Dagoberto Lima Godoy
A nota de entidades do sistema financeiro em apoio à indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal é mais do que um episódio político. É um símbolo. Não se discute aqui a biografia do indicado, nem se pretende negar a qualquer setor da sociedade o direito de manifestar opinião sobre tema institucional relevante. O ponto é outro: quando corporações econômicas se mobilizam ostensivamente para influir na composição da Corte Suprema, fica exposta uma doença mais profunda da vida nacional — a substituição do interesse público por cálculos de conveniência setorial.
O Supremo não é uma agência reguladora do mercado, nem um departamento jurídico do governo, nem um balcão de garantias para grupos organizados. É, ou deveria ser, a última trincheira da Constituição. Por isso, a escolha de seus ministros deveria ser cercada de sobriedade, escrutínio moral, independência e distância prudente de interesses corporativos. Quando setores poderosos se apressam em declarar apoio a este ou àquele nome, a pergunta inevitável é: apoiam por convicção republicana ou por expectativa de segurança, acesso e previsibilidade favorável?
O episódio é emblemático porque revela algo que vai além do sistema financeiro. O Brasil vive uma progressiva desagregação do espírito coletivo. Cada grupo parece defender apenas o seu pedaço: corporações, partidos, bancadas, sindicatos, empresas, tribunais, carreiras de Estado, movimentos organizados. A nação, como ideia superior capaz de limitar apetites particulares, vai desaparecendo do horizonte. O interesse nacional se dissolve na soma de interesses privados em conflito ou em acomodação.
O Congresso Nacional, salvo exceções honrosas, reflete essa decomposição. A política deixou de ser predominantemente debate sobre o destino do país para tornar-se negociação permanente de vantagens, cargos, verbas, blindagens e sobrevivências eleitorais. A representação popular, que deveria elevar os interesses dispersos da sociedade a uma visão de conjunto, frequentemente os rebaixa a mercado de trocas. O parlamentar não se sente mandatário da República, mas operador de sua base, de seu grupo, de seu fundo eleitoral, de seu espaço de poder.
No Judiciário, a situação é igualmente preocupante. A simples multiplicação de controvérsias envolvendo ministros, familiares, relações econômicas, decisões monocráticas de enorme impacto e proximidades impróprias com agentes políticos e empresariais corrói a confiança pública. Uma Corte Suprema precisa não apenas ser honesta; precisa parecer institucionalmente distante, contida e impessoal. Quando passa a ocupar o centro da política, a falar demais, decidir demais e justificar-se de menos, perde a majestade moral que sustenta sua autoridade.
O que se vê, portanto, não é apenas crise de governo. É crise de caráter público. O Brasil sofre de um esfacelamento moral que não se resolve com um salvador, uma eleição, uma decisão judicial ou uma reforma isolada. O problema está no enfraquecimento da ideia de limite: limite ao poder econômico, ao voluntarismo judicial, ao fisiologismo parlamentar, ao uso partidário das instituições e também ao cinismo social de quem condena a corrupção alheia, mas aceita pequenos privilégios quando lhe convêm.
Como sair disso?
A decadência começa quando cada um pergunta apenas: “o que ganho com isso?”. A reconstrução começará quando voltarmos a perguntar: “que país estamos deixando depois de nós?”. Sem espírito público, não há Constituição que resista, Supremo que se respeite, Congresso que represente ou economia que sirva à nação. Há apenas interesses organizados disputando os restos de uma nação que esqueceu de ser comunidade.
* O autor, Dagoberto Lima Godoy, é engenheiro civil
Sílvio Lopes
Dentre as escolas filosóficas, sou admirador da Escolástica e de seu mais eminente representante, São Thomas de Aquino. Essa escola buscou, durante a Idade Média, associar a razão aristotélica e platônica com a fé, no sentido absoluto de sintonizar o contato direto com a verdade.
E conseguiu, magistralmente, descortinar um novo horizonte no rol da sabedoria humana e seus desafios, justo num momento em que a civilização(atormentada), pressente o limiar de uma nova era em sua trajetória por este planeta. Esse tempo, afinal, parece ter chegado. Prá valer!
Observando bem, os alicerces em que se assenta a sociedade deste novo século estão "contaminados" pela desídia do espírito humano no espantoso desinteresse pelas coisas de valor espiritual e ético. A ciência, o conforto e o sentimento de poder terreno parecem ter "materizalizado" o homem. Daí a tragédia humana sendo exposta prá todo lado...O que concretamente percebemos é o " cordial" convívio, entre nós, de verdadeiros rasgos de virtudes, ante vilanias criminosas...
Vivemos, nos dias atuais, a busca desenfreada por conhecimento. Rompemos limites espaciais em busca da verdade, de uma paz e de um sentido para a vida que parecem cada dia mais distantes. Mas ignoramos que a resposta prá tudo isso que nos apavora, causa aflição e angústia, está na exploração do que trazemos dentro de nossa alma. Ao alcance, portanto, de todos nós. De cada um, em particular.
A desespiritualização da sociedade abriu espaços hoje ocupados por terapias ineficazes que ignoram o "espírito humano" e assim acabam redundando em frustração e desencanto para milhões de seres decretados ,"enfermos permanentes" e pela vida toda condenados a se tornarem sócios da indústria farmacêutica... Uma tragédia anunciada!
Como dizia Werner Von Braum, destacado cientista da NASA: "Creio, firmemente, que nosso presente e futuro está muito mais dependente de nossa busca pelo espiritual, do que nossa aposta, puramente, na ciência".
Talvez um dia nos convençamos dessa verdade, e, então, estejamos preparados para dias mais gloriosos e felizes na terra. Porém, é preciso lembrar que " o homem é o enigma do homem". Isso, por si só, explica muitos dos paradoxos com que a humanidade vem se defrontando. Desde o seu começo.
* O autor, Silvio Lopes, é jornalista, economista e palestrante
Gilberto Simões Pires
DÉFICIT FISCAL MONSTRUOSO
Ainda que a -REPROVAÇÃO DE JORGE MESSIAS, indicado pelo presidente Lula para ocupar a vaga de ministro do STF, continue repercutindo por todos os cantos do nosso empobrecido Brasil como o -FATO DE MAIOR RELEVÂNCIA-, um outro GRAVE PROBLEMA -CRIADO E CULTIVADO- pelo GOVERNO LULA PETISTA, que exige atenção redobrada é o MONSTRUOSO E SEMPRE CRESCENTE -DÉFICIT FISCAL-.
O MAIOR DÉFICIT DA HISTÓRIA
Pois, para desespero geral daqueles que têm um pingo de discernimento, segundo estimativa de agentes do mercado financeiro, publicada hoje, no site PODER 360, que não raro aplaude PROPOSTAS E DECISÕES DO GOVERNO LULA, -O 3º MANDATO DO PRESIDENTE PETISTA terá o MAIOR DÉFICIT NOMINAL MÉDIO DA HISTÓRIA DO PAÍS. O ASSUSTADOR ROMBO PROJETADO NAS CONTAS DO SETOR PÚBLICO CONSOLIDADO JÁ CHEGA A INCRÍVEIS 8,54% DO PIB. Detalhe: o recorde anterior foi registrado durante os governos de DILMA PETISTA e MICHEL TEMER, quando atingiu 8,48% do PIB. Que tal?
ESTATÍSTICAS FISCAIS
Segundo o relatório -ESTATÍSTICAS FISCAIS-, divulgado hoje, 30/04, pelo BANCO CENTRAL, em MARÇO DE 2026 o SETOR PÚBLICO CONSOLIDADO -formado por União, Estados, municípios e estatais- foi deficitário em R$ 80,7 BILHÕES. Trata-se do MAIOR DÉFICIT PARA O MÊS DESDE O INÍCIO DA SÉRIE HISTÓRICA, EM 2002. Mais: no mesmo período o -DÉFICIT PRIMÁRIO- que exclui os GASTOS COM JUROS DA DÍVIDA DO SETOR PÚBLICO, foi de R$ 137,1 BILHÕES. Detalhe: a DESPESA DO SETOR PÚBLICO CONSOLIDADO, que só LULA afirma que se trata de -INVESTIMENTO-, SERÁ RECORDE NESTE 3º GOVERNO PETISTA. Com isso, o GASTO MÉDIO, para quem não sabe ou não acompanha, será de 7,64% do PIB.
VINGANÇA
Como se percebe, nem mesmo a importante REJEIÇÃO DE JORGE MESSIAS imposta ontem pelo Plenário do Senado, por acachapantes 42 votos contra 34, ganha muito espaço para ser festejada. Até porque QUANDO DERROTADO, LULA PARTE PARA NOVAS VINGANÇAS, QUE NÃO RARO SE TRADUZEM EM NOVOS IMPOSTOS, CORRUPÇÃO E GASTOS AINDA MAIS ABSURDOS...
Claudio Apolinario
No Brasil, nem todos são iguais perante a lei.
Existe uma regra no Brasil que a maioria dos cidadãos desconhece e que, quando descobre, não acredita.
São aproximadamente 55 mil pessoas — políticos, juízes, procuradores, governadores, prefeitos e uma lista extensa de outros cargos — que no Brasil não são julgadas como todo mundo. Elas têm direito ao chamado foro por prerrogativa de função. Na prática, isso significa que, quando um detentor desse privilégio é acusado de um crime, o processo não vai para o juiz de primeira instância. Vai direto para um tribunal superior, onde a fila é longa, o ritmo é lento e a prescrição — o prazo legal que extingue o crime pelo simples passar do tempo — é uma saída sempre disponível.
Uma pesquisa da FGV Direito Rio analisou 404 ações penais que entraram no STF entre 2011 e 2016. Apenas 0,74% resultou em condenação.
Menos de 1%.
Para entender o peso desse número, vale a comparação. Segundo o Conselho Nacional de Justiça, um processo criminal em primeira instância, onde o cidadão comum é julgado, demora em média dois anos e sete meses até a sentença. Nos tribunais superiores, onde os detentores de foro privilegiado são julgados, esse processo pode se arrastar por cinco, dez, vinte anos. A FGV registrou casos que chegaram a 24 anos sem decisão definitiva. Em pelo menos um deles, o crime prescreveu antes do julgamento.
Isso não é falha do sistema. É o sistema funcionando exatamente como foi desenhado.
O argumento oficial para justificar esse mecanismo é que autoridades precisam ser protegidas de perseguições políticas em instâncias inferiores. É uma justificativa que faz algum sentido quando aplicada a um número pequeno de cargos, em situações específicas. O problema é que, no Brasil, esse raciocínio foi ampliado até o limite do absurdo. Cinquenta e cinco mil pessoas com foro especial não é proteção institucional. É uma estrutura de blindagem. É, na prática, uma casta.
E essa blindagem não protege o cargo. Protege quem está no cargo.
Tem uma expressão que circula nos bastidores da política com naturalidade assustadora: "calma, isso prescreve". Não como preocupação. Como plano.
O mandato não é só uma função para quem aprendeu a usar o sistema. É uma apólice de seguro. Enquanto o político está eleito, os processos correm devagar. Quando o mandato acaba, ele se reelege e o relógio da prescrição continua enquanto os tribunais debatem competência.
Existe um nome técnico para o que acontece quando um crime prescreve por falta de julgamento: extinção da punibilidade. Na prática, significa que o Estado abre mão de punir. Não porque o acusado seja inocente. Porque o tempo passou.
E quem controla o tempo, nesse sistema, é quem tem foro.
O cidadão comum que comete um crime é julgado rapidamente. O empresário sem conexões políticas que frauda o fisco vai para a cadeia. Mas o detentor de mandato que desvia recurso público conta com uma arquitetura jurídica que transforma a morosidade em estratégia de defesa.
Isso não é um problema de esquerda ou de direita. É um problema de república.
Uma democracia funciona quando as mesmas regras valem para todos. Quando a lei tem pesos diferentes dependendo de quem ela pesa, o que temos não é Estado de Direito. É Estado de Privilégio.
A solução não é simples, mas o princípio é. Nenhuma democracia madura no mundo construiu um sistema parecido com o nosso. Na Itália, o foro privilegiado existe apenas para o Presidente da República. Em Portugal, exige-se apenas autorização legislativa para o processo. Nos Estados Unidos, a Suprema Corte julga em média 80 casos por ano — não 55 mil autoridades com acesso garantido ao tribunal mais alto do país.
O Brasil é uma anomalia global — e não por orgulho.
Mudar isso exige pressão de quem vota. Porque quem se beneficia do sistema raramente tem interesse em reformá-lo. Há propostas de emenda constitucional tramitando há mais de uma década no Congresso para reduzir o foro privilegiado a poucos cargos. Elas avançam quando a opinião pública pressiona e param quando o assunto sai das manchetes.
O eleitor que não cobra financia, com seus impostos, a impunidade de quem deveria representá-lo.
A casta dos intocáveis continuará intocável — enquanto ninguém cobrar.
* O autor, Claudio Apolinario, é articulista e analista político.
Gilberto Simões Pires
CHOVER NO MOLHADO
Dizer que o governo Lula é INSUPERÁVEL NA ARTE DE PRODUZIR -DÉFICITS PÚBLICOS E ROMBOS NAS EMPRESAS ESTATAIS, é algo pra lá de comum, ou, em jargão bem popular, é como CHOVER NO MOLHADO. A rigor, a impressão que se tem, de longa data, pelo efeito REPETIÇÃO, é que RESULTADOS NEGATIVOS, FRUTOS DE OPERAÇÕES CRIMINOSAS OU NÃO SÃO PROJETADOS E DEFINIDOS ATRAVÉS DE UMA RÍGIDA GESTÃO VOLTADA AO UM RÍGIDO -CUMPRIMENTO DE METAS-.
LÓGICA PERDULÁRIA PETISTA
Dentro desta LÓGICA PERDULÁRIA PETISTA, NÃO RARO EIVADA DE ATOS CRIMINOSOS, ontem, sem causar mínima surpresa o governo LULA anunciou que a estatal -CORREIOS- fechou 2025 com um ROMBO DE 8,5 BILHÕES. Além de TRIPLICAR O ROMBO, a ESTATAL JÁ ACUMULA 14 TRIMESTRES SEGUIDOS DE PREJUÍZOS MONUMENTAIS, ou QUATRO ANOS SEGUIDOS PRODUZINDO MUITO MAIS -ROMBOS- DO QUE SERVIÇOS PRESTADOS.
PROMOÇÃO POR CONTA DE RESULTADOS
Mais do que sabido e comprovado, em matéria de ROMBOS, LULA E SUA ENORME EQUIPE DE EXÍMIOS PERDULÁRIOS JAMAIS DECEPCIONARAM. TODOS, SEM EXCEÇÃO VEM CUMPRINDO -COM FOLGA- A -META DE RESULTADOS NEGATIVOS-. A rigor, dentro do que manda e recepciona a LÓGICA PERDULÁRIA PETISTA, a considerar que o ROMBO dos CORREIOS FOI BEM MAIOR DO QUE O ESPERADO o presidente dos CORREIOS reúne sobradas condições para ser promovido a MINISTRO DA FAZENDA. Com ele no comando, até o final de 2026 o ROMBO NAS CONTAS PÚBLICAS PODE QUINTUPLICAR; e a DÍVIDA PÚBLICA BATER em 200% DO PIB. Que tal?
Silvio Lopes
Somos todos privilegiados, digamos assim, nós que hoje respiramos e vivemos, seja em que condições forem. O fato é que nunca, na história da Humanidade, tantas gerações conviveram concomitantemente. E com uma peculiaridade: cada geração carregando a moldagem definida em contextos históricos em nada semelhantes. Uma autêntica salada geracional...
Senão vejamos: coexistem atualmente, bem identificadas e ativas, a geração silenciosa(nascidos entre 1928 e 1945), caracterizada pelo foco na segurança, na moderação consumista e na resiliência; segue-se a baby boomer(1946 a 1964), moldada pelo alto índice de natalidade e postura otimista da vida; a geração X(1965 a 1980), assentada na independência, no pragmatismo e equilíbrio entre deveres(trabalho) e recreação(vida social).
Já a geração Y, ou millennials(1981 a 1996), engloba os nativos da tecnologia digital, enquanto a geração Z(1997 a 2012), é marcada profundamente pela internet- também conhecida como centenial, por pontuar na virada de século. As outras demais gerações, a Alfa(2010 a 2024) e a Beta, a partir daí, estão moldadas pela imersão em telas e conectividade total, e na Inteligência Artificial, caso especial da geração Beta.
Impossível o convívio sem conflitos diante desse quadro. O choque geracional era inevitável. A partir da geração Y(millennials), deu-se uma bem identificada e clara ruptura cultural. Emergiu daí, a constatação do papel transcedental da geração X na solidez estrutural por ela criada e sustentada até os dias de hoje. É a geração X a que sustenta os pais idosos e, não raro, dá suporte a filhos e netos, inclusive financeiro e de acolhimento pessoal.
Que o exemplo de independência, responsabilidade, amor ao trabalho e à vida dado pela geração X não seja ignorado pelas novas gerações em seus próprios desafios de levar avante a Humanidade por um caminho de paz, solidez ética e moral, e prosperidade.
* O autor, Sílvio Lopes, é jornalista, economista e palestrante.