(Publicado originalmente na coluna do autor na Folha de Londrina)
Se Paulo Francis e Nelson Rodrigues vivessem hoje em dia, seriam youtubers e fariam grande sucesso em comentários no Facebook e no Twitter. Isso não os impediria de escrever os livros que escreveram, mas certamente ampliaria o alcance de suas opiniões. Nelson (nos anos 60 e 70) e Francis (nos anos 80 e 90) eram vozes praticamente solitárias do conservadorismo brasileiro, enquanto a esquerda, no período compreendido entre a ditadura militar e a redemocratização, adotava a estratégia de ocupar espaços nas instituições culturais e midiáticas do país. Tipos como Francis e Nelson acabaram se tornando verdadeiros ETs, vozes do exílio no habitat cultural dominado por esquerdistas.
Nasci em 1970. Na minha geração, todos os espaços de debate público — jornais, universidades, igrejas, mercado editorial — eram hegemonicamente dominados pela esquerda. Direitistas, os raros que havia, eram como bichos de outro mundo: um Merquior, um Corção, um Roberto Campos, além dos dois mitos já citados. A primeira rachadura séria nesse sistema foram os livros "A Nova Era e a Revolução Cultural" e "O Imbecil Coletivo", publicados pelo filósofo paulista Olavo de Carvalho nos anos 90. O establishment esquerdista ficou de queixo caído, perplexo, mais perdido que cebola em salada de frutas.
Mas a grande contrarrevolução midiática viria mesmo na primeira década do novo século, com o advento da internet e das redes sociais. O professor e escritor Percival Puggina, de Porto Alegre, viveu essas transformações e comenta em artigo recente: "No momento em que a internet se massificou e ocorreu a explosão das redes sociais (tão atacadas, nessas recentes críticas, como território ‘da direita’), democratizou-se o conhecimento e a Universidade perdeu sua função de grã-sacerdotisa do saber filosófico e da interpretação da história. De modo sutil, acontecia uma revolução do saber. A internet e as redes sociais, Olavo de Carvalho e seus cursos, cortavam os cabelos de Sansão e faziam emergir um grande número de novos autores e formadores de opinião que encontraram os meios de chegar ao público, multiplicando nas redes o conhecimento produzido por gigantes do pensamento até então jogados às traças nos desvãos das bibliografias e bibliotecas acadêmicas".
Hoje posso dizer, sem medo de exagerar, que esses autores, de viés conservador e liberal, raras vezes socialdemocrata, constituem fontes importantíssimas do meu trabalho jornalístico e intelectual. E confesso a vocês: graças a eles, erro muito menos. Pense o leitor nas barrigas jornalísticas que a velha mídia nacional e internacional colecionou durante o último ano. A acreditar na maioria dos veículos de grandes centros, não haveria impeachment; o Petrolão não passaria de uma intriga de opositores; a Lava Jato nunca prenderia Cunha; o Reino Unido continuaria na Comunidade Europeia; a Colômbia teria aprovado o acordo de paz com as Farc; Dória e Crivella jamais seriam prefeitos; e Hillary estaria confortavelmente instalada no salão oval da Casa Branca. Só que deu ruim — ao menos para quem acreditou em tudo isso.
Para o antropólogo Flavio Gordon, um dos perfis que sigo no Facebook (todos os citados nesta matéria estão no mesmo caso), a esquerda brasileira, e por conseguinte os veículos de comunicação dominados por ela, perdeu o contato com a realidade. "Com isso, a mídia esquerdista não enxergou em tempo hábil a ameaça representada pelas redes sociais". Caso raro de intelectual que migrou de uma bem-sucedida carreira universitária para a liberdade das redes sociais, Gordon afirma que a internet pôs fim ao isolamento das pessoas incomodadas com o discurso único de esquerda. "Essas pessoas não tinham, até então, noção de seu número e de sua força. Percebendo que não estavam sozinhas, começaram a criar coragem para se expressar, investindo em blogs, sites, comunidades do FB, etc." A força das redes sociais pode ser vista hoje pela atenção que os políticos e governantes dão ao que se passa no ambiente virtual. "É como se, enquanto os antigos meios de comunicação operassem em progressão aritmética, as redes sociais operassem em progressão geométrica", compara Gordon.
Um fenômeno da internet é o comentarista Filipe G. Martins, que deu um baile em toda a imprensa brasileira e acertou o resultado das eleições presidenciais americanas em 46 dos 50 estados. Se Paulo Francis estivesse vivo, gravaria um vídeo ironizando: "O menino errou em quatro; a velha mídia caiu de quatro". Filipe sabe que o domínio ainda exercido pela esquerda na mídia nacional. "Não há qualquer exagero na afirmação de que o ideal gramsciano de elevar o esquerdismo em ‘autoridade onipresente e invisível’ foi realizado em nosso país", observa. "De todo modo, apesar de ainda enxergar um cenário negativo, é incontestável que as coisas melhoraram muito e que a esquerda hoje não fala mais sozinha."
A professora e escritora paulistana Paula Rosiska, colunista do excelente site Senso Incomum, diz que definitivamente "se rasgou o véu do templo", ou seja, o antigo status de detentores da verdade não pertence mais aos artistas, jornalistas e acadêmicos com espaço na velha mídia. "Atualmente, os sites de humor político levam muito mais jovens a estudarem história e a questionarem os fatos do que qualquer professor doutrinador. O esquerdista hoje não seduz. É carrancudo, tem aparência descuidada, só fala em clichês que qualquer um nota estarem longe da realidade. A vitória acachapante do Dória em São Paulo e mesmo do Crivella no Rio comprovam que os artistas e a imprensa não elegem mais ninguém."
O advogado Taiguara Fernandes de Sousa tem sido um dos mais ativos críticos do discurso hegemônico da grande mídia, sobretudo no campo jurídico, que é a sua especialidade. "As redes sociais deram voz a quem não tinha e criaram meios alternativos de difusão de informação. Acompanho essa mudança desde o antigo Orkut e o surgimento do Blogger. Comunidades eram canais onde se podia discutir e contestar notícias; nos blogs, qualquer um poderia trazer uma notícia de outra fonte, escrever suas próprias análises, dar uma visão diversa. O True Outspeak, programa de rádio virtual de Olavo de Carvalho, formou toda uma geração mostrando o outro lado da notícia; eu descobri todo um mundo ali." Com o surgimento do Twitter e do Facebook, a velocidade de informação e de conferência de notícias passou a ser outra. No Facebook, as potencialidades só aumentaram: qualquer um, num perfil ou página, podia dar uma versão diversa da mídia oficial e ser, talvez, mais compartilhado que ela mesma. Com o advento dos smartphones, então, tudo ficou mais fácil e rápido. Tive exemplo claro disso em 2015 e 2016, anos nos quais acompanhei as manifestações, a Lava Jato e o impeachment com o celular na mão, escrevendo análises das ruas, do sofá, de onde fosse necessário."
A revolução das redes sociais fez ruir o monopólio da mídia dos grandes centros e feriu de morte a hegemonia esquerdista no debate político. Abriu espaço para novos mitos, figuras legendárias como o carioca Alexandre Archer, um dos mais afiados "zuêros" do Facebook e do Twitter, que diariamente combina doses pequenas, mas letais, de ironia e independência na avaliação das notícias e do ambiente cultural. Ele comemora o fim da dominação socialista na comunicação. E sentencia: "Já tínhamos razão, agora também temos voz. Ninguém segura. Mas é claro que ainda demora um pouco até que a capilaridade da nossa narrativa seja plena. Tenho visto o choro da esquerda. Está bonito".
Para não dizer que só falei da direita, ouvi dois amigos escritores, ambos londrinenses, que costumo acompanhar nas redes sociais, mesmo que nem sempre concorde com suas opiniões. O humorista e escritor Marcio Américo diz que realmente existiu um domínio da esquerda nos debates ao longo dos anos 70 e 80. "Nunca se debateu tanto como naquela época. Mas o fato é que havia uma ditadura de esquerda, não havia nos meios que eu frequentava alguém assumidamente de direita, daí que as pautas eram repetitivas e óbvias". Mas Márcio não compartilha do otimismo com as redes sociais na atualidade: "Tanto a esquerda quanto a direita ainda ostentam uma retórica de ódio, intolerância e acima de tudo incompreensão. Meu conselho para quem quer debater política: afaste-se das redes sociais".
O médico e escritor Marco Antonio Fabiani vê vantagens no uso das redes sociais para o debate político. "Em princípio, todo debate que se amplia é bom. E a rede não é uma plataforma neutra, pode-se fazer bom ou mau uso dela. Embora muitas vezes a qualidade do debate caia muito, considero melhor que as pessoas expressem suas opiniões, mesmo que choquem, do que elas carregarem isso consigo mesmas." Fabiani, assim como Marcio Américo, é frontalmente contrário a qualquer tipo de censura e controle de conteúdo na internet. "Com todas as ressalvas, as redes são um bom espaço de debate. Censura seria a pior coisa", diz o médico-escritor.
E, no entanto, o fantasma da censura paira sobre a internet. Governos e poderosos grupos de pressão se mobilizam que o Google, o Facebook e o Twitter exerçam maior controle sobre o que eu e você falamos nas redes sociais. "Querem tratar os usuários da internet como bebês incapazes de discernir a mão direita da mão esquerda, e entregar o controle das informações a veículos da grande mídia que nunca hesitaram em emplacar narrativas que possam contribuir com as pautas prediletas da esquerda", analisa Filipe G. Martins. Em outras palavras, os mandachuvas da mídia mundial, desesperados com suas derrotas em 2016, querem impor sobre nossos posts um controle digno de um romance de George Orwell.
Não curti isso. Francis e Nelson também não curtiriam.
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É uma pena que muitas pessoas não fazem nenhuma conexão entre a pichação/depredação de patrimônio publico e vários outros problemas da cidade, como criminalidade, inundações e, ate mesmo, sonegação.
Aparentemente desconexos, a teoria da janela quebrada mostra que eles estão totalmente ligados, já que nós, seres humanos, reagimos aos padrões e incentivos existentes.
O abandono das áreas públicas é um problema de valores.
Primeiro, deixa claro que não existe poder constituído que zele pelo patrimônio publico.
Segundo, tem o efeito pedagógico: pode destruir mais que não há consequência alguma.
Terceiro, gera o efeito cascata: já que ninguém cuida, eu também não irei cuidar.
Quarto, induz a racionalização das maldades, já que, como o dinheiros dos impostos esta sendo mal gasto, muitas pessoas vão utilizar esse argumento para sonegar.
E, por fim, quinto, contribui para a alienação social, já que todos passam a considerar normal viver em uma cidade abandonada, sem lei, sem autoridade, e sem respeito ao próximo.
O ato de pichar e depredar o patrimônio publico não é um ataque as autoridades. É um ataque direto e covarde aos mais pobres, que usam, dependem e sobrevivem nas áreas publicas. Essas pessoas é que irão sofrer mais. Elas que irão sentir mais as consequências do famoso estudo de Stanford sobre as janelas quebradas.
Como se não bastasse, os recursos públicos que serao utilizados para pintar muros, arrumar banheiros públicos, arrumar placas e faróis, desentupir bueiros, são os mesmos recursos que poderiam ser utilizados para melhorar a saude, qualificar a educação ou tirar mais pessoas das ruas. Ou seja, mais uma vez, quem depende dos serviços públicos sera novamente penalizado.
É fácil dizer que não há dialogo, mas eu pergunto: será que os pichadores e depredadores dialogaram com a sociedade antes de deixarem suas marcas e assinaturas? Pediram licença e envolveram a sociedade na escolha dos locais, ou fizeram isso de forma anônima, egoísta e sem qualquer consideração e respeito ao próximo?
Vivemos em um pais sem valores, ou melhor, com valores invertidos. Quem picha não deve satisfação a sociedade, não precisa dialogar ou fazer consultas públicas para definir quando, onde e o que ira desenhar, mas a sociedade precisa pedir autorização para consertar janelas e pintar muros.
Filhos de embaixadores, intelectuais, políticos e empresários, que deveriam dar o exemplo de educação e respeito, são os primeiros a pichar, destruir e depredar, sob o argumento de fazerem arte e justiça social. Negam ou ignoram que esses mesmos atos estão, na verdade, aumentando o abismos social e piorando ainda mais a vida daqueles que já são excluídos.
Esta na hora de pensarmos se é esse pais que queremos deixar para os nossos filhos...e quais as reais consequências dos nossos atos.
Quando Al Capone foi apanhado sob alegação de estar sonegando impostos, ninguém jamais se importou com a mulher dele, porque os mafiosos costumavam preservar a intimidade do lar, esta era a regra, embora aparecessem exceções, como o casal Clyde Barrow e Bonnie Parker. Aqui no Brasil contemporâneo, ocorre justamente o contrário – os criminosos do colarinho branco fazem questão de envolver a família nos atos de corrupção, não se preocupam em preservar mulher e filhos. No início, tudo é festa, nada como enriquecer ilicitamente... Mas depois, é claro, acabam se arrependendo.
CABRAL E ADRIANA ANCELMO – O ex-governador Sergio Cabral, por exemplo, agiu exatamente como Clyde Barrow e colocou a própria mulher no mundo do crime. Quando se conheceram, Adriana Ancelmo era uma jovem advogada inexperiente em tudo, inclusive em corrupção. Tornaram-se amantes e Cabral resolveu largar a mulher, Suzana Neves, prima do senador Aécio. Daí para a frente surgiu o Casal 171 da política, num festival de corrupção como nunca se viu na administração pública direta.
Detalhe importante: as investigações sobre Cabral estão apenas começando. Falta pescar muito peixe grande, como os ex-secretários Sérgio Cortes (Saúde), José Mariano Beltrame (Segurança) e Luiz Fernando Pezão (Obras), mas tudo tem sua hora.
A HORA DO CHORO – O colunista Mauricio Lima, da Veja, divulga que Sergio Cabral está deprimido, chora muito, seus amigos temem que tente suicídio no presídio de Bangu. É uma possibilidade, claro, e nem seria novidade, pois a repórter Juliana Castro, de O Globo, revela que o vice-almirante Othon Pinheiro da Silva tentou suicídio no regime domiciliar em que se encontra, na Base Naval do Rio Meriti.
Othon tornara-se mito nas Forças Armadas, como um dos responsáveis pelo programa nuclear da Marinha. De repente não é mais nada e está prestes a perder a patente, quando completar dois anos de condenação. Ele destruiu a próxima carreira e o que restava de sua vida. Não envolveu a mulher, mas levou de roldão a própria filha, Ana Cristina Toniolo, que era sócia dele numa firma de trambicagens de engenharia e pegou 12 aos e quatro meses de cadeia.
CUNHA e FAMÍLIA – Embriagado pelo poder e confiante em permanecer impune, o ex-deputado Eduardo Cunha seguiu o mesmo caminho. Sem a menor necessidade, colocou a mulher Cláudia Cruz como cúmplice de seus atos de corrupção, envolvendo-a nos depósitos de contas no exterior.
Ainda não satisfeito, incriminou os filhos Felipe, Danielle e Camilla, sócios da empresa GDAV Serviços de Publicidade, que faturou fraudulentamente R$ 1 milhão da Gol Linhas Aéreas. Agora, Cunha está desesperado, querendo fazer delação premiada, mas pode ser tarde demais, a força-tarefa da Lava Jato não demonstra interesse e ele terá de entregar peixes graúdos, podemos imaginar quais serão eles.
DINASTIA ODEBRECHT – Rico desde sempre, devido ao crescimento da empresa na administração do patriarca Norberto Odebrecht, um empresário que destinava boa parte da fortuna para programas sociais, Emilio Odebrecht preferiu transformar a empreiteira numa máquina de corrupção. Nessa onda, a partir do governo FHC ele montou um dos maiores conglomerados empresariais da América Latina. Depois, introduziu o filho Marcelo na criminalidade, foi curtir a vida e deixou-o com a bomba-relógio no colo.
Marcelo Odebrecht está preso desde junho de 2015, o pai Emilio teve de reassumir a presidência, a delação ainda não foi homologada e o grupo empresarial desmorona de forma impressionante. A família tem dinheiro ilícito para várias gerações, mas precisa mudar de sobrenome – a marca Odebrecht está destruída para sempre.
MARISA LETíCIA SOFRE – Na UTI do Sírio-Libanês, Marisa Letícia luta pela vida. Oficialmente, tem hipertensão, que causou um AVC, mas na vida real ela é vítima do marido, que a destruiu.
A ex-primeira-dama vivia nas nuvens, até novembro de 2012, quando a Polícia Federal trouxe a público o romance de Lula com Rosemary Noronha, que ele nomeara chefe do Gabinete da Presidência. A paixão por Rose era antiga, vinha da década de 90, mas Lula não podia abandonar a esposa. Depois do escândalo, sem alternativa, ele tentou melhorar as coisas fazendo todas as vontades de Marisa Letícia, e foi daí que derivaram os graves problemas da ocultação de patrimônio no tríplex do Guarujá, no sítio em Atibaia e na duplicação da cobertura em São Bernardo do Campo.
Marisa Letícia já virou ré em dois processos de lavagem de dinheiro no tríplex do Guarujá e na duplicação fraudulenta da cobertura da família Lula da Silva em São Bernardo. E ainda falta o sítio em Atibaia, mas já cantaram a pedra, como se dizia antigamente.
A DERROCADA – Mulher de pouca instrução, Marisa Letícia não consegue entender o que vem acontecendo. De repente, o tríplex não é mais seu e nem pode continuar frequentando o sítio de Atibaia, onde reunia quase semanalmente a família. Está desesperada porque o caçula Luís Cláudio é réu na Operação Zelotes e a Polícia Federal aperta o cerco ao filho Fábio Luís e a seus sócios Fernando Bittar e Jonas Suassuna, envolvidos no caso do sítio de Atibaia e em muitas outras falcatruas.
Marisa Letícia desatinou. Perplexa, constatou a ruína da família, e os amigos também estão desmoronando, pois José Carlos Bumlai continua preso e até o advogado-compadre Roberto Teixeira virou réu por atuar na ocultação de patrimônio de Lula. A marolinha virou um tsunami.
Portanto, não é sem motivos que uma mulher hipertensa como ela veio a sofrer um AVC. A culpa é do marido Lula da Silva, que agora, com lágrimas no rosto, pede que os amigos rezem por ela.
Tribuna da Internet
Meu amigo Eduardo Almeida Reis, da Academia Mineira de Letras, escreveu esta semana: “Desemprego, febre amarela, dengue, zika, Odebrecht, PCC, Comando Vermelho, Família do Norte, chikungunya, balas perdidas, homicídios, estupros, sequestros e a imprensa brasileira preocupadíssima com o Trump.” Eu acrescentaria: É um recibo de colonialismo. Pior, de incoerência. Aqui, populistas que xingaram o imperialismo americano, agora se queixam do nacionalismo e do populismo de Trump. Quem só observa, como eu, se diverte muito. Dizem de Trump o que diziam de outro Republicano, Arnold Schwarznegger, quando se elegeu governador da Califórnia: “O Exterminador do Futuro”, “Conan o Bárbaro”; ou o que diziam de Ronald Reagan, quando se elegeu presidente dos Estados Unidos: Cowboy canastrão. Pois ambos foram reeleitos. Reagan corrigiu o estrago na economia deixado por Jimmy Carter e acabou com a União Soviética sem dar um tiro, embora ele próprio tivesse sido vítima dos tiros de um fanático.
Agora a história se repete com o coro de frustrados brasileiros, com saudades de sangue derramado no norte da África e no Oriente Médio pela dupla Obama-Hillary. Estou apostando que a parceria Trump-Putin vai acabar com a guerra na Síria e com refugiados voltando da Europa. Vão querer ficar no país em que nasceram, em paz, com liberdade religiosa e sem interferência da dupla Obama-Hillary. Meu amigo carioca, em tempos de Reagan estava em Paris e lembra de se divertir lendo o Le Monde a pingar raiva contra o republicano. Agora diz que se diverte ao ver, ouvir e ler a cantilena no Brasil, em relação a Trump.
O ex-Ministro da Fazenda, emb.Rúbens Ricúpero, disse que uma das primeiras medidas de Trump, de tirar os Estados Unidos da Parceria Trans-Pacífico, vai beneficiar as exportações brasileiras, em especial as da carne e as do agronegócio, que estavam prejudicadas no Japão, Coreia do Sul e outros asiáticos. As empresas americanas que foram produzir na China, já pensam em voltar. Aliás, Trump já enquadrou a maior automotiva, a GM, que percebeu ser melhor voltar para casa, em lugar de dar emprego no México. As grandes empresas japonesas já anunciaram que querem criar empregos nos Estados Unidos. Aqui na vizinhança, outro empresário-presidente, Julio Cobos, está levando para o Paraguai empresas brasileiras cansadas da insegurança e dos impostos absurdos, para produzir por lá, pagar ínfimo imposto e exportar tudo para o Brasil, substituindo produtos chineses. O Brasil cria empregos no Paraguai.
Trump não dá a mínima para a ditadura do politicamente correto. Diz o que pensa. Segundo o ex-ministro Ricúpero, ganha no grito. Ameaçou a China para depois recuar em troca de vantagens para os Estados Unidos. Certamente os americanos que estão ganhando seus empregos de volta não haverão de concordar com a guerra midiática que, aliás, só vai acabar no cansaço. Por aqui, como recomenda o excelente Fernando Gabeira, jornalista e ex-deputado, o melhor é cuidar de nós, depois do desastre bíblico que herdamos dos governos de esquerda, comparável às sete pragas do Egito, com 12 milhões de desempregados. Desviar isso para o presidente americano é assinar atestado de colônia.
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Uma das falácias mais comuns utilizadas pelos esquerdistas é a tomada do todo pela parte ou o contrário. Chamo a esta falácia de a estratégia da justificação defensiva, pelo seguinte motivo. Você diz que o PT é o partido mais corrupto da história moderna da humanidade - esta é uma verdade objetiva, é a parte que importa, no caso - e vem o esquerdista alegando que a corrupção é um mal estrutural do capitalismo, em maior ou menor escala, que sempre esteve presente na nossa história e nas pequenas atitudes dos brasileiros, como dar um jeitinho nas coisas, tentar subornar um policial, colar nas provas e por aí vai ( o todo que justifica).
É só ver o caso de Leandro Karnal, um charlatão que a mídia adora e que faz comentários, com cinismo falacioso, sobre notícias, no Jornal da Cultura. Para ele, a nação inteira é corrupta, assim não devemos nos indignar com o Petrolão, nem culpar o PT, por exemplo, porque somos, indiretamente, responsáveis pela corrupção - o todo que justifica-. A premissa de que todos somos desonestos se infere de uma outra, mais ampla, antiga e oculta no argumento comunista, a de que a sociedade, sob o domínio da burguesia, é corrupta de modo sistêmico.
Não faz muito que a filósofa oficial do comunopetismo, Marilena Chauí, desandou a defender este estrupício conceitual e a vociferar contra a classe média, que ela diz ser criminosa. Como se nos regimes comunistas o signo principal, descontados a opressão e a miséria, não fosse, justamente, a corrupção. Já aos verdadeiros bandidos, Chauí empresta solidariedade. Assim, como não podem negar que o PT roubou de forma inigualável, a estratégia é relativizar o crime. Mas a verdade é que a grande maioria das pessoas, no mundo capitalista e democrático, se comporta nos limites da moralidade e da legalidade e condena, desde os pequenos até os megadelitos.
Mais ainda: não há termo de comparação entre a alegada leniência com pequenos delitos, que Karnal, bem como a tigrada intelectual esquerdista, nos atribui, e a megacorrupção induzida politicamente pelo PT . Este sim é uma organização criminosa que se instalou no estado, que inaugurou o Mensalão e o Petrolão, como revelou a justiça.
Esquerdistas caras-de pau (isto é uma redundância) partem para explicar a parte (a corrupção petista) pelo todo (más condutas genéricas das pessoas) para justificar a roubalheira desbragada de um partido político revolucionário, uma organização criminosa, na ideologia e nos métodos, que tentou eternizar-se no poder minando toda a base moral das relações sociais, econômicas e políticas do país. As consequências do avanço petista sobre a sociedade brasileira se farão ainda sentir por décadas.
* Professor de Filosofia.
“Paulo Freire: Rousseau do século 20.” Quem faz essa afirmação, em um alentado livro de 324 páginas publicado em 2011 na Holanda e que leva justamente esse título, é o indiano Asoke Bhattacharya, professor da Universidade de Calcutá. De fato, Paulo Freire é a versão atual do autor de Emílio, ou Da Educação (1762), que muita influência teve na pedagogia. Mas, como ironiza Émile Durkheim, quem confiaria a educação de uma criança ao desnaturado Rousseau, que abandonou a própria prole?
Essa pergunta cabe em relação a Paulo Freire, que prega a liberdade, mas cultua totalitarismos. Pedagogia do Oprimido, uma espécie de manual de autoajuda marxista, idolatra a “linguagem quase evangélica” do “humilde e amoroso” Che Guevara, enaltece sua “comunhão com o povo” e, valendo-se de um jogo vazio de palavras, justifica as execuções sumárias que ele perpetrava sem piedade: “A revolução é biófila, é criadora de vida, ainda que, para criá-la, seja obrigada a deter vidas que proíbem a vida”.
Essa frase assassina inspira Moacir Gadotti, discípulo predileto do mestre, que, em Pensamento Pedagógico Brasileiro, despreza o grande pedagogo escola-novista Lourenço Filho, mas se rende a Lenin e Mao Tsé-tung. Ambos são tratados por Gadotti como “grandes pedagogos da humanidade”.
Pedagogia do Oprimido, que deu fama mundial a Freire, é menos um tratado que um panfleto. Até seus discípulos são obrigados a reconhecê-lo. Ao observar que Paulo Freire “foi saudado como um dos fundadores da pedagogia crítica”, Bhattacharya observa que isso “não é errado, mas também não é muito preciso”, pois vários filósofos educacionais antes dele foram críticos em relação à pedagogia tradicional. “Portanto, não é a atitude crítica de Freire, mas seu ativismo político que o diferencia de alguns (mas não de todos) os filósofos canônicos educacionais”, diz o professor indiano.
O “Método Paulo Freire”, com mais propaganda que resultados, foi uma ferramenta populista de João Goulart financiada com dinheiro norte-americano do acordo MEC-Usaid. E nem era inédito: o uso de palavras geradoras na alfabetização já estava presente em outras propostas pedagógicas, como o “Método Laubach”, muito disseminado no Brasil. O que Paulo Freire fez foi carregar as palavras de ideologia revolucionária, a pretexto de falar da realidade do aluno. É como se o pedreiro tivesse de se restringir ao tijolo; o lavrador, à enxada; o carpinteiro, ao serrote. O que seria da cultura brasileira se Machado de Assis fosse obrigado, em sua alfabetização, a tartamudear sobre o morro em que nasceu?
O reducionismo pedagógico é o grande legado de Paulo Freire. Juntando-se ao “construtivismo pós-piagetiano”, ele inspirou o “preconceito linguístico”, que vilipendia a norma culta do idioma; a “geografia crítica”, que mistura bairrismo com economia marxista; a história em ação, que eterniza o presente; a matemática étnica, que cria analfabetos em tabuada. Paulo Freire relativizou o conhecimento, anulou a autoridade do professor e, sobretudo, assassinou o mérito – inviabilizando a possibilidade de educação. O ranking global divulgado no fim de novembro que o diga.
• José Maria e Silva, jornalista, é mestre em Sociologia.
• Publicado originalmentena Gazeta do Povo de 03.12.2012)