Quando assisti pela primeira vez o vídeo mostrando crianças de uma escola de primeiro grau, no Japão,executando os trabalhos de limpeza do estabelecimento, entendi o motivo pelo qual os japoneses fizeram o mesmo nos setores dos estádios que ocuparam durante a Copa. Depois, ao postar o vídeo e receber sobre ele manifestações de leitores no Extremo Oriente, soube que esse procedimento é normal por lá e se estende a praticamente todas as atividades. As pessoas são ensinadas a limpar e a manter limpo os locais que ocupam. Lembrei-me também de Bill Gates aos jovens: "Queres mudar o mundo? Começa arrumando teu quarto".

 Entendi, também, que não se pode esperar bons hábitos de uma sociedade que não foi educada para tê-los. E que tudo fica muito mais difícil quando somos minuciosamente deseducados aos bons modos. Imagine, leitor o que aconteceria no Brasil se alguma escola introduzisse tais práticas em suas pedagogia. No dia seguinte, a diretora estaria na capa dos jornais, denunciada pelo Ministério Público e, muito provavelmente candidata a linchamento pelos pais da comunidade. Seria acusada de abusadora e de exploradora do trabalho infantil. Conformemo-nos, então. Jamais seremos como os japoneses. Deixemos que nossos governantes desgovernem o país e deem conselhos ao mundo. Eles sabem.

Eles sabem o que fazem. Foi por saberem o que fazem que nossos conselheiros do Conselho Estadual de Educação quiseram proibir as escolas de expulsar alunos nos quais se esgotaram as possibilidades de obter conduta compatível com a vida civilizada e com o ambiente escolar. A quem serve ampliar ao infinito a impunidade da indisciplina nas escolas? Só pode servir a quem se beneficia da desordem. Só serve a quem precisa da desordem para seu projeto de desestabilização da ordem. Simples como isso. E como bem se vê em toda parte.
 

Leia mais

 

 No dia 29 de julho, após muitas horas de discussão ao longo da qual esgotaram-se os argumentos, o Congresso aprovou regime de urgência para o projeto de decreto legislativo que tornava sem efeito o Decreto Nº 8.243/14, o decreto dos sovietes. É uma das raras prerrogativas que nosso modelo institucional concede ao parlamento, essa de obstar decretos presidenciais que contrariem a vontade majoritária do legislativo.

 Por margem larguíssima - quase 300 votos a favor contra cinquenta e poucos votos contra - o plenário aprovou o regime de urgência que permitiria a imediata votação da matéria pelo plenário sem necessidade de cumprir o trâmite pelas comissões técnicas. Cumprida essa etapa, quando todos imaginávamos que fosse ser votada a proposição que motivara aquela longa sessão de discussões, conhecida a opinião amplamente majoritária, o plenário esvaziou-se, acabou o quorum e os senhores parlamentares correram para o aeroporto de Brasília, retornando às suas bases.

Tamanha sofreguidão em voltar se explica pelo período eleitoral. Por outro lado, os deputados têm direito, neste período do ano, a um recesso parlamentar que não poderiam usufruir antes de votarem, por imposição legal, a Lei de Diretrizes Orçamentárias. Como não a haviam votado, nem a iriam votar naquela tarde/noite de julho, suspenderam o recesso oficial e entraram num recesso branco. Entendeu? De direito, tudo ficaria funcionando, só que não funcionaria na prática.

Pois bem. Hoje, dia 6, haveria um esforço concentrado, no qual seria retomada a pauta de votação. E o projeto que tornava sem efeito o famigerado decreto dos sovietes? Foi enviado para uma audiência pública pilotada por entidades afinadas ideologicamente com os sovietes do governo. E tão cedo não se fala mais nisso.
 

Leia mais

 

 Partidos nanicos, gigantescas pretensões. Parece que quanto menor o partido, mais ruidosas são suas tentativas de assumir a representação "dos interesses do povo". Copiam o discurso de seus ancestrais na União Soviética, no Leste Europeu, na China, no Camboja e adjacências (todos com partidos únicos e gigantescos) e dizem conhecer perfeitamente o que o povo quer.

 Agora, alguns desses partidos encontram-se em campanha eleitoral. Querem a presidência da República. Dizem que vão governar para a maioria, embora estejam muito aquém de uma posição que se possa designar como minoritária. Em palavras mais cruas, não têm voto. Aprenderam a lição segundo a qual quem não vai vencer o pleito pode prometer qualquer coisa sem receio de ser cobrado mais tarde. Assim, em tudo e por tudo fazem lembrar o PT do século passado.

 Qual o problema, então? O problema está nas prerrogativas que nosso modelo institucional concede a essas correntes políticas ao favorecer sobremaneira a demagogia. O PT cresceu assim. Ao chegar no poder, abriu-se uma fresta à sua esquerda e é nessa fresta que vêm operando esses partidos nanicos que pretendem crescer usando as mesmas artes e manhas. Isso nos faz pensar nos próximos vinte anos. Teremos realizado a proeza? A roda da história terá andado para trás? Teremos um encontro marcado com o passado?
 

Leia mais

 

 Fez-me muito mal ler, hoje, a notícia de que o Conselho Estadual de Educação está elaborando "uma norma que pretende negar às escolas, sejam elas públicas ou privadas, a prerrogativa de suspender ou transferir alunos que transgridam normas disciplinares". O tema suscitou uma nota oficial do Sindicato do Ensino Privado (SINEPE/RS), publicada em Zero Hora desta segunda-feira. Na nota, o SINEPE informa que o fundamento jurídico da medida seria o direito de acesso e permanência na escola.

 É nisso que dá confiar poder político e, sobretudo, poder sobre o sistema educacional, ao Partido dos Trabalhadores. Na oposição, esse partido não deixa governar. No governo, faz esse tipo de coisa. Aplica, em tudo, a ideologia da destruição, que também poderia ser definida como manifestação de ego patológico, impulsionando para rupturas dos padrões culturais da sociedade em que tais indivíduos vivem.

 Tal ideologia não busca corrigir o que esteja mal ou de melhorar o que possa ser melhorado, mas de destruir tudo que sustenta a ordem social em que vivemos. A disciplina, certamente, é um desses sustentáculos. O leitor destas linhas provavelmente já leu autores que se aventuram à defesa das "suadáveis transgressões" praticadas por adolescentes. De repente, o que faz mal é bom e o que faz bem é mau. Disciplina faz bem, portanto, é coisa má e deve ser abolida.

Não estou extrapolando, nem "transgredindo" os limites da razoabilidade. Estou apontando a própria gênese dos movimentos sociais criados pelo petismo, das afeições manifestadas pela política externa petista, dos conceitos petistas sobre Segurança Pública, atividade policial, legislação penal, ocorrência de tumultos, e sobre o modo de tratar um aluno que desfere pontapés na diretora da escola. Nesse caso, trata-se de uma educação para o petismo.
 

Leia mais

 

 Nas salas de aula pelas quais passamos em nossa vida escolar, todos tivemos ocasião de conviver com colegas que não estudavam. Suas atitudes eram típicas desde o início do ano letivo. Disputavam entre si as últimas cadeiras, tão distantes quanto possível dos olhos dos professores. Não eram assíduos e viviam contabilizando as faltas para não excederem o máximo permitido. Não traziam o material necessário. Não se preparavam para as provas e, invariavelmente, colavam.

É claro que, salvas escassas exceções, esse procedimento não dá certo. Ou não dá certo porque o malandro é flagrado por algum professor mais esperto, ou não dá certo porque a ignorância cultivada ao longo dos anos um dia cobrará seu preço. Costuma ser muito elevado o preço da ignorância. É disso que trato aqui.

Ontem ficamos sabendo de algo assim nos altos escalões da República. A revista Veja desta semana circula com a notícia de que assessores do Palácio do Planalto, das lideranças do governo e do PT no Senado teriam "antecipado o gabarito da prova" ao ex-presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, quando este depôs na CPI. A reunião preparatória da farsa, com perguntas e respostas combinadas, foi filmada por microcâmera acoplada à caneta de um dos participantes. Um sucesso a gestão petista da Petrobras. Gente da melhor qualidade.
 

Leia mais

 

 O STF tem cumprido, ao longo dos anos, uma função de última instância dentro da pirâmide do poder político. Num modelo institucional bem concebido, essa posição seria ocupada pelo chefe de Estado, ficando o STF no topo das instituições jurídicas. No entanto, dado que no Brasil, desafortunadamente, o chefe de Estado é, também, chefe de governo, as questões políticas acabam sendo judicializadas. E quase tudo desemboca no Supremo.

 Por isso, a partidarização da corte, que resulta impossível não perceber, corresponde a mais um avanço no sentido da centralização do poder e da construção da hegemonia petista. Com maioria governista, o Supremo deixa escapar de si a função de última instância, retornando-a ao governo e - o que é bem pior - ao partido do governo.

 O Poder Judiciário é um poder político, como todos os demais poderes de Estado. Mas não é um poder político à semelhança dos demais. Seus membros não alcançam sua legitimidade através de uma eleição que periodicamente renova ou encerra os mandatos, como nos governos e nos legislativos. A legitimidade no Poder Judiciário vem do sucesso em disputados concursos públicos ou da aprovação pelo Senado Federal, no caso dos tribunais superiores. Portanto, o STF passa a abusar de seu poder quando adota posições políticas, nitidamente ideológicas ou partidárias. Tais condutas não são legítimas porque não submetidas ao periódico referendo popular como acontece nos demais poderes políticos. Estes, repito, por serem político-partidários e ideológicos, se legitimam através de eleições.

 A depender do imponderável senso de responsabilidade da presidente Dilma, o preenchimento da vaga que se abre com a aposentadoria do ministro Joaquim Barbosa pode representar um momento de grave ruptura da ordem política no Brasil.
 

Leia mais