• Jordani Maciel
  • 05 Agosto 2026

 

Jordani Maciel

             Quando falamos sobre dinheiro, normalmente pensamos em uma nota de papel ou no saldo disponível em uma conta bancária. Porém, o verdadeiro valor do dinheiro vai muito além de um número. Ele está no poder de compra, na confiança que uma moeda transmite e na capacidade de pessoas, empresas e investidores planejarem o futuro.

Em 1994, o Brasil iniciou uma das maiores transformações econômicas de sua história com a implantação do Plano Real. Um país marcado por décadas de hiperinflação passou a conviver com algo essencial para qualquer sociedade que deseja crescer: previsibilidade.

Mais de três décadas depois, uma reflexão continua necessária: o que antes representava R$ 100,00 no início do Plano Real possui hoje um poder de compra equivalente a R$ 12,33. Para dimensionar essa corrosão na base da sociedade, basta olhar para o Salário Mínimo em 1994. Convertido para a nova moeda representava pouco mais de R$ 60,00, enquanto atualmente supera R$ 1.600,00 em valor nominal.

Entretanto, o crescimento do número estampado no contracheque não significa, necessariamente, aumento proporcional do poder de compra. Essa diferença revela uma realidade que muitas vezes passa despercebida: a inflação reduz silenciosamente o valor do dinheiro, dificulta o planejamento e influencia diretamente as decisões das famílias, das empresas e dos investidores.

Essa perda de valor do dinheiro pode ser analisada sob dois aspectos:

a) O impacto sobre o poder de compra: a inflação reduz a quantidade de bens e serviços que uma determinada quantia consegue adquirir ao longo do tempo. A nota continua tendo o mesmo valor nominal, mas sua capacidade econômica real despenca.

b) O impacto sobre o planejamento: quando famílias, empresas e investidores perdem a previsibilidade econômica, tomar decisões de longo prazo torna-se um exercício de alto risco. Investimentos, contratações e expansão de negócios passam a ser travados pela incerteza.

O Plano Real foi responsável por controlar a hiperinflação e recuperar a confiança na moeda brasileira. Entretanto, preservar o valor do dinheiro continua sendo um desafio constante. A estabilidade econômica não é uma conquista definitiva; ela depende de responsabilidade fiscal, segurança jurídica, respeito às instituições e de um ambiente capaz de gerar confiança.

A inflação não aparece apenas nos indicadores econômicos. Ela está no supermercado, no custo de vida, nos investimentos, nos salários e nas decisões tomadas diariamente por quem produz. Funciona como um imposto silencioso, corroendo o poder de compra e reduzindo a capacidade de as  famílias e empresas planejarem o futuro.

Para quem empreende, cada aumento de custo representa uma escolha difícil: absorver perdas, repassar reajustes ao consumidor ou buscar ganhos de produtividade para manter a competitividade. Em ambientes de incerteza, investir deixa de ser apenas uma oportunidade e passa a representar um risco maior.

Nas últimas décadas, consolidou-se a ideia de que um Estado cada vez mais presente seria capaz de organizar melhor a atividade econômica. Contudo, a experiência prática e os números revelam o oposto: com uma média de crescimento anual do PIB brasileiro travada em torno de modestos 2% a 2,4% ao longo dos anos, e uma carga tributária que ultrapassa 33% da riqueza nacional, o excesso de intervenção, a burocracia excessiva e a insegurança regulatória produzem efeitos contrários aos desejados. Em vez de desenvolvimento, limitam a inovação, reduzem os investimentos produtivos e aumentam os custos de quem gera riqueza e empregos.

O desafio de uma sociedade moderna não está em escolher entre Estado ou mercado, mas em encontrar o equilíbrio adequado. O Estado possui um papel fundamental na criação de regras claras, na garantia da segurança jurídica e na construção de um ambiente estável. Porém, quando ultrapassa esses limites e passa a substituir a iniciativa das pessoas e das empresas, pode reduzir a capacidade de inovação e crescimento.

É nesse contexto que a liberdade econômica se apresenta como um contraponto necessário. Não por defender a ausência do Estado, mas por reconhecer que o desenvolvimento depende de previsibilidade, confiança e liberdade para empreender. Um ambiente econômico saudável permite que pessoas e empresas assumam riscos, invistam, inovem e criem oportunidades.

A Lei da Liberdade Econômica representa essa mudança de perspectiva. Mais do que simplificar procedimentos, ela reforça a ideia de que o Estado deve atuar como garantidor das regras do jogo, oferecendo segurança para quem deseja produzir, investir e gerar empregos. Reduzir burocracias desnecessárias e fortalecer a livre iniciativa significa ampliar as condições para o crescimento sustentável.

Empresas não existem apenas para gerar resultados financeiros. Elas movimentam a economia, criam empregos, desenvolvem comunidades e transformam realidades. Para cumprir esse papel, precisam de previsibilidade, confiança e liberdade para produzir.

No fim, o valor do dinheiro representa muito mais do que uma questão econômica. Representa a confiança de uma sociedade em seu próprio futuro. E confiança não nasce do excesso de controle, mas da combinação entre estabilidade, responsabilidade e liberdade.

Quando esses pilares caminham juntos, quem prospera não são apenas as empresas, mas toda a sociedade.

*              O autor, Jordani Maciel, é Administrador, ex-diretor de Desenvolvimento Econômico e Habitação e relator da Lei da Liberdade Econômica de Glorinha/RS.

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  • Gilberto Simões Pires, em Ponto Crítico
  • 03 Agosto 2026

 

Gilberto Simões Pires     

 

ESTÃO CRIMINOSA DA PANDEMIA

Na semana passada, o senador americano Ted Cruz, em entrevista que concedeu à Fox News Digital, ACUSOU o ex-principal assessor da Casa Branca para assuntos ligados à COVID-19, ANTONIO FAUCI, de ter MENTIDO DELIBERADAMENTE em diversas ocasiões sobre assuntos relacionados à PANDEMIA. Ted Cruz concluiu reafirmando a urgente necessidade de que FAUCI responda CRIMINALMENTE por suas ações, em um momento em que as discussões sobre a GESTÃO DA PANDEMIA E SUAS GRAVES CONSEQUÊNCIAS PERMANECEM EM PAUTA NA SOCIEDADE AMERICANA.

NEGACIONISTAS

Pois, nessa mesma toada de URGENTE -BUSCA DA JUSTIÇA-, FAZ-SE NECESSÁRIO QUE TODOS OS VEÍCULOS DE COMUNICAÇÃO DO BRASIL QUE INTEGRARAM O CRIMINOSO -CONSÓRCIO GENOCIDA-, criado em junho de 2020 pelo G1, O Globo, Extra, O Estado de S. Paulo, Folha de S.Paulo e UOL, assim como seus CRIMINOSOS ÂNCORAS, REPÓRTERES E COMENTARISTAS -SEJAM EXEMPLARMENTE RESPONSABILIZADOS PELO FATO DE TEREM -MARCADO NA PALETA- DAQUELES QUE OUSASSEM SE MANIFESTAR CONTRÁRIOS ÀS VACINAS (na real não passavam de meros EXPERIMENTOS)- o  RÓTULO DE -NEGACIONISTAS-.

CALAR E INCRIMINAR

Como, por diversas vezes também fui alvo dos SAFADOS, que agiam com o DUPLO PROPÓSITO DE -CALAR e INCRIMINAR- quem exigia apenas e tão somente 1- o USO DA LIBERDADE DE OPINIÃO; e 2 - o DIREITO DE NÃO QUERER RECEBER A VACINA; MAIS DEVO ME ESFORÇAR NO SENTIDO DE QUE TODOS OS CRIMINOSOS, e não apenas o bandido -ANTONIO FAUCI- PAGUEM PELO QUE FIZERAM, AFIRMARAM E CONDENARAM. 

QUESTIONAMENTO QUE SE FAZ NECESSÁRIO

Aliás, como bem questiona o jornalista Eugênio Esber, no seu artigo -A CAIXA-PRETA DA PANDEMIA- publicado na ZH de ontem, 02, 

1- POR QUE O MUNDO PERDEU TANTAS VIDAS NA PANDEMIA?

2- POR QUE TANTOS EMPREGOS E TANTOS NEGÓCIOS FORAM DESTRUÍDOS?

3- POR QUE TANTAS FAMÍLIAS FORAM TRANCAFIADAS EM CASA, SOB A MIRA DA POLÍCIA (e dos repórteres)?

4- QUAL A EFICÁCIA DAQUELAS MÁSCARAS?

5- POR QUE FECHAR ESCOLAS INDEFINIDAMENTE E CONFINAR CRIANÇAS E AVÓS?

6- POR QUE DETERMINAR O CANCELAMENTO DE CIRURGIAS E CONSULTAS?

7- POR QUE IMPOR UMA VACINA DESENVOLVIDA SEM A CONCLUSÃO DOS TESTES NECESSÁRIOS? 

8- POR QUE COLOCAR UM ALVO NAS COSTAS DE TODOS AQUELES QUE TINHAM ALGUM RECEIO EM SE VACINAR?

9- POR QUE PERSEGUIR GENTE DO POVO COM A AMEAÇA DE DEMISSÃO DO EMPREGO OU PROCESSO JUDICIAL OU ATÉ A PERDA DA GUARDA DOS FILHOS PELO CRIME DE TER DÚVIDAS?

10- E MÉDICOS, POR QUE PROIBI-LOS DE PRESCREVER TRATAMENTOS À BASE DE DROGAS REPOSICIONADAS, AINDA QUE ESTIVESSEM LASTREADOS EM EVIDÊNCIAS TEÓRICAS E EMPÍRICAS?

11- POR QUE TRATAR UM PACIENTE DEIXOU DE SER OBRIGAÇÃO E SE CONVERTEU EM CRIME? 

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  • Francisco Carneiro Júnior
  • 31 Julho 2026

 

Francisco Carneiro Junior

“O socialismo nunca defendeu o povo — defendeu o Estado contra o povo, e destruiu, no caminho, a menor minoria que existe sobre a Terra: o indivíduo”. Ayn Rand

             Enquanto Brasília sonha com outubro, o Brasil sangra em silêncio.

O projeto que hoje ocupa Brasília não é um projeto de governo. É um projeto eleitoral disfarçado de governo. Não existe plano de nação ali dentro — existe cronograma de campanha. E a diferença entre as duas coisas é medida em vidas, em contas de luz, em presídios que viraram sede social do crime, em fronteiras que ninguém fecha. O horizonte deles é outubro de 2026. O horizonte do povo é o Brasil que sobra depois. Sacrifica-se o presente do brasileiro para financiar o futuro do partido — e a fatura, gigantesca, cairá sobre a mesa de cada família em 2027, quando o circo já tiver ido embora e restar só a lona rasgada.Olhe ao redor. Segurança pública, defesa nacional, infraestrutura, o interior esquecido, o cotidiano exaurido — em cada uma dessas frentes a sensação é uma só, monocórdica, obsessiva: abandono. Não é impressão. É método.

Comecemos pelo bolso, que é onde a ideologia perde a poesia e vira aritmética. Você paga luz, combustível, internet, plano de saúde, transporte, água — e nunca votou em quem decide, de fato, quanto você vai pagar por cada um desses itens. O Brasil mantém onze agências reguladoras federais com poder de editar norma, autorizar, fiscalizar, multar, interferir. Um poder imenso, quase invisível, que não passa pela urna e raramente passa pela imprensa. O problema não é a regulação em si — regular é função legítima do Estado moderno. O problema é quando a regulação deixa de prestar contas a alguém e passa a prestar favor a algum setor. Isso tem nome técnico: captura regulatória. E captura regulatória, meus caros, é apenas uma forma elegante de dizer que o Estado trocou de dono sem avisar o eleitor.

Agora olhe a fronteira, porque é lá que a ficção do “Brasil que funciona” se desfaz com mais violência. O país deixou de ser rota do narcotráfico internacional para se tornar base dele. O Tren de Aragua fornece armamento. O Comando Vermelho articula redes que atravessam continentes. O PCC se expande como uma corporação transnacional — porque é exatamente isso que ele é: uma corporação transnacional do crime, com filial, com logística, com departamento financeiro. E enquanto isso acontece, a cúpula da Polícia Federal chama de “equívoco técnico” a decisão de potências estrangeiras de tratar essas facções como organizações terroristas. Chamam de equívoco o que deveria ser chamado de diagnóstico tardio. O governo, em vez de agradecer a cooperação, veste a beca da soberania ferida — como se soberania fosse o direito de deixar o crime crescer sem interferência alheia, e não o dever de protegê-la com as próprias mãos, antes que outros precisem fazê-lo por nós.

A solução, aliás, nunca foi complicada — só foi, sistematicamente, evitada. Fronteira protegida. Dinheiro bloqueado. Bens confiscados. Lideranças isoladas em regime que impeça o comando de dentro da cela. Facções tratadas como o que são: ameaça à soberania nacional, não como problema de assistência social mal resolvido. Ou o Brasil enfrenta o narcoestado que se instala célula por célula, ou aceita ser playground do crime organizado — e nações não escolhem entre essas duas coisas por acaso; escolhem por covardia ou por coragem, e a covardia, infelizmente, também é política pública.

E é dentro do próprio sistema prisional que se vê o retrato mais cru do abandono. Quando o Estado perde o controle dos presídios, ele não perde um detalhe administrativo — perde a soberania sobre o próprio território, célula por célula, ala por ala. É nesse vácuo, morno e silencioso, que as facções recrutam, se organizam, se profissionalizam. Cada preso não ressocializado é um funcionário em potencial da maior multinacional do crime que o Brasil já produziu.

E é nesse cenário que ouvimos uma vereadora — Karen Santos, do PSOL — descrever traficantes como “trabalhadores megaexplorados” e defender a legalização das drogas como política de combate ao próprio tráfico. Segundo ela, a droga seria “uma mercadoria como qualquer outra”. Vejam a inversão: quem morre soterrado pela guerra das facções vira estatística; quem comanda o tráfico vira proletário oprimido. É a compaixão apontada para o lado errado da arma. E o pior: dita com a solenidade de quem acredita estar do lado certo da história — o que nos leva a um fenômeno mais profundo do que qualquer discurso isolado de plenário.

Porque existe uma engrenagem, quase invisível, que rege a política digital contemporânea, e que explica por que discursos como esse não desaparecem — eles se multiplicam. A internet não premia necessariamente quem está certo. Premia quem consegue fazer o adversário reagir. Há uma lei informal da internet que descreve exatamente isso: a forma mais eficiente de dominar uma conversa não é fazer a pergunta mais inteligente — é lançar a provocação mais irritante, aquela que ninguém consegue deixar sem resposta. O erro vira isca. A indignação vira combustível. E jornalistas, adversários, influenciadores, militantes de boa-fé começam, sem perceber, a trabalhar de graça espalhando exatamente aquilo que gostariam de destruir. Some a isso outro princípio, batizado em homenagem a um escritor italiano: a quantidade de energia necessária para desmentir uma mentira é ordens de grandeza maior do que a energia necessária para produzi-la. E some ainda a advertência de um linguista americano: negar publicamente um enquadramento é, paradoxalmente, reforçá-lo na mente de quem ouve — porque a palavra repetida grava a moldura, mesmo quando pretende apagá-la. Três mecanismos, uma só conclusão: nem toda provocação merece palco, porque na guerra de narrativas quem “corrige” costuma sair convencido de que venceu o debate — enquanto quem provocou, na verdade, venceu a pauta.

E a hipocrisia, aqui, atinge sua forma mais pura. Em palanque na universidade, antes de discurso do próprio presidente da República, ouvimos a acusação de que as igrejas seriam “máfias”. Mas, chegada a eleição, os mesmos lábios que insultaram os templos pedirão, mansamente, o voto dos que neles rezam. Quando alguém chama a igreja de máfia, não está atacando um prédio de tijolo e telha — está atacando milhões de pessoas de fé que sustentam famílias, recuperam vidas destruídas pelo vício, alimentam quem o Estado esqueceu. Quem conhece o trabalho das igrejas nas periferias sabe que ali não há crime organizado: há oração, acolhimento, prato de comida quente, esperança reconstruída tijolo por tijolo. A fé do povo não pode ser transformada em inimigo ideológico por quem, depois, precisará dela nas urnas. Respeitar as igrejas não é favor — é reconhecer a liberdade religiosa e a dignidade elementar de quem crê.

Mas para entender por que tudo isso se encaixa como peças de um só quebra-cabeça, é preciso voltar a 1985, quando um ex-agente da KGB desertou para o Ocidente e revelou o método. Yuri Bezmenov não foi treinado para plantar bombas — foi treinado para plantar percepções. O trabalho dele não era espionagem no sentido clássico. Era reformular, lentamente, a maneira como uma população inteira enxerga a realidade, até que essa população perca a capacidade de distinguir o certo do errado. Ele batizou o processo de subversão ideológica. Eu batizo de Brasil contemporâneo.

A subversão não chega de tanque. Chega pela escola que ensina a obedecer em vez de pensar. Chega pela mídia que decide, por você, o que merece sua indignação hoje. Chega pela cultura que glorifica o Estado provedor e culpa o empresário pela pobreza que o próprio Estado, com sua carga tributária asfixiante, ajudou a produzir. Bezmenov descreveu quatro etapas, e cada uma delas tem endereço no Brasil de 2026. Desmoralização: corroer os valores que sustentam uma sociedade produtiva — família, mérito, propriedade. Ele considerava essa etapa concluída no Ocidente já em 1985; no Brasil, ela amadureceu tardiamente, mas amadureceu. Desestabilização: atacar a economia real, as relações exteriores, a capacidade de defesa — leis que encarecem produzir, impostos que sufocam quem gera emprego. Crise: o colapso que chega, com pontualidade quase matemática, quando a base produtiva de um país é sistematicamente destruída. Normalização: o momento em que o povo deixa de se indignar e passa a administrar o caos como se fosse clima — carga tributária alta? “é assim mesmo”. Empresa fechando? “culpa do empresário ganancioso”. E aqui mora a peça mais trágica do tabuleiro: os idiotas úteis. Não são vilões conscientes — são, em sua maioria, pessoas de boa-fé que propagam a narrativa da própria ruína por ingenuidade, por vaidade, por ganância de aplauso, sem perceber que ajudam a afundar o mesmo barco em que navegam.

E é preciso dizer, com honestidade que a militância raramente pratica: a esquerda moderna não é uma conspiração de cinismo. É pior — é um sistema de poder que se autolegitima através da própria linguagem moral. A maioria de seus operadores acredita genuinamente no que prega. E é exatamente por isso que o sistema é tão resistente: um regime que depende de conspiradores conscientes é frágil, porque conspiradores podem ser expostos, comprados, desmascarados. Um regime que convence seus próprios operadores de que estão praticando o bem é quase inexpugnável, porque não há traidor a delatar — há apenas fiéis convictos. Roger Scruton deu nome a esse impulso: oikofobia — o desprezo sistemático pelo que é seu, familiar, herdado, local. É um movimento psicológico que precede o político. Primeiro se aprende a sentir vergonha da própria origem; depois se aprende a reparar essa vergonha através da militância; a militância então se torna identidade; e a identidade se torna o bem supremo, blindado contra qualquer crítica. O resultado é uma classe que se sente moralmente superior precisamente por ter rompido com tudo que a precedeu — a família, a tradição, a fé, a nação. Quanto mais se rejeita o passado, mais virtuoso se é. Quanto mais se pertence a ele, mais culpado se torna. É um sistema fechado, meus caros: não há como vencer esse debate por dentro, porque o debate, ali, nunca foi sobre argumentos — é sobre pertencimento moral, e pertencimento moral não se discute, se professa.

Se o brasileiro real, no seu dia a dia, em seus valores, em sua fé, é majoritariamente conservador — e se os partidos que dizem falar em nome do povo são sistematicamente progressistas — a pergunta que ninguém quer responder se impõe sozinha: quem, afinal, representa quem? A resposta é desconfortável, mas é precisa: a esquerda brasileira nunca representou o povo. Representou a classe intelectual que se autoproclamou porta-voz dele. E essa distinção não é detalhe acadêmico — é o núcleo exato do problema. Quando Antonio Gramsci formulou o conceito de hegemonia cultural, ele não estava ensinando como convencer a maioria a mudar de opinião. Estava ensinando como tornar a opinião da maioria irrelevante, controlando as instituições que decidem o que conta como realidade. Escola. Universidade. Imprensa. Entretenimento. Quem domina essas quatro estruturas não precisa vencer eleição nenhuma para governar — governa antes mesmo de a urna ser aberta.

E o que é o aparelhamento senão a hegemonia cultural com CNPJ, com organograma, com folha de pagamento? Não é teoria. É prática administrativa. Educação, saúde, previdência, o Bolsa Família — tudo instrumento; nada é fim em si. Um pedaço das Forças Armadas, capturado pela lógica da acomodação. Um pedaço da Polícia Federal, capturado pela lógica do “equívoco técnico”. As autarquias, a ANEEL, a ANATEL, o alfabeto inteiro das siglas que ninguém elegeu — tudo isso não administra o Brasil: administra o desvio, a cooptação, a promoção contínua de um projeto único, que é a utopia centralizadora de Brasília. E a essa utopia é preciso, finalmente, dizer basta. Precisamos rever, reexaminar, reconquistar aquilo que é nosso — porque a verdade incômoda é esta: nós não defendemos coisa alguma que seja nossa.

Enquanto isso, observe o mundo lá fora: as outras nações defendem, com unhas e dentes, até aquilo que não lhes pertence. Recebem o que não é delas, e ficam com o que recebem. O Brasil, ao contrário, entrega o que é seu — e agradece pela oportunidade. Por que a exceção somos sempre nós? O sistema, note bem, já nasceu arranjado para isso: os fundos estão definidos, as autarquias estão desenhadas, os recursos escoam para onde a lei manda escoar, obrigatoriamente, independentemente de mérito, de resultado, de qualquer critério que não seja o critério político que criou a norma. Não é desvio informal — é rolo institucionalizado, com força de lei, blindado contra qualquer revisão.

E aqui está o erro estratégico mais grave de décadas de resistência conservadora: nós só sabemos nos levantar contra indivíduos. Contra o ministro, contra o petista da vez, contra o rosto que a televisão nos mostra. Mas nunca contra a instituição — a autarquia, o fundo, a estrutura burocrática permanente — que segue ali, entronizada, cooptada, orientada contra o próprio país, muito depois de o indivíduo ter caído em desgraça e sido substituído por outro igual. Combater o sintoma e poupar a doença é a receita exata da derrota eterna. É a instituição, e não apenas o nome que a ocupa hoje, que precisa ser revista, disputada, reconquistada — porque enquanto lutarmos apenas contra pessoas, o aparelho continuará de pé, esperando, paciente, o próximo ocupante.

A esquerda não chegou ao poder no Brasil por vitória eleitoral esmagadora nem por sedução ideológica da maioria silenciosa. Chegou por infiltração institucional — lenta, paciente, metódica, executada ao longo de gerações por intelectuais e militantes que compreenderam exatamente aquilo que os conservadores brasileiros insistiram, soberbamente, em ignorar: que o poder duradouro não está em quem vence a eleição de outubro, mas em quem forma os juízes, os professores, os jornalistas, os funcionários públicos de carreira que permanecem no cargo enquanto os governos passam. Os conservadores brasileiros falharam de maneira monumental em construir as alternativas institucionais que poderiam ter alterado esse equilíbrio décadas atrás. E aqui vai a advertência mais dura deste texto, porque advertência sem dureza é apenas lamento vestido de análise: criticar a hegemonia cultural da esquerda sem ter erguido nada comparável não é diagnóstico — é queixa. É o general que denuncia o exército inimigo sem jamais ter treinado o próprio batalhão.

E, no entanto — e é aqui que este texto se recusa a terminar em resignação, porque resignação é exatamente o produto final que a subversão ideológica pretende entregar — reverter esse quadro é questão de construção, não de lamentação. Escola por escola. Instituição por instituição. Uma geração disposta a ocupar o espaço que a anterior cedeu por comodismo.

O Brasil não está condenado ao regime de exceção regulatória, ao narcoestado tolerado, à normalização do caos como clima. Está, isso sim, diante da última hora em que a construção ainda é possível sem que o colapso a torne inevitável. Um Brasil que funciona não é utopia de gabinete nem imaginação de discurso de posse — é projeto que se constrói com as mãos, com instituição, com coragem de nomear o crime pelo nome certo e a fé pelo respeito que ela merece. Existe, ainda, um caminho de volta. A pergunta que resta — e que cada brasileiro terá que responder, sozinho, diante da própria consciência, antes de outubro de 2026 — é se ainda restará gente disposta a percorrê-lo antes que a conta, gigantesca e avassaladora, vença de vez.

Francisco Carneiro Júnior

*  Enviado ao site pelo autor, em 31/07/2026

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  • Alex Pipkin, PhD
  • 31 Julho 2026

 

Alex Pipkin, PhD

              Há poucos dias subi a um lugar muito alto. Instintivamente olhei para baixo. Meu corpo enrijeceu, as pernas balançaram e
senti aquela velha sensação de que a própria altura nos lembra de recuar. Quem estava comigo também olhou para baixo. Nenhum de nós conseguiu ignorar a altura.

Voltei para casa pensando que a natureza criou um mecanismo extraordinário. Quanto maior a altura, maior a cautela. A vertigem não existe para impedir que subamos. Existe para impedir que esqueçamos onde estamos.

Foi então que me ocorreu uma pergunta.

Por que esse mecanismo desativa justamente quando a altura deixa de ser física e passa a ser intelectual?

Já passei dos sessenta anos. Li milhares de páginas, lecionei por mais de trinta e cinco anos e continuo estudando todos os dias.

Se existe uma conclusão à qual todo esse tempo me conduziu, ela é quase um paradoxo.

O conhecimento não elimina a ignorância, apenas ilumina suas fronteiras. Cada resposta revela perguntas que antes sequer existiam. Aprender não é acumular certezas, mas ampliar, continuamente, a consciência daquilo que ainda desconhecemos.

Descobri também que estudar produz um efeito inesperado. Não nos transforma em proprietários da verdade. Apenas reduz nossa arrogância diante dela. Continuamos sem saber exatamente o que fazer em muitas situações, mas passamos a reconhecer, com muito mais clareza, aquilo que repetidamente não deveria ser feito. A maior utilidade do conhecimento não é eliminar a dúvida, mas impedir que deixemos de duvidar.

Talvez por isso as pessoas mais preparadas dificilmente são as sempre mais categóricas.

O curioso é que vivemos exatamente a época oposta.

Nunca foi tão fácil encontrar especialistas instantâneos. Pessoas que jamais estudaram geopolítica distribuem certezas sobre conflitos milenares. Quem nunca abriu um tratado de economia apresenta soluções definitivas para países inteiros. Jovens que mal começaram a viver falam da vida como quem já escreveu o último capítulo.

Quase ninguém demonstra a menor vertigem.

O conhecimento amplia o horizonte, e a inteligência nunca consistiu na ausência de dúvidas, mas na capacidade de conservar a vertigem diante daquilo que pensamos saber.

 

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  • Gilberto Simões Pires
  • 30 Julho 2026

 

Gilberto Simões Pires

ONDA DE INDIGNAÇÃO

Por mais que me esforce, confesso que por força da ONDA DE INDIGNAÇÃO que tomou conta de grande parte da sociedade brasileira contra as barbáries que são cometidas, com o sereno beneplácito das AUTORIDADES ESQUERDISTAS -eleitas e não eleitas-, do nosso empobrecido Brasil, é praticamente impossível ler, ouvir e assistir as centenas de milhares de mensagens que me são enviadas e/ou publicadas nas REDES SOCIAIS.

EDITORIAL DO ESTADÃO

Diante da avalanche interminável de NOTÍCIAS, COMENTÁRIOS E OPINIÕES INDIGNADAS, o que me resta é selecionar e compartilhar aquilo que me parece mais impactante. É o caso, por exemplo, do que está posto no Editorial do ESTADÃO do dia 26/7, que, para desespero de quem PAGA IMPOSTOS (elevadíssimos), e como tal sustenta os SERVIDORES PÚBLICOS DO NOSSO PAÍS, aponta INFILTRAÇÃO DO PCC NA CÚPULA DA POLÍCIA MILITAR DE SÃO PAULO.

A SOBERANA POLÍCIA MILITAR E OPERADORES FINANCEIROS

No editorial, o ESTADÃO, jornal que sempre se mostrou IDEOLOGICAMENTE IDENTIFICADO COM AS CAUSAS DA ESQUERDA, não aguentou e resolveu comentar sobre a Operação Janus, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo, que REVELOU SUSPEITAS (??) DE LIGAÇÃO ENTRE INTEGRANTES DO ALTO COMANDO DA -SOBERANA- POLÍCIA MILITAR PAULISTA E OPERADORES FINANCEIROS DO -PCC- PRIMEIRO COMANDO DA CAPITAL. A investigação aponta -possíveis- conexões envolvendo PAGAMENTOS DE PROPINAS E RELAÇÕES COM INTEGRANTES DA FACÇÃO E EXPÕE COMO O PCC LAVA DINHEIRO E RESOLVE SUA QUERELAS POR MEIO DOS CHAMADOS TRIBUNAIS DO CRIME.

O NOSSO PCC, SEGUNDO LULA

Mensagens obtidas pelas autoridades indicam que um dos membros do -NOSSO PCC-, como prefere o presidente LULA, buscava dinheiro “PARA PAGAR A POLÍCIA". Uma planilha típica do esquema de propina conhecido como TICKETAGEM registra pagamento a um coronel identificado como “Patrício”. Um grupo de WhatsApp intitulado “Aniversário General”, com diálogos entre o PCC e a cúpula da PM paulista, sugere um convívio indecente, para dizer o mínimo, entre criminosos e agentes supostamente a serviço da lei. Que tal? 

 

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  • Sérgio J. Kaminski
  • 29 Julho 2026

 

Sérgio J. Kaminski

 

Dias difíceis vivemos nós brasileiros ... Nem todos!

Um vírus, desde muito existente, alojado se encontra nos três poderes da nação brasileira, leia-se Legislativo, Executivo e Judiciário...Se alastra e contamina número maior daqueles que detém o poder adquirido pelo voto ou por nomeações generosas...

O mal cheiroso corporativismo dos "nossos políticos", aliado ao objetivo de reeleição duradoura e ampliação dos privilégios para si e os seus, nos trouxe aos dias tristes que compartilhamos com todo cidadão brasileiro...

Deseducação nas escolas, insegurança, desemprego, desassistência na saúde e caos jurídico em todas as instâncias.

A Praça dos Três Poderes é posse de "autoridades" que exalam o mau cheio da corrupção e desobediência ao galgar os degraus da legislação vigente (deficiente, confusa e inacabada...)

Inoculados com o vírus do "egoísmo corruptivo" acreditam que, vírus que também são, vítimas não serão em um horizonte que se avizinha, levando de roldão todos brasileiros ...

Cicatrizes profundas se avizinham num horizonte logo ali...

A mídia, tida e havida como quarto poder, deveria agir como agente neutro e apolítico, com boa técnica e ética profissional no desempenho do papel de mediadora entre os poderes.

Lamentavelmente a verdade verdadeira é sonegada de modo torpe aos brasileiros.

A concertação do caos não irá acontecer com decisões futuras...A oportunidade, mais uma vez, vai estar disponibilizada nas eleições de 4 de outubro. Nossas escolhas não podem uma vez mais serem errôneas!

É preciso que nosso direito sagrado do voto seja usufruído com olhar no futuro do Brasil e dos brasileiros!

Urge eliminarmos a "ratazana" que ocupa por inteiro os rodapés da política brasileira, corrigir a rota com atitudes e navegar solidários e resilientes na busca de dias melhores que todos brasileiros merecem.

Lembrando nosso hino da Proclamação da República, de autoria de José Joaquim Medeiros e Albuquerque/Leopoldo Miguez:

"Seja um pátio de luz desdobrado

Sob a larga amplidão destes céus

Este canto rebel, que o passado

Vem remir dos mais torpes labéus

Seja um hino de glória que fale

De esperança, de um novo porvir!

Com visões de triunfos embale

Quem por ele lutando surgir! 

 

Liberdade! Liberdade!

Abre as asas sobre nós!

Das lutas na tempestade

Dá que ouçamos tua voz."

 

 

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