• Claudio Apolinário
  • 01 Setembro 2026

 

Claudio Apolinario

A corrupção no Brasil não é exceção. É sistema. E o maior problema não é quem rouba — é quem aceita.

                Existe uma palavra que o brasileiro usa com carinho e que deveria causar desconforto. Jeitinho. Pior. Rotula como Jeitinho Brasileiro.

Junto com ele vem outro conceito igualmente perigoso: levar vantagem. Enquanto o jeitinho é o método — quebrar a regra quando ela incomoda — levar vantagem é o objetivo. E os dois juntos formam a base cultural da corrupção brasileira.

O jeitinho é apresentado como criatividade. Como esperteza. Como a capacidade única do brasileiro de resolver o que parece impossível. Mas há uma definição mais precisa — e mais honesta. O jeitinho é a decisão de quebrar uma regra quando ela incomoda. É a corrupção pequena que, praticada em escala, virou traço cultural.

E o que se normaliza no pequeno, cresce no grande.

Uma pesquisa da Escola de Direito da FGV apontou que 81% dos brasileiros admitem usar o jeitinho sempre que possível. 56% afirmam que há poucos motivos para obedecer a lei no Brasil. E 80% acreditam que é fácil desobedecer às leis sem consequência.

Pare um segundo nesse número. 81%. Esses não são dados sobre políticos. São dados sobre o cidadão comum.

A corrupção no Brasil não vive apenas em Brasília. Vive no fiscal que fecha o olho mediante pagamento de uma propina. No empresário que paga para ganhar contrato. No profissional que emite nota fria. No motorista que oferece dinheiro ao guarda para escapar da multa. No cidadão que pede ao político para furar a fila do hospital.

Cada um desses atos parece pequeno. Isolado. Com uma boa desculpa. Mas juntos formam o ambiente moral em que o grande desvio prospera. Porque quem aceita o desvio pequeno e dá a desculpa do jeitinho fica sem credibilidade para se indignar com o desvio grande e chamá-lo de escândalo.

E a indignação existe — mas não produz consequência.

O dado piora. Para 90,1% dos brasileiros, políticos são raramente ou nunca punidos, segundo pesquisa Latam Pulse da Bloomberg de julho de 2025. É quase unanimidade. O país sabe que a impunidade existe. Sente que a impunidade existe. E ainda assim reelege quem tem ficha cheia de denúncias.

A polícia prende. A justiça solta. E o eleitor reelege.

Esse ciclo não se sustenta por acidente. Se sustenta porque parte do eleitorado aceita a troca — mesmo sem admitir. O candidato com ficha suja que "resolve" as coisas. O político investigado que "pelo menos faz obras". A corrupção tolerada quando beneficia o lado que a gente defende.

Isso tem nome. Não é jeitinho. É cumplicidade.

O Brasil em 2024 registrou 34 pontos no Índice de Percepção da Corrupção da Transparência Internacional — a pior nota da série histórica. Em 2025, subiu um ponto. Continua na 107ª posição entre 180 países. Abaixo da média mundial. Abaixo de países que o Brasil costumava olhar de cima.

E o esquema do INSS descoberto em 2025 deixou claro que a corrupção não é privilégio do setor público. Noventa e uma entidades privadas participaram de um esquema que desviou R$ 6,3 bilhões de aposentados e pensionistas. A iniciativa privada não está acima do problema. Está dentro dele.

A corrupção brasileira é sistêmica porque é cultural. E é cultural porque começou a ser aceita muito antes de chegar ao noticiário — começou no jeitinho cotidiano que todo mundo pratica e ninguém chama pelo nome certo.

Mudar isso não depende de lei nova. Depende de uma decisão individual que parece pequena mas é enorme: parar de aceitar o jeitinho como virtude. Chamar o pequeno desvio pelo nome que ele tem. Recusar a lógica da troca quando ela aparece disfarçada de praticidade.

Corrupção não começa no alto escalão. Começa na decisão de cada um de relativizar o que é certo quando é conveniente.

E só termina quando essa decisão muda.

*              Claudio Apolinario é articulista e analista político.

 

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  • Francisco Carneiro Junior
  • 01 Setembro 2026

 

Francisco Carneiro Junior

 

Sobre o crime, a frieza de quem o pratica e a hipocrisia de quem o protege

             Tem uma mentira que se conta em voz baixa nos velórios da nossa hipocrisia coletiva… e essa mentira tem a doçura das coisas que nos absolvem sem esforço: a de que o bandido é, no fundo, um menino que a vida traiu. Pobre rapaz. Vítima da fome, vítima do pai ausente, vítima de um país que não lhe deu colo. Mentira bonita, mentira de fazer chorar plateia de auditório — e mentira que tem uma utilidade prática indecente: absolve todo mundo, menos quem puxou o gatilho. Eu, que enterrei colegas e segurei a mão de viúvas que a estatística nunca contou direito, vou dizer o que poucos têm estômago de dizer: o crime não é fatalidade. É conta de chegar. É soma e subtração feita a sangue frio, debaixo do sol ou na calada da noite, e quem soma e subtrai sabe muito bem o que está fazendo.

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PARTE I — O CRIME COMO ESCOLHA RACIONAL

Em 1968 um economista de Chicago teve a ousadia de dizer, com a frieza de quem mede números e não sentimentos, o que todo policial de rua já sabia havia muito tempo: o homem que comete um crime calcula. Calcula como um caixeiro-viajante calcula sua comissão. Não há delírio, não há loucura coletiva por trás de um assalto bem planejado, de um sequestro com hora marcada, de uma fraude milionária assinada em cartório com letra bonita. Há aritmética. E aritmética não tem alma — tem resultado.

Quem já entrou numa favela de fuzil em punho sabe que o crime organizado não improvisa: organiza. Tem hierarquia, tem logística, tem reunião de diretoria como qualquer empresa que se preze, só que ali a pauta é sangue e a meta é território. O traficante que espalha bocas de fumo pela periferia inteira não age por impulso — diversifica. O assaltante que escolhe a agência sem policiamento, o sequestrador que vigia a vítima durante semanas como quem namora pelo cantinho, o estelionatário que estuda a lei antes de violá-la com sorriso de cordialidade — todos eles, antes de bandidos, são estrategistas. E estrategista, meu caro leitor, responde a incentivo. Sempre respondeu.

E aqui está o osso da questão, duro de roer: quando o custo de errar despenca — quando a chance de ser pego é baixa, a pena é leve e a Justiça anda como boi cansado — o crime para de ser risco e vira negócio de margem garantida. Negócio com margem garantida atrai sócio. Atrai capital. Atrai menino de quatorze anos que enxerga ali o único plano de carreira que a Pátria lhe ofereceu. Não é mistério, é mercado. Só que aqui a mercadoria é o medo do próximo e a moeda corrente é sangue alheio derramado sem pedir licença.

O Estado não foi inventado para fazer terapia de bandido. Foi inventado para tornar o crime caro — caro a ponto de não compensar. Policiamento que aparece, investigação que conclui, juiz que julga sem demora e pena do tamanho do estrago: eis o tripé. Falte uma perna e o resto desmorona em cima de quem não tem advogado de marca, nem assessoria de imprensa, nem habeas corpus engatilhado na gaveta de algum gabinete simpático. Desmorona em cima do pobre, sempre. Os ricos têm grade em volta de casa; o pobre tem a grade da cadeia, quando tem sorte de ver o agressor preso.

Não é crueldade, é física. Corpo em movimento segue em movimento até que algo o detenha — newtoniano, e ninguém recorre de Newton. O criminoso racional reincide até que reincidir custe caro demais para o seu próprio cálculo. Quem confunde rigor com vingança nunca segurou a mão de mãe que reconheceu o filho numa gaveta de necrotério. Quem fala assim fala de longe, fala em mesa redonda, fala com café fumegando ao lado — fala sem nunca ter cheirado pólvora nem velado ninguém.

E há nisso algo que envergonha, porque revela demais: é mais cômodo, mais elegante de salão, culpar a estrutura do que olhar a vítima nos olhos e dizer a verdade nua — este crime teve dono, teve nome, teve vontade própria. Admitir a escolha do criminoso obriga a admitir também a sua plena responsabilidade, e responsabilidade plena assusta quem prefere o cobertor morno do determinismo social. É mais fácil chorar pelo algoz do que pela vítima. Sempre foi.

O fio que liga este diagnóstico ao próximo capítulo é quase invisível, como a febre que ainda não denunciou a infecção que a gera. Se o crime é cálculo, e se só a certeza do castigo desarma esse cálculo, cabe perguntar com a voz mais seca que se tiver: por que o Brasil insiste em amarrar a própria mão que deveria empunhar esse castigo? A resposta não mora , na favela, não mora na estatística fria de letalidade. Mora no gabinete com ar-condicionado, na coluna assinada, no plenário de comissão, no estrado da banca examinadora. Mora, em síntese, numa engrenagem bem lubrificada que não nasceu para combater o crime — nasceu para proteger o criminoso da única coisa de que ele de fato tem medo.

PARTE II — OS PADRINHOS DA IMPUNIDADE

Um magistrado francês chamado Georges Fenech, teve a ousadia de batizar o que muitos viam e ninguém ousava nomear: chamou-o de Lobby da Insegurança Pública. Setores da academia, organizações de fachada bem-intencionada e fatias generosas da grande imprensa, segundo a sua leitura, trabalham em sintonia — quase coreografada — para emperrar qualquer política criminal que tenha dentes. Não por inocência. Por convicção entranhada, e, convenhamos, por interesse de classe travestido de princípio. Há quem viva muito bem do problema que jura, em entrevista, querer resolver.

Repare no padrão, porque padrão é o que é: toda vez que algum parlamentar propõe pena mais dura, corte de benesse ou rigor contra o criminoso violento, levanta-se uma reação organizada com a pontualidade de relógio suíço. Não é coincidência de calendário. É reflexo de um ecossistema inteiro que vive — em dinheiro e em prestígio — da manutenção das coisas como estão. Coincidência, dirão os ingênuos ou os cúmplices. Padrão, digo eu, com a documentação na mão.

Fenech cunhou outra expressão que merecia estar tatuada na testa de muito acadêmico: a Cultura da Desculpa. Nesse evangelho às avessas, o criminoso deixa de responder por seus atos e vira produto de fábrica — fábrica da pobreza, da desigualdade, do capitalismo, da exclusão. O homem, com seu livre-arbítrio,

implesmente some do enredo, como personagem que o autor esqueceu em cena. Sobra só a sociedade, sentada num banco de réus que ninguém formalmente convocou, mas que é condenada todo santo dia, em silêncio, sem direito a defesa.

E o resultado dessa pregação é tão previsível quanto a ressaca depois da festa: quando toda a culpa é jogada para fatores de fora, a própria punição passa a soar como injustiça. A vítima — a de carne, a que sangrou, a que enterrou filho num caixão pequeno demais — desaparece do centro do palco. O agressor vira quase mártir, marionete de forças que ele mesmo, dizem, não escolheu. E qualquer rigor passa a ser chamado de atraso, de vingança travestida de lei, de autoritarismo com gravata.

Mas há uma rachadura nessa narrativa, e ela está escancarada para quem quiser ver: a criminalidade não nasce só da pobreza. Há nação rica, de desemprego baixinho, que viu sua criminalidade violenta disparar. Há nação pobre que mantém índice de crime grave invejavelmente baixo. O fenômeno é tecido de várias linhas — cultura, instituição, capital social e, acima de tudo, a sensação de que o crime sai de graça. Reduzir isso a uma única equação econômica não é ciência. É catecismo disfarçado de tese.

Olhe para as grandes democracias, essas que ninguém tem coragem de chamar de bárbaras. Estados Unidos, Japão, boa parte da Europa mantiveram, por décadas, punição severa para o crime grave, com prisão perpétua prevista em lei sem que isso arranhasse seu verniz civilizatório. O discurso de que rigor é incompatível com civilização desmorona diante do espelho das próprias nações que mais respeitam o Estado de Direito neste planeta.

E no Brasil? Aqui, propostas como prisão depois de condenação em segunda instância, fim da progressão automática de regime, perpétua para o crime mais hediondo, redução da maioridade penal e penas mais longas esbarram em resistência feroz — política e acadêmica — apesar de pesquisa após pesquisa mostrar apoio popular largo, quase unânime nas ruas. Há aqui um descompasso obsceno entre o que pensa o povo e o que decide o gabinete climatizado.

E quando o cidadão comum tem a ousadia de pedir mais rigor, qual o troco que recebe? Rótulo. Vingativo. Punitivista. Ignorante. Fascista. Como se bastasse uma elitezinha intelectual, abrigada em seu condomínio fechado, para decretar — em nome de todos — o que é política criminal legítima. Há juristas que já desnudaram essa contradição com bisturi: parte da intelectualidade só respeita a opinião do povo quando ela bate com a sua própria opinião de antemão. Fora disso, o povo vira menor de idade, incapaz de saber o que é bom para si — tutela com cara de democracia.

Por que propostas constitucionais, legais e abraçadas pela maioria encontram tanta resistência organizada? A resposta soa como sentença: é a engrenagem dos padrinhos da impunidade funcionando a pleno vapor, irrigada por verba de pesquisa, por cargo de comissão, por coluna de jornal, por uma indústria inteira que vive — literalmente vive — da perpetuação do mal que diz combater.

O verdadeiro debate não é entre direita e esquerda — essa etiqueta, tantas vezes usada para encerrar conversa antes de começar, é cortina de fumaça barata. A pergunta de verdade é outra, e incomoda: quem deve mandar na política criminal de uma nação? Os fatos e a evidência? A vontade do povo, repetida em urna e em pesquisa? Ou uma elitezinha convencida, com a arrogância de quem nunca pisou em cena de crime, de que sabe melhor que o povo o que é bom para o povo?

Segurança pública não é, nunca foi e não deveria ser laboratório de tese acadêmica. Quem paga a conta da política criminal frouxa não é o teórico do auditório com ar-condicionado — é o cidadão comum, sobretudo o pobre, que convive todo dia, na pele e na alma, com a lei imposta por facção. É na favela, não no anfiteatro, que se paga o preço mais alto da leniência institucional.

A política criminal serve a quem, afinal? Serve à proteção do cidadão e à responsabilização do criminoso, ou serve à preservação de teoria bonita que insiste em fechar os olhos para o fato cru? É hora de tirar a ideologia do centro do palco e devolver o lugar a quem sempre deveria tê-lo ocupado: a segurança e a dignidade do povo brasileiro.

ENCERRAMENTO

Todo povo tem um limite de paciência, e esse limite não é teoria de doutorado — tem nome, tem rosto, tem caixão. Quando a Justiça, que deveria pesar com olhos vendados o certo e o errado, passa a pender sistematicamente para o lado de quem ofende e não de quem foi ofendido, não é falha técnica que está em curso. É inversão moral. E inversão moral, a vida ensina com a crueldade de quem já assistiu a esse mesmo filme repetido, não se corrige sozinha. Corrige-se com coragem, com clareza, com a recusa teimosa de aceitar que o mal seja apenas circunstância passageira.

Porque no fim de tudo há uma coisa que nenhuma estatística, nenhuma tese e nenhum lobby consegue apagar: a certeza, velha como o mundo, de que existe um juízo além do juízo dos homens. As leis que escrevemos aqui embaixo são, na melhor das hipóteses, sombra pálida de uma justiça maior — aquela que não se compra, não se intimida, não se rende a relatório escrito sob luz fluorescente. Os que hoje desviam o olhar da vítima para não enxergá-la um dia responderão, ainda que tarde, perante um tribunal sem recurso, sem prescrição e sem padrinho. Que essa certeza, mais do que qualquer lei nova, seja o que nos sustenta enquanto seguimos de pé — com a lei numa mão e Deus no horizonte — por um país onde a vítima volte, enfim, ao centro da Justiça.

 

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  • Gilberto Simões Pires, em Ponto Crítico
  • 28 Agosto 2026

 

Gilberto Simões Pires

AUTÊNTICO

Quem, por ventura (pouco ou nada provável), esperava que o presidente LULA PETISTA faria uso da entrevista que concedeu na noite de ontem, 27, ao Jornal Nacional, na condição de candidato à reeleição, para tentar CONVENCER os eleitores mais desavisados de que ainda é possuidor de uma ínfima fração de -BOM CARATISMO-, muito provavelmente percebeu que o MITÔMANO LULA foi apenas -MAIS DO MESMO-. Ou seja, foi AUTÊNTICO. Ao responder os questionamentos dos entrevistadores -companheiros-, o -MITÔMANO- fez questão de mostrar que -MENTIR lhe dá INCOMENSURÁVEL PRAZER-. 

PÉROLA DAS MENTIRAS

Em meio a tantas e bizarras afirmações -COMPROVADAMENTE INVERÍDICAS- ditas durante a sua participação no ciclo de sabatinas com candidatos à presidência, ainda que todas pra lá de conhecidas, LULA, -O AUTÊNTICO- fez questão de repetir a velha conhecida PÉROLA DAS MENTIRAS, que consiste na -AFIRMAÇÃO BESTIAL- de ter sido -ACUSADO DE TER UM APARTAMENTO QUE NÃO TINHA, ASSIM COMO DE TER UMA CHÁCARA QUE NÃO TINHA-.

Espetacular, não? 

RESPONSÁVEL FISCAL???

Sem saber se deveria rir ou chorar, confesso que fiquei impressionado com a postura séria do MENTIROSO quando fez a seguinte AFIRMAÇÃO, SEM SER MINIMAMENTE CONTESTADO: -SE TEM ALGUÉM NESSE PAÍS QUE TEM RESPONSABILIDADE FISCAL, ESTE ALGUÉM SOU EU-. Mais: pela enésima vez tentou colocar na RETA DOS FRACASSOS QUE PLANTOU E ESTÁ COLHENDO A OLHOS VISTOS, o governo de Jair Bolsonaro. Para tanto AFIRMOU, bestialmente, que -O GOVERNO BOLSONARO DESMONTOU A PREVIDÊNCIA E O SISTEMA DE CONCESSÃO DE BENEFÍCIOS-. Bárbaro, não??

CEREJA DO BOLO

Entre tantas mentiras ditas e repetidas durante os 40 minutos da entrevista , a CEREJA DO BOLO foi colocada quando O MENTIROSO NÚMERO UM DO BRASIL -resolveu NEGAR -PUBLICAMENTE- QUE CONHECE A LOBISTA ROBERTA LUCHSINGER. Tão logo fez esta MENTIROSA E INDECENTE AFIRMAÇÃO, começaram a pipocar fotos e fotos nas redes sociais, que PROVAM, DE FORMA CABAL, como bem diz o candidato ao Senado, Marcel Van Hattem, o tamanho da CANALHICE DE QUEM QUER CONTINUAR NA CENA DO CRIME!

VALE LEMBRAR

LULA PODE MENTIR, mas as VERDADES DOS CRIMES QUE ENVOLVEM O SEU GOVERNO SE IMPÕEM ATRAVÉS, por exemplo, do MENSALÃO, PETROLÃO, ESCÂNDALO CORREIO, LAVAJATO, ESCÂNDALO INSS, DÍVIDA DA VENEZUELA, DÉFICIT DAS ESTATAIS, ESCÂNDALO DO BANESTADO, ESCÂNDALO DAS SANGUESSUGAS, ESCÂNDALO DA OPERAÇÃO ZELOTES, ESCÂNDALO DO BNDES, DOS FUNDOS DE PENSÕES, DA ELETROBRÁS,TRANSPETRO, ODEBRECHT, REFINARIA DE PASSADENA, INSTITUTO LULA, SÍTIO DE  ATIBAIA, TRIPLEX DE GUARUJÁ, DO PORTO DE MARIEL (CUBA), PORTO DE MOÇAMBIQUE, SUPERFATURAMENTO COPA 2014, CASO OI/TELEMAR, ETC., ETC...

 

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  • Dartagnan da Silva Zanela
  • 27 Agosto 2026

 

Dartagnan da Silva Zanela

             O professor Antônio Cândido, em uma entrevista há muito concedida, disse uma obviedade ululante que, como todas as obviedades, precisa ser repetida porque nós, seres humaninhos, temos o péssimo hábito de esquecer tudo aquilo que realmente tem alguma importância. Disse ele que a leitura de Homero, Cervantes, Shakespeare, Dumas, Dostoiévski, Machado e companhia limitada, juntamente com o conhecimento de histórias folclóricas, literatura de cordel e demais preciosidades, nunca fez mal a ninguém. Aliás, até onde sabemos, ninguém ficou estúpido ou se tornou uma pessoa pior por ter se entregado a esse tipo de desfrute literário.

Além disso, Northrop Frye e Harold Bloom nos lembram que a literatura, por meio de suas páginas, nos apresenta vidas humanas possíveis que, se forem lidas, apropriadas e devidamente interiorizadas, enriquecem a nossa alma com perspectivas que seriam literalmente inacessíveis a uma pessoa que sabe ler e não lê.

E tem mais! Por termos contato com esses dramas humanos ficcionais — e, por isso, possíveis —, temos a oportunidade de experimentar nas entranhas da nossa alma o que realmente significa ser leal, ter coragem, ser um canalha de marca maior, agir de forma piedosa como um santo, ser audaz como um herói e, entre outras coisas, ter compaixão — ser empático — com quem sofre.

Se não temos contato com o fruto das obras destes e de outros grandes mestres da humanidade, sem querer querendo vamos nos condenando a ver a nossa vida apenas pela perspectiva apequenada da nossa existência medíocre.

Sim, a vida de um cidadão comum, como eu e você — como qualquer um de nós —, é, por definição, uma existência medíocre, apequenada, reduzida à perspectiva de meia dúzia de problemas banais. Agora, quando nos permitimos ter contato com esse universo, sem nos darmos conta vamos ampliando imaginativamente a gama de perspectivas da nossa alma e, ao fazer isso, vamos projetando essa dimensão aquilatada sobre a banalidade do nosso dia a dia, elevando o nosso modo de ver a vida e tornando-a uma grande epopeia vivida magistralmente entre os ditames limitantes de uma rotina alienante. Ou, como diria Rubem Alves, quem não lê vê o mundo apenas com os seus olhos — grande coisa; já quem lê vê o mundo com os seus olhos e com as janelas da alma dos autores que leu. E isso, como diria o senhor Spock, é fascinante.

Sim, eu sei que todos nós, neste mundinho imerso na mais vil tecnolatria, aprendemos que devemos ser práticos e objetivos — o que, em outros termos, quer dizer que esse mesmo mundinho quer apenas que sejamos uma peça autômata e alienada deste sistema maquinal e alienante.

Ainda por esse caminho, o professor Olavo de Carvalho recomendava aos seus alunos que tomassem uma obra da grande literatura universal e procurassem, religiosamente, lê-la e relê-la com relativa frequência para, com o passar do tempo, absorver e integrar em sua alma as várias nuances e camadas de significado que há nela.

Aliás, isso é algo que, instintivamente, as crianças manifestam quando pedem insistentemente para rever o mesmo desenho, o mesmo filme, para ouvir as mesmas músicas, as mesmas histórias, para assimilá-las em seus corações de seres humaninhos. Por essas e outras que Nietzsche dizia que a maturidade consiste em reencontrar, na idade adulta, a mesma seriedade que, quando crianças, colocávamos nos jogos e brincadeiras.

Eric Voegelin, por exemplo, todo inverno relia as obras completas de Shakespeare; Luiz Fernando Verissimo tinha a obra magna de seu pai, O Tempo e o Vento, na cabeceira da sua cama; João Nogueira da Silva Neto todo ano relê O Senhor dos Anéis; e nós, o que relemos? Pois é, foi o que eu pensei.

E com uma resposta destas nós queremos — porque queremos — ficar dando pitaco sobre como deveria ser a educação dos outros quando, na verdade, mal principiamos a jornada da nossa, não é mesmo?

*           O autor, Dartagnan da Silva Zanela, é professor, escrevinhador e bebedor de café. Autor de "NAS ENTRANHAS DO LEVIATÃ", entre outros livros.

 

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  • Eguinaldo Hélio de Souza
  • 26 Agosto 2026

 

Eguinaldo Hélio de Souza

             A neutralidade é vendida como o remédio para toda sorte de males. Quem a recusa está fomentando a polarização. Quem a abraça é verdadeiro amigo da paz. É a utopia da imobilidade, a panaceia dos “em cima do muro”, a sabedoria dos indiferentes. Mas não funciona.

Diante de um Hitler, pacifismos ingênuos são acomodações maldosas que alimentam a voracidade do destruidor. Seus profetas “falam de flores vencendo o canhão”. Exortam as ovelhas a comungar com o lobo. Pedem um beijo na serpente que supostamente neutralizaria seu veneno. Ilusão.

Flannery O’Connor escreveu que “temos que empurrar a nossa época com a mesma força que ela nos empurra”. Eu diria que com uma força maior, se queremos que o atacante recue. Por isso, a ideia de que o pacifismo sempre pacifica o atacante é na grande maioria das vezes uma ilusão perigosa.

O mal nunca foi vencido pela neutralidade. Só pode ser vencido por uma força oposta com intensidade maior. Os pacifistas, os “equilibrados”, os “sensatos”, medem os outros com a mesma régua que medem a si mesmos. Eles não querem ferir ninguém e acham que seu inimigo também não. Eles respeitam as regras e acham que seus adversários também respeitam. Eles não entendem o significado da palavra “mal”. Quando alguém é mal, essa maldade se manifesta como engano, perfídia, desonestidade, truculência e inúmeros outros adjetivos negativos. O mal não apenas faz o mal. Ele o disfarça de bem.

A mente moderna não é mais capaz de reconhecer a existência do certo e do errado, do bem e do mal, da luz e das trevas. Acreditam que tudo se trata apenas de pontos de vista diferentes. Evitam até mesmo demonizar o próprio demônio. Por isso, o médico famoso abraça e chora enternecido ao pedófilo e assassino de crianças. Por isso, o Ministério da Justiça é visitado pela “Dama do Tráfico”, esposa do líder de facção criminosa. Os padrões que nos norteavam estão em ruínas.

A realidade nos obriga a escolher nosso lado e a assumir as consequências da nossa escolha. E calem-se aqueles que dizem que dessa forma estamos fomentando o conflito, como se todos fossem Madres Teresas transpirando boa vontade pelos poros. Há muito querem nos fazer acreditar que errado e mal é quem acredita no mal e no erro. O errado e o mal são realidades concretas e discursos bem formulados não têm poder para suprimir a dor na carne que eles provocam.

O bem e o certo precisam ser fortes e firmes se querem garantir sua existência. Fraqueza não é sinônimo de bondade e ser neutro não significa estar certo. Já temos informações históricas e filosóficas suficientes para entender o que as ideologias dominantes são e querem.

Neutralidade é somente o discurso utilizado por um lado para neutralizar o outro.

Encerro, ironicamente, citando Vandré:

Vem, vamos embora, que esperar não é saber.

Quem sabe faz a hora não espera acontecer.

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  • Dagoberto Lima Godoy
  • 24 Agosto 2026

 

Dagoberto Lima Godoy

             O Brasil vive sob uma ditadura informal cujo centro está no Supremo Tribunal Federal. Não é uma ditadura clássica: não fechou o Congresso nem suspendeu a Constituição. É um autoritarismo judicial que conserva a aparência das instituições enquanto açambarca poderes que a Constituição atribui a outros órgãos.

Uma série de violações processuais, legais e constitucionais atinge o sistema acusatório, o juiz natural, o devido processo, as liberdades de expressão e de imprensa, os limites constitucionais da competência do STF e a separação dos Poderes. A exceção transformou-se em método de poder.

O STF, porém, não atua isoladamente. O governo Lula é seu principal apoio político e beneficiário. Não é preciso supor um pacto: a Corte constrange adversários e protege o arranjo vigente; o Planalto e sua base legitimam a expansão judicial e resistem ao controle do Congresso. Soma-se a eles parte do Parlamento com processos ou interesses dependentes de decisões judiciais — o Congresso “com o rabo preso”. Forma-se um regime de proteção recíproca.

Contudo, é bom lembrar que a história revela sinais recorrentes da exaustão de regimes autoritários: perda de legitimidade; crise econômica ou fiscal; revelações de corrupção; divisão do núcleo dirigente; deserção de aliados; afastamento do empresariado e da imprensa; autonomia dos investigadores; redução do medo; união da oposição; e recusa dos agentes do Estado em cumprir ordens abusivas. A combinação desses fatores derrubou regimes aparentemente sólidos, como os de Fujimori, no Peru, e Marcos, nas Filipinas.

Pois alguns desses sinais já aparecem no Brasil. O primeiro é a perda de credibilidade do STF. O caso Banco Master atingiu a Corte: Dias Toffoli deixou a relatoria após revelações que exigiam explicações, enquanto o contrato milionário do banco com o escritório da esposa de Alexandre de Moraes criou, para dizer o mínimo, grave aparência de conflito de interesses. Embora não constituam, por si, prova de crime, esses fatos atingem o fundamento moral da autoridade do Tribunal.

O segundo sinal é a expansão das revelações de corrupção. A fraude bilionária no INSS permaneceu ativa durante o governo Lula e provocou a queda do presidente do órgão e do ministro da Previdência. Somam-se investigações sobre possível tráfico de influência envolvendo o filho do presidente, cujo enriquecimento vertiginoso causa espanto. Na fase de exaustão, a corrupção deixa de servir apenas à compra de lealdades e passa a produzir vazamentos, desconfiança e deserções.

O terceiro sinal é a crise fiscal. Em junho de 2026, a dívida bruta do governo geral alcançou 81,9% do PIB, enquanto o déficit nominal acumulado em doze meses atingiu 9,99% do PIB. Em relação a dezembro de 2022, a relação entre a dívida bruta e o PIB aumentou 10,25 pontos percentuais.  A administração demagógica distribui benefícios, evita reformas, eleva impostos e transfere a conta ao futuro. Porém, à medida que os recursos escasseiam, diminui sua capacidade de conservar aliados mediante verbas, cargos e favores.

Também surgem fissuras na imprensa. Grandes jornais que toleraram os excessos do STF passaram a criticá-lo, sobretudo após a violação do sigilo da fonte de um jornalista. E parte do poder econômico já mostra inquietação diante da insegurança jurídica e fiscal, embora ainda dependa de crédito público, contratos, concessões e decisões judiciais.

A perspectiva mais promissora está na eleição de 2026, que renovará 54 das 81 cadeiras do Senado, o mesmo número de votos exigido para condenar um ministro do STF por crime de responsabilidade. Mas serão necessários senadores independentes e um presidente da Casa disposto a exercer suas competências.

Então, os sinais de abalo existem, embora ainda não indiquem queda iminente. O STF conserva razoável unidade, o Congresso hesita, o empresariado prefere a acomodação e a oposição não apresentou um programa comum de reconstrução. A simples derrota de Lula tampouco encerraria o regime: um novo presidente, diante do mesmo STF e de um Senado submisso, poderia ser neutralizado.

A queda do sistema dependerá de novas revelações; da ruptura da proteção recíproca entre Planalto e STF; do afastamento da imprensa e do poder econômico; da autonomia da Polícia Federal e do Ministério Público; de uma maioria de três quintos no Congresso; e de divisão interna na Corte.

O desafio é grande, mas regimes autoritários começam a cair quando seus sustentadores concluem que protegê-los se tornou mais perigoso do que abandoná-los.

A reconstituição da democracia deverá ocorrer dentro da Constituição: encerramento dos inquéritos de exceção, revisão das medidas abusivas, concessão de anistia aos condenados por atos de natureza política, restauração do sistema acusatório e do devido processo, responsabilização individual mediante provas, recuperação das competências do Congresso e saneamento das contas públicas. Sem vingança nem tribunais de exceção invertidos.

Com perseverança e coragem, haveremos de fazer isso.

 

*         O autor, Dagoberto Lima Godoy, é engenheiro civil.

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