Rodrigo Mezzomo

 

Nota: Transcrevo a respeito de matéria publicada pelo site Cinepop (*), com o título acima, o excelente comentário de Rodrigo Mezzomo em sua página no Facebook.

Acredito que o objetivo de uma medida como essa seja a destruição de um ícone da masculinidade e elegância, de modo a deixar as novas gerações sem referências do que é ser homem.

James Bond bebia bastante e sempre dizia: "batido, não mexido", uma das mais icônicas frases ditas pelo agente secreto britânico em suas aventuras, pois era assim que o espião preferia que seu Dry Martini fosse preparado.

Mas são as famosas bond-girls, as maravilhosas namoradas do agente especial, que trouxeram aos filmes de 007 o ar de sofisticação, beleza e sensualidade, que são a sua marca registrada.

Entre tiros, lutas, explosões, carros fantásticos, smokings impecáveis, aviões, iates, helicópteros, muitas armas, lençóis de seda, castelos e cenários de sonho em todo o planeta, a série lançou ao mundo as belas atrizes Ursula Andress, Grace Jones, Honor Blackman, Jill St. John, Jane Seymour, Barbara Bach, Lois Chiles, Carole Bouquet, Rosamund Pike, Eva Green, Kim Basinger, dentre outras.

Agora, talvez, chamem Pablo Vittar para ser a Bond-girls. Só um palpite.

*https://cinepop.com.br/produtora-de-007-apoia-versao-nao-binaria-de-james-bond-324666/

  • 15 Dezembro 2021

Sai o Machado de Xangô e entra a integração.

Leio no site da Fundação

Na segunda-feira, 13 de dezembro de 2021, a Fundação Cultural Palmares apresenta aos cidadãos Brasileiros o novo logotipo e logomarca da instituição, trazendo em sua criação a transformação, a modernidade e a nacionalidade em seus traços.

Foi a partir desses três conceitos-pilares que o novo logotipo nasceu, sobretudo por seu significado de abrangência, concatenando anseios e preservação de valores culturais. O antigo logotipo era retratado pelo Machado de Xangô. Hoje, finalmente, a Palmares tem um símbolo que representa a todos os brasileiros.

Segundo o Diretor do Departamento de Fomento e Promoção da Cultura Afro-Brasileira (DEP), Marcos Petrucielli, faltava incluir no novo logotipo da Palmares as cores que representam o povo como todo, sem distinção de classe, credo ou cor.

“Para representar a Palmares, nada melhor que o verde e amarelo que estampam nossa bandeira. Foi com esse pensamento, uma inspiração determinante na busca pela harmonia entre o preto, o branco, o miscigenado, que criamos nosso novo logo e, portanto, nossa identidade visual. Uma identidade que traduz o multicolorido de nosso povo, condensada e sintetizada às cores do nosso país, cuja população tem orgulho de sua nacionalidade. Orgulho de ser brasileiro!”, disse Petrucelli.

A função do logotipo e logomarca é identificar, ou seja, criar a identidade de uma empresa, um produto, um serviço ou uma instituição, de forma única e exclusiva.

“É objetivo a ser alcançado — portanto, tarefa árdua — que ele deva traduzir a personalidade da marca e a essência de uma missão, que no caso da Fundação Cultural Palmares, se dá no âmbito institucional”, completou Petrucelli, idealizador do logotipo.

(...) Em sequência, o texto fornece informações sobre procedimentos formais da escolha.

Comento

Se dividir a população brasileira pela cor da pele já é, por si só, um absurdo, esse absurdo adquire proporções gigantescas quando se sabe que menos da metade (42,9%) da população brasileira se declarou branca no PNAD 2019 e que, no mesmo levantamento, 56,2% se disse  parda e preta (46,8% e 9,4%).

Segundo o censo de 2010, as religiões de origem africana, para as quais o antigo símbolo da Fundação Palmares – o Machado de Xangô – faz sentido, são praticadas por apenas 0,3% da população brasileira. Tratava-se, como se vê, de mais uma supervalorização da minoria em detrimento da imensa maioria e em desfavor da desejada integração, conceito que marca o novo visual da Fundação.  

Construir a dignidade das extensas parcelas desprotegidas da sociedade brasileira é unânime pauta nacional. Portanto, a politização, a ideologização, a partidarização, a radicalização e a deliberada construção de antagonismos se contrapõem a esse grande objetivo comum.  

  • 14 Dezembro 2021

 

Percival Puggina

 

Leio no excelente Diário do Poder

Manobra do PT e “puxadinhos” provocou retirada de pauta da votação da proposta de emenda constitucional que restabelece a prisão após condenação em 2ª instância. Há políticos, grande parte petista, que morrem de medo dessa regra como o diabo da cruz. A votação da proposta, na comissão especial da Câmara, foi retirada de pauta três vezes, só esta semana. A voz de comando é de Lula, de acordo com um senador do campo de esquerda. Lula não quer ouvir falar nisso.

Comento

Ao ler isso, hoje de manhã, corri para assistir às duas horas do vídeo que registra a referida sessão da comissão especial. Ela aconteceu ontem (8/12). Há dois anos vem discutindo um texto que viabilize o envio ao plenário a PEC 199. Após sucessivos  clamores populares, entre os quais incluo vários incisivos artigos meus, e sob silêncio generalizado dos grandes grupos de comunicação, rompidos com a cidadania brasileira, finalmente reuniu-se a Comissão Especial para sua deliberação final. Final? Não.

De um dia para outro, na véspera da reunião, 17 dos 34 integrantes da comissão, favoráveis à sua aprovação, foram substituídos por deputados com orientação de seus líderes para votar contra. Manobra vergonhosa!

Na reunião, repetiu-se a manobra que derrubou a possibilidade de a eleição do ano que vem realizar-se em urnas com impressoras. A mesma manobra, aliás, que anteriormente derrubara a CPI do BNDES. Algumas coisas ficaram evidentes:

- o relatório ia ser aprovado;

- razões jurídicas invocadas pelo PT para derrotá-lo não têm fundamento quando se sabe que seu conceito foi formulado pelo extraordinário ex-ministro do STF Cesar Peluzzo;

- agiu bem o relator ao retirar seu relatório para evitar a derrota e retomar as negociações;

- apenas líderes do PT, PDT e Progressistas falaram, deslavadamente, em apoio às substituições e contra a aprovação do relatório;

- os demais partidos que fizeram substituições esconderam-se na sessão;a sociedade, mais uma vez foi derrotada por um parlamento cuja maioria não cansa de demonstrar que trabalha a seu favor e contra a sociedade.

A PEC 199 é o passo mais importante para combater a criminalidade, em todo o espectro de sua incidência sobre a sociedade. Quanto maior e mais iminente a perspectiva da prisão, maior o risco do crime e maior o receio de cometê-lo.

Infelizmente, a despudorada defesa do interesse próprio e a corrupção persistem como inimigos políticos da sociedade brasileira, nisto que, eufemisticamente, alguns chamam de democracia e de estado democrático de direito.

Espero que p que reste de bom jornalismo no Brasil divulgue amplamente a lista dos deputados substituídos e dos substitutos.

 

  • 09 Dezembro 2021

 

Time Staff e comentários meus

Revista Time teve que admitir:

O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, venceu a pesquisa de leitores da Personalidade do Ano de 2021 da TIME. O polêmico líder, que se candidatará à reeleição em 2022, está enfrentando uma desaprovação crescente sobre o modo como lida com a economia e enfrentou críticas generalizadas de políticos, tribunais e especialistas em saúde pública por minimizar a gravidade da COVID-19 e exibir ceticismo em relação à vacina.

Dos mais de 9 milhões de votos lançados pelos leitores para quem eles pensam ser a pessoa ou grupo que teve a maior influência no ano - para melhor ou pior - Bolsonaro recebeu 24% dos votos.

Na sequência, a matéria da Time lista acusações da oposição brasileira contra o escolhido de seus leitores e anuncia, com amargor, que

o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump - que incitou os motins do Capitólio em 6 de janeiro e está pensando em outra candidatura à presidência em 2024 - ficou em segundo lugar na pesquisa dos leitores, com 9% dos votos.

Os profissionais de saúde da linha de frente que trabalharam incansavelmente para salvar vidas em meio à pandemia de COVID-19 em curso ficaram em terceiro lugar, com 6,3% dos votos.

Em quarto lugar ficou o advogado e ativista anticorrupção russo Alexei Navalny, que depois de se recuperar de um envenenamento quase fatal, voltou à Rússia em janeiro. As autoridades russas o prenderam ao desembarcar e ele continua preso. Navalny recebeu 6% dos votos dos leitores.

Finalmente, os cientistas que ajudaram a desenvolver as vacinas COVID-19 que salvam vidas ficaram em quinto lugar, com 5,3% dos votos.”

No dia 13 deste mês a revista anunciará a escolha de seus editores. Desta, por óbvio, não constará o presidente brasileiro.

Comento

A notícia, publicada hoje, 7 de dezembro pela revista, não incluía sequer uma foto do presidente brasileiro.

Posso estar enganado, mas fico com a impressão de que, a contragosto da revista – com conhecida inclinação pelo cada vez mais esquerdista Democratic Party – seus leitores mostram uma percepção da importância que passam a atribuir a quem defende o que os norte-americanos chamam traditional values (valores tradicionais) e a necessidade de sustar os efeitos de sua decadência no país. Ela está em claro confronto com os valores que orientaram a criação dos Estados Unidos no ato de Declaração de Independência.

  • 07 Dezembro 2021

Editorial MSIa

 

       Em sua recente visita à Colômbia, o secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, anunciou que seu país está preparando um acordo regional para a proteção da Amazônia. O objetivo do plano é a formação de uma "nova parceria regional focada especificamente em lidar com o desmatamento impulsionado por commodities", fornecendo "informações" a empresas, para que possam reduzir a dependência do desmatamento, segundo informou a Folha de S. Paulo (21/10/2021).

A iniciativa deverá, também, incluir apoio financeiro para ajudar na manutenção de terras indígenas e na subsistência de pequenos agricultores.

O plano está em sintonia com o projeto da Lei Florestal 2021 (Forest Act 2021), que está em discussão no Congresso estadunidense, com o objetivo oficial de reduzir os índices de desmatamento no mundo, visando ao impedimento de importações de commodities de países com elevados índices de desmatamento e sem comprovação de que os produtos não estejam ligados ao desmatamento ilegal. Na lista, estão borracha, cacau, madeira, carne bovina, soja e óleo de palma. Como alvos primários, admitidos por um dos proponentes do projeto de lei, o deputado democrata Earl Blumenauer, o Brasil e a Indonésia, países detentores de vastas extensões de florestas tropicais.

"Temos alguns desafios reais para lidar com o Brasil... Chegará um momento em que haverá um novo governo no Brasil. Mas, enquanto isso, não podemos ignorar, pois eles estão removendo vastas áreas da Bacia Amazônica", disse o parlamentar (Sputnik Brasil, 11/10/2021).

Seu colega do Senado, o também democrata Brian Schatz, coautor do projeto de lei, reforça: "O desmatamento continua a acelerar... É hora de usar o poder econômico e político dos Estados Unidos."

Qualquer pessoa que tenha acompanhado a atuação dos EUA, por intermédio de órgãos governamentais como a USAID (Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional) e outros, em iniciativas do gênero na região, sabe que por trás delas está uma agenda nem muito disfarçada, que combina a intenção de manter toda a Amazônia como uma vasta área intocada vedada ao desenvolvimento, como uma "reserva" de recursos naturais para um futuro indefinido, com o protecionismo aos produtores estadunidenses. Recorde-se, por exemplo, da Iniciativa para Conservação da Bacia Amazônica (ABCI, na sigla em inglês), para a criação de uma rede de organizações ambientalistas e indigenistas e populações "tradicionais" dos países amazônicos, para atuar como uma força de "vigilantes" contra atividades econômicas julgadas prejudiciais à floresta – oportunamente neutralizada em 2007, pela recusa do governo brasileiro em aderir a ela, após um artigo do presidente do conselho editorial deste Alerta, Lorenzo Carrasco.

O economista Marcos Fava Neto, professor da Universidade de São Paulo (USP) e da Fundação Getúlio Vargas (FGV) em Ribeirão Preto, afirma que "por trás de parcela importante disso tem viés protecionista". Ele observa que grande parte do crescimento da pecuária ocorre fora da Amazônia e que a área utilizada pelo setor tem diminuído nos últimos anos: "Se olharmos os últimos 30 anos a pecuária liberou 30 milhões de hectares para agricultura de grãos. A pecuária está cada vez mais eficiente e usando menos área, o que é ótimo para o nosso desenvolvimento."

O agrônomo Glauber Silveira, vice-presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Milho (Abramilho) e presidente da Câmara Setorial da Soja, complementa, afirmando que apenas 1,3% da produção de soja ocorre dentro do bioma Amazônia e que o Brasil preserva 66,3% da sua vegetação nativa, contra apenas 19,9% nos EUA.

E enfatiza: "Não vai acabar a Floresta Amazônica. É impossível acabar porque a lei brasileira não permite... O mundo, infelizmente, está dando foco 100% na Floresta Amazônica e está perdendo o foco que é o mar. Eu me preocupo muito com a contaminação do mar. Acho que temos que preservar a Amazônia, mas para a Floresta Amazônica existem leis, ela já está protegida."

A observação sobre a poluição marinha é das mais pertinentes, pois de fato trata-se de um dos raros problemas ambientais reais de âmbito realmente global, apesar de não contar com sequer fração da atenção conferida às vastamente exageradas e distorcidas questões referentes ao clima.

Assim como ocorreu antes com a ABCI, todo cuidado com as intenções "protetoras" de Washington será pouco.

MSIa

  • 01 Dezembro 2021

 

Percival Puggina

 

Leio na excelente Revista Oeste

“Se promulgada e for comprovado o espírito de retaliação ao Supremo, a PEC que reduz a idade de aposentadoria dos ministros do STF viola a harmonia entre os Poderes”, afirmou Fux.

Segundo o Globo, outros ministros do Supremo alegam que a proposta fere não só a harmonia entre o Judiciário e o Legislativo, como também a cláusula pétrea da Constituição da separação entre os Poderes.

Essa posição foi compartilhada por membros da Corte com os presidentes Rodrigo Pacheco (PSD-MG), do Senado, e Arthur Lira (PP-AL), da Câmara, que disseram que a proposta não avançará.

Comento

Essa é de mandar o cidadão para divã de psicanalista! Segundo o que foi dito acima pelo presidente do STF, a PEC que elevou a idade de aposentadoria dos ministros da Corte não violou a harmonia entre os poderes ao lhes impor mais cinco anos de trabalhos forçados no exercício da espinhosa missão. Vá entender!

Então, se me oriento pelo que vejo e sei, a harmonia dos poderes é algo que o Supremo e só o Supremo pode violar. E viola. Viola quando os ministros falam demais; viola ao interferir, como agora, na questão das emendas de relator, quando até Arthur Lira reagiu; viola quando pressiona o parlamento contra o voto contável e auditável; viola quando legisla sobre direito penal; viola quando intervém em nomeações do Executivo; viola quando os ministros dão conselhos públicos ao Presidente da República, como se fossem editorialistas do Globo ou da Folha; viola quando se autoproclama “Poder Moderador” da República (nenhum dos três poderes políticos pode ser, também, poder moderador devido, exatamente, à necessária harmonia entre os poderes!). Essa obviedade, que passa despercebida pelo guardiães da Constituição e pelo Congresso, me foi proclamada pelo eminente professor de Direito Constitucional, Dr. Cézar Saldanha Souza Júnior.

Por fim, o “espírito de retaliação”, mencionado pelo ministro presidente. Retaliar, segundo o bom e velho Aurélio, é “revidar com dano igual ao dano recebido”. Aqui, desde o divã do analista onde fui jogado, vejo essa afirmação como confissão de que a tal harmonia entre os poderes recebeu, antes, um dano correspondente no sentido inverso, ou seja, dano do Supremo ao Legislativo, ou do Supremo ao Executivo.

Depois do sincericídio do ministro Toffoli sobre a condição de poder moderador assumida pelo STF, temos, agora, outro sincericídio, o do ministro Fux. Lira e Pacheco, porém, não dão bola para essas minúcias...

  • 27 Novembro 2021