Ontem, sábado, dia 6, no ato de protesto realizado ao longo da Av. Ipiranga, fiz boa parte do trajeto caminhando ao lado do meu amigo Armando Burd, um jornalista correto e digno, colunista do jornal O Sul. Em sua coluna de hoje, ele assim noticiou o ato:


ECO NA IPIRANGA


"Nem black blocs, nem vândalos. Apenas inconformados com governo e parlamentares.
Manifestantes se reuniram no Parque Marinha do Brasil, 16h30min de ontem, para protestar contra propinas na Petrobras, tentativas de cercear a imprensa e aprovação de lei que mudou a meta fiscal. Puxada por um carro de som, a passeata pela avenida Ipiranga se prolongou por quase uma hora e o slogan mais repetido foi "Polícia Federal, orgulho nacional". Os oradores atacaram Lula, o PT e a presidenta Dilma, pedindo impeachment via processo no Congresso. Enfatizaram que não representavam partidos políticos, nem tinham vínculos com movimentos defensores da volta dos militares ao poder. Queriam somente expressar a insatisfação com o governo e as distorções na gestão. O ponto final foi a sede da Polícia Federal, quase na esquina da Azenha, com mais pronunciamentos, a leitura dos nomes dos deputados federais que votaram a favor da brecha na Lei de Responsabilidade e o Hino Nacional."

 

  • 07 Dezembro 2014

MEUS TWEETS DURANTE A VOTAÇÃO DO PLN 36 PELO CONGRESSO NACIONAL

 

Os petistas podem ficar tranquilos. Têm no Senado da República, escolhido a dedo, um presidente com a estatura moral de seu governo.


Congresso em sessão pornô. Deveria ser proibida entrada apenas para menores de 18 anos.


Governo Dilma: do estelionato eleitoral para o estelionato fiscal.


Deputado Henrique Fontana pensa que está sempre falando para idiotas.

 

O senador Lindbergh pediu o impeachment de Collor. Gritou fora Sarney, Itamar, FHC. E agora diz "Fora oposição"


Congresso petista, como tudo que eles controlam, virou zona de livre comércio. Acho que até o quorum foi comprado.


Esse é um governo exemplar para a população. Carcerária.
 

  • 04 Dezembro 2014

QUEM VAI PARA A SACOLA DE COMPRAS DE DILMA?


A nação ficou sabendo, ontem, que o governo, no exato momento em que anuncia compromissos com a austeridade fiscal, separa um caixa de R$ 10 bilhões para comprar votos parlamentares.


Não adianta o líder do governo gastar saliva com explicações de que esses recursos pendentes são relativos às emendas parlamentares e que beneficiarão congressistas de todos os partidos. Importa saber a coincidência de datas e a condicionante instalada no decreto presidencial – uma coisa depende da outra. Mais uma vez, o governo negocia com o Congresso em bases vis: “Atenção, meninos e meninas, ou vocês retiram do mundo dos fatos a minha irresponsabilidade fiscal, ou não tem grana para as emendas parlamentares de ninguém”.


Coisa muito feia, inconcebível num país civilizado. Tipo da conversa que não se dá entre pessoas decentes, mas parece ter lugar no mundo institucional brasileiro.


Dependendo do que venha a ocorrer no dia de hoje, ficaremos sabendo quem entrou para a sacola de compras da Presidência da República.
 

  • 03 Dezembro 2014

RECEBIDO HOJE DE HAVANA
Percival Puggina

 

Gostaria muito que esta matéria fosse lida por pelo menos um desses tipos que se apresentam nos meios de comunicação para falar sobre as "maravilhas", as "especificidades da democracia cubana", e o "esplêndido regime" que os irmãos Castro só não conseguem transformar num paraíso terrestre "por causa da perversidade norte-americana". Malditos todos!

 

O poderoso e perigoso senhor da foto é Guillermo Fariñas, dissidente cubano. Suas ameaçadoras e desestabilizadoras greves de fome o converteram numa espécie de inimigo nº 1 do regime após o assassinato, pelo governo cubano, do meu amigo Oswaldo Payá. Guillermo Fariñas recebeu, em 2006, o prêmio Ciberlibertad, dos Repórteres sem Fronteiras. Como Payá em 2002, Guillermo foi merecedor, em 2010, do prêmio Sakharov da Liberdade do Pensamento, concedido pelo Parlamento Europeu. Sua esquálida imagem, numa das muitas greves de fome que fez, correu mundo, junto com a notícia do desprezo com que Lula, em visita a Havana, se referiu à situação do prisioneiro. Malditos todos!

 

Recebo hoje, de Havana, a notícia de que esse terrível e endemoninhado defensor da liberdade, por três vezes preso, vem sendo objeto da ação de hackers. Ele é o porta-voz do Conselho de Coordenadores do Foro Antitotalitário Unido Juan Vilfredo Soto García (outra vítima do regime), cuja principal tarefa é denunciar as absurdas prisões políticas e as perseguições e maus tratos de dissidentes. Conta a mensagem, que os hackers a serviço do governo passaram a invadir o equipamento do Foro, enviando cartas que causam confusão entre seus membros, com o intuito de afetar o prestígio nacional e internacional de seu líder. Quem tiver interesse em conhecer o inteiro teor do documento em que essa denúncia é feita ao mundo, pode lê-lo em espanhol, aqui.
 

  • 28 Novembro 2014

No fundo, a motivação não será, mais uma vez, grana, fundo de reparação e honorários? E a conta vem para a sociedade.

 

OAB CRIA COMISSÃO DA VERDADE DA ESCRAVIDÃO NEGRA NO BRASIL

 

Brasília – “Somos um só Brasil. Queremos uma nação de iguais. O fim do racismo e do preconceito, não admitindo a intolerância e a discriminação, são fundamentais para a construção de uma sociedade justa, solidária e fraterna”, afirmou nesta segunda-feira (3) o presidente nacional da OAB, Marcus Vinicius Furtado Coêlho, durante a sessão plenária que aprovou a criação da Comissão Nacional da Verdade da Escravidão Negra no Brasil. Também foi aprovado novembro como mês da consciência negra para a advocacia.

A comissão terá como funções o resgate histórico desse período, a aferição de responsabilidades e a demonstração da importância das ações de afirmação como meio de reparação à população negra. O plenário da OAB aprovou também o encaminhamento de sugestão do governo federal para que crie comissão semelhante, para atuar nos moldes do que faz hoje em dia o grupo que apura os crimes cometidos durante a ditadura militar.

Marcus Vinicius apresentou números que mostram a inserção da população negra na advocacia. “Nos últimos dois anos, 39 mil advogados negros adentraram os quadros da Ordem. Somos uma categoria representada por um contingente importante numericamente e de qualidade de profissionais negros, que ajudam a construir a advocacia do nosso país”, disse.

“Através desse ato estamos fazendo história não somente na OAB e na advocacia, mas na sociedade deste país, inaugurando e alicerçando a criação da Comissão da Verdade contra todos os crimes praticados com preconceito racial. Todos esses crimes devem ser apurados com mais rigor”, afirmou Cícero Bordalo Jr., presidente da Comissão Nacional da Promoção da Igualdade.

Vice-presidente da Comissão Nacional da Promoção da Igualdade e também da nova comissão, Humberto Adami afirmou que a OAB entra para a história com a criação da comissão sobre escravidão. “Estamos fazendo história hoje. A criação dessa comissão é um importante passo dentro de uma grande história. Buscar saber o que aconteceu colocará o Brasil de frente para si mesmo, onde hoje existem cidadãos de duas categorias”, afirmou Adami, que defendeu também a criação de um fundo de reparação no contexto da comissão que apurará a escravidão.

O conselheiro federal César Augusto Moreno (PR) foi o relator do processo de alteração de provimento para a criação da nova Comissão e afirmou que “a OAB está junta para criar um país mais justo e igualitário”. “Precisamos identificar e expor os fatos da escravidão para que a sociedade se livre das sombras do passado e possa ser reparado. Desta forma, esperamos que a sociedade possa se congraçar em um estilo de vida multirracial, com reflexão sobre o passado, as conquistas, a inserção e o papel do negro na nossa história”, concluiu em seu voto.

A votação que criou a Comissão da Verdade da Escravidão no Brasil foi acompanhada por representantes de diversas entidades da sociedade civil que lutam pelos direitos da população negra e quilombola.

 

http://www.oab.org.br/noticia/27772/

  • 26 Novembro 2014

QUANDO MORRE UM ESCRITOR
Percival Puggina


 Quando morre um escritor, palavras, frases, crônicas, livros inteiros deixam de vir à luz, de chegar a nossas mãos e aos nossos olhos. Querem chamar isso de perda? Sim, isso é uma perda. Uma grande perda que se prolonga através dos anos. E para muitos.

 

A súbita morte do amigo e jornalista Celito de Grandi fez mais do que isso. Levou-me um amigo, um desses irmãos no coração, sempre poucos e bons, que a gente forma nos caminhos da existência. Seus muitos leitores, perderam as obras que ele tinha em mente (sobre algumas já havíamos conversado). Eu perdi, também, o convívio fraterno com o Celito.

 

Nunca me passou pela cabeça, como mencionei durante seu velório, que um dia teria que falar ao lado de seu caixão. Ali estava um amante da vida e das coisas boas. Um amante da cultura, do jazz, do tango, da Marquês de Sapucaí, do champagne, de suas férias em Lisboa. Jornalista e escritor de mão cheia e dedos ágeis. Há trinta anos, ao lado dele, na mesma sala de trabalho, escrevi minhas primeiras crônicas, sob sua vigilância. Privilégio meu.

 

Cavalheiro, sempre elegante, portava com discrição virtudes que saltavam aos olhos de quem com ele conviveu. Por isso, foi um coletor de gente boa. Os amigos de Celito, aqueles que dele se acercavam, eram dessas pessoas que gostam de conviver entre os melhores de sua geração.

 

Perdeu-se muito, então. No entanto, a fé me torna as coisas mais fáceis e menos depressivas neste momento. Dela me vem a certeza de que o Celito, que por aqui andou com tanta alegria e gosto, há de estar melhor ainda na vida nova, para a qual o Senhor o convocou.
 

  • 24 Novembro 2014