Percival Puggina

 

            Em certas circunstâncias, o desencarceramento de presos políticos visa a difundir uma falsa política de tolerância. Cuba fornece periódicos exemplos. Sempre que um Papa visita a Ilha, a ditadura comunista liberta um lote de presos (lembre-se de que lá as penas mais comuns por atos contra o regime oscilam entre 20 e 30 anos).

Foi assim em 1998. Antes de João Paulo II chegar, Fidel libertou 300 detidos, dentre os quais 101 eram presos políticos. Foi assim em 2012. Na visita de Bento XVI, cerca de três mil pessoas receberam indulto. Foi assim em 2015. Quando Francisco andou por lá, Raúl Castro indultou 3,5 mil, mas anunciou que nenhum condenado por “crimes contra a segurança do Estado” seria posto em liberdade. Durante o governo Obama, no contexto das negociações para restabelecer relações diplomáticas, o regime soltou mais um lote de 53 presos políticos.

Acompanhando como faço habitualmente as ocorrências naquele país, que vejo como uma sala de aula para o Brasil, sempre me perguntei: “Se podiam soltar aquelas pessoas, por que as mantinham presas?”. A pergunta é racional e a única resposta possível fere toda consciência bem formada: prenderam-nas porque as podiam prender; soltaram-nas porque as podiam soltar. E a injustiça, posta em tal relevo, fere a humanidade.

Entendi a soltura do deputado federal Daniel Silveira na perspectiva do mesmo voluntarismo. Porém, nas circunstâncias descritas, é preferível ao preso político ser objeto da generosidade do Estado em Cuba do que no Brasil. O parlamentar brasileiro foi para casa como uma não pessoa, um não cidadão, um não deputado com mandato, mas quem se importa? Aplicaram-lhe uma focinheira. Nem mesmo sinais ele pode fazer.  

Seus pares que homologaram sua prisão, o Procurador Geral da República, os ministros do STF que fizeram a mesma coisa, talvez não percebam, mas transformaram um deputado de apenas 32 mil votos numa liderança de porte nacional. Todo excesso é uma forma de overdose e faz mal.

  • 10 Novembro 2021

 

Percival Puggina

           

Entre os dias 13 e 15 deste mês estarei em Florianópolis, participando do 2º Congresso Conservador, promovido pelo Vem Pra Direita Floripa, com o tema Liberdade e Democracia.

É um dado da realidade: se queremos que o conservadorismo seja uma força que reoriente a política e o Estado brasileiro segundo Verdades que libertem, Princípios que, de fato, não nos envergonhem e Valores que efetivamente valham, então precisamos nos encontrar.

Congressos de conservadores cumprem esse papel. Eles promovem o conhecimento e o reconhecimento, formam consensos, criam unidade, geram o dinamismo necessário ao movimento. E o movimento é essencial à política em qualquer de suas múltiplas dimensões.

Às 16 horas do dia 14 participarei do painel Nova Ordem Mundial e Guerra Cultural, na companhia de Ernesto Araújo e Alessandro Loiola.

Colha informações, aqui: https://www.even3.com.br/2congressoconservador/ .

Eventos como este são ainda mais importantes quando em nosso país as instituições falam muito em democracia, sem corrigir os terríveis defeitos da nossa, e muito pouco em liberdade, aliás, agem intensamente contra ela.

  • 09 Novembro 2021

 

Carta de um amigo cubano

 

Nota do Editor: Esta carta já reflete o mal do totalitarismo comunista em Cuba pelo simples fato de eu não poder, aqui no Brasil, registrar o nome do autor porque, se o fizer, ele arcará com as consequências.

Amigos, faltam apenas 10 dias para a Marcha Cívica pela Mudança que será realizada em diferentes cidades de Cuba na segunda-feira, 15 de novembro de 2021. A manifestação contará com grande apoio internacional, incluindo a celebração da Marcha em diferentes cidades ao redor do mundo, onde os cubanos caminharão em apoio ao povo da ilha.

Há muitos dias, a ditadura está fazendo o possível para evitar a Marcha Cívica, pois, como sabemos, teme participação muito maior do que a do 11J (11 de julho).

Estão assustados, e muito.  A exemplo do que fizeram antes, negaram-se a autorizar a Marcha conforme solicitado pelos organizadores, apesar de esse tipo de expressão pacífica estar incluído na nova Constituição.

Em 11J, as violações dos direitos humanos elevaram o número de políticos presos. No presente momento, são 683 sofrendo maus tratos nas prisões, incluindo tortura de homens, mulheres e até mesmo menores. O Estado ameaça os organizadores de prisão e deportações, e de apelar, mais uma vez, à violência face os manifestantes reativando os paramilitares Grupos de Resposta Rápida nos centros de trabalho, nos centros de estudantes e nos CDRs (Comitês de Defesa da Revolução).

Coincidindo com a data, e cobrindo todo o período de 15 a 21 de novembro, lançaram grandes celebrações festivas, desportivas e culturais aproveitando a celebração dos 502 anos da cidade de Havana, bem como estenderam para toda a semana, o Dia da Defesa... Se necessário o Estado tem outras opções para intervir mediante infiltrados dentro da marcha, por meio da polícia, dos militares e até mesmo de tropas de choque para agressão agressão direta contra o povo.

O governo de Cuba deve lembrar que sua alardeada propaganda de que “representa o povo cubano” se enfraqueceu. O ocorrido no dia 11J provocou rejeição de muitos governos do mundo, principalmente da América, da Europa e de importantes Organizações Internacionais de Direitos Humanos. Todos estão observando atentamente o que acontecerá em 15 de novembro em Cuba.

Apesar da repressão, a Marcha Cívica será um sucesso. O povo cubano cansou de enfrentar tanta repressão, miséria e fome. Está está sem democracia há 63 anos!

Passo a passo, alcançaremos a democracia em Cuba.

Cuba Sí, Dictadura NO

Pátria y Vida

La patria pertenece a todos los cubanos

 

* Tradução do editor

 

  • 07 Novembro 2021

CubaNet

 

HAVANA, Cuba.- O regime cubano respondeu à notificação apresentada pelo grupo do Arquipélago sobre a “Marcha Cívica pela Mudança”, inicialmente marcada para 20 de novembro e depois antecipada em cinco dias após o repentino anúncio oficial de que naquela data seria celebrado em Dia da Defesa Nacional. Essa data costuma trazer consigo um desfile militar que,neste ano, tendo em conta o clima político e social, não será nada simbólico. Será uma demonstração de hostilidade para com o povo cubano.

Como esperado, a marcha foi declarada ilegal porque supostamente visa a subverter a ordem estabelecida e envolve elementos que buscam derrubar o governo. A proibição está baseada no artigo 4º da Carta Magna aprovada em 2019, que estabelece a irrevogabilidade do socialismo como sistema político. Foi uma questão de tempo até que essa armadilha se abrisse sob os pés da sociedade civil, pois nessas consultas populares, quando se debateu o anteprojeto da nova Constituição, poucos perceberam que o referido artigo subordinava o resto do documento e, portanto, o destino da nação, a monstruosidade que durante seis décadas demonstrou, com provas cada vez mais avassaladoras, a sua ineficácia.

O perigo passou nas cartas impressas aos olhos dos cubanos que preferiram discutir o direito dos homossexuais ao casamento, as modificações nas normas de imigração, a precariedade das pensões e da proteção dos animais; questões de inegável interesse social, cuja posterior abordagem jurídica deixou pouca ou nenhuma satisfação entre os cidadãos, precisamente porque é impossível encontrar uma solução para os problemas dentro da mesma matriz política que os gerou.

O artigo 4º é um entrave aos direitos civis, que estende a todas as camadas da vida da ilha aquela máxima exclusiva que Fidel Castro lançou contra os intelectuais em 1961. Nada pode ir contra a revolução, que só existe para intimidar as pessoas. Nem a cultura, nem o setor privado, nem a produção agrícola, nem a ciência, nem as artes podem se desenvolver fora das diretrizes estabelecidas pelo único partido que cultivou metodicamente a hipocrisia, a mediocridade e o terror.

Comento

Estas poucas linhas de um editorial mais extenso que merece ser lido aqui, exibem o torniquete imposto por esse solitário preceito de uma Constituição em que tudo mais é feito para iludir e prorrogar indefinidamente a opressão sobre as liberdades sem as quais nenhum país consegue promover desenvolvimento econômico e social. A ilusão dos direitos, antes negados e agora concedidos, serviu para o marketing da nova constituição, mas não esconde a repressão, a prisão de dissidentes, a inexistência de oposição formal, legalmente reconhecida. Não oculta a tirania, enfim. 

Quem for socialista, conteste que, aqui, também temos miséria. Sim, é verdade. Também aqui graças a uma constituição socializante, estatista, onerosa. Também aqui é o Estado pela a apropriação que promove da renda nacional, o principal concentrador e gastador, consigo mesmo, dos recursos produzidos pela nação.

  • 15 Outubro 2021

 

Percival Puggina

Leio no Congresso em Foco

A CPI da Covid vai encaminhar ao Tribunal Penal Internacional (TPI), em Haia, na Holanda, cópia do seu relatório final, denunciando o presidente Jair Bolsonaro por crime contra a humanidade. A decisão foi acertada entre o relator, Renan Calheiros (MDB-AL), e o grupo majoritário da comissão, o chamado G7. A denúncia se sustentará em dois pontos: a crise com o desabastecimento de oxigênio em Manaus e a falta de políticas de proteção para os povos indígenas durante a pandemia.

Comento

Radicalização política, de uns tempos para cá, passou a ser rótulo aplicado a quem olha para o passado, olha para o presente e olha para o futuro e não põe dúvida no fato de que a volta da esquerda significa o retorno ao “Tudo pelo poder e, no poder, tudo”.

No entanto, radicalismo aos limites da exaustão alheia, é atributo da esquerda que hegemonizou o Brasil até 2018. Lula admitiu isso literalmente em 2014, falando a  Dilma: “Eles não sabem do que seremos capazes de fazer”. Lembram? Muitos sabiam; agora, a maioria sabe.

A direita, no Brasil, nunca foi ativa. Sempre foi responsiva. Suas dificuldades políticas e a hegemonia esquerdista foram construídas graças a isso. Ainda hoje, mesmo com a vitória eleitoral de 2018, tal conduta persiste. A direita só responde ao radicalismo da esquerda nas redes sociais e com povo na rua em civilizadas manifestações.

Para a esquerda, tudo vale se for para “colar uma etiqueta” em alguém ou consolidar uma de suas “narrativas”. Até levar o circo para Haia.

Os postes estão com incontinência urinária.

  • 12 Outubro 2021

 

Lorena (Duquesa Bessières D´Ístria),

08/10/2021 - 17:58 hs

Em uma tacada, a plataforma desrespeitou a memória histórica de todo o Ocidente.

Não é novidade que a Wikipedia tem milhares de erros graves nas páginas sobre temas monárquicos. Aparentemente, existe uma técnica por trás da edição tortuosa: os verbetes começam com informações verdadeiras, mas ligeiramente incompletas. Depois seguem com uma narrativa de fatos reais, mesclados com mentiras. Finalizam com a descendência errada ou incompleta, ou com a expressão “sem descendência”, mesmo que os membros da família estejam pelo mundo, vivos e fortes.

Curiosamente, esses erros nunca beneficiam a personagem descrita. Ao contrário: se for militar, aparecerá com menos condecorações, ou com patentes menores. Se for um monarca, será sempre uma figura controvertida e cheia manias. Os príncipes, por sua vez, são todos descritos como guerreiros atabalhoados, seres de pouca estratégia ou artistas que tem a cabeça no mundo da Lua. Quanto mais ao ocidente, maior a ênfase em sua crueldade e sanguinolência. Os nobres que viraram santos, nesse contexto, são retratados como isolados e sem qualquer relevância. Quase ia esquecendo: também tem a boataria sobre casos extraconjugais, muitos dos quais nunca existiram.

Evidentemente, a militância monarquista – VOLUNTARIAMENTE – não deixa por menos: existem pessoas capazes virar a madrugada corrigindo os textos, mesmo que no dia seguinte esteja tudo errado outra vez.

Nessa esgrima textual, diante do crescimento do movimento monarquista, impulsionado pela mentirosa novela sobre os tempos das Fake News (ops, do Imperador!), parece que a enciclopédia ultrademocrática resolveu puxar o tapete: começou o processo de exclusão de TODOS os verbetes sobre membros da Família Imperial Brasileira do período republicano, a partir dos filhos da Princesa Isabel, sob a justificativa fajuta de que são personagens “desimportantes”, sem “notoriedade ou merecimento”.

Na pratica, essa exclusão atinge várias casas reais, visto que muitos príncipes brasileiros tiveram casamentos dinásticos. Em uma tacada, a plataforma desrespeitou a memória histórica de todo o Ocidente.

O alerta partiu do monarquista Rodrigo Brasileiro e rapidamente se espalhou em todas as redes. O inesperado aconteceu: o movimento monarquista brasileiro, que estava com ao menos seis divisões internas, se uniu repentinamente.

As postagens sobre o assunto citavam hashtags de todas as regiões do país, conclamando defensores de todos os ramos da Família Imperial, historiadores, comunicadores, gente de todo o espectro político, todas as religiões, origens étnicas e profissões. Acredito que uma semana será o tempo suficiente para reunir militantes dos outros países atingidos.

Talvez essa fosse a fagulha que faltava, para fortalecer as redes internacionais monárquicas, muito bem estruturadas em Círculos, Ordens e Casas. A Monarquia une. No dia em que o Brasil acordar para esse fato, veremos novamente o Pavilhão Imperial nos mares do Sul.

*    Publicado originalmente no Portal tribuna Diária   https://www.tribunadiaria.com.br/ler-coluna/1158/wikipedia-apaga-paginas-sobre-a-familia-imperial-do-brasil.html

  • 10 Outubro 2021