• Dagoberto Lima Godoy
  • 18 Julho 2026

 

Dagoberto Lima Godoy

                 A decisão do governo americano de proibir o acesso de estrangeiros aos modelos mais avançados de Inteligência Artificial da Anthropic  é mais um sinal de que a inteligência artificial deixou definitivamente o campo da livre competição tecnológica para ingressar no território da segurança nacional, da disputa estratégica e da realpolitik.

À primeira vista, há uma contradição evidente. Os Estados Unidos, que fizeram da livre iniciativa uma de suas bandeiras históricas, intervêm agora diretamente na atividade de uma empresa privada, limitando clientes, usuários e até funcionários estrangeiros. O mercado, nesse caso, deixa de ser soberano. A inovação não circula mais segundo a lógica da concorrência, mas segundo a lógica do Estado.

Essa contradição, porém, não é nova. Sempre que uma tecnologia — ou mesmo um conhecimento decisivo — se aproxima do núcleo do poder, a liberdade econômica e científica cede espaço ao interesse estratégico. Foi assim com a própria teoria física que tornaria possível a bomba atômica. O segredo militar não incidiu apenas sobre objetos, máquinas ou materiais; incidiu também sobre fórmulas, pesquisas, cérebros e laboratórios.

A diferença é que agora o objeto da contenção não é uma bomba, um míssil, um chip ou um reator. É um modelo de inteligência artificial: uma capacidade imaterial, replicável, evolutiva e potencialmente acessível a partir de qualquer lugar do mundo.

O argumento oficial é o risco de uso indevido, em operações cibernéticas, manipulação informacional e muito mais. E o pano de fundo  é a disputa entre Estados Unidos e China. De um lado, uma ordem liberal, ainda que cada vez mais defensiva, baseada em empresas privadas, inovação descentralizada, circulação de capitais e hegemonia tecnológica ocidental. De outro, um modelo de capitalismo estatal, disciplinado pelo Partido Comunista Chinês, no qual empresas, universidades, plataformas digitais e planejamento industrial se integram a um projeto nacional de poder.

A IA  tornou-se o território decisivo desse confronto: quem liderar essa tecnologia ganhará vantagem em ciência, defesa, indústria, educação, vigilância, logística e guerra informacional. Por isso, a medida americana é compreensível em termos de realpolitik. Nenhuma potência entrega voluntariamente ao rival uma ferramenta capaz de alterar o equilíbrio global. Nesse sentido, Trump não age apenas como adversário da livre iniciativa; age como representante de um Estado que percebe a IA como ativo estratégico decisivo.

Mas o risco é evidente. Quando tudo passa a ser segurança nacional, a exceção pode virar regra. A proteção legítima pode degenerar em protecionismo. A defesa da vantagem tecnológica pode comprometer a própria abertura que tornou os Estados Unidos líderes em inovação. Além disso, restrições excessivas podem acelerar o esforço chinês de autossuficiência, consolidando dois ecossistemas tecnológicos rivais, fechados e incompatíveis.

O episódio da Anthropic mostra que a nova guerra fria alcança o território da inteligência artificial e o seu efeito disruptor, ainda inimaginável: a IA capaz de reorganizar ciência, economia, cultura, defesa, educação e até a própria relação entre homem, máquina e poder.

Aí está o novo contorno do conflito. As democracias liberais querem preservar mercados abertos, mas descobrem que a abertura, quando assimétrica, pode fortalecer adversários que não jogam segundo as mesmas regras. Ao mesmo tempo, quanto mais recorrem ao fechamento, mais se afastam de seus próprios princípios fundadores.

A inteligência artificial, afinal, não é apenas uma tecnologia: é uma forma emergente de poder. E, quando o poder está em jogo, a livre iniciativa raramente fica sozinha no comando.

*           O autor, Dagoberto Lima Godoy, é Engenheiro Civil

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  • Gilberto Simões Pires, em Ponto Crítico
  • 16 Julho 2026

 

Gilberto Simões Pires

CONSEQUÊNCIA

Antes que os desinformados, os analfabetos funcionais e petistas em geral acusem o presidente dos EUA, Donald Trump e a USTR - Agência do governo americano que desenvolve e promove a política de comércio exterior e negocia acordos internacionais em nome do país, pela imposição da TARIFA de 25% sobre milhares de produtos brasileiros exportados para aquele país, é importante que -saibam e entendam- que a medida precisa ser vista como -CONSEQUÊNCIA- e não -CAUSA- dos problemas que, inevitavelmente, serão sentidas nas nossas empresas. 

CAUSA

A -CAUSA- deste novo TARIFAÇO, é extraída pelo USTR através de uma profunda INVESTIGAÇÃO sob a -SEÇÃO 301- da -LEI DE COMÉRCIO DOS EUA-, que visa punir o BRASIL por PRÁTICAS QUE A AGÊNCIA AMERICANA CONSIDERA como INJUSTAS, incluindo DECISÕES JUDICIAIS contra PLATAFORMAS DIGITAIS AMERICANAS, RESTRIÇÕES AO PIX, DESMATAMENTO E REGRAS DESLEAIS PARA O ETANOL. 

AUDIÊNCIA PÚBLICA

Mais do que sabido, mas vale lembrar, o tarifaço de 25% imposto pelos EUA foi decidido com base no resultado direto da AUDIÊNCIA PÚBLICA realizada neste mês de julho, da qual foi apurado que o GOVERNO LULA-PETISTA é um PARCEIRO DESLEAL do tipo que além de tudo ainda faz questão de INSULTAR -DIA SIM DIA TAMBÉM-, não apenas o presidente Donald Trump, como seus apoiadores diretos.

PAGAR PARA VER

Mais: o ódio destilado por LULA e PETISTAS EM GERAL contra os EUA é algo simplesmente incontestável. Este sentimento aumentou dramaticamente quando Trump classificou o PCC e o CV como ORGANIZAÇÕES TERRORISTAS. A partir daí, LULA, vestiu o MANTO DA ARROGÂNCIA e resolveu PAGAR PARA VER. O resultado aí está: LULA -CAUSOU- UM PREJUÍZO INCALCULÁVEL para os EXPORTADORES BRASILEIROS atingidos pelo TARIFAÇO.

 

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  • Dartagnan da Silva Zanela
  • 16 Julho 2026

 

Dartagnan da Silva Zanela

           O filósofo Cornelius Castoriadis dizia que a crença expressa pelas sociedades democráticas no poder do sufrágio universal seria similar à crença dos católicos na presença real de Nosso Senhor Jesus Cristo no Santíssimo Sacramento.

Ao lermos essas palavras do referido filósofo, podemos ficar um tanto aturdidos com o seu viés anarquista e um tanto anticlerical; porém, suas observações são, no meu entender, de grande relevância para melhor compreendermos os assim chamados "ataques à democracia".

Dito isso, vem comigo: como todos nós sabemos, há muitíssimos casos de transubstanciação eucarística que foram cuidadosamente documentados, e o foram porque, antes de qualquer coisa, são submetidos a uma rigorosa série de exames. Aliás, este é o procedimento adotado pela Santa Sé quando o assunto são milagres. Trocando em miúdos, esse babado é levado muitíssimo a sério.

Agora, quando o assunto é a expressão cristalina da vontade popular através do sufrágio universal, nós podemos colocá-lo à prova? Podemos colocar em dúvida o poder dos votos dos cidadãos? Eis aí uma pergunta que há séculos é examinada por inúmeros filósofos, a partir dos mais variados prismas e pontos de vista.

Mas por que cargas d'água tantos filósofos questionaram — e questionam — a segurança da democracia? Ora, meu caro Watson, porque não são poucas as pontas soltas apresentadas pela história dos experimentos democráticos, e muitos são os descaminhos trilhados por tais experimentos; por isso, tais questionamentos não representam uma ameaça ao "Estado Democrático de Direito" — muito pelo contrário, eles são de fundamental importância para o seu aprimoramento.

Lembremo-nos: nenhuma instituição humana se fortalece se for mantida imune ao exame, em uma bolha asséptica.

De mais a mais, todo aquele que tem um conhecimento minimamente razoável sobre a história sabe muitíssimo bem que o questionamento é a principal ferramenta desenvolvida pela humanidade para o aprimoramento dos indivíduos e das instituições edificadas por nossas mãos através dos séculos. Se não houvesse dúvidas (que em sua época eram consideradas indevidas e inapropriadas), talvez não tivéssemos nos tornado uma nação independente - e mais ou menos soberana - não é mesmo? Ou, quem sabe, as ditaduras que assombram a história republicana brasileira poderiam ter durado muito mais tempo.

Enfim, por essas e outras que, como nos lembra Sócrates, uma vida que não se permite ser examinada é uma vida indigna de ser vivida; e isso, caríssimo, vale também para as obras, ações e instituições humanas.

Se não levantarmos dúvidas sobre as nossas instituições e a respeito de nós mesmos, e se virmos a mera possibilidade de crítica como um ataque, uma ameaça ou algo que o valha, é sinal de que algo morreu em nossa alma e que, com o tempo, levará à bancarrota tudo aquilo de mais elevado que foi forjado por mãos humanas através dos séculos.

E, como diria Stanislaw Ponte Preta, é bom ultrapassarmos de tempos em tempos a sutil e perigosa linha da galhofa, porque tudo aquilo que não pode ser satirizado, definitivamente, não merece ser levado a sério — nem um pouco.

*         O autor, Dartagnan da Silva Zanela, é professor, escrevinhador e bebedor de café. Autor de "NAS ENTRANHAS DO LEVIATÃ", entre outros livros.

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  • Claudio Apolinário
  • 15 Julho 2026

 

Claudio Apolinario

            Os números dizem onde estamos. A questão é se estamos dispostos a olhar.

Toda criança nasce com 100% do seu potencial. O Banco Mundial mede isso através do Índice de Capital Humano — um indicador que calcula quanto desse potencial será aproveitado quando ela chegar à vida adulta. No Brasil, esse número é 55%. Os outros 45% o sistema consome no decorrer da vida. Quando se acrescenta o desemprego a essa conta, o potencial humano desta criança cai para 33%. Esses dados não são de um instituto de oposição. São do Banco Mundial, publicados em 2024.

Se considerarmos os 33%, isso significa que o Brasil desperdiça dois terços do potencial de cada criança que nasce aqui. Não por falta de dinheiro — o país arrecada como nação rica. Não por falta de lei — a Constituição garante educação e saúde como direitos. Isso acontece por uma razão mais difícil de admitir: falha de caráter institucional — um Estado que cresceu para servir a si mesmo e parou de entregar para quem financia.

Isso tem um nome. Não é crise passageira. Não é uma fase difícil. É colapso institucional em câmera lenta — silencioso o suficiente para ser ignorado, mas visível o suficiente para quem quer enxergar.

Em 2024, o Brasil atingiu a pior nota da sua história no Índice de Percepção da Corrupção da Transparência Internacional: 34 pontos numa escala de 0 a 100 — onde 0 significa o país mais corrupto do mundo e 100 significa o mais íntegro. Em doze anos, o país caiu 38 posições e hoje ocupa a 107ª posição entre 180 países. A Dinamarca, considerada o país mais íntegro do mundo, pontua 90. A média global é 43. O Brasil está abaixo da média do mundo. Com 34 pontos, o país ficou a apenas 1 ponto da média dos países classificados pela Transparência Internacional como regimes autoritários.

Esse índice não mede o quanto se rouba. Mede o que especialistas, empresários e analistas pensam sobre a honestidade de quem governa o país. E o que percebem é um Estado que perdeu o limite entre servir ao cidadão e servir a si mesmo.

A confiança nas instituições segue o mesmo caminho. Uma pesquisa da Genial/Quaest com 12.150 pessoas, realizada em agosto de 2025, mostrou que a desconfiança cresceu nos últimos quatro anos em praticamente tudo: Congresso, partidos, STF, imprensa, polícia, forças armadas.

O Congresso foi o único que perdeu confiança em todos os grupos ao mesmo tempo — tanto entre quem votou no governo quanto entre quem votou na oposição. Ninguém está satisfeito. E esse é talvez o dado mais revelador de todos.

O Brasil está entre as 10 maiores economias do mundo. Tem mais de 200 milhões de habitantes, terra fértil, petróleo, minério e um dos maiores setores agrícolas do planeta.

Mas quando a pergunta muda — quando deixa de ser “quanto o país produz” e passa a ser “o que isso vale na vida do cidadão comum” — o Brasil some da lista dos 10 melhores países e vira um país que tem muito e entrega pouco.

Essa diferença importa. Um país pobre precisa de mais riqueza. Um país que desperdiça o que tem precisa de um choque de realidade. O Brasil é o segundo caso.

Um país que arrecada como rico e entrega como pobre não tem problema de recurso. Tem problema de caráter. De quem decide para onde o dinheiro vai. De quem deveria fiscalizar e não fiscaliza. De quem elege e não cobra.

Esses números não são acusação. São diagnóstico. E diagnóstico preciso é o primeiro passo de qualquer mudança real.

Cada um desses números, isolado, parece grave. Juntos, eles formam o mapa de um colapso. Não o colapso de um governo ou de um partido. O colapso de um país onde o Estado perdeu o limite moral e parou de trabalhar para o cidadão — e começou a trabalhar para quem está no poder.

Porque não se conserta o que não se consegue enxergar. E enxergar começa por admitir que o problema não está só em Brasília — está em cada escolha que fazemos como eleitores, como cidadãos e como pessoas.

*           O autor, Claudio Apolinario, é articulista e analista político.

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  • Gilberto Simões Pires, em Ponto Crítico
  • 11 Julho 2026

 

Gilberto Simões Pires

 

WALL STREET JOURNAL

Há quem afirme ser FALSA a notícia de que o WALL STREET JOURNAL, considerado como um dos jornais mais influentes do mundo, tenha publicado um artigo da colunista Mary Anastasia O'Grady, que integra o Conselho Editorial do jornal, carregado de duras, porém sinceras, críticas à danosa gestão petista, apontando para um cenário de DESORDEM ECONÔMICA, INCOMPETÊNCIA ADMINISTRATIVA E AUTORITARISMO DISFARÇADO DE DEMOCRACIA. 

OS NÚMEROS NÃO MENTEM

Na real, pouco ou nada importa se o ARTIGO -LULA, UM DESASTRE ANUNCIADO- é FALSO. O que importa mesmo é que tudo que conta no referido texto é ABSOLUTAMENTE VERDADEIRO, como pode ser atestado, a seguir, por todos os interessados. 

Enquanto Lula tenta vender ao mundo a narrativa de que seu governo é voltado para os pobres, os NÚMEROS NÃO MENTEM e mostram, de forma clara e indiscutível, que o Brasil está mergulhado em uma CRISE FISCAL, INFLAÇÃO ALTA E FUGA DE INVESTIMENTOS, tudo CONSEQUÊNCIA DIRETA das políticas desastrosas do seu governo.

BRASIL NÃO É CONFIÁVEL

No suposto, ou FALSO, artigo, O'Grady diz que Lula é um dos principais responsáveis pelo COLAPSO DAS ECONOMIAS DA AMÉRICA LATINA. Sob sua liderança, o Brasil, que já foi visto como uma POTÊNCIA EMERGENTE, está hoje à BEIRA DO ABISMO ECONÔMICO, com um governo que PRIVILEGIA ALIADOS IDEOLÓGICOS E IGNORA AS DEMANDAS DO MERCADO. Mais: critica duramente a aproximação de Lula com REGIMES AUTORITÁRIOS, afirmando que sua postura mina os valores democráticos e envia um péssimo recado ao mundo: o BRASIL SOB O PT NÃO É CONFIÁVEL!

ONDE ESTÁ A FALSIDADE?

O suposto ARTIGO- também destaca como as POLÍTICAS ECONÔMICAS -POPULISTAS- do governo petista estão levando o Brasil para um CENÁRIO DE DESINDUSTRIALIZAÇÃO, AUMENTO DA POBREZA E ESTAGNAÇÃO ECONÔMICA. Enquanto isso, o presidente continua distribuindo benesses para aliados políticos, ampliando privilégios para sindicatos e expandindo um estado inchado e ineficiente.

A crítica, que não tem nada de -FAKE- também recai sobre o tratamento dado aos empresários e investidores, tratados como inimigos pelo governo petista. Lula está construindo um ambiente hostil para negócios, desestimulando o empreendedorismo e espantando capitais estrangeiros. Resultado: -O BRASIL-, que deveria estar crescendo e se consolidando como uma potência global, caminha a passos largos RUMO AO DECLÍNIO. 

A pergunta é a seguinte: ONDE está a FALSIDADE???

 

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  • Francisco Carneiro Junior
  • 08 Julho 2026

 

Francisco Carneiro Junior

 

               Já estávamos sem pão. Agora terminou o circo…

Já perdemos copas antes. Várias vezes. Choramos no Maracanã em 1950 como se o mundo tivesse desabado, e o mundo, generoso, continuou — porque ainda havia o que chorar. Tínhamos alma. Sim, o verbo está no pretérito, e é essa mudança de tempo verbal que condena o presente: a derrota de ontem só expunha o que éramos; a de hoje revela, sem anestesia, o que deixamos de ser. Chamam isso de desclassificação, palavra pobre para um desastre rico. Desclassificação é sair de um torneio, acidente de calendário que se repete a cada quatro anos sem doer muito. Há uma queda mais funda, e essa não sai em súmula: a de um povo que deixa de ser reconhecido pelo traço que o definia.

E o traço, convém dizer com todas as letras, foi trocado por outro sem que ninguém nos consultasse.

O futebol brasileiro adotou um cotismo estrutural que decide escalação por critério de cota e não de talento, e vestiu esse critério com o verniz respeitável do wokeísmo, como se rebaixar a meritocracia fosse sinal de evolução moral e não de covardia técnica.A meritocracia, que escolhia o craque pela categoria, foi substituída por um cálculo de conveniências. E o pior: ninguém no comando teve a coragem de chamar a substituição pelo nome. Culpa, todo mundo tem um pouco — o cartola, o dirigente, o comentarista que aplaude qualquer coisa para não ser chamado de imbecil. Mas falhamos mesmo foi no conceito, na ideia matriz, na definição do que deveríamos ser em campo. Não foi um jogador que errou o pênalti decisivo; foi um projeto inteiro que errou o objetivo antes da bola rolar.

O técnico italiano, contratado por milhões para nos ensinar o que já sabíamos fazer melhor que qualquer escola europeia, deu-nos de presente um futebol que não é nosso. É europeu. Organizado, previsível, elegante como um funeral bem produzido. Deixamos de jogar o nosso futebol para aceitar jogar um futebol global, genérico, sem sotaque, o mesmo em Londres, em Milão ou em Madri. O Brasil deu as costas para o próprio DNA. A seleção não respeita mais a forma brasileira de jogar — o drible como assinatura, a criatividade como flexão de músculo, a irreverência como estratégia.

Perdemos a originalidade, a singularidade, aquilo que fazia da bola nos pés de um brasileiro um dialeto reconhecível a quilômetros de distância. Virou puxadinho do futebol europeu: uma cópia malfeita, construída às pressas sobre a fundação de uma casa que já tinha arquitetura própria e bonita.

E, como se a perda de identidade não bastasse, perdemos também a espinha. Falta resiliência a esse time, e falta ainda mais capacidade de ouvir crítica sem se fazer de vítima. Cada apontamento técnico vira perseguição; cada questionamento, ataque pessoal. Um time que não tolera ser corrigido é um time que já decidiu não evoluir. E, nesse cenário de fragilidade coletiva, ainda sobra munição para a esquerda de plantão culpar Neymar — Neymar, que jogou vinte minutos e mesmo assim balançou a rede —, como se o problema estrutural de um projeto inteiro coubesse nas costas de um homem que mal teve tempo de suar a camisa. É mais fácil crucificar o símbolo do que admitir o erro de concepção.

Convém lembrar quem é a Noruega no histórico mundial do futebol: três participações em Copas do Mundo, uma trajetória modesta, quase decorativa, até este domingo. Não há vergonha em perder para quem sempre foi grande; há vergonha em perder para quem, até anteontem, mal sabia o caminho do estádio. E há muito tempo a seleção brasileira não reflete o futebol que se joga, por exemplo, no Brasileirão — onde ainda sobrevivem o drible, a posse de bola paciente, a ousadia de tentar o improvável. O que vestimos de amarelo em Copas do Mundo virou uma seleção estrangeira com passaporte brasileiro. Falta driblar mais. Falta ter domínio e posse de bola com propósito, não por estética televisiva, mas por convicção de que aquele é, sim, o nosso jeito de jogar.

Ancelotti disse que as trocas do segundo tempo eram para colocar mais frescor, dar mais profundidade. Traduzindo: chegou frescor tarde demais a um time que já mofava desde a preleção. E cabe perguntar, com a inocência que a pergunta finge ter: era preciso contratar um estrangeiro a peso de euros para descobrir isso no intervalo? Seu auxiliar, que por acaso é também seu filho — coincidências assim não existem só no futebol brasileiro contemporâneo , mas no nosso judiciário também — resumiu tudo em outra frase pronta: assumimos essa responsabilidade, sentimos muito. Sente-se muito, mas o contrato segue firme até 2030, salário intacto, cargo intocado.

Há, porém, um mérito nessa dor toda, e é preciso reconhecê-lo. Haaland ajudou o brasileiro a esquecer o circo por um instante e a se lembrar de todo o roubo, de toda a corrupção que corrói este país há décadas e que insistimos em varrer para debaixo do tapete entre uma Copa e outra. Para resolver isso, meus caros, vamos ter que "haalar" muito — achar coragem, achar memória, achar vergonha na cara antes que seja tarde. Porque tem outro sujeito ferrando com o país, e não é o norueguês de cabelo loiro que nos eliminou em Nova Jersey. É necessário desalojá-lo do poder, e todos sabem exatamente de quem eu estou falando.

Se nada mudar no futebol, ficaremos mais vinte e oito anos sem ganhar uma Copa — ou talvez ganhemos antes disso, porque um relógio quebrado acerta duas vezes no dia (lembrando que na Era PT nunca se ganhou nenhuma Copa!). Mas no caso do governo e da situação do país o cálculo é muito mais cruel: se não tirarmos o PT do poder, o que já está ruim vai piorar de um jeito que fará Cuba parecer paraíso perto daqui. O Brasil de hoje já é insalubre. Imagine o que herdarão os nossos filhos depois de mais uma década com esse governo: um país onde vinte e cinco por cento da população vive sob domínio territorial de terroristas armados, onde trabalhar duro deixou de ser garantia de nada, onde quem faz a coisa certa é chamado de otário nas rodas de conversa, e a corrupção virou paisagem, não mais escândalo.O futebol é o que dá identidade, pertencimento ao brasileiro — por isso dói tanto vê-lo desfigurado. Mas o que não podemos, sob hipótese alguma, é perder a vergonha na cara.

O time que joga sem alma é o reflexo de um desgoverno que engana, mente e corrompe sem pudor. Perder a Copa dói. Perder a vergonha mata devagar. Falta de originalidade em campo, falta caráter nos gabinetes, falta pudor em quem normalizou a destruição do Brasil. E mudar isso, sem o pão e agora sem o circo, é a única esperança que ainda nos resta!

 

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