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 PROCURADOR DE JUSTIÇA COMENTA HOMICÍDIOS PRATICADOS POR MORADOR DE RUA NO RIO DE JANEIRO


Marcelo Rocha Monteiro

 

Um criminoso drogado esfaqueia um engenheiro que estava dentro de seu carro, parado no sinal.

Ferido, o rapaz sai do carro, e o criminoso continua a esfaqueá-lo, em plena via pública.

Sua noiva, desesperada, tenta socorrê-lo. Ela também é esfaqueada.

Um personal trainer para seu carro e vai socorrer o engenheiro,que já está caído na rua. O criminoso mata o personal trainer. O engenheiro não resiste e morre também.

O mais assustador nessa tragédia é que tudo tenha se passado DIANTE DOS OLHOS DE POLICIAIS, que pelas razões que todos sabemos hesitaram em atirar no criminoso.

Só o fazem quando ele já causou duas mortes e deixou vários feridos - leiam a matéria e perceberão quanto tempo isso tudo demorou. E ainda assim atiram nas pernas - tiro mais difícil de acertar do que na região dorsal, tanto que acabam ferindo outras pessoas.

Se tivessem atirado logo, e de forma mais efetiva, teriam evitado pelo menos uma das duas mortes, e não haveria tantos feridos. Por outro lado, o criminoso provavelmente teria morrido. E aí...

“Policial mata morador de rua” - seria provavelmente a manchete de hoje.
“ONGs de Direitos Humanos exigem punição para o policial” - seria o subtítulo.
“PSOL denuncia polícia do Rio de Janeiro na ONU”, diria outra manchete.

Esse não é o primeiro caso (e receio que não será o último) em que policiais brasileiros hesitam em atirar com medo de serem processados.

Dar a eles maior segurança jurídica, como pretende o projeto anticrime do ministro Sérgio Moro, não é uma medida que ajuda apenas os policiais.

É uma medida que ajuda a salvar vidas.

Se a escolha é entre preservar a vida do criminoso armado e salvar as vidas das vítimas inocentes, não pode haver hesitação na hora de apertar o gatilho.

Em tempo: a matéria de O Globo chama a situação de “abandono do drama dos moradores de rua”. Pelo amor de Deus...
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*O autor é Procurador de Justiça no MP/RJ