Dartagnan da Silva Zanela
Todos, ao menos da boca para fora, afirmam que a prática da leitura é de fundamental importância para o desenvolvimento cognitivo de uma pessoa; porém, a maneira como o ato de ler é apresentado soa, no mínimo, engraçada porque, na grande maioria dos casos, ele é tratado como se fosse algo natural e simples que, uma vez aprendido, estaria sacramentado, pronto e acabado.
Pois é. Mas não é bem assim que a banda toca.
Como nos lembra Gregorio Luri, ler não é algo natural — nada disso. Seu aprendizado exige esforço e deve ser consistente porque, antes de qualquer coisa, ler é colocar um texto dentro de um contexto; do seu devido contexto. Isso exige um grande empenho de nossa parte, e é justamente aí que a porca torce o rabo.
A decodificação de um texto exige do leitor, além da capacidade de situar o escrito em um contexto apropriado, um domínio crescente do vocabulário, uma fluência na decodificação das palavras, uma certa musicalidade no momento de entoá-las (seja verbal ou mentalmente) e, acima de tudo, uma abertura franca para visualizar na imaginação aquilo que está sendo apresentado nas páginas escritas.
E tudo isso é necessário porque ler não é uma atividade mecânica que pode ser quantificada, nem a pau. Ela, a leitura, é uma arte sutil, exigente e desafiadora.
É exigente porque, quando estamos lendo, toda a nossa atenção, toda a nossa presença deve ser entregue àquele momento; caso contrário, a atividade ficará rasa e esvaziada de sentido. Ela cobra de nós uma melhoria constante e o faz de uma forma discreta, tendo em vista que ler não é algo vistoso como o canto ou um esporte. É exigido silêncio e recolhimento para sairmos do mundo imediato para, em seguida, mergulharmos de corpo e alma nos oceanos de Gutenberg.
Por isso ela é desafiadora, levando-nos para novos mundos, apresentando-nos facetas da vida que até então nunca haviam sido matutadas por nós, ampliando o nosso universo de referências, dando fundamentos sólidos para o nosso entendimento e dilatando a nossa capacidade de apreensão da realidade e de compreensão das venturas e desventuras humanas.
Agora, fazer tudo isso exige um comprometimento integral com a busca sincera e amorosa pela verdade. Dito de outro modo, ler é um compromisso amplamente ativo, apesar da imagem que temos do leitor: um indivíduo aparentemente passivo.
Digo isso por uma razão muito simples: na sociedade atual, confunde-se com uma facilidade doentia uma "atitude ativa" com inquietude e agitação. Nesse sentido, não é à toa que, hoje em dia, tanto crianças quanto adultos tenham tanta dificuldade para se concentrar em algo, tamanho é o desassossego e a aflição que imperam.
Como nos lembra Guy Debord, nos tempos modernos tudo nos move a nos reduzirmos a meros espectadores, em vez de sermos leitores, porque essa arte exige domínio de si, do próprio corpo e uma fina coordenação dos sentidos para edificar em nós o silêncio interior — esse elemento imprescindível para a formação da relação dialogal do universo da nossa alma com o do autor.
Enfim, é triste constatar que, na assim chamada "Era da Informação", a leitura venha, dia após dia, sendo mutilada em nós — por nós mesmos.
* O autor, Dartagnan da Silva Zanela, é professor, escrevinhador e bebedor de café. Autor de "UM GRANDE MONTE DE PÓ E SOMBRAS", entre outros livros.
Alex Pipkin
Há confissões que dispensam exegese e entram diretamente para a antologia do nosso exótico atraso.
Quando o presidente de uma Corte Superior proclama que “nós, vermelhos, temos causa”, não há deslize; há militância declarada.
Nesse Brasil que já naturalizou a promiscuidade entre toga e palanque, a frase não revela; apenas confirma.
Durante décadas, a intelligentsia doméstica ensinou que o Direito era uma superestrutura burguesa, funcional aos interesses de sempre. Pois bem. Descobriu-se que a engrenagem é perfeitamente utilizável, desde que operada pelas “mãos corretas”. O problema nunca foi o instrumento, mas o operador. Quando serve à causa, a justiça deixa de ser referência e passa a ser mera conveniência.
Nessa ordem tropical que confunde forma com substância, a Constituição deixou de ser freio para se tornar plastilina. Decide-se por impulso. Fundamenta-se por conveniência. O texto já não limita o intérprete; o intérprete o atualiza, claro, sempre à luz de uma realidade curiosamente coincidente com suas próprias convicções.
Chame-se isso de neoconstitucionalismo ou de qualquer outro rótulo elegante. No fundo, trata-se de algo mais simples; a causa antecede a norma.
Uma vez antecedida, a norma aprende a obedecer.
O magistrado, exausto do peso da toga, resolveu vestir o abadá da militância. Não apenas joga, ele anuncia o time. Mais, ele ainda espera aplausos pela franqueza.
O paradoxo é de uma ironia cortante. Em nome de corrigir assimetrias, dissolve-se a única barreira que separa a civilização da arbitrariedade; a previsibilidade. Quando o julgador declara lado, o jurisdicionado deixa de ler o processo e passa a calcular o contexto.
Causas são indispensáveis na política. No Judiciário, deveriam ser um constrangimento permanente.
Quando a bandeira ocupa o lugar da toga, o Direito sofre uma mutação silenciosa, já que de limite, transforma-se em ferramenta.
E, quando o Direito passa a obedecer, já não importa o nome que se dê a ele. Importa apenas a vontade de quem o maneja.
Dartagnan da Silva Zanela
Há algumas questões que deveriam ser consideradas centrais quando o assunto é a educação, mas que, na época em que vivemos, acabam sendo varridas para debaixo do tapete da vida. A primeira delas é, conforme nos ensina a professora Inger Enkvist, que o aprendizado — pouco importa do que seja — exige o esforço de quem pretende aprender, o qual deve comprometer-se por inteiro naquilo que está executando para realmente fazer-se presente; e esse esforço pressupõe uma consequente mudança na personalidade do sujeito como nos ensina Hugo de São Vitor.
Sua atitude diante da vida, frente a si mesmo e perante os estudos deve, gradativamente, levá-lo a transubstanciar-se da água para o vinho, deixando as atitudes dispersivas para trás e centrando-se em novas ações de forma responsável.
Um detalhe que muitíssimas vezes é desdenhado é o fato de que o aprendizado — repito, de qualquer coisa — não existirá se este não levar o aluno a sofrer uma transformação tangível porque o aprendizado, seja do que for, presume a conquista, a realização de metas de curto, médio e longo prazo.
Tomemos como exemplo as artes marciais, a música e o aprendizado de uma língua estrangeira. Me digam uma coisa: um karateca pode tornar-se um faixa preta (primeiro dan) sem dominar com o mínimo de maestria as técnicas exigidas? Não. Ele pode passar de uma faixa para outra se não atingir o desempenho que é exigido para alcançar a nova graduação? Novamente, não. Um guitarrista pode ser considerado um músico se não tiver as habilidades mínimas indispensáveis para executar algumas músicas? Outra vez, não. Por fim, uma pessoa que não é capaz de ler uma obra em uma língua estrangeira e manter uma conversação com um nativo desta pode ser considerada um indivíduo fluente? Mais uma vez, não.
Porém, todavia e entretanto, toneladas e mais toneladas de estudantes, todos os anos, obtêm a devida certificação de conclusão do Ensino Médio e do Fundamental detendo apenas algumas noções rudimentares daquilo que deveriam saber com um mínimo de razoabilidade; e a isso, em nosso triste país, dá-se o nome de educação.
Os apressadinhos, de forma assanhada, rapidamente preparam as suas pedras gastas para atirar e responsabilizar os professores — e sim, estes, como todos, têm a sua cota de responsabilidade —; entretanto, é importante lembrar que essa farra de aprovação a torto e a direito não é algo realizado porque os docentes assim desejam, mas sim porque autoridades, preocupadas fundamentalmente com números vistosos, que tenham um apelo publicitário garboso, o exigem.
E como a transformação do aluno, que é o cerne da educação, não é algo que possa ser reduzido a numerozinhos pomposos, ela acaba sendo desdenhada e, em seu lugar, termina sendo colocado algum slogan pomposo, como "protagonismo juvenil", que soa bonito, mas não quer dizer muita coisa.
Ora, por mil raios e trovões, como é possível falar em protagonismo quando todo o sistema educacional induz os alunos a agirem de modo inconsequente? Isso mesmo. Um sistema que permite a qualquer um avançar de uma etapa para outra no jogo escolar está, de forma sutil, ensinando o quê para as tenras gerações? Que nada tem consequência, que eles podem fazer o que quiserem e que "essa é toda a lei" — apesar da quantidade mastodôntica de leis de que dispomos em nosso triste país.
* O autor, Dartagnan da Silva Zanela, é professor, escrevinhador e bebedor de café. Autor de "UM GRANDE MONTE DE PÓ E SOMBRAS", entre outros livros.
Dagoberto Lima Godoy
A nota de entidades do sistema financeiro em apoio à indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal é mais do que um episódio político. É um símbolo. Não se discute aqui a biografia do indicado, nem se pretende negar a qualquer setor da sociedade o direito de manifestar opinião sobre tema institucional relevante. O ponto é outro: quando corporações econômicas se mobilizam ostensivamente para influir na composição da Corte Suprema, fica exposta uma doença mais profunda da vida nacional — a substituição do interesse público por cálculos de conveniência setorial.
O Supremo não é uma agência reguladora do mercado, nem um departamento jurídico do governo, nem um balcão de garantias para grupos organizados. É, ou deveria ser, a última trincheira da Constituição. Por isso, a escolha de seus ministros deveria ser cercada de sobriedade, escrutínio moral, independência e distância prudente de interesses corporativos. Quando setores poderosos se apressam em declarar apoio a este ou àquele nome, a pergunta inevitável é: apoiam por convicção republicana ou por expectativa de segurança, acesso e previsibilidade favorável?
O episódio é emblemático porque revela algo que vai além do sistema financeiro. O Brasil vive uma progressiva desagregação do espírito coletivo. Cada grupo parece defender apenas o seu pedaço: corporações, partidos, bancadas, sindicatos, empresas, tribunais, carreiras de Estado, movimentos organizados. A nação, como ideia superior capaz de limitar apetites particulares, vai desaparecendo do horizonte. O interesse nacional se dissolve na soma de interesses privados em conflito ou em acomodação.
O Congresso Nacional, salvo exceções honrosas, reflete essa decomposição. A política deixou de ser predominantemente debate sobre o destino do país para tornar-se negociação permanente de vantagens, cargos, verbas, blindagens e sobrevivências eleitorais. A representação popular, que deveria elevar os interesses dispersos da sociedade a uma visão de conjunto, frequentemente os rebaixa a mercado de trocas. O parlamentar não se sente mandatário da República, mas operador de sua base, de seu grupo, de seu fundo eleitoral, de seu espaço de poder.
No Judiciário, a situação é igualmente preocupante. A simples multiplicação de controvérsias envolvendo ministros, familiares, relações econômicas, decisões monocráticas de enorme impacto e proximidades impróprias com agentes políticos e empresariais corrói a confiança pública. Uma Corte Suprema precisa não apenas ser honesta; precisa parecer institucionalmente distante, contida e impessoal. Quando passa a ocupar o centro da política, a falar demais, decidir demais e justificar-se de menos, perde a majestade moral que sustenta sua autoridade.
O que se vê, portanto, não é apenas crise de governo. É crise de caráter público. O Brasil sofre de um esfacelamento moral que não se resolve com um salvador, uma eleição, uma decisão judicial ou uma reforma isolada. O problema está no enfraquecimento da ideia de limite: limite ao poder econômico, ao voluntarismo judicial, ao fisiologismo parlamentar, ao uso partidário das instituições e também ao cinismo social de quem condena a corrupção alheia, mas aceita pequenos privilégios quando lhe convêm.
Como sair disso?
A decadência começa quando cada um pergunta apenas: “o que ganho com isso?”. A reconstrução começará quando voltarmos a perguntar: “que país estamos deixando depois de nós?”. Sem espírito público, não há Constituição que resista, Supremo que se respeite, Congresso que represente ou economia que sirva à nação. Há apenas interesses organizados disputando os restos de uma nação que esqueceu de ser comunidade.
* O autor, Dagoberto Lima Godoy, é engenheiro civil
Sílvio Lopes
Dentre as escolas filosóficas, sou admirador da Escolástica e de seu mais eminente representante, São Thomas de Aquino. Essa escola buscou, durante a Idade Média, associar a razão aristotélica e platônica com a fé, no sentido absoluto de sintonizar o contato direto com a verdade.
E conseguiu, magistralmente, descortinar um novo horizonte no rol da sabedoria humana e seus desafios, justo num momento em que a civilização(atormentada), pressente o limiar de uma nova era em sua trajetória por este planeta. Esse tempo, afinal, parece ter chegado. Prá valer!
Observando bem, os alicerces em que se assenta a sociedade deste novo século estão "contaminados" pela desídia do espírito humano no espantoso desinteresse pelas coisas de valor espiritual e ético. A ciência, o conforto e o sentimento de poder terreno parecem ter "materizalizado" o homem. Daí a tragédia humana sendo exposta prá todo lado...O que concretamente percebemos é o " cordial" convívio, entre nós, de verdadeiros rasgos de virtudes, ante vilanias criminosas...
Vivemos, nos dias atuais, a busca desenfreada por conhecimento. Rompemos limites espaciais em busca da verdade, de uma paz e de um sentido para a vida que parecem cada dia mais distantes. Mas ignoramos que a resposta prá tudo isso que nos apavora, causa aflição e angústia, está na exploração do que trazemos dentro de nossa alma. Ao alcance, portanto, de todos nós. De cada um, em particular.
A desespiritualização da sociedade abriu espaços hoje ocupados por terapias ineficazes que ignoram o "espírito humano" e assim acabam redundando em frustração e desencanto para milhões de seres decretados ,"enfermos permanentes" e pela vida toda condenados a se tornarem sócios da indústria farmacêutica... Uma tragédia anunciada!
Como dizia Werner Von Braum, destacado cientista da NASA: "Creio, firmemente, que nosso presente e futuro está muito mais dependente de nossa busca pelo espiritual, do que nossa aposta, puramente, na ciência".
Talvez um dia nos convençamos dessa verdade, e, então, estejamos preparados para dias mais gloriosos e felizes na terra. Porém, é preciso lembrar que " o homem é o enigma do homem". Isso, por si só, explica muitos dos paradoxos com que a humanidade vem se defrontando. Desde o seu começo.
* O autor, Silvio Lopes, é jornalista, economista e palestrante
Gilberto Simões Pires
DÉFICIT FISCAL MONSTRUOSO
Ainda que a -REPROVAÇÃO DE JORGE MESSIAS, indicado pelo presidente Lula para ocupar a vaga de ministro do STF, continue repercutindo por todos os cantos do nosso empobrecido Brasil como o -FATO DE MAIOR RELEVÂNCIA-, um outro GRAVE PROBLEMA -CRIADO E CULTIVADO- pelo GOVERNO LULA PETISTA, que exige atenção redobrada é o MONSTRUOSO E SEMPRE CRESCENTE -DÉFICIT FISCAL-.
O MAIOR DÉFICIT DA HISTÓRIA
Pois, para desespero geral daqueles que têm um pingo de discernimento, segundo estimativa de agentes do mercado financeiro, publicada hoje, no site PODER 360, que não raro aplaude PROPOSTAS E DECISÕES DO GOVERNO LULA, -O 3º MANDATO DO PRESIDENTE PETISTA terá o MAIOR DÉFICIT NOMINAL MÉDIO DA HISTÓRIA DO PAÍS. O ASSUSTADOR ROMBO PROJETADO NAS CONTAS DO SETOR PÚBLICO CONSOLIDADO JÁ CHEGA A INCRÍVEIS 8,54% DO PIB. Detalhe: o recorde anterior foi registrado durante os governos de DILMA PETISTA e MICHEL TEMER, quando atingiu 8,48% do PIB. Que tal?
ESTATÍSTICAS FISCAIS
Segundo o relatório -ESTATÍSTICAS FISCAIS-, divulgado hoje, 30/04, pelo BANCO CENTRAL, em MARÇO DE 2026 o SETOR PÚBLICO CONSOLIDADO -formado por União, Estados, municípios e estatais- foi deficitário em R$ 80,7 BILHÕES. Trata-se do MAIOR DÉFICIT PARA O MÊS DESDE O INÍCIO DA SÉRIE HISTÓRICA, EM 2002. Mais: no mesmo período o -DÉFICIT PRIMÁRIO- que exclui os GASTOS COM JUROS DA DÍVIDA DO SETOR PÚBLICO, foi de R$ 137,1 BILHÕES. Detalhe: a DESPESA DO SETOR PÚBLICO CONSOLIDADO, que só LULA afirma que se trata de -INVESTIMENTO-, SERÁ RECORDE NESTE 3º GOVERNO PETISTA. Com isso, o GASTO MÉDIO, para quem não sabe ou não acompanha, será de 7,64% do PIB.
VINGANÇA
Como se percebe, nem mesmo a importante REJEIÇÃO DE JORGE MESSIAS imposta ontem pelo Plenário do Senado, por acachapantes 42 votos contra 34, ganha muito espaço para ser festejada. Até porque QUANDO DERROTADO, LULA PARTE PARA NOVAS VINGANÇAS, QUE NÃO RARO SE TRADUZEM EM NOVOS IMPOSTOS, CORRUPÇÃO E GASTOS AINDA MAIS ABSURDOS...