervencionismo do governo sobre os mercados agrícolas, o Brasil era importador de comida e só exportava commodities de tradição centenária, como café, açúcar e algodão. Quando o País parou de recorrer a intervenções, confiscos e tabelamentos, o que coincide com o Plano Real e, a seguir, com a liberação do câmbio, a agricultura até mudou de nome: virou "agribusiness", agronegócio, e mercados mais livres e competitivos empurraram novos cultivos e criações para o centro da ação no campo, bastando lembrar soja, milho, arroz, frutas, suco de laranja, além de toda a cadeia de produção de proteínas animais, frango, carnes bovina e suína, ovos etc.
Óbvio que o milagre do salto agropecuário não foi só por liberalização de mercados. Houve um empurrão, ou vários e fortes, da política agrícola ao longo do tempo. Lembro o mais relevante: pesquisa para adaptar variedades de clima da Europa e EUA aos trópicos e ao bioma do Cerrado. Uma verdadeira TROPICULTURA foi criada, não só por variedades novas e adaptadas, mas por formas inéditas de plantio, cultivo e colheita. Basta lembrar o plantio direto, sem gradear o solo, evitando a erosão provocada por chuvas torrenciais. A produção de grãos se multiplicou por 5 enquanto a área plantada com grãos não chegou a dobrar. O nome disso é um enorme salto de produtividade. Nesta safra 2019, serão colhidos quase 250 milhões de toneladas de grãos. Em soja, passamos a ser o número um do mundo, mas somos número dois ou três em vários outros produtos. E sem perder a majestade na produção do rei café. Mistério desvendado: o fim do suplício das políticas negativas de intervenção, aliado ao choque produtivo da pesquisa aplicada, que virou tecnologia tropicalizada, revelou a pujança de um Brasil agrícola e interiorano em que poucos acreditavam.
A liberação do câmbio em 1999 completou a obra de oxigenação dos mercados. Não ocorreu o pisoteamento da oferta interna pela suposta preferência por exportar. As duas agriculturas geraram mais renda e prosperaram juntas. Mas não sem algum viés. O campo continua com vitórias concentradas em cerca de 1 milhão de estabelecimentos rurais, modernos e profissionalizados. Mas outros 4 milhões ainda carecem de muita informação, insumos modernos e apoio creditício. Muitos produtores são meros assentados ou posseiros. A desigualdade no campo é gritante, mas não precisava ser desse jeito.
O recado do livro de Wedekin é claro. O futuro exigirá: 1) menos desigualdade, 2) mais sustentabilidade, 3) mais e melhor logística, 4) muito mais pesquisa aplicada (agricultura de precisão) e, por fim, 5) mais diplomacia brasileira via agronegócio.
Palavra final: a agricultura vibrante deu ao Brasil as folgadas reservas em dólar que impedem a transmissão das bobagens da política nacional para dentro do sistema interno de preços. Ou seja, sem querer, o sucesso do agronegócio virou guardião maior da estabilidade institucional e da Constituição de 88. Curioso não ?
* Paulo Rabello, Ph.D (Chicago, 1975) foi professor de Economia Agrícola e Economia da Informação na Escola de Pós Graduação em Economia da FGV.
**Publicado originalmente no JB de 11/12