• Gilberto Simões Pires, em Ponto Crítico
  • 19 Dezembro 2022

 

Gilberto Simões Pires

MEDIDAS MÓRBIDAS

Governantes socialistas/comunistas, mesmo convencidos de que ninguém seria capaz de impedir seus atos ditatoriais, ainda assim, como que atraídos por vaidade incontida, fazem questão de, na calada da noite, ou, principalmente, quando seus súditos estão muito envolvidos com as festas de confraternização, como é o caso do Natal e Ano Novo, adotar medidas mórbidas e/ou inconsequentes.

DIABOS EM RETIRADA

 

No Brasil, notadamente depois que a maioria dos ministros do STF fez valer, sem ser minimamente importunado, a certeza de que o único SOBERANO É O SUPREMO, aí até os piores diabos entenderam que suas maldades não passam de coisas insignificantes e inofensivas. Como tal, cheios de frustração, muitos já estão de malas feitas e prontos para cair fora do Brasil e buscar um lugar onde têm chances de serem reconhecidos como malfeitores. 

FORA DO TETO DE GASTOS

 

Ontem, 18, à noite, para confirmar que é forte concorrente na arte de praticar maldades, o ministro Gilmar Mendes tomou a diabólica decisão que abre espaço para que o governo fique livre de pressões e negociações para aprovar a PEC da Transição. De novo, para que não paire dúvida: Gilmar Medes DETERMINOU que os recursos para renda mínima -estabelecida como os R$ 600 atuais do Auxílio Brasil- ESTÃO FORA DO TETO DE GASTOS. Mais: basta uma Medida Provisória de crédito extraordinário, para que o governo eleito resolva a principal promessa de campanha. Que tal? 

SUPREMO DO SUPREMO

Com esta fantástica decisão -diabólica- Gilmar Mendes, como que querendo mostrar que é o SUPREMO DO SUPREMO, fez uma legítima e enorme FIGA para o Poder Legislativo. Mais: tornou absolutamente irrelevante a tramitação da PEC DO ESTOURO, a qual havia sido aprovada no Senado na semana passada e pronta para ser votada na Câmara nesta semana.

VONTADE DO POVO?

Pois é, meus caros e tontos brasileiros: enquanto muita gente fica em frente dos quarteis esperando que um milagre aconteça, a Câmara e o Senado emitem sons de grande irresponsabilidade e o SOBERANO SUPREMO, sem ser minimamente incomodado, toma decisões DITATORIAIS que ignoram por completo a tal da ridícula VONTADE DO POVO. Pode? 

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  • Carlos Sampaio
  • 18 Dezembro 2022

Carlos Sampaio

"Se você quer destruir uma nação, não há necessidade de guerrear contra ela. É suficiente fazê-la esquecer sua história, distorcer sua linguagem, aliená-la de sua religião e, portanto, desintegrar seus valores". (Peyami Safa - Jornalista, colunista e romancista turco).

        Sim, amigos, o sucesso do Brasil é um fracasso!

Nosso orgulho é sempre fracassar, sempre retroceder, recuar... Somos perfeitos nessa modalidade. Inflados de empáfia, estufamos o peito e seguimos em frente contando altivos para o universo nossa história de glória. De como andamos um passo à frente e rapidamente andamos dois para trás. Então devemos explicar aos nossos filhos e netos a frase que mais nos orgulha:

– "O Brasil não é um país sério".

Dizem que a frase foi cunhada por um grande estadista. Mas em 2022 superamos tudo. Vejam que glória: temos um Presidente eleito e todos desconfiam de fraude, mas as "autoridades supremas" se recusam a investigar. Esse sujeito é um condenado/descondenado que jamais foi inocentado, sentenciado a 12 anos de cadeia, agora representa todos os brasileiros.

Que país tem isso no mundo?

Que país possui um Supremo que rasga a Constituição e faz suas próprias leis, ameaça, prende parlamentares, amordaça civis, cala, condena, julga e um de seus membros ainda goza a população fazendo troça e afirmando:

 - "Perdeu, Mané"!

Que país tem isso no mundo?

Um candidato condenado/descondenado, disputa eleições presidenciais e durante a campanha afirma que todos os pobres, se nele votarem comerão "picanha e beberão cerveja" à vontade. Afinal pobre para se tornar "gente", segundo a filosofia do PT, basta fazer um L e a mágica acontece.  O Estado paga tudo. O Estado é a grande mãe. O Estado é mágico.

Vejam o que saiu na "Coluna Esplanada" de Leandro Mazzini:

"Conheça a suíte presidencial que Lula transformou em escritório em Brasília.

O presidente eleito Lula da Silva trocou uma ampla sala que foi reservada para ele no Centro Cultural Banco do Brasil, em Brasília, pela suíte presidencial de um hotel 5 estrelas no coração da Esplanada dos Ministérios.

É nela, um apartamento dividido em dois grandes ambientes, que ele tem recebido assessores, representantes de diferentes setores da praça e potenciais futuros ministros de seu governo.

Lula está hospedado no Affiliated by Melia hotel do complexo Brasil 21. De onde só sai para viagens. Seu café da manhã e suas refeições são servidos na sala da suíte. Há outras regalias como banheira hidromassagem, sauna, cama super king com colchão terapêutico e uma sala de jantar para 6 pessoas. O presidente eleito ainda conta com um lounge e uma secretária cedida pelo hotel – que conta com um heliponto no terraço, caso o petista prefira driblar os manifestantes apoiadores do presidente Jair Bolsonaro no hall do Meliá".

Segundo o site o Antagonista, Lula se encontrou nesta quinta-feira (15) com catadores de papel em São Paulo, para participar da tradicional ceia de final de ano do setor. O presidente eleito levou a tiracolo a cúpula do partido – Gleisi Hoffmann estava lá, assim como o escolhido para ministro da Economia, Fernando Haddad.

Ao lado do padre Júlio Lancellotti, Lula falou que é papel do estrangeiro conversar e encontrar uma solução para os moradores de rua e para as pessoas mais humildes desse país. E, ao final, o farsante cínico, disse:

- "Eu quero ser o principal catador de papel, quero ser o principal morador de rua desse país, para que a gente possa tratar vocês com respeito e com dignidade".

E voltou para o luxo do Hotel Meliá em Brasília no mesmo dia, enquanto os catadores de papel esperam os estrangeiros, a picanha e a cerveja e enquanto esperam brincam de fazer um L.

De preso, condenado/descondenado, acusado do maior roubo já feito a uma nação sobre a face da terra, agora pinta e borda, desfruta de luxo, mordomias e dá boas gargalhadas. Provavelmente, quando bêbado, também grita ou canta com os "supremos": - Perdeu, Mané!

Eis os "Manés" que mais deram votos a Lula:

- Entre os mil municípios com os piores IDH do País, o petista venceu em 977, enquanto Bolsonaro venceu em apenas 23.

Parece que os pobres e miseráveis estão ávidos por "picanha e cerveja", isto é, esperam receber do estado o troco do voto e não estão preocupados com roubo do dinheiro público, com decência na política...enquanto isso...Lula desfruta do bom e do melhor e os "Manés" chupam o dedo esperando que ele cumpra algo que jamais se concretizará.

- Dentre as mil cidades mais desenvolvidas, Bolsonaro ganhou em 869 e Lula em 131.

Parece que nas cidades desenvolvidas os cidadãos adquiriram mais consciência política, mais identidade com a nação. Nessas cidades os votantes acreditam no trabalho duro e existe a ideia de que quanto menor o Estado, maior as liberdades individuais, o progresso, a riqueza...

Entre as 20 cidades mais ricas, Bolsonaro ganhou em 17.

Entre as 20 cidades mais pobres Lula ganhou em 19.

A cidade de Manari, em Pernambuco, deu a Lula o maior percentual de votos: 89,38%, mostrando que a miséria deve continuar. Eis os 20 municípios mais pobres do Brasil e os votos que deram a Lula:

Melgaço (PA):67,73% (Lula), Fernando Falcão (MA): 78,02% (Lula), Atalaia do Norte (AM): 80,40% (Lula), Marajá do Sena (MA): 77,90% (Lula), Uiramutã (RR): 68,20% (Lula), Chaves (PA): 67,26% (Lula), Jordão (AC): 58,01% (Lula), Bagre (PA): 78,74% (Lula), Cachoeira do Piriá (PA): 73,56% (Lula), Itamarati (AM): 76,88% (Lula), Santa Isabel do Rio Negro (AM): 73,94% (Lula), Ipixuna (AM): 68,10% (Lula), Portel (PA): 66,18% (Lula), Amajari (RR): 77,20% (Bolsonaro), Anajás (PA): 50,82% (Lula), Inhapi (AL): 83,90% (Lula), São Francisco de Assis do Piauí (PI): 77,45% (Lula), Itapicuru (BA): 84,01% (Lula), Manari (PE): 89,38% (Lula), Caxingó (PI): 85,29% (Lula).

Esses 20 municípios com menor IDH do Brasil durante os 14 anos em que o PT governou foram objetos de manchetes e reportagens de dezenas de veículos de comunicação do Brasil e do exterior, retratando-os como os lugares mais miseráveis do país, nunca evoluíram.

Em 2022 essas cidades continuam tão miseráveis quanto antes e desmentem com sua realidade deplorável o discurso petista de que tudo era muito bom "no tempo do Lula".

Juntando e misturando tudo o que você leu, somando nossa falsa cultura que é pior que a falta de cultura, de ética, de identidade, da ausência de dirigentes honestos, da falta de vergonha, sobe um gosto amargo na boca e só podemos pensar que o sucesso do Brasil como nação é um fracasso que orgulha todos os parasitas, os "pseudo-intelectuais-progressistas", os bajuladores e os falsos líderes que nele se refestelam e que proporcionam ao mundo uma comédia grotesca.

Finalizo com as palavras do filósofo Olavo de Carvalho:

"No Brasil, o único meio de controle que o povo tem sobre os legisladores é xingá-los à distância".

 

*      O autor é Professor. Pós-graduação em "Língua Portuguesa com Ênfase em Produção Textual". Universidade Federal do Amazonas (UFAM)

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  • Alex Pipkin, PhD
  • 17 Dezembro 2022


Alex Pipkin, PhD

       O vício, em oposição à virtude, para se instalar, nunca se mostrou como mal. Provavelmente, porque desse modo, seriam mobilizadas forças para destruí-lo.

O mal sempre se disfarça de moralmente superior, de “finesse da virtude”; contudo, para interrompê-lo, compulsoriamente, é necessário utilizar-se de suas mesmas artimanhas.

?Reiteradamente, tenho afirmado que já não vivemos em uma plena democracia, muito menos num Estado de Direito.

Democracia e Estado de Direito são meras palavras empregadas por verdadeiros aspirantes a ditadores e autoritários que utilizam tais vocábulos a fim de sensibilizar incautos e indivíduos com menor nível de instrução e de discernimento, e que abundam na população verde-amarela.

O sentimentalismo é uma característica marcante do país do futebol, das belas praias e mulheres, e do glorioso samba.

O lado negro desse sentimentalismo, com suas divisões, ódios e ressentimentos, já transbordou do copo, há muito tempo.

Se uns dizem que o samba do crioulo doido é uma expressão satírica, a turma do “amor”, progressista, evidente, afirma ser algo relacionado a bagunça, reafirmando a discriminação aos negros.

O fato é que o samba do momento, aquele que está nos embalando para o precipício, é verdadeiramente tenebroso.

Desnecessárias quaisquer explicitações referentes a todos os mandos e desmandos autoritários que os homens de bem vêm sofrendo nessa Republiqueta das Bananas. Seriam necessárias várias laudas, e meu humor não está para tanto.

Todos os limites imagináveis foram perigosamente ultrapassados.

A democracia verbalizada pelos tiranetes da hora não permite que seus interesses e abusos travestidos de verdades sejam sequer questionados. Quem ousa em fazê-lo, é taxado de antidemocrático, merecedor de cadeia.

Os direitos e as liberdades individuais, em especial, a liberdade de expressão, desapareceu do mapa brasileiro.

Poucos se dão conta, mas a liberdade é bem mais essencial do que a tal democracia.

Como Alexis de Tocqueville já receava, a democracia pelo voto popular poderia, em algum momento, representar uma ameaça à liberdade, ao invés de preservá-la.

A democracia política no Brasil aparenta ser um jogo, esse sim de soma zero, em que o vencedor leva tudo e/ou consegue negociar tudo com todos.
Os fatos objetivos estão aí, claros como a água cristalina.

A fome e a vontade de comer encontraram o lugar e o momento oportunos para, mais uma vez, satisfazerem seus interesses e objetivos particulares, em detrimento do bem comum de todos os brasileiros.

Os movimentos “revolucionários” são, ao mesmo tempo antigos, pelo aparelhamento das instituições, como também novos, por meio das manobras e dos artifícios jurídicos utilizados para o intento.

Força extraordinária para o seu completo sucesso vem do apoio quase que integral da pequena mídia militante.

Os donos do poder, ou melhor, os donos da democracia brasileira, aqueles que deveriam preservar e garantir os direitos e as liberdades individuais dos cidadãos brasileiros, genuinamente, utilizam-se do despotismo disfarçado de defesa da democracia para retirar a liberdade do povo e, desgraçadamente, fazer com que indivíduos tenham poder ilimitado para executar o que desejarem.

Esse despotismo democrático está efetivamente destruindo a liberdade individual das pessoas, suas próprias vidas e, pavorosamente, aniquilando a coesão social. Em síntese, destroçando a nação.

O trem tupiniquim descarrilou, e sua manutenção é árdua e onerosa. O retorno aos trilhos é de difícil previsão.

Eu não quero essa democracia, tampouco esse Estado de Direito de factoides. Eu e todos os brasileiros precisamos e queremos nossas liberdades de volta!

O que mais podemos nós fazer? Eu não sei. Espera e pessimismo.

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  • Idico Luiz Pellegrinotti
  • 17 Dezembro 2022

 

Idico Luiz Pellegrinotti

           Ao falar sobre alguém, quando se utiliza aumentativo ou diminutivo, logo se pensa em se tratar de apelido ou de uma pessoa muito familiar. Mas, não é o caso do título deste artigo, é, sim, uma petulância minha, condenável? Pode até ser. Pois, estou sendo petulante, só porque o personagem que o chamo de “Vicentão”, por sua profecia ser tão certeira, que me dei ao direito de uma aproximação que não mereço, mas, está tão real com os acontecimentos no Brasil, que os tornou íntimo de cada brasileiro sonhador com uma conduta de honra.

O personagem a que me refiro é de nacionalidade holandesa e pintor perturbado, não se sabe o porquê. Mas, conseguiu retratar em cores os acontecimentos que viriam ocorrer 134 anos depois em nossa Pátria. Esse personagem é o excelente pintor Vicent van Gogh, que em 1888, com seus traços fortes e coloridos realçou, no estilo impressionista,  Doze Girassóis numa Jarra; se o quadro, estático, exprime a beleza das cores, sem dúvida, era o prenúncio de uma cena com movimento maior que a força do vento, sendo retratada por corpos vivos, alegre e esperançosos. Qual não foi a surpresa, lá do infinito, do grande pintor, que em 2021, as manifestações coloridas de verde-amarela preencheram planícies, praias, praças e ruas deste país, simbolizando os traços impressionistas de uma apoteose que exalou alegria, patriotismo e liberdade. A beleza das cores dos girassóis de, se me permitem os leitores, Vicentão, se juntou às verde-amarelas das campinas brasileiras, as margaridas, formando um manto para proteger as futuras gerações.             

O pintor vidente, nas minhas impressões, é em virtude de que, dois anos após pintar o Doze Girassóis, pinta em 1890, o quadro: Campo de Trigos com Corvos(1), carregado de verde-amarelo. Mas, sobre a planície, um céu carrancudo e, sobre as cores do nosso país, sobrevoam corvos com suas capas escuras, num voar ameaçador e aterrador, como uma caterva unida para atacar o manto das cores alegres realçadas pelo povo, com autoritarismo, difamações e prisões, tendo corvos apoiadores, vindo do mundo acadêmico, das grandes mídias, de ministros da Corte e de partidos políticos das trevas, agredindo o horizonte, como sendo o inferno querendo avermelhar o céu azul desenhado pelo pintor profético. Van Gogh, com toda sua sensibilidade, fecha o caminho, que só a moral e a ética do bem podem passar. A coincidência das pinturas, com as manifestações no Brasil, entre 2021, os girassóis, e 2022, o Campo de Trigos com Corvos, alertando para união de braços e corações exigindo uma pátria livre.

O sobrevoo dos corvos não é só um bater de asas, seus grasnidos, carregados de preconceitos expelem frases difamatórias e discursos intolerantes por políticos que não aceitam a beleza de uma manifestação do povo com as cores de girassóis e trigais, formada por famílias com pessoas de todas as idades. Essas ofensas formuladas por quem deveria respeitar os cidadãos, demonstram desrespeito às pessoas de bem e, ainda, transitam no mesmo espaço, que em época de eleições, pede votos para representar ideologia política com a maioria de seus representantes em julgamento. O mais triste é o uso de instituição oficial como escudo para insultar uma sociedade que canta com fervor o Hino Nacional, reza ao Bom Deus pedindo proteção, em quando na tribuna, políticos com seus rancores, mentem, e as lentes das grandes mídias se escondem.

Brasileiros, não há prisão para sonho de liberdade. Pois, mais uma vez, aparece o Vicentão para incentivar os girassóis dizendo: “Os pescadores sabem que o mar é perigoso e a tormenta terrível, mas este conhecimento não os impede de lançar-se ao mar.”  Vicent van Gogh.

 *        Idico Luiz Pellegrinotti é Professor

**       Artigo publicado na Gazeta de Piracicaba SP, -Opinião - dia 17/12/2022, pg. 2 e enviado ao site pelo autor.

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  • Roberto Rachewsky
  • 16 Dezembro 2022

Roberto Rachewsky

        Viver sob o jugo de uma tirania é uma experiência intelectual extenuante. É como viver baseado em mentiras. A mente precisa a todo momento processar o que é fato e o que foi inventado para não se cair em contradição. Antes de cada coisa que vai se dizer, é preciso revisar tudo o que havia sido dito. É como um castelo de cartas, no qual cada uma delas precisa ser reajustada para receber a próxima.

Numa tirania, você acorda e vê alguém ser desprovido de seus direitos por algo que não há previsão legal para que a autoridade faça. É de súbito, é inédito, é arbitrário. Imediatamente você pensa, será que eu não fiz isso também? Então tenta vasculhar a mente para saber se aquilo que você fez que antes era legal, agora, pela vontade do tirano, não te tornou um fora-da-lei. Como no caso da mentira, cada ação, cada passo dado, cada carta posta, exige muita reflexão e muito cuidado para não ser pego na contramão.

O resultado disso é a imobilização crescente porque assim como nossa mente não foi feita para viver mentiras, ela também não foi feita viver no caos. Precisamos para viver, de regras previsíveis sobre as quais planejamos como agir no futuro remoto e imediato. As regras são para nosso futuro o que a realidade é para o nosso passado. Imaginem a angústia de se mover em um quarto escuro cheio de buracos no chão e pilares espalhados a esmo, não se sabe onde pisar e nem contra o que vamos bater a qualquer momento.

Hoje você diz ou faz algo que uma autoridade não gosta, sem lei alguma, pode vir uma retaliação inesperada, injusta, desproporcional. E pior, sem ter a quem recorrer porque a ação retaliatória foi tomada de pronto por aquele que deveria te defender se algo deste tipo acontecesse com você. Você pode pensar que isso não acontece com gente normal, com quem se comporta de forma comedida. Como você vai saber? Como você vai agir quando o governo ao qual o tirano é associado começar não a retaliar contra suas ações mas ele próprio começar a agir fazendo coisas inesperadas, injustas, legais ou ilegais?

Eu vivi dos 9 aos 30 anos durante a ditadura militar. Confesso que não foi nada confortável para quem acredita na liberdade, mas há um porém. Aquele estado de exceção, ou seja, o regime que usava excepcionalmente medidas arbitrárias, estava combatendo outro cujo arbítrio excepcional se tornava regra, se torna constante.

Quem não gostava da ditadura militar vai ver daqui para a frente o que o golpe de 1964 queria evitar, que se vivesse uma vida de mentiras, onde o passado é incerto e o futuro é obscuro. Sem a possibilidade de memorizar e planejar, nos tornamos animais irracionais, bichos de estimação vivendo sob as ordens dos nossos donos. Acham que estou exagerando? Já perderam a memória? Esqueceram o que viveram os chineses, os russos, os alemães, os checos, os chilenos, os cubanos, os cambojanos, os venezuelanos? Então só falta perder o futuro.

 

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  • Adriano Alves-Marreiros
  • 16 Dezembro 2022

Adriano Alves-Marreiros

O bom cabrito não berra... (Ditado impopular)

         Hoje li um artigo do Paulo Briguet sobre o Muro da Vergonha, digo,  sobre o indefectível MURO DE PROTEÇÃO ANTIFASCISTA.  Falava de uma foto em que aparecia seu nome em alemão e em que comemoravam seu jubileu 3  anos antes de sua queda.  Hoje vivemos sob as mesmas definições de democracia e fascismo defendidas pelos mesmos criadores da República Democrática  Alemã, a chamada Alemanha Oriental: de  onde tantos tentavam fugir pulando o muro e eram... protegidos  por guardas que os matavam, se preciso, só para não caírem nos intensos sofrimentos causados pelo... fascismo do lado ocidental do muro.  E acreditam que os ingratos  que ainda estavam vivos correram justo para o lado ocidental quando o muro caiu?!

Mais tarde, um novo  Muro de Proteção  antifascista se  ergueu, por meio de editores e profissionais ideológicos de revistas, jornais e programas de rádio e TV.  Mantendo a Sociedade protegida de qualquer  idéia não “progressista”.  E mais uma vez ele veio abaixo com as redes sociais e, em nova ingratidão, demonstrando a necessidade de tutela constante, a Sociedade criticou muito o... salvador “progressismo”.

Não podia ficar assim, era necessário não só dar uma lição aos ingratos, mas que houvesse “Editores da Sociedade” para que esta fosse protegida dos perigos da Verdade e da Liberdade, evitando a desordem... a “desordem informacional”.  Um novo muro precisava ser levantado...

Deixe-me  mudar de assunto, ou não...

Depois que constatei que quase ninguém liga pro que escrevo, tinha decidido parar, mas resolvi escrever ao menos mais esta crônica em homenagem aos meus 17 leitores que, talvez sejam os mesmos do Agamenon, talvez não sejam tantos. Se você não é originalmente um deles, talvez agora eu tenha 18 como na dedicatória do tal livro, cujas palavras faço minhas[1].

E quanto menos leitores eu tiver, melhor... Ontem eu soube que quanto mais leitores eu  tiver, mais provável é que me prendam por um crime(?!) cujos autores são escolhidos, digo, definidos, depois  de cometerem o crime: sim, segundo critérios pós-definidos.  Depois que eu publicar é que algum julgador ou left-checker vai decidir se ele acha que tenho leitores o bastante, se o que eu disse deve ser considerado sério ou mero recurso retórico ou se é  feiquinius ou verdade  inconveniente.  Até mesmo o que eu quis dizer será decidido depois.  Aí vão decidir se o que foi dito atinge algum grupo protegível ou não.  Na prática, decidirão se eu também faço parte dos protegedores ou protegíveis: se eu fizer, independente dos critérios, eu terei meio que um salvo conduto enquanto mantiver fidelidade ideológica.  E deixarei de ser preso e cancelado por condutas que gerariam prisões e cancelamentos dos improtegíveis e dos protegíveis infiéis (que deixam de ser do grupo dos protegíveis).  Assim, sempre se poderá ponderar que cada caso é um caso e que, por  isso, é sempre justo o duplipensar.  Viu?  Um método perfeito, bem científico e que não tira sua Liberdade de Expressão: basta não falar o que for anteriormente ou posteriormente proibido.  Na dúvida: cale-se.  Afinal, você tem liberdade: MAS.  Nunca esqueça que sempre pode haver mais (com i) mas (sem i). 

Voltando  ao assunto (ou seria prosseguindo?), e em resumo: um muro!  Um novo muro que protegerá as pessoas das opiniões nocivas  e mais: protegê-las-á de emitirem  opiniões  que depois sejam consideradas retroativamente nocivas.  É perfeito!  E a um preço irrisório: custará apenas  as suas Liberdades...

É mais eficiente que o ferro e concreto dividindo Berlim, mais eficiente que fronteiras, mais eficiente que o Oceano que nos separa dos outros continentes e mais: em breve cercará o mundo todo, cercará cada um de nós, protegendo-nos, para sempre, de nós mesmos: afinal de contas, se não pudermos nos expressar, não poderemos cometer condutas que nos levem à prisão e seremos LIVRES!!!

Eu sou free

Sempre free

E sofri demais

(Banda Sempre Livre)

 

(...) a  chegada  dos  “fascistas”  abriria caminho  para  a  libertação  dos  presos  comuns  (o  que  incluía estupradores,  assaltantes  e  traficantes  e  até  mesmo  desertores), anistiados por Stalin.

Mas  quem  eram  os  fascistas,  afinal?  Eram  os  presos políticos  enquadrados  no  artigo  58  do  Código  Penal  de  1926.

Segundo  observou  Soljenítsin,  não  havia  debaixo  da  cúpula celeste  conduta,  desígnio,  ação  ou  inação  que  não  pudesse  ser punido  pela  mão  pesada  do  art.  58.  De  seus  catorze  parágrafos nenhum  era  interpretado  “de  maneira  tão  ampla  e  com  tão ardente   consciência   revolucionária   como   o   décimo

– A propaganda    ou    agitação    que    contenham    um    apelo ao derrubamento  ou  enfraquecimento  do  Poder  Soviético...

Diego Pessi

 

Adriano Alves-Marreiros

Que também correria pro Ocidente... 

P.S.1: Compre o livro de crônicas aqui: < https://editoraarmada.com.br/produto/2020-d-c-esquerdistas-culposos-e-outras-assombracoes-colecao-tribuna-diaria-vol-iii/ >

P.S.2:  Agora o livro 2020 D.C. Esquerdistas Culposos e outras assombrações tem uma trilha sonora com canções e músicas de filmes citados: < https://open.spotify.com/playlist/49FDRIqsJdf4oxjnM2cpc3?si=SSCu339_T5afOSWjMkk9wA&utm_source=whatsapp >

 

 

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