A urna eletrônica impede algumas modalidades de fraude, torna mais fácil o ato de votar e acelera o resultado da eleição. Justamente por reunir tais virtudes é que o voto impresso vingou após a derrubada do veto presidencial à Lei nº 13.165. Todavia, a vontade da maioria da população acabou barrada pelo Supremo Tribunal Federal. Num julgamento de poucas horas, o STF suspendeu a impressão dos votos, aniquilou com meses de trabalho do Congresso Nacional e o que é mais grave: explicitou a falácia da decantada harmonia entre os poderes.
No entanto, a cada eleição, as desconfianças sobre a urna eletrônica são reavivadas e os debates em torno de mecanismos que melhor conciliem a segurança do voto com mais transparência se acentuam. E os motivos para isso são vários e pertinentes.
Os partidos não conseguem desenvolver programas próprios para proceder na conferência das assinaturas digitais das urnas espalhadas pelo país. O sistema por elas adotado, conhecido como Direct Recording Electronic, é ultrapassado e não permite que os eleitores confiram o que foi gravado no registro digital nem as agremiações de proceder numa contagem ou recontagem de votos. Em maio de 2007, professores da Universidade de Brasília recomendaram a integração tecnológica dos procedimentos e apontaram vulnerabilidades na identificação dos eleitores no momento da votação.
Foi justamente a falta de transparência que paira sobre a urna brasileira que determinou a proibição de similares na Holanda após uma década de uso, assim como a declaração da sua inconstitucionalidade na Alemanha, Em março de 2009, o Tribunal Constitucional Federal alemão concluiu que "um evento público como uma eleição implica que qualquer cidadão possa dispor de meios para averiguar a contagem de votos, bem como a regularidade do decorrer do pleito, sem possuir, para isso, conhecimentos especiais” ao repelir o uso da máquina. Na Índia e no Canadá, especialistas provaram que o sistema era fraudável.
Democracias estáveis não podem ser vilipendiadas porque abdicaram de urnas eletrônicas. A demanda efetivada pelo parlamento e frustrada pelo STF foi apenas por mais informação e maior possibilidade de controle em nome e função da democracia. Afinal, por que as demais democracias do globo não a solicitam? Por que há uma desconfiança incurável dos brasileiros em torno dela? Os professores universitários e peritos que gravam depoimentos e exposições nas redes sociais elencando suas reticências em torno dela seriam lunáticos a ponto de tisnar suas próprias biografias acadêmicas?
A urna brasileira, arcaica e de geração ultrapassada, somente será confiável quando for independente do software e passível de conferência por auditorias. Infelizmente, ela é, sim, "à prova de provas".
*Advogado e professor de Direito Eleitoral
NÍTIDA OPORTUNIDADE
Nunca antes na história deste país o povo esteve diante de uma nítida oportunidade para fazer as mais importantes e decisivas mudanças, que passam pela reposição da ordem, da justiça, de princípios, e, por consequência, elevar a real capacidade de desenvolvimento do Brasil.
PREFERÊNCIA NACIONAL
Entretanto, a considerar o que diz o Ibope, através da pesquisa de intenção de voto divulgada ontem, na qual mostra o crescimento do candidato petista, Fernando Haddad, tudo leva a crer que a maioria dos brasileiros prefere que o Brasil se mantenha firme na trilha que leva ao mesmo destino escolhido pela conturbada e falida Venezuela.
ALTERNATIVA
É certo que ainda há tempo para reverter esta terrível situação e/ou projeção. Esta manobra, no entanto, depende total e exclusivamente de uma UNIÃO DAS FORÇAS de todos que se colocam na condição de REFORMISTAS. Confesso, meus caros leitores, que não vejo outra alternativa.
DUPLA SITUAÇÃO
Estamos, no meu entender e da maioria daqueles que me leem e enviam mensagens de apoio, diante da seguinte situação:
1- partimos para uma UNIÃO DE FORÇAS, para valer, elegendo o candidato Jair Bolsonaro; ou,
2- deixamos assim e as chances para colocar o Brasil nos bons trilhos vão, definitivamente, para o espaço.
VOTO ÚTIL
Mais do que nunca o VOTO ÚTIL é tudo que o Brasil -DO BEM- precisa neste momento. Faltando poucos dias para as Eleições, a possibilidade de um outro candidato REFORMISTA vir a crescer nas pesquisas de intenção de voto é praticamente NULA.
ÚNICO CANDIDATO
Na situação atual, meus caros, estamos diante de uma clara decisão onde não cabe mais votar no melhor candidato, mas naquele único candidato que resta para vencer o POPULISMO, que está prestes a ganhar o pleito muito mais por absoluto desinteresse e falta de união dos REFORMISTAS.
É a hora, portanto, do TUDO OU NADA!
O globalismo tem muitas faces, muitos nomes, mas em todos os casos seu objetivo é apagar as fronteiras nacionais, eliminar a soberania nacional, reduzir as identidades nacionais e avançar para a governança global através das Nações Unidas.
A União Européia é o principal exemplo dos resultados do globalismo, onde nações antes orgulhosas abdicaram de moedas famosas como o marco alemão, o franco e a lira. É onde culturas antigas como a Grécia e Roma eliminaram suas fronteiras e sepultaram suas culturas, para serem lideradas por uma União de Socialistas comprometidos tão somente com a busca [desenfreada] por mais e mais poder.
No entanto, esta busca é feita em nome da igualdade, prosperidade econômica e integridade ecológica. O globalismo é vendido para o público desavisado com palavras como livre comércio, fronteiras abertas e proteção ambiental, mas se trata na verdade de redistribuição de riqueza; a riqueza dos outros.
Se trata de eliminar as fronteiras nacionais e a soberania nacional. Trata-se de controle absoluto, não necessariamente por autoridades eleitas, mas por interesses particulares conhecidos por organizações não-governamentais (ONGs), que são sancionadas apenas pelas Nações Unidas.
O globalismo reivindica uma transformação dolorosa de nossa sociedade, longe do governo representativo e de nações independentes, para o estabelecimento de uma aldeia global com cidadãos globais. Todo o plano é descrito em detalhes na Agenda 21 da ONU, um tratado assinado pelo então presidente George Bush na Cúpula da Terra da ONU em 1992.
Você já ouviu alguns dos termos usados para implementar esse tratado. O Projeto Wildlands é um deles. Crescimento Inteligente é outro. O Projeto Wildlands prevê a "restauração da natureza selvagem" de 50% de todas as terras em todos os estados, restaurando tudo de volta ao que era antes de Cristovão Colombo pisar no continente. Em outras palavras, a eliminação da presença humana em mais de 50% da paisagem americana.
Crescimento Inteligente é o plano para reunir todos nós em áreas de habitats humanos específicos, fora dos subúrbios e de nossos belos jardins, e em cidades populosas e arranha-céus. Como um defensor do Crescimento Inteligente disse alegremente: "Serão os humanos em gaiolas, com os animais a observá-los".
Ambos os esquemas fazem parte de uma agenda geral chamada "Desenvolvimento Sustentável". Se você não se lembrar de mais nada, lembre-se dessas palavras. Desenvolvimento sustentável. E lembre-se que o Desenvolvimento Sustentável é seu inimigo.
O que é isso? Imagine uma América na qual um "princípio diretor" específico é criado para decidir a conduta social apropriada para cada cidadão. Esse princípio seria usado para ponderar tudo o que você come, o que você veste, o tipo de casa em que você mora, a maneira como você trabalha, como descarta o lixo, o número de filhos que pode ter, até mesmo suas decisões sobre educação e emprego. Esse "princípio dominante" é o desenvolvimento sustentável.
O objetivo do Desenvolvimento Sustentável é transformar o mundo em um tipo de governança feudal, tornando a NATUREZA o princípio central de organização de nossa economia e sociedade.
É isso que defende a política de Desenvolvimento Sustentável: "A natureza tem um conjunto integral de valores diferentes (cultural, espiritual e material), onde os seres humanos são uma vertente na teia da natureza, e todas as criaturas vivas são consideradas iguais. Portanto, o caminho natural é o caminho certo, e as atividades humanas devem ser moldadas ao longo dos ritmos da natureza". Esta citação vem do Tratado de Biodiversidade da ONU.
Uma agenda internacional foi posta em marcha, começando com os tratados e acordos das Nações Unidas. Essa agenda está agora se encaminhando para as políticas federais, estaduais e municipais. Agora é a política oficial do governo dos Estados Unidos, e todas as cidades, pequenas cidades e pequenos burgueses deste país estão trabalhando em planos para implementá-lo. Não há exceções.
Onde quer que você viva, há uma média de 10 a 18 Organizações Não-Governamentais (ONGs) trabalhando diretamente com seus vereadores e conselheiros eleitos em planos para sua comunidade, para determinar:
• Como sua propriedade será usada;
• Como os negócios podem operar na comunidade (na verdade, quais empresas teriam permissão de operar);
• O tipo de habitação que pode ser construído;
• Onde as estradas podem ou não ser construídas;
• Como a comida deve ser cultivada;
• Como o trabalho deve ser realizado e como seus filhos devem ser educados.
O plano é mudar seu modo de vida para se encaixar na nova sociedade global. De acordo com as políticas de Desenvolvimento Sustentável, ar condicionado, alimentos pré-prontos, habitação unifamiliar e carros estão entre os produtos, habitats e meios de transporte que já foram determinados como "insustentáveis".
Acrescente a eles, pistas de esqui, pastoreio de gado, campos arados, exploração madeireira, represas e reservatórios, e construção de linhas de energia, conforme descrito no Tratado de Biodiversidade da ONU (também um produto da Cúpula da Terra) e você pode ter uma visão completa da América sob o desenvolvimento sustentável.
Em toda esta nação, as pessoas já estão sofrendo com as políticas de desenvolvimento sustentável, pois estão perdendo suas casas, seus empregos e, em alguns casos, comunidades inteiras, sob essa transformação dolorosa de nossa sociedade em nome da aldeia global.
Nunca houve um único voto no Congresso para criar o Desenvolvimento Sustentável. Tudo é feito através da redação inteligentemente adaptada de programas e orçamentos existentes, usando os tratados da ONU como diretrizes. Está tudo camuflado sorrateiramente.
O desenvolvimento sustentável é um direito contra a propriedade, contra o livre comércio, contra a liberdade individual, contra a soberania nacional e fronteiras nacionais, contra a cultura ocidental. Não pode haver esperança de se viver em uma nação de governo limitado em companhia do Desenvolvimento Sustentável como política oficial do governo, porque os dois são diametralmente opostos.
Os americanos nunca concederiam sua liberdade à suástica, nem a foice e martelo, mas a dobrariam em um cobertor verde para proteger o meio ambiente, e jogaríamos tudo no fogo, como em uma antiquada queima de livros.
Isso é sobre o totalitarismo. Trata-se de controlar todos os aspectos de nossas vidas com decisões tomadas por comitês não eleitos que se tornarão mais poderosos e mais opressivos a cada dia que passa e a cada novo regulamento proposto por grupos de interesses particulares recém-empoderados.
• Desenvolvimento Sustentável é contra a ciência.
• É contra o conhecimento.
• É desumano.
• É o credo do selvagem insensato, que utiliza força bruta em vez de pensamento racional.
E se não aprendermos sobre o seu mal agora, se não dermos atenção ao aviso, se não tirá-lo de todos os níveis da política governamental por suas raízes mais profundas, então a vida americana, de fato a existência humana, como a conhecemos, entrará em uma nova era negra de dor e miséria, diferente de qualquer outra que já tenha sido experimentada pela humanidade.
Há uma maneira certeira de impedir o desenvolvimento sustentável e o movimento globalista. Eu digo a todos que encontro todos os dias da minha vida. Eu digo a você agora. Tire os Estados Unidos das Nações Unidas.
[*] Tom DeWeese. "The Dark Side of Globalism". The Virginia Land Rights Coalition, 22 de Janeiro de 2004.
A professora Maria Hermínia Tavares de Oliveira, cujas qualificações acadêmicas são de excelência indiscutível (inclusive um pós-doutorado pela Universidade da Califórnia, em Berkeley), em entrevista recente à Globonews, permitiu que o entusiasmo que alimenta em relação ao Partido dos Trabalhadores prejudicasse a isenção analítica que os telespectadores dela esperavam.
A escorregadela ocorreu após a entrevistadora ter-se referido a declaração do candidato Geraldo Alckmin, em programa eleitoral, de que tanto Jair Bolsonaro quanto o candidato petista ungido por Lula (Fernando Haddad) representariam, ambos, uma “ameaça à democracia”. Maria Hermínia reagiu: Bolsonaro, sim; o PT não, pois o partido já teria demonstrado nos governos Lula e Dilma seu entusiasmo pela democracia, suas regras e instituições.
Esse entusiasmo petista pela democracia, convenhamos, é inexistente. Se nos anos do PT o Brasil não foi transformado numa Venezuela, não se deveu à falta de empenho e vontade de seus líderes de seguir o mesmo caminho, mas à relativamente maior solidez das instituições brasileiras vis-à-vis as venezuelanas.
No país vizinho – até hoje percebido como modelo de democracia pelo PT – a imprensa independente deixou de existir; o Judiciário foi aparelhado, opositores foram a para a cadeia e o comando das Forças Armadas comprado por benesses. Sem críticas ou instituições que permitissem modificações de rumo, o país foi, virtualmente, para o brejo.
É por tanto amor à democracia que para as próximas eleições o PT escolheu como candidata à vice uma deputada do Partido Comunista do Brasil (PC do B). O mesmo partido cujo secretário de relações internacionais, José Reinaldo Carvalho (colega, amigo e admirador de Marco Aurélio Garcia, que exerceu a mesma função no PT e foi o ministro de fato das relações exteriores nos governos Lula e Dilma), em recente exaltação ao centenário da Revolução Comunista de 1917 declarou que o triunfo das classes oprimidas, na Rússia, “demonstrou que somente a revolução pode abrir caminho à conquista da emancipação nacional e social, às transformações sociais e políticas progressistas.”
José Reinaldo, que num eventual governo Haddad poderia vir a ocupar a mesma função que já foi a de Marco Aurélio Garcia, declarou em alto em bom tom que a estratégia do movimento operário não deve contar com a colaboração das demais classes sociais. Que se faça no Brasil, o que se fez na Rússia de há cem anos, onde o “Partido (Comunista) conseguiu separar as massas da influência dos partidos oportunistas e derrotou as suas tentativas e do Governo Provisório de impedir o desenvolvimento e a vitória da revolução socialista”.
*Publicado originalmente no Diário do Poder
Alguém duvida que a função social da reprimenda penal por excelência – a pena privativa de liberdade – seja a segurança pública? A limitação, mesmo que temporária, à liberdade do criminoso é o precípuo instrumento do estado de direito para garantir um dos seus pilares fundamentais – a segurança de seus cidadãos.
Do mesmo modo, dificilmente alguém desconhece que compete ao Magistrado aplicar, após reconhecer, a partir de ação penal veiculada, que um crime foi praticado (materialidade) por determinado sujeito (autoria), o quantum de pena ao condenado.
Por outro lado, ao que se extrai do exercício da profissão de Promotora de Justiça, é que nem todos os aplicadores do direito entendem – ou ao menos dela fazem uso – a função dos patamares mínimo e máximo de pena cominados pelo legislador no preceito secundário do tipo penal.
Recentemente, minha colega e amiga, Rafaela Huergo, em seu brilhante artigo Execução penal: excesso de benefícios, interpretação e criatividade a serviço da impunidade, destacou que vige no Judiciário brasileiro um fetiche pela aplicação da pena mínima. A questão é: este fetiche, que vem reiteradamente violando o princípio da individualização da pena, é atribuível exclusivamente aos Juízes.
O artigo 59 do Código Penal brasileiro, que disciplina a primeira etapa do sistema trifásico de modulação da pena, exige que, dentre outras circunstâncias judiciais, leve o Juiz em consideração os antecedentes dos acusado como forma de avaliar a adequada mobilidade da sanção a ser aplicada dentre os patamares de pena previamente fixados pelo legislador, a qual deverá ser necessária e suficiente à reprimenda da prática do ilícito.
O critério acima – antecedentes do acusado – apto a mover a sanção penal aplicada dentro dos pilares estacados pelo Congresso Nacional – é parâmetro de fulcral relevância para a estipulação da reprimenda que deve o Estado imprimir ao condenado, vez que, atendendo ao princípio da individualização da pena, permite distinguir proporcionalmente o quantum será aplicado ao sujeito que já faz do crime seu meio de vida daquele que será aplicado ao réu que esteja pela primeira vez a responder expediente criminal.
O Dr. Stanton Samenow, psicólogo que há mais de 40 anos trabalha com pesquisas relacionadas ao comportamento de criminosos, em seu livro Inside the Criminal Mind (1), enfatiza que, embora não possa o sistema judicial relevar a presunção da inocência, autoridades que estejam capitaneando investigações criminais e/ou ações penais, ou seja, antes de tudo, analisando o comportamento do criminoso, devem estar alertas de que uma prisão muitas vezes caracteriza apenas uma fração dos crimes por ele cometidos até então, devendo, para uma melhor aplicação do direito, ser direcionados esforços para determinar o quão extensa já não é a vida criminosa daquele indivíduo. Ao concluir, o PHD destaca ser de máxima relevância para Juízes, ao proferirem suas sentenças, que levem em conta a vida criminosa pretérita do condenado.
Esta sugestão é conferida por expert em solo norte-americano, terra em que a aplicação da lei penal é deveras mais eficiente do que em solo brasileiro. Aqui, onde há muito a análise econômica do delito, infelizmente, concluiu que, em termos de custo/ benefício, vale a pena o cometimento de crime, o incremento de pena ao criminoso carreirista jamais pode ser alvo de desídia. Afinal, somente uma reprimenda penal suficiente e necessária é capaz de dissuadir o criminoso à reiteração da prática ilícita.
Não demanda muito esforço. Mais que isto, é intuitivo: aquele que dispõe de um pergaminho como certidão de antecedentes não poderá ver sua pena base fixada no mesmo patamar do coautor que não apresenta um borrão em sua ficha criminal.
Para o STJ, todavia, não tão intuitivo. Ainda em 2010 foi editada a Súmula 444 daquele Tribunal, que, ao crivar que “É vedada a utilização de inquéritos policiais e ações penais em curso para agravar a pena-base” acaba por exigir para a aplicação de uma circunstância judicial do art. 59 do CP – antecedentes do acusado – o cumprimento de requisitos quase que idênticos aos estipulados pelo legislador à configuração do instituto da reincidência.
A reincidência, por sua vez, está prevista no artigo 61 do nosso Código. Logo, inconfundível com o de nº 59. Para aqueles que, eventualmente, tenham faltado a esta aula, a lei não traz palavras em vão. Antecedentes do acusado é uma circunstância judicial que independe do selo do trânsito em julgado às ações penais ou aos inquéritos policiais aos quais o condenado responde.
A aplicação da súmula do STJ nos direciona a julgados que nem de perto traduzem o senso comum de justiça. Basta exemplificar com caso recente que chegou ao meu conhecimento: dois elementos foram condenados pelo crime de roubo a pedestre. Um deles era cliente contumaz do tribunal de júri daquele município – já contava com seis condenações, sendo duas por homicídio, mas, afortunadamente para ele, nenhuma com trânsito em julgado. Por sua vez, o comparsa sequer registro policial pretérito tinha.
Alguém pode afirmar ser razoável que ambos tenham a sua pena base fixada em quatro anos? Com a aplicação da súmula do STJ o resultado não foi outro. Há quem de forma sincera insista não ter havido no caso flagrante violação ao princípio da individualização da pena? Está-se, mais uma vez, diante de incentivo jurisprudencial ao criminoso de carreira.
Magistrado com quem já trabalhei, analisando brilhantemente a discrepância à qual se pode chegar com a aplicação do entendimento sumular do STJ, ainda neste ano, decidiu por mover a pena do mínimo legal de acusado que, embora não contasse com sentença transitada em julgado, era cliente cativo da vara criminal, reconhecendo, assim, que os antecedentes daquele permitiam uma elevação de sua pena base dentro dos pilares do preceito secundário do tipo penal.
O êxito na guinada jurisprudencial em prol da aplicação coerente do art. 59 do CP foi efêmero. Àquilo que se intitulava fetiche judicial contaminou o Procurador de Justiça parecerista do feito, que se manifestou favorável ao apelo defensivo para reduzir a pena do réu ao mínimo legal. Entendeu o membro do Ministério Público de segundo grau que há evidente identificação entre os requisitos exigíveis ao reconhecimento do instituto da reincidência e da circunstância judicial identificada a partir da folha corrida sangrenta de antecedentes criminais da qual o réu, no caso telado, tanto se orgulha.
A independência funcional do membro do Ministério Público, como se extrai do caso narrado, também é capaz de fazer sangrar ao trilhar caminho oposto à efetivação de resposta estatal proporcional à transgressão de ordem criminal. A falta de discurso uniforme, ao menos especificamente no que tange à busca pela reversão deste estado caótico de insegurança, é causa de enfraquecimento de Instituição em que a sociedade deposita suas últimas – se ainda as tem – esperanças no combate à impunidade desenfreada.
Enquanto o Ministério Público não entoar um discurso coeso e forte em prol da Segurança Pública, pilar republicano, incorporando de fato o princípio da unidade desta Instituição, marcharemos feito peneiras contra uma sólida criminalidade que “tolera à bala” eventual voz dissonante dentro da sua facção. Não há vácuo de poder. A covardia dos bons, conforme ensina o mestre Gilberto Callado (2), fomenta a audácia dos maus.
(1) Samenow, Stanton E., Inside the Criminal Mind, New York, BDWY, 2014, p. 112.
(2) Oliveira, Gilberto Callado, Garantismo e Barbárie – a face oculta do garantismo penal, Florianópolis, Conceito Editorial, 2014, p. 135.
*Júlia Schütt, promotora de Justiça do MPRS – titular da Promotoria de Justiça Especializada do Alegrete e aluna da Escola de Altos Estudos em Ciências Criminais.
** Publicado originalmente no Estadão.
E se Lula ganhar as eleições em 2018? O Brasil terá um retrocesso ao paleolítico –sem querer ofender nossos ancestrais.
Sei que inteligentinhos dirão: pelo contrário, as populações mais pobres voltarão a comprar TVs e carros. E eu direi: a bolsa fome é a grande miséria que alimenta o PT e seus associados.
Nelson Rodrigues dizia que, no dia em que acabasse a pobreza do Nordeste, dom Helder, o arcebispo vermelho, perderia sua razão de existir. Por isso, ele e a miséria do Nordeste andavam de mãos dadas.
O truque do PT e associados é o mesmo: destruir a economia, acuar o mercado, alimentar uma parceria com os bilionários oligopolistas a fim de manter o país miserável e, assim, garantir seu curral eleitoral.
Como o velho coronelismo nordestino –conheço bem a região: sou nascido no Recife e vivi muitos anos na Bahia–, o PT e associados têm na miséria e na dependência da população seu capital.
Mas quero falar de outras dimensões da tragédia que nos cerca caso o PT retome o poder.
Desta vez, o projeto "a Venezuela é aqui" se organizará de forma mais concreta.
O Poder Judiciário, já em grande parte na mão da "malta" do PT, servirá ao partido de forma sincera e submissa, destruindo a autonomia da Justiça. Esse processo já está em curso, mas foi, temporariamente, barrado pelo percalço do impeachment e de alguns poucos setores não petistas do Poder Judiciário.
O Legislativo se acomodará, como sempre, a quem manda.
O mercado também se acomodará, servindo, de novo, ao coronel Lula ou a algum genérico que o represente. Eliminarão qualquer elo na sua cadeia produtiva que suje seu nome –da empresa, quero dizer– junto à Nomenclatura.
Quanto à inteligência pública, essa será devastada.
Perda de empregos, contratos, espaços nos veículos, com a bênção da quase totalidade das Redações e editorias. Se não apenas para eles mesmos não perderem empregos, contratos e espaços, também, e principalmente, porque a quase totalidade das Redações e editorias são petistas ou similares.
Nas universidades e nas escolas, a festa. Reforço absoluto da patrulha ideológica de forma orgânica, com apoio da Capes e de sua plataforma Sucupira.
As universidades, entidades quase absolutamente monolíticas e autoritárias, celebrarão a queima total de seus adversários internos e externos. Os alunos, coitados, ou aderirão à retomada vingativa do poder por parte do PT, ou perderão bolsas, vagas e carreiras.
E chegará a vez de as Forças Armadas também serem cooptadas pela hegemonia petista. Uma vez cooptada, como na Venezuela, a regressão ao paleolítico estará plenamente realizada.
O controle da mídia, em nome da "democracia", implicará o silêncio imposto a todos que quiserem pagar suas contas.
A classe artística fará festivais para comemorar o retorno ao poder dos "progressistas" que dão dinheiro para eles gastarem até acabar.
E, quando o dinheiro acabar, como acabou no Dilma 2, os "progressistas" sairão do poder, darão um tempo para os "conservadores" fazerem o trabalho sujo de reorganizar a economia e, quando a casa estiver um pouco mais organizada, voltarão ao poder para gastar tudo de novo.
Vivemos duas formas de hegemonia do PT e associados no Brasil: a hegemonia da miséria e do discurso populista de cuidado com ela e a hegemonia do pensamento público e de suas instituições.
A diferença entre o PT de antes do impeachment e o PT de agora será que antes ele ainda fazia pose de defensor das liberdades.
Agora, ele perderá a pose e destruirá todo o tecido de liberdade de expressão no país.
E mais: a vitória de Lula em 2018 será a prova definitiva de que os eleitores não estão nem aí para suspeita de corrupção pairando sobre qualquer que seja o candidato.
Todo esse mimimi ao redor da Lava Jato ficará claro como mimimi.
Dane-se a corrupção. Ninguém está nem aí para isso. A começar pelos intelectuais, professores, artistas e integrantes de grande parte do Poder Judiciário.
O combate à corrupção é (quase) uma farsa.
Depressão, ressentimento, medo e vingança serão os afetos que definirão 2019.
Publicado originalmente na Folha em 18/12/2017