• Dagoberto Lima Godoy
  • 04 Dezembro 2025

 

Dagoberto Lima Godoy

             Quando o Supremo fecha as cortinas, a chama da democracia tremula.

Ao transformar em “sigiloso”, no nível máximo, o pedido da defesa do dono do Banco Master, o ministro Dias Toffoli foi além do tradicional segredo de Justiça. Agora, o cidadão não tem acesso nem às iniciais das partes, nem ao andamento, nem às decisões de um caso que envolve suposta fraude bilionária e impacto direto sobre investidores e recursos com proteção pública. Não é um litígio privado; é um caso com relevância sistêmica, que levou à liquidação de um banco e mobilizou Banco Central, Polícia Federal e Ministério Público.

A justificativa formal é conhecida: em crimes financeiros complexos, o sigilo parcial muitas vezes se justifica para proteger a investigação ou resguardar dados sensíveis. Mas, aqui, o que se vê é a adoção do grau máximo de opacidade justamente onde o interesse público é mais evidente.

O que torna a decisão ainda mais inquietante é o contexto. O ministro Toffoli acumula, nos últimos anos, decisões que anulam processos, atos e provas da Lava Jato, inclusive em casos de delatores confessos, como Alberto Youssef, Antônio Palocci e executivos da Odebrecht. O argumento recorrente é o de corrigir abusos e distorções, coibindo o uso político do sistema de Justiça. Mas, aos olhos da sociedade, a leitura é outra: quando grandes interesses econômicos e políticos estão em jogo, é o prato do lado deles que a balança da Justiça faz pesar mais.

Decisões dessa natureza ferem o princípio da publicidade, erodem a confiança institucional e alimentam a sensação de que existe um padrão para o cidadão comum e outro, muito mais confortável, para quem frequenta os andares de cima do sistema financeiro e político.

A democracia não exige transparência absoluta em tudo, o tempo todo. Exige, porém, que o sigilo seja exceção justificada, proporcional e temporária – nunca um manto amplo estendido sobre escândalos que tocam o coração do Estado e do mercado. Ao transformar um caso bancário bilionário em assunto de gabinete, e ao somar isso a uma longa série de decisões que desfizeram boa parte do principal esforço de combate à corrupção das últimas décadas, o STF — e em particular o ministro Toffoli — presta um desserviço à autoridade moral que deve defender.

Se o Supremo quiser o respeito da sociedade, precisa lembrar que a transparência continua sendo indispensável à melhor justiça. Enquanto isso não acontece, sigilos espúrios seguirão como símbolos de uma justiça perigosamente opaca.

*        O autor, Dagoberto Lima Godoy, é Engenheiro civil.

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  • Gilberto Simões Pires, em Ponto Crítico
  • 02 Dezembro 2025

 

Gilberto Simões Pires     

CORE BUSINESS

Mais do que sabido, o -CORE BUSINESS- essência dos governos PETISTAS- desde sempre, é PROMOVER, em abundância, -ROMBOS NAS ESTATAIS, DÉFICITS NAS CONTAS PÚBLICAS, ELEVAÇÃO BRUTAL DA DÍVIDA PÚBLICA e, por consequência, ELEVAR ÀS NUVENS A CARGA TRIBUTÁRIA. Mais: nesta 3ª edição do GOVERNO LULA, o BILIONÁRIO ASSALTO aos aposentados do INSS ganhou pontos suficientes para ocupar a lista dos NEGÓCIOS considerados como -PRINCIPAIS- no PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO do presidente petista.

RECUPERAÇÃO FINANCEIRA???

De acordo com dados do Banco Central divulgados na semana passada, o ROMBO DAS ESTATAIS -FEDERAIS- até o mês de outubro atingiu a marca de R$ 6,35 BILHÕES. Mais: até o final de dezembro, segundo o BC, o ROMBO vai bater nos R$ 10 BILHÕES. Pois, nem estes IMENSOS ROMBOS se mostram suficientes para dar início a um PROGRAMA DE PRIVATIZAÇÕES DAS ESTATAIS. Ao contrário: na última 6ª feira, 28/11, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou -publicamente- que a PRIVATIZAÇÃO dos CORREIOS NÃO ESTÁ NOS PLANOS DO GOVERNO. Mais: a -recuperação financeira- ficará por conta do aporte de R$ 20 BILHÕES -já fechado com um consórcio de bancos-, com o aval do TESOURO NACIONAL-. Que tal? 

NÃO SURGIU DE UM ERRO PONTUAL

Ora, como o CORE BUSINESS do PT é -PRODUZIR ROMBOS E ASSALTOS ILIMITADOS-, tudo leva a crer que os INSACIÁVEIS CRIMINOSOS SERÃO CONTEMPLADOS COM BOA PARTE DO APORTE DE R$ 20 BILHÕES. Como bem diz o texto do vereador de Porto Alegre, Ramiro Rosário, "durante anos passou-se a ideia de que os Correios eram um símbolo de inclusão cultural, instrumento político e vitrine de governo. O rombo multibilionário que ameaça a existência da empresa, não surgiu de um erro pontual, mas de uma década de escolhas irresponsáveis, conduzidas sob Lula e Dilma, que transformaram uma das instituições mais respeitadas do país em um laboratório de aparelhamento, improviso e desperdício.

A CRISE É TRÍPLICE

Diz mais: ..."entre 2003 e 2014, os Correios torraram R$ 770 milhões em patrocínios, editais e centros culturais, assumindo um papel para o qual nunca tiveram vocação nem estrutura. A estatal virou mecenas, não por necessidade da população, mas por ideologia política. E fez isso justamente no momento em que congelava tarifas por decisão do governo e repassava mais de R$ 6 bilhões em dividendos para reforçar o caixa da União. Era uma equação suicida – gastar mais, ganhar menos e ainda sustentar a máquina federal.

A crise dos Correios é TRÍPLICE -OPERACIONAL, PATRIMONIAL E PREVIDENCIÁRIA - e levará décadas para ser corrigida. Mas o primeiro passo é admitir a raiz do problema: a estatal foi usada como se fosse infinita, imune a erros e disponível para qualquer projeto que agradasse ao governo da vez. 

O fundo de pensão dos funcionários dos Correios foi tratado como caixa político, aplicado em títulos de países quebrados, operações temerárias e esquemas revelados pela CPI dos Fundos de Pensão e pela Operação Greenfield. O resultado? Um rombo superior a R$ 15 bilhões, dos quais R$ 7,6 bilhões sairão diretamente do caixa dos Correios, ou seja, o trabalhador paga, a empresa sofre e os responsáveis não sofrem consequência proporcional.

Defender, portanto, que os Correios vão se recuperar com gestão pública é ignorar décadas de ingerência política e rombos sucessivos. Privatizar não é ideologia, é necessidade urgente. Alemanha e Holanda, países que adotaram modelos privados, transformaram seus serviços postais em operações modernas e lucrativas. A privatização é a única saída para proteger o pagador de impostos e garantir que o serviço funcione.

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  • Alex Pipkin, PhD
  • 30 Novembro 2025


Alex Pipkin, PhD  

               Estamos entrando no último mês do ano. Por isso mesmo, impõe-se a pergunta que assombra qualquer brasileiro não contaminado pelo delírio oficial: o que esperar — ou, falando com franqueza, o que realmente nos aguarda — em 2026?

Se o país fosse guiado por racionalidade, responsabilidade e mínima seriedade institucional, todas as energias políticas estariam orientadas para um único objetivo civilizatório: crescimento econômico. Nada substitui esse eixo. Crescimento é o fundamento da prosperidade, da liberdade, da redução da pobreza, da dignidade nacional e de qualquer chance real de rompermos com a nossa tradição de promessas populistas e entregas medíocres.

Mas, como já sabemos, o crescimento é precisamente o que menos se deseja, o que menos se planeja e o que mais se sabota na terra do pau Brasil.

O que se anuncia é trivial, meu caro Watson! Mais do mesmo; populismo, mais fantasia progressista, mais pensamento mágico travestido de política pública. A velha crença de que o Tesouro é uma árvore generosa de onde caem cédulas ao sabor das vontades do governante. No mundo real, esse palco que os sacerdotes da “justiça social” frequentam apenas para selfies, a fatura virá em mais tributação, em mais e mais impostos. Não para recuperar estatais arrombadas, mas para irrigar novas fontes de corrupção, financiar militâncias identitárias e manter o país dividido sob o eterno manto vermelho da “inclusão”.

Aqui, permito-me repetir o óbvio ululante, porque neste país, dizer o óbvio tornou-se quase um ato de coragem, hercúleo. O Brasil precisa urgentemente de crescimento econômico. O caminho não é um segredo de principiantes. Reduzir a carga tributária escorchante, amputar a burocracia que sufoca quem produz, simplificar normas, proteger a propriedade privada, abrir o comércio, investir em infraestrutura e qualificar trabalhadores. Acima de tudo, impor disciplina fiscal, a regra de ouro sem a qual tudo se dissolve em contabilidade criativa, irresponsabilidade política e promessas fantasiosas.

Mas o populismo progressista, fiel à própria lógica ilógica, trata de corroer cada item desse receituário elementar. O resultado é um ambiente de negócios caro, hostil, imprevisível e incapaz de gerar crescimento sustentável.

O autoproclamado “governo da união e da reconstrução” não realizou nenhuma reforma estrutural digna de nota. Preferiu elevar custos ao setor produtivo, impor aumentos populistas ao já incompreendido salário mínimo, multiplicar gastos assistencialistas e relançar um PAC de número incerto, perfeito nas planilhas rubras, invisível na vida concreta.

Portanto, é preciso se preparar. Da iguaria dos pés de galinha asiáticos, já disputados, restarão apenas ossos para a sopa. Novos impostos “da bondade” brotam e crescerão como pragas tropicais para sustentar o grande teatro lulopetista, essa opereta de inclusão cosmética e diversidade de cartaz. Quando faltar caixa — e faltará — imprime-se papel, repassa-se a conta e culpa-se o brasileiro “bonzinho” por não pagar com o entusiasmo exigido pela encenação lulopetista.

Mas 2026 será um ano pedagógico, claro, no pior sentido possível. Assistiremos ao desfile coreografado de mentiras. Thomas Sowell já diagnosticou a essência do momento: “quando as pessoas querem o impossível, apenas os mentirosos podem satisfazê-las”. E mentirosos, no Brasil, jamais foram escassos.

O lulopetismo não reduzirá o paraíso assistencialista, não enxugará o Estado hipertrofiado, não fará reformas estruturais. Reformas verdadeiras custam capital político, e nada pode interferir no projeto de poder, no compadrio, no aparelhamento e no atraso ideológico tingido de vermelho, com retoques verde-amarelos para consumo eleitoral.

O país precisa de crescimento. O governo precisa de dependência. Entre essas duas agendas, sabemos qual prevalece — e por quê. E é exatamente por isso que 2026 não será um ano de revelações, mas de funestas confirmações.

Quando o país renuncia ao crescimento, a história não perdoa, apenas cobra, com juros, correção e vergonha nacional.

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  • Dartagnan da Silva Zanela
  • 27 Novembro 2025

 


Dartagnan da Silva Zanela 

                 Se tem um trem que as pessoas na sociedade moderna gostam de se ufanar é das suas opiniões e, quando se vangloriam disso, fazem questão de destacar que as suas opiniões sobre tudo e sobre todos não são opiniões chinfrim; nada disso, meu amigo, elas são "opiniões críticas".

Mas o que há de tão especial nisso para nos gabarmos? Como nos lembra o professor Gregório Luri, quando alguém começa a dizer que é muito crítica, a única coisa que esse abençoado está querendo dizer é que despreza e rechaça tudo aquilo que destoa dos seus pontos de vista e que irá tratar a pão de ló qualquer pataquada que esteja de acordo com tudo aquilo que ela supostamente pensa.

Ui! Eu escrevi que muitas pessoas supostamente pensam? Sim. Eu queria ver — ah, como eu queria — essas mesmas alminhas críticas realizarem um inclemente exame de consciência sobre suas formosas opiniões a partir de uma questão, tão simples quanto modesta, como essa: quantas das nossas amadas e idolatradas opiniões são apenas e tão somente a repetição de frases que nós ouvimos aqui e acolá? Tempo (tic-tac-tic-tac). Pois é. E essa é toda a criticidade das nossas mimadas opiniões.

Há muito tempo, José Ortega y Gasset, em seu livro "A rebelião das Massas", nos chama a atenção para isso quando nos lembra, de forma lacônica, que uma opinião, seja ela crítica ou não, seria apenas um estranho que nos habita (lá ele). Só isso e olhe lá.

Ora, se nós afirmamos e defendemos algo que não sabemos claramente como chegou até nós, cujo fundamento somos incapazes de explicar e esmiuçar, como podemos dizer que esse trem seria o nosso ponto de vista? Complicado, não é mesmo?

E o mais engraçado nisso tudo é que todos os indivíduos que permitem que suas mentes e corações sirvam de caixa de ressonância para ideias, ideais e valores que não compreendem, exigem que as "suas opiniões" sejam respeitadas por todos, mesmo que eles nunca tenham se dado ao respeito de parar para matutar um pouco sobre o que estão falando.

Por essa razão, opiniões não foram feitas para serem respeitadas, muito pelo contrário: elas existem para serem discutidas e questionadas para, com o tempo, podermos superá-las.

*        O autor, Dartagnan da Silva Zanela, é professor, escrevinhador e bebedor de café. Autor de "A QUADRATURA DO CÍRCULO VICIOSO", entre outros livros.

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  • Gilberto Simões Pires, em Ponto Crítico
  • 25 Novembro 2025

 

Gilberto Simões Pires

ACIMA DA EXOSFERA

Se para alguns fanáticos o CÉU É O LIMITE, para o presidente Lula, em se tratando de DÉFICIT, ROUBALHEIRA E/OU CORRUPÇÃO, simplesmente NÃO EXISTE LIMITE. Ou seja, todas as suas ações e intenções ultrapassam, com folga, a ESTRATOSFERA, a TERMOSFERA e a EXOSFERA, tidas e havidas como camadas superiores da ATMOSFERA.

CALOTEIROS

Ontem, 24, em Maputo, capital de Moçambique, Lula DECLAROU ABERTAMENTE que o BNDES deverá iniciar um NOVO CICLO DE CRÉDITO PARA OBRAS DE INFRAESTRUTURA NA ÁFRICA. Ora, mais do que sabido, o BNDES já FINANCIOU OBRAS REALIZADAS POR EMPREITEIRAS BRASILEIRAS EM CUBA, VENEZUELA e, pasmem, em MOÇAMBIQUE, países que se tornaram INADIMPLENTES, resultando em DÍVIDAS E INDENIZAÇÕES DO FUNDO DE GARANTIA DE EXPORTAÇÃO. Esses financiamentos, vale repetir -exaustivamente-, FORAM OBJETO DE INVESTIGAÇÕES por conta do flagrante RISCO DE CALOTE E ENVOLVIMENTO COM EMPRESAS INVESTIGADAS NA OPERAÇÃO LAVA JATO.

FOCADO

Extremamente FOCADO na obtenção de RESULTADOS ESCANDALOSAMENTE NEGATIVOS, Lula disse que o fluxo de comércio que o Brasil mantém com Moçambique-caloteiro ainda é muito menor que com outros países de língua portuguesa, o que ele considera “injustificável” e como tal o BNDES está pronto para financiar a internacionalização das empresas brasileiras. Que tal? 

VELHO ESTILO PETISTA DE GOVERNAR

Entusiasmado ao extremo, Lula arrematou: - "Moçambique é um país que ainda possui lacunas para cobrir. Seu crescimento depende de portos, estradas, usinas e linhas de transmissão. O Brasil tem empresas dinâmicas com condições de contribuir".  Como se vê, a CORRUPÇÃO e os CALOTES -em nível internacional, estão de volta, prontos para COROAR o VELHO ESTILO PETISTA DE GOVERNAR . VIVA!

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  • Alex Pipkin, PhD
  • 21 Novembro 2025

 

Alex Pipkin, PhD em Administração

        Conta-se que, há muito tempo — embora os habitantes jurem que tudo aquilo parecia acontecer diariamente — havia um reino pitoresco chamado Janjolândia, cuja bandeira ostentava, sem pudor, vermelho, verde e amarelo, como se anunciasse ao mundo que ali a fantasia gozava de mais autoridade do que a realidade.

Ali reinava Sua Majestade Perdularius I, um bom-mocista convicto cuja maior virtude — e orgulho público — era gastar. Gastava com a leveza irresponsável de quem trata o amanhã como simples abstração incômoda.

Sua principal atividade, além de posar como benfeitor perpétuo, era angariar dinheiro. Naturalmente o dos outros, porque gastar o próprio seria um desperdício de majestade. Aliás, no DNA dele e de seus conselheiros palpitava uma lógica invertida. Ao invés de proteger o erário, protegiam os próprios bolsos, recheando-os com o suor dos contribuintes.

Perdularius I reinava amparado por conselheiros que jamais haviam aberto um livro de economia, mas falavam com ar professoral sobre “bem-estar social financiado pelo universo”. Cochichava-se nos corredores do palácio que seu principal assessor econômico ostentava um doutorado na extinta Economia Soviética Aplicada à Utopia. Evidente, uma honra suprema entre os que confundem estatização com sabedoria. Inspirado por tais luminares, Perdularius fazia promessas inalcançáveis. Com a costumeira astúcia, mantinha-se no poder justamente porque discursava contra a pobreza para mantê-la, e, assim, justificar a própria permanência.

Certo dia, teve uma epifania iluminada. Reuniu seus sábios, ajeitou a coroa e proclamou, com a grandiloquência típica dos que confundem delírio com política econômica:
— A dívida pública ultrapassará 100% do que o reino produz, mas não há problema algum. Se faltar dinheiro, imprimimos mais!

Os conselheiros explodiram em aplausos, como se presenciassem uma nova física. A imprensa, que não era imprensa, mas sucursal do partido, celebrou a frase como ciência revolucionária, mais avançada que a roda.
E assim seguiram. A cada novo gasto perdulário, surgia um novo imposto; a cada novo imposto, um novo pretexto para gastar ainda mais. Em Janjolândia acreditava-se, com devoção quase litúrgica, que quanto mais o Estado devorava o povo, mais próspero o povo se tornaria. Uma lógica impecável, desde que se abolisse a aritmética básica.

Na vida real, tudo seguia previsivelmente irracional… Quanto mais Perdularius gastava, mais os preços subiam. Quanto mais os preços subiam, mais ele culpava os mercadores gananciosos. E quanto mais culpava os mercadores, mais impostos criava. Para Sua Majestade, não havia dilema econômico que não pudesse ser resolvido com a solução mais singela — e mais destrutiva — de todas: tributar mais, mais e mais, como se o bolso do súdito fosse um poço sem fundo e a paciência humana, um recurso infinitamente renovável.

Claro, fazia-se tudo isso não para resolver o problema, mas para exibir sua virtude excelsa. Afinal, vivia-se em Janjolândia o apogeu da sinalização virtuosa, onde a aparência de bondade valia mais do que qualquer resultado concreto e útil.

Como toda boa fábula, havia ali uma moral, sussurrada nos becos, feiras e oficinas. Seguramente, reino algum prospera quando o soberano gasta como um poeta bêbado, desses que se jactam de nunca terem estudado, que assassinam a língua portuguesa diariamente, embora bêbados de fato sejam. Na Janjolândia se cobrava impostos tal qual um glutão devora um prato de comida. Mas todos sabiam, embora não pronunciassem: prosperidade nasce de um Estado que pesa menos, cobra menos e deixa o povo trabalhar, produzir e inovar.

Reluzente, o óbvio “lulante”, transparente como água cristalina. Mas uma verdade luminosa demais para ser tolerada naquele reino de virtudes imaginárias, das falácias do coletivismo e da ideologia do fracasso.

Em suma, das mentiras “românticas” e das verdades “romanescas”.

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