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Sinos da esperança, sirenes de alarme  -  31/12/2025

 

Percival Puggina

         Houve época, nas cidades medievais, em que as catedrais com suas torres e os campanários com seus relógios eram seus principais símbolos estéticos e dinâmicos. Na catedral batia o coração mesmo das comunidades, seu colossal orgulho; o relógio organizava o cotidiano e os sinos marcavam os tempos, seculares e religiosos, chamavam à oração e aos sacramentos, sonorizavam a alegria, o pesar e o perigo.

Escrevo este artigo no dia 30 de dezembro e não lembro de um ano novo tão pouco esperançoso. É de se perguntar: como tocarão os sinos à meia noite de amanhã? Soarão como sinos da esperança ou como repiques de alarme, num país desolado ante as visíveis comorbidades de suas instituições?

Viajante do século XIV, passando por uma cidade envolvida com a construção de sua catedral, deteve-se a visitar o atelier onde trabalhavam os escultores das imagens que integrariam a estética da obra. Em posição de destaque no canteiro dos artesãos, coberto de poeira, operava o mestre escultor, esmerando-se no acabamento de uma estátua. Curioso, perguntou sobre o local para onde estava designada aquela grande peça. A resposta o surpreendeu: “Este é apenas um dos doze apóstolos que serão colocados externamente no topo de cada arcobotante da nossa catedral”. O visitante saiu para a rua, tentou observar a extremidade superior daquelas estruturas, que estimou a 70 metros do chão, e voltou a interrogar o escultor: “Mestre, saí para ver se entendia, mas não consegui. Por que tanto zelo e detalhes num conjunto de peças que, de longe, ninguém conseguirá ver?” A resposta veio em duas palavras: “Deus verá.”

Como foi que perdemos essa dimensão da fé? Quem, e a troco de quê, a tomou de nós? Por que não vemos a nós mesmos – a nós mesmos! – como aquele escultor via sua estátua? Se nos víssemos assim, não passaríamos o recibo do silêncio ante o que está em curso em nosso país e não gratificaríamos o mal com a nossa omissão.

Eu lembro do réveillon do ano 2000 que tive a graça de viver aos 56 aninhos recém-feitos. Quanta esperança naquela ruidosa noite em que se misturavam os fogos de artifício, os sinos, as músicas da TV ligada, as palavras amorosas que trocávamos e as orações com que agradecíamos tantas e tão imerecidas graças. Sim, um novo milênio, inteiro, para o que desse e para quem viesse.

Se alguém lhe dissesse naquela noite, caro leitor, que no correr do quarto de século seguinte, o PT venceria cinco das seis eleições presidenciais que seriam disputadas, qual teria sido sua reação? Você teria imaginado a ruina institucional e moral a que chegamos? Teria previsto que nosso povo se habituaria, em modo cubano, à censura e à autocensura e que a isso acrescentaria os institutos dos sigilos por todo o século, dos segredos e dos respectivos vazamentos seletivos?

Quando iniciarem os sons do ano novo, lembre-se de que você é infinitamente mais amado por Deus do que a estátua tão zelosamente trabalhada pelo escultor medieval; lembre-se de que o ruído que ouvir é o dos alarmes, indicando os perigos que rondarão a política e as eleições de outubro. Faça, também nisso, o melhor de si. 

Percival Puggina (80) é arquiteto, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.

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Recadinhos e fantoches  -  31/05/2025

 

Percival Puggina

         Tenho acompanhado com interesse as informações que vão chegando sobre a possível aplicação da Lei Magnitsky a autoridades brasileiras. A declaração do Secretário de Estado Marco Rubio, segundo quem “há grande possibilidade” de que isso aconteça, agita o noticiário. Animam-se quantos anseiam por algo que refreie a agressividade punitiva do tribunal penal instalado em Brasília, transparente, apenas, quanto às intenções. Ativaram-se, também, profissionais do jornalismo de delivery, dedicados a distribuir recadinhos públicos de ministros do Supremo.  

Tem sido intenso o trabalho desses motoboys e motogirls da informação. Sim, há quem se preste aos zigue-zagues da vida na atividade de mensageria oficial e, depois, se poste diante das câmeras e microfones a papagaiar acriticamente recados anônimos jamais desmentidos. Quem os envia não poderia, por dever de ofício, dizer o que disse; quem os transmite não deveria, por dever de ofício, impor-se um ritual em que silenciar é consentir.

No caso da aplicação da Lei Magnitsky, considero haver exagero nas duas posições. Minha leitura da frase de Marco Rubio não é tão otimista. A expressão “grande possibilidade” não é o mesmo, por exemplo, que “logo estará na mesa do presidente” ou “discutem-se pequenos detalhes”, etc. Afinal, penso que o secretário foi prudente diante das expectativas. O ato não é automático e depende da avaliação de Trump.

Por outro lado, o caso não é adequado a alegações sobre soberania brasileira. Não se trata de uma questão judicial nem diplomática, mas estritamente política. Essa configuração do STF – surpresa! – se declarou uma corte política e passou a fazer política. Ora, a ninguém é dado, numa democracia, fazer política exigindo, de quem se lhe opõe, o tratamento devido a magistrado. Ninguém pode assumir protagonismo político e se proteger sob a toga, quando conveniente, nem usar dela em favor de objetivo político.

O que pode advir da Lei Magnitsky é consequência também política dessa atuação, inteiramente na esfera da soberania dos Estados Unidos, sem nenhuma interferência na nossa soberania. O Brasil poderia e deveria fazer algo assim em relação a Nicolás Maduro, por exemplo, como ato soberano nosso, proibindo-o de entrar no Brasil, em vez de o acolher com tapete vermelho e lhe dar conselhos sobre boas narrativas, como fez Lula. Pelas mãos do Poder Executivo (relações com Irã, China, Hamas, Hezbollah, Cuba, Venezuela, Nicarágua) e de decisões do STF em relação a empresas e cidadãos norte-americanos, o Brasil entrou em rota de conflito com os Estados Unidos.

O regime instalado aqui se tipifica pelo parlamento comandado por fantoches, pelos sigilos impostos ao que não convém tornar público ainda que a lei mande publicizar, pelas pesadas penas de multa e prisão e pela censura sobre o que o poder imperante não deseja ver propagado. Assim, a soberania brasileira controla as coisas aqui. Mas não pode impor controles além fronteiras.

*          Percival Puggina (80) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.

 

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A meticulosa construção de um inferno  -  15/02/2025

 

Percival Puggina

           Nem as opiniões mais pessimistas poderiam conceber, na tarde do dia 8 de janeiro de 2023, a narrativa do golpe de Estado e da abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Se alguém disser que anteviu isso, está influenciado pelo que passou a ser papagaiado pela mídia trans, aquela que se sente confiável, mas virou militante da catástrofe nacional. Para a opinião pública imune ao Consórcio Goebbels, não havia e continua não havendo, pelo direito brasileiro, forma de enquadrar como golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito aquilo que assistíamos pela TV.

Poderia alguém imaginar, presenciando os fatos, até onde iria a capacidade de conceber, criar e pôr a funcionar, nos mínimos detalhes, o campo de concentração judicial, com KZ-Kommandant e tudo, privativo inferno na terra que seria proporcionado àquele grupo de manifestantes? “Deixai toda esperança, oh vós que entrais!”, lê Dante no frontispício do inferno...

Durmamos bem com isso ou não, escandalizados ou não, o fato é que uma revolução está em curso no Brasil. Ela tem uma longa e ininterrupta história pelo lado esquerdo do arco ideológico. A silenciosa revolução seguia seu curso de modo exitoso pelo domínio dos meios culturais, quando – máxima infâmia! – o ceguinho da direita achou um vintém e venceu a eleição de 2018. A expressão “o ceguinho achou um vintém” era usada frequentemente por um saudoso amigo para designar aquelas ocasiões em que a livre ação humana proporciona o inesperado, trazendo ao palco o “Imprevisível da Silva”. No caso, ele desmontou as certezas marxistas sobre o que faz andar a história.

Entraram em cena, então, os atores das instalações palacianas do STF. Estavam ali, nomeados por FHC, por Lula, Dilma e Temer. Não eram “editores da nação”, nem “poder moderador”, nem “os únicos supremos”, nem lhes cabia “empurrar a história”. Não eram “analistas de cenários”, nem tinham “protagonismo político”, nem estava entre suas atribuições a tarefa de “derrotar” algo ou alguém. Ajustaram, porém, que deviam “salvar a democracia”, como proclamam todas as revoluções. Quando arregaçaram as mangas, deixaram de lado suas teses acadêmicas. Afinal, não é com elas, mas com a política, que se empurra a história, certo? Toda revolução precisa de um AI-5 que mande o resto às favas. E foi assim que o manejo da política, em ascensão vertiginosa, passou para o comando do Supremo.

O problema da extrema esquerda brasileira, hoje, é a overdose. Com overdose, nenhuma receita funciona e essa fase da revolução parece estertorar porque não se salva o Estado de Direito com menos Direito, nem a Liberdade com menos Liberdade. Não foi por falta de alertas.

Percival Puggina (80) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.

 

 

 

 

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No país das PECs  -  22/08/2024

 

Percival Puggina       

         Escrevi certa feita que o Brasil, em sua história republicana, mediante trabalho de sucessivas alfaiatarias institucionais de má qualidade, veste um corpo social cuja estrutura tem deformações. Ou seja, o produto final resulta semelhante ao que acontece quando o alfaiate é ruim e o freguês, digamos assim, está fora do esquadro.

A Constituição de 1988, aquela de capinha verde e amarela que Ulysses Guimarães ergueu com as duas mãos sobre a própria cabeça, reproduz os pecados capitais de suas antecessoras e acrescenta a elas o excessivo nível de detalhes, constitucionalizando minúcias e preceitos que poderiam muito bem ser tratados em legislação ordinária. É possível que os constituintes quisessem aprumar o corpo social com a multiplicidade de preceitos, mas criaram mais problemas do que soluções. É por isso que, hoje, dificilmente se pega um jornal que não tenha, nas chamadas de capa, algum texto mencionando a sigla PEC (Proposta de Emenda à Constituição). Sempre há algo a ser mexido na Carta de 1988 para que a vida nacional vá em frente.

Governar é encaminhar PECs ao Congresso Nacional. Constitucionalismo a marteladas: PEC, PEC, PEC. Ser candidato é levar no bolso algumas PECs a serem apresentadas se eleito. Ser parlamentar é propor PECs. As melhores vão para o desterro dos arquivos mortos; as piores são votadas em regime de urgência, em dois turnos sucessivos, altas horas da noite.

Sob o ponto de vista institucional, federativo, político e jurídico, construímos, aqui, as pirâmides do Egito de cabeça para baixo. Um dos mais importantes princípios da organização social é o princípio da subsidiariedade, inspirado no conceito de que a prioridade das iniciativas deve ser atribuída às instituições de ordem menor, à base da pirâmide, agindo as demais, subsidiariamente, na medida da necessidade. Em modo resumido: a União só age naquilo que os Estados não possam agir; estes só atuam naquilo para que os municípios estejam incapacitados de atuar; dentro do município, a prioridade das iniciativas flui, pela mesma regra, para o distrito, para o bairro e para o cidadão.

O princípio da subsidiariedade, vê-se logo, é um princípio moral, na medida em que preserva a autonomia da pessoa humana e sua liberdade. É um princípio jurídico porque estabelece – e estabelece bem – a ordem das competências. É um princípio político porque delimita – e delimita bem – a ação do Estado. E é um princípio de administração porque vai organizar as competências, encurtar os caminhos e os vazamentos do dinheiro, determinar a forma e o tamanho do Estado e orientar a ação do governo de modo a fazer parcerias com a sociedade.

Mas, convenhamos: é divertido assistir o contrário disso tudo, ouvir os discursos do Lula bancando motorista do caminhão do Huck, quando distribui por aí, em enfeitados frascos publicitários, fragmentos da dinheirama que o poder público coleta em caçambas.

Percival Puggina (79) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.

 

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Eu já tinha visto isso.  -  07/09/2023

 

Percival Puggina

         “Hoje é dia de concentração na praça", disse-me a senhora. "Começa às 17 horas, mas os policiais do presidente chegam antes e usam essa sacada para observação de segurança. Talvez o senhor se sinta melhor se retornar depois do fim do evento”. Prontamente respondi que sim. Preferi chegar depois, porque, no mínimo, teria que me identificar para poder permanecer e, se ficasse, certamente não poderia usar a sacada. 

Eu estava em Havana e tinha, nessa vez, alugado uma parte do apartamento de uma professora (quarto, banheiro e sala, enquanto ela usava a cozinha e uma outra dependência com acesso particular). O prédio estava muito bem localizado, junto à Praça da Tribuna Anti-imperialista, e o apartamento tinha a tal sacada a que se referia minha hospedeira. Professora de História, era pessoa de confiança do regime e, graças a isso tinha “permiso” para alugar o imóvel a turistas. Com a sala, deu-me acesso à sua biblioteca (pouco mais de um metro de livros em espanhol e em russo). Explica-se o conteúdo em russo pelo fato de se haver graduado em Moscou, na Universidade da Amizade dos Povos, conhecida como Patrice Lumumba.

Então, por volta das 16 horas, desci para a praça e assisti aos atos que se seguiram. Eles consistiram numa sequência de discursos voltados ao enaltecimento do Comandante Fidel, da Revolução e dos admiráveis êxitos do regime tanto na Economia quanto na Educação e na dignidade do povo cubano. Tudo, claro, embrulhado, por todos os oradores, no invólucro comum: o dever patriótico de espinafrar o imperialismo e os “guzanos” (vermes), cubanos que se atiravam ao mar e iam para Miami, num fluxo contínuo, desde 1960.

Como eu descera cedo, pude apreciar a chegada do distinto público. Eram trazidos em ônibus, em grupos cuja afinidade se podia perceber tão logo desciam pois tagarelavam entre si. Alguém, mais tarde, me explicaria que provinham dos locais de trabalho e eram acompanhados por um “compañero” que representava os olhos e os ouvidos do Estado.

Nesse dia, Fidel não apareceu, o que deve ter representado um alívio para aquela pequena multidão, pois quando o tirano comparecia, falava, e quando falava proferia aqueles discursos que ficaram famosos, não pelo conteúdo, mas pelo muito que lhe custava colocar um ponto final nas arengas que duravam horas.

Por que este relato? Porque o público, raro e ralo, presente à solenidade deste dia 7 de setembro em Brasília, por quanto a TV mostrou, era muito semelhante ao daquela tarde/noite na Tribuna Anti-imperialista. Funcionários públicos, sindicalistas e companheiros de partido, convocados pelo governo, cumprindo ordens e portando bandeirinhas numa estranha mistureba do verde e amarelo com convenientes detalhes vermelhos no vestuário. A Pátria passava muito bem sem essa.

Percival Puggina (78) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país.. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.

 

        

 

 

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Eu já tinha visto isso.  -  07/06/2023

 

Percival Puggina

         Disse-me a senhora: “Hoje é dia de concentração na praça. Começa às 17 horas, mas os policiais do presidente chegam antes e usam essa sacada para observação de segurança. Talvez o senhor se sinta melhor se retornar depois do fim do evento”. Prontamente respondi que sim. Preferi chegar depois, porque, no mínimo, teria que me identificar para poder permanecer e, se ficasse, certamente não poderia usar a sacada. 

Eu estava em Havana e tinha, nessa vez, alugado uma parte do apartamento de uma professora (quarto, banheiro e sala, enquanto ela usava a cozinha e uma outra dependência com acesso particular). O prédio estava muito bem localizado, junto à Praça da Tribuna Anti-imperialista, e o apartamento tinha a tal sacada a que se referia minha hospedeira. Professora de História, era pessoa de confiança do regime e, graças a isso tinha “permiso” para alugar o imóvel a turistas. Com a sala, deu-me acesso à sua biblioteca (pouco mais de um metro de livros em espanhol e em russo). Explica-se o conteúdo em russo pelo fato de se haver graduado em Moscou, na Universidade da Amizade dos Povos, conhecida como Patrice Lumumba.

Então, por volta das 16 horas desci para a praça e assisti os atos que se seguiram. Eles consistiram numa sequência de discursos voltados ao enaltecimento do Comandante Fidel, da Revolução e dos admiráveis êxitos do regime tanto na Economia quanto na Educação e na dignidade do povo cubano. Tudo, claro, embrulhado, por todos os oradores, no invólucro comum: o dever patriótico de espinafrar o imperialismo e os “guzanos” (vermes), cubanos que se atiravam ao mar e iam para Miami, num fluxo contínuo, desde 1960.

Como eu descera cedo, pude apreciar a chegada do distinto público. Eram trazidos em ônibus, em grupos cuja afinidade se podia perceber tão logo desciam pois tagarelavam entre si. Alguém, mais tarde, me explicaria que provinham dos locais de trabalho e eram acompanhados por um “compañero” que representava os olhos e os ouvidos do Estado.

Nesse dia, Fidel não apareceu, o que deve ter representado um alívio para aquela pequena multidão, pois quando o tirano comparecia, falava, e quando falava proferia aqueles discursos que ficaram famosos, não pelo conteúdo, mas pelo muito que lhe custava colocar um ponto final nas arengas que duravam horas.

Por que este relato? Porque o público presente à solenidade deste dia 7 de setembro em Brasília, por quanto a TV mostrou, era muito semelhante ao daquela tarde/noite na Tribuna Anti-imperialista. Funcionários públicos, sindicalistas e companheiros de partido, convocados pelo governo, cumprindo ordens e portando bandeirinhas numa estranha mistureba do verde e amarelo com convenientes detalhes vermelhos no vestuário. A Pátria passava muito bem sem essa.

Percival Puggina (78) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país.. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.

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Drible de caneta  -  31/05/2023

 

Percival Puggina

         Gradualmente, a bruma se dissipa. A gente pisca os olhos como para limpar a visão e começa a ver um pouco além da grande confusão dos últimos meses. Já não se trata mais de buscar as razões do que aconteceu, porque elas nunca foram razões da razão; o que se percebe, com realismo, são os motivos e os objetivos. O impeachment de Dilma e a presidência de Michel Temer foram dois pontos fora da curva e a eleição de Bolsonaro marcou o terceiro surfando nas redes sociais apesar da imprensa tradicional e do “Ele não!”. Acabei de mencionar os motivos; os objetivos, obviamente, foram dois: derrotar Bolsonaro e, com Lula, trazer a esquerda de volta ao poder.

O fato mais expressivo da campanha eleitoral de 2022 foi a nítida sensação de que a reeleição do presidente era inaceitável para quem se habituou a comandar o jogo. Episódio eloquente ocorreu no dia 12 de dezembro do ano passado, na cerimônia de diplomação da chapa eleita: o auditório do TSE, repleto de autoridades e petistas engravatados, saudou a chegada do ministro Alexandre de Moraes à mesa dos trabalhos com estrondosa e prolongada salva de palmas. Uma alegria incontida que só não entendeu quem não quis. Os cotovelos de Lula devem ter ficado magoados porque sua recepção foi muito menos calorosa. Revela-se nesses detalhes o ânimo legionário que permite a locução de praxe: missão dada, missão cumprida.

Para usar uma expressão do futebol, a história levou um drible “de caneta”. Como no poema de Drummond: “E agora, José?”.

Durante décadas, eventuais conclusões sobre o futuro do Brasil nas mãos da esquerda eram rotuladas como teoria da conspiração. Agora, não dá mais, porque tudo que se dizia sobre as consequências de uma futura vitória de Lula, está em pleno curso, aberto, declarado, estampado. Parece que o presidente saído das urnas não se preocupou, nem mesmo, em cuidar da imagem de seus benfeitores.

Quer desestatizar, impedir privatizações, ampliar a máquina e o gasto público, distribuir empregos para seus militantes revogando a Lei das Estatais, aumentar impostos, reestatizar o Banco Central, desarmar a população, apoiar as ações do MST, desqualificar quem se dedica ao agronegócio, descartar a cláusula democrática para retomar o projeto da UNASUL, apoiar ditaduras de esquerda na América Latina, ampliar sua influência sobre o topo do Poder Judiciário e formalizar a censura das opiniões nas redes sociais, através do PL 2630. De novo, mesmo, apenas a ideia de financiar a Argentina através do Banco do BRICS, incluir Venezuela como membro daquela organização e criar moedas únicas com quem quer que o convide a dizer algo sobre economia.

Hoje, examinei as imagens da reunião dos presidentes dos países da América do Sul. Vi Lula em reuniões reservadas e renegociando dívidas com Nicolas Maduro. O ditador venezuelano, aqui recebido com pompa e circunstância, é um narco-terrorista que se chegar num país que pretenda proteger seus cidadãos, vai preso.

Nisso tudo, o que mais me espanta é conhecer tanta gente que simplesmente não se importa em perder sua liberdade (e, com ela, sua dignidade) e ferrar seu país.

Percival Puggina (78), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.

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O herói e mártir que abracei  -  06/03/2023

 

Percival Puggina

         A notícia que li meio por acaso na página SWI (Swissinfo) do dia 1º de março me emocionou. Congressistas democratas e republicanos dos Estados Unidos apresentaram projeto de lei para homenagear o falecido opositor cubano Oswaldo Payá (1952-2012) dando seu nome à rua fronteira à Embaixada de Cuba em Washington. Diz a informação:

"Mudar o nome da rua em frente à embaixada de Cuba em D.C. vai homenagear os bravos mártires do movimento cubano pela liberdade. Também será um lembrete permanente de que, graças ao trabalho de bravos ativistas como Oswaldo Payá, os dias do regime estão contados e o povo cubano será livre", disse o congressista republicano Mario Díaz-Balart em um comunicado.

Além de Díaz-Balart, os defensores do projeto de lei "Oswaldo Payá Way" são os deputados republicanos Carlos A. Giménez, Nicole Malliotakis e María Elvira Salazar, além da democrata Debbie Wasserman Schultz.

A versão do Senado deste projeto de lei foi apresentada pelos senadores Ted Cruz, Marco Rubio e Rick Scott, republicanos, e Bob Menendez, Dick Durbin e Ben Cardin, democratas.

Quem leu meu livro A Tragédia da Utopia sabe que Oswaldo Payá foi, até sua morte, o principal, o mais lúcido, corajoso e moralmente inatacável líder oposicionista cubano. Minha experiência com a vida em um regime onde a liberdade é concessão do Estado a quem se comporta como o partido determina começou em 2001 quando, chegado em Havana, telefonei para ele e para a também dissidente Marta Beatriz Roque.

Falar com dissidentes não é um desses comportamentos tolerados. Menos ainda se quem os procura é estrangeiro. Então, passei a ser seguido e perdi imediatamente minha liberdade. Não via a hora de voltar para o Brasil, onde, à época, havia liberdade. Agora também aqui isso acabou.

Nosso encontro, marcado para um jantar que sucessivamente mudou de endereço até que ele se sentisse seguro, foi um desses momentos que ficam para a vida. Conheci um homem curtido por longos anos de sofrimento sob um regime ao qual se opôs desde jovem, ao ponto de ser levado para uma UMAP (campos de concentração que atendiam pelo nome de Unidades Militares de Ajuda à Produção). Ali padeceu por dois anos e, posteriormente, cumpriu outros dois na prisão da ilha de Pinos.

Católico e militante anticomunista nunca lhe permitiram cursar a universidade. Contudo, sua vocação política e seu anseio pela redemocratização fizeram dele um redator de manifestos, um publicista muito além dos estreitos limites impostos pelo regime. Criou o MCL (Movimento Cristiano de Liberación). Tentou  concorrer a deputado, mas os nada democráticos processos de formação das candidaturas em Cuba jamais lhe facultaram essa possibilidade nas assembleias de postulação. Em 1991 sua casa foi invadida, ofensas foram pintadas nas paredes e seu telefone, então grampeado, ainda permanecia assim quando telefonei para ele em 2001.

Durante um bom jantar, que afortunadamente tive a honra de lhe proporcionar e no qual pude desfrutar de sua companhia, Payá me forneceu anotações e documentos elaborados pelo MCL entre os quais seu Projecto Varella, para a restauração da democracia em Cuba. Ao despedir-nos, ele me agradeceu por transmitir ao Brasil o sofrimento do povo cubano. O abraço que nos demos foi fraterno e sólido. Fraterno na fé e sólido nas convicções comuns.

Quando voltei a Cuba em 2010, quis retomar contato. O caminho seguro passava por seu irmão que vive na Espanha e me deu um telefone para o qual eu poderia ligar quando chegasse em Cuba.  Payá seria avisado e marcaria local e hora para nosso encontro. Ligações para lá e para cá, ficou acertado que me buscaria no hotel. Em algum momento, porém, essa ligação foi interceptada porque a porta do hotel Mercure Sevilla amanheceu policiada e não conseguimos nos encontrar.

Menos de um ano depois ele foi morto num “acidente” de carro, a caminho de Santiago de Cuba, em companhia de Harold Cespero, outro líder do MCL, também morto. A bordo, ainda, um jovem do Partido Popular espanhol e um sueco. Na 2ª edição de A tragédia da Utopia conto essa história em detalhes.

Por todas essas razões, alegrou-me o espírito saber que o endereço da embaixada cubana talvez carregue, para o túmulo do maldito regime, o nome de Oswaldo Payá – herói e mártir que um dia abracei.

Percival Puggina (78), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.

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As últimas 30 moedas  -  01/02/2023

 

Percival Puggina

         Nesta noite de 31 de janeiro, enquanto os brasileiros dormiam, um Brasil obscuro raspava as gavetas do poder em busca das últimas 30 moedas com que possa comprar consciências e garantir votos de senadores para o candidato preferido pelo stalinismo que avança no país.

Escrevo isso e todos os leitores sabem do que falo. O aparelho está montado. Tarefas bem definidas. Uns pintam; outros bordam. Juntos, pintam e bordam!

Cansei de escrever que o livro “Pedagogia do oprimido”, a famosa obra máxima de Paulo Freire, deveria chamar-se “Pedagogia da opressão” porque seu produto final era a ignorância que – esta sim – oprime. Pois o quadro político instalado no país dá sequência no plano institucional à pedagogia da opressão. É ela que está em jogo.

O Brasil não só viu como sentiu na pele a impotência a que são levados os cidadãos que contemplam a lista de seus direitos constitucionais arrastada ao chão pelo mutirão empenhado em lhe tomar a alma. A situação está bem retratada no livro “Nos campos de concentração soviéticos” de Vladimir V. Tchernavin (ed. Avis Rara). Nessa obra, o autor busca na própria experiência os detalhes e os extremos da situação humana a que são jogados aqueles que veem seu destino dependendo inteiramente de alguém que lhes dispensa profundo desdém.

Infelizmente, algo assim está acontecendo no Brasil. Para que o ser humano não exprima emoções, é preciso que não as sinta; para que não as sinta, é preciso que não as tenha; para que não as tenha é preciso roubar-lhe a alma; para que a alma lhe seja tomada é preciso infundir-lhe o supremo temor e suprimir-lhe o mais tênue fio de esperança. Cãezinhos ruidosos, que latem por qualquer coisa, se repreendidos pelo dono, produzem um som cavo, fraco. Latem para dentro.

É o que querem nossos novos stalinistas enquanto usam todos os estratagemas para preservar os ferrolhos além dos quais se confinam um estado de direito sem direitos fundamentais e uma democracia da qual restem, apenas, as formalidades e o rito eleitoral.  

Percival Puggina (78), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.

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A ESTÉTICA REVOLUCIONÁRIA, OU: POR QUE VIVEMOS PERIGOSAMENTE?  -  15/12/2021

 

Percival Puggina

 

         Parecia impossível, mas nos habituamos a viver perigosamente, contando com a sorte de não estarmos à hora errada, no lugar errado. O mundo do crime prospera como nenhum outro ramo de “negócios”, consolida-se compondo e fortificando estados paralelos, nos toma como presas e tem, da lei, proteção superior à de suas vítimas.

O bandido brasileiro, apoiado por uma retórica de conveniência e pela autoproteção dos corruptos, sabe que opera com baixíssimo risco de ser preso e pagar por sua ação. É uma espécie de “camarada em armas” de certa intelectualidade que anseia por uma revolução. Atua em ramo altamente rentável e de baixíssimo risco. Teme muito mais a duríssima lei que rege o submundo do que a lei que rege a sociedade. Aquela é eficaz; esta, mera hipótese.

Muito nos perguntamos sobre os motivos que levam tantas pessoas esclarecidas a se seduzir pelo pensamento revolucionário, marxista, apoiando ou difundindo ideias que acabarão por sufocar sua própria liberdade. Não sou eu quem o assegura. Esse é o centenário e constante grito da história.

Penso que a vida e a experiência permitem constatar um fator essencial a motivar adesão a caminho tão sinistro. Refiro-me à estética revolucionária, à glamourização da vida criminosa, operada pelos salões de beleza dos meios culturais e educacionais.

Neles, a realidade presente e os fatos passados entram de um jeito e saem de outro, inteiramente modificados. O que é feio por natureza sai formoso pela jeitosa manipulação dos detalhes e ocultações. Desse trabalho, nasce a suposta superioridade moral do pensamento revolucionário.

Eis aí, a meu ver, a principal causa da insegurança em que vivemos. Ela jamais será corrigida e nossa liberdade jamais recuperada, se continuar havendo mercado para a ideia de que o criminoso é vítima da sociedade e do sistema, é alguém de quem não se pode esperar outra conduta que não seja buscar, pela violência e pela organização criminosa, o que de direito lhe pertence.

Esse é um dos conceitos mais hediondos, mais falsos e corrosivos da ordem pública que se pode compartilhar. Retoquem o visual quanto quiserem, isso não mudará os fatos. O criminoso sabe que sua ação está errada, tem consciência moral sobre a natureza do ato que comete, mas planeja sua ação e a pondera numa perspectiva econômica. Coloca na balança o lucro e o risco. E sabe que, no Brasil, como regra geral, salvo azar, “não dá nada”.

Todo criminoso – com arma, caneta ou mandato – pensa exatamente assim.

Percival Puggina (76), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.

 

 

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POR QUE IMPÉRIO DA LEI PARECE NOME DE ESCOLA DE SAMBA?  -  07/05/2021

 

Percival Puggina

        

Tive a felicidade de conhecer o Rio de Janeiro no tempo em que seus morros eram expressões do capricho paisagístico de Deus no ato da Criação. Entre as preciosidades dessa estética divina destaco as agulhas pétreas dos Alpes e dos Andes, que vi como inspiração gelada do gótico que tanto fascínio exerce sobre mim.

No Rio é diferente. Aliás, é o oposto. A mão de Deus moldou, ali,  curvas tropicais, sensuais, grávidas de vida. A beleza da cidade costumava atrair um qualificado turismo nacional e internacional. De lá para cá, morros viraram ameaça soturna a pesar sobre a “cidade a seus pés”. Regiões inteiras tornaram-se palco de uma guerra sem fim, focos de insegurança, sedes de estados paralelos, casamatas de organizações criminosas, ocupações viciosas do espaço urbano que expandiram seu modelo pelos outros grandes centros do país.

Ontem, 6 de maio, a favela do Jacarezinho foi palco de uma ação policial que deixou 25 mortos. Aliciamento de crianças e adolescentes para o tráfico, roubo de cargas, homicídios, sequestros de pessoas e de trens são alguns dos ramos de negócios da quadrilha que atua na região. Desconheço os detalhes da operação, mas não vejo como aceitável que ações criminosas mesmo quando eventuais, fiquem sem resposta policial, judicial e penal.

Mesmo acostumada a dormir ouvindo o espocar dos tiroteios e o matracar das metralhadoras, mesmo habituada a contar, toda manhã, cadáveres abandonados pelos criminosos, o número de vítimas dessa operação ganhou manchetes em todo o país.

O que se colhe no Rio de Janeiro nestas últimas décadas é rescaldo da tolerância. Contaminadas pela corrupção, sua política, sua justiça, sua polícia foram sendo moldadas por um estilo de vida que zombou da virtude e se foi deixando encantar por seus demônios. Enquanto isso, parte da sociedade aderiu a uma falsa virtude que pretende combater o crime com pombas brancas, flores e pulsantes coraçõezinhos feitos com as mãos.

O saneamento de uma região conflagrada com ações de atenção social não prescinde da ação policial contra a criminalidade, nem do revide quando bandidos, armados, disparam contra a polícia. Nenhuma sociedade civilizada pode tolerar que criminosos ajam impunemente e atirem contra a polícia que expõe a própria vida para protegê-la.

O que se vê no Rio é um microcosmo compactado da realidade nacional. Não difere do que se observa no Brasil, nesse combate com objetivos revolucionários, multilateral, aos valores e princípios cujo abandono nos tem custado tão caro. Tão caro que “império da lei” mais parece nome de escola de samba.

Percival Puggina (76), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.

 

 

 

 

 

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O INSÓLITO ENCONTRO DE CHICO E FRANCISCO  -  13/12/2018

 

O compositor Chico Buarque, sua namorada, um advogado argentino e uma ativista italiana estiveram, na última terça-feira, 12 de dezembro, com o Papa Francisco. Interessei-me. O que teria levado Chico a procurar Francisco? Para qual esquina da vida tão distintas biografias convergiriam?

Chico sobraçava um volume de 100 páginas que os portadores exibiram para provar o que denominam judicialização seletiva da política na Argentina, no Equador e no Brasil e o consequente comprometimento de suas democracias. Por “judicialização seletiva da política”, em linguagem menos pedante, se entenderia, no caso brasileiro, que o mártir Lula, aquele santo em vida, está preso injustamente por conta de um suposto cambalacho que derrubou a hegemonia esquerdista no país.

                                                                                                   ***


Eu retornara de Cuba havia quatro meses quando, em 18 de março de 2003, ocorreram as violentas ações policiais e judiciais que ficaram conhecidas, no país, como a Primavera Negra. Foram presos 75 dissidentes, defensores de direitos humanos e jornalistas independentes. Entre eles estavam listadas pessoas com quem me havia encontrado em novembro de 2002, colhendo informações para a primeira edição de meu livro Cuba, a Tragédia da Utopia, que viria a ser publicado em 2004. Foi com lágrimas nos olhos que vi condenada a incríveis 20 anos de prisão, minha brava amiga de cabelos brancos, a economista Marta Beatriz Roque Cabello, com quem ainda hoje me correspondo regularmente. As penas variavam entre 15 e 28 anos de prisão em regime fechado. O rigor das ações e sanções chamou a atenção mundial e um angustiante terror se abateu sobre a população.

Duas semanas mais tarde, a 2 de abril, armados de uma faca e um revólver, um grupo de 11 jovens, sem que ninguém causasse ou sofresse um arranhão, abordou uma lancha de navegação costeira e determinou que rumassem para os Estados Unidos. Trinta milhas adiante, ficaram sem combustível e foram rebocados para o porto de Mariel. Nove dias mais tarde, haviam sido julgados, recorrido das sentenças e, três deles, executados por pelotão de fuzilamento. A estes, posteriormente, Fidel, se iria referir de modo depreciativo como “los três negritos”... Aos demais, prisão perpétua. Não houve tempo, sequer, para os familiares serem comunicados da execução das sentenças, cumpridas na madrugada. A brutalidade das ações e a desproporção das penas chocou a opinião mundial. Antigos apoiadores de Fidel, como o português José Saramago e a argentina Mercedes Sosa proclamaram seu rompimento com o regime. “Até aqui eu fui” escreveu Saramago, que suportara muito bem as 20 mil sentenças de morte até então cumpridas pelo regime. As três últimas, porém, foram as gotas que lhe encheram o tolerante copo.

É claro que a reação internacional exigia resposta rápida. Foi assim que, mundo afora, seguindo a velha rotina, centenas de “intelectuais” partiram em defesa do regime e de suas ações. No clamor dos fatos, no dia 1º de maio, durante as habituais celebrações realizadas na Praça da Revolução, foi lido um manifesto com o título “Chamado à consciência do mundo” redigido em defesa de toda aquela brutalidade, descrita como ato de soberania a exigir respeito. Entre os mais de 300 signatários, contam-se Adolfo Perez Esquivel, Rigoberta Menchú, Gabriel Garcia Marquez, Eduardo Galeano, o padre sandinista Ernesto Cardenal, o cantor Harry Belafonte, e, claro, o inexorável humanista e indefectível democrata e defensor dos direitos humanos, Chico Buarque de Hollanda.

Pois foi esse cidadão brasileiro que recebeu de Sua Santidade o privilégio de uma audiência, havida na condição de paladino do Direito, da Justiça, e porta-voz de nobilíssimos anseios democráticos. A ambos, olhando os restos do regime dos Castro, se pode indagar com versos do próprio visitante: “O que cantam os poetas mais delirantes, o que juram os profetas embriagados, o que está na romaria dos mutilados, o que está na fantasia dos infelizes, o que está no dia a dia das meretrizes, dos bandidos, dos desvalidos” cubanos?

NOTA DO AUTOR:  A propósito, estou ultimando detalhes para lançamento, no mês de abril, da 2ª edição, atualizada e ampliada, de "A Tragédia da Ttopia" - 60 anos de revolução em Cuba.

* Percival Puggina (73), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.
 

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QUEM QUER PAGAR ESSA CONTA?  -  08/08/2017

 

 Cláudio Humberto, em recente coluna no Diário do Poder, informou que os veículos oficiais federais custaram aos cofres públicos R$ 1,6 bilhão em 2016. O montante inclui viaturas de serviço e representação e envolve renovação da frota, manutenção e pagamento de impostos.

 Quem acha que deve pagar essa conta toda, especialmente a parcela que envolve os carros de representação, levante a mão. Tais viaturas são resíduos das carruagens do Paço Real no século XIX e das liteiras conduzidas por escravos nos séculos anteriores. Afinal, ninguém realmente importante está aí para sujar sapato na poeira das ruas, misturar-se à plebe ou rodar no próprio automóvel, como se fosse, digamos assim, uma pessoa ... normal, não é mesmo? De que valeria o poder sem aparatos e mordomias que o tornem objeto de cobiça? No século XXI, nós somos os cavalos da carruagem e os escravos da liteira.

 Essa mentalidade é parte do problema brasileiro. É como se o chefe de família, bêbado e jogador, cobrasse à mulher e aos filhos que cortassem as próprias despesas. Falta autoridade moral. Falta autoridade moral para justificar medidas efetivamente necessárias e realmente significativas ao quadro fiscal do país quando o Congresso Nacional negocia uma boca livre de R$ 3,5 bilhões para os gastos de campanha eleitoral no ano que vem. Ou quando o Senado da República renova o contrato de locação de veículos zero quilômetro para os senadores ao custo de R$ 8,3 milhões, por 30 meses. Fazem parte do contrato duas liteiras turbinadas, com motor de 250 CC, cujo peso é sustentado pelos nossos braços.
 As regalias do poder são evidências da distância que o separa do cotidiano em que se vira e contorce a nação. Basta listar alguns que a memória socorre: jatinhos da FAB, helicópteros, cartões corporativos, verbas de ostentação (eufemisticamente designadas como de "representação"), voos em 1ª classe, auxílios moradia e alimentação, adicionais (ah, os tão bem-vindos adicionais!) de vários tipos e motivos. E quanto mais distante dos olhos estiver a realidade social, maior sua distância do coração.

Enquanto isso acontece por aqui, em meio às nossas reconhecidas dificuldades, na Holanda parlamentares não têm direito a carro oficial e o prefeito vai de casa ao trabalho usando sua bicicleta. Na Suécia, nem o primeiro-ministro tem carro oficial; autoridades podem, no máximo, pedir reembolso para viagens oficiais ou se residirem a mais de 70 km de Estocolmo. Parlamentares suecos têm direito a reembolso do combustível. Na Noruega, há 20 carros para atender o governo e só o primeiro-ministro tem direito a veículo exclusivo. Em Londres, o prefeito anda de metrô ou bicicleta; ele e os vereadores recebem um vale-transporte anual para o metrô. Prefeito e vereadores da maior cidade da Europa têm compromisso de usar o transporte público. (Maiores detalhes a respeito estão disponíveis em www.nossasaopaulo.org.br/portal/node/47253)

O de que estamos falando aqui é sobre o "animus" do poder, ou seja, de sua alma, ou, ainda mais precisamente, dos sentimentos que a inspiram. Se e quando aquilo que move a alma do poder político for o indispensável espírito de serviço, estas ostentações e demasias são sumariamente rejeitadas, por aversão e coerência.

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* Percival Puggina (72), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.

 

 

 

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E LULA ACORDOU NUM SÍTIO QUE NÃO ERA DELE  -  21/04/2017



 Para contar desde o começo essa história do sítio de onde Lula se autodespejou, eu preciso começar por seu personagem mais estranho - Fernando Bittar. Ele é dono de um local aprazível onde não chegava telefonia celular. A propriedade precisava de cuidados e reformas para cuja execução não dispunha de renda suficiente. Mas não se deixou abater por isso.

 Disposto a transformar o Santa Bárbara num pequeno paraíso serrano, para onde nunca ia nem iria, o remediado Bittar, em vez de pedir orçamento para três empreiteiros e escolher o de menor preço, como faríamos nós, perguntou a seus universitários botões: qual é a maior empreiteira do país, universitários? E os botões, em coro lhe responderam: a Odebrecht. Não havendo discordância entre os informantes, Fernando decide. Que seja a Odebrecht.

 A poderosa construtora de hidroelétricas, portos e rodovias, despacha engenheiros para Atibaia. E a obra foi feita, ficando pronta bem antes da Linha 6 do metrô de São Paulo. Mas faltavam detalhes. Se alguma vez na vida você tentou falar com empresa de telefonia celular por telefone, deve saber o quanto isso é difícil. Imagine, então, conseguir dela a instalação de uma torre, só para você, em meio aos matagais e matacões de despovoada serra. Impossível? Não ao Fernando. Ele ligou para a OI e conseguiu sua torre. Também a velha cozinha não estava legal. Era preciso melhorar aquela parte da casa. Para a impressionante e complexa tarefa, nosso herói chamou outra grande empreiteira, a OAS, terceira no ranking das maiores do país.

Agora, pasmem. Quando tudo ficou pronto, num lance de fazer inveja a João Pedro Stédile, o ex-presidente Lula irrompe no Santa Bárbara, sem foices nem bandeiras vermelhas, com aquela entourage que a nação lhe disponibiliza vitaliciamente para que nunca mais na vida necessite ir até a adega buscar uma garrafa. E de tudo, a partir daí, usou e abusou em 111 visitas até seu autodespejo.

Gostaria de haver assistido aquela alvorada de uma nova consciência na alma de Lula. Só pode ter sido algo assim. Veja se não. Ele acordou, esfregou os olhos, contemplou assustado seu entorno, sacudiu a galega até despertá-la e disparou: "O que estamos fazendo aqui, mulher? Não me chamo Fernando e não moro em Atibaia! Vamos embora deste lugar!". E se foram para nunca mais voltar.

Nem Luiz Inácio, nem Fernando. Só alguns milhares de garrafas de vinhos finos, se não resgatadas, dormem serenas na fria encosta da Serra do Itapetinga.

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* Percival Puggina (72), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.

 

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MORREU O GRÃO-SENHOR DA SENZALA  -  28/11/2016

 

A "revolução" cubana me despertou tanta curiosidade que um dia, em 2001, resolvi conhecer a ilha dos Castro. Supunha que o comunismo, essa ideologia funesta, estivesse com os dias contados e visitar Cuba era o modo mais econômico de ainda ver de perto uma sociedade sob tal regime. Ao retornar ao Brasil, as pessoas com quem conversava sobre a viagem me pediam que colocasse as observações num livro. Assim, voltei a Havana no ano seguinte para colher subsídios e escrever "Cuba, a tragédia da utopia", publicado em 2004. Nessa viagem, após cometer a imprudência de telefonar, contatar e encontrar-me em público com vários dissidentes, pude experimentar e compartilhar, com eles, o temor, a insegurança e a sensação de viver sob vigilância de um Estado totalitário. Fui seguido, filmado e, por via das dúvidas, busquei (inutilmente, aliás) proteção da embaixada brasileira, já então sob orientação petista. Continuei acompanhando a vida cubana através de correspondentes. Voltei de novo em 2011 atualizando observações e dados para uma edição ampliada do livro de 2004, em fase final de redação.

Há, em minha biblioteca, dezenas de livros sobre Cuba. Desde os primeiros, escritos ainda em 1960 por jornalistas e membros do mundo acadêmico de esquerda norte-americano, até os mais recentes, de autores que serviram pessoalmente a Fidel Castro como membros do serviço secreto ou segurança pessoal. Mas não se engane, leitor. A maior parte da bibliografia é laudatória. Visa ao proselitismo. Pretende convencer que o regime é muito bom; o resto do mundo é que não presta.

Quem conhece a realidade local sabe que o povo da ilha, faz tempo, jogou a toalha da esperança no tablado da luta cotidiana. Ninguém mais acredita no governo, no regime, ou em dias melhores. Ninguém, fora da nomenklatura, crê que possa haver refeições satisfatórias além da cada vez mais subnutrida libreta de racionamento. Depois de quase seis décadas de semeadura de ódios aos ianques, o maior anseio e único horizonte da população é o retorno deles com suas verdinhas e seus empreendimentos, soprando ares de liberdade.

Estes momentos que seguem à morte do tirano proporcionaram um novo alento à propaganda comunista no Brasil. A mesma mídia que chorou a eleição de Trump aproveitou o embalo e ofereceu compungidos e afetuosos necrológios a Fidel. Dir-se-ia que certos jornalistas tinham perdido o vovô, velhinho bom, que dedicara a vida ao ideal da sociedade igualitária. Uma hipocrisia descomunal! Nestes tempos de internet, todos sabem que Fidel, desde que chegou ao poder, viveu como um nababo; que se apropriou de uma ilha, Cayo Piedra, onde construiu um paraíso particular (e não diz que é de um amigo dele); que tinha várias residências com diferentes mulheres; que sua despensa sempre foi abastecida das melhores iguarias que o dinheiro pode comprar. Quem descreve com mais detalhes e credibilidade os requintes da cozinha de Fidel Castro (num país com mais de meio século de racionamento) é o irrequieto frei Betto, em "O Paraíso Perdido". Nessa obra, cada capítulo conta algo de sua atividade como intelectual revolucionário itinerante e dos lautos banquetes com que se nutria para essa faina. Muitos deles, sentado à mesa farta do carniceiro do Caribe.

Então, leitor, morreu um ditador, serial killer, hipócrita. Por lógica intrínseca, irrecusável pela razão e pela visão em todas as suas experiências, igualitarismo é o formato que tomou a escravidão no século XX. Os membros da elite política do partido único são os novos senhores dessas poucas senzalas nacionais ainda remanescentes em desditosas nações contemporâneas.

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* Percival Puggina (71), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.

 

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O SILÊNCIO DE MARISA LETÍCIA E FÁBIO LUIS  -  14/08/2016

 


 A esposa de Lula e o filho Fábio Luis foram convocados para depor sobre aquele sítio que dizem não lhes pertencer. Como se sabe, a família usava o local como proprietária, atuou nas obras e reformas como se fosse dona, mas tudo era custeado por empreiteiras que trabalhavam para o governo Lula. Por seus advogados, mãe e filho afirmaram nada terem a declarar. Se intimados, permaneceriam em silêncio. O delegado não abriu mão da convocação e os advertiu sobre uma possível condução coercitiva.

 Situação constrangedora! Imagine dona Marisa Letícia acompanhando a obra, escolhendo materiais, dispondo sobre detalhes, aceitando isto, recusando aquilo, dando ordens e recebendo mesuras dos engenheiros e arquitetos, gerando despesas vultosas numa propriedade alheia. Por que estava ela ali? Porque o marido assim determinou. De repente, ela e o filho são chamados à delegacia para dar explicações sobre algo tão indecifrável.

Fico a imaginar com quanta diligência qualquer leitor destas linhas se apressaria a comparecer espontaneamente perante a autoridade policial e a tudo esclarecer - fatos, relatos, documentos e testemunhas - para que nenhuma dúvida pairasse sobre sua honestidade pessoal, para que mácula alguma sombreasse sua família.

Se assim agiriam pessoas de bem, de que se pode cogitar quando o silêncio é a resposta possível, quando o chão é o lugar certo para esconder o olhar e quando a imobilidade facial é a única expressão que alguém se permite?

O homem por trás desse constrangimento todo é o chefe daquela família, o ex-presidente da República, o senhor Luis Inácio Lula da Silva. Sua ascensão ao poder foi encarada como oportunidade de enriquecimento familiar e assim levada de modo tão minucioso quanto amplo. Sei que é duro escrever sobre ele e sobre isso num dia como o Dia dos Pais. Mas o constrangimento de Marisa Letícia e do filho Fábio Luis, que ocupam o noticiário deste fim de semana, têm tudo a ver com o sentido de honra que o marido, que o pai, não soube preservar. Ao ceder em dignidade, perdeu alguns amigos e granjeou muitos outros. Nasceu a maior organização criminosa de que se tem notícia. Creio que pelos amigos antigos falou José Carlos Bumlai, com as palavras que li nos jornais de hoje, 14 de agosto. Bumlai era tão ligado ao ex-presidente que a recepção do gabinete presidencial mantinha ativo um cartaz com sua foto assegurando total prioridade de acesso a Lula. E o que disse Bumlai sobre suas relações com o ex-presidente e seu partido? - "Fui o trouxa perfeito do PT"! Em fevereiro, ao depor, Lula tentou empurrar a reforma do sítio para Bumlai. Seria um presente do trouxa perfeito. O advogado do pecuarista, contudo, refutou a afirmação: "Só se a Odebrecht for propriedade de Bumlai, o que não me consta".

O anunciado silêncio de Marisa Letícia e Fábio Luis certificam o precipício moral em que a cobiça, a arrogância e a vaidade lançaram o chefe da família Lula da Silva.

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* Percival Puggina (71), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.

 

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'O PARAÍSO PERDIDO"  -  14/08/2014

"A Teologia da Libertação é mais importante que o marxismo para a revolução latino-americana" Fidel Castro, citado por Frei Betto em "O Paraíso perdido", pag. 166.

Paraíso perdido é o título de uma obra poética de John Milton sobre a tentação e queda de Adão e Eva. E é, também, o título de um livro de memórias gastronômicas e de militância comunista em que Frei Betto descreve suas andanças pela América Latina e Leste Europeu nos anos 80.

São mais de 400 páginas relatando dezenas, talvez mais de uma centena de viagens e itinerários em contato com lideranças católicas e governos comunistas, cumprindo dois objetivos: aproximar os católicos do comunismo e apresentar a Teologia da Libertação (TL) às lideranças comunistas. Muitas dessas viagens tiveram Cuba como destino e Fidel como figura central. Ao longo dessa jornada em que o frei vendia mercadoria avariada para os dois lados, ele e Fidel se tornaram amigos.

O relato se encerra pouco após a queda do Muro de Berlim, com o desfazimento da União Soviética. As longas páginas finais em que discorre sobre a perda do "paraíso", podem ser resumidas nestas palavras do autor: "Mudar a sociedade é modificar também os valores que regem a vida social. Essa revolução cultural certamente é mais difícil que a primeira, a social. Talvez por isso o socialismo tenha desabado como um castelo de cartas no Leste Europeu. Saciou a fome de pão, mas não a de beleza. Erradicou-se a miséria, mas não se logrou que as pessoas cultivassem sentimentos altruístas, valores éticos, atitudes de compaixão e solidariedade”.

Ora, economias comunistas são estéreis. Não saciam a fome de pão. E a fome de beleza, a cultura de valores, compaixão e solidariedade, jamais foi gerada sob o materialismo de tal regime. Sem qualquer exceção, onde ele se instalou, avançou com ferocidade contra tudo que os poderia produzir. Família, liberdades, religiões e seus valores foram sempre espezinhados sob o tacão do Estado totalitário. Quem quiser detalhes, informe-se sobre o que aconteceu com padres, bispos, cardeais, instituições religiosas na Hungria do cardeal Jószef Mindzensty, na Tchecoeslováquia do cardeal Josef Beran, na Polônia do cardeal Wyszynski, na Ucrânia do arcebispo Josyf Slipyj, na Iugoslávia, do arcebispo Stepinac. O comunismo foi, sempre, uma usina de mártires.

Aliás, Nero, Décio, Diocleciano e Galério foram mais moderados e indulgentes com os cristãos do que os governantes comunistas. "Qual o produto de tantos anos de trabalho do frei?" indagará o leitor. Pois é. Ele foi razoavelmente bem sucedido em levar a desgraça do comunismo aos cristãos. E fracassou totalmente em levar o "cristianismo" da TL às elites do comunismo. Apesar disso, a Teologia da Libertação volta a ganhar vida e adeptos no ambiente católico.

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* Percival Puggina (69) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões, membro do grupo Pensar+.

 


 

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GENOÍNO E A AÇÃO ENTRE AMIGOS  -  17/01/2014

Tenho sob os olhos o site da Folha do dia 1º de dezembro último, onde leio: Miruna Kayano Genoino lembra com detalhes da tarde em que seu pai reuniu a família e comunicou: Lula pediu para eu ser presidente do PT e vou fazer isso porque esse projeto precisa funcionar. O ano era 2002 e Luiz Inácio Lula da Silva tinha sido eleito presidente da República. Genoino fez o que julgou necessário para o projeto funcionar. Mas, a despeito de possíveis méritos, incorreu nos crimes pelos quais foi denunciado e compôs, com José Dirceu, a dupla de famosos que o Partido dos Trabalhadores pretende transformar em mártires da fé petista. Mártires que teriam sido entregues, no curso da Ação Penal 470, aos leões e leoas de toga do Supremo Tribunal Federal. Permanece envolto em brumas o motivo pelo qual todos os outros condenados, entre os quais alguns petistas, não merecem que o PT lhes estenda, como sinal de solidariedade, sequer a ponta do dedo mínimo. Ela via inteira para os dois filhos diletos do partido e do governo. A filha de Genoino e o diretório paulista do PT lançaram uma ação entre amigos para coletar os recursos necessários ao pagamento da pena pecuniária que lhe foi imposta. Faz sentido. Poucas vezes se viu, no Brasil, um governo tão fracionado entre amigos. O próprio governo petista é uma ação entre amigos, carente de organicidade e eficiência. Afinal, lugar de amigo é no lado direito do peito e não nos órgãos de governo e de administração da República. A absorção da pena pecuniária por numerosos doadores não afronta à Justiça nem configura uma injustiça. Se tudo foi feito para o partido porque o projeto tem que funcionar, quem pode assegurar que não esteja sendo de inteira justiça a espontânea partilha da pena entre os companheiros de Genoino? Não é excessivo lembrar que, em 2005, ele deixou a presidência do PT por causa do Mensalão. Que Dirceu saiu da Casa Civil por causa do Mensalão. Que o Diretório Nacional do PT expulsou Delúbio Soares do partido, por causa do mensalão. O PT de hoje se esqueceu de algo que o PT de 2005 sabia. Especial para revista Voto, jan/2014
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GENOÍNO E A AÇÃO ENTRE AMIGOS  -  16/01/2014

Tenho sob os olhos o site da Folha do dia 1º de dezembro último, onde leio: Miruna Kayano Genoino lembra com detalhes da tarde em que seu pai reuniu a família e comunicou: Lula pediu para eu ser presidente do PT e vou fazer isso porque esse projeto precisa funcionar. O ano era 2002 e Luiz Inácio Lula da Silva tinha sido eleito presidente da República. Genoino fez o que julgou necessário para o projeto funcionar. Mas, a despeito de possíveis méritos, incorreu nos crimes pelos quais foi denunciado e compôs, com José Dirceu, a dupla de famosos que o Partido dos Trabalhadores pretende transformar em mártires da fé petista. Mártires que teriam sido entregues, no curso da Ação Penal 470, aos leões e leoas de toga do Supremo Tribunal Federal. Permanece envolto em brumas o motivo pelo qual todos os outros condenados, entre os quais alguns petistas, não merecem que o PT lhes estenda, como sinal de solidariedade, sequer a ponta do dedo mínimo. Ela via inteira para os dois filhos diletos do partido e do governo. A filha de Genoino e o diretório paulista do PT lançaram uma ação entre amigos para coletar os recursos necessários ao pagamento da pena pecuniária que lhe foi imposta. Faz sentido. Poucas vezes se viu, no Brasil, um governo tão fracionado entre amigos. O próprio governo petista é uma ação entre amigos, carente de organicidade e eficiência. Afinal, lugar de amigo é no lado direito do peito e não nos órgãos de governo e de administração da República. A absorção da pena pecuniária por numerosos doadores não afronta à Justiça nem configura uma injustiça. Se tudo foi feito para o partido, porque o projeto tem que funcionar, quem pode assegurar que não esteja sendo de inteira justiça a espontânea partilha da pena entre os companheiros de Genoino? Não é excessivo lembrar que, em 2005, ele deixou a presidência do PT por causa do Mensalão. Que Dirceu saiu da Casa Civil por causa do Mensalão. Que o Diretório Nacional do PT expulsou Delúbio Soares do partido, por causa do mensalão. O PT de hoje se esqueceu de algo que o PT de 2005 sabia. Publicado na revista Voto, edição de janeiro de 2014, nas bancas.
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O TOTALITARISMO VESTE ARMANI  -  07/09/2012

O velho totalitarismo tornou-se mestre do disfarce. Durante alguns anos, se fez de morto. Ganhou sapato novo. E chegou ao poder no dia 1º de janeiro de 2003. Hoje, desfila de terno Armani. Se você, leitor, é daqueles que ainda imaginam o totalitarismo parado numa esquina, maltrapilho, barba por fazer, banho por tomar, distribuindo panfletos contra os patrões e seu sistema, engana-se. O totalitarismo está no poder e sua panfletagem se dá pela web. Conta com um exército de blogueiros e editores de jornais eletrônicos que fazem a mesma coisa de antes com eficiência muito maior. A velha tática da infiltração para aparelhamento, que outrora ocorria de baixo para cima, agora é feita desde cima, onde há dinheiro à vontade. Totalitarismo por quê? talvez esteja se perguntando o leitor destas linhas. Afinal, dirá, o regime é democrático, há eleições e as regras do jogo político são cumpridas. De fato, mas cuidado com os disfarces. Não espere o totalitarismo, depois dos vexames que passou mundo afora, exibindo ao público toda sua hórrida nudez. Tampouco o imagine entrincheirado numa encosta de morro, brincando de Fidel Castro e Che Guevara. Nada disso. Renovado, tornou-se sutil. Para reconhecê-lo, é necessário estar atento aos detalhes, observar suas principais afeições políticas, verificar quais são os governantes aos quais dedica seus abraços mais calorosos, o que diz nos fóruns onde solta o verbo, ler as leis que patrocina e o desapreço que manifesta ao cristianismo, à família e à economia de mercado. Poderia desfiar exemplos, contar casos acontecidos em debates de que participei ou assisti. No entanto, meu assunto aqui diz respeito a algo novo, a uma recente evidência do que estou afirmando. Todos sabemos o quanto a manipulação do vocabulário serve aos projetos totalitários. Nada era menos republicano, democrático e popular do que as repúblicas democráticas e populares nascidas no século 20. Na política, o domínio do vocabulário serve esplendidamente à construção da hegemonia e carimba o passaporte do Príncipe para o poder. Gramsci percebeu isso e, aludindo a Machiavel, disse que o novo príncipe é o partido. Pois bem, se o leitor for atento ao que se fala nos blogs e sites de relacionamento para onde convergem milhões de pessoas no país, por certo já deparou com a palavra PIG. Se não sabe o que é isso, eu traduzo. PIG, que também significa porco em inglês, é a sigla de Partido da Imprensa Golpista, expressão criada pelo jornalista Paulo Henrique Amorim para designar a mídia de oposição ao governo. Ora, ora, caros leitores. Se o jogo político está sendo jogado em conformidade com as regras. Se os quartéis estão parados como água de poço tampado. Se não há um único projeto de impeachment tramitando no Congresso Nacional. Se a oposição, escangalhada, em vão procura um líder. Se nenhum movimento de massa faz aquilo que o Partido dos Trabalhadores era useiro e vezeiro nas suas campanha de Fora Sarney, Fora Collor, Fora FHC. Onde, raios, estão os sinais de golpe? A expressão PIG, criada pelo Amorim, prontamente acolhida pelo totalitarismo de terno Armani e seus exércitos, só se explica pela dificuldade de conviver com a crítica, com a oposição, com a fiscalização da imprensa livre, com um judiciário independente e, portanto, com a própria democracia. Voilá! - conforme queríamos demonstrar. Nem precisaria rejeitar tudo isso junto para ser totalitário. A palavra PIG, por fim, me remete às páginas policiais, onde, cotidianamente, se leem matérias sobre crimes passionais cometidos por pessoas que não suportam não serem amadas. Os totalitários tampouco conseguem conviver com quem não lhes presta veneração.
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NAS MÃOS DOS MINISTROS-CONSTITUINTES  -  28/04/2012

Assisti a boa parte das sessões em que o STF deliberou sobre a adoção de quotas raciais para ingresso nas universidades públicas. Praticamente todos os votos foram ornados com líricas declarações de amor à justiça pela igualdade. Estavam dispostos a servi-la às mancheias. O ministro Fux, por exemplo, não falava. As palavras lhe gotejavam como favos de mel enquanto o versejador Ayres Britto ralava os cotovelos na quina da mesa. Joaquim Barbosa cedeu a cadeira a Castro Alves e quedou-se em pé, atrás, feliz por estar ali, nesthora, sentindo deste painel a majestade. A ministra Rosa Maria, tecendo frases como quem bordasse sobre tela, assentou que a ação tinha de ser julgada à luz da Constituição, que consagra o repúdio ao racismo e o direito universal à educação. Foi um alívio, àquelas alturas, ficar sabendo que a ação seria julgada à luz da Constituição porque eu já desconfiava de que os votos estavam sendo iluminados pelos estatutos de algum movimento racial. Contudo, ficaram a quilômetros das ponderações da ministra as inevitáveis decorrências do voto que deu: doravante incorrerá em racismo e afrontará o direito universal à Educação toda universidade, pública ou privada, toda feira do livro, todo prêmio literário, que não prover as tais cotas. Marco Aurélio, por pouco, muito pouco, não disse que a adoção de quotas raciais se justifica porque o Estado é laico. Levandowski, o ministro-relator, foi saudado como a princesa Isabel da sessão. Só não lhe deram tapete vermelho e damas de companhia porque não ficaria bem. Mas sua imensa contribuição para a justiça racial no Brasil o fará ombrear, na história, com a filha de D. Pedro II. Ao lado da Lei Áurea, haverá de estar, para sempre, o Voto Diamantino que relatou à corte. O ministro, contudo, tinha um problema. Havia um preceito, na Constituição, segundo o qual ninguém pode ser discriminado por motivos de cor, etc.. E era demasiado óbvio que o regime de cotas raciais feria essa prescrição ao criar exceções ao mérito como critério seletivo. A arguição de inconstitucionalidade do regime de cotas alegava que os positivamente discriminados ingressam na universidade com nota inferior à obtida por aqueles que, negativamente discriminados, ficam de fora apesar de haverem obtido nota superior. Como saiu-se dessa encrenca o ministro? A possibilidade da discriminação positiva não poderia ser permanente, disse ele. Não poderia ser uma porta aberta para a eternidade. Precisaria valer apenas enquanto necessária. Só por uns tempos. Caso contrário, ocorreria a inconstitucionalidade. Capice? Enxuguemos pois as consequências, provisoriamente, através dos séculos, enquanto permanece aberta, a montante, lá no bê-á-bá do sistema público de ensino, a torneira das causas. Mas quem se importa? De jeitinho em jeitinho, vai-se a Constituição para o brejo, a segurança jurídica para o espaço e o Poder Legislativo para o outro lado da praça. Se o Congresso se omite em legislar, andam dizendo os ministros-constituintes, o STF precisa agir subsidiariamente. Esquecem-se de um dado da dinâmica parlamentar: quando o Congresso não delibera é porque não há entendimento sobre a matéria. E isso é absolutamente normal, significando que o parlamento, provisoriamente, decidiu não decidir. Aliás, a ideia de que o Estado precisa emitir leis sobre tudo e sobre todos é irmã do totalitarismo. Quando, nas normas que conduzem qualquer organização humana - do estatuto do clube à constituição nacional - se pretende criar exceções ou regulamentar detalhes, produz-se uma balbúrdia com efeito contrário ao pretendido. Em vez de esclarecer, confunde-se cada vez mais. Por favor! Menos leis, mais liberdade. ______________ * Percival Puggina (67) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site www.puggina.org, articulista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões
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BASEADO EM FATOS REAIS  -  03/02/2012

O que vou contar aconteceu numa cidade do interior. Por uma questão de prudência que os leitores certamente entenderão e desculparão, será preciso omitir detalhes e nomes dos personagens. Havia nessa cidade uma importante empresa que respondia por muitos empregos e tinha peso significativo na vida da comunidade. Era uma organização antiga, que atuava em diversos segmentos, sob o comando centralizado e pessoal do diretor-presidente. Certa feita (para mim, relato sem certa feita situa-se fora do tempo), chegou ao município uma senhora, com formação na área de economia, especialidade bem incomum naquelas bandas onde passou a lecionar e a escrever artigos com análises das características, potencialidades e gargalos do desenvolvimento local. Com o tempo, tornou-se consultora requisitada, trabalhou para a prefeitura, e foi conquistando a confiança da comunidade malgrado certas reticências que circundavam e envolviam o seu passado. Quando o peso dos anos (peso dos anos é outra expressão boa e verdadeira) começou a incidir sobre o diretor-presidente da organização, ele se lembrou da economista e resolveu convidá-la para assumir uma função gerencial a ser exercida em conjunto com ele. Antevia-se uma mudança na estrutura da empresa e uma profissionalização de sua gestão. O arranjo funcionou durante vários anos, ao longo dos quais a gerente foi ampliando seu raio de ação e seu poder, passando, na prática, a dirigir tudo com mão de ferro. Ficou conhecida, no âmbito interno e externo, como pessoa dura no trato, inflexível, exigente, detalhista e centralizadora. Tudo passava por ela que, infatigável, parecia nascida para aquelas minuciosas tarefas. Diplomacia e política não eram peças de seu cardápio. Pão, pão e queijo, queijo. A empresa, num mercado pouco competitivo, ia bastante bem, com desempenho positivo sob o impulso de ventos favoráveis da economia. Assim, quando o diretor-presidente decidiu se afastar em definitivo, resultou consensual que caberia a ela assumir oficialmente o posto. Poucos meses mais tarde, surgiram boatos. Havia algo errado. De início era apenas um zum-zum interno. Mas o zum-zum chegou às ruas, e rapidamente atingiu aquele lugar onde não poderia entrar sem causar comoção: o café da cidade. Dali para o jornal local era só meia quadra. E o diretor do periódico não era do tipo que sentasse em cima das matérias. Aliás, é assim mesmo que as coisas funcionam. O problema vai para a rua e quando retorna das ruas, em letra de forma, já é encrenca grossa. Resultado: começaram as investigações, as auditorias e o que se ficou sabendo estarreceu a todos. Havia muito tempo a empresa vinha sendo rapinada internamente. Roubava-se no almoxarifado, na tesouraria, no setor de compras, no comercial, na manutenção, no pessoal. Onde quer que mexessem, apareciam falcatruas dos encarregados. Naquele santuário da comunicação social - o café da cidade - as pessoas mais esclarecidas se perguntavam: como pode alguém ter adquirido fama de boa gestora enquanto a organização que dirigia com mão de ferro vivia esse completo descontrole? Só os tolos não se davam conta disso. ______________ * Percival Puggina (67) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site www.puggina.org, articulista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões
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A DESCONSTITUIÇÃO DO PODER POLÍTICO E A CASA DO POVO  -  24/03/2011

A DESCONSTITUIÇÃO DO PODER POLÍTICO E A CASA DO POVO Érico Valduga Como podem os cidadãos entender que o Estado sem dinheiro, na véspera de anunciado déficit de caixa, contrate novos empréstimos e mais servidores? Não faz muito, o governador Tarso Genro afirmou que uma ?pauta de desconstituição política?, da que convenientemente não deu detalhes, mas creditou-a à mídia, estaria gerando na opinião pública ?uma aversão ao Estado, à política e aos partidos?. Se ele se referia, por exemplo, ao noticiário sobre o escândalo do Mensalão, obrado pelo PT na Câmara dos Deputados em 2006, lembre-se que a imprensa nada mais faz do que a sua obrigação, que é publicar fatos irregulares ou que desmentem o habitual discurso bonitinho. Contudo, muito mais trabalha pela desmoralização da arte de governar quem, como ele e sua maioria na Assembleia Legislativa, propõem e aprovam, sob o apelo da urgência, a contratação de n ovos empréstimos pelo Executivo, no valor total de R$ 2 bilhões; e a criação de mais 325 cargos públicos, a maioria de livre indicação, com despesa estimada de R$ 20 milhões no primeiro ano. Salvo se os governantes petistas e seus associados do PDT e PSB possuem informações que a sociedade não tem sobre o estado do dinheiro de todos, o que é pouco provável, aquilo que foi aprovado contradiz o discurso da recuperação das finanças públicas, que continuam em má situação, como advertiu o secretário da Fazenda, Olir Tonollier, ao ponto de prever, em janeiro, um déficit de caixa de R$ 400 milhões ao final deste mês de março. Recorde-se que outros R$ 50 milhões foram consumidos pela leva anterior de autorizações para contratação de cerca de 300 servidores, entre CCs e concursados, e aumentos de salários de altos funci onários, além do perdão da dívida de agricultores, parte deles pensionista do Incra, sob a estranha justificativa que sairia mais caro cobrar débitos individuais inferiores a R$ 2.7 mil. Parece, prezados leitores, que fica claro quem contribui para a desconstituição da política.
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ENROLATION  -  11/07/2010

ENROLATION A FARRA CONTINUA (do blog de Juca Kfoury) Por JOSÉ CRUZ Com o Brasil fora do Mundial da África do Sul, o ministro do Esporte, Orlando Silva, continua fazendo a festa na Esplanada dos Ministérios, gastando por conta da Copa 2014. Especialista em contratos sem licitação ? mas ?tudo dentro da lei? ?, ele autorizou sua assessoria a liberar R$1,4 milhão para ? tome fôlego, leitor: ?Contratação dos serviços de implantação da solução de Gestão de informação e participação colaborativa que será adotada para acompanhamento e controle do Plano diretor da Copa 2014?. Ufa! Entenderam? Tudo muito claro, não é mesmo? Quem vai se dar bem no contrato ?sem licitação? é a empresa Calandra Soluções S.A, do Rio de Janeiro, que receberá exatos R$ 1.457.400,00 do dinheiro do contribuinte, para um trabalho cujo resultado nunca se conhecerá, pois não servirá para absolutamente nada. Os detalhes dessa despesa estão no processo n º 58701000725201061 ..
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CARTA A UM JOVEM FÃ DE CHE GUEVARA  -  08/05/2010

Este artigo reproduz carta que enviei a um jovem. Por e-mail, ele manifestara dissabor com o artigo O vampiro argentino (1). Bem educado, em texto correto e movido por evidente boa intenção, ele expressou sua contrariedade ante a referência que fiz ao fato de jovens que não sabem apontar com o nariz para que lado fica a Bolívia e que não conseguiriam escrever meia página sobre os episódios de Cuba andarem pelas ruas ostentando camisetas com a estampa do Che. O meu leitor sabia as duas coisas e se magoou. Nas correspondências que trocamos, pedi a ele que em vez de apontar para Bolívia, me indicasse suas razões para reverenciar a memória do argentino. Respondeu-me ele que seu herói renunciou às comodidades de que desfrutava como médico, buscou viver e alcançar seus ideais, lutou e deu a própria vida pelas suas convicções. E acrescentou que se havia algo que ele prezava e respeitava era a coragem e a iniciativa de uma pessoa. Imagino que esse leitor não seja o único que firma sua admiração a Che Guevara nas mesmas bases. Eis, a seguir, o que lhe respondi. Transcrevo na esperança de que sirva para outros em idêntica situação. Caro jovem: as razões que apontas estão muito mais no plano da reverência a certos sentimentos do que em fatos que os expressem de modo louvável. Valorizaste a coragem, os ideais, a renúncia aos confortos e bens materiais e à disposição de dar a vida por algo em que se crê. O problema do Che não estava obviamente aí, mas no uso que fez desses atributos de seu caráter. Tua referência à renúncia aos bens materiais, aliás, me fez lembrar o filme Diários de Motocicleta. Certamente o assististe. Nele, o diretor Walter Salles Jr. comete amazônica injustiça contra as religiosas que atendiam os índios no leprosário de San Pablo, no meio da selva, dezenas de quilômetros a jusante de Iquitos. Che é apresentado nas manipulações do filme como um anjo de bondade e as irmãs como megeras. No entanto, aquelas mulheres passaram suas vidas inteiras enfiadas em barracos de madeira, no meio do mato, cuidando de leprosos. Não uma semana. Vida inteira! E não por ódio a alguém, mas por puro amor ao próximo. Quem sabe passas a usar uma camiseta com a estampa das irmãs de San Pablo? E já que falei em cuidar de doentes, lembro outro caso. Em 1913, um talentoso jovem alemão, com doutorado em filosofia, teologia, medicina e música, exímio organista, considerado o maior intérprete de Bach em seu tempo, muito bem sucedido profissionalmente, decidiu instalar por conta própria um hospital às margens do rio Ogowe, no Gabão. Ergueu-o com as próprias mãos. Como forma de mantê-lo, voltava periodicamente à Europa a dar recitais. Fez isso não por uns dias, mas por toda a vida desde os trinta anos. Em 1953, sua contínua dedicação à tarefa que abraçou lhe valeu o Prêmio Nobel da Paz. É dele esta frase que bem serviria para a reflexão do vampiro argentino que se dizia sedento de sangue, médico como ele: Tudo que é vivo deseja viver. Nenhum sofrimento pode ser imposto sobre as coisas vivas para satisfazer o desejo dos homens. Quem sabe usas uma camiseta com a estampa do pastor Dr. Albert Schweitzer? A fuga de um prisioneiro do campo de Auschwitz, em 1941, levou o comandante a sentenciar outros dez à morte por inanição. Entre os escolhidos para cumprir a condenação havia um pai de família que muito se lastimava pela orfandade que adviria aos filhos pequenos. Pois um senhor polonês, de nome Maximiliano Kolbe, que estava preso por haver dado fuga a mais de dois mil judeus, se apresentou para substituí-lo e cumpriu a sentença que recaíra sobre seu companheiro de prisão. Com tão justificado apreço pelos valores que apontas, por que não usas uma camiseta com a estampa do padre Kolbe? As pessoas que mencionei, meu jovem (e existem inúmeras assim!) superam Che Guevara em tudo e por tudo. Exercitaram virtudes supremas sem qualquer ódio. Deram quanto tinham, inclusive suas vidas inteiras a seus ideais. Che fez isso? Fez. Mas, se colocou a própria vida em risco, como de fato podia fazer em nome de seus ideais, achou-se no direito de, pelo mesmo motivo, tomar a vida dos outros. E tal direito ele não tinha. Isso é muito diferente e satanicamente pior! O resultado dos exemplos que citei foram vidas salvas. O resultado da obra de Che foram vidas tomadas, sangue derramado, e liberdades extintas. Cordial abraço, Puggina. Agora, escrevo a quem me lê aqui: mesmo diante do que acabo de expor, muitos persistirão achando Che Guevara o máximo. Mas estão forçados a admitir que é na revolução, na luta de classes, na tomada do poder pelas armas e no comunismo que repousam seus apreços. E nesse caso me permitam afirmar que camisetas do Che são tão ofensivas e ameaçadoras, quando portadas num país livre e democrático, quanto a suástica, a foice com martelo, ou a cruz flamejante da KKK. (1) www.puggina.org/newblue/pesquisa_detalhes.php?ARTIGO_ID=997). _____________________ * Percival Puggina (65) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site www.puggina.org, articulista de Zero Hora e de dezena de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo e de Cuba, a tragédia da utopia.
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A BUSCA DA PERFEIÇÃO  -  28/03/2010

A proximidade da Páscoa me trouxe à mente história ouvida há muitos anos. Construía-se alhures, na Baixa Idade Média, uma grande catedral. A obra já elevava suas torres e lançara seus arcobotantes. Verdadeira multidão de operários se ocupava das cuidadosas tarefas de acabamento. Um pavilhão fora especialmente construído, próximo dali, para outro importante trabalho, que exigia quietude e concentração especiais. Era o atelier dos escultores das imagens que iriam apontar as devoções a que o templo estava destinado. Um transeunte resolveu penetrar na intimidade daquele recinto. Tendo identificado o mestre escultor, aproximou-se e contemplou o que fazia. Era a estátua de uma figura humana de porte soberbo, entalhada em fino mármore. Quedou-se ali, silencioso, acompanhando a meticulosa tarefa cujos detalhes ? o rigor do artista bem o indicava ? ainda ocupariam longas semanas. Lá pelas tantas, atreveu-se a indagar: ?Essa é a imagem que irá para o altar-mor?? O escultor voltou-se para ele como quem emergisse de profunda concentração e contestou: ?Não, este é um dos doze apóstolos que serão colocados ao longo do alinhamento mais elevado da cobertura?. O visitante não pode conter seu espanto e voltou a interpelar: ?Nesse caso, as imagens ficarão a grande altura do solo e jamais poderão ser apreciados os detalhes nos quais o senhor tanto se detém e que longo tempo ainda lhe irão tomar?. A resposta do escultor veio rápida, encerrando em duas palavras a sabedoria de uma parábola: ?Ele verá!? Ouvi essa história há muitos anos, mas a curta resposta do escultor ainda ecoa em minha mente: ?Ele verá?. Tanta contradição entre ela e os critérios do mundo! Quantas vezes dedicamos nosso esforço e zelo buscando a perfeição nas coisas dos homens (e é bom que assim façamos) sem que nada semelhante, em zelo e esforço, reservemos para as coisas de Deus? Bem ao contrário, para Ele costumamos deixar migalhas das sobras do tempo e os restos da nossa vitalidade. Entre as muitas esculturas que surgem como obras de nossas próprias mãos encontramo-nos nós mesmos. E aqui, quase sempre, a busca da perfeição é deixada de lado: ?Somos como somos? costumamos dizer, desleixados e desatentos em perceber que a santidade é a catedral que mais agrada a Deus, a obra que se eleva acima dos telhados mundanos, e cujo campanário repica a glória do Senhor que tudo vê. _____________________ * Percival Puggina (65) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site www.puggina.org, articulista de Zero Hora e de dezena de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo e de Cuba, a tragédia da utopia.
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BELÉM E JERUSALÉM  -  25/12/2009

?Como é possível que Papai Noel não exista?? As dúvidas sobre o bom velhinho se instalaram em minha mente a partir de um fiapo de conversa ouvida certa ocasião em que meus pais e tios, lá na nossa Santana do Livramento, acertavam detalhes para o Natal que se aproximava. ?Se não existe estou mal arrumado?, fiquei pensando com meus suspensórios (no final dos anos 40 crianças usavam suspensórios...) ?porque esses aí é que não vão me dar todos os brinquedos encomendados?. Para uma criança, poucas coisas são tão reais e visíveis quanto o Papai Noel. Por isso, me pareceu fantástica a possibilidade sinalizada naquela conversa dos adultos. Preferi atribuí-la a alguma desinformação deles. ?Adulto acredita em cada coisa... É capaz até de acreditar que Papai Noel não existe?. E ponto final. Dezembro é um mês extraordinário. De janeiro a novembro as crianças pintam e bordam. No último mês do ano todas têm um comportamento exemplar. A mais leve insinuação de que Papai Noel vai ficar sabendo é capaz de converter um capetinha aos padrões de conduta dele exigidos. Aliás, se Papai Noel subsistisse no imaginário infantil por mais alguns anos, os índices de repetência nas séries iniciais do primeiro grau seriam bem inferiores. E se os adultos reconhecessem em Deus metade dos poderes e do senso de justiça que as crianças atribuem ao Papai Noel o mundo seria muito melhor. As crianças crêem no bom velhinho e quando lembradas de sua crença vivem como se ele de fato existisse. Com Deus é ao contrário. Ele existe, mas as pessoas, mesmo as que nele creem, tendem a viver como se não existisse. E, com isso, nos afastamos da fonte da felicidade e do bem. O Natal não é apenas uma bela história. Ele é, principalmente, um drama real, convivido nas duas cidades, a de Deus e a dos homens: Deus se faz homem para estabelecer uma ?nova e eterna Aliança? com a humanidade que ama. Pensando nisso, ocorreu-me fazer dois registros aos adultos que me leem neste tempo de Natal. De um lado, é preciso, sim, ser como as crianças para entrar no Reino dos Céus. Alguém duvida? De outro, é inevitável a perda das fantasias infantis. Mas se de fato valorizarmos o Natal, se percebermos que o Menino Jesus de Belém é o mesmo Cristo de Jerusalém, estaremos deixando o Reino do Faz de Conta para nos tornarmos construtores do Reino dos Céus. Cristo, aliás, anunciou que ele já está entre nós. Na real, só por isso faz sentido dizer ?Feliz Natal!?.
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TOLICES BEATO-MARXISTAS  -  07/11/2009

Tenho em mãos um pequeno folheto referente à Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2010 (para quem não sabe, de quatro anos para cá, a tradicional Campanha da Fraternidade da CNBB recebeu a adesão de outras igrejas cristãs e se tornou ecumênica). A peça em questão foi preparada especificamente para o público jovem (tem o subtítulo ?Jovens na CFE?) e visa a orientar reuniões de grupo para estudo e debates sobre ?Economia e vida? ? tema da campanha. Na pag. 27 há um texto com o título ?Campanha Nacional pelo Limite da Propriedade da Terra, em defesa da reforma agrária e da soberania territorial e alimentar?. Ali é defendida a tese de que todas as propriedades rurais com extensão superior a 35 módulos fiscais devem ser automaticamente incorporadas ao patrimônio público, sem indenização e destinadas à reforma agrária. A título de informação: a área do módulo fiscal é variável por município e aqui no Rio Grande do Sul, por exemplo, oscila entre um mínimo de 7 ha e um máximo de 40 ha. Assim, calculada pela média de 20 ha, a maior propriedade admitida seria de 700 ha. E a CNBB se abraçou nessa idiotice? Sim. Com braços e pernas. Aliás, gostou tanto do que leu, considerou tão valioso o material que assumiu sua edição e distribuição. Novidade nenhuma nesse comportamento. Há décadas as coisas, por lá, andam assim. O material da CFE de 2010, disponível no site da CNBB, vai na mesma trilha. Depois de expressar justa e piedosa preocupação com as situações de miséria e pobreza existentes no país, estende o dedo indicador para as causas de tais males: o lucro e o mercado. E, por fim, identifica a solução: um sistema econômico que priorize a partilha e a solidariedade. Pronto! Tudo resolvido. Como é que ninguém pensou nisso antes? Traduzindo em miúdos o sentido da coisa, é como se a CNBB estivesse dizendo aos investidores e empresários: ?Ei! Vocês aí do sistema produtivo nacional! Cambada de gananciosos! Querem acabar com a pobreza e safar-se do Inferno? Adotem um modelo no qual os bens sejam repartidos e onde o lucro e as preocupações com o mercado sejam exorcizados das vossas organizações. Vereis, então, o maná precipitar-se dos céus sobre o deserto das carências humanas!?. É a mesma genialidade que, anos atrás, não queria que o Brasil pagasse suas dívidas. É o mesmo fundamentalismo travestido de piedoso da sua Comissão Pastoral da Terra. É a mesma matriz ideológica da Campanha da Fraternidade do ano passado que resumia o tema da violência à luta de classes: pelos respectivos crimes, o rico era individualmente culpado e o pobre socialmente absolvido. Perdoem-me os mais benevolentes que eu. Mas ano após ano, servindo-nos sempre um pouco mais do mesmo lero-lero beato-marxista e um pouco menos da palavra de Deus, a CNBB já foi bem além da minha capacidade de tolerância. Ao longo dos anos, foi perfeitamente possível encontrar impressões digitais e carimbos das suas pastorais sociais em documentos que deixavam claro que o Reino de Deus tinha partido político na Terra. Ou não? Parece que de tanto darem ouvidos às demagogias da esquerda nacional, nossos bispos se deixaram contaminar! Que sistema e quais organizações econômicas são essas que propõem na futura Campanha da Fraternidade? Silêncio. São detalhes que não a interessam como instituição, nem aos senhores bispos (quem cala consente!), provavelmente convencidos de que a Economia funciona como caixinha de paróquia, na qual as coisas vão bem quando todos põem bastante dinheiro na sacola da coleta. Ou, mais grave ainda: continuam confundindo a Boa Nova com as velhas e fracassadas promessas da economia planificada, centralizada, comunista, que em longas e tristes experiências só gerou opressão e miséria.
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COMPROMISSO COM A MENTIRA - Enviado pela autora  -  19/04/2009

17 Abril 2009 Media Watch - Outros Esta ? verdade que TEM que ser escondida do p?co a qualquer pre?para n?macular as santas imagens dos protegidos de Lula, Ch?z e do Foro de S?Paulo! Venho reiteradamente denunciando a manipula? de informa?s sobre as FARC, pela m?a brasileira, a qual n?d? menor sinal de querer informar os leitores acerca de quem de fato s?esses terroristas. Pelo contr?o, sempre que publicam alguma mat?a a respeito do bando ?ara respaldar sua “generosidade” ao libertar pessoas seq?radas de forma unilateral ou atrav?da farsa dos “acordos humanit?os”, refor? a necessidade desses acordos ado?do as palavras e utilizando termos falsos como “rebeldes”, “grupo insurgente”, etc. Ou seja: as not?as divulgadas s?sempre no sentido de embelezar e favorecer este bando terrorista. H?penas tr?dias o M?a Sem M?ara publicou um artigo meu, em que j?enunciava isto, vindo a se confirmar com a mat?a publicada pelo Portal Terra sobre o comunicado das FARC anunciando a soltura do cabo Pablo Emilio Moncayo, seq?rado pelo bando terrorista desde 1997. O que h?or tr?deste gesto t?“magn?mo”, de uma liberta? unilateral, a imprensa n?d?m pio sequer porque contraria os des?ios do Foro de S?Paulo, do presidente Lula, de Ch?z e das pr?as FARC, que querem lan? sua candidata ?resid?ia da Col?a, “Teodora Bol?r”, alcunha da senadora comunista Piedad C?ba. Ocorre que, como aqui no Brasil, este ?m ano pr?leitoral na Col?a e o sonho dourado das FARC ?an? Teodora como candidata, posto que ela abriria o caminho para a regulariza? do bando como “grupo beligerante” e posteriormente como partido pol?co legal, ganhando o respeito e o respaldo internacional, como ocorreu na Nicar?a com os sandinistas e em El Salvador com o FMLN. Esta liberta?, entretanto, n??m ato isolado de pessoas piedosas enternecidas pelo esp?to da P?oa, como querem deixar parecer os jornais coniventes com a patifaria, comprometidos com a mentira; h?oda uma trama urdida desde as entranhas do Foro de S?Paulo. Ch?z sabe que est?erdendo terreno e poder financeiro com a crise econ?a mundial agregada ?xorbitante queda do pre?do petr?. Sabe que os documentos encontrados nos computadores de Ra?eyes s?aut?icos – embora ele e seu boneco de ventr?quo Correa esperneiem e gritem que ?udo obra do “imp?o” – e que, por isso, o presidente Uribe o tem sob controle. Todavia, n?perde a pose, a mal?a e a ast?. No dia 14 pp. o presidente Uribe esteve na Venezuela para realizar alguns acordos comerciais e em confer?ia coletiva de imprensa reiterou seu pedido de que as FARC aceitem um cessar fogo por pelo menos quatro meses, como prova de que realmente querem tentar um acordo de paz com o governo. Ent? o que fez Ch?z? Rapidamente enviou um recado velado aos seus camaradas dizendo que “nem ?liado nem inimigo das FARC” e pede ao bando terrorista que “aceite” o pedido de Uribe, conforme pode-se conferir neste v?o divulgado pelo jornal “El Tiempo” de Bogot?transmitido pela rede TeleSur. No dia seguinte, em mensagem publicada no site de Teodora Bol?r, Alfonso Cano informa que ir?ibertar unilateralmente, quer dizer, sem qualquer contrapartida, o cabo Moncayo seq?rado h?2 anos. Ao mesmo tempo, Cano envia um comunicado aos participantes da C?a das Am?cas, na verdade, um mini encontro do Foro de S?Paulo, pedindo que “discutam caminhos civilizados para superar o conflito na Col?a mediante a concretiza? de um acordo humanit?o que possibilite um interc?io de prisioneiros de guerra, e trabalhem para proteger a popula? civil dos efeitos da confronta? militar”, como se eles fossem as grandes v?mas e n?os causadores de toda esta barb?e que desola a Col?a! O que esta “imprensa” n?divulga, por exemplo, ?m que circunst?ias este cabo foi capturado. No dia 21 de dezembro de 2007, cerca de 300 guerrilheiros das FARC atacam a base militar onde funcionava a Esta? de Comunica?s do Ex?ito no morro de Patascoy, no limite entre Nari? Putumayo, ocupada por integrantes do Batalh?de Infantaria Batalha de Boyac?O ataque come? ?2 da madrugada. 22 soldados foram assassinados, 18 seq?rados, dentre eles os cabos Pablo Emilio Moncayo e Libio Jos?art?z, os ?os daquele ataque ainda em poder das FARC. De Libio nada se sabe, sequer se ainda est?ivo. Na ocasi?Mono Jojoy teria debochado dizendo que “a peleja n?durou sen?15 minutos”. Segundo Teodora, as FARC devem liberar Moncayo entre 20 e 30 dias. Por que a imprensa n?conta estes detalhes? Esta ? verdade que TEM que ser escondida do p?co a qualquer pre?para n?macular as santas imagens dos protegidos de Lula, Ch?z e do Foro de S?Paulo! Fazendo as sinapses, pois estes fatos n?s?coisas isoladas, Ch?z aplainou o caminho para que as FARC pudessem mostrar perante o mundo e 21 chefes de Estado que s?bons, generosos e incompreendidos; que a ?a possibilidade de paz na Col?a ?trav?dos “acordos humanit?os”, e n?com as solu?s militaristas como quer Uribe; que esses acordos s?o vi?is com a interveni?ia da human?ima senadora das FARC, Piedad C?ba; e, de quebra, o professor Mocayo, pai do cabo e que ficou conhecido por sua peregrina? pelo pa?implorando pela liberta? do seu filho, seja o idiota ? mais ? dos terroristas, servindo de cabo eleitoral da futura candidata ?resid?ia, Teodora Bol?r, a quem est?nfinitamente agradecido. A liberta? do cabo Moncayo, como fica claro, n?foi por compaix?mas por estrat?a, considerando que durante 12 anos este pobre rapaz n?passou de um n?o dentre os tantos seq?rados; agora, entretanto, Ch?z acendeu a luz verde de sua serventia, como fez ano passado com outros libertados. Eles s?queceram que no meio do caminho tem uma pedra, e essa pedra chama-se lvaro Uribe V?z.
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A CORRUP?O, AFINAL, AMPLA E GERAL  -  24/03/2009

As den?as do senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), primeiro em entrevista ?eja e depois em discurso na tribuna do Senado, n?trouxeram novidades de monta: qualquer brasileiro medianamente informado sabe (e sempre soube) que a corrup? campeia na gest?p?ca brasileira. E que o partido do parlamentar est?onge de ficar acima de qualquer suspeita nesse particular. No entanto, elas representam um divisor de ?as na pol?ca brasileira, n?pelo impacto que produziram, mas pela demonstra?, na pr?ca, de que a banaliza? do furto qualificado dos agentes p?cos n?desperta mais a ira de ningu? nem sequer a falsa indigna? dos acusados. Antes de Jarbas Vasconcelos (AJV), o gestor p?co acusado fazia um escarc? amea?a processar o denunciante na Justi?e contava com a inefici?ia e a lerdeza desta para deixar o esc?alo esfriar at?enecer. Agora a acusa? j?asce morta, na base de isso n??omigo, e da?e da?ou, ent? sou, mas quem n?? J??muito longe os tempos do moralismo udenista. Consta do anedot?o pol?co o aparte do getulista conhecido pela liberalidade com que lidava com os recursos p?cos em proveito pr?o a um discurso do colega deputado Carlos Lacerda na C?ra: Vossa Excel?ia ?m ladr?da honra alheia, disse. E o tribuno rebateu na hora: Ent? fique tranquilo, pois nada tenho a roubar de Vossa Excel?ia. Hoje a honra n?vale nem sequer como falso argumento de palanque. Pois o eleitor reelegeu com ampla margem um governo que institucionalizou a compra do apoio parlamentar no Congresso por um esquema descrito em detalhes pelo ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) no livro Nervos de A? Este caiu no esquecimento, assim como o esc?alo do mensal? nele descrito, sob o falso argumento de que o autor n?era tamb?uma flor que se cheirasse. Se isso fosse verdade, a dela? premiada n?faria tanto sucesso l?ora e aqui mesmo, onde acaba de levar para a cadeia uma tenente-coronel da Pol?a Militar de S?Paulo. At?or escrever com conhecimento de causa, Roberto Jefferson deveria ter sido lido e levado em considera?. Pior ?ue se foi tamb?o tempo em que o falso moralismo da esquerda interessada no que restava de decoro no inconsciente coletivo do eleitorado nacional pelo menos for?a os governantes a tomarem um m?mo de cuidado na manipula? do or?ento. Caiu no buraco negro da insensibilidade moral generalizada a li? dada pelo juiz da 17.ª Vara Federal de Bras?a, Moacir Ramos, na senten?em que inocentou a c?a do setor de telecomunica?s do governo tucano anterior da corrup? grossa na privatiza? das telef?as de que foi acusada h?1 anos por l?res do PT e da CUT. O magistrado inocentou o ex-ministro das Comunica?s Luiz Carlos Mendon?de Barros, o ex-presidente do BNDES Andr?ara Rezende, o ex-diretor do mesmo banco Jos?io Borges e o ex-presidente da Anatel Renato Guerreiro - afastados do governo pelo chefe de ent? Fernando Henrique Cardoso. O juiz tamb?perguntou, referindo-se aos acusadores Aloizio Mercadante, Vicente Paulo da Silva, Ricardo Berzoini e Jo?Vaccari Neto, do PT e da CUT: Se havia preocupa? com a apura? dos fatos, por que esses nobres pol?cos n?interferiram junto ao governo atual para que fosse feita a investiga? das s?as den?as que apontaram na representa? que fizeram ao Minist?o P?co? N?consta que algum deles tenha respondido. Talvez seja exagerado sentir saudades daquele tempo em que um presidente da Rep?ca demitia auxiliares de confian? n?por hav?a perdido, mas apenas para ser fiel ao velho preceito da Roma antiga segundo o qual o gestor do patrim? coletivo deve ser tratado com o mesmo rigor que C?r dispensou ?r?a mulher: N?basta ser honesto, ?reciso parecer honesto. Mas ?til e l?to lamentar que o falso moralista de ontem se tenha transformado, como parte do PT se transformou, em usu?o comodista da lerdeza do Judici?o, a pretexto de recorrer, de forma desavergonhada, ao conceito tamb?romano do benef?o da d?a para o acusado por algum delito. Exemplar nesse sentido ? apoio que o presidente Luiz In?o Lula da Silva tem insinuado ao deputado Antonio Palocci (PT-SP) na campanha de 2010 para o governo do maior Estado da Federa?. Premido a demiti-lo do Minist?o da Fazenda por este ter sido acusado de alguns crimes, entre os quais a quebra do sigilo banc?o de um caseiro que o havia visto frequentando uma luxuosa casa suspeita, o chefe do governo conta com a magnanimidade do Supremo Tribunal Federal para lan?lo ao segundo posto de maior poder na Rep?ca. Foi isso, pelo menos, que ficou claro na declara? a respeito dada por outra pretendente ao posto, a ex-prefeita da capital Marta Suplicy. Com o mesmo pragmatismo com que se livrou de seu czar econ?o, pondo no lugar dele um companheiro muito menos capaz, Lula agora v?ele o nome ideal para governar o Estado de S?Paulo. De volta a nosso divisor de ?as, Jarbas Vasconcelos, a explica? para tudo isso a?ode estar na conclus?com a qual ele resumiu sua recente contribui? ?onstata? da amoralidade generalizada vivida no Brasil. A impunidade estimula a corrup?, disse o senador, para quem a falta de puni? gera mais e novas irregularidades. Se o governador, o senador e o deputado s?corruptos e nada acontece, as pessoas logo pensam que tamb?podem fazer corrup?. E quem n?gosta de uma corrup?zinha? Parece que chegamos ?ealiza? da profecia de S?io Porto, o Stanislaw Ponte Preta: Ou nos locupletemos todos ou restaure-se a moralidade. Como n?h?estaura? de moralidade ?ista, nem prevista, tudo indica que chegamos, afinal, ?emocratiza? da corrup? que agora agora virou ampla e geral, embora ainda restrita. * Jornalista e escritor, ?ditorialista do Jornal da Tarde
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Declara? da Arquidiocese de Olinda e Recife  -  18/03/2009

Mar?17, 2009 por Jorge Ferraz A respeito do artigo intitulado “Dalla parte della bambina brasiliana” e publicado no L´OSSERVATORE ROMANO no dia 15 de mar? n?abaixo assinados, declaramos: 1. O fato n?aconteceu em Recife, como diz o artigo, mas sim na cidade de Alagoinha (Diocese de Pesqueira). 2. Todos n? come?do pelo p?co de Alagoinha (abaixo assinado) -tratamos a menina gr?da e sua fam?a com toda caridade e do?a. O P?co, fazendo uso de sua solicitude pastoral, ao saber da not?a em sua resid?ia, dirigiu-se de imediato ?asa da fam?a, onde se encontrou com a crian?para lhe prestar apoio e acompanhamento, diante da grave e dif?l situa? em que a menina se encontrava. E esta atitude se deu durante todos os dias, desde Alagoinha at?ecife, onde aconteceu o triste desfecho do aborto de dois inocentes. Portanto, fica evidente e inequ?co que ningu?pensou em primeiro lugar em “excomunh?. Usamos todos os meios ao nosso alcance para evitar o aborto e assim salvar as TR? vidas. O P?co acompanhou pessoalmente o Conselho Tutelar da cidade em todas as iniciativas que visassem o bem da crian?e de seus dois filhos. No hospital, em visitas di?as, demonstrou atitudes de carinho e aten? que deram a entender tanto ?rian?quanto ?ua m?que n?estavam sozinhas, mas que a Igreja, ali representada pelo P?co local, lhes garantia a assist?ia necess?a e a certeza de que tudo seria feito pelo bem da menina e para salvar seus dois filhos. 3. Depois que a menina foi transferida para um hospital da cidade do Recife, tentamos usar todos os meios legais para evitar o aborto. A Igreja em momento algum se fez omissa no hospital. O P?co da menina realizou visitas di?as ao hospital, deslocando-se da cidade que dista 230 km de Recife, sem medir esfor?algum para que tanto a crian?quanto a m?sentissem a presen?de Jesus Bom Pastor que vai ao encontro das ovelhas que mais precisam de aten?. De tal sorte que o caso foi tratado com toda aten? devida da parte da Igreja e n?“obrigativamente” como diz o artigo. 4. N?concordamos com a afirma? de que “a decis??rdua… para a pr?a lei moral”. Nossa Santa Igreja continua a proclamar que a lei moral ?lar?ima: nunca ??to eliminar a vida de um inocente para salvar outra vida. Os fatos objetivos s?estes: h??cos que explicitamente declaram que praticam e continuar?a praticar o aborto, enquanto outros declaram com a mesma firmeza que jamais praticar?o aborto. Eis a declara? escrita e assinada por um m?co cat?o brasileiro: “(…) Como m?co obstetra durante 50 anos, formado pela Faculdade Nacional de Medicina da Universidade do Brasil, e ex chefe da Cl?ca Obst?ica do Hospital do Andara?onde servi 35 anos at?inha aposentadoria, para dedicar-me ao Diaconato, e tendo realizado 4.524 (quatro mil quinhentos e vinte e quatro) partos, muitos de menores de idade, nunca precisei recorrer ao aborto para “salvar vidas”, assim como todos os meus colegas ?egros e honestos em sua profiss?e cumpridores de seu juramento hipocr?co. (…)”. 5. ?falsa a afirma? de que o fato foi divulgado nos jornais somente porque o Arcebispo de Olinda e Recife se apressou em declarar a excomunh? Basta ver que o caso veio a p?co em Alagoinha na quarta-feira, dia 25 de fevereiro, o Arcebispo se pronunciou na imprensa no dia 03 de mar?e o aborto se deu no dia 4 de mar? Seria demasiado imaginar que a imprensa brasileira, diante de um fato de tamanha gravidade, tenha silenciado nesse intervalo de seis dias. Assim sendo, a not?a da menina (“Carmen”) gr?da j?stava divulgada nos jornais antes da consuma? do aborto. Somente ent? interrogado pelos jornalistas, no dia 3 de mar?(ter?feira), o Arcebispo mencionou o c?n 1398. Estamos convictos de que a divulga? desta penalidade medicinal (a excomunh? far?em a muitos cat?os, levando-os a evitar este pecado grav?imo. O sil?io da Igreja seria muito prejudicial, sobretudo ao constatar-se que no mundo inteiro est?acontecendo cinq?a milh?de abortos cada ano e s? Brasil um milh?de vidas inocentes s?ceifadas. O sil?io pode ser interpretado como coniv?ia ou cumplicidade. Se algum m?co tem “consci?ia perplexa” antes de praticar um aborto (o que nos parece extremamente improv?l) ele – se ?at?o e deseja observar a lei de Deus - deve consultar um diretor espiritual. 6. O artigo ?em outras palavras, uma direta afronta ?efesa pela vida das tr?crian? feita veementemente por Dom Jos?ardoso Sobrinho e demonstra quanto o autor n?tem bases e informa?s necess?as para falar sobre o assunto, por total desconhecimento dos detalhes do fato. O texto pode ser interpretado como uma apologia ao aborto, contrariando o Magist?o da Igreja. Os m?cos abortistas n?estiveram na encruzilhada moral sustentada pelo texto, ao contr?o, eles praticaram o aborto com total consci?ia e em coer?ia com o que acreditam e o que ensinam. O hospital que realizou o aborto na menininha ?m dos que sempre realizam este procedimento em nosso Estado, sob o manto da “legalidade”. Os m?cos que atuaram como carrascos dos g?os declararam e continuam declarando na m?a nacional que fizeram o que j?stavam acostumados a fazer “com muito orgulho”. Um deles, inclusive, declarou que: “J?ui, ent? excomungado v?as vezes”. 7. O autor arvorou-se do direito de falar sobre o que n?conhecia, e o que ?ior, sequer deu-se ao trabalho de conversar anteriormente com o seu irm?no episcopado e, por esta atitude imprudente, est?ausando verdadeiro tumulto junto aos fi? cat?os do Brasil que est?acreditando ter Dom Jos?ardoso Sobrinho sido precipitado em seus pronunciamentos. Ao inv?de consultar o seu irm?no episcopado, preferiu acreditar na nossa imprensa declaradamente anticlerical. Recife-PE, 16 de mar?de 2009 Pe Edson Rodrigues P?co de Alagoinha-PE - Diocese de Pesqueira Mons. Edvaldo Bezerra da Silva Vig?o Geral - Arquidiocese de Olinda e Recife Pe Mois?Ferreira de Lima - Reitor do Semin?o Arquidiocesano Dr. M?io Miranda - Advogado da Arquidiocese de Olinda e Recife
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Conflito ?co  -  04/03/2009

Conflito ?co Embora a Lei Org?ca da Magistratura n?pro? expressamente a participa? societ?a de magistrados em empresas privadas, a participa? do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, no controle acion?o do Instituto Brasiliense de Direito P?co (IDP), abala a imagem do Judici?o e coloca novamente a Justi?brasileira em delicada situa? junto ?pini?p?ca. A situa? se agrava ainda mais quando o presidente da maior Corte de Justi?do pa?– aliando a atividade de magistrado a de empres?o da educa? – compra terrenos de R$ 2 milh?por um quinto do valor e fecha contratos sem licita? para cursos diversos com entidades estatais – desde a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional at? Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educa?, conforme informa?s da revista Carta Capital, em reportagem do jornalista Leandro Fortes. Criado em 1998, o Instituto de Gilmar Mendes faturou, entre 2000 e 2008, cerca de R$ 2,4 milh?em contratos com ?os ligados ao governo federal – todos firmados sem licita?. Depois que Gilmar Mendes assumiu o cargo de presidente do STF o faturamento em contratos com a Uni?cresceu. De 2003 para c?o valor somou R$ 1,6 milh? segundo dados dispon?is no site Contas Abertas. S? m?passado, o IDP recebeu R$ 350 mil com a celebra? de conv?os. No site da Transpar?ia da Controladoria Geral da Uni?(CGU) verifica-se que nas guias de pagamento aparece um acordo do IDP com a Receita Federal at?ara trabalho aduaneiro. O Minist?o da Defesa – de Nelson Jobim – pagou R$ 55 mil ao Instituto, e a CGU, R$ 15 mil. O IDP tem contrato, sem licita?, com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e at?om a For?A?a Brasileira (FAB). De acordo com a revista Carta Capital, os valores recebidos da Uni?pelo Instituto Brasiliense de Direito P?co, em 2008, devem-se, sobretudo, a tr?contratos firmados com o Senado Federal, Superior Tribunal de Justi?(STJ) e a Receita Federal. Do Senado, o instituto recebeu R$ 125 mil, do STJ R$ 88,2 mil e da Receita Federal R$ 117,9 mil. Os cursos oferecidos pelo IDP tamb?foram contratados pela Procuradoria-Geral do Distrito Federal, que pagou R$ 690 mil. Assim como nos outros contratos, a licita? foi considerada “inexig?l”. No per?o em que Nelson Jobim presidiu o STF – entre 2005 e 2006 – aquele tribunal gastou quase R$ 50 mil em cursos e eventos oferecidos pelo Instituto de Gilmar Mendes. Em 2006, o jornal O Globo denunciou rela?s estranhas entre o IDP e o STF. Ent?presidente interino do Supremo – a titular Ellen Gracie Northfleet, estava de licen?m?ca – Gilmar Mendes transformou em “bolsa de estudos” um empenho de R$ 3,6 mil referente a um curso de Mestrado em A?s Constitucionais, ministrado pelo IDP a tr?funcion?os do STF. Todas as tentativas do Minist?o Publico Federal para impedir Gilmar Mendes de usar de influ?ia para conseguir contratos no governo foram em v? A primeira delas ocorreu em abril de 2002, pouco antes de ele ser nomeado para o STF. Na ?ca, o Minist?o P?co chegou a instaurar uma a? de improbidade administrativa por Gilmar Mendes ter contratado o IDP para dar cursos no ?o do qual era o principal dirigente – a Advocacia-Geral da Uni? A constru? da sede do IDP – um amplo pr?o de quatro andares – foi financiada com recursos do Fundo Constitucional do Centro Oeste – R$ 3 milh?– dinheiro gerenciado pelo Banco do Brasil. Quando come? a funcionar, em 1998, o IDP comprou um terreno por R$ 2,2 milh? com recursos do Programa de Promo? do Desenvolvimento Econ?o Integrado e Sustent?l, que ilegalmente o enquadrou com a rubrica de “setor produtivo”, garantindo-lhe um desconto de 80% na aquisi? da ?a. Gravitam ao redor do IDP nomes de peso como o de Nelson Jobim (Defesa) e Jorge Hage (CGU). Entre os professores incluem-se Carlos Alberto Direito, Carlos Ayres Britto, Eros Grau e Marco Aur?o Mello – todos do STF. STF compra sof?e dois lugares por R$ 10.650,00 O Supremo Tribunal Federal (STF) comprou esta semana um sof?e dois lugares por R$ 10.650,00. A aquisi? foi feita na v?era da posse do ministro e presidente do STF, Gilmar Mendes, no Conselho Nacional de Justi?(CNJ), ocasi?em que criticou a constru? de novas sedes para o Poder Judici?o e defendeu crit?os para as obras. O ministro tamb?disse que, em alguns casos, pode estar havendo excessos. http://contasabertas.uol.com.br/noticias/detalhes_noticias.asp?auto=2187 R?o CBN - STF gastou mais de R$ 170 mil em viagens de ministros De acordo com a r?o CBN, o Supremo Tribunal Federal (STF) gastou mais de R$ 170 mil com pagamentos de di?as a ministros durante o ano passado. Somente o ex-presidente do STF, Nelson Jobim, recebeu quase R$ 28 mil. Muitas das viagens foram para participar de eventos realizados por universidades particulares, associa?s e cursos pagos pelos organizadores. Mesmo assim, foi pedido o ressarcimento dos gastos. Num desses encontros, Jobim ficou hospedado, com a mulher, quatro dias num hotel cinco estrelas, em Salvador. O presidente do STF recebeu R$ 693 por di?a. Os dados fazem parte de um levantamento feito pela Organiza? N?Governamental (ONG) CONTAS ABERTAS, com base em n?os do Sistema de Acompanhamento de Gastos Federais (Siaf). O STF informou que as viagens ressarcidas t?car?r oficial e que os ministros n?cobram dos organizadores para ministrar palestras ou participar das solenidades. Solenidade de posse do presidente do STF custar?proximadamente R$ 40 mil O Supremo Tribunal Federal (STF) est?reparando a tradicional solenidade de posse de ministros. Amanh?tomar?posse oficialmente no ?o o presidente do Supremo, ministro Gilmar Mendes, e o vice-presidente, ministro Cesar Peluso. O evento, que contar?om a presen?de 3,5 mil convidados, tem custo estimado de pelo menos R$ 39,9 mil. A quantia servir?ara pagar as contrata?s de um grupo musical e de uma empresa especializada em promo? de eventos, que dever?restar servi? de recep?, transporte, hospedagem, alimenta?, impress?de materiais, entre outros, ?autoridades e aos demais convidados. A cerim? ser?ealizada a partir das 16 horas no plen?o do ?o em Bras?a. http://contasabertas.uol.com.br/noticias/detalhes_noticias..asp?auto=2215 Carrinho de Compras: STF reserva R$ 5,5 mil para compra de cortinas e forro blecaute No embalo da pol?ca intermin?l no caso Dantas, solta ou n?solta, o Carrinho de Compras de hoje mostra que o Supremo Tribunal Federal (STF) parece est?uerendo se esconder ou pelo menos se proteger do sol. Isso porque o ?o empenhou (reservou em or?ento) R$ 5,9 mil com a compra de cortinas, de forros blecaute e de band?e alum?o revestido com tecido. http://contasabertas.uol.com.br/noticias/detalhes_noticias.asp?auto=2320 Carrinho de Compras: STF reserva R$ 67,7 mil para reformar 32 sof?e poltronas Na semana em que o Supremo Tribunal Federal julgou inadequado o uso de algemas nas opera?s da Pol?a Federal, “contra a espetaculariza?”, o ?o m?mo do Poder Judici?o brasileiro tamb?“reservou” outras surpresas. Na ?ma ter?feira, o tribunal empenhou (reservou em or?ento) quase R$ 70 mil com o pagamento de servi? de reforma em 32 sof? poltronas e cadeiras. Os m?s se dividem em estofados individuais, de dois, tr?e quatro lugares, al?de duas cadeiras de madeira. Duas poltronas s?de recep? de gabinete. A nota de empenho s?o informa qual seria esse gabinete... http://contasabertas.uol.com.br/noticias/detalhes_noticias...asp?auto=2342 Carrinho de Compras: STF compra baldes para gelo, saca-rolhas, bandejas de gar? e colheres de pau A pol?ca envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) e a 6ª Vara Federal Criminal de S?Paulo no caso Daniel Dantas parece ter aumentado os ?mos na corte mais alta do Poder Judici?o brasileiro. Isso porque o STF reservou em or?ento (empenhou) R$ 9,8 mil com a compra de diversos itens, entre eles dois baldes para gelo, 12 bandejas de gar?, tr?saca-rolhas e duas colheres de pau. Ser?ue a 6ª Vara Federal Criminal fez o mesmo? Se fez, passou despercebido pelo rastreamento do Carrinho de Compras... http://contasabertas.uol.com.br/noticias/detalhes_noticias.asp?auto=2311 Carrinho de Compras: STF reserva R$ 359,00 com compra de t?s Mizuno O “Carrinho de Compras” de hoje destaca as compras esportivas realizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) durante a semana. O ?o m?mo da esfera judici?a brasileira empenhou R$ 359,00 com a compra de um t?s Mizuno, modelo “Genesis”, preto. Al?disso, o STF comprometeu R$ 123,00 com a aquisi? de duas cal? azul marinho de tactel, com friso branco nas laterais e “el?ico forte e cord?na cintura”, tamanho P, e tr?camisas em malha fria branca, tamanho G, com gola p?e logotipo do Supremo no peito esquerdo. Resta saber quem ser?os “atletas de plant? ou as atletas que ir?vestir as vestimentas t?cas das academias de gin?ica... http://contasabertas.uol.com.br/noticias/detalhes_noticias.asp?auto=2458 Carrinho de Compras: STF reserva R$ 7,2 mil para compra de oito bolsas de couro O “Carrinho de Compras” de hoje, coluna dominical do Contas Abertas que traz o registro dos gastos mais interessantes dos ?os p?cos federais realizados durante a semana, destaca os empenhos (reservas or?ent?as de recursos) do Supremo Tribunal Federal (STF). A inst?ia m?ma do Poder Judici?o brasileiro empenhou 7,2 mil para a compra de oito bolsas de couro “confeccionada em couro preto, espessura 14/16 linhas, forrado em curvin automotivo, acolchoada, tr?bolsos, cinco z?res refor?os, fundo r?do, cinco p? velcro, duas argolas, tr?bot? e mais algumas exigenciazinhas descritas na nota de empenho emitida pelo STF. Cada bolsinha dessa, que ainda dever?er o s?olo da TV Justi?bordado na lateral das bolsas, custou R$ 895,00. http://contasabertas.uol.com.br/noticias/detalhes_noticias..asp?auto=2430
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BLOG DO WEISS ANALISA O CASO BATTISTI E O CASO DOS CUBANOS  -  29/01/2009

E o Boxeador Cubano Queria Ref?... Leiam primeiro o post a seguir: d?ais detalhes do caso do terrorista Cesare Battisti. Depois, veja o que vai no Estad?de hoje. -------------------------------------------------------------------------------- O pugilista cubano Erislandy Lara afirma que gostaria de ter recebido o status de refugiado no Brasil. Hoje, vive como exilado em Miami, onde ?oxeador profissional. Pedi asilo ?ol?a no Brasil e n?me foi dada a oportunidade, afirmou Lara, em entrevista ao Estado. Em 2007, o pugilista cubano tentou escapar, junto com Guilhermo Rigondeaux, da delega? de seu pa?nos Jogos Pan-americanos do Rio. Mas foi detido alguns dias depois e devolvido ao governo de Cuba, ap?er encontrado pela Pol?a Federal. Na ?ca, o governo garantiu que Lara n?tinha pedido para ficar. O ent?presidente Fidel Castro prometeu que o perdoaria. Mas Lara nunca mais voltou a lutar em seu pa?e sequer foi selecionado para os Jogos Ol?icos de Pequim. Insatisfeito, ele voltou a tentar escapar de Cuba. No ano passado, saiu de lancha no meio da noite de Cuba e chegou at? M?co. De l?foi para a Alemanha. Agentes de boxe conseguiram documentos necess?os para que ele pedisse resid?ia permanente na Alemanha. No fim do ano passado, seus agentes optaram por lev?o aos Estados Unidos, onde obteve status de refugiado. Lara admite que n?nunca ouviu falar do caso do italiano Cesare Battisti. Mas diz que achou estranho n?ter recebido o mesmo tratamento. N?conhe?esse caso, mas eu n?estava fazendo nada de errado. Mesmo assim, n?me aceitaram no Brasil, afirmou. Sem esconder a contrariedade com coment?os de que age com dois pesos e duas medidas, o ministro da Justi? Tarso Genro, disse ontem que, em 2007, recebeu fortes protestos da embaixada de Cuba no Brasil, por ter concedido ref? pol?co a outros dois outros atletas cubanos - um jogador de handebol e outro ciclista. Al?deles, Tarso citou tr?m?os do conjunto Los Galanes. Quem pediu para ficar no Brasil ficou, afirmou, repetindo que Lara e o tamb?pugilista Guillermo Rigondeaux n?solicitaram ref?. Obviamente que eles n?pediram ref? e isso est?ais do que provado, pois tudo foi acompanhado pelo Minist?o P?co e pela OAB, insistiu Tarso. Ocorre que se martelou tanto uma inverdade que, aparentemente, ela se transformou em verdade. por Jamil Chade, no Estado de S?Paulo -------------------------------------------------------------------------------- Hmmm. Ent? Erislandy fala uma inverdade? O pugilista cubano ?ent? um mentiroso (sim, porque uma inverdade ?ma mentira)! Que vergonha, n?Erislandy. N? Vergonha ?er uma pessoa como Tarso como Ministro da Justi? Pesquisem na internet. N?acreditem em mim! N?acreditem em Lara! N?acreditem em Tarso! Vejam l? Lara e Rigondeaux fugiram da delega? cubana dos jogos Pan Anamericanos no dia 21/07/2007, ap? jantar. Dois dias depois, Fidel Castro, tamb?conhecido na ilha como Esteban (de Este Bandido), confirmou a deser? e, claro, culpou os Estados Unidos. No dia, 01/08/2007, Fidel fez seus devaneios comunistas no Granma, um dos jornais oficiais da ilha (n?h?ornais n?oficiais l?e afirmou que n?existe nenhuma justificativa para solicitar asilo pol?co por parte dos atletas cubanos. No dia 02/08/2007, os pugilistas foram presos no munic?o de Araruama, na Regi?dos Lagos, a 90 quil?ros da cidade do Rio de Janeiro. No dia 07/08/2007, eles j?stavam em Cuba. Foram levados por um avi?Venezuelano. E, segundo a PF, aquele ?o trapalh?da opera? Satiagraha, eles queriam voltar pr?uba! E Fidel disse que eles n?seriam punidos. E foram. Perderam praticamente tudo e nunca mais puderam lutar - nem treinar boxe (pelo menos, n?foram ao pared? Agora, Erislandy, que fugiu novamente em 2008, afirma que queria, sim, asilo no Brasil. E Tarso diz que ?ma inverdade! Ent? vamos comparar: Erislandy pediu asilo. Erislandy era um atleta cubano. Nunca matou ningu? Era apenas (mais) um pobre cidad?cubano que sofre nas m? do tirano comunista Fidel Castro. Tarso devolveu sem sequer julgar qualquer m?to. Cesare Battisti pediu asilo. Participou de quatro assassinatos, entre outros crimes. Foi julgado na It?a por crimes comuns, apesar de pertencer a uma organiza? terrorista (PAC - Prolet?os ARMADOS pelo Comunismo). Refugiado ilegalmente no Brasil, pediu asilo. O CONARE negou e votou por sua extradi?. Tarso contrariou a decis?do ?o e concedeu o asilo pol?co. Ent? vamos l?se Erislandy fala uma inverdade, conclui-se que Cesare Battisti tamb?fala inverdades quando diz que sofrer?ersegui?s e poder?orrer se for extraditado para a It?a, o que, segundo Tarso, foi base para sua concess?de asilo pol?co. Tarso n?possui dois pesos, mas UM ?ICO peso e duas medidas: Tarso, ex-terrorista nos anos 60, adorador do fac?ra Lenin, SEMPRE PROTEGER`TODO QUADRO QUE QUEIRA ATENTAR CONTRA A DEMOCRACIA E AS LIBERDADES para implantar o comunismo em nosso pa? Em tempo: Battisti tem como advogado e padrinho o influente ex-deputado federal Luiz Eduardo Greenhalgh, outro comunista e ex-terrorista, envolvido em diversos esc?alos que abalaram o pa? Trata-se, portanto, de uma medida de expl?to apoio pol?co-ideol?o.
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O PRIMEIRO ATO DE OBAMA COMO PRESIDENTE  -  19/01/2009

Obama prometeu enfaticamente mais que um ano atr?que A primeira coisa que farei como presidente ?provar a Lei de Liberdade de Escolha. Essa ? primeira coisa que farei. Obama manter?ua palavra? A Lei de Liberdade de Escolha, ou LLE, ?m projeto de lei abrangente que abolir?odas as leis pr?da nos Estados Unidos, desde leis que ordenam que os pais sejam notificados antes que filhas menores de idade fa? aborto em hospitais at?eis que pro?m o governo federal de financiar o aborto. A Confer?ia Nacional dos Bispos dos EUA identificou 13 categorias de leis pr?da que ser?aniquiladas e anuladas pela LLE. Embora a decis?Roe v. Wade — que legalizou o aborto nos EUA em 1973 — tenha entrado na jurisdi? dos estados e nossas vidas, at?esmo Roe v. Wade, por exemplo, mostrava certo respeito pelas leis de cada estado e limites reguladores na ?a m?ca. A LLE n?mostra restri? alguma, mas elimina todas as restri?s e escolhas pr?da. E por que motivo Obama se comprometeu a aprovar a LLE? N?s?rque ele tem o hist?o mais ardentemente esquerdista e pr?orto entre praticamente todos os pol?cos americanos, mas, conforme ele declarou numa reuni?da organiza? pr?orto Planned Parenthood durante sua campanha, ?ora de virar a p?na para um novo dia em que as opini? leis e debates pr?da acerca do aborto sejam coisa do passado. E se ele e a maioria do Partido Democr?co conseguirem fazer o que querem, os Estados Unidos ter?esse novo dia, um dia em que mais centenas de milhares de abortos ser?realizados anualmente. Eu ainda penso que ?otalmente hip?ta que um presidente e um partido pol?co que se orgulham de ajudar e proteger as minorias n?incluam entre elas as crian? em gesta?. A luta para aprovar a LLE est?endo travada apesar de uma nova pesquisa nacional revelando que de cada cinco adultos americanos, quatro (82 por cento) querem limitar a legalidade do aborto. De cada tr? um (38 por cento) quer limitar o aborto apenas aos casos de estupro, incesto ou para salvar a vida da m? De cada tr? um (33 por cento) quer tamb?limitar o aborto at?s primeiros tr?meses ou at?s primeiros seis meses. S?ve por cento disseram que o aborto deveria ser legal por qualquer motivo por qualquer raz?em qualquer momento da gravidez. Essas estat?icas contrastam fortemente com as metas e objetivos da LLE, que encerrar? debate cultural sobre o aborto de um modo sem precedente para impedir qualquer legisla? que tente proteger os beb?em gesta?. Quanto ?ata em que pretendem aprovar a LLE, tenho motivo suficiente para crer que Pelosi e Reed (e talvez o pr?o Obama) j?enham feito planos para introduzir e aprovar a LLE com rapidez e em segredo por meio do Congresso mais cedo do que a maioria espera. E eles usar?qualquer meio para distrair a aten? da oposi?, at?esmo mimos financeiros pessoais. Creia-me quando digo que est?aguardando o momento preciso em que haver??ma aten? p?ca e rea? e oposi? pol?ca. Com tanto foco e frenesi cercando a ostenta? da posse de nosso novo presidente, eles poderiam at?esmo tentar agir no Congresso durante a semana da posse. Alguns relat?s apresentam a posi? de que a LLE poderia ser rapidamente reintroduzida no dia 22 de janeiro, no pr?o anivers?o em que a Suprema Corte legalizou o aborto. Por isso, fique alerta. Mas, por causa da natureza pol?ca matreira de publicamente apresentar e aprovar tal projeto de lei abrangente e pol?co como a LLE, creio que o governo de Obama far?udo o que puder para distrair os conservadores e os evang?cos. Essas t?cas de distra? podem at?esmo incluir parcialmente o motivo por que Obama escolheu Rick Warren para orar por sua posse. Quer Warren esteja certo ou errado para essa posi? n?vem ao caso, ?uz da motiva? pol?ca deles de usar a presen?e ora? dele. Warren poderia ser usado n?s?ra aplacar os conservadores e evang?cos, mas tamb?para distrair a aten? deles e minimizar a rea? deles ?iniciativas esquerdistas maiores, como estrat?as sorrateiras em prol da LLE. Em resumo, Warren poderia ser uma isca de distra? para a prolifera? do aborto, principalmente se a aprova? da LLE for iminente. Os Estados Unidos n?precisam virar a p?na nas guerras culturais, como no caso do aborto. Os EUA precisam reabrir as p?nas de sua hist? para as opini?elevadas de nossos fundadores e para os direitos de todos os seres humanos, conforme est?documentados na Declara? de Independ?ia e nossa Constitui?. E precisamos reviver e reincutir esse valor da humanidade de volta na sociedade, em nossos filhos e em nossos netos. Sob nossa Constitui?, o governo federal tem de proteger esse direito ?ida. Mas al?de defender esse direito humano fundamental, os detalhes e debates das leis que lidam com o aborto devem ficar sob a responsabilidade de cada estado. Apesar de que a Suprema Corte derrubou todas as leis de aborto em cada estado em 1973, e instituiu um direito federal ao aborto completamente inconstitucional, h?inda muito que podemos fazer a n?l estadual para proteger a vida humana, promovendo legisla? e educa? pr?da. A menos, ?laro, que a LLE seja transformada em lei. Algumas pessoas pensam que depois de 35 anos de incessante controv?ia desde a decis?da Suprema Corte, que ?elhor deixar pr?? velha quest?do aborto. Mas como meu amigo e escritor Randy Alcorn escreveu em seu livretinho Why Pro-Life? [Por que ser pr?da?]: O aborto nos colocou numa rota perigosa. Poderemos acordar e abandonar essa rota. Ou poderemos segui-la at? seu fim inescap?l — uma sociedade em que os poderosos, para seus interesses pr?os, determinam quais seres humanos viver?e quais morrer? Aborto n??obre o direito de a mulher escolher. ?sobre um direito ?ida mais fundamental, que ?m dos tr?especificamente identificados direitos inalien?is na Declara? de Independ?ia (e na Constitui? por meio do Artigo VII e da Declara? de Direitos). E ?ma viola? do principal prop?o do governo: proteger a vida humana inocente. Thomas Jefferson escreveu em 1809: O cuidado da vida humana e a felicidade, e n?a sua destrui?, ? principal e ?o alvo do bom governo. Ele, ?laro, n?estava escrevendo acerca dos EUA de hoje, que tem aborto aprovado e subsidiado pelo Estado, e tem um movimento para promover a matan?dos idosos por meio da eutan?a. Mas ele poderia ter escrito. E sua convic? no que deveria ser o principal e ?o alvo do bom governo deveria ainda ser v?da — e isso inclui o presidente dos Estados Unidos da Am?ca. Mas se o presidente e seu governo n?protegerem os direitos dos vivos (at?esmo no ?o), ent?quem far?Um Congresso de tend?ia esquerdista? Todos os pol?cos que elegemos t?de sustentar o objetivo supremo do governo e se esfor?em para nos levar de volta ?is?da humanidade que enfatiza o valor imortal de todo ser humano. Sem isso, nunca poderemos crer que todas as pessoas (inclusive aquelas no ?o) s?criadas iguais, que elas t?direitos inerentes e inalien?is e que a prote? desses direitos ? principal e ?o alvo do bom governo. E, se nossos pol?cos n?protegerem a vida humana em gesta?, n?veremos faz?o. Com o Domingo da Santidade da Vida* em 18 de janeiro, com Obama tomando posse em 20 de janeiro, com a Marcha pela Vida anual em Washington DC ocorrendo em 22 de janeiro (no exato anivers?o de Roe v. Wade) e com a LLE amea?do no precip?o legislativo do Congresso e da Casa Branca, agora ?ora de marchar e agir de novo para defender os beb?em gesta?. Chuck Norris estrelou mais de 20 filmes, inclusive a famosa s?e Texas Ranger. Seu mais recente livro tem o t?lo de Black Belt Patriotism. Para conhecer mais sobre a vida e minist?o de Chuck Norris, visite seu site oficial: http://www.chucknorris.com * Como um de seus ?mos atos como presidente dos EUA e na imin?ia de tomar posse um presidente publicamente pr?orto, George Bush declarou 18 de janeiro de 2009 como Domingo da Santidade da Vida. Para mais informa?s, siga este link: http://juliosevero.blogspot.com/2009/01/dia-nacional-da-santidade-da-vida..html Traduzido e adaptado por Julio Severo: www.juliosevero.com Fonte: WND
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CONCEBIDA EM ESTUPRO CONTA SUA HIST?IA - www.rebeccakiessling.com  -  14/01/2009

Eu fui adotada assim que nasci. Aos 18 anos soube que fui concebida a partir de um estupro brutal sob amea?de faca por um estuprador serial. Assim como a maior parte das pessoas, eu nunca pensei que o assunto do aborto estivesse relacionado ?inha vida, mas assim que recebi essa not?a percebi que esse assunto n?s?t?elacionado ?inha vida, mas est?igado ?inha pr?a exist?ia. Era como se eu pudesse ouvir os ecos de todas as pessoas que, da forma mais simp?ca poss?l, dizem: Bem, exceto nos caso de estupro... ou que dizem com veem?ia e repulsa: Especialmente nos casos de estupro!!! Existem muitas pessoas assim por a?Elas nem sequer me conhecem, mas julgam a minha vida e depressa a descartam s?la forma como fui concebida. Eu senti como se a partir daquele momento tivesse que justificar minha pr?a exist?ia, tivesse que provar ao mundo que n?deveria ter sido abortada e que eu era digna de viver. Lembro-me tamb?de me sentir como lixo por causa das pessoas que diziam que minha vida era um lixo, que eu era descart?l. Por favor, entenda que quando voc?e declara a favor do direito de decidir ou quando abre a exce? para o estupro, o que isso realmente significa ?ue voc?ode olhar nos meus olhos e me dizer eu acho que sua m?deveria ter tido a op? de abortar voc?Essa ?ma afirma? muito forte. Eu jamais diria a algu? Se eu tivesse tido a chance, voc?staria morta agora. Mas essa ? realidade com a qual eu vivo. Desafio qualquer um a dizer que n??N??omo se as pessoas dissessem: Bom, eu sou a favor de leis que d?o direito livre de abortar, menos naquela pequena fresta de oportunidade em 1968/69, para que voc?Rebecca, pudesse ter nascido. N? Essa ? realidade mais cruel desse tipo de opini?e eu posso afirmar que isso machuca e que ?ma maldade. Mas sei que muita gente n?quer se comprometer nesse assunto. Para eles, ?penas um conceito, um coment?o estereotipado que eles varrem para debaixo do tapete e esquecem. Eu realmente espero que, como uma mulher que foi concebida a partir de um estupro, eu possa ajudar a dar um rosto e uma voz a essa quest? Diversas vezes me deparei com pessoas que me confrontaram e tentaram se desvencilhar dizendo coisas do tipo: Bem, voc?eve sorte!. Pode ter certeza de que minha sobreviv?ia n?tem nada a ver com sorte. O fato de eu estar viva hoje tem a ver com as escolhas feitas pela nossa sociedade: pessoas que lutaram para que o aborto fosse ilegal em Michigan naquela ?ca — mesmo em casos de estupro —, pessoas que lutaram para proteger a minha vida e pessoas que votaram a favor da vida. Eu n?tive sorte. Fui protegida. E voc?realmente acham que nossos irm? e irm?que est?sendo abortados todos os dias simplesmente s?azarados? Apesar de minha m?biol?a ter ficado feliz em me conhecer, ela me contou que foi a duas cl?cas de aborto clandestinas e que eu quase fui abortada. Depois do estupro, a pol?a indicou um conselheiro que simplesmente disse a ela que a melhor op? era abortar. Minha m?biol?a disse que naquela ?ca n?havia centros de apoio a gr?das em risco, mas me garantiu que, se houvesse, ela teria ido at??elo menos para receber um pouco mais de orienta?. O conselheiro foi quem estabeleceu o contato entre ela e os aborteiros clandestinos. Ela disse que a cl?ca tinha a t?ca apar?ia de fundo de quintal, como a gente escuta por a?e l?la poderia ter me abortado de forma segura e legal: sangue e sujeira na mesa e por todo o ch? Essas condi?s prec?as e o fato de ser ilegal levaram-na a recuar, como acontece com a maioria das mulheres. Depois, ela entrou em contato com um aborteiro que cobrava mais. Dessa vez, ela se encontraria com algu??oite no Instituto de Arte de Detroit. Algu?iria se aproximar dela, dizer seu nome, vend?a, coloc?a no banco de tr?de um carro, lev?a e ent?me abortar... Depois iria vend?a novamente e lev?a de volta. E sabe o que eu acho mais lament?l? ?que eu sei que existe um monte de gente por a?ue me ouviria contar esses detalhes e que responderia com uma balan?a de cabe?em desaprova?: Seria terr?l se sua m?biol?a tivesse tido que passar por tudo isso para conseguir abortar voc? Isso ?ompaix?!!! Eu entendo que eles pensem que est?sendo compassivos, mas para mim parece muita frieza de cora?, n?acha? ?sobre a minha vida que eles est?falando de forma t?indiferente e n?h?ada de compaix?nesse tipo de opini? Minha m?biol?a est?em, a vida dela continuou e ela est?e saindo muito bem, mas eu teria morrido e minha vida estaria acabada. A minha apar?ia n?? mesma de quando eu tinha quatro anos de idade ou quatro dias de vida, ainda no ?o da minha m? mas ainda assim era inegavelmente eu e eu teria sido morta em um aborto brutal. De acordo com a pesquisa do Dr. David Reardon, diretor do Instituto Elliot, co-editor do livro V?mas e vitimados: falando sobre gravidez, aborto e crian? frutos de agress?sexuais, e autor do artigo Estupro, incesto e aborto: olhando al?dos mitos, a maioria das mulheres que engravidam ap?ma agress?sexual n?quer abortar e de fato fica em pior estado depois de um aborto. (http://www.afterabortion.org.) Sendo assim, a opini?da maioria das pessoas sobre aborto em casos de estupro ?undamentada em falsas premissas: 1) a v?ma de estupro quer abortar; 2) ela vai se sentir melhor depois do aborto; e 3) a vida daquela crian?n?vale o trabalho que d?ara suportar uma gravidez.. Eu espero que a minha hist? e as outras postadas nesse site ajudem a acabar com este ?mo mito. Eu queria poder dizer que minha m?biol?a n?queria me abortar, mas de fato ela foi convencida a n?faz?o. Contudo, o aspecto nojento e o palavreado sujo desse segundo aborteiro clandestino, al?do temor de sua pr?a seguran? levaram-na a recuar. Quando ela lhe contou por telefone que n?estava interessada nesse acordo arriscado, esse homem a insultou e a xingou. Para sua surpresa, ele ligou novamente no dia seguinte para tentar convenc?a a me abortar, e mais uma vez ela n?quis prosseguir com o plano e ouviu mais uma s?e de insultos. Depois disso, ela simplesmente n?podia mais prosseguir com essa id?. Minha m?biol?a j?stava entrando no segundo trimestre da gesta?, quando seria muito mais perigoso e muito mais caro me abortar. Sou muito grata por minha vida ter sido poupada, mas muitos crist? bem intencionados me diziam coisas como olha, Deus realmente quis que voc?ascesse! e outros podem dizer era mesmo pra voc?star aqui. Mas eu sei que Deus quer que toda crian?tenha a mesma oportunidade de nascer e n?posso me conformar e simplesmente dizer bem, pelo menos a minha vida foi poupada. Ou eu mereci, veja o que eu fiz com a minha vida. E os outros milh?de crian? n?mereciam? Eu n?consigo fazer isso. Voc?onsegue? Voc?onsegue simplesmente ficar a? dizer pelo menos minha m?me quis... pelo menos estou vivo... ou simplesmente sei l?Esse ?ealmente o tipo de pessoa que voc?uer ser? De cora? frio? Uma apar?ia de compaix?por fora e cora? de pedra e vazio por dentro? Voc?iz que se importa com os direitos das mulheres, mas n?est?em a?ra mim porque eu sou um lembrete de algo que voc?refere n?encarar e que voc?etesta que outros se importem? Eu n?me encaixo na sua agenda? Na faculdade de direito eu tinha colegas que me diziam coisas como se voc?ivesse sido abortada, n?estaria aqui hoje e de qualquer forma n?saberia a diferen? ent?por que se importa?. Acredite ou n? alguns dos principais fil?os pr?orto usam esse mesmo tipo de argumento: O feto n?sabe o que o atingiu, ent?n?percebe que perdeu a vida. Sendo assim, acho que se voc?sfaquear algu?pelas costas enquanto ele estiver dormindo, n?haver?roblema algum, porque ele n?saber? que o atingiu?! Eu explicava aos meus colegas como a mesma l?a deles justificaria que eu matasse voc?oje, porque voc??estaria aqui amanh? n?saberia a diferen?de qualquer forma.. Ent? por que se importar?. E eles ficavam com o queixo ca?. ?incr?l o que um pouco de l?a pode fazer, quando voc?? para pensar — que ? que devemos fazer numa faculdade de direito — e considera o que n?ealmente estamos falando: h?idas que n?est?aqui hoje porque foram abortadas. ?como o velho ditado: Se uma ?ore cai na floresta e n?h?ingu?por perto para ouvir, ser?ue faz barulho?. Olha, faz sim! E se um beb? abortado e ningu?fica sabendo, tem import?ia? A resposta ?IM! A vida dele importa. A minha vida importa. A sua vida importa e n?deixe ningu?te dizer o contr?o! O mundo ?m lugar diferente porque naquela ?ca (antes de 1973 nos EUA) era ilegal a minha m?me abortar. A sua vida ?iferente porque ela n?p?me abortar legalmente e porque voc?st?entado aqui lendo as minhas palavras hoje! Mas voc??tem que atrair plat?s pra que a sua vida tenha import?ia. H?oisas que fazem falta a todos n?qui hoje por causa das gera?s que foram abortadas e isso importa. Umas das melhores coisas que eu aprendi ?ue o estuprador NÏ ?eu criador, como algumas pessoas queriam que eu acreditasse. Meu valor e identidade n?s?determinados por eu ser o resultado de um estupro, mas por ser uma filha de Deus. O Salmo 68, 5-6 declara: Pai dos ?os... no seu templo santo Deus habita. D? Senhor um lar ao sem-fam?a. E o Salmo 27, 10 nos diz: Mesmo se pai e m?me abandonassem, o Senhor me acolheria. Eu sei que n?h?enhum estigma em ser adotado. O Novo Testamento nos diz que ?o esp?to de ado? que n?omos chamados a ser filhos de Deus por Jesus Cristo nosso Senhor. Sendo assim, Ele deve ter pensado na ado? como s?olo do amor dEle por n? E o mais importante ?ue eu aprendi, poderei ensinar aos meus filhos e ensino aos outros que o seu valor n??edido pelas circunst?ias da sua concep?, seus pais, seus irm?, seu parceiro, sua casa, suas roupas, sua apar?ia, seu QI, suas notas, seus ?ices, seu dinheiro, sua profiss? seus sucessos e fracassos ou pelas suas habilidades ou dificuldades. Essas s?as mentiras que s?perpetuadas na sociedade. De fato, muitos palestrantes motivacionais falam para suas plat?s que se elas fizerem algo importante e atingirem certos padr?sociais, ent?elas tamb?poder?ser algu? Mas o fato ?ue ningu?conseguiria atingir todos esses padr?rid?los e muitas pessoas falhariam. Isso significa que elas n?s?algu?ou que elas s?ningu? A verdade ?ue voc??tem que provar o seu valor a ningu?e se voc?uiser realmente saber qual ? seu valor, tudo o que precisa fazer ?lhar para a Cruz, pois este ? pre?que foi pago pela sua vida! Esse ? valor infinito que Deus colocou na sua vida! Para Ele voc?ale muito e para mim tamb? Que tal se juntar a mim para tamb?proclamar o valor dos outros com palavras e a?s? Para aqueles que dizem bem, eu n?acredito em Deus e n?acredito na B?ia, ent?sou a favor da livre escolha de abortar ou n? por favor, leia meu artigo O direito da crian?de n?ser injustamente morta – uma abordagem da filosofia do direito. Eu garanto que valer? seu tempo. Fonte: www.rebeccakiessling.com Divulga?: www.juliosevero.com
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Quatro jogadores de futebol cubanos escaparam da Copa Ouro em Miami  -  05/07/2023

 

Redação Infobae

Roberney Caballero, Denilson Morales, Neisser Sandó e Jassael Herrera não compareceram ao voo da equipe a Houston para o confronto contra o Guadalupe neste sábado

Quatro integrantes da seleção masculina de futebol cubana deixaram a concentração após a primeira partida da seleção pela Copa Ouro da CONCACAF (derrota por 0 a 1 contra a Guatemala), disputada nesta terça-feira em Miami, Estados Unidos.

“Os jogadores de futebol Roberney Caballero, Denilson Morales, Neisser Sandó e Jassael Herrera deixaram a delegação”, disse um comentarista esportivo da televisão cubana local, sem dar detalhes sobre a fuga.

Anteriormente, alguns meios de comunicação de fora da ilha haviam noticiado, especificando que a deserção ocorreu na terça-feira, depois que a seleção cubana perdeu por 1 a 0 na estreia contra a Guatemala, no estádio Inter Miami, em Fort Lauderdale (Flórida), e antes de viajar para Houston para jogar seus próximos dois jogos: no sábado contra Guadalupe e em 4 de julho contra o Canadá. Nenhum dos dois apareceu para o voo de Miami para Houston.

A seleção não explicou como cobrirá essas ausências no banco para os próximos confrontos da Copa Ouro.

Cerca de trinta atletas de elite de Cuba abandonaram as concentrações nacionais aproveitando viagens ao exterior em 2023.

Os casos mais notórios desde o início deste ano foram os dos campeões mundiais Yoenlis Feliciano Hernández (boxe) e Denia Caballero (disco). Outros atletas optaram por emigrar legalmente, como o jogador de beisebol Yariel Rodríguez, primeiro arremessador de Cuba no V Clássico Mundial em março.

As graves dificuldades econômicas que os cubanos sofrem há mais de dois anos alimentaram um êxodo sem precedentes na ilha. Somente no ano passado, 313.000 cidadãos chegaram irregularmente à fronteira sul dos Estados Unidos.

A isto acresce, no caso dos atletas, os problemas que têm para ir para o estrangeiro e assinar por clubes estrangeiros, onde podem ganhar muito mais do que nas competições nacionais do seu país durante a sua curta vida profissional.

Na mídia oficial, esses abandonos costumam ser relatados como "indisciplina grave" e até "traições".

A seleção cubana estreou com uma derrota na Copa Ouro nesta terça-feira contra a Guatemala e no sábado enfrenta a revelação do grupo D, Guadalupe. O encontro do Caribbean Lions com o Canadá, teoricamente favorito do grupo, está marcado para a próxima terça-feira.

*       Com informações da EFE

**     Tradução livre.

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PL 2630/20, a legalização da censura  -  30/04/2023

 

Nota: O Brasil 247 é um site de esquerda, de extrema-esquerda, posto que esse site quando se refere à direita usa, sempre, "extrema-direita". Pois até esse site de jornalismo esquerdista reconhece que o PL 2630/20 "altera as condições de funcionamento da ordem informativa, fundamento do regime democrático".

***

Editorial do site Brasil 247

Entre todas as facetas polêmicas e ameaças existenciais presentes no projeto de lei 2630, o imprecisamente chamado PL das Fake News, a mais amplamente questionável é a aprovação de sua urgência pelo plenário da Câmara dos Deputados.

De fato, a urgência passou sem que a sociedade soubesse de seu teor. No pedido alegou-se que o projeto vinha tramitando havia mais de três anos nas duas casas legislativas, Senado e Câmara.

O fato, porém,  é que o substitutivo apresentado pelo relator,  Orlando Silva, permaneceu secreto até o dia da votação da urgência.

O expediente do sigilo em torno do projeto sugere uma estratégia questionável,  ainda mais partindo de um parlamentar colocado à esquerda do espectro político.  O que há no substituto que justificasse o mistério?

O segredo do projeto foi rompido somente na iminência da votação de urgência. É legítimo supor que até mesmo muitos dos parlamentares tenham votado sem conhecimento da proposição e de suas implicações.

Muitos detalhes fulcrais da proposta, na verdade, só estão sendo esmiuçados agora, em meio a uma avalanche de avaliações muitas vezes opostas.

Além do segredo com que foi conduzida, a aprovação da urgência implica que o projeto não será examinado nas comissões da Câmara, onde geralmente a sociedade e seus representantes têm a oportunidade de realizar um escrutínio mais cerrado da proposta. Abre-se a oportunidade de examinar as repercussões da propositura, observando seus detalhes com transparência, permitindo a expressão dos interessados, submetendo a exame mais minucioso suas fragilidades e  melhoramentos.

O projeto 2630/20 altera profundamente as condições de funcionamento do ambiente democrático no país. Ao pretender regrar as plataformas, ele faz muito mais do que isso. Ele altera as condições de funcionamento da ordem informativa, fundamento do regime democrático.

Põe em questão as condições de existência de uma miríade de participantes, inclusive este Brasil247, que vêm ocupando espaços graças a novas ferramentas de exercício do jornalismo e questionando a hierarquia injusta que historicamente prevaleceu no país. Nesse processo forjou-se um ambiente de competição entre diversos enfoques opostos. É essa competição arejada que o projeto vem ameaçar, em seu trâmite acelerado, ameaçando repor, em seu lugar, o império do discurso único dos meios tradicionais, hoje em  patente decadência.

*   Publicado em: 30 de abril de 2023, 05:32

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Florense na DW 2022  -  04/09/2022

Na Semana de Design (Design Week, ou DW), São Paulo terá um verdadeiro show da Florense na loja Florense Gabriel.

Quadrante Sul Publicidade

       “Um local de imersão e deslumbramento” é o que promete a Florense na Semana de Design de São Paulo, a DW! O evento acontece de 4 a 11 de setembro em diferentes bairros e ruas da cidade, unindo design, arquitetura e decoração. A Florense participa com uma imersão em sua flagship da Alameda Gabriel Monteiro da Silva e lança fragrância, louças e playlists exclusivas.

Na icônica loja, os visitantes poderão mergulhar em uma experiência única, que aguçará todos os seus sentidos. Partindo do desejo de Roberta Castellan, Diretora Criativa da marca, de explorar a essência da Florense em todos os detalhes da experiência de loja, como perfume, louças e playlists, o artista e arquiteto Gustavo Neves uniu todos os pontos e os traduziu em uma instalação inusitada, nomeada de Ipsius.

Logo na entrada da loja, grandes esculturas convidam à imersão. O hall decorado dá acesso a uma rampa por onde se entra na instalação. Lá, uma sensação única, olfativa, aguarda para ser experimentada. O momento não poderia ser mais propício para a Florense lançar sua fragrância especial, o parfum botânico Origo, composto por uma mistura de raízes, alecrim, limão e musgo de carvalho, a louçaria que une todos os elementos e conceitos da marca e as quatro playlists repletas de ritmos brasileiros e universais. Todos frutos das mentes criativas da dupla Gustavo Neves e Iran Jr, da empresa Le Fatagis.

 A partir do festival, os produtos expostos na instalação poderão ser sentidos, vistos e ouvidos em todas as lojas Florense.

 

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Democracia Em Risco!  -  01/09/2022

MP - Pró Sociedade 

Nota pública

Quebra de sigilo, whatsapp, provas ilícitas e STF

 

           O Brasil, uma vez mais atônito, como se ainda fosse possível surpreender-se neste manicômio jurídico, deparou-se com a notícia veiculada pelo Jornal JOTA, às 16h55 do dia 23 de agosto de 2022, nos seguintes termos: “ELEIÇÕES 2022 – Celulares apreendidos mostram troca de mensagens entre Aras e empresários bolsonaristas”[1]. Ao se ler a notícia, destaca-se o seguinte trecho:

“Nos celulares apreendidos pela Polícia Federal com empresários bolsonaristas há troca de mensagens com o procurador-geral da República, Augusto Aras. A informação é confirmada por fontes da PF, do Ministério Público Federal (MPF) e do Supremo Tribunal Federal (STF). Ainda segundo fontes do MPF, PF e STF, nas mensagens haveria críticas à atuação  do  ministro Alexandre de Moraes e também comentários sobre a candidatura de Jair Bolsonaro. As mensagens ainda são mantidas em sigilo, mas já viraram tema entre ministros do STF.”

A Associação Nacional MP Pró-Sociedade vem a público manifestar, uma vez mais, extrema preocupação com o avanço de medidas e procedimentos judiciais e midiáticos capazes de abalar os alicerces mais profundos e importantes do regime democrático, do devido  processo legal  e  da  proteção das demais  liberdades individuais. Mas, para que se possa dimensionar o caso e suas repercussões, convém breve recapitulação dos fatos.

O jornal Metrópoles, em reportagem datada de 17 de agosto de 2022, assim noticiou: “EXCLUSIVO. EMPRESÁRIOS BOLSONARISTAS DEFENDEM GOLPE DE ESTADO CASO LULA SEJA ELEITO; VEJA: Empresários apoiadores de Jair Bolsonaro atacam STF, TSE e defendem ruptura em caso de vitória de Lula. Série de reportagens começa hoje”[2].

Aprofundando a questão, também se verificou que mal o tema foi divulgado pela imprensa, aportou no STF, em 18 de agosto de 2022, um pedido judicial formulado por uma “COALIZÃO EM DEFESA DO SISTEMA ELEITORAL”, composta por instituições como a ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE JURISTAS PELA DEMOCRACIA, ASSOCIAÇÃO DE JUÍZES PARA A DEMOCRACIA, ASSOCIAÇÃO AMERICANA DE JURISTAS, INSTITUTO DE PESQUISAS E ESTUDOS AVANÇADOS DA MAGISTRATURA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO e COMISSÃO JUSTIÇA E PAZ DE BRASÍLIA[3], solicitando, em síntese, a apuração do conteúdo da reportagem publicada pelo jornal METROPOLES, referida acima, no âmbito do Inquérito nº 4.781[4], conhecido ordinariamente como “Inquérito das Fake News”.

Dias depois, o STF, por decisão que se imputa ao Ministro Alexandre de Moraes, a Polícia Federal (PF) teria sido autorizada a realizar busca e apreensão e outras medidas cautelares contra oito alvos, todos empresários conhecidos publicamente pelo apoio à gestão do atual Presidente da República[5]

“O ministro do STF Alexandre de Moraes atendeu a um pedido da Polícia Federal e autorizou busca e apreensão em endereços de oito empresários bolsonaristas. […] O pedido faz parte do inquérito que investiga milícias digitais suspeitas de atuar contra as instituições e a democracia.”

Embora, inicialmente, o pedido formulado pela Polícia Federal ao STF e a decisão do STF estivessem sob sigilo, CURIOSAMENTE o site G1 informou conhecer detalhes da decisão ao indicar que “o ministro Alexandre de Moraes determinou a quebra dos sigilos bancários e das mensagens, além do bloqueio das contas bancárias e dos perfis dos empresários em redes sociais”[6].

Causa espécie que agentes da imprensa (de mais de um veículo de comunicação) possuam informações privilegiadas sobre decisões judiciais prolatadas pela mais alta corte judicial do País em situação de sigilo.

Observa-se que, entre a data da realização das operações, isto é, o início da manhã de 23 de agosto, e a divulgação da notícia pelo site JOTA, transcorreram cerca de 10 horas. Considerando que este lapso temporal não foi suficiente sequer para a trasladação dos aparelhos para a capital federal, pois a operação ocorreu em várias cidades e, à evidência, ainda não foram submetidos à perícia forense, de que forma a imprensa teve conhecimento do conteúdo de mensagens trocadas entre um dos investigados e o Procurador-Geral da República (PGR), que sequer era objeto de qualquer investigação?

A partir do momento em que os aparelhos celulares foram apreendidos, presume-se que se encontram sob a responsabilidade da autoridade judicial prolatora da decisão. A quem compete resguardar a higidez do sigilo processual? Quem foi a autoridade responsável pela divulgação da existência de conversas (sejam elas quais forem) entre um investigado e o PGR? Quais serão as providências que serão adotadas para a identificação dos responsáveis pelo crime de violação de sigilo? Qual a repercussão deste fato para a validade da prova encontrada?

Veja-se que a medida em questão, ainda que não analisada pela ótica do direito à liberdade de expressão dos tais empresários-alvo da investigação, transborda por completo todos os limites do razoável.

Percebe-se a possível utilização da técnica investigativa do fishing expedition, quando se busca em um alvo aleatório, menos importante (no caso, um dos empresários, notoriamente um amigo do PGR), informações relacionadas a outros alvos mais importantes. Utilizar-se um aparelho de um empresário para devassar conversas deste com o PGR consiste em uma clara tentativa de desestabilizar o Ministério Público brasileiro e o próprio sistema acusatório.

Não bastassem todos estes fatos, extremamente perigosos para as instituições democráticas, o mesmo Jornal JOTA[7] noticiou que parlamentares peticionaram ao STF (em inquérito sigiloso) postulando o compartilhamento das conversas entabuladas entre um dos investigados e o PGR para fins de análise de abertura de processo de impeachment[8], o que demonstra ser plausível a  tentativa  do  fishing expedition.

         Vislumbra-se um horizonte perigoso nas relações institucionais quando as regras mais comezinhas de investigação não são acatadas pelas mais altas autoridades da nação. Se a  legislação  imprime  sobre  a  operação em  questão  o  adequado e rigoroso sigilo, como se admitir que se devasse a intimidade da maior autoridade do Ministério Público brasileiro, o seu Procurador-Geral da República, dando publicidade a possíveis conteúdos de conversas, ainda mais quando o referido PGR sequer é alvo de investigações?

Sequer se está a discutir na presente nota as possíveis ilegalidades decorrentes da atuação do STF na apuração dos atos praticados pelos referidos empresários, em especial a ausência de foro privilegiado dos empresários-alvo, atipicidade das condutas e ofensa ao princípio acusatório, circunstâncias estas que justificariam acréscimos de novas linhas.

De igual forma, medidas cautelares como bloqueio de contas correntes de empresários são extremamente danosas, sem excluir a visível desproporção.

Ao se aproximar do bicentenário da Independência do Brasil, percebe-se que os verdadeiros inimigos da República não são aqueles contra os quais a grande mídia vocifera diariamente. A Associação MP Pró-Sociedade conclama toda a sociedade a, nos dizeres dos beneditinos, ora et labora; oração pelo povo brasileiro, para que não seja mais cego como a estátua que adorna a Praça dos Três Poderes em frente ao STF, e  trabalho sacrificado, para que prevaleça a verdadeira liberdade.

“Ou ficar a Pátria livre, ou morrer pelo Brasil.”

(Hino da Independência)

 

[1]     Aras: Celulares apreendidos pela PF mostram troca de mensagens entre Aras e empresários bolsonaristas (jota.info), acessado em 23 de agosto de 2022.

[2]     Exclusivo. Empresários bolsonaristas defendem golpe de Estado caso Lula seja eleito; veja zaps (metropoles.com), acessado em 23 de agosto de 2022.

[3]     A notícia do pedido encontra-se em AJD Portal - Coalizão protocola notícia crime contra empresários que defendem golpe, assim como o seu inteiro teor. Acessado em 27 de agosto de 2022.

[4]     Inquérito sob sigilo, cuja consulta pode ser realizada em Supremo Tribunal Federal (stf.jus.br), acessado em 29 de agosto de 2022.

[5]     Moraes autoriza operação contra empresários suspeitos de defender golpe em mensagens de celular | Jornal Nacional | G1 (globo.com), acessado em 23 de agosto de 2022.

[6]     Moraes autoriza operação contra empresários suspeitos de defender golpe em mensagens de celular | Jornal Nacional | G1 (globo.com), acessado em 23 de agosto de 2022.

[7]     Randolfe pede ao STF cópias das mensagens entre Aras e empresários bolsonaristas (jota.info), acessado em 29 de agosto de 2022.

[8]     O inteiro teor do pedido encontra-se em Petição 6 - Inq 4874 INQ conversas empresários-aras (jota.info), acessado em 29 de agosto de 2022.

 

MP - Pró Sociedade 01/09/2022

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130 ANOS DO STF EM LIVRO  -  03/03/2021

Desde que foi instalado no Rio de Janeiro, em 28 de fevereiro de 1891, o STF teve participação em inúmeros momentos do país, ora mais discreta, ora mais ostensivamente.

“500 CURIOSIDADES SOBRE O STF” selecionou acontecimentos, datas, trajetórias profissionais, debates acirrados de plenário, detalhes das sabatinas, quem recusou vagas e muito mais.

Isso se fazia necessário por uma razão elementar: o órgão de cúpula do Poder Judiciário brasileiro não é mais aquele desconhecido a que aludiu Aliomar Baleeiro, um dos seus mais notáveis integrantes. Ao contrário. Hoje, o STF é um protagonista praticamente diário.

A obra traz um universo de informações nem sempre abordadas em torno desta importante instituição cuja atribuição precípua é dar vida e sentido à Constituição Federal.

Dois propósitos essenciais impulsionaram o meu trabalho: desmistificá-lo enquanto instituição judicial e permitir que as pessoas possam conhecê-lo mais e melhor, tanto nos seus acertos quanto nas suas falhas. Afinal, nem sempre o tribunal exerceu com maestria as suas missões. Assim como teve altivez para enfrentar Floriano Peixoto, condenar no Mensalão e revogar a Lei de Imprensa, a Corte emudeceu diante da ascensão do Governo Provisório em 1930, tergiversou nas concessões de habeas corpus nos anos 60/70, instabilizou jurisprudências importantes, vem consolidando o predomínio de decisões individuais às colegiadas e recentemente determinou a prisão de um congressista desprezando a sua imunidade parlamentar.

Concebido em vista dos 130 anos da instalação do STF republicano (embora delineado bem antes), este livro foi escrito numa linguagem coloquial e sem maior rigidez cronológica nas curiosidades justamente para que a sua leitura seja uma atividade leve, informativa e agradável.

 

Antônio Augusto Mayer dos Santos é advogado, professor, autor e colunista da Revista VOTO e de Conservadores e Liberais – Puggina.org

PRÉ-VENDA DO LIVRO: https://editorathoth.com.br/produto/500-curiosidade-sobre-o-supremo-tribunal-federal-acontecimentos-datas-polemicas-debates-acirrados-sabatinas/242:

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PARA SE LIVRAR DE MAIA E ALCOLUMBRE, BOLSONARO SE APROXIMA DO CENTRÃO  -  09/04/2020

Notícia boa em meio à tempestade perfeita 

Leio no site Terra

O presidente Jair Bolsonaro começou um movimento de reatar conversas com lideranças de partidos do centrão no momento em que o governo atravessa uma fase crítica com a cúpula do Congresso em meio ao avanço da pandemia do novo coronavírus no país.

Na terça-feira, Bolsonaro conversou com o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), e na quarta com o presidente do PRB e primeiro vice-presidente da Câmara dos Deputados, Marcos Pereira (SP). O primeiro encontro constou da agenda oficial do presidente e o segundo foi confirmado por uma fonte.

Em reunião que constou da agenda oficial, o presidente ainda se reuniu na quarta com os líder do PL na Câmara, Wellington Roberto (PB), e no Senado, Jorginho Mello (SC) - esse último fez parte da comitiva presidencial que no início de março foi aos Estados Unidos. Ele fez teste para covid-19, mas o resultado foi negativo.

A movimentação do presidente ocorre no momento em que a relação dele com os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (AP), ambos do DEM, está esgarçada diante de ações do governo no combate ao coronavírus, em especial embates de Bolsonaro com o correligionário deles, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta.

Uma das lideranças que esteve com Bolsonaro confirmou à Reuters que há uma tentativa de aproximação do presidente com o Parlamento, embora não tenha dado detalhes do encontro que teve. Disse que o presidente vai chamar outras lideranças também.

O líder do PL no Senado disse, em sua conta no Twitter, que o encontro com o presidente teve como assunto a situação de Santa Catarina. "O presidente demonstrou estar atento à situação do nosso Estado em meio à pandemia. Nosso trabalho continua", afirmou.

Consultadas, lideranças do DEM e do MDB disseram reservadamente que ainda não tinham sido chamadas pelo presidente para conversar.

Uma delas afirmou que o movimento de Bolsonaro vem com um atraso de pelo menos três semanas, quando ficou claro para o país, segundo essa fonte, que o vírus é o "inimigo comum". Segundo esse interlocutor, ainda assim é importante que o presidente busque essa construção, porque o Brasil passa ao mesmo tempo por crises sanitária e econômica.

"Se pudermos evitar também uma crise política, uma tempestade perfeita, seria importante", disse. Para essa fonte, o presidente comprou "brigas erradas", ao trombar com o ministro da Saúde, os governadores e com o Congresso. "A hora é de união", ressaltou.

 

COMENTO
Parece que finalmente o presidente da República desistiu de contar com Maia e Alcolumbre. Desse mato não sai coelho. Alcolumbre é do mesmo partido de Maia e seu teleguiado na presidência do Senado. Nenhum dos dois esconde seu desapreço ao presidente e a seus eleitores. Ambos cometem o equívoco de fazerem o que fazem, defenderem os interesses que defendem e desejarem ser bem-amados por isso.

O DEM, convenhamos, tirou a sorte grande no início do período legislativo quando emplacou a presidência das duas casas do Congresso e dois ministérios no governo, com Onix Lorenzoni e Luiz Henrique Mandetta. Todos, porém, estão num jogo diferente, quando não antagônico ao do governo.

Se Bolsonaro conseguir contornar os três e entender-se com os integrantes do centrão, sem abalar a postura moral do governo, isso terá sido um golpe nos golpistas e um bônus ao país em momento de grande necessidade.
 

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CONFINAMENTO, TESTES EM LARGA ESCALA E CLOROQUINA.  -  28/03/2020

Nota do editor: Esta entrevista de Didier Raoult ao jornal Le Parisien (22/03) foi transcrita por Gilberto Simões Pires em Ponto Crítico (27/03)

IMPERDÍVEL ENTREVISTA DE DIDIER RAOULT:
CONFINAMENTO, TESTES EM LARGA ESCALA E CLOROQUINA.


CLOROQUINA
LE PARISIEN: - O governo autorizou um grande ensaio clínico para testar o efeito da cloroquina no coronavírus. É importante para você ter obtido isso?

DIDIER RAOULT: - Não, eu não ligo. Eu acho que existem pessoas vivendo na Lua que comparam os testes terapêuticos da AIDS com uma doença infecciosa emergente. Eu, como qualquer médico, uma vez demonstrado que um tratamento é eficaz, acho imoral não administrá-lo. É simples assim.

LE PARISIEN: - O que você diz aos médicos que pedem cautela e estão reservados quanto aos seus testes e ao efeito da cloroquina, especialmente na ausência de mais estudos?
DIDIER RAOULT: - Entenda-me bem: sou um cientista e penso como um cientista com elementos verificáveis. Eu produzi mais dados sobre doenças infecciosas do que qualquer pessoa no mundo. Sou médico, vejo pessoas doentes. Eu tenho 75 pacientes hospitalizados, 600 consultas por dia. Então as opiniões de todos, se você soubesse como eu não me importo. Na minha equipe, somos pessoas pragmáticas, NÃO PÁSSAROS DE PROGRAMAS DE TV.


ENSAIOS EM LARGA ESCALA
LE PARISIEN: - Como você começou a trabalhar com cloroquina e concluiu que poderia ser eficaz no tratamento de coronavírus?
DIDIER RAOULT: - O problema neste país é que as pessoas que falam são de total ignorância. Eu fiz um estudo científico sobre cloroquina e os vírus, treze anos atrás, que foi publicado. Desde então, outros quatro estudos de outros autores mostraram que o coronavírus é sensível à cloroquina. Tudo isso não é novo. É sufocante que o círculo de tomadores de decisão nem sequer seja informado sobre o estado da ciência. Sabíamos da eficácia potencial da cloroquina em modelos de cultura viral. Sabíamos que era um antiviral eficaz. Decidimos em nossas experiências adicionar um tratamento com azitromicina (um antibiótico contra pneumonia bacteriana, nota do editor) para evitar infecções secundárias por bactérias. Os resultados foram espetaculares em pacientes com Covid-19 quando a azitromicina foi adicionada à hidroxicloroquina.

LE PARISIEN: - O que você espera de ensaios em larga escala em torno da cloroquina?

DIDIER RAOULT: - Nada mesmo. Com minha equipe, acreditamos ter encontrado uma cura. E em termos de ética médica, acredito que não tenho o direito como médico de não usar o único tratamento que até agora se mostrou bem-sucedido. Estou convencido de que, no final, todos usarão esse tratamento. É apenas uma questão de tempo até que as pessoas concordem em reconhecer que erraram e dizer: essa é a coisa a fazer.


SEIS DIAS
LE PARISIEN: - De que forma e por quanto tempo você administra cloroquina a seus pacientes?

DIDIER RAOULT: - A hidroxicloroquina é administrada na dose de 600 mg por dia, durante dez dias (na forma de Plaquenil, o nome do medicamento na França, nota do editor) na forma de comprimidos administrados três vezes ao dia. E 250 mg de azitromicina duas vezes no primeiro dia e depois uma vez ao dia por cinco dias.

LE PARISIEN: - É um tratamento que pode ser tomado para prevenir a doença?

DIDIER RAOULT: - Nós não sabemos.

LE PARISIEN: - Quando você administra, quanto tempo leva para um paciente do Covid-19 se recuperar?

DIDIER RAOULT: - O que sabemos no momento é que o vírus desaparece após seis dias.

LE PARISIEN: - Você entende, no entanto, que alguns de seus colegas pedem cautela com este tratamento?

DIDIER RAOULT: - As pessoas dão sua opinião sobre tudo, mas só falo do que sei: afinal, não fico por aí dando minha opinião sobre a composição da seleção francesa! Todo mundo tem seu próprio trabalho. Hoje, a comunicação científica neste país é semelhante à conversa de botequim.


RISCOS
LE PARISIEN: - Mas não existem regras de prudência a serem respeitadas antes de administrar um novo tratamento?

DIDIER RAOULT: - Para aqueles que dizem que precisamos de trinta estudos multicêntricos e mil pacientes incluídos, respondo que, se aplicássemos as regras dos atuais metodologistas, teríamos que refazer um estudo sobre o interesse do paraquedas. Pegue 100 pessoas, metade com paraquedas e a outra sem e conte os mortos no final para ver o que é mais eficaz. Quando você tem um tratamento que funciona contra zero outro tratamento disponível, esse tratamento deve se tornar a referência. E é minha liberdade prescrever como médico. Não precisamos obedecer às ordens do governo para tratar os doentes. As recomendações da Alta Comissão da Saúde são uma indicação, mas não nos obrigam. Desde Hipócrates, o médico faz o melhor que pode, no estado de seu conhecimento e no estado da ciência.

LE PARISIEN: - E quanto aos riscos de graves efeitos indesejáveis relacionados ao uso de cloroquina, especialmente em altas doses?

DIDIER RAOULT: - Ao contrário do que algumas pessoas dizem na televisão, a nivaquina (o nome de uma das drogas projetadas à base de cloroquina, nota do editor) é bastante menos tóxica que o doliprano ou a aspirina ingerida em altas doses. Em qualquer caso, um medicamento não deve ser tomado de ânimo leve e sempre deve ser prescrito por um clínico geral.

LE PARISIEN: - Você está ciente da imensa esperança de cura para os pacientes?

DIDIER RAOULT: - Vejo acima de tudo que existem médicos que me escrevem diariamente em todo o mundo para descobrir como tratamos doenças com hidroxicloroquina. Recebi telefonemas do Hospital Geral de Massachusetts e da Clínica Mayo em Londres. Os dois maiores especialistas do mundo, um em doenças infecciosas e outro em tratamentos com antibióticos, entraram em contato comigo pedindo detalhes sobre como configurar esse tratamento. E até Donald Trump twittou sobre os resultados de nossos testes. É apenas neste país que não está claro quem eu sou! Não é porque aqui em Marselha não vivemos dentro do anel viário de Paris que não fazemos ciência. Este país se tornou Versalhes no século XVIII!

LE PARISIEN: - O que você quer dizer com isso?

DIDIER RAOULT: - Estamos fazendo perguntas franco-francesas e até parisiano-parisienses. Mas Paris está completamente fora de sintonia com o resto do mundo. Tomemos o exemplo da Coréia do Sul e da China, onde não há mais casos novos. Nesses dois países, eles decidiram há muito tempo realizar testes em larga escala para poder diagnosticar pacientes infectados mais cedo. Esse é o princípio básico do gerenciamento de doenças infecciosas. Mas chegamos a um nível de loucura tal que os médicos que aparecem na TV não aconselham mais diagnosticar a doença, mas dizem às pessoas para ficarem confinadas em suas casas. Isto não é Medicina.

LE PARISIEN: - Você acha que confinar a população não será eficaz?

DIDIER RAOULT: - Nunca antes isso foi feito nos tempos modernos. Estávamos fazendo isso no século 19 para a cólera em Marselha. A ideia de limitar as pessoas para bloquear doenças infecciosas nunca foi comprovada. Nem sabemos se funciona. É improvisação social e não medimos seus efeitos colaterais. O que acontecerá quando as pessoas ficarem trancadas, a portas fechadas, por 30 ou 40 dias? Na China, há relatos de suicídios por medo do coronavírus. Alguns vão lutar entre si.

LE PARISIEN: - Deveríamos, como exige a Organização Mundial da Saúde, generalizar os testes na França?

DIDIER RAOULT: - Vamos ter a coragem de dizê-lo: a gambiarra ao estilo francês, não funciona. A França faz apenas 5.000 testes por dia, quando a Alemanha realiza 160.000 por semana! Existe um tipo de discordância. Nas doenças infecciosas, diagnosticamos pessoas e, uma vez obtido o resultado, as tratamos. Especialmente porque estamos começando a ver pessoas portadoras do vírus, aparentemente sem sinais clínicos, mas que, em um número não desprezível de casos, já têm lesões pulmonares visíveis no scanner mostrando que estão doentes. Se essas pessoas não forem tratadas a tempo, existe um risco razoável de se encontrarem depois em terapia intensiva, onde será muito difícil salvá-las. Testar pessoas apenas quando já estão gravemente doentes é, portanto, uma maneira extremamente artificial de aumentar a mortalidade.

LE PARISIEN: - E devemos generalizar o uso de máscaras?

DIDIER RAOULT: - É difícil de avaliar. Sabemos que elas são importantes para o pessoal da saúde, porque são as poucas pessoas que realmente têm um relacionamento muito próximo com os pacientes quando os examinam, às vezes a 20 cm do rosto. Não está claro até que ponto os vírus voam. Mas dificilmente mais que um metro. Portanto, além dessa distância, pode não fazer muito sentido usar uma máscara. De qualquer forma, é nos hospitais que essas máscaras devem ser enviadas como prioridade para proteger os cuidadores. Na Itália e na China, uma parte extremamente grande dos pacientes acabou sendo pessoal de saúde.
 

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JUÍZA DO DISTRITO FEDERAL SUSPENDE CONTRATAÇÃO DE BUFFET PELO STF  -  06/05/2019


Leio no Diário do Congresso:

A Juíza Solange Salgado, da 1ª Vara da Justiça Federal do Distrito Federal, suspendeu a contratação realizada pelo Supremo Tribunal Federal de um buffet refinado no valor de R$ 481,7 mil. Ela acatou uma ação movida pela deputada Carla Zambelli (PSL-SP) e aceitou os argumentos da parlamentar sobre "gastos desproporcionais" para refeições aos ministros e convidados que envolvem de camarões e lagostas a vinhos importados e variedades de bebidas alcoólicas. (Veja a decisão). A Corte informou que irá recorrer da decisão por meio da Advocacia-Geral da União (AGU). (...)
Veja aqui o edital de convocação da licitação em que é possível conferir os detalhes exigidos pelo tribunal. Na página cinco, constam o tipo de serviço que o STF pediu, como café da manhã à francesa, brunch, almoço e jantar, coffe break e coqueteis. A partir da página oito é possível ver o cardápido e o itens de cada refeição.

 

COMENTO

Quando, em meado de abril, tomei conhecimento dessa licitação, imaginei, em favor do STF, que fosse uma licitação para custeio de eventuais recepções oficiais a dignitários estrangeiros. O noticiário não esclarecia que toda aquela sofisticação se destinava ao prazeroso consumo dos senhores ministros. No entanto, feitos alguns exercícios de aritmética, ficou evidente que o montante só se justificava se cobrisse demandas cotidianas dos membros da Corte. Ademais, estava previsto café da manhã e brunch, refeições que, de hábito, não se destinam a visitantes.

A deputada Carla Zambelli, na ação que moveu, entre muitas outras expressivas considerações, afirma ser “indubitavelmente vergonhoso e antiético o patrimônio público arcar com altíssimo gasto em bebidas alcoólicas a serem consumidas na Corte Constitucional pátria, uma vez que o Supremo existe para que a Constituição Federal seja protegida, e não para que servidores se alegrem etilicamente, com visitas ou não, às custas do Estado".

A magistrada, na decisão em que deferiu a suspensão do pregão eletrônico, considera que o fornecimento de refeições se caracteriza como atividade meio e por isso, o alto valor a ele designado “tem potencial para ferir a moralidade administrativa”. Mais adiante, afirma a Dra. Solange Salgado, que “os itens exigidos destoam sobremaneira da realidade socioeconômica brasileira, configurando um desprestígio ao cidadão que arduamente recolhe seus impostos para manter a máquina pública funcionando a seu benefício.”

Não é uma situação comum, a magistratura de primeiro grau suspender atos administrativos do Supremo Tribunal Federal. Quando o assunto chegou à opinião pública houve certo mal estar entre os ministros, mas o STF não recuou nos procedimentos licitatórios nem nas exigências do cardápio. O único avanço foi proclamar vencedora uma proposta cujo valor correspondeu a 44% da estimativa inicial. Parabéns à deputada Carla Zambelli e à magistrada que deferiu a ação popular.

O STF vai recorrer através da Advocacia Geral da União.
 

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CÂMARA AUMENTA CARGOS DE CONFIANÇA PARA DEPUTADOS  -  06/03/2017

 

O Congresso Nacional é constituído por 513 deputados federais e 81 senadores e para atenderem a esses 594 senhores, segundo o ministério do planejamento, em dezembro de 2015 existiam 24.896 servidores ativos que custaram R$ 5,4 bilhões. Considerando também os 10.360 servidores inativos que custaram R$ 3,5 bilhões o custo total com essa imoral e criminosa usina de gastos públicos foi de R$ 8,9 bilhões.


Câmara aumenta cargos de confiança para deputados
Diretores da Casa trabalham até no sábado para concluir proposta encomendada por Rodrigo Maia que ampliará número de vagas a serem preenchidas por funcionários escolhidos por parlamentares e partidos. Mudança foi costurada na campanha da nova Mesa DiretoraSem alarde, o novo comando da Câmara prepara, a toque de caixa, mudanças na estrutura administrativa da Casa para garantir aos deputados o direito de contratar mais funcionários de sua confiança e ampliar as vagas destinadas às lideranças partidárias. A manobra, que deve inicialmente criar de 200 a 300 novos cargos de livre nomeação, faz parte das promessas de campanha da chapa vencedora, do atual presidente, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Os parlamentares têm pressa em aprovar as modificações, que também estão atreladas à distribuição das comissões, a serem instaladas nos próximos dias.

A pedido de Maia, diretores das áreas de Recursos Humanos e Pessoal da Câmara se reuniram, neste sábado (4), para discutir uma proposta a ser apresentada à Mesa Diretora na próxima semana. Caberá a esse órgão, e não ao plenário, decidir sobre o assunto. A estratégia se baseia na combinação de duas modificações. A ideia é transformar cerca de 100 funções comissionadas (FCs), privativas de servidores efetivos da Casa – concursados e os funcionários que entraram na casa antes da exigência de concurso público – em cargos de natureza especial (CNEs), para funcionários contratados livremente pelos parlamentares, por secretarias ou lideranças. Além da conversão das FCs em CNEs, também se articula a divisão desses cargos comissionados, de modo a multiplicar o número de contratados.

Os CNEs são divididos em diferentes níveis de remuneração. Um CNE 7, por exemplo, ganha R$ 18 mil. Já um CNE 15 recebe cerca de R$ 3 mil. Pela proposta, cujo detalhes ainda não foram divulgados, além da transformação das FCs em CNEs, será possível dividir os CNEs – os novos e os já existentes – em vários. Um CNE 7 poderia ser transformado em vários CNEs 15 e permitir a contratação de até seis servidores de confiança. Integrantes da Mesa Diretora que defendem as medidas argumentam que as mudanças não vão implicar aumento de gasto público. Alegam que o mesmo valor será repartido entre mais pessoas.

Mas não será bem assim, advertem servidores efetivos: a Câmara gastará mais com outros benefícios, como auxílio-creche e alimentação, para mais funcionários. Ou seja, seis servidores de R$ 3 mil (CNE 15) custarão mais que os R$ 18 mil de um CNE 7, para ficarmos com o mesmo exemplo. Com a mudança nas regras, apoiadores de Rodrigo Maia pretendem ampliar seu espaço na área legislativa, como as lideranças partidárias, as novas secretarias e comissões temáticas da Casa.

Reação de servidores efetivos

Um grupo de servidores efetivos questiona a legalidade e a moralidade da manobra. Em nota, a Frente Ampla de Trabalhadoras e Trabalhadores do Serviço Público pela Democracia afirma que o objetivo maior da proposta encabeçada pela Mesa Diretora é aumentar o “cabide de empregos” na Câmara e “desmontar” a estrutura administrativa da Câmara, reduzindo o peso dos concursados e ampliando o dos assessores indicados politicamente.

“O desmonte da estrutura administrativa da Câmara dos Deputados, iniciado pela Mesa Diretora presidida por Eduardo Cunha (PMDB), prossegue a passos largos na gestão de Rodrigo Maia (DEM). Órgãos da Casa tradicionalmente técnicos, encarregados de garantir a lisura do processo democrático, estão se tornando estruturas fantasmas povoadas de apadrinhados políticos daqueles que estão no comando”, denuncia a frente.

O grupo questiona a falta de estudo para embasar a decisão da Mesa. “Não se trata de reestruturação destinada a melhorar a eficiência dos órgãos, nem a tornar as chefias mais efetivas. Não houve qualquer estudo prévio sobre o funcionamento administrativo da Câmara. Trata-se, isso sim, do achincalhamento dos servidores de carreira da Câmara visando a intensificar a já desigual proporção de apadrinhados políticos na Casa. Trata-se de ingerência direta da Mesa Diretora na política de recursos humanos.”

Segundo a frente, há quatro vezes mais indicados políticos que servidores do quadro na Casa atualmente. “A Câmara conta hoje com 3.644 vagas de servidores efetivos em seu quadro, das quais 3.081 estão ocupadas por servidores ativos. A Mesa e as lideranças dos partidos contam com 1.671 vagas de CNEs, das quais 1.621 estão ocupadas. Em seus gabinetes, os deputados contam com 10.334 Secretários Parlamentares – também de livre nomeação. A atual Mesa, aliada de Eduardo Cunha, pretende agravar ainda mais essa distorção”, prossegue a nota.

Há informações de que essa gana por cargos já se estende aos terceirizados da Casa. Hoje, trabalham na Câmara dos Deputados 2.868 funcionários terceirizados, contratados para serviços diversos: limpeza, segurança, copa, recepção, telefonia e eletricidade, mecânica, jardinagem, design gráfico, tecnologia de informação etc. Os melhores salários são os dos encarregados, o que, segundo circula entre os servidores, seria o principal objeto de cobiça.

A direção-geral da Casa informou à reportagem na sexta-feira que estudava “formas de otimizar o trabalho e reorganizar o pessoal”. A assessoria do presidente da Casa, Rodrigo Maia, também foi procurada, mas ainda não houve retorno.

“Coisa de outro mundo”

Apontado como principal articulador das mudanças, o primeiro-secretário da Câmara, Fernando Giacobo (PR-PR), diz que o assunto não pode ser tratado “como se fosse coisa de outro mundo” e nega que a reestruturação que deverá garantir mais cargos de confiança para os parlamentares tenha sido solicitada pela Mesa, conforme apurou o Congresso em Foco. Ele também rechaça que a reorganização faça parte de promessas assumidas na eleição do novo comando da Casa.

“Acredito que o presidente Rodrigo Maia não tem compromisso de dar cargo para ninguém por causa de eleição. Eu muito menos, até porque fui candidato único. Não tive disputa nenhuma. Há reclamações por pessoas que estão com medo de perder as funções comissionadas. Mas ninguém vai cometer nenhum tipo de injustiça”, declarou.

De acordo com Giacobo, a mudança não vai implicar aumento de gastos. “Essa conversa é improcedente. A Casa não vai ter nenhum acréscimo de despesa a não ser corte de gastos. Tiramos daqui e realocamos ali. Não tem absolutamente nada com corte de FC para criar CNE.”

Como novo “prefeito” da Câmara, o deputado diz que pretende economizar R$ 1 bilhão dos quase R$ 6 bilhões previstos para o orçamento deste ano. “Nossa ideia é devolver parte do orçamento ao Executivo para que ele possa aplicar em algumas ações que vão ser politicamente acertadas com a Câmara. Nesse primeiro semestre, vamos economizar em torno de R$ 450 milhões”, promete.

* Colaborou Patrícia Cagni

 

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A ESTRANHA MORTE DO MINISTRO RELATOR DA LAVA JATO  -  19/01/2017

 

Em criminosos não se deve crer e de criminosos nada deve causar surpresa, exceto os incomuns arrependimentos espontâneos, a raríssimas confissões de culpa e as justas e inauditas indenizações pelos danos causados.

Ainda que sem detalhes sobre as condições em que ocorreu a queda da pequena aeronave na qual viajava com mais dois ou três outros passageiros, tem jeito de operação Mani Pulite, a morte, hoje à tarde, do ministro do STF Teori Zavascki, relator da Lava Jato. 

A equipe de Zavascki na relatoria desse processo vinha trabalhando junto com ele, durante o recesso, para acelerar as homologações e criar condições para que fosse conferida maior agilidade às investigações.

Se não for coisa tipo Mani Pulite, se realmente aconteceu um acidente, se tudo não passa de coincidência e acaso, se os ventos da fortuna resolveram soprar em favor dos réus e investigados da Lava Jato e derrubar aquele aviãozinho, então devemos reconhecer que os corruptos brasileiros têm mais sorte do que juízo. E, nesse caso, estão no negócio errado, porque com tanta sorte deviam deixar-nos em paz, mudar-se para Las Vegas e se dedicar à roleta.
 

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INCONFORMIDADE E VIOLÊNCIA DO FASCISMO VERMELHO  -  08/09/2016


Leio no site do UOL:

Dois integrantes da equipe de reportagem do UOL em Brasília foram agredidos por manifestantes anti-Temer durante a cobertura de protestos na capital federal nesta quarta-feira (7).

O repórter Leandro Prazeres e o cinegrafista Kleyton Amorim entrevistavam uma mulher de um grupo que se manifestava em favor de intervenção militar no Brasil quando foram abordados por outro grupo de manifestantes, que protestavam contra o presidente Michel Temer. O grupo pró-intervenção estava sendo hostilizado pelos ativistas contrários a Temer, que tentaram, então, impedir a entrevista. Um manifestante empurrou o repórter. Também foram arremessadas garrafas de água mineral contra Prazeres, sendo que uma delas atingiu seu rosto.

Leio em Zero Hora:

Um vídeo divulgado pelo Ministério Público, ontem, mostra com mais detalhes a confusão que envolveu o advogado Mario Rogério Siolva dos Santos, 51 anos, e três policiais militares, durante protesto em Caxias do Sul, na Serra. As imagens revelam que o advogado desferiu uma cabeçada no sargento Paulo Roberto da Silva Wentz, 45 anos, antes de ser agredido a golpes de cassetete - versão sustentada desde o início pela Brigada Militar.

Comento:

Sucedem-se em todo o país manifestações de pequenos grupos, agressivos e intransigentes, fazendo uso da violência para expressar sua inconformidade. Sua conduta é nitidamente fascista e golpista. Querem derrubar o presidente legitimamente eleito na chapa que venceu o pleito de 2014, mas não agem pela via constitucional. Preferem tumultuar o país e a ordem pública. Como sempre fizeram quando na oposição.
 

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PEDRO CORRÊA FAZ RELATO CONTUNDENTE DE ENVOLVIMENTO DE LULA NO PETROLÃO  -  27/05/2016


Revelações do ex-deputado ao MP compõem documento de 132 páginas. Depoimento aguarda homologação pelo Supremo Tribunal Federal. (Leia mais na Veja)
 

Entre todos os corruptos presos na Operação Lava-Jato, o ex-deputado Pedro Corrêa é de longe o que mais aproveitou o tempo ocioso para fazer amigos atrás das grades. Político à moda antiga, expoente de uma família rica e tradicional do Nordeste, Corrêa é conhecido pelo jeito bonachão. Conseguiu o impressionante feito de arrancar gargalhadas do sempre sisudo juiz Sergio Moro quando, em uma audiência, se disse um especialista na arte de comprar votos. Falou de maneira tão espontânea que ninguém resistiu. Confessar crimes é algo que o ex-deputado vem fazendo desde que começou a negociar um acordo de delação premiada com a Justiça, há quase um ano. Corrêa foi o primeiro político a se apresentar ao Ministério Público para contar o que sabe em troca de redução de pena. Durante esse tempo, ele prestou centenas de depoimentos. Deu detalhes da primeira vez que embolsou propina por contratos no extinto Inamps, na década de 70, até ser preso e condenado a vinte anos e sete meses de cadeia por envolvimento no petrolão, em 2015. Corrêa admitiu ter recebido dinheiro desviado de quase vinte órgãos do governo. De bancos a ministérios, de estatais a agências reguladoras - um inventário de quase quarenta anos de corrupção.

VEJA teve acesso aos 72 anexos de sua delação, que resultam num calhamaço de 132 páginas. Ali está resumido o relato do médico pernambucano que usou a política para construir fama e fortuna. Com sete mandatos de deputado federal, Corrêa detalha esquemas de corrupção que remontam aos governos militares, à breve gestão de Fernando Collor, passando por Fernando Henrique Cardoso, até chegar ao nirvana - a era petista. Ele aponta como beneficiários de propina senadores, deputados, governadores, ex-governadores, ministros e ex-ministros dos mais variados partidos e até integrantes do Tribunal de Contas da União.

Além de novos personagens, Corrêa revela os métodos. Conta como era discutida a partilha de cargos no governo do ex-¬presidente Lula e, com a mesma simplicidade com que confessa ter comprado votos, narra episódios, conversas e combinações sobre pagamentos de propina dentro do Palácio do Planalto. O ex-presidente Lula, segundo ele, gerenciou pessoalmente o esquema de corrupção da Petrobras - da indicação dos diretores corruptos da estatal à divisão do dinheiro desviado entre os políticos e os partidos. Corrêa descreve situações em que Lula tratou com os caciques do PP sobre a farra nos contratos da Diretoria de Abastecimento da Petrobras, comandada por Paulo Roberto Costa, o Paulinho.

Uma das passagens mais emblemáticas, segundo o delator, se deu quando parlamentares do PP se rebelaram contra o avanço do PMDB nos contratos da diretoria de Paulinho. Um grupo foi ao Palácio do Planalto reclamar com Lula da "invasão". Lula, de acordo com Corrêa, passou uma descompostura nos deputados dizendo que eles "estavam com as burras cheias de dinheiro" e que a diretoria era "muito grande" e tinha de "atender os outros aliados, pois o orçamento" era "muito grande" e a diretoria era "capaz de atender todo mundo". Os caciques pepistas se conformaram quando Lula garantiu que "a maior parte das comissões seria do PP, dono da indicação do Paulinho". Se Corrêa estiver dizendo a verdade, é o testemunho mais contundente até aqui sobre a participação direta de Lula no esquema da Petrobras.

 

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OLHO NO TESOURO!  -  13/05/2016

 Em tempos bicudos, governos medíocres, tímidos, sem coragem, buscam novas fontes de receitas para atender a expansiva demanda por gastos. Políticos sabem, por experiência própria, que impostos são pagos "no coletivo" e que o dinheiro arrecadado vai beneficiar indivíduos concretos. O bônus eleitoral da despesa é superior ao ônus eleitoral da receita.

 Pois eu quero sugerir ao novo governo um outro modo de ver a situação. Não se resolverá o problema fiscal do país fazendo dinheiro aparecer, mas impedindo que ele desapareça. As fendas através das quais vaza estão por toda parte. Algumas podem ser mais difíceis de serem identificadas, mas para localizar a maioria basta um exame acurado nos orçamentos dos centros de despesa.

Já houve matérias a respeito na mídia impressa e em programas de TV. Uma verdadeira colmeia de pouco mel e muita zoeira política se armou no Brasil através de organizações não governamentais que vivem às custas do erário. Dou um exemplo. Há alguns anos, o PT acabara de chegar ao poder federal, encontrei-me na rua com um conhecido petista. Paramos para conversar. Curioso em saber qual era sua posição no governo do partido pelo qual tanto militava, perguntei-lhe: "E tu, o estás fazendo?". Evidenciando não ter a menor intenção de explicitar detalhes ele respondeu: "Tenho uma ONG". Não duvido que fosse o melhor dos mundos.

Esse é um exemplo dentre milhares de organismos a serviço da causa petista, custeado com recursos orçamentários. Eles se juntam a subsídios culturais de inequívoco interesse ideológico, isenções desnecessárias, viagens e diárias de utilidade duvidosa, mordomias inaceitáveis, privilégios remuneratórios incompatíveis com as carências do "Tesouro", despesas publicitárias cujos fins são avessos ao que determina a lei, e por aí vai numa lista infindável. Ela inclui, até mesmo, dinheiro grosso para manter militantes em movimentos sociais e custear suas manifestações com carros de som, ônibus, mortadela, cachaça e demais suprimentos.

Soou para o Brasil a hora de o setor público e privado brasileiro pararem de olhar o Tesouro como se fosse isso mesmo.
 

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GILMAR MENTES PEDE INVESTIGAÇÃO NAS CONTAS DE DILMA ROUSSEFF  -  22/08/2015

 

O vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Gilmar Mendes, pediu a Polícia Federal (PF) que investigue indícios de irregularidades nas prestações de contas da campanha presidencial da presidente Dilma Rousseff. A apuração policial faz parte das diligências relacionadas ao pedido de cassação de mandato feito pelo PSDB contra o PT. A informação é da revista Istoé.

De acordo com a revista, Mendes encaminhou ofício à PF no último dia 29 de junho mas até agora a corporação ainda não definiu pela abertura de inquérito. Mendes pediu que a PF apure detalhes relacionados à prestação de serviços da Focal Comunicação Visual, que recebeu R$ 24 milhões da campanha de Dilma. O ministro também quer saber maiores detalhes sobre os contratos da empresa VTPB que trabalhou na campanha petista ao custo de R$ 23 milhões.

Segundo informações da Istoé, existe suspeitas de que tanto a Focal, quanto a VTPB receberam dinheiro do esquema de desvios de recursos da Petrobras. As transações, conforme a delação premiada do dono da UTC, o engenheiro Ricardo Pessoa, foram fruto de negociações do atual ministro da Secretaria de Comunicação Social, Edinho Silva.

“A iniciativa de Gilmar abre mais um flanco para um possível afastamento da presidente Dilma. Embora já haja um processo em curso no TSE destinado a apurar irregularidades na campanha, a entrada da PF na investigação pode agregar novos elementos ao caso”, informa a Istoé.

“No material encaminhado por Gilmar à PF há ainda indícios de emissão de notas fiscais frias e ocultação de despesas. A análise das notas registradas no site do TSE indicam inconsistências, duplicação de valores e interrupção na sequência de notas emitidas”, complementa a publicação.

Na próxima terça-feira, está previsto o depoimento de Ricardo Pessoa no processo contra Dilma no TSE. No pedido de cassação feito pelo PSDB, o partido alegou, entre outros argumentos, que a campanha de Dilma e Temer praticou abuso de poder econômico, por ter recebido doações de empreiteiras investigadas na Lava Jato que superaram a soma das despesas de todos os demais candidatos à Presidência da República, nas eleições de 2014. 

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INFLAÇÃO ATÉ JULHO CHEGA A 6,83%, E JÁ SUPERA A ALTA DE 2014 INTEIRO  -  07/08/2015


07/08/2015 09h07 - Atualizado às 09h39
Com o impacto menor do reajuste dos jogos de azar e um efeito favorável dos preços do setor de vestuário, a inflação oficial desacelerou para 0,62% na passagem de junho para julho, informou o IBGE nesta sexta-feira (7). Em junho, o IPCA havia sido de 0,79%.
Apesar disso, no ano, a inflação chegou a 6,83%, a maior taxa para o período desde 2003 (6,85%). Em sete meses, já supera o aumento dos preços de todo o ano passado (6,41%).
A inflação acumulada em 12 meses manteve sua trajetória de alta, para 9,56%, o maior pico desde novembro de 2003 (11,02%).
Os valores estão em linha com a expectativa de economistas consultados pela agência internacional Bloomberg, que esperavam um IPCA de 0,60% na passagem de junho para julho e de 9,53% em 12 meses.
A inflação sobe forte neste ano pressionado pelo choque das tarifas reguladas pelo governo, como energia elétrica, água e esgoto, transporte, combustíveis e loteria.
O dólar mais caro e o preço dos alimentos —que não cederem em meados do ano, como de costume— também ajudaram a acelerar a inflação ao longo deste ano.
A taxa de 12 meses aumentou porque a inflação de julho é alta para os padrões do mês. Em julho do ano passado, o índice de preços havia sido de apenas 0,01%.
O principal responsável por esse patamar alto foi a energia elétrica, após reajustes de tarifas de energia nas regiões metropolitanas de Curitiba e de São Paulo (veja detalhes abaixo).
Flávio Serrano, do Banco Espírito Santo, diz que a inflação de julho foi de 0,02% na média dos últimos seis anos.
"É um mês do ano em que geralmente temos mais deflação, por causa da desaceleração de alimentos e poucos reajustes de tarifas", disse Serrano.

GRUPOS
A energia elétrica foi o principal responsável pela inflação do mês. A energia elétrica ficou 4,17% mais cara em julho, liderando as contribuições individuais com 0,16 ponto percentual do índice no mês.
Essa alta foi influenciada por reajustes de energia nas concessionárias das regiões metropolitanas de Curitiba (alta de 11,40%), São Paulo (11,11% de alta). Em Belo Horizonte, Brasília e Campo Grande os preços subiram por aumento de imposto.
Com a contribuição da energia elétrica, além de reajustes em águas e esgotos, o grupo habitação teve alta de 1,52% no mês passado. Sozinho, respondeu por cerca de 40% da inflação de julho.
Em julho, a maior desaceleração da inflação veio do grupo despesas pessoais, que passou de 1,63% em junho para 0,61% em julho. O motivo foi a diluição do aumento de preços dos jogos de azar.
A Caixa Econômica Federal (CEF) aumento o preço dos jogos de azar após autorização do governo. O preço da aposta da Mega-Sena, por exemplo, passou de R$ 2,50 para R$ 3,50.
Já o setor de vestuários teve deflação de 0,02% no mês passado. O setor entrou em período de liquidação de inverno, para reduzir estoques para a próxima estação, o que explica a queda dos preços.
Transportes também sofreram menor pressão na passagem dos meses, graças as passagens aéreas, com o fim da alta temporada. As passagens aéreas ficaram 0,78% mais caras, frente a alta de 29,19% em junho.
O grupo de alimentos manteve o ritmo de aumento de preços, com alta de 0,65% em julho. É uma taxa ainda acima dos padrões do mês e foi responsável por 0,16 ponto percentual do IPCA.
No mês, os destaques entre os alimentos foram feijão-mulatinho (8,88%), fubá de milho (3,53%) e leite longa vida (3,09%), informou o IBGE. A cebola continuou subindo, em 2,85%, e acumula alta de 155,19% neste ano.
 

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Fato Comentado


Coreia do Norte: posse de Bíblia pelos pais deu prisão perpétua também para bebê.  -  30/05/2023

Leio no Portal Guiame

      De acordo com o Relatório Internacional de Liberdade Religiosa de 2022 do Departamento de Estado dos EUA, um menino de dois anos e sua família foram condenados à prisão perpétua pela posse de uma Bíblia.

O caso de grande repercussão na mídia ilustra a repressão do regime comunista norte-coreano contra indivíduos com crenças religiosas.

Segundo o relatório, estima-se que cerca de 70.000 pessoas, incluindo cristãos e indivíduos de outras religiões, estão detidos na Coreia do Norte devido à perseguição religiosa.

“O direito à liberdade de pensamento, consciência e religião [na RPDC] também continua a ser negado, sem sistemas de crença alternativos tolerados pelas autoridades”, afirmou António Guterres, secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), descrevendo as atrocidades que a Coreia do Norte comete contra a liberdade religiosa nos últimos anos.

De acordo com a ONU, as restrições de viagens impostas devido à pandemia de Covid-19 reduziram as informações sobre a perseguição religiosa, o que piorou a verificação de detalhes sobre os casos de abuso.

No entanto, o Departamento de Estado americano afirmou ter finalmente confirmado os detalhes do relatório com base em informações de organizações não governamentais (ONGs), grupos de direitos humanos e a própria ONU.

De acordo com o relatório, algumas instituições registradas, como igrejas, existem especialmente na capital coreana, Pyongyang. No entanto, os visitantes relataram que a igreja "operava sob rígido controle do estado e funcionava em grande parte como uma vitrine para estrangeiros".

O Departamento de Estado também afirmou que é difícil quantificar o alcance e o número de igrejas subterrâneas ou secretas devido o governo proibir atividades religiosas privadas.

Segundo informações de desertores, o governo norte-coreano encoraja os cidadãos a denunciarem qualquer pessoa envolvida em atividades religiosas não autorizadas ou que possua materiais religiosos, como a Bíblia.

Eles relataram que cristãos frequentemente escondem suas atividades religiosas de familiares, vizinhos, colegas de trabalho e outros, por medo de serem rotulados como desleais ao governo norte-coreano e denunciados às autoridades.

Abusos da liberdade religiosa

A Korea Future divulgou, em 2021, um relatório com base em entrevistas feitas com 244 vítimas de abusos da liberdade religiosa.

Entre as vítimas estão 150 pessoas que aderiram ao Xamanismo, 91 ao Cristianismo, uma ao Cheondoísmo e outra pessoa ligada a outras crenças. Essas pessoas tinham entre dois e mais de 80 anos. Mulheres e meninas representaram mais de 70% das vítimas documentadas.

Conforme relatado, o governo acusou indivíduos de envolvimento em práticas religiosas, realização de atividades religiosas na China, posse de itens religiosos, contato com pessoas religiosas e compartilhamento de crenças religiosas.

Esses indivíduos foram submetidos a prisões, detenções, trabalhos forçados, tortura, negação de um julgamento justo, execuções públicas e violência sexual, de acordo com o relatório.

Crianças também são vítimas

Um dos incidentes destacados no relatório foi a prisão de uma família em 2009 devido às suas práticas religiosas e posse de uma Bíblia.

Como resultado, toda a família, incluindo uma criança de dois anos, foi condenada à prisão perpétua em campos de prisioneiros.

Outro incidente relatado pela ONG Korea Future descreve um caso chocante em que um homem foi espancado quase até a morte por guardas ao ser descoberto orando.

Além disso, foi registrado um incidente envolvendo um membro do Partido dos Trabalhadores Coreanos que foi encontrado com uma Bíblia. Ele foi levado pelas autoridades para um aeródromo e executado publicamente diante de milhares de pessoas.

Segundo relatam os cristãos, as terríveis condições dos campos de prisioneiros norte-coreanos, incluem desnutrição extrema, alimentação forçada com comida contaminada, abuso verbal e físico e execução.

A Open Doors USA (ODUSA) informou que, para os cristãos na Coreia do Norte, a vida é um "caldeirão de pressão constante" e "a captura ou a morte estão a apenas um erro de distância".

Segundo a ODUSA, os cristãos são considerados os mais baixos da sociedade e estão constantemente "vulneráveis ??e em perigo".

Comento

Terrível, não é mesmo? Pois mais ou menos assim é a história de vida de dezenas de milhões de pessoas cujas opções não foram compatíveis com o “direito” imposto por alguém, ou por algum partido político. No comunismo, os gulags eram campos de prisioneiros e, ao mesmo tempo, parte do mercado de mão de obra escrava entre repartições do Estado, sempre carentes de recursos humanos para atender às crescentes metas de produção fixadas por Stalin.

Há alguns anos, li um livro que recomendo enfaticamente – Fuga do Campo 14. Ele conta a história do jovem Shin Dong-hyuk que nasceu num campo de concentração da Coreia do Norte. Ali viveu sem conhecer sentimentos humanos uma vida de submissão absoluta e em total desconhecimento sobre o que havia fora do Campo. Atualmente, ele vive na Coreia do Sul, faz ativismo político contra a tirania que oprime seus irmãos do Norte e persiste como o único norte-coreano que conseguiu fugir de um campo de concentração naquele país.

Coisas assim podem acontecer e acontecem quando as tiranias se instalam. Por isso, denúncia, anúncio e resistência são condutas de prudência. No Brasil, a linha da liberdade já foi recuada e está sob ameaça.

Na capa do meu livro “Pombas e gaviões”, publicado pela AGE em 2010, incluí uma frase que retoma, nestes dias sua inteira validade: “Os ingênuos estão na cadeia alimentar dos mal-intencionados”.

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O sigilo e a turma do fuxico  -  12/01/2023

 

Percival Puggina       

         Quando o PT chega ao poder, vem com aquilo que chamamos “fome ao pote”. Deixem o Lula solto para falar e o “amor” sai derrotado na primeira frase. Com a honra de ser “absolvido” em três instâncias na Globo e em duas na ONU (ou algo com semelhante peso judicial), ele se sente em condições de despejar sua ira contra quem pensa diferente dele, usando o salto alto da dignidade ferida.

No tempo das antigas vitórias petistas aqui no Rio Grande do Sul, a percepção comum era de que haviam obtido ganhos revolucionários e não sucessos eleitorais. A revolução, como se sabe, tem motivos e não precisa ter razão. Ela passa por cima de detalhes éticos e estéticos que são do agrado da “burguesia” derrotada.

É o ânimo que observo nestes primeiros dias de um novo governo petista no país. Puxa a carreta para o passado! Há que trazer o calendário para algum momento anterior e retomar tudo a partir daí, inclusive o caos em que deixaram o país. Querem, como eu, o Brasil de volta, mas nos pandarecos em que o perderam.

Para chegar a esse estágio, vale tudo. Inclusive o fuxico, o mexerico, a busca maligna e maliciosa na intimidade alheia. Vale, até mesmo, atrair a dadivosa Justiça para o despenhadeiro da judicialização daquilo a que chamam “política”.

Bolsonaro havia decretado sigilo de cem anos sobre certos documentos. Acabar com esse sigilo, pelo jeito, estava entre as grandes e urgentes prioridades do governo Lula. Tarefa relevantíssima saber, por exemplo, quem eram as 565 pessoas que visitaram a Sra. Michelle Bolsonaro no Palácio do Alvorada. Nossa! Assunto para os fuxiqueiros antifas. Neste momento e por muito tempo, essas pessoas são vítimas de uma pescaria. Numa perspectiva racional, são elas que ficaram injustamente desprotegidas com o alarido em torno da abertura do sigilo “de cem anos” até agora estabelecido. São elas que estão tendo a vida devassada e não é a ex-primeira-dama.

Mas, quem se importa com isso? Afinal, dizem, “a luta é política”. Com isso, explicam qualquer coisa e para delineá-la bastam os motivos. A razão, bem como a correção dos meios e dos fins são zelos da “burguesia”.

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PARA PROTEGER A REPRESENTATIVIDADE FEMININA, PSOL QUER CASSAR O MANDATO DE UMA VEREADORA  -  21/04/2021

Percival Puggina, com matéria do Jornal da Cidade On Line

Leio no Jornal da Cidade On Line

Artigo de Frederico “Fred” Rodrigues no referido jornal informa:

A dedicação da esquerda brasileira em destruir o país parece não ter limites. Na sua busca infinita por criar políticas cada vez mais estúpidas. O bom senso e a realidade passam a ser meros detalhes a serem contornados.

Liderando tudo que há de ruim na nossa política está o PSOL, um partido que se originou com, pasmem, pessoas que achavam que o PT não estava sendo radical o suficiente e hoje, pasmem novamente, consegue ser ainda pior do que quando surgiu.

E não é porque o PSOL não tem cadeiras na Câmara de uma cidade que ele deixaria de tentar atrapalhar a política local também.

Em Goiânia por exemplo, os gênios do “Socialismo e Liberdade” (hahahahaha) resolveram achar uma solução muito peculiar para o que eles julgam ser uma baixa participação das mulheres na política.

O PSOL entrou com ação na Justiça Eleitoral para que o mandato da Vereadora Léia Klebia seja cassado a fim de que a Lei que garante cotas para mulheres na política seja respeitada. Entendeu? Nem eu!

***

Comento

O artigo segue as supostas minorias como se fossem, todas, hipossuficientes? Por que, raios, é preciso haver quotas para mulheres, levando os partidos a forçar candidaturas de pessoas que não querem ser concorrer, que não têm aspirações eleitorais, que não farão campanha para si mesmas, apenas para preencher as tais quotas?

No entanto, lutar por medidas que, se bem examinadas, são ofensivas aos grupos supostamente beneficiários, é visto como conduta humanista, “igualitária” e, por isso, justa. Tanto são inadequadas tais políticas que indivíduos pessoalmente beneficiados assumem, de imediato, atitude defensiva, como que a proteger das “suspeitas” alheias, seus próprios méritos e direitos.

Isso em nada contribui para a harmonia social, que só se estabelece através de boa Educação, preparatória para o bom posto de trabalho. No dizer de Ronald Reagan, eis aí a melhor política social.

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SORVETEIRO NO CAMBURÃO  -  02/03/2021

 

Percival Puggina

             Aconteceu em São Lourenço do Sul e foi notícia no Jornal da Cidade On Line. Mais detalhes sobre a matéria, aqui.

         Neste, como em tantos outros casos não importam os detalhes. O que importa é desvendar as camadas de insensibilidade requeridas para impor um lockdown como o que foi estabelecido no Rio Grande do Sul e noutros estados da Federação.

         Camadas de insensibilidade que permitem não perceber se o estabelecimento está operando conforme as regras que eram consideradas suficientes até o dia anterior. Por exemplo: não ponderar se há fila, se os afastamentos estão mantidos, se a ventilação é adequada, se a ocupação do espaço está de acordo com os padrões sanitários, se funcionários e clientes estão mutuamente protegidos e assim por diante. É sinal de casca grossa, causa de insensibilidade, não ver que uma porta de comércio aberta é a ponta de uma cadeia de produção e que os danos de seu fechamento se expandem e multiplicam ao longo dela potencializando efeitos.

         No último sábado fui ao supermercado. Eram 17 horas e encontrei o que era previsto como consequência natural da redução de horário de funcionamento: clientes disputando espaço nos corredores, filas sem afastamento, ambiente estressado. Simples efeito da aritmética! O mesmo número de clientes com menos horas de atendimento, leva a ... (muito bem, leitor, acertou!) maior número de clientes por hora de atendimento com óbvia concentração no final do último turno.

         Quantas atividades não necessitariam ser fechadas se o prisma com que a examinam fosse invertido: o que deve ser feito para que permaneçam abertas em condições de segurança sanitária? Sem esquecer que a atividade de uma sorveteria é essencial para o sorveteiro e para os empregados com ele trabalham.

         Lockdown é solução burra para problema complexo. Enquanto não pararem de tratar da covid-19 como matéria de conteúdo político iremos  perdendo a guerra para um microscópico parasita intracelular desprovido de cérebro.

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  -  17/10/2020

BOLSONARO ESTAVA CERTO? O “FIQUE EM CASA” SALVOU OU CEIFOU VIDAS?
Valterlucio Bessa Campelo

Se alguém tinha dúvidas de que o “fique em casa” não estava funcionando, a campanha eleitoral encerrou o assunto. Está todo mundo na rua, ninguém mais agüenta a tranca imposta aos cidadãos por governadores e prefeitos, parte deles de índole autoritária, que em seus arreganhos esmagaram muitos dos direitos fundamentais da população. O custo econômico e social, estratosférico, se revelou insuportável. Sinal mais evidente foram as recentes declarações dos mandões da Organização Mundial de Saúde – OMS, que deram um cavalo de pau sem-vergonha e agora negam que tenham recomendado o lockdown. Os “especialistas” que macaqueavam a OMS sumiram, se escafederam, ninguém os encontra para bancarem o tranca-rua com seus títulos acadêmicos e sabedoria de récua.

Recentemente, milhares de cientistas assinaram um documento chamando atenção de governo e sociedade a respeito do equívoco monstruoso do lockdown e pedindo o retorno dos jovens à vida normal. Não há o que esperar, o modelo adotado fracassou miseravelmente.

Em matéria deste dia 12 de outubro, a VEJA traz a palavra do Dr. David Nabarro, o emissário da Organização Mundial da Saúde (OMS) para lidar com a pandemia de Covid-19, negando (vejam só!) que em algum momento tenham recomendado o lockdown. Um farsante que depois de colaborar para a quebra de economias em todo o mundo, aparece com cara de virgem da Vila Mimosa alegando inocência. A história julgará os efeitos danosos das medidas tomadas em todo o mundo, calcadas na “ciência” de araque e na autoridade da OMS.

Na entrevista, o sujeito da OMS lamenta “... parece que podemos muito bem ter uma duplicação da pobreza mundial no próximo ano. Parece que podemos ter pelo menos uma duplicação da desnutrição infantil porque as crianças não estão recebendo refeições...”. Pois é, tem isso e muito mais. Tem também muitas mortes nas costas de quem adotou como mantra o “fique em casa”. Pelo menos é o que aponta um estudo recente, publicado em preprint, pelos pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco – UFPE, Prof. DSc, Bruno Campello de Souza e Prof. PhD, Fernando Menezes Campello de Souza (AQUI).

Com base nos 82.241 brasileiros que morreram de COVID-19 entre 12/03/2020 e 22/07/2020 e os mais de 60 milhões de usuários brasileiros de celulares cujos celulares dispositivos usaram pelo menos um dos mais de 600 aplicativos que incorporaram a API In Loco, Campello conclui: “Parece haver forte evidência empírica de que, no Brasil, a adoção de medidas restritivas que aumentam o isolamento social agravaram a pandemia naquele país em vez de mitigá-la, provavelmente como um efeito de ordem superior emergente de uma combinação de fatores”.

No gráfico abaixo, copiado do referido estudo, os pesquisadores demonstram que a partir da adoção das medidas restritivas e do “fique em casa” (linha tracejada vermelha), a curva (azul) de mortes futuras observadas (calculada em 39-40 dias) se distancia da curva de tendência (verde) prevista por extrapolação dos dados dos primeiros 44 dias da pandemia. A curva de isolamento social SII (rosa) apresentada em média móvel de 7 dias, demonstra um movimento brusco de aumento coincidente com as medidas restritivas e aos poucos vai caindo, como sabemos todos.

O saldo verificado, ou seja, a diferença entre as linhas verde e azul é de 10,5%, isso quer dizer que o numero observado de mortes supera aquele previsto pela tendência observada nos primeiros 44 dias em aproximadamente 7.824 no período. Extrapolados a hoje, são mais de 15.000 mortes.

Mais detalhes da pesquisa o leitor pode ver com o próprio autor do estudo em debate que o mesmo teve com o jornalista Alexandre Garcia e o Prof. Dr. Ricardo Zimmermann da Universidade de Brasília, no último dia 11 de outubro, (AQUI).

Acredito que muitos estudos verdadeiramente científicos - agora há base de dados suficiente, corroborarão o estudo do Professor Bruno Campello e avançarão em outros efeitos decorrentes da política de encarceramento da população. Doenças não cuidadas, prevenções não realizadas, cirurgias adiadas, doenças psíquicas, suicídios, atraso infantil, deficiências cognitivas... enfim, a academia deve se preparar para produzir milhares de artigos demonstrando que contra a peste chinesa tomamos o pior dos caminhos.

Certamente não interessa ao establishment mostrar que houve quem alertasse para o erro, que houve quem percebesse a marcha da insensatez liderada pela mídia e endossada por políticos oportunistas. Quem se opôs ao lockdown foi chamado de negacionista, até de genocida, como se não embarcar no discurso do pânico fosse atestado de estupidez. Aí está o resultado. Sem contar com o saldo pavoroso da maior crise econômica da história mundial em tempos de paz, o lockdown horizontal acompanhado do “fique em casa e volte se sentir falta de ar” ceifou milhares de vidas.

Estando correto o Prof. Bruno Campello, quem pagará essa conta? A “ciência” que não era ciência? A OMS, que agora diz que não disse o que disse? Os oportunistas da espécie Mandetta, que projetavam ascensão política sobre cadáveres? Os ladrões do COVIDÃO que se esgueiram em fuga da Justiça? A mídia fúnebre, que comemorava cada morte como um desgaste na popularidade do Presidente? Sei, ninguém pagará, mas os terraparadistas (royalties para o jornalista Guilherme Fiúza), assim como a OMS, serão obrigados a reconhecer, mesmo silenciosamente, que Jair Bolsonaro estava certo.

Valterlucio Bessa Campelo, é engenheiro agrônomo, MSc


 

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  -  22/05/2019

QUANDO O DETALHE ENVOLVE E ESCONDE A NOTÍCIA
Percival Puggina


Existem detalhes que são importantes. Isso acontece comumente na indústria da moda e, notadamente, na moda feminina. Há detalhes que chamam o olho do observador como que apagando tudo mais.

Na comunicação, não é raro que certos detalhes da notícia a envolvam de tal forma que ela se torna irreconhecível.

Desde as primeiras notícias sobre as mobilizações de rua pelo impeachment, em defesa da Lava Jato, etc., alguns veículos (Globo, Folha, Zero Hora, entre outros) destacam a presença dos intervencionistas. Aqui no Rio Grande do Sul, as imagens divulgadas no noticiário do dia seguinte àqueles eventos, dentre a miríade de cartazes portados pelos participantes, pescavam algum postulando intervenção militar. Ele não era representativo, mas servia como uma luva às intenções ocultas da matéria que pretendiam expressar o que, mais tarde, seria o mote de toda a reação da esquerda derrotada no processo de impeachment e nas eleições de 2018: o “golpe” de 2016.

Agora, com referência à manifestação do próximo dia 26 (estarei em viagem, fora do Brasil nesse dia), volta-se ao detalhe e as matérias destacam algumas postulações sobre a aplicação do Art. 142 da CF.

Até as crianças sabem que o intuito dos eventos é o apoio popular ao Presidente. Esse é o fato. Esse é o objeto. Mas o detalhe vem sendo apresentado de modo a capturar o olho do observador, como se estivéssemos lidando com moda feminina e não com a política nacional.
 

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  -  01/12/2017

DIA 5 DE DEZEMBRO ABERTURA DA EXPOSIÇÃO SOBRE O HOLOMODOR

Fernanda Barth


Trazemos para Porto Alegre esta exposição, no ano do centenário da Revolução Russa, para que o mundo nunca esqueça este crime brutal cometido contra o povo da Ucrânia e que permaneceu em segredo até o final da década de 80, tornando-se público apenas com o fim da URSS.

Entre 1932-1933 o regime de Stalin submeteu milhões de ucranianos a morte por fome, em um dos maiores genocídios cometidos por um regime totalitário no mundo.

O termo Holodomor deriva da expressão ucraniana '?????? ???????' (moryty gholodom), tendo como raiz etimológica as palavras holod (fome) e moryty (matar através de privações, esfaimar), significando por isso "matar pela fome". O termo teria sido utilizado pela primeira vez pelo escritor Oleksa Musienko, num relatório apresentado à União dos Escritores Ucranianos de Kiev, em 1988.

No quarto sábado do mês de Novembro a Ucrânia e as comunidades ucranianas implantadas em diversos países de acolhimento prestam homenagem às vítimas do Holodomor. A exposição documental

Holodomor - o genocídio Ucraniano - mostra em detalhes o que ocorreu no período e marca esta homenagem às vítimas em Porto Alegre.

A abertura da exposição será às 19h30 do dia 5 de dezembro com uma palestra de Percival Puggina sobre o centenário da Revolução Russa e, logo após, a apresentação dos fatos históricos pelo Padre Domingos Starepravo, organizador da exposição no Brasil.
 

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  -  25/11/2017

Holodomor jamais deverá ser esquecido!
EXPOSIÇÃO E PALESTRA SOBRE HOLODOMOR
(Texto de Fernanda Barth)


E é com esta intenção que trazemos para Porto Alegre esta exposição, no ano do centenário da Revolução Russa, para que o mundo nunca esqueça este crime brutal cometido contra o povo da Ucrânia e que permaneceu em segredo até o final da década de 80, tornando-se público apenas com o fim da URSS.

 

Entre 1932-1933 o regime de Stalin submeteu milhões de ucranianos a morte por fome, em um dos maiores genocídios cometidos por um regime totalitário no mundo.

 

O termo Holodomor deriva da expressão ucraniana (moryty gholodom), tendo como raiz etimológica as palavras holod (fome) e moryty (matar através de privações, esfaimar), significando por isso "matar pela fome". O termo teria sido utilizado pela primeira vez pelo escritor Oleksa Musienko, num relatório apresentado à União dos Escritores Ucranianos de Kiev, em 1988.No quarto Sábado do mês de Novembro a Ucrânia e as comunidades ucranianas implantadas em diversos países de acolhimento prestam homenagem às vítimas do Holodomor. A exposição documental Holodomor - o genocídio Ucraniano - mostra em detalhes o que ocorreu no período e marca esta homenagem às vítimas em Porto Alegre.

 

A abertura da exposição será às 19h30 do dia 5 de dezembro com uma palestra de Percival Puggina sobre o centenário da Revolução Russa e, logo após, a apresentação dos fatos históricos pelo Padre Domingos Starepravo, organizador da exposição no Brasil.
 

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  -  22/04/2016

MEMORIAL DA INDIGNIDADE
Percival Puggina


 Lula ainda merecerá, no curso da História, um Memorial da Indignidade. A organização criminosa que gravitou e se instalou em torno do somatório de dois poderes extraordinários - a sedução do demagogo e os recursos do erário - é o fruto perfeito dessa combinação. E Lula foi, nela, o grande protagonista.

 O memorial cuja criação estou propondo conterá um extraordinário acervo de imagem e som através do qual os visitantes conhecerão detalhes de um período tão maculado de nossa trajetória como nação neste início do século XXI.

 A ideia do memorial ocorreu-me quando me caiu em mãos, vinda de alhures, matéria publicada no Estadão em 5 de outubro do ano passado sobre a fala de Lula durante evento com o tema "Bolívia dez anos - transformações políticas, éticas e sociais". Nessa fala, Lula registra o surgimento de forças conservadores (coisa à qual o PT estava desabituado e que surgiu, diga-se de passagem, graças ao próprio partido do presidente, suas iniquidades e desacertos). Depois de chamar a atenção para o esgotamento do Foro de São Paulo e à necessidade de ser construído algo compatível com a nova realidade, o presidente relatou o diálogo que teve com Evo Morales quando este era candidato ao primeiro mandato presidencial: Ao lado do segundo homem na cadeia de comando da Bolívia, Lula revelou que foi consultado por Evo Morales, então candidato a presidente do país vizinho, sobre a possibilidade de estatizar as plantas da Petrobrás em território boliviano.

"O Evo me perguntou: 'como vocês ficarão se nós nacionalizarmos a Petrobrás'. Respondi: 'o gás é de vocês'. E foi assim que nos comportamos, respeitando a soberania da Bolívia", disse Lula, como se a Petrobrás lhe pertencesse. No dia 1º de maio de 2006, Evo invadiu militarmente as plantas da Petrobrás onde o Brasil havia investido US$ 1,5 bilhão. Cantou de galo e nosso governo nem piou.

Coisas como essa, que eu já não lembrava mais, não podem cair no esquecimento! E saiba leitor: haverá conteúdo para encher pavilhões, organizados quase como um diário desse triste período em que Lula foi o grande protagonista da política brasileira. Grande até ser reduzido à sua verdadeira pequenez e cair, junto com o país, no fundo do poço do descrédito.
 

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  -  25/07/2015

EXECUTIVO DA OAS SE OFERECE PARA CONTAR À LAVA JATO SEGREDOS DEVASTADORES SOBRE LULA


Em troca de benefícios legais, Léo Pinheiro promete revelar, em delação premiada, o que viu, ouviu e fez nos anos em que compartilhou da intimidade do ex-presidente.
(Por: Robson Bonin, com reportagem de Adriano Ceolin24/07/2015 às 20:23 - Atualizado em 24/07/2015 às 20:44)

Léo e Lula são bons amigos. Mais do que por amizade, eles se uniram por interesses comuns. Léo era operador da empreiteira OAS em Brasília. Lula era presidente do Brasil e operado pela OAS. Na linguagem dos arranjos de poder baseados na troca de favores, operar significa, em bom português, comprar. Agora operador e operado enfrentam circunstâncias amargas. O operador esteve há até pouco tempo preso em uma penitenciária em Curitiba. Em prisão domiciliar, continua enterrado até o pescoço em suspeitas de crimes que podem levá-lo a cumprir pena de dezenas de anos de reclusão. O operado está assustado, mas em liberdade. Em breve, Léo, o operador, vai relatar ao Ministério Público Federal os detalhes de sua simbiótica convivência com Lula, o operado. Agora o ganho de um significará a ruína do outro. Léo quer se valer da lei sancionada pela presidente Dilma Rousseff, a delação premiada, para reduzir drasticamente sua pena em troca de informações sobre a participação de Lula no petrolão, o gigantesco esquema de corrupção armado na Petrobras para financiar o PT e outros partidos da base aliada do governo.

Por meio do mecanismo das delações premiadas de donos e altos executivos de empreiteiras, os procuradores já obtiveram indícios que podem levar à condenação de dois ex-ministros da era lulista, Antonio Palocci e José Dirceu. Delatores premiados relataram operações que põem em dúvida até mesmo a santidade dos recursos doados às campanhas presidenciais de Dilma Rousseff em 2010 e 2014 e à de Lula em 2006. As informações prestadas permitiram a procuradores e delegados desenhar com precisão inédita na história judicial brasileira o funcionamento do esquema de sangria de dinheiro da Petrobras com o objetivo de financiar a manutenção do grupo político petista no poder.

É nessa teia finamente tecida pelos procuradores da Operação Lava-Jato que Léo e Lula se encontram. Amigo e confidente de Lula, o ex-presidente da construtora OAS Léo Pinheiro autorizou seus advogados a negociar com o Ministério Público Federal um acordo de colaboração. As conversas estão em curso e o cardápio sobre a mesa. Com medo de voltar à cadeia, depois de passar seis meses preso em Curitiba, Pinheiro prometeu fornecer provas de que Lula patrocinou o esquema de corrupção na Petrobras, exatamente como afirmara o doleiro Alberto Youssef em depoimento no ano passado. O executivo da OAS se dispôs a explicar como o ex-presidente se beneficiou fartamente da farra do dinheiro público roubado da Petrobras.

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  -  12/07/2015

 

LEWANDOWSKI INTERFERIU EM PROCESSO PARA AJUDAR O PT E A PRESIDENTE DILMA

O Tribunal Superior Eleitoral sumiu com os pareceres técnicos que sugeriam a reprovação das contas do PT na época do mensalão e da campanha da presidente Dilma em 2010. Documentos revelam que isso ocorreu por determinação do ministro Ricardo Lewandowski
Por: Rodrigo Rangel10/08/2013 às 12:19 - Atualizado em 10/08/2013 às 17:05

Ricardo Lewandowski (Cristiano Mariz/VEJA)


Em outubro do ano passado, o Supremo Tribunal Federal monopolizava as atenções do país quando alinhavava as últimas sentenças aos responsáveis pelo escândalo do mensalão. Naquele mesmo mês, só que em outra corte de Justiça e bem longe dos holofotes, um auditor prestava um surpreendente depoimento, que jogava luz sobre episódios ainda nebulosos que envolvem o maior caso de corrupção da história. O depoente contou que, em 2010, às vésperas da eleição presidencial, foi destacado para analisar as contas do PT relativas a 2003 - o ano em que se acionou a superengrenagem de corrupção. Foi nessa época que Delúbio Soares, Marcos Valério, José Genoino e o restante da quadrilha comandada pelo ex-ministro José Dirceu passaram a subornar com dinheiro público parlamentares e partidos aliados. Havia farto material que demonstrava que a contabilidade do partido era similar à de uma organização criminosa. Munido de documentos que atestavam as fraudes, o auditor elaborou seu parecer recomendando ao tribunal a rejeição das contas. O parecer, porém, sumiu - e as contas do mensalão foram aprovadas.

Menos de dois meses depois, ocorreu um caso semelhante, tão estranho quanto o dos mensaleiros, mas dessa vez envolvendo as contas da última campanha presidencial do PT. O mesmo auditor foi encarregado de analisar o processo. Ao conferir as planilhas de gastos, descobriu diversas irregularidades, algumas formais, outras nem tanto. Faltavam comprovantes para justificar despesas da campanha. A recomendação do técnico: rejeitar as contas eleitorais, o que, na prática, significava impedir a diplomação da presidente Dilma Rousseff, como determina a lei. Ocorre que, de novo, o parecer nem sequer foi incluído no processo - e as contas de campanha foram aprovadas. As duas histórias foram narradas em detalhes pelo auditor do Tribunal Superior Eleitoral, Rodrigo Aranha Lacombe, em depoimento ao qual VEJA teve acesso. Ambas cristalizam a suspeita de que a Justiça Eleitoral manipula pareceres técnicos para atender a interesses políticos - o que já seria um escândalo. Mas há uma acusação ainda mais grave. A manipulação que permitiu a aprovação das contas do mensalão e da campanha de Dilma Rousseff teria sido conduzida pessoalmente pelo então presidente do TSE, o ministro Ricardo Lewandowski.

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  -  06/01/2015

É muito vigarista junto!

A SENHA: "SG9W"

José Casado, jornalista, no Blog do Noblat

 

Alguns dos maiores segredos da Petrobras vazaram numa operação de espionagem realizada por brasileiros, entre eles um diretor da estatal indicado por deputado do PMDB.

 

Parece formigueiro quando se observa da janela, no alto da torre desenhada como plataforma de petróleo. A massa serpenteia, quase atropelando vendedores de ilusões lotéricas, espertos do carteado e ambulantes de afrodisíacos à volta dos prédios. Na paisagem se destaca um paletó preto surrado. Bíblia na mão direita e “caixa-para-doações” na esquerda, ele bacoreja: “Irmãos, o apocalipse está chegando!”

 

Naquela quinta-feira, 7 de abril de 2011, seu palpite ecoava numa cidade perplexa com a carnificina de 12 estudantes em insano ataque numa escola de Realengo, na Zona Norte.

 

No alto da torre, porém, o mundo era outro. Emoções oscilavam entre a euforia das renovadas promessas de óleo fator sob a camada do pré-sal e a depressão com o rombo de caixa bilionário provocado pelo “congelamento” do preço da gasolina. Recém-chegada à Presidência, Dilma Rousseff culpava suspeitos de sempre, os anônimos “inimigos externos”.

 

No alto da torre, de porta fechada e solitário na sala refrigerada, ele apertou quatro teclas no computador: “SG9W”. Foi como abrir um cofre: abriu-se o acesso a valiosos papéis da Petrobras.

 

Procurou um documento específico (“E&P-PRESAL 21/2011”). Era novo e dos mais sigilosos da empresa naqueles dias. “Confidencial”, advertia a etiqueta na capa. Concluído três semanas antes, consolidava o “Plano Diretor de Desenvolvimento Integrado do Polo Pré-Sal da Bacia de Santos”. Descrevia, em detalhes, a estratégia tecnológica e financeira da estatal para exploração de “uma nova fronteira petrolífera com elevado índice de sucesso exploratório, contendo grandes acumulações de petróleo de boa qualidade para a geração de derivados”.

 

O relatório com dois anexos foi copiado às 15:40:34. No dia seguinte, começou a ser analisado por um grupo de especialistas em Amsterdã. Na segunda-feira, 18 de abril, 11 dias depois, quando a diretoria da Petrobras se reuniu na sede da Avenida Chile, no Centro, para aprovar o secreto plano para o pré-sal, cópias já circulavam em Londres, Mônaco e na holandesa Schiedam, onde está instalada a SBM, fornecedora de quase um terço dos navios, sondas e plataformas alugados pela estatal brasileira. Nos meses seguintes, vieram outros três documentos sigilosos.

 

Nessa operação de espionagem vazaram alguns dos maiores segredos da Petrobras no governo Dilma Rousseff. Por trás, não havia nenhum serviço de informações estrangeiro, o “inimigo externo”, embora naquele abril de 2011 a americana Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês) estivesse trabalhando com idêntico objetivo.

 

Foi uma ação de brasileiros. A senha usada para copiar era exclusiva — de uso pessoal — de Jorge Luiz Zelada, que há três anos ocupava a Diretoria Internacional da Petrobras por indicação do deputado federal Fernando Diniz (PMDB-MG), com a chancela amiga do governo Lula. A remessa ao exterior foi realizada por Julio Faerman, agente da holandesa SBM no Rio e responsável pela distribuição de US$ 102,2 milhões em propinas a “funcionários do governo brasileiro”, como confessou a SBM à Justiça da Holanda e à dos EUA.

 

Há pelo menos oito meses o governo e o comando da estatal sabem das ações de Zelada e Faerman, entre outros. Dilma Rousseff, no entanto, continua na praça pregando contra anônimos “inimigos externos” da Petrobras.
 

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Só as canções de amor são pra sempre...  -  06/09/2025

 

Rubem Sabino Machado

 

Todas as cartas de amor são ridículas”, diria saudosa pessoa, digo, Pessoa, mas sem discordar, preciso apenas ressalvar: mas só as canções de amor são pra sempre...

Li, um dia uma crônica que, por estar em um imemorial jornal de papel – sim isso já existiu – nunca mais achei: não está nas redes.... Ela falava justamente disso e, um dia, aquela a quem dedico todas as canções do título, sugeriu – por que você não escreve a sua?!

Anos se passaram, muitas canções de outros temas não fazem mais sentido, mas a crônica das canções de amor não me saía da cabeça:  elas são mesmo pra sempre.  E pareciam que ficariam eternamente em minha mente sem saírem pro papel. 

Eu não tinha inspiração mas, um dia, estava de Roupa Nova: Não faz mal não ser compositor, se o amor valeu, eu te empresto um verso meu, pra você dizer”, aceitei a oferta do Serginho e abusei: comecei com essa estrofe inteira.  Que outras canções que não as de amor farão sempre sentido ou, ao menos, o mesmo sentido após anos, décadas, séculos? No futuro, outros dois, que sejam,  não terão esquecido os “detalhes tão pequenos”, enquanto que um outro, e não o Roberto,  “deve estar falando ao seu ouvido palavras de amor” pelo airpod. 

Saudades quase sempre têm a ver com distância ou, ao menos, com distanciamento.  Minha mãe um dia disse que tanta música fala em “so far away”.  E é verdade: desde a bela canção do Dire Straits  passando pelo Roxette, Rod Stewart e até pelos cacófatos do Leone..., um chato, mas com belas canções românticas.

Sting, você  pode inventar hoje uma historinha de stalker: pra negar as óbvias hipérboles  românticas daquela música, pra parecer politicamente correto em um tempo em que fingem não entender figuras de linguagem (uns não entendem mesmo), mas, meu caro, “every word you say, I’ll be watching you”.  E quando você tiver partido, românticos ainda estarão perdidos de amor, com o coração doendo, sem restar um traço sequer dessa sua explicação fajuta do sentido da canção.  Faz menos sentido que o Djavan explicando “Açai, guardiã” cuja razão para ouvir está na performance apaixonada do cantor, na melodia romântica e em trechos como “Solidão”, “Coração sangrando”, “Ilusão”, “A paixão” que a tornam uma canção de: “adivinha o quê”?! – e não estou me referindo a outra romântica, mas bem humorada de um Lulu cujo passado é o de um “último romântico”...

Aliás, canções de humor podem perder a graça no futuro, esquecido o contexto, ou serem curtidas só pela musicalidade ou perderem a graça ao se descobrir o significado: ou você sabia que Psycho Killer era sobre um assassino cruel que ligava gaguejando e enforcou crianças cuja mãe acabou indo pra França?  Preferia não saber dessa, né?  Eu também...

É.  Só as canções de amor são pra sempre.  Até as bregas que ficaram na nossa lembrança, quiséssemos ou não, ficaram por causa do amor.  De que fala “Evidências”: a mais pedida nos karaokês? E você acha mesmo que a conversa com o garçom seria lembrada se o grande amor de alguém não fosse se casar e não tivesse mandado uma carta para cruelmente avisá-lo?  Ou que alguém pensaria num Fuscão preto se ela não estivesse com outro “pela cidade a rodar”.  Cá entre nós: você teria curtido “Coisa Cristalina” do Wando, teria jogado calcinhas pra ele, teria desejado “da prisão dessa ternura nunca mais sair” se soubesse que a prisão era o vício de drogas de um amigo que não as abandonava por curtir ver uma luz e essa “coisa cristalina”?  Não!!! Você curtiu porque, pra você, era sobre amor.  E acha brega mas sabe a letra inteira dela, dela e de “Fogo e paixão”: que trata de quê, mesmo?

Alguém virá defender as canções de protesto, e eu chamo o Rauul: “todo mundo tem que reclamar”.  Elas até têm lá o seu valor, mas não são pra sempre:  passado um tempo, ninguém sabe mais o contexto e não fazem mais sentido além da forma.  Às vezes nem para os autores: um  “Cale-se” pode se tornar um mero cálice, mas  de cristal, cheio de vinho importado, com pelos menos 4 prêmios internacionais e usado, em Paris para brindar à censura: se esta for contra... “eles”. Apesar de todo o seu talento, apesar de você negar o que já defendeu,  apesar de revelar quem você é de verdade, “apesar de você, amanhã há de ser outro dia”:  um dia em que esse verso será apenas sobre uma mera  briga de namorados e as pessoas só entenderão o sentido pretendido: se for das suas canções de amor.

Só as canções de amor são pra sempre, só elas serão compreendidas a qualquer tempo, por quaisquer pessoas, em qualquer lugar, seja numa galáxia muito distante ou num “sofá: so far away”, ou num “show de rock and roll” com uma  anônima bem mais alto astral e divertida que a Mônica, que era chata – o filme só confirma—mas amava o Eduardo, ou num “trem azul” junto com  a “Irmã do Dr. Robert” e, não aceitar isso seria apenas negar as aparências, disfarçar evidências, fingir e enganar seu coração e a nós para, depois, naquele dia em que você quase pode “tocar o silêncio”, com o rosto dela “em pedaços, misturado com o que não sobrou”, admitir pra si mesmo:

I’ll never let you see

The way my broken heart is hurting me

I have my pride and I know how to hide

All my sorrow and pain:

I do my crying in the rain

 (A-ha)

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Farsa histórica  -  29/06/2024

 

Sílvio Lopes

        A história se repete, a primeira vez como tragédia, a segunda como farsa, sentenciou Karl Marx, lá atrás. Esse é o "embuste" que hoje sacode o Brasil, após um pequeno interregno em que alimentamos - inocentemente -a esperança de estarmos marchando rumo à apoteose de nos transformar, enfim, numa grande nação. Sonho lindo, mas... acordamos! E veio o pesadelo da desesperança.             

Não há como - e nem devemos - ignorar a história. No clássico " Declínio e Queda do Império Romano, Edward Guibbon retrata com inegável maestria, (inclusive de detalhes), as razões da queda do poderoso império romano, depois de 500 anos de conquistas gloriosas e incomensuráveis.

Arraso (destruição na economia), com base agrícola e, em especial, a desenfreada e promíscua corrupção dos imperadores. Deu no que deu!

Alguma coisa semelhante ao Brasil de hoje? Sinceramente, tudo a ver. Nossa economia desce ladeira abaixo- daqui pra frente, em crescente aceleração, se tudo se mantiver como está. E a corrupção corre frouxa e escancarada num processo avassalador e, por enquanto, imparável.

Uma nação jamais será autossustentável, caso erigida tendo o seu tecido social tomado, integralmente, pela corrupção institucionalizada. É esse, sem tirar nem por, o nosso caso.

Aqui, historicamente, idolatramos os que se utilizam do "jeitinho brasileiro", da "criatividade perversa de passar a perna no outro". Isso tudo virou uma espécie de "esporte nacional". Mesmo, mas principalmente, se esse alguém for figura pública de notória fama... É ou não é?

Impensável uma nação se tornar próspera e justa sem que seus dirigentes, pelo menos eles, sustentem um mínimo de integridade ética e moral. O exemplo tem seus papel pedagógico transcedental na formação moral da sociedade. A história comprova.

Enquanto permitirmos que nosso inconsciente coletivo, à la  Freud, decida por nós a escolha da classe dirigente, minguadas esperanças restam para tirarmos esse país do calabouço da corrupção institucional no qual se encontra.

Desalentador ver um país como o Brasil desperdiçar tantas chances de se tornar uma grande nação. A mais pujante entre todas.  Minha geração, certamente, está fadada a não ver, se isso, efetivamente, algum dia se tornar realidade.

Mantidas as atuais condições de temperatura e pressão dos níveis de corrupção e a total falta de discernimento político e ético da sociedade brasileira, continuaremos a sonhar com o mantra de " país do futuro". Um futuro que nunca chega. E nem chegará.

*O autor, Sílvio Lopes, é jornalista, economista e palestrante

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O buraco é bem mais embaixo  -  13/06/2024

 

 

Dartagnan da Silva Zanela

         Somente 16% dos brasileiros compraram algum livro nos últimos 12 meses, de acordo com uma pesquisa realizada pela Câmara Brasileira do Livro. Ou seja: 84% das pessoas, em nosso triste país, não compraram nenhum e, ouso dizer, que um bom tanto daqueles que compraram, nem os folhearam.

Este é um triste retrato da mentalidade tacanha da sociedade brasileira, especialmente daqueles que frequentaram os átrios da educação formal e ostentam, orgulhosamente, os seus diplomas.

O mais curioso é que são justamente essas pessoas, avessas ao universo sem fim dos livros, que miram seus olhos para as tenras gerações e, com o dedinho em riste, gostam de dar lições de moral sobre a importância da educação.

E se isso não bastasse, essas mesmíssimas pessoas, não deixam de dar as suas preciosas dicas e pitacos a respeito deste assunto que elas ignoram por completo e que, diga-se de passagem, nunca realmente quiseram conquistar.

Por isso, se pegarmos e puxarmos as correntes da memória, iremos lembrar de inúmeros momentos onde amigos e colegas compartilham seu contentamento por ter comprado uma blusa, uma calça maneira, um carro, um celular, a felicidade de ter ido a um show, a um baile ou algo similar, porém, quantas vezes um amigo ou colega chegou até nós, sorrindo, se derramando de alegria, por ter comprado um livro que a muito queria ler, quantas? Quantas vezes um amigo, faceiro, chegou até nós para contar que terminou de ler o livro que estava lendo, narrando detalhes e apresentando suas impressões sobre o mesmo, quantas vezes isso já ocorreu conosco? Quantas vezes, meu bom amigo, nós fizemos isso? Quantas? Pois é. Imaginei que a resposta seria essa.

Infelizmente, o imediatismo preguiçoso, em nosso país, anda de mãos dadas com o desamor ao conhecimento e com a ignorância presunçosa e isso, não é de agora não. Vem de longa data. Ou seja, o universo high-tech apenas potencializou esse traço de uma forma excepcional.

De mais a mais, ignora-se o fato de que a virtude do estudo, e a prática da leitura de maneira particular, não podem ser simplesmente ensinadas com ordens estéreis, com o uso de plataformas digitais ou com chiliques histéricos de indignação fingida, porque as virtudes não podem ser ensinadas, elas podem apenas ser aprendidas através do exemplo.

Mas não por meio daquele exemplo encenado, artificioso e oco. O exemplo tem que ser testemunhado sem ser exibido para ser eficaz.

Quando um pai, um tio, os adultos de um modo geral, passam a demonstrar amor pelos livros, pela literatura, quando as crianças têm a oportunidade de vê-los imersos numa leitura, da mesma maneira que os veem imersos na programação televisiva, ou em outras coisinhas nem um pouco apropriadas para qualquer idade, com toda certeza elas passarão a desejar esse misterioso objeto para saber o que há em suas páginas que faz as pessoas terem seus olhos alumiados com um brilho que não é encontrado em tela alguma.

Aliás, as crianças sabem onde realmente o coração das autoridades e demais cidadãos está quando começam a falar da importância da educação. Todos sabem, não é mesmo?

Por essa razão que a educação das tenras gerações começa com a perene correção da nossa. Por essa, e por muitíssimas outras, que qualquer um que realmente creia que a terceirização do sistema de ensino seria a salvação da lavoura o crê porque, provavelmente, nunca parou para pensar seriamente a respeito do assunto.

Possivelmente, nunca leu um livro sobre o tema. Talvez, nunca tenha lido livro algum sobre coisa alguma.

*    O autor, é professor, escrevinhador e bebedor de café. Autor de "A QUADRATURA DO CÍRCULO VICIOSO", entre outros livros.

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O intervencionismo, ao que parece, é avesso às dores dos gaúchos  -  10/06/2024

 

Juliano Roberto de Oliveira

       Ficamos assim: Lula, com sua sanha irrefreável por fazer palanque político e econômico sobre a tragédia do Rio Grande do Sul, decidiu importar arroz para suprir um suposto desabastecimento do produto no mercado interno.

Esta decisão, destaque-se, contraria todas as evidências de  que não haveria desabastecimento, uma vez que a safra 2023/2024 seria suficiente para atender à demanda do mercado brasileiro.

Os produtores gaúchos, já completamente arrasados pela tragédia, terão agora de concorrer com um produto subsidiado pelo governo federal.

Mais detalhes: o preço médio pago pelo quilo do arroz, segundo informações do Uol, é de R$ 5,00. O preço de venda no mercado interno deve ser de R$ 4,00. Uma defasagem de 20% que deverá ser paga pelo generoso contribuinte brasileiro (e pelo próprio produtor gaúcho que verá seu produto ser desprezado pelos potenciais clientes que, agora, terão à disposição uma opção mais acessível).

Deputados do Novo, Marcel van Hattem e Felipe Camozatto, além de Lucas Resecker, deputado do PSDB, haviam conseguido suspender esta bizarrice por meio de uma ação movida contra a União. Conseguiram, mas por pouco tempo.

Mesmo sob a comprovação de violação a princípios constitucionais, como à livre concorrência e à propriedade privada (violação que não deveria causar estranheza, visto que são estes dois princípios reiteradamente vilipendiados em nossa República), mesmo representando um golpe fatal à já combalida economia gaúcha, a decisão que havia suspendido a importação do produto foi derrubada e Lula pode seguir com seu plano de importação.

Como é típico de democracias esvaziadas, tão pujantes quanto à da vizinha venezuelana, teremos controle de preço e produto subsidiado com carimbo oficial do governo federal concorrendo diretamente com a indústria gaúcha de arroz.

A “boa vontade” do governo federal em atender às demandas das classes menos favorecidas não parece ter relação, porém, com uma demanda genuína não atendida pelo mercado. Parece ter relação com qualquer outra coisa. Ignorância econômica? Certamente. Ação propagandística que visa as eleições deste ano? Muito provavelmente.

As trapalhadas econômicas perpetradas por um governo de cunho intervencionista-dirigista já são conhecidas de todos os liberais e defensores de um modelo econômico de livre mercado, é claro. Como já está claro para quem entende que a pujança econômica de um país depende das ações privadas típicas de um mercado desimpedido, o respeito à propriedade privada e à livre iniciativa são, para os iluminados senhores do intervencionismo, princípios desprezíveis que não devem incomodar suas “perspicazes” decisões macroeconômicas. A coisa ganha contornos assustadores, porém, quando é amparada por decisões que pertencem à esfera judicial.

Como já apontado em breve e excelente artigo intitulado “Um arrozal de inoperância estatal”, do advogado Leonardo Corrêa, “[...] no momento de maior dor e sofrimento, os gaúchos enfrentam novo revés e se sentem desamparados pelo Poder Judiciário [...]”. A justiça, como se vê, ao conceder autorização para a compra do produto, aplicou triplo golpe contra a democracia brasileira. Como destacado pelo autor, saem fragilizados os pilares da economia de livre mercado, a luta pela recuperação da economia gaúcha e a própria confiança no poder judiciário como bastião da razoabilidade.

*       O autor, Juliano Roberto de Oliveira, é Bacharel em Administração de Empresas – FAI; Especialista em Qualidade e Produtividade – UNIFEI e Mestre em Eng. da Produção - UNIFEI

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Dos crimes de alta traição  -  15/05/2024

Adriano Alves-Marreiros

“Quanto às minhas opiniões políticas, tenho duas, uma impossível, outra realizada. A impossível é a república de Platão. A realizada é o sistema representativo [a Monarquia]. É sobretudo como brasileiro que me agrada esta última opinião, e eu peço aos deuses (também creio nos deuses) que afastem do Brasil o sistema republicano, porque esse dia seria o do nascimento da mais insolente aristocracia que o sol jamais alumiou."

Machado de Assis[1] (em dia de profecia)

      As caricaturas que faziam de D. Pedro II eram terríveis, achincalhadoras, ofensivas.  Defendia-se publicamente a derrubada da Monarquia e a implantação da República.  Diplomatas e autoridades de monarquias europeias escandalizavam-se com os ataques constantes ao Imperador e à Família Imperial, alguns achando até que, no velho Continente, aquelas críticas poderiam ser consideradas como crimes de alta traição, mesmo em monarquias bem liberais, como conta, por exemplo, o historiador José Murilo de Carvalho.  Mas, mesmo sendo o Imperador de um país continental, mesmo sendo o comandante da segunda maior Marinha do mundo, mesmo sendo parente de todas as monarquias ocidentais, D. Pedro II nunca teve o rei na barriga, se me permitem o trocadilho, nunca pretendeu ter um poder supremo e sempre foi contra a censura, sempre deixou que essa crítica corresse solta, nunca instaurou inquéritos de alta traição contra os críticos e nunca mandou a polícia prendê-los nem apreender as prensas e manuscritos de quem dele discordava...

Sempre tentaram pintar Pedro I para nós como alguém autoritário e é certo que ele teve lá alguns arroubos nesse sentido.  No entanto, tive o prazer de ler, nos meus vinte poucos anos, a picante obra do General Morivalde Calvet Fagundes – D. Pedro I na Intimidade[2].  Acreditem, ele narrava em deliciosas crônicas as aventuras amorosas de nosso primeiro Imperador: e com detalhes sórdidos.  Mas Calvet nasceu e viveu apenas em plena república:  escreveu o livro com base em notícias de jornais do I Império que ele pesquisou.  E não foram poucas histórias... Eram muitas as aventuras...  Apesar de todo o stress que isso devia lhe causar com a Imperatriz, apesar de contarem detalhes de sua intimidade e até de filhos que tivera, apesar  de exporem até  sua epilepsia, as histórias publicadas chegaram ao século XX, permitindo que o livro fosse feito, sem que se buscasse calar as fofocas e boatos das redes sociais “analógicas” da corte e das ruas, nem se criaram agências de checagem de falsas fofocas...[3]

Pois é... Mesmo sendo dois descendentes de reis, inclusive de reis Absolutistas do Iluminismo – os chamados déspotas esclarecidos (ILUMINISTAS!!!)  – nossos Imperadores nunca se autoatribuíram nenhum poder ou função iluminista nem resolveram censurar nem... editar os críticos...

Ah... É por isso que sou Monarquista: será que posso ser ou isso também é antidemocrático???

“De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto...”. – N. do autor.  Lembra desse texto? eles sempre esquecem de colocar o texto inteiro, especialmente este pedaço:

Essa foi a obra da República nos últimos anos"[4].

N. do autor. e nunca te mostram o texto inteiro[5] que também diz isto:

"E nesse esboroamento da justiça, a mais grave de todas as ruínas é a falta de penalidade aos criminosos confessos, é a falta de punição quando se aponta um crime que envolve um nome poderoso, apontado, indicado, que todos conhecem..." 

(se quiser conferir: Rui Barbosa - Discursos Parlamentares - Obras Completas - Vol. XLI - 1914 - TOMO III - pág. 86/87)

*      Publicado no saudoso Tribuna Diária em 24/08/2020

**    Adriano Alves Marreiros é admirador de Machado e dos Pedros.

Crux Sacra Sit Mihi Lux / Non Draco Sit Mihi Dux 

Vade Retro Satana / Nunquam Suade Mihi Vana 

Sunt Mala Quae Libas / Ipse Venena Bibas

(Oração de São Bento cuja proteção eu suplico)

[1] https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/historia-coluna-o-imperio-do-brasil-e-liberdade-de-imprensa.phtml

[2]< https://www.esteditora.com.br/DomPedroInaintimidade>

[3] Aliás, algumas histórias eram ainda do tempo do Reinado de D. João VI...

[5] https://sites.google.com/site/abcdamonarquia/rui-barbosa---texto-completo-de-famoso-discurso

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Saidinhas de presos...  -  17/02/2024

 

Adriano Alves-Marreiros

            Já que hoje tive que ler uma lamentável opinião contra o fim das lamentáveis saidinhas de presos, falando do falso, psicodélico, antidemocrático e bandidólatra “Princípio” do não “Retrocesso”, preciso resgatar o que já escrevi sobre o assunto, para as pessoas leigas ou não em Direito entenderem melhor.

Antes, acrescento resumidamente alguns dados confirmados sobre saída do MPMG durante a pandemia e que consegui graças aos Promotores (Raízes!!!) Ana Cláudia e Marcos Paulo, pra quem achar que “não há prognóstico” nem possibilidade de diagnóstico da questão... (Ministério Público divulga estatísticas criminais do período da Pandemia em 2020:

  1. Entre 16 de março e 31de dezembro de 2020 em razão da Portaria Conjunta n. 19/2020 foram liberados 12.385 presos.
  2. No mesmo período foram identificadas 11.082 ocorrências policiais envolvendo esses presos.
  3. 4187 presos foram responsáveis pela totalidade dos registros, o que significa que 33,65% dos presos liberados se envolveram em novos crimes.  Deles, 55,54% se envolveram em mais de uma ocorrência.
  4. Os crimes ocorreram em 450 municípios mineiros: significa que 52,94% dos município mineiro foram afetados pela soltura.
  5. Dentre esses crimes, 687 foram de violência doméstica incluindo lesões corporais, agressões,  estupro e estupros de vulnerável.
  6. Sobre homicídios,  houve 200 registros sendo 123 consumados e 77 tentados.  Nos consumados, os presos liberados foram vítimas  em 76 registros e autores em 43. Nos tentados, eles foram autores em 47 e vítimas em 70.  Com isso, vale dizer que isso mostra que a saída é perigosa até para os  próprios criminosos.
  7. Mesmo com o covid, entre os que não foram liberados mortes de  0,20% dos presos. 

 E aí, dá ou não pra fazer um prognóstico das próximas saídas?!

“Direito”  x  Sociedade

Uma saga bandidólatra e totalitária...

Nem sempre os artigos jurídicos devem ser dirigidos a juristas e operadores do Direito.  O Direito rege todos os aspectos da vida do indivíduo e da Sociedade como grupo.  Assim sendo, ele pertence ao Povo, que não pode ser afastado dele. Se ele tem sido usurpado de seu verdadeiro titular, queremos contribuir para quebrar esse círculo vicioso de usurpação, destruindo esse anel do mal que tudo faz para retornar ao Senhor do Escuro que, em suas várias formas, sempre pretende impor dominação à Terra Média: como diria Tolkien...  Começamos, assim, uma série de artigos curtos em que queremos explicar idéias e coisas que acontecem no Direito e que muito prejudicam ou prejudicarão o Povo. Eles servirão para despertar uma visão efetivamente crítica sobre certos assuntos – não aquela “visão crítica” de alguns... professores e outros doutrinadores que consiste em repetir dogmas, chavões e palavras de ordem impostas por eles, mas sim aquele que analisa contradições e desconexão com o mundo real.

Episódio n. 1: “Princípio do não retrocesso”

Por Adriano Alves-Marreiros*

(publicado originalmente no Diário do Observador e, depois, no saudoso Tribuna Diária)

Podia começar esta série com vários assuntos, mas escolhi um que, por vezes, consegue iludir até quem tem os olhos bem abertos, já que sua expressão é feita de forma muito sedutora: o tal “Princípio” do não retrocesso: afinal, quem quer retroceder, andar para trás, ser retrógrado?

Principiamos retrocedendo a uma pergunta inicial: o que seria retrocesso? 

Esse pretenso princípio costuma estar na boca das mesmas pessoas que entendem que “progressismo” é progresso: ambos misturados na mesma saliva que costumam usar para cuspir, por vezes literalmente, em quem deles discorda.

Notem que quando vão ser feitas leis ou emendas, costuma haver uma série de audiências públicas. Nessas audiências, alguns dizem que uma coisa é progresso e outras dizem que é regresso.  No final, o Poder Legislativo, ELEITO PELO POVO, define o que seria melhor segundo seus representantes.  O que seria progresso ou regresso acaba assim definido (nem sempre[1]) com base na vontade do povo, por meio das eleições e do debate legislativo surge a Lei ordinária, a lei Complementar, a emenda Constitucional...

Quando não é assim, ao Povo é negado o poder que dele emana...

E o que seria esse tal “princípio” do não retrocesso?

Não pretendemos fazer a análise aprofundada dessa questão. Daremos aqui a definição mais próxima do consensual adotada por aqueles “progressistas” que não desejam “retrocessos”. Quem desejar doutrina mais aprofundada sobre o assunto, pode pesquisar em artigos científicos, obras jurídicas ou, simplesmente, parar sua leitura por aqui: o que recomendamos em especial àqueles que costumam se horrorizar com a introdução de argumentos do mundo real ou de “meros detalhes” como a Sociedade.

Esse “princi?pio” consistiria na idéia de que o Estado, apo?s ter implementado um direito fundamental, na?o poderia retroceder, ou seja, na?o poderia voltar atrás na medida ou nas medidas que teriam efetivado essa implementação.  Lindo isso, né?  É só usar o “bom senso”... 

Curioso é que muitas vezes os aplicadores desse “princípio” se autodenominam, orgulhosamente, contramajoritários[2] (contrários à maioria do Povo) e até portadores da luz que poucos possuem.  Em síntese: “ter bom senso” significa “pensar luminosamente como eu” e, usando-se tal argumento, retrocesso poderia significar apenas “o que eu não acho bom”. 

Lembram do que falei sobre a série de audiências públicas em que uns dizem que uma coisa é progresso e outras dizem que é regresso e que os representantes eleitos pelo povo é que definem o que seria melhor: pois é. É Democracia.  Mas e se for inconstitucional? – Você poderia perguntar.  Se for inconstitucional, qualquer juiz em caso concreto (incidentalmente) pode considerar inconstitucional e o STF também pode considerar inconstitucional para todos os casos (controle concentrado). 

O problema é que esse tal “princípio” abre a possibilidade de qualquer coisa ser inconstitucional, dependendo apenas da vontade, da ideologia e até do humor do julgador, independente de violar ou não a Constituição: já que tudo viola a Constituição se quem julgar puder se basear apenas em seu achismo: e quando achar que é meio retrógrado. Entendeu? Um poder acima do escrito na própria Constituição, baseado no que não está escrito, um Princípio Ectoplásmico[3] (eles chamam de implícito[4]). Aí: só apelando pros Caça-Fantasmas.

Então, quem é mesmo que vai dizer se uma coisa é retrocesso ou progresso?  Quem julgar, e cada um julgará conforme suas convicções, já que não têm limite na Lei, nem na Constituição, mas apenas no suposto e fantasmagórico “princípio” que lhe permite dizer o que é retrocesso e o que é progresso ao seu gosto pessoal: FAZER O QUE QUISER, SEMPRE!  Mas não é só isso. Tem mais.  Infelizmente, você vai ter que me aturar mais tempo (ou desistir aqui) e pode ter certeza: o pior não será me aturar...

Vocês sabem o que é Cláusula Pétrea, Emenda Constitucional, Lei Complementar, Lei Ordinária, decreto do Presidente da República?

Cláusula pétrea é algo que está escrito na versão original da Constituição e que segundo previsto nesse texto original, não pode ser alterado nem por Emenda Constitucional. 

Emenda é uma alteração da Constituição e exige votos de 3/5 dos integrantes de cada casa legislativa em dois turnos (por duas vezes 49 no senado e 308 na Câmara).

 Lei Complementar exige maioria absoluta dos integrantes de cada casa (41 e 257 respectivamente),.

A Lei ordinária exige a maioria simples, que é a maioria estando presentes 41 no Senado e 257 na Câmara (21 senadores, 129 deputados).

A aplicação do famigerado “princípio” do não retrocesso permite que o STF dê status de Cláusula Pétrea, por exemplo, a algo que jamais passaria por emenda, mas que em uma madrugada com a presença de metade do congresso foi aprovada como lei ordinária por pouco mais de um quarto de cada casa...

E o que vc acha de permitir que um decreto do Presidente vire cláusula pétrea tão logo publicado.  Pior: de algum ex-presidente que tenha perdido a eleição inclusive por causa da linha seguida por seus decretos. Ou até mesmo uma portaria de um ministério...

Sim, com o “princípio” do não retrocesso, podemos imaginar em tese, só para argumentar, um Presidente fictício que solte medidas e decretos que desagradam a população por seu conteúdo ideológico e contrário ao interesse popular.  Na eleição seguinte o povo não elege seu candidato ao executivo nem lhe dá maioria no parlamento.  No entanto, se ele indicou muitos membros para os tribunais, nem o novo congresso eleito pelo povo poderá contrariar seus decretos se estes forem protegidos com o lamentável “princípio”, nem os decretos do novo presidente poderão revogá-los: e até portarias e ministros e autarquias poderão ser cláusulas pétreas, deixando o poder de emanar do povo que apenas observará seus votos serem inutilmente colocados na tal da  estranha urna eletrônica.

Dentre muitos falsos princípios, esse é, provavelmente, junto com o “axioma” “não há lei sem necessidade”[5], dogma proposto por Aquele Italiano que Não Deve Ser Nomeado, o que há de mais perigoso, um na esfera geral e um na penal...

Conclusão:

Resumindo: o tal “Princípio” do não retrocesso consiste, na prática, em uma forma de tirar todo o poder da escolha popular, deslegitimando o Legislativo e o Executivo, eleitos pelo povo e podendo perpetuar no poder uma ideologia que já tenha sido derrotada nas urnas, além de introduzir outras que jamais vingariam no país; pior, pode atingir qualquer aspecto legislado ou regulamentado; o que, em conjunto com o ativismo judicial mais tradicional, completa o ciclo de: exercer função legislativa e executiva e limitar ou impedir o exercício delas pelos Poderes legislativo e executivo. 

E aí, estaremos sujeitos àquela famosa hipótese de Aristóteles sobre o que pode acontecer com a Aristocracia...

Deus me proteja de mim,

E da maldade de gente boa,

Da bondade de pessoa ruim

Deus me governe e guarde ilumine e zele assim

(Chico César)

Hoje, 17 de fevereiro de 2024, faço uma homenagem àquele que faleceu ontem e mais que um tio, foi o Tião!!!

 

* Crux Sacra Sit Mihi Lux / Non Draco Sit Mihi Dux 
Vade Retro Satana / Nunquam Suade Mihi Vana 
Sunt Mala Quae Libas / Ipse Venena Bibas

(Oração de São Bento cuja proteção eu suplico)

 

*     Adriano Alves-Marreiros, 

Cronista, Cristão, Devoto de São Jorge, Vascaíno, Mestre em Direito e escritor.

[1] Mas isso pode custar caro nas eleições seguintes...

[2] Isso será assunto dos “próximos capítulos”.

[3] Ectoplasma é a substância da qual são feitos os fantasmas, segundo o filme  e o desenho Ghosbusters.  Leia o capítulo DAS ELEMENTARES ECTOPLÁSMICAS na obra Direito Penal Militar: Teoria Crítica e Prática.

[4] Mas só os clarividentes o vêem, hierofantes que são.

[5] Falaremos dele nesta série...

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Bulimia informacional  -  29/11/2023



Dartagnan da Silva Zanela

          Não faz muito, estava lendo o livro "Israel em Abril", de Érico Veríssimo, onde o mesmo relata as peripécias vividas por ele no período que esteve no Estado Hebreu nos anos sessenta. Uma obra similar ao livro "Gato preto em campo de neve", do mesmo autor.
Bem, lembro da referida obra porque, logo nas primeiras páginas, Érico Veríssimo nos chama a atenção para a forma como a nossa memória, toda melindrosa, trabalha.
Ele nos diz que, quando menino, havia encontrado uma edição da revista "Leitura para todos" e nela havia uma fotografia do palácio de Vosges, que lhe encantou. Quarenta anos depois ele visitou Paris e, a primeira coisa que ele fez, foi conhecer a paisagem que, quando menino, havia visto em uma fotografia estampada nas páginas da dita-cuja da revista.
No entanto, quando ele voltou para o Brasil, para o seu espanto, a imagem que lhe vinha à mente, quando lembrava do referido palácio, não era a da experiência que ele teve ao visitar a cidade luz, mas sim, a imagem da fotografia que ele havia visto em sua infância numa página impressa. Pois é, vejam só como a nossa memória é cheia de manhas.
Ao ler isso, lembrei-me das considerações feitas por Marshall Mcluhan, em seu livro "Os meios de Comunicação como extensões do homem", onde o autor canadense nos chama a atenção para as transformações que foram causadas pelas fotografias em nosso campo de percepção da realidade e, consequentemente, em nossa maneira de viver a vida e de rememorá-la.
Mcluhan nos chama a atenção para a forma como as pessoas viam as paisagens do mundo, antes e depois do surgimento das máquinas fotográficas.
Antes do aparecimento delas, quando íamos viajar para um lugar pela primeira vez, tínhamos em nossa memória apenas representações esquemáticas que nos eram transmitidas por pinturas, gravuras e descrições, orais ou escritas, feitas por pessoas que lá estiveram antes de nós.
Bem, com as máquinas fotográficas, tudo mudou. Essa experiência de espanto, de desnudamento, de encantamento causado pela primeira vista, perdeu-se de vez.
Antes, as pessoas quando iam para um determinado lugar, seria a primeira vez que elas iriam, de fato, ver aquela paisagem. Após a fotografia, e demais mídias de registro visual, nós passamos a reconhecer os lugares, confrontando-os com as imagens que temos no armário de lembranças da nossa alma. Lembranças de filmes que assistimos, que tinham aquela paisagem como cenário, ou de algum acontecimento que foi noticiado pela imprensa e assim por diante.
Além disso, há outro elemento, muito discreto, que é a forma como os registros fotográficos passaram a afetar a nossa capacidade de apreensão da realidade e de descrição do mundo à nossa volta.
Antes do seu aparecimento, quando íamos para algum lugar, ou quando testemunhávamos algo, para podermos comunicar aos demais, precisávamos ser capazes de descrever, com riqueza de detalhes, o que as meninas de nossos olhos viram e, para tanto, era imprescindível que nós fôssemos habilidosos no manuseio das palavras e, principalmente, que nossa atenção realmente estivesse presente por inteiro aos acontecimentos para realizarmos bem essa tarefa.
Agora, com o advento do registro fotográfico e similares, ficamos mais distraídos. Ao invés de nos esforçarmos para descrever o que os nossos olhos viram, apenas mostramos o que foi capturado pelas lentes e, por conta disso, não mais prestamos tanta atenção assim naquilo que estamos vendo, ouvindo e vivendo.
E se isso foi sendo gestado, lentamente, com o advento das fotografias, com toda certeza, não parou nelas. Por isso, penso que devemos nos perguntar, com serenidade: o que uma sociedade monstruosamente midiatizada como a nossa está fazendo com a nossa humanidade? O quanto as novas mídias, o quanto as plataformas digitais e demais traquitanas do gênero, tem contribuído para a dissolução de nossa capacidade de atenção, para a fragmentação e para o empobrecimento da nossa memória?
Sobre esse ponto, o filósofo Byung-Chul Han, em seu livro "Do Desaparecimento dos rituais", nos faz uma terrificante advertência, lembrando-nos que o déficit de atenção que hoje pesa sobre nós - sobre todos nós - é o resultado da abusiva intensificação daquilo que poderíamos chamar de "percepção serial" que, nada mais seria que uma visão bulímica e extensiva da vida.
Antes das mídias modernosas, nossa atenção era convidada a concentração, a manter-se intensa naquilo que estávamos realizando. Dito de outro modo, cultivar a atenção em algo é sinônimo de parar, de demorar-se em alguma coisa e, ao fazermos isso, estávamos dando-lhe a devida importância por reconhecer nela algo de valor.
Na "percepção serial" não. Segundo Byung-Chul Han nossa atenção tem seu foco furtado pelo fluxo de novidades, levando-nos a correr de uma informação para outra, de uma experiência para outra, de uma sensação para outra, sem fazer nada direito, sem compreender nada em profundidade, sem terminar nada com zelo e responsabilidade.
Não paramos mais diante de algo. Apenas passamos por tudo, lembrando de quase nada e aprendendo muito pouco. Mas sempre estamos nos atualizando, não é mesmo? Estamos atualizando nossos aplicativos, estamos sempre de olho no fluxo sem fim de notícias, no correr frenético do feed de nossas redes sociais, e sempre seguindo a onda serial que nos é apresentada pela grande mídia, que jura de pés juntos, que aí está para nos "informar", mas nunca, nunquinha, paramos para nos demorar em algo para aprofundar nosso conhecimento.
Detalhe importante: quando falamos da perda de concentração, estamos falando de pessoas que têm uma atenção menor que a capacidade de foco de um peixinho de aquário.
Isso mesmo! Segundo estudos, em 2013, a capacidade média de atenção da galera era de oito segundos, ou seja, menor que a capacidade de atenção de um peixinho dourado e, algo me diz, que esses números não melhoraram nos últimos 10 anos e, infelizmente, não há nada que indique que irão melhorar nos próximos dez, tendo em vista a idolatria que se cultiva em torno das traquitanas tecnológicas que são enfiadas goela à baixo e misturadas com tudo, confundindo-se com tudo e, principalmente, confundindo a todos nós.
Pois é, se não pararmos para refletir seriamente sobre essas questões, em breve não restará muito para salvaguardarmos de nossa fragmentada memória, de nossa atenção desvirtuada, enfim, da nossa mirrada personalidade, nem mesmo uma fotografia esmaecida pelo tempo.

*       O autor é professor, escrevinhador e bebedor de café. Mestre em Ciências Sociais Aplicadas. Autor de "A Bacia de Pilatos", entre outros livros.

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Esta é a verdadeira face do socialismo moderno  -  27/11/2023

Esta é a verdadeira face do socialismo moderno

Rainer Zitelmann

 

A propriedade privada ainda é propriedade privada se o Estado disser ao suposto proprietário com detalhes exatos o que pode ou deve ser feito com ela?

Propostas de novos regulamentos da UE sobre o desempenho energético de edifícios residenciais estão causando agitação em muitos países europeus. Veja a Alemanha, por exemplo: os cálculos mostram que os proprietários alemães sozinhos seriam forçados a gastar 200 bilhões de euros por ano em atualizações de eficiência energética! Isso equivale a quatro vezes o orçamento anual de defesa da Alemanha. De acordo com estimativas, o custo de um sistema de aquecimento com economia de energia e isolamento térmico para uma casa unifamiliar é de pelo menos 100.000 euros.

Se a diretiva da UE será eventualmente implementada em sua forma atual, ainda é uma questão em aberto, mas o debate por si só é suficiente para abalar centenas de milhares de proprietários. Este é apenas um dos muitos exemplos de como a UE está cada vez mais transformando a economia europeia em uma economia planejada. A expressão “economia planejada” pode parecer exagerada para alguns leitores que a associam à nacionalização de meios de produção e imóveis. No entanto, a economia planejada moderna funciona de forma diferente: formalmente, os proprietários permanecem proprietários, mas eles são gradualmente destituídos do controle sobre seus ativos à medida que o Estado determina cada vez mais o que eles são permitidos ou obrigados a fazer com sua propriedade.

A proibição do registro de carros novos com motores de combustão na UE a partir de 2035 é outro exemplo: não são mais as empresas ou os consumidores que decidem o que é produzido, mas os políticos e os funcionários públicos. Isso é sustentado pela crença de que, quando se trata do que é bom para as pessoas, os políticos sabem melhor do que milhões de consumidores e empreendedores.

Essa é precisamente a diferença entre uma economia de mercado e uma economia planejada: uma economia de mercado é a democracia econômica em ação. Todos os dias, milhões de consumidores decidem o que é e o que não é produzido. Os preços enviam um sinal às empresas sobre quais produtos são necessários e quantos e quais não são.

Voltando ao exemplo do setor imobiliário, muitos países têm uma extensa legislação de aluguel que impede que os proprietários garantam os aluguéis que poderiam ser obtidos no mercado livre. Na Alemanha, por exemplo, isso é alcançado por meio de todo um pacote de leis: um teto de aumento de aluguel (Kappungsgrenze) determina a porcentagem e o nível de aumentos de aluguel permitidos. Mesmo quando a inflação atinge 7% ou mais por ano, os aluguéis em muitas cidades alemãs só podem aumentar em um máximo de 5%. O SPD, o parceiro sênior da coalizão governante da Alemanha, agora está pedindo que o teto seja reduzido para 2%, o que na verdade equivale a expropriação cumulativa. Em termos reais, o valor dos aluguéis está caindo ano após ano. Depois, há o freio de preço de aluguel, que determina quanto o senhorio de um apartamento existente pode cobrar ao alugá-lo.

Como resultado, o suposto proprietário de uma propriedade é cada vez mais limitado: o governo impõe obrigações de renovação quase inacessíveis aos proprietários – veja a série de diretivas de desempenho energético alemãs e europeias – e os força a cumprir requisitos ambientais cada vez mais rigorosos e cada vez mais caros para novos prédios. Ao mesmo tempo, impede que os proprietários garantam os aluguéis que poderiam obter no mercado livre. Na verdade, os proprietários se tornam pouco mais do que gerentes de propriedade nomeados pelo governo. No entanto, na pior das hipóteses, eles também perderão seus direitos formais de propriedade se a lacuna entre o que o governo lhes permite ganhar e o que o governo os obriga a gastar continuar a aumentar.

Esse frenesi regulatório não afeta apenas o setor imobiliário, mas também tem um impacto significativo nas empresas: a UE não se contenta em regular seus países membros e as empresas sediadas neles. A chamada Diretiva da Cadeia de Suprimentos da UE foi projetada para responsabilizar as grandes empresas da UE se, por exemplo, seus fornecedores no exterior operarem sob regulamentos de saúde e segurança ocupacional ou padrões ambientais que não atendam às expectativas da UE. Outro regulamento europeu, o CBAM, introduz tarifas de carbono nas importações de todo o mundo. Se, por exemplo, uma empresa importar parafusos da Índia, onde os padrões climáticos da UE não se aplicam, ela terá que pagar mais. É assim que Bruxelas quer reduzir as emissões – não apenas dentro da União Europeia, mas em todo o mundo.

No entanto, a erosão dos direitos de propriedade não é um fenômeno exclusivamente europeu. Nos EUA, os direitos de propriedade também estão sendo constantemente corroídos sob a bandeira do Novo Acordo Verde. Isso continuará até que o proprietário ou gerente de uma empresa seja reduzido a um mero agente da burocracia. O governo estipulará quais bens e serviços devem ser fornecidos (e como) por meio de leis cada vez mais rígidas. Em algum momento, os empresários serão apenas funcionários públicos.

*      O autor, Rainer Zitelmann, é doutor em História e Sociologia. Autor de 26 livros, lecionou na Universidade Livre de Berlim e foi chefe de seção de um grande jornal da Alemanha. No Brasil, publicou, em parceria com o IL, "O Capitalismo não é o problema, é a solução".

**     Publicado originalmente no excelente site do Instituto Liberal, em https://www.institutoliberal.org.br/blog/politica/esta-e-a-verdadeira-face-do-socialismo-moderno/

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Notícias preocupantes  -  13/11/2023

Gilberto Simões Pires

ENCRENCA ECONÔMICA

Ontem, 9/11, quase que no mesmo momento, TRÊS PREOCUPANTES NOTÍCIAS vindas dos Estados Unidos deram entrada na minha caixa de mensagens, todas dando boa conta de que está em curso -efetivo- uma poderosa ENCRENCA ECONÔMICA que está deixando o mundo financeiro em redobrado estado de atenção. Eis: 

PRIMEIRA NOTÍCIA

A primeira, publicada na -investing.com-, diz que - Apesar das declarações otimistas do governo dos EUA e do Federal Reserve sobre a economia americana, muitos economistas questionam a real situação do país, e os detalhes de alguns indicadores parecem corroborar essa visão. Em um podcast recente, o economista Peter Schiff discutiu esse assunto, analisando o relatório de empregos (payroll) divulgado na última sexta-feira, que considerou “fraco em todos os aspectos”, e acrescentou que é “ainda mais fraco quando olhado de perto”.

Schiff lembrou que, enquanto o mercado esperava 180.000 novos postos de trabalho, o relatório mostrou apenas 150.000. Além disso, apenas 99.000 desses empregos foram gerados pelo setor privado, com 51.000 empregos públicos.

Ele ressaltou que isso NÃO É UM BOM SINAL PARA A ECONOMIA, observando que o governo dos EUA FINANCIA OS SALÁRIOS DOS NOVOS FUNCIONÁRIOS -COM NOVAS DÍVIDAS-, pois o governo se endivida para pagar esses trabalhadores, o que resulta em aumento das taxas de juros e da inflação”. O economista também notou que o número de pessoas que precisam de mais de um emprego para se sustentar continua a crescer significativamente, com 390.000 pessoas assumindo um segundo ou terceiro emprego, o que ele considera outro indício de fraqueza.

“É um mercado de trabalho muito fraco porque a renda do trabalho está despencando. Os trabalhadores não conseguem ganhar dinheiro suficiente para pagar o aluguel ou todas as suas outras contas”, explicou ele.

Portanto, enquanto muitos observadores debatem sobre a possibilidade de uma recessão, Schiff acredita que ela talvez já tenha começado.

“Na verdade, a RECESSÃO OFICIAL pode já ter começado neste trimestre e eu acho que esse relatório de emprego é uma boa evidência disso”, disse o economista, lembrando que a ÚLTIMA GRANDE CRISE DE 2008 “começou oficialmente em dezembro de 2007, embora ninguém tenha percebido na época”.

De fato, só no final de 2008, quando a crise financeira explodiu, as pessoas perceberam que havia um problema.

SEGUNDA NOTÍCIA

A segunda, também nada confortável, publicada por Estadão Conteúdo, se refere à afirmação feita pela primeira subdiretora do FMI -FUNDO MONETÁRIO INTERNACIONAL-, Gita Gopinath, dizendo, com visível preocupação, que NÃO PODEMOS DESCARTAR o risco de o mundo entrar em um QUADRO DE ESTAGFLAÇÃO, com inflação ainda acima do desejável e crescimento fraco. Ao mesmo tempo, alertou para o fato de que existem “inúmeros choques potenciais” que podem se materializar no cenário, como um eventual salto no petróleo, a depender dos desdobramentos regionais do conflito no Oriente Médio. Segundo ela, a elevação de juros pelos bancos centrais tem feito a inflação declinar, sem grande piora no desemprego, “e isso é atípico”.
Ao mesmo tempo, Gita Gopinath advertiu que o recuo nos preços de energia tem ajudado o índice cheio da inflação, mas o segmento de serviços ainda mostra quadro mais negativo. “Nesse sentido, o trabalho não está completo”, ressaltou. Mais: Gita disse que vivemos um período de inflação alta, e notou que a persistência desse quadro torna mais difícil notar a existência de choques na oferta. Em outro ponto de sua fala, também ressaltou a importância de se atuar para enfrentar riscos no setor financeiro não bancário...

TERCEIRA NOTÍCIA

A terceira notícia dá conta das afirmações feitas pelo investidor bilionário Ken Griffin , fundador da gigante global de investimentos Citadel, ao Bloomberg New Economy Forum, em Singapura:  O mundo enfrenta conflitos e mudanças estruturais que desfazem a integração atingida com a globalização e provocam uma inflação de base mais elevada que pode durar “por décadas”. “Os dividendos da paz estão claramente chegando ao fim”,  “É provável que vejamos juros reais mais altos e juros nominais bem mais altos.” isso terá implicações no custo de financiamento do déficit dos EUA e que o governo americano não contava com taxas mais elevadas “quando começou a onda de gastos que criou um déficit de US$ 33 trilhões”.

Mais: Griffin acrescentou que o governo americano está gastando “COMO UM MARINHEIRO BÊBADO e precisa colocar o fiscal em ordem.

Ele alertou que o atual déficit fiscal é insustentável. Embora o mercado de trabalho do país continue relativamente forte, os consumidores americanos percebem, no fundo, que “algo não vai bem”, disse ele.

O Federal Reserve pode continuar a imprimir dinheiro para evitar um calote de dívida, mas “as consequências econômicas seriam devastadoras”, disse. “No momento em que começarmos a imprimir dólares apenas para lidar com a possibilidade de um default, a nossa economia entrará em profunda crise.”

 

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A cada fala do “imperador” togado, maior a insegurança  -  25/06/2023

 

Katia Magalhães

         Se, como todos sabem, as palavras voam, e só a escrita permanece, qual o propósito de deitar estas linhas sobre a entrevista de uma autoridade? Em que pese a sabedoria desse velho adágio, a comunicação verbal adquire relevância sempre que envolve alguém imbuído de poderes virtualmente ilimitados e que traduz autêntico “sincericídio” sobre o modo como o poderoso em questão tem exercido sua posição de mando e pretende continuar a fazê-lo.

Em evento recente organizado pela revista Piauí, o ministro Alexandre de Moraes tornou a monopolizar os holofotes e concedeu uma entrevista divulgada pelo periódico sob a manchete “MORAES DIZ QUE EM SEIS MESES JULGARÁ CASOS MAIS GRAVES DO 8 DE JANEIRO”[1]. Trocando a toga pelo manto de suposto justiceiro, Moraes, erigido, logo no início da reportagem, à figura que “personificou o esforço do Judiciário em lidar com a extrema direita organizada” – afinal, personalismo pouco é bobagem! -, começou por gabar a própria eficiência, segundo ele, evidenciada pelo acúmulo de processos sob sua condução. Em relação a seu burnout, afirmou, em tom quase irônico: “não ganho mais por causa disso, eu não trabalho menos e sou vigiado 24 horas por dia. Bom não pode ser.”

No entanto, a contrapartida a todo o “heroísmo” alexandrino é a crescente concentração de poder nas mãos de alguém enxergado, por boa parte da sociedade, quase como o juiz único do Brasil. Inebriado pela ânsia de determinar o que pode ou não ser dito e o que pode ou não ser feito, Moraes tem apreciado condutas de pessoas que, à luz da Constituição e das leis, não estariam sob sua jurisdição, como foram os casos dos empresários ditos “golpistas de Whatsapp”, das plataformas digitais, dos governadores Ibaneis e Zema, do ex-ministro Anderson Torres e tantos outros, discutidos em detalhes neste espaço. Tudo isso sob o silêncio conivente de seus pares e do Senado, ao qual cabe a função institucional de contenção de abusos da cúpula judiciária. Ou, pelo menos, caberia…

Indagado por jornalistas sobre a receita para a aceleração no ritmo de julgamento dos acusados de participação nos atos de vandalismo do 8 de janeiro, Moraes admitiu que as condutas de cada invasor não serão analisadas individualmente, pois “é um caso de condutas múltiplas. Quem estava lá participou. Não preciso dizer que fulano quebrou a cadeira A ou riscou o quadro B. Estar lá [invadindo prédios públicos] já é crime.” Em relação a esse tópico, me permita, caro leitor, uma breve digressão sobre uns poucos tecnicismos, apenas para que você seja capaz de avaliar, por si mesmo, toda a extensão da “singularidade” da manifestação do togado.

Em situações em que vários indivíduos se reúnam para a prática (“concurso de pessoas”) de um certo delito, e, ainda, nas hipóteses em que uma pessoa, por meio de mais de uma conduta, incorra em mais de um crime (“concurso de crimes”), cabe ao Ministério Público, ao propor a ação penal, descrever os fatos e atribuir a cada agente a prática de uma ou mais infrações, conforme evidenciado pelas provas. Da mesma forma como o julgador tem de absolver ou condenar cada réu por uma ou várias condutas bem definidas, até mesmo para poder fixar a pena cabível. Isso importa, sim, na obrigatoriedade imposta a qualquer magistrado de afirmar se “fulano quebrou a cadeira A, ou riscou o quadro B”, e, acrescento ainda, se “fulano quebrou a cadeira A e riscou o quadro B”. Ora, qualquer leigo entende que a deterioração de objetos configura crime de dano, diferente do delito da invasão em si, e que um agente que tiver invadido e destruído dezenas de antiguidades não poderá ser punido da mesma forma que um invasor destruidor de um único objeto acessório de valor ínfimo, e, muito menos, do mesmo modo que alguém que tiver invadido sem nada danificar!

Tal conclusão óbvia decorre do princípio da individualização da pena, adotado em todo o mundo democrático e no Brasil[2], segundo o qual, no âmbito criminal, cada pessoa só pode responder por sua própria conduta, devendo o julgador levar em consideração todas as especificidades, caso a caso. Mas quem disse que o redentor da nossa democracia, em sua luta gloriosa contra extremistas, tem de se curvar aos ditames constitucionais?

O filme “O homem que não vendeu sua alma” retrata o período final da trajetória de Sir Thomas More, notável intelectual do século XVI, jurisconsulto e membro da corte de Henrique VIII, no tormento de seus últimos anos. Católico fervoroso, não apoiou o divórcio de seu soberano, as novas núpcias deste com Ana Bolena e, muito menos, a ruptura com Roma. Para manter íntegras as suas liberdades, em particular a de opinião, renunciou a seu cargo de chanceler e recolheu-se à vida simples no campo. “Não importa o que eu acho, mas que eu acho”, afirma ele em uma das primeiras cenas que põem em xeque a faculdade do livre pensar.

Ciente da sua impotência em combater um regime absolutista e ainda fiel à velha amizade com Henrique, Sir Thomas não se entregou a qualquer ataque frontal ao monarca, mas lutou, até o fim, pelo seu direito ao silêncio, do qual nenhuma lei o privava. Aliás, tamanho o apego do jurista à legalidade estrita que, em um dos diálogos mais emocionantes, chegou a afirmar que “daria ao diabo o benefício da lei, em prol de sua própria segurança.” Lançou mão de uma hipérbole para asseverar sua convicção de que o pior dos canalhas deveria ser sujeito a um julgamento justo, ao amparo da legislação vigente, para que ele mesmo (Sir More) se sentisse seguro de que também o estaria. Eis aí a própria definição de segurança jurídica, que reside na capacidade, garantida indistintamente a todos, de prever as consequências (inclusive as penalidades) para suas condutas.

Contudo, na distante Inglaterra, onde prevaleceu o desejo do monarca, Sir Thomas pagou com sua vida o preço pela discordância, tendo sido preso e executado por “traição dolosa à supremacia real”, ou melhor, apenas por calar.

Sempre que o império da lei é substituído pelo dos homens, ninguém pode se sentir seguro. Até quando suportaremos ver, entre nós, o julgamento de réus sem especificação de condutas, enquanto sentenças contra criminosos notórios são anuladas por firulas? Censuras e parlamentares defenestrados por fundamentos inexistentes? Que o exemplo de Sir More nos inspire, e que os soberanos da atualidade tenham seus caprichos freados pelas instituições, acionadas mediante pressão de uma sociedade fortalecida e mais madura.

[1] https://piaui.folha.uol.com.br/moraes-diz-que-em-seis-meses-julgara-casos-mais-graves-do-8-de-janeiro/

[2] CF: Art. 5 – XLV – nenhuma pena passará da pessoa do condenado

*       A autora é advogada formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e MBA em Direito da Concorrência e do Consumidor pela FGV-RJ, atuante nas áreas de propriedade intelectual e seguros, autora da Atualização do Tomo XVII do “Tratado de Direito Privado” de Pontes de Miranda, e criadora e realizadora do Canal Katia Magalhães Chá com Debate no YouTube.

**     Artigo reproduzido do site do Instituto Liberal, em https://www.institutoliberal.org.br/blog/justica/a-cada-fala-do-imperador-togado-maior-a-inseguranca/

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Brasil e crescimento econômico na história recente (Parte 1/2)  -  01/05/2023

 

Samir Keedi

      Quando pensamos na economia brasileira, nos vem à mente que o Brasil é um país que já soube crescer. O que a maioria da população desconhece, pois, isso não ocorre há mais de 40 anos. E perdeu isso ao longo do tempo. Assim como perdeu muitas outras coisas. Em que podemos dizer, conforme a tradição brasileira de ter reis para tudo, que já fomos reis e perdemos a coroa.

Considerando nosso crescimento econômico de 1901 a 2022, temos números que nos orgulham. E outros que nos decepcionam, e fazem pensar o que aconteceu. Boa parte da nossa decepcionante economia atual deve-se ao petróleo. Ou a falta do petróleo, como se costumava dizer no passado.

Fato que nunca entendemos na nossa juventude, em que também passamos por lá. A Venezuela tem a maior reserva de petróleo do mundo. A Argentina produz petróleo. E o Brasil, na moratória do governo Sarney, em 1987, importava, segundo dados que conhecemos, entre 80-85% do nosso consumo.

Sempre pensamos sobre como o petróleo poderia ser tão "temperamental" (sic). Como ele poderia ser abundante na Venezuela e, ao chegar à fronteira brasileira dizer a si próprio "para o Brasil não vou". Idem o da Argentina. Difícil entender. Em especial que hoje somos auto-suficientes. Embora nem todo o nosso petróleo seja exatamente de primeira qualidade. Exportamos o nosso para importarmos um melhor, que supra nossas necessidades.

Considerando grandes períodos, temos que o Brasil já teve crescimentos grandiosos, que nos orgulham. Em que sabemos que "já fomos chineses" antes do chineses.

Entre 1901 e 1980 tivemos um crescimento considerável. De 4,9% de média ao ano, o que não é desprezível, pelo contrário. Entre 1950 e 1980 crescemos à média de 7,4% ao ano. O que consideramos um grande feito. Entre 1959 e 1980 apresentamos a extraordinária média de 8,1% ao ano.

E, a gloriosa média anual de 10,7% entre 1968 e 1974, com pico de 14% em 1973. E, mais espetacular ainda a média de 11,1% entre 1968 e 1973. O que justifica termos dito acima que já fomos chineses antes dos chineses. Que somente começaram a crescer e mudar a partir de 1978, justamente quando nós estancamos em 1980. Parece que houve uma troca. Vocês vão à procura da riqueza, e nós ficamos com a pobreza.

A partir de 1981 nossa situação econômica degringolou rapidamente. E, dissemos mais acima, que se tratava da falta de petróleo, que não cruzava a fronteira e nem sabia nadar, como sabe hoje. Em 1973 tivemos o conhecido choque do petróleo, em que o barril, de 159 litros, pulou de cerca de US$ 1.20-1.40 para cerca de US$ 12.00-14.00. Em 1979 tivemos o arrasador segundo choque, com o petróleo pulando para cerca de US$ 40.00 o barril.

Entre os dois choques do petróleo, criamos o Proálcool. Para quem não sabe, o álcool é nosso. Mas, infelizmente, não deslanchamos como deveríamos, em especial que é um combustível verde.

Não é preciso entrar em muitos detalhes para que se veja o que aconteceu conosco. Diante desses dois brutais aumentos, e nossa insignificante produção de 15-20% do que consumíamos, nossa economia disse adeus às excelentes oito décadas citadas, de 1901 a 1980.

Devido a isso, nossas divisas escassearam e, em 1987, o Presidente José Sarney declarou moratória na nossa dívida externa. Nós que éramos do comércio exterior, sofremos como nunca antes neste país. Importávamos e não tínhamos como pagar, não havia dólares. Como o câmbio era centralizado – inclusive o Banco Central fazia mini-desvalorizações diárias ao fim do dia – era necessário contratar câmbio. Nós o fazíamos e entregávamos a moeda nacional ao banco. E, quando houvesse sobras de divisas, se pagava o exportador estrangeiro. Ou seja, a priori, nossos importadores pagavam, mas o exportador não recebia.

O resultado foi o conhecido. A década de 1981 a 1990 ficou conhecida como a década perdida – e que já não é mais a campeã da nossa fragilidade econômica de 1981 a 2022. Perdeu para esta última década de 2011 a 2020. Na década de 1980 tivemos um crescimento médio de 1,66% ao ano. Na década de 1990 (1991 a 2000), nosso crescimento médio anual situou-se em 2,58%.

A década de 2000 (2001 a 2010) apresentou algo melhor. Na média anual de 4,65%. Mas, antes que se fale que os bons tempos haviam relativamente voltado, lembramos que o mundo crescia mais do que isso. Portanto, nada a comemorar, continuávamos retrocedendo economicamente perante o mundo. Devido à péssima governança que tínhamos, e a crise de 2008, iniciada nos Estados Unidos da América, a tal marolinha que, segundo o presidente da época, não atravessaria o Atlântico (sic) virou uma marolona. Conforme artigo que escrevemos à época "Marolinha ou marolona?".

A década de 2010 (2011 a 2020) nos apresentou ao submundo da economia. Tivemos dois anos seguidos de recessão, com -3,3% em cada ano de 2015 e 2016, inédito na nossa história. E, como se não bastasse, a falta de sorte da pandemia, com nova recessão, agora de -4,1% em 2020. Passando então a ser a nossa pior década, com crescimento total de 3,0%. Ou seja, média anual de 0,3%. Inimaginável e inconcebível àquele que consideramos o melhor país do mundo, fisicamente.

Temos um país maravilhoso, bonito. Situado longe das zonas tradicionais de conflitos no mundo. Cerca de 8.000 quilômetros de costa, para usar e abusar. Praias belas. Maior território agricultável do planeta. Ou da Via Láctea como costumamos brincar. Um subsolo fantástico. E, também temos sob nossos pés, cerca de 12% de toda a água doce do planeta. Uma floresta única, e na maioria esmagadora, preservada (ok Macron, Leonardo, Waters, suequinha e outros? Sol praticamente todos os dias. E muito mais. E não temos as desgraças que outros têm como terremotos, vulcões, furacões, desertos, gelos.

Então por que não somos o melhor país do mundo, economicamente e bem-estar da população brasileira? Quando honraremos o que temos e nos transformaremos no melhor do mundo efetivamente? Já perdemos uma grande oportunidade nos anos 1970-1980, quando surgiram os NICs – New Industrialized Countries. Que incluíam Hong Kong, Singapura, Taiwan e Brasil? Vejam o que aconteceu com os demais e onde ficamos estacionados. Aliás, engatando a marcha ré da Limousine ou do 747.

Nos anos 2000 vieram os Brics. E, vejam que estacionamos novamente. Parece que em todos os grupos que somos incluídos, nós sobramos. Por quê? Agora é esperar um novo grupo?

Continua... (parte 2/2)

*       O autor é professor universitário de pós-graduação e técnico, palestrante, bacharel em economia, mestre em administração, autor de vários livros em comércio exterior, entre eles o "ABC do comércio exterior", tradutor oficial dos Incoterms 2000 para o Brasil, representante brasileiro do grupo da ICC-Paris para revisão para os Incoterms ® 2010, e cadeira 4 da APH-Academia Paulista de História

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Uma era de togados com partido  -  04/03/2023

 

 

Dra. Kátia Magalhães

        O que leva um juiz a decidir assim ou assado? Certamente não é a letra fria da lei, até porque leis não são formadas apenas por letras, que dirá frias, e magistrados não são “a boca que pronuncia as palavras da lei, seres inanimados, que não podem nem moderar a força ou o rigor daquelas”, como sustentava o grande Montesquieu, envolto em uma certa utopia. Juízes, humanos que são, agem conforme seus conceitos e preconceitos, certas vezes sob pressão da opinião pública, e, entre nós, alguns deles, sobretudo os de hierarquia superior, até esquecem o decoro inerente à toga para, às escâncaras, beneficiarem seus afetos e prejudicarem seus desafetos, como amiúde debatido neste espaço.

Nos meus anos mais verdes, deparei, na rotina forense, com uma magistrada, assumida militante marxista que já conhecia, da mídia nos anos 90, por suas decisões invariavelmente contrárias às privatizações da era tucana. Atuando em ações em curso na vara federal por ela capitaneada, testemunhei sua indisfarçável má vontade em receber causídicos como eu, que lá iam expor as razões de seus clientes, em geral empresas multinacionais cujos simples nomes faziam a doutora torcer o nariz.

Já no início do milênio, tive notícia de uma sessão solene realizada na Alerj, em celebração aos 82 de fundação do Partido Comunista do Brasil, e, como eu bem poderia imaginar, lá estava ela, anunciada como juíza e convidada de honra. Em sua fala de defesa aguerrida do movimento trabalhista, sustentou que sua condição de magistrada a impedia de ter filiação político-partidária, embora tenha vibrado com aquele evento partidário, e proferido, sem hesitação, as seguintes palavras de júbilo: “felicito o Partido Comunista do Brasil pela importância que tem nas conquistas que os trabalhadores brasileiros tiveram na legislação e na economia deste País[1].” Como ficaria o dever de isenção daquela senhora em eventuais ações, sob sua jurisdição, que envolvessem a sigla por ela tão festejada?

Da mesma forma, embaralhando suas funções de togada à paixão pela militância, veio a integrar a chamada Frente contra a Privatização da Saúde, em cujo âmbito proferiu uma palestra onde execrava qualquer iniciativa privatista, afirmando que “o capital é diabólico. Eles querem um lucro mais livre, portanto não interessa, por exemplo, privatizar o equipamento do hospital, mas sim o recurso público[2].” Por óbvio, uma juíza federal, cuja competência abrangia órgãos federais (incluindo unidades hospitalares) passíveis de serem privatizados, e que poderia, a qualquer momento, ter de decidir eventuais litígios em torno da regularidade de processos de privatização, jamais poderia ter manifestado opiniões ideológicas sobre a matéria. Tal desvio refletiu uma formulação de juízos apriorísticos sobre casos, fora dos autos, em uma excrescência mais tolerada, a cada dia, em um país de pouco ou nenhum apreço a vínculos institucionais.

Algum tempo após esses eventos, as ondas da atuação forense tornaram a me conduzir à praia da doutora, à qual aportei, dessa vez, como náufraga a perigo, até mesmo de perda da minha licença. De fato, depois que eu e outros colegas à frente de um certo caso ousamos descumprir uma determinação manifestamente ilegal da togada e apresentar o recurso cabível contra a decisão, a magistrada, em fúria, representou contra todos nós junto à OAB, exigindo a suspensão de nossos registros profissionais. Felizmente para nós, a pretensão da iracunda senhora foi frustrada; porém, ficaram a inquietação gerada pelo capricho de uma militante de toga e a dor de experimentar, na pele, o arbítrio impune.

Naquela época, a doutora se via às voltas com denúncias, perante o CNJ, de liberação de contas de FGTS por ela autorizada de forma supostamente fraudulenta, névoas estas que ameaçaram sua indicação ao TRF2[3]. No entanto, como, no Brasil, o corporativismo é tão antigo quanto a própria arbitrariedade, e, segundo o ditado, “quem tem padrinho não morre pagão”, o imbróglio não tardou a ser dirimido, e a magistrada devidamente empossada na segunda instância da nossa justiça federal, com proventos ainda mais gordos e poderes ainda mais amplos[4].

De lá para cá, o ovo da serpente eclodiu, e os casos de ativismo, como o da aludida juíza, se tornaram muito mais frequentes, e sua constatação em níveis hierárquicos cada vez mais elevada. Como qualquer sinistro – e creio que os abusos togados são, no momento, nosso desastre nacional de maior gravidade! -, essa torrente de desvios se originou a partir de fatores múltiplos, dentre os quais a natureza branda das punições impostas pela Lei Orgânica da Magistratura (LOMAN) a togados infratores, destinados, nas hipóteses de práticas mais gravosas, à aposentadoria compulsória com a percepção dos nababescos rendimentos, como já debatido em detalhes neste espaço. Em sociedades humanas, a percepção inequívoca da impunidade é quase que um chamamento ao crime.

Igualmente relevante para tamanha catástrofe me parece a atual forma de nomeação aos tribunais superiores, mediante indicação presidencial, sabatina no Senado e observância aos vagos requisitos de reputação ilibada e notório saber. Ora, se quem decide acerca da probidade e dos conhecimentos são exatamente os políticos que, por força de sua prerrogativa de foro, somente poderão ser julgados pelo postulante e seus futuros pares, salta aos olhos de cada um de nós, cidadãos comuns, o caráter farsesco da inquirição, em um autêntico “jogo de cartas marcadas”.

A promiscuidade extrema entre os universos político e jurídico que, em países mais desenvolvidos, caminham em paralelo, sem pontos de tangência, aqui deu lugar aos episódios escandalosos protagonizados pela togada aludida no trecho inicial deste texto. Uma vez banalizada, tamanha proximidade ensejou eventos bem atuais, que deixam boquiaberto qualquer cidadão afeito aos valores civilizacionais. Assim foi com o festim da diplomação do governante de plantão, já comentado aqui[5], e com o recente convescote do supremo togado Lewandowski no movimento ultrapartidarizado de extrema esquerda MST, confraternizando com maciça militância petista[6], e com críticas ácidas ao que chamou de “democracia liberal burguesa”, mediante as quais desferiu um golpe mortal em todo o nosso Código Civil e na legislação que assegura nossas liberdades individuais, a começar pela Constituição Federal que deveria ser guardada pelo militante de toga.

Na mesma toada de escárnio, vieram a público certos “cacoetes” do novo titular da 13ª Vara Federal de Curitiba, a outrora icônica Vara da Laja-Jato, no momento presidida por um togado que fez doações à campanha do ocupante do Planalto, e adotou, como sua identificação no sistema eletrônico judiciário, a sigla “LUL22”[7]. Teria sido um código escolhido ao mero acaso, ao sabor da numerologia, do tarô ou outras searas místicas? Tão intrigante quanto a singularidade desse togado é a passividade do Ministério Público, que, apesar de fiscal da lei e autor da imensa maioria das ações penais, não divulgou qualquer movimentação no sentido de arguir a suspeição do magistrado. Igualmente estarrecedor é o silêncio do CNJ, órgão constituído com o nobre fim de controlar abusos judiciais, mas que permanece inerte diante de atitudes acintosas como estas e tantas outras.

Gostos e preferências, inclusive políticas, são inevitáveis, até mesmo nas sociedades mais avançadas. Porém, o que diferencia os meninos dos homens é que, no mundo livre, magistrados costumam abster-se de julgar seus amigos ou inimigos, e de proferir falas públicas, restringindo suas manifestações ao mundo dos autos. Lá, esses seres, com os quais partilhamos a mesma essência humana, inclusive em suas misérias, já entenderam que tais restrições são mandatórias à manutenção de um pacto social viável. Aqueles que se sentirem incapazes de tamanha contenção em virtude do cargo simplesmente buscarão outras carreiras, bem distantes da magistratura.

Já aqui, onde o público e o privado se imiscuem desde os tempos da casa grande e da senzala, muitos dos encarregados da função judicante costumam enxergar na toga apenas o instrumento para a aquisição de poderes virtualmente ilimitados, apartados da contrapartida de um rol de deveres. A mudança em muitas regras seria bastante salutar, mas insuficiente para o enfrentamento de tantos abusos, ferida cruenta que continuará a sangrar enquanto os velhos hábitos promíscuos continuarem os mesmos. Há que ter paciência e determinação para uma luta em prol das futuras gerações.

[1] http://alerjln1.alerj.rj.gov.br/taqalerj2006.nsf/5d50d39bd976391b83256536006a2502/f91660b49481ec1a83256e8a0069d74f?OpenDocument

[2] https://www.epsjv.fiocruz.br/noticias/reportagem/movimentos-unem-forcas-contra-a-privatizacao-do-sus

[3] https://www.conjur.com.br/2008-out-02/cnj_suspende_promocao_juizas_trf_regiao

[4] https://www.sedep.com.br/noticias/escalada-garantida-cnj-cassa-liminar-e-libera-promoo-de-juzas-para-o-trf-2/

[5] https://www.institutoliberal.org.br/blog/no-apagar-das-luzes-mais-prisoes-politicas-e-a-soltura-do-rei-do-rio/

[6] https://revistaoeste.com/brasil/em-evento-do-mst-lewadowski-critica-democracia-liberal-burguesa/

[7] https://www.poder360.com.br/justica/novo-juiz-da-lava-jato-se-identificou-como-lul22-em-sistema/

*       Katia Magalhães é advogada formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e MBA em Direito da Concorrência e do Consumidor pela FGV-RJ, atuante nas áreas de propriedade intelectual e seguros, autora da Atualização do Tomo XVII do “Tratado de Direito Privado” de Pontes de Miranda, e criadora e realizadora do Canal Katia Magalhães Chá com Debate no YouTube.

**       Publicado originalmente no site do Instituto Liberal, em https://www.institutoliberal.org.br/blog/justica/uma-era-de-togados-com-partido/

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Por que não sou de esquerda  -  28/11/2022

 

Roberto Motta

        Não sou de esquerda porque essa posição ideológica é baseada em três crenças equivocadas: a de que totalitarismo produz liberdade, a de que a distribuição da riqueza é mais importante que sua criação, e a de que o Estado deve dirigir nossas vidas nos mínimos detalhes.

Essas crenças são a base do comunismo e do socialismo, que são a mesma coisa: sistemas filosóficos, morais e políticos mórbidos, usados por psicopatas e aventureiros para transformar o ser humano em um farrapo corroído por fome, miséria e degradação.

Esse é o resumo breve do que é “esquerda”.

Faltou dizer que a esquerda sempre contou com o apoio dos intelectuais e, por isso, tem um marketing incomparável: foi assim que uma ideologia totalitária, violenta e empobrecedora se tornou promotora da “justiça social” (seja lá o que for isso) e ganhou o apelido de “progressista”.

Quando as revoluções sangrentas saíram de moda, a esquerda abraçou as bandeiras das minorias, do feminismo e da ecologia para se manter no poder. Percebam a ironia de ter esquerdistas liderando movimentos feministas, antirracistas e ecológicos: basta contar quantos negros já foram presidentes de Cuba ou Venezuela, quantas mulheres já foram chefes do Partido Comunista Russo ou Chinês, ou lembrar do desastre ambiental da China e da usina nuclear russa de Chernobyl.

Todo os regimes comunistas da história foram ditaduras. NÃO HÁ UMA ÚNICA EXCEÇÃO. Opositores são perseguidos, presos, torturados e mortos. Os países são cercados de muros para que ninguém escape.

Apesar disso, o comunismo ainda é apresentado como o regime da solidariedade e do amor, onde “cada um dá o que pode e recebe o que precisa”.

O comunismo é um remédio que mata 100% dos doentes, mas que continua sendo vendido até para crianças. “Pode confiar”, diz o fabricante. “Da próxima vez vai dar certo”.

Essa mentira assombrosa é divulgada nas artes plásticas, na literatura, na arquitetura, no teatro, no cinema e na TV como verdade.

Livros escolares usados por nossos filhos plantam, em suas mentes imaturas, uma ideia que significará, para muitos, uma vida de frustração, revolta vazia, vício e pobreza.

Escolas de direito doutrinam futuros juízes, promotores e defensores públicos no ódio ao capitalismo e à prosperidade, e na promoção de um Estado intervencionista, autoritário e onipresente.

O esquerdismo, socialismo ou “progressismo” é isso: um equívoco moral e lógico, um instrumento de violência e opressão, e uma armadilha emocional e intelectual, glamourizada, divulgada e promovida pelos segmentos mais influentes e charmosos da sociedade.

Quem paga o preço disso são os que não podem se informar ou se defender.

Como disse Theodore Dalrymple, “os pobres colhem o que os intelectuais semeiam”.

E é por isso que eu não sou de esquerda.

*       Publicado na página do autor no Facebook

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O lulopetismo não quer a privatização de estatais brasileiras, ele quer um Brasil socialista  -  23/08/2022

Juliano Roberto de Oliveira

Em recente ato público o descondenado e ex-presidiário Luiz Inácio Lula da Silva prometeu à sua horda de ativistas que, se eleito, irá recuperar a indústria brasileira que, segundo ele mesmo e seus seguidores mais aguerridos, tem sido destruída pela ameaça da privatização. Nas palavras do meliante, "[...] a Petrobras não será mais privatizada. O Banco do Brasil não será privatizado. A Caixa Econômica não será privatizada. O BNDES não será privatizado. Esses bancos públicos estarão a serviço do desenvolvimento desse país. E os Correios também não serão privatizados".

Nada novo. O velho dirigismo estatal com a mesma roupagem. A mesma tara pelo estatismo, pela mão forte do estado em contraposição à mão invisível do mercado. Há quem acredite que Lula acredita (o jogo de palavras é quase inevitável, neste caso) que o Estado é a única instituição capaz de promover o desenvolvimento do país e de levar prosperidade às famílias mais pobres. Eu acredito que Lula não acredita em nada disso. Ele acredita, de fato, que a única forma de manter seu domínio sobre um povo e submetê-lo às vontades das ordens políticas é apostando no intervencionismo, no estatismo, no inchaço da máquina estatal. Se os recursos estão concentrados nas mãos do Estado, afinal, a socialização plena se torna uma meta facilmente alcançável.

Por isto, certamente, enquanto esteve no poder, Lula defendeu os interesses particulares em detrimento dos interesses coletivos. Calma, leitor! Não se trata de uma contradição. Os particulares de que falo não são as empresas privadas que nos premiam, por meio de disputas pacíficas que são comuns ao livre mercado, com os mais sofisticados tipos de produtos e serviços a preços cada vez menores. Os particulares de que falo são os amigos íntimos do rei. Os grandes empresários com alto poder de lobby. Os militantes afinados ideologicamente com as doutrinas e cartilhas do socialismo.

É por esta razão que, enquanto esteve na presidência, o BNDES foi utilizado como instrumento de poder e seus recursos (os quais são provenientes de encargos sociais que incidem sobre a folha de pagamento das empresas) foram direcionados para o financiamento de obras realizadas por empreiteiras bem conectadas. Estas obras, para adicionar ainda mais insulto à injúria, foram realizadas em outros países, maciçamente em países cujos governos também estavam alinhados com a ideologia petista. Este era o modus operandi do PT: impor cargas tributárias a pequenas empresas para financiar grandes empreiteiras bem conectadas. Em troca, claro, os caixas do partido eram irrigados com muita propina.

Até aqui, caro leitor, limitei-me apenas a descrever o esquema de corrupção de uma máfia que tomou de assalto empresas que, em tese, haviam sido criadas para o povo e em benefício do povo.

Para tornar o debate ainda mais sofisticado, no entanto, e apresentar objeções às argumentações dos que advogam em favor do dirigismo estatal lançando mão, para isso, da tese de que sem créditos subsidiados (a exemplo dos que a trupe petista defende) não haveria desenvolvimento econômico, quero fazer uso da boa teria econômica apresentada por Henry Hazlitt em seu livro “Economia numa única lição”.

No capítulo 6 da obra, o autor faz uma bela e irrefutável defesa da necessidade de que empréstimos sejam realizados apenas por instituições bancárias/financeiras privadas. Para demonstrar sua tese, o economista narra com riqueza de detalhes o processo por meio do qual ocorrem os empréstimos governamentais que são, conforme descreve, créditos de grande risco.

O apelo que leva os mais incautos a acreditarem que sem as mãos do estado produtores com grande potencial estariam completamente desassistidos é, de fato, muito convincente. Com o apoio de malabarismos macroeconômicos paridos pelas mentes de economistas desenvolvimentistas, ganha força a tese de que com subsídios governamentais famílias e produtores pobres seriam transformados em grandes geradores de riqueza para a sociedade. Basta dar às pessoas pobres algum crédito para que, magicamente, tornem-se produtivas e aditivem a riqueza nacional e/ou regional. Quem poderia se opor? Produtores com grande potencial receberiam créditos do governo, com eles produziriam riqueza, pagariam as dívidas contraídas e, a partir deste momento, tornar-se-iam homens dependentes de suas próprias habilidades laborais que, antes dos empréstimos concedidos por critérios políticos, estavam subaproveitadas. Toda a nação, supõe-se, estaria mais rica.

Ao analisarmos mais detidamente esta proposta, porém, se a submetermos aos ensinamentos de Bastiat, segundo o qual “Na esfera econômica, um ato, um hábito, uma instituição, uma lei não geram somente um efeito, mas uma série de efeitos. Dentre esses, só o primeiro efeito é imediato. Manifesta-se simultaneamente com a sua causa. É visível. Os outros só aparecem depois e não são visíveis. Podemo-nos dar por felizes se conseguirmos prevê-los”, veremos que se trata de uma proposta insustentável.

Hazlitt explica que o dinheiro emprestado pelo governo não é nada mais que um símbolo monetário. Quando o governo arroga a si a tarefa de promover o desenvolvimento econômico ele está, na prática, dando um duro golpe na produtividade e na capacidade empreendedora dos mais habilidosos homens de negócio. Quando uma instituição governamental empresta a uma pessoa que não possui crédito, está fazendo uma alocação equivocada de capital escasso. Os produtores mais habilidosos, que possuem crédito junto às instituições bancárias privadas deverão, devido à intervenção governamental no mercado de crédito, pagar mais caro pelo dinheiro disponível. Dado que bens de capital foram colocados em mãos erradas (uma vez que os critérios políticos de concessão de crédito não levam em consideração as habilidades de um produtor de contribuir com o incremento da riqueza nacional), os homens de negócio que poderiam fazer melhor aplicação dos recursos escassos existentes na sociedade estarão limitados agora a poucas opções de bens de capital que não foram ardilosamente ofertados aos empreendedores menos produtivos.

Noutras palavras, empréstimos privados estão invariavelmente concentrados em empreendedores que possuem forte compromisso com geração de riqueza. Os riscos assumidos pelos emprestadores que fazem empréstimo no mercado privado precisam ser muito bem compreendidos, razão pela qual os recursos que emprestam são direcionados aos mais promissores projetos. Com o governo, cujas normas observadas para a concessão de benefícios visam apenas o curto prazo, os riscos são levados ao extremo e toda a sociedade se torna mais pobre em decorrência de investimentos em projetos de má qualidade.

Embora esta seja uma sucinta explicação dos mecanismos dos empréstimos realizados pelo governo vis a vis dos empréstimos realizados pelas instituições bancárias privadas, acredito que tenha um grande potencial de explicar porque os subsídios governamentais ofertados com o dinheiro da viúva são sempre maléficos.

No paroxismo deste arranjo, ao financiar obras e empreendedores bem conectados, os políticos poderiam exigir que os lucros das empresas que financiam sejam socializados. Afinal, se o dinheiro destinado ao financiamento de um arranjo mercantilista é proveniente do pagador de impostos, por que não socializar os lucros? Eis aí uma defesa inquestionável para a pavimentação do comunopetismo. Eis aí a razão da defesa apaixonada que Lula faz das empresas estatais.

*       O autor é Bacharel em Administração de Empresas – FAI; Especialista em Qualidade e Produtividade – UNIFEI e Mestre em Eng. da Produção - UNIFEI

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Da selva ao shopping  -  03/07/2022

Da selva ao shopping

Segurança pública, armas e mais incongruências...

Sílvio Munhoz

“Arma da morte de Bruno e Dom é símbolo da política belicista de Bolsonaro. [...] O descontrole sobre as armas de fogo, cuja consequência pode ser a morte de inocentes, também está na conta do presidente.”[1]

         A manchete espetaculosa, bem no sentido literal da palavra, como definia Aurélio: “3.Que é dado a espetáculos, a cenas ridículas e/ou escandalosas; espalhafatoso” que orna a matéria publicada em revista de circulação nacional, que já teve uma das maiores tiragens do País, confere razão ao ponto que, insistentemente, chamo atenção em minhas crônicas, quando apelido tais órgãos de ex-imprensa (existem exceções a confirmar a regra, poucas, é verdade), pois ao invés de cumprir o nobre objetivo de informar, hoje, parecem muito mais partidos políticos ou verdadeiras torcidas organizadas.

Como o fato aconteceu na Amazônia e não podem mais falar das girafas – todas já exterminadas, para desgosto da Greta e do Di Caprio – nem de desmatamento, pois ocorreu muito mais na época do time para o qual torcem[2] e só passaram pano, necessitavam achar alguma coisa para atacar o time adversário, eis que surge a “política belicista”... e à la Arquimedes, EUREKA é com essa tese que eu vou detonar.

Na matéria a torcida organizada diz ser a arma que matou Dom e Bruno uma arma de caça (e a licença aos caçadores tem sido incentivada no novo governo), como se no universo amazônico não existissem caçadores – legais e ilegais – desde os primórdios da civilização (lembram aquela história de caçadores-coletores) e tal atividade fosse mais uma invenção hedionda do atual Governo. Aliás, não avisaram aos autores do ‘novo cântico’ que a região é conhecida – tríplice fronteira, Brasil, Peru, Colômbia – como uma das mais perigosas e onde ocorre gigantesco tráfico internacional de drogas e armas, que muito se desenvolveu, assim como o crime em todo o Brasil, pela leniência com que os bandidos eram tratados quando quem governava era o time para o qual torcem.

Continuam, na insuperável sanha lacradora, com afirmações risíveis, tamanha a incongruência, como afirmar que os CACs (caçadores, atiradores e colecionadores) que somariam hoje em torno de 600.000, possuem um contingente maior que o Exército e tal número de pessoas armadas seria um perigo à segurança pública (mais armas com o cidadão honesto é perigo? Responderei mais adiante) e que, nos últimos 02 anos, surgiu notícia de ao menos 06 CACs utilizando a prerrogativa para vender armas aos traficantes...

Olvidam dois pequenos detalhes: primeiro, maçãs podres existem em todos os cestos, com certeza, por exemplo, conhecem algum jornalista corrupto que vendeu sua alma e consciência pelo vil metal; segundo, precisam voltar à escola e aprender matemática (tema negligenciado ao longo dos anos de pátria educadora, bem sabemos) ou será que imaginam mesmo que 06 CACs em 600.000, o que significa 0,0001 (vamos imaginar os atiradores esportivos que podem ter até 60 armas, 6 x 60 = 360 armas) representa alguma coisa no verdadeiro ARSENAL ILEGAL – composto na maioria de armas de guerra - que existe nas mãos das ORCRIMs do Brasil. Para contexto, estima-se existir em torno de 5.000 fuzis só nas mãos das facções que dominam 1.400 favelas no Rio de Janeiro. Na realidade, o armamento de 06 CACs é uma gota no oceano.

Em qual fonte beberam os torcedores para escrever cânticos tão disformes... quem seria? Tcham, tcham, tcham... Adivinharam? Como diz no texto, foi o gerente de projetos do “Instituto Sou da Paz”. Tal “instituto”, como denunciei outrora[3], recebe dinheiro da[4]open society, sabe, aquela do titio Soros – pretendente a dono do mundo -, que defende desarmamento, desencarceramento, legalização de drogas, aborto, extinção da polícia etc... e, igualmente da ford foundation, como já fora detectado pelo TSE quando a impediu de fazer propaganda antes do plebiscito do desarmamento, pois não podia participar quem estivesse recebendo dinheiro estrangeiro[5].

Enquanto isso, para não ficar só em uma das “torcidas”, na data de ontem, outra “grande organizada”, falando sobre o mesmo tema do armamento apresenta “chamativa” e lacradora manchete: “licença para armas crescem quase 05 vezes [...]; exército tem quase 674 mil autorizações ativas, mostra Anuário”[6]. Fazendo alusão aos dados Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2022, publicado na data de ontem (confesso, não consegui examiná-lo ainda, mas o farei em breve, para as já tradicionais crônicas, apontando as costumeiras incongruências).

A conclusão da matéria é, igualmente, em tom alarmante: "Em síntese, há um conjunto de ingredientes que desconsideram as evidências científicas sobre o impacto de longo prazo que armas de fogo e munições exercem na sociedade brasileira e que preparam o país para um cenário literalmente explosivo".

Como diz a matéria, “dizem os pesquisadores”, referindo-se aos membros (a matéria os nomina, não o farei) do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, responsável pela publicação do Anuário e do Atlas da Violência. Segundo a “torcida organizada” essa seria outra fonte prá lá de confiável. Será mesmo? Esqueceram de dizer somente uma coisa, que o FBSP, assim como o “instituto sou da paz”, não trabalha por ideal ou amor à Pátria, mas a soldo de entidades estrangeiras[7].

Pois é, meus amigos, e as “organizadas” querem lhe convencer que são fontes confiáveis... Claro que não são, pois as análises são sempre enviesadas para satisfazer o interesse de quem lhes paga, são os “intelectuais orgânicos”, citando Sowel, que a soldo criam teses, que satisfazem o que pretendem seus patrões, mesmo ofendendo os dados empíricos e depois, no mais das vezes, são chamados como “especialistas” para acrescer argumento de autoridade às matérias.

Prova disto é outra matéria publicada no mesmo site no mesmo dia, só um pouco mais escondida, que fala das mortes violentas no Brasil[8]. Segundo a notícia (talvez por isso não recebe manchetes “gritantes”) as mortes violentas diminuíram em 21 das 27 capitais (as 06 que tiveram alta localizadas nas regiões norte e nordeste, onde predominam Governadores e Prefeitos do time para o qual torcem) e a diminuição das mortes violentas em todo o Brasil foi de 6%. Pasmem (a análise será mais detalhada nas crônicas que falarei do Anuário), uma das causas, segundo os “confiáveis especialistas” seria: “Disputa de territórios entre facções criminosas”.  OPSS... sério, não ficam nem ruborizados, pois desde o começo da diminuição das mortes violentas, principalmente, nos 03 anos do atual governo, sempre disseram ser uma das causas a pax mafiosa[9], com a agravante que sempre diziam ser a “paz realizada pelas facções, principalmente, no norte e nordeste”. Não passará... tal mentira será desmascarada, após a INTERNET não existe mais memória curta, pecha que sempre atribuíram ao brasileiro...

Afinal, decidam-se: há paz ou não entre as facções criminosas do Norte e Nordeste?

Deixaram de mencionar, como seria de esperar, a possibilidade de aumento do número de armas em poder da população colaborar para a diminuição (na primeira matéria dizem ser causa e perigo de um verdadeiro caos futuro). De modo diferente, o Americano, John R. Lott Jr., estudioso do tema de armamento em poder da população civil, cravou no famoso jornal dos EUA, o Wall Street Journal: “More Legal Guns Reduce Crime in Brasil” em tradução livre, mais armas legais reduziram o crime no Brasil.

 Como diria Marx, o do bem, Groucho: “você vai acreditar em mim ou nos seus próprios olhos?” ou acredita na imprensa e especialistas ou no que você está presenciando?

No interregno de tanta lacração das “torcidas organizadas, no Rio de Janeiro - aquele Estado que o STF proibiu a Polícia de entrar em favelas dominadas por ORCRIMs e de combater o crime – vários membros de uma delas, quiçá, sentindo-se “empoderados”, desceram da  “comunidade” e adentraram um Shopping, fortemente armados, disparam uma infinidade de tiros assustando trabalhadores e clientes, fizeram reféns, roubaram uma joalheria e findaram por matar o vigilante da loja... cadê os partidos não eleitos, as costumeiras ONGs para entrar com uma ADPF e a ex-imprensa para exigir do STF[10] que os impeça de andar armados e cometer crimes...

Meus sentimentos aos familiares do guerreiro Jorge Luiz, o segurança morto enquanto trabalhava. Para finalizar, expresso minha indignação com o fato citando um post do Motta, que correu as redes após o episódio.

*       Publicado originalmente em

https://www.tribunadiaria.com.br/ler-coluna/1525/da-selva-ao-shopping.html

 

[1] https://veja.abril.com.br/brasil/arma-da-morte-de-bruno-e-dom-e-simbolo-da-politica-belicista-de-bolsonaro/

[2] https://diariodopoder.com.br/politica/desmatamento-bateu-recorde-no-governo-lula-sob-silencio-constrangedor-de-ongs

[3] https://www.tribunadiaria.com.br/ler-coluna/1244/estatistica-idelogia-desinformacao.html

[4] [1]

[5] https://memoria.ebc.com.br/agenciabrasil/noticia/2005-09-09/instituto-sou-da-paz-deve-suspender-propaganda-pro-desarmamento-decide-tse

[6] https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2022/06/28/licencas-para-armas-crescem-quase-cinco-vezes-no-governo-bolsonaro-exercito-tem-674-mil-autorizacoes-ativas-mostra-anuario.ghtml

[7]   https://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/quem-george-soros-financia-no-brasil/?fbclid=IwAR22H_T8yntSAPkgkMEaRJayvnTJaYOSPr35xmEjxnvt1A26KhVlQbudV9U

[8] https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2022/06/28/macapa-tem-maior-taxa-de-mortes-violentas-e-sao-paulo-a-menor-veja-ranking-das-capitais-segundo-anuario.ghtml

[9] https://www.tribunadiaria.com.br/ler-coluna/1281/estatistica-ideologia-desinformacao.html - Nesta crônica analiso a dita Pax mafiosa.

[10] https://www.jornaldacidadeonline.com.br/noticias/40158/a-morte-do-vigilante-em-um-shopping-no-rj-e-as-perguntas-que-o-stf-precisa-responder

 

 

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DUAS FERRAMENTAS BÁSICAS DA DEMOCRACIA  -  16/03/2022

 

Fernão Lara Mesquita

 

O confronto que está ocorrendo neste momento no campo da educação pública nos Estados Unidos envolve o cerne da definição de democracia que, ao contrário do que pensa a maioria dos brasileiros, não gira em torno da questão "o quê deve ser feito", mas sim de "quem tem o legitimo direito de determinar o que deve ser feito".

A instituição do school board, de par com a do júri, é seminal para o estabelecimento da soberania do povo nas democracias de DNA saxônico. Nem cultura, nem estágio de desenvolvimento econômico são obstáculos para a compreensão da sua importância a quem é oferecida a oportunidade de adotá-las. Elas existem, firmes e fortes, em todos os países de colonização inglesa, dos africanos aos asiáticos, passando pela India, pela Austrália e o mais. 

Mas, como sói acontecer em tudo, deus ou o diabo estão é nos detalhes. A "democracia brasileira", aquela que parece mas não é, por exemplo, inclui um pedaço da instituição do júri, exclusivamente para processos criminais. Tocqueville, que mesmo antes de visitar os Estados Unidos em 1830, já louvava a importância da instituição do júri na educação do povo inglês para a democracia, conhecia bem a diferença. 

O juri nos processos criminais só exige julgamentos sobre questões primárias, dizia. E, além do mais, quase todas as pessoas esperam passar a vida inteira sem sofrer um processo criminal. Quando no juri julgam "os outros". Nos julgamentos civis ocorre o contrário. Todo mundo espera, na vida, enfrentar processos civis. E eles envolvem conceitos muito mais sutis. O juri nesses julgamentos faz com que o direito privado tenha de ser expresso numa linguagem acessível a todos os mortais e que os advogados especializem-se em traduzir as nuances de cada caso para o jurado nas suas argumentações.

Assim, cada membro de cada júri considera, ao exercer esse papel, que amanhã pode estar ele sentado na cadeira de quem está julgando hoje. "O júri, e sobretudo o júri civil serve para dotar todo e qualquer cidadão da experiência de ser juiz, e essa experiência é a que melhor o prepara para ser livre. Ela reafirma, em todas as classes sociais, o respeito pela coisa julgada e pela idéia do Direito. É a maneira mais eficaz de, ao mesmo tempo, fazer o povo exercer o seu poder e aprender a exercer o seu poder numa democracia. Sem essas duas coisas, o amor pela independência transforma-se numa paixão destrutiva".

O juri, mais que uma ferramenta da Justiça, é portanto, para Tocqueville, sobretudo uma instituição política. 

Cabe melhor ainda nessa categoria a instituição do school board. Ele é a representação eleita da menor célula do sistema de voto distrital puro, a única maneira de instituir a verdadeira democracia representativa, e a mais direta e explícita das ferramentas de submissão do Estado à vontade do povo. Refere-se a cada bairro que elege, obrigatoriamente entre seus residentes, os 7 membros do conselho de pais de alunos que controlará, pelos 4 anos seguintes, sempre sujeitos a recall, a escola pública nele instalada. É ele, e não o político de plantão ou o partido que "aparelhou" o sistema quem contrata e demite o diretor de cada escola, aprova ou não os seus orçamentos, os seus programas curriculares, as suas metas anuais e o desempenho de seus professores.

Neste particular momento a esfera dos school boards está francamente conflagrada nos Estados Unidos. A fronteira que separa os contendores é a dos que negociam suas questões com os professores através de sindicatos e os que não aceitam esse sistema e negociam diretamente com seus funcionários, professores incluídos. 

Lá, como em toda parte o setor da educação é o primeiro dos alvos visados pela luta ideológica e os sindicatos de professores os mais abertamente comprometidos com partidos e movimentos radicais. Seu principal argumento de expansão como contrapartida dos school boards é o de toda entidade corporativa: a sua "especialização" em formular e fazer tramitar projetos de educação. O seu principal ponto fraco o de toda representação corporativa: a incoercível tendência de desviar-se da finalidade alegada para a satisfação dos interesses dos encarregados de atingi-la, que faz com que todo o sistema acabe "apropriado" pelos professores em detrimento dos alunos das escolas públicas. 

A National School Board Association (NSBA), instituição criada em 1940 para zelar pela qualidade da educação pública transformou-se, com o tempo, na grande impulsionadora dos sindicatos de professores como contraparte dos school boards na gestão das escolas públicas. Suas bandeiras vão na linha de extrair salários e aposentadorias cada vez mais altos e menos dependentes de critérios de mérito e banir todas as tarefas paralelas impostas aos professores pelos school boards. Além desse viés para a "insustentabilidade", e do conflito subjacente à ação de sindicatos de funcionários públicos que disputam, com o concurso de outros funcionários públicos, fatias crescentes de dinheiro de impostos e não participações maiores em lucros que contribuíram para que fossem obtidos, seus antagonistas apontam, também, a crescente contaminação do currículo escolar por material e discursos ideológicos. 

Nada, portanto, a que um ouvido brasileiro não esteja totalmente acostumado.

No ambiente de extrema polarização que desaguou na derrota de Donald Trump e na eleição de Joe Biden, entretanto, a NSBA cruzou, num rompante, a sagrada fronteira da soberania do povo. E foi só aí que quebrou fragorosamente a cara. 

Enviou uma carta aberta ao presidente eleito em que, alegando "ameaças à segurança dos alunos e dos professores nas escolas públicas", afirmava que "alguns pais deveriam ser considerados como terroristas domésticos" e pedia "legislação federal e outras providências" para impor decisões a todas as escolas públicas independentemente do que pensassem os pais de alunos. O resultado foi que, mesmo tendo-se retratado do erro, e apesar das greves de professores em alguns locais, desde outubro de 2021 (a carta foi publicada em 29 de setembro daquele ano) 20 associações estaduais de school boards já romperam seus contratos de adesão à NSBA. 

Por grave que seja a doença que a afeta a partir do âmbito federal, esta é uma importante medida da saude da democracia americana, essa ilustre desconhecida de populações isoladas pela língua e submetidas a séculos de "censura estrutural" como a brasileira. Suas raízes estão solidamente plantadas nos equipamentos de materialização dos poderes do povo nas instâncias estadual e municipal. São quase dois países. E pelo menos num deles o debate sobre o que fazer é livre, infindável, inconclusivo e sujeito às intempéries da conjuntura como deve ser em toda democracia. Mas o preceito de que só o povo tem o legitimo direito à decisão final é sagrado. Pela mesma razão que quem escolhe a comida é quem está pagando por ela e vai comê-la e não o garçom, quem escolhe o que as escolas públicas e o sistema judiciário vão servir, na democracia americana ainda são o júri popular e os pais dos alunos.

*    Publicado originalmente em https://vespeiro.com/2022/03/16/duas-ferramentas-basicas-de-democracia/

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PORQUE NÃO SOU DE ESQUERDA  -  14/01/2022

 

Roberto Motta

 

Não sou de esquerda porque essa posição ideológica é baseada em três crenças equivocadas: a de que totalitarismo produz liberdade, a de que a distribuição da riqueza é mais importante que sua criação, e a de que o Estado deve dirigir nossas vidas nos mínimos detalhes.

Essas crenças são a base do comunismo e do socialismo, que são a mesma coisa: sistemas filosóficos, morais e políticos mórbidos, usados por psicopatas e aventureiros para transformar o ser humano em um farrapo corroído por fome, miséria e degradação.

Esse é o resumo breve do que é “esquerda”.

Faltou dizer que a esquerda sempre contou com o apoio dos intelectuais e, por isso, tem um marketing incomparável: foi assim que uma ideologia totalitária, violenta e empobrecedora se tornou promotora da “justiça social” (seja lá o que for isso) e ganhou o apelido de “progressista”.

Quando as revoluções sangrentas saíram de moda, a esquerda abraçou as bandeiras das minorias, do feminismo e da ecologia para se manter no poder. Percebam a ironia de ter esquerdistas liderando movimentos feministas, antirracistas e ecológicos: basta contar quantos negros já foram presidentes de Cuba ou Venezuela, quantas mulheres já foram chefes do Partido Comunista Russo ou Chinês, ou lembrar do desastre ambiental da China e da usina nuclear russa de Chernobyl.

No ano passado os Estados Unidos foram paralisados pelos protestos contra a morte de George Floyd. Em qualquer país comunista, você jamais teria ouvido falar do George Floyd; ele teria sumido rápida e completamente, e toda sua família e amigos teriam sido internados em algum campo de “reeducação”.

Todo os regimes comunistas da história foram ditaduras. NÃO HÁ UMA ÚNICA EXCEÇÃO. Opositores são perseguidos, presos, torturados e mortos. Os países são cercados de muros para que ninguém escape.

Apesar disso, o comunismo ainda é apresentado como o regime da solidariedade e do amor, onde “cada um dá o que pode e recebe o que precisa”.

O comunismo é um remédio que mata 100% dos doentes, mas que continua sendo vendido até para crianças. “Pode confiar”, diz o fabricante. “Da próxima vez vai dar certo”.

Essa mentira assombrosa é divulgada nas artes plásticas, na literatura, na arquitetura, no teatro, no cinema e na TV como verdade.

Livros escolares usados por nossos filhos plantam, em suas mentes imaturas, uma ideia que significará, para muitos, uma vida de frustração, revolta vazia, vício e pobreza.

Escolas de direito doutrinam futuros juízes, promotores e defensores públicos no ódio ao capitalismo e à prosperidade, e na promoção de um Estado intervencionista, autoritário e onipresente.

O esquerdismo, socialismo ou “progressismo” é isso: um equívoco moral e lógico, um instrumento de violência e opressão, e uma armadilha emocional e intelectual, glamourizada, divulgada e promovida pelos segmentos mais influentes e charmosos da sociedade.

Quem paga o preço disso são os que não podem se informar ou se defender.

Como disse Theodore Dalrymple, “os pobres colhem o que os intelectuais semeiam”.

E é por isso que eu não sou de esquerda.

*       Publicado originalmente por  Roberto Motta - Facebook @RobertoMottaPagina - Twitter @rmotta2 - Telegram https://t.me/RobertoMottaOficial)

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FICAR APENAS NA TORCIDA É GARANTIR A DERROTA  -  26/12/2021

Gilberto Simões Pires

         

ATIVIDADES DE FINAL DE ANO

Faltando pouco mais de uma semana para o encerramento do ano, os brasileiros em geral, de forma tradicional, aproveitam o período para enviar às pessoas mais distantes as melhores mensagens -natalinas- repletas de votos de FELICIDADE, FRATERNIDADE E ESPERANÇA. Para os mais próximos, muitos promovem ou participam de encontros com o propósito de trocar presentes através do já consagrado -AMIGO OCULTO.

ELEIÇÕES 2022

Como o próximo ano -2022- será integralmente vivido e dedicado às ELEIÇÕES, proponho aos leitores, seus familiares, amigos e conhecidos que tratem de ir além das manifestações dos simples e inocentes VOTOS DE ESPERANÇA. É preciso, tomem nota, SAIR DA TORCIDA, que não leva a nada e ENTRAR DECISIVAMENTE NO JOGO ELEITORAL com o claro objetivo de SALVAR O BRASIL DA ORDA COMUNISTA que está se preparando, de forma coletiva e muito organizada para VOLTAR AO PODER.

MINHA MENSAGEM NATALINA

Esta, meus caros leitores/assinantes, é a minha MENSAGEM NATALINA deste final de ano de 2021. Peço, encarecidamente, que leiam bem e levem em conta que os opositores deste governo estão se unindo como nunca com o propósito de colocar o nosso empobrecido Brasil na fracassada ROTA DO SOCIALISMO, o que significa uma terrível VOLTA  ATRÁS nos projetos que tratam das PRIVATIZAÇÕES, MAIS LIBERDADE ECONÔMICA, E ANTI CORRPUÇÃO. Isto não é folclore ou algo imaginário, gente. São afirmações feitas por candidatos bem colocados nas pesquisas.

GOVERNO BOICOTADO

Volto a afirmar: se muito daquilo que o governo conseguiu emplacar nesses três anos de governo é considerado tímido diante das necessidades do nosso Brasil, o fato é que a maior parte daquilo que está escrito no Plano de Governo foi fantasticamente BOICOTADO. Muito por desinteresse (ou forte interesse) do Congresso Nacional; e muito mais por conta e ordem -nada constitucional- do STF, que de forma ESPANTOSA -PINTOU E BORDOU-, com tintas e agulhas IDEOLÓGICAS, voltadas, invariavelmente, para o mais puro SOCIALISMO E/OU COMUNISMO.

QUERER E ACONTECER

Vejam que -QUERER- ALGUMA COISA é uma coisa. Já -ACONTECER- AQUILO QUE QUEREMOS é outra bem diferente. Mais: QUERER exige foco e muito esforço. E é exatamente isto -ESTE ESFORÇO- que vejo na muito focada, bem combinada e organizada AGENDA PREPARADA PELA OPOSIÇÃO, onde a MÍDIA ABUTRE cuida de todos os detalhes da comunicação para iludir e/ou influenciar os eleitores. 

VOTOS DE PROSPERIDADE

O momento, assim como os dias que nos separam das Eleições de 2022, precisa da dedicação e do esforço dos brasileiros DO BEM para evitar que o Brasil padeça do mesmo mal que atingiu em cheio o pobre Chile no último domingo, quando os eleitores daquele pobre país deram um sonoro grito de -BASTA À LIBERDADE-. Em síntese, o ANO DE 2022 só será realmente PRÓSPERO caso estes OPOSITORES sejam DERROTADOS.

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PRIMÁRIAS DO PSDB E OUTRAS CANDIDATURAS ÔCAS  -  01/12/2021

Fernão Lara Mesquita, em O Vespeiro

 

         Ainda que eleições primárias diretas tenham ocorrido aqui e ali nas colônias americanas tão cedo quanto 1840, o sistema só começou a se generalizar na virada para o século 20. A reforma para torná-las obrigatórias, uma batalha que de certa forma ainda está em curso nos Estados Unidos, foi extraída a fórceps dentro do movimento de resgate da democracia americana das garras da corrupção em que a tinha mergulhado a combinação do “pecado original” dos “fundadores” de blindar os mandatos dos políticos eleitos enquanto durassem (4 anos) com o advento das revoluções concomitantes industrial e gerencial numa sociedade agrária institucionalmente despreparada para enfrentar os novos desafios. 

Os Estados Unidos eram ainda apenas as colônias da costa do Atlântico quando as ferrovias – como hoje a Amazon com relação ao mercado global – “abriram” todo o resto do continente até o Pacífico, tornando-se, no entanto o único canal de acesso a esse imenso cabedal de riquezas, assim como de escoamento para o mercado consumidor de tudo que nele pudesse ser produzido. 

Isso propiciou que empresários inescrupulosos mancomunados com políticos mais inescrupulosos ainda, que elegiam e reelegiam com seus inesgotáveis rios de dinheiro, se unissem para esmagar e açambarcar concorrentes negando-lhes transporte e servindo-lhes leis de encomenda, criar monopólios e fortunas nunca antes sonhadas, maiores que o PIB da maioria dos países, história a que você, leitor, poderá ter acesso em detalhes inscrevendo os termos “Progressive Era”, “Theodore Roosevelt”, “democracia direta” ou “antitruste” na ferramenta de busca deste Vespeiro, no alto à direita desta mesma página.

Bebendo na fonte da democracia suíça que precedera a americana em quase meio milênio, a imprensa democrática e os reformadores da Progressive Era (1890-1920) importaram os remédios da democracia direta que lá se praticava. As ferramentas da iniciativa e do referendo popular de leis abriram a possibilidade de passar leis sem o concurso dos legislativos controlados pelas máfias partidárias corruptas e isso projetou a democracia moderna para um novo patamar.

O estado do Oregon foi o primeiro a conseguir implantar a iniciativa e o referendo em 1902 e, com eles nas mãos, impôs aos políticos também o recall em 1908. Com essa trinca poderosamente desinfectante nas mãos o povo do Oregon foi o primeiro a instituir eleições diretas para o Senado estadual, até então eleito indiretamente, e primárias diretas para presidente. A Califórnia logo copiou o “Oregon System” e abriu a corrida nacional para empurrar o povo mais para cima na hierarquia do poder.

Tão cedo quanto 1917 todos os estados menos quatro, onde a soberania do povo passara a ser cada vez mais direta e absoluta, já tinham adotado primárias diretas para todas as eleições estaduais e municipais. Não eram mais os donos dos partidos, eram diretamente os eleitores que decidiam quem podia ou não candidatar-se a qualquer cargo. É esse conjunto, que resultou no golpe de morte na espinha dorsal da cadeia de lealdades que sustentava a corrupção, que explica o enriquecimento exponencial do povo americano ao longo do século 20.

Para estender esse direito ao âmbito federal é que começou, no entanto, o braço de ferro com os partidos que escondiam-se atras da dupla soberania dos estados e da União e da omissão da constituição a esse respeito que continua a ser o diferencial que põe a democracia americana ainda para trás do seu modelo suíço.

A resistência – política e judiciária – foi feroz.

A primeira e maior das porteiras foi, no entanto, arrombada com a abertura às candidaturas independentes, algo impossível de contestar num regime que pretendesse continuar merecendo o qualificativo de “democracia representativa”. Com variações entre os estados, hoje qualquer cidadão americano pode candidatar-se a presidente – e daí para baixo a qualquer coisa – e ter seu nome figurando na cédula que chega ao eleitorado apenas colhendo assinaturas de eleitores (no limite mais alto, 1% dos votos necessários para eleger um deputado federal) sem ter de pedir licença a mais ninguém, ou montando um novo partido, operação ainda mais fácil desde que se tenha respaldo de eleitores.

Até os anos 1970s somente metade dos estados americanos tinha conseguido instituir primárias obrigatórias para presidente da república. Hoje elas acontecem em todos os estados mas cada partido, em cada estado, resolve como faz as suas. Ha “primárias fechadas” em 13 estados. São como as do PSDB. Só membros registrados do partido podem propor e votar em candidatos. Há “primárias semi-fechadas” em 15 estados, em que membros inscritos em cada partido podem votar só nos candidatos dos seus partidos mas o resto do eleitorado não filiado a partidos também pode votar nas primárias dos outros partidos. Somente 14 estados têm “primárias abertas” com todos os eleitores podendo votar em qualquer primária de qualquer partido. E ha ainda outras variações…

Assim, ainda que seja altamente improvável alguém conseguir eleger-se num pleito nacional sem apoiar-se na estrutura de um grande partido, não é impossível. E essa possibilidade torna todos os candidatos bem mais humildes e “client oriented“. E tudo, claro, sempre obedece rigorosamente ao sistema de eleição distrital pura. A proporção de votos recebidos por cada partido em cada distrito é obrigatoriamente reproduzida pelos delegados das convenções com direito a voto nas primárias partidárias.

Como já foi tantas vezes explicado neste site, a FIDELIDADE DA REPRESENTAÇÃO é a única coisa inegociável da democracia americana na qual todo poder DE FATO “emana do povo”. Tudo permanece, portanto, sempre em aberto, mudando ao sabor das leis de iniciativa dos eleitores que eventualmente forem aprovadas em cada estado a cada ano. O que é decisivo é que as alterações do modelo vêm sempre de baixo – dos eleitores – e são impostas partido acima – aos políticos – e não o contrário como acontece nesse nosso esdrúxulo sistema de “governo do povo” (“democracia”) sem povo.

Fica a seu critério, portanto, avaliar se as primárias para “escolher” o candidato a presidente do PSDB entre as opções previamente postas pelos “donos” do partido em disputa entre si têm, como as americanas, o sentido de livrar o partido dos seus caciques e submeter-se à vontade dos eleitores, ou se é apenas mais um expediente “murístico” dos “tucanos raiz” para não ter de afirmar em voz alta o seu horror a João Dória numa conjuntura de deserto de talentos em que fica muito difícil atacá-lo pelo, digamos, “excesso de competência”  que justifica a figadal rejeição que ele sofre por parte de um enorme contingente do eleitorado nacional.

O que quer o PSDB, afinal, é o melhor presidente ou o melhor candidato para levá-lo de volta ao poder, qualquer que seja ele? Pôr o povo no poder ou manter o seu poder sobre o povo?

O que se pode saber com certeza desde já é que, como todos os outros ensaios de “3a via” que se insinuam por aí, nenhum dos quais tem qualquer proposta para desentortar o sistema político e eleitoral que aleija o Brasil, tudo que o PSDB oferece à consideração do eleitorado nacional é mais um entre três “eus” possíveis como única garantia dos resultados todos que só a democracia pode produzir mas que o PSDB, como todos os demais, promete entregar só pelos belos olhos do seu candidato, sem submeter-se à democracia.

Esta – que não haja mais enganos depois de tantos! – só se instala quando o povo manda no governo. E o povo só passa a mandar no governo quando conquista os poderes do recall, da iniciativa e do referendo de leis e se torna dono dos mandatos dos políticos revogáveis a qualquer momento.

Aí, sim, eles passam a trabalhar PARA O POVO. O resto é tapeação.

*Fernão Lara Mesquita em Vespeiro.com

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IGREJA E COMUNISMO: UM SÉCULO DE EMBATES  -  30/09/2021

Brian Kranick

 

A Igreja Católica nunca se deixou enganar pelas trapaças do socialismo e do comunismo. Encíclicas atrás de encíclicas denunciaram, desde o princípio, a falsa ideologia de Marx e Engels.

Os últimos cem anos, de 1917 a 2017, têm sido como uma recapitulação do protoevangelho, quando Deus disse à serpente: "Porei inimizade entre ti e a mulher" (Gn 3, 15). Trata-se de uma guerra secular que representa o período mais acentuado desta inimizade. Tudo começou em 1917, com as revelações de Nossa Senhora de Fátima, de um lado, e a Revolução Russa, que levou à implantação do comunismo ateu, de outro. Quais seriam as chances de tamanha coincidência?

Ao longo dos últimos cem anos, a forma mais grotesca que o "corpo místico" do Anticristo já adotou é, sem sombra de dúvida, o materialismo ateu, incorporado mundo afora por governos socialistas e comunistas. A serpente tornou-se Leviatã. Antes da Revolução de Outubro, Maria já advertira, em julho de 1917, que a Rússia espalharia "os seus erros pelo mundo, provocando guerras e perseguições contra a Igreja". O resto, como sabemos, é história.

Este centenário da Revolução de Outubro é uma grande oportunidade para trazer à memória o "horrendo flagelo" — como lhe chamou Pio XI (cf. Encíclica "Divini Redemptoris", de 19 mar. 1937, n. 7) — que vergastou o mundo através das perversas armadilhas do socialismo e do comunismo. Isto é particularmente importante na medida em que as elites culturais do Ocidente e seus simpatizantes vêm há tempos forcejando por minimizar os males do marxismo, como parece ser a intenção do jornal The New York Times, com sua "série de apaixonadas e saudosas recordações dos bons e velhos tempos do comunismo do século passado" [1].

Talvez seja mesmo chegada a hora de passar em revista esses tempos felizes do "século vermelho" com uma relaxante leitura de O Livro Negro do Comunismo ou O Arquipélago Gulag, de Solzhenitsyn. Mas, afinal, o que poderia ser mais enriquecedor do que dedicar um tempo a ler sobre o Grande Salto Adiante e a Revolução Cultural de Mao Tsé-Tung? Melhor ainda: que tal estourar um saco de pipocas e assistir a Os gritos do silêncio [2], um filme para divertir toda a família?

Alguns, porém, talvez se perguntem: "E quanto ao socialismo do século XXI?" Ora, basta dar uma rápida olhada nas notícias que chegam da Venezuela. Há não muito tempo, a Venezuela era uma país próspero, abundante em petróleo; numa palavra, um milagre socialista! Mas agora, após dezoito anos de marxismo, entre Chávez e Maduro, o país não passa de um inferno socialista. Muitos ali têm passado fome — uma especialidade comunista —, não lhes sobrando outra alternativa senão roubar ou comer animais de zoológico, prática na qual parecem ter especial predileção por carne de búfalo e porco-do-mato.

Isso, infelizmente, não é incomum às experiências socialistas; antes, pelo contrário, constitui a regra geral. A alimentação venezuelana, contudo, deve ainda assim ser mais agradável que a dieta à base de mato e casca imposta aos reclusos na prisão estatal da Coreia do Norte. Os fatos históricos revelam que os demagogos comunistas foram responsáveis pela morte de 140 milhões de pessoas [3], desde Lênin até Stalin, passando por Mao Tsé-Tung, Pol Pot, Kim Jong-un, Chávez, Che Guevara, Fidel Castro... e a lista poderia ir-se alongando. Lênin disse, no final das contas, que é preciso quebrar uns tantos ovos para fazer uma omelete: 140 milhões de ovos quebrados; eis aí uma omelete gigante!

A Igreja, por sua vez, nunca se deixou enganar pelas trapaças do socialismo e do comunismo. Encíclicas atrás de encíclicas denunciaram, desde o princípio, a falsa ideologia de Marx e Engels. De fato, o Catecismo o afirma claramente: "A Igreja rejeitou as ideologias totalitárias e atéias, associadas, nos tempos modernos, ao 'comunismo' ou ao 'socialismo'" (n. 2425). O Catecismo, porém, é curto e sucinto, ao passo que as encíclicas papais são ricas em detalhes e categóricas em suas condenações.

Em 1846, o Papa Pio IX promulgou a encíclica "Qui Pluribus", sobre fé e religião, na qual já combatia vigorosamente as ideias de Marx, que em 1848 publicaria O Manifesto Comunista. Pio IX ali se referia à "nefanda doutrina do comunismo, contrária ao direito natural, que, uma vez admitida, lança por terra os direitos de todos, a propriedade e até mesmo a sociedade humana". Ele advertia contra "as mais perversas criações de homens que, trajados por fora com peles de ovelha, por dentro não passam de lobos rapaces".

Em 1878, o Papa Leão XIII escrevia sobre os males do socialismo na encíclica "Quod Apostolici Muneris". O Pontífice começa a carta referindo-se à "praga mortífera que se tem difundido no seio mesmo da sociedade humana, conduzindo-a ao abismo da destruição". Leão XIII aponta em seguida que "as facções dos que, sob diversas e quase bárbaras designações, chamam-se socialistas, comunistas ou niilistas, espalhados ao redor do mundo e unidos pelos laços estreitíssimos de uma perversa confederação, já não se põem ao abrigo da sombra de reuniões secretas, senão que, marchando aberta e confiadamente à luz do dia, ousam levar a cabo o que há muito tempo vêm maquinando: a derrocada de toda a sociedade civil".

A encíclica também chamava a atenção para o projeto socialista de destruição do matrimônio e da família. Para os socialistas, com efeito, não pode haver maior fidelidade, nem mesmo a Deus e à família, do que a obediência ao Estado todo-poderoso. Leão XIII afirmava ainda que "os fundamentos da sociedade repousam, antes de tudo, sobre a união indissolúvel entre os esposos, conforme as exigências da lei natural". E no entanto "as doutrinas socialistas aspiram por dissolver quase por completo os elos desta união".

Treze anos depois, em 1891, Leão XIII voltou a escrever outra encíclica, "Rerum Novarum", a respeito do trabalho, do capital e da classe operária. Trata-se do texto fundacional da doutrina social católica nos tempos modernos. Dizia o Pontífice: "Os socialistas, para curar este mal, instigam nos pobres o ódio invejoso contra os que possuem e pretendem que toda a propriedade de bens particulares deve ser suprimida". Isto, declarou a Igreja, "é sumamente injusto" e "o remédio proposto está em oposição flagrante com a justiça, porque a propriedade particular e pessoal é, para o homem, de direito natural".

O socialismo ergue-se sobre as bases da cobiça, ou seja, uma transgressão do nono e décimo Mandamentos. Eis o que diz a "Rerum Novarum": "A autoridade das leis divinas vem pôr [...] o seu selo, proibindo, sob pena gravíssima, até mesmo o desejo do que pertence aos outros". O socialismo se baseia, além disso, na falsa ideia da luta de classes. Também para dissipar este erro Leão XIII levantou a voz: "O erro capital na questão presente é crer que as duas classes são inimigas natas uma da outra, como se a natureza tivesse armado os ricos e os pobres para se combaterem mutuamente num duelo obstinado. Isto é uma aberração tal que é necessário colocar a verdade numa doutrina contrariamente oposta".

Como já o fizera em encíclicas anteriores, Leão XIII insiste em defender contra as investidas socialistas as instituições familiar e matrimonial: "À família [...] será forçosamente necessário atribuir certos direitos e certos deveres absolutamente independentes do Estado". "Querer, pois, que o poder civil invada arbitrariamente o santuário da família é um erro grave e funesto."

Em 1931, o Papa Pio XI divulgou a carta "Quadragesimo Anno", por ocasião do 40.ª aniversário da encíclica "Rerum Novarum", à qual chamou a "Carta Magna" da doutrina social católica. Pio XI afirma sem rodeios: "Declaramos: o socialismo quer se considere como doutrina, quer como fato histórico, ou como 'ação' [...] não pode conciliar-se com a doutrina católica". O Pontífice foi ainda mais longe, ao dizer: "Se este erro, como todos os mais, encerra algo de verdade [...], funda-se contudo numa concepção própria da sociedade humana diametralmente oposta à verdadeira doutrina católica. 'Socialismo religioso' e 'socialismo católico' são termos contraditórios: ninguém pode ser ao mesmo tempo bom católico e verdadeiro socialista".

Mas o que pensar do socialismo mitigado? Também este fustigou-o o Papa de forma bastante sucinta: "Citamos novamente a juízo o comunismo e o socialismo, e vimos o quanto as suas formas, ainda as mais mitigadas, se desviam dos ditames do Evangelho". Reiterá-lo-ia anos depois o Papa João XXIII, em sua encíclica "Mater et Magistra", de 1961: "Entre comunismo e cristianismo, o Pontífice [Pio XI] declara novamente que a oposição é radical, e acrescenta que não se pode admitir de maneira alguma que os católicos adiram ao socialismo moderado".

E, para ser justo, Pio XI repreendeu também o "individualismo" e o capitalismo extremos por não respeitarem a dignidade humana do trabalhador, cuja atividade não pode ser vendida como um "um simples gênero comercial". O Pontífice apontava ainda que o remédio mais necessário consiste, não na reação violenta dos socialistas em ordem ao desmantelamento do livre mercado, mas, antes de tudo, na "reforma dos costumes". De fato, a postura da Igreja frente a esses problemas sempre foi ponderada, resguardando os direitos tanto do empregado quanto do empregador, mediante uma volta à caridade cristã e ao zelo pelo bem do próximo.

Sua crítica mais dura, no entanto, reservou-a Pio XI à "peste comunista", cujas ações e intenções são desmascaradas nos seguintes termos: "guerra de classes sem tréguas nem quartel e completa destruição da propriedade particular"; "a tudo se atreve, nada respeita; uma vez no poder, é incrível e espantoso quão bárbaro e desumano se mostra"; "aí estão a atestá-lo as mortandades e ruínas"; "ódio declarado contra a Santa Igreja e contra o mesmo Deus"; "a impiedade e iniquidade do comunismo"; "doutrinas que porão a sociedade a ferro e fogo"; "abre caminho à subversão e ruína completa da sociedade."

Mas o Papa não parou por aí. Em 1937, veio a lume outra de suas encíclicas, a "Divini Redemptoris", a respeito do comunismo ateu. O Pontífice não poupou palavras. Exortou a que "os fiéis não se deixem enganar! O comunismo é intrinsecamente perverso e não se pode admitir em campo nenhum a colaboração com ele, da parte de quem quer que deseje salvar a civilização cristã". É um "sistema cheio de erros e sofismas". A encíclica tinha em mente o "perigo ameaçador" do "comunismo, denominado bolchevista e ateu, que se propõe como fim peculiar revolucionar radicalmente a ordem social e subverter os próprios fundamentos da civilização cristã."

O comunismo é particularmente nocivo, já que "priva a pessoa humana da sua dignidade". "Os direitos naturais [...] são negados ao [...] indivíduo para serem atribuídos à coletividade". E é precisamente por isso que "qualquer direito de propriedade privada [...] tem de ser radicalmente destruído". É a coletividade que legisla em matérias de matrimônio e família. "O matrimônio e a família são apenas uma instituição civil e artificial", dependente "da vontade dos indivíduos ou da coletividade". É o ressurgimento das "cartas de divórcio". A difusão do comunismo foi possível graças à propaganda diabólica dos "filhos das trevas" e à "conspiração do silêncio" orquestrada pela imprensa não-católica, silêncio devido em parte às "diversas forças ocultas que já há muito porfiam por destruir a ordem social cristã". Isso soa familiar.

Em 1991, o Papa João Paulo II publicou a "Centesimus Annus", em comemoração ao centenário da "Rerum Novarum". Esta nova encíclica reafirmava o ensinamento segundo o qual a raiz do totalitarismo moderno encontra-se na negação da dignidade transcendental da pessoa humana. O socialismo "considera cada homem simplesmente como um elemento e uma molécula do organismo social, de tal modo que o bem do indivíduo aparece totalmente subordinado ao funcionamento do mecanismo econômico-social". "Luta de classes em sentido marxista e militarismo têm, portanto, a mesma raiz: o ateísmo e o desprezo da pessoa humana, que fazem prevalecer o princípio da força sobre o da razão e do direito". Como sabiamente notou Fulton Sheen, "o comunismo pretende estabelecer o impossível: uma irmandade entre os homens prescindindo da paternidade divina".

George Orwell conhecia bem o engodo socialista, adaptando-lhe o mantra em sua obra A Revolução dos Bichos: "Todos os animais são iguais", e no entanto, como dirá o porco a certa altura da história, "alguns animais são mais iguais do que outros". A sua verdadeira face, uma hora ou outra, acaba sendo descoberta. É o "duplipensar" do Partido. E como são estranhamente atuais o "pensar criminoso" e a "patrulha ideológica" de 1984 no ambiente politicamente correto que se respira nas universidades norte-americanas e em tantos governos europeus! O Muro de Berlim veio abaixo e a União Soviética dissolveu-se, mas o marxismo cultural está forte como nunca.

As vanguardas progressistas da esquerda são os herdeiros ideológicos do socialismo e do comunismo do século XX. Eles fazem avançar a revolução ao adotarem os "erros da Rússia" e atacarem a propriedade privada, o livre mercado, a liberdade individual e a livre expressão, o casamento e a família tradicionais, a liberdade de consciência e a liberdade de culto. Talvez não haja agora mesmo um "império do mal", um único Estado totalitário; o que há, isso sim, é um totalitarismo das inteligências, a pressão imperiosa exercida pelos media, pela educação, pelos governos e sistemas judiciais. O Big Brother continua à espreita.

 Mas ainda há esperança. A Igreja triunfou, sim, do comunismo ateu, e Cristo garantiu-nos que as portas do inferno não hão de prevalecer contra ela. Nos sombrios idos de 1917, em meio à Primeira Guerra Mundial e à difusão dos males do comunismo ateu, a Virgem Maria prometeu: "No fim, o meu Imaculado Coração triunfará". Sim, o Leviatã continua furioso e com o chicote em mãos; sua cabeça, porém, já foi esmagada.

Referências

1.       Robert Tracinski, "Why Is The New York Times Trying To Rehabilitate Communism?", em: The Federalist, 3 ago. 2017.

2.       Em inglês, The Killing Fields, filme de 1984 sobre a ditadura comunista de Pol Pot no Camboja.

3.       Cf. os dados levantados por Paul Kengor em The Politically Incorrect Guide to Communism.

*Reproduzido de www.padrepauloricardo.org

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IGREJA E COMUNISMO: UM SÉCULO DE EMBATES  -  09/09/2021

Brian Kranick, em 13/11/17

 

A Igreja Católica nunca se deixou enganar pelas trapaças do socialismo e do comunismo. Encíclicas atrás de encíclicas denunciaram, desde o princípio, a falsa ideologia de Marx e Engels.

Os últimos cem anos, de 1917 a 2017, têm sido como uma recapitulação do protoevangelho, quando Deus disse à serpente: "Porei inimizade entre ti e a mulher" (Gn 3, 15). Trata-se de uma guerra secular que representa o período mais acentuado desta inimizade. Tudo começou em 1917, com as revelações de Nossa Senhora de Fátima, de um lado, e a Revolução Russa, que levou à implantação do comunismo ateu, de outro. Quais seriam as chances de tamanha coincidência?

Ao longo dos últimos cem anos, a forma mais grotesca que o "corpo místico" do Anticristo já adotou é, sem sombra de dúvida, o materialismo ateu, incorporado mundo afora por governos socialistas e comunistas. A serpente tornou-se Leviatã. Antes da Revolução de Outubro, Maria já advertira, em julho de 1917, que a Rússia espalharia "os seus erros pelo mundo, provocando guerras e perseguições contra a Igreja". O resto, como sabemos, é história.

Este centenário da Revolução de Outubro é uma grande oportunidade para trazer à memória o "horrendo flagelo" — como lhe chamou Pio XI (cf. Encíclica "Divini Redemptoris", de 19 mar. 1937, n. 7) — que vergastou o mundo através das perversas armadilhas do socialismo e do comunismo. Isto é particularmente importante na medida em que as elites culturais do Ocidente e seus simpatizantes vêm há tempos forcejando por minimizar os males do marxismo, como parece ser a intenção do jornal The New York Times, com sua "série de apaixonadas e saudosas recordações dos bons e velhos tempos do comunismo do século passado" [1].

Talvez seja mesmo chegada a hora de passar em revista esses tempos felizes do "século vermelho" com uma relaxante leitura de O Livro Negro do Comunismo ou O Arquipélago Gulag, de Solzhenitsyn. Mas, afinal, o que poderia ser mais enriquecedor do que dedicar um tempo a ler sobre o Grande Salto Adiante e a Revolução Cultural de Mao Tsé-Tung? Melhor ainda: que tal estourar um saco de pipocas e assistir a Os gritos do silêncio [2], um filme para divertir toda a família?

Alguns, porém, talvez se perguntem: "E quanto ao socialismo do século XXI?" Ora, basta dar uma rápida olhada nas notícias que chegam da Venezuela. Há não muito tempo, a Venezuela era uma país próspero, abundante em petróleo; numa palavra, um milagre socialista! Mas agora, após dezoito anos de marxismo, entre Chávez e Maduro, o país não passa de um inferno socialista. Muitos ali têm passado fome — uma especialidade comunista —, não lhes sobrando outra alternativa senão roubar ou comer animais de zoológico, prática na qual parecem ter especial predileção por carne de búfalo e porco-do-mato.

Isso, infelizmente, não é incomum às experiências socialistas; antes, pelo contrário, constitui a regra geral. A alimentação venezuelana, contudo, deve ainda assim ser mais agradável que a dieta à base de mato e casca imposta aos reclusos na prisão estatal da Coreia do Norte. Os fatos históricos revelam que os demagogos comunistas foram responsáveis pela morte de 140 milhões de pessoas [3], desde Lênin até Stalin, passando por Mao Tsé-Tung, Pol Pot, Kim Jong-un, Chávez, Che Guevara, Fidel Castro... e a lista poderia ir-se alongando. Lênin disse, no final das contas, que é preciso quebrar uns tantos ovos para fazer uma omelete: 140 milhões de ovos quebrados; eis aí uma omelete gigante!

A Igreja, por sua vez, nunca se deixou enganar pelas trapaças do socialismo e do comunismo. Encíclicas atrás de encíclicas denunciaram, desde o princípio, a falsa ideologia de Marx e Engels. De fato, o Catecismo o afirma claramente: "A Igreja rejeitou as ideologias totalitárias e atéias, associadas, nos tempos modernos, ao 'comunismo' ou ao 'socialismo'" (n. 2425). O Catecismo, porém, é curto e sucinto, ao passo que as encíclicas papais são ricas em detalhes e categóricas em suas condenações.

Em 1846, o Papa Pio IX promulgou a encíclica "Qui Pluribus", sobre fé e religião, na qual já combatia vigorosamente as ideias de Marx, que em 1848 publicaria O Manifesto Comunista. Pio IX ali se referia à "nefanda doutrina do comunismo, contrária ao direito natural, que, uma vez admitida, lança por terra os direitos de todos, a propriedade e até mesmo a sociedade humana". Ele advertia contra "as mais perversas criações de homens que, trajados por fora com peles de ovelha, por dentro não passam de lobos rapaces".

Em 1878, o Papa Leão XIII escrevia sobre os males do socialismo na encíclica "Quod Apostolici Muneris". O Pontífice começa a carta referindo-se à "praga mortífera que se tem difundido no seio mesmo da sociedade humana, conduzindo-a ao abismo da destruição". Leão XIII aponta em seguida que "as facções dos que, sob diversas e quase bárbaras designações, chamam-se socialistas, comunistas ou niilistas, espalhados ao redor do mundo e unidos pelos laços estreitíssimos de uma perversa confederação, já não se põem ao abrigo da sombra de reuniões secretas, senão que, marchando aberta e confiadamente à luz do dia, ousam levar a cabo o que há muito tempo vêm maquinando: a derrocada de toda a sociedade civil".

A encíclica também chamava a atenção para o projeto socialista de destruição do matrimônio e da família. Para os socialistas, com efeito, não pode haver maior fidelidade, nem mesmo a Deus e à família, do que a obediência ao Estado todo-poderoso. Leão XIII afirmava ainda que "os fundamentos da sociedade repousam, antes de tudo, sobre a união indissolúvel entre os esposos, conforme as exigências da lei natural". E no entanto "as doutrinas socialistas aspiram por dissolver quase por completo os elos desta união".

Treze anos depois, em 1891, Leão XIII voltou a escrever outra encíclica, "Rerum Novarum", a respeito do trabalho, do capital e da classe operária. Trata-se do texto fundacional da doutrina social católica nos tempos modernos. Dizia o Pontífice: "Os socialistas, para curar este mal, instigam nos pobres o ódio invejoso contra os que possuem e pretendem que toda a propriedade de bens particulares deve ser suprimida". Isto, declarou a Igreja, "é sumamente injusto" e "o remédio proposto está em oposição flagrante com a justiça, porque a propriedade particular e pessoal é, para o homem, de direito natural".

O socialismo ergue-se sobre as bases da cobiça, ou seja, uma transgressão do nono e décimo Mandamentos. Eis o que diz a "Rerum Novarum": "A autoridade das leis divinas vem pôr [...] o seu selo, proibindo, sob pena gravíssima, até mesmo o desejo do que pertence aos outros". O socialismo se baseia, além disso, na falsa ideia da luta de classes. Também para dissipar este erro Leão XIII levantou a voz: "O erro capital na questão presente é crer que as duas classes são inimigas natas uma da outra, como se a natureza tivesse armado os ricos e os pobres para se combaterem mutuamente num duelo obstinado. Isto é uma aberração tal que é necessário colocar a verdade numa doutrina contrariamente oposta".

Como já o fizera em encíclicas anteriores, Leão XIII insiste em defender contra as investidas socialistas as instituições familiar e matrimonial: "À família [...] será forçosamente necessário atribuir certos direitos e certos deveres absolutamente independentes do Estado". "Querer, pois, que o poder civil invada arbitrariamente o santuário da família é um erro grave e funesto."

Em 1931, o Papa Pio XI divulgou a carta "Quadragesimo Anno", por ocasião do 40.ª aniversário da encíclica "Rerum Novarum", à qual chamou a "Carta Magna" da doutrina social católica. Pio XI afirma sem rodeios: "Declaramos: o socialismo quer se considere como doutrina, quer como fato histórico, ou como 'ação' [...] não pode conciliar-se com a doutrina católica". O Pontífice foi ainda mais longe, ao dizer: "Se este erro, como todos os mais, encerra algo de verdade [...], funda-se contudo numa concepção própria da sociedade humana diametralmente oposta à verdadeira doutrina católica. 'Socialismo religioso' e 'socialismo católico' são termos contraditórios: ninguém pode ser ao mesmo tempo bom católico e verdadeiro socialista".

Mas o que pensar do socialismo mitigado? Também este fustigou-o o Papa de forma bastante sucinta: "Citamos novamente a juízo o comunismo e o socialismo, e vimos o quanto as suas formas, ainda as mais mitigadas, se desviam dos ditames do Evangelho". Reiterá-lo-ia anos depois o Papa João XXIII, em sua encíclica "Mater et Magistra", de 1961: "Entre comunismo e cristianismo, o Pontífice [Pio XI] declara novamente que a oposição é radical, e acrescenta que não se pode admitir de maneira alguma que os católicos adiram ao socialismo moderado".

E, para ser justo, Pio XI repreendeu também o "individualismo" e o capitalismo extremos por não respeitarem a dignidade humana do trabalhador, cuja atividade não pode ser vendida como um "um simples gênero comercial". O Pontífice apontava ainda que o remédio mais necessário consiste, não na reação violenta dos socialistas em ordem ao desmantelamento do livre mercado, mas, antes de tudo, na "reforma dos costumes". De fato, a postura da Igreja frente a esses problemas sempre foi ponderada, resguardando os direitos tanto do empregado quanto do empregador, mediante uma volta à caridade cristã e ao zelo pelo bem do próximo.

Sua crítica mais dura, no entanto, reservou-a Pio XI à "peste comunista", cujas ações e intenções são desmascaradas nos seguintes termos: "guerra de classes sem tréguas nem quartel e completa destruição da propriedade particular"; "a tudo se atreve, nada respeita; uma vez no poder, é incrível e espantoso quão bárbaro e desumano se mostra"; "aí estão a atestá-lo as mortandades e ruínas"; "ódio declarado contra a Santa Igreja e contra o mesmo Deus"; "a impiedade e iniquidade do comunismo"; "doutrinas que porão a sociedade a ferro e fogo"; "abre caminho à subversão e ruína completa da sociedade."

Mas o Papa não parou por aí. Em 1937, veio a lume outra de suas encíclicas, a "Divini Redemptoris", a respeito do comunismo ateu. O Pontífice não poupou palavras. Exortou a que "os fiéis não se deixem enganar! O comunismo é intrinsecamente perverso e não se pode admitir em campo nenhum a colaboração com ele, da parte de quem quer que deseje salvar a civilização cristã". É um "sistema cheio de erros e sofismas". A encíclica tinha em mente o "perigo ameaçador" do "comunismo, denominado bolchevista e ateu, que se propõe como fim peculiar revolucionar radicalmente a ordem social e subverter os próprios fundamentos da civilização cristã."

O comunismo é particularmente nocivo, já que "priva a pessoa humana da sua dignidade". "Os direitos naturais [...] são negados ao [...] indivíduo para serem atribuídos à coletividade". E é precisamente por isso que "qualquer direito de propriedade privada [...] tem de ser radicalmente destruído". É a coletividade que legisla em matérias de matrimônio e família. "O matrimônio e a família são apenas uma instituição civil e artificial", dependente "da vontade dos indivíduos ou da coletividade". É o ressurgimento das "cartas de divórcio". A difusão do comunismo foi possível graças à propaganda diabólica dos "filhos das trevas" e à "conspiração do silêncio" orquestrada pela imprensa não-católica, silêncio devido em parte às "diversas forças ocultas que já há muito porfiam por destruir a ordem social cristã". Isso soa familiar.

Em 1991, o Papa João Paulo II publicou a "Centesimus Annus", em comemoração ao centenário da "Rerum Novarum". Esta nova encíclica reafirmava o ensinamento segundo o qual a raiz do totalitarismo moderno encontra-se na negação da dignidade transcendental da pessoa humana. O socialismo "considera cada homem simplesmente como um elemento e uma molécula do organismo social, de tal modo que o bem do indivíduo aparece totalmente subordinado ao funcionamento do mecanismo econômico-social". "Luta de classes em sentido marxista e militarismo têm, portanto, a mesma raiz: o ateísmo e o desprezo da pessoa humana, que fazem prevalecer o princípio da força sobre o da razão e do direito". Como sabiamente notou Fulton Sheen, "o comunismo pretende estabelecer o impossível: uma irmandade entre os homens prescindindo da paternidade divina".

George Orwell conhecia bem o engodo socialista, adaptando-lhe o mantra em sua obra A Revolução dos Bichos: "Todos os animais são iguais", e no entanto, como dirá o porco a certa altura da história, "alguns animais são mais iguais do que outros". A sua verdadeira face, uma hora ou outra, acaba sendo descoberta. É o "duplipensar" do Partido. E como são estranhamente atuais o "pensar criminoso" e a "patrulha ideológica" de 1984 no ambiente politicamente correto que se respira nas universidades norte-americanas e em tantos governos europeus! O Muro de Berlim veio abaixo e a União Soviética dissolveu-se, mas o marxismo cultural está forte como nunca.

As vanguardas progressistas da esquerda são os herdeiros ideológicos da socialismo e do comunismo do século XX. Eles fazem avançar a revolução ao adotarem os "erros da Rússia" e atacarem a propriedade privada, o livre mercado, a liberdade individual e a livre expressão, o casamento e a família tradicionais, a liberdade de consciência e a liberdade de culto. Talvez não haja agora mesmo um "império do mal", um único Estado totalitário; o que há, isso sim, é um totalitarismo das inteligências, a pressão imperiosa exercida pelos media, pela educação, pelos governos e sistemas judiciais. O Big Brother continua à espreita.

 

Mas ainda há esperança. A Igreja triunfou, sim, do comunismo ateu, e Cristo garantiu-nos que as portas do inferno não hão de prevalecer contra ela. Nos sombrios idos de 1917, em meio à Primeira Guerra Mundial e à difusão dos males do comunismo ateu, a Virgem Maria prometeu: "No fim, o meu Imaculado Coração triunfará". Sim, o Leviatã continua furioso e com o chicote em mãos; sua cabeça, porém, já foi esmagada.

Referências

1.       Robert Tracinski, "Why Is The New York Times Trying To Rehabilitate Communism?", em: The Federalist, 3 ago. 2017.

2.       Em inglês, The Killing Fields, filme de 1984 sobre a ditadura comunista de Pol Pot no Camboja.

3.       Cf. os dados levantados por Paul Kengor em The Politically Incorrect Guide to Communism.

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O ÚLTIMO DESÍGNIO ALCANÇADO  -  05/04/2021

 

Alex Pipkin, PhD


A ditadura do pensamento esquerdizante - explícita e/ou velada - vai adentrando ao último desígnio -, anteriormente muito difícil de imaginar.
Nas mídias, nas universidades, na política, na justiça, nos bares da moda, a ideologia disfarçada de bom-mocismo e de preocupação com o povo, é transparente para ?todos aqueles que enxergam, ou se preferirem, nem é preciso de óculos, basta não ser surdo.

Todo indivíduo que ousa discordar do coletivo e de suas vontades falaciosas, sejam essas econômicas, sociais, políticas, culturais, e de seus conceitos sobre racismo estrutural - evidente que racismo persiste - de políticas LGBTQIS e de diversidade - que, meu juízo, vai muito além de cor e de gênero -, enfim, de suas intolerantes posições referentes às políticas para esses e outros grupos minoritários, é automaticamente alçado a nobre designação de racista, autoritário, retrógrado, homofóbico, misógino; nazista eu não posso ser, pois sou judeu.

A sonhadora turma vermelha, devo admitir, fez um trabalho memorável.
A infiltração nas instituições seguiu ao pé da letra os ensinamentos gramscianos.

Embora a foto do dia seja a moderna turma de jovens que reprovou no Enem pela utilização do pronome neutro (28 candidatos alcançaram nota mil e 86 mil zeraram redação!), eles têm executado um trabalho magnífico quanto à novilíngua.

O objetivo não era trivialmente inverter o significado das palavras e fornecer uma forma de expressão ligada a uma única visão de mundo professada, mas, sobretudo, tornar outros modos de pensamento impossíveis. Principalmente os tenros idealistas não percebem que seus líderes conseguiram impedir que eles próprios pudessem exercer um pensamento autônomo.

Agora, o último desígnio foi atingido: as empresas.

A avalanche é real, o ataque é implacável ao lucro do malvado empresário - evidente que só se vê aqueles que conseguem ganhar dinheiro...

O objetivo empresarial agora não deve ser o lucro, mas a missão da empresa, que compulsoriamente deve estar ligada a inclusão social, disfarçada de diversidade.

É tragicômico o que vejo, leio e escuto, eles sequer sabem diferenciar diversidade de inclusão social.

No mundo empresarial competitivo - em que todas as empresas competem para alcançar lucratividade superior e sustentável - as marcas se posicionam para atingir um lugar privilegiado nos olhos, nas mentes e nos corações dos clientes, devendo expressar claramente os valores e os princípios que representam e em que a organização acredita.

Na verdade, sem entrar em detalhes, o posicionamento estratégico estabelece como a empresa alcança a satisfação de seus clientes: maior valor, baixo custo ou ambos.

Sim, em comunicação é evidente que o tema diversidade está em alta, não poderia ser diferente.

Ultimamente só se vê marcas com campanhas em torno de causas relacionadas aos negros, aos LGBTQIS e a outros grupos minoritários.
É evidente que esses temas devem ser discutidos racionalmente dentro das organizações, a fim de se apurar desvios e oportunidades de melhoria. Não acho que possa existir, nelas, discriminação e falta de respeito à dignidade humana.

Sem dúvida deve-se lutar pela igualdade de oportunidades, com a consideração de méritos e de possibilidades, o que é distinto de imposições pela aparência.

A atenção quanto ao racismo e ao preconceito racial, por exemplo, é muito distinta da narrativa de racismo estrutural.

Imaginem se todas as marcas, em todos os setores e em todos segmentos, utilizarem o mesmo posicionamento de marca relacionado a diversidade e a inclusão social, quem se diferenciará efetivamente? Todos os clientes estão mesmo interessados nesta narrativa?

Para alguns o “feijão com arroz” do preço, qualidade e utilidade não vale mais?
Não creio que falar de pautas minoritárias seja a estratégia adequada para TODAS AS EMPRESAS.

Pelo contrário, em alguns casos, como por exemplo, o do Burger King, isso seja encarado por clientes como eu, como uma forma oportunista e meramente mercadológica (comunicação) de se apropriar de demandas de minorias. Pode soar falso.

Para a ditadura do pensamento esquerdizante se completar, só faltava o “capitalismo das partes interessadas” - governo e corporativistas -; a dominação está completa.

Como eu ainda posso e me permito pensar fora da prisão cognitiva da novilíngua progressista, acho que quando os resultados empresariais metálicos começarem a emergir, tal qual as teorias de organização econômica que advogam o “bem da coletividade”, toda essa formosura teórica irá naufragar.

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TEOLOGIA MISERÁVEL  -  25/02/2021

Valdemar Munaro

Não há alimento mais denso para nutrir o discipulado cristão que o memorial dos acontecimentos vinculados à Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus de Nazaré. São fatos que se tornaram a espinha dorsal da vida e da liturgia, tão vívidos a ponto dos primeiros séculos se esquecerem dos natais. Por isso, a Páscoa, para onde tudo converge, constituiu-se raiz de toda história e tradição cristãs.  

O testemunho quase ocular e incrível do historiador judeu, Flávio José (37 – 100 d. C.), indica que Jesus e os ladrões daquela sexta feira inesquecível não foram os únicos crucificados. Outras sextas feiras antecederam outras Páscoas, mas só aquela se tornou santa. Eram centenas os condenados e pendurados em patíbulos, à vista de todos, nas encostas de Jerusalém e de outras cidades do império romano. As cruzes, com seus condenados expostos, serviam de admoestação a pretensos delituosos e delinquentes. Muitos crucificados permaneciam pendentes e presos aos madeiros, por vezes dias inteiros, nus, reféns das aves de rapina que lhes arrancavam os olhos e/ou outros órgãos, ainda vivos, aumentando-lhes o suplício. Para apressar a morte, soldados quebravam-lhes os joelhos ou os asfixiavam com fumaça.

Centenas, como dizem as testemunhas, eram os crucificados. Mesmo o famoso Spartacus terminou no ostracismo, mas do Nazareno não esquecemos. Não é possível furtar-se à investigação histórica exclusiva daqueles acontecimentos sem encontrar neles arestas de mistérios que nos emocionam.  Não é possível ler e meditar sobre aquelas narrativas cruas, diretas, desvestidas de vitimizações, de floreios literários e afetações psicológicas sem sermos interpelados. O leitor ou ouvinte que, porventura, concluir ser tudo aquilo uma invenção tem a obrigação moral e intelectual de explicar como ela se tornou possível, pois os supostos ‘inventores’ teriam de ser, então, muito superiores à própria invenção, o que não é o caso.

Aquelas narrativas, seus personagens e detalhes, encontram no livro, ‘Padeceu Sob Pôncio Pilatos’, de Vittorio Messori, uma claridade histórica inigualável. Segundo o autor (historiador e jornalista, ateu e convertido à fé cristã em razão de honesto trabalho investigativo), a grande questão que nos intriga não é tanto a Igreja, mas o fato ‘Cristo’. Todo aquele, portanto, que buscar e perseguir caminhos de fé não pode se deter nos braços e traços históricos das Igrejas porque nestas poderá encontrar mais confusão do que luz. O olhar penetrante da perscrutação deve chegar ao Crucificado. A conversão religiosa, pensava Dostoievski, não tem problemas filosóficos com Deus, mas com o Jesus histórico.

Nos acontecimentos relacionados ao Crucificado encontramos a mais impressionante fotografia do rosto divino, mas também do rosto humano. Está tudo ali. Como num ícone emoldurado ali estão retratados os limites mais perversos do mal e do sofrimento que causamos e sofremos. Estão ali as valas mais profundas da sacanagem humana. Getsêmani, Pretório e Gólgota, três momentos ou lugares que antecedem à ressurreição, indicam todas as ardilosas e ignominiosas capacidades humanas de engendrar, cultivar e praticar iniquidades. E parece que não há cura para elas.

De fato, tem algo de assustador e de insanável no sangue e na alma dos humanos. Já o sábio grego, Sócrates, quase intelectualmente desesperado, buscava remédio para sanar a vida moral dos seus concidadãos. Platão, seu maior discípulo, também tentou. Já idoso, expressou decepção e amargura ante o entusiasmo político que professara na juventude. Entre seus próprios parentes conheceu o peso da corrupção política. Deu-se conta que não basta conhecer as leis e o caminho do bem. O ‘homem mais justo do seu tempo’, Sócrates, foi conduzido à morte por malvados interesses. Aí está a prova de que o bem sofre para emergir, de que fazemos o mal, mesmo sabendo que não deveríamos fazê-lo. Segundo Platão, não há esperança, nem solução, nem salvação para a humanidade neste mundo cavernoso. Ele foi um grego inteligente, pagão, mas três séculos antes de Cristo proclamou a necessidade de uma intervenção divina para salvar a vida humana (cfr. Carta VII).

Outro pensador, Anselmo de Aosta (1033 – 1109), teólogo medieval, nas páginas de um texto chamado ‘Por que Deus se Encarnou’ pretendeu falar principalmente com muçulmanos. Seu objetivo: dizer que não nos bastam escrituras, leis e ritos. O ser humano é tão quebrado e quebradiço que não há como consertá-lo com recursos terrestres. Estamos todos contaminados pelo vírus do mal, não há um só justo entre nós e sem ajuda divina, estaríamos perdidos, alucinados e enroscados em nossas próprias teias de morte, violência e destruição. O mal que medra nosso sangue e encharca nossa alma nos criminaliza, corrói nosso espírito, decompõe nosso corpo.

As palavras de S. João segundo as quais todo aquele que ‘odeia seu irmão é assassino’ (1 Jo 3,15) corroboram a afirmação de outro apóstolo: “Não faço o bem que quereria, mas o mal que não quero... Homem infeliz que sou! Quem me livrará deste corpo que me acarreta a morte?” (Rm 7). Ou seja, não há ventre humano justo, não há viva alma livre da dívida que contraímos uns com os outros e com a inteira criação. Temos um débito infinito e um crédito ínfimo. O mal que fizemos causou um dano irreparável e nossa dívida se tornou impagável. Assim, conclui Anselmo, somente um Deus Encarnado poderia saldar nossa conta. Aquele que nada deve, paga tudo e aquele que nada paga, tudo deve.

Os relatos da Paixão registram personagens suficientes para que nos identifiquemos com eles, exceto com Jesus. Temos Pedro, Judas, Pilatos, Anás, Caifás, Barrabás, a multidão gritante, os fariseus, os escribas, os ladrões, Cirineu, os discípulos dorminhocos e covardes, os soldados, os acusadores, os juízes... O Getsêmani estampa os beijos falsos que damos e recebemos, as traições, os sonos deslocados dos discípulos (dormindo quando deviam vigiar e vigiando quando deviam dormir), as covardias e mentiras. O Pretório condensa todos os julgamentos, vaidades, tribunais, psicopatias de poder, epidérmicas superstições, palavras ocas, condenações orquestradas, acusações, injustiças. O Gólgota retrata as crucificações, os sofrimentos, as injúrias, os deboches, o cinismo, as dores, os abandonos, as mortes ignominiosas sofridas e praticadas pelos homens. Estamos todos ali representados, os traidores, os criminosos, os acusadores, os malditos e malvados, os covardes e mentirosos. Ninguém fica fora de alguma representação. Seria mau-caratismo ou ‘cara-de-pau’ alguém se identificar com o Crucificado.

Contudo, nossa verdadeira esperança se fundamenta aqui: dos sofrimentos inimagináveis, da morte ignominiosa na cruz e da sepultura escabrosa e escura na qual foi colocado Jesus, sobrou-nos o dia, o perdão, a vida, o amor sem precedentes, a ressurreição. O corpo do julgado, condenado e crucificado por nós, não se corrompeu como se corrompem todos os outros. A esperança cristã não se apoia, pois, sobre outra coisa senão nessa boa notícia de que o mal e a morte que nos amedrontam e nos aniquilam tem um inimigo: o Autor da vida que é Amor. Se o Nazareno não fosse puro amor e tivesse simplesmente morrido e não se levantado do túmulo, como diz Paulo, seríamos os mais desgraçados e dignos de lástima. Inútil seria crer e absurdo amar (Cfr. 1 Cor 15).

Ora, se ligarmos os fatos relacionados à Paixão e Morte de Cristo aos textos da Campanha Fraternidade (deste e de outros anos, porque se assemelham), colheremos doses miseráveis de teologia. Encontramos ali mais indicações éticas do que convites à conversão. As linhas escritas se parecem a ensinamentos de profetas sociais, sociólogos e filósofos moralistas. Estes dispensariam a teologia. Desprende-se, portanto, daquelas páginas, algumas conclusões:

a) Que uma parcela dos homens não é destinatária da mensagem de Jesus, pois eles já fazem parte dos redimidos em razão de sua condição vitimária. Se lêssemos, como exemplo, a frase do Evangelho: ‘Estive preso e me visitaste, nu e me cobriste’, deveríamos entender que o mandamento de Jesus vale só para o visitador e o vestido, mas não para o visitado e o nu? Claro que não! O sentido do texto, nesse caso, não é físico, nem literal como sugere a sociologia positiva. É inegável o fato de existirem muitas pessoas marginalizadas, excluídas, vítimas de preconceito, de violência e abandono. Contudo, o convite à conversão não se dirige só aos preconceituosos. Ele se dirige também, com a mesma significação e intensidade, aos que sofrem preconceitos.  Por que, então, alguns grupos ficam de fora do convite a viver uma vida nova?

b)  O mandamento de não julgar, nem condenar, inclui o de não inocentar. Há algum tempo, a redatora do texto da CF 2021, numa audiência pública presidida por Rosa Weber, defendeu mulheres (em nome da misericórdia e da compaixão), que haviam abortado e as tratou como inocentes. Isto é, julgo-as inocentes. À primeira vista parece que não, mas culpabilizar inocentes ou inocentar culpados nos remete à mesma conduta e igual mentalidade. Na verdade, só Deus conhece a culpabilidade ou inocência dos homens. Nossa justiça é e será sempre precária. Ela existe para que possamos pobremente sobreviver, porém, ela mesma, não salva, não cura, nem redime, não perscruta os corações. Uma pessoa pode ser tratada como inocente por todos nós, mas, mesmo assim, pode ir para o inferno. Deus é o verdadeiro conhecedor e juiz da alma humana porque só Ele é o Salvador dela. Não são os nossos julgamentos ou abstenções que salvam pessoas, mas é o que (ou Quem) salva pessoas que ilumina e liberta nossos julgamentos e abstenções. “Comparado à eternidade, todo o resto é ninharia”, disse Turguenev. Se aqueles teólogos (redatores ou não dos textos) ‘conhecessem’ o mal que também os aprisiona e os contradiz, não julgariam como julgam os que não praticam a tal fraternidade. É uma teologia incontrita que não suporta o egoísmo dos outros, que esbraveja contra os males do mundo e da sociedade a partir de um tribunal maniqueísta que julga, mas não tem o poder de curar, nem salvar.

c)  O texto, como visto, é maniqueísta: de um lado os bons e de outro os maus. Aos teólogos que o redigiram só lhes falta um requisito para se igualarem aos seus julgados: ocasião. Cada um de nós não é melhor que Barrabás, Pilatos, Judas, os fariseus, os saduceus ou quem quer que seja e que esteve lá, naquela fatídica sexta feira crucificando Jesus. Estamos todos enlaçados no e pelo mal. Sua magnitude é tão grande que reverbera negativamente e corrói nossa vida individual e social. Talvez a miserabilidade da teologia que inspira muitos teólogos esteja justamente no fato de terem aprendido, com presteza, a julgar os males cometidos pelos outros, a indicar como os homens e as mulheres devam se portar, mas de serem nulos em capacitá-los à justiça e à santidade. Tais teólogos sabem definir a fraternidade e a justiça, porém se mostram incapazes de as praticar. São moralistas. Quando alguns discípulos perguntaram a Jesus “onde moras?” Ele lhes respondeu: ‘Vinde e vede’. A pergunta poderia se dirigir aos teólogos da fraternidade: onde morais? Mostrai-nos a linda fraternidade que viveis e ficaremos convosco ou perto de vós para também dela aprendermos.

Serve de exemplo, porém, um pequeno detalhe que delimita as fraquezas fraternas: muitas Igrejas estão fora do chamado ecumenismo (pois a Campanha da Fraternidade é ecumênica). Por quê? Porque não se enquadram na mesma visão teológica. A dificuldade em ouvir e respeitar opiniões e posições distintas não reside só entre os que vivem do outro lado do rio, mas começa no interior da própria margem teológica proclamada.

A autêntica vida fraterna, como afirmei em outro artigo (neste generoso espaço cedido por Percival Puggina), não vem de graça. Vem da Graça. Tem um custo alto: o sacrifício do próprio egoísmo, a confiança vital no amor que vem de Cristo, a esperança no tesouro encontrado no céu. Ninguém chega à fraternidade cristã por meio de boas intenções, por informações e vontades éticas. O canto ‘Momento Novo’ (hino da CF 2021), se assemelha a outra canção “Ciranda Cirandinha’, mas vidas fraternas não se dão num passe de mágica, nem em rodas de dança ou chimarrão, nem em dados, discursos ou discussões sociológicas.

Uma frase do grande africano S. Agostinho (430 d. C.) resume o que nos consola. Diz nas suas Confissões: “Beatus qui amat Te. Beatus qui amat amicum in Te. Beatus qui amat inimicum propter Te”. Na minha pobre tradução pode significar: “Feliz quem ama a Ti. Feliz quem ama o amigo em Ti. Feliz quem ama o inimigo por causa de Ti”. Nós amamos bem aqueles que bem nos amam, mas amamos mal aqueles que nos odeiam. Amar inimigos gratuitamente é ser idiota e palhaço. Não consigo, nem quero. Podemos amar os que nos odeiam ou nos incomodam por uma simples razão: porque existe Deus. Devemos e podemos respeitar os outros e a natureza por uma simples razão: porque Deus existe. É por causa Dele que tolero os diferentes de mim. É por causa Dele que me arrisco e me disponho a amá-los. ‘Se Deus não existisse, disse Dostoievski (1881), tudo seria possível’. Se Deus não existir, escancarada seria nossa liberdade para qualquer conduta, inclusive para a malandragem, sem a necessidade, o consolo ou o concurso de subsídios teológicos ou filosóficos de ordem moral por aí esparramados.

Santa Maria, 24/02/2021

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RELEMBRANDO CAMUS  -  01/05/2020

 

Se, por um milagre, os males do mundo desaparecessem da noite pro dia, muitos jornalistas, apresentadores e comentaristas perderiam seu empregos

Outro dia, presenciei um ligeiro bate-boca entre vizinhas, certamente sintoma de estresse do isolamento social. Uma senhora responsabilizava a moça do prédio ao lado pela presença de um pequeno rato que transitava impune. Por conta própria, atribuía residência do roedor à casa alheia. Achei graça; suponho que ratos não têm CEP nem domicílio fixo. Moram nos esgotos, no abrigo das sarjetas e circulam por todo o bairro em busca de comida. Aliás, cardápio esse em alta; aumentaram as marmitas nas calçadas com restos de arroz e feijão - culpa da pandemia, da coleta de lixo alterada e, sobretudo, dos moradores porcalhões.

Ratos e pestes fazem-nos lembrar Albert Camus. Profundo observador da alma humana, conta num de seus livros que mendigos da capital argelina colocavam excremento nas feridas do corpo para que estas piorassem. Com isso, ganhariam a disputa por maiores esmolas dos passantes. Exibiam suas mazelas purulentas aos mendigos próximos, quase vaidosos, como se dissessem:
- Minha perna está pior que a sua! Vou ganhar mais esmolas...

Não há limites para a raça humana quando ela despenca pelo abismo da dignidade. Porém, não precisamos ir tão longe na distância geográfica e no tempo de Camus. Aqui mesmo, guardadas as devidas proporções, vemos expostas as feridas – pioradas de propósito - que nos causam repugnância natural; feridas em busca de exibição e de algum tipo de ganho.

Já não bastavam as notícias rebuscadas sobre crimes hediondos, violência, terrores diversos. Com a pandemia, a comunicação foi além; transformou-se numa via aberta de pânico generalizado. Se, por um milagre, os males do mundo desaparecessem da noite pro dia, muitos jornalistas, apresentadores e comentaristas perderiam seu empregos na hora – já que só falam nisso; vivem disso; parecem gostar disso. Quanto pior o drama pessoal do entrevistado, mais terrível, mais bizarro, mais sucesso do programa escandaloso.

Os noticiários já foram mais discretos e respeitosos com a dor alheia. Um código de ética não-explícito do jornalismo, baseado na compaixão e solidariedade humana, norteava as pautas e as edições. Essa fronteira sutil foi violada recentemente – e o Brasil deve ter sido um dos precursores da modalidade, de olho na preferência do estranho segmento de público sedento de sangue, sofrimento e sordidez.

As “reconstituições de crimes”, revividas através de sofisticados recursos de computação gráfica são outros exemplos. Vemos ali vítimas e seus assassinos representados digitalmente, segurando armas e disparando tiros na posição presumida. Ora: à exceção dos peritos criminais, advogados e juízes, a quem mais interessaria saber desses detalhes? De que servem tais representações para a família confinada assistindo ao telejornal, olhos arregalados?

Veio a internet – e todos viraram repórteres e idiotas, segundo Umberto Eco. Há um prazer mórbido em divulgar e compartilhar imagens chocantes do que há de mais degradante por aí. De que servem a nós cenas de crueldades com cachorrinhos? Espancamentos de bandidos? Saber que o estoque de caixões em tal cidade está se esgotando e – que novidade! - já se fazem agora sepultamentos noturnos? Ou contabilizar quantos morreram ao final do dia, desprezando sempre o número de curados?

Ao mesmo tempo, como se a vida estivesse absolutamente normal no planeta, a mídia dedicou farto espaço àquele grupo de rapazes e moças confinados num clima de narcisismo, intriga e promiscuidade chique, falando besteiras para as câmeras e os telespectadores. Falta do que fazer? Não seja por isso: emissora e patrocinadores deveriam providenciar máquinas de costura, carretéis e pano. Gastariam melhor seu tempo fabricando máscaras e aventais para doação, caladinhos e refletindo sobre a transitoriedade da vida – assunto interessante e cada vez mais essencial nos dias de hoje.

30/04/2020


*Publicado originalmente no jornal O Tempo de Belo Horizonte e enviado pelo autor.

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A PSICOLOGIA E O PRESIDENTE  -  18/04/2020

 

"No dia 04 de abril de 2020, a Folha de São Paulo convidou alguns profissionais para fazerem uma leitura sobre a personalidade do Presidente Jair Messias Bolsonaro.

Dentre os consultados, decidi rebater os argumentos de dois professores da USP, Christian Dunker e Míriam Debieux Rosa e do psicanalista Mário Corso.

Naquele veículo de comunicação, afirmam que o Presidente tem atitudes que se enquadram numa lógica paranoica, messiânica e delirante, demonstra fragilidade e onipotência.

Contrapondo o primeiro argumento;

1- "Lógica paranóica, messiânica e delirante."

FATO: Jair Messias Bolsonaro recebeu uma facada em Juiz de Fora durante sua campanha presidencial.
FATO: Candidatos a deputados e governadores usaram o seu nome como trampolim e depois o descartaram.
FATO: Presidente da Câmara usurpou o seu protagonismo na Reforma da Previdência.
FATO: STF juntamente com o Congresso e a mídia articulam para lhe retirar o poder conquistado de modo legítimo.
FATO: Governador adultera dados da Saúde.
A Resolução nº 26, assinada em 20 de março de 2020 pela Secretaria de Segurança Pública do Governo de São Paulo, considera que qualquer cadáver, independentemente da causa da morte, “é portador potencial de infecção por Covid-19”.
FATO: Ministro escolhido por ele adia a autorização de um medicamento capaz de salvar vidas durante a pandemia da COVID-19.

Fatos, fatos, fatos!
Se o Presidente vive sob a realidade dos fatos, quem delira aqui?
Quem é o paranoico?

O Presidente tem os pés no chão, tem a cabeça ligada na realidade factual.
Delírio seria se ignorasse a grandeza dos perigos a que está exposto.

2- O Presidente demonstra "fragilidade e onipotência".

Frágil porque assume que repensou algumas de suas decisões?
Não seria tal comportamento um gesto de força e grandeza?
Frágil porque reza, ora e se ajoelha diante de altares?
Frágil porque usa palavras chulas para, concretamente, desmacarar a trama do jogo do politicamente correto?
Frágil porque recebeu cusparada na cara e não revidou?
Frágil porque chora, bate na mesa e se indigna com uma mídia que o acusa de ser o mandante do assassinato de uma vereadora?

Onipotente? Messiânico?
Seguiu todas as regras eleitorais.
Usou as redes sociais como principal meio de publicidade.
Alcançou a sua meta com gasto de
campanha no valor R$ 2.812.442,38.
Foi eleito com 57.797.847 de votos.

Puxa vida, esses dados, de fato, sugerem onipotência. Os profissionais entrevistados devem ter se espantado com esses dados.

Apesar desses feitos hercúleos, Bolsonaro é Messias, mas não é messiânico.

O nome disso é POTÊNCIA! Ele é um presidente POTENTE, por isto alcançou o topo. Foi a sua POTÊNCIA que o levou ao mais alto cargo do país.
Mais uma vez, a sua riqueza veio de dentro, de sua POTÊNCIA.

3. Terceiro e último contraponto 

Dunker, em 14 de novembro de 2019, numa entrevista para a revista eletrônica Brasil de Fato, afirmou que "Bolsonaro é tirano solitário".
"Brasil de Fato" ou de boato?
De quais meios absolutistas o Presidente se utilizou até o momento?
Confiscou a sua casa?
Dividiu a sua família?
Invadiu as suas terras?
Impediu que você professasse a sua fé?
Decaptou gays?
Enforcou traficantes?
Trancafiou opositores políticos?
Monitorou o seu celular?
Controlou o seu horário de sair de casa?
Determinou quantos quarteirões você pode transitar?
Proibiu banhistas de frequentar as praias das cidades?
Bloqueou as redes sociais?
Desarmou você?
Impediu de usar o Fundo Partidário para combater a pandemia do Covid-19?
Libertou criminosos e ameaçou trabalhadores?
Não, nenhuma atitude tirânica foi tomada, portanto cai em cacos mais esse argumento.

Bolsonaro é um homem do diálogo espontâneo, livre, franco, direto.
Usa de chistes com os mais conhecidos, brinca com as palavras, conversa com seus pares de verdade e rompe com quem entra em dissonância com o seu projeto inicial de campanha. Ele escuta os eleitores.
Um Presidente que, pela primeira vez na história do Brasil, sofre, chora e sente o que seu povo sofre, sente e chora.
Ele, no mais legítimo da palavra, REPRESENTA a voz amordaçada dos brasileiros.

Finalmente, darei um recado aos meus pares de profissão.

O bom profissional não analisa discurso, isto eu aprendi em 1990, no quinto período de Psicologia, quando atendi os primeiros pacientes durante estágio na Clínica da Universidade Federal de Uberlândia.
Nossa, eu era uma garota!

O bom profissional observa os detalhes, as entrelinhas, o que não foi dito, os gestos, o tom da voz, a lágrima contida, a alegria sofrida, as palavras soltas, gemidas, mal faladas, tremidas, cuspidas, desesperadas, honrosas, amorosas.

O bom profissional analisa o contexto em que o indivíduo está inserido.
Se amado, perseguido, ameaçado de fato ou por delírio.

Por fim, os Conselhos Federais, Regionais e as Sociedades PSIS precisam deitar-se, novamente, nos divãs para que as suas ideologias políticas não contaminem diagnósticos e não adulterem prognósticos.

Um apelo de uma profissional que não quer ver a sua classe perder a credibilidade tão duramente conquistada."

*Nara Resende, psicóloga clínica há 27 anos.
** Publicado originalmente no Facebook da autora.
 

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AQUELE NATAL  -  27/12/2019

 

“A cada dia fico mais seguro de que o verdadeiro espírito de Natal é rebelde, imprevisível, desconcertante.”
26/12/19 

 

Amigos me confessam que sentem tremores, vertigens e suores aos primeiros acordes de “Jingle Bells” ou à visão de um sorridente Papai Noel temporão, já em novembro. Para muita gente, o final do ano marca a chegada da temida estação da ansiedade, das palpitações, das tristezas e dos humores oscilantes.

O mais estranho desse tempo é que ele conduz os incautos a um território imaginário de picos nevados e pinheiros românticos, onde cada um deve estar obrigatoriamente feliz e saltitante como uma rena ao primeiro tilintar dos sininhos. Que crueldade! Ora: quantas pessoas chegam ao final do ano com a alma leve, os afetos em dia e as mágoas sanadas? Infelizmente, nossos altos e baixos não estão sujeitos ao calendário gregoriano e pode acontecer, sim, de nossa voz desafinada soar atravessada em meio à harmonia do coral festivo. A realidade, a vida como ela é, contrasta com a ilusão desses dezembros, tromba de frente com a leviandade cosmética dos comerciais dos shoppings, se engasga com a farofa e o panetone obrigatórios.

Estamos ali reunidos, cercados de familiares, amigos, vinhos, pernis fatiados, crianças, luzinhas que piscam e mulheres de roupa nova. Mas... cadê a felicidade total? Ué? Não apareceu? Nós pagamos por ela, à vista e em três vezes no cartão! Ela existia, sim, nos comerciais da TV, no sorriso dos casais, nos abraços e nos beijos das propagandas de perfumes! Por que será que a felicidade total não saltou para nós precisamente à meia-noite, ereta e pontual como o termômetro do peru no forno?

Quantas bobagens! A cada dia fico mais seguro de que o verdadeiro espírito de Natal é rebelde, imprevisível, desconcertante. E que ele caminha ao lado do grande sentimento de fraternidade, uma entidade de aparições raras e inesquecíveis. Já passei por isso, de pura sorte.

Estávamos visitando uma catedral famosa pelos seus vitrais. Havia uma missa naquele momento, e a igreja estava repleta de fiéis e de turistas. Foi quando o padre convidou as pessoas a se darem as mãos para rezarem o pai-nosso. Obedecendo ao ritual, um pouco sem-graça pela intimidade súbita e forçada, nós, ovelhas desgarradas e pecadoras, seguramos as mãos vizinhas desconhecidas e começamos a rezar também.

Então, a magia aconteceu. O pai-nosso que ouvíamos não era balbuciado apenas no português-brasileiro, mas também em italiano, alemão, francês, chinês, espanhol – e tantas outras línguas que não consegui identificar. Estávamos ali, turistas vindos de toda parte, ignorantes como os pastores que seguiram a estrela, reunidos pelo acaso para rezar. Rezar, refletir e agradecer pelo pão diário, santificar a natureza, pedir perdão pelo nosso egoísmo eventual e, sobretudo, perdoar-nos e perdoar aqueles seres idênticos a nós, habitantes de um planeta azul errante.

Aposto que não fui o único a sentir o nó na goela ao ouvir nossas vozes ressoando nos mármores da igreja – um cântico confuso, descompassado e dissonante; porém, com o poder de fazer-nos flutuar. Era a voz da humanidade. Quando terminou a oração, soltamos as mãos alheias, sorrimos para nós mesmos e saímos cada qual para seu destino, fingindo que olhávamos interessados os detalhes renascentistas dos vitrais multicoloridos.

Lá fora não havia neve, renas, gnomos ou algum trenó estacionado. Um ônibus de turismo buzinava frenético, apressando os japoneses faltantes. A única música vinha de uma loja na praça em frente, tocando um reggae animadíssimo. E o sol estava bem quente para aquele dia da primavera europeia. Mas pensei comigo: isso era ou não era Natal?
 

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MARX E SATANÁS  -  07/10/2019

 

“Quero me vingar daquele que reina lá em cima” – Karl Marx

Livro impressionante, a merecer urgente atenção de um bom editor nacional é, sem sombra de dúvida, este “Marx and Satan”, do reverendo Richard Wurmbrand (Living Book Company, Bartlesville, USA, 1986). A edição que leio, a oitava, data de 2002, porém em 2008 o livro já cruzara a 20ª impressão e fora traduzido para o russo, chinês, alemão, romeno, eslovaco, húngaro e albanês – não por acaso línguas de países que constituíam a antiga Cortina de Ferro e materializavam, na prática, as teorias demoníacas de Karl Marx.

No histórico, o livro de Wurmbrand começou como uma pequena brochura que continha algumas anotações sobre as possíveis ligações entre Marx e a igreja satânica. Posteriormente o autor, durante 14 anos prisioneiro nos campos de concentrações da Romênia comunista, levantou uma quantidade enorme de documentos e correspondências e aprofundou pesquisa biográfica minuciosa em torno do “filódoxo” alemão, mormente no período em este freqüentou a Universidade de Berlim, sem deixar de lado, no entanto, a temporada em que viveu na próspera cidade de Colônia (1842), onde trabalhou como co-editor da “Gazeta Renana” – fase em que Marx, negando Deus, “tornou-se um adorador de Satã e partícipe ativo e regular de práticas e hábitos ocultistas”.

De fato, nesta época, conforme registra Wurmbrand com riqueza de detalhes, Marx mudou inteiramente de conduta. Longe da casa paterna, ao repudiar Cristo ele tornou-se um beberrão violento. (Habitualmente, quando embriagado, para não pagar os credores, partia para a briga – sendo autuado, certa feita, por porte de arma). Então, na qualidade de co-presidente do “Clube Tabernário”, que tinha como associados um bando de estudantes porristas, Marx organizava rituais de magia negra, professando a idéia de “chutar Deus do Reino Celestial”. Por qualquer razão, ou sem razão nenhuma, voltava-se para o alto e proclamava, em ira incontida: “Eu o destruirei! Eu o destruirei!”

O próprio pai de Marx, Heinrich (um advogado judeu convertido ao cristianismo luterano), na ocasião, ao saber que o filho tinha “colocado novos deuses em lugar dos antigos santos” (confissão de Marx), tentou chamar sua atenção, por carta, lamentando o estranho comportamento do jovem radical: “O teu progresso, a querida esperança de ver teu nome algum dia ter grande reputação, e tua riqueza terrena não são os únicos desejos de meu coração. Essas são ilusões que tive há muito tempo, mas posso assegurar-te que a realização delas não me teria feito feliz. Apenas se teu coração permanecer puro e bater humanamente e se nenhum demônio for capaz de desviar teu coração de sentimentos melhores, apenas assim serei feliz”.

Ao lamento da carta paterna, Marx deu o calado como resposta, cortando a correspondência com o pai, salvo no caso de bilhetes curtos para pedir crescentes somas em dinheiro para saldar dívidas provenientes dos porres homéricos e gastos com os rituais ocultistas.

Na mesma época, Marx ficou obcecado pela leitura do “Fausto”, a peça teatral de Goethe em que o personagem central faz um pacto com a figura de Mefistófeles, o “diabo em pessoa”. Num impulso, o futuro “Doutor do Terror Vermelho”, para tornar público a sua nova crença, escreve um drama intitulado “Ulanem” – anagrama de Emanuel, nome bíblico de Cristo -, tempos depois encenado e representado pelo próprio autor.

No texto, medíocre, mas considerado de natureza confessional, Marx revela o objetivo que marcará todos os atos de sua atribulada existência, qual seja, “a idéia de expulsar o Criador de sua morada e, ele próprio, Karl Marx, substituí-lo”. No último ato de “Ulanem”, em tom apocalíptico, assim se exprime o imperioso cultor de Satã: “Os vapores do inferno enchem o cérebro, até que fico louco e meu coração muda muito. Vês esta espada? O Príncipe das Trevas ma vendeu. Para mim, ele marca o compasso e ordena os sinais. Cada vez mais atrevido, eu danço a dança da morte. E só então poderei caminhar triunfante, como um Deus, através das ruínas do seu Reino”.

Dado curioso, a mudança de Marx não se deu apenas no plano espiritual. Segundo anota Karl Heinzen, jornalista que trabalhou com ele na “Gazeta Renana”, a transformação se manifestou, também, no aspecto seu físico. “De jovem esbelto, ele se transformou num tipo atarracado, de lábio inferior incomumente grosso e de tez amarelo-sujo, acentuada pelos cabelos negros e espessos que pareciam brotar-lhe de quase todos os poros da face, dos braços, da orelha e do nariz. Cabeludo, com sua juba negra retinta e olhos enlouquecidos por um espírito de fogo perverso, Marx era a imagem de Lúcifer, o anjo decaído”.

O mesmo Heinzen relata que, certa noite, depois de um porre, querendo parodiar Mefistófeles numa cena do “Fausto”, Marx “Aproximou-se e deu a entender que eu estava sob seu poder. Com malícia de pretendido demônio, começou a me agredir com ameaças e tapas. Adverti-o a sério que o trataria do mesmo modo. Como nada adiantasse, derrubei-o com um sopapo num canto da sala. ‘Há um prisioneiro lá dentro…’ – caçoou ele, numa imitação precária de Mefistófeles”.

Mais tarde, consolidada a personalidade demoníaca, Marx observa, em correspondência para Engels (segundo Franz Mehring, em “Marx – Story of His Life”): “A abolição da religião como uma felicidade ilusória dos homens é um requisito para a verdadeira alegria deles. O chamado para o abandono de suas ilusões acerca de suas condições é um chamado para abandonar uma condição que requer ilusões. A crítica da religião é, portanto, a crítica deste vale de lágrimas de que a religião é o halo”.

Marx se deu mal na sua pretensão de abolir a religião sobre a face da terra. A crença na existência de uma força transcendente, considerada como criadora do Universo, nunca esteve tão presente na vida da humanidade – em que pese a ingerência do “neodarwinismo” e a “singularidade” de teorias impossíveis de comprovar como a do Big Bang.

O Cristianismo, por sua vez, infenso a fricção da excomungada “Teologia da libertação”, nitidamente anticristã, cada vez mais se propaga em número de fiéis, a fortalecer a crença no Cristo filho de Deus.

Quando à Marx, reconheça-se, o seu espírito maligno permanece atuante – como o do próprio Satã, de resto –, a iludir facções de deserdados que, sob seus vapores, alargam as dores do mundo.

* Publicado originalmente no Diário do Poder

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ESTADO BANDIDO  -  02/10/2019



Não discorrerei sobre a longa evolução do Estado nem farei a análise da difícil coexistência das formas do Estado de Direito com os conteúdos do Estado Social. Porém, é importante conceituar o contemporâneo Estado Democrático de Direito como uma estrutura formal do sistema jurídico, garantidora das liberdades fundamentais com aplicação da lei geral-abstrata por parte de juízes independentes.

A conceituação é importante no sentido de estabelecer contraste com o Estado Bandido o qual, paradoxalmente, emerge dos Poderes constituídos. Afinal, a estância mais alta do Legislativo, o STF, tem estado longe de aplicar a lei geral-abstrata por parte de juízes independentes, o que garantiria liberdades fundamentais e a isonomia do Direito.

Além disso, o Supremo vem demolindo a machadadas a Lava Jato, maior operação anticorrupção havida no país e que teve à frente o então juiz, Sergio Moro, raro homem da lei e atual ministro da Justiça e da Segurança Pública.

Foi um trabalho que não só exigiu competência como coragem. Coragem para prender poderosos. O máximo da coragem para enviar à cadeia o chefão Lula da Silva, o grande institucionalizador da corrupção.

Os adeptos do Estado Bandido chamam a Lava Jato de Estado Policial e, juntando-se ao PT concentram seu ódio em Moro. Não importa que a condenação de Lula da Silva, relativa ao tríplex de Guarujá, tenha sido confirmada unanimemente pelo TRF-4 e o STJ. Moro é o culpado do crime de lesa-majestade. E a meta e soltar o presidiário dando troco no juiz parcial.

Que o PT aja assim é do seu feitio violento e vingativo, mas, e o STF? Entre outras ações dos juízes supremos lembremos do caso do ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobrás, do governo Dilma Rousseff, Aldemir Bendine que afanou o que pode. Pois bem, obteve sentença favorável na Segunda Turma do STF, o que derrubou a condenação de Sergio Moro.

Na sequência veio o habeas corpus do ex-gerente da Petrobrás, Márcio de Almeida Ferreira, baseado na mesma filigrana jurídica usada pela defesa de Bendine. Foi alegado que Ferreira não pode apresentar as alegações finais após manifestações dos réus colaboradores. Estava aberto o caminho para soltar o chefão petista e demais bandidos.

Em 26 de março aconteceu uma das mais vigorosas machadadas na Lava Jato. Por sete votos o STF criou uma regra que não existe na Constituição ou seja: réus delatados têm o direito de falar por último no caso em que também existam réus que fecharam acordos de colaboração premiada.

Tal tese pode anular uma série de sentenças da Lava Jato, beneficiando bandidos de colarinho branco, o que inclui Lula no caso do sítio de Atibaia. E, naturalmente, membros do PCC e do CV.

O Congresso não fica atrás quando se trata de erigir o Estado Bandido. Enquanto o pacote anticrime do ministro Moro jaz em alguma gaveta, suas excelências geraram a Lei de Abuso de Autoridade. Não vou entrar em detalhes da monstruosidade legislativa, mas apenas resumi-la: é proibido prender. Portanto, graças aos que elegemos como nossos representantes estamos à mercê de facínoras de todas as espécies.

Para citar mais uma vergonha nacional revejo a patacoada do ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Antecedendo o lançamento de seu livro de memórias, Janot buscou os meios de comunicação para dar uma entrevista. Nesta afirmou, que em 2017 foi ao Supremos para matar o ministro Gilmar Mendes e em seguida suicidar. Só não conseguiu seu intento porque a mão de Deus o segurou. Na linguagem lulista pode-se dizer: “menas”, ex-procurador-geral, “menas”, pois isso parece algo excessivamente rocambolesco.

Diante do estupor que as entrevistas causaram, uns disseram que o homem é louco. Outros que tudo não passou de marketing para atrair atenção para o livro. Seja como for, Janot esteve longe de exercer sua alta função com parcialidade. Armou uma cilada para o ex-presidente Temer com a gravação não autorizada e fajuta de Joesley Batista. Pediu ao STF a prisão de Delcídio do Amaral, que sendo senador tinha foro privilegiado, no que foi atendido. Enfim, perseguiu aqueles dos quais não gostava.

Da sua suíte da Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, Lula anuncia que não aceita prisão domiciliar. Ordena que o Supremo considere Moro parcial para que assim seja inocentado e dono novamente de seus direitos políticos. Acrescenta que nada o faria mais feliz do que assim ser solto e ver Moro e Dallagnol irem para a cadeia.

Pode ser que os ministros do Supremo, que Lula certa vez chamou de acovardados, obedeçam a tal ordem. Pode ser também que a mais alta corte da Justiça volte atrás e diga que não pode haver prisão em segunda instância.

Desse modo, tênues fios de esperança vão se dissipando enquanto sensações de revolta, vergonha e impotência tomam conta de nossos sentimentos. Pobre Brasil! Pobres gerações futuras!

* Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga.

 

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OS JALECOS BRANCOS DA INGERÊNCIA  -  29/09/2019

 

Havana, Cuba, em 27/09/2019. 

"Não permitirei que se interponham, entre meu dever e meu paciente, considerações pacientes de religião, nacionalidade, raça, partido ou classe". É o que diz o sexto voto do juramento de Hipócrates, modificado do original grego na Convenção de Genebra de 1948, e que cada graduado da carreira médica deve pronunciar antes de começar a exercer o trabalho humano de salvar vidas.

O caráter essencialmente ético do juramento constitui o pilar da confiança depositada nos médicos há séculos e deve acompanhar cada profissional de saúde, independentemente das circunstâncias em que seus serviços sejam necessários. Mas algo muito diferente aconteceu durante as missões médicas cubanas, terríveis exemplos dos perigos do totalitarismo e da fratura que causa na moral dos indivíduos.

Em uma conferência de imprensa organizada pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos e que a imprensa independente pôde acompanhar ao vivo da sede diplomática em Havana, quatro médicos cubanos que completaram várias missões em Belize, Bolívia, Venezuela e Brasil ofereceram valiosos testemunhos sobre a profunda corrupção que prevalece nesses programas; o assédio a que os médicos são submetidos por agentes de segurança do Estado enviados expressamente para monitorá-los e ameaçá-los; as condições em que foram forçados a trabalhar, com perigo até para suas próprias vidas; e as represálias que eles e seus entes queridos sofreram, por se recusarem a continuar sendo vítimas de um feroz sistema de escravidão moderna.

A natureza de pilhagem das “missões médicas” tem sido as manchetes há pelo menos alguns anos, embora tenha atingido maior estridência no processo de ação coletiva promovido por vários profissionais de saúde que trabalharam no Brasil como parte do programa “Mais Médicos”. Desde então, foram revelados detalhes sobre o objetivo sinistro desses projetos de cooperação, que serviram de mecanismo para tentar subverter a ordem política dos países latino-americanos, infiltrando os serviços de inteligência entre as populações mais desfavorecidas para influenciá-los, por pressão. psicológica e chantagem, a favor de governos relacionados com o regime cubano.

Tatiana Carballo, Ramona Matos, Fidel Cruz e Rusela Rivero, quatro médicos que partiram de suas respectivas missões e hoje sofrem as consequências daquilo que o regime descreve como “deserção”, não apenas põem em evidência uma ditadura que obriga seus médicos violar os princípios éticos de sua profissão. Eles tornaram públicos até que ponto chegou a prática corrupta que constitui escravidão moderna, tráfico de seres humanos e interferência nos assuntos internos de outras nações.

Os médicos cubanos foram forçados a falsificar as estatísticas, inventando a identidade e o diagnóstico de pelo menos trinta pacientes diariamente. Isso foi ordenado pelo "coordenador" - um agente de Segurança do Estado -, investido do poder de separar o médico da missão e enviá-lo a Cuba sem o direito de cobrar a parte do dinheiro acumulado durante o tempo de serviço, e que permaneceu congelado em uma conta na ilha.

Para garantir a obediência dos médicos, o regime pagou a eles uma parte muito pequena do salário acordado (aproximadamente 20%); colocando em suas mãos apenas o suficiente para cobrir as necessidades básicas e depositando nos bancos cubanos a maior parte dessa renda, que seria retirada assim que o especialista voltasse à Ilha. O "salário cativo" é um dos métodos usados para garantir que os médicos retornam assim que a missão termina. Caso contrário, o regime fica com o dinheiro em vez de entregá-lo à família.

A retaliação contra entes queridos e o castigo cruel por não poder viajar para Cuba por oito anos são outras variantes punitivas denunciadas pelos afetados. Segundo o testemunho da Dra. Gisela Rivero, seus dois filhos, também médicos de profissão, sofreram assédio pelo regime. O major foi retirado do consultório médico a que compareceu e relocado nas campanhas de fumigação contra o mosquito Aedes Aegypti. Quando ele tentou indagar sobre os motivos de tal procedimento, eles apenas disseram a ele: "Você sabe o que é". O filho mais novo, recém-formado, foi enviado sem explicação para praticar em uma cidade na Serra Maestra, enquanto seus companheiros continuavam trabalhando na cidade.

Tais são os mecanismos empregados por um regime que controla tudo (leis, saúde pública, educação) e se arroga o direito de usar esse poder para prejudicar cidadãos que estão em total desamparo.

Enquanto a imprensa oficial fala de missões médicas como "rotas de amor" e outras frases igualmente cursivas, esconde do povo de Cuba o inferno sofrido por médicos que trabalham em situações de risco e sob enorme estresse por causa do "compromisso" político-ideológico. Quem volta não fala sobre isso. Nada se sabe sobre os trabalhadores da saúde pública mortos por problemas cardíacos durante a missão na Bolívia, uma vez que eles não explicaram as condições climáticas das terras altas; nem da prisão não convencional que os médicos sofreram lá, forçados a entregar seu passaporte e trabalhar como não documentados, apesar do perigo que isso implicava.

Os cubanos também não sabem que o Dr. Fidel Cruz e muitos outros que participaram da missão na Venezuela foram obrigados a ligar de porta em porta chamando os eleitores e manipulando-os psicologicamente para votar em Nicolás Maduro. "Lembre-se de que você tem acesso à saúde graças a Maduro (...) sem ele você não teria atendimento médico ou remédios." Com esse tipo de frases coercitivas, eles convenceram o eleitorado e tiveram que enviar uma parte informando quantos eleitores haviam levado para as pesquisas e quantos haviam votado no Chavismo.

Os cubanos não sabem nada sobre remédios queimados ou enterrados, para que não haja pontas soltas nas estatísticas falsificadas. Medicamentos fornecidos parcial ou totalmente por Cuba e que foram destruídos enquanto eram escassas nas farmácias da Ilha.

Estima-se que cerca de 66 países recebam missões médicas cubanas, tornando-se cúmplices nesse tipo de exploração e tráfico de pessoas. O pior, no entanto, é que, para cada clínico que abandonou uma missão, retornaram centenas dos quais foi retirado o senso de ética inerente à sua profissão.

Cada médico que se prestou a falsificar estatísticas, mentir, intimidar, chantagear ou manipular ideologicamente seus pacientes, violou o juramento hipocrático que faz do médico o que ele realmente é: um ser humano dedicado à vocação de salvar vidas, sem outra prioridade além de oferecer ao seu paciente toda a ajuda possível.

O sistema político cubano é tão prejudicial que corrompe práticas e preceitos sagrados para todas as nações, existindo muito antes do stalinismo insular tornar o terror uma forma de governo. Não surpreende que, em Cuba, os médicos se recusem, sob um mínimo de pressão, a ajudar oponentes políticos. Eles simplesmente esqueceram o que são e, como os lacaios, imolam suas consciências no altar de um ideal imperfeito, que no final nada mais é do que egoísmo e medo, muito medo.

Sexta-feira, 27 de setembro de 2019
 

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SOBRE A LEI BANDIDO FELIZ  -  26/09/2019

Autores
  • Adriano Alves-Marreiros, Promotor de Justiça Militar e membro do MP Pró-Sociedade e do MCI.
  • Alexandre Schneider, Procurador da República Mestre em Direito e fundador do MP Pró-Sociedade.
  • Renata Guarino, Juíza de Direito do TJRJ e membro do MCI.
  • Sílvia Regina Becker Pinto, Promotora de Justiça aposentada do MPRS, Mestra em Direito , com Curso Avançado de Doutoramento em Ciências Jurídico-Politicas na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa e Professora de Direito Constitucional e Processo Penal da FACCAT.

                                     

                             Melhor Morrer de pé que viver de joelhos. (Cerco de Massada, 74 D.C.)

Querem chamar de Lei do Abuso de Autoridade como se fosse feita para combater abusos. Mas não foi: ela é um abuso contra o povo que quer combate à impunidade, corrupção, homicídios, tráfico e outros crimes vão diminuindo. Um abuso, também, contra quem combate a impunidade . O que aprovaram foi um conjunto de várias medidas para bandidos se vingarem de bons policiais, promotores e juízes. Aprovaram medidas para deixar o bandido feliz.

 Dia 24 de setembro: o "MaqueDiaFelizdaBandidagem", onde eles cometem o crime e recebem, de brinde, a cabeça dos mocinhos numa bandeja.

Vai ser assim

 O crime acontece. Alguém liga pro disque- denúncia e conta detalhes. Nâo pode revelar nada pessoalmente por medo de represálias que são certas. Mas Polícia e MP não podem instaurar investigação para apurar indícios de autoria exigidos para processar, porque não há indícios para começar investigação. Viram a contradição?! Você só pode procurar indícios se já tiver indícios... Enfim, acaba o disque-denúncia, mais crimes impunes e comemora o bandido feliz...

Dois policiais presenciam um assalto feito por um meliante armado e perigoso e, milagrosamente, conseguem rendê-lo. A imprensa e populares chegam e fotografam o criminoso. Pronto: nossos heróis podem ser processados e mais um bandido feliz.

O promotor denuncia um criminoso e um juiz, lacrador "garantista", entende que não há prova suficiente para a denúncia, apesar do que dizem várias testemunhas em consonância com a perícia feita e a rejeita! Promotor processado: denunciou sem justa causa. Ou o caso em o Juiz, como é diligente e preocupado com a Sociedade, recebe a denuncia. Um pedido de habeas corpus contra ele cai numa câmara "garantista" e o tribunal tranca: juiz e promotor processados em concurso de pessoas, mais um bandido feliz.

A lei é grande e tem muito mais coisas pra garantir a vingança do bandido contra os mocinhos (ah, por isso que é "garantista"?!) Mas vamos terminar apenas com a corrupção em que os bandidos possuem influentes contatos e pagam caríssimas bancas de advogados cujo cachê nem imaginamos.

Um jornal sério descobre um grande esquema de corrupção envolvendo empresários e políticos influentes. Na televisão e nos jornais e com ajuda de certos jornalistas, os criminosos e seus defensores negam tudo, dizem que tudo é mentira alegam que é perseguição, "lawfare" e mostram laudos e documentos falsos. Se o promotor der declarações que provem ao publico a culpa dos bandidos e mostrar que os documentos são falsos: será processado. Se nada disser: o terreno está preparado para trancarem por habeas corpus sem ninguém questionar, pois já induziram a imprensa e a opiniâo pública. Mais bandido feliz.

E, se apesar disso tudo houver um processo e o juiz diligentemente bloquear parte dos bens do bandido e o tribunal entender que bloqueou mais que o necessário, mesmo sendo discutível e razoável o valor bloqueado, o juiz será processado. Aaaaah! Que rico bandido feliz!

Finalmente: bandidos são vingativos mas também sabem ser gratos. Ao ver que seu dedicado defensor conseguiu processar juiz e/ou promotor, por suposta violação de prerrogativas porque, por exemplo (pode ser qualquer mimimi), indeferiu perguntas impertinentes ou respondeu a ataques do causídico, também vai comemorar com seu patrono, agora por solidariedade, e será um bandido feliz...

Enfim, viveremos uma nova era de felicidade, de alegria, e de um mundo melhor: para os bandidos, com o povo preso em suas casas com medo e torrando seu dinheiro em impostos, sem saber quem os desvia, sem ver punidos seus algozes e sem poder criticar os poderosos...

É mesmo a Lei Bandido Feliz...

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REFORMA TRIBUTÁRIA - A PROPOSTA HAULY  -  21/08/2019


REFORMA TRIBUTÁRIA
Dias atrás publiquei a minuciosa análise feita pelo Instituto Atlântico, através do pensador Paulo Rabello de Castro, da PEC 45/2019 de REFORMA TRIBUTÁRIA, defendida pelo deputado Baleia Rossi. Agora, Rabello de Castro apresenta a análise da PEC 110/2019, defendida pelo ex-deputado Luiz Carlos Hauly, a qual, diga-se de passagem, esteve próxima de ser votada, em 2018, no governo Temer. Eis alguns tópicos:


PROPOSTA HAULY
No item que trata da -FINALIDADE E METAS DA REFORMA TRIBUTÁRIA -, no texto anterior definimos que a grande FINALIDADE de uma reforma tributária é DESTRAVAR E IMPULSIONAR A ECONOMIA BRASILEIRA. Neste ponto -comparativo- há consenso. Da mesma forma há razoável convergência quanto às METAS, que devem orientar o Congresso reformador do nosso sistema tributário capenga.


TRÊS METAS
As três METAS: SIMPLIFICAÇÃO, COMPETIÇÃO E DESONERAÇÃO. O objetivo da reforma é alcançar um sistema tributário que se possa reconhecer como SIMPLES (ai entendido o conceito arquitetônico de simplicidade, segundo Frank Lloyd Wright – arquiteto norte-americano -, de que simples é aquilo que obedece ao equilíbrio do conjunto), e também ser um sistema COMPETITIVO, ou seja, eleger um conjunto de tributos que não perturbe a vantagem competitiva de quem produz e a facilidade de quem investe, usa ou consome e, finalmente, é buscar se chegar a uma carga tributária DESONERADA, portanto suportável para quem paga, aplicando-se efetivamente o princípio da capacidade contributiva, equalizando os contribuintes segundo um sistema tributário progressivo, e não regressivo como hoje se apresenta.

Se nada disso for possível, melhor manter o manicômio tributário como está porque, com este, estamos acostumados.


GRANDE ARQUITETURA DA PROPOSTA HAULY
O relator Luiz Carlos Hauly fez questão de definir e abraçar a META DE SIMPLIFICAÇÃO e dela fazer sua bandeira maior na tarefa reformista. Ele aponta nada menos do que oito categorias tributárias, de âmbito federal, que pretende eliminar na reforma (IPI, IOF, CSLL, PIS e Pasep, Cofins, Salário-educação e CIDE-combustíveis). No âmbito estadual, propõe eliminar o ICMS e, no municipal, extingue o ISS, ambos por aglutinação ao novo IBS.

Hauly também dá à PLH uma orientação “ORGÂNICA”, ao almejar uma visão de conjunto da arquitetura tributária nacional, algo de que carece a versão PBR de reforma. Organicamente, lembra Hauly, a tributação da renda deve estar na órbita FEDERAL, assim como a do consumo ficará na órbita ESTADUAL, embora incorporando vários tributos federais e municipais com fatos geradores correlatos, como faturamento, fabricação e prestação onerosa e, finalmente, a propriedade, em suas diversas modalidades, terá sua tributação situada no âmbito local, portanto, MUNICIPAL.
O percuciente Relator propõe REALINHAR o monstrengo tributário atual aos princípios dos melhores sistemas em vigor no resto do mundo, nos países mais avançados; quer que o Brasil se alinhe competitivamente às nações mais eficientes e fique em paridade com países que arrecadam sem maltratar demais os contribuintes. Concordamos e aplaudimos a preocupação do Relator em “não criar novas jabuticabas”!


ESFERA FEDERAL
Na visão de Hauly, o imposto sobre a renda pertence sobretudo à esfera federal, pois o fato gerador “renda” é a manifestação máxima do resultado produtivo de cada pessoa e da Nação como um todo (daí o conceito de produção interna bruta, ou PIB). Ao governo federal cabe acompanhar a evolução da renda de todos e de cada um, seja nas pessoas física ou jurídica; transferir renda para quem dela, justificadamente, carece; reequilibrar as rendas capturadas por regiões e localidades distintas; e harmonizar o impacto do imposto entre os que têm mais e quem tem menos ou quase nada.

Por isso, a PLH propõe manter o IR no âmbito federal, embora com arrecadação compartilhada (aspecto de que, data venia, discordamos) e, assim também, deixar com a União as tarefas de pagamentos previdenciários e assistenciais do Estado brasileiro. Para simplificar mais, Hauly incorpora a CSLL ao IRPJ, sem maiores detalhes. A PLH também deixa para a legislação complementar definir se a receita antes oriunda da CSLL, que será parte do IR, será compartilhada com Estados e Municípios. Neste caso, a partilha deveria ser objeto de alguma compensação à União, embora tal não seja discutido na PLH. Essa omissão poderá gerar controvérsia futura, embora haja solução para isso no bojo de uma oportuna redistribuição de competências tributárias que comentaremos ao final.


ESFERA ESTADUAL
Prosseguindo, a PLH enfrenta com bastante atenção o clamor por simplificação do vasto excesso de tributação, sobretudo na indústria, onde uma enorme carga recai sobre o fabricante, mas também sobre o comerciante e o prestador de serviço.

Quem ainda ousa fabricar algo no Brasil é sobrecarregado por IPI, uma excrescência tributária de origem colonial, remontando ao tributo lusitano ao ouro e à açúcar da cana, de modo semelhante ao tributo inglês ao chá e ao tabaco, nas colônias britânicas da América.

Não faz sentido a oneração da produção, tomando a industrialização como fato gerador de um imposto. Deve-se tributar o resultado da produção, se e quando positivo.
Tributa-se também o consumo, derivado da produção efetivamente comercializada. Surge daí o novel tributo, IBS, que vem de se aplicar um imposto à aquisição final de um bem (tangível ou intangível) ou de um serviço, de modo transparente e simplificado, com alíquota, se possível, uniforme. O conceito do IBS se casa perfeitamente com a noção de um tributo incidente no destino final da mercadoria ou serviço, embora se admita um compartilhamento discreto com a origem da produção. As etapas intermediárias de incidência do IBS vão gerando créditos sucessivos a quem adquire o bem ou serviço, menos para quem é o consumidor final. Este é quem paga, conforme sua capacidade de consumo.


PARTILHA CRUZADA
Os três níveis de governo – federal, estadual e municipal – repartirão entre si a arrecadação do tributo IBS, que tem a nobre incumbência de financiar toda a máquina pública e seus encargos financeiros nas três esferas de governo.
Do ponto de vista de competência constitucional, contudo, Hauly preferiu manter o IBS na esfera estadual. Mas é um imposto, essencialmente, da Federação. Sua legislação não mais derivará de cada Estado, e sim, integralmente, do Congresso Nacional. E o IBS terá sua receita compartilhada (“a partilha cruzada”) entre a União, Estados, DF e Municípios.

A arrecadação do IBS será como a taxa de condomínio que todos os brasileiros – de acordo com sua capacidade de consumo - pagarão para financiar as despesas dos três “síndicos” do edifício Brasil: os governos federal, estadual e municipal. (E haja síndicos!)

Tal compartilhamento será, de longe, o mais difícil desafio de gestão na partilha de receitas pela reforma PLH, pois nenhum ente federativo vai querer perder (todos prefeririam ganhar...). As receitas de todos os tributos zumbis serão aglutinadas no IBS. Mas, afinal, qual será a repartição justa, que não vai tirar de uns para dar a outros, que não irá gerar perdas nem ganhos extras de arrecadação aos participantes e que, portanto, se pode dizer uma PARTILHA NEUTRA? A neutralidade na partilha, face às arrecadações do novo tributo, é condição fundamental para a aceitação política do IBS. Nenhum ente federativo pode estar sequer ameaçado de perdas de receita diante da crise fiscal enfrentada por Estados e Municípios. A PROPOSTA -HAULY- pretendeu dar uma resposta objetiva para tal questionamento mas, a nosso ver, ficou a meio caminho de gerar segurança sobre a Neutralidade na repartição do IBS.

No capítulo que trata da Transição do antigo para o novo sistema, a PROPOSTA -HAULY- revela que se imaginava calcular uma determinada participação de cada ente federativo, de modo a cada um manter seu “quinhão” na arrecadação “... nos mesmos moldes dos anos anteriores, evitando-se perdas com o novo modelo”. Só que este método de repartição não chega até o nível da extração de uma Nota Fiscal Eletrônica (NFE) por qualquer empresa localizada neste ou naquele Estado ou Município. O relator preferiu, então, adotar o modelo de “convivência” entre tributos novos e moribundos que é a mesma alternativa (duvidosa) oferecida no bojo de outra proposta, a PBR.

A integralidade da análise está disponível no site (https://www.atlantico.org.br/wp-content/uploads/2019/08/Luiz-C.-Hauly-Final-Total.pdf).

 

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A POLÍTICA NO BRASIL DEFINITIVAMENTE VIROU ESQUIZOFRENIA!  -  05/08/2019

 

É apresentado ao Congresso um projeto de Lei da Liberdade Econômica que vai desburocratizar a vida do pequeno empresário, e ninguém comenta.

O Ministro da Educação apresentou um plano para o financiamento das universidades estatais com recursos da iniciativa privada, e ninguém comenta.

O mais médicos é relançado com salários variando de R$ 11.000 a R$ 15.000 e um plano de aproveitamento de 2200 médicos cubanos, e ninguém comenta.

O governo libera saques no FGTS com capacidade de injetar até R$ 30 bilhões na economia, além de ajudar a milhões de pessoas a limpar seus nome no SPC, e ninguém comenta.

A Petrobras vende parte de sua participação na BR Distribuidora por R$ 9 bilhões e deixa de ser a empresa mais endividada do mundo, e ninguém comenta.

O Salim Mattar já tem pronto o projeto de desestatização dos Correios e da Casa da Moeda, e ninguém comenta.
O Ministro Tarcísio de Freitas completa a ferrovia Norte-Sul que liga o Porto de Itaqui no Maranhão ao Porto de Santos, e ninguém comenta.

Agora, quando familiares do Presidente fazem um voo de 15 minutos de helicóptero (está errado, não deviam ter feito), o mundo vem abaixo. Quando o Presidente bate boca com o presidente da OAB (não deveria ter feito), rasgam as vestes e jogam cinzas na cabeça. Qualquer besteira que o presidente diga no café da manhã com a imprensa é um Deus-nos-acuda e vira manchete de jornal.

E o mais impressionante é que gente inteligente e preparada faz coro para denunciar o que todos já sabem, para dizer o que todo mundo já disse, para comentar o que todos já comentaram. Nenhuma originalidade. Nenhuma leitura nova. Nada. Ignoram o que importa e se concentram em detalhes absolutamente irrelevantes. Parece que estão torcendo para tudo dar errado.

Quem melhor descreveu essa marcha da insensatez foi o Alexandre Garcia, que comentou:

"É como se os passageiros de um voo estivessem torcendo para o avião cair".

Não faz o MENOR sentido.

*Publicado originalmente em https://www.blogvarzeapaulista.com
 

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FORO DE SÃO PAULO EM CARACAS: O QUE VEM POR AÍ  -  14/07/2019

 

Entre os dias 25 e 28 de julho de 2019 o Foro de São Paulo (FSP) realizará seu XXV Encontro anual, desta vez na cidade de Caracas, capital da Venezuela. O lema é: "Unidade, luta, batalha e vitória", com a finalidade de produzir um Plano Comum de Luta. Antes, porém, devemos retroceder ao início do mês de junho, quando fatos bizarros e criminosos começaram a ser articulados nos subterrâneos da nefasta organização, sem que nada do que estava sendo articulado viesse a público.

Em 4 de junho, uma delegação do PT, composta por Dilma Rousseff, Gleisi Hoffmann e Mônica Valente, Secretária Executiva do PT e do FSP, encontrou-se com o primeiro vice-presidente da Duma (Parlamento russo) Ivan Melnikov e o chefe do Parlamento russo Gennady Zyuganov, para tratar de "assuntos de cooperação bilateral dos Estados, inter-parlamentar e inter-partidária". Cabe notar que nenhuma dessas três criaturas tem poder para articular qualquer "projeto de cooperação entre Estados", pois nenhuma delas ocupa cargo de chanceler no atual governo e nem mesmo são chefes de Estado, o que evidencia que o objetivo era bem outro. Dona Gleisi comunicou à Câmara Federal, onde exerce o cargo de deputada, que autorizou a "missão", mas não revelou o teor e até onde se sabe não prestou contas do que fez lá. Mônica Valente sequer foi citada pelos sites que divulgaram o fato (O Antagonista e o site da Duma), mas a reconheci pela foto. Então, fica claro que a "missão" não foi parlamentar mas do Foro de São Paulo e o objetivo era conspirar contra o governo Bolsonaro e a democracia do nosso país.

No dia 7 desse mesmo mês, o número 2 do chavismo, o presidente da inconstitucional e ilegal Assembléia Nacional Constituinte e chefe do Cartel dos Sóis, Diosdado Cabello, esteve em Havana onde se encontrou com o Secretário-Geral do Partido Comunista Cubano (PCC) e ex-ditador Raúl Castro, o "presidente" Miguel Díaz-Canel e o segundo secretário do PCC, José Ramón Machado Ventura, segundo informavam os sites cubanos e venezuelanos, para "coordenar os detalhes" do Encontro do FSP em Caracas.

Ora, em países democráticos isso seria um fato estranhíssimo, uma vez que o anfitrião não busca ajuda de outros países para "assessorá-lo" em um evento internacional, por mais amigos que sejam. Cabello nunca foi muito bem visto pela ditadura cubana – e daí porquê, sendo o presidente da Assembléia Nacional, ele não assumiu como manda a lei, a presidência da Venezuela interinamente quando Chávez morreu -, entretanto, há muita coisa em jogo. Cabello afirmou nesse encontro que "Cuba e Venezuela vão como uma só equipe", ao que Díaz-Canel completou dizendo que "a traição não é uma opção" e que "seus 20.000 'colaboradores' permanecerão lá". Em resumo: Cuba entra com sua estratégia e recursos de inteligência, e Venezuela, através do Cartel dos Sóis, entra com os recursos financeiros para encontrar uma "fórmula" que preserve o ditador Maduro no poder.

Poucos dias depois desses dois eventos, que a princípio parecem casos isolados e até legítimos e inofensivos, a imprensa, através do site "The Intercept Brasil", estourou o escândalo das "conversas" havidas entre o então juiz Sergio Moro e o procurador Deltan Dallagnol, sobre os destinos dos julgados na Operação Lava Jato. Não podemos fechar os olhos ao fato de que o proprietário do site, Glen Greenwald, diz ser marido do deputado Davi Miranda do PSOL, que ocupou a vaga do ex-deputado Jean Wyllys, e que entrevistou há nada menos que um mês, o presidiário Lula da Silva, na sede da Polícia Federal, que pede ao jornalista para investigar a Lava Jato e este lhe responde: "Já estamos investigando". (Ver denúncia feita pela deputada Carla Zambelli aqui:https://twitter.com/carlazambelli17/status/1142233673405743114?s=12).

Coincidências? Não; isso não existe. O que existem são articulações bem elaboradas para detonar a pretensão de re-eleição de Donald Trump nos Estados Unidos, que tem agido com severidade contra as ditaduras da Venezuela, Cuba e Nicarágua, arruinar a reputação do ministro Sergio Moro afastando-o de seu cargo, acabar com a exitosa Operação Lava Jato, libertar Lula, destruir o governo Bolsonaro e abrigar em seu guarda-chuva delinqüentes candidatos presidenciais, como Evo Morales na Bolívia, Cristina Kirchner na Argentina e fortalecer o malfadado "acordo de paz" entre as FARC e Santos.

Segundo reza um ditado, "não está morto quem peleja" e o FSP está muito vivo, utilizando "todas as formas de luta" para reconquistar o terreno perdido. Não temos mais idade para ilusões e contos da carochinha.

*Via Observatório Latino
**Publicado originalmente em https://radiovox.org/foro-de-sao-paulo-em-caracas-o-que-vem-por-ai/
 

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GOVERNAR É MUITO COMPLICADO  -  28/05/2019

 

As mudanças contidas nas espirais do tempo apresentam variados aspectos que espelham o tipo de sociedade e o momento histórico em que se inserem, mas a essência do poder com seus embates, ganâncias, vaidades, violências, traições, invejas é sempre o mesmo. Para entender melhor o que afirmo, convido aos possíveis leitores a uma volta ao passado, onde estão as chaves da compreensão do presente.

A Constituição de 1824 incluiu, além dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, o poder Moderador, que na verdade transformava D. Pedro I em árbitro supremo dos demais poderes, sem nenhuma dependência dos mesmos, o que não impedia que persistisse o clima de empreguismo e de caça a títulos que sempre fascinaram portugueses e brasileiros.

Entretanto, nem o poder Moderador tornaria D. Pedro I imune ao fenômeno latente na América Latina: a ingovernabilidade. Isto porque, na medida em que os maiores beneficiários dos altos cargos eram portugueses, a corrente liberal dos brasileiros passou a minar a autoridade do imperador, retirando-lhe aos poucos o apoio dos senhores territoriais. A crise chegou ao auge quando ascendeu o chamado “Gabinete dos Medalhões”, acusado pelos liberais de ideologia absolutista e de “portuguesismo”. A palavra de ordem foi então obrigar D. Pedro I a reintegrar o gabinete anterior. Como ele se recusou, partiu-se para uma solução pretorianista: foi pedida a intervenção do brigadeiro Francisco de Lima e Silva, que na verdade usou a diplomacia e não a força.

Tudo terminou como se sabe e aqui não se pretende entrar nos detalhes da abdicação. O fato é que na madrugada de 7 de abril de 1831, ao imperador que proclamara a independência do Brasil e que governara amparado pelo poder Moderador, o grito de “independência ou morte” deve ter parecido uma reminiscência perdida no tempo, a reboar muito longe, sem ressonância junto ao povo, sem força diante dos novos detentores do poder. D. Pedro aprendeu que no Brasil governar é muito complicado.

Outros casos aconteceram a demonstrar a mesma coisa, mas voltemos ao momento atual. Ficou claro na recente eleição presidencial que a expressiva vitória do candidato Jair Messias Bolsonaro, que alcançou quase 58 milhões de votos, se deveu entre outros fatores ao cansaço cívico gerado pela cleptocracia petista que reinou por quase 14 anos e que, inclusive, levou o país à recessão. Amparado por um pequeno partido, sem recursos financeiros, praticamente sem tempo de televisão, o candidato Bolsonaro se fortaleceu também com um discurso voltado para valores que a esquerda destroçara.

Forças políticas desesperadas por antever perda de poder chegaram a tentar seu assassinato. Institutos de pesquisas erraram fragorosamente e decretaram que era impossível tal candidato ganhar. Mas o sistema não conseguiu evitar sua vitória, que veio através do que chamei de quinto poder, ou seja, das mídias sociais, sendo que uma de suas promessas de campanha foi não compactuar com o toma-lá-dá-cá, prática tão tradicional no Legislativo e que ficou muito evidenciada pelo mensalão instituído no governo de Lula da Silva, atualmente como presidiário.

Ao tomar posse o presidente Bolsonaro foi torpedeado por tudo que dissesse e fizesse, ridicularizado, desrespeitado. Na verdade, seu começo de mandato foi confuso e a origem disso foram influências externa e internas indevidas.

Além disso o Congresso, não como instituição em si que com os demais poderes compõe o tripé da democracia, mas com suas facções que não admitem perder privilégios e benefícios pessoais, engessaram o Executivo. De lá e de parte da mídia ressoam a palavra impeachment, apesar do governo não ter chegado a cinco meses. Dos seus alicerces fumegantes o PT e demais partidos de esquerda ou não, tramam a queda do presidente.

No momento se fala em parlamentarismo branco. De fato, amordaçado pelo Congresso, o presidente tem sofrido muitas derrotas no Legislativo que resolveu comandar a revelia do Executivo. É verdade que Bolsonaro conseguiu vencer através da recente aprovação da reforma administrativa, mas à custa da derrota do ministro Sérgio Moro que perdeu a Coaf para outro ministério. Aliás, sua luta contra a violência, o crime organizado, a injustiça, tão vitoriosa enquanto foi juiz sucumbe agora no Congresso e pela interferência de outras instituições como a OAB, o que confirma que no Brasil o crime compensa.

Estamos numa encruzilhada perigosa e precisamos ser sustentados palas forças realmente democráticas e equilibradas que existem dentro do governo. Como disse Joaquim Nabuco: “A fatalidade das revoluções é que sem os exaltados não é possível fazê-las e com eles é impossível governar”. De todo modo, o presidente Bolsonaro está aprendendo rápido que governar é muito complicado.

* Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga.

 

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O GRANDE BENEFICIADO PELO CAPITALISMO FOI O CIDADÃO COMUM, E NÃO OS RICOS E PODEROSOS  -  09/05/2019

Os ricos e poderosos nunca precisaram do capitalismo.

Responda rápido: quem realmente foi o grande beneficiado pelo capitalismo?

Se você respondeu "os ricos", você nunca estudou história.

A história nos mostra que todo o progresso industrial, todos os aperfeiçoamentos mecânicos e elétricos, todas as grandes maravilhas tecnológicas da era moderna, e todas as grandes conveniências e facilidades que hoje nos são disponíveis teriam significado relativamente pouco para os ricos e poderosos em qualquer época da história.

Por exemplo: um sistema moderno de saneamento básico, com rede de esgoto e água encanada, teria trazido benefícios adicionais para os ricos da Grécia Antiga? Dificilmente, pois eles tinham servos para lhes garantir todas essas comodidades. Os servos faziam o papel da água corrente.

Os nobres da Roma Antiga teriam maior qualidade de vida caso houvesse televisão e rádio? Improvável, pois eles podiam ter os principais músicos e atores da época fazendo apresentações exclusivas em suas mansões, como se fossem seus serventes.

Roupas manufaturadas, máquinas de lavar, microondas e supermercados? Os ricos e poderosos nunca precisaram se preocupar com essas coisas. Roupas e alimentos eram feitos e mantidos por seus serventes, que lhes entregavam tudo em mãos.

Que tal coisas mais modernas, como máquinas fotográficas ou mesmo smartphones para fazer selfies? Isso teria trazido pouquíssimos benefícios adicionais para os aristocratas da antiga, pois eles podiam simplesmente ordenar que os melhores e mais talentosos artistas do reino pintassem quadros com seus retratos e os retratos de outros membros da realeza.

Avancemos as comparações agora para o mundo moderno. Hoje, no smartphone de cada cidadão comum há inúmeros aplicativos que trazem grandes comodidades. Irei destacar dois: o GPS e os serviços de transporte, como Uber, Cabify e Lyft.

Pergunta: como exatamente os ricos e poderosos são beneficiados por um GPS e pelo Uber? Eles dificilmente precisam dessas duas comodidades, pois raramente dirigem por conta própria e ainda mais raramente pegam um taxi. Além de terem motoristas particulares, eles andam de limusines próprias e viajam de jatinhos, e possuem toda uma equipe de funcionários para esquematizar e cuidar de todos os detalhes de suas viagens.

Por outro lado, pense nos enormes benefícios que o GPS, a Uber e o Cabify trouxeram para o cidadão comum, que agora não apenas pode ir a qualquer lugar com seu próprio carro como também pode se deslocar de forma barata e luxuosa em sua própria cidade. E sem precisar de toda uma equipe de funcionários para fazer os preparativos e arranjos.

Os exemplos são inúmeros e podem ser expandidos infinitamente: desde toda a enciclopédia de informações trazidas pela internet ao cidadão comum (os ricos e poderosos nunca tiveram dificuldade de acesso à informação), passando pelas facilidades de lazer, entretenimento e cultura (hoje, você lê todos os livros em seu smartphone e assiste a todos os filmes na comodidade de sua casa, sob demanda; acesso a livros e filmes nunca foi problema para os ricos e poderosos), e culminando na fartura e na facilidade de acesso à alimentação e moradia.

Nada disso nunca foi problema para os ricos e poderosos. Já o capitalismo disponibilizou tudo para o cidadão comum.
Por isso, Ludwig von Mises sempre dizia que o capitalismo não é simplesmente produção em massa, mas sim produção em massa para satisfazer as necessidades das massas. No capitalismo, os grandes inovadores não produzem artigos caros, acessíveis apenas às classes mais altas: produzem bens baratos, que podem satisfazer as necessidades de todos.

Ao passo que, séculos atrás, toda a produção funcionava a serviço da gente abastada das cidades, existindo quase que exclusivamente para corresponder às demandas dessas classes privilegiadas, o surgimento e a expansão do capitalismo geraram a produção de artigos acessíveis a toda a população. Produção em massa para satisfazer às necessidades das massas.

Por isso, todas as grandes conquistas do capitalismo resultaram primordialmente no benefício do cidadão comum. Essas conquistas disponibilizaram para as massas confortos, luxos e conveniências que, antes, eram prerrogativa exclusiva dos ricos e poderosos.

Uma porção desproporcional dos benefícios do capitalismo, do livre mercado, da inovação, da invenção de novos produtos, do comércio e dos avanços tecnológicos vai para o cidadão comum, e não para os ricos e poderosos.
Eis o que disse Joseph Schumpeter sobre o poder do capitalismo em aprimorar o padrão de vida dos comuns:
O motor do capitalismo é, acima de tudo, um motor de produção em massa, o que inevitavelmente também significa produção para as massas. [...]

Verificar isso é fácil. Sem dúvidas, há bens e serviços disponíveis hoje ao cidadão comum atual que o próprio Luis XIV adoraria ter: por exemplo, a odontologia moderna. [...] Por outro lado, a luz elétrica não representaria um grande conforto ou dádiva para uma pessoa poderosa o suficiente para comprar um grande número de velas e ter servos para mantê-las constantemente acesas. Até mesmo a velocidade com que se viajava à época não deve ter sido objeto de grande consideração para um cavalheiro tão distinto.

Roupas fartas e baratas, fábricas de seda e algodão, sapatos, automóveis e vários outros bens são as típicas façanhas da produção capitalista. Por si sós, elas não representam aprimoramentos que mudariam enormemente a vida do homem rico e poderoso.

A Rainha Elizabeth sempre teve meias de seda. A façanha do capitalismo não consiste em fornecer mais meias de seda para as rainhas, mas sim em disponibilizá-las para as mulheres trabalhadoras em troca de quantidades de esforço continuamente decrescentes.

Apenas leia esse último parágrafo de novo. Deveríamos estar ensinando isso para as nossas crianças. No entanto, o que elas estão sendo ensinadas neste exato momento é que, sob o capitalismo, os ricos ficam cada vez mais ricos e os pobres, cada vez mais pobres. O exato oposto da realidade.

Conclusão
Progressistas que dizem que todos os ganhos de uma economia de mercado vão para os ricos são ignorantes da realidade que os cerca. Apenas pense no tanto que essas pessoas estão erradas da próxima vez que você usar seu laptop, tablet, smartphone, GPS, Spotify, ou se deslocar utilizando Uber, Lyft ou Cabify.

A única entidade que pode afetar, atrasar e atrapalhar todo esse progresso incrível, dificultando o acesso do cidadão comum a essas comodidades que melhoram seu padrão de vida, é o governo e suas políticas que destroçam a economia e o poder de compra das pessoas.

* Donald Boudreaux foi presidente da Foudation for Economic Education, leciona economia na George Mason University e é o autor do livro Hypocrites and Half-Wits.
**https://imb17.azurewebsites.net/Article.aspx?id=2646&ac=230369
***Publicado originalmente em
https://www.mises.org.br/Article.aspx?id=2646, em 10/03/2017
 

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BENEFÍCIOS DA EDUCAÇÃO CLÁSSICA (5): HERANÇA GRECO-ROMANA  -  07/05/2019


Já mencionamos de passagem em diversos artigos desta série sobre os oito benefícios fundamentais da Educação Clássica, a importância do reconhecimento da herança cultural greco-romana sobre o desenvolvimento da inteligência e do pertencimento a uma civilização. A influência greco-romana sobre o modo como vivemos em nosso país e nossa civilização é assunto para muitos milhares de páginas, estendendo-se, por exemplo, a Tecnologia (odômetro, a roda d’água e o relógio despertador), à Política (república, democracia, senado, eleições periódicas, voto), ao Direito (leis, procedimentos judiciais, terminologia jurídica), à Arte (conceitos de teoria musical, escultura, pintura), à Arquitetura e Engenharia (arcos, colunas, anfiteatros, estádios), à Literatura (poesia, narrativas, teatro), aos costumes (feriados, esportes e competições, jogos olímpicos, procissões religiosas, festas públicas, carnaval), à Ciência e à Filosofia (por herança direta), entre muitos outros.

Pela óbvia limitação de espaço e tempo, enfatizaremos neste artigo apenas um aspecto fundamental da Educação Clássica que, por si, já representa um inarredável compromisso com nossas origens: o estudo do latim.

Estudo do Latim e a formação da inteligência

O historiador argentino Rúben Calderón Bouchet (1918-2012) expôs de forma muito clara o modo como o latim é um elemento definidor de nossa civilização:

“O idioma latino, cunhado com justeza nas exigências da expressão jurídica, tem o privilégio de se adequar com precisão ao intercâmbio das ideias mais universais. É, provavelmente, a melhor língua feita para dizer tudo aquilo que os homens necessitam dizer quando se tratam de assuntos de interesse geral. Léxico de juristas, se converteu facilmente em veículo idôneo da filosofia grega e de tudo o que havia de radicalmente essencial nos helênicos. Ao ser expressado em fórmulas latinas, o pensamento grego ganhou em concisão e segurança denotativa o que perdeu, talvez, em riqueza expressiva”.

É fato que, sem conhecer a origem histórica das palavras que pronunciamos, é impossibilitada a compreensão mais profunda de seu sentido e, consequentemente, esteriliza-se toda a discussão em torno delas num oceano de confusões, ambiguidades, enganos e, no limite, engodos. Alceu Garcia, em elucidativo artigo, apresenta-nos alguns exemplos:

“JUSTIÇA SOCIAL – Justiça deriva do latim justitia, exprimindo conformidade com o Direito, não necessariamente o Direito Positivo, legislado, que pode ser, e frequentemente é, injusto (…), mas os princípios gerais derivados dos valores que formam a Ética de um determinado grupo, que antecedem e informam as leis objetivas e sua interpretação, consubstanciado no mister de dar a cada um aquilo que é seu, como diziam os juristas romanos. (…). Social vem de sociale, relativo à sociedade (do lat. societate), ou seja, uma coletividade humana. Ora, se justiça é dar a cada um o que é seu, infere-se necessariamente que a existência de mais de um indivíduo é sua condição sine qua non. (…) O adjetivo “social” é, pois, redundante e dispensável”.

O autor multiplica os exemplos, demonstrando como, a partir da origem grego-romana das palavras, expressões tão em voga nos debates públicos como “justiça social”, “política pública”, “direitos humanos”, “desigualdade social”, “lógica do capitalismo” e “direitos das minorias”, não passam de redundâncias destinadas a induzir o raciocínio a conclusões equivocadas.

Olavo de Carvalho observa que a degradação da herança linguística de um povo pode conduzir, no limite, ao seu desaparecimento:

“Mas o fato é que as nações nascem das línguas, e não estas daquelas. Por isto mesmo é impossível conservar um senso de identidade nacional quando, à força de conformar-nos a uma atualidade sociológica criada pela mídia e pelo imperialismo cultural, abdicamos de conservar o senso de unidade histórica da língua, o qual só pode ser sustentado com base na tradição literária perpetuamente revivificada pelo ensino. (…) Ora, se o ensino da gramática rompe com a tradição literária, adaptando-se ao fato consumado sociológico determinado por fatores extranacionais e antinacionais, a tradição mesma acaba sendo rompida, o gosto literário cai, a língua se torna confusa e tosca, os debates públicos caem para o nível dos slogans brutais, o próprio nacionalismo assume o sentido de uma revolta suicida”.

George Orwell, em seu célebre artigo “Politics and the English language” (A Política e a Língua Inglesa) explica como esse uso “ligeiro” da linguagem sem o domínio do real alcance e significado das palavras representa uma solução cômoda para quem deseja apenas escrever sem realmente pensar:

“Com o uso de metáforas, símiles e expressões idiomáticas requentadas, você poupa muito esforço mental ao custo de deixar vago o seu significado, não somente para seu leitor, como para si mesmo. (…) O único objetivo de uma metáfora é conjurar uma imagem. Quando essas imagens colidem – tal como em ‘O polvo fascista emitiu seu canto de cisne…’ – dê-se por certo de que o escritor não contempla uma imagem mental dos objetos que nomeia; em outras palavras, que, de fato, não está pensando”.

O Professor mestre Ricardo Santos David, em resumo bibliográfico simples e didático, reconhece o quanto o estudo do latim é necessário para um autêntico estudo da Gramática de nosso idioma. Um trecho de significado inequívoco:

“O latim é necessário nos estudos de gramática da língua portuguesa, uma vez que é necessário compreender o significado das palavras em sua origem e terminologia, e a partir disto melhor compreende também os significados do sistema linguístico cultural brasileiro”.

Para além do estudo da Gramática, Napoleão Mendes de Almeida1, no prefácio à sua “Gramática latina”, após afirmar enfaticamente e demonstrar com fatos que é totalmente falsa ideia de que o principal benefício do estudo do Latim seria a facilitação do aprendizado da Língua Portuguesa, explica porque é um desastroso equívoco uma concepção de Educação que exclua o estudo do Latim:

“Não encontra o pobre estudante brasileiro quem lhe prove ser o latim, dentre todas as disciplinas, a que mais favorece o desenvolvimento da inteligência. Talvez nem mesmo compreenda o significado de ‘desenvolver a inteligência’, tal a rudeza de sua mente, preocupada com outras coisas que não estudos.

O hábito da análise, o espírito de observação, a educação do raciocínio dificilmente podemos, pobres professores, conseguir de um estudante preocupado tão só com médias, com férias, com bolas, com revistas.

Muita gente há, alheia a assuntos de Educação, que se admira com ver o latim pleiteado no curso secundário, mal sabendo que ensinar não é ditar e educar não é ensinar. É ensinar dar independência de pensamento ao aluno, fazendo com que de per si progrida: o professor é guia. É educar incutir no estudante o espírito de análise, de observação, de raciocínio, capacitando-o a ir além da simples letra do texto”.

Sobre o papel do estudo do Latim no desenvolvimento da inteligência, Cheryl Lowe (1945-2017), fundadora da editora Memoria Press e da Highland Latin School, observa que os objetivos de uma disciplina estão muito além do seu conteúdo informativo, imprimindo seus princípios, métodos e fundamentos ao próprio funcionamento da mente do estudante:

“As disciplinas escolares fazem mais do que prover informação. Elas são formativas. As disciplinas formam a mente do estudante quando nela imprimem suas próprias qualidades. (…) Por exemplo, a disciplina de Literatura ensina a compreender, perceber e a compadecer-se da condição humana. A disciplina de História desenvolve o julgamento, o discernimento, o acume e a sabedoria; a disciplina de Matemática ensina a precisão e a Lógica. Analogamente, a mente do estudante educado em Latim assume as qualidades do Latim: lógica, ordem, disciplina, estrutura. O Latim exige e ensina a atenção aos detalhes, a acurácia, a paciência, a precisão e o trabalho completo e honesto”.

Esse ponto de vista é partilhado pelo Padre Milton Luís Valente, S.J.2, na introdução da obra “Ludus Primus”, onde disserta sobre o latim como requisito imperativo para estudo de uma Ciência:

“A Ciência jurídica baseia-se no Direito Romano. Estudar o Direito Romano sem conhecer o latim é absurdo.

A maioria dos termos da Medicina e de todas as Ciências Naturais é de origem latina, e decorar esses termos sem lhes penetrar a força íntima não é digno de um ser racional, muito menos de um cientista.

Por isso, costumava dizer Carlos de Laet: ‘Admitindo aos cursos superiores moços não devidamente preparados em Letras Clássicas, seria criar não médicos, mas curandeiros, ainda que peritos; não jurisconsultos, mas rábulas; não engenheiros ou arquitetos, mas simples mestres de obras’.

Mas o maior bem que vos ministra o Latim é a sólida formação preparatória para a Ciência. O que o ensino do Latim pretende em nosso ginásio é ainda aguçar a vossa inteligência, é fortalecer a vossa vontade, é desenvolver vosso espírito para, quando chegardes aos complexos problemas da Ciência, poderdes observar, raciocinar, discutir, julgar com critério e emitir com clareza vossa opinião. Assim formados, estareis aptos para seguir nas universidades os professores de qualquer Ciência em suas pesquisas e lucubrações”.

Observações finais

O estado de absoluta confusão que podemos testemunhar em todas as discussões públicas no Brasil de hoje e, especialmente, o baixíssimo nível das conversas entabuladas por brasileiros portadores de diploma de cursos superiores sobre todos os assuntos imagináveis nas redes sociais são um indício bastante claro da degradação coletiva, em massa, da inteligência em nosso país, como resultado do abandono dos estudos clássicos e do idioma Latim por nosso sistema educacional, indício ainda mais eloquente quando os comparamos com a situação de 50-60 anos atrás, quando nosso país ainda contava com excelentes escritores e oradores. A ausência das ferramentas essenciais do raciocínio impede a definição apropriada dos problemas nacionais; a ausência de definições precisas dos problemas impossibilita seu equacionamento; a falta de equacionamento reduz a uma quimera as expectativas de que um dia esses problemas verão a luz de uma solução. A esperança de melhorias efetivas em nosso país não deve recair neste ou naquele governante ou partido, cujo poder é sempre transitório, mas numa nova geração de homens e mulheres formados nos princípios da Educação Clássica, com raciocínio e inteligência refinadas, movidos por interesses muito mais elevados do que, no amargo dizer de Napoleão Mendes de Almeida, “médias, férias, bolas e revistas”. As crianças homeschoolers, educadas no amor do lar, com o coração enternecido pela fé cristã e com a inteligência forjada pela Educação Clássica representam uma grande fonte de esperança para que nosso país recupere a trilha da Verdade, da Beleza e da Justiça, com todas as consequências benéficas dela resultantes.


• Por Géssica Hellmann em Educação Clássica, Valorizando o conhecimento
1ALMEIDA, Napoleão Mendes de. Gramática latina. São Paulo: Saraiva, 2000, 29ª edição, p. 8.
2VALENTE, Pe. Milton Luís. Ludus Primus: 1ª série ginasial. Porto Alegre: Livraria Selbach, 1949, pp. 12-13.

 

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UM RAIO DE LIBERDADE  -  06/05/2019

 


Acabei de assistir a um vídeo que transita pelo território livre da Rede Mundial de Computadores, no qual o jovem jornalista Caio Copolla, na Rádio Jovem Pan de São Paulo, descreve com riquezas de detalhes o comportamento dos Deputados Federais da oposição na Comissão de Constituição de Justiça, durante a votação do projeto da nova previdência social. Citando nominalmente aquela gente da esquerda delinquente representada pelos Deputados Paulo Pimenta, Erica Kokai, Gleise Hoffmann, Clarissa Garotinho, Zeca Dirceu, Maria do Rosário e outros revela, então, o ousado teatro ou a encenação dos ordinários lutando desesperadamente para obstruir na CCJ a proposta da Reforma da Previdência. O que ele torna público em relação ao procedimento dos quadrilheiros (segundo a Operação Lava Jato) – tudo apoiado, insuflado e incensado pela extrema imprensa presente na ocasião – não constitui só mera oposição ideológica e, muito menos ainda, grave falta de decoro parlamentar. Ao contrário é, sem dúvida, uma afronta aos interesses da Nação e verdadeira violação à sobrevivência de sua sociedade. Concluiu ele, com outras palavras: “aqueles calhordas não estão nem aí para o Brasil. A obsessão deles é destruir Bolsonaro”.

Não estou falando aqui por conta de censura ou de cerceio à liberdade de expressão no Legislativo. Refiro-me ao desserviço e à trama insolente, vazia e inconsequente contra o País numa hora em que a população enfrenta um caos iminente que o levará à banca rota, caso medidas extremas não sejam urgentemente adotadas. A atitude é tão vil e criminosa que deveria estar tipificada na Lei de Segurança Nacional e é agravada sobremaneira por conta da circunstância de que aqueles servidores públicos estão se valendo do mandato popular, que o povo soberanamente a eles confiou, para traí-lo da forma mais soez e vil.

Certamente que ao caro leitor chegou a notícia que a min também foi transmitida dias atrás de que se teria visto um desses paus mandados cativos do Sistema Goebells dizer, em cadeia nacional, que ouviu numa dependência do próprio Congresso a conversa entre três parlamentares da esquerda maldita fechando questão entre eles no sentido de que trabalhariam diuturnamente objetivando não permitir que a reforma da previdência trouxesse uma economia maior que meio bilhão de reais, certos de que desta maneira Bolsonaro não se reelegeria, pois o Brasil não sairia do atoleiro em que eles mesmos o meteram. Solertemente combinavam isto e riam-se, riam-se a bandeiras despregadas. A situação é tão repugnante que o tal jornalista do telejornal, mesmo indo contra seu severo e exigente patrão não conseguiu deixar de vomitar a notícia. Depois deve ter levado uma boa reprimenda, mas já era tarde e as Redes Sociais espalharam para os quatros cantos da Nação.

Confesso que estou ficando um pouco cansado de bater firme na extrema imprensa, porém acompanho a mesma com muita atenção e estou convicto de sua má intenção e de sua falta de sinceridade de propósito. Diariamente, os doentes que a compõem dão motivo de sobra para apanhar ou para levar bordoada e o que mais me irrita é sua nojenta covardia. Nunca dizem realmente quais são suas verdadeiras intenções, isto é, a real causa de sua vindita e de seu ódio contra o Governo atual. Por que não declaram em alto e bom som seus motivos verdadeiros? Por quais razões não escrevem que nunca se conformam de estarem sendo-lhes arrancados os privilégios, as benesses e a grana que os governos civis de Sarney a Temer pagavam a todos os jornalistas, deformadores de opinião, colunistas, editores, diretores e, principalmente, aos donos dos Conglomerados das Comunicações? Por que escondem esta verdade? De sã consciência alguém acredita que se esses vermes não tivessem há mais de trinta anos sendo cevados, direta ou indiretamente, com o dinheiro público que a classe política canalha arranca dos nossos bolsos, qualquer daqueles patifes teria sobrevivido ou mesmo que viveriam como nababos, como hoje vivem? É claro que não.

Entretanto nem tudo está perdido. Como canta nosso Hino da Independência: Já raiou a liberdade, já raiou a liberdade no horizonte do Brasil! Isto mesmo! Desde outubro de 2018 e, em seguida, com a pose do novo Presidente da República e de sua equipe simplesmente surpreendentemente competente, honesta e Verde e Amarela até a medula, já podemos ver raiar um novo sol para esta “Terra Brasillis”. Percebam como a vermelhada que antes dominava livre, leve e solta e que mandava e roubava está agora acuada nos cantos dos locais aonde ainda conseguem entrar. Nada mais podem fazer senão dar vexame e se desmoralizar. O antigo establishement que a apoiava mergulhou e a imprensa hiena que deles se alimentava é sistematicamente desmentida e ridicularizada pelas “Lives” semanais do Capitão. Quem quiser se deleitar e ver esta corja do mal apanhar sem dó, basta ir para as Redes e acessar “Bolsonaro no Twitter”, toda quinta feira às 19 horas.

Além disso, nos conforta enxergar que os bons e os patriotas já têm voz. Por exemplo, é realmente reconfortante ver a independência e a coragem do jovem Caio Copolla antes mencionada, bem como as do nobre e competente jornalista Alexandre Garcia que bate sem dó nos capadócios da comunicação, muito mais do que faço e com maior autoridade também, sem falar que a todo instante nova revelação acerca de malversações ou sobre antigos ataques aos cofres públicos é por ele denunciada. No mínimo é instrutivo ouvir o que fala o velho ícone da boa imprensa. Ainda esta semana recebi um vídeo, pela Rede de Computadores, que traz seu comentário acerca da atual realidade do bando guerrilheiro que se intitula MST. Explicando que, em razão da chegada do Capitão bem como da prática de umas poucas medidas administrativas, disse que aquele movimento terrorista – com o qual o “Ogro Encarcerado” um dia bazofiou dizendo que enfrentaria até nossas Forças Armadas – em março do ano passado matou, assombrou, depredou e invadiu mais de quarenta propriedades e que nesta nova era só tentou contra uma e assim mesmo, como se sabe, de lá saiu com o rabo entre as pernas. Ouso recomendar que assistam com prazer ao vídeo que se encontra no endereço: https://www.youtube.com/watch?v=sHDQiXCU0Ok.

O Brasil se desmoralizou perante o mundo e chegou à beira do precipício por conta do domínio de uma esquerda, sobretudo incompetente e nociva. Todavia é justo por causa dessa incompetência e de sua consabida covardia que agora mais facilmente dela nos livraremos. A cada dia que passa a corda vai apertando no pescoço daquela gente do mal. A julgar pelos sinais que aqui revelo, já tenho até a esperança de ver em breve no Brasil uma nova imprensa, uma nova corrente de pensamento e, sobretudo de ver esta Nação voltar a seu berço esplendido e de ocupar o lugar de destaque que um dia teve na Comunidade de Nações Livres e Soberanas.

*Jose Mauricio de Barcellos ex Consultor Jurídico da CPRM-MME é advogado.
**Publicado originalmente no Diário do Poder
 

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HÁ VÁRIAS, MAS EIS A DIFERENÇA CRUCIAL ENTRE A BUROCRACIA ESTATAL E A ECONOMIA DE MERCADO  -  14/04/2019

 

Qual é a diferença mais notável entre o funcionamento do governo e o da economia de mercado?

Ludwig von Mises nos forneceu uma resposta surpreendente, uma resposta que ele explicou em detalhes em seu sensacional livro Liberalismo — Segundo a Tradição Clássica, publicado no longínquo ano de 1927.

Mises disse que a diferença toda estava na contabilidade, isto é, no cálculo de custos.

Dentro das burocracias não-comerciais do governo, tudo é um jogo de adivinhação. Você não sabe exatamente o quanto deve gastar em quê; você não sabe se há algum objetivo racional naquilo que você está fazendo; você não sabe se este ou aquele plano será bem-sucedido ou se irá fracassar completamente; você não sabe onde cortar gastos caso tenha de fazê-lo; e você não sabe quais seções e quais pessoas estão fazendo um bom trabalho e quais não estão.

O setor público é um setor que, inevitavelmente, por pura lógica econômica, sempre funciona às escuras, sem ter a mínima ideia do que faz, e sempre tendo de fingir que está fazendo tudo certo.

Por quê? Porque o governo não opera de acordo com os sinais de preços emitidos pelo mercado. Ele não opera segundo a lógica do sistema de lucros e prejuízos. Como ele não tem acesso aos sinais de preços, ele não é capaz de calcular lucros e prejuízos. Por conseguinte, ele não tem uma bússola que possa guiá-lo em suas ações. Ele não tem como avaliar e estimar a real valia econômica de qualquer coisa que faça. Seus investimentos nunca poderão ser feitos da maneira correta, seus serviços nunca serão prestados de maneira satisfatória, e sempre haverá desperdício de recursos e gritante ineficiência.

Esta é uma realidade inevitável. Não se trata de ideologia; é pura ciência econômica.

Em suma: o governo e seus órgãos não vendem seus serviços no mercado concorrencial para consumidores que voluntariamente optam por comprá-los, não se direcionam pelo sistema de lucros e prejuízos, e suas receitas não são auferidas de acordo com a qualidade dos seus serviços.

Por não ter esta racionalidade, as burocracias estatais sempre acabam seguindo os caprichos do governo do momento, preocupadas exclusivamente em satisfazer as demandas de políticos que visam apenas sua autopromoção e sua reeleição.

Consequentemente, as burocracias estatais sempre estarão sob os auspícios de uma gente cujo horizonte temporal é de no máximo quatro anos, e inevitavelmente se transformarão em fábricas de desperdício, ineficiência, confusão e ressentimento.

No setor privado o mundo é outro
Já nas empresas privadas que operam em ambiente de livre concorrência a situação é diferente.

No mundo do comércio, os sinais de preços emitidos pelo mercado comandam as decisões. O sistema de lucros e prejuízos mostra como os recursos escassos estão sendo empregados. Se corretamente, os consumidores recompensam as empresas propiciando-lhes grandes lucros; se erroneamente, os consumidores punem as empresas impondo-lhes prejuízos.

Uma expansão ou um corte nos investimentos é algo que será guiado pelo balancete das empresas. E, se as empresas quiserem realmente se estabelecer no mercado, ofertando bons serviços, os empregados terão de ser tratados produtores valorados, e não explorados.

Não interessa se a empresa é grande ou micro: ela estará sempre em busca da lucratividade. E a lucratividade sempre será, em última instância, determinada pela decisão voluntária dos consumidores.

Para ver como algo aparentemente simples possui ramificações muito mais complexas do que se poderia imaginar a princípio, peguemos o exemplo de um restaurante chique.

A estrutura de produção deste restaurante não se resume apenas à coordenação entre os garçons e a cozinha. É necessário haver uma administração voltada exclusivamente para o controle dos estoques de todos os alimentos e de todas as bebidas. Como não é possível saber com antecedência o que os clientes irão ordenar de seu variado menu, o estoque de alimentos e bebidas tem de ser vasto e plenamente adaptável às súbitas alterações de gosto e interesse de seus clientes.

Tal controle de estoque não seria possível de ser planejado sem preços de mercado, sem a contabilidade e sem o sistema de lucros e prejuízos.

Além da coordenação entre os chefs e os cozinheiros, e entre os cozinheiros e os garçons, a estrutura de produção deste restaurante se estende para muito além de suas paredes. A comida tem de vir de todos os cantos do mundo. Diversos meios de transporte têm de ser utilizados para fazer com que a comida chegue ao estabelecimento. Mas não é possível servir comidas e bebidas se não houver agricultura, criação de gado e plantio de ervas e temperos em lugares remotos do mundo.

E a coordenação não pára por aí. Ela ainda volta no tempo — décadas e às vezes até séculos — para as primeiras sementes plantadas nos vinhedos que produziram os vinhos, e os primeiros centeios que produziram os uísques e as demais bebidas servidas no restaurante.

E a tecnologia que possibilita tudo isso é relativamente nova, desde a refrigeração até a comunicação digital entre a cozinha e o maître.

Nada disso seria possível sem o sistema de preços, que permite a contabilidade de custos e determina se há ou não lucratividade em qualquer uma das etapas envolvidas neste processo.

Este mecanismo extraordinariamente complexo — muito mais complicado do que qualquer operação já tentada por qualquer burocracia estatal — tem de funcionar harmoniosamente para todos os clientes que aparecerem no restaurante a qualquer momento.

E se ninguém aparecer? Se isso acontecer com muita frequência, todo o investimento entra em colapso. Todo o planejamento, todos os gastos, todas as habilidades envolvidas revelar-se-ão um grande desperdício. O mercado enviou seu sinal: o empreendimento não estava empregando recursos escassos da maneira mais eficiente possível.

O que determina se este empreendimento será pujante e lucrativo ou se ele desaparecerá rapidamente é simplesmente a decisão do consumidor de comer lá ou não.

Não há ninguém apontando armas para ninguém, não há coerção, não há chantagem. Há apenas um empreendimento implorando para poder servir seus clientes.

Se você propusesse a criação de algo assim para uma pessoa que jamais houvesse visto algo parecido em operação, ela nunca iria acreditar que tal coisa pudesse funcionar. Muito menos existir.

É por tudo isso, escreveu Mises, que o cálculo monetário e a contabilidade de custos constituem as mais importantes ferramentas intelectuais do empreendedor capitalista. Mises celebrou a famosa declaração de Goethe, que havia dito que o método contábil das partidas dobradas foi "uma das mais admiráveis invenções da mente humana".

Ciclos econômicos
Uma vez vislumbrado todo este processo, fica fácil entender por que vivenciamos recorrentemente o fenômeno dos ciclos econômicos. Fica mais fácil entender por que empresas privadas muitas vezes parecem fazer coisas tão insensatas e imprudentes quanto o governo; por que elas também tomam decisões irracionais; por que elas também produzem burocracias; por que elas também seguem o capricho de políticos; por que elas também passam por ciclos de expansão e contração.

Mises explicou isso, neste mesmo livro. A causa de tudo é aquilo que ele chamou de intervencionismo. 

Quanto mais o governo regula, intromete, tributa, erige barreiras, inflaciona a moeda, confisca, proíbe e dá ordens, mais a iniciativa privada se torna sujeita à mesma irracionalidade que permanentemente assola o governo. As intervenções do governo no mercado, por menores que aparentemente sejam, provocam distúrbios no sistema de preços, afetando toda a contabilidade de custos das empresas. (Eis o mais completo e sucinto artigo sobre isso.)

As intervenções estatais podem tanto fazer com que empreendimentos insustentáveis repentinamente aparentem ser lucrativos (sem que realmente o sejam), como também pode fazer com que empreendimentos genuinamente lucrativos se tornem rapidamente insolventes.

O governo expande à iniciativa privada os mesmos males que o acometem.

A descrição feita por Mises em 1927 é interpretada hoje como se ele estivesse de posse de alguma bola de cristal. Tudo se torna mais claro assim que você passa a ver o mundo da mesma maneira que ele. Basta analisar a realidade atual.

Até 2007, estimulados pela expansão artificial do crédito feita por seus respectivos bancos centrais, os mercados imobiliários da Europa e dos EUA estavam a pleno vapor, com preços e lucros em contínua ascensão, o que gerava vários milionários por minuto. Parecia que o mundo havia entrado em uma nova era de prosperidade e de riqueza infinita para todos. E então, da noite para o dia, tudo ruiu. Várias empresas amanheceram quebradas, e bancos até então aparentemente robustos se tornaram zumbis, com seus balancetes contaminados e com as economias totalmente letárgicas (em decorrência desta contaminação dos balancetes dos bancos, que, em conseqüência, têm de restringir o crédito).

Até hoje, os governos e os bancos centrais ao redor do mundo, principalmente na Europa, ainda estão completamente perdidos. Praticamente todas as semanas, um figurão do alto escalão de algum governo ou de algum Banco Central vem a público anunciar uma nova medida intervencionista, e sempre termina seu anúncio dizendo que "agora vai!". Só que nada efetivamente avança. E quase ninguém entende por quê.

O desconhecimento das obras de Mises é algo que continuará afetando nossa prosperidade e nosso bem-estar muito mais do que você pode imaginar.


* Jeffrey Tucker é Diretor-Editorial do American Institute for Economic Research. Ele também gerencia a Vellum Capital, é Pesquisador Sênior do Austrian Economic Center in Viena, Áustria. Associado benemérito do Instituto Mises Brasil, fundador e Diretor de Liberdade do Liberty.me, consultor de companhias blockchain, ex-editor editorial da Foundation for Economic Education e Laissez Faire books, fundador do CryptoCurrency Conference e autor de diversos artigos e oito livros, publicados em 5 idiomas. Palestrante renomado sobre economia, tecnologia, filosofia social e cultura.
**Publicado em português, originalmente, em https://www.mises.org.br/Article.aspx?id=3009
 

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LONGA NOITE  -  04/01/2019



Se há uma coisa que, quanto mais você perde, menos sente falta dela, é a inteligência. Uso a palavra não no sentido vulgar de habilidadezinhas mensuráveis, mas no de percepção da realidade. Quanto menos você percebe, menos percebe que não percebe. Quase que invariavelmente, a perda vem por isso acompanhada de um sentimento de plenitude, de segurança, quase de infalibilidade. É claro: quanto mais burro você fica, menos atina com as contradições e dificuldades, e tudo lhe parece explicável em meia dúzia de palavras. Se as palavras vêm com a chancela da intelligentzia falante, então, meu filho, nada mais no mundo pode se opor à força avassaladora dos chavões que, num estalar de dedos, respondem a todas as perguntas, dirimem todas as dúvidas e instalam, com soberana tranqüilidade, o império do consenso final. Refiro-me especialmente a expressões como "desigualdade social", "diversidade", "fundamentalismo", "direitos", "extremismo", "intolerância", "tortura", "medieval", "racismo", "ditadura", "crença religiosa" e similares. O leitor pode, se quiser, completar o repertório mediante breve consulta às seções de opinião da chamada "grande imprensa". Na mais ousada das hipóteses, não passam de uns vinte ou trinta vocábulos. Existe algo, entre os céus e a terra, que esses termos não exprimam com perfeição, não expliquem nos seus mais mínimos detalhes, não transmutem em conclusões inabaláveis que só um louco ousaria contestar? Em torno deles gira a mente brasileira hoje em dia, incapaz de conceber o que quer que esteja para além do que esse exíguo vocabulário pode abranger.

Que essas certezas sejam ostentadas por pessoas que ao mesmo tempo fazem profissão-de-fé relativista e até mesmo neguem peremptoriamente a existência de verdades objetivas, eis uma prova suplementar daquilo que eu vinha dizendo: quanto menos você entende, menos entende que não entende. Ao inverso da economia, onde vigora o princípio da escassez, na esfera da inteligência rege o princípio da abundância: quanto mais falta, mais dá a impressão de que sobra. A estupidez completa, se tão sublime ideal se pudesse atingir, corresponderia assim à plena auto-satisfação universal.

O mais eloqüente indício é o fato de que, num país onde há trinta anos não se publica um romance, uma novela, uma peça de teatro que valha a pena ler, ninguém dê pela falta de uma coisa outrora tão abundante, tão rica nestas plagas, que era a – como se chamava mesmo? – "literatura". Digo que essa entidade sumiu porque – creiam – não cesso de procurá-la. Vasculho catálogos de editoras, reviro a internet em busca de sites literários, leio dezenas de obras de ficção e poesias que seus autores têm o sadismo de me enviar, e no fim das contas encontrei o quê? Nada. Tudo é monstruosamente bobo, vazio, presunçoso e escrito em língua de orangotangos. No máximo aponta aqui e ali algum talento anêmico, que para vingar precisaria ainda de muita leitura, experiência da vida e uns bons tabefes.

Mas, assim como não vejo nenhuma obra de literatura imaginativa que mereça atenção, muito menos deparo, nas resenhas de jornais e nas revistas "de cultura" que não cessam de aparecer, com alguém que se dê conta do descalabro, do supremo escândalo intelectual que é um país de quase duzentos milhões de habitantes, com uma universidade em cada esquina, sem nenhuma literatura superior. Ninguém se mostra assustado, ninguém reclama, ninguém diz um "ai". Todos parecem sentir que a casa está na mais perfeita ordem, e alguns até são loucos o bastante para acreditar que o grande sinal de saúde cultural do país são eles próprios. Pois não houve até um ministro da Cultura que assegurou estar a nossa produção cultural atravessando um dos seus momentos mais brilhantes, mais criativos? Media, decerto, pelo número de shows de funk.

Estão vendo como, no reino da inteligência, a escassez é abundância?

Mas o pior não é a penúria quantitativa.

Da Independência até os anos 70 do século XX, a história social e psicológica do Brasil aparecia, translúcida, na literatura nacional. Lendo os livros de Machado de Assis, Raul Pompéia, Lima Barreto, Antônio de Alcântara Machado, Graciliano Ramos, José Lins do Rego, Jorge Amado, Marques Rebelo, José Geraldo Vieira, Ciro dos Anjos, Octávio de Faria, Anníbal M. Machado e tantos outros, obtínhamos a imagem vívida da experiência de ser brasileiro, refletida com toda a variedade das suas manifestações regionais e epocais e com toda a complexidade das relações entre alma e História, indivíduo e sociedade.

A partir da década de 80, a literatura brasileira desaparece. A complexa e rica imagem da vida nacional que se via nas obras dos melhores escritores é então substituída por um sistema de estereótipos, vulgares e mecânicos até o desespero, infinitamente repetidos pela TV, pelo jornalismo, pelos livros didáticos e pelos discursos dos políticos.

No mesmo período, o Brasil sofreu mudanças histórico-culturais avassaladoras, que, sem o testemunho da literatura, não podem se integrar no imaginário coletivo nem muito menos tornar-se objeto de reflexão. Foram trinta anos de metamorfoses vividas em estado de sono hipnótico, talvez irrecuperáveis para sempre.

O tom de certeza definitiva com que qualquer bobagem politicamente correta se apresenta hoje como o nec plus ultra da inteligência humana jamais teria se tornado possível sem esse longo período de entorpecimento e de trevas, essa longa noite da inteligência, ao fim da qual estava perdida a simples capacidade de discernir entre o normal e o aberrante, o sensato e o absurdo, a obviedade gritante e o ilogismo impenetrável.

*Publicado originalmente em Diário do Comércio, 4 de junho de 2012

 

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GOVERNANÇA GLOBAL & DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL: O LADO NEGRO DO GLOBALISMO.  -  26/09/2018


O globalismo tem muitas faces, muitos nomes, mas em todos os casos seu objetivo é apagar as fronteiras nacionais, eliminar a soberania nacional, reduzir as identidades nacionais e avançar para a governança global através das Nações Unidas.

A União Européia é o principal exemplo dos resultados do globalismo, onde nações antes orgulhosas abdicaram de moedas famosas como o marco alemão, o franco e a lira. É onde culturas antigas como a Grécia e Roma eliminaram suas fronteiras e sepultaram suas culturas, para serem lideradas por uma União de Socialistas comprometidos tão somente com a busca [desenfreada] por mais e mais poder.

No entanto, esta busca é feita em nome da igualdade, prosperidade econômica e integridade ecológica. O globalismo é vendido para o público desavisado com palavras como livre comércio, fronteiras abertas e proteção ambiental, mas se trata na verdade de redistribuição de riqueza; a riqueza dos outros.

Se trata de eliminar as fronteiras nacionais e a soberania nacional. Trata-se de controle absoluto, não necessariamente por autoridades eleitas, mas por interesses particulares conhecidos por organizações não-governamentais (ONGs), que são sancionadas apenas pelas Nações Unidas.

O globalismo reivindica uma transformação dolorosa de nossa sociedade, longe do governo representativo e de nações independentes, para o estabelecimento de uma aldeia global com cidadãos globais. Todo o plano é descrito em detalhes na Agenda 21 da ONU, um tratado assinado pelo então presidente George Bush na Cúpula da Terra da ONU em 1992.

Você já ouviu alguns dos termos usados para implementar esse tratado. O Projeto Wildlands é um deles. Crescimento Inteligente é outro. O Projeto Wildlands prevê a "restauração da natureza selvagem" de 50% de todas as terras em todos os estados, restaurando tudo de volta ao que era antes de Cristovão Colombo pisar no continente. Em outras palavras, a eliminação da presença humana em mais de 50% da paisagem americana.

Crescimento Inteligente é o plano para reunir todos nós em áreas de habitats humanos específicos, fora dos subúrbios e de nossos belos jardins, e em cidades populosas e arranha-céus. Como um defensor do Crescimento Inteligente disse alegremente: "Serão os humanos em gaiolas, com os animais a observá-los".

Ambos os esquemas fazem parte de uma agenda geral chamada "Desenvolvimento Sustentável". Se você não se lembrar de mais nada, lembre-se dessas palavras. Desenvolvimento sustentável. E lembre-se que o Desenvolvimento Sustentável é seu inimigo.

O que é isso? Imagine uma América na qual um "princípio diretor" específico é criado para decidir a conduta social apropriada para cada cidadão. Esse princípio seria usado para ponderar tudo o que você come, o que você veste, o tipo de casa em que você mora, a maneira como você trabalha, como descarta o lixo, o número de filhos que pode ter, até mesmo suas decisões sobre educação e emprego. Esse "princípio dominante" é o desenvolvimento sustentável.

O objetivo do Desenvolvimento Sustentável é transformar o mundo em um tipo de governança feudal, tornando a NATUREZA o princípio central de organização de nossa economia e sociedade.
É isso que defende a política de Desenvolvimento Sustentável: "A natureza tem um conjunto integral de valores diferentes (cultural, espiritual e material), onde os seres humanos são uma vertente na teia da natureza, e todas as criaturas vivas são consideradas iguais. Portanto, o caminho natural é o caminho certo, e as atividades humanas devem ser moldadas ao longo dos ritmos da natureza". Esta citação vem do Tratado de Biodiversidade da ONU.

Uma agenda internacional foi posta em marcha, começando com os tratados e acordos das Nações Unidas. Essa agenda está agora se encaminhando para as políticas federais, estaduais e municipais. Agora é a política oficial do governo dos Estados Unidos, e todas as cidades, pequenas cidades e pequenos burgueses deste país estão trabalhando em planos para implementá-lo. Não há exceções.

Onde quer que você viva, há uma média de 10 a 18 Organizações Não-Governamentais (ONGs) trabalhando diretamente com seus vereadores e conselheiros eleitos em planos para sua comunidade, para determinar:

• Como sua propriedade será usada;
• Como os negócios podem operar na comunidade (na verdade, quais empresas teriam permissão de operar);
• O tipo de habitação que pode ser construído;
• Onde as estradas podem ou não ser construídas;
• Como a comida deve ser cultivada;
• Como o trabalho deve ser realizado e como seus filhos devem ser educados.

O plano é mudar seu modo de vida para se encaixar na nova sociedade global. De acordo com as políticas de Desenvolvimento Sustentável, ar condicionado, alimentos pré-prontos, habitação unifamiliar e carros estão entre os produtos, habitats e meios de transporte que já foram determinados como "insustentáveis".

Acrescente a eles, pistas de esqui, pastoreio de gado, campos arados, exploração madeireira, represas e reservatórios, e construção de linhas de energia, conforme descrito no Tratado de Biodiversidade da ONU (também um produto da Cúpula da Terra) e você pode ter uma visão completa da América sob o desenvolvimento sustentável.

Em toda esta nação, as pessoas já estão sofrendo com as políticas de desenvolvimento sustentável, pois estão perdendo suas casas, seus empregos e, em alguns casos, comunidades inteiras, sob essa transformação dolorosa de nossa sociedade em nome da aldeia global.

Nunca houve um único voto no Congresso para criar o Desenvolvimento Sustentável. Tudo é feito através da redação inteligentemente adaptada de programas e orçamentos existentes, usando os tratados da ONU como diretrizes. Está tudo camuflado sorrateiramente.

O desenvolvimento sustentável é um direito contra a propriedade, contra o livre comércio, contra a liberdade individual, contra a soberania nacional e fronteiras nacionais, contra a cultura ocidental. Não pode haver esperança de se viver em uma nação de governo limitado em companhia do Desenvolvimento Sustentável como política oficial do governo, porque os dois são diametralmente opostos.

Os americanos nunca concederiam sua liberdade à suástica, nem a foice e martelo, mas a dobrariam em um cobertor verde para proteger o meio ambiente, e jogaríamos tudo no fogo, como em uma antiquada queima de livros.

Isso é sobre o totalitarismo. Trata-se de controlar todos os aspectos de nossas vidas com decisões tomadas por comitês não eleitos que se tornarão mais poderosos e mais opressivos a cada dia que passa e a cada novo regulamento proposto por grupos de interesses particulares recém-empoderados.

• Desenvolvimento Sustentável é contra a ciência.
• É contra o conhecimento.
• É desumano.
• É o credo do selvagem insensato, que utiliza força bruta em vez de pensamento racional.

E se não aprendermos sobre o seu mal agora, se não dermos atenção ao aviso, se não tirá-lo de todos os níveis da política governamental por suas raízes mais profundas, então a vida americana, de fato a existência humana, como a conhecemos, entrará em uma nova era negra de dor e miséria, diferente de qualquer outra que já tenha sido experimentada pela humanidade.

Há uma maneira certeira de impedir o desenvolvimento sustentável e o movimento globalista. Eu digo a todos que encontro todos os dias da minha vida. Eu digo a você agora. Tire os Estados Unidos das Nações Unidas.

[*] Tom DeWeese. "The Dark Side of Globalism". The Virginia Land Rights Coalition, 22 de Janeiro de 2004.
 

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A SOBERANIA DO BRASIL E A SEGURANÇA DE NOSSAS FRONTEIRAS ESTÃO EM RISCO  -  25/08/2018

 

A reação dos cidadãos brasileiros de Pacaraima, no estado de Roraima, é totalmente justificada frente a inação do Estado em controlar a fronteira e impor limites. Como alertado, graças à Nova Lei de Imigração, não há mais qualquer controle fronteiriço. Não só não há mais restrições de entrada de imigrantes sem visto, como agora a regularização de imigrantes sem documento se tornou muito mais simples. Outro ponto muito sério, e ignorado por muitos, é que a nova Lei da Imigração criou uma série de privilégios para imigrantes.

Proposta pelo atual Ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira, a nova Lei de Imigração criou outra série de riscos à soberania brasileira. O dano não é eterno, entretanto, e pode ser revertido com um congresso mais alinhado aos interesses do brasileiro. O ideal para o brasileiro é restituir o Estatuto do Estrangeiro, a lei anterior, que era similar ao de vários países abertos, mas que preservava as proteçoes dos cidadãos natos e residentes do Brasil.

Como isso não foi possivel na época abaixo relaciono os artigos que eu teria vetado se fosse Temer:

III – não criminalização da migração;

Art. 3

III – não criminalização da migração;

A entrada no país sem documentação, ou a permanência além do tempo de estadia pré-determinado, deve ser considerada violação de lei federal sim. Este é o princípio básico de proteção da soberania nacional e da segurança dos brasileiros.

IX – igualdade de tratamento e de oportunidade ao migrante e a seus familiares;
Este inciso deve ser revisado e detalhado pois, da forma em que está, extremamente vago, permite a criação de programas sociais para o imigrante sem limites e em prioridade ao cidadão brasileiro.

X – inclusão social, laboral e produtiva do migrante por meio de políticas públicas;
Falo frequentemente sobre a ditadura de minorias. Se a criação de minorias nacionais e os planos de proteção a estes devem ser combativos, porque deveríamos proteger e incentivar a criação de minorias estrangeiras através da criação de cotas e fomento de empregos para imigrantes?

XI – acesso igualitário e livre do migrante a serviços, programas e benefícios sociais, bens públicos, educação, assistência jurídica integral pública, trabalho, moradia, serviço bancário e seguridade social;
O financiamento de serviços públicos obrigatórios, como INSS, SUS e outros, é feito pelo contribuinte brasileiro. Se falta dinheiro público para custeio pleno da saúde, previdência e educação, somente para ficar em alguns, quem pagará pelo gasto adicional gerado por imigrantes ilegais não contribuintes? Pela lei atual um imigrante que chegue ao Brasil com idade para se aposentar, e sem ter recolhido um único tostão, terá direito à aposentadoria e todos os outros benefícios. Tudo isso custeado pelos nacionais brasileiros.

XXII – repúdio a práticas de expulsão ou de deportação coletivas.
Se o Estado não pode expulsar pessoas ou grupos que o povo não acolher, o brasileiro o fará por conta própria, o que pode ser muito mais desastroso. E é isso que ocorreu em Pacaraima fim de semana passado.

Art 4.

VII – direito de associação, inclusive sindical, para fins lícitos;
Direito de associação sim, mas qual a lógica de permitir associação a sindicatos trabalhistas ao imigrante não documentado e que, por lógica, não pode trabalhar?
Desempregados venezuelanos engrossam a já extensa camada de desempregados brasileiros em Roraima.

VIII – acesso a serviços públicos de saúde e de assistência social e à previdência social, nos termos da lei, sem discriminação em razão da nacionalidade e da condição migratória;
Saúde para turistas e visitantes sempre foi garantida, mas o acesso previdenciário é um descalabro com o cidadão brasileiro e só contribui com o atual rombo da previdência.

IX – amplo acesso à justiça e à assistência jurídica integral gratuita aos que comprovarem insuficiência de recursos;
Mediante a clara insuficiência de recursos, o acesso desses serviços só deve ser garantido ao imigrante admitido como refugiado, e mesmo assim devem ser estabelecidos limites e condições que protejam o patrimônio público. Deve-se sempre garantir a dignidade humana, não privilégios.

X – direito à educação pública, vedada a discriminação em razão da nacionalidade e da condição migratória;
Não há problema em garantir o acesso a educação para crianças, independente de sua nacionalidade, desde que haja também a garantia de que não faltarão vagas aos brasileiros. O termo “vedada a discriminação” pode ser interpretado como garantia de acesso por cota ou em prioridade, e isso deve ser revisto.

XI – garantia de cumprimento de obrigações legais e contratuais trabalhistas e de aplicação das normas de proteção ao trabalhador, sem discriminação em razão da nacionalidade e da condição migratória;
Ao adquirir um visto de trabalho ou status de refugiado, o que lhe garante o direito ao trabalho legalizado, o imigrante deve sim ter garantidas obrigações legais e contratuais. Não se pode, entretanto, garantir direitos trabalhistas a um turista, que não tem direito ao trabalho, ou ao imigrante sem documentos que, por lógica, também não tem direito de vínculo trabalhista. Não se pode proteger o que é ilegal.

XII – isenção das taxas de que trata esta Lei, mediante declaração de hipossuficiência econômica, na forma de regulamento;
Isenção de taxas somente para refugiados e de acordo com cotas pré-determinadas.

Artigos 23, 24 e 25, que dispõe sobre Residente Fronteiriço, deveriam ser vetados em sua integralidade. Não se deve garantir livre-trânsito a cidadãos estrangeiros, mesmo que eles morem em região fronteiriça. A fiscalização aduaneira é o que garante o controle efetivo de nossas fronteiras. Mesmo Estados Unidos e Canadá, que não exigem visto de turismo um do outro para circulação turística, e que possuem a maior fronteira terrestre do mundo, submetem todos aqueles que cruzam as fronteiras ao escrutino de um agente alfandegário.

Na falta de alternativas legais que os defendessem, brasileiros fecham fronteira com Venezuela.

Existem outros detalhes da Lei que tem de ser revistos, mas somente os pontos listados acima já garantiriam maior blindagem ao Brasil, evitariam os problemas que vimos em Pacaraima.

*Publicado originalmente em http://lpbraganca.com.br/a-lei-de-imigracao-e-a-total-fragilidade-da-soberania-brasileira/
**Leia a lei de imigração em http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13445.htm

 

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PARA QUE SERVE A ESCOLA?  -  05/07/2018

 

É ponto pacífico, no Brasil, que a nossa educação escolar vai mal. Já estamos habituados a indicadores alarmantes. A cada três anos, o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA) nos informa que os alunos brasileiros estão entre os piores do mundo no desempenho de ciências, leitura e matemática. Confrontados com esses e outros resultados igualmente ruins, especialistas em políticas públicas educacionais apontam falhas de investimento, planejamento ou gestão.

Não restam dúvidas de que a educação escolar brasileira vem sendo, há muito tempo, mal planejada e mal gerida. Pouco se discute, porém, um outro fator, anterior, e de certo modo determinante de todos os outros. Como estabelecer metas, planejar e gerir na ausência de um consenso social a respeito do papel que o tempo passado na escola cumpre na formação de uma pessoa? Afinal, para que serve a escola? Enquanto a sociedade não for capaz de enfrentar essa questão, só conseguiremos estabelecer metas equivocadas e metodologias confusas.

Educar uma criança é criar condições para que ela desenvolva o seu potencial da maneira mais elevada possível, com autonomia e liberdade, sempre na direção do que é bom, justo e verdadeiro. Isso envolve oferecer-lhe recursos tanto para uma boa formação moral e ética, quanto para a aquisição de uma bagagem cultural e intelectual que lhe permita transcender a sua realidade imediata. A educação de princípios e valores é responsabilidade de quem participa integralmente da vida da criança, de quem a ama o suficiente para ser capaz de aceitar, com paciência, o seu temperamento, o seu ritmo pessoal, os seus limites. É em casa que a criança deve ser levada a distinguir entre o certo e o errado, a adquirir noções de respeito, a se comportar de maneira adequada e civilizada, a desenvolver capacidades como empatia, respeito pelo outro, autocontrole, disciplina. Também é função da família a orientação religiosa, quando é o caso, e a critério próprio, assim como a preparação para o exercício da vida sexual, conjugal e parental no futuro. Quando esse tipo de orientação é dado na escola, é preciso que a família esteja a par e de acordo.

A escola, por sua vez, deve garantir o acesso da criança ao conjunto de conhecimentos universais acumulados pelas gerações anteriores, e estimular o desenvolvimento de habilidades que permitam o seu manejo inteligente e pessoalizado. Esse saber está distribuído nas disciplinas que chamamos de matemática, gramática, arte, literatura, ciências, história, geografia. Desde a Antiguidade, várias gerações de gente criativa e sábia vêm se dando ao trabalho de produzí-lo e organizá-lo, para que ele possa ser transmitido aos mais jovens. É esta, portanto, a função essencial da escola: mediar o acesso do aluno a esse corpo de conhecimentos compartilhados, de modo a ampliar os seus meios de compreensão e ação no mundo. Numa perspectiva mais pragmática, a tarefa é ajudar o estudante a formar uma base intelectual sólida, a partir da qual, posteriormente, ele poderá se dedicar seja à aprendizagem de saberes técnicos avançados, seja ao estudo aprofundado das próprias disciplinas acadêmicas.

Haverá, evidentemente, contextos e situações em que as ações da família e da escola vão confluir e se sobrepor. Sendo a escola um ambiente de interação humana intensa e regulada, as relações e trocas ali ocorridas podem e devem ajudar a formar positivamente o caráter da pessoa. Por outro lado, a família também transmite, quase que naturalmente, os seus conhecimentos a respeito do mundo real e da cultura. Porém, de uma maneira geral, o que vem ocorrendo hoje em dia é uma dupla demissão. Os pais transferem à escola a responsabilidade de educar integralmente a criança. E a escola, por sua vez, vem se recusando a cumprir a sua missão tradicional de instruir.

É cada vez mais difícil encontrar uma escola efetiva e prioritariamente comprometida com o ensino das disciplinas acadêmicas. Esse problema tem uma origem. Por volta dos anos sessenta, a escola foi deixando de ser pensada como lugar de transmissão do patrimônio de conhecimentos acumulados pela nossa civilização, passando a instrumento de crítica e desconstrução de seus princípios e valores. Isso se deu como desdobramento de um movimento político e intelectual de crítica massiva aos cânones da cultura ocidental. Originado em boa parte no mundo acadêmico, esse movimento tomou forma nítida na Europa e nos Estados Unidos no final dos anos 60, com a afirmação de uma série de agendas sociais específicas como o feminismo, a liberação sexual e a exaltação das culturas minoritárias ou marginais. A maioria das pautas dessa contracultura estava ligada, de alguma forma, à Nova Esquerda.

Ao aderir ao programa da contracultura esquerdista, a escola passou então a ser compreendida mais como um espaço de questionamento e desconstrução do que de instrução. Novas gerações de educadores começaram a ser formadas não mais com o propósito de ensinar os saberes de suas áreas e sim de promover, nos alunos, por meio de uma versão politizada desses saberes, o senso de que a cultura ocidental é fonte de injustiças e precisa ser transformada. Ao mesmo tempo, a escola tornou-se um laboratório de práticas pedagógicas libertárias, que desvalorizam o rigor, o mérito, o esforço, e a autoridade do professor, princípios nos quais se assentavam os sistemas de ensino tradicionais. A crítica à escola tradicional era parte da crítica à civilização ocidental.

Da mesma forma que buscou desconstruir as balizas pedagógicas anteriores, a escola começou a avançar em domínios que sempre foram da alçada da família, como, por exemplo, a educação sexual, que se tornou matéria curricular. Nessa empreitada, porém, a escola não só não se preocupou em pedir autorização aos pais, como passou a atuar à sua revelia, não raro infantilizando-os e colocando-se frente a eles em posição de superioridade moral. Importante lembrar que a família também é um dos alvos principais do movimento de desconstrução da cultura ocidental. E que o questionamento da autoridade parental é um dos meios mais eficazes de promover o esgarçamento da estrutura familiar. Essa pressão sobre a família, que teve efeitos concretos na própria relação entre pais e filhos, pode explicar, em parte, porque tantos pais, atualmente, são incapazes de educar. E pode explicar também o fato do ambiente escolar ter se tornado tão inadequado à aprendizagem: alunos indisciplinados, irreverentes, e eventualmente agressivos, porém tratados com complacência.

A educação escolar “não-cognitiva”, como definem os próprios pedagogos, espalhou-se por todo o Ocidente. No livro “A Escola dos Bárbaros” (1987), Isabelle Stal & Françoise Thom descrevem com detalhes todos os estragos feitos pela contracultura educacional no ensino público francês. Porém, é provável que, pelo menos no que diz respeito à dimensão mais propriamente cognitiva, o estrago tenha sido menor ali do que aqui, pois a França já contava com uma tradição sólida de valorização e transmissão do conhecimento antes dos anos sessenta. A situação do Brasil é bem diferente. A escola nem bem havia se universalizado quando abraçou o ideário da desconstrução. Além disso, a cultura brasileira já apresentava traços de anti-intelectualismo bem anteriores à crise do ensino escolar. A aversão brasileira ao estudo e ao conhecimento foi brilhantemente satirizada em nossa melhor literatura. Veja-se, por exemplo, os contos “A Teoria do Medalhão” de Machado de Assis, e “A Biblioteca”, de Lima Barreto. Em resumo, o nosso anti-intelectualismo apenas se aprofundou. E, nas últimas duas décadas, drasticamente.

Nossa escola está hoje dominada por uma mentalidade que não diferencia qualitativamente um texto de Camões de uma letra de funk. Os alunos não são apresentados aos clássicos da literatura, nem encorajados a memorizar conteúdos. O mérito e o esforço não são valorizados. Mas nada disso deve nos soar estranho, se lembrarmos que a pessoa escolhida por nossos educadores influentes para ser o “patrono da educação brasileira”, nos deixou, como legado, frases do tipo: “quem aprende ensina ao aprender, quem ensina aprende ao ensinar”, ou, ainda, “não há saber de mais ou saber de menos: só há saberes diferentes”. Hoje apenas colhemos os resultados de décadas de celebração desse tipo de pensamento representado por Paulo Freire: universitários incapazes de fazer conta, interpretar um texto de mínima complexidade ou apontar a capital de um estado brasileiro. Numa escola em que aprender e ensinar são a mesma coisa, ninguém ensina e ninguém aprende.

Nos casos em que a escola consegue dar aos alunos uma boa formação intelectual, é porque ainda existem professores e diretores honestos e amantes do conhecimento. Mas uma andorinha só não faz verão, como sabemos. E as exceções, como sempre, só fazem confirmar a regra. Escolas que apostam todas as fichas na transmissão de conteúdos são, em geral, olhadas com desdém e chamadas de “conteudistas”, como se isso não fosse o esperado de uma escola. A verdade é que podemos contar nos dedos as que estão verdadeiramente empenhadas na missão de transmitir conhecimento acadêmico e estimular nos alunos o rigor e a disciplina intelectual. Na maioria das vezes, o que temos é mediocridade disfarçada sob o alegado pretexto de “formar cidadãos”. Sempre que ouço ou leio esse slogan, penso que, se um dia eu precisar da ajuda da escola para fazer de meus filhos cidadãos, terei chegado ao nível mais baixo de minha autoestima parental – e pessoal.

O fato é que as famílias das camadas médias e altas sempre podem escolher, fiscalizar, exigir conteúdo, e cobrar resultados das escolas que recolhem suas mensalidades, enquanto as de baixa renda ficam de pés e mãos atados, mesmo quando não gostam do que estão vendo. É do seu lado – ou seja, na escola pública – que a corda arrebenta. Se do ponto de vista cultural/civilizacional mais amplo a catástrofe é geral e irrestrita, no que se refere às trajetórias individuais, a demissão intelectual da escola afeta de maneira mais direta e irreversível os estudantes cujas perspectivas de vida já são, de saída, mais limitadas. Amplia-se a desvantagem dos mais pobres e aprofunda-se a desigualdade social. No momento em que a escola se recusa a cumprir a missão para a qual foi criada, perde a preciosa oportunidade de transformar justamente a vida de quem possui menos recursos para prescindir dela.


*Antropóloga, titular do excelente blog
infanciabemcuidada.com
   

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UMA GERAÇÃO DE PREDADORES  -  19/06/2018

 


Desde que me distanciei do Brasil, tenho visto a inteligência dos meus compatriotas cair para níveis que às vezes ameaçam raiar o sub-humano. Não posso medi-la pela produção literária, que veio rareando até tornar-se praticamente inexistente num país que já teve alguns dos melhores escritores do mundo. Meço-a pelas teses universitárias que me chegam, cada vez mais repletas de solecismos e contrassensos grotescos, pelos comentários de jornal, pelos pronunciamentos das chamadas "autoridades" e, de modo geral, pelas discussões públicas. Em todo esse material, o que mais salta aos olhos não é o vazio de ideias, não é a estupidez dos raciocínios, não é nem mesmo a miséria da linguagem: é a incapacidade geral de distinguir entre o essencial e o acessório, o decisivo e o irrelevante. Não há problema, não há tema, não há assunto que, uma vez trazido ao palco – ou picadeiro –, não seja infindavelmente roído pelas beiradas, como se não tivesse um centro, um significado, um sentido em torno do qual articular uma discussão coerente. Cada um que abre a boca quer externar apenas algum sentimento subjetivo deslocado e extemporâneo, exibir bom-mocismo, angariar simpatias ou votos, como se se tratasse de uma rodada de apresentações pessoais num grupo de psicoterapia e não de uma conversa sensata sobre – digamos – alguma coisa. A coisa, o objeto, o fato, o tema, este, coitado, fica esquecido num canto, como se não existisse, e depois de algum tempo cessa mesmo de existir. A impressão que me sobra é a de que toda a população legente e escrevente está sofrendo de síndrome de déficit de atenção. Ninguém consegue fixar um objeto na mente por dez segundos, a imaginação sai logo voando para os lados e tecendo, embevecida, um rendilhado de frivolidades em torno do nada.

Se me perguntarem quais são os problemas essenciais do Brasil, responderei sem a menor dificuldade:

1) A matança de brasileiros, entre quarenta e cinquenta mil por ano.

2) O consumo de drogas, que aumenta mais do que em qualquer país vizinho, e que alguns celerados pretendem aumentar ainda mais mediante a liberação do narcotráfico – o maior prêmio que as Farc poderiam receber por décadas de morticínio.

3) A absoluta ausência de educação num país cujos estudantes tiram sempre os últimos lugares nos testes internacionais, concorrendo com crianças de nações bem mais pobres; num país, mais ainda, onde se aceita como ministro da Educação um sujeito que não aprendeu a soletrar a palavra "cabeçalho" porque jamais teve cabeça, e onde se entende que a maior urgência do sistema escolar é ensinar às crianças as delícias da sodomia – sem dúvida uma solução prática para estudantes e professores, já que o exercício dessa atividade não requer conhecimentos de português, de matemática ou de coisa nenhuma exceto a localização aproximada partes anatômicas envolvidas.

4) A falta cada vez maior de mão-de-obra qualificada de nível superior, que tem de ser trazida de fora porque das universidades não vem ninguém alfabetizado.

5) A dívida monstruosa acumulada por um governo criminoso que não se vexa de estrangular as gerações vindouras para conquistar os votos da presente, e que ainda é festejado, por isso, como o salvador da economia nacional.
6) A completa impossibilidade da concorrência democrática num quadro onde governo e oposição se aliaram, com o auxílio da grande mídia e a omissão cúmplice da classe rica, para censurar e proibir qualquer discurso político que defenda os ideais e valores majoritários da população, abomináveis ao paladar da elite.

7) A debilitação alarmante da soberania nacional, já condenada à morte pela burocracia internacional em ascensão e pelo cerco continental do Foro de São Paulo (aquela entidade que até ontem nem mesmo existia, não é?).

8) A destruição completa da alta cultura, num estado catastrófico de favelização intelectual onde a função de respiradouro para a grande circulação de ideias no mundo, que caberia à classe acadêmica como um todo, é exercida praticamente por um único indivíduo, um último sobrevivente, que em retribuição leva pedradas e cuspidas por todo lado, especialmente dos plagiários e usurpadores que vivem de parasitar o seu trabalho.

Se me perguntam a causa desses oito vexames colossais, digo que é a coisa mais óbvia do mundo: quarenta anos atrás, as instituições que se gabam de ser as maiores universidades brasileiras lançaram na praça uma geração de pseudointelectuais morbidamente presunçosos, que na juventude já se pavoneavam de ser "a parcela mais esclarecida da população". Hoje essas mentes iluminadas dominam tudo – sistema educacional, partidos políticos, burocracia estatal, o diabo –, moldando o país à sua imagem e semelhança. Matança, dívidas, emburrecimento geral, debacle do ensino, é tudo mérito de um reduzido grupo de cérebros de péssima qualidade intoxicados de idéias bestas e vaidade infernal. Dentre todas as gerações de intelectuais brasileiros, a pior, a mais predatória, a mais destrutiva.

Se querem saber agora por que os temas fundamentais não podem ser enxergados e discutidos na sua essência, por que as atenções são sempre desviadas para detalhes laterais e por que, em suma, nenhum problema neste país tem solução, a resposta também não é difícil: quem molda os debates públicos, por definição, é a elite dominante, e esta não permite que nada seja discutido exceto nos moldes do seu vocabulário, dos seus interesses, da sua agenda, da sua irresponsabilidade psicótica, da sua ambição megalômana, da sua autoadoração abjeta.

Enquanto vocês não perderem o respeito por essa gente, nada de sério se poderá discutir no Brasil.

*Publicado originalmente no Diário do Comércio, 3 de junho de 2011
**Publicado, também, em
olavodecarvalho.org.
 

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NÓS TAMBÉM TEMOS HERÓIS  -  20/05/2018

Quando uma amiga francesa me disse que tinha visto uma placa alusiva à participação dos brasileiros na Primeira Guerra Mundial no jardim do Hôpital de Vaugirard em Paris, franzi a testa e a corrigi com um sorriso condescendente: “Segunda Guerra”. Ela me sorriu de volta: “Não, Primeira. Me lembro de ter visto as datas 1914-1918. Tenho certeza.”

Oi? Como assim? Nós não participamos da Primeira Guerra Mundial! Ou participamos? Vasculhei todos os cantos da minha memória procurando uma referencia sobre isso e não encontrei nenhuma. Só encontrei o sorriso dela de certeza absoluta. Constrangida com minha ignorância, me fingi de morta mas registrei mentalmente que ia checar aquela informação.

Foi assim que desci na estação de metrô Convention (linha 12) e fui caminhando pela rue Vaugirad em direção à Porte de Versailles. Cinco minutos de caminhada e cheguei ao Jardim do Hôpital de Vaugirard. O lugar é um pequeno oásis verde com uma longa alameda ladeada por gramados verdinhos, muitos bancos e árvores. Flanei pelo lugar a procura da placa e depois de alguns minutos eu a encontrei. Sim, lá estava ela. Meu francês é bem meia-boca mas deu pra entender o que estava escrito: “Aqui se ergueu o hospital franco-brasileiro dos feridos de guerra criados e mantidos pela colônia brasileira de Paris como contribuição na causa aliada 1914-1918. Placa inaugurada por ocasião do 80° aniversário da presença da Missão Médica Brasileira Especial na França.”

Gelei. Uma Missão Médica Brasileira na França na Primeira Guerra Mundial? Como eu nunca ouvi falar sobre isso? Como é que eu conheço toda a história do American Field Service, uma organização voluntária de norte-americanos para tratar os feridos durante a Primeira Guerra e nunca sequer ouvi falar de uma Missão Médica do meu próprio país? Imperdoável!

Com a ajuda do meu incansável amigo google, sentei em um dos bancos e pesquisei sobre o assunto. Descobri uma história fantástica de coragem, sacrifício e competência quando um navio brasileiro (La Plata) saiu do porto do Rio de Janeiro em 1918 iniciando uma viagem que seria, difícil, perigosa e trágica.

O perigo rondava os mares com a presença dos famigerados U-boats alemães, submarinos de alta tecnologia que afundavam qualquer barco (política da Guerra Submarina Irrestrita) militar, mercante ou de passageiros, mesmo de países neutros. Inicialmente neutro, o Brasil só se declarou em estado de guerra em outubro de 1917 posicionando-se com os Aliados (EUA, França, Grã-Bretanha) por ter tido vários navios mercantes civis brasileiros afundados pelos alemães. Sem uma marinha ou exercito preparado para conflitos da envergadura de potências belicosas como Alemanha, Rússia, EUA e Grã-Bretanha, a ajuda do Brasil para o esforço de guerra foi muito mais voltada à causa humanitária. É aí que entra a Missão Médica Militar Brasileira (MMMB).

O La Plata levava a bordo 168 brasileiros entre médicos, cirurgiões, enfermeiros e farmacêuticos voluntariados para a missão, além de alguns oficiais da marinha e exército, cujo objetivo era chegar a Marsellha e de lá seguir para Paris para instalar e operar um hospital com capacidade para 500 leitos para cuidar dos feridos da guerra.

Os franceses cederam o belo prédio de um antigo convento jesuíta na rue Vaugirard e o hospital brasileiro foi instalado ali recebendo principalmente soldados franceses classificados como “grandes feridos”. Quando a Guerra terminou no final de 1918, o hospital, considerado pelos franceses como de ponta, ainda funcionou até 1919 atendendo a população civil francesa que ainda lutava contra a pandemia da gripe espanhola que varreu a Europa naquele ano. Com a desmobilização do hospital militar, alguns médicos foram convidados a permanecer na França, mas a maioria retornou ao Brasil.
Os franceses jamais se esqueceram desse ato fraterno dos brasileiros e alí estava eu diante da prova, em frente àquela placa. Fiquei envergonhada por desconhecer essa história, que é muito mais emocionante que vocês possam imaginar. Fiquei pensando: Por que não nos falam sobre isso na escola? Por que escondem de nós os nossos heróis? Por que nos autodenominamos “terra do samba e futebol” quando somos tão mais que isso?

Estou escrevendo esse post por duas razões: a primeira é para mostrar como os franceses são gratos por nossa ajuda; a segunda é para desafiar vc a ir além da nossa mediocridade escolar. Se estiver em Paris, visite o Jardin Hôspital Vaugirard (metrô Convention), mas antes, para dar significado à sua visita, conheça essa história em detalhes em http://www.revistanavigator.com.br/navig20/art/N20_art2.pdf e também no livro “O Brasil na Primeira Guerra” de Carlos Darós (ed. Contexto).

Sim, nós também temos nossos heróis... e não são aqueles que jogam bola ou participam de reality shows.
 

Extraído do Facebook da autora.

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A MORTE DO MARXISMO  -  30/04/2018

 

Existem apenas quatro países com governos declaradamente marxistas-leninistas. Todos são governados por um partido comunista único ou hegemônico: China, Vietnã, Coréia do Norte e Cuba. O marxismo é uma teoria socioeconômica que postula basicamente a nacionalização de toda a economia, com vistas a eliminar os "donos" e a desaparecer a exploração a que estavam submetidos os seus trabalhadores. O leninismo é outra teoria, neste caso teoría política, que estabelece a necessidade de uma ditadura partidária nas sociedades marxistas para evitar o retorno dos proprietários e preservar os benefícios da nova sociedade sem "exploradores".

Assim, a união das duas teorías - marxista e leninista - conforma um sistema totalitário marxista-leninista, também chamado de comunista, porque o marxismo define esse objetivo a tais sociedades. Quando, dentro da sociedade chinesa marxista-leninista, o Partido Comunista decidiu eliminar a estatização e chamar os proprietários novamente para administrar toda a economia, de fato, materializou a morte do marxismo, mas manteve o leninismo para uso e abuso da ditadura política que havia sido estabelecida, precisamente, para evitar o retorno dos proprietários!

O promotor dessa reforma, Deng Xiaoping, se atribuiu a tarefa de justificar o injustificável: que a sociedade tenha violado o marxismo e continuado a ser marxista-leninista, e preservado o partido comunista. Cabe registrar aquí, sem entrar em detalhes, que os chineses possuem uma profusa literatura que justifica seu novo tipo de sociedade, capitalista na economia (assassinando o marxismo) e "comunista" na política (ditatorial). Como o capitalismo na economia os salvou da ruína, agora defendem tais "mudanças" apenas para conservar o poder.

O atual chefe do Partido Comunista chinês, Xi Jinping, emergiu como ideólogo e disseminador de tal esquema capitalista, misto com a ditadura comunista, e pretende estendê-lo aos países restantes (Cuba e Coreia do Norte, porque Vietnã já foi para esse esquema), onde ainda governam os partidos comunistas, a fim de manter a ditadura política. Quase resolvido o problema na Coreia do Norte, Xi agora enfatiza sua implementação em Cuba, para onde enviou o chefe vietnamita a dizer que essa é a única maneira de manter o poder.

No momento, os únicos países marxistas restantes são a Coreia do Norte e Cuba. O fracasso do marxismo, que a China constatou na década de 70 do século passado, materializa-se na Cuba castrista por uma economia absolutamente racionada de bens e serviços há mais de meio século e na Coréia do Norte, onde sucessivas faltas de alimentos matam de fome milhares de cidadãos. Portanto, não é irracional que os comunistas chineses insistam em convencer os norte-coreanos e os cubanos dos benefícios do capitalismo! As coisas na Coreia do Norte estão indo. Em Cuba permanece a incerteza.

Aparentemente, ao menos, o Partido Comunista Cubano decidiu ir para o capitalismo em sua economía, e isso revela seu fracasso econômico. Tendo fracassado o marxismo, não há justificativa para a ditadura leninista, que foi implementada precisamente para evitar "o retorno dos proprietários". Se estes, contraditoriamente, já estão sendo chamados à ilha para salvá-la, como se justifica a pura e simples ditadura política - Castrista ou Canelista?


* Traduzido do original em espanhol pelo editor do blog.

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REPOSIÇÃO DA VERDADE SOBRE A DENOMINADA “AÇÃO GRANDE OU O ROUBO DO COFRE DO ADHEMAR”  -  27/04/2018

Nota do Editor: publicado por solicitação do autor, que se declara conhecedor dos fatos.

 

 Observa-se no noticiário recente e freqüente a menção a um possível episódio que teria ocorrido em 18 de julho de 1969, no Rio de Janeiro, referente ao ex-Governador de São Paulo Adhemar de Barros.

Vencidos à época pelas forças da ordem contra o que se convencionou chamar brandamente de ação política armada que, na verdade, se identificava como agrupamentos marginais dispostos à prática de graves delitos, sob a justificativa da ação política, divulgaram eles, amplamente esse episódio à época e fizeram com que o mesmo, passasse a ser aceito como verdadeiro.

Respeitados os que nutriam sentimentos ideológicos e de resgate ou conquista dos melhores resultados para a sociedade brasileira, a verdade é que os grupos VPR, Colina e outros transformaram-se em bandos que atentavam contra a ordem pública, a vida e a segurança das pessoas.

Teriam eles certamente que se louvar na máxima maquiavélica de que os fins justificavam os meios, para assim usufruírem de uma certa aura de revolucionários contra a “opressão dos poderosos”.

Razão pela qual a história da “A Ação Grande ou o Roubo do Cofre de Adhemar” que circula na Internet ( http://www.ternuma.com.br/adhemar.htm) é realmente inverídica porque o cofre não era e nunca fora de sua propriedade.
É indispensável registrar o que vamos relatar e que precisa ganhar destaque e ser divulgado pois é a realidade do que ocorreu.

Em janeiro de 1966, Djair Ribeiro da Costa e o subscritor, eram respectivamente o Chefe e o Sub-Chefe da Casa Civil do Governador do Estado de São Paulo Adhemar de Barros com quem mantinham estreitos laços de amizade, que prosseguiram até o seu desaparecimento em março de 1969.

Essa proeminente figura da política nacional, líder reconhecido de grande visão administrativa nas sucessivas gestões no Governo do Estado de São Paulo, foi também vítima de permanente campanha de calúnias, injúrias e difamações, nas mesmas proporções de suas inegáveis qualidades.

Assim é que ao ter seus direitos políticos cassados, em 06 de junho de 1966, pelo mesmo Movimento que triunfou em 1964, ao qual emprestou seu valioso e imprescindível apoio, mais se estreitaram as relações de conhecimento dos fatos pelos seus auxiliares já mencionados, que exerceram ao longo do Governo Adhemar de Barros, diferentes cargos e funções públicas.

E foi pelo relato pessoal do amigo e companheiro Djair Ribeiro da Costa que vim a tomar conhecimento, por volta de 1970 e, em detalhes, dos fatos que estou narrando, uma vez que este continuou a trabalhar com Adhemar, mesmo depois de seu afastamento da vida pública até sua morte.

Se fosse possível nos dias de hoje buscar o “Boletim de Ocorrência” dos fatos relacionados ao chamado “Roubo do Cofre de Adhemar” poderíamos verificar que na realidade ele pertencia a dona Ana Gimol Benchimol Capriglione que nele guardava algumas jóias, objetos pessoais e valores em moeda estrangeira num total de cerca de US$ 120.000 (cento e vinte mil dólares) segundo me lembro bem de ter-me relatado Djair Ribeiro da Costa.

Nada portanto que guardasse qualquer relação com a fantasiosa quantia divulgada, que jamais existiu e só foi inventada para , de um lado, tentar desmoralizar o líder político e destacado apoiador do “ Movimento de 31 de março” e, por outro, para encobrir Ações Expropriatórias de altas quantias a exemplo da notícia divulgada recente e coincidentemente pelo jornal O Estado de S. Paulo do dia 17/05/2008 que relata o assalto ao Banco Andrade Arnaud, praticado pelo mesmo grupo, na rua Visconde da Gávea, no Rio de Janeiro, cerca de quatro meses antes do mencionado assalto ao cofre de dona Ana.

A verdade no entanto é outra, o próprio sobrinho da vítima, dona Ana Gimol Benchimol Capriglione, de nome Gustavo Buarque Schiller, já falecido, que fôra criado e residiu por muitos anos na casa de seu tio Aarão Burlamarqui Benchimol, irmão da dona Ana, teria sido o principal protagonista e artífice do cenário fabricado com a estória relatada da Ação, conforme o registro no site já referido.

É importante destacar que à época em que se deu o referido roubo do cofre de dona Ana, a mesma senhora estava residindo exatamente na casa de seu irmão Aarão, a quem solicitara por empréstimo, enquanto a sua residência encontrava-se em reforma. Portanto, no mesmo imóvel em que morara e fora criado seu sobrinho Gustavo Buarque Schiller. Conclui-se que o espaço daquela residência, seus móveis e pertences eram conhecidos do jovem Schiller, o qual, tinha livre acesso ao lugar.

Mediante esse esclarecimento, espero que o julgamento de Adhemar, nesse caso, conforme veiculado pelo referido site e amplamente divulgado na mídia nacional seja revisto, restabelecendo a verdade ao seu lugar devido, pois os fatos são outros e foram distorcidos por quem queria aparecer naqueles dias conturbados e sujeitos a qualquer tipo de interpretação e versão, sem a análise rigorosa do ocorrido que está na raíz da correta apresentação do que verdadeiramente ficou gravado nos anais históricos do período.

O mais deplorável é que, ainda hoje, por absoluta ignorância ou maldosa ingerência de interesses espúrios à nação brasileira, alguns indivíduos se utilizem dos fatos relatados, sem aquilatar sua fonte e veracidade.

* Aposentado ECA/USP

 

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LÍNGUA DUPLA E ESTRATÉGIA  -  28/03/2018

 

Os "lugares-comuns" foram assim nomeados pelos retóricos greco-romanos, que os comparavam a depósitos públicos de lixo mental, onde o mais pobre dos argumentadores poderia sempre encontrar alguma ferramenta usada que o tirasse do aperto no confronto desvantajoso com o adversário mais sábio. Cada vez que alguém lança mão de um desses utensílios para dar impressão de pensamento quando não pensou coisa nenhuma, todo mundo sai perdendo: o idioma é lesado, a inteligência aviltada, a opinião pública ludibriada. No entanto, longe de mim desprezar a força dessas velhas armas.

A potência inesgotável de lugares-comuns, clichês ou frases feitas assemelha-se à do moto-perpétuo: quanto mais gastos tanto mais persuasivos; quanto mais deslocados do assunto tanto mais eficazes. Sua maior virtude reside precisamente em desviar a discussão de um tema difícil e mal conhecido para o terreno firme das banalidades costumeiras, onde as conclusões se produzem com o automatismo fácil das secreções orgânicas. O preço, evidentemente, é escapar por completo da questão em debate — mas que importa isso a quem quer apenas dar boa impressão?

Não há hoje em dia lugar-comum mais comum do que descartar in limine qualquer alegação contra o esquerdismo sob o pretexto de que ela nasce do "ódio". Mais tipicamente: do ódio "visceral". Você diz que os comunistas promoveram os maiores genocídios da História? É "ódio visceral". Você afirma que eles criaram o Gulag e o Laogai, redes de campos de concentração que superaram as mais macabras ambições dos nazistas? "Ódio visceral". Você se queixa de que eles bloqueiam a divulgação de seus crimes? "Ódio visceral". Depois de eles repetirem isso umas centenas de vezes, você ficará parecendo mais mau do que aqueles que mataram cem milhões de seres humanos, prenderam outros tantos e hoje proíbem você de tocar no assunto. Pensando bem, você é que é um genocida, um tirano, um monstro. Eles mataram apenas uns quantos milhões de pessoas, conservando mediante prodígios de inventividade lógica uma linda auto-imagem de almas santas e bem-intencionadas. Aí vem você e, impiedosamente, rasga essa auto-imagem. Você é muito malvado, rapaz. Você não tem amor no coração.

O mais curioso é que essa rotulação venha justamente de adeptos, simpatizantes e colaboradores passivos de uma ideologia que, em família, jamais escondeu a motivação última que a movia. Ainda ressoa nesta página o conselho de Górki, escritor oficial da revolução russa, citado aqui na semana passada, que ensinava aos militantes a repulsa física ao inimigo. Talvez o leitor recorde também a observação de Brecht, de que, se os acusados dos Processos de Moscou eram inocentes, tanto mais mereciam ser fuzilados pelo bem do socialismo. Talvez conheça a declaração de Eldridge Cleaver, de que estuprar mulheres brancas é um mérito revolucionário. E talvez não tenha sumido da sua memória a fórmula de Che Guevara, que aconselhava "o ódio intransigente ao inimigo, ódio que impulsiona além das limitações naturais do ser humano e converte o guerrilheiro numa eficiente e fria máquina de matar". Mas, naturalmente, nenhum desses cavalheiros disse ou praticou essas coisas por ódio. Odiento é você, que sai contando para todo mundo que eles as disseram e praticaram.

É com base na peculiar lógica comunista dessa conclusão que, por exemplo, o Fórum Social Mundial pode ostentar a bandeira da "paz", entendendo por paz a suspensão das ações americanas no Afeganistão, que mataram umas centenas de pessoas, mas não a da ocupação chinesa no Tibete, que já matou mais de um milhão.

Quando Orwell disse que os comunistas inventaram um novo idioma no qual amor é ódio, paz é guerra, sim é não e não é sim, ele não exagerou em nada.

Duplicidade, diversionismo, camuflagem são o cerne mesmo da alma comunista. E quem quer que, discutindo com comunistas ou similares, atenha-se ao conteúdo literal de seu discurso, sem perceber que ele se destina apenas a encobrir a lógica profunda de suas ações, estará sendo feito de otário. Diga francamente o caro leitor: se um visitante, imbuído da manifesta intenção de seduzir sua esposa, começa a freqüentar sua casa sob o pretexto de jogar cartas, você acha que o melhor que tem a fazer com o intruso é empenhar-se em ganhar o jogo?

Assim procede quem, diante de organizações políticas envolvidas até a goela num movimento revolucionário continental associado ao narcotráfico, discuta com elas programas de governo e remédios para os problemas nacionais, ajudando-as a fingir uma atmosfera democrática de paz e normalidade.

Para o revolucionário, todo discurso público, sobretudo eleitoral, é apenas utensílio. Utensílio tão provisório, tão descartável quanto uma tira de papel higiênico ou uma camisinha. A conquista definitiva do poder, o controle absoluto do Estado, a destruição completa das oposições — tais são, hoje como sempre, os únicos objetivos daqueles que se dizem esquerdistas de um novo tipo, convertidos à democracia, mas continuam cúmplices do regime de Fidel Castro e usam, como se fossem instrumentos legítimos do processo democrático, as mesmas armas comunistas de sempre: incentivar e legitimar a violência das massas (denunciando histericamente a reação dos agredidos), desmantelar desde dentro e desde cima o aparato militar, policial e judiciário, manipular e alterar o sentido das leis, controlar os meios de informação, o ensino, as fontes de energia e a rede viária, fomentar o banditismo e depois culpar por ele a sociedade capitalista.

Discutir economia e administração com esses farsantes é cair num jogo sujo, é desempenhar na pantomima precisamente o papel que eles reservaram para suas futuras vítimas. Só o que cabe é desmascarar, por trás de suas alegações variadas, artificiosas e desnorteantes, a constância e a lógica implacável da sua estratégia de conquista.

Pelas mesmas razões, é inútil tentar combatê-los com acusações de corrupção banal, idênticas àquelas com que eles destroem facilmente as reputações de seus adversários. Primeiro, porque a parcela ideologicamente intoxicada do eleitorado, que constitui o contingente dos seus votantes fixos, não se escandaliza com atos desonestos cometidos por seus líderes, que lhe parecem vir em proveito da revolução. Segundo, porque a organização empenhada na luta por um objetivo geral que é mau, desonesto e pérfido em essência há de tratar sempre de ser a mais honesta possível nos detalhes instrumentais da política diária, não só para evitar problemas de percurso mas também para poder prevalecer-se de uma aparência enganosa de superioridade moral: nada mais rígido que o moralismo interno das máfias e dos partidos revolucionários. Não, a perfídia esquerdista não será jamais vencida por meio de tímidas mordidas nas beiradas. É preciso feri-la no coração, e esse coração chama-se: estratégia. Ou a desmascaramos, ou nos conformamos em vir a ser governados por um Pol-Pot, um Fidel Castro, um Ceaucescu.

 

*Publicado originalmente em O Globo, 2 de fevereiro de 2002
**Disponível, também, em http://www.olavodecarvalho.org/lingua-dupla-e-estrategia/
*** Incluído no livro “O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota”, Ed Record

 

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AS IDEIAS E AS SUAS CONSEQUÊNCIAS  -  13/03/2018

 

 

O tráfico de drogas é um negócio bilionário, tentacular e violento que se espalha pelo tecido social da mesma forma que um câncer metástico. Nenhuma, ou quase nenhuma outra atividade lícita ou ilícita, oferece a mesma rentabilidade. Em que pese a crueza da analogia, ela é perfeita, pois revela, com precisão, o modus operandi deste negócio. Qualquer análise que desconheça essa realidade pecará pela imprecisão.

Aos traficantes pouco importa os meios utilizados para atingir os seus fins. Não há, por parte deles, qualquer juízo moral. Isso ocorre porque estes agentes econômicos são estritamente racionais (1). O que lhes interessa é atingir os resultados esperados, ainda que, para isso, usem subterfúgios que, para nós, comuns do povo, seriam impensáveis, tais como o uso de gestantes na estrutura criminosa.

A possibilidade de enriquecimento quase instantâneo serve como poderoso magneto que atraí pessoas dispostas a tudo para obter lucro fácil, independentemente de qualquer juízo de valor. A constatação das motivações para o cometimento deste tipo de crime encontra guarida em incontáveis pesquisas empíricas realizadas em presídios brasileiros e no exterior.

Apontam as pesquisas que o interesse econômico, a alta rentabilidade e a pouca probabilidade de punição são importantes incentivos que levam os agentes a se aventurar no mundo da traficância (2).

O conhecimento desta realidade microeconômica, portanto, deveria ser precedente a qualquer decisão jurídica ou política sobre o tema, pois, dessa forma, evitar-se-ia a adoção de medidas com previsíveis e desastrosas consequências. Infelizmente, não foi o que ocorreu durante o julgamento do HC 143641.

No dia 20 de fevereiro deste ano, a 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal, por maioria, ao julgar HC Coletivo impetrado pelo Coletivo de Advogados em Direitos Humanos (CadHu), em favor de todas as presas grávidas e com filhos menores de 12 anos de idade, decidiu que as mulheres nessa singular situação, independentemente da verificação de outros critérios, se presas preventivamente estiverem, deverão ser colocadas em aprisionamento domiciliar, sem prejuízo de outras medidas alternativas à prisão, em prazo máximo de sessenta dias.

A decisão deve atingir de imediato, assim que implantada, aproximadamente 4,5 mil mulheres, o equivalente a 10% da totalidade da população carcerária feminina no Brasil, isso sem contar, é claro, com as mulheres que, em idênticas condições, no futuro, ao serem presas preventivamente, serão beneficiadas pelos efeitos do HC. O relator do HC, o Ministro Ricardo Lewandowski, ao votar, após fazer inúmeras digressões acerca das afrontas aos Direitos Humanos que as péssimas condições prisionais impõem às mulheres e a sua prole, decidiu: “[…]gestantes, puérperas ou mães de crianças com até 12 anos sob sua guarda ou pessoa com deficiência […]enquanto perdurar tal condição, excetuados os casos de crimes praticados por elas mediante violência ou grave ameaça, contra seus descendentes ou, ainda, em situações excepcionalíssimas, as quais deverão ser devidamente fundamentadas pelo juízes que denegarem o benefício[…]”- grifos nosso. (3)

A análise do caso concreto, a teor da decisão, em termos subjetivos e objetivos, que sempre marcou a atividade judicial em matéria de persecução criminal, deixará de ser relevante. Deverá o juiz, diante dos pedidos de prisão domiciliar, deduzidos em favor de mulheres grávidas ou com filhos infantes, conceder o benefício independentemente da análise das disposições dos artigos 282 (que trata das hipóteses de concessão de medidas diversas à prisão) e 312 (que trata das hipóteses de prisão preventiva), ambos do Código de Processo Penal.

Aliás, no que diz respeito às exceções à regra estatuída judicialmente, a decisão foi absolutamente espartana. Apenas nos casos em que a mãe praticar crimes marcados pela grave ameaça ou violência, tendo a sua descendência como vítima, ou outras hipóteses excepcionalíssimas (?), é que poderá o juiz negar o aprisionamento domiciliar.

Como decorrência da decisão, não é preciso esforço intelectual mais profundo para se perceber que, diante de tão grande oportunidade comercial, os agentes econômicos ligados ao tráfico de entorpecentes vão ajustar as suas estratégias de comercialização de drogas, recrutando, com maior frequência, “colaboradoras” que ostentem o perfil descrito no HC. No cálculo final da relação entre o custo e o beneficio de se traficar, a gravidez e a maternidade de filhos menores de doze anos serão integradas como decisivos vetores.

As consequências, como dito, são previsíveis. Dentre elas, o provável aumento da taxa de natalidade entre as mulheres que se dedicam ao crime. O tempo, senhor da razão, dirá.

Nas palavras do Conselheiro Acácio, personagem do rico universo do escritor Eça de Queiróz, figura bazófia e das obviedades ululantes: “o problema das consequências é que elas sempre vêm no fim!

Eis o atual dilema brasileiro, as consequências da decisão em breve se farão sentir nas ruas!


1. Leia-se o artigo seminal de Gary S. Becker de 1968, que demonstra com riqueza de detalhes este comportamento.
2. A literatura nacional tem sido enriquecida sobremaneira com estudos neste sentido, especialmente por parte de Pery Francisco Shikida, cujos estudos sobre sistema prisional incluem mais de dezoito anos de pesquisas e análise comportamentais em todo o pais, corroborando minuciosamente os modelos teóricos de comportamento nacional do criminoso, particularmente no caso do comércio de drogas ilícitas.
3. Disponível em:
http://portal.stf.jus.br/noticias/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=370152. Recuperado em 21 de fevereiro de 2018.

*Fábio Costapereira, Procurador de Justiça/RS e especialista em Inteligência Estratégica, e
*Luiz Marcelo Berger, Doutor e Mestre em Administração.

 

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DE INOCÊNCIA E CREDULIDADE  -  09/03/2018

 

Se Jaques Wagner fosse da Igreja Universal, teria explicação: consta que Deus costuma agraciar os obreiros do Edir Macedo com prosperidade financeira... Mas não. Ele é só um sindicalista que se tornou medalhão do PT. Como explicar, então, que tenha um imóvel avaliado em mais de R$ 10 milhões?

Ele mora simplesmente num apartamento de alto luxo, com vista para o mar, no 13º piso de um dos endereços "mais exclusivos" de Salvador, o condomínio Victory Tower. Para ter-se ideia, o prédio tem pier com saída direta para o mar.

Jaques Wagner está sendo acusado de passar a mão em R$ 83 milhões de propinas pagas por Odebrecht e OAS. Ele foi delatado em 2016 por dois ex-executivos da Odebrecht, Cláudio Melo Filho e Hilberto Silva, que contaram detalhes escabrosos da roubalheira feita nas obras da Arena Fonte Nova. Obras da Copa, entende? A investigação apurou que ele chegou a mandar entregar punhados de dinheiro na casa da própria mãe, que mora no Rio, porque na Bahia nenhum doleiro poderia lavar tanta grana.

Mas a ladainha petista é sempre a mesma! Carmelitas do PT, como Gleisi Hoffmann, Paulo Pimenta e Lindbergh Farias, acusam a PF e a Rede Globo de perseguirem o pobre rapaz. Mas, quem sabe... O preclaro Bresser Pereira já disse: é por não gostar que os pobres viajem de avião que as elites (a cujo serviço, segundo essa gente, estão a PF e a Globo) não querem o PT de volta ao governo. Não é uma boa teoria?

Mas tem uma coisa que não fecha: é o apartamento do Jaques Wagner, concreto, palpável, com escritura, valor de mercado... Isso a PF não conseguiria inventar! Será que ele também ficou rico fazendo palestras milionárias pelo mundo afora? Seria bom que essas palestras estivessem no Youtube...

Para completar, cumprindo mandado de busca e apreensão, a PF recolheu objetos no barraco de Jaques Wagner, entre os quais 15 relógios de luxo. E daí? Queriam que ele usasse relógio de camelô? Como diz Januário, o taxista, "É preciso ter coração e cérebro de mãe de bandido para acreditar na inocência dos petistas."

*    Renato Sant'Ana é Psicólogo e Bacharel em Direito.
** Publicado originalmente em www.alertatotal.net

 

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FAZENDO MINHA PARTE  -  18/01/2018

 

Mesmo não sendo advogado, semana passada redigi e enviei uma representação à primeira instância do MPF aqui no RS, pedindo providências legais sobre o flagrante descumprimento, por Dilma e Lula, do disposto no Artigo 49 de nossa Constituição, quando governantes.

O Artigo 49 da CF determina como competência exclusiva do Congresso Nacional “resolver definitivamente sobre tratados, acordos ou atos internacionais que acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional”.

A questão é elementar e pode ser compreendida com a resposta a três simples quesitos:

a) O Brasil emprestou dinheiro a países da África e América do Sul nos governos Dilma Vana Roussef e Luiz Inácio Lula da Silva? Sabe-se que a resposta é SIM.
b)Tais empréstimos a países estrangeiros foram submetidos e tiveram a aprovação do Congresso Nacional, conforme determina o Artigo 49 de nossa Constituição? Sabe-se que a reposta é NÃO.
c) Foi dada PUBLICIDADE dos CONTRATOS, de suas cláusulas até hoje secretas e detalhes, como taxas de juros subsidiadas, firmados pelos dois presidentes brasileiros, conforme determina nossa Legislação? Sabe-se que a resposta é NÃO.

Várias vezes foi noticiado que “investigações” estariam sendo feitas sobre este assunto gravíssimo, onde foram enterrados bilhões que estão nos fazendo falta agora. “Pedidos de explicações”, foram encaminhados, só resultaram em informações vagas e insuficientes. De concreto, até hoje, apenas a certeza que o Brasil jogou uma enorme quantia de dinheiro fora, por ordem de Dilma e Lula.

Moçambique é o primeiro de uma série de calotes que o BNDES levará, dentre todos os empréstimos ilegais concedidos nos governos Lula e Dilma a países da África e da América Latina sem as mínimas condições de honrarem os pagamentos.

Entre os países que dificilmente honrarão os pagamentos temos Argentina, Angola, Bolívia, Costa Rica, Equador, Gana, Honduras, Guatemala, Moçambique, Nicarágua, Panamá, Peru, República Dominicana, Venezuela, etc.

Por absurdo que possa parecer, não há informações precisas sobre o montante do abuso cometido. Consta que o valor médio de cada obra ficou em mais de um bilhão de reais e que vários dos países agraciados tiveram mais do que apenas uma intervenção.

A quantia final da orgia com o dinheiro do contribuinte brasileiro literalmente posto fora chega a muitos bilhões de reais.

Isto é muito grave, é ilegal e não pode ficar impune.

Quando receber resposta sobre o andamento da representação enviada, imediatamente informarei.

 

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LIBERAR AS DROGAS E PROIBIR AS ARMAS  -  08/01/2018

 

NOTA: Neste artigo o autor analisa os argumentos pró liberação das drogas e
faz analogias com o sistema de controle de armas existente no Brasil.


As duas tese mais queridas das ONGs que se auto intitulam dos “direitos humanos” são a liberação das drogas e a proibição das armas de fogo. Ao contrário do desarmamento civil, a questão da liberação das drogas nem sempre é assumida de forma tão explícita por todas elas.

Por exemplo, a postura da mais famosa organização desarmamentista brasileira, o Viva Rio, é bem mais discreta com relação a questão das drogas. É compreensível essa posição “low profile” diante de assunto tão polêmico. Afinal, o Viva Rio há muito deixou de ser uma Organização Não Governamental e hoje seria melhor definida como uma Organização Para-Governamental, haja visto os inúmeros encargos administrativos que assumiu no Estado do Rio de Janeiro e a presença de alguns de seus destacados membros em funções executivas nos governos estadual e federal.

Ambas as teses, do desarmamento civil e da liberação das drogas, são defendidas com argumentos falaciosos que não resistem a uma análise séria, mesmo que superficial. Na realidade, essas teses revelam mais um aspecto cultural de seus defensores que uma teoria social coerente. Não é de todo surpreendente que uma geração que cresceu nos tempos da chamada contra-cultura, da “Paz e Amor” e do “bicho grilo”, idolatrando Beatles e Jimmy Hendrix, possua entre seus membros pessoas com estas opiniões. Algumas pessoas demoram mais a amadurecer e outras nunca atingem a idade da razão.

Ambas as campanhas nunca explicitam de maneira clara seus propósitos. No caso das drogas dizem apenas que querem “descriminalizá-las” e no caso das armas dizem que querem apenas “controlá-las”. Como se ao “descriminalizar” as drogas não estivessem liberando-as para uso geral e como se já não houvesse controle suficiente sobre as armas.

Os argumentos
Os principais argumentos utilizados pelos defensores da liberação das drogas são os seguintes:

1) Cada um faz o que quer com o próprio corpo e o Estado não deve interferir nessa opção individual.
Esta postura é a síntese da ideologia liberal que muito nos agrada. Entretanto não pode ser aplicada às drogas pois estas possuem poder viciante. Ou seja: a liberdade para optar por uma droga suprime a liberdade de abandoná-la. Além disso, o dependente perde sua capacidade de discernimento e deixa de fazer o que é bom para si. Ao se tornar uma nulidade, o viciado passa a cometer crimes para sustentar o vício, desagregando a família e incomodando toda a sociedade. A experiência internacional comprova esta tese: quando o ópio foi liberado na China tornou-se um grave caso de saúde pública.

2) Muitas pessoas tomam drogas sem se viciar. Só se vicia quem quer.
De fato, algumas pessoas passam pela experiência das drogas sem se viciar. Mas mesmo essas pessoas são unânimes em afirmar que são exceção a regra. Imaginar que alguém possa passar pela experiência das drogas sem seqüelas é um grave erro. Estudos recentes mostram que a maconha vendida hoje no comércio tem dez vezes mais THC (o princípio ativo) que a erva vendida na década de 1960. Isto significa um poder viciante muito superior e indica que os traficantes executaram um eficiente trabalho de aprimoramento de seu produto. Quanto custaria aos contribuintes manter clínicas estatais gratuitas de desintoxicação para as pessoas sem recursos que sinceramente querem se livrar do vício?

3) A repressão ao uso de drogas é uma guerra impossível de ser vencida e só serve para criar novas gerações de criminosos além de custar muito caro ao Estado.
Este raciocínio apresenta duas graves falhas. Em primeiro lugar, criminosos sempre existiram e sempre foram atraídos pelas formas mais rentáveis de atividade criminosa. Imaginar que essas pessoas não seriam criminosas se não houvesse o tráfico de drogas é, no mínimo, uma doce ilusão. Isto significa que, se as drogas forem liberadas, simplesmente os traficantes irão procurar alguma outra atividade ilícita rentável o que pode ser até pior para a sociedade em geral. A segunda falha deste raciocínio é que, se ele for seguido à risca, devemos deixar de combater todos os crimes que forem difíceis (ou caros) de ser combatidos e legalizar inúmeras atividades ilícitas.

4) Morre mais gente pelo uso de drogas lícitas (tabaco e álcool) que por drogas ilícitas, por isso não há motivos para proibi-las.
Essa idéia é simplesmente ridícula. A sociedade tem feito um grande esforço para diminuir o consumo de tabaco e está sendo vitoriosa nessa luta. Devemos substituir o tabaco pela canabis? Estudos sérios mostram que a maconha possui seis vezes mais substâncias cancerígenas que o tabaco. Quanto ao álcool, como comparar bebidas milenares de alto grau de sofisticação palativa (como vinhos, conhaques e whiskys) com drogas totalmente desprovidas de outros atrativos que não sejam seus efeitos alucinógenos? E a causa de morrer menos gente com drogas ilícitas deve-se ao fato delas serem mais caras e difíceis de serem obtidas – portanto menos consumidas - duas limitações que são conseqüência da repressão e deixarão de existir com a descriminalização.

5) Descriminalizar as drogas não significa estimular seu uso.
É evidente que não. Quem estimula o uso de drogas não é o Estado ou a sociedade de um modo geral. Mas não há dúvida que a descriminalização permitirá a ídolos da contra cultura e outros usuários falarem abertamente do uso de drogas e exibir seu exemplo a milhões de jovens influenciáveis. Em outras palavras, não faltarão pessoas para estimular seu uso. Para evitar isso precisaríamos retornar com a censura aos meios de comunicação – e para censurar uma atividade agora lícita. Alguém acredita que isso seja exeqüível ou mesmo desejável?

É interessante observarmos que os mecanismos de controle sobre a venda e uso de drogas que os adeptos da descriminalização falam em adotar, são similares aos dispositivos que hoje existem para controlar a venda e uso de armas e que eles mesmos asseguram que não funcionam. Curioso, não?

Vamos agora analisar com mais detalhes os aspectos relativos ao controle do uso e venda das drogas, no caso hipotético da liberação das mesmas, e fazer uma comparação com o controle hoje existente sobre as armas de fogo.

Venda livre ou controlada?

Em primeiro lugar, todos concordam que as drogas não poderiam ser vendidas livremente (em supermercados, por exemplo) ou em qualquer quantidade. Isto implicaria no cadastramento e registro dos viciados e dos pontos de venda. Tal como é feito com as armas de fogo, o indivíduo precisaria se registrar numa delegacia especializada e obter a Certidão de Viciado (CV). Os pontos de venda também teriam que possuir um registro próprio, com mapa das vendas controlado mensalmente pela delegacia especializada.
No caso das armas, esta delegacia pertence à Polícia Civil estadual e é subordinada ao governo estadual, através da Secretaria de Segurança Pública e também aos Ministérios Justiça e da Defesa. No caso das drogas, provavelmente será utilizada a estrutura da Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Polícia Civil, que receberia um nome mais adequado a sua nova função, tal como Delegacia de Fiscalização de Entorpecentes e Afins, que permanecerá subordinada diretamente a Secretaria de Segurança Pública, mas também será subordinada a Secretaria Estadual de Saúde e, a nível federal, ao Ministério da Saúde.

Da compra de drogas

Para a compra de uma arma de fogo legal o cidadão deve provar que tem bons antecedentes, está empregado e possui residência fixa. Acreditamos que para o indivíduo que quiser obter seu CV as exigências seriam menos rigorosas. Entretanto, de alguma forma ele deverá provar que é viciado, pois do contrário, outras pessoas se cadastrariam como toxicômanos apenas para adquirir as drogas legalmente e vendê-las no mercado negro.
A quantidade de tóxico vendida, evidentemente, deverá ter algum limite, do contrário mesmo o viciado registrado poderia adquirir uma quantidade acima de suas necessidades para comercializar entre os amigos. Isto implica em criar um cadastro em nível nacional, o SINATOX – Sistema Nacional de Tóxicos, nos mesmos moldes do SINARM – Sistema Nacional de Armas, de tal forma que um viciado não possa ir para outro estado adquirir uma quantidade de droga acima do permitido.
Tal como para a compra de munição, o viciado precisaria apresentar seu CV no ponto de venda para adquirir a droga legalmente. Tal como nas lojas de armas, o vendedor registraria a venda vinculada àquele CV específico em seu Mapa de Vendas que seria recolhido e verificado mensalmente pela Delegacia de Fiscalização de Entorpecentes e Afins. Esta delegacia emitiria um relatório mensal para a Secretaria Estadual de Saúde e para o Ministério da Saúde sobre a evolução do consumo de drogas no Estado.
No caso das armas de fogo, o cidadão pode adquirir até 50 cartuchos por mês e por arma para seu consumo. Esta quantidade é mais que suficiente para a quase totalidade dos proprietários de armas e muitos só compram esta quantia a cada 5 anos para substituir a munição velha.
Já no caso do toxicômano essa questão é mais problemática. Como é sabido, o viciado precisa a cada vez de uma quantidade maior de droga para obter o mesmo efeito. Isto exigiria alguma forma de acompanhamento da evolução (ou involução) do vício que não encontra paralelo no mundo das armas para podermos comentar.

Sobre o preço das drogas

Evidentemente todas as considerações acima partem do princípio que as drogas adquiridas legalmente serão mais baratas que as ilegais. Imaginar o contrário seria simplesmente manter a situação atual de comércio ilegal.
No caso das armas, seus preços são artificialmente inflados pelo governo para restringir seu consumo nas classes menos abastadas da sociedade (consideradas mais “problemáticas”). Assim, incidem sobre elas 81% de impostos diretos (IPI e ICMS) e a taxa de registro varia de R$36,00 a R$470,00 dependendo do estado da federação, o que faz a festa de traficantes e contrabandistas. O cidadão que resiste a tentação de comprar a mesma arma pela metade do preço (ou menos) no mercado negro, o faz porque deseja estar dentro da Lei.
Não é o caso dos toxicômanos. Uma das razões que os levam ao consumo de drogas é o impulso de rebeldia – algo que não combina com nenhuma forma de controle. Assim, é de se esperar que o indivíduo que se cadastre como dependente o fará unicamente por razões econômicas.

Da variedade de drogas.

Outra questão que deve ser objeto de estudo é a variedade de drogas que o dependente poderá adquirir. Poderá um indivíduo declarar-se viciado em cocaína, heroína, maconha e êxtase, e assim adquirir a quantidade regulamentar de cada uma delas? E as drogas terão gradação de seu princípio ativo (como os remédios)? Eventualmente o Estado poderá limitar a potência das drogas legais, o que manteria um certo número de traficantes em atividade para suprir os que desejam aquele “brilho extra”. Por outro lado, se não houver restrições, as drogas ficarão cada vez mais poderosas, pois a competição entre os fornecedores fará com que eles ofereçam produtos cada vez melhores ao mercado consumidor. Poderemos um dia ver uma propaganda deste tipo: “Fume Carioquinha Extra, agora com 100mg de THC”.
Uma solução para evitar esse desenvolvimento seria estatizar a produção e a comercialização de drogas no país através da criação da DROGABRÁS.

No caso das armas de fogo, vários tipos de armas são consideradas de “uso restrito”. Os civis não têm apenas limites na quantidade de armas e munições que podem possuir, mas também têm restrições de modelos, de calibres, de funcionamento, de comprimento de cano, de capacidade de munição e de aparelhos de pontaria, entre outras restrições. Os fabricantes são fiscalizados pelo Exército Brasileiro e não podem produzir nem comercializar no país (ou exterior) nenhum tipo de arma sem autorização do Ministério da Defesa. É claro que todas essas restrições não atingem aos fora-da-lei e o mercado negro se encarrega de fornecer “aquele calibre mais potente” ou aquela “metralhadora igualzinha a que vi no cinema” aos que sentem necessidade de possuí-las e estão dispostos a pagar por isso.

O porte de drogas

Outro aspecto interessante é o porte de drogas. Ao contrário das armas, que são vendidas exclusivamente para permanecerem nas residências ou local de trabalho, não se pode imaginar as drogas consumidas apenas domesticamente. Um dos prazeres dos viciados é drogarem-se coletivamente nas “festinhas de embalo” e isto implica em transporte ou porte de drogas. Qual a quantidade que será permitida a um viciado portar e acima da qual seria considerado tráfico de drogas?
Para autorizar o Porte de Arma, os estados fazem uma série de exigências, tais como: exame psicotécnico, exame de proficiência no manejo da arma e, principalmente, uma justificativa válida. É bom lembrar que ameaças de morte ou qualquer risco de vida não é considerado uma justificativa válida para a concessão do Porte de Arma. Na prática eles só são concedidos aos cidadãos que transportam valores de terceiros, o que é lógico numa sociedade onde os bens materiais valem mais que a vida humana.
Evidentemente que o porte de drogas será autorizado muito mais facilmente, mesmo que isso implique no risco de comércio ilegal e aliciamento de menores.
Apenas como exemplo, um professor que leciona numa escola localizada numa região perigosa não é autorizado a portar uma arma para sua defesa. Mas se ele for viciado em maconha, poderá portar uma pequena quantidade de “baseados” para fumar nos intervalos das aulas e aliviar o “estresse”.

Restrições ao consumo

No caso do tabaco, a fumaça exalada pelo fumante incomoda a terceiros e os torna fumantes involuntários. Por isso acreditamos que as restrições feitas ao tabaco em alguns locais (tal como em aviões) permanecerão para as drogas que fazem fumaça, tipo maconha ou crack.
Por outro lado, drogas que não se espalham pelo ambiente não precisam ter qualquer restrição. No futuro provavelmente ouviremos um passageiro de avião pedir algo assim: “Aeromoça, a Sra. poderia apertar meu torniquete enquanto me aplico uma dose de heroína? Sabe como é, assim viajo duplamente”.

As Casas de Ópio

Evidentemente que, mesmo com essa liberalidade, ainda será necessário a existência de locais para o consumo público de drogas, as velhas Casas de Ópio que, provavelmente retornarão com uma designação mais moderna e mais politicamente correta, tal como “drogódromo”.
Os drogódromos, para funcionar, precisariam de uma licença especial e fiscalização apropriada da Secretaria Estadual de Saúde. A prefeitura daria o alvará de funcionamento após a autorização da Secretaria de Saúde, o registro no SINATOX e o atendimento às normas estabelecidas pelo Ministério da Saúde.
Este modelo segue o existente para a instalação de estandes de tiro, que precisam de licença de funcionamento da Secretaria de Segurança do estado, autorização do Serviço de Fiscalização de Produtos Controlados da Região Militar e atender as normas emitidas pelo Ministério da Defesa. Mesmo assim alguns municípios, tal como a cidade do Rio de Janeiro, negam-se a fornecer alvará de funcionamento para estandes de tiro alegando a necessidade de controlar a violência. (?!?)
Ao contrário das drogas, que podem ser consumidas em espaços confinados, as armas de fogo requerem muito espaço ou locais reforçados para serem usadas. A não existência de estandes de tiro públicos na cidade do Rio de Janeiro (e em outras) obriga os proprietários de armas a procurarem as regiões rurais infringindo duplamente a Lei: ao trafegar com a arma sem licença e ao dispará-las em local não autorizado. Como se vê, os cidadãos são obrigados a tornarem-se foras-da-lei para poderem manter um nível mínimo de proficiência no uso de uma arma.
É claro que, numa sociedade permissiva, não se esperam medidas tão arbitrárias para as instalações dos drogódromos.

Conclusões

Cremos que já ficou patente que qualquer sistema de controle de drogas não irá funcionar, tal como não funciona o controle de armas. A grande falha desses sistemas é que eles só funcionam com a anuência e colaboração dos controlados. Como vimos acima, não haverá viciados interessados em se submeter ao sistema se não for para obter drogas mais baratas, o que é um contra-senso pois o Estado não deve facilitar ou incentivar o uso de drogas.
No caso das armas de fogo, os cidadãos de bem preferem ficar dentro da Lei e voluntariamente se submetem a esta burocracia insana e custosa. As vendas no comércio legal mostram, entretanto, que este número é cada vez menor.
A Lei 9437 de 1997, tornou o ato de atirar uma atividade praticamente impossível de ser praticada sem incorrer em algum crime. Além disso, as autoridades tratam o proprietário legal de armas como se fosse bandido e seus amigos o chamam de otário. A “pá de cal” no Sistema Nacional de Armas foi lançada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, quando este falou que ia recolher todas as armas legais e indenizar com R$150,00 seus proprietários.
Deixando de lado os poucos “otários”, hoje em dia só compram armas no comércio legal aqueles cidadãos que por motivos profissionais precisam ter uma arma registrada (policiais, vigilantes, e uns poucos outros). Enquanto isso o comércio ilegal de armas prospera e à noite as quadrilhas organizadas dão espetáculos pirotécnicos disparando seus fuzis com balas traçantes por sobre a cidade do Rio de Janeiro.

Finalmente, gostaríamos de lembrar que armas salvam vidas. Conhecemos inúmeras pessoas que afirmam que escaparam de uma violência graças a presença providencial de uma arma de fogo. Todavia, não conhecemos ninguém que afirme que sua vida foi salva graças a um “baseado”.

 

* Leonardo Arruda, Diretor da Associação Nacional dos Proprietários e Comerciantes de Armas - ANPCA
** Publicado originalmente em "O Expressionista" edição de 15/abr/2003.

 

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É HORA DE DRENAR O PÂNTANO  -  22/12/2017

 

Os números da economia americana no último ano são impressionantes. A taxa de desemprego é a mais baixa em 17 anos e as bolsas batem recordes quase toda semana. Uma importante reforma tributária será finalizada esta semana e o crescimento dos já positivos índices econômicos pode ser ainda maior. Mas desde que Donald Trump foi eleito presidente dos EUA em 2016, o que mais se lê na imprensa é uma palavra só: Rússia.

Os Democratas juram por todos os santos que houve interferência da turma de Putin na eleição americana. Como e quando houve essa interferência são detalhes que ainda não foram descobertos, mesmo depois de um ano de investigações e de mais de 7 milhões de dólares gastos. Mas ainda há esperança para o partido de Hillary que, diante de um possível impeachment do bufão laranja, a esposa de Bill Clinton assuma a presidência.

Hillary Clinton, a esposa que acobertou vários casos de assédio sexual do marido ao longo dos anos, e a política queridinha das atrizes de Hollywood engajadas contra predadores sexuais, perdeu uma eleição histórica em 2016. Numa disputa que parecia ganha – algumas pesquisas davam 92% de chances de vitória para a democrata – Hillary teve uma derrota humilhante diante de um adversário polêmico, nada carismático e falastrão.

Mas o 7×1 do partido Democrata em 2016 (perderam a presidência, o Senado e a Câmara na pior derrota em 80 anos) não surpreendeu apenas o eleitorado da mulher de Bill. Mais de um ano depois do fatídico vexame eleitoral do partido de Barack Obama, impressionantes fatos começam a aparecer sobre o envolvimento do FBI com Hillary Clinton. Não veremos muitos detalhes dessa história na imprensa fã de Obama (no we can’t), mas você pode dar um Google em FBI/Robert Muller/Peter Strzok para entender a dobradinha FBI/Clinton. Enjoy! Para matar sua curiosidade, aqui o aperitivo: o FBI antes das eleições presidenciais de 2016 trabalhou para que Hillary vencesse a todo custo, blindando a ex-Secretária de Estado dos EUA das pesadas investigações sobre o famoso caso dos emails, além de alimentar a fogueira Rússia/Trump. Há companheiros ianques também, companheiros.

Pode ser que nós brasileiros estejamos acostumados com esses conluios e camaradagens, mas por aqui todos os dias vejo mais e mais americanos perplexos com a vergonhosa atuação do FBI, a mitológica polícia federal americana, na gestão do inacreditável James Comey. Está cada vez mais claro que havia uma orientação política para atenuar os crimes de Hillary Clinton enquanto se fazia investigações de araque para desgastar politicamente Donald Trump. Pense o que quiser de ambos, esta não é a função de uma instituição basilar da América como o FBI.

Um dos meus melhores amigos, um americano tão obamista que poderia até ser jornalista, está revoltadíssimo: “Detesto Trump, mas nada justifica o que foi feito com o FBI. É inaceitável um partido, qualquer um, estar acima de uma instituição que o país confiava de olhos fechados”. Assim como os milionários mimados da NFL ofenderam profundamente o povo americano com seu desrespeito explícito aos símbolos nacionais, o aparelhamento desta instituição para fins político-eleitorais tão explícitos é igualmente inaceitável para eles. Numa pesquisa recente de Harvard, 54% dos americanos disseram que há conflito de interesses no caso e que o FBI deve ser investigado. É hora de vigiar o vigilante.

Nós sabemos bem como a máquina pública pode ser usada para fins políticos bem particulares. Acabo de ler que o Ministério Público do Rio de Janeiro abriu investigação contra Bernardinho, meu ex-técnico, economista, homem sério e um patrimônio nacional. Se a acusação não causar revolta e incredulidade em você, leia novamente: campanha eleitoral antecipada por entrevistas e postagens em redes sociais que exaltam suas realizações e o que pensa sobre política e economia.

A coisa é tão surreal que esta é a primeira representação do tipo relacionada às eleições de 2018 pela PRE/RJ. A primeira! Parece que no balneário do PSOL a patrulha companheira marca homem a homem e está pronta para um ponto de bloqueio. Só de comentar o caso, vão dizer que esta coluna faz campanha antecipada também. Melhor fazer comício com a turma da MPB pra ficar livre da marcação.

Onde estavam os impolutos procuradores quando Lula, nosso flautista de Hamelin, tocava sua marcha fúnebre na UERJ no últimO dia 8? É segredo para alguém que ele está percorrendo o Brasil em campanha? Verdade seja dita, os dois líderes das pesquisas eleitorais no momento, Lula e Bolsonaro, são exatamente os dois que estão fazendo comícios quase diariamente pelo Brasil. Coincidência? Mas crime eleitoral é o post do Facebook do Bernardinho. Seria cômico se não fosse trágico um sinal destes tempos sombrios em que instituições são usadas escancaradamente para fins nada republicanos.

Enquanto pipocam manchetes pelos veículos de comunicação (mas podem chamar de caravana do Lula pelo Brasil) com apenas aspas do líder do partido que afundou o país em 13 anos, os textos esquecem de mencionar que o candidato que roda o Brasil já em campanha (TSE não curtiu essa frase) é réu em seis ações na justiça e já foi condenado em uma por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Um mal entendido, claro. Lula e seus advogados alegam que não há provas contra o ex-presidente e reclamam da rapidez da justiça, que marcou para 24 de janeiro de 2018 o julgamento em segunda instância no TRF-4. Lula é inocente mas não tem pressa em provar isso. Não se pode nem enrolar a justiça em paz mais neste país.

Como não queremos perturbar a caravana da alma mais honesta, será que podemos voltar a falar então das bombásticas declarações de Palocci, braço direito de Lula durante 30 anos, Mônica Moura, João Santana e de como fomos assaltados via empreiteiras para alimentar um projeto de poder? Sem querer incomodar, podemos mostrar José Dirceu livre, leve, solto e sambando em festas (e na nossa cara)? Já podemos voltar a falar da atuação de Rodrigo Janot, o ex-chefão da PGR (e rapaz dos olhos do PT criado com o meu e o seu dinheiro via BNDES)? Podemos voltar a mencionar o engavetamento da investigação sobre Pasadena ano passado até o finado acordo de delação premiada (ênfase no “premiada”) com Joesley Batista? Marcelo Miller, lembram? Quem está investigando o investigador?

Se o FBI teve seus dias de república das bananas ao tentar interferir nas eleições para beneficiar a poderosa máquina dos Clinton, ao menos há uma reação popular às revelações, apimentadas agora com a descoberta de que Robert Mueller, escolhido para investigar Trump de forma “independente”, montou uma equipe politicamente tão anti-Trump que até democratas começam a reconhecer sua inadequação ao cargo. Mais uma vez, o aparelhamento do Estado tenta interferir no país com uma agenda político-partidária inaceitável.

Uma das frases mais repetidas na campanha presidencial do ano passado aqui na América foi “drenar o pântano”, uma referência direta ao Estado dentro do Estado, à burocracia governamental e seus satélites que deveriam ter como missão servir o cidadão mas que, com o tempo, torna-se um monstro com vida própria, incontrolável e que um dia pode devorar o próprio país. De novo, uma realidade que sequer precisa ser explicada para um brasileiro, mas que está tirando o sono dos americanos que estão prestando atenção.

O maior desafio político das democracias atuais é, sem dúvida, parar de rodear o pântano e ignorar seus jacarés acreditando que eles só estão interessados em sapos e peixes. Crocodilos estão neste planeta há pelo menos 200 milhões de anos e não dão o menor sinal de que estão indo embora. A burocracia estatal tem a mesma capacidade de sobrevivência e uma boca ainda maior. Como ensinou Churchill, o apaziguador é aquele que alimenta o crocodilo na esperança de ser comido por último.

A excelência no esporte, como sempre aplicou Bernardinho na sua vitoriosa carreira (calma PRE/RJ, isso não é campanha, é fato), vem muito do foco e da disciplina em executar insistentemente uma ação correta mil vezes. A excelência no esporte não vem de imediatismos e soluções rápidas para problemas complexos. O Brasil está imerso num pântano há mais de 13 anos e não 13 meses como muitos querem colorir. Se quisermos sonhar com a excelência e um possível progresso para nosso país temos que primeiro nos livrar dos crocodilos do PT.


• Publicado originalmente no Estadão.
 

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A VOLTA DA DISNEYLULA  -  12/11/2017

 


Finalmente as coisas estão voltando ao normal no Brasil. Que bom que foi só um pesadelo. Lula saiu em caravana por Minas Gerais, prometendo salvar o país da elite branca e gananciosa. Que alegria voltar a ouvir isso. Por um tempo (de trevas), os brasileiros chegaram a achar que tinha sido o próprio Lula, com sua quadrilha de cupins do Estado nacional, o autor do maior assalto da história da República. Ufa... Não foi nada disso. Olha ele aí flanando livre e falando pelos cotovelos contra tudo e contra todos. Os cotovelos mais honestos do Brasil estão de volta.

Foi emocionante ouvir no rádio, na partida da caravana, a notícia de quantas cidades Lula iria percorrer, a expectativa sobre a presença de Dilma (haja coração!) e outros detalhes do grande evento – tudo comentado por um dirigente do PT, o partido mais injustiçado do presépio progressista. O grã-petista falava sozinho, sem ninguém de fora da igreja para quebrar o clima, nem para lembrar que Lula foi condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Estão vendo? Só pode ter sido um mal-entendido.

Não era a Rádio Sucupira, mas nem Odorico Paraguaçu sonhou com uma cobertura tão bonita (talvez só comparável à de São Bernardo ou à de Guarujá). Foi muito legal ouvir o dirigente do PT anunciando solene que o governador de Minas, Fernando Pimentel, estava animado com a caravana e marcharia lado a lado com Lula. Viva a revolução!
Coincidências da vida: naquele mesmo dia, o companheiro Pimentel fora apontado pela Polícia Federal como coordenador de uma quadrilha de lavagem de dinheiro em campanhas eleitorais. Troço chato, que pode acontecer com qualquer bandoleiro patriótico. Mas vejam o que é a verdadeira solidariedade: o noticiário sobre a caravana não fez nenhuma referência aos problemas do governador com a polícia. Certíssimo! Roubo é questão de foro íntimo, ninguém tem nada com isso.

E assim vai o Brasil, no embalo da caravana purificadora de Lula, acordando daquele pesadelo terrível. Felizmente essa opinião pública atenta e determinada contra a corrupção (Lula ainda vai salvar a Lava Jato) nem se lembra mais quem foi Mônica Moura. É claro que não vamos estragar esse estado sublime. Quem quiser que vá ao Google. Falando francamente, talvez João Santana nem tenha existido. Pode ter sido só mais uma invenção de João Santana. E aquelas confissões todas sobre os formidáveis assaltos ao contribuinte via empreiteiras, você sonhou. O departamento de propinas da Odebrecht foi uma criação de seu inconsciente obsceno. Aliás, quem garante que a Odebrecht existe? Onde estão as provas? Os cães passam e a caravana ladra.

Enquanto isso, os verdadeiros guardiões da democracia se desdobram. Depois de defender com unhas, dentes e flechas o mandato da companheira Dilma, a mais honesta das delinquentes, Rodrigo Janot foi o primeiro a investir contra o terrível pesadelo elitista, agindo com o açougueiro biônico para derrubar o governo do sucessor. Foi uma ação vadia, mas não se podem exigir virtuosismos numa hora dessas. O herói bilionário inventado pelo PT com dinheiro do BNDES (seu) acabou preso, e Janot desmoralizado (embora ainda solto), mas a narrativa criada foi genial: o país não foi depenado por 13 anos de PT, mas por 13 meses do Conde Drácula.

Para qualquer plateia de circo, ainda mais num jardim de infância como o Brasil, não é difícil espalhar que a culpa é do mordomo. Afinal, o que é a vida senão um grande clichê cinematográfico? Foi o mordomo quem deixou entrar os que arrancaram a Petrobras da gangue do Dirceu. Imperdoável. Como ousa extinguir o pixuleco, maior conquista trabalhista deste século? Foi também o mordomo quem abriu a porta para a equipe econômica que tirou o país da vala em menos de um ano. Pau nele!

E lá vai a caravana da DisneyLula contra a corrupção, incluindo atrações internacionais como Bono Vox – cuja vox não foi ouvida nos 13 anos de ternura do bando, período em que o papa fofo (estrela da companhia) também não mandou recadinhos policiais a Nossa Senhora Aparecida. Tem ainda Dartagnol Foratemer caçando votos com seu nojo aos políticos e a ira santa de Gabriel Predador, que só não mata presidente petista.

O pesadelo acabou, Brasil. Acorda para entregar as calças.

* Publicado originalmente na revista Época.

** Guilherme Fiuza é jornalista
 

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PREFÁCIO AO LIVRO DE MAURO ABRANCHES E VLADIMÍR PETRILÁK SOBRE A ATUAÇÃO DA KGB NO BRASIL  -  10/11/2017


* Publicado originalmente em
www.midiasemmascara.org

Condensando um zunzum que já circulava em jornais comunistas e em teses do Comitê Central do PCB, o livro do jornalista Edmar Morel, O Golpe começou em Washington, publicado pela Editora Civilização Brasileira em 1965, lançou, já no seu título, o mantra que desde então foi repetido incansavelmente em artigos, reportagens, livros, teses universitárias, filmes, especiais de TV e vídeos do YouTube: o movimento que removeu do cargo o então presidente João Goulart foi, no essencial, uma trama do governo americano, uma brutal intervenção estrangeira dos assuntos nacionais, uma manobra da CIA urdida para derrubar um governo nacionalista cujas reformas ameaçavam os interesses do capital imperialista.

A Civilização Brasileira era a maior editora comunista do país, dirigida pelo militante histórico Ênio Silveira, e Edmar Morel, tendo servido ao famigerado Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) da ditadura Vargas, soube adaptar-se rapidamente aos novos ares após a queda do ditador: ganhou do governo soviético uma viagem a Moscou, que relatou num livro de 1952. Ninguém ignora o que essas viagens significam na longa história das cooptações e recrutamentos.

Não é humanamente possível fazer a lista das publicações e produções que endossaram a tese de Edmar Morel. Praticamente nenhum jornal, canal de TV ou universidade no Brasil (e algumas no exterior) falhou em repeti-la com a constância de um devoto recitando preces jaculatórias. Mais recentemente, a tese ganhou o apoio de celebridades americanas, entre as quais Noam Chomsky, e, entre inumeráveis filmes que confirmavam a mesma versão dos acontecimentos, pelo menos um recebeu um prêmio nos EUA.

Tão vasta, contínua e prestigiosa unanimidade é de molde a desencorajar, no nascedouro, qualquer objeção que possa colocá-la em dúvida.[1]

No entanto, toda essa vistosa e idolatrada construção, em que se empenharam tantos cérebros, tantas verbas públicas e tantos patrocínios privados, é posta abaixo e reduzida a pó mediante uma simples pergunta: como é possível que a CIA tenha exercido tão profunda e avassaladora influência no curso da história nacional em 1964, se até agora não apareceu, na imensa bibliografia a respeito, o nome de um único agente daquela organização que estivesse lotado no Brasil na época? Nem unzinho só.

Como é possível tanta ação sem nenhum agente?

Inversa e complementarmente, a teoria moreliana do golpe de 1964 baseia-se na premissa — tão unânime e indiscutida quanto ela mesma — de que não havia nem séria infiltração comunista no governo João Goulart, nem o menor risco de uma revolução comunista, nem muito menos qualquer ingerência soviética nos assuntos nacionais.

A importância vital deste livro reside em que demole a porretadas esse mito, mostrando que, em contraste com a ausência total de homens da CIA operando no Brasil naquela ocasião, os agentes da KGB nas altas esferas da República eram, documentadamente, centenas, talvez milhares. O governo Goulart nunca foi senão uma ponta-de-lança do imperialismo soviético.

Mauro “Abranches” Kraenski, tradutor brasileiro residente na Polônia, que domina a língua polonesa e conhece suficientemente o idioma checo, e Vladimír Petrilák, colunista checo, não fazem aqui obra de polêmica, muito menos de acusação: lêem e resumem documentos de fontes primárias — sobretudo do serviço checo de inteligência, a StB — com extrema idoneidade científica e têm o cuidado de não sair carimbando ninguém de “agente da KGB”, nem mesmo quando há razões de sobra para fazê-lo, enfatizando, antes, que muitas pessoas mencionadas nesses documentos não passam de inocentes úteis, levados a colaborar com a subversão comunista sem seu pleno consentimento e às vezes sem clara consciência do que se passava. Ainda assim, o panorama que eles traçam da presença soviética no governo João Goulart ultrapassa as dimensões da mera “infiltração” e justifica falar, mesmo, de “ocupação”.

Sem nenhum exagero, a narrativa oficial de 1964 é uma inversão completa e cínica da realidade, dando foros de certeza ao que é mera conjetura, quando não invencionice, e ocultando montanhas de fatos decisivos.

Este livro, sozinho, vale mais do que toda a bibliografia consagrada sobre os acontecimentos de 1964. E uma pergunta que ele suscita inevitavelmente é: quanto dessa bibliografia não foi inspirado ou produzido, justamente, pelos mesmos agentes soviéticos aqui nomeados e fichados?

Antes mesmo das revelações aqui estampadas, os rombos da narrativa canônica já eram tão gigantescos que, para não vê-los, era preciso um considerável esforço de auto-hipnose.

Vinha, em primeiro lugar, a crença geral de que Goulart fora derrubado, não por ser um joguete nas mãos dos comunistas, mas por ser um patriota, um nacionalista, cujas “reformas de base” constituíam um acinte e uma ameaça aos interesses do capital imperialista.
Mas como podia ser isso, se o malfadado presidente jamais apresentou um único projeto de “reforma de base”, todas as iniciativas nesse sentido partindo do Congresso contra o qual ele tanto esbravejava?

Como observei em artigo de 25 de maio de 2014,

a lei mesma da remessa de lucros, que teria sido a “causa imediata” do golpe, só o que Goulart fez com ela foi sentar-se em cima do projeto, que acabou sendo aprovado por iniciativa do Congresso, sem nenhuma participação do presidente. Se a fúria do capital estrangeiro contra essa lei fosse a causa do golpe, este teria se voltado não contra Goulart e sim contra o Congresso — Congresso que, vejam só, aprovou o golpe e tomou, sem pressão militar alguma, a iniciativa de substituir Goulart por um presidente interino.[2]

Outro simulacro de prova em favor da tese da “intervenção imperialista” foi a ajuda que algumas entidades americanas — não a CIA — deram à resistência parlamentar e jornalística anti-Goulart. Ninguém, entre os que apelavam a esse argumento, fez jamais a seguinte pergunta: se os tais agentes do imperialismo ianque exerciam tanta influência sobre o Congresso e a grande mídia, reunindo condições para um impeachment do presidente, com uma transição legal e pacífica, por que iriam recorrer ao método traumático e desnecessário da intervenção militar?

Para sustentar que “o golpe começou em Washington” seria preciso provar, não que o governo americano ajudou a fomentar uma gritaria difusa contra a situação, mas que os agentes dele participaram ativa e materialmente da conspiração militar em si, entrando em reuniões secretas de generais e discutindo com eles os detalhes estratégicos e táticos da mobilização final. Mas, se não existe sequer indício da presença de um único agente da CIA no território nacional, como poderia haver provas de que essa criatura inexistente fez isso ou aquilo?

A tese consagrada mistura, numa síntese confusa mais conveniente aos objetivos da propaganda que aos da ciência histórica, a ação pública com a ação secreta, a atmosfera política geral com as iniciativas concretas dos militares e, fundindo tudo sob a mágica do símbolo “interesse imperialista”, enxerga uma autoria única e central por trás de processos não só diversos, como antagônicos.

De fato, quando o general Mourão partiu de Minas Gerais com suas tropas, ninguém, absolutamente ninguém num Congresso que estava ansioso para se livrar do incômodo presidente, tinha a menor idéia de que houvesse alguma iniciativa militar em andamento.

Longe de tramar o golpe, os americanos estavam, isto sim, apostando no que se destinava a ser e poderia ter sido uma alternativa parlamentar à intervenção militar.

No mesmo artigo citado, escrevi:

Todos os jornais do país, até hoje, usam como prova da cumplicidade americana (com o golpe) a gravação de uma conversa telefônica na qual o embaixador Lincoln Gordon pedia ao presidente Lyndon Johnson que tomasse alguma providência ante o risco iminente de uma guerra civil no Brasil. Johnson, em resposta, determinou que uma frota americana se deslocasse para o litoral brasileiro. Fica aí provado… que os americanos foram, se não os autores, ao menos cúmplices do golpe. Mas, para que essa prova funcione, é necessário escamotear quatro detalhes: (1) a conversa aconteceu no próprio dia 31 de março, quando os tanques do general Mourão Filho já estavam na rua e João Goulart já ia fazendo as malas. Não foi nenhuma participação em planos conspiratórios, mas a reação de emergência ante um fato consumado. (2) A frota americana estava destinada a chegar aos portos brasileiros só em 11 de abril. Ante a notícia de que não haveria guerra civil nenhuma, retornou aos EUA sem nunca ter chegado perto das nossas costas. (3) É obrigação constitucional do presidente dos EUA enviar tropas imediatamente para qualquer lugar do mundo onde uma ameaça de conflito armado ponha em risco os americanos ali residentes. Se Johnson não cumprisse essa obrigação, estaria sujeito a um impeachment. (4) As tropas enviadas não bastavam nem para ocupar a cidade do Rio de Janeiro, quanto mais para espalhar-se pelos quatro cantos do país onde houvesse resistência pró-Jango e dar a vitória aos golpistas.

A insistência obstinada numa tese impossível explica também o silêncio atordoante com que mídia e o establishment bem-pensante em geral receberam a revelação do então chefe da KGB no Brasil, Ladislav Bittman, de que essa mesma tese fora inventada pela própria espionagem soviética, mediante documento falso enviado a todos os jornais na ocasião.[3]De 2001 a 2014, várias vezes tentei, em vão, chamar a atenção da classe jornalística para o livro de memórias em que o agente checo[4] faz essa confissão explosiva.

O silêncio cúmplice, o comodismo, a mistura promíscua e obscena de jornalismo com militância esquerdista, conseguiram bloquear, por meio século, o acesso do povo brasileiro não só a fatos como a meras perguntas que pudessem abalar a mitologia dominante.

Mas agora a brincadeira acabou. Não só este livro memorável traz a prova cabal e definitiva do engodo, mas surge numa situação bem diversa daquela em que o país viveu nos últimos cinquenta e tantos anos. Hoje há um público mais consciente, que, desmoronada a farsa do comunopetismo, já não se verga, com mutismo servil, ante a opinião do beautiful people jornalístico e universitário.
O trabalho paciente e consciencioso de Vladimír Petrilák e Mauro “Abranches” Kraenski vai, com certeza, encontrar uma platéia atenta e sensível, madura para desprezar o argumentum auctoritatis e sobrepor, à lenda, a realidade.

Petersburg, VA, 25 de outubro de 2017.
 

Notas:
[1] Não preciso relembrar aqui os freqüentes e discretíssimos episódios de carreiras universitárias abruptamente encerradas pela ousadia de contestar esse ou qualquer outro dogma do credo esquerdista.
[2] V. www.olavodecarvalho.org/falsificacao-integral/.
[3] V. meu artigo “Sugestão aos colegas”, de 17 de fevereiro de 2001: www.olavodecarvalho.org/sugestao-aos-colegas/.
[4] Como se verá no presente livro, a KGB, nos países do Terceiro Mundo, não atuava diretamente, mas através dos serviços secretos dos países satélites; no Brasil, a StB, serviço de inteligência da Tchecoslováquia.

 

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PRESTES E OUTROS MITOS  -  09/11/2017

 



                        "Sou a favor da idéia socialista. Mas uma vez disse a meu pai: 'se isso é socialismo, eu sou contra o socialismo" (Yuri Ribeiro Prestes, historiador; filho de Luiz Carlos Prestes; viveu na Rússia de 1970 a 1994; jornal Folha de São Paulo de 2 de novembro de 1997)
 


A partir do momento em que, na ex-União Soviética os arquivos da 3ª Internacional foram abertos aos pesquisadores, vários mitos e lendas não mais se sustentam. Alguns livros, editados com base nesses arquivos, foram publicados, dando conta de detalhes inéditos do Movimento Comunista Internacional.

A 3ª Internacional, ou Komintern, do alemão "Komunistiche Internationale", foi uma entidade com sede em Moscou, criada por Lenin, que funcionou de 1919 a 1943.

O Komintern era dirigido pela "Uskaia Komissia", a "Pequena Comissão", responsável por todas as decisões relativas aos aspectos políticos, de inteligência e de ligação do Kominern com o Partido Comunista da União Soviética.

Desde a década de 20, o Komintern financiava e controlava os partidos comunistas de todo o mundo, com verbas fornecidas pelo Estado soviético. Essa prática permaneceu inalterada por mais de 70 anos. Quando o Komintern foi desativado, em 1943, o Departamento de Relações Internacionais do PCUS assumiu suas tarefas.

Ao final do ano de 1991, após o fim da União Soviética, foram encontrados na sede do Comitê Central do partido único documentos referentes à "ajuda financeira fraternal" aos demais partidos comunistas de todo o mundo Esses documentos, como é evidente, faziam menção ao Partido Comunista Brasileiro, e comprovam que já em 1935 Luiz Carlos Prestes era um assalariado do Komintern: No período de abril a setembro de 1935, US$ 1.714,00 foi a quantia destinada a Prestes.

Assinale-se que Luiz Carlos Prestes foi admitido como membro do Komintenr em 8 de junho de 1934. Antes, portanto, de sua filiação ao PCB, o que constituiu um fato inédito no comunismo internacional. Prestes só viria a ser admitido no PCB em setembro desse ano.

A alemã Olga Benário (que também utilizava os nomes de "Frida Leuschner", "Ana Baum de Revidor", "Olga Sinek", "Olga Bergner Vilar" e "Zarkovich" (casada em Moscou com B. P. Nikitin, aluno da Academia Militar Frunze) que pertencia ao IV Departamento do Estado-Maior do Exército Vermelho foi a pessoa designada para a missão de acompanhar Luiz Carlos Prestes em sua volta da União Soviética ao Brasil, em 1935.

Ao contrário do que afirma o historiador brasilianista Robert Levine, em seu livro O Regime de Vargas - 1935-1938, bem como diversas outras publicações nacionais e estrangeiras, Prestes nunca foi casado com Olga.

O clube de revolucionários profissionais a serviço do Komintern, tinha poderes praticamente ilimitados de intervenção nos diversos partidos comunistas, bem como instruções muito precisas sobre como levar adiante as planejadas ações revolucionárias.

O Partido Comunista Brasileiro jamais se libertou de sua subserviência a Moscou. O PCUS, até ser posto na ilegalidade por Boris Yeltsin, em 1991, sempre manteve sobre estreito controle a direção política do PCB, a forma como eram escolhidas suas lideranças, seus processos de formação ideológica, bem como aquilo que sempre foi o mais importante para o partido: o auxílio fraternal. Em 1990, último ano de ativo funcionamento do PCUS, essa ajuda fraternal ao Partido Comunista Brasileiro foi de US$ 400.000 conforme divulgado pelo Tribunal Constitucional Russo que, em 1992, julgou os crimes do PCUS (jornal "Konsomolskaya Pravda", Moscou, 8 de abril de 1992).

Prestes somente em setembro de 1934 seria admitido nas fileiras do Partido Comunista Brasileiro, conforme documento do Bureau Político do PCB, datado de 4 de setembro de 1934, publicado no jornal Sentinela Vermelha, nº 1, outubro de 1934, São Paulo. Segundo esse jornal, Prestes foi admitido no partido "por proposta da IC" e como "simples soldado da IC". No entanto, diz o jornal, "ao mesmo tempo que o BP aceita a adesão de Prestes, chama todo o partido para intensificar o fogo contra o prestismo dentro e fora de nossas fileiras, contra essa teoria e prática de conteúdo contra-revolucionário, pequeno-burguês, que consiste na subestimação das forças do proletariado como única classe revolucionária, nas ilusões em chefetes e caudilhos pequeno-burgueses, salvadores, cavaleiros da esperança, etc (...)".

A aceitação de Prestes como membro do PCB foi, portanto, decorrente não do reconhecimento de sua liderança ou de seus atributos de dedicação à causa comunista, mas sim uma imposição do aparato da IC, o que desfaz um outro mito.

Em 10 de abril de 1935 - às vésperas da chegada clandestina de Prestes ao Brasil -, referindo-se à primeira reunião pública da Aliança Nacional Libertadora (ANL), realizada dia 30 de março desse ano, no teatro João Caetano, no Rio de Janeiro, um documento do PCB, assinado por M ("Miranda"), codinome de Antonio Maciel Bonfim, Secretário-Geral do partido, referia-se a Prestes, aclamado presidente da ANL, como "um grande lutador antiimperialista e antifeudal". Esse documento foi publicado no jornal A Classe Operária nº 178, de 10 de abril de 1935.

"Miranda", na "A Classe Operária" de 23 de abril de 1935, assinala: "(...) As massas populares aclamam espontaneamente Prestes como Presidente de Honra da Aliança Nacional Libertadora (...) Essa aclamação de Prestes significa que as massas populares reconhecem nele um grande lutador contra o imperialismo (...) um lutador conseqüente de há muitos anos (...)".

Em apenas 7 meses, portanto, Prestes passou de "caudilho pequeno-burguês" a "lutador conseqüente de há muitos anos".

Logo depois, Fernando Lacerda, membro do Comitê Central do PCB, delegado do partido ao VII Congresso da Internacional Comunista, realizado em Moscou em julho de 1935, em seu discurso nesse evento, transcrito na revista da IC, "Correspondência Internacional" de 4 de dezembro de 1935, assinalou: "(...) Desde outubro de 1934, após a 3ª Conferência dos Partidos Comunistas dos Países da América Latina, conseguimos realizar uma reviravolta decisiva, tomando audaciosamente a iniciativa da organização de uma Aliança de Libertação Nacional (...) Entre seus organizadores e dirigentes destacava-se o nosso camarada Luiz Carlos Prestes (...) Já lançamos audaciosamente a palavra de ordem de 'todo poder à ANL'(...)". Observe-se que na data referida por Fernando Lacerda - outubro de 1934 - Prestes vivia, ainda, em Moscou.
Essa é outra lenda que desaba: a de que, quando criada, a ANL não tinha qualquer vinculação com o partido. Na verdade, desde o primeiro momento, foi uma organização de fachada do PCB, como centenas de outras durante toda a existência do partido.

Em 14 de julho de 1935 a Aliança Nacional Libertadora foi colocada fora da lei pelo governo e suas sedes fechadas.

O Comitê Central do PCB, reunido em fins de julho de 1935, tachou o fechamento da ANL de "arbitrário e violento" e concitou seus militantes a recrutar elementos e formar o partido no campo, "criando Ligas Camponesas" (documento apreendido em agosto de 1935 e integrante do processo nº 1, arquivado no STM).

Desfaz-se, portanto, outro mito: o de que foi Francisco Julião o inspirador e criador das "Ligas Camponesas", nos anos 50.

Em 15 de setembro de 1935, às vésperas, portanto, da deflagração da Intentona, o "BSA-Bureau Sul-Americano" do Komintern, que funcionava em Buenos Aires, recebeu do "EKKI" a determinação de passar a dirigir as atividades do PCB conjuntamente com Luiz Carlos Prestes e "Miranda"- Antonio Maciel Bonfim, Secretário-Geral. Isso significou, na prática, que o "BSA", organismo do Komintern para a América Latina, passou a comandar (esse é o verbo correto) as atividades do Partido Comunista Brasileiro.

Logo depois, com data de 6 de outubro de 1935, "Indio Negro" remetia a "Américo" (um outro codinome de "Miranda") uma carta com a proposta "de cooptar 'Garoto' para membro do Comitê Central e elegê-lo para o Birô Político do CC". E determina: "Isso deve ser efetuado na próxima reunião do plenário do CC" (documento integrante do processo nº 1, arquivado no Superior Tribunal Militar). A pessoa referida como "Garoto" era Luiz Carlos Prestes.

Mas, quem é "Indio Negro" que dava ordens ao Secretário-Geral do Partido Comunista Brasileiro?

Eram duas pessoas, segundo os dados obtidos nos arquivos da 3ª Internacional:
"Indio" – Rodolfo José Ghioldi, que também utilizava os codinome de "Autobelli", "Quiroga" e "Luciano Busteros"; argentino; membro do "Bureau Sul-Americano"; agente do Komintern deslocado da Argentina para o Brasil em dezembro de 1934, juntamente com sua mulher Carmen de Alfaya.

"Negro"- Arthur Ernst Ewert, que também usava os codinomes de "Albert", "Castro" e "Harry Berger"; alemão; agente do Komintern mandado para o Brasil em dezembro de 1934.

A lenda, já integrada à História, de que apenas os 9 estrangeiros presos após a Intentona integravam o aparato do Komintern no Brasil, revelou-se falsa. Os estrangeiros deslocados para o Brasil pelo Komintern, para fazer a Intentona, foram 23. Os nomes de todos podem ser encontrados no livro "Camaradas", do jornalista William Waak.
Desaba também um outro mito: o de que a Intentona Comunista tenha sido uma ação genuinamente brasileira, imaginada e levada a cabo pelo PCB.

Não foi.

A ordem para que a insurreição fosse deflagrada partiu de Moscou, em telegrama do Secretariado Político do "EKKI", dirigido a Ewert e a Prestes, nos seguintes termos: "A questão da ação (o levante) decidam vocês mesmos, quando acharem necessário. Assegurem apoio à ação do Exército pelo movimento operário e camponês. Tomem todas as medidas contra a prisão de Prestes. Enviamos 25.000 por telegrama. Mantenham-nos informados do rumo dos acontecimentos".

Esse telegrama, escrito em francês, foi encontrado nos arquivos do Komintern, e na página 128 do livro "Camaradas" está publicada uma cópia xerografada do mesmo.

No período pré e pós-Intentona o partido cometeu diversos assassinatos de seus próprios correligionários, a título de "justiçamentos", por suspeita de colaboração com o inimigo de classe.

Um deles foi o da jovem de 16 anos "Elza Fernandes" ou "Garota", como era conhecida no partido Elvira Cupelo Colônio, amante de "Miranda", Secretário-Geral do PCB - e que, devido a isso, conhecia todos os demais membros do Comitê Central, e outros, com atuação relevante na Intentona Comunista -, por suspeita de colaboração com a repressão. A decisão de eliminar "Garota" foi tomada por Luiz Carlos Prestes, conforme documentos que integram o processo nº 1, já referido. Nos autos desse processo está uma carta, de próprio punho de Prestes, com data de 16 de fevereiro de 1936, remetida a "Meu Caro Amigo" (não identificado), dizendo: "(...) Não podemos vacilar nessa questão (...) Tudo precisa ser preparado com o mais meticuloso cuidado, bem como estudado com atenção todo um plano de ação que nos permita dar ao adversário a culpabilidade (...) Ela já desapareceu há alguns dias e até agora não se diz nada (...)".

Em outra carta , dirigida ao Secretariado Nacional do PCB, datada de 19 de fevereiro de 1936 (apenas três dias depois), Prestes escreveu: "(...) Fui dolorosamente surpreendido pela falta de resolução e vacilações de vocês (...) Companheiros, assim não se pode dirigir o partido do proletariado, da classe revolucionária conseqüente (...) Já em minha carta de ontem formulei minha opinião a respeito do que precisávamos fazer (...) Não é possível dirigir sem assumir responsabilidades. Por outro lado, uma direção não tem o direito de vacilar em questões que dizem respeito à defesa da própria organização (...)".

Cópia do original da carta acima, manuscrita por Prestes, está entre as páginas 33 e 34 do livreto "Os Crimes do Partido Comunista", de Pedro Lafayette, Editora Moderna, 1946, Rio de Janeiro.

"Miranda" e "Elza Fernandes" haviam sido presos em 13 de janeiro de 1936. A Polícia colocou "Elza Fernandes" em liberdade, pelo fato de ser menor de idade. Logo, a direção do partido colocou-a em cárcere privado, na residência do militante conhecido como "Tampinha" (Adelino Deycola dos Santos), na rua Maria Bastos nº 41-A, em Deodoro, subúrbio do Rio, sob a guarda dos militantes "Gaguinho" (Manoel Severino Cavalcanti) e "Cabeção" (Francisco Natividade Lira).

Nessa casa, em 20 de fevereiro de 1936 - um dia após a segunda carta de Prestes -, "Elza Fernandes" foi assassinada por enforcamento, por esses elementos, e sepultada no quintal da casa. Após terem sido presos, todos confessaram o assassinato, dando-o como um justiçamento, sendo o corpo de "Elza Fernandes" exumado pela polícia em 14 de abril de 1936.

Luiz Carlos Prestes, o mandante, e Olga Benário foram presos em 5 de março de 1936. Em 17 de abril de 1945, 9 anos depois, Prestes foi anistiado e em outubro desse mesmo ano eleito Senador da República. Em maio de 1946 o partido foi tornado ilegal pela Justiça Eleitoral e passou a funcionar na clandestinidade. A partir de 1971 Prestes passou a viver em Moscou, sendo novamente anistiado em 1979 e, por força da Constituição de 1988, reincluido no Exército, promovido e reformado.

Em 16 de agosto de 2006 Luiz Carlos Prestes foi promovido ao posto de Coronel, com os proventos de General de Brigada.

Muitos dirão, principalmente os mais jovens: Caramba, eu não sabia!

* Publicado originalmente em www.alertatotal.net.
 

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O QUE O PREFEITO DE NOVA YORK, CIRO GOMES E ADOLF HITLER TÊM EM COMUM?  -  29/09/2017


Separados por largas distâncias temporais, geográficas e circunstanciais, o que poderia vir a unir estes três personagens? Vejamos, pois, como cada uma dessas figuras proeminentes na política vê a relação entre Estado e mercado, para então identificar possíveis similaridades entre suas concepções a respeito do tema:

1) Bill De Blasio, prefeito de Nova York, em entrevista concedida em setembro de 2017 a Chris Smith, jornalista do New York Magazine, quando perguntado sobre a melhor forma de reduzir a desigualdade de renda na big apple, saiu-se com esta:

O problema é que nossos sistema legal foi elaborado para favorecer a propriedade privada. Eu acredito que a maioria de nossos cidadãos, independente de sua inclinação política, gostaria que o governo pudesse determinar onde cada prédio seria construído, que altura ele teria, quem deveria viver nele, quanto custaria o aluguel.

Eu acho que há um impulso socialista em curso, que eu escuto todo dia, em todo tipo de comunidade, que deixa claro que as pessoas gostariam que as coisas fossem planejadas de acordo com suas necessidades. E eu gostaria também. Infelizmente, o que impede que isso aconteça são os direitos de propriedade.Eles é que direcionam o desenvolvimento da cidade.

2) Ciro Gomes, durante debate realizado na University of Oxford, reafirmou uma vez mais sua descrença na capacidade do livre mercado suprir as necessidades dos consumidores sem gerar “injustiças” pelo caminho:

” (…) Isso é o capitalismo, o capitalismo é assim [empresas privadas envolvidas em escândalos de corrupção]. O que aconteceu em 2008 nos Estados Unidos? A fraude campeando, a esculhambação generalizada, roubalheira, tudo de fraudes, etc. Puniram as pessoas e salvaram a cara das empresas. A Volkswagen aqui na Alemanha entrou em um escândalo extraordinariamente grave, falsificando indicadores de poluição. (…) e eu não quero estatizar estas empresas. Eu prego o controle social, o fim da ilusão moralista. Existem mil caminhos de controle. (…)”

3) Adolf Hitler, durante todo o período no qual o Nazismo ditou as regras na Alemanha, instituiu um regime de controle da economia que subjugava os interesses privados aos imperativos estatais, conforme explica Ludwig Von Mises:

Na Alemanha de Hitler havia um sistema de socialismo que só diferia do sistema russo na medida em que ainda eram mantidos a terminologia e os rótulos do sistema de livre economia. Ainda existiam “empresas privadas”, como eram denominadas. Mas o proprietário já não era um empresário; chamavam-no “gerente” ou “chefe” de negócios (Betriebsführer).

Todo o país foi organizado numa hierarquia de führers; havia o Führer supremo, obviamente Hitler, e em seguida uma longa sucessão de führers, em ordem decrescente, até os führers do último escalão. E, assim, o dirigente de uma empresa era o Betriebsführer. O conjunto de seus empregados, os trabalhadores da empresa, era chamado por uma palavra que, na Idade Média, designara o séquito de um senhor feudal: o Gefolgschaft.

E toda essa gente tinha de obedecer às ordens expedidas por uma instituição que ostentava o nome assustadoramente longo de Reichsführerwirtschaftsministerium (Ministério da Economia do Império), a cuja frente estava o conhecido gorducho Goering, enfeitado de jóias e medalhas.

E era desse corpo de ministros de nome tão comprido que emanavam todas as ordens para todas as empresas: o que produzir, em que quantidade, onde comprar matérias-primas e quanto pagar por elas, a quem vender os produtos e a que preço. Os trabalhadores eram designados para determinadas fábricas e recebiam salários decretados pelo governo. Todo o sistema econômico era agora regulado, em seus mínimos detalhes, pelo governo.

Acredito que agora tenha ficado bem mais fácil visualizar o traço em comum entre Bill de Blasio, Ciro Gomes e Adolf Hitler: a obsessão em determinar os rumos da economia – e, consequentemente, da vida de todas as pessoas. A semelhança entre suas ideologias salta aos olhos na medida em que os três acreditam piamente que seja humanamente possível ou mesmo desejável que um grupo de burocratas estabeleça o que deve ser produzido e comercializado, quando, como, por quem e a que preço.

Friedrich Hayek já apontava o primeiro (mas não o único) fator que desaconselha governantes a intervirem na economia de tal forma:

O caráter peculiar do problema de uma ordem econômica racional se caracteriza justamente pelo fato de que o conhecimento das circunstâncias sob as quais temos de agir nunca existe de forma concentrada e integrada, mas apenas como pedaços dispersos de conhecimento incompleto e frequentemente contraditório, distribuídos por diversos indivíduos independentes. O problema econômico da sociedade, portanto, não é meramente um problema de como alocar “determinados” recursos — se por “determinados” entendermos algo que esteja disponível a uma única mente que possa deliberadamente resolver o problema com base nessas informações.

Além disso, Hayek alertava para o fato de que, uma vez que a um Estado qualquer seja conferido o poder de regular por completo as relações econômicas, resta que este governo, a pretexto de “corrigir distorções”, pode vir a interferir em todo e qualquer aspecto da vida dos cidadãos. Em O caminho da servidão, o austríaco apresentou essa tese demonstrando que as tentativas de exercer um controle central da economia levaram invariavelmente à perda da liberdade individual – em alguns casos extremos, inclusive, ao totalitarismo (basta dar uma olhada para a Venezuela e seu “socialismo do século XXI” para constatar a validade deste teorema).

E ainda existe um terceiro motivo que contraindica centralizar decisões da área econômica no Estado que nós, brasileiros, estamos carecas de conhecer: quando o governo é detentor da prerrogativa de determinar quem pode exercer cada ofício ou atuar em cada atividade econômica; cultiva o hábito de conceder empréstimos para “campeões nacionais” por ele mesmo designados a juros muito abaixo do que pagou para captar dinheiro no mercado; costuma conceder perdões fiscais e isenções tributárias para os “amigos do rei” e extorquir o restante da população sem perdão; o resultado disto tudo será sempre um só: CORRUPÇÃO, CORRUPÇÃO E CORRUPÇÃO.

O hoje ministro do STF Luiz Edson Fachin, durante toda sua carreira jurídica, sempre foi um dos adeptos da famigerada teoria da “função social” da propriedade privada, a qual é reiteradamente utilizada para fundamentar atos administrativos que impõem elevação de preços de IPTU de imóveis urbanos desocupados e até mesmo ações de expropriação de terrenos rurais. Até mesmo um novo conceito de “empresa com responsabilidade social” vem sendo gradualmente cunhado e propagado na mídia – como se obter lucro fosse uma atitude reprovável de per sique precisasse ser compensada com outra medida de efeito contrário (isto é, objetivando gerar “impacto social positivo”).

Ou seja, esta mentalidade anticapitalista é bem mais comum do que se possa imaginar. Ocorre que apontar os erros cometidos por empreendedores e seus efeitos negativos sobre a sociedade não é argumento forte o suficiente para justificar a implantação de providências de caráter socialista, dado que os resultados nefastos destas superam em muito quaisquer falhas do livre mercado. O próprio prefeito de Nova York levou um “pito”, um dia desses, da apresentadora Trish Intel, da Foxnews, quando do episódio em que ele elogiou uma escultura de uma menina que ficava encarando a famosa estátua do touro de Wall Street:

Da mesma forma que nenhum morador de um condomínio de apartamentos permite que o síndico intrometa-se na sua vida privada, também o Estado deve manter-se adstrito a suas funções primordiais, sem imiscuir-se, em especial, nas negociações livres de ardil de qualquer espécie e realizadas espontaneamente entre os indivíduos, ainda que isto gere desigualdade – o que é muito diferente de pobreza.

Os primeiros colonizadores da América morreram de inanição trabalhando em prol do “bem comum” até que a inovação da propriedade privada foi abraçada como solução e deu origem a nação mais próspera do planeta. Hitler já foi visitar o capeta, mas bem que Bill de Blasio e Ciro Gomes poderiam tentar aprender esta simples lição…

*Publicado originalmente em https://bordinburke.wordpress.com/
 

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DINHEIRO, TECNOLOGIA E PODER  -  17/08/2017

 

(Publicado originalmente no Correio Braziliense)

 A Operação Lava-Jato foi além do desmanche do maior esquema de corrupção já desvendado no Brasil. Fez ruir um projeto continental de poder que uniu o PT, a Odebrecht e outras empreiteiras no financiamento de campanhas políticas de esquerda e investimentos bilionários em Cuba. Fui testemunha do nascimento deste projeto em 1994, como enviado especial do Correio Braziliense ao Uruguai e Argentina para apurar as conexões do PT com a esquerda latino-americana para a criação de uma multinacional da política no continente com o nome fantasia de Foro de São Paulo. A entidade foi viabilizada pelo ex-secretário de Relações Internacionais do PT, Marco Aurélio Garcia, morto em 20 de julho, embora a fama pelo empreendimento tenha ficado com Lula.

A meta do Foro, criado em junho de 1990, era combater o neoliberalismo e criar uma hegemonia partidária e ideológica na América Latina, elegendo parlamentares e governantes. Chamava a atenção, durante a apuração da reportagem, o profissionalismo com que o projeto era conduzido. A comunicação exibia unidade de linguagem, com deputados e dirigentes sindicais de vários países afinados no mesmo discurso. Conforme o projeto avançava e governos iam sendo conquistados, como aconteceu no Brasil em 2002 com a eleição de Lula, surgia explosiva a mistura de ideologia, corrupção com a *compra dos adversários* — como ficou evidente no mensalão e depois na Lava-Jato — e enriquecimento pessoal.

Hoje ficou comprovado que a Odebrecht funcionou como braço financeiro do PT para viabilizar um projeto de poder com a eleição de políticos ligados ao Foro de São Paulo. Em troca, a empreiteira reinaria absoluta, como acabou acontecendo em vários países. Ao desbaratar o esquema de corrupção controlado pelo PT, a Lava-Jato lançou luz sobre o avanço do Foro de São Paulo no continente e o papel de arrecadadora e distribuidora de dinheiro da Odebrecht, oferecendo aos parceiros do partido marketing político de primeira linha — inicialmente com Duda Mendonça e depois com João Santana —, plano de governo com obras caras e assessoria para o financiamento dessas obras, muitas das quais receberam recursos do BNDES.

Em junho de 1994, recebi um telefonema do advogado paulista José Carlos Graça Wagner, que me deu detalhes sobre o Foro de São Paulo. Ele jurava que o Foro, criado pelo PT, tinha a finalidade de integrar a esquerda latino-americana e financiar a eleição de Lula e outros líderes latino-americanos e até africanos. Investiguei o assunto e confirmei a história. Marcamos uma conversa no escritório de Graça Wagner, em São Paulo, na Alameda Canuri, 72, Indianápolis.
Anticomunista ferrenho, beirando os 70 anos, elegante, inteligente e culto, Graça Wagner sabia tudo sobre o Foro de São Paulo: "Eles não querem vencer só no Brasil, querem o poder em toda a América Latina. Pretendem financiar esse projeto com *dinheiro público*". Deu nomes, datas e uma informação surpreendente para aquela época: dirigentes do Foro em outros países estavam conectados com o PT de São Paulo por uma rede internacional de computadores.

Fui para o Uruguai e consegui confirmar a história de José Carlos Graça Wagner. Cheguei até o deputado Jose Bayard, da Vertente Artiguista da Frente Ampla. No seu gabinete no Congresso, *havia um computador ligado em rede com São Paulo, pelo qual se comunicava com a direção nacional do PT em tempo real. "Vamos ampliar isso", garantiu o deputado. Fiquei impressionado. Numa época em que os celulares eram uma novidade caríssima e a internet engatinhava, uma rede privada internacional de computadores era algo no mínimo ousado*.

Apurei que os Tupamaros, movimento guerrilheiro atuante durante a ditadura uruguaia, sabiam de onde vinha e onde estava guardado o dinheiro do Foro de São Paulo. Depois de uma negociação difícil, fui avisado que me procurariam no meu hotel. Dois dias depois, na esquina da avenida 18 de Julio com Calle Yaguarón, por volta das 11h30, um Citroen 2CV, com dois homens jovens me recolheu. Sentei atrás. No caminho me explicaram que a fonte conversaria comigo num bar, mas não poderia perguntar seu nome, anotar e nem registrar o endereço. Pediram que eu me abaixasse naquele banco apertado. Rodaram mais uns 10, 15 minutos. Pararam. Havia um bar acanhado, uma portinha. Mandaram que eu entrasse e fosse até os fundos. Entrei. Ele estava lá. Barba de dois, três dias, óculos escuros, cara redonda, japona de lã preta, cabelos grisalhos, gordinho. Na mesa, um solitário copo de vinho tinto. Fez sinal. Sentei. Foi logo falando: "O dinheiro deles vem de Cuba e também de doadores de campanha aqui do Uruguai e de outros países. Eles têm uma conta em dólares no Citibank em Montevideo. *Quando precisam de dinheiro vivo, sacam e atravessam a fronteira por Rivera ou qualquer outro lugar por onde possam passar de carro ou a pé sem despertar suspeitas e sem correr o risco de serem roubados. Sempre usam seguranças quando precisam transportar dinheiro para o Brasil. São pacotes de dólares. É tudo o que eu sei*". Tentei argumentar, pedir mais detalhes, queria saber quem administrava a conta, mas o homem não quis conversa: "É tudo o que posso dizer". Voltamos e fiquei no mesmo ponto da 18 de Julio. Chovia e fazia frio. Era uma informação importante, mas impossível de ser checada, tanto que não publiquei. Só agora, com os resultados da Lava-Jato, decidi revelar.

Cheguei em Buenos Aires no dia 21 de julho. Nas conversas com os argentinos, consegui aprofundar bastante a apuração. Conversei com os deputados Graciela Fernandez Meijire e Carlos Chacho Alvarez; Jorge Kreyness, dirigente do Partido Comunista da Argentina; e sindicalistas como Víctor de Genaro, da Central dos Trabalhadores da Argentina. Todos apostavam firme na eleição de Lula e na integração da esquerda latino-americana. Para Kreyness, o papel do Foro de São Paulo era uma frente de esquerda organizada com "unidade na adversidade".

O mais incrível é que, ao longo dos últimos 23 anos, o projeto de poder do PT e da esquerda latino-americana *avançou sem qualquer reação dos adversários, seja por falta de informação e capacidade de articulação, por terem subestimado o partido e seus aliados ou ainda porque, como revelou a Lava-Jato, boa parte destes adversários foram comprados* pelo esquema de suborno envolvendo o mensalão, a Petrobras, financiamentos do BNDES e outras fontes de dinheiro público, exatamente como denunciou José Carlos Graça Wagner, morto em 2006. Presidentes de vários países tiveram sua propaganda política, obras e planos de governos financiados com recursos do Tesouro, empresas e bancos públicos, numa farra de 13 anos que jogou o Brasil na pior crise econômica e política da sua história e cujas consequências se tornaram imprevisíveis.

* Jornalista
 

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A BELEZA É FUNDAMENTAL, MAS SEM DEIXAR DE LADO A VERDADE E O BEM  -  06/08/2017

 

(Publicado originalmente em http://www.gazetadopovo.com.br/rodrigo-constantino/artigos/)

Num mundo tão relativista, com tanto lixo efêmero chamado de “arte”, muitos conservadores passaram a pregar o resgate da Beleza. Não deixa de ser curioso, então, que um esquerdista como Paulo Nogueira Batista tenha escrito, em sua coluna de hoje, que a beleza é um “mandamento”. O problema é que, como de praxe, para ele essa “beleza” é puramente estética e está apartada, até por necessidade, de valores morais, de bondade, do que é certo. Eis um trecho:

Sempre me pareceu que o artista verdadeiro sacrifica qualquer “conteúdo”, qualquer “coerência”, por uma bela frase, por um belo gesto, por um belo efeito plástico ou cênico. Como dizia Oscar Wilde, “coerência é a virtude dos que não têm imaginação”. Dos não-artistas, portanto.

O que distingue o artista é a busca incondicional da beleza, em detrimento da verdade, do equilíbrio, do bom senso, da ética, da saúde e até da própria vida. Além disso, leitor, o artista é frequentemente um pobre ser ameaçado, precariamente instalado no mundo. E, se faz concessões, corre o risco de se desvirtuar, de perder o rumo.

Assim, o artista precisa sacrificar, ou deixar em segundo plano, a verdade e a moral. A objetividade e os bons princípios são temas para outros tipos humanos, para o cientista e para o sacerdote, respectivamente. Para o artista, o “conteúdo” enquanto tal não existe propriamente. Nietzsche expressou isso, com perfeição, quando escreveu que só se é artista, verdadeiramente, quando se trata aquilo que os não artistas chamam de “forma” como o conteúdo mesmo da coisa.

Quando um artista migra para outros terrenos (ciência, moral, filosofia, pensamento social, crítica literária) o que acaba dominando, em última análise, é a expressão da beleza. Para o verdadeiro artista, a beleza é o único mandamento. Para bem e para mal, ela interfere o tempo todo. E a obra artística resvala para a mentira, para o engano, para a fabulação. Tangencia a imoralidade, o crime, a perversão.

Há controvérsias. É verdade que Paulo Nogueira fez uma ressalva: “a verdade e a moral podem, sim, coincidir com a beleza, podem aparecer juntas e se reforçar mutuamente. Mas não como regra geral”. Mas sua mensagem essencial parece ser puramente estética, até mesmo anti-moral, e esse talvez seja um vício de artistas brasileiros, mas não necessariamente de artistas de outras terras, com outros valores.

Não sou especialista no assunto. Mas pego carona com quem é: Martim Vasques da Cunha, que escreveu o livro essencial sobre o assunto, especialmente voltado para a arte literária. Em A Poeira da Glória, Martim, inspirado em Mario Vieira de Mello, disseca essa obsessão tão brasileira em separar o Belo do Bom e do Verdadeiro, desfazendo um tripé que se mostra fundamental para a arte eterna. Em um trecho, eis o que o crítico literário diz:

A equivalência do bem e do mal, do certo e do errado, somada a uma ambiguidade literária que se assemelha a um abismo de espelhos, paralisa a sensibilidade nacional – e talvez seja por isso que o brasileiro evita ser sincero consigo mesmo, dificultando como pode a mudança interior. Por não perceber que a única comunicação verdadeira que existe é com “o fundo insubordinável do ser” (expressão fantástica do filósofo espanhol Ortega y Gasset), fazemos justamente o contrário daquele conselho que Teofrasto dava aos contemporâneos todos os tempos: preferimos acolher um homem desprovido de qualquer vida real, elogiando a máscara que se esconde na ironia dos abandonados, quando este “deveria ser mais evitado do que uma víbora”.

Em outro trecho mais adiante, Vasques da Cunha aprofunda o conceito em questão nesse texto:

No passado, muito antes da Idade Média, havia a percepção de que a estrutura da realidade se articulava em três polos de uma tensão orgânica e insuperável: o Bem, o Belo e o Verdadeiro. Apelidados pelos filósofos clássicos de “os três transcendentais”, a força deles existia em seu conjunto – e, se separados, perdiam seu poder de atração para guiar o ser humano neste “vale de lágrimas”. O Bem dava o norte ético, que só podia ser feito se o sujeito tivesse uma educação sentimental correta, se fosse educado numa sensibilidade estética que o orientasse a realizar a bondade e a desprezar o Mal. Se fosse unido com o Belo que tal ação provoca, o deleite que temos quando percebemos que o mundo tem um propósito e um sentido – isto nos ajudava a permanecer na Verdade, no Bem que se unia ao Belo não só porque era bom e bonito, mas sobretudo porque era a coisa correta a fazer.

Para Martim, à medida que o homem passou a se tomar como a medida para todas as coisas, abandonando a ideia de Deus como norte, a tensão orgânica que animava os três polos se desintegrou, e “um processo de fragmentação passou a ser o verdadeiro eixo do mundo moderno, a crise que ainda não conseguimos superar”.

Dessa forma, criou-se um conflito grave entre o princípio ético e o princípio estético, entre o Verdadeiro e o Belo. No Brasil, essa divisão encontrou solo fértil, com um povo obcecado com a estética, mas nem tanto assim com a verdade. Seria um traço de imaturidade, de fuga, pois mergulhar no próprio interior em busca da verdade pode ser uma experiência angustiante, e ter que buscar o mesmo nos outros pode ser ainda pior. Martim explica:

Ao mesmo tempo, a vida com os outros é complicada porque os seres humanos também possuem as suas próprias vidas interiores, as suas respectivas realidades ensimesmadas. Isto só pode causar uma única coisa: conflitos inevitáveis. Então, o que fazemos para suportar isso? Muito simples: inventamos nossas próprias vidas, criamos reinos interiores em que, obviamente, somos nossos próprios monarcas. Nós somos os próprios modelos a quem seguimos – e a quem os outros devem seguir sem hesitação, pelo menos segundo a nossa cabeça. A nossa vida torna-se, enfim, uma obra de arte e queremos que os outros sejam apenas detalhes em uma pintura ou um palco de teatro onde somos os atores, os diretores, os dramaturgos e, de quebra, os contrarregras.

Nessa subjetividade excessiva, de forma um tanto mimada, deixamos de lado a busca pelo universal e eterno e nos regozijamos com a estética pura, sem substância, sem embasamento, sem elo com a Verdade. No mundo apenas estético, o sujeito vê a sua vida e a dos outros como um quadro, uma escultura. No mundo ético, é necessário perceber que há escolhas morais em jogo, que envolvem um compromisso, uma responsabilidade perante elas.

O terceiro estágio seria o religioso, “em que há uma abertura para o transcendente e ele aceita que, após ter passado pelo Belo e pelo Verdadeiro, deve deparar-se com o Bem”. Essa etapa parece bem distante do povo brasileiro, que ficou preso no primeiro estágio:

No Brasil, a compreensão da vida por meio de um ponto de vista meramente estético é o que caracteriza o comportamento do seu cidadão. […] O brasileiro é possuído por uma ideia de Belo que não precisa do Bom nem muito menos do Verdadeiro. O que lhe interessa é a aparência, o disfarce, a dissimulação […] Essa “psicologia do extrovertido” é mais um reflexo da insinceridade que domina as relações entre os brasileiros, insinceridade que tem raízes no fato de que o indivíduo que habita este país não consegue ser verdadeiro consigo mesmo.

São constatações duras, incômodas, mas verdadeiras. E nossa arte, nossa literatura, espelha esse traço de nossa personalidade. Muito apreço pela casca, pela forma, e pouca preocupação com o conteúdo. Um povo superficial, afetado, vidrado na estética, mesmo que a “beleza” não passe de um grande truque de mágica, de uma enorme mentira, de um falso verniz que esconde a podridão interior. Uma vila de Potemkin, feita para impressionar os demais, sem qualquer substância ou pilares sólidos.
 

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NO CAPITALISMO DE LIVRE MERCADO, QUEM SEMPRE GANHA É O CONSUMIDOR  -  05/08/2017

 

(Publicado originalmente em http://www.mises.org.br)

O objetivo do capitalismo é melhorar a vida do consumidor, e não do empregado ou do empregador

Nos EUA, Walmart e Amazon estão se engalfinhando em uma brutal guerra de preços. A história em detalhes está aqui.

Ao redor do mundo, Uber, Lyft e Cabify estão em guerra não apenas contra o cartel dos táxis (mantido e protegido pelo estado), mas também entre si.

O AirBnB está reduzindo os lucros das grandes redes hoteleiras.

Nos mercados que têm um setor aéreo mais livre, como na Europa, voar está cada vez mais barato.

E isso sem falar na contínua redução dos preços dos produtos tecnológicos e eletroeletrônicos, bem como dos serviços fornecidos por eles. A Amazon, por exemplo, hoje concorre com a Netflix na área de streaming de filmes. Ambas tiraram clientes das TVs a cabo. E ambas também sofrem a concorrência de vários sites dos quais você pode fazer download de filmes.

A história do capitalismo de livre mercado é a história da competição de preços. Isso foi explicado, e sempre de maneira muito clara, por Ludwig von Mises ao longo de toda a sua vida.

O que é o capitalismo de livre mercado? É aquele arranjo econômico em que não há subsídios (ou empréstimos subsidiados com os impostos da população) governamentais para as empresas favoritas do governo, não há protecionismo via obstrução de importações, não há barreiras governamentais à entrada de concorrentes em qualquer setor do mercado (como ocorre em setores regulados por agências reguladoras), ninguém é impedido de empreender em qualquer área da economia, e não há altos tributos que impedem que novas empresas surjam e cresçam. Quanto mais próximo uma economia está deste arranjo, mais genuinamente capitalista ela é.

Um capitalista bem-sucedido é aquele que não apenas sabe como atender aos desejos da massa, como também está sempre tentando aumentar a satisfação dela. A maneira como esse capitalista aumenta sua presença no mercado — sua fatia de consumidores — é por meio da concorrência de preços. Dado que seu objetivo é sempre aumentar seu público consumidor, o que ele realmente tem de fazer é ir atrás de pessoas que até então não estavam dispostas a, ou não tinham condições de, gastar dinheiro naquilo que ele está tentando vender. Ao utilizar a concorrência de preços, ele adquire acesso a esse grupo.

Isso é um ótimo negócio para todas aquelas pessoas que queriam comprar o produto, mas não tinham condições. E aquelas que já pagavam para adquirir o produto poderão agora pagar menos. A diferença entra o preço (mais alto) que elas pagavam antes e o preço (mais baixo) que irão pagar agora sob as novas condições é chamada pelos economistas de "excedente do consumidor". É apenas um dos maravilhosos benefícios do capitalismo de massas.

Sempre haverá um mercado específico para produtos prestigiosos, sofisticados e caros. Relógios Rolex são um exemplo. Eu jamais compraria um. Estou muito bem servido por um relógio digital da Casio. Não preciso de mais do que isso. No próprio Walmart, consigo relógios digitais por US$ 15, e são excelentes em termos de marcar a hora. É isso o que me interessa. Tudo o que quero de um relógio é que ele me mostre que horas são. Não ligo para prestígio. Mas há quem ligue. E tais pessoas são servidas por mercados específicos.

Não faço a mais mínima ideia de como os fabricantes que vendem produtos para a Amazon e para o Walmart conseguirão manter uma margem de lucro sobre cada produto vendido. Também não sei como a Uber, a Lyft e a Cabify — com sua guerra de preços cada vez mais acirrada entre si mesmas e contra os táxis — conseguem se manter no mercado. Mas isso não é problema meu. Isso não tem qualquer relevância para mim. Sou um mero consumidor. Na condição de consumidor, estou olhando apenas para meus próprios interesses. Quando varejistas que atendem às massas estão concorrendo ferozmente entre si e forçam seus fornecedores (indústrias) a reduzir os preços, isso é ótima notícia para mim.

Por isso, é um total equívoco imaginar que o capitalismo funciona primordialmente para beneficiar os produtores. Isso é uma total incompreensão sobre os princípios deste sistema. O capitalismo — ao menos o genuíno — opera em benefício do consumidor. E há um motivo simples para ser assim. Os consumidores possuem aquilo que os produtores querem: dinheiro. O dinheiro é a mercadoria de mais fácil comercialização em uma economia. Por isso, todos estão atrás do dinheiro. Quem tem dinheiro consegue trocá-lo pelos bens e serviços que quer. Quem tem dinheiro sempre será servido. Quem tem dinheiro está no assento do motorista em uma economia capitalista. E quem tem o grosso do dinheiro em uma economia de mercado? A massa dos consumidores.

Produtores e empreendedores estão no mercado para ganhar acesso ao dinheiro dos consumidores. Os bens e serviços que eles produzem não podem ser utilizados como dinheiro. Não importa quão popular seja um produto específico, ele nunca será tão popular quanto dinheiro. Consequentemente, produtores e empreendedores têm de vender esses bens e serviços aos consumidores para conseguir dinheiro; eles não podem ir ao mercado e simplesmente tentar trocar, como num escambo, seus bens e serviços por outros bens e serviços. Para conseguir o que querem, eles têm de ter dinheiro. Para conseguir dinheiro, eles têm de vender para muitos consumidores. Eles ganharão dinheiro no volume, e não nos preços altos.

Guerra de preços entre empresas sempre beneficia dezenas de milhões de consumidores. Consumidores não têm de negociar descontos com fabricantes ou implorar por preços menores; eles deixam esse serviço por conta das empresas. Na prática, eles terceirizam essa atividade, deixando que as empresas em concorrência façam essa negociação por eles. Na condição de vendedores de bens e provedores de serviços, Amazon, Walmart, Uber, Cabify, Lyft, Netflix, AirBnB e todas as grandes redes varejistas têm de agir em prol dos consumidores. E é assim porque elas estão visando às massas. Elas querem vender para as massas. Elas querem o dinheiro das massas. Sua estratégia é fazer com que mais pessoas comprem seus bens e serviços.

A segunda pessoa mais rica do mundo é Jeff Bezos. Ele criou a Amazon. Se Sam Walton ainda estivesse vivo, ele seria a pessoa mais rica do mundo, pelo menos se não considerarmos Vladimir Putin. Bezos seria então o quarto. Esses dois homens incrivelmente ricos se tornaram ricos porque compreenderam como funciona a concorrência de preços.

Os críticos do capitalismo, que são muitos, simplesmente não entendem que capitalismo significa concorrência de preços, e que o mercado de consumo em massa criado pela concorrência de preços representou o maior benefício econômico para a humanidade nos últimos 200 anos.

[N. do E.: sim, os preços das coisas estão sempre aumentando, principalmente no Brasil. Mas isso se deve às distorções criadas pelo governo, como a inflação da oferta monetária. Ainda assim, o custo real das coisas — isto é, a quantidade de horas de trabalho necessária para se conseguir comprar um bem básico — só faz cair].

Os críticos destas empresas que se esforçam para reduzir seus custos — como a Amazon, a Walmart e a Uber — sempre as atacam "em nome dos trabalhadores". Tais críticos sempre vêm a público denunciar os baixos salários pagos aos empregados. Mas a função do capitalismo é melhorar a vida dos consumidores, e não dos produtores, empreendedores e dos empregados. Produtores, empreendedores e empregados só irão se dar bem em uma economia de mercado se souberem satisfazer os consumidores. Eles só terão lucros se souberam agradar aos consumidores.

Quanto aos empregados, sempre vale ressaltar que eles também são consumidores. Consequentemente, na condição de consumidores, empregados também são beneficiados. Agora, se eles não são bem pagos em termos salariais, então é porque os consumidores não querem pagar bem para eles. Consumidores sempre estão interessados apenas em conseguir as melhores barganhas para si próprios, e não os melhores negócios para os produtores, empreendedores e empregados do setor industrial, atacadista e varejista. Quem determina a sobrevivência de empregos, salários e lucros são os consumidores, e não os capitalistas. Os críticos do capitalismo jamais entenderam isso.

Tais críticos são guiados essencialmente pela inveja, e sempre quiseram atacar e destruir capitalistas e empreendedores. Eles odeiam empreendedores. Só que, ao atacar empreendedores e exigir que o governo confisque grandes fatias de seu lucro, eles estão apenas reduzindo os benefícios que acabariam sendo ofertados aos consumidores (ver aqui e aqui).

Mas eles não ligam. Eles são motivados pela inveja. Eles querem dar uma lição nos ricos. Eles preferem destruir um rico, e com isso sofrer preços mais altos em decorrência desta redução na concorrência, a permitir que o empreendedor continue rico, e com isso se beneficiar de preços menores.

É por isso que a inveja é um pecado horrendo, e os críticos do capitalismo são conduzidos por ela. O indivíduo invejoso jamais poderá ser apaziguado pelo rico. Somente a destruição do rico irá satisfazer o crítico motivado pela inveja.

Para mim, na condição de consumidor, só me resta recostar e apreciar toda a guerra de preços feita por empreendedores que querem o meu dinheiro. E com um adendo magistral: eu não compro muito no Walmart, mas compro muito na Amazon. Não uso muito a Lyft (nem Cabify), mas uso bastante a Uber. Não tenho TV a Cabo, mas tenho Netflix. Se a concorrência de preços do Walmart obrigar a Amazon a reduzir seus preços, se a concorrência de preços da Lyft (e da Cabify) forçar a Uber a reduzir seus preços (ou a não aumentá-los), e se a concorrência de outros serviços de streaming obrigar a Netflix e manter seus preços baixos, isso será um grande benefício para mim.

Isso é o capitalismo em ação.

* Gary North é Ph.D. em história, ex-membro adjunto do Mises Institute, e autor de vários livros sobre economia, ética, história e cristianismo. Visite seu website.

 

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O ETERNO CICLO DE EXPANSÃO DO ESTADO EM SUAS MUITAS FACETAS  -  31/07/2017

 

(Publicado oroginalmente em https://bordinburke.wordpress.com/)

O Governo Federal decide tributar aportes de capital em sociedade enquadradas como microempresas ou empresa de pequeno porte realizados por investidores conhecidos com “investidores anjo”. Em seguida, vem a constatar que os níveis de investimento em startups no Brasil estão muito aquém do verificado no restante do mundo. Logo, resolve oferecer para este fim, via BNDES, linhas de crédito subsidiadas a juros de 5% ano, captando capital para tal a 11% no mercado. Esta medida vem a aumentar o endividamento do Estado, que precisa cobrar mais impostos para cobrir este déficit, e novos “fatos geradores” (justificativas para taxar mais o setor produtivo) são criados e implementados…(retorne ao início do parágrafo);

O Estado regula os serviços de transporte de passageiros. Só podem operar nesta atividade econômica, seja na esfera urbana, intermunicipal ou interestadual, aquele vencedores de processos licitatórios que passam a integrar um oligopólio protegido da entrada de novos investidores. Tais felizardos precisam seguir rigorosamente as exigências do órgão regulador, caso queiram permanecer no clube seleto. Este fator somado à ausência de concorrência anula os incentivos para busca de maior produtividade que possibilite reduzir preços e melhorar a qualidade dos serviços ofertados. Neste vácuo, surgem empresas como Uber, WillGo, Cabify, Televo e EasyGo, e até mesmo iniciativas como as vans “clandestinas” (operando à margem do sistema que as exclui). O governo, instado pelos interesses dos detentores da reserva de mercado, resolve criar novas regulações e coibir a competição… (retorne ao início do parágrafo);

Um emaranhado de burocracia é imposto como obstáculo para os empreendedores do Brasil. São incontáveis normas para obedecer, licenças inúteis para obter e muito tempo e dinheiro a perder neste processo. Como resultado, a iniciativa privada constantemente estagnada não consegue gerar empregos em número e qualidade suficiente para todos os membros da população economicamente ativa. Então o Estado, “solidariamente”, oferece inúmeros cargos na administração pública, seja por livre nomeação, seja por meio de processo seletivo, gerando uma demanda por estes empregos totalmente deslocados da realidade do setor privado. Para suprir a procura, governantes criam mais secretarias e ministérios desnecessariamente, os quais irão impor mais burocracia… (retorne ao início do parágrafo);

Existe uma vasta regulamentação que define quais são os requisitos mínimos para que um projeto de construção de moradia seja aprovado pelas secretarias de obras municipais. O exemplo mais conhecido são os Códigos de Edificações estipulados por cada cidade, mas detalhes específicos impostos por secretarias de planejamento, ambientais e obras normalmente são adicionados na conta – entre eles a Norma de Desempenho, aplicada em nível federal. A prerrogativa (desculpa) usada para o estabelecimento desta regulamentação é a “garantia legal de que todos cidadãos tenham um mínimo de qualidade de habitação”. Tais impedimentos cerceiam o sonho de muitos brasileiros de adquirir a casa própria, pois empreendedores do setor da construção civil não têm como construir moradias a preços acessíveis para os mais pobres. Estes, por consequência, tentarão habilitar-se como beneficiários de programas como Minha Casa, Minha Vida. Tal esquema entre governo e empreiteiras, além de redundar em superfaturamento e corrupção, entrega residências em péssimas condições para estas pessoas. Outros cidadãos irão apelar para construções feitas de improviso e em áreas inadequadas. Para “sanar” o problema, mais leis são promulgadas visando elevar (no papel) o padrão das moradias… (retorne ao início do parágrafo);

A carga tributária insana aplicada tanto sobre a renda quanto sobre a circulação e produção de bens e mercadorias reduz em muito o poder aquisitivo das famílias. Assim, a maioria das pessoas não tem como pagar educação particular para os filhos, seja em nível fundamental, médio ou superior. Elas, portanto, apelam para o ensino público. Mas o Estado não consegue prover tal serviço com a qualidade suficiente, como comprovam os sucessivos fracassos dos alunos brasileiros nos testes de proficiência. Então o governo alega precisar cobrar dos pagadores de impostos e destinar para tal fim mais recursos – sem sequer cogitar modificar os paradigmas paulofreireanos e sua famigerada “pedagogia do oprimido” que transformaram nossas salas de aula, outrora centros de disseminação do saber, em laboratórios de formação de idiotas úteis… (retorne ao início do parágrafo);

As estatais brasileiras investem pesado no patrocínio de diversas atividades esportivas, independente do retorno obtido a partir dos gastos realizado com material de treino, despesas com viagens e hospedagens, bolsas para custeio e até mesmo salários para atletas – para que preocupar-se com essa conta se eventuais rombos podem ser cobertos com aportes do Tesouro Nacional? Empresas privadas, por não possuírem este privilégio de contar com uma máquina de imprimir dinheiro como fiadora, não tem como prestigiarem os desportistas na mesma proporção. Com isso, qualquer reivindicação para a privatização destas empresas deficitárias é combatida sob o pretexto de que a “contribuição social” destas estatais é fundamental para o desenvolvimento não apenas do Esporte, mas também das artes e do entretenimento em geral. Assim, esses elefantes brancos seguem sangrando os cofres públicos e travando a produção de riquezas no país. Como consequência, o patrocínio para atividades esportivas, dentre outros supérfluos, míngua em meio à incessante crise. Para salvar a pátria, as estatais brasileiras… (retorne para o primeiro parágrafo);

Mas Marcelo era um rapaz imune a todos estes ciclos de dependência do Estado. Sempre passou batido por tais arapucas que transformam indivíduos produtivos em carrapatos. Quando quis frequentar uma faculdade particular referência na área de estudo em que pretendia atuar, sua avó, que tanto lhe amava, custeou de bom grado as mensalidades e seus livros. Quando precisou de uma oportunidade para iniciar-se na profissão logo após a graduação, seu tio indicou-lhe para uma vaga na empresa onde trabalhava. Quando quis comprar uma casa, seu irmão emprestou-lhe parte do dinheiro que poupou durante a vida, de tal forma que Marcelo não precisou de empréstimos bancários. Quando passou por períodos de depressão logo após perder seu pai, contou com o suporte emocional do restante de seus parentes para superar o momento complicado e seguir em frente sem precisar afastar-se do ofício às custas do INSS.

E por aí vai. Ou seja, A FAMÍLIA de Marcelo sempre representou um escudo contra o buraco negro estatal que suga pessoas para dentro de sua zona de submissão e não mais permite que andem com as próprias pernas. Como bem descreveu Harry Browne:

O Governo é muito bom em uma coisa: ele quebra suas pernas para te dar uma muleta e dizer “Viu? Sem nossa ajuda você não andaria!”

O problema na vida de Marcelo é seu filho, João: desde cedo doutrinado pelo professor com boina do Che que mora com a mãe aos 40 anos e diz que Sérgio Moro é agente do FBI, bem como lobotomizado precocemente por assistir demais à Globonews e aos seriados e novelas globais, o menino já não respeita mais os pais “opressores” e caiu na cilada estatal de forma quase irreversível já aos 16 anos – quer ser chamado de Samanta e defende cotas até para pessoas com sardas no rosto. Este vai girar indefinidamente pelos ciclos descritos nos parágrafos acima feito um peão, enquanto grita que “foi gópi” e faz o pai chorar no banho. Dureza, Marcelo…
 

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TEMER E JOESLEY  -  30/07/2017

Às vésperas da votação da denúncia contra o presidente Michel Temer na Câmara, a JBS solta provas e detalhes que atingem não apenas Temer como praticamente todo o Congresso que irá julgá-lo. É uma bomba de desmoralização na política brasileira e foi acionada porque Joesley e Wesley Batista só têm uma forma de se salvar: destruindo os outros. Depois das delações, é hora das provas.

Elas têm consistência, como mostra a revista Época. São nomes, dados, contas, datas e operadores de uma rede de corrupção que humilha a Odebrecht. Envolvem Temer, os ex-presidentes Lula e Dilma, ministros como Kassab e Bruno Araújo, ex-ministros como Palocci e Mantega, senadores como José Serra e Eunício Oliveira, e presidentes e deputados da maioria dos partidos.

A revelação das provas da JBS neste momento foi pragmática: a reabertura do Judiciário reabre também a pressão, os debates e as articulações para a revisão do acordo de delação premiada dos irmãos Batista, que corromperam meio mundo e agora explodem o mundo todo, mas saíram ilesos, sem um único dia, ao menos, com uma tornozeleirazinha.

Para manter a mamata, é fundamental robustecer as delações com provas concretas e escapar das brechas. Tanto os advogados da JBS quanto os que querem rever o acordo se debruçam sobre o mesmo material: as gravações dos quatro dias de julgamento em que o Supremo decidiu manter o caso JBS com o relator da Lava Jato, Edson Fachin, e concluiu, sem concluir, quando acordos de delação podem ser anulados e revistos. Acusação e defesa acham a decisão muito confusa.

Joesley e Wesley enfrentam quatro ameaças de perder as benesses da sua delação: 1) se, ao contrário do que concluiu a PGR, ficar provado que eram “líderes de organização criminosa”; 2) se o relatório da Polícia Federal sobre a nulidade da delação de Sérgio Machado produzir efeitos; 3) se comprovado que eles usaram “inside information” para lucrar milhões de dólares com o vazamento da delação; 4) se omitirem informações para proteger Lula e o amigão Palocci.

Os irmãos já preparam a contraofensiva. A primeira foi jogar essa história de quadrilha no colo de Temer, agora veio a apresentação das provas que jorram neste fim de semana, depois é alegar que Sérgio Machado, diferentemente deles, não provou nada. E, enfim, que seria “burrice” manipular dólar e Bolsa no dia da delação. Mera “coincidência”.

Quanto a Lula e Palocci: foi com eles, e à custa do nosso BNDES, que a JBS deixou de ser uma grande empresa nacional para virar uma gigante internacional, mas ele argumenta que “quem tinha Mantega no BNDES não precisava de Palocci”. E o Lula? Se Joesley jogou todo o peso em Temer, mas premeditadamente só passou de raspão por Lula, seu maior benfeitor, isso pode ser caracterizado como “má-fé” e justificar quebra do acordo.

Os irmãos da JBS, portanto, ainda têm muito chão pela frente, mas suas provas na Épocadeixam uma pergunta no ar: como os deputados citados nas suas delações e planilhas podem absolver ou, principalmente, condenar Temer? “Réu” e jurados estão no mesmo balaio. Aliás, até agora, não há um único processo no Congresso contra citados na Odebrecht ou na JBS.

Temer tem votos para salvar o pescoço, mas pode não ter para abrir a votação, que exige 342 deputados. Parte da oposição quer se ausentar, para deixá-lo “sangrando”, ou “com a barriga aberta”, como diz o presidente da Câmara, Rodrigo Maia. E parte da situação até gosta da ideia, para não se expor ao vivo votando a favor de um presidente com míseros 5% de popularidade. Quanto ao País “sangrando” ou “com a barriga aberta”? Bem, essa é uma outra história.

 

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LULA É O CHEFE  -  06/07/2017

 

O perigo do “Fora, Temer” é ofuscar o protagonismo do PT no maior processo de rapina já perpetrado ao Estado brasileiro – aliás, a qualquer Estado. A corrupção como método de governo.

O PMDB, partido que Temer presidiu por longo tempo, e cuja parceria com o PT o levou à vice-presidência de Dilma Roussef, praticou a corrupção clássica, que, embora obviamente criminosa, cuidava de não matar a galinha dos ovos de ouro.

A do PT, não. Não se conformava em enriquecer os seus agentes. Queria mais: saquear o Estado para financiar um projeto revolucionário de perpetuação no poder. Daí a escala inédita, mesmo em termos planetários. Só no BNDES, o TCU examina contratos suspeitos de financiamentos, que incluem países bolivarianos e ditaduras africanas, na escala de R$ 1,3 trilhão. Nada menos.

Poucos países têm tal PIB. A Petrobras, que era uma das maiores empresas do mundo, desapareceu do ranking mundial. Deve mais do que vale. O PT banalizou o milhão – e mesmo o bilhão.

As delações da Odebrecht e da JBS, entre outras de proporções equivalentes (Queiroz Galvão, OAS, Andrade Gutierrez, UTC etc.) mostram quem estava no comando: Lula e o PT. Os demais beneficiários estão sempre vários degraus abaixo. Eram parceiros – e, portanto, cúmplices -, mas sem comando.

Por essa razão, soou como piada de mau gosto – ou um escárnio à inteligência nacional - a afirmação de Joesley Batista de que Temer era o chefe da maior quadrilha do erário. A ação implacável do procurador-geral Rodrigo Janot procurou reforçar aquela afirmação, que obviamente não se sustenta.

Os irmãos Batista, no governo Lula – e graças a ele -, ascenderam da condição de donos de um frigorífico em Goiás à de proprietários da maior empresa de produção de proteína animal do mundo, com filiais em diversos países. Tudo isso em meses.

O segredo? A abertura dos cofres do BNDES, de onde receberam algo em torno de R$ 45 bilhões. Tal como Eike Baptista, são invenções da Era PT. Temer nada tem a ver com isso, ainda que tenha sido – e está provado que foi – beneficiário do esquema.

Mas chefe jamais. Temer e o PMDB são a corrupção clássica, igualmente criminosa, mas em proporções artesanais. É grave e deve ser investigada e punida. Mas enquanto a rapina peemedebista cabe em malas, a do PT exige a criação de um banco, como a Odebrecht acabou providenciando no Panamá para melhor atendê-lo.

É, portanto, estranho que, diante de evidências gritantes como as que Rodrigo Janot dispunha sobre Lula, não tenha se indignado na medida que o fez em relação a Temer e Aécio, cujas respectivas prisões pediu. Jamais denunciou Lula ou Dilma.

Muito pelo contrário. Até hoje não explicou porque destruiu uma delação premiada do ex-presidente da OAS, Leo Pinheiro, que comprometia Lula. Não o sensibilizaram tampouco as delações do casal de marqueteiros João Santana e Mônica Moura, que, inclusive, revelaram um esquema de financiamento de campanhas em países bolivarianos com dinheiro roubado da Petrobras.

E o casal deixou claro a quem obedecia: Lula e Dilma, fornecendo detalhes sórdidos do esquema: entre outras aberrações, uma conta fria de e-mail pela qual Mônica trocava informações com Dilma, com o objetivo declarado de obstrução de justiça.

* Jornalista
 

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EM BUSCA DO HORIZONTE  -  02/07/2017

(Publicado originalmente em gabeira.com.br)

O naufrágio é a perda do horizonte. Estamos todos em busca do horizonte. O período que se abre com a denúncia contra Temer tende a ser bastante confuso. Mas é, de certa forma, um passo previsível na trajetória da crise em que nos metemos.

Procuro alguns elementos na conjuntura que nos possam ajudar a navegar na neblina. Os barcos dispõem de sensores precisos. Não temos instrumentos científicos, apenas algumas intuições. Nossa neblina é mais densa que a simples condensação de água evaporada.

No entanto, algo se move e duas pequenas luzes parecem tremular ao longe. Uma delas tranquiliza: a corrupção não acabou, mas dificilmente terá, nos próximos meses, a mesma intensidade e ousadia do passado. O risco ficou maior: políticos e empresários não ignoram esse fator. A outra pequena luz é apenas uma referência. Ela indica que todas as saídas de curto prazo passam pelo Congresso. Aceitar ou não a denúncia contra Temer, eleger seu substituto ou mesmo alterar a Constituição, tudo passará por ali.

À medida que nos aproximamos do ano eleitoral, cresce o poder da sociedade sobre o Congresso. Pelo menos tem sido assim: com voto aberto formam-se maiorias que o segredo sufoca.

É verdade que esse Congresso abriu um imenso abismo entre ele e a sociedade. Mesmo assim, o instinto de sobrevivência costuma reaparecer nessa época. Não creio que a sociedade vá moldar o caminho em todos os seus detalhes, mas tem condições de escolher as linhas gerais, na medida em que as escolhas sejam postas.

Será difícil a cada instante debruçar-se sobre uma realidade deprimente, vencer a repulsa diante de um jogo político tão baixo. Mas é preciso.

De modo geral, o interesse pela política cresce nas vésperas das eleições.

A denúncia contra Temer encontra nele a mesma resistência que encontram as denúncias contra Lula. Não há provas concretas, dizem ambos, antes de atacar os acusadores, ressaltando que são perseguidos políticos.

Ela pode ser rejeitada ou não pela Câmara dos Deputados. Uma vez que o presidente duvida das provas, questiona sua concretude e conclui pela inépcia da denúncia, o ideal seria levar o tema ao STF.

Naturalmente, qualquer pessoa tem ideia do que é uma prova. Mas ultimamente essa palavra tem sido tão questionada que, ao contrário de outros povos, os brasileiros terão um grau superior de conhecimento sobre prova. Num futuro próximo talvez todos nós tenhamos uma ideia de prova, assim como temos uma escalação ideal para a seleção brasileira.

Para alguns, não há provas de que a mala com R$ 500 mil levada pelo deputado Rocha Loures tenha relação com Temer. Há apenas uma conversa entre o presidente e Joesley Batista, na qual Temer indica Loures como seu interlocutor de confiança.

Não há imagens de Rocha Loures entregando o dinheiro a Temer. Não há certidões oficiais que liguem Lula aos imóveis que a Justiça lhe atribui.

Os defensores mais ardorosos sempre poderão perguntar: onde está a imagem de Temer no táxi, recebendo a mala com que Rocha Loures saiu correndo da pizzaria? Onde está o registro de posse de Lula?

Uma das razões por que a denúncia contra Temer deveria ser aceita pela Câmara é a possibilidade de o tema ser discutido pelo Supremo, onde cada um dos juízes pelo menos já discutiu centenas de vezes o que é uma prova e os limites de sua validade. Mas mesmo no caso de a questão subir para uma decisão do STF, a sociedade está sempre sujeita, como no caso do TSE, a um conflito típico da fábula O Lobo e o Cordeiro.

A suposição é de que gastarão horas e latim para definir o que é um prova, qual a superioridade de uma prova sobre outra, antes de apresentarem o seu veredicto. Ao cabo dessa discussão podem concluir que existem provas e que são abundantes, mas devem ser ignoradas, em nome da estabilidade do País.

Creio que a sociedade esteja acompanhando tudo isso. E o fato de não se ter manifestado com ênfase se deva à própria confusão do quadro político.

O que seria eficaz nessas circunstâncias? O movimento “fora Temer”, inspirado pela esquerda, tem uma visão clara de combater as reformas. Até mesmo a reforma trabalhista, que contempla as transformações do capitalismo e uma nova correlação de forças.

Os trabalhadores reais que se viram num mundo precário não contam tanto como os sindicalizados, os que trabalham com relógio de ponto, numa disciplina fabril. Trabalhadores, para a esquerda clássica, são os que alimentam os cofres dos sindicatos com os impostos e povoam a ideia de uma classe operária dos livros marxistas do século 20.

À precarização do trabalho a esquerda responde com uma aspiração saudosista de voltarmos todos à segurança do passado, algo desejável, mas distante da vida real de quem se vira para sobreviver num mercado em mutação. Essa reforma seria importante no momento.

A da Previdência é necessária, no entanto, mais complicada. Precisaria de ter um foco no serviço público, que tem grande peso nos gastos e na cobrança da dívida das grandes empresas.

Isso só se consegue com apoio popular. As corporações têm muita capacidade de mobilização e as grandes empresas, poderosos defensores. Daí a expectativa de uma reforma da Previdência a partir da legitimidade do novo governo.

Apesar de toda a confusão, a sociedade não pode observar o que se passa como se tivesse um satélite explorando Jupiter. A crise é real, sobretudo para quem vive no Rio, onde há uma dezena de tiroteios por dia e um roubo de carga por hora.

Não se trata apenas do fracasso de um sistema político-partidário. Sem interferência da sociedade ele acabará arruinando o País por décadas.

O que fazer nessa confusão, o que escolher como prioridade para evitar o pior? Já observamos muito o caos. Talvez seja hora de atenuá-lo.

* Jornalista
 

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A FACE MAIS CRUEL  -  19/04/2017

 

Apesar de ofuscada pela divulgação da lista da Odebrecht, a prisão do ex-secretário de Saúde de Cabral não me surpreendeu. Desde 2010, quando imaginei poder competir com essa gigantesca e sedutora máquina de corrupção, apontei, diretamente, para os desvios na Saúde. Minha ideia era simples. Havia corrupção em toda a parte, mas era preciso priorizar as denúncias. Na Saúde, a corrupção mata. É mais fácil passar a mensagem, embora em outros setores ela também produza grandes estragos.

A variedade de escândalos, desde aluguéis de carros que valiam mais do que os próprios carros, ao superfaturamento da compra de material elementar, como gaze, até equipamentos complexos, não deixava dúvida: roubava-se em tudo. No fundo, todas as pessoas informadas estavam alertas como a vizinha de Sérgio Côrtes, na Lagoa. Ela pediu ao porteiro que a acordasse, a que hora fosse, quando a Polícia Federal viesse prender o assecla de Cabral. O interessante nas gravações reveladas pela Lava-Jato é constatar como a equipe de Cabral pensa, agora que foi descoberta. Sérgio Côrtes queria combinar uma delação premiada com o cúmplice, tomando o cuidado de omitir as cifras roubadas, senão teria que devolver o dinheiro. A condenação pública e a própria cadeia não são os fatores que preocupam Côrtes, mas, sim, uma fórmula de reter o dinheiro acumulado. Tudo de valor que poderia ter sido apreendido em sua casa foi vendido, inclusive obras de arte. Para que servem as obras de arte, senão para serem convertidas em dinheiro? Por isso são compradas pelos corruptos brasileiros. Na verdade, a prisão de Côrtes não surpreendeu a ninguém, nem mesmo a ele. A demora serviu apenas para que se preparasse e salvasse um pouco da grana, uma vez que sempre contam com cadeia curta.

A lista da Odebrecht saiu num momento difícil para mim. Meu avião partia às 6h para Roraima. A opção era dormir ou pesquisar todos os detalhes dos pedidos de inquérito. Matérias tão amplas e vazadas parcialmente acabam trazendo um pouco de confusão. É o ônus do mundo on-line. Lula e Dilma não estavam na lista. Não têm foro privilegiado. Mas alguns admiradores que, no passado, defendiam-nos com o argumento de que todos recebiam dinheiro foram um pouco mais longe: insinuaram, agora, que todos, menos o Lula e a Dilma, receberam. São um espanto.

O tempo vai mostrar que o sistema político brasileiro sofreu um grande baque, e só sua renovação interessa. A esquerda sonha com a vitória de Lula porque acha que vitória na eleição absolve. Nesse quadro mental, a aplicação das leis passa pela contagem de votos. É um caminho para a instabilidade, porque processos legais seguem seu ritmo. Urnas não lavam um passado de crimes. Da mesma maneira, o PSDB terá que reduzir seu leque de candidatos. Os que foram denunciados pela Odebrecht estariam sujeitos também à mesma instabilidade no poder. A diferença entre os dois partidos é o fato de a esquerda se apoiar apenas no nome de Lula. Como é um líder carismático, milhares acreditam nele, mesmo com tantas evidências contrárias. A estratégia é vencer as eleições para escapar da prisão. No caso do PSDB, sem líderes messiânicos, os eleitores tendem a se comportar de uma forma mais severa. Uma candidatura, apenas para se salvar da polícia, seria tão desastrosa que morreria ao nascer. Não foi apenas o quadro da eleição presidencial que se abalou com as delações da Odebrecht. Foi todo o sistema partidário, o modo de fazer eleições — esses temas que já estavam no ar antes da aparição da lista.

Os jornalistas pediram tempo de análise, diante de tantos nomes e fatos surgidos na delação da Odebrecht. Apesar da rapidez que a tecnologia impõe, faria bem a todos que discorrem sobre o tema ler com cuidado toda a massa de informações. Por isso, divido a prisão de Côrtes com a lista. Esta última ainda merece reflexão e debate, algo difícil para mim agora, trabalhando na fronteira com a Venezuela. O caso de Côrtes e da quadrilha de Cabral, no entanto, é um terreno mais seguro. Algumas pessoas costumam dizer que não se alegram com a prisão do outro. Compreendo que sejam assim, mas seria falso admitir esse sentimento em mim. Certas prisões me alegram. Pessoas que roubam na Saúde, superfaturam remédios e próteses, inventam desnecessárias cirurgias e ficam podres de ricas com isso, merecem cadeia. Muitos anos de cadeia.

A sofrida população do Rio, por exemplo, os milhares de rostos anônimos, de corpos doloridos jogados em macas nos corredores dos hospitais, todos estão incluídos no conceito de ser humano. E às vezes escapam dos radares dos autointitulados progressistas que votaram em Cabral, com a bênção de Lula. Vivemos um momento pantanoso, o país precisa de tolerância e alguma unidade para enfrentar seus problemas. Mas existe uma linha divisória incontornável. Os brasileiros precisam responder qual é o seu lado: o de quem roubou ou de quem foi roubado.
 

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CENSURA E PERSEGUIÇÃO NA UNIVERSIDADE: O CASO ANA CAROLINE CAMPAGNOLO  -  15/04/2017


(Publicado originalmente em
institutoliberal.org.br)

Só há dois tipos de pessoas que negam que há doutrinação em sala de aula: mentirosos e ingênuos. Não estou generalizando a doutrinação. Ela não acontece sempre e em todos os lugares, mas ocorre muitas vezes e em vários lugares. E isso já basta.

Digo isso porque atualmente corre um processo na justiça no qual Ana Caroline Campagnolo, professora de História, acusa, legitimamente, como veremos, a professora Marlene de Fáveri por discriminação e perseguição religiosa e ideológica na UDESC – Universidade do Estado de Santa Catarina – eis o vídeo completo da Audiência Pública onde Campagnolo expõe caso e os áudios nos quais podemos ouvir claramente a perseguição sofrida por ela. Não vou me atentar aos detalhes do processo, pois eles já são explicitados de forma pormenorizada pela própria Campagnolo neste vídeo. O que gostaria de fazer aqui, brevemente, é reforçar a ideia de que a doutrinação ideológica em sala de aula é inegável. Vamos aos fatos.

A professora Marlene de Fáveri, que seria a orientadora de Campagnolo, com o suporte de vários alunos, infringiu o Artigo 3º da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (2005) que pode ser encontrado aqui.

Eis alguns incisos importantes que foram claramente violados:
II – liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o pensamento, a arte e o saber;
III – pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas;
IV – respeito à liberdade e apreço à tolerância;

Marlene de Fáveri desrespeita o inciso segundo sobre a “liberdade de aprender” quando diz: “nós estamos aqui porque nós nos matriculamos dentro de uma perspectiva de pensamento.” Mas como a própria Campagnolo fala, ela não se matriculou numa “perspectiva de pensamento”. Aliás, ninguém se matricula numa “perspectiva de pensamento”, mas num curso que, público e que tem uma professora “democrática” como Fáveri alega ser, deveria respeitar a opinião de todos os estudantes, ainda que “problematizando-as” – como adoram dizer.

O terceiro inciso é desprezado quando a professora fala sobre o curso. No que diz respeito às ideias feministas por ela defendidas, a professora afirma: “ou eu concordo ou não concordo; se eu não concordo eu não venho”. Cadê o pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas? Quer dizer que, se a estudante for contrária ao pensamento feminista, ela não pode se matricular num mestrado em História numa universidade pública? Todos os estudantes de Ciências Humanas sabem que ser opor ao feminismo, ainda que de forma velada, causa furor, pior ainda quando o sujeito ousa declarar-se adversário da causa.

No momento em que Campganolo diz ser conservadora, uma de suas colegas de sala de enuncia: “Eu não sei, de repente tem uma universidade em História que seja conservadora…” O absurdo da situação parece não ter limites. Em vez de a professora, que é servidora pública, rechaçar a fala da colega e mostrar que o ambiente universitário deve ser democrático, não faz nada. Depois, outra colega de Campagnolo assinala: “Só que a lógica, Ana, é que a tua lógica, a lógica dos conservadores é a lógica da opressão e a nossa não.” Que clichê! Que pobreza de espírito! Dito isso, pergunto: quem está oprimindo quem? Quem é a minoria oprimida naquela sala? É exatamente a conservadora que está sendo oprimida, afinal, a maioria, que é de esquerda, a oprime, o que solapa a própria militância advogada pelas feministas.

Em seguida uma colega admite: “…a gente não vai ver um conservador com bons olhos”. Claro que ninguém é obrigado a ver ninguém com bons olhos. Eu também não vejo com bons olhos essa turma sectária. Mas no ensino público é dever do professor e dos alunos respeitarem o inciso IV citado acima: “respeito à liberdade e apreço à tolerância;” Logo depois a professora lamenta: “triste que seja desse jeito e, evidentemente, tem muita gente que gosta do ridículo…” O que seria o ridículo aqui? Respondo: ridículo, para ela, é ser conservador, cristão e não gostar da militância feminista. Eu também acho ridícula a metafísica do Estado socialista ou o sacrifício da ciência no altar da paixão político-ideológica, mas as opiniões devem ser respeitadas. Não deveríamos nos comportar como pelotões de fuzilamentos inimigos, como disse João Pereira Coutinho semanas atrás.

É impossível negar os fatos acima, que são sustentados por provas. Mas existe algo a mais nisso tudo, e este algo a mais é o fato de que a educação, os estudantes e disputa pela verdadeira pluralidade está em curso, mesmo que alguns estudantes tenham que sofrer na pele as consequências de enfrentar a hegemonia da esquerda. Já passou da hora de a universidade fazer jus à sua própria concepção.

Outra coisa. Parece que a professora Marlene de Fáveri, bem como inúmeros professores, até hoje não compreenderam o significado da palavra “universidade”. Ou será que “universidade” também quer dizer algo como “pólo de militância política”? Vejamos:
u•ni•ver•si•da•de – substantivo feminino

1. Universalidade.
2. Conjunto de escolas de instrução superior onde se professam ciências ou letras.
3. Os edifícios em que se professam.
4. O corpo docente dessas escolas.
5. O conjunto dos estudantes da Universidade.
1.6. Academia.

É, de fato a palavra “universidade” nada tem a ver com militância, seja lá qual for. Por isso Ana Caroline Campagnolo tem razão. A professora opressora que confunde o ato de ensinar com sacerdócio ideológico e a sala de aula com a sede de um partido revolucionário a desrespeitou e, conforme Campagnolo aponta no processo, Fáveri a perseguiu religiosa e ideologicamente.
 

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O GRANDE BENEFICIADO PELO CAPITALISMO FOI O CIDADÃO COMUM, E NÃO OS RICOS E PODEROSOS  -  05/04/2017

 

Responda rápido: quem realmente foi o grande beneficiado pelo capitalismo?

Se você respondeu "os ricos", você nunca estudou história.

A história nos mostra que todo o progresso industrial, todos os aperfeiçoamentos mecânicos e elétricos, todas as grandes maravilhas tecnológicas da era moderna, e todas as grandes conveniências e facilidades que hoje nos são disponíveis teriam significado relativamente pouco para os ricos e poderosos em qualquer época da história.

Por exemplo: um sistema moderno de saneamento básico, com rede de esgoto e água encanada, teria trazido benefícios adicionais para os ricos da Grécia Antiga? Dificilmente, pois eles tinham servos para lhes garantir todas essas comodidades. Os servos faziam o papel da água corrente.

Os nobres da Roma Antiga teriam maior qualidade de vida caso houvesse televisão e rádio? Improvável, pois eles podiam ter os principais músicos e atores da época fazendo apresentações exclusivas em suas mansões, como se fossem seus serventes.

Roupas manufaturadas, máquinas de lavar, microondas e supermercados? Os ricos e poderosos nunca precisaram se preocupar com essas coisas. Roupas e alimentos eram feitos e mantidos por seus serventes, que lhes entregavam tudo em mãos.

Que tal coisas mais modernas, como máquinas fotográficas ou mesmo smartphones para fazer selfies? Isso teria trazido pouquíssimos benefícios adicionais para os aristocratas da antiga, pois eles podiam simplesmente ordenar que os melhores e mais talentosos artistas do reino pintassem quadros com seus retratos e os retratos de outros membros da realeza.

Avancemos as comparações agora para o mundo moderno. Hoje, no smartphone de cada cidadão comum há inúmeros aplicativos que trazem grandes comodidades. Irei destacar dois: o GPS e os serviços de transporte, como Uber, Cabify e Lyft.

Pergunta: como exatamente os ricos e poderosos são beneficiados por um GPS e pelo Uber? Eles dificilmente precisam dessas duas comodidades, pois raramente dirigem por conta própria e ainda mais raramente pegam um taxi. Além de terem motoristas particulares, eles andam de limusines próprias e viajam de jatinhos, e possuem toda uma equipe de funcionários para esquematizar e cuidar de todos os detalhes de suas viagens.

Por outro lado, pense nos enormes benefícios que o GPS, a Uber e o Cabify trouxeram para o cidadão comum, que agora não apenas pode ir a qualquer lugar com seu próprio carro como também pode se deslocar de forma barata e luxuosa em sua própria cidade. E sem precisar de toda uma equipe de funcionários para fazer os preparativos e arranjos.

Os exemplos são inúmeros e podem ser expandidos infinitamente: desde toda a enciclopédia de informações trazidas pela internet ao cidadão comum (os ricos e poderosos nunca tiveram dificuldade de acesso à informação), passando pelas facilidades de lazer, entretenimento e cultura (hoje, você lê todos os livros em seu smartphone e assiste a todos os filmes na comodidade de sua casa, sob demanda; acesso a livros e filmes nunca foi problema para os ricos e poderosos), e culminando na fartura e na facilidade de acesso à alimentação e moradia.

Nada disso nunca foi problema para os ricos e poderosos. Já o capitalismo disponibilizou tudo para o cidadão comum.

Por isso, Ludwig von Mises sempre dizia que o capitalismo não é simplesmente produção em massa, mas sim produção em massa para satisfazer as necessidades das massas. No capitalismo, os grandes inovadores não produzem artigos caros, acessíveis apenas às classes mais altas: produzem bens baratos, que podem satisfazer as necessidades de todos.

Ao passo que, séculos atrás, toda a produção funcionava a serviço da gente abastada das cidades, existindo quase que exclusivamente para corresponder às demandas dessas classes privilegiadas, o surgimento e a expansão do capitalismo geraram a produção de artigos acessíveis a toda a população. Produção em massa para satisfazer às necessidades das massas.

Por isso, todas as grandes conquistas do capitalismo resultaram primordialmente no benefício do cidadão comum. Essas conquistas disponibilizaram para as massas confortos, luxos e conveniências que, antes, eram prerrogativa exclusiva dos ricos e poderosos.

Uma porção desproporcional dos benefícios do capitalismo, do livre mercado, da inovação, da invenção de novos produtos, do comércio e dos avanços tecnológicos vai para o cidadão comum, e não para os ricos e poderosos.

Eis o que disse Joseph Schumpeter sobre o poder do capitalismo em aprimorar o padrão de vida dos comuns:
O motor do capitalismo é, acima de tudo, um motor de produção em massa, o que inevitavelmente também significa produção para as massas. [...]

Verificar isso é fácil. Sem dúvidas, há bens e serviços disponíveis hoje ao cidadão comum atual que o próprio Luis XIV adoraria ter: por exemplo, a odontologia moderna. [...] Por outro lado, a luz elétrica não representaria um grande conforto ou dádiva para uma pessoa poderosa o suficiente para comprar um grande número de velas e ter servos para mantê-las constantemente acesas. Até mesmo a velocidade com que se viajava à época não deve ter sido objeto de grande consideração para um cavalheiro tão distinto.

Roupas fartas e baratas, fábricas de seda e algodão, sapatos, automóveis e vários outros bens são as típicas façanhas da produção capitalista. Por si sós, elas não representam aprimoramentos que mudariam enormemente a vida do homem rico e poderoso.

A Rainha Elizabeth sempre teve meias de seda. A façanha do capitalismo não consiste em fornecer mais meias de seda para as rainhas, mas sim em disponibilizá-las para as mulheres trabalhadoras em troca de quantidades de esforço continuamente decrescentes.

Apenas leia esse último parágrafo de novo. Deveríamos estar ensinando isso para as nossas crianças. No entanto, o que elas estão sendo ensinadas neste exato momento é que, sob o capitalismo, os ricos ficam cada vez mais ricos e os pobres, cada vez mais pobres. O exato oposto da realidade.

Conclusão
Progressistas que dizem que todos os ganhos de uma economia de mercado vão para os ricos são ignorantes da realidade que os cerca. Apenas pense no tanto que essas pessoas estão erradas da próxima vez que você usar seu laptop, tablet, smartphone, GPS, Spotify, ou se deslocar utilizando Uber, Lyft ou Cabify.

A única entidade que pode afetar, atrasar e atrapalhar todo esse progresso incrível, dificultando o acesso do cidadão comum a essas comodidades que melhoram seu padrão de vida, é o governo e suas políticas que destroçam a economia e o poder de compra das pessoas.

 

http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=2646
 

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DOIS TEXTOS IMPERDÍVEIS  -  06/02/2017

Nota do editor:

Pareceu-me melhor juntar estes dois textos num único post pois tratam do mesmo assunto: relações perigosas e inconvenientes no STF. Ao que comenta o bageense Edgar Muza ainda cabe acrescentar a recente informação sobre as mensagens trocadas entre Carlos Gabas e o Ministro Toffoli, objeto de outra matéria neste blog.


J.R.Guzzo, em PARA QUEM QUER (Revista Veja)

O Brasil de hoje é provavelmente um dos países do mundo que melhor convivem com o absurdo. Fomos desenvolvendo na vida pública brasileira, ao longo de anos e décadas, uma experiência sem igual em aceitar a aberração como uma realidade banal do dia a dia, tal como se aceita o passar das horas ou o movimento das marés – “No Brasil é assim mesmo”, dizemos, e com isso as coisas mais fora de propósito se transformam em fatos perfeitamente lógicos. A morte do ministro Teori Zavascki, dias atrás, na queda de um turbo-hélice privado no litoral do Rio de Janeiro, foi a mais recente comprovação da atitude nacional de pouco-caso diante de comportamentos oficiais que não fazem nexo. É simples. O ministro Zavascki não podia estar naquele avião, porque o avião não era dele - estava viajando de favor, e um magistrado do Supremo Tribunal Federal não pode aceitar favores, de proprietários de aviões ou de qualquer outra pessoa. Nenhum juiz pode, seja ele do mais alto tribunal de Justiça do Brasil, seja de uma comarca perdi-da num fundão qualquer do interior.

Da morte de Teori Zavascki já se falou uma enormidade, e sabe lá Deus o que não se falou, ou talvez ainda se fale. Foram feitas indagações sobre o dono do avião, um empresário de São Paulo, seus negócios e suas questões junto ao Poder Judiciário. Foram apresentados detalhes sobre as suas relações pessoais, seus projetos empresariais e seu estilo de vida. Foram examinadas as circunstâncias em que se originou e evoluiu seu relacionamento com o ministro Zavascki. Não apareceu nada que pudesse sugerir qualquer decisão imprópria por parte do magistrado - ao contrário, sua conduta à frente dos processos da Operação Lava Jato continua sendo descrita como impecável. Mas o problema, aqui, não é esse. O problema é que ninguém, entre os que tomam decisões ou influem nelas, estranhou o fato de que um dos homens mais importantes do sistema de Justiça brasileiro, nos trágicos instantes finais de sua vida, estivesse viajando de carona no avião de um homem de negócios que não era da sua família nem do seu círculo natural de amizades. Não se trata de saber se o empresário era bom ou ruim. Sua companhia não era adequada, apenas isso, para nenhum magistrado com causas a julgar.

A questão não se limita aos empresários. Não está certo para um juiz, da mesma maneira, frequentar ministros de Estado e altos funcionários do governo. Ele também não pode andar com sócios de grandes escritórios de advocacia – grandes ou de qualquer tamanho. Entram na lista, ainda, diretores de “relações governamentais” de empresas, dirigentes de órgãos que defendem interesses particulares e políticos de todos os partidos. Não dá para aceitar convites de viagem com “tudo pago”, descontos no preço e qualquer coisa que possa ser descrita como um favor. Não é preciso fazer a lista completa - dá para entender perfeitamente do que se trata, a menos que não se queira entender. O ministro Zavascki não era, absolutamente, um caso diferente da maioria dos membros do STF e de uma grande parte, ninguém poderia dizer exatamente quantos, dos 17 000 magistrados brasileiros de todas as instâncias. Seu comportamento era o padrão – com a diferença, inclusive, de ser mais discreto que muitos. Ninguém nunca viu nada de errado no que fazia - e ele, obviamente, também não.

Cobrança exagerada? Diante dos padrões de moralidade em vigor na vida pública nacional, é o caso, realmente, de fazer a pergunta. Mas não há exagero nenhum em nada do que foi dito acima. Ao contrário, essa é a postura que se observa em qualquer país bem-sucedido, democrático e decente do mundo. Na verdade, não passa na cabeça de ninguém, nesses países, levar uma vida social parecida à que levam no Brasil os ministros do STF e de outros tribunais superiores, desembargadores e juízes de todos os níveis e jurisdições. Muitos magistrados brasileiros também acham inaceitável essa confusão entre comportamento privado e função pública. Não falam para não incomodar colegas, mas não aprovam – e não agem assim. Têm a solução mais simples para o problema: só falam com empresários etc. no fórum, e nunca a portas fechadas. Para todos eles, “conversa particular” é algo que não existe. Nenhum deles vê nenhum problema em se comportar assim. Eles aceitam levar uma vida pessoal com limites; só admitem circular na própria família, com os amigos pessoais e entre os colegas. Fica mais difícil, sem dúvida, mas ninguém é obrigado a ser juiz, nem a misturar as coisas. Só quem quer.

Edgar Muza, em A DESCONFIANÇA AUMENTA
(Extrato de artigo na Folha do Sul)

A impunidade, as explicações mal dadas, a credulidade da população com tudo o que a imprensa noticia, torna muita gente alienada. Alguns por falta de tempo. Outros por falta de interesse. E outros ainda porque “estando bem para mim, está tudo bem”. Poucos pensam no conjunto, ou nos outros, são personalistas. Felizmente ainda tem gente que raciocina e desconfia. Recebo todas as semanas, por doação do Da Cruz (filho do Chinês, Olmiro Passos), a revista Veja. A desta semana, que estará nas bancas a partir de hoje - para os assinantes chega aqui no sábado anterior à sua data base -, no caso atual, dia primeiro de fevereiro. Na última página da revista tem um colunista, jornalista J.R.Guzzo, que aborda o tema que transparece desconfiança.

 É claro que o “cordão dos desconfiados, cada vez aumenta mais”. Mas o que ele afirma que desperta minha curiosidade e o traz para meu grupo de desconfiados? Sua afirmação é incisiva: “O ministro Teori Zavascki não podia estar naquele avião”. Na coluna imediatamente após a morte do ministro questionei as causas pelas quais ele estava no avião que pertencia a sócio do presidente da BTG Pactual, preso por ordem do Teori. Tive o cuidado de não levantar nenhuma suspeita sobre o dono do avião, caso os técnicos que iriam investigar as causas do “acidente” não concluíssem, como concluíram, que foi falha humana. O motivo era simples, o dono morreu junto. Pois bem, o colunista foi mais além: “O ministro não podia estar naquele avião, porque o avião não era dele. Estava viajando de favor e um magistrado do Supremo Tribunal Federal não pode aceitar favores, de proprietários de aviões ou de qualquer outra pessoa. Nenhum juiz pode, seja ele do mais alto tribunal de Justiça do Brasil, ou de uma comarca perdida num fundão qualquer do interior”.

Aí lembrei de três ministros. Toffoli, que, como presidente do TSE, simplesmente não moveu nenhuma palha para julgar o pedido do PSDB, que queria anular a eleição de Dilma/Temer. Muito mais por Dilma do que por Temer. Lewandowski, que presidiu a sessão do Senado que cassou a Dilma, concordou com a não suspensão de seus diretos políticos, contrariando a Constituição e o regime do Senado. E, finalmente, Gilmar Mendes, que tem dado declarações que o tiram da condição de insuspeito para julgar os casos atuais de corrupção. Além do mais, seguindo a afirmação do jornalista Guzzo, não deveria ter aceito carona no avião de Temer a Portugal para os funerais de Mario Soares, onde sequer compareceu à cerimônia. Para piorar sua situação, e aumentar a desconfiança geral, após a morte de Teori, foi jantar com o Temer, ao lado de Moreira Franco, sogro do presidente tampão da Câmara, e agora preferido do governo, Rodrigo Maia. E sem agenda marcada.

Outra frase de Guzzo que chama a atenção: “Não se trata de saber se o empresário era bom ou ruim. Sua companhia não era adequada, apenas isso, para nenhum magistrado com causas a julgar”. (...)
 

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A MÃE DE TODAS AS DELAÇÕES!  -  24/01/2017

 

   Um dos espantos a partir do fato mais importante da semana, o acidente no qual perdeu a vida o Ministro Teori Zavascki, é a ingênua (ou esperta?) lembrança do nome de Sérgio Moro para ocupar a vaga aberta no STF.

           Se isto acontecesse, em primeiro lugar, Sergio Moro não poderia julgar os eventuais recursos da Lava Jato, por já ter atuado nos mesmos na fase de primeira instância. Em segundo lugar, até que seu eventual substituto em Curitiba tomasse pé das entranhas dos volumosos processos que lá correm, o atraso seria inevitável.

           Sem dúvida, seria uma jogada de mestre para beneficiar os corruptos uma nomeação de Sérgio Moro para o STF neste momento. Se ocorrer a remota possibilidade da medida ser cogitada, muito provavelmente o próprio juiz Moro se encarregaria de desencorajá-la já na etapa das sondagens.

           Porém, depois da conclusão dos processos da Lava Jato, ele mereceria ser indicado com honras para o mais alto posto da magistratura brasileira.

           O fato, é que a grande dúvida na cabeça dos brasileiros hoje, é se os criminosos conseguirão atrasar ou sabotar a Lava Jato.

           Está se discutindo bastante para as mãos de quem a relatoria dos processos da Lava Jato iriam, no STF. Para o substituto indicado pelo presidente Temer? Para um dos membros da segunda turma? O próprio presidente Michel Temer já deu declarações indicando que passará a decisão à ministra Carmem Lúcia, presidente do STF. Foi uma atitude sábia.

Ora, os acordos da Odebrecht devem ser homologados imediatamente. A equipe de Teori Zavascki é composta por juízes auxiliares, advogados e técnicos capacitadíssimos, que trabalharam sem parar durante todo o recesso. Conhecem todos os detalhes dos processos de delação executivos da Odebrecht.

Felizmente, há quem defenda esta tese. Mas é preciso mais. O ministro Gilmar Mendes já deu declarações dizendo que a coisa mais urgente agora é a homologação. Mesmo como medida excepcional.

No final de semana surgiram comentários de que haveria a possibilidade de que mesmo antes do fim do recesso do Judiciário, até 31 de janeiro, a presidente do Supremo Tribunal Federal. Carmen Lúcia, poderia tomar a decisão de homologar as delações premiadas dos executivos da empreiteira Odebrecht.

Tomara.

Seria a melhor atitude a tomar. Aplacaria os comentários com suspeitas e palpites sobre as causas do acidente que matou os ocupantes do King Air acidentado em Parati, enquanto não se conhece o laudo da perícia sobre o acidente.

           Afinal, se formos parar para refletir, quando alguém argumentar com você sobre as remotas chances percentuais de acerto em jogos de azar, como loterias, mega sena, etc. , peça-lhe que calcule também a probabilidade percentual de ocorrer um acidente com morte do relator da Lava Jato no STF, às vésperas da homologação da “mãe de todas as delações”.

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DETURPARAM MARX: MILÉSIMA EDIÇÃO  -  07/11/2016

 

(Publicado originalmente em sensoincomum.org)

"O PT nunca foi de esquerda" - A esquerda, agora, tenta atribuir à direita os resultados catastróficos de suas ideias e práticas.

As eleições municipais de 2016 no Brasil sinalizaram um evidente enfraquecimento da esquerda. Significativo quanto a isso foi o colapso eleitoral do PT, que, no segundo turno, foi derrotado em todas as capitais onde disputava prefeitura, inclusive na região que foi o berço do partido – o ABC paulista.

Diante da perda de poder, e quebrada a hegemonia com a qual se acostumara desde os anos 1960 (como já assinalara à época Roberto Schwarz), a esquerda brasileira, com notável capacidade de resposta, já se articula como no passado em torno de seu esporte predileto: a auto-crítica. Mas que o leitor não se deixe confundir por homonímias. No vocabulário esquerdista, a expressão tem um significado bem específico, distinto daquele, habitual e senso-comum, que envolve noções como arrependimento moral, culpa, peso na consciência etc.

Desprezando aquele conjunto de idéias, expressões do que Trotsky ridicularizou como “catecismo burguês” – enfatizando suas origens cristãs –, a esquerda entrega-se à auto-crítica num único e exclusivo sentido, um sentido, por assim dizer, metodológico, jamais ético. Tudo o que busca avaliar são as razões de sua perda de poder.

Eis o critério orientador da auto-crítica de esquerda: o poder. Ter o seu poder político limitado é a única coisa capaz de revolver o espírito do esquerdista a ponto de nele suscitar um simulacro de indignação moral sincera, ainda que pervertida. Nada poderia exemplificá-lo melhor que as maquiavélicas palavras de Gramsci acerca do moderno príncipe, isto é, o partido de esquerda:
“O moderno príncipe, desenvolvendo-se, subverte todo o sistema de relações intelectuais e morais, na medida em que o seu desenvolvimento significa de fato que cada ato é concebido como útil ou prejudicial, como virtuoso ou criminoso, mas só na medida em que tem como ponto de referência o próprio moderno Príncipe e serve para acentuar o seu poder, ou contrastá-lo”.

É nesse contexto que surgem agora dois movimentos simultâneos e complementares no seio do esquerdismo brasileiro, ambos os quais buscando juntar os cacos com vistas a uma futura retomada do poder.

O primeiro é aquele que poderíamos chamar de ortodoxia petista, representado intelectualmente por nomes como Marilena Chauí, Emir Sader, Renato Janine Ribeiro, André Singer, entre outros. Seu método é reafirmar obstinadamente, a despeito dos fatos, o caráter popular e democrático do projeto petista, cujo fracasso, portanto, deve ser todo posto na conta de uma ‘elite’ (termo que incluiria a maior parte da população brasileira, a oposição, a Polícia Federal, o Ministério Público, o STF e sabe-se lá mais o que) em tese refratária à ascensão social dos mais pobres.

É, em suma, a tese do golpe de 2016, veiculada numa série de novos livros conjunta e emergencialmente editados – o que revela ainda a força da extrema-esquerda no campo da circulação de idéias – com o fito exclusivo de emplacar a delirante narrativa dos vencidos.

O segundo, que poderíamos chamar de reformismo pós-PT, é usualmente representado por apóstatas do petismo (figuras como César Benjamin, Luiz Eduardo Soares, José de Souza Martins, entre outros), e seu argumento central, mais sorrateiro, consiste na afirmação de que o PT nunca foi de esquerda. Segundo essa perspectiva – reforçada recentemente pelo marxista italiano Antonio Negri (ver aqui) –, nunca se é de esquerda o bastante.

Trata-se do apelo à velha estratégia do “deturparam Marx” – pela qual a esquerda mundial procurou justificar os crimes contra a humanidade cometidos por regimes comunistas – ou, na formulação do filósofo Gilles Deleuze, “não há governo de esquerda” (ver aqui). A esquerda estaria sempre em oposição ao poder, não passando de uma idéia bonita, uma virtualidade jamais atualizada. Para quem não deseja assumir a responsabilidade pelas consequências de suas idéias, eis a receita ideal. A esquerda seria sempre pedra, jamais vidraça.

Embora pareçam divergir, os dois movimentos opõem-se apenas na superfície. Encontram-se, no máximo, em oposição dialética. Nos termos de uma clássica definição de György Lukács, dir-se-ia que são “momentos dialético-dinâmicos de um todo que, ele próprio, também é dialético-dinâmico”. Trata-se de uma divisão que apenas impulsiona a esquerda para mais perto de seus objetivos, sendo o primeiro deles, tradicionalmente, o livrar-se do peso de seus fracassos e crimes.

Este texto é uma tentativa retardatária de resposta a um artigo bastante representativo do reformismo pós-PT, publicado já há quase um ano, e pouco notado no campo liberal-conservador. Intitulado “Por que a esquerda tem mais razões do que a direita para ser a favor do impedimento de Dilma e da punição de Lula?”, seu autor é o economista Reinaldo Gonçalves, professor titular da UFRJ.

O artigo de Gonçalves, um dos raros esquerdistas a se manifestar à época favoravelmente ao impeachment de Dilma Rousseff, tem como objetivo purificar a esquerda brasileira, apagando para isso os seus laços de cumplicidade com o falido projeto lulo-petista. A estratégia tem tudo para dar certo, por conta do mau uso que, em geral, a classe falante brasileira faz dos conceitos de “esquerda” e “direita”.

Que o governo do PT não tenha sido de esquerda foi sugerido até mesmo pela experiente jornalista Dora Kramer (ver aqui). E não teria como ser de outro modo: quando se parte de um conceito meramente idealizado de esquerda – e num país como o nosso, carente nas últimas décadas de um pensamento conservador, esse conceito é adotado inclusive por anti-esquerdistas –, torna-se obviamente impossível apreender essa esquerda na realidade política.
De resto, devo dizer que concordo parcialmente com o diagnóstico geral do autor, por sinal muito bem exposto. E também, é claro, com o remédio então sugerido: impeachment da Dilma (já concretizado) e prisão de Lula (estamos todos no aguardo!). Mas, por partir de uma perspectiva intelectual e política diversa, eu não posso endossar a sua razão pragmática, que é fazer com que a esquerda reassuma, como se nada houvera acontecido, o controle das ruas e o monopólio sobre a interpretação dos acontecimentos, que ela recentemente perdeu – e, graças à internet, perdeu feio.
Reinaldo Gonçalves foi filiado ao PT durante 20 anos, tendo rompido com o partido em 2005, dizendo-se cada vez mais arrependido e envergonhado por essa longa filiação. Hoje, apesar de anti-petista, segue sendo um homem de esquerda (um social-democrata tendendo ao socialismo, parece-me).

Eu, que já fui de esquerda (de vertente mais soixante-huitardista que marxista), já há muito deixei de sê-lo. Poderia dizer-me de direita, mas com a condição de ressalvar: uma direita ainda politicamente inexpressiva no Brasil, e que, nos últimos anos apenas, começou a ganhar terreno na esfera cultural, posto que de maneira incipiente. Logo, a distância enunciativa, por assim dizer, entre mim e o autor, deve fatalmente produzir curtos-circuitos classificatórios e enganosas homonímias.

Adotarei aqui a perspectiva de um emergente pensamento neoconservador brasileiro, sem pretensão de representá-lo exaustivamente, é claro. Não falo em nome do conservadorismo nacional como um todo, tampouco ousarei defini-lo de forma precisa. Há gente mais gabaritada para fazê-lo. O que o leitor verá aqui é o meu entendimento particular do conservadorismo, e como ele serve de base para a minha crítica. Longe de encará-lo como uma doutrina passível de ser coerente e sinteticamente exposta, vejo-o mais como um antídoto anti-doutrinário, uma certa disposição do espírito.

Sem querer pregar apenas para convertidos, dirijo-me também a uma eventual esquerda republicana sobrevivente ao colapso do lulo-petismo, uma esquerda imaginária, livre do ranço totalitário e patrimonialista daquele modelo. De boa vontade, tomo o economista Reinaldo Gonçalves por representante metonímico dessa nova esquerda virtual. Mas observo que, apesar de sua manifesta intenção de abertura intelectual e renovação, parece-me que também essa variante da esquerda continua refém de certos vícios adquiridos, os quais, se não corrigidos, tendem a inviabilizar um debate político honesto. Eis o cerne do meu comentário.

Dos procedimentos adotados por Gonçalves com vistas à obtenção de precisão conceitual acerca da dicotomia esquerda versus direita, eu não faria qualquer objeção relevante ao primeiro – “hipóteses simplificadoras”, que circunscrevem a discussão aos limites da democracia capitalista – e terceiro – “tipologia flexível”, que determina como campos políticos a esquerda, a centro-esquerda, o centro, o centro-direita e a direita. Já quanto ao segundo, que o autor denomina “marcadores”, gostaria de pontuar algumas coisas.
Os principais marcadores utilizados pelo autor são o mercado e o Estado. Essas instituições, diz ele, “são fundamentais para se configurar os campos da esquerda e da direita”. Digo eu, no entanto, que essa é uma meia-verdade.
Sim. É fato que a oposição mercado versus Estado define basicamente a divergência entre liberais e esquerdistas (social-democratas e/ou socialistas). O problema começa quando o autor opta por tratar liberais e conservadores como um bloco homogêneo (“direita”), incorrendo num equívoco teórico típico da esquerda, que, de partida, distorce consideravelmente o debate político. O ponto é que a oposição “Estado vs. mercado” não contempla exatamente o campo conservador, para o qual seria preciso inserir aí, no mínimo, dois outros marcadores fundamentais: a família e a comunidade (moral e/ou religiosa).
E então teríamos os conservadores abrindo duas frentes de divergência, uma com a esquerda (Estadovs. família ou comunidade), outra com os liberais (mercado vs. família ou comunidade). É um erro conceitual equacionar conservadorismo com mercado auto-regulado, como propõe o quadro 1 do artigo de Gonçalves:

Porque, para o conservadorismo (e aqui penso sobretudo em sua vertente anglo-americana), o mercado também deve ser, de certa maneira, ‘regulado’. Não, é claro, pelo Estado – que, de acordo com certa filosofia política conservadora (ver, por exemplo, a de Bertrand de Jouvenel), tende ‘naturalmente’ a um temível agigantamento –, mas pelos valores morais e religiosos compartilhados pela comunidade, e sedimentados no seio da família.


E sim, a família aqui é a família monogâmica tradicional. Embora o conservador possa reconhecer a legitimidade (civil, legal, afetiva) dos novos arranjos familiares surgidos nas sociedades contemporâneas, ele repudia o combate ideológico (revolucionário) contra o conceito de família tradicional, que resulta em aberrações politicamente corretas tais como, entre outras, a abolição do Dia dos Pais e do Dia das Mães em algumas escolas contemporâneas. O conservador tem apego à realidade acima das idéias, e repugna-lhe a hipótese de supressão de porções da realidade e de tradições histórico-culturais na base da canetada de algum engenheiro social auto-proclamado progressista.

Os conservadores são, sem dúvida, favoráveis ao capitalismo e à liberdade de mercado. Mas a liberdade não deve ser absoluta, não podendo o capitalismo estar dissociado da consolidação cultural de uma determinada antropologia filosófica, ou concepção de homem, notadamente a judaico-cristã. Sem isso, pensa o conservador, corre-se o risco de descambarmos para as formas mais cruas e selvagens de materialismo e consumismo hedonista, justamente daquele tipo previsto por Marx em sua profecia auto-realizável.

Uma das grandes brigas entre conservadores e ultra-liberais (por vezes chamados “libertários”) é que, para os primeiros, nem tudo tem preço e nem tudo passa pela liberdade individual de escolha. As escolhas dos indivíduos devem basear-se num senso de responsabilidade para com o próximo, sendo inseparáveis de um correto discernimento moral.

Acerca da divergência entre a defesa liberal da “liberdade” e o apreço conservador pela “ordem” (condição, segundo essa filosofia, tanto das liberdades concretas quanto da propriedade privada), recomendo o primeiro capítulo de O Que é Conservadorismo?, do filósofo britânico Roger Scruton, recentemente lançado no Brasil pela É Realizações. O filósofo Olavo de Carvalho também escreveu pelo menos três artigos muito elucidativos sobre o tema (ver aqui, aqui e aqui).

Penso que qualquer conservador endossaria a caracterização jocosa de Gonçalves acerca dos “meninos afoitos da ortodoxia”, isto é, os liberais. Os conservadores, se são fundamentalmente anti-coletivistas, tampouco endossam aquele individualismo de cunho utilitarista quase sempre subjacente ao pensamento liberal. Para o conservador, a liberdade não pode ser um princípio auto-fundante, caso em que degenerar-se-ia no seu exato contrário: a liberdade de escravizar, por exemplo, incluindo a auto-escravização por apetites irrefreados.

A liberdade deve vir temperada com a ordem, não apenas civil e estatal, mas, sobretudo, a ordem interna da alma, conceito tradicional da antropologia filosófica clássica e judaico-cristã, que depois caiu em desuso com a emergência da antropologia filosófica moderna (iluminista, materialista, secularista e imanentista). “A pólis é o homem escrito em letras maiúsculas”, ensina Platão na República (368 c-d), lição que Eric Voegelin, expoente do conservadorismo no século XX, chamou de princípio antropológico. Esse me parece um axioma da filosofia conservadora.

John Adams, segundo presidente americano, e o mais conservador dos “Founding Fathers”, ilustrou-o bem, ao escrever em 1798 sobre a Constituição Americana:

“Não há governos capazes de lidar com paixões humanas desenfreadas, imunes à moralidade e à religião. A avareza, a ambição, o desejo de vingança ou a luxúria poderiam romper as sólidas amarras de nossa Constituição qual uma baleia através de uma rede de pesca. A nossa Constituição foi feita exclusivamente para um povo moral e religioso. Ela é totalmente inadequada para qualquer outro”.

Trocando em miúdos, Adams está dizendo que governos e códigos de leis não são formas puras e autônomas, aplicáveis sobre qualquer “substância” social. O mesmo vale para sistemas econômicos, acrescento eu. Nessa perspectiva, uma comunidade moralmente sã e ordenada, formada por homens maduros e responsáveis (spoudaios, na terminologia de Aristóteles), é a precondição essencial para o bom funcionamento de sistemas políticos e econômicos. Há aí a intuição fundamental de que, aquém da política e do progresso tecnocientífico, existe uma ordem moral permanente e eterna que preside as mudanças sociais.

É o apego fundamental àquela ordem – que Edmund Burke chamava de “o contrato da sociedade eterna”, G. K. Chesterton, de “democracia dos mortos”, e T. S. Eliot, de “estrato pré-político” – que gera o tradicional ceticismo conservador em face da ação política. Não que ele não reconheça a sua importância, assim como a importância crucial da autoridade, mas ele tende a olhar a política de maneira pragmática e circunstancial, jamais doutrinária e fundada sobre princípios abstratos ou declarações grandiloquentes de intenções (“justiça”, “liberdade”, “igualdade”, “um país sem miséria” etc.). Contra a política ideológica, a política conservadora é a política da prudência, para citar o conhecido título de Russell Kirk, um dos maiores conservadores americanos do século XX.

Na famosa definição de Michael Oakeshott:
“Ser conservador é preferir o familiar ao desconhecido, preferir o tentado ao não tentado, o facto ao mistério, o real ao possível, o limitado ao ilimitado, o próximo ao distante, o suficiente ao superabundante, o conveniente ao perfeito, a felicidade presente à utópica. As relações e lealdades familiares serão preferíveis ao fascínio de vínculos mais proveitosos; comprar e expandir será menos importante que conservar, cultivar e desfrutar; a dor da perda será maior que a excitação da novidade ou da promessa. É ser igual ao nosso próprio destino, é viver ao nível dos meios, contentar-se com a necessidade de maior perfeição pessoal como com as circunstâncias que nos rodeiam”.

Portanto, é impossível falar de conservadorismo sem levar em conta a importância da dimensão religiosa para essa filosofia. Nesse sentido, liberais e esquerdistas estão bem mais próximos entre si, ambos herdeiros confessos, mais ou menos orgulhosos, da antropologia filosófica secularista e da filosofia hegeliana da história.

A tradição conservadora, por outro lado, vê nestas antropologia e filosofia da história bases nocivas para a vida política. (O leitor encontrará uma boa exposição crítica da antropologia filosófica secularista, do ponto de vista conservador, no livro O Drama do Humanismo Ateísta, do filósofo jesuíta Henri de Lubac).

Com tudo isso, não pretendo dizer que todo conservador seja, necessariamente, religioso. Há conservadores agnósticos e ateus tanto quanto religiosos. O britânico Theodore Dalrymple, por exemplo, que esteve recentemente no Brasil, é um bom representante do conservadorismo secular. Mas é difícil encontrar conservadores que não atentem para a importância do resgate dos valores clássicos e judaico-cristãos como força cultural e civilizacional. Não só judaico-cristãos, a bem da verdade.

Muitos conservadores dirigiram sua sede de eternidade e transcendência a outros sistemas filosóficos ou religiosos. Sabe-se que o católico T. S. Eliot, por exemplo, explorou a fundo a metafísica hindu e a filosofia budista. Sem falar em toda a tradição perenialista de René Guénon, Ananda Coomaraswamy, Frithjof Schuon ou Julius Evola.

É importante enfatizar que, ao contrário dos liberais e dos esquerdistas, o conservador entende a religião, não como questão meramente privada, mas como uma conquista cultural que deve influir na esfera pública. Isso não se confunde, em hipótese alguma, com negar a laicidade do Estado. Trata-se precisamente do contrário. O conservador crê na separação essencial entre Estado e sociedade civil, e rejeita qualquer mistura entre religião e política, sobretudo aquela que, seguindo a profecia (ou maldição) de Ludwig Feuerbach no século XIX, resultaria na atribuição de um caráter sagrado à ação política.

O conservador afirma, aliás, e com razão, que a separação entre religião e política é uma herança da matriz cultural cristã, virtualmente inaplicável fora dela. A política como a “arte do possível” (sensuRussell Kirk) seria um antídodo para toda sorte de “messianismo político” (sensu Jacob L. Talmon).

Enfim, depois dessa resumida (muitos dirão grosseira) apresentação da direita conservadora, que a análise de Gonçalves, restrita à problemática econômica, não teria como contemplar, gostaria de analisar alguns trechos pontuais de seu artigo que me parecem substancialmente equivocados. Vou numerá-los e comentá-los pontualmente.

1) “A direita rotula o governo do PT como sendo de esquerda porque adota o programa Bolsa Família”.

Não é verdade. Qualquer direitista minimamente letrado sabe aquilo que o próprio autor informa no texto: que programas do tipo “Bolsa-Família” são uma invenção liberal, tendo brotado da cachola de homens como Milton Friedman. Portanto, não é isso que faz com que o PT seja de esquerda. Políticas assistencialistas podem ser – e são – utilizadas por governos de direita, de esquerda e de centro, de maneira mais ou menos eleitoreira, mais ou menos viciosa.

A crítica específica ao Bolsa-Família do PT volta-se ao seu uso escancaradamente – dir-se-ia, grotescamente – eleitoreiro, com emprego de chantagem e ameaça aos beneficiados que não votem no partido, e com uso abusivo da máquina pública nesse mister. Trata-se, sobretudo, de denunciar a ausência de qualquer política estável de melhoria de renda, que pudesse pouco a pouco tornar autônomo o beneficiário de programas sociais.

O PT, contrariando todo o bom-senso, jactou-se do aumento da quantidade de dependentes dos programas, quando um sinal de desenvolvimento do país seria o número de pessoas que já não precisassem deles. “O melhor programa social é um emprego”, bem dizia Ronald Reagan.

Logo, ninguém diz que o PT é de esquerda por causa do Bolsa-Família. O PT é de esquerda por toda a sua cultura política, pelo simbolismo que orienta os seus militantes, pela biografia de seus quadros, as suas alianças objetivas com regimes socialistas etc. Poder-se-ia, enfim, citar inúmeras evidências do esquerdismo do PT, recorrendo sobretudo aos documentos do partido e às idéias defendidas por seus adeptos, mas isso tomaria muito espaço neste artigo. Ademais, o ônus da prova cabe a quem defende a excêntrica tese do não-esquerdismo do PT.

A situação é, de fato, bem diversa daquela descrita por Gonçalves. Foi a esquerda que, agora, com o barco naufragando, decidiu rotular o PT como sendo de “direita”, apenas porque o partido seguiu por um tempo uma agenda relativamente neo-liberal (categoria distorcida e mistificada pela esquerda, como bem explica o diplomata Paulo Roberto de Almeida neste artigo). Por ter governado em conluio com os grandes bancos e as grandes empreiteiras, o PT vem sendo chamado de “direita” pela esquerda não-petista, como se a aliança entre partidos socialistas e banqueiros fosse coisa inédita e intrinsecamente contraditória. Ora, tal contradição só existe nas enciclopédias, dicionários e manuais de auto-convencimento da esquerda.

Quem conhece, entre outros, os trabalhos do historiador britânico Anthony Sutton, em especial os livros The Best Enemy Money Can Buy e Wall Street and the Bolshevik Revolution, sabe que a revolução bolchevique de 1917 foi, em parte, patrocinada por grandes financistas de Wall Street interessados na queda do czar por motivos mercadológicos. Há fortes indícios de que a própria viagem de Trotsky de Nova York até a Rússia tenha sido pessoalmente bancada por Jacob Schiff, do banco Kuhn, Loeb & Co. Em 1911, o cartunista Robert Minor, ele próprio bolchevique, publicou no St. Louis Dispatch um cartoon significativo a esse respeito. Nele, Karl Marx em pessoa, chegando em Wall Street com um livro intitulado “Socialismo” embaixo do braço, é saudado com entusiasmo por financistas tais como John D. Rockefeller, J. P. Morgan, John D. Ryan e George W. Perkins, além de Teddy Roosevelt.


A simbiose, em tese paradoxal, entre o grande capital e o comunismo fora notada também pelo romancista britânico H. G. Wells em seu livro Rússia nas Sombras: “O grande negócio não é de forma alguma antipático ao comunismo. Quanto mais ele cresce, mais se aproxima do coletivismo”.

Um dos sinais mais evidentes disso talvez seja o artigo elogioso que, em 10 de agosto de 1973, David Rockefeller dedicou a Mao Tse-tung no New York Times, dizendo-se particularmente bem impressionado com o “senso de harmonia nacional” e o sucesso da revolução em “não apenas produzir uma administração mais eficiente e dedicada, como também incutir na população um moral elevado e uma comunhão de propósitos” (sic).

O tipo de capitalismo monopolista de Estado praticado pelo PT e os seus “companheiros” foi muito similar ao que vicejava clandestinamente na própria URSS, dando origem efetivamente a duas “classes” distintas: de um lado, a população comum, vítima da catástrofe econômica do sistema e refém da escassez de bens e produtos; de outro, a Nomenklatura, desfrutando de um rico e vasto mercado negro, e consumindo os melhores e mais finos produtos vindos do estrangeiro.

A situação é explicada em detalhes no livro URSS: The Corrupt Society – The Secret World of Soviet Capitalism, de Konstantin Simis. Criou-se na URSS dois mundos paralelos e incomunicáveis: o mundo rico e luxuoso da elite partidária, do governo, dos burocratas e funcionários públicos (e, assim como no Brasil, todos ali queriam ser funcionários públicos!); e o mundo famélico e miserável da população ordinária. Nada era comum aos dois mundos: havia o sabonete da elite dirigente (macio e cremoso) e o sabonete comum (seco e sem espuma); o pente dos burocratas (de matéria nobre e resistente) e o pente do resto (que quebrava em uma semana); o tecido dos apparatchik (finos e importados) e o tecido das demais pessoas (roto e áspero), e assim com toda e qualquer mercadoria.

Aquele tipo de capitalismo oligárquico e concentrado é pura esquerda. Não se trata de nenhuma invenção petista, muito menos de uma guinada à direita. Ele é resultado da própria lógica da esquerda revolucionária: para se distribuir igualmente a riqueza, é preciso um poder gigantesco que se erga acima das classes existentes e, na base da força, tome a riqueza de uma e a transfira para a outra. Esse poder gigantesco concentra-se fatalmente no partido.

Como já explicou Olavo de Carvalho, a “ditadura do proletariado” é, pois, uma impossibilidade prática; o que existe e existiu em todos os regimes socialistas foi a ditadura do partido. Para se manter no poder e realizar o objetivo declarado no início da revolução, o partido precisa concentrá-lo cada vez mais, a fim de vencer as forças contra-revolucionárias (ou “reacionárias”) – em primeiro lugar, as externas; e, num segundo momento, as de dentro do partido, quando chega então o momento da depuração, dos expurgos, dos rituais de auto-humilhação – em suma, a especialidade de Stalin.

Para o exercício do poder – como já explicou, entre outros, Napoleão Bonaparte –, todo partido precisa de três coisas fundamentais: dinheiro, dinheiro e dinheiro. Agora, qual o único sistema econômico no mundo a criar dinheiro? Resposta: o capitalista. Só ele. Não existe economia socialista. Isso é uma contradição em termos. O próprio Lênin reconheceu a impossibilidade prática de uma economia inteiramente estatizada. E Ludwig von Mises, como Gonçalves deve saber melhor que eu, demonstrou-o teoricamente de maneira inapelável na década de 1920. Logo, mesmo na URSS, sempre houve um misto de economia estatal e economia privada. O fato de comunistas se renderem, a contragosto, à imperiosa necessidade de alguma economia de mercado não os transforma automaticamente em “direitistas”.

Logo, o fato de que o PT tenha feito o jogo dos bancos e das empreiteiras não significa nenhuma concessão à direita ou ao liberalismo. Tanto quanto qualquer partido totalitário, o PT precisava de dinheiro para a sua política de aparelhamento e compra de consciências. Ademais, coube a ele, via empréstimos sigilosos do BNDES, o papel de grande financiador dos regimes socialistas e bolivarianos vizinhos, parceiros de Foro de São Paulo.

O partido não podia se dar ao luxo de quebrar o país cedo demais, venezuelanizando-o de saída. Havia todo um esquema continental de poder que cabia ao PT, com o dinheiro tungado do contribuinte brasileiro, bancar. Seria tão absurdo afirmar que, ao seguir o modelo econômico mezzo liberal (que Gonçalves chama de “liberal periférico”), o PT inclinou-se à direita, quanto dizer que Lênin virou direitista ao lançar a sua Nova Política Econômica.

2) “Certamente, os marcos do Lulismo agridem mais os valores e interesses da esquerda do que valores e os interesses da direita”.

Talvez o lulismo agrida parte da esquerda brasileira, mas é preciso não esquecer um pequeno detalhe: o lulismo é de esquerda. Não é justo empurrar esse Mateus para o colo da direita. Quem o pariu que o embale! Não há porque acreditar que ele seja mais nocivo à esquerda do que à direita.

Durante muito tempo, a esquerda amparou o lulopetismo, sendo a direita (digo, uns poucos gatos-pingados auto-identificados como conservadores ou liberais) o único vetor de crítica àquele projeto. Quando teve chance de demonizar os críticos de direita do Lula e do PT, tachando-os de “elitistas”, “preconceituosos”, “racistas contra nordestinos” etc., a esquerda brasileira em peso nunca se vexou de fazê-lo.

Parte dela pode ter rompido com o PT, uns há mais tempo, outros há menos. Mas foi a direita a pioneira no combate frontal ao esquema lulopetista, e, portanto, este continua sendo-lhe mais anátema do que o é para a esquerda. Na luta política, como em tudo o mais, antiguidade é posto. A esquerda deve entrar na fila do anti-petismo. Afinal, como questionaria um grande filósofo popular “Chegou agora e já quer sentar na janelinha?”.

O que a esquerda brasileira anti-petista tenta agora fazer com o PT é o mesmo que a esquerda ocidental pós-soviética tentou fazer com o bolchevismo: limpar-se nas máculas do próprio passado, ou seja, monopolizar oportunistamente a crítica ao petismo. Em La Grande Parade, seu grande livro sobre a estranha sobrevivência da utopia socialista após o fim da URSS, Jean-François Revel descreveu bem a estratégia:
“A esquerda não se equivoca jamais ou, quando muito, se equivoca apenas em relação a si própria, em seu próprio seio, de um modo indigno de ser discutido senão pelos pares que a compõem, jamais sob condições que pudessem levá-la a dar razão, ou mesmo a palavra, aos seus adversários”.

A esquerda no poder nunca é a “verdadeira” esquerda. A “verdadeira” esquerda é sempre aquela que anda virá a assumir o poder. Stálin foi o primeiro grande representante dessa “esquerda falsa” na qual a “esquerda verdadeira” tentou se limpar. E aqui vale lembrar que um esquerdista brasileiro como o Mino Carta já tentou, sem ruborizar, empurrá-lo para a direita. Depois de Stálin, a esquerda gritou: “Agora vai”. E o que veio foi Mao Tse-tung; depois, Fidel, Pol Pot, Ho Chi Minh, Hugo Chávez, todos com o mesmo resultado catastrófico… Hoje é o Lula quem faz as vezes de papel-higiênico, roto e esfarrapado, quando já no horizonte surgem os “novos” candidatos a ícones da “verdadeira” esquerda (Mujica? Bachelet? Pablo Iglesias Turrión? Tsipras? Bernie Sanders? Marcelo Freixo?).

Em resumo, tanto quanto os seus antecessores, Lula também não foi a “verdadeira” esquerda. Porque a “verdadeira” esquerda não se equivoca, não peca, não comete crimes. O equívoco, o pecado e o crime são atributos da “falsa” esquerda – ou seja, a direita. A “verdadeira” esquerda nunca pode ser julgada por parâmetros atuais, porque o seu projeto não está no presente, sendo indefinidamente adiado para um futuro desconhecido. A “verdadeira” esquerda só poderia governar o Paraíso. Cito Revel mais uma vez:
“Segundo essa argumentação, o horror das consequências provaria a excelência do princípio (…) Pois, ao se avaliar os zeladores de um modelo ideal, não são os atos que deveriam servir de critério, mas as intenções. No fundo, o reino do comunismo não é deste mundo, e seu fracasso aqui em baixo é imputado ao mundo, não ao comunismo enquanto conceito”.

A esquerda é como o marido traído: sempre a última a saber. O que Alain Besançon escreveu sobre o comunismo em A Infelicidade do Século vale para a esquerda em geral: “Cada experiência comunista é recomeçada na inocência”. Parte da esquerda nacional pretende agir agora como se nunca vira o Lula mais gordo. Mais um pouco e o homem vira ícone do conservadorismo…

Parece-me que Gonçalves tenta encapsular a crítica dentro do campo da esquerda, deslegitimando previamente toda oposição não-esquerdista ao PT. Ele busca aproximar o PT da direita a fim de isolar uma esquerda pura como portadora única da virtude política. Se é mesmo assim, como vimos, seria a milésima vez na história que a esquerda tenta a mesmíssima estratégia.

Não acho que Gonçalves o tenha feito por maquiavelismo, sequer mesmo intencionalmente, mas por puro vício de raciocínio. Como se sabe, é tradição da esquerda raciocinar dialeticamente, assumindo o controle tanto da tese quando da antítese, com vistas a uma síntese superior. Mas acho sinceramente que, dessa vez, a esquerda terá um pouco mais de dificuldade para impor tal narrativa, pois que já há um número suficiente de opinadores liberais e conservadores para contestá-la e refrescar a memória nacional.

Em política, não existem soluções definitivas e sínteses superiores. A política é um diálogo interminável num mesmo plano, uma dialética sem síntese, por assim dizer, exercício de convivência dos heterogênos e contrários. É um campo de perpétua coetaneidade, sem Aufhebung. A direita brasileira não vai entregar a antítese assim de bandeja ao adversário. Daqui em diante, não convém à esquerda querer superá-la. Será preciso, em vez disso, tolerá-la. Será preciso, enfim, negociar. E não seria essa a essência mesma da dinâmica política dentro de um estado democrático de direito?

3) “O apoio das forças políticas de centro e de direita para essa agenda não é razão para se tentar desqualificar ou rejeitar os protestos pacíficos, populares e democráticos. O argumento de que essa agenda é promovida pelos conservadores ou pela direita é, na melhor das hipóteses, um erro analítico que pode ser um erro histórico. A esquerda deve participar dos protestos”.

Falso. As três grandes manifestações populares de 2015, bem como a de março de 2016, simplesmente a maior da história nacional, foram, sim, promovidas por grupos e pessoas de tendência conservadora e liberal. Eu estive nas quatro ocorridas no Rio de Janeiro, em Copacabana. Conheço alguns dos organizadores e suas referências intelectuais e políticas. Muitos fazem parte dessa “nova direita” que ora começa a ganhar terreno no mercado editorial (basta a ver a lista de mais vendidos de não-ficção para conhecer-lhes os nomes) e na cultura de maneira mais ampla, ameaçando a histórica hegemonia cultural da esquerda. Eu vi in loco os cartazes dos manifestantes, ouvi seus gritos de guerra, senti o clima. As manifestações foram, sem dúvida, para além de anti-petistas, visivelmente anti-esquerdistas.
Convém lembrar que quase toda a esquerda brasileira, incluindo sua parcela mais crítica ao PT, jogou contra as manifestações, justamente por considerá-las de direita, como Gonçalves reconhece. De maneira quase unânime, a esquerda tentou antes de tudo esvaziá-las. Depois, fracassado esse objetivo, a estratégia foi desqualificá-las como coisa de “coxinha”, “elite branca”, “eleitores do Aécio”. Resta mais do que claro que as manifestações não partiram da elite, porque a elite do país (empreiteiras, bancos, Organizações Globo etc.) esteve com Dilma, em favor da “governabilidade”, até os últimos momentos.

As manifestações – como de hábito no mundo contemporâneo – foram coisa da classe média, a mais explorada por aquele capitalismo de compadrio que une o Estado e as mega-empresas. Suas pautas foram claramente conservadoras e liberais – “burguesas”, poder-se-ia dizer: defesa da constituição, dos valores republicanos, da isonomia, da ordem, da família, das cores nacionais, tendo sempre a rede-PT(PT, PCdoB, PSOL, UNE, CUT, MST, MTST, CNBB et caterva) como anátema.

A esquerda, se quisesse, poderia e deveria ter participado dos protestos. Mas, para isso, seria preciso ter a humildade de reconhecer que a sua agenda está desgastada, e que ela deve fazer um exame de consciência verdadeiro, respeitando a natureza das manifestações, sem tentar apropriar-se delas para fins particulares.

Afinal, ao lado dos pedidos de impeachment e da prisão do Lula, havia por todo o país centenas de cartazes com dizeres tais como “Olavo [de Carvalho] tem razão”, “Mais Mises, menos Marx”, “Abaixo o Foro de São Paulo” e “A nossa bandeira jamais será vermelha”. Não se viu nenhum cartaz em que se lesse “Zizek tem razão”, “Vladimir Safatle tem razão”, “Marcelo Freixo tem razão” e, muito menos, “Abaixo o capitalismo!”.

Embora eu desconfie que o seu poder de mobilização popular tenha se esgotado, a esquerda, repito, pode e deve voltar às ruas. Mas, ao longo dos próximos anos, ela terá que aprender a conviver com uma direita política emergente, que não tem qualquer relação com o regime militar, e contra a qual os clichês stalinistas habituais – “fascistas”, “elitistas”, “inimigos do povo” – serão impotentes. É uma direita com gente preparada, que tem lido e estudado muito, e que provavelmente conhece a esquerda mais do que esta conhece a direita. E, sobretudo, formada por intelectuais e aspirantes a intelectuais que desenvolvem suas atividades à margem da universidade, livres, portanto, de seus formalismos e sinecuras. Escrevendo, ademais, num português mais clássico, sem os maneirismos acadêmicos à la“penteadeira de velha” (na feliz expressão do poeta Bruno Tolentino), esses intelectuais da nova direita estão destinados a atingir um público bem mais vasto.

Dos anos 1960 para cá, a intelligentsia de esquerda optou por enfrentar o pensamento de direita mediante a difamação ou o boicote silencioso: isso ocorreu com Gustavo Corção, Roberto Campos, José Guilherme Merquior, Mário Ferreira dos Santos, José Osvaldo de Meira Penna, Nélson Rodrigues, Paulo Francis, Bruno Tolentino, Olavo de Carvalho e até mesmo, em alguma medida, com Gilberto Freyre. Em relação à tradição conservadora européia e americana, a coisa é ainda mais espantosa.

Em uma rápida consulta ao banco de teses da CAPES e do CNPq, eu pude constatar a quase ausência de referências aos maiores expoentes do pensamento conservador mundial: Irving Babbit, Richard M. Weaver, Erik von Kuehnelt-Leddihn, Eric Voegelin, Thomas Sowell, Eugen Rosenstock-Huessy, Theodore Dalrymple, Irving Kristol, John Kekes, Kenneth Minogue, Jean-François Revel, David Horowitz, Roger Kimball, Russell Kirk, Michael Oakeshott, Roger Scruton… Todos esses nomes, ou não constam, ou constam de maneira esporádica nos bancos de dados. É provável que a imensa maioria dos universitários brasileiros contemporâneos nunca tenha sequer ouvido o nome desses autores, quanto mais as suas idéias. Para a esquerda brasileira da Nova República, a “direita” é, em larga medida, uma fantasmagoria, um espantalho, um vetor dos próprios traumas e preconceitos históricos.

Saltará a esquerda brasileira para fora do trem-fantasma? Estará a esquerda pós-PT preparada para abandonar o modelo gramsciano de hegemonia cultural e ocupação de espaços? Estará ela disposta a um debate franco de idéias e propostas para o país, com um adversário real e auto-consciente? Saberá a esquerda nacional compreender a direita como substantivo, não apenas como adjetivo de desqualificação a priori? Abrirá mão a nova esquerda da monopolização das virtudes e da eterna postura acusatória? Aceitará disputar honrosamente com a direita um espaço no coração e nas mentes dos brasileiros?

Seria bom, mas eu duvido. A nova esquerda nacional parece-me familiar, prematuramente senil e cansada, pronta a, ao primeiro sinal de embate com um adversário de carne-e-osso, aconchegar-se no conforto psicológico das categorias políticas de 1968, o ano que nunca termina.

4) “O ponto central é que a esquerda tem muito mais razões para apoiar a agenda popular do que a direita”.

Não é verdade. Como vêm demonstrando pesquisas de opinião recentes, a “agenda popular” no Brasil tende a ser predominantemente conservadora e de direita, sobretudo no que diz respeito a costumes e valores – aborto, legalização das drogas, desarmamento, redução da maioridade penal, novos arranjos familiares, políticas de identidade sexual e de gênero etc. Em quase todos esses temas, a elite cultural de esquerda vai para um lado; a população em geral, para o outro. Com exceção do apego ao Estado forte e ao assistencialismo, a agenda da esquerda está quase sempre em desacordo com a dita “agenda popular”.

A afirmação de que a esquerda tem mais razões para apoiar a “agenda popular” não passa de wishful thinking, talvez auto-lisonjeiro, mas objetivamente equivocado. Se pensamos nos valores do brasileiro médio, especialmente dos mais pobres, é fácil constatar que a esquerda já não tem muito o que lhes dizer.

Grosso modo, a esquerda ama tudo o que o povão odeia (legalização das drogas e do aborto; estatuto do desarmamento; beijo lésbico idoso na novela; manutenção da maioridade penal aos 18 anos; fim do capitalismo, revolução social e Marcha das Vadias; patrulhas politicamente corretas da linguagem; desmilitarização da PM; Canal Futura; comida vegetariana; ciclovias; Tropa de Elite II) e odeia tudo o que o povão ama (religião cristã, em geral; pastores evangélicos, em particular; ordem; família tradicional; “bandido bom é bandido morto”; programa do Datena; piada da bichinha contada pelo Costinha; o Papa; o programa Patrulha da Cidade, da rádio Tupi; churrasco na laje; carros possantes; Tropa de Elite I).

Se a sociedade está relativamente dividida, deveria caber aos intelectuais, como de costume, a responsabilidade de organizar e dar expressão simbólica a essa divisão, para que ela possa fluir, através dos canais legítimos e institucionais do debate público, até desaguar na disputa política formal. Sem radicalismos, sem traumas, sem rupturas revolucionárias. Em suma, à moda conservadora…

 

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OS CATÓLICOS IDIOTAS ÚTEIS DE GEORGE SOROS  -  26/09/2016


(Publicado no Washigton Times 30/ago e traduzido para o MSM)

Uma série de documentos notáveis foram vazados pela Wikileaks recentemente. A “sociedade aberta” de George Soros (Open Society Policy Center), ao que parece, fez doações de 650 mil dólares a duas organizações religiosas ou “baseadas na fé”. Inicialmente, isso pode se assemelhar a uma conversão religiosa de Soros. Mas não é. Indo mais fundo, essa motivação filatrópica possui um motivo bem mais banal: a política.

No entanto, havia uma dimensão bastante interessante para as doações a esses dois grupos – “PICO” e “Fé na Vida Pública” (Faith in public life, FPL) - que, além de serem “baseadas na fé", gerenciam redes de ativistas “grass roots” (grass roots em inglês significa “pessoas separadas da elite” ou “gente comum”). Soros estava contribuindo para recrutar 10 mil voluntários, enquanto treinava outros 3.500 para uma mobilização, a fim de influenciar a Igreja Católica em 2015 durante a visita do Papa Francisco aos Estados Unidos.

Num primeiro momento, as doações parecem benignas. Como presidente de um grupo não-partidário, eu entendo que é preciso dinheiro para disseminar as ideias de uma organização às pessoas religosas. O que é desconcertante, no entanto, é a intenção política (muito óbvia pelos documentos) para manipular os líderes da Igreja Católica. Tem-se a impressão de que Soros e seus companheiros de viagem enxergam as lideranças das comunidades religiosas em geral e, principalmente da Igreja Católica, como meros idiotas úteis a serem manipulados para promoção de suas agendas políticas e secularistas.

Apesar disso, os “justiceiros sociais” dessas duas organizações beneficiadas por Soros (PICO e FPL) aparentemente não possuem nenhum escrúpulo moral sobre o recebimento de dinheiro de fontes que, a julgar por várias “empresas” de caridade de George Soros, veem a Igreja Católica e outros grupos religiosos tradicionais como uma grande parte dos problema sociais que procuram erradicar. De acordo com os documentos vazados, uma parte das doações monetárias de Soros foi gasta promovendo John Gehring, um ex-assistente de diretor de mídia, na Conferência dos Bispos Católicos dos EUA, como comentarista dos meios de comunicação nacionais de mídia.

Gehring entrou em conflito com os bispos católicos em 2012 após a emissão de uma nota que fornecia aos jornalistas perguntas antagônicas para confrontarem os bispos sobre a Quinzena da Liberdade religiosa daquele ano. Ele também encorajou os jornalistas a desafiarem qualquer alegação de que a Primeira Emenda de garantias de liberdade religiosa estava sob ataque.

A visita do Papa Francisco aos Estados Unidos, em 2015, seguiu o lançamento, no início do ano, de sua encíclica “Laudato Si”. Ambas definiram não apenas o cenário da Conferência das Nações Unidas para as Alterações Climáticas, em Paris, mas um amplo debate religioso e político sobre essas questões, precisamente o que o Santo Padre pretendia. Os documentos vazados revelam, entretanto, que o FPL e a PICO tinham muito mais que um debate como seu objetivo.

Eles queriam, por exemplo, “arregimentar bispos para mais expressar publicamente mensagens de justiça econômica e racial, a fim de criar uma massa crítica de bispos que estejam alinhados com o Papa”. Eles também relatam que “os grupos locais de PICO estão capitalizando a dinâmica da visita do Papa, como planejado, para pressionar por uma série de reformas políticas estaduais e locais, inclusive em Minnesota, um estado com população católica significativa nas regiões suburbanas e rurais, onde dezenove paróquias e, distritos-chave legislativos estão prontas a apoiar campanhas legislativas para obter carteiras de motorista para imigrantes, regular empréstimos individuais, e aumentar, em todo o estado, licenças familiares pagas. Os 650 mil dólares também ajudaram a lançar as sementes para os esforços de PICO e FPL para “mudar as prioridades da Igreja Católica nos Estados Unidos para se concentrar em questões de injustiça e opressão".

Outros detalhes dos múltiplos vazamentos de minutas de reuniões da Open Society revelam o trabalho de uma rede política “progressista” que se estende para além da PICO e da FPL nos corredores do próprio Vaticano.


“A fim de aproveitar este momento, vamos apoiar as atividades organizadas pela PICO para envolver o Papa em questões de justiça econômica e racial, usando inclusive a influência do Cardeal Oscar Rodriguez Maradiaga, assessor do Papa, e enviar uma delegação para visitar o Vaticano na primavera ou no verão, para permitir a ele ouvir diretamente os católicos de baixa renda da América”.

As minutas continuam: “ao aproveitar a visita papal para mostrar a crítica ao que o Papa chama de “uma economia de exclusão e desigualdade” e sua rejeição às teorias de redistribuição, PICO e FPL vão trabalhar para construir uma ponte visando maior conversa sobre as preocupações econômicas básicas e mudar paradigmas e prioridades nacionais na preparação para a campanha presidencial de 2016”. Tendo em conta os esforços evidentes contra alguns grupos de ativistas de base religiosa, que essencialmente parecem perto de influenciar a atual campanha presidencial e até mesmo levantar dinheiro usando a imagem do Papa Francisco, eu acredito que o investimento do sr. Soros foi bem sucedido.

Isso não é educação. Isso é manipulação política, a fim de colocar a Igreja Católica na agenda política do sr. Soros; um esforço cínico, bem financiado, para explorar os fiéis e atingir fins morais e políticos duvidosos.

O Sr. Soros deveria ser condenado por usar seu dinheiro dessa forma, e as organizações baseadas na fé que o aceitaram deveriam ter vergonha.


O padre Robert A. Sirico é presidente do Acton Institute em Grand Rapids, Michigan.
Tradução: Dayane Mota e Milena Popovic

 

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A OLIMPÍADA DOS GLOBALISTAS INTERNACIONAIS  -  09/08/2016

Os símbolos transmitem o intransmissível.

A abertura das Olimpíadas primou pela excelência tecnológica, de primeiro mundo, impecável, lindíssima. No entanto, concerne considerar que: 1) o projeto foi montado para que Dilma Rousseff abrisse o evento; 2) a ideologia globalista, comunista, por trás da tecnologia foi funesta, macabra; 3) a Agenda defendida pelos organizadores foi ABSOLUTAMENTE FIEL ao projeto globalista da NOVA ORDEM MUNDIAL. Vejamos alguns pontos que são símbolos:

1) Os diretores do espetáculo do marketing Olímpico são: Fernando Meirelles (diretor da companha de Marina Silva e dono da O2), Andrucha (sócio da Conspiração Filmes) e Daniela Thomas (filha de Ziraldo). O currículos dos diretores falam por si só.

2) TODOS os músicos e apresentadores do evento são COMUNISTAS. As músicas que não são COMUNISTAS são apologia pura ao submundo do crime. Os diretores acham que a bossa nova de Tom Jobim é MÚSICA CLÁSSICA. Villa-Lobos e Hekel Tavares é que vão para os infernos. Acham que funk de traficantes é MÚSICA POPULAR. Ou seja, Pena Branca e Xavantinho, Sá e Guarabira, Vicente Celestino, Alceu Valença, Altemar Dutra, Clara Nunes, Elis Regina que vão também para o inferno. Nem a beleza e a classe internacional de Gisele Bündchen pode mentir sobre essa farsa grotesca.

3) O excesso de cor VERMELHA nas luzes e fogos não é um chamado ao "calor" do momento, à "paixão" pelo esporte. É a cor COMUNISTA para agradar Dilma Rousseff, Pezão e Paes e os SENHORES a quem devem reverência e obediência.

4) A quantidade de vermelho nas roupas das delegações foi sugestiva. A quantidade de roupas VERDE E AMARELO dos países africanos ultrapassou o mais do que sugestivo. Curiosamente, tais cores praticamente inexistem na bandeira nacional desses países. A roupa da delegação do Brasil longe de ser VERDE e AMARELA adotou o tom escuro, quase NEGRO, com alguma papagaiada que fazia menção ridícula a floresta tropical. TODAS as roupas foram desenhadas por estilistas "internacionais", inclusive a de Cuba.

5) Na segunda parte, a apresentação "recuperou" da história do desenvolvimento econômico e cultural do Brasil do seguinte modo: 1)de um mundo de micróbios, unicelulares, surge a vida e a floresta; 2) em seguida, aparecem os índios emergidos dos micróbios e grandes ocas; 3) portugueses INVADEM com navios as ocas simples destruindo a cultura nativa ( o narrador fala isso expressamente); 3) a aparição dos negros transforma o solo do Brasil em um celeiro de cultivo, dando a entender que a agricultura é resultante do trabalho escravo. Nesse quesito, os indígenas que juntos com os portugueses durante séculos cultivaram o Brasil ( e não como escravos) também são lançados ao limbo da história porque o que vale é a mentira. Esqueceram de contar que os negros foram trazidos para lugares pontuais do Brasil e ligados diretamente ao período da mineração e cana-de-açúcar, com atuação presente e quase restrita à MG, BA, PE, e parte do RJ; 4) apresentam os árabes em primeiro lugar depois os chamando de Libaneses (como se fossem a mesma coisa e, pior, como se os Libaneses fossem árabes e não cristãos). A emigração de libaneses para o Brasil, como se observa, é antiga e se intensificou na segunda metade do século 19. Durante o domínio otomano, especialmente após o massacre de 1860, ocorreu uma emigração em massa para a América do Sul. Em que livro de história inventaram que a imigração libanesa ajudou a construir o poderio do Brasil a ponto de equipará-los com os PORTUGUESES, ÍNDIOS e NEGROS? a verdadeira união das três raças que construiu o Brasil e o consolidou como Pátria?; 5) lança os japoneses nesse bojo, certamente se esquecendo dos seguintes detalhes: o Japão, que só tinha se aberto para o comércio mundial em 1846.

O primeiro Tratado da Amizade, Comércio e Navegação entre Brasil e Japão foi assinado apenas em 5 de novembro de 1895. A assinatura desse tratado marcou o início das relações que persistem até os dias de hoje. Além disto, a política de imigração brasileira era executada não só como um meio de colonizar e desenvolver o Brasil, mas também de "civilizar" e "branquear" o país com população europeia, segundo o projeto EUGENISTA inglês do banqueiros Rotschild. Mas, os japoneses não eram brancos e TODOS os asiáticos eram considerados RAÇA INFERIOR. Assim, a imigração de asiáticos foi praticamente proibida em 1890. Neste ano, o decreto nº 528 assinado pelo presidente Deodoro da Fonseca e pelo ministro da Agricultura Francisco Glicério determinava que a entrada de imigrantes da África e da Ásia seria permitida apenas com autorização do Congresso Nacional. Foi, precisamente este fortíssimo preconceito contra o recebimento de imigrantes asiáticos que obrigou a colônia japonesa a fechar-se em copas, a viver isolada por décadas na zona rural de São Paulo. Aonde os japoneses entram na história cultural do Brasil? Só nos livros do PT que junto com o MEC inventou que os portugueses invadiram o Brasil e que a grande ligação histórica e civilizacional do Brasil é com a África e os árabes. A cultura Ocidental cristã que vá para os infernos.

6) A farsa do discurso comprovadamente MENTIROSO da ONU do aquecimento global teve assento. Parecia o palanque da Marina Silva, a NOVA VOZ DA ESQUERDA NACIONAL.

7) A linha de horizonte do Maracanã tinha como cenário "celeste" a favela, o funk, a periferia, o banditismo, como sendo a cara do Rio de Janeiro e de do Brasil. O resto do cenário do evento, ficava sempre "abaixo" dessa linha, na várzea, no limbo, grotesco onde as transformações se operavam rapidamente. O "céu do Olimpo do crime" tinha o cenário maravilhosamente ESTÁTICO, imutável, como sendo quase ETERNO. Eis o Brasil atual mesmo, o Brasil criado pela República golpista e criminosa que é COMUNISTA.

Bastam esses pontos.

Quem gostou da abertura da OLIMPÍADA GLOBALISTA? Aqueles que são a reencarnação da política do PÃO e do CIRCO da Roma Imperial.

 

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O MAIS PESADO  -  02/08/2016

 

(Publicado originalmente no Estadão)

A "fonte" é quente: o que já saiu não é nada leve, mas as denúncias "mais pesadas" contra o ex-presidente Lula ainda estão por vir. É por isso que Lula e seus advogados se antecipam, em busca de uma duvidosa proteção no Comitê de Direitos Humanos da ONU. No ambiente político, a sensação é de que foi um ato de desespero, indicando que Lula sabe que pode ser preso e estaria aplainando terreno para um futuro pedido de asilo político.

Obstrução de Justiça ao tentar evitar delações premiadas contra amigos e contra si, ocultação de patrimônio no caso do sítio e do triplex, suspeita de palestras fictícias para empreiteiras, envolvimento do filho na Zelotes... tudo isso, que já não é pouco, é apenas parte da história. Os investigadores estão comendo o mingau pelas bordas, até chegar ao centro, fervendo.

No centro, podem estar as perigosas relações de Lula com o exterior, particularmente com Portugal, Angola, Cuba e países vizinhos. E o calor vem da suspeita – com a qual a força-tarefa da Lava Jato trabalha – de que Lula seja o cérebro, ou o chefe da "organização criminosa". No mensalão, ele passou ao largo e José Dirceu aguentou o tranco. No petrolão, pode não ter a mesma sorte – nem escudo.

Lula tornou-se réu pela primeira vez, na sexta-feira, pelo menor dos seus problemas com a Justiça: a suposta tentativa de evitar a delação premiada do ex-diretor da Petrobrás Nestor Cerveró, para que ele não abrisse o bico sobre as peripécias de seu amigo José Carlos Bumlai. Peripécias essas que seriam para atender a interesses, conveniências e possivelmente pedidos de Lula.

Digamos que tentar obstruir a Justiça é um "crime menor", quando Lula é suspeito de ter ganho fortunas e viver à custa de empreiteiras, numa rede de propinas, de toma lá, dá cá. Menor, mas impregnado de simbologia e de força política.

Os fatos embolaram-se de quinta para sexta-feira, num ritmo de tirar o fôlego. Lula entra com a petição no Comitê da ONU, acusando o juiz Sérgio Moro de "abuso de poder" e "falta de imparcialidade". Ato contínuo, sai o laudo da PF mostrando, até com detalhes constrangedores, como o ainda presidente e Marisa Letícia negociaram cada detalhe da reforma de um sítio que juram não ser deles e cujo dono oficial é um íntimo amigo que não tem renda para tal patrimônio. E, já no dia seguinte, explode a decisão da Justiça Federal do DF tornando Lula réu.

O efeito prático da petição à ONU é remoto, ou nenhum. O comitê tem 500 casos, só se reúne três vezes por ano e está esmagado por guerras, atentados que matam dezenas e golpes de Estado sangrentos. Além disso, só acata pedidos semelhantes quando todas as instâncias se esgotaram no país de origem e Lula ainda está às voltas com a primeira instância. Conclusão: a ação é mais política do que jurídica.

Já o laudo da PF é minucioso e bem documentado, criando uma dificuldade adicional para Lula: ele é suspeito de mentir sobre suas propriedades não apenas em seu depoimento às autoridades, mas à própria opinião pública. Difícil acreditar que não é dono do sítio que frequenta regularmente com a família, que recebeu uma reforma feita ao gosto do casal, que abriga os barcos para os netos e parte da mudança do Alvorada após o governo. Se mentiu, por que mentiu?

Mais: Lula atacou Moro na ONU, mas se torna réu por um outro juiz, a muitos quilômetros de Curitiba. Vai alegar que há um complô dos juízes brasileiros contra ele? Porque são todos "de direita"? Ou são todos "tucanos"? Lula parece dar murro em ponta de faca, sem argumentos concretos para se defender e esgotando suas possibilidades não só de disputar em 2018, mas de liderar uma grande e saudável renovação da esquerda brasileira. "Cansei", reagiu. Mas, se a "fonte" estiver correta, o "mais pesado" ainda vem por aí.

 

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NO DIA 26/07/16 FUI AO ENTERRO DO LUCIANO  -  01/08/2016



Ele foi arrancado de dentro de sua casa em um dos tantos morros "urbanizados" aqui em Porto Alegre.
Foi torturado, sofreu severas lesões corporais, dentre elas, teve perfuração craniana com exposição de conteúdo encefálico. Os monstros que o raptaram de dentro de sua própria casa na frente de seus familiares para o torturarem até a morte, em outro morro ali perto, teriam ficado "aborrecidos" com Luciano alguns dias antes, por ele pedir e até reclamar que não guardassem no terreno ao lado do seu, tantas drogas e armamentos expostos, pois algum de seus cinco filhos menores poderiam se machucar, uma vez que sua casa não tinha (como todas por ali) cerca ou muro protegendo o acesso ao terreno em questão. Vejam bem, Luciano não era drogado e nem alugava terreno para bandido, ele simplesmente ousou reclamar da "logística" que os marginais fazem, se apossando de cantos e becos que lhes forem convenientes, colocando em risco seus familiares e vizinhos.

Luciano tinha 36 anos. Era um ótimo pai de família, deixando a esposa e cinco filhos, todos com idades entre 3 e 14anos. Era trabalhador e muito bem conceituado na empresa onde estava empregado há alguns anos como motorista de caminhão. O enterro estava cheio de pessoas que testemunhavam as virtudes de Luciano e confirmavam sua inocência.

Repito: Luciano não era drogado. Não era estuprador. Não era desonesto. Não era bandido. Não era ladrão. Não era marginal. Pelo contrário, nosso Luciano, era um verdadeiro herói brasileiro, que trabalhou duro para conquistar a casinha simples que morava com a família e que agora está ameaçada de ser tomada definitivamente pelos marginais e traficantes que governam este morro onde o Luciano morava, e continuam morando muitos de seus vizinhos, trabalhadores honestos como ele, e continuarão sob o jugo de seus algozes.


Há meses que ali ocorre uma guerra entre facções criminosas para disputar qual grupo de delinquentes mais poderoso irá mandar naquele pedaço.

Luciano não é a primeira vítima e infelizmente parece que não será a última.

A polícia tem ordens (de quem?) de só subir o morro quando for chamada. Os moradores do morro bem que gostariam de chamar a polícia sempre, mas os marginais é que mandam, e executam, e é na base do "bala na cara" em quem ousar não obedecer as ordens. É o terror. Luciano foi martirizado por assassinos cruéis como prova de que a população no morro deve aguentar calada, uma vez que a lei local é não chamar a polícia, e a polícia não pode ir onde não foi chamada, pois há políticos, imprensa, e intele-teco-tuais que concluíram e sacramentaram como um dogma, que um policiamento ostensivo em zonas pobres seria muito opressivo aos pobres, melhor deixá-los assim como estão há décadas, aos cuidados maternais desta bandidagem carniceira que tomou conta...

Luciano não pode se despedir de nenhum de seus familiares, foi arrastado, só podendo implorar que não fizessem nada com seus filhos e esposa, os quais foram devidamente "desencorajados" a chamarem a polícia. Se limitaram a dar queixa de sequestro longe dali e bem depois, e aguardarem em estado de choque o que as próximas horas lhes trariam de notícias do Luciano. Receberam um corpo desfigurado e sem vida.

Narro em detalhes toda esta história, porque Luciano era o genro da Ana. Ana trabalha há muitos anos na casa de meus pais, e ela própria já viveu outras tragédias pessoais, também relacionadas com os crimes do tráfico de drogas.

Luciano não era celebridade funkeira, nem esportiva... Luciano não era político. E que nem à imprensa, nem à políticos vermelhos interessaria divulgar sua trágica morte, já sabemos, pois ele era só mais um de nós mortais insignificantes e pagadores de impostos, sujeitos a vala comum do anonimato, silêncio e descaso com as vítimas da violência praticada pelos criminosos deste infeliz país chamado Brasil.
...
Como chegamos a este ponto?
Sim porque não se chega a tal dominância de um mal, sem que antes se negligencie de alguma forma, e muito, um bem. Um mínimo de segurança pública era um bem que possuíamos, mas que perdemos. Acabou. Vivemos na barbárie completa. Vivemos no terror e com números recordes de vítimas em uma verdadeira guerra civil.

Como comentou um amigo que viaja a outras capitais brasileiras: aqui em Porto Alegre a crise da segurança é a prova da inépcia, indiferença e incompetência de várias gerações de políticos no poder Estadual e Municipal. Culminou no governo Tarso e se agrava com a relutância da Administração Sartori. Há um pano de fundo social, mas a violência é, sem sombra de dúvida, resultado de maus governos.

Maus governos com más políticas de segurança pública no Brasil inteiro.

Com Porto Alegre virando quase um ícone daquela elite de esquerda que não abre mão de segurança armada 24h e carro blindado, ao mesmo tempo que prega a paz através do fanatismo na crença dogmática do desarmamento da população comum. São políticas que sonham e salivam em desarmar a polícia, e acham opressor demais que se reaja à violência e se atire em delinquente! É aquela política do protecionismo aos bandidos, de lágrimas de crocodilo que só escorrem por outros crocodilos. Um estado modelo de uma (in)justiça com excesso de juízes ativistas sociais que mandam soltar bandidos quando nem bem a polícia conseguiu prender direito. Aquela política esquerdofrênica que adoraria acabar com a polícia, fechar presídios e por um decreto mágico declarar "paz". Foram políticas públicas incompetentes em formar e valorizar policiais bem preparados, treinados e equipados, fazendo vigilância nas ruas, nos morros e nos bairros pobres sim, por que pobre nem sempre consegue ter cerca elétrica ou sistema de segurança particular, mas também quer segurança para viver em paz.

Uma elite de esquerda que faz romance do bom marginal, que adora vitimizar o bandido e culpar a vítima que paga impostos, e que por ignorância, impotência, ou pura imbecilidade mesmo, ainda vota nesta mesma esquerda ingrata e hipócrita. Aquela esquerda que quer descriminalizar as drogas para "profissionalizar" o traficante, aquela esquerda que grita e cospe em benefício de direitos humanos de bandidos, com o total sacrifício dos Lucianos honestos, foram quem e o que nos trouxeram até aqui.

Até quando seremos escravizados por este modelo? Quantos Lucianos terão que ser cruelmente assassinados para que se prove o total colapso na segurança pública? E que se admita urgentemente outras políticas, não mais estas de chorar por bandidos e assassinos, que são bandidos e assassinos por serem maus, e não por serem pobres! Deixar de punir um criminoso, alegando ele ser pobre e que "não teve outra escolha na vida", é a maior ofensa e falta de respeito com as pessoas pobres e honestas e que não cometem crimes e sim sofrem crimes! Aliás é um desrespeito com todas pessoas de bem, sejam elas pobres ou ricas.

A certeza da impunidade deixa óbvio que tem como consequência direta o aumento da criminalidade e de mais vítimas, mas parece que perdemos a lucidez até para perceber o óbvio, nos encovando num fosso cada vez mais fundo.

 

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MILITÂNCIA PETISTA: DOENÇA EM PERVERSÃO?  -  10/06/2016

(Publicado originalmente em http://www.institutoliberal.org.br)

Ignorando os alertas feitos por economistas, por aliados e pelo TCU, Dilma assinou a política econômica que causou um rombo de mais de R$ 170 bilhões, gerando a maior recessão da história, duplicando os índices de desemprego, fazendo até o número de pobres aumentar no Brasil. Apesar disso, assistimos todos os dias um exército de pessoas pedindo que Dilma volte à presidência.

No dia seguinte ao afastamento de Dilma, Nelson Motta escreveu no O Globo: “Será honesto mentir, esconder dívidas, prometer o que não poderia cumprir, acusar os adversários do que depois ela faria, permitir que uma organização criminosa tomasse a Petrobras e outras estatais para financiar um projeto de poder?”. Sim. Eleitores do PT, do PSOL, do PCdoB e da Rede acreditam que pelo simples fato de Dilma representar a extrema-esquerda, ela está acima de quaisquer julgamentos e críticas. Dilma tem o direito de mentir, fraudar e acolher corruptos aliados.

Notícias apenas entre os dias 2 e 3 de junho:
1 – Em depoimento à justiça, o ex-diretor da Petrobrás Nestor Cerveró reafirma que Dilma, quando presidia o conselho administrativo da estatal, sabia de todos os detalhes da compra da refinaria de Pasadena. Sabia que o valor estava muito acima do mercado. Sabia dos esquemas de propina que o negócio viabilizaria.

2 – Documentos indicam que Dilma teve gastos pessoais pagos com dinheiro roubado da Petrobrás. Cabelereiro ao custo de R$ 5 mil por sessão, pago com dinheiro roubado.

3 – O empresário Marcelo Odebrecht afirmará, em depoimento de delação premiada, que Dilma em pessoa pediu a ele R$ 12 milhões “por fora” para sua campanha de 2014.

4 – Bené, o operador do PT, afirma que o então assessor direto de Dilma, Giles Azevedo, forjou contratos da Presidência da República para pagar contas do partido.

Soma-se a isso as gravações das conversas de Delcídio do Amaral e de Aloisio Mercadante, ambos agindo em nome da presidente para obstruir a Lava Jato. Soma-se também as delações que afirmam que Dilma nomeou Marcelo Navarro como ministro do STJ com a missão de soltar Marcelo Odebrecht, evitando assim sua delação premiada. Anteontem, o executivo Zwi Skornicki, também em depoimento à justiça, afirmou que pagou R$ 4,5 milhões à campanha de Dilma em 2014, dinheiro de propina oriundo de contas na Suíça.

Nada disso sequer constrange os eleitores de partidos de extrema-esquerda - Dilma mentiu, mas é mulher; Dilma foi irresponsável, mas é guerreira; Dilma foi complacente com a corrupção; mas é comunista. Dilma é inocente e ponto final.

Foram centenas de milhões de reais desviados da Petrobrás para bancar as campanhas de Dilma. Quem se importa?

Antes de ser afastada, Dilma cortou verbas de programas sociais, da saúde, da educação e da Polícia Federal, mas o que se escuta é: “Temer está destruindo os avanços sociais promovidos pelo PT, está acabando com a educação, com a saúde e até com a Lava Jato. Fora Temer!”.

Três delatores diferentes informaram em depoimento que Dilma nomeou Marcelo Navarro para o STJ com o objetivo de mandar soltar Marcelo Odebrecht, mas o que se escuta? “Fora Temer! Fora Temer! Fora Temer!”.

Desde o afastamento de Dilma, toda manifestação, sobre qualquer assunto, leva consigo os gritos de “Fora Temer”.

Dois dias atrás, os professores da UNB aprovaram um indicativo de greve dizendo que só voltarão a trabalhar quando Dilma voltar à presidência.

A economia foi dilapidada ao longo de 13 anos sob total complacência dos eleitores de partidos de extrema-esquerda, mas essas mesmas pessoas condenam Michel Temer - que ainda não completou um mês no cargo - por não ter resolvido todos os problemas do Brasil de forma imediata e indolor.

Depois de 13 anos de tantos absurdos, muitas pessoas ainda defendem Lula e Dilma por livre e espontânea vontade.

Qual o nome disso? Doença? Perversão?

O atual momento brasileiro comprova definitivamente a razão de a esquerda sempre ser a pior alternativa. Quanto mais à esquerda é um governo, maior é o exército de militantes prontos para defendê-lo, a despeito de qualquer absurdo que cometa. O país pode desmoronar, as pessoas podem ser reduzidas à miséria, que a grande maioria dos artistas, dos estudantes, dos sindicalistas e dos intelectuais estarão firmes e fortes em defesa do governo socialista. Seja lá o que um governo socialista faça de errado, a grande mídia sempre terá extrema cuidado ao criticá-lo.

Os venezuelanos estão passando fome, sofrendo com falta de energia e com a epidemia de sarna que se alastra por falta de produtos de higiene pessoal. A despeito disso, Nicolás Maduro conta com um exército de militantes profissionais e voluntários fazendo plantão em sua defesa. Indiferente ao sofrimento da população, a quase totalidade dos jornais mais importantes do mundo ainda reluta em dizer com clareza e objetividade que o socialismo destruiu a Venezuela.

O Brasil estava ótimo até o dia 12 de maio de 2016. Então as elites deram um golpe, depuseram a presidenta eleita democraticamente e destruíram todos os avanços sociais, levando milhões de brasileiros ao desemprego, à fome e o Brasil a maior crise econômica de sua história.

Eis a narrativa que ouviremos pelos próximos 50 anos.
 

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O OCASO DE UM MITO CHAMADO LULA  -  12/05/2016

(Publicado originalmente no blog do Noblat)

Neste momento em que a Operação Lava Jato desconstrói a imagem de Lula, depurando-a de todos os artifícios, instala-se uma espécie de assombro geral nos meios intelectuais e artísticos do país, onde ainda reina forte resistência aos fatos.

Tal depuração baseia-se em alentados registros – e o mais eloquente vem da própria voz de Lula, captada nos recentes grampos telefônicos, autorizados pela Justiça, em que exibe solene desprezo pelas instituições, em especial o Judiciário.

Não se deve apenas aos truques do marketing político-eleitoral a construção da imagem do falso herói. Bem antes do advento dos Duda Mendonça e João Santana, hoje às voltas com a Justiça, Lula já desfrutava de altíssimo conceito redentor, esculpido no âmbito universitário, onde o projeto do PT foi engendrado.

E aqui cabe repetir o bordão lulista: nunca antes neste país, um presidente da República foi brindado com tantos títulos honoris causa por parte de universidades, mesmo sem ter dado – ou talvez por isso mesmo - qualquer contribuição à atividade intelectual.

Ao contrário: Lula e seus artífices difundiram o culto à ignorância e ao improviso, submetendo a atividade intelectual à condição subalterna de mera assessora de um projeto populista.

A epopeia de alguém que veio de baixo e galgou o mais alto cargo da República fascinou e comoveu a intelligentsia brasileira, que o transfigurou em gênio da raça. Pouco interessava o como e o quê fez no poder – questões que agora se colocam de maneira implacável -, mas o simples fato de que a ele chegou.

O símbolo falsificava o ser humano por trás dele. E o país embarcou numa ilusão de que agora, dolorosamente – e ainda com espantosas resistências, – começa a desembarcar.

Fernando Henrique Cardoso, símbolo da nata acadêmica nacional, deixou suas digitais nesse processo. A eleição de Lula, em 2002, contou com sua colaboração. Como se recorda, FHC desengajou-se da campanha presidencial de José Serra, dizendo a quem quisesse ouvi-lo: “Agora, é a vez de Lula”.
Conta-se que, naquela ocasião, ao recebê-lo em Palácio, chegou a oferecer-lhe antecipadamente a cadeira presidencial. Era o sociólogo sucedido pelo operário, ofício que Lula já não exercia há mais de duas décadas. As cenas da transmissão da faixa presidencial, encontráveis no Youtube, mostram um Fernando Henrique ainda mais deslumbrado que seu sucessor.

Lula, na ocasião, disse-lhe: “Fernando, aqui você terá sempre um amigo”. No dia seguinte, cessou o entusiasmo: o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, em sua primeira entrevista, mencionava a “herança maldita” do governo anterior, frase repetida como mantra até os dias de hoje.
E o “amigo” não mais pouparia seu antecessor, por quem cultiva freudiana hostilidade. A erudição, ao que parece, o incomoda, embora a vida lhe tenha proporcionado meios bem mais abundantes de obtê-la que a outros grandes personagens da cultura brasileira, de origem tão modesta quanto a sua, como Machado de Assis, Gonçalves Dias e Cruz e Souza, mestiços que, em plena escravidão, ascenderam ao topo da vida intelectual do país.

O mito Lula começou ainda na década dos 70, em pleno governo militar – e contou com a cumplicidade do próprio regime, que, por ironia, o viu como peça útil na desconstrução da esquerda, abrigada no velho MDB e em vias de defenestrar eleitoralmente o partido governista, a Arena. O regime extinguiu casuisticamente o bipartidarismo, de modo a esvaziar a frente oposicionista.

A frente, em que a esquerda tinha protagonismo, entendia que não era oportuno o surgimento de um partido de base sindical, que a esvaziaria, diluindo os votos contrários ao regime. Lula foi peça-chave nesse processo, concebido pelo general Golbery do Couto e Silva, estrategista político do governo militar.

Há detalhes reveladores em pelo menos dois livros recentes: “O que sei de Lula”, de José Nêumanne Pinto, que cobriu as greves do ABC pelo Jornal do Brasil naquele período, e com ele conviveu; e “Assassinato de Reputações”, de Romeu Tuma Jr., cujo pai, o falecido delegado Romeu Tuma, então chefe do Dops, foi carcereiro de Lula, no curto período em que esteve preso.

Tuma e Nêumanne convergem num ponto: Lula foi informante do DOPS, o que lhe facilitou a construção do PT, a cujo projeto se agregariam duas vertentes fundamentais - a esquerda universitária paulista e o clero católico da Teologia da Libertação.

Essa gênese explica a trajetória vitoriosa do partido: o clero proporcionou-lhe a capilaridade das comunidades eclesiais de base e os acadêmicos prestígio e acesso à grande mídia.

A ambos, o PT retribuiu com Lula, o símbolo proletário de que careciam para forjar o primeiro líder de massas que a esquerda brasileira produziu e que a levaria, enfim, a vencer eleições presidenciais. Deu certo – e deu errado.

Lula chegou lá, mas corre o risco de concluir sua trajetória na cadeia. Os acertos de seu primeiro governo derivam da rara conjunção de uma bonança econômica internacional com os ajustes decorrentes do Plano Real. Finda a bonança e desfeitos os ajustes, restou a evidência de que não havia (nunca houve) um projeto de governo – e tão somente um projeto de poder.

A Lava Jato, ao tempo em que reduz Lula a seu exato tamanho, político e moral – e, ao que se sabe, há ainda muito a vir à tona -, mostra o que fez, à frente do PT e do país, para que esse projeto se consolidasse e o eternizasse como pai dos pobres – uma caricatura de Vargas, com mais dinheiro e menos ideias.

De gênio político, beneficiário de uma conjuntura que desperdiçou, lega à posteridade sua grande obra: Dilma Rousseff, personagem patética que tirou do anonimato para compor um dos momentos mais trágicos da história da República.

O historiador do futuro terá o desafio de decifrar o que levou a inteligência do país – cujo dever de ofício é antever e evitar tais desvios - a embarcar num projeto suicida, a serviço da estupidez, não hesitando em satanizar os que a ele se opõem.

*Jornalista
 

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SEGUNDA CARTA ABERTA A CAETANO, GIL E CHICO  -  14/04/2016

Caros amigos.

Há uma semana escrevi uma carta aberta a vocês e ,como já poderia prever, não houve nenhum sinal significativo de resposta .

Saliento comovido e contente o meigo e solitário depoimento de Gil ao aceitar as minhas desculpas. Contudo, se Gil se dispusesse a ler o texto com atenção constataria que o cerne da questão gira em torno de um outro intento: uma convocação.

Chico deixou bem claro que sequer se interessara em ler a mensagem quanto mais respondê-la e Caetano adotou uma atitude evasiva eximindo-se de qualquer manifestação a respeito.

Pois bem, apesar desse comportamento um tanto lacônico por parte de vocês três, sou forçado a constatar que a carta causou um forte impacto entre oposicionistas , governistas , populares , isentões e intelectuais dos mais variados sexos, feitios e tamanhos. Reações que variaram entre o rejúbilo, o amor, a compreensão do meu gesto (era essa a minha meta) ,e o repúdio, a indignação e o desprezo( para o meu espanto!) sendo que nessa segunda categoria de reações descontroladamente apaixonadas , expressaram seu veemente protesto , tanto alguns muitos oposicionistas me criticando por ter "amarelado " diante de "artistas vendidos", como governistas explodindo de indignação por acharem o cúmulo dos cúmulos um nada como eu pleitear uma conversa com o Olimpo "da nossa MPB.

A que ponto chegamos, não é verdade? Entretanto, nutrido pelos sinceros sentimentos que me guiam somados a uma necessidade premente de esclarecimentos e mudanças, não somente na mentalidade como também nos desígnios políticos em que se enredou a nossa classe, retorno ao teclado do computador para redigir-vos mais um insistente apelo.
Optarei , como recurso didático e adequado para essa ocasião , adotar a abstrata condição de nada. Portanto, a partir de agora , me apresentarei assim: Muito prazer, meu nome é Nada .

Ser Nada muito me convém para que meus motivos se ergam das névoas da dúvida. Ser o Sub do Mundo é uma condição que muito me convém para ser mais bem sucedido em mostrar a vocês três os absurdos , discrepâncias e cacoetes comportamentais que doravante exporei.

Vou dividir meu carinhoso pito em duas partes: A primeira caberá a Caetano e Gil , a segunda a Chico. Prossigamos.
Querido Gil , você ocupou o cargo de ministro da Cultura durante os oito anos da administração Lula e prossegue , na administração Dilma com forte penetração no ministério , pois o atual ministro Juca Ferreira é homem de sua inteira confiança tendo atuado como seu subordinado no tempo em que você foi o titular da pasta. Não sei se é apenas uma estranha coincidência, mas foi exatamente durante todo esse período que as perversidades e aberrações da Lei Rouanet começaram a pulular em total descontrole. Foi aí inaugurada a era em que artistas consagrados com grande nicho de público e mercado , começaram a pautar seus eventos , shows , projetos , discos e DVD por intermédio de subvenção de incentivos hospedados no bojo dessa lei , transformando o mainstream cultural num antro de parasitas , chapas-brancas e castrados de opiniões confiáveis.

Essa lei proporcionou que a criação artística decrescesse a níveis alarmantes pois os tais editais dos quais se extrai a grana dos medalhões privilegiam as enfadonhas comemorações de aniversários de carreira , reuniões insólitas entre aristas improváveis , homenagens pouco sinceras a astros falecidos , festas sem algum sentido real de se comemorar e outras chicanas lamentáveis para justificar o uso do dinheiro público.

Para piorar a situação , como se isso só não bastasse, esse grupo de parasitas passa a atuar como um grupo de ardentes defensores do governo. É a Era do Artista Chapa-Branca. Uma era a ser esquecida.

Imagine você , Gil, faça um exercício de alteridade e experimente o meu espanto em saber um ministro da Cultura ter um camarote no carnaval de Bahia subvencionado com uma grana possante da lei Rouanet ! Isso , definitivamente não é bonito . E para agravar a situação , é de se prever que artistas periféricos sem a metade de seu talento se estimulem e muito em se lambuzar nesse mesmo estilo sem o menor prurido de consciência , não é mesmo?

Quanto a você , Caetano , pilotando uma outra desastrosa escaramuça temos o Procure Saber capitaneado por sua esposa , arregimentando algumas dezenas de artistas a impor goela abaixo , a toque de caixa , uma lei absurda que estatiza os direitos autorais aprovada com uma celeridade inexplicável extraída dos parlamentares diante daquele decadente espetáculo no Congresso Nacional protagonizado por nada mais nada menos que Roberto Carlos cercado de uma plêiade de artistas circunstantes . Roberto que aceitou ser anexado ao grupo em troca de vossas presenças , Caetano Gil e Chico na defesa a censura das biografias não autorizadas .

Isso também não é bonito.
E o resultado disso? Se vocês ainda não sabem, procurem saber! A lei que estatiza os direitos autorais designando ao ministério da Cultura o controle das entidades de arrecadação, provocou uma decréscimo dramático na arrecadação de mais de 350mil autores, compositores e músicos em todo o Brasil. Sem falar das demissões em massa de funcionários no ECAD e nas Associações de músicos e compositores.
Eu tenho aqui comigo os dados e se vocês tiverem maior interesse, posso mostrá-los com mais detalhes assim que vocês o desejarem.

E é como Nada que me dirijo a vocês, como um anônimo entre esses autores e músicos que tocam nos bares , botequins , churrascarias , quermesses , puteiros e coretos , como par desses artistas que estão apartados de grandes eventos , que não têm acesso a leis de incentivos , que não são residentes de trilhas de novelas de grande emissoras , que não contam com o beneplácito dos editorias de cultura dos jornais...É como um Nada amalgamado àqueles que não fazem parte de cortes de subservientes a posar como um entorno cenográfico de coronéis da canção que profiro um apelo angustiado : Seria plausível vocês reverem suas posições quanto a essa lei de direitos autorais e nos ajudar a revogá-la? Ainda é tempo . O STF está analisando nosso pedido de revisão e o relator é o Ministro Fux . Seria lindo nos aliarmos nesse momento de tamanha gravidade . Seria mais lindo ainda derrubar a Lei Rouanet como vigora e tentarmos direcionar seus benefícios àqueles que realmente dela precisam(Sou o Nada mas , mesmo nessa hipótese continuaria a não me incluir como beneficiário).

Seria muito triste vocês , que tanto fizeram pela música e a cultura brasileiras , se resumissem , se reduzissem já entrados nos seus setenta anos , como ícones de uma era vergonhosa , como defensores de um governo execrável , incompetente, corrupto , criminoso . É disso que estou falando . Ainda há tempo ! Só o perdão liberta ! Posso dizer de coração , uma vez que vim a público vos pedir o meu . O arrependimento lhes concederá uma verdadeira bênção , podem crer.

Chico , te deixei por último , longe de ser o menos , pois hei de fazer aqui uma ressalva em sua defesa por ter sabido através de uma amiga em comum ser você contrário a utilizar pessoalmente da Lei Rouanet e perceber , até onde posso conceber o que é justiça , não ser você responsável por aparentados seus nem mesmo o diretor que fez um filme sobre sua obra , todos estes , maiores de idade , serem beneficiários dos incentivos da dita-cuja. Se isso realmente procede , preciso de dar-lhe meus parabéns "localizados".

Localizados sim , pois gostaria muito de ampliá-los ao resto de sua conduta , no entanto é na clave da tristeza e da angústia o diapasão que domina todo o restante da minha mensagem .

Caro Chico , você já tem 50 anos de vida pública , pelo menos . Com a sua inteligência e talento é de assustar sua impermeabilidade diante da falência absoluta de suas crenças ideológicas . E por isso mesmo , um exemplo vivo do modelo do intelectual brasileiro a viver na infâmia da delinquência intelectual .

Se todos nós concordamos que toda a ditadura é algo injustificável , mais injustificável ainda atacar uma ditadura defendendo outra e é exatamente assim que você agiu no período da ditadura militar e vem assim se jactando imune a dúvidas no transcorrer de todas essas décadas .
Para deixar escancarada a minha angústia , gostaria de invocar um Nelson Rodrigues descendo do céu em que atualmente habita , com seu olhar sampaco , suas bochechas ondulantes , com as mãos apoiadas nos cotovelos a dirigir-lhe entre baforadas de Caporal Amarelinho uma súplica daquelas , rodrigueanas...algo como : Chico Buarque , só o perdão liberta ! Encha de ar vossos pulmões e brade forte e alto como jamais outrora ousara bradar dirigindo-se contrito ao povo brasileiro : Povo brasileiro , me perdoe. Me perdoe por ignorar seu descontentamento , suas desgraças e sua legitimidade em protestar contra esse governo criminoso. Me perdoe por aviltá-lo chamando de golpista toda uma nação genuinamente enfurecida.

Me perdoe povo brasileiro por ser um charlatão em posar contra uma ditadura militar e ser amigo durante todos esses anos de um dos maiores ditadores genocidas da história , Fidel Castro.

Me perdoe , povo brasileiro por defender o indefensável , por interferir com o meu prestígio logrando a confiança que milhões de brasileiros depositaram em meu chamado , por defender uma presidente que beira a demência , por defender um psicopata que anseia se perpetuar no poder através do crime , do suborno e da falcatrua. Me perdoe , povo brasileiro por defender uma organização criminosa como nunca dantes na história da humanidade ocorreu aqui em terras brasileiras e que é dirigida pelo Foro de SP tendo como os irmãos Castro centro de todas as ações criminosas perpetradas em toda América Latina. Me perdoe por ser leniente com narco ditaduras como a Venezuela e a Bolívia , com seus milhares de assassinatos e presos políticos , por esse regime brega , retrógrado , autoritário e cafona que é o bolivarianismo.

Me perdoe , povo brasileiro por ser cúmplice de toda essa ignonímia , e por isso mesmo , carregar minhas mãos respingadas com o sangue desses incontáveis que tombaram sob o jugo de assassinos . Me perdoe , povo brasileiro por ser eu , um mimado por uma corte de intelectuais flácidos ao meu redor me tornando imune a qualquer drama de consciência e insistir em subscrever um ideário comunista que tem sob seu manto a opacidade dos medíocres , cujo o único brilho que emana de seus anseios é o da inveja , da revanche e do ódio . Enfim , povo brasileiro, me perdoe por te trair."

Desincorporando Nelson e retornando a minha condição de Nada , de Sub-do-Mundo quero terminar essa carta ressaltando mais uma vez esse momento terrível que o Brasil está passando , as nossas responsabilidades diante desse momento e de nossa boa vontade independente de quais lados nos posicionemos , esperando que as linhas desse Nada que vos escreve possam fazer alguma diferença (para melhor) nesse impasse a nos envolver. E que elas tenham alguma chance real com a vossa determinante ajuda , em contribuir para um Brasil mais adulto , mais justo e mais unido.

Um forte abraço. LOVE , LOVE , LOVE
Lobão (SP, 3 de abril de 2016)
 

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AUTORA DO PEDIDO DE IMPEACHMENT DE DILMA: "DIZIAM QUE EU ESTAVA LOUCA".  -  01/04/2016

Aos 41 anos, a advogada Janaína Paschoal vive momentos de celebridade: "Me param muito para tirar selfies na rua. No mercado, na feira, no elevador, em todo lugar. Recebi muitas cartas, até de brasileiros que vivem no exterior", conta.

Professora livre docente da Faculdade de Direito da USP, onde entrou como aluna aos 17 anos, ela é uma das autoras do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff em tramitação na Câmara. A recepção calorosa pelos defensores do afastamento da presidente, opina, tem motivo: "Acho que as pessoas estavam com isso engasgado".

Com um perfil conservador, Janaína se define como uma "canceriana romântica" que espera poder "mudar o mundo". Diz ser politicamente liberal, mas contra a legalização do aborto e das drogas, e a favor das cotas para negros nas universidades.

Em entrevista à BBC Brasil, ela falou sobre a crise política, o relacionamento com petistas e o que vê como o desfecho ideal para o atual impasse. "É um momento de passar o país a limpo, caia quem tiver que cair, doa a quem doer, inclusive se for do PSDB, do PMDB e de todos os outros partidos", afirma.

Ela defende todos os argumentos do pedido de impeachment, assinado com os juristas Hélio Bicudo e Miguel Reale Jr. Confira os principais trechos da entrevista.

BBC Brasil - O que a levou a redigir o pedido de impeachment?
Janaína Paschoal - Foi uma ideia que passou por um processo demorado de maturação. Entre a primeira intenção e a conversa com o Hélio Bicudo foram três meses, depois de falar com muita gente. Falei sobre o tema na OAB de São Paulo, onde sou conselheira, e também com professores de direito e colegas advogados. Até o PSDB eu procurei, mas ninguém se habilitava. Muitos temiam que suas carreiras ou escritórios fossem prejudicados. Nas manifestações antigoverno eu via uma frustração muito grande. Ficava muito triste ao ver que não davam em nada, e comecei a perceber a população desanimada. Em agosto do ano passado houve um protesto em que me convidaram a subir num carro do (movimento) Vem Pra Rua, e acabei fazendo um discurso. E aí tudo aconteceu em uma semana. Me apresentaram ao Hélio Bicudo dias depois e ele foi o primeiro a realmente acreditar em mim. Quando penso neste dia tenho vontade de chorar, porque os outros me olhavam como se eu fosse louca, mas com ele foi um encontro de almas. O Miguel Reale Jr. já tinha feito pareceres a respeito, havia sido meu orientador na USP, e também nos ajudou.

A senhora entrou na Faculdade de Direito da USP, a tradicional São Francisco, com 17 anos. Como tem sido a convivência com professores e alunos com perfil de esquerda na instituição?
O Largo São Francisco é a minha casa. Na graduação não tive problemas, mas, assim que eu entrei como professora, sim. Me sinto como um peixe fora d'água, e não só nas questões político-partidárias. É uma mentalidade muito diferente, como um todo. É quase verdade absoluta lá que você tem que legalizar todas as drogas. Também acham que temos que legalizar o aborto e a exploração da prostituição. Eu não concordo com nada disso. Sou o que a gente pode chamar de liberal, no sentido inglês, e lá é um espaço muito marxista.

A senhora diz ter muitos amigos petistas. Como tem sido a convivência com eles?
Tenho vários amigos petistas. Não toco no assunto com eles, porque não aguentam. Muitos falam "e o PSDB?". E aí eu digo: o que eu tenho a ver com isso? Eu não sou do PSDB. Se eles devem, que paguem. Até agora não houve rompimento de relações com ninguém, mas no começo foi muito difícil. Tive dificuldades com alguns parentes, mas acho que agora já conseguimos superar. A verdade é que o petista não tem liberdade de pensamento. Para eles o Lula é Deus. É intocável e está acima da lei. Não vou endeusar ninguém. Eles acreditam que, pela história dele, ele pode tudo, e infelizmente ele também acreditou nisso, e a presidente também.

Como vê as acusações de que o governo está sendo vítima de um golpe, que o impeachment é mais baseado em posições políticas do que em evidências de irregularidades?
Estou tão cansada de repetir a mesma coisa. Está tudo escrito no pedido. Os documentos estão lá, todo o processo do Tribunal de Contas da União, todas as delações do petrolão. Perto do que vemos hoje, o Collor era brincadeira. Essa acusação de golpe é chavão, é discurso de petista.

Por essa lógica, podemos dizer então que os gritos de "Fora Dilma, Fora PT" também são chavões? Não seria a mesma coisa?
Não gosto de chavão, mas é "Fora PT" mesmo, eu quero que saia mesmo. Agora, por que é golpe? Por que eles não explicam? Por que não entram no mérito, nos detalhes das coisas?

Como avalia a participação de grupos que defendem a intervenção militar nos protestos antigoverno?
Acho que é falta de perceber que, de todos os regimes, o melhor é a democracia, e que defender uma ditadura é uma visão estreita. Não gosto de ditadura, nem de direita e nem de esquerda, nem militar nem civil. Não é um discurso que me agrada, assim como não me agrada o discurso marxista de querer também fechar aqui, e virar uma Cuba. Defendo o direito de as pessoas falarem o que quiserem. Não é porque não concordo que vou condenar.

Grupos e até juristas que apoiam o governo dizem que não houve comprovação de crime de responsabilidade em nenhum dos elementos elencados no pedido de impeachment e na Lava Jato. Como a senhora responde?
Ou as pessoas não estão acompanhando o que está acontecendo no país, ou não sei mais o que é necessário, porque ter responsabilidade implica em tomar providências para fazer a situação cessar e responsabilizar subalternos pelas irregularidades, mas a presidente simplesmente nega os fatos com relação a isso. Todo esse pessoal que está preso ou esteve preso era próximo a ela. Ela era avisada de que as coisas não estavam bem. E o que ela fazia? Subia no palanque e dizia que era tudo armação, que era golpe, que era mentira, e que a Petrobras estava maravilhosa. Isso não é um comportamento condigno com o cargo de presidente.

As pessoas confundem corrupção com crime de responsabilidade. Em nenhum lugar eu escrevi que a presidente pegou dinheiro para ela. O que eu escrevi é que ela não tomou as providências inerentes ao
cargo. Disseram que Edinho Silva fez negociações e abrem um inquérito. Ela põe o homem como ministro (da Secretaria de Comunicação Social). O Lula está sendo investigado, e ela põe o homem como ministro.

O Nestor Cerveró foi ela quem indicou e todo mundo sabe que ele operava tudo aquilo ali. O Paulo Roberto Costa foi até no casamento da filha dela, e, apesar de todos os indícios vindo à tona, ela seguia negando e não afastava as pessoas. Crime de responsabilidade não está ligado necessariamente a pegar dinheiro para si. Ela tem responsabilidade de zelar pela gestão, pela coisa pública, e afastar quem está sendo investigado, ou quando já há elementos suficientes, mudar diretores. Ela não fez nada disso. Não é negligência, é dolo mesmo. Houve intenção. Ela se omitiu dolosamente. Ela sabia, e o senador Delcídio do Amaral acabou de falar na delação premiada que ela sabia.

Como vê o fato de a Comissão Especial ter retirado a delação do Delcídio do pedido de impeachment?
A delação confirmou tudo que a gente escreveu no pedido. É apenas uma prova a mais de que a gente estava com a razão lá atrás. Acho que estão sobrando elementos para esse impeachment. Se ele vai ocorrer ou não, é outra história. Mas, do ponto de vista técnico jurídico, digo que tem que sair. Anexei a delação do Delcídio como prova, mas ela foi desanexada a pedido dos deputados, inclusive da oposição. Não consigo entender.

Também há críticas quanto às pedaladas fiscais. A imprensa relatou que elas foram utilizadas nos municípios e Estados, e que se o Brasil destituir uma presidente com base nisso, ao menos 16 governadores também poderiam ter o mesmo fim.
Sobre isso há documento que não acaba mais. Foram muitos anos. Isso ocorreu em 2013, 2014 e 2015, pegando dinheiro dos bancos públicos sem contabilizar, e não só para programas sociais, mas também para passar para empresários, quebrando os bancos públicos, fazendo uma contabilidade fictícia, de fachada, dizendo que nós tínhamos superavit quando na verdade estávamos com um rombo bilionário.
Sobre os governadores, que tirem, que saiam todos, chega.

A senhora diz que outro motivo forte para a queda do governo são os indícios de uma corrupção sistemática, que permeia o Executivo, congressistas e estatais. Como avalia as acusações, em delações premiadas, de que a República vem funcionando assim há décadas, incluindo governos anteriores?
Eu acho que o PT abraçou a corrupção como um método de governo. Vejo uma diferença entre o PT e os governos anteriores. Isso significa que as corrupções anteriores tenham que ficar impunes? Não. Todos devem ser punidos. Mas houve um salto no PT em termos de valores. Não vou pôr a mão no fogo e dizer que não aconteceu (antes), mas não acho que era um método, como os petistas têm, com esquemas desenhados e estruturados.

Como a senhora avalia a decisão, do juiz Sergio Moro de divulgar o grampo da conversa entre Lula e Dilma? Na sua visão, o diálogo configura tentativa de obstrução da Justiça?
O Moro não é da oposição. Ele é um juiz independente e sério, que está fazendo um trabalho pelo país merecedor de uma medalha, e não esse monte de pedidos para ele ser preso. Sobre a retirada do sigilo, eu particularmente não vejo nenhuma ilegalidade. Ninguém está falando, por enquanto, que a presidente cometeu um crime ali, naquele fato. Ele poderia ter sido mais cauteloso e perguntar (ao Supremo Tribunal Federal)? Talvez. Mas talvez tenha pensado que, se demorasse, o fato iria se concretizar e Lula viraria ministro. Sobre o diálogo, entendi a mesma coisa que todo mundo entendeu. Vai ter que ter uma investigação, claro, mas para mim ela estava dando um salvo-conduto para que, se viessem prendê-lo, ele pudesse dizer que já era ministro. Não quero entrar no mérito se trata-se de obstrução da Justiça, mas creio que no mínimo é uma imoralidade.

Como vê a possibilidade de o vice-presidente Michel Temer ser implicado devido ao processo que tramita no TSE, relacionado ao financiamento da campanha de 2014, e as acusações e o pedido de cassação que pairam sobre o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, respectivamente segundo e terceiro na linha de sucessão?
Veja, a situação do país é complicada. Mas agora por isso vou deixar no cargo alguém que não tem condições de permanecer? Acho que a gente precisa começa a enfrentar essa situação, porque não dá mais para jogar a sujeira para baixo do tapete.

Como imagina um Brasil pós-impeachment, e como acha que seu nome será lembrado no futuro?
Imagino um Brasil onde as crianças realmente vejam que vale a pena ser correto, ser honesto e fazer o bem. Preferiria que o vice assumisse e terminasse o mandato e que a eleição acontecesse no momento adequado, que é 2018. Acho que para o país isso é melhor. E não é porque eu ame o Temer, é porque é questão institucional, acho que é melhor que a eleição aconteça na data certa. Sobre o meu nome, não sei. De verdade eu não sei. A história pertence aos homens, e o meu compromisso é com Deus, apesar de não ter uma religião específica. O meu compromisso é com o que eu acho que é justo. Como a história vai escrever, se é que vai escrever, não me pertence.
 

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ABIOGÊNESE, A GERAÇÃO ESPONTÂNEA  -  21/03/2016

 

Falar mal de políticos (e de política em geral) é um hábito de todos nós. Fazer críticas e comentários sobre improbidades e roubalheira é uma constante.


O que pouquíssimos de nós percebe é que, todo é qualquer político, que são representantes dos cidadãos, são nossos parentes, parentes de alguns parentes, amigos de parentes, gente que conhecemos ao longo da vida; foram nossos vizinhos ou estudaram na mesma classe ou na mesma escola. Quem sabe trabalharam nas mesmas empresas ou foram colegas, diretos ou indiretos.


De um modo ou outro estamos ligados a todos os políticos eleitos, sem exceções.


A distância que projetamos dos homens e mulheres da classe que atua na política, nos remete ilusoriamente à um planeta distante, como se não vivêssemos nas mesmas cidades, estados ou país.


O que mais pesa na nossa falta de consciência, é que agimos como se a culpa sempre fosse de outros, e não nossa própria. Tal como se políticos brotassem em árvores ou surgissem por geração espontânea, que é um fenômeno da biologia.


A TEORIA DA GERAÇÃO ESPONTÂNEA E A POLÍTICA

Percebam a relação direta que existe, quando refletimso sobre a geração espontânea, da qual muitos acreditam (inconscientemente) ser a origem de agentes políticos, que é conhecida como abiogênese. Esta é um teoria tão antiga que existe desde Aristóteles.


De acordo com ela, a vida poderia surgir espontanea e continuamente da matéria bruta. Algumas observações feitas por pessoas comuns, no dia-a-dia, pareciam reforçar essas ideias: o fato de aparecerem larvas de insetos sobre o lixo em decomposição, por exemplo, alimentou a ideia de que as larvas teriam “brotado” do lixo, pois não se conheciam os detalhes da reprodução dos insetos.


A circunstância de girinos surgirem na água de uma poça, de um dia para outro, parecia ser a prova de que tinham se originado diretamente da lama da poça. A descoberta dos microrganismos, depois da construção do microscópio pelo holandês Anton Van Leeuwenhoek, no século XVII, representou mais um argumento a favor da geração espontânea: não se podia imaginar que seres tão simples pudessem possuir qualquer método de reprodução.


A situação chegou a tal ponto que, por volta do século XVII, o belga Van Helmont anunciou uma famosa “receita” para obter ratos, a partir da mistura de roupa suja com sementes de trigo! Pouco tempo depois, no entanto, o italiano Francesco Redi demonstrou por meio de um engenhoso experimento, que o surgimento de larvas na carne em decomposição não se dava espontaneamente, mas sim a partir de moscas que ali depositavam seus ovos.


Uma famosa polêmica entre os defensores e os atacantes da doutrina da abiogênese iria instalar-se, no século seguinte, entre o inglês John Needham (defensor das ideias de geração espontânea) e o italiano Lazaro Spallanzani. O inglês realizou várias experiências utilizando-se de variados “caldos nutritivos”, constatando seguidamente a proliferação de microrganismos em seus recipientes.


Spallanzani acusou, então, Needham de não ter procedido com a total eliminação dos micróbios em seus caldos. Para demostrá-lo, repetiu os experimentos de Needham levando os caldos à fervura e em seguida fechando-os bem: não havia, nesse caso, o crescimento de microrganismos enquanto os frascos não fossem novamente abertos. Mas Needham retrucou, acusando Spallanzani de ter destruído, pelo calor, o “princípio vital” de suas infusões nutritivas.


Por mais estranho que nos pareçam essas ideias hoje, a crença na geração espontânea perdurou até meados do século XIX, quando finalmente o francês Louis Pasteur conseguiu derrubar essa teoria da maneira definitiva, por meio de alguns experimentos simples porém muito corretos em sua formulação.


Esta é a eterna discussão entre a ilusão propagada como verdade absoluta a um grande grupo de ignorantes - que a aceitam como serviçais imbecis –, e alguns que defendem a divulgação da verdade para eliminação de insetos, germes e bactérias.


O maior de todos os problemas é que a infecção nas coisas da política não é bacteriana, mas viral, e para a qual não há vacina conhecida desde a invenção da urna eletrônica. Enquanto as moscas depositam ovos para criação de vermes, nós depositamos votos.


Todos nós somos os propagadores de uma praga que deveria servir como remédio.

*Jornalista

 

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CAIU O ÚNICO MINISTRO DE DILMA  -  09/03/2016

(Publicado originalmente na revista Época)

O primeiro problema causado pela prisão do marqueteiro João Santana se deu em menos de 24 horas. O programa do PT na TV foi saudado praticamente em todo o território nacional com um panelaço retumbante. O que significou esse panelaço? Aí é a falta que João Santana faz: normalmente, o Partido dos Trabalhadores surgiria prontamente com sua "interpretação" dos fatos – alguma coisa como "as pessoas estão protestando contra a perseguição ao presidente Lula" ou "a elite branca agora deu para frequentar a cozinha".

Como todo mundo agora já sabe, pobre que é pobre não se mete em cozinha: manda a empreiteira. E pobre que tem sítio e tríplex não bate panela, porque está feliz da vida. O que será de toda essa narrativa coitada depois da prisão do mago João Santana?

A queda do ministro mais importante de Dilma e de Lula – ou talvez o único, apesar de não ter cargo no ministério – é a primeira ameaça real à governabilidade petista. O líder do governo no Senado foi preso e o Planalto nem notou. Delcídio do Amaral não fez a menor falta. Tanto que, nesse caso, o PT soltou logo uma nota oficial (com a grife do ministro Santana) jogando o senador às feras, praticamente dizendo que a lambança era problema dele, ele que se virasse.

Aí a mulher do senador começou a reclamar, dando a entender que Delcídio não ia apodrecer sozinho. Viu-se então como o governo Santana trabalha bem: fica quietinha aí, companheira, que daqui a pouco a opinião pública esquece seu marido irrelevante e o companheiro Teori Zavascki solta ele.

Não deu outra: passado o Carnaval – cálculo bem feito para não gritarem que Delcídio seria liberado para a folia –, o senador saiu do xadrez. É claro que o Brasil, coitado, curando a ressaca do porre carnavalesco, não se lembra mais por que o eminente parlamentar havia sido preso. Mas a mídia golpista está aqui para ficar martelando esses detalhes desagradáveis: Delcídio do Amaral foi preso pela Lava Jato por ter sido flagrado tentando obstruir a investigação dos crimes do petrolão.

Vamos recitar direito o samba-enredo, para facilitar a compreensão pelo país do Carnaval: o líder do governo no Senado, isto é, o representante do palácio de Dilma Rousseff no Congresso Nacional, foi surpreendido e gravado planejando a fuga para o exterior do excelentíssimo prisioneiro Nestor Cerveró, condenado no escândalo de corrupção da Petrobras – no qual o próprio Delcídio já era suspeito, assim como o governo por ele representado.

Fica assim, então, o refrão do samba: Delcídio do Amaral está livre para voltar a trabalhar (sic) no Senado Federal, e livre também, portanto, para dar prosseguimento ao seu patriótico esforço de melar a Operação Lava Jato. O companheiro Teori Zavascki, goleiro inexpugnável do STF que não deixa passar uma bola sequer contra a companheira presidenta – em dupla afinada com o zagueirão Janot, que rebate tudo sem despentear a franja –, achou que não havia mais razão para manter Delcídio preso. Qual terá sido a sua premissa? Provavelmente, apostou que as pilhas do gravador do filho de Cerveró acabaram.

Realmente, se o rapaz não gravar mais nada, a ameaça cessa: a quadrilha do petrolão poderá voltar a desfalcar o Brasil honestamente, como aconteceu por mais de dez anos sem ninguém se incomodar. Como disse João Santana ao receber a ordem de prisão, o país mergulhou num "clima de perseguição". Lula teve de interromper sua lua de mel com a Odebrecht, Renato Duque foi caçado e encarcerado gritando "que país é este?", Delcídio do Amaral foi capturado indagando aos policiais "como assim, um Senador da República?". Como se vê, o país foi arrancado de seu clima de normalidade venal.

Nada disso seria problema sem a prisão do ministro João Santana. Antes, se o povo saía às ruas de verde e amarelo, lá vinha a genialidade canalha: "Essa gente está protestando contra a corrupção com a camisa da CBF?". Agora a pergunta é outra: "Esses malandros estão parindo slogans de vítimas com dinheiro do petrolão?".

Vamos ver se o novo samba cai na boca do povo: Dilma Rousseff foi eleita com dinheiro roubado da Petrobras – como sustentam os fundamentos da prisão de seu marqueteiro pago por fora (do país e da lei). Chegou a hora de a mulher sapiens sambar

 

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COMPRAS DE ROSE NO CARTÃO CORPORATIVO ENFIM SERÃO REVELADAS  -  17/02/2016


Publicado originalmente na
tribunadainternet.com.br

No início de 2008, quando decidiu escolher Dilma Rousseff como sucessora, o plano do então presidente Luz Inácio Lula da Silva era evitar o surgimento de uma nova liderança no PT, continuar dominando o partido e voltar ao poder na eleição de 2014. Como a chefe da Casa Civil era desconhecida pelo grande público, ele a apelidou de “Mãe do PAC” e começou a fazer abertamente a campanha, antes do prazo legal. Contratou o marqueteiro João Santana, que trocou os óculos dela por lentes de contato, mandou mudar o penteado, sofisticou o vestuário e providenciou a reforma do rosto com o cirurgião plástico Renato Vieira.

Por antecipar a campanha, Lula foi multado várias vezes pela Justiça Eleitoral, não ligou, seguiu em frente. Lutou muito para elegê-la, escolheu pessoalmente o Ministério e começou a agir como se ainda continuasse na Presidência. Dilma aceitava, Lula jamais imaginou que essa situação pudesse mudar. Até que, em outubro de 2011, o ex-presidente foi diagnosticado com câncer na laringe e Dilma começou a se livrar da influência dele.

Lula passou meses num tratamento pesadíssimo, tinha dificuldades até para andar, apoiado numa bengala, mas conseguiu se recuperar totalmente e continuava confiante de que, em 2014, Dilma iria ceder a candidatura a ele. Surgia, assim, o movimento “Volta, Lula”, que tinha tudo para dar certo e contava com apoio irrestrito da Executiva, do Diretório Nacional e de todo o PT. Mas a presidente Dilma fincou pé e disse que a candidatura era dela
.
UMA CARTA NA MANGA
Lula insistiu, ia disputar e vencer a Convenção Nacional, Dilma não teria a menor chance. Mas ela trazia uma carta escondida na manga e abriu o jogo, ameaçando revelar à imprensa todas as informações que possuía sobre Rosemary Noronha, a ex-chefe de Gabinete da Presidência em São Paulo, incluindo detalhes das viagens internacionais da segunda-dama e as compras realizadas com cartão corporativo no Brasil e no exterior. Xeque-mate. Lula teve de recuar e, humilhado, compareceu à Convenção Nacional do PT para defender a candidatura de Dilma à reeleição.

Lula perdeu a oportunidade de voltar à Presidência, chegou a romper relações com a sucessora, mas acabou tendo de se reconciliar e fazer nova campanha para ela, em nome da sobrevivência política dos dois e do próprio PT, que já estava submetido aos devastadores ataques da força-tarefa da operação Lava Jato.

Mais um ano se passou e tudo continua com antes. O governo Dilma tornou-se uma obra de ficção, com a economia se derretendo num cenário de juros, inflação, desemprego e dívida pública em alta, enquanto arrecadação e investimentos permanecem em queda. Para Lula e o PT, o quadro é ainda mais sinistro com o avanço das investigações da Lava Jato e também da Zelotes, que apura propinas no Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão vinculado ao Ministério da Fazenda). E agora as denúncias já atingem o próprio Lula, amigos como José Carlos Bumlai, Léo Pinheiro e Marcelo Odebrecht, e até o filho caçula dele, Luís Cláudio Lula da Silva, um escândalo atrás do outro.

O PIOR ESTÁ PARA VIR
Tudo isso é rigorosamente verdadeiro e já foi publicado aqui na Tribuna da Internet. Estamos apenas recapitulando, porque, no caso de Lula, o pior ainda está para vir, porque a Justiça já determinou que sejam divulgadas todas as compras realizadas por Rose com o cartão corporativo, no período de 2003 a 2010. É consequência do mandado de segurança 20.895, impetrado pelo jornalista Thiago Herdy e pela empresa Infoglobo, um processo da maior importância que chega agora a seu estágio final.

Em 12 de dezembro de 2014, houve o julgamento no Superior Tribunal de Justiça, tendo como relator o ministro Napoleão Nunes Maia. O resultado não deixou margem a dúvidas. O acórdão do STJ assinalou que o não fornecimento dos documentos e informações a respeito dos gastos efetuados com cartão corporativo do governo federal, com os detalhamentos solicitados, “constitui ilegal violação ao direito líquido e certo do impetrante, de acesso à informação de interesse coletivo”, assegurado pela Constituição e regulamentado pela Lei de Acesso à Informação.

O GOLPE FINAL
A decisão do Tribunal acrescentou que “inexiste justificativa para manter em sigilo as informações solicitadas, pois não se evidencia que a publicidade de tais questões atente contra a segurança do Presidente e Vice-Presidente da República ou de suas famílias”. O acórdão salientou também que “a transparência das ações governamentais deve ser um comportamento constante e uniforme”, acrescentando que a divulgação dessas informações seguramente contribui para evitar episódios lesivos.

Por fim, determinou “a prestação das informações relativas aos gastos efetuados com o cartão corporativo do Governo Federal, utilizado por Rosemary Nóvoa de Noronha, com as discriminações de tipo, data, valor das transações e CNPJ/Razão social dos fornecedores”.

É o que falta para destruir Lula. No dia em que forem divulgadas as compras feitas por Rose no cartão corporativo, o futuro político do criador do PT não valerá uma nota de três reais.
 

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TRANSPORTE DE AUTORIDADES  -  10/02/2016

 

Dentro da estrutura da FAB (Força Aérea Brasileira) existe, em Brasília, um grupo chamado GTE (Grupo de Transporte Especial), que é o responsável pelo transporte aéreo do Presidente da República, Ministros e demais autoridades. Fora o avião presidencial, essa frota dispõe de 15 aviões, desde jatos executivos até aviões com capacidade de, aproximadamente, 50 passageiros. Alguns modelos tiveram seus interiores modificados e transformados em salas VIPs, garantindo o máximo de conforto para seus usuários.

Em geral, o custo dessas aeronaves para deslocar autoridades chega a custar 20 a 50 vezes mais do que o valor das passagens aéreas em voos comerciais, mesmo considerando viagens em primeira classe. No caso de viajar somente um ou dois passageiros, o valor por passageiro fica astronômico. Um avião pequeno custa, aproximadamente, R$ 150 mil para ir de Brasília ao Rio de Janeiro; se forem 03 passageiros, significa um custo de R$ 50 mil por passageiro. A conta da gastança é simples.

Um levantamento efetuado de janeiro a setembro do ano passado mostrou um total de 2.206 voos para atender aos políticos, o que dá mais de 08 voos por dia. É um desperdício imenso de dinheiro público, enquanto o povo não tem moradia decente, saneamento básico, segurança, saúde, transporte, etc..

Por outro lado, a FAB efetuou somente 42 missões de transporte de pacientes e órgãos para transplantes nesse mesmo período, causando sérios problemas à população. Só o Ministério das Cidades fez 187 viagens; o deputado Eduardo Cunha usou a FAB por 110 vezes, e assim por diante. Em contraponto, no início do ano um menino de 12 anos não conseguiu receber um transplante de coração e morreu em Brasília pela falta de aeronave para transportar um órgão que estava disponível em Itajubá, no estado de Minas Gerais.

A FAB simplesmente alegou que não podia atender ao pedido de transporte por "questões operacionais". Uma frase simples que causou a morte de uma criança. Vale lembrar que existe um decreto de 2002 que disciplina o uso de aviões da FAB e diz que seus jatos podem ser requisitados quando houver motivo de emergência médica, o que obviamente não foi considerado nesse caso.

Renan Calheiros usou jato da FAB para ir de Maceió até Porto Seguro para assistir ao casamento do senador Eduardo Braga. Sua assessoria disse, na época, que Renan participou do compromisso como presidente do Senado e que tem direito ao uso de aeronave oficial, mesmo que a viagem não seja oficial. Existem casos de políticos que viajaram para ver jogos da seleção, casos em que foram para Fernando de Noronha, mas que usaram aviões da FAB por questões de segurança e por aí vai.

O fato é que o desperdício do nosso dinheiro continua enorme, apesar dos discursos de muitos "representantes do povo". Para todos os lados que olharmos com atenção, vamos verificar essa prática. Até quando? Essa é a pergunta que continua sem uma resposta. Bem, agora é Carnaval e não podemos nos preocupar com esses detalhes. Devemos nos preocupar com os blocos carnavalescos, com as marchinhas de alto padrão e com o desfile das escolas de samba. Até quando?

* Célio Pezza é colunista, escritor e autor de diversos livros, entre eles: As Sete Portas, Ariane, A Palavra Perdida e o seu mais recente A Tumba do Apóstolo.
 

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A HISTÓRIA OCULTA DAS PEDALADAS FISCAIS  -  14/12/2015

(Transcrito de vespeiro.com)

"Dilma Rousseff é um perigo para a sociedade e uma ameaça à segurança pública que não apenas tem de ser apeada do poder o quanto antes num ato de legitima defesa da sociedade brasileira como também, de ser impedida pela polícia de causar mais danos posto que, mesmo diante do tamanho do desastre que produziu, mostra sinais claros de psicopatia prometendo reiteradamente reincidir nos seus crimes"

A reportagem de Leandra Peres no Valor Econômico de hoje – “A história oculta das pedaladas fiscais” (aqui) – recompõe passo a passo a história do que se pode chamar sem medo de exagero, do assasssinato triplamente qualificado da economia brasileira. Peço perdão por ser tão enfático mas é absolutamente disso que se tratou.
A reportagem, que só li pelo meio do dia depois de ter escrito o primeiro artigo publicado hoje, é jornalismo da melhor qualidade, raríssimo hoje em dia. Não ha nenhum “especialista” dando interpretações; ha apenas fatos que contam como, passo a passo, Dilma Rousseff foi cavando o rombo de mais de 100 bilhões de reais que ameaça destruir a economia brasileira, sustentando na base do terrorismo o rumo de desastre apesar de todos os alertas que recebeu de sua própria equipe técnica, numa história apurada dentro da melhor técnica jornalística em meses seguidos de trabalho paciente de garimpo e aferição de fatos e coleta e depuração de informações para contextualiza-los.

Baseia-se em relatórios elaborados por técnicos do Tesouro e em relatos impressionantes do ambiente de terror que se foi instalando dentro do núcleo central das manipulações que levaram este governo até as portas do impeachment em função da truculência com que Arno Agustin, o “soldado” ou “tarefeiro” do partido a quem ela entregou o Tesouro Nacional para manipula-lo a ponto de por tudo que os 204 milhões de brasileiros construíram com o suor de seus rostos à mercê dos seus absurdos delírios ideológicos, primeiro, e das subsequentes maquinações criminosamente irresponsáveis para que as consequências deles não a levassem a perder o poder, que agravaram o problema até muito além do limite da perda de controle.

O principal desses relatórios já alertava o governo em julho de 2013 de que o país estava caminhando para uma desclassificação de rating certa “num prazo máximo de dois anos” em função do desastre fiscal de grandes proporções que se estava configurando. A reação de Dilma e Agustin foi de ameaças contra esses profissionais, tratados como “traidores”, e o redobrar das ações desviantes por eles apontadas. Uma nova versão do documento foi feita em setembro de 2013 mostrando o agravamento da situação, mas tudo foi tratado por Dilma e seu agente dentro do Tesouro Nacional como “atos de rebelião” dos escalões inferiores.

Antes disso, desde as primeiras manobras de “contabilidade criativa” do ministro Mantega em 2012, que já respondiam à recusa reiterada de corrigi-los, os desvios vinham sendo sucessivamente apontados pelos técnicos do Tesouro e dos bancos estatais envolvidos nas manobras. Essas falsificações foram, portanto, assumidas dolosamente, enquanto qualquer tentativa de dete-las era recebida como “traição”, como “tentativa de prejudicar os pobres” e por essa picada afora. O terrorismo chegou a tal ponto que os técnicos criaram uma comissão para tratar do “problema de relacionamento humano” criado dentro do Tesouro Nacional para reunir coragem para levar a reclamação, em nome de todos, ao foco emissor desse “problema de relacionamento”: Arno Agustin em pessoa, o homem a quem a “presidenta“, como ele gostava de chama-la com marcado sotaque gaúcho, ligava frequentemente mais de 15 vezes seguidas.

O resumo é que as pedaladas fiscais não configuram apenas “crime de responsabilidade” punível com impeachment, conforme inscrito na lei e no pedido de abertura do processo feito pelo fundador do PT, Helio Bicudo, e pelo jurista Miguel Reale Junior. O que ha de mais impressionante nesta reportagem, acompanhada da íntegra de todos os documentos a que se refere, é a riqueza dos detalhes que iluminam profusamente o tipo de desvio de personalidade e comportamento que criou a sequência de acontecimentos que, sem medo de imprecisão na comparação retórica, resultaram em nada menos que o assassinato triplamente qualificado da economia brasileira, vitimada sem possibilidade de defesa e por motivo torpe conscientemente assumido pelos autores do crime.

Se ainda havia quem alimentasse dúvidas honestas sobre a extensão e a qualidade dos crimes deste governo, os pormenores revelados por Leandra Peres neste trabalho de profundidade excepcional e qualidade jornalística impecável, acaba com todas elas. É uma peça que tem valor histórico, além de valor jurídico.

Dilma Rousseff é um perigo para a sociedade e uma ameaça à segurança pública que não apenas tem de ser apeada do poder o quanto antes num ato de legitima defesa da sociedade brasileira como também, de ser impedida pela polícia de causar mais danos posto que, mesmo diante do tamanho do desastre que produziu, mostra sinais claros de psicopatia prometendo reiteradamente reincidir nos seus crimes.

E para chegar a ela com toda a carga de energia que a ocasião pede, não deixe de ler e de fazer circular a matéria de Leandra Peres.
A história oculta das “pedaladas fiscais”
 

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DELAÇÃO PREMIADA - BEM PÚBLICO E INTERESSE PRIVADO  -  07/12/2015

(Publicado originalmente no site politicaparapoliticos.com.br)

A política é uma atividade muito complexa e complicada, uma área de que os mais prudentes se aproximam com cuidado, humildade, muito estudo e uma disciplina rigorosa, destinada a conter a arrogância intelectual, a precipitação e a confusão entre valores pessoais e a realidade. Tomemos um exemplo da realidade política brasileira atual: o episódio envolvendo o senador Delcídio Amaral e que o levou à prisão.

Se alguém declarasse que com uma única ação política teria o poder de provocar as a seguir listadas consequências políticas, seria por todos considerado um inconsequente e não mereceria nenhuma atenção: 1) levar à prisão o senador Delcídio e o empresário André Esteves; 2) constranger o STF e alguns de seus ministros; 3) revigorar a legitimidade do juiz Sergio Moro e a equipe da PF e MP e a presunção de veracidade das acusações já feitas; 4) remover do centro da cena política o deputado Eduardo Cunha; 5) reforçar as ameaças que pairam sobre Lula e conseguir calá-lo; e 6) constranger o vice-presidente da República.

Embora nem mesmo o autor da gravação pudesse ter previsto o conteúdo da conversa em todos os detalhes, a reunião provocou todas as consequências acima, do mais alto interesse público, e outras que me dispenso de acrescentar. Como é possível que isso tenha sucedido? Praticamente ninguém se faz essa pergunta. Se forçarmos uma resposta, ao acaso será tributada a ocorrência. Acaso mencionado de forma vulgar (azar de Delcídio) ou acaso referido de forma sofisticada (a inter-relação de múltiplos atores e variáveis).

Não se faz essa pergunta porque estamos acostumados no Brasil a encarar a política de outra forma. No nosso discurso político, resultados positivos para a sociedade são consequências sempre de intenções virtuosas em relação à sociedade. Essa concepção leva a política – discussão, deliberação, decisão – para o plano das intenções, subalternizando o plano dos resultados. Decide-se em quem votar pela escolha entre intenções declaradas. Decide-se o que fazer sem confrontar com os meios materiais de realização.

Curiosamente, entretanto, esse não é o caso das consequências “virtuosas” da reunião com o senador Delcídio. Ali cada um dos presentes participava com seu interesse individual. Nenhum tinha como motivação o interesse público. Apesar disso, aquela reunião produziu resultados fortemente favoráveis ao interesse público e muito positivos para a sociedade, provocados por indivíduos dominados por interesses pessoais, egoístas, imorais e ilegais.

Essa constatação implica, então, reconhecer a colisão frontal entre a concepção dominante de que resultados virtuosos decorrem de intenções virtuosas e a realidade de que resultados altamente virtuosos e positivos foram produzidos por intenções viciadas, imorais e ilegais. Não se trata de um confronto menor. A constatação da dependência dos resultados da natureza ética da intenção abriga nossa propensão a resolver litígios pelo recurso ao Judiciário, a visão da superioridade ética do Judiciário, da sua capacidade para encontrar “a” justa solução dos litígios e nosso desprezo por soluções negociadas, sempre eticamente inferiores à revelação do direito.

Mas se não podemos atribuir às boas intenções aqueles resultados positivos para a democracia e se não nos satisfaz atribuí-los ao acaso, como, então, explicar a sua causa?

Devemos olhar essa ocorrência por outra lógica. Afinal, há que lidar com um aspecto eticamente perturbador nesse caso: foram ações moralmente condenáveis que provocaram resultados moralmente positivos para o País, como as acima referidas. Devemos tais resultados, assim como tantos outros da Operação Lava Jato, a um fator crucial e decisivo: o instituto da delação premiada.

Objetivamente, esses resultados da Lava Jato, assim como todos os demais que, por zelo e competência, o juiz Sergio Moro e sua equipe produziram, ao desvelar o escândalo amazônico do petrolão, devem-se ao instituto da delação premiada.
Sem a delação premiada (um prêmio dado ao criminoso que colabora com a Justiça, uma negociação entre o interesse público e o interesse individual do acusado), muito pouco do que hoje sabemos sobre a dimensão da corrupção brasileira teria chegado ao nosso conhecimento e se tornado uma realidade política, econômica, ética e judiciária.
A delação premiada opera ao contrário daquela concepção da nossa cultura política: intenções virtuosas, resultados benéficos. Na delação a relação é: intenções egoístas, resultados benéficos. Nela a alquimia política é diferente do senso comum: são interesses individuais, egoístas e sem preocupação com o interesse coletivo que, na sua transição da esfera individual para a coletiva, resultam em benefícios públicos.

Maquiavel foi o primeiro a revelar essa lógica quando detalha como o príncipe liberal, ao gastar mais do que o cofre da República tem, se vê obrigado a tornar-se um príncipe mesquinho e autoritário para permanecer no poder, ao criar impostos, cortar despesas e saquear seus súditos. Por outro lado, o príncipe mesquinho, zeloso nos gastos, firme ao evitar pressões, por não gerar expectativas que não pode satisfazer, terá condições de em algum momento gastar em favor do povo, sem ameaçar seu reino.

A fórmula de Maquiavel sobre a peculiar alquimia das virtudes próprias da vida privada quando transferidas para a vida pública não é muito diferente da fórmula de Mandeville na sua Fábula das Abelhas: Vícios Privados Benefícios Públicos, tampouco da lógica do capitalismo desde Adam Smith, em que o interesse e o egoísmo individual racionalmente buscado (vício privado) pela ação das leis do mercado resulta no enriquecimento da nação (benefício coletivo).

Qualquer relação entre a situação da presidente Dilma e do modo de governo do PT com essa análise de Maquiavel é intencional e exemplo evidente do conselho político que o grande florentino deixou e chega ao Brasil com 502 anos de atraso.

* Francisco Ferraz é professor ee Ciência Política, Ex-Reitor da Ufrgs, É diretor do site ‘política parapolíticos.com.br’


 

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ESQUEÇA A SEXTA-FEIRA 13   -  22/11/2015


(Publicado originalmente em O Globo de 21/11/2015)


A presidente, que foi guerrilheira e declarou horror à censura, acaba de aprovar lei apunhalando liberdade de expressão.

O massacre de Paris levou a Europa ao estado de guerra, e o mundo ao estado de alerta. Mas o Brasil só pode se indignar com um dos mais graves atentados terroristas da história da humanidade se lamentar primeiro a ruptura da barragem em Minas Gerais. Esse incrível dilema parece coisa do demônio, porque, como dizia Hélio Pellegrino, o demônio é burro. Só ele poderia, em meio ao sangue e à dor, sacar a calculadora.

O ser humano se choca e se revolta com o que quiser. O ser desumano decide o que deve chocar e revoltar os outros. Ele é imune ao sentimento. Perplexidade, medo e morte não atrapalham seus cálculos politicamente corretos. Sua bondade e seu altruísmo estão à venda na feira por 1,99. E acabam de produzir uma façanha: o país voltou a ter uma Lei de Imprensa igualzinha à da ditadura militar. Sancionada pelo governo da esquerda bondosa (1,99).

A presidente da República, que foi guerrilheira e declarou seu horror à censura, acaba de aprovar uma lei apunhalando a liberdade de expressão. Não deve ter ligado o nome à pessoa. A nova Lei do Direito de Resposta impõe aos veículos de comunicação prazos e ritos sumários para defender-se dos supostos ofendidos — uma mordaça, dado o risco de jornais e TVs terem que passar a veicular editoriais dos picaretas do petrolão, por exemplo. Este é, e sempre foi, o plano dos petistas amigos do povo em defesa da verdade: falar sozinhos.

É uma lei inconstitucional, e o Supremo Tribunal Federal terá que se manifestar sobre isso. Claro que a independência do Supremo vem sendo operada pelo governo popular segundo a mesmíssima tática progressista — onde progresso é você assinar embaixo do que eu disser. A democracia brasileira está, portanto, numa encruzilhada — e só Carolina não viu.

Carolina e os convertidos, que não são necessariamente comprados. Fora as entidades e cabeças de aluguel, existe a catequização sem recibo. Estudantes de escolas públicas e privadas do país inteiro enfrentam provas — vestibular inclusive — onde a resposta certa é aquela em que o governo do PT é virtuoso e os antecessores são perversos. O nome disso é lavagem cerebral, e os resultados estão aí: em qualquer cidade brasileira há estudantes sofrendo bullying ideológico da maioria catequizada. Essa é a verdadeira tropa de choque (ou exército chinês) dos companheiros que afundaram o Brasil sem perder a ternura.

Pense duas vezes, portanto, antes de se horrorizar com a carnificina da sexta-feira 13 em Paris. Sempre haverá alguém ao seu lado, ou na sua tela, para denunciar o seu elitismo. E para te perguntar por que você não se choca com a violência em Beirute. E para te ensinar que os próprios europeus são os culpados de tudo. Não adianta discutir — como já foi dito, o demônio é burro. Mas se você achar que isso é cerceamento da liberdade, não conte para ninguém: é mesmo. Trata-se da censura cultural, uma prima dissimulada da censura estatal (a da Lei de Imprensa).

A censura cultural se alimenta desses dilemas estúpidos — sempre buscando um jeito de colar no inimigo o selo de “conservador”, palavra mágica. No Brasil, quem é contra a indústria de boquinhas estatais do PT é conservador — e os que conservam as boquinhas são progressistas. Quem era contra o monopólio estatal da telefonia era conservador (neoliberal, elitista etc.). O monopólio foi quebrado, gerou um salto histórico de inclusão social, mas o sindicalismo petista que tentou conservar esse monopólio é que é progressista. Conservadores são os que acabaram com a conservação.

Jornalistas que criticam as malandragens fisiológicas da esquerda são conservadores — e para realçar o maniqueísmo, claro, vale inventar. O perfil de Carlos Alberto Sardenberg na Wikipédia, por exemplo, foi reescrito com algumas barbaridades por um computador progressista do Palácio do Planalto. O perfil do signatário deste artigo também foi enriquecido com algumas monstruosidades. Depois de retiradas, surgiu ali um editorial sobre “polêmicas” com o PT (que continua lá). Cita um vice-presidente do partido que acusou este signatário de maldizer os pobres e sua presença nos shoppings e aeroportos. Naturalmente, é o partido dele quem ameaça a presença dos pobres nos shoppings e nos aeroportos, com a pior crise econômica das últimas décadas — e com seu tesoureiro preso por desviar dinheiro do povo. Mas esses detalhes conservadores não estão no verbete.

Como se vê, a verdade tem dono. Se você não quer problema com a patrulha, leia a cartilha direito. E, se possível, diga que os 130 mortos pelo Estado Islâmico em Paris não são nada perto da matança nas periferias brasileiras (use à vontade a calculadora do demônio). Pronto, você está dentro. Aí, pode falar de tudo. Lula, por exemplo, disse a Roberto D’Ávila que passou cinco anos sem dar entrevista para não interferir no governo. Procede. Esse que você ouviu falando pelos cotovelos devia ser o palestrante da Odebrecht.

* Jornalista

 

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A INTENTONA COROADA  -  21/11/2015

(Publicado em midiasemmascara.org)

É digno de comemoração o aniversário de uma conspiração transnacional de tomada de poder através da violência armada, orquestrada por um governo que deixou em seu rastro dezenas de milhões de cadáveres?

Celebrar o aniversário da Intentona Comunista não é apenas um disparate: é um ultraje.

O dia 9 de novembro marca o aniversário da queda do Muro de Berlim. Por anos, esse muro foi a materialização de uma realidade que se tentava manter oculta para o resto do mundo – a adoção deliberada de repressão, patrulhamento, escassez, fome, perseguição e extermínio como políticas de Estado nos países comunistas. As notícias enviadas do outro lado da Cortina de Ferro eram aterradoras. Os vinte e seis anos da queda desse muro da vergonha deveriam ser motivo para manter viva a memória de todas as tragédias, coletivas e particulares, provocadas pelo comunismo. Mas há quem prefira, ao contrário, louvar a ideologia mais mortífera do século XX.

Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e a Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA) promoverão, entre os dias 18 e 21 de novembro, um seminário de comemoração da Intentona Comunista. A Intentona, também conhecida como Revolução Vermelha de 1935, foi uma tentativa de golpe contra o presidente Getúlio Vargas levada a cabo pela Aliança Nacional Libertadora, organização de matiz socialista liderada por Luís Carlos Prestes – que havia, na década de 1920, liderado outra revolta, de caráter tenentista, conhecida como Coluna Prestes. De acordo com o portal da UFRN, a Intentona ensejou grande repressão por parte do governo Vargas e “o início de um anticomunismo ainda muito presente na sociedade brasileira”. A historiografia oficial nos conta que o objetivo desse movimento golpista era derrubar Vargas. No entanto, a Intentona começou a ser gestada muitos anos antes de Getúlio assumir o poder.

REVOLUÇÃO TIPO EXPORTAÇÃO
Com a vitória da Revolução Bolchevique de 1917, a liderança do Partido Comunista Russo, então liderado por Vladimir Lênin, enxergou a premente necessidade de organizar formalmente os esforços de todos os partidos comunistas do mundo para promover a revolução global. Desse modo, em 1919, foi criada a Internacional Comunista (Comintern) com o objetivo de concertar esforços, táticas e ações dos partidos comunistas de todo o mundo com o objetivo de tomar o poder em seus respectivos países e neles implantar a ditadura do proletariado. O Comintern, teoricamente, pautava-se pelo chamado “centralismo democrático”, onde questões programáticas eram objeto de discussão dos grupos internos da organização comunista. Na prática, esse princípio de organização leninista, que fingia ser uma espécie de fórum democrático em que debates abertos orientavam as diretrizes dos partidos comunistas, era falso: tudo era decidido pelo Partido Comunista da União Soviética (PCUS) – e, em última instância, por seus homens fortes.

Em 1922, entre os dias 5 de novembro e 5 de dezembro, ocorreu em Moscou o IV Congresso Mundial do Comintern. Partidos comunistas de 58 países enviaram delegados, sendo 343 o número de delegados votantes. Sob a presidência de Lênin e Leon Trotsky, o IV Congresso contou com a presença de personalidades comunistas importantíssimas, como o italiano Antonio Gramsci. No entanto, um dos destaques do congresso foi um ilustre desconhecido: Antônio Bernardo Canellas, delegado do Partido Comunista Brasileiro (PCB). Canellas ficou famoso no contexto do IV Congresso por pedir um aparte no meio de um discurso Trotsky – o chefe do Exército vermelho chamaria o brasileiro de “o fenômeno sul-americano”.

O POTENCIAL COMUNISTA DOS TRÓPICOS
Durante o IV Congresso do Comintern, Canellas apontou a necessidade da criação de um órgão que tratasse especificamente da América Latina. A proposta foi submetida a votação, e contou com o entusiasmado apoio de Antonio Gramsci. Surgiu, assim, o Secretariado Latino do Comintern, submetido à autoridade do recém-criado Comitê Executivo da Internacional Comunista (CEIC). Em 1925, ocorreu o V Congresso do Comintern, do qual surgiu o Secretariado para a América do Sul, com sede em Buenos Aires. Seu principal órgão era o Escritório de Propaganda do Comintern para a América do Sul, chefiado por Abilio de Nequete, fundador e primeiro secretário-geral do PCB. Em 1927, saía a primeira edição do La Correspondencia Sudamericana, jornal do Secretariado para a América do Sul, cujo editor era o argentino Rodolfo Ghioldi.

O VI Congresso do Comintern ocorreu em julho/agosto de 1928. Com o relato do sucesso das atividades do Secretariado para a América do Sul, foram eleitos sete membros latino-americanos para o CEIC – dentre eles, Rodolfo Ghioldi e o brasileiro Astrojildo Pereira, membro-fundador do PCB. Essa eleição dava proeminência considerável ao secretariado, o que representava a importância da América Latina para o Comintern e, portanto, para Moscou.

Nesse ínterim, Prestes havia liderado seu frustrado levante dos anos 1920 e, junto com outros revolucionários, exilou-se na Bolívia. Em 1928, conheceu Ghioldi, sendo recrutado pelo argentino para as fileiras do Comintern. A partir desse ano, passou a receber treinamentos específicos para a organização de uma revolução comunista no Brasil. Em 1930, retornou para o País, instalando-se clandestinamente em Porto Alegre. No ano seguinte, a convite do governo soviético, mudou-se para Moscou, onde sua formação ganhou profundidade e amplitude. Sua importância estratégica para o Comintern era tamanha que, ao voltar para o Brasil, em 1934, veio acompanhado de dois importantes agentes da Internacional Comunista: os alemães Olga Benário (que, depois, seria mulher de Prestes) e Arthur Ernest Ewert, oficial da NKVD (serviço secreto que precedeu a KGB).

O “CAVALEIRO DA ESPERANÇA” CONTRA-ATACA
Em agosto de 1935, ocorreu o VII Congresso do Comintern, o último antes de sua dissolução. Georgi Dimitrov, Secretário-Geral do CEIC, determinou, dentro da estratégia de “frentes populares” – organizações de massa de caráter teoricamente anti-fascista –, que o PCB apoiasse a criação da Aliança Nacional Libertadora (ANL) tendo, por presidente, Luís Carlos Prestes. O papel da ANL seria o de promover uma sublevação armada no Brasil que tinha por objetivo a implantação de uma ditadura do proletariado a soldo de Moscou. Para tanto, era necessário organizar um discurso de caráter nacionalista e anti-varguista que, em seu bojo, carregasse bandeiras sociais que pudessem ludibriar o povo brasileiro e atrair sua simpatia – reforma agrária, abolição da dívida externa, etc. No mesmo congresso, Prestes foi eleito membro efetivo do CEIC, e Ghioldi, chefe do Secretariado para a América do Sul.

A operação revolucionária a ser liderada por Prestes e encampada pelo PCB teria como principais pontos de apoio: o Secretariado para a América Latina; Iumtourg, uma falsa agência de turismo e casa de câmbio controlada pelo Comintern e sediada no Uruguai, por meio da qual se poderia criar uma ponte financeira entre Moscou e o Brasil; e os partidos comunistas de Argentina, Uruguai e Chile. Todos os agentes envolvidos haviam sido financiados pelo governo soviético e recebido treinamento militar especializado. O momento exato do início da revolta armada dependia diretamente do aval do Comintern.

Os detalhes da Intentona Comunista tomam um livro inteiro – aliás, o jornalista William Waack escreveu o excelente “Camaradas”, com farta documentação comprobatória. Meu propósito não é apresentar uma análise profunda e exaustiva desse evento, que, para nossa sorte, não foi adiante. Almejo, ao traçar um breve histórico das origens da Intentona Comunista, duas coisas.

A primeira é expor esse movimento tal qual ele foi – uma tentativa de golpe que tinha por objetivo a implantação, no Brasil, de uma ditadura do proletariado nos moldes soviéticos e consolidar um posto avançado da União Soviética no continente americano. A segunda é suscitar uma pergunta: o que merece ser comemorado, afinal de contas? É digno de comemoração o aniversário de uma conspiração transnacional de tomada de poder através da violência armada, orquestrada por um governo que deixou em seu rastro dezenas de milhões de cadáveres, e que, mesmo fracassada, foi capaz de exemplos detestáveis de barbarismo e crueldade – como a execução da garota Elza, uma menina semi-alfabetizada de 16 anos estrangulada à morte a mando de Prestes?

Celebrar o aniversário da Intentona Comunista não é apenas um disparate: é um ultraje. E fazê-lo por meio de instituições federais de ensino superior – o que praticamente confere à homenagem um caráter de oficialidade governamental – é um ultraje além da medida. Se há algum exemplo claro e paradigmático de como as universidades federais brasileiras são ideologicamente orientadas para reproduzir o discurso hegemônico da esquerda, eis tal exemplo.


Fontes:
– Manuel Caballero, “Latin America and the Comintern 1919 – 1943”. Cambridge Latin American Studies, n. 60, Cambridge University Press, 2002. 213 p.

– John C. Clews, “As Técnicas da Propaganda Comunista”. Coleção Problemas Políticos da Atualidade, v. 1, O Cruzeiro, 1964. 283 p.

– Paul M. A. Linebarger, “Guerra Psicológica”. Editora Biblioteca do Exército, 1962. 541 p.

– William Waack, “Camaradas”. Companhia das Letras, 1993. 381 p.

– Sérgio Rodrigues, “Elza, a Garota”. Nova Fronteira, 2008. 236 p.

– Coletânea de documentos da Internacional Comunista (1919 – 1943), disponível em Marxists.org.


https://felipeoamelo.wordpress.com/ 

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LIÇÕES DE MAURO IASI  -  13/11/2015

(Publicado originalmente no Diário do Comércio)

Citar Brecht no contexto de um apelo à radicalização da luta esquerdista não é de maneira alguma um adorno literário inocente: é sugerir que os comunistas façam aquilo que Brecht os ensinava a fazer e que aliás eles sempre fizeram.

Como o rótulo de “intelectual de esquerda” já esteve associado a escritores do porte de um Álvaro Lins e de um Sérgio Milliet, é bom advertir que, usado hoje em dia, ele só guarda com o seu objeto a relação distante de um ser vivo com a sua miniatura de plástico.

Nesse sentido, o sr. Mauro Luís Iasi corresponde aproximadamente àquilo que, nos meios comunopetistas, se entende por esse termo na atualidade.

Não lhe faltam, com efeito, os traços essenciais que definem o tipo: um cargo acadêmico, o total desconhecimento dos assuntos em que pontifica e a presunção de superioridade moral, quando não intelectual.

Até pouco tempo atrás, ele não passava de um objeto de consumo interno dos círculos esquerdistas, mas recentemente alcançou notoriedade mais ampla, não mediante algum feito literário ou científico, mas graças à sua proposta singela de matar todos os direitistas.

Como alguns deles lhe respondessem que seria melhor aplicar esse remédio a ele mesmo, ele imediatamente considerou isso uma prova a mais da típica truculência direitista em confronto com o arraigado pacifismo humanista da esquerda, sem nem sequer ponderar a diferença entre os coeficientes de truculência requeridos para matar um só e para matar todos.

Com aqueles ares de inocência ofendida sem os quais é muito difícil subir na vida hoje em dia, ele explicou ainda que foi muitíssimo mal interpretado, que seu desejo de matar não era nada disso, mas uma simples metáfora poética extraída de um texto de Bertolt Brecht, no qual um proletário enragé, discutindo com um burguês, demonstra que matá-lo é apenas uma questão de justiça.

“Para aqueles que não são muito afeitos a poemas e outras manifestações da alma humana, -- escreve o sr. Iasi, com infinita piedade pelos pobres ignorantes -- é bom explicar que não se trata de uma pessoa e outra conversando, muito menos uma posição pessoal. É uma metáfora de um encontro de classes numa situação dramática, na qual a classe dominante se encontra diante da possibilidade de ser julgada por aqueles que sempre explorou e dominou.”
O estilo é o homem. Desde logo, no trecho citado o que o proletário sugere não é apenas “julgar” a burguesia, isto é, emitir uma opinião sobre ela, mas sim executá-la, mandá-la para o outro mundo. A versão eufemística do sr. Iasi não consegue camuflar o sentido patente do texto. Diante do burguês que se afirma um homem bom e justo, o revolucionário promete:
“Em consideração aos seus méritos e boas qualidades, poremos você diante de um bom muro, atiraremos em você com uma boa bala de um bom revólver e enterraremos você com uma boa pá numa boa terra.”

O revolucionário promete não apenas matar o burguês, mas humilhá-lo post mortem fazendo chacota do seu cadáver. O sr. Iasi confessa que conheceu o poema de Brecht só pela citação que encontrou num livro de Slavoj Zizek, mas quem leu as obras do dramaturgo sabe que esse tipo de humorismo sardônico voltado contra as vítimas da violência estatal comunista era um dos traços mais característicos do estilo brechtiano de escrever e de ser. Brecht não só aplaudiu entusiasticamente as tropas soviéticas que afogaram num banho de sangue a rebelião popular berlinense de 1953, mas, quando alguém alegou que os condenados nos famosos Processos de Moscou eram inocentes, ele respondeu: “Se eram inocentes, tanto mais mereciam ser fuzilados.”

A ironia macabra não era força de expressão. Para a mentalidade comunista, a culpa ou inocência pessoais do acusado eram, de fato, detalhes menores em comparação com a oportunidade áurea de afirmar, mediante a prepotência da execução arbitrária, a autoridade suprema da Revolução, que não devia satisfações a ninguém senão a si mesma.
A metáfora, se o fosse, não era muito metafórica. Citar Brecht no contexto de um apelo à radicalização da luta esquerdista não é de maneira alguma um adorno literário inocente: é sugerir que os comunistas façam aquilo que Brecht os ensinava a fazer e que aliás eles sempre fizeram.

Mas, para piorar um pouco as coisas, não é uma metáfora. Metáfora é quando uma coisa significa outra coisa, por exemplo o leão significa o Sol ou o Sol significa o rei. Entre o signo e o significado há uma diferença de espécie. Quando o sr. Iasi explica que “não se trata de uma pessoa e outra conversando, muito menos uma posição pessoal” e sim de “uma metáfora de um encontro de classes numa situação dramática”, ele só prova que não sabe o que é metáfora. Na figura de linguagem que ele emprega, o proletário e o burguês não significam coisas de outras espécies, mas sim as espécies respectivas a que eles realmente pertencem: o proletário significa o proletariado, o burguês a burguesia. Isso não é uma metáfora de maneira alguma, é umametonímia – não uma relação analógica entre coisas especificamente distintas, mas a relação lógica entre a parte e o todo. O sentido do trecho citado não é portanto o de uma ameaça de homicídio, mas de genocídio: não é este proletário que deve matar este burguês em particular, mas o proletariado como um todo que deve exterminar a burguesia inteira.

Já é uma palhaçada deprimente que um sujeito que ignora a distinção elementar entre metáfora e metonímia pose de grande conhecedor da literatura e se dirija aos seus leitores como a um bando de iletrados que “não são muito afeitos a poemas”. Porém mais grotesco ainda é que, ao tentar dar à sua convocação truculenta os ares inofensivos de uma “metáfora poética”, ele não percebesse que, com a ajuda de Brecht, estava confessando seu desejo de saltar da escala do homicídio para a do genocídio. Raramente uma tentativa de fazer-se de coitadinho resultou tão flagrantemente numa confissão de culpa ampliada. Por isso é que, quando me perguntam se alguém é comunista por burrice ou por maldade, respondo que é por uma união indissolúvel das duas coisas. Nada emburrece mais do que o esforço contínuo de camuflar a própria maldade sob um travesti de inocência ofendida. E ninguém se dedica a esse esforço com mais persistência do que os comunistas.

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CÍRCULOS BOLIVARIANOS  -  31/10/2015


(Publicado originalmente em
www.alertatotal.net)

Um artigo intitulado “Ameaça à Soberania”, publicado em 14 de outubro de 2007 pelo Correio Braziliense, assinalou que o governo venezuelano, através de um grupo de diplomatas, municia uma organização – Círculos Bolivarianos - para transformar o Brasil em uma democracia socialista. Todavia, a infiltração ideológica do então presidente Hugo Chávez no Brasil vai muito além do lançamento e distribuição às universidades e escolas do livro “Simon Bolívar – o Libertador”. Ele é apenas a ponta do iceberg do projeto político de Chávez.

O trabalho de campo foi articulado pelo venezuelano Maximilian Arvelaiz, assessor de política internacional de Chávez. Arvelaiz. no segundo semestre de 2007 percorreu várias capitais brasileiras, com a missão de coordenar os Círculos Bolivarianos, o que culminaria com a realização da I Assembléia Bolivariana Nacional.

O Movimento Bolivariano tem um hino, um símbolo e uma bandeira. “Ousar Lutar, Ousar Vencer. Pátria Socialismo ou Morte! Venceremos!” Essas são as palavras de ordem utilizadas.

Aurélio Fernandes, militante do PDT, conseguiu unificar todas as organizações similares existentes no Rio, como o Círculo Bolivariano Che Guevara, que reúne universitários. Para isso, teria recebido o apoio do Cônsul da Venezuela, embaixador Mario Guglielmelli Vera.

O Rio é o Estado com maior número de unidades bolivarianas: 7. O DF, PE, SC, SP, BA e AM também possuem unidades bolivarianas. A Casa Bolivariana, no Rio, funciona na Praça da República 25-3º andar (prédio da Federação das Associações de Favelas do Rio de Janeiro), local onde, em novembro de 2006 foram realizadas diversas conferências bem como um ato público em favor da reeleição de Hugo Chávez.

Os chavistas brasileiros se aproximaram da Federação das Favelas e fazem palestras para líderes comunitários locais. Nesses encontros foi exibido o documentário “A Revolução não Será Televisionada”, que mostra os bastidores do golpe que tentou tirar Chávez do Poder.

João Claudio Pitillo, líder do Círculo Bolivariano Che Guevara, estudante de História na Universidade do Estado do Rio de Janeiro, era o encarregado da ligação do Movimento com as favelas, segundo reportagem da revista Época de 11 de dezembro de 2007.

Antes disso, em outubro de 2003, foi realizada em São Paulo uma reunião de um Grupo de Trabalho, preparatória para o Congresso Bolivariano dos Povos, realizado em Caracas em 20/23 de novembro de 2003. Esse Congresso foi antecedido por uma outra reunião do Grupo de Trabalho, em Caracas, dias 28 a 30 de agosto de 2003, que aprovou a criação de uma Secretaria Provisional do Congresso e de Comitês Nacionais, em um encontro preparatório para a realização do Congresso, em novembro de 2004.

Para implementar as propostas acima foram aprovadas por unanimidade e decidido designar os integrantes da Secretaria Provisional: Círculos Bolivarianos, da Venezuela; Comitês de Defesa da Revolução, de Cuba; FMLN, de El Salvador; Movimiento al Socialismo, da Bolívia, Movimiento Piquetero Bairros de Pie, da Argentina, e MST, do Brasil.

Participaram do Congresso Bolivariano dos Povos: MST, Instituto de Estudos Políticos Mario Alves, do PCBR, representando por Bruno Costa de Albuquerque Maranhão, coordenador do MLST e do Grupo Brasil Socialista (que atua dentro do PT), além de representantes da UNE e MR8.

Em dezembro de 2006 foi fundado no Rio o Partido da Revolução Bolivariana do Brasil, com 109 assinaturas de eleitores de 11 Estados. O PRBN diz-se nacionalista e defensor da economia de mercado “com presença forte do Estado”.

Em setembro de 2007, integrantes do IV Seminário Internacional de Luta contra o Neoliberalismo, realizado na sede do jornal Inverta, editado pelo Partido Comunista Marxista-Leninista (PCML), decidiram lançar, no Rio de Janeiro, o Capítulo Brasil da Coordenadora Continental Bolivariana, um espaço de coordenação progressista que projeta sua atividade face a consolidação de uma estrutura ampla e democrática. Estiveram presentes ao evento 59 pessoas, a maioria absoluta militantes do PCML.

Finalmente, a Coordenadora Continental Bolivariana realizou seu II Congresso entre os dias 23 e 27 de fevereiro de 2008, em Quito com a presença de militantes do PCML representando a Coordenadora Continental Bolivariana – Capítulo Luiz Carlos Prestes.

Segundo a devassa que vem sendo feita nos computadores de “Raúl Reyes” (terrorista morto no Equador em março de 2008), um correio de 7 de fevereiro de 2007, de “Ivan Márquez Rios” (Luciano Marin Arango) – membro do Comando das FARC – dava detalhes sobre esse Congresso. Segundo esse correio, a Coordenadora foi criada em 2003 pela guerrilha e é controlada por ela em detalhes. Essa nota de “Ivan Márquez Ríos” revelava o local e o programa do II Congresso que viria a ser realizado em Quito em 23 de fevereiro. Esse fato revela a influência das FARC na organização da Coordenadora Continental Bolivariana.

Mensagem de 14 de novembro de 2007, de “Ivan Márquez”, localizada no computador de “Raúl Reyes”,morto em março de 2008 nas selvas do Equador, revela que não apenas os movimentos radicais se aproximaram das FARC. Esse documento indica que o Ministro do Interior da Venezuela, Ramon Rodríguez Chacin, “se interessou sobre possibilidades de que lhes transmitamos nossa experiência em guerra de guerrilhas, a qual eles chamam de guerra assimétrica”. Os e-mails encontrados no computador de “Raúl Reyes” revelam que desde 2002, quando o presidente Uribe assumiu o Poder, as FARC vêm lançando mão de militantes, supostamente refugiados, para montar núcleos de apoio ideológico, financeiro e logístico.

Esse esquema teria propiciado às FARC a montagem de uma rede de cerca de 400 organizações no continente, desde partidos políticos legais até organizações revolucionárias clandestinas.

Observe-se que os computadores de “Raúl Reyes” continham cerca de 600 gigabytes de dados, entre os quais 37.872 documentos escritos, 451 folhas de cálculo, 210.888 imagens, 22.481 páginas web, 7.989 endereços eletrônicos, 10.537 arquivos multimídia (de som e vídeos) e 983 fichários cifrados. Algumas mensagens:

“Osvaldo, chefe do Partido Pátria Livre [do Paraguai] informa de 300 mil dólares nossos em seu poder, cobrados em um resgate em trabalho conjunto FARC-PL (...) No Paraguai existem boas condições para trabalhos financeiros conjuntos”.

Recordamos que no Brasil também foi constituído o Partido Pátria Livre, em 21 de abril de 2009, tornado legal pela Justiça Eleitoral em 3 de outubro de 2011, que não passa da nova denominação do Movimento Revolucionário Oito de Outubro (MR8). Seu presidente é Sérgio Rubens de Araujo Torres, militante do MR8 durante a luta armada, participante de várias ações armadas.

Dois membros da Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional de El Salvador pedem ajuda para sua campanha em 2003. “Podemos pedir que eles façam a inteligência sobre um alvo econômico de 10 ou 20 milhões no Panamá para fazê-lo em conjunto e dividir as utilidades em partes iguais”.

Segundo outros correios eletrônicos, encontrados no computador de um guerrilheiro preso na Colômbia (Gustavo Arbelaiz – “Santiago”),as FARC receberam em 2007, armas procedentes da Nicarágua. Treze mensagens do computador informavam sobre esse envio de armas e munições. Essas mensagens foram expedidas entre 8 de janeiro e 28 de abril de 2008. Em outra mensagem, “Santiago” informa que chegaram 15 mil tiros de AK-47 e 300 de ponto 50. Algumas mensagens falam do “justiçamento” de guerrilheiros por temor que entreguem seus chefes.

“Santiago”, um dos mais importantes chefes da guerrilha, foi detido em abril de 2008 em Buenaventura, Pacífico colombiano. “Santiago” responde a 27 processos, entre os quais o seqüestro de 11 deputados posteriormente assassinados pelas FARC, como aconteceu com “Ivan Ríos” (Luciano Marín Arango), morto por seus homens.


* Historiador.
 

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A FALSIDADE COMO MEIO DE VIDA  -  24/10/2015



Em 2009, já escolhida pelo então chefe, Luiz Inácio Lula da Silva, para lhe suceder na Presidência da República, Dilma Rousseff teve registrada no currículo oficial, divulgado no site da Casa Civil, que chefiava, sua condição de mestre (master of science) e doutora (Ph.D.) em Ciências Econômicas pela Universidade de Campinas (Unicamp). Pilhada em flagrante delito pela revista Piauí, ela reconheceu que não era nada disso. E mandou corrigir seu Curriculum Lattes (padrão nacional no registro do percurso acadêmico de estudantes e pesquisadores, adotado pela maioria das instituições de fomento, universidades e institutos de pesquisa do País), que informava ter ela cursado Ciências Sociais.

Falsificar Curriculum Lattes equivale, na Academia, a usar um falso diploma de médico. Cobrada, Dilma justificou-se: “Aquela ficha do Lattes era de 2000. Eu era secretária de Minas, Energia e Telecomunicações no Rio Grande do Sul. Eu não tinha mais nenhuma vida acadêmica. Eu era doutoranda porque eu não tinha sido jubilada, era doutoranda. Ao que parece eu fui jubilada em 2004, mas não fui comunicada”.

Do episódio se conclui que, pelo menos desde então, Dilma tem mantido hábitos que se mostraram recorrentes nas duas eleições presidenciais que disputou (em 2010 e 2014) e nos mandatos que nelas obteve. Um deles é conjugar verbos repetitivamente na primeira pessoa do singular. Outro, recusar-se a assumir a responsabilidade pelos próprios erros. Para ela, a culpa era do Lattes, não dela. Já no dilmês tatibitate, ao qual o País se acostumaria nestes tempos, ela se eximiu da falsificação do documento. Quem falsificou seu currículo? Ela mesma nunca se interessou em saber e denunciar. Nem explicou como pagou créditos de doutorado sem ter apresentado dissertação de mestrado, como é praxe. Esta, contudo, é uma mentira desprezível se comparada com outro acréscimo que fez a sua biografia: o da condição de heroína da democracia, falsificando o conceito básico que definiria o objetivo de sua luta.

Ela combateu, sim, a ditadura, ao se engajar num grupo armado de extrema esquerda de inspiração marxista-leninista, o VAR-Palmares. Sua atuação está confirmada em autos de processos na Justiça Militar, em que foi acusada de subversão e prática de atentados terroristas. E foi narrada em detalhes por Carlos Alberto Soares de Freitas, o Beto, que a delatou em depoimento mantido no arquivo digital de O Globo (oglobo.globo.com/politica/confira-integra-do-depoimento-de-beto-dado-em-1971-2789754). Dilma mente porque, como atestam ex-guerrilheiros mais honestos, eles não lutavam por uma democracia burguesa, mas, sim, pela “ditadura do proletariado” de Marx, Lenin, Stalin, Pol Pot, Mao e dos Castros.

Na campanha pela reeleição, que ela empreendeu em 2014, Dilma parecia padecer de uma compulsão doentia à mentira. No palanque, ela prometeu o Paraíso de Milton e já nos primeiros dias do segundo governo, este ano, começou a entregar a prestações o Inferno de Dante. No debate na Globo com Aécio Neves, do PSDB, que derrotaria nas urnas, ela sugeriu à cearense Elizabeth Maria, de 55 anos, que disse estar desempregada, apesar de seu diploma (não falsificado) de economista, que procurasse o Pronatec. Em 2015, esse carro-chefe da propaganda engendrada pelo bruxo marqueteiro João Santana, o Patinhas, terá 1 milhão de vagas, um terço das do ano passado. E, em sua Pátria Enganadora (que “Educadora”?), foram cortados R$ 2,9 bilhões das escolas públicas.

Este é apenas um dos exemplos da terrível crise econômica, política e moral, com riscos de virar institucional, causada pela desastrada gestão das contas públicas em seu primeiro mandato, em especial no último ano, o da eleição, Em 2014 viu-se forçada a violar a Lei da Responsabilidade Fiscal, cobrindo rombos nos bancos públicos para pagar programas sociais, como seria reconhecido até por seu padimLula.

Tudo isso põe no chinelo os lucros do falsário Clifford Irving, causador de imensos prejuízos no mercado das artes plásticas e que terminou virando protagonista de Orson Welles no filme Verdades e Mentiras. Não dá para comparar milhares de dólares perdidos na compra de obras de arte falsas com a perda de emprego por mais de 1 milhão de brasileiros em 12 meses nem a empresários fechando suas empresas.

Os dois só se comparam porque neles falsificar é meio de vida – jeito de obter um emprego e se manter nele. Na Suécia, onde começou a semana, Dilma fez seu habitual sermão da permanência doa a quem doer (e como dói!). Questionada se havia risco de os contratos que assinou serem anulados por um sucessor que capitalize a crise criada por seu desgoverno, afirmou: “O Brasil está em busca de estabilidade política e não acreditamos que haja qualquer processo de ruptura institucional”. A imprecisão semântica serve à falsificação da realidade – não como método, mas como ofício. Se se busca estabilidade, estabilidade não há. Não é necessária ruptura institucional para ela cair.

E ontem ela atingiu o auge do desprezo à inteligência alheia ao repetir a madrasta da Branca de Neve em frente ao espelho, num delírio de falsidade e má-fé: “O meu governo não está envolvido em nenhum escândalo de corrupção”.
Os jardineiros de Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carrol, pintavam de vermelho rosas brancas que plantaram, em vez de vermelhas, que a Rainha de Copas os mandara plantar. Quem apoia a alucinação obsessiva de nossa Rainha de Copas falsária 150 anos após a publicação da obra – “depô-la é golpe” – não tem memória. Pois ignora que o que ela tenta é alterar a cor da História: o primeiro presidente eleito pelo voto direto depois da ditadura, Fernando Collor, hoje investigado por corrupção, foi deposto por impeachment e substituído pelo vice, Itamar Franco, por quem ninguém dava nada, mas que nos libertou da servidão da inflação. O resto é a falsidade de ofício dela.

*  Jornalista, poeta e escritor

 

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COMO A AL-QAEDA FOI DESCOBERTA  -  04/10/2015


(Publicado origialmente em
www.alertatotal.net)

Os terroristas são como baratas. Para cada uma encontrada existem centenas escondidas.

Desde o primeiro atentado ao World Trade Center em 1993, passando por um tiroteio diante da sede da CIA, até à bomba nos Jogos Olímpicos de Atlanta, entre outros, nenhum desses acontecimentos havia sido imputado pela CIA ou pelo FBI a algum organismo denominado Al Qaeda.

No dia 11 de setembro de 2001, os EUA e o resto do mundo puderam ver que um pseudo-financista excêntrico havia sido associado, de modo distante e especulativo, a um ou dois eventos mas não responsabilizado por eles. Segundo a CIA, talvez ele estivesse ligado ao fracassado atentado a americanos no Iêmen, em 1992, e provavelmente houvesse certa conexão entre ele e Ramzi Youssef, que praticara o atentado ao World Trade Center em 1993 e fugira para as Filipinas. Supostamente conhecidos, os responsáveis pelos atentados terroristas discutidos pela mídia formavam um conjunto desconexo, com ameaças aparentemente controláveis: à Inteligência iraquiana, pelo atentado ao ex-presidente Bush; à Inteligência iraniana, pelo atentado à Força Aérea Americana nas Torres de Khobar, na Arábia Saudita; dois americanos excêntricos, pela bomba de Oklahoma; um clérigo egípcio, pelo plano para explodir os túneis da cidade de Nova York; um aspirante a policial, atuando como guarda de segurança, pela bomba nas Olimpíadas de Atlanta; um grupo de sauditas, logo decapitados pelas forças de segurança, pelo atentado à bomba contra a missão norte-americana em Riad; e um atentado à bala matando dois agentes da CIA, nas portas da Agência, praticado por Rim Amal Kansi, que quatro anos depois seria capturado no Paquistão por uma equipe da CIA.

Esse padrão regular de destruição e mortes fez com que a administração Clinton iniciasse uma escalada de verbas destinadas ao antiterrorismo. Paralelamente, Clinton enfocou o terrorismo em uma série de discursos importantes: na Academia da Força Aérea, em Oklahoma, na Universidade George Washington, em Annapolis, duas vezes nas Nações Unidas, duas vezes no Monumento aos Mortos do vôo Panam 103, na Casa Branca, em Lyon, França e em Sharm e-Sheik, no Egito. No entanto, a maior parte da mídia ignorou essas advertências.

Enquanto alguns funcionários federais encontravam-se alarmados diante da ascensão do terrorismo e trabalhavam diligentemente contra ele, outros, inclusive no FBI e na CIA, davam mostras de não terem percebido ainda a urgência do assunto. É isso que nos dizem os livros que resgatam esse passado.

Hoje sabe-se que o atentado ao World Trade Center, em 1993, fora uma operação da Al-Qaeda. Na ocasião, todavia, esse evento foi atribuído pela CIA e pelo FBI a Ramzi Youssef e ao xeque cego Omar Abdel al-Rahman, ambos presos em 1995, e mais Muhammad Sadiq Awda. Todos condenados pelos tribunais norte-americanos. Circulavam rumores de envolvimento árabe nos incidentes contra as tropas norte-americanas na Somália, mas a CIA não conseguiu confirmá-los.

Os detalhes do atentado à missão americana de treinamento militar em Riad não foram bem esclarecidos devido à falta de cooperação saudita. O atentado a Khobar, na Arábia Saudita, foi praticado pelo Hezbollah saudita, sob a estreita supervisão da Guarda Revolucionária do Irã. O Irã organizara também atentados terroristas em Israel, Bharein e Argentina.

Os atentados de Oklahoma e Atlanta haviam sido realizados por americanos ligados a milícias de origem local e a extremistas religiosos. Outro atentado, potencialmente devastador, havia envolvido também milícias americanas, que pretendiam explodir uma instalação de armazenamento de gás. A vigilância do FBI sobre essas milícias evitou uma calamidade.

Apesar da falta de provas de uma participação de Osama Bin Laden nessa série de eventos terroristas, membros importantes da comunidade de Inteligência dos EUA, em 1993 e 1994 continuaram a solicitar que se descobrisse mais sobre o homem cujo nome parecia soterrado nos relatórios da CIA como “o financista terrorista Osama Bin Laden”, pois parecia improvável que esse homem, que tinha um dedo em tantas organizações aparentemente desconexas, fosse apenas um doador, um filantropo do terror. Tais organizações pareciam ter um poder centralizador e esse centro talvez fosse ele, que constituía o único elo conhecido entre os vários grupos terroristas.

Em 1991, o governo da Arábia Saudita desistira de tentar persuadir Osama Bin Laden a cessar suas críticas à família real, que havia permitido a presença de tropas dos EUA no país após a Guerra do Golfo e à aliança militar do país com os EUA, determinando que ele deixasse o país. Bin Laden decidiu ir para o Sudão, que na época era o supra-sumo do porto seguro para terroristas de todos os matizes. O governo do Sudão era dominado pela Frente Islâmica Nacional, chefiada por Hassan al-Turabi, um suposto líder religioso. Bin Laden chegou com seu dinheiro e seus homens, árabes veteranos da guerra no Afeganistão contra os russos. A maioria desses veteranos seria presa caso voltasse para o Egito, Kuwait, Argélia ou Marrocos.

Para entender Osama Bin-Laden é preciso entender o mundo em que ele operava: foi o ator principal de uma emaranhada e sinistra teia de Estados patrocinadores do terrorismo, chefões de serviços de Inteligência, como o ISI-Serviço Interno de Inteligência do Paquistão, o VEVAK-Serviço de Inteligência do Irã, e terroristas experientes. Há que entender também que nenhum sistema de defesa resiste à determinação de alguém que quer tornar-se um mártir.

Como hoje se sabe, Bin Laden e al-Turabi estabeleceram vários projetos conjuntos: uma nova companhia de construção, uma empresa de investimentos, controle dos mercados sudaneses de commodities, um novo aeroporto, uma estrada entre as duas maiores cidades, novos acampamentos para treinamento de terroristas, uma fábrica de couro, residências para veteranos árabes da guerra afegã, remessas de armas para a Bósnia, apoio a terroristas egípcios em complôs para derrubar o presidente Mubarak e desenvolvimento de uma indústria nacional de armas (incluindo armas químicas). Os dois fundamentalistas eram almas gêmeas, compartilhando a visão de uma batalha mundial para estabelecer um Califado puro.

Nas sombras e utilizando suas empresas, Bin Laden coordenou uma vasta operação para introduzir na Somália e em Cartum, no Sudão, em 1993, cerca de 3 mil terroristas de vários países, a maioria dos quais que havia lutado no Afeganistão contra a invasão soviética, bem como grandes quantidades de armas e equipamentos, além de 900 combatentes do Hezbollah.

Desde Cartum, organizou um conjunto de linhas de comunicação e sistemas de apoio logístico, principalmente através da Etiópia e Eritréia. Em 26 de setembro de 1993, uma emboscada abateu um helicóptero Blackhawk em Mogadício, capital da Somália, e as imagens na TV mostraram uma turba arrastando os corpos dos militares americanos pelas ruas. Pode ser dito que esse foi o início da luta contra as tropas norte-americanas e da ONU que se encontravam na Somália e em 1º de março de 1994 grande parte das forças norte-americanas já havia deixado esse país.

Bin Laden, que já mantinha contatos com o Serviço de Inteligência paquistanês, nessa época estabeleceu relações com os Serviços de Inteligência do Irã (VEVAK) e do Iraque, que viriam a se mostrar úteis em seu caminho para o alto. Os acontecimentos na Somália podem ser considerados um marco em sua evolução, por ter sido a primeira vez que liderou um empreendimento de vulto, com complexas tomadas de decisões e formulações políticas.
Paralelamente, os muçulmanos aproveitaram o colapso da União Soviética para buscar independência para a província da Chechênia. Bin Laden enviou veteranos árabes afegãos, dinheiro e armas para o conterrâneo saudita Ibs Khatab, na Chechênia, que parecia um cenário perfeito para a jihad (guerra santa).

Também a Bósnia parecia se qualificar para uma jihad. A queda do comunismo na Iugoslávia fez com que as repúblicas étnicas naquela união artificial passassem a girar em torno de suas próprias órbitas. A província predominantemente muçulmana da Bósnia por muito tempo havia sido discriminada pelo centro cristão, e sua tentativa de independência em 1991 havia sido brutalmente reprimida pelo governo de dominação sérvia de Belgrado.

Ao contrário da jihad na Chechênia, que a Rússia tentou manter longe dos olhos do mundo, a Bósnia tornou-se o centro das atenções durante sua luta com a Sérvia. A partir de 1992, os árabes que anteriormente haviam sido mujahidins (aqueles que travam a jihad) afegãos, começaram a chegar. Com eles vieram os coordenadores, os homens do dinheiro, da logística e dos fundos de “caridade”. Organizaram empresas e redes bancárias de fachada, tudo sob a coordenação direta de Bin Laden. Tal como haviam feito no Afeganistão, os árabes criaram sua própria brigada, supostamente parte do exército bósnio mas que operava por conta própria. Os mujs, como se tornaram conhecidos, eram ferozes lutadores contra os sérvios, se envolviam em horríveis torturas, assassinatos e mutilações que pareciam excessivas até para os padrões balcânicos.

O presidente bósnio, Alija Izetbegovic, decidiu aceitar toda espécie de ajuda que aparecesse. O Irã enviou armas. A Al-Qaeda fez melhor: enviou combatentes, homens treinados e durões. Os serviços de Inteligência europeus e americano começaram a rastrear o financiamento e apoio aos mujs, chegando até Bin Laden, no Sudão, e até às instalações que já haviam sido estabelecidas pelos mujs na própria Europa Ocidental.

Essas ligações levaram à Mesquita do Parque Finsbury, em Londres, ao Centro Cultural Islâmico, em Milão, e à Agência de Auxílio ao Terceiro Mundo, em Viena. Também levaram à Fundação Internacional de Benevolência, em Chicago, e à Organização Internacional de Auxílio Islâmico, na Arábia Saudita. Essas instituições de caridade estavam fornecendo fundos, empregos, documentos de identificação, vistos de viagens, escritórios e outros apoios à brigada internacional de combatentes árabes dentro e ao redor da Bósnia. Antes do 11 de Setembro, os governos ocidentais, entre os quais o norte-americano, não encontraram justificativa legal adequada para fechar essas organizações.

O dinheiro fluía através de um sistema financeiro imaginado e montado por Bin Laden. A princípio (meados dos anos 80) esse sistema foi organizado na então existente Fundação Al-Qaeda, uma instituição de caridade que Bin Laden criara para dar respaldo ao treinamento de guerrilheiros islamitas no Paquistão. Esse sistema semi-legal multiplicou-se rapidamente por todo o mundo em uma miríade de contas bancárias e obras de caridade aparentemente sem conexão e em organizações multifacetadas que interagiam e enviavam pessoas e fundos.

Não existe nenhuma Osama Bin Laden Inc. Em vez disso uma rede de companhias, empresas, parcerias e entidades em nome de outras pessoas, que interagem entre si e, por fim, encontram-se ocultas em outra camadas de entidades financeiras internacionais maiores, de modo que seu envolvimento em quaisquer desses investimentos não possa ser descoberto. Essas empresas administram investimentos, holdings imobiliárias, transporte marítimo, empresas comerciais, projetos de obras públicas, empresas de construção, locação de aeronaves, importação e exportação, empresas de contratação e empresas agrícolas. Esses empreendimentos possuem negócios na Ásia, África, Europa e América Latina. Com o seu envolvimento direto e o seu profundo conhecimento dos negócios internacionais na era da informática, solucionou os problemas relativos à movimentação clandestina e à lavagem de grandes somas necessárias para dar suporte ao terrorismo e à subversão em todo o mundo.

Além disso, Bin Laden mantinha participação em negócios politicamente corretos, que ajudam a sustentar o Sudão, o Iêmen e o Afeganistão, numa ampla variedade de empresas e negócios locais. Eis o resultado dos investimentos do Sudão no terrorismo internacional: em novembro de 2004, segundo as Nações Unidas, 1,6 milhão de pessoas passam fome em Darfur, no Sudão, mas esse número pode aumentar para 2 milhões no próximo ano.
Enquanto isso os organismos de Inteligência do Ocidente lutavam para deslindar a rede e concluíram, em meados de 1993, que na ex-Iugoslávia, especialmente na Bósnia, a maioria dos fundos para essas obras de caridade era coordenado pela Fundação Mostazafin, uma fachada da Inteligência iraniana, que mantinha de 4 a 6 mil terroristas islamitas em operação na Bósnia, sob a proteção de cerca de 20 “obras de caridade” ou “projetos humanitários”.

Desde então, a situação não mudou muito.

No verão de 1995, a CIA passou a desenvolver planos para uma equipe exclusivamente destinada a investigar o que agora concordavam ser uma “rede Bin Laden”. E, finalmente, em 1996, duas peças se moveram no tabuleiro: Bin Laden dirigiu-se ao Afeganistão, fechando algumas de suas empresas em Cartum, Sudão, e Jamal Al-Fadl, que tinha informações secretas sobre grande parte da “rede Bin Laden” baseada no Sudão, procurou proteção americana, pois vinha desviando fundos e receava que a Al-Qaeda o eliminasse.

O interrogatório de Fadl ajudou na descoberta do tamanho e forma da rede. Foi descoberto que ela era generalizada e ativa em mais de 50 países e dela faziam parte o xeque cego Omar Abdel al-Rahman e Ramzi Youssef. Bin Laden não era apenas seu financiador e mentor intelectual. Foi descoberto que a rede também tinha um nome. Osama Bin Laden, filho de um empreiteiro da construção, chamara sua rede terrorista pela palavra árabe Al-Qaeda (“A Fundação” ou “A Base”), uma primeira peça, a base necessária para o edifício que seria uma teocracia global, o grande Califado.

Muitos dos nomes encontrados na Bósnia, mais tarde, revelaram-se vinculados à Al-Qaeda. Entre os principais estavam Abu Sulaiman Al-Makki, que mais tarde apareceria ao lado de Bin Laden, em dezembro de 2001, quando o líder da Al-Qaeda elogiou os atentados de 11 de setembro; Abu Zubair Al-Haili, que seria preso no Marrocos, em 2002, num complô para atacar navios norte-americanos no Estreito de Gibraltar; Ali Ayed Al-Shamrani, que foi preso, em 1995, pela polícia saudita e rapidamente decapitado por envolvimento no atentado à missão americana de ajuda militar na Arábia Saudita; Khalil Deek, que seria detido em dezembro de 1999, por seu envolvimento no planejamento de atentados a bases americanas na Jordânia; e Fateh Kamel, que seria delatado como integrante da célula “Conspiração do Milênio”, no Canadá. Embora as agências de Inteligência ocidentais nunca rotulassem a atividade dos mujs na Bósnia como uma jihad da Al-Qaeda, está claro agora que era exatamente isso que ocorria.

O governo dos EUA fez da cessação da guerra nos Bálcãs a sua mais alta prioridade de política externa, introduzindo tropas americanas e elaborando a duras penas o Acordo de Dayton. Uma parte desse Acordo previa a expulsão dos mujs da Bósnia após o fim dos combates. Ainda não se sabia que eles eram da Al-Qaeda, mas sabia-se que eram terroristas internacionais.

Em 1998, na medida em que ficava claro que a diplomacia não estava funcionando inteiramente, tropas francesas invadiram uma das bases mujs restantes, que ainda operavam na Bósnia, em violação ao Acordo de Dayton. Prenderam onze deles, entre os quais dois diplomatas iranianos e nove mujs. A base estava cheia de explosivos, armas e planos para atentados terroristas a tropas americanas e outras tropas ocidentais. Ainda em 1998, um carregamento de explosivos plásticos C-4 foi interceptado, na Alemanha, a caminho de uma célula terrorista da Jihad Islâmica Egípcia. Havia indícios de que os explosivos destinavam-se a uma rodada de atentados a bases militares americanas no país.

Os EUA ameaçaram o presidente Izetbegovic com uma interrupção da ajuda militar e, depois, de uma cessação de qualquer ajuda, se ele não implementasse integral e fielmente o Acordo de Dayton, mediante a expulsão dos mujs.

Ainda em 1998, em maio, no Afeganistão, Osama Bin Laden, já então um dos dirigentes da Frente Islâmica Mundial para a Jihad (luta) contra Judeus e Cruzados – constituída em março desse ano, agrupando terroristas de organizações de diversos países - declarou “que as fronteiras geográficas não têm importância para nós. Somos muçulmanos e desejamos o martírio. Não temos preconceito de cor ou raça. Apoiamos cada muçulmano oprimido e pedimos a Deus que nos ajude e nos faça capazes de ajudar cada muçulmano oprimido”. Essa declaração antecedeu os atentados terroristas simultâneos, organizados por essa Frente Islâmica, em 7 de agosto de 1998, uma sexta-feira, contra as embaixadas dos EUA em Nairóbi, Quênia e Dar-es-Salaam, Tanzânia, que causaram 224 mortes e centenas de feridos. Esses atos terroristas foram assumidos oficialmente pelo Exército Islâmico para a Libertação de Lugares Sagrados, entidade até então desconhecida, e patrocinados por um Estado terrorista: o Irã. Dez dias depois, em 17 de agosto, a Frente Islâmica Mundial emitiu uma Declaração endossando e elogiando as operações do Exército Islâmico, sendo que essa Declaração foi divulgada praticamente ao mesmo tempo em que as mensagens do Exército Islâmico sobre os atentados, não deixando dúvidas sobre suas ligações.

O fato de Bin Laden não receber créditos pelas operações, mas antes encorajar as entidades locais a fazê-lo, identificando-se por nomes fictícios, tais como esse “Exército Islâmico”, atraíram para ele a estima dos comandantes locais, que não o viam como uma ameaça às suas posições pessoais.

Nesse mesmo ano de 1998, em outubro, um alto funcionário de um Serviço de Inteligência árabe afirmou que Osama Bin Laden havia adquirido armas nucleares táticas das repúblicas islâmicas da Ásia Central criadas após o colapso da União Soviética. Evidências do número de armas nucleares adquiridas pelos chechenos para Bin Laden variavam de “algumas” (Inteligência russa) a “mais de vinte” (Serviços de Inteligência de países árabes conservadores). A maior parte das armas foi comprada em quatro dos antigos Estados soviéticos: Ucrânia, Cazaquistão, Turcomenistão e Rússia. Os preparativos para a utilização dessas armas constituem um grande segredo.

Voltando à antiga Iugoslávia, somente no ano de 2000, em sua última semana no cargo, Izetbegovic expulsou o líder muj remanescente, Abu Al-Ma’ali, que foi acolhido pela Holanda. No entanto, Izetbegovic nunca chegou a expulsar todos. Células da Al-Qaeda na Bósnia foram identificadas e desmanteladas pela polícia bósnia até o ano de 2002.

Finalmente, analistas internacionais apontam três fatores como tendência regional em favor do Islamismo: 1) É a única ideologia crescente e verdadeiramente popular no Oriente Médio. Muitas pessoas acreditam genuinamente que “o Islã é a solução”, mesmo que variem as idéias do que possa ser esse “Islã”; 2) Os regimes conservadores pró-Ocidente estão perto do colapso, mais por autodestruição do que por qualquer outro fator, especialmente a Arábia Saudita; 3) A tendência histórica dominante na região é a inflexível oposição à mera existência de Israel.

Em uma conferência realizada com os chefes dos 56 escritórios regionais do FBI, antes de setembro de 2001, Richard Clarke, Coordenador Nacional para Segurança, Proteção de Infraestrutura e Antiterrorismo nos governos de George Bush, Bill Clinton e George W. Bush assim definiu a Al-Qaeda:

“A Al-Qaeda é uma conspiração política maquiada de seita religiosa. Ela comete o assassinato de inocentes para chamar a atenção. Seu objetivo é uma teocracia à moda do Século XIV no qual mulheres não têm direitos, todos são forçados a serem muçulmanos e a Sharia (Lei de Deus) é o sistema legal, que corta mãos e apedreja pessoas até a morte. Ela usa um sistema financeiro global para financiar suas atividades. Essas pessoas são inteligentes, muitas estudaram em nossas universidades e têm visão em longo prazo. Eles acreditam que pode levar um século até que alcancem seus objetivos, um dos quais é a destruição dos EUA. Eles têm uma rede eficiente de espiões e formam células e grupos de ataque que planejam suas ações anos antes de agir. Eles são o nosso inimigo número um e estão entre nós. Achem eles!”.

Dados Bibliográficos:
“Bin Laden – O Homem que Declarou Guerra à América”, Editoral Prestígio, 2002
“Contra Todos os Inimigos”, Richard A. Clarke, Editora Francis, 2004
 

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COMUNISMO EM AÇÃO: BREVE ENSAIO SOBRE A DESTRUIÇÃO DOS SÍMBOLOS NACIONAIS  -  20/09/2015

www.midasemmascara.org


Recentemente, o governo, através do noticiário, disponibilizou a população uma amostra do design do qual se comporão os novos passaportes utilizados por este país que se encontra sob o comando do partido mais corrupto, antinacional e mentiroso que a América Latina já presenciou.

A um observador ingênuo e despercebido, a face extremamente minimalista do documento que contém apenas a nomenclatura oficial do Brasil e o Cruzeiro do Sul com a inscrição “MERCOSUL” logo abaixo não tem absolutamente nada de suspeito. Sendo apenas uma versão “modernizada” do documento de viagem que simboliza o rosto do Estado brasileiro perante autoridade estrangeira.

Porém, ao olhar para o documento e fazer a analogia daquilo que ele representa e qual o contexto-geral que se encontra o que ele simboliza, percebe-se claramente que o Estado brasileiro, membro do MERCOSUL, que é a personificação exata do Foro de São Paulo (associação criada em 1991 por Lula e Fidel Castro para reunir a esquerda latino-americana no pós-guerra fria) no que concerne à materialização político-nacional do movimento, já começou o processo de destruição dos símbolos nacionais do Brasil. Algo que já vem sendo posto em prática desde o segundo governo Lula quando o poder legislativo do país concedeu o mesmo status legal aos símbolos do MERCOSUL em relação aos símbolos nacionais. Não é a toa que a bandeira do MERCOSUL é, por lei, obrigada a estar hasteada juntamente com a bandeira nacional em todas as repartições públicas do Brasil.

O que se nota cada vez mais nos países do América do Sul governados pelos partidos ligados ao Foro de São Paulo é a descaracterização dos símbolos nacionais para que, em um futuro não muito distante, todos eles sejam mesclados e reduzidos a um Cruzeiro do Sul, talvez, na bandeira de uma provável União das Repúblicas Socialistas Latino-Americanas (URSAL): o objetivo primário dos governos do Foro de São Paulo que foi criado justamente para isto.
Diagnosticar o patriotismo como uma barreira ao avanço da tirania comunista e tentar acabar com ele a qualquer custo através da construção de novos símbolos sem representatividade objetiva é algo que o comunismo tem consolidado em suas escrituras de fundação: o Manifesto Comunista, quando prega o fim das nações e a unificação mundial para um mundo comunista e a Quarta Internacional Trotskista quando diz que o internacionalismo é a única forma possível de construir o comunismo.

Marx dizia que os símbolos antigos, sejam eles de qual natureza forem, eram formas de expressão da classe dominante, alienando e aprisionando o proletariado que deverá tomar o poder, banir os símbolos tradicionais e substitui-los pelos símbolos do movimento revolucionário. Ele inclusive dizia que haviam povos tão ligados a seus símbolos “burgueses” que não teriam salvação e deveriam ser exterminados. Como os poloneses, fortemente ligados a Igreja Católica e os sérvios fortemente ligados a monarquia austríaca e suas tradições e símbolos. Cabe aqui um parêntese para dizer que Marx era um eslavofóbico inflamado, por isso achei conveniente citar aqui o exemplo de duas nações eslavas.
A doutrina comunista literalmente diz: “destruam as nações, seus símbolos, seu orgulho e sua unidade”. Depois dos símbolos propriamente ditos, o banimento passa inevitavelmente para os símbolos espirituais esvaziando-os do seu conteúdo original, como no caso do Brasil pela Revolução Cultural Gramsciana, ou os perseguindo abertamente como nos regimes comunistas clássicos.

Os revolucionários bolcheviques, logo após a revolução de 1917, baniram e proibiram por lei toda e qualquer exibição de símbolos nacionais russos, instaurando em seu lugar o famigerado pavilhão vermelho com a foice e o martelo. Uma bandeira nacionalmente inócua e sem sentido algum, mas que designava o movimento comunista que governava a União Soviética. E no comunismo não importa a nação, importa o governo. Em todas as quinze repúblicas as bandeiras regionais foram banidas e substituídas por bandeiras vermelhas com detalhes azuis, verdes ou brancos sem nenhum sentido nacional. A Igreja Ortodoxa Russa foi perseguida e as suas atividades tornaram-se proibidas. A destruição dos símbolos desorienta e se faz perder a consciência nacional de um povo. Tudo o que o comunismo precisa para o seu surgimento ou, no caso do Brasil, a sua consolidação. O governo brasileiro está preocupado em “consciência regional”, não em consciência nacional.

O mesmo fez a China, banindo a histórica bandeira colorida da República Chinesa e instaurando a bandeira vermelha com as estrelas amarelas. Mais uma vez, como em todo movimento comunista, a bandeira considerava apenas o movimento golpista de 1949 e não a nação chinesa em si. A Revolução Maoísta baniu até símbolos do antigo Império Chinês como o dragão, que era o animal oficial do país e perseguiu brutalmente a religião budista que era a religião majoritária da população chinesa, matando milhões de budistas em campos de concentração e confinando seus monges em um militarizado e policialesco Tibet.

Entre casos igualmente notáveis de revisionismo simbólico podemos citar o Camboja do Khmer Vermelho, o Laos, a Coréia do Norte, a Romênia governada pelo ditador Nicolae Ceaucescu e a Alemanha Oriental.

Como o Brasil adotou a linha ideológica de instaurar o comunismo pela revolução cultural, nenhum símbolo deve ser retirado de imediato. O processo de retirada deve ser longo e passar despercebido, substituindo os símbolos nacionais por um ambíguo que tenha, ao mesmo tempo, certa ligação com o país, mas nem tanto, como é o caso do Cruzeiro do Sul.
A constelação do Cruzeiro não é um símbolo exclusivamente brasileiro. É o símbolo da Austrália, da Nova Zelândia, da Samoa, da Papua Nova-Guiné e de uma série de micronações do Pacífico sul. Mais especialmente ela é o símbolo da organização que é a materialização do Foro de São Paulo como entidade politica e nacional. O que torna claro que o Cruzeiro do Sul como colocado no novo passaporte não simboliza de maneira nenhuma o Brasil, mas sim a tão sonhada unidade continental de uma América do Sul vermelha.

A conclusão sobre isto é simples: já se foram os tempos em que a esquerda brasileira, intoxicada pelo trabalhismo varguista, era nacionalista e prezava pelos símbolos nacionais. Hoje em dia a esquerda brasileira não é nacionalista. Ela é apenas comunista e tem um projeto de poder criminoso, internacionalista e expansionista. E isso já denota o caráter intrinsecamente antinacional da sua natureza que, sem a maior sombra de dúvidas, tenta transformar o patriotismo em algo ridículo e ultrapassado e a substituição de símbolos é apenas o começo.

Rafael Hollanda é estudante de Direito do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (IBMEC-RJ) e membro-fundador do Movimento Universidade Livre.
 

 

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DILMA NA CORDA BAMBA  -  17/09/2015


Governo agiu como a cigarra na fábula de Esopo. Não se preocupou com as despesas na época das vacas gordas.
No fim da década de 70, no auge da crise econômica nos Estados Unidos, o ex-presidente Ronald Reagan afirmou: “Recessão é quando o seu vizinho perde o emprego. Depressão é quando você perde o seu. E a recuperação econômica só virá quando Jimmy Carter perder o dele”. Neste momento, é possível associar a frase de Reagan à atual conjuntura política e econômica que o país atravessa.

O encaminhamento ao Congresso Nacional de Orçamento com déficit primário (excluídas receitas e despesas financeiras) de R$ 30,5 bilhões foi a confissão da incapacidade do governo de manter um superávit primário capaz de evitar a explosão da dívida pública. A consequência do “rombo sincero” foi o rebaixamento do Brasil pela Standard & Poor’s. Assim, o jeito foi mudar o discurso e prometer transformar o déficit em superávit. Afinal, coerência não é mesmo uma marca do atual governo.

No fim do mês passado, por exemplo, a presidente da República afirmou que as dificuldades econômicas em 2014 só ficaram evidentes entre novembro e dezembro, ou seja, após as eleições. A mesma ladainha faz parte da defesa do governo no caso das pedaladas, ao considerar que naquela época o comportamento da economia era “imprevisível”. Balela!

Se assim fosse, todos os analistas não governistas seriam videntes, pois desde 2013 a crise já era amplamente comentada, bem como as mágicas para maquiar os resultados fiscais. A ponto de a candidata ter anunciado em setembro, antes mesmo do primeiro turno, que Mantega não seria ministro em eventual segundo mandato. A esse respeito, se os ministros do Tribunal de Contas da União tiverem — como devem ter — vergonha na cara, irão reprovar tecnicamente as contas de 2014 da presidente. Posteriormente, caberá ao Congresso julgar se o parecer do TCU será ou não a fagulha do impeachment.

Na verdade, o governo agiu como a cigarra na fábula de Esopo. Não se preocupou com as despesas na época das vacas gordas e só o fez este ano, quando a receita definhou, e o país perdeu o selo de bom pagador. Após a presidente dizer na semana passada que não havia mais o que cortar, reuniu-se no último fim de semana com as suas dezenas de ministros para definir os cortes adicionais anunciados ontem. Para entregar o superávit de 0,7% do PIB em 2016, o governo achou aproximadamente R$ 65 bilhões, reduzindo despesas em R$ 26 bilhões e criando/ajustando/aumentando impostos em cerca de R$ 40 bilhões. A maior parcela será obtida com a volta da malfadada CPMF, com alíquota de 0,2%, para gerar arrecadação de R$ 32 bilhões. Vale lembrar que este é o “imposto” de que a presidente dizia não gostar.

De fato, as despesas discricionárias (não impostas por lei ou pela Constituição) o governo já vem cortando. Nos oito primeiros meses deste ano, o montante pago equivale ao do mesmo período em 2013, em valores nominais, sem correção pela inflação. A tesoura atinge, infelizmente, os investimentos (obras e aquisição de equipamentos) e os gastos sociais. Nos investimentos, por exemplo, os dispêndios de janeiro a agosto de 2015 foram, em valores reais, 45% inferiores aos de 2014. Os subsídios para reduzir as prestações do Minha Casa Minha Vida já são quase R$ 4 bilhões menores do que os de 2014 nos mesmos oito meses. Enquanto isso, o Legislativo aprovou aumentos salariais generosos e ampliou gastos previdenciários. Na ótica dos deputados e senadores, quem pariu o déficit que o embale.

O governo, enfraquecido, age como uma biruta de aeroporto no meio do vendaval político. Ainda não informou detalhes sobre a redução dos 39 ministérios e sobre o possível corte de milhares dos mais de cem mil cargos, funções de confiança e gratificações, especialmente os de Direção e Assessoramento Superior (DAS), que aumentaram em mais de quatro mil de 2002 para cá. Na verdade, grande parte das medidas ontem anunciadas depende do Congresso Nacional. Assim sendo, senti falta de propostas ao Legislativo para estabelecer, por exemplo, a idade mínima de 65 anos para a aposentadoria das futuras gerações, bem como para desvincular o piso da Previdência do salário-mínimo.

Enfim, a presidente Dilma está jogando as suas últimas cartas. A dificuldade será aprovar no Congresso o que propõe e convencer a sociedade a dividir com o governo o custo do desequilíbrio das contas públicas gerado pela irresponsabilidade fiscal ocorrida nos últimos anos e pela corrupção.

Tal como nos EUA, na década de 70, com a recessão econômica, muitos brasileiros estão perdendo os seus empregos. Cuide do seu, presidente!

* Economista e fundador da organização não governamental Associação Contas Abertas
 

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TCU EXIBE A BALA DE PRATA QUE JUSTIFICA O IMPEACHMENT DE DILMA  -  05/09/2015


(
www.tribunadainternet.com.br)

Foi um dos depoimentos mais importantes da história do Congresso Nacional, concedido esta terça-feira pelo procurador Julio Marcelo de Oliveira, representante do Ministério Público Federal no Tribunal de Contas da União. Falando na Comissão de Economia do Senado, Oliveira surpreendeu os parlamentares ao revelar que as pedaladas no decorrer de 2014 não foram meramente fiscais, mas tiveram o objetivo claro de influir no resultado das eleições.
Segundo o repórter Dimmi Amora, da Folha, que acompanhou a sessão, o procurador revelou em detalhes como ocorreu a manobra eleitoral. Explicou didaticamente que o governo tem programas obrigatórios a cumprir no orçamento. Por isso, quando há queda na arrecadação ou déficit fiscal, é preciso fazer cortes nas despesas não obrigatórias. Mas no ano da sucessão, o governo Dilma não respeitou esta regra e armou flagrantes manobras eleitorais, disfarçadas em pedaladas meramente fiscais.

O governo deixou livres para execução despesas não obrigatórias, que teria que cortar [devido à queda na arrecadação]. O que ocorreu em 2014 é que o governo federal aumentou programas não obrigatórios que têm forte impacto eleitoral", disse o procurador aos senadores.

FIZERAM O DIABO...
Como se sabe,a presidente Dilma avisou que iria fazer o diabo para ganhar a eleição, e cumpriu esta promessa.
O procurador do TCU mostrou que, para se eleger, Dilma aumentou irregularmente os gastos do Fies, programa de bolsas para universitários, que não eram despesas obrigatórias e aumentaram de R$ 5 bilhões para R$ 12 bilhões, graças a essas manobras ilegais que ficaram conhecidas como pedaladas.
Segundo o repórter Dimmi Amora, o procurador fez questão de lembrar aos parlamentares que a Lei de Responsabilidade Fiscal tem preocupação específica com o ano eleitoral porque foi criada para acabar com a "farra" de gastos públicos que ocorria nesses anos, mas Dilma nem se importou com esta norma legal.

FOI TUDO PROPOSITAL
Salientou o procurador Julio Marcelo de Oliveira que desde o início de 2014 o governo já sabia que não teria recursos para seus programas eleitorais, mas seguiu em frente, aumentando as despesas.
"Até agosto, o governo não se comportou de maneira coerente com a realidade. Viveu uma fantasia. Após a eleição, veio a realidade", disse Oliveira, acrescentando que o dolo, que seria a culpa da presidente, "grita nos autos" devido ao fato do governo ter aumentado despesas até agosto e mantido a informação de que faria um superávit fiscal de R$ 80 bilhões, e só após as eleições ter admitido que teria um déficit de R$ 20 bilhões. Ou seja, cometeu um erro de cálculo no valor de R$ 100 bilhões.

"DOLO EVIDENTE"
"Essa mudança de panorama de agosto para outubro, na opinião do Ministério Público, caracteriza um dolo evidente de manifestar uma situação fiscal irreal no período pré-eleitoral e só trazer a realidade após o período eleitoral", afirmou o procurador.
Segundo o repórter Dimmi Amora, da Folha, o procurador do TCU também fez questão de contestar colocações do senador Fernando Bezerra (PSB-PE) de que o uso dos bancos públicos para pagar despesas é prática comum e antiga. Segundo ele, jamais os saldos do governo federal com os bancos públicos para pagar despesas ficaram deficitários por praticamente um ano, dia após dia. Ou seja, não há comparação com o que ocorreu nos governos passados.

15 IRREGULARIDADES
Os representantes do TCU então explicaram aos senadores quais são as 15 irregularidades que foram apontadas pelo tribunal nas contas de 2014 e que a presidente Dilma terá que apresentar defesa nos próximos 10 dias.
O assunto é importantíssimo e explosivo. Caso os ministros do tribunal entendam que a presidente Dilma não cumpriu itens das leis de Responsabilidade Fiscal e Orçamentária e da Constituição, as contas terão parecer do TCU pela reprovação, configurando o crime de responsabilidade que pode levar ao impeachment da presidente Dilma no Congresso, que dá a palavra final sobre as contas públicas.
 

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GILMAR MENDES ENCOMENDA A BALA DE PRATA PARA DESTRUIR DILMA  -  21/08/2015

(Publicado originalmente em Tribuna da Internet)

A notícia não teve a repercussão que merecia. Foi da maior gravidade a decisão do ministro Gilmar Mendes, que na condição de vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral, solicitou à área técnica do um levantamento formal das doações feitas ao PT por sete das empreiteiras investigadas no esquema de corrupção da Petrobras.

O ministro pediu informações sobre doações das construtoras OAS, Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão, UTC Engenharia, Camargo Corrêa, Engevix e Odebrecht, que são alvos da Lava Jato. E a análise será feita nos repasses realizados pelas empreiteiras entre 2010 e 2014. Ou seja, vai se concentrar justamente na época do governo da presidente Dilma Rousseff, que alega ser honesta e não ter nada a ver com os malfeitos cometidos na gestão de seu antecessor, Lula da Silva.

O cruzamento de dados foi solicitado por Mendes no processo de prestação de contas da campanha do PT nas eleiçõespresidenciais de 2014. O balanço das contas da petista já foi aprovado pelo TSE com ressalvas, mas Mendes determinou que o material ficasse disponível por um ano para avaliação de eventuais irregularidades.

DINHEIRO DA PROPINA
No despacho, o ministro justificou a demanda “tendo em vista fatos amplamente noticiados pelos meios de comunicação de que doações ao Partido dos Trabalhadores (PT) foram realizadas com dinheiro de propina, supostamente oriundo de sobrepreços praticados em contrato com a administração pública”.

O resultado da pesquisa do TSE poderá ter efeito devastador, se confirmar as informações já transmitidas à força-tarefa da Lava Jato por réus que fizeram delação premiada e confirmaram doações ilegais à campanha do PT, especialmente o empresário Ricardo Pessoa, coordenador do cartel, que já fez a denúncia, mas ainda será ouvida a respeito pela Justiça Eleitoral para descer a detalhes.

Este cruzamento de informações pode ser a bala de prata que está faltando para liquidar com o governo que está vampirizando o povo brasileiro.

SINDICATO DE LADRÕES
Em julho, pesquisa feita pela Folha de S.Paulo mostrou que empresas investigadas no esquema doaram ao caixa do PT R$ 26,9 milhões – 48% dos repasses recebidos pela sigla– em 2014. Nas eleições de 2014, as empreiteiras envolvidas na sétima na Operação Lava Jato repassaram R$ 72,5 milhões às campanhas presidenciais de Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) –sendo R$ 53,3 milhões para a petista e R$ 19,2 milhões para o tucano, vejam só como as empresas envolvidas na corrupção demonstraram enorme preferência ao PT, ao invés de apoiar o partido que ideologicamente as representam.

Parece estranho, muito estranho, mesmo. Justamente por isso, o ministro Gilmar Mendes afirmou que é preciso esclarecer se recursos desviados da Petrobras alimentaram doações para a campanha de Dilma, porque que o TSE “não pode permitir que o país se transforme num sindicato de ladrões”.
 

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ACORDÃO, QUE NADA!  -  19/08/2015



Um gigantesco boneco de Lula vestido de presidiário, fot o hit dos protestos em Brasília e teve seu sucesso ampliado pela televisão e nas redes sociais.

O boneco foi encomendado muito antes da revelação do teor do grampo da conversa entre Lula e Alexandrino Alencar. Alguns defensores do ex presidente apressam-se a dizer que “nada tem de mais” na conversa flagrada. Pois sim!

Segundo relatório da PF, o petista conversou com Alexandrino Alencar, da Odebrecht, no dia 15 de junho de 2015, quatro dias antes da prisão do executivo.

Na conversa, fica óbvio que havia uma sintonia entre os interesses das empreiteiras e do ex presidente. Alencar chega a comentar o elogio de Emilio Odebrecht a uma nota oficial do Instituto Lula que abordava o tema de interesse de ambos.

Lula também informa a Alexandrino sobre um artigo de Delfim Neto a sair no dia seguinte no Valor, “metendo o pau”, isto é, defendendo o mesmo ponto de vista deles.

Delfim defendeu no artigo, o financiamento do BNDES para os serviços de construtoras em países como Cuba, Venezuela e Angola. Obviedade sem fim. O mesmo interesse de Alexandrino e Lula.

“É abusivo dizer que o BNDES é uma ‘caixa preta’ e é erro grave afirmar que deve dar publicidade às minúcias das suas operações, o que, obviamente, revelaria detalhes dos contratos de seus clientes que seriam preciosas informações para nossos concorrentes e, portanto, contra o Brasil”, disse Delfim.

Rui Falcão não faria melhor antecipando-se ao que fará a CPI do BNDES.

Agora está se falando muito em “acordão”. Que os ponteiros “estariam acertados”e o“perigo já teria passado”.Cuidado. Verifique antes a fonte dessas “boas (para os corruptos) notícias”. Daí viria a ampliação no prazo para explicar as pedaladas, etc. Que dessas reuniões resultou o embrulho com Renan dentro do pacote, onde também estaria Janot. Um sem fim de lendas.

Mas aí vem a pergunta: e onde estaria Sérgio Moro durante essas conversas? Ou a força tarefa da lava jato? Ou o MPF?
Os otimistas são poderosos. Mas tem de ter o cuidado de não confundir os desejos com a realidade.
As delações premiadas, a esta altura, já forneceram um manancial de informações que nem em sonho apareceram no mensalão.

E Lula, sem foro privilegiado, está na linha de tiro da primeira instância do Judiciário.
Deixem que eles sonhem. O que é deles está guardado.
E não me refiro a dinheiro em contas no exterior.

   

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LULA NO REINO DOS DISPARATES  -  01/07/2015


Uma série de impropriedades e disparates foram afirmados pelo Lula, em sua passagem por Brasília, antes que a presidente Dilma retornasse dos Estados Unidos. Entre boas e más intenções, o ex-presidente exortou os companheiros do PT a praticarem atos inexequíveis. Senão vejamos:

O PT precisa de enfrentamento político, manifestar-se contra as arbitrariedades da operação Lava-Jato.
Seria bom particularizar uma só das “arbitrariedades” que a Polícia Federal e o Ministério Público teriam praticado. Até as visitas feitas pelos policiais, às vezes para prender suspeitos, acontecem na maior civilidade. De nenhuma agressão se tem notícia, assim como o monte de pessoas presas jamais se queixaram de maus tratos ou perseguição. As investigações processam-se estritamente dentro da lei.

O ministro da Justiça, Eduardo Cardoso, não controla a Polícia Federal.
A Polícia Federal age estritamente dentro de suas atribuições. Não é obrigada a revelar detalhes das investigações em andamento. Só depois de suas conclusões é que são informados os canais superiores e a própria mídia. O ministro estaria incorrendo em crime de responsabilidade se interferisse nas diligências ou ordenasse prisões ou solturas.

O juiz Sérgio Moro está exorbitando em suas funções.
O juiz Sérgio Moro só assina ordens de prisão a pedido do Ministério Público. A decisão é dele, mas só depois de examinar as exposições dos procuradores da República.

É preciso virar a página do ajuste fiscal.
Como, se o ajuste fiscal não se completou? As maldades da equipe econômica ainda estão em curso, muitas necessitando de aprovação no Congresso. Queria o Lula esquecer o mais rápido possível os efeitos das medidas que sacrificam os trabalhadores e os empresários? Como se não existissem?

Deve o PT atuar em defesa do governo.
Como defender um governo que não produz boas notícias, mas apenas más? Torna-se necessário que o governo adote iniciativas capazes de ser defendidas, nunca ações que só penalizam a população. Mesmo os programas assistenciais andam na baixa. Como esperar que os companheiros se disponham conscientemente a arcar com erros e prejuízos causados pela incompetência do palácio do Planalto?

O partido precisa reaproximar-se dos movimentos sociais.
Quem precisa reaproximar-se dos movimentos sociais é o governo, hoje criticado pelas centrais sindicais, com ênfase para a CUT. De que forma esperar os líderes sindicais aplaudindo os companheiros parlamentares que se omitiram na negativa da redução de direitos trabalhistas?

É importante reagir ao cerco que a imprensa faz sobre o PT.
Apesar de erros e excessos, a imprensa escrita, falada, televisada e computadorizada reflete o quem se passa na sociedade. Não houvesse mensalão ou petrolão nenhuma notícia estaria sendo divulgada a respeito da prisão de companheiros corruptos.
Em suma, dessa vez, perdeu-se o Lula em conceitos extemporâneos. Jogou fora excelente oportunidade de ficar calado.

Fonte: Blog do jornalista Cláudio Humberto
 

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CHEGA AO FIM O PERÍODO DO PT NO PODER  -  26/06/2015




Começar por onde? Pelo aumento do desemprego? Ou da rejeição à Dilma, agora na casa dos 65%?
Pela decisão do Tribunal de Contas da União de pedir explicações ao governo sobre manobras fiscais? A decisão pode dar vez a um processo de impeachment contra Dilma.
Ou começar pelo desabafo de Lula detonando Dilma, o PT e ele próprio? Ou ainda pela prisão surpreendente dos dois maiores empreiteiros do país?
A prisão dos empreiteiros remete à Queda da Bastilha. Só havia por lá sete presos quando o povo de Paris tomou-a de assalto. Os presos foram libertados.
A cabeça do diretor da prisão desfilou pela cidade espetada na ponta de uma lança.
A Bastilha era um símbolo do poder absolutista dos reis. Sua queda virou um marco da Revolução de 1789 que mudou a França e repercutiu no mundo todo.
Até que a Bastilha fosse destruída, tinha-se como inconcebível que a ralé pegasse em armas para varrer o regime. Os reis eram figuras divinas.
Por aqui, parecia inconcebível que Marcelo Odebrecht, herdeiro de um império que faturou R$ 107 bilhões no ano passado, fosse parar na carceragem da Polícia Federal, em Curitiba, obrigado a comer quentinhas. Ele e o presidente da Andrade Gutierrez .
E não só pela fortuna que Marcelo amealhou, capaz de realizar todos os seus desejos de consumo, e também os desejos das próximas gerações dos Odebrechts.
Mas principalmente pelas conexões políticas e econômicas que Marcelo estabeleceu com políticos e governantes daqui e de uma dezena de países. Lula virou seu empregado. E, junto com Dilma, refém do que Marcelo sabe.
Se o mais poderoso empresário brasileiro decidisse colaborar com a Justiça, a República literalmente cairia.
Imagine se viessem à luz detalhes de um dos encontros de Marcelo com Dilma no ano passado, quando ele fez um circunstanciado relatório sobre os bastidores dos negócios entre as empreiteiras e a Petrobras? Por essa e outras, ele jamais imaginou que seria preso.
Em novembro último, durante encontro com os executivos do Grupo Odebrecht em Costa do Sauipe, na Bahia, Marcelo se sentia tão inatingível que os aconselhou: “Se algum de vocês for preso, conte tudo. Que eu me apresentarei e contarei tudo”.
Não se animem! O maior patrimônio de Marcelo, a essa altura, não é a Odebrecht. É sua memória. E os documentos que guarda. Não falará.
Lula está furioso com a companheira Dilma. Ele a acusa de não ter usado o poder do cargo para impedir que a Operação Lava-Jato, comandada pelo juiz Sérgio Moro, chegasse até onde chegou.
Mas como Dilma poderia atender à vontade de Lula se ela se reelegeu com base em mentiras, lidera um governo cada vez mais fraco, e seu desempenho só é aprovado por 10% dos brasileiros?
O fato é que Lula cobra de Dilma o que ela não pode dar. Ou talvez não queira dar.
Poucas coisas boas ficarão do período Dilma. Uma delas, a justa fama de não ter atrapalhado o combate à corrupção. Ela quer ser lembrada como a "faxineira ética".
As críticas de Lula a Dilma, compartilhadas com os religiosos que o visitaram no Instituto Lula, deixam nu um político que não entende a real dimensão da crise do PT e da esquerda.
A crise deriva dos erros cometidos por Lula e Dilma. O pai da crise é ele. A mãe, ela.
De nada adianta Lula sugerir a Dilma que vá para a rua falar com o povo. Ela não tem o que dizer. O PT, tampouco.
Envelheceram o discurso e os métodos do Sr. Brahma, como Lula foi chamado por alguns empreiteiros.
É um ciclo político que se esgotou. Apenas isso, e nada mais.
 

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A AGONIA DE UM SEGREDO  -  09/06/2015

(Publicado originalmente em O Estado de São Paulo, 5/06/2015)

Quando surgiu, achei grave e um pouco subestimado o veto de Dilma ao projeto de transparência nos negócios do BNDES. Ela entrou em conflito com o Congresso. Dias depois, o próprio Supremo autorizou o Tribunal de Contas a ter acesso aos empréstimos à Friboi, empresa que financia generosamente as campanhas do PT.
Em qualquer país onde o governo entre em choque com o Congresso e o Supremo o tema é visto como uma crise institucional. Como se não bastasse, Dilma entrou numa terceira contradição, desta vez consigo mesma: partiu dela a lei que libera o acesso aos dados públicos.
O ministro Luiz Fux (STF) sintetizou seu voto numa entrevista: num banco que move dinheiro público, o segredo não é a arma do negócio.
O PT tem razão para temer a transparência. Súbitos jatos de luz, como a denúncia do mensalão e, agora, do petrolão, abalaram seus alicerces. No caso do BNDES, não se trata da possibilidade de escândalos. É uma oportunidade para conhecer melhor a história recente.
Empresas amigas como a Friboi e a Odebrecht, governos amigos como os de Cuba e Venezuela, foram contemplados. Em ambos, a transparência vai revelar o viés ideológico dessa orientação. Um porto em Cuba, um metrô em Caracas são apenas duas escolhas entre mil possibilidades de usar o dinheiro. Para discutir melhor é preciso conhecer os detalhes. Na campanha Dilma mentiu sobre eles, ocultando o papel de fiador do Brasil.
O que sabemos da Friboi? Os dados indicam que destinou R$ 250 milhões a campanhas do PT. Teremos direito de perguntar sobre os detalhes do empréstimo do BNDES e até desconfiar de seus elos com campanhas eleitorais.
A análise da política do governo deverá estender-se à sua fracassada tentativa de criar empresas campeãs. Quem foram e quem são os parceiros, que tipo de transação? Como dizia Cazuza, mostre sua cara, qual é o seu negócio, o nome do seu sócio.
No momento do veto prevaleceu uma certa Dilma. Mas a outra Dilma, a que mandou a lei de acesso, é que estava no rumo certo da História. Não só porque a transparência é um desejo da sociedade, mas porque a tecnologia estreita o espaço do segredo.
Os debates nos EUA concentram-se hoje numa restrição à vigilância de indivíduos, sem licença judicial. Mas chegam a essa discussão graças a Edward Snowden, que revelou os próprios segredos do governo.
Ironicamente, Dilma foi espionada pelos EUA e decreta o sigilo nos dados de um banco que movimenta recursos públicos. Sou solidário com ela no primeiro episódio. Evidente que seria atropelada no segundo. Esta semana começou a ensaiar a retirada, via Ministério do Comércio, que vai disponibilizar dados das transações internacionais e algumas nacionais.
O PT deveria meditar sobre o segredo. Ele foi detonado pela quebra do segredo entre quatro paredes, no mensalão. Agora, no caso da Petrobrás, entraram em cena novos mecanismos de investigação, melhor tratamento dos dados.
Nos primeiros meses de governo, já tinha uma visão do PT. Nem todos a compartilhavam, pois o partido venceu três eleições depois de 2002. Aos poucos, os momentos de transparência sobre os escândalos foram criando uma percepção nacional sobre o tipo de governo que se implantou no Brasil.
Não há dúvidas de que os segredos do BNDES serão revelados. Sociedade, Congresso e Supremo caminham numa mesma direção. E o próprio governo começa a abri-los.
É um elo para a compreensão do papel do PT. Embora ainda não tenha os dados completos, já posso afirmar que o BNDES financiou pobres e ricos. Mas ambos, os pobres de socialismo, como os ricos aqui, do Brasil, são escolhidos entre os amigos do governo. De um modo geral, o processo foi de financiar amigos ricos para que construam para os amigos pobres.
Tanto a Friboi como a Odebrecht fazem parte dessa constelação política econômica que dominou o fluxo dos investimentos do BNDES. Isso teve repercussão nas campanhas eleitorais. De um lado, o Bolsa Família assegurava a simpatia dos eleitores: de outro, a bolsa dos ricos contribuía para as campanhas do tipo vivemos num paraíso. Contribuía, porque hoje sabemos que outras fontes menos sutis, como o assalto à Petrobrás, injetavam fortunas no esquema.
Falou-se muito no petrolão como o maior escândalo da História, mobilizando pelo menos R$ 6 bilhões. Quando todos os segredos, inclusive os do fundo de pensão, forem revelados, não importa a cifra astronômica que surgir daí: o grupo brasileiro no poder é o mais voraz em atuação no planeta. Não posso imaginar salvação depois da conquista desse título.
O PT e aliados podem continuar negando, na esperança de que o tempo amenize tudo. É uma tática de avestruz. Será que não se dão conta de que apenas um décimo da população os aprova hoje? O que será do amanhã, quando quase todos saberão quase tudo sobre o que fizeram com o País?
Nesta paisagem de terra arrasada, a economia é apenas uma das variáveis. O processo político degradou-se, os valores foram embrulhados por uma linguagem cínica, a credibilidade desapareceu já há tempo. O Brasil pode até conviver com esse governo, que tem mandato de quatro anos. Mas não creio que mude de opinião sobre ele, alternando momentos de um desprezo silencioso com as manifestações de hostilidade.
Um governo nasce morto e a lei nos determina um velório de quatro anos. Muito longos, até os velórios costumam ser animados. E algo que anima este velório é a revelação dos últimos segredos, como o sigilo do BNDES e tantas outras linhas de suspeita que foram indicadas nas investigações da Petrobrás. E daqui por diante nem o futebol será uma distração completa. A cúpula da Fifa transitou de um hotel cinco-estrelas para uma cela de prisão. Imprevisíveis roteiros individuais rondam os donos do poder. E essa história ainda será escrita com todas as letras.


* Fernando Gabeira é jornalista

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A BRUXA CONTINUA SOLTA  -  04/06/2015


Não foi mau para o governo o surgimento do escândalo da FIFA. Ele ajuda muito a desviar a atenção sobre outros escândalos mais graves.
Muito mais do que eventuais desvios realizados por autoridades esportivas, afetam muito mais aos brasileiros os escândalos diários sobre desvios ocorridos nas obras de estatais e do próprio governo.
É claro, sem deixar de lado o fato de que, coincidentemente, as mega obras de construção de estádios inúteis como o de Manaus e outros foram realizadas pelas mesmas empreiteiras que atualmente monopolizam o noticiário. Isso é bem mais importante do que conhecer as peripécias dos cartolas do futebol.
Enquanto o assunto FIFA desviava a atenção, uma das revelações do final de semana que passou veio em reportagem de "O Estado de S.Paulo". O fato de que os investigadores da força tarefa da operação Lava Jato encontraram indícios de desvios de dinheiro na construção do Estaleiro Rio Grande, aqui pertinho, iniciada em 2006, e nos contratos fechados para produção de cascos de plataformas e sondas de exploração de petróleo, a partir de 2010. A WTorre construiu o Estaleiro, mas em 2010, vendeu seus direitos no negócio para a Engevix.

Estão sendo investigados pagamentos da WTorre e Engevix às empresas de consultorias de quem? Antonio Palocci e José Dirceu.

Palocci alega que os pagamentos da W Torre à sua empresa, a Projeto Consultoria, foram referentes a quatro palestras aos diretores da empresa, cada uma por R$ 20 mil. A empreiteira apresentou 18 notas fiscais, num total de R$ 350 mil, emitidas pela Projeto, em 2007, 2008, 2009 e 2010.

A JD Assessoria e Consultoria, de José Dirceu recebeu R$ 2,6 milhões da Engevix, entre 2008 e 2012 – parte diretamente e outra parte por meio da Jamp Engenheiros Associados, do lobista Milton Pascowitch.
Às partes citadas, é claro, negaram que os contratos de consultorias prestados tiveram qualquer relação ou possibilidade de pagamento de propina.
Agora, o que preocupa mesmo o Planalto é a questão sigilo das operações de crédito do BNDES. A pressão para que seja aberta uma CPI do BNDES é e tem de ser, cada vez maior. É assunto muito mais do que arrasa-quarteirão.

A questão é: por que o governo se esforça tanto em esconder os detalhes dos investimentos financiados pelo BNDES com nosso dinheiro em Cuba, Angola e outros países?
"Estes segredos cheiram mal", chegou a declarar o deputado Onyx Lorenzoni.
Por que esta insistência governamental em descumprir o artigo 49/1 da Constituição Federal, que diz claramente:
"É da competência exclusiva do Congresso Nacional: I – resolver definitivamente sobre tratados, acordos ou atos internacionais que acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional;
 Mais claro que isso, impossível. Mas o governo além de descumprir este dispositivo legal, ainda se dá ao requinte de sonegar as informações ao público. Por que?
Isso ainda vai render muito.
 

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PRESTES E OUTROS MITOS  -  09/05/2015

“Sou a favor da idéia socialista. Mas uma vez disse a meu pai: ‘se isso é socialismo, eu sou contra o socialismo” (Yuri Ribeiro Prestes, historiador; filho de Luiz Carlos Prestes; viveu na Rússia de 1970 a 1994; jornal Folha de São Paulo de 2 de novembro de 1997)

A partir do momento em que, na ex-União Soviética os arquivos da 3ª Internacional foram abertos aos pesquisadores, vários mitos e lendas não mais se sustentam. Alguns livros, editados com base nesses arquivos, foram publicados, dando conta de detalhes inéditos do Movimento Comunista Internacional.

A 3ª Internacional, ou Komintern, do alemão “Komunistiche Internationale”, foi uma entidade com sede em Moscou, criada por Lenin, que funcionou de 1919 a 1943.

O Komintern era dirigido pela “Uskaia Komissia”, a “Pequena Comissão”, responsável por todas as decisões relativas aos aspectos políticos, de inteligência e de ligação do Kominern com o Partido Comunista da União Soviética.

Desde a década de 20, o Komintern financiava e controlava os partidos comunistas de todo o mundo, com verbas fornecidas pelo Estado soviético. Essa prática permaneceu inalterada por mais de 70 anos. Quando o Komintern foi desativado, em 1943, o Departamento de Relações Internacionais do PCUS assumiu suas tarefas.

Ao final do ano de 1991, após o fim da União Soviética, foram encontrados na sede do Comitê Central do partido único documentos referentes à “ajuda financeira fraternal” aos demais partidos comunistas de todo o mundo Esses documentos, como é evidente, faziam menção ao Partido Comunista Brasileiro, e comprovam que já em 1935 Luiz Carlos Prestes era um assalariado do Komintern: No período de abril a setembro de 1935, US$ 1.714,00 foi a quantia destinada a Prestes.

Assinale-se que Luiz Carlos Prestes foi admitido como membro do Komintenr em 8 de junho de 1934. Antes, portanto, de sua filiação ao PCB, o que constituiu um fato inédito no comunismo internacional. Prestes só viria a ser admitido no PCB em setembro desse ano.

A alemã Olga Benário (que também utilizava os nomes de “Frida Leuschner”, “Ana Baum de Revidor”, “Olga Sinek”, “Olga Bergner Vilar” e “Zarkovich” (casada em Moscou com B. P. Nikitin, aluno da Academia Militar Frunze) que pertencia ao IV Departamento do Estado-Maior do Exército Vermelho foi a pessoa designada para a missão de acompanhar Luiz Carlos Prestes em sua volta da União Soviética ao Brasil, em 1935.

Ao contrário do que afirma o historiador brasilianista Robert Levine, em seu livro O Regime de Vargas - 1935-1938, bem como diversas outras publicações nacionais e estrangeiras, Prestes nunca foi casado com Olga.

O clube de revolucionários profissionais a serviço do Komintern, tinha poderes praticamente ilimitados de intervenção nos diversos partidos comunistas, bem como instruções muito precisas sobre como levar adiante as planejadas ações revolucionárias.
O Partido Comunista Brasileiro jamais se libertou de sua subserviência a Moscou. O PCUS, até ser posto na ilegalidade por Boris Yeltsin, em 1991, sempre manteve sobre estreito controle a direção política do PCB, a forma como eram escolhidas suas lideranças, seus processos de formação ideológica, bem como aquilo que sempre foi o mais importante para o partido: o auxílio fraternal. Em 1990, último ano de ativo funcionamento do PCUS, essa ajuda fraternal ao Partido Comunista Brasileiro foi de US$ 400.000 conforme divulgado pelo Tribunal Constitucional Russo que, em 1992, julgou os crimes do PCUS (jornal “Konsomolskaya Pravda”, Moscou, 8 de abril de 1992).

Prestes somente em setembro de 1934 seria admitido nas fileiras do Partido Comunista Brasileiro, conforme documento do Bureau Político do PCB, datado de 4 de setembro de 1934, publicado no jornal Sentinela Vermelha, nº 1, outubro de 1934, São Paulo. Segundo esse jornal, Prestes foi admitido no partido “por proposta da IC“ e como “simples soldado da IC”. No entanto, diz o jornal, “ao mesmo tempo que o BP aceita a adesão de Prestes, chama todo o partido para intensificar o fogo contra o prestismo dentro e fora de nossas fileiras, contra essa teoria e prática de conteúdo contra-revolucionário, pequeno-burguês, que consiste na subestimação das forças do proletariado como única classe revolucionária, nas ilusões em chefetes e caudilhos pequeno-burgueses, salvadores, cavaleiros da esperança, etc (...)”.

A aceitação de Prestes como membro do PCB foi, portanto, decorrente não do reconhecimento de sua liderança ou de seus atributos de dedicação à causa comunista, mas sim uma imposição do aparato da IC, o que desfaz um outro mito.

Em 10 de abril de 1935 - às vésperas da chegada clandestina de Prestes ao Brasil -, referindo-se à primeira reunião pública da Aliança Nacional Libertadora (ANL), realizada dia 30 de março desse ano, no teatro João Caetano, no Rio de Janeiro, um documento do PCB, assinado por M (“Miranda”), codinome de Antonio Maciel Bonfim, Secretário-Geral do partido, referia-se a Prestes, aclamado presidente da ANL, como “um grande lutador antiimperialista e antifeudal”. Esse documento foi publicado no jornal A Classe Operária nº 178, de 10 de abril de 1935.

“Miranda”, na “A Classe Operária” de 23 de abril de 1935, assinala: “(...) As massas populares aclamam espontaneamente Prestes como Presidente de Honra da Aliança Nacional Libertadora (...) Essa aclamação de Prestes significa que as massas populares reconhecem nele um grande lutador contra o imperialismo (...) um lutador conseqüente de há muitos anos (...)”.

Em apenas 7 meses, portanto, Prestes passou de “caudilho pequeno-burguês” a “lutador conseqüente de há muitos anos”.

Logo depois, Fernando Lacerda, membro do Comitê Central do PCB, delegado do partido ao VII Congresso da Internacional Comunista, realizado em Moscou em julho de 1935, em seu discurso nesse evento, transcrito na revista da IC, “Correspondência Internacional” de 4 de dezembro de 1935, assinalou: “(...) Desde outubro de 1934, após a 3ª Conferência dos Partidos Comunistas dos Países da América Latina, conseguimos realizar uma reviravolta decisiva, tomando audaciosamente a iniciativa da organização de uma Aliança de Libertação Nacional (...) Entre seus organizadores e dirigentes destacava-se o nosso camarada Luiz Carlos Prestes (...) Já lançamos audaciosamente a palavra de ordem de ‘todo poder à ANL’(...)”. Observe-se que na data referida por Fernando Lacerda - outubro de 1934 - Prestes vivia, ainda, em Moscou.

Essa é outra lenda que desaba: a de que, quando criada, a ANL não tinha qualquer vinculação com o partido. Na verdade, desde o primeiro momento, foi uma organização de fachada do PCB, como centenas de outras durante toda a existência do partido.

Em 14 de julho de 1935 a Aliança Nacional Libertadora foi colocada fora da lei pelo governo e suas sedes fechadas.

O Comitê Central do PCB, reunido em fins de julho de 1935, tachou o fechamento da ANL de “arbitrário e violento” e concitou seus militantes a recrutar elementos e formar o partido no campo, “criando Ligas Camponesas” (documento apreendido em agosto de 1935 e integrante do processo nº 1, arquivado no STM).

Desfaz-se, portanto, outro mito: o de que foi Francisco Julião o inspirador e criador das “Ligas Camponesas”, nos anos 50.

Em 15 de setembro de 1935, às vésperas, portanto, da deflagração da Intentona, o “BSA-Bureau Sul-Americano” do Komintern, que funcionava em Buenos Aires, recebeu do “EKKI” a determinação de passar a dirigir as atividades do PCB conjuntamente com Luiz Carlos Prestes e “Miranda”- Antonio Maciel Bonfim, Secretário-Geral. Isso significou, na prática, que o “BSA”, organismo do Komintern para a América Latina, passou a comandar (esse é o verbo correto) as atividades do Partido Comunista Brasileiro.

Logo depois, com data de 6 de outubro de 1935, “Indio Negro” remetia a “Américo” (outro codinome de “Miranda”) uma carta com a proposta “de cooptar ‘Garoto’ para membro do Comitê Central e elegê-lo para o Birô Político do CC”. E determina: “Isso deve ser efetuado na próxima reunião do plenário do CC” (documento integrante do processo nº 1, arquivado no Superior Tribunal Militar). A pessoa referida como “Garoto” era Luiz Carlos Prestes.

Mas, quem é “Indio Negro” que dava ordens ao Secretário-Geral do Partido Comunista Brasileiro?

Eram duas pessoas, segundo os dados obtidos nos arquivos da 3ª Internacional:
“Indio” – Rodolfo José Ghioldi, que também utilizava os codinome de “Autobelli”, “Quiroga” e “Luciano Busteros”; argentino; membro do “Bureau Sul-Americano”; agente do Komintern deslocado da Argentina para o Brasil em dezembro de 1934, juntamente com sua mulher Carmen de Alfaya.

“Negro”- Arthur Ernst Ewert, que também usava os codinomes de “Albert”, “Castro” e “Harry Berger”; alemão; agente do Komintern mandado para o Brasil em dezembro de 1934.

A lenda, já integrada à História, de que apenas os 9 estrangeiros presos após a Intentona integravam o aparato do Komintern no Brasil, revelou-se falsa. Os estrangeiros deslocados para o Brasil pelo Komintern, para fazer a Intentona, foram 23. Os nomes de todos podem ser encontrados no livro “Camaradas”, do jornalista William Waak.
Desaba também um outro mito: o de que a Intentona Comunista tenha sido uma ação genuinamente brasileira, imaginada e levada a cabo pelo PCB.

Não foi.

A ordem para que a insurreição fosse deflagrada partiu de Moscou, em telegrama do Secretariado Político do “EKKI”, dirigido a Ewert e a Prestes, nos seguintes termos: “A questão da ação (o levante) decidam vocês mesmos, quando acharem necessário. Assegurem apoio à ação do Exército pelo movimento operário e camponês. Tomem todas as medidas contra a prisão de Prestes. Enviamos 25.000 por telegrama. Mantenham-nos informados do rumo dos acontecimentos”.

Esse telegrama, escrito em francês, foi encontrado nos arquivos do Komintern, e na página 128 do livro “Camaradas” está publicada uma cópia xerografada do mesmo.

No período pré e pós-Intentona o partido cometeu diversos assassinatos de seus próprios correligionários, a título de “justiçamentos”, por suspeita de colaboração com o inimigo de classe.

Um deles foi o da jovem de 16 anos “Elza Fernandes” ou “Garota”, como era conhecida no partido Elvira Cupelo Colônio, amante de “Miranda”, Secretário-Geral do PCB - e que, devido a isso, conhecia todos os demais membros do Comitê Central, e outros, com atuação relevante na Intentona Comunista -, por suspeita de colaboração com a repressão. A decisão de eliminar “Garota” foi tomada por Luiz Carlos Prestes, conforme documentos que integram o processo nº 1, já referido. Nos autos desse processo está uma carta, de próprio punho de Prestes, com data de 16 de fevereiro de 1936, remetida a “Meu Caro Amigo” (não identificado), dizendo: “(...) Não podemos vacilar nessa questão (...) Tudo precisa ser preparado com o mais meticuloso cuidado, bem como estudado com atenção todo um plano de ação que nos permita dar ao adversário a culpabilidade (...) Ela já desapareceu há alguns dias e até agora não se diz nada (...)”.

Em outra carta , dirigida ao Secretariado Nacional do PCB, datada de 19 de fevereiro de 1936 (apenas três dias depois), Prestes escreveu: “(...) Fui dolorosamente surpreendido pela falta de resolução e vacilações de vocês (...) Companheiros, assim não se pode dirigir o partido do proletariado, da classe revolucionária conseqüente (...) Já em minha carta de ontem formulei minha opinião a respeito do que precisávamos fazer (...) Não é possível dirigir sem assumir responsabilidades. Por outro lado, uma direção não tem o direito de vacilar em questões que dizem respeito à defesa da própria organização (...)”.

Cópia do original da carta acima, manuscrita por Prestes, está entre as páginas 33 e 34 do livreto “Os Crimes do Partido Comunista”, de Pedro Lafayette, Editora Moderna, 1946, Rio de Janeiro.

“Miranda” e “Elza Fernandes” haviam sido presos em 13 de janeiro de 1936. A Polícia colocou “Elza Fernandes” em liberdade, pelo fato de ser menor de idade. Logo, a direção do partido colocou-a em cárcere privado, na residência do militante conhecido como “Tampinha” (Adelino Deycola dos Santos), na rua Maria Bastos nº 41-A, em Deodoro, subúrbio do Rio, sob a guarda dos militantes “Gaguinho” (Manoel Severino Cavalcanti) e “Cabeção” (Francisco Natividade Lira).

Nessa casa, em 20 de fevereiro de 1936 - um dia após a segunda carta de Prestes -, “Elza Fernandes” foi assassinada por enforcamento, por esses elementos, e sepultada no quintal da casa. Após terem sido presos, todos confessaram o assassinato, dando-o como um justiçamento, sendo o corpo de “Elza Fernandes” exumado pela polícia em 14 de abril de 1936.

Luiz Carlos Prestes, o mandante, e Olga Benário foram presos em 5 de março de 1936. Em 17 de abril de 1945, 9 anos depois, Prestes foi anistiado e em outubro desse mesmo ano eleito Senador da República. Em maio de 1946 o partido foi tornado ilegal pela Justiça Eleitoral e passou a funcionar na clandestinidade. A partir de 1971 Prestes passou a viver em Moscou, sendo novamente anistiado em 1979 e, por força da Constituição de 1988, reincluido no Exército, promovido e reformado.

Em 16 de agosto de 2006 Luiz Carlos Prestes foi promovido ao posto de Coronel, com os proventos de General de Brigada.

Muitos dirão, principalmente os mais jovens: Caramba, eu não sabia!

Abaixo Portaria datada de agosto de 2006, do então Ministro da Justiça Tarso Genro, “promovendo” Luiz Carlos Prestes a Coronel com os proventos de General. Uma piada...

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PORTARIA No- 7/ANISTIA,
DE 16 DE AGOSTO DE 2006
O ................................................................................................,
no uso da competência que lhe foi delegada pela Portaria no- 479, de 11 de agosto de 2004, do Comandante do Exército, em cumprimento à Portaria Normativa no- 657/MD, de 25 de junho de 2004, do Ministro de Estado da Defesa, e nas condições impostas pela Portaria no- 1339, de 1o- de julho de 2005, do Ministro de Estado da Justiça, que decidiu: declarar LUIZ CARLOS PRESTES anistiado político "post mortem", reconhecendo o direito às promoções ao posto de Coronel com os proventos do posto de General-de-Brigada e as respectivas vantagens, e conceder em favor das requerentes MARIA DO CARMO RIBEIRO, ERMELINDA RIBEIRO PRESTES, MARIANA RIBEIRO PRESTES, ROSA RIBEIRO PRESTES, ZOIA RIBEIRO PRESTES, e demais dependentes econômicos, se houver, a reparação econômica em prestação mensal, permanente e continuada no valor de R$ 9.204,48 (nove mil, duzentos e quatro reais e quarenta e oito centavos), cabendo a cada uma das requerentes, respectivamente, os percentuais equivalentes a 50%, 12,5%, 12,5%, 12,5%, 12,5%, de cada prestação acima concedida, nos termos do artigo 1o- , incisos I e II da Lei no- 10.559, de 14 de novembro de 2002", resolve: CONSIDERAR, transferido para o Regime do Anistiado Político de que trata a Lei no- 10.559, de 13 de novembro de 2002, o anistiado político "post mortem" LUIZ CARLOS PRESTES, por imposição do disposto na Portaria no- 1339, de 1o- de julho de 2005, do Ministro de Estado da Justiça

E assim caminha a humanidade...

 

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O PSICOPETISMO  -  28/03/2015

(Publicado originalmente em O Globo)


Finalmente vimos a cara verdadeira da Dilma, carregada de ódio, acusando o governo anterior do FH, porque lá teria havido também corrupção. Claro que sempre houve; corrupção existe desde a fundação da cidade de Salvador, desde 1550, quando Tomé de Souza, primeiro governador do Brasil criou o “bahião”, roubando tanto que quase quebrou Portugal. Dilma tenta responsabilizar outros governos, esquecendo-se de que estão no poder há 13 anos e só fizeram m... ah, “malfeitos”.

Os mais espantosos escândalos do planeta foram provocados por uma corrupção diferente das tradicionais: com o PT no governo, a corrupção foi usada como ferramenta de trabalho, quando o nefasto Lula chamou a turminha dos ladrões aliados e disse: “Podem roubar o que quiserem, desde que me apoiem e votem comigo”. Mas, neste artigo não quero mais bater no governo, pois tudo já está dito, tudo provado, tudo batido.

Quero me ater aos vícios mentais que assolam essa gente, para além da roubalheira.

Como se forma a cabeça de um sujeito como Dirceu, Vaccari, a cabeça do petismo, esse filho bastardo do velho socialismo dos anos 1950?

Havia antigamente uma forte motivação romântica nos jovens que conheci. Era ingênuo, talvez, mas era bonito.

A desgraça dos pobres nos doía como um problema existencial nosso, embora a miséria fosse deles. Era difícil fazer uma revolução? Deixávamos esses “detalhes mixurucas” para os militantes tarefeiros, que considerávamos inferiores “peões” de Lênin ou (mais absurdo ainda) delegávamos o dever da revolução ao presidente da Republica, na melhor tradição de dependência ao Estado, como hoje.

Quando o PT subiu ao poder, eu achava que havia um substrato generoso de amor, uma crença na “revolução”, que era a mão na roda para justificar tudo, qualquer desejo político. Nada disso. Só vimos uma “tomada do poder”, como se os sindicalistas estivessem invadindo o palácio de inverno em São Petersburgo.

Seus vícios mentais eram muito mais óbvios e rasteiros do que esperávamos. Foi minha grande decepção; em vez da “justiça social”, o que houve parecia uma porcada magra invadindo o batatal.

E aí, me bateu: como é a cabeça do petista típico?

Em primeiro lugar, eles são inocentes, mesmo antes de pecar. Estão perdoados de tudo, pois qualquer fim justifica seus meios, vagamente considerados “nobres” no futuro.

Para eles não existe presente — tudo será “um dia”. Não sabem bem o quê, mas algo virá no futuro.

Eles têm a ideia assombrosa de que o partido pode se servir do Estado como se fosse sua propriedade; assim, podem assaltar a Petrobras, fundos de pensão, outras estatais com a consciência limpa, porque se a Petrobras é do povo, é deles. Não é roubo, em sua limitada linguagem de slogans — é “desapropriação”.

Aliás, e o silêncio dos intelectuais simpatizantes diante dos crimes óbvios? Está tudo caladinho...

Outra coisa: o petista legítimo, “escocês” (como o Blue Label 30 anos, único que o Lula toma), acha que “complexidade” é frescura e que a verdade é simplista, um reducionismo dualista. Para eles, o mundo se explica por opressores e oprimidos, tudo, claro, culpa do “capitalismo”, tratado como uma pessoa, com crises de humor: “Ih, o capitalismo está muito agressivo ultimamente”.

Para eles, na melhor tradição stalinista, deve-se ocultar da população questões internas do governo, pois não confiam na sociedade, esse aglomerado de indivíduos alienados e sem rumo.

Podem mentir em paz, sem dar satisfações a ninguém. Eles têm ausência de culpa ou arrependimento, têm o cinismo perfeito de quem se sente uma vítima inocente no instante mesmo em que se esmeram na mentira.

Na prática têm as mesmas motivações do velho stalinismo ou do fascismo: controle de um sobre todos e o manejo da Historia como uma carroça em direção ao “socialismo” imaginário em que creem ou fingem crer.

Ser esquerdo-petista é uma boa desculpa para a própria ignorância (como o são!) — “não preciso pensar muito ou estudar, pois já sou um militante do futuro!” Entrar no partido é sentir-se vitorioso, escondendo o fracasso de suas vidas pessoais, por despreparo ou incompetência.

Nunca vi gente tão incompetente quanto a velha esquerda. São as mesmas besteiras de pessoas que ainda pensam como nos anos 1940. Não precisam estudar nada profundamente, por serem “a favor” do bem e da justiça — a “boa consciência”, último refugio dos boçais.

Aliás, vão além: criticam a competência como porta aberta para a direita; competência é coisa de neoliberal, ideia que subjaz por exemplo na indicação de Joaquim Levy — “neoliberal sabe fazer contas”, pensam. Se não der certo, por causa de suas sabotagens, a culpa é dos social-democratas. Como não têm projeto algum, acham que os meios são seus fins.

A mente dos petistas é uma barafunda de certezas e resume as emoções e ações humanas a meia dúzia de sintomas, de defeitos: “sectários, obreiristas, alienados, vacilantes, massa atrasada e massa adiantada, elite branca” e ignoram outros recortes de personalidade como narcisistas, invejosos, vingativos e como sempre os indefectíveis filhos da puta. Como hoje, os idiotas continuam com as mesmas palavras, se bem que aprenderam a roubar e mentir como “burgueses”.

Obstinam-se com teimosia nos erros, pois consideram suas cagadas “contradições negativas” que se resolverão por novos acertos que não chegam nunca. Há anos vi na TV um debate entre o grande intelectual José Guilherme Merquior e dois marxistas que lamentavam erros passados: derrota em 1935, 56 na Hungria, 68 na Tchecoslováquia, 68 no Brasil, erros sem fim que iriam “superar.” Mas nada dava certo. Merquior não se conteve e replicou com ironia: “Por que vocês não desistem”?

Não pode haver dúvida da loucura contida nisso tudo. Só uma agenda irracional defenderia uma destruição sistemática dos fundamentos que garantem a liberdade organizada. Apenas um homem irracional iria desejar o Estado decidindo sua vida por ele. Muitos são psicopatas, mas a maioria é de burros mesmo.

 

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APERTEM OS CINTOS, O TELEPROMPTER TRAVOU   -  12/02/2015

Revista Época

Com todas as tormentas que rodeiam o governo Dilma, nada poderia ser mais grave e ameaçador do que o que se passou na primeira reunião ministerial do segundo mandato. Pior que a inflação, a recessão, o apagão e o petrolão: o TelePrompTer travou. E, sem TelePrompTer, a República prendeu a respiração.

O Brasil é um país irresponsável. Está cansado de saber que, quando Dilma começa a mentir muito, ela trava. Foi assim na campanha eleitoral, quando após um debate na TV ela teve de ser socorrida. Numa entrevista ao vivo, a mente presidencial mergulhara numa tal ciranda desconexa que o equipamento enguiçou.

Nem João Santana, com uma junta de mecânicos e eletricistas de última geração, poderia evitar que aquele fusível queimasse. Daí a importância vital do TelePrompTer para os rumos da nação. É a segurança dos brasileiros que está em jogo.

Ainda assim, não obstante todos os alertas e advertências, o pior aconteceu. Dilma abria solenemente a primeira reunião com seu novo ministério de notáveis, no clima de esperança e euforia que cerca seu segundo mandato, quando tudo ruiu. O TelePrompTer, pilar da democracia companheira, que garante que a presidente diga coisa com coisa, começou a ralentar. Sinais de angústia tomaram as feições presidenciais, enquanto o discurso ia se enchendo de pausas, numa tentativa de adaptação ao ritmo defeituoso do equipamento golpista. Mas não adiantou.

O TelePrompTer foi então abandonado pela chefe da nação. Ela ainda tentara fazê-lo pegar no tranco, esculhambando ao vivo seu operador - em mais uma cena típica do instinto maternal da "presidenta" mulher. O teor de mentira do discurso de Dilma estava altíssimo naquele momento, e quem sabe pode ter sido essa a causa do apagão no TelePrompTer, porque as máquinas também têm lá sua dignidade. Nem é preciso entrar muito em detalhes sobre o que Dilma estava pregando diante de seu novo e virtuoso ministério. Basta dizer que ela estava defendendo a... Petrobras. E o nacionalismo. Quando se deu o apagão, a presidente estava dizendo algo como "toda vez que tentaram desprestigiar o capital nacional, estavam tentando na verdade..." Aí travou. Nem o TelePrompTer aguenta mais tamanha carga de cara de pau. Só o cidadão brasileiro ainda tem estômago para isso.

Quase ao mesmo tempo que Dilma denunciava os que tentam desprestigiar o capital nacional, a Operação Lava Jato comprovava como o PT fez para prestigiar o assalto à Petrobras. O consultor Julio Camargo confirmou à Justiça que o pagamento de propinas a Renato Duque, fantoche da turminha de Dilma na Diretoria de Serviços da estatal, era a "regra do jogo" Em seguida, a informação que num país com um pouco de juízo teria derrubado imediatamente o governo: o empresário Augusto Ribeiro Mendonça Meto, do grupo Toyo Setal, confirmou ter sido orientado a pagar parte da propina por negócios com a Petrobras em forma de doação oficial ao PT.

É preciso repetir, porque muitos leitores a esta altura estão certos de que houve erro de redação na frase acima. O que está escrito lá não faz o menor sentido. Vamos à repetição: está confirmado que o PT inventou a propina legal. Para ganhar contrato com a Petrobras, o fornecedor não tinha de pagar "um por fora" ao diretor da estatal, mas "um por dentro" ao PT. Corrupção transformada em doação oficial ao Partido dos Trabalhadores. Aquele do mensalão, sabe?

O que mais o Brasil quer ver? O que mais você está esperando, prezado cidadão brasileiro, para sair às ruas e enxotar esses cordeirinhos socialistas que estão arrancando as calças da nação? Está esperando a quadrilha dizer a você que só chegará luz a sua casa se você der "um por dentro" ao PT?

Contando, ninguém acredita. Numa tarde quente de domingo, a base parlamentar irrigada pelo petrolão tomava posse alegremente no Congresso Nacional, com direito a selfies sorridentes com seus familiares. Assistindo na TV ao domingo feliz no jardim zoológico, o brasileiro comum bancava.
 

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UM CADÁVER NO PODER (II)  -  04/02/2015

Volto à análise da Teologia da Libertação.
Se a coisa e até o nome que a designa vieram prontos da KGB, isso não quer dizer que seus pais adotivos, Gutierrez, Boff e Frei Betto, não tenham tido nenhum mérito na sua disseminação pelo mundo. Ao contrário, eles desempenharam um papel crucial nas vitórias da TL e no mistério da sua longa sobrevivência.

Os três, mas principalmente os dois brasileiros, atuaram sempre e simultaneamente em dois planos. De um lado, produzindo artificiosas argumentações teológicas para uso do clero, dos intelectuais e da Cúria romana. De outro lado, espalhando sermões e discursos populares e devotando-se intensamente à criação da rede de militância que se notabilizaria com o nome de “comunidades eclesiais de base” e viria a constituir a semente do Partido dos Trabalhadores. “Base” é aliás o termo técnico usado tradicionalmente nos partidos comunistas para designar a militância, distinguindo-a dos líderes. Sua adoção pela TL não foi mera coincidência. Quando os pastores se transformaram em comissários políticos, o rebanho tinha mesmo de tornar-se “base”.

No seu livro E a Igreja se Fez Povo, de 1988, Boff confessa que foi tudo um “plano ousado”, concebido segundo as linhas da estratégia da lenta e sutil “ocupação de espaços” preconizada pelo fundador do Partido Comunista Italiano, Antonio Gramsci. Tratava-se de ir preenchendo aos poucos todos os postos decisivos nos seminários e nas universidades leigas, nas ordens religiosas, na mídia católica e na hierarquia eclesiástica, sem muito alarde, até chegar a época em que a grande revolução pudesse exibir-se a céu aberto.

Logo após o conclave que o elegeu, em 1978, o papa João Paulo I teve um encontro com vinte cardeais latino-americanos e ficou muito impressionado com o fato de que a maioria deles apoiava ostensivamente a Teologia da Libertação. Informaram-lhe, na ocasião, que já havia mais de cem mil “comunidades eclesiais de base” disseminando a propaganda revolucionária na América Latina. Até então, João Paulo I conhecia a TL apenas como especulação teórica. Nem de longe imaginava que ela pudesse ter se transformado numa força política de tais dimensões.

Em 1984, quando o cardeal Ratzinger começou a desmontar os argumentos teóricos da “Teologia da Libertação”, já fazia quatro anos que as “comunidades eclesiais de base” tinham se transfigurado num partido de massas, o Partido dos Trabalhadores, cuja militância ignora maciçamente quaisquer especulações teológicas, mas jura que Jesus Cristo era socialista porque assim dizem os líderes do partido.

Dito de outro modo, a pretensa argumentação teológica já tinha cumprido o seu papel de alimentar discussões e minar a autoridade da Igreja, e fora substituída, funcionalmente, pela pregação aberta do socialismo, onde o esforço aparentemente erudito de aproximar cristianismo e marxismo cedia o passo ao manejo de chavões baratos e jogos de palavras nos quais a militância não procurava nem encontrava uma argumentação racional, mas apenas os símbolos que expressavam e reforçavam a sua unidade grupal e o seu espírito de luta.

O sucesso deste segundo empreendimento foi proporcional ao fracasso do trio na esfera propriamente teológica. É possível que na Europa ou nos EUA um formador de opinião com pretensões de liderança não sobreviva à sua desmoralização intelectual, mas na América Latina, e especialmente no Brasil, a massa militante está a léguas de distância de qualquer preocupação intelectual e continuará dando credibilidade ao seu líder enquanto este dispuser de um suporte político-partidário suficiente.

No caso de Boff e Betto, esse suporte foi nada menos que formidável. Fracassadas as guerrilhas espalhadas em todo o continente pela OLAS, Organización Latino-Americana de Solidariedad, fundada por Fidel Castro em 1966, a militância se refugiou maciçamente nas organizações da esquerda não-militar, que iam colocando em prática as ideias de Antonio Gramsci sobre a “ocupação de espaços” e a “revolução cultural”. A estratégia de Gramsci usava a infiltração maciça de agentes comunistas em todos os órgãos da sociedade civil, especialmente ensino e mídia, para disseminar propostas comunistas pontuais, isoladas, sem rótulo de comunismo, de modo a obter pouco a pouco um efeito de conjunto no qual ninguém visse nada de propaganda comunista, mas no qual o Partido, ou organização equivalente, acabasse controlando mentalmente a sociedade com “o poder invisível e onipresente de um mandamento divino, de um imperativo categórico” (sic).

Nenhum instrumento se prestava melhor a esse fim do que as “comunidades eclesiais de base”, onde as propostas comunistas podiam ser vendidas com o rótulo de cristianismo. No Brasil, o crescimento avassalador dessas organizações resultou, em 1980, na fundação do Partido dos Trabalhadores, que se apresentou inicialmente como um inocente movimento sindicalista da esquerda cristã e só aos poucos foi revelando os seus vínculos profundos com o governo de Cuba e com várias organizações de guerrilheiros e narcotraficantes. O líder maior do Partido, Luís Inácio “Lula” da Silva, sempre reconheceu Boff e Betto como mentores da organização e dele próprio.

Nascido no bojo do comunismo latino-americano por intermédio das “comunidades eclesiais de base”, o Partido não demoraria a devolver o favor recebido, fundando, em 1990, uma entidade sob a denominação gramscianamente anódina de “Foro de São Paulo”, destinada a unificar as várias correntes de esquerda e a tornar-se o centro de comando estratégico do movimento comunista no continente.

Segundo depoimento do próprio Frei Betto, a decisão de criar o Foro de São Paulo foi tomada numa reunião entre ele, Lula e Fidel Castro, em Havana. Durante dezessete anos o Foro cresceu em segredo, chegando a reunir aproximadamente duzentas organizações filiadas, misturando partidos legalmente constituídos, grupos de sequestradores como o MIR chileno e quadrilhas de narcotraficantes como as Farc, que juravam nada ter com o tráfico de drogas mas então já costumavam trocar anualmente duzentas toneladas de cocaína colombiana por armas contrabandeadas do Líbano pelo traficante brasileiro Fernandinho Beira-Mar.

Quando Lula foi eleito presidente do Brasil, em 2002, o Foro de São Paulo já havia se tornado a maior e mais poderosa organização política em ação no território latino-americano em qualquer época, mas sua existência era totalmente desconhecida pela população e, quando denunciada por algum investigador, cinicamente negada. O bloqueio chegou ao seu ponto mais intenso quando, em 2005, o sr. Lula, já presidente do Brasil, confessou em detalhes a existência e as atividades do Foro de São Paulo. O discurso foi publicado na página oficial da Presidência da República, mas mesmo assim a grande mídia em peso insistiu em fingir que não sabia de nada.

Por fim, em 2007, o próprio Partido dos Trabalhadores, sentindo que o manto de segredo protetivo já não era necessário, passou a alardear aos quatro ventos os feitos do Foro de São Paulo, como se fossem coisa banal e arqui-sabida. Somente aí os jornais admitiram falar do assunto.

Por que o segredo podia agora ser revelado? Porque, no Brasil, toda oposição ideológica tinha sido eliminada, restando apenas sob o nome de “política” as disputas de cargos e as acusações de corrupção vindas de dentro da própria esquerda; ao passo que, na escala continental, os partidos membros do Foro de São Paulo já dominavam doze países. As “comunidades eclesiais de base” haviam chegado ao poder. Quem, a essa altura, iria se preocupar com discussões teológicas ou com objeções etéreas feitas vinte anos antes por um cardeal que levara a sério o sentido literal dos textos e mal chegara a arranhar a superfície política do problema?

Nos doze anos em que permaneceu no poder, o PT expulsou do cenário toda oposição conservadora, partilhando o espaço político com alguns aliados mais enragés e com uma branda oposição de centro-esquerda, e governou mediante compras de consciências, assassinatos de inconvenientes e a apropriação sistemática de verbas de empresas estatais para financiar o crescimento do partido.

A escalada da cleptocracia culminou no episódio da Petrobrás, onde o desvio subiu à escala dos trilhões de reais, configurando, segundo a mídia internacional, o maior caso de corrupção empresarial de todos os tempos. Essa sucessão de escândalos provocou algum mal-estar na própria esquerda e constantes reclamações na mídia, levando aintelligentsia petista a mobilizar-se em massa para defender o partido. Há mais de uma década os srs. Betto e Boff estão ocupados com essa atividade, na qual a teologia só entra como eventual fornecedora de figuras de linguagem para adornar a propaganda partidária. A TL havia assumido, finalmente, sua mais profunda vocação.

Quem quer que leia os escritos de Gutierrez, Boff e Betto descobre facilmente as suas múltiplas inconsistências e contradições. Elas revelam que esse material não resultou de nenhum esforço teorizante muito sério, mas do mero intuito de manter os teólogos de Roma ocupados em complexas refutações teológicas enquanto a rede militante se espalhava por toda a América Latina, atingindo sobretudo populações pobres desprovidas de qualquer interesse ou capacidade de acompanhar essas altas discussões.

Os boiadeiros chamam isso de “boi-de-piranha”: jogam um boi no rio para que os peixes carnívoros fiquem ocupados em devorá-lo, enquanto uns metros mais adiante a boiada atravessa as aguas em segurança.

Intelectualmente e teologicamente, a TL está morta há três décadas. Mas ela nunca foi um movimento intelectual e teológico. Foi e é um movimento político adornado por pretextos teológicos artificiosos e de uma leviandade sem par, lançados nas águas de Roma a título de “boi de piranha”. A boiada passou, dominou o território e não existem piranhas de terra firme que possam ameaçá-la.

Sim, a TL está morta, mas o seu cadáver, elevado ao posto mais alto da hierarquia de comando, pesa sobre todo um continente, oprimindo-o, sufocando-o e travando todos os seus movimentos. A América Latina é hoje governada por um defunto.
 

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A INTELIGÊNCIA ISRAELENSE - ( I )  -  23/01/2015

 

Alguns detalhes sobre os Serviços de Inteligência de Israel, considerados os melhores do mundo


O Serviço de Inteligência é a batalha das mentes e cérebros e a função dos equipamentos é ajudar o ser humano em seu desafio conceitual. Mas na integração do homem e da máquina o fator humano é decisivo, mormente no Serviço de Inteligência” (Meir Amit, diretor do MOSSAD de 1963 a 1968).

Trinta e dois séculos após Moisés ter acatado a ordem de Deus, escolhendo 12 eminentes israelitas para se infiltrarem na Terra Prometida, o Estado de Israel foi criado, em 1948, e Ben Gurion, seu primeiro presidente, fez exigências rigorosas a seus agentes secretos: que fossem motivados pelo patriotismo; que representassem os melhores aspectos da sociedade israelense; que obedecessem ao postulado singular de comedimento; e que se lembrassem que defendiam uma democracia e não um Estado monolítico.

Nesse sentido, Israel é um país singular sob muitos aspectos, um dos quais tem sido o total apoio de seus cidadãos aos Serviços de Inteligência, considerados entre os melhores do mundo.

Os Serviços de Inteligência de Israel, assim como os de outras nações, são um reflexo de suas sociedades, das quais trazem seu poder de inspiração. Cada país possui uma estrutura de Inteligência moldada à sua própria imagem, refletindo a índole e as características culturais da Nação.

O que está no centro dos Serviços de Inteligência de Israel, diferenciando-os dos demais serviços de qualquer outra Nação, é a imigração. Desde a sua formação a comunidade de Inteligência de Israel empenhou-se em proteger os judeus em todo o mundo e ajudá-los a emigrarem para sua Pátria bíblica.

Quem pode imaginar a CIA, por exemplo, com a tarefa de proteger cada possuidor de passaporte dos EUA através do mundo?

A tarefa de defender não apenas o Estado, mas também “todo o povo de Israel” é a missão precípua dos Serviços de Inteligência de Israel: MOSSAD (Inteligência Externa, criado em 1951), AMAN (Inteligência Militar, criado em 1949), SHIN BET (Segurança Interna, criado em 1948), Serviço de Ligação (para a Imigração Judaica, criado em 1958), LAKAM (com a função primária de resguardar o programa nuclear secreto e obter dados científicos e tecnológicos no exterior, criado em 1957) e Departamento Político do Ministério do Exterior, criado em 1948.

Desde sua criação, o Estado de Israel vê-se cercado por um círculo de nações árabes hostis. Todas essas nações, todavia, possuem minorias étnicas e religiosas e Israel sempre pôs em prática o desenvolvimento de amizades com essas minorias, que sofrem, como Israel, em maior ou menor grau, com a ascensão do nacionalismo e radicalismo árabes. A idéia por trás dessa tática pode ser resumida em uma frase: “os inimigos do meu inimigo são meus amigos”.

Qualquer força que lute ou se oponha ao nacionalismo árabe é considerada por Israel uma aliada em potencial: a minoria maronita no Líbano, os drusos na Síria, os curdos no Iraque e os cristãos do Sul do Sudão, todos sofrendo o jugo das maiorias muçulmanas de seus países. O conceito de manter contato com todos eles tornou-se conhecido para as lideranças israelenses como “a aliança periférica”.

Desde 1951, quando foi criada, a agência externa, o MOSSAD, possui acordos de cooperação com a CIA. Mas a grande abertura dos altos escalões dos Serviços de Inteligência ocidentais para com o MOSSAD decorreu de uma vitória conseguida na Europa em 1956, quando os israelenses conseguiram superar a CIA, o MI6 inglês, franceses, holandeses e outros Serviços de Inteligência ocidentais que buscavam o texto de um discurso: o discurso secreto pronunciado por Nikita Kruschev no XX Congresso do PCUS, em fevereiro de 1956, que praticamente sepultou a era Stalin ao relatar, pela primeira vez, os horrores dos gulags, dos julgamentos encenados, dos assassinatos e das deportações de populações inteiras.

A partir de então, a reputação do MOSSAD tornou-se uma lenda.
Em suas memórias, Isser Harel, que dirigiu o MOSSAD de 1952 a 1963 e o SHIN BET de 1948 a 1952, escreveu: “Fornecemos a nossos equivalentes americanos um documento que é considerado uma das maiores realizações na história da espionagem: o discurso secreto, completo, do 1º Secretário do PCUS”. Harel, entretanto, não revelou como conseguiu o discurso.

Como qualquer outro país, o MOSSAD possui agentes secretos trabalhando nas embaixadas, sob cobertura diplomática. Onde não é possível estabelecer relações oficiais ou estas são cortadas por divergências políticas, os diplomatas alternativos do MOSSAD desempenham tarefas que normalmente não são da competência dos Serviços de Inteligência. Especificamente, na África, a CIA forneceu milhões de dólares para financiar as atividades clandestinas de Israel, pois sempre foram consideradas do interesse geral do Ocidente.

De acordo com o conceito periférico do primeiro diretor do MOSSAD, os vínculos sigilosos de Israel com a Etiópia, Turquia e Irã nunca deixaram de existir. Tanto Israel quanto o Irã ajudaram a revolta dos curdos contra o governo do Iraque; agentes do MOSSAD no Iêmen do Sul ajudaram os realistas a combater os egípcios; no Sul do Sudão aviões israelenses lançaram suprimentos para os rebeldes cristãos; e, no fundo da África, o MOSSAD operou num lugar tão distante como Uganda, em outubro de 1970, ajudando Idi Amin a depor o presidente Milton Obote.

Em todos os países há Estações do MOSSAD, sempre operando sob a cobertura diplomática, dentro das embaixadas. O chefe da Estação, todavia, não comunica suas atividades ao embaixador e remete seus relatórios diretamente para o MOSSAD, em Tel-Aviv. Suas missões incluem ligações oficiais com os Serviços de Inteligência do país-anfitrião, mas também operam suas próprias redes, sem o conhecimento do país-anfitrião.

A ênfase em atividades semi-diplomáticas concentra-se basicamente em dois continentes: África e Ásia.
O sucesso do SHIN BET em controlar os territórios tomados em junho de 1967, na Guerra dos Seis Dias (margem ocidental da Jordânia, Sinai e Faixa de Gaza do Egito, e as colinas de Golan) teve um preço: a sociedade israelense passou a ser julgada no mundo exterior pelo que se podia observar a respeito de sua política de segurança. A subversão e os atentados com os homens e mulheres-bomba foram e vêm sendo esmagadas, mas a boa vontade para com Israel no resto do mundo diminui, graças, fundamentalmente, à mídia. Em vez de admirado por grande parte da opinião política internacional, o Estado judaico tornou-se abominado para muita gente.

O SHIN BET, forçado pelas circunstâncias passou a ser encarado como uma força opressora de ocupação. Teve que aumentar seus efetivos, os critérios de recrutamento foram facilitados e o perfil social de seu pessoal mudou. Os novos agentes baseavam sua atuação mais na força do que na inteligência. A natureza diferente da missão também determinou novos métodos. Numa época em que dois mil árabes era detidos para interrogatórios, em que carros explodiam e hotéis e aviões passaram a ser alvo dos terroristas, o essencial era extrair informações tão rápido quanto possível. O fator tempo – aliás, como em todas as guerras sujas - passou a ser o elemento mais importante e a ação rápida passou a exigir a brutalidade. Isso também ocorreu no Brasil na guerra suja dos anos 70.

Em 23 de julho de 1968, um Boeing 707 da El AL, num vôo de Roma para Tel-Aviv, foi seqüestrado e aterrisou na Argélia. Os seqüestradores eram três árabes, militantes da Frente Popular pela Libertação da Palestina. Esse foi o primeiro e último seqüestro bem sucedido de um avião israelense. A partir daí Israel introduziu um esquema de segurança radicalmente novo em seus aviões de passageiros, colocando homens do SHIN-BET, armados, em cada vôo, viajando em poltronas comuns, disfarçados de passageiros, tornando a EL AL a empresa mais segura do mundo.
O mundo, no entanto, só tomou conhecimento dessas medidas quando um desses agentes respondeu a um ataque terrorista, em Zurique, em fevereiro de 1969, na pista do aeroporto de Kloten.

Em 1968, Meir Amit, diretor do MOSSAD desde 1963, foi surpreendentemente substituído pelo general Zvi Zamir, sem experiência anterior no Serviço de Inteligência. Segundo as especulações, ele havia sido substituído por ser eficiente demais. Os líderes do Partido Trabalhista, então no Poder, não desejavam um chefe do Serviço de Inteligência que fosse forte demais...


Dados bibliográficos: Noticiário da imprensa nacional e internacional e livro “Todo o Espião é um Príncipe”, Imago Editora, 1991, de Dan Ravin e Yossi Melman.


 

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OBAMA VEM PARA SALVAR CASTRO  -  27/12/2014

Front Page Magazine, 22 de Dezembro de 2014.

[http://www.frontpagemag.com/2014/humberto-fontova/obama-comes-to-castros-rescue/].
Tradução: Bruno Braga.

Você notou o exato momento da salvação econômica dada por Obama a Castro, de acordo com o anúncio do dia 17 de Dezembro, sob o pretexto de "mudar [nossas] relações com o povo [a ênfase é minha] de Cuba"?

Não? Mas você tem observado os preços nas bombas de gasolina, certo? Estas duas questões estão intimamente ligadas. Ah, por falar nisso, todas as evidências indicam que o "povo" real de Cuba, na verdade, quer as sanções americanas contra o regime stalinista que o tortura [1]. Por isso, o Presidente Obama deveria parar de insultar a inteligência dos Observadores de Cuba com a pretensão de falar e agir em nome deles. Eis a reação que tiveram nesta semana com o presente de Natal antecipado que Obama deu ao ditador stalinista que os tortura:

"Infelizmente, o Presidente Obama tomou a decisão errada. A liberdade e a democracia não serão alcançadas para o povo cubano através dos benefícios dados por ele - não ao povo cubano - mas ao governo de Cuba. O governo cubano só vai aproveitar para fortalecer a máquina repressiva, reprimir a sociedade, o povo, e permanecer no poder" - Berta Soler, líder do "The Ladies in White", o maior grupo dissidente de Cuba.

"[Alan Gross] não foi preso pelo que ele mesmo fez, mas pelo que poderia ser ganho com a sua prisão. Ele era simplesmente uma isca, e eles estavam cientes disso desde o começo... O Castrismo venceu" - Yoani Sanchez, a dissidente cubana mais famosa no exterior.

"Sinto-me como se tivesse sido abandonado no campo de batalha" - Dr. Oscar Elias Biscet, ex-preso político cubano premiado com a Medalha Presidencial da Liberdade pelo Presidente Bush.
A lista de dissidentes cubanos apunhalados e indignados é muito, muito maior.

De qualquer forma, a Venezuela - o "papaizinho" [2] pós-soviético de Cuba - está atualmente em situação econômica difícil com a queda abrupta do preço do petróleo, seu principal produto de exportação. A salvação econômica do regime de Castro parece incerta, daí o "Aqui vou eu para salvar o dia" do Presidente Obama.

Mas vamos encará-lo. Por mais de meia década, o regime stalinista de Castro prendeu, torturou e assassinou milhares de pessoas (incluindo cidadãos americanos), mas a maioria dos americanos parece não dar a mínima. Muito bem. Então vamos consultar mais um dissidente cubano - um que consome um pouco de carne vermelha. Vamos avisar ao cidadão comum e à dona de casa (que de forma muito compreensiva acham todas essas coisas de direitos humanos relativas a um país estrangeiro totalmente irrelevantes) que talvez seja a hora de prestar mais atenção ao problema:
"Se os Estados Unidos permitem financiamento para Cuba, então seriam os contribuintes americanos que sustentariam o regime Castro. Uma vez que ele corre para bater à porta [por crédito], o regime Castro está focado agora nos Estados Unidos" - Rene Gomez Manzanoin, dissidente cubano e três vezes considerado prisioneiro de consciência pela Anistia Internacional.

Bom, a Câmara de Comércio dos Estados Unidos, o lobby agrícola, o Council on Foreing Relations e os agentes de influência de Castro (e eu me repito) evitam de forma compreensiva esta questão como uma praga, daí a sua invisibilidade na mídia. Portanto, ouça: por mais de uma década, o chamado embargo americano, tão difamado pelo Presidente Obama, estabeleceu que o regime stalinista de Castro pague um "adiantamento" [3] por todos os produtos agrícolas americanos através de um banco de terceiros; nenhum Exportador-Importador - contribuinte americano - financia vendas desse tipo. E é isso que enfurece Castro e motiva seus agentes de influência dos Estados Unidos [4].

Promulgada pela equipe de Bush em 2001, essa política de adiantamento [5] tem sido monumentalmente benéfica para os contribuintes americanos, colocando-os entre os poucos no mundo que não são trapaceados pelo regime Castro, que proporcionalmente à população é o maior devedor do mundo, com uma dívida externa estimada em 50 bilhões de dólares, uma classificação de risco próxima à da Somália e um registro ininterrupto de calotes. A Standard & Poors se recusa até mesmo a avaliar Cuba, considerando os dados econômicos apresentados pelo seu apparatchiks stalinista como absolutamente falsos. Só neste ano os russos perdoaram 30 bilhões de dólares que os Castro ainda os devia.

É interessante que um dissidente cubano possa compreender este assunto com mais precisão do que aqueles "defensores dos contribuintes americanos", Rand Paul e Jeff Flake, que aplaudiram fortemente o presente de Natal que Obama deu esta semana a Castro. Da Casa Branca, "Informe: Traçar um novo curso para Cuba":
* Instituições americanas terão permissão para abrir contas correspondentes em instituições financeiras cubanas para facilitar o processamento de transações autorizadas.
* A definição regulamentar do termo estatutário "dinheiro adiantado"será revisada para especificar que ele significa "dinheiro antes da transferência do título"; isso proporcionára um financiamento mais eficiente do comércio autorizado com Cuba.
Opa! Apesar de um pouco superficial, certamente soa como se estivéssemos nos movendo na direção contra a qual Rene Gomez nos alertou. Essa questão foi explicada recentemente com mais detalhes por um colunista do interior no SunNews network do Canadá [6].

Obama alega que temos "isolado" Cuba. Novamente, pare de insultar nossa inteligência, Senhor Presidente. A saber:

Em 1957, quando Cuba era uma "colônia econômica dos Estados Unidos", como é dito constantemente pela mídia (embora os investimentos americanos em Cuba representassem apenas 14% do PIB da ilha), os Estados Unidos exportaram 347,5 milhões de dólares em valor de mercadoria para Cuba.

Em 2013 (quando Cuba estava sendo "estrangulada pelo bloqueio econômico americano", como constantemente é dito pela mídia), os Estados Unidos exportaram 457,3 milhões de dólares para Cuba. De fato, para cada ano de Obama no gabinete do "Cuba-embargo", os Estados Unidos exportaram mais bens para Cuba que em 1957.

Em 1957 (quando Cuba era um "parque de diversão para turistas americanos", como constantemente é dito pela mídia), 263.000 pessoas dos Estados Unidos visitaram Cuba.

Em 2013 (quando Cuba estava sendo diabolicamente "bloqueada" pelos Estados Unidos, de acordo com a mídia), estima-se que 500.00 pessoas dos Estados Unidos visitaram Cuba. Então, com Obama, visitam Cuba duas vezes mais pessoas que nos anos de ouro da década de 1950.

Em 1958, - com um "ditador apoiado pelos Estados Unidos", com os americanos "controlando a economia cubana" (de acordo com a mídia, embora, de fato, as companhias americanas empregassem 7% da força de trabalho de Cuba) - a equipe da embaixada dos Estados Unidos em Cuba era de 87 pessoas, incluindo os funcionários cubanos.

Hoje, que supostamente não há qualquer relação diplomática com Cuba (de acordo com a mídia) a equipe da Seção de Interesse dos Estados Unidos tem 351 pessoas, incluindo os funcionários cubanos. Na verdade, por mais de uma década os Estados Unidos tiveram o dobro de funcionários diplomáticos em Havana que no Canadá e no México juntos. Na zona cinzenta ocupada pela mídia americana isso é "isolamento diplomático".

De ordem executiva em ordem executiva, o Presidente Obama já aboliu as restrições de viagens e envios do Presidente Bush ao feudo patrocinador do terrorismo de Castro. Abriu o oleoduto a um ponto em que o fluxo de caixa dos Estados Unidos para Cuba foi estimado em 4 bilhões de dólares no último ano; enquanto Cuba - uma orgulhosa província da União Soviética - recebia anualmente de 3 a 5 bilhões de dólares dos Sovietes. Em resumo, quase todos os anos desde que Obama assumiu a presidência, escoou mais dinheiro dos Estados Unidos para Cuba que dos Sovietes no auge do seu patrocínio à ilha caribenha. Na zona cinzenta ocupada pelos principais órgãos de mídia isso é conhecido como "embargo econômico".

Em suma, a demonstração é: registro de turismo e investimento estrangeiro em Cuba = registro de repressão do povo cubano. Cada fragmento de evidência observável prova que viajar para Cuba e fazer negócios com essa mafia stalinista enriquece e consolida estes proprietários da economia de Cuba fortemente armados e treinados pela KGB. Desta maneira, eles continuam sendo os mais empolgados guardiões do status quo do Stalinismo e Patrocínio-do-Terror de Cuba.

Esta semana eles estão todos brindando com Obama, rindo e esfregando as mãos. Então, protejam suas carteiras, amigos [7].


Referências.

[1]. Cf. [http://
www.capitolhillcubans.com/2014/06/over-830-cuban-democracy-activists-sign.html].
[2]. "Sugar-daddy", "o velho rico que sustenta a jovem namorada".
[3]. "Cash up front".
[4]. Cf. [http://www.amazon.com/Longest-Romance-Mainstream-Media-Castro/dp/1594036675/ref=sr_1_1?s=books&ie=UTF8&qid=1376276049&sr=1-1&keywords=the%20longest%20romance%20humberto%20fontova&tag=viglink20738-20].
[5]. "Cash-up-front policy".
[6]. Cf. [http://www.sunnewsnetwork.ca/video/3949008632001].
[7]. Cf. [http://www.amazon.com/Longest-Romance-Mainstream-Media-Castro/dp/1594036675/ref=sr_1_1?s=books&ie=UTF8&qid=1376276049&sr=1-1&keywords=the%20longest%20romance%20humberto%20fontova&tag=viglink20738-20].
 

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A PAPUDA VAI FICAR PEQUENA  -  21/10/2014

 

 A Papuda é a nossa esperança. Ampliem a Papuda. Está na hora de o Brasil fazer um grande mutirão para a maior reforma de todos os tempos: a da Papuda. Ou melhor, do Complexo Penitenciário da Papuda. Inaugurado no final dos anos 70 para cerca de 300 presos, foi sendo ampliado e hoje comporta 5000 em vários pavilhões. Do jeito que a coisa anda e pelo que se desenha pela frente, a Papuda já está pequena, apertada, desconfortável. Zé Dirceu, Genoíno, Delúbio Soares, João Paulo Cunha, Pedro Henry, Valdemar Costa Neto e outros tantos bandidos do Mensalão que o digam.

Os depoimentos reveladores de Paulo Roberto Costa, ex-diretor de abastecimento da Petrobras, e do doleiro Alberto Youssef são bombásticos. Primeiro, eles assinaram um acordo de delação premiada. Agora, já nas audiências, estão contando tim tim por tim tim, os detalhes do esquema criminoso que lesou a pátria e saqueou nossa maior estatal a ponto de comprometer seu futuro. Quem não pagasse propina não conseguia contratos com a Petrobras. Simples assim. Esquema de máfia.

Segundo Costa, que depôs por cerca de duas horas na semana passada, havia na estatal um propinoduto para abastecer PT, PP e PMDB. Ele revelou que 3% de todos os contratos superfaturados eram divididos entre ele e os partidos. O PT ficava com a maior fatia: 2%. “Muita gente foi beneficiada”, contou, sem citar os nomes. Quando fez a delação premiada falou de pelo menos três governadores, um ministro, seis senadores e 25 deputados federais beneficiados pelo esquema. E é aí que entra a figura do doleiro.

Alberto Youssef, que também fez delação premiada e igualmente depôs, era quem distribuía o fruto do roubo. Ele contou que o então presidente Lula cedeu às pressões e nomeou Costa para a poderosa diretoria, onde ficaria saqueando o país por oito longos anos. Chegou a citar o trancamento da pauta do Congresso como uma das ações que levaram Lula a decidir pela nomeação. Portanto, se de fato houve pressão, Lula nomeou Costa deliberadamente para fazer o que fez? Tinha noção da gravidade de colocar tal figura em um posto chave da Petrobras? Um cheiro cada vez pior infesta o ambiente.

O governo federal poderia, já nesta reta final de mandato, investir pesado na reforma e ampliação da Papuda. No horizonte se vislumbra muitos denunciados pelos procuradores. Se projetam também novas investigações e processos correlatos. Acreditem em mim. A Papuda vai ficar pequena.

Jornal METRO Porto Alegre

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OS MITOS DO COMUNISMO: PRESTES & CIA  -  //

“Sou a favor da idéia socialista. Mas uma vez disse a meu pai: ‘se isso é socialismo, eu sou contra o socialismo”(Yuri Ribeiro Prestes, historiador, filho de Luiz Carlos Prestes. Viveu na Rússia de 1970 a 1994 - jornal Folha de São Paulo de 2 de novembro de 1997)

 

A partir do momento em que, na ex-União Soviética os arquivos da 3ª Internacional foram abertos aos pesquisadores, vários mitos e lendas não mais se sustentam. Alguns livros, editados com base nesses arquivos, foram publicados, dando conta de detalhes inéditos do Movimento Comunista Internacional.

A 3ª Internacional, ou Komintern, do alemão “Komunistiche Internationale”, foi uma entidade com sede em Moscou, criada por Lenin, que funcionou de 1919 a 1943.

O Komintern era dirigido pela “Uskaia Komissia”, a “Pequena Comissão”, responsável por todas as decisões relativas aos aspectos políticos, de inteligência e de ligação do Kominern com o Partido Comunista da União Soviética.

Desde a década de 20, o Komintern financiava e controlava os partidos comunistas de todo o mundo, com verbas fornecidas pelo Estado soviético. Essa prática permaneceu inalterada por mais de 70 anos. Quando o Komintern foi desativado, em 1943, o Departamento de Relações Internacionais do PCUS assumiu suas tarefas.

Ao final do ano de 1991, após o fim da União Soviética, foram encontrados na sede do Comitê Central do partido único documentos referentes à “ajuda financeira fraternal” aos demais partidos comunistas de todo o mundo Esses documentos, como é evidente, faziam menção ao Partido Comunista Brasileiro, e comprovam que já em 1935 Luiz Carlos Prestes era um assalariado do Komintern: No período de abril a setembro de 1935, US$ 1.714,00 foi a quantia destinada a Prestes.

Assinale-se que Luiz Carlos Prestes foi admitido como membro do Komintern em 8 de junho de 1934. Antes, portanto, de sua filiação ao PCB, o que constituiu um fato inédito no comunismo internacional. Prestes só viria a ser admitido no PCB em setembro desse ano.

A alemã Olga Benário (que também utilizava os nomes de “Frida Leuschner”, “Ana Baum de Revidor”, “Olga Sinek”, “Olga Bergner Vilar” e “Zarkovich” (casada em Moscou com B. P. Nikitin, aluno da Academia Militar Frunze) que pertencia ao IV Departamento do Estado-Maior do Exército Vermelho, foi a pessoa designada para a missão de acompanhar Luiz Carlos Prestes em sua volta da União Soviética ao Brasil, em 1935.

Ao contrário do que afirma o historiador brasilianista Robert Levine, em seu livro O Regime de Vargas - 1935-1938, bem como diversas outras publicações nacionais e estrangeiras, Prestes nunca foi casado com Olga.

O clube de revolucionários profissionais a serviço do Komintern, tinha poderes praticamente ilimitados de intervenção nos diversos partidos comunistas, bem como instruções muito precisas sobre como levar adiante as planejadas ações revolucionárias.

O Partido Comunista Brasileiro jamais se libertou de sua subserviência a Moscou. O PCUS, até ser posto na ilegalidade por Boris Yeltsin, em 1991, sempre manteve sobre estreito controle a direção política do PCB, a forma como eram escolhidas suas lideranças, seus processos de formação ideológica, bem como aquilo que sempre foi o mais importante para o partido: o auxílio fraternal. Em 1990, último ano de ativo funcionamento do PCUS, essa ajuda fraternal ao Partido Comunista Brasileiro foi de US$ 400.000 conforme divulgado pelo Tribunal Constitucional Russo que, em 1992, julgou os crimes do PCUS (jornal “Konsomolskaya Pravda”, Moscou, 8 de abril de 1992).

Prestes somente em setembro de 1934 seria admitido nas fileiras do Partido Comunista Brasileiro, conforme documento do Bureau Político do PCB, datado de 4 de setembro de 1934, publicado no jornal Sentinela Vermelha, nº 1, outubro de 1934, São Paulo. Segundo esse jornal, Prestes foi admitido no partido “por proposta da IC“ e como “simples soldado da IC”. No entanto, diz o jornal, “ao mesmo tempo que o BP aceita a adesão de Prestes, chama todo o partido para intensificar o fogo contra o prestismo dentro e fora de nossas fileiras, contra essa teoria e prática de conteúdo contra-revolucionário, pequeno-burguês, que consiste na subestimação das forças do proletariado como única classe revolucionária, nas ilusões em chefetes e caudilhos pequeno-burgueses, salvadores, cavaleiros da esperança, etc (...)”.

A aceitação de Prestes como membro do PCB foi, portanto, decorrente não do reconhecimento de sua liderança ou de seus atributos de dedicação à causa comunista, mas sim uma imposição do aparato da IC, o que desfaz outro mito.

Em 10 de abril de 1935 - às vésperas da chegada clandestina de Prestes ao Brasil -, referindo-se à primeira reunião pública da Aliança Nacional Libertadora (ANL), realizada dia 30 de março desse ano, no teatro João Caetano, no Rio de Janeiro, um documento do PCB, assinado por M (“Miranda”), codinome de Antonio Maciel Bonfim, Secretário-Geral do partido, referia-se a Prestes, aclamado presidente da ANL, como “um grande lutador antiimperialista e anti-feudal”. Esse documento foi publicado no jornal A Classe Operária nº 178, de 10 de abril de 1935..

“Miranda”, na “A Classe Operária” de 23 de abril de 1935, assinala: “(...) As massas populares aclamam espontaneamente Prestes como Presidente de Honra da Aliança Nacional Libertadora (...) Essa aclamação de Prestes significa que as massas populares reconhecem nele um grande lutador contra o imperialismo (...) um lutador conseqüente de há muitos anos (...)”.

Em apenas 7 meses, portanto, Prestes passou de “caudilho pequeno-burguês” a “lutador conseqüente de há muitos anos”.

Logo depois, Fernando Lacerda, membro do Comitê Central do PCB, delegado do partido ao VII Congresso da Internacional Comunista, realizado em Moscou em julho de 1935, em seu discurso nesse evento, transcrito na revista da IC, “Correspondência Internacional” de 4 de dezembro de 1935, assinalou: “(...) Desde outubro de 1934, após a 3ª Conferência dos Partidos Comunistas dos Países da América Latina, conseguimos realizar uma reviravolta decisiva, tomando audaciosamente a iniciativa da organização de uma Aliança de Libertação Nacional (...) Entre seus organizadores e dirigentes destacava-se o nosso camarada Luiz Carlos Prestes (...) Já lançamos audaciosamente a palavra de ordem de ‘todo poder à ANL’(...)”. Observe-se que na data referida por Fernando Lacerda - outubro de 1934 - Prestes vivia, ainda, em Moscou.

Essa é outra lenda que desaba: a de que, quando criada, a ANL não tinha qualquer vinculação com o partido. Na verdade, desde o primeiro momento, foi uma organização de fachada do PCB, como centenas de outras durante toda a existência do partido.

Em 14 de julho de 1935 a Aliança Nacional Libertadora foi colocada fora da lei pelo governo e suas sedes fechadas.

O Comitê Central do PCB, reunido em fins de julho de 1935, tachou o fechamento da ANL de “arbitrário e violento” e concitou seus militantes a recrutar elementos e formar o partido no campo, “criando Ligas Camponesas” (documento apreendido em agosto de 1935 e integrante do processo nº 1, arquivado no STM).

Desfaz-se, portanto, outro mito: o de que foi Francisco Julião o inspirador e criador das “Ligas Camponesas”, nos anos 50.

Em 15 de setembro de 1935, às vésperas, portanto, da deflagração da Intentona, o “BSA-Bureau Sul-Americano” do Komintern, que funcionava em Buenos Aires, recebeu do “EKKI” a determinação de passar a dirigir as atividades do PCB conjuntamente com Luiz Carlos Prestes e “Miranda”- Antonio Maciel Bonfim, Secretário-Geral. Isso significou, na prática, que o “BSA”, organismo do Komintern para a América Latina, passou a comandar (esse é o verbo correto) as atividades do Partido Comunista Brasileiro.

Logo depois, com data de 6 de outubro de 1935, “Indio Negro” remetia a “Américo” (outro codinome de “Miranda”) uma carta com a proposta “de cooptar ‘Garoto’ para membro do Comitê Central e elegê-lo para o Birô Político do CC”. E determina: “Isso deve ser efetuado na próxima reunião do plenário do CC” (documento integrante do processo nº 1, arquivado no Superior Tribunal Militar). A pessoa referida como“Garoto” era Luiz Carlos Prestes.

Mas, quem é “Indio Negro” que dava ordens ao Secretário-Geral do Partido Comunista Brasileiro?

Eram duas pessoas, segundo os dados obtidos nos arquivos da 3ª Internacional:

“Indio”– Rodolfo José Ghioldi, que também utilizava os codinome de “Autobelli”, “Quiroga” e “Luciano Busteros” argentino membro do “Bureau Sul-Americano” agente do Komintern deslocado da Argentina para o Brasil em dezembro de 1934, juntamente com sua mulher Carmen de Alfaya.

“Negro”- Arthur Ernst Ewert, que também usava os codinomes de “Albert”, “Castro” e “Harry Berger” alemão agente do Komintern mandado para o Brasil em dezembro de 1934.

A lenda, já integrada à História, de que apenas os 9 estrangeiros presos após a Intentona integravam o aparato do Komintern no Brasil, revelou-se falsa. Os estrangeiros deslocados para o Brasil pelo Komintern, para fazer a Intentona, foram 23.. Os nomes de todos podem ser encontrados no livro “Camaradas”, do jornalista William Waak.

Desaba também outro mito: o de que a Intentona Comunista tenha sido uma ação genuinamente brasileira, imaginada e levada a cabo pelo PCB.

Não foi.

A ordem para que a insurreição fosse deflagrada partiu de Moscou, em telegrama do Secretariado Político do “EKKI”, dirigido a Ewert e a Prestes, nos seguintes termos: “A questão da ação (o levante) decidam vocês mesmos, quando acharem necessário. Assegurem apoio à ação do Exército pelo movimento operário e camponês. Tomem todas as medidas contra a prisão de Prestes. Enviamos 25.000 por telegrama. Mantenham-nos informados do rumo dos acontecimentos”.

Esse telegrama, escrito em francês, foi encontrado nos arquivos do Komintern, e na página 128 do livro “Camaradas” está publicada uma cópia xerografada do mesmo.

No período pré e pós-Intentona o partido cometeu diversos assassinatos de seus próprios correligionários, a título de “justiçamentos”, por suspeita de colaboração com o inimigo de classe.

Um deles foi o da jovem de 16 anos “Elza Fernandes” ou “Garota”, como era conhecida no partido Elvira Cupelo Colônio, amante de “Miranda”, Secretário-Geral do PCB - e que, devido a isso, conhecia todos os demais membros do Comitê Central, e outros, com atuação relevante na Intentona Comunista -, por suspeita de colaboração com a repressão. A decisão de eliminar “Garota” foi tomada por Luiz Carlos Prestes, conforme documentos que integram o processo nº 1, já referido. Nos autos desse processo está uma carta, de próprio punho de Prestes, com data de 16 de fevereiro de 1936, remetida a “Meu Caro Amigo” (não identificado), dizendo: “(...) Não podemos vacilar nessa questão (...) Tudo precisa ser preparado com o mais meticuloso cuidado, bem como estudado com atenção todo um plano de ação que nos permita dar ao adversário a culpabilidade (...) Ela já desapareceu há alguns dias e até agora não se diz nada (...)”.

Em outra carta , dirigida ao Secretariado Nacional do PCB, datada de 19 de fevereiro de 1936 (apenas três dias depois), Prestes escreveu: “(...) Fui dolorosamente surpreendido pela falta de resolução e vacilações de vocês (...) Companheiros, assim não se pode dirigir o partido do proletariado, da classe revolucionária conseqüente (...) Já em minha carta de ontem formulei minha opinião a respeito do que precisávamos fazer (...) Não é possível dirigir sem assumir responsabilidades. Por outro lado, uma direção não tem o direito de vacilar em questões que dizem respeito à defesa da própria organização (...)”.

Cópia do original da carta acima, manuscrita por Prestes, está entre as páginas 33 e 34 do livreto “Os Crimes do Partido Comunista”, de Pedro Lafayette, Editora Moderna, 1946, Rio de Janeiro. 

“Miranda”e “Elza Fernandes” haviam sido presos em 13 de janeiro de 1936. A Polícia colocou “Elza Fernandes” em liberdade, pelo fato de ser menor de idade. Logo, a direção do partido colocou-a em cárcere privado, na residência do militante conhecido como “Tampinha” (Adelino Deycola dos Santos), na rua Maria Bastos nº 41-A, em Deodoro, subúrbio do Rio, sob a guarda dos militantes “Gaguinho” (Manoel Severino Cavalcanti) e “Cabeção” (Francisco Natividade Lira).

Nessa casa, em 20 de fevereiro de 1936 - um dia após a segunda carta de Prestes -, “Elza Fernandes” foi assassinada por enforcamento, por esses elementos, e sepultada no quintal da casa. Após terem sido presos, todos confessaram o assassinato, dando-o como um justiçamento, sendo o corpo de “Elza Fernandes” exumado pela polícia em 14 de abril de 1936.

Luiz Carlos Prestes, o mandante, e Olga Benário foram presos em 5 de março de 1936. Em 17 de abril de 1945, 9 anos depois, Prestes foi anistiado e em outubro desse mesmo ano eleito Senador da República. Em maio de 1946 o partido foi tornado ilegal pela Justiça Eleitoral e passou a funcionar na clandestinidade. A partir de 1971 Prestes passou a viver em Moscou, sendo novamente anistiado em 1979 e, por força da Constituição de 1988, reincluido no Exército, promovido e reformado.

Em 16 de agosto de 2006 Luiz Carlos Prestes foi promovido ao posto de Coronel, com os proventos de General de Brigada. Veja, aí em baixo, a Portaria respectiva.

Muitos dirão, principalmente os mais jovens: Caramba, eu não sabia!

 

PORTARIA No- 7/ANISTIA,

 

DE 16 DE AGOSTO DE 2006

 

O .................................................................................................,

 

no uso da competência que lhe foi delegada pela Portaria no- 479, de 11 de agosto de 2004, do Comandante do Exército, em cumprimento à Portaria Normativa no- 657/MD, de 25 de junho de 2004, do Ministro de Estado da Defesa, e nas condições impostas pela Portaria no- 1339, de 1o- de julho de 2005, do Ministro de Estado da Justiça, que decidiu: declarar LUIZ CARLOS PRESTES anistiado político "post mortem", reconhecendo o direito às promoções ao posto de Coronel com os proventos do posto de General-de-Brigada e as respectivas vantagens, e conceder em favor das requerentes MARIA DO CARMO RIBEIRO, ERMELINDA RIBEIRO PRESTES, MARIANA RIBEIRO PRESTES, ROSA RIBEIRO PRESTES, ZOIA RIBEIRO PRESTES, e demais dependentes econômicos, se houver, a reparação econômica em prestação mensal, permanente e continuada no valor de R$ 9.204,48 (nove mil, duzentos e quatro reais e quarenta e oito centavos), cabendo a cada uma das requerentes, respectivamente, os percentuais equivalentes a 50%, 12,5%, 12,5%, 12,5%, 12,5%, de cada prestação acima concedida, nos termos do artigo 1o- , incisos I e II da Lei no- 10.559, de 14 de novembro de 2002", resolve: CONSIDERAR, transferido para o Regime do Anistiado Político de que trata a Lei no- 10.559, de 13 de novembro de 2002, o anistiado político "post mortem" LUIZ CARLOS PRESTES, por imposição do disposto na Portaria no- 1339, de 1o- de julho de 2005, do Ministro de Estado da Justiça.


Carlos I. S. Azambuja é historiador

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