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TREM BALA: UMA TOLICE QUE VIROU EMPRESA ESTATAL


Percival Puggina

 Pensar tolices é um exercício de liberdade. Cada um tem as suas, mas cuida para não as expor em público. Com o trem bala foi diferente. A ideia tem todas as características de uma tolice e é. No entanto, foi levada a público com espocar de foguetes e discursos políticos em 13 de julho de 2010, no último ano do governo Lula. Na cerimônia em que anunciou a assinatura dos termos do processo de concessão para construção do trem bala entre Rio e São Paulo, Lula aproveitou o momento, num ano eleitoral, para dizer em impagável português lulista:

“A verdade é o seguinte, não posso deixar de dizer aqui de que nós devemos o sucesso disso tudo que estamos comemorando aqui a uma mulher. Na verdade, não poderia falar o nome dela por conta da campanha eleitoral [Dilma era candidata a presidente], mas a história a gente não pode esconder por conta da eleição. A verdade é que a companheira Dilma Rousseff assumiu a responsabilidade de fazer esse TAV [trem de alta velocidade]. 

Então, essa específica tolice tem pai e mãe conhecidos. Foi pensado, anunciado, se transformou numa estatal que até hoje consome R$ 70 milhões/ano quase integralmente em salários de funcionários. Quando foi aberta a licitação para construção e concessão, nenhum maluco se apresentou para comprar o pacote pelo simples motivo de que a obra é tecnicamente impraticável e, ainda que o fosse, seria financeiramente inviável. Com a criação da estatal, então, o trem bala virou uma tolice na segunda potência, tornando-se a empresa uma nova decisão sem qualquer sentido. Fazer um trem bala subir 720 metros?

Pois bem, essa tolice que virou empresa vai ser, enfim, extinta pelo governo Bolsonaro. Mas não pode ser apagada da memória. É preciso registrá-la na consciência nacional, como forma de prevenir futuros acolhimentos a tolices que viram discurso, ganham solenidade, ajudam a ganhar eleição e acabam só torrando recursos da população. Quantas das 12 mil obras paradas no Brasil têm a ver com isso?