• Ênio Meneghetti
  • 12 Outubro 2016

 

Nem bem concluídas as eleições municipais, mas já com o clima bem mais passível de ser interpretado, começam as projeções acerca da próxima eleição presidencial. Entre nomes cotados, Lula, Marina Silva, Aécio Neves, Ciro Gomes, Geraldo Alckmin, José Serra, Ronaldo Caiado, Henrique Meirelles. Mas não apenas estes.

Depois de Michel Temer declarar que não concorrerá a reeleição, Henrique Meirelles gostaria de recuperar a economia e ser presidente. Porém, se isso ocorrer, ninguém garante que Michel Temer não mude de ideia e resolva ele mesmo disputar a reeleição.

Lula, embora repetidamente “ameace” o país com sua candidatura, com os resultados obtidos pelo PT nas recentes eleições municipais, ficou claro que isso não passa de tática para poder vitimizar-se ao sofrer as sanções legais que seus inúmeros problemas em processos criminais inevitavelmente lhe trarão. Se insistir, com chances impossíveis de sucesso, submergirá frente a um vexame que enterrará de vez o “mito” que nunca foi. Além disso, mesmo que ainda não tenha sido condenado em segunda instância e preso até 2018, alguns de seus processos estarão em pleno julgamento justamente no ano da eleição. Se concorrer, seria a renúncia à possibilidade de fazer-se de vítima.

O PSDB tem Serra, Aécio e Alckimin- este último fortalecido após a vitória de João Dória Jr em São Paulo. Já cogita-se a realização de prévias. Com ou sem a escolha pelo voto dos filiados, como sempre o partido sairá dividido do processo de escolha. Já especula-se até que José Serra cogita filiar-se e concorrer pelo PMDB, se não for o nome escolhido.

Para embaralhar mais o processo, Marina Silva tentaria ser candidata a vice numa chapa com o PSDB. A pretensão teria causado frisson em integrantes da Rede. Cabe lembrar que embora Marina tenha apoiado o impeachment, o Senador Randolfe Rodrigues, nome de destaque em seu partido, foi repreendido por Marina por ter posição favorável a Dilma.

O PDT ensaia o lançamento de Ciro Gomes. Candidato de temperamento difícil, uma candidatura que tem tudo para não decolar.

Diante de tantas incertezas pairando sobre os antigos protagonistas PT e PSDB, além da fragilidade das demais candidaturas, é bem possível que um outsider possa ter força para ganhar a eleição.

Partido que apoiou o PSDB em várias disputas para presidência da República, o DEM quer ser protagonista em 2018.

Recém reeleito prefeito de Salvador com mais de 74% dos votos e provável candidato ao governo baiano, ACM Neto afirmou que o senador Ronaldo Caiado (DEM-GO) deverá entrar na disputa presidencial.

Caiado tem a seu favor um posicionamento que vai ao encontro da mensagem que veio das urnas no último dia 2 de outubro. Seu partido sempre fez a mais forte oposição ao PT e está passando incólume pelos escândalos que abalaram o país.

Será um pleito histórico, onde abre-se a possibilidade de um segundo turno sem partidos de esquerda.

 

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  • Marcel van Hattem
  • 11 Outubro 2016

 

Sim, exatamente isso - e em letras garrafais. Li a matéria de capa deste fim de semana da Veja (A FORÇA DA DIREITA) e, como cientista político, fiquei abismado com o conteúdo. Raso, distorcido e cientificamente errado.

Em resumo, pois poderia escrever a noite toda sobre o assunto: a matéria classificou o PSDB - um partido social-democrata - como direita e fez uma caricatura de cinco supostos "tipos da direita" (como a revista se referiu, literalmente, a Caiado, Feliciano, Meirelles, Bolsonaro e Holiday). Não mencionou o partido NOVO e a proeza de eleger quatro vereadores em quatro capitais brasileiras (BH, SP, RJ e Porto Alegre) - e não estou aqui dizendo que o NOVO é de "direita" por ser "liberal", mas é sem dúvida um partido que merecia menção nesta edição. Podia ter tratado sobre o número incrível de jovens que foram às ruas e que agora se elegeram vereadores municipais.

Mas, não.

A matéria de capa de Veja achincalhou o "conservadorismo" como termo pejorativo sempre que pôde e deu status científico ao termo "neoliberal", que nada mais é do que um monstrengo ideológico em forma de palavrão criado pela esquerda para xingar um liberal clássico, mais ou menos no mesmo patamar de outro palavrão de ocasião da mortadelada: "fascista".

Com TANTOS cientistas políticos no Brasil, uma única fonte foi consultada para a matéria para fazer a classificação partidária no Brasil. UMA ÚNICA FONTE! E, ainda por cima, para uma matéria de capa! Foi consultado o cientista político Adriano Codato, da Universidade Federal do Paraná. Basta uma pequena visita ao Google para ver que é um acadêmico marxista. Exemplos de artigos publicados: "O marxismo e o elitismo"; "Marx e seu legado para a teoria contemporânea do Estado capitalista"; "Marxismo como ciência social". Para coroar: Codato é signatário de uma "carta contra arbítrios da Lava Jato", ao lado de "intelectuais" do quilate de Marilena Chauí, aquela que ODEIA a Classe Média (não acredita? Dá uma olhada
aqui: http://www.valor.com.br/…/intelectuais-divulgam-carta-contr…)

Sim, um sectário inimigo da Lava Jato foi o "especialista" entrevistado como fonte de Veja para uma matéria que tinha tudo para ser ótima na esteira da derrocada da esquerda petista nas eleições do último domingo.

Quem te viu, quem te Veja! Que decadência, que matéria mais pobre e manipuladora! A matéria de capa intencionava mostrar ao leitor a "força da direita". O que ela realmente demonstrou ao leitor atento é a "força da esquerda" nas redações brasileiras. Inclusive de Veja.
 

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  • José Luiz de Sanctis
  • 11 Outubro 2016

 

Simplesmente porque elas não oferecem risco às vítimas e aos policiais. Se forem proibidas e tornado crime o seu porte, os bandidos usarão armas reais. A vantagem de bandidos usarem essas armas é justamente por não ser crime. Em sendo crime, qual a vantagem de usarem uma arma de brinquedo e não uma real? Nenhuma!

Atentem para o que disse o repórter no final da reportagem. O "adolescente" tinha dez registros de "imprudência". O crime mudou de nome.

https://www.youtube.com/watch?v=hBYfzcQhQ1E

É por isso que o ART. 126 do relatório do PL 3722/2012 precisa ser excluído do texto.

A Globo em sua sórdida campanha pelo desarmamento civil vem atacando armas de brinquedo e air soft, pois bandidos as usam no cometimento de crimes. Se forem proibidas e tornarem crime o porte destas, os bandidos usarão armas reais que, obviamente, oferecem risco real às vítimas e policiais. Estão mais preocupados com o susto (risco subjetivo) e não com a impossibilidade de ferimentos.

Mas por trás da aparente imbecilidade e falta de lógica, existe o objetivo maior de evitar que crianças brinquem com essas armas de brinquedo e que venham a querer uma real quando adultos.

A estratégia faz parte do processo de emasculação, de acovardamento da população.
http://g1.globo.com/bom-dia-brasil/noticia/2016/06/aumentam-os-assaltos-com-armas-falsas.html
O absurdo consta no relatório do PL 3722/2012, que será votado em plenário.

Art. 126. São vedadas a fabricação, a venda, a comercialização e a importação de brinquedos, réplicas e simulacros de armas de fogo que com estas se possam confundir.
Parágrafo único. Excetuam-se da proibição do caput:
a) as armas de pressão por ação de mola, ar comprimido ou gás comprimido de calibre igual ou inferior a 6mm, os lançadores de projéteis de plástico maciços (airsoft) e os lançadores de projéteis de plástico com tinta em seu interior (paintball);
b) as réplicas e simulacros de armas de fogo destinados à instrução, adestramento, prática esportiva, coleção de usuário autorizado e para fins artísticos, tais como teatro, cinema ou televisão, que serão regulamentadas pelo Exército Brasileiro;
c) os brinquedos lançadores de água ou espuma que adotam cores chamativas não utilizadas na fabricação de armas de fogo, tais como amarelo, vermelho, azul, verde, laranja e roxo ou a combinação de várias cores.

JUSTIFICATIVA PARA EXCLUIR ESTE ARTIGO
Trata-se de simples demonização das armas, a partir dos brinquedos. É inócua medida, eis que nada de útil traz. Dificulta a crianças e adolescentes conhecerem as profissões às armas ligadas, mormente asMilitares e Policiais. Nada fará sobre crimes cometidos com simulacros. Nem deve. Bem fez o Relator ao eximir de crime o uso de simulacros ou brinquedos no cometimento de outros crimes.

O uso de brinquedos ou simulacros em crimes não pode nem deve ser apenado. Quanto mais os criminosos optem por usá-los em suas ilegais atividades menor o risco objetivo a ser enfrentado por pessoas que sejam por eles abordadas e por policiais que tenham de contê-los. É recomendável sempre crer que um criminoso tenha arma real e municiada. Contudo, inexiste motivo para que isto seja sempre verdade.

Sobre armas de brinquedo. Há de se considerar a diferença entre risco objetivo e subjetivo. Um objeto com aspecto de arma de fogo pode ser usado para intimidar a vítima de um crime como roubo ou estupro. É um risco subjetivo. Porém, caso o objeto seja um brinquedo ou simulacro, o risco objetivo é quase nulo. Será impossível ao criminoso e injusto agressor atirar, já que o objeto não pode disparar. Ao se criminalizar a conduta de utilizar um brinquedo ou simulacro no cometimento de um crime aumenta-se o risco objetivo de qualquer pessoa que possa vir a ser vítima, eis que o criminoso não terá vantagem nenhuma em usar brinquedo ou simulacro. O mesmo vale para a proibição da produção ou venda de tais objetos.

Não criminalização do porte de arma de brinquedo. Sendo crime o porte de arma real e de arma de brinquedo, evidentemente que o criminoso, não havendo vantagem nenhuma em portar uma arma de brinquedo, preferirá portar uma arma verdadeira, oferecendo assim risco real à vida da vítima e dos policiais em eventual confronto.

Que 100% dos crimes que ocorram sejam cometidos com simulacros e brinquedos. Isto reduzirá o risco objetivo das vítimas, a restar apenas o subjetivo.

Os brinquedos são vistos por crianças e adolescentes como... brinquedos!
Caso inexista brinquedo em forma de arma de fogo em lojas ele pode ser feito em casa com madeira, cartolina ou qualquer outro material.

Precisa ser permitida a fabricação de armas de brinquedo e o seu porte não pode se tornar crime.
 

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  • Ivan Lima
  • 10 Outubro 2016

(Publicado originalmente em http://libertatum.blogspot.com.br/)

Na sua obra A Arte da Guerra, o general Sun Tzun estabelece que a “invencibilidade está na defesa; a possibilidade de vitória, no ataque. Quem se defende mostra que sua força é inadequada; quem ataca, mostra que ela é abundante.” Essa citação do grande teórico chinês da estratégia militar é para nos lembrar da imediata, acertada e firme decisão das FFAA brasileiras no enfrentamento da guerrilha comunista no século passado. Sobretudo na guerrilha rural. E também a propósito da ausência da mesma atitude no exército colombiano tão logo surgiu à guerrilha comunista no seu país há mais de sessenta anos. Certa vez o General Augusto Heleno, em entrevista sobre o bando mega - criminoso e subversivo auto-intitulado de “forças armadas revolucionárias da Colômbia”, lembrou exatamente o quanto o exército brasileiro foi responsável e eficiente em ter atacado logo no seu inicio á guerrilha comunista que estava se instalando na Amazônia. Não lhe deu a mínima chance de sobrevida. Dizimou-a.

Todos sabem do altíssimo custo que esse descaso inicial (quase leniência) que o exército colombiano fez causar ao seu país: milhares de vítimas na população civil colombiana, com assassinatos, atentados, mutilações, seqüestros, destruição de igrejas e povoados, campos de concentração, aliciamentos e seqüestros de jovens e crianças para servir á guerrilha, inclusive como escravas sexuais. Num dado momento, no passado, o exercito colombiano resolveu agir premido pela população e enorme baixa de oficiais assassinados. Mas já era tarde demais. O câncer vermelho já havia se fortalecido muito e estabelecera na Colômbia uma matança só parecida com a revolução marxista de Fidel Castro contra a população cubana além de ter destruído o país com o socialismo.

E, decorridos todo esse período de humilhação e dor impostos ao povo colombiano pelos monstros da guerrilha comunista, o que vemos? A premiação do governo Colombiano com o Premio Nobel da Paz, por um acintoso e cínico acordo que legaliza e legitima os mega-criminosos e esbofeteia á memória dos milhares de suas vítimas, vivas, e mortas. E espanca o sentimento de dor e justiça da nação colombiana. Que ainda buscando forças entre as lagrimas e toda a dor existente em sua alma ainda rebelou-se contra mais esse ato bárbaro do marxismo, que agora maquia sua máscara sanguinária e de algoz dos colombianos, de vestal da paz. O povo sabe que é mais uma armadilha comunista na tentativa de escravizá-lo, via democratismo com as eleições.

E lembrar que no governo comunista do PT recém-deposto no Brasil se andava firmando acordos de atuação com essa mega-organização criminosa colombiana...

Sim, Sun Tzun também fala em sua obra da importância da paz. E evidentemente, tudo estando adequado ao momento, disposição e ação ou inação dos atores no cenário.

Felizmente, a pronta ação histórica do exército brasileiro foi ter decepado á tempo a cabeça do monstro.

* Ivan Lima é editor de Libertatum
 

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  • Carlos Alberto Di Franco
  • 10 Outubro 2016

 

No dia seguinte ao debate dos candidatos à prefeitura de São Paulo na TV Globo, em que a pichação foi criticada por João Doria (PSDB) e Marta Suplicy (PMDB), o Monumento às Bandeiras, no Ibirapuera, na zona sul, e a Estátua do Borba Gato, em Santo Amaro, na mesma região, amanheceram cobertos de tinta colorida: rosa, verde, amarelo e azul.

A barbárie é ponta do iceberg de algo mais grave: a degradação das cidades e a incompetência arrogante das suas autoridades. A reação do prefeito Fernando Haddad (PT) foi emblemática. Em campanha na zona leste, Haddad disse achar que as pichações podem ser fruto da radicalização criada no debate.

“Acho que tem a ver com o tipo de provocação que foi feito no debate. Quando você instiga as pessoas, desafia as pessoas, como Doria e Marta fizeram, dizendo que ‘não vai acontecer nunca mais’. Não é assim que se fala com as pessoas, se dialoga”, afirmou. Lamentável. É a defesa do diálogo demagógico e transgressor. O crime não deve ser punido. A lei não deve ser cumprida. No episódio, a cidade de São Paulo foi demitida por seu governante.

O centro antigo de São Paulo, por exemplo, está à deriva. Edifícios pichados, prédios invadidos, gente sofrida e abandonada, prostituição a céu aberto, zumbis afundados no crack, uma cidade sem alma e desfigurada pela ausência criminosa do poder público.

Nós, jornalistas, precisamos mostrar a realidade. Não podemos ficar reféns das assessorias de comunicação e das maquiagens que falam de uma revitalização que só existe no papel. Temos o dever de pôr o dedo na chaga. Fazer reportagem. Escancarar as contradições entre o discurso empolado e a realidade cruel. Basta percorrer três quarteirões. As pautas não estão dentro das redações. Elas gritam em cada esquina. É só pôr o pé na rua e a reportagem salta na nossa frente. Os jornais precisam ter cheiro de asfalto.

Jornalismo é isso: mostrar a vida, com suas luzes e suas sombras. São Paulo, a cidade mais rica do País e um dos maiores orçamentos públicos, é um retrato de corpo inteiro da falência do Estado.

Também o Brasil, um país continental, sem conflitos externos, com um povo bom e trabalhador, está na banguela. Os serviços públicos não funcionam. Basta pensar na educação. A competitividade global reclama crescentemente gente bem formada. Quando comparamos a revolução educacional sul-coreana com a desqualificação da nossa educação, dá vontade de chorar. A assustadora falta de mão de obra com formação mínima é um gritante atestado do descalabro da recente “pátria educadora”. Governos sempre exibem números chamativos. E daí? Educação não é prédio. Muito menos galpão. É muito mais. É projeto pedagógico. É exigência. É liberdade. É humanismo. É aposta na formação do cidadão com sensibilidade e senso crítico.

O custo humano e social da incompetência e da corrupção brasileira é assustador. O dinheiro que desaparece no ralo da delinquência é uma tremenda injustiça, uma bofetada na cidadania, um câncer que, aos poucos e insidiosamente, vai minando a República. As instituições perdem credibilidade numa velocidade assustadora.

Os protestos que tomaram conta das cidades precisam ser interpretados à luz da corrupção epidêmica, da impunidade cínica e da incompetência absoluta da gestão pública. Há uma clara percepção de que o Estado está na contramão da sociedade. O cidadão paga impostos extorsivos e o retorno dos governos é quase zero. Tudo o que depende do Estado funciona mal. Educação, saúde, segurança, transporte são incompatíveis com o tamanho e a importância do Brasil. Os gastos públicos aumentaram assustadoramente.

A Lava Jato trabalha bem. Mas a percepção de impunidade é ainda muito forte. Ela empurra a democracia para uma zona de risco. Os governantes precisam acordar. As vozes das ruas, nas suas manifestações legítimas, esperam uma resposta efetiva, e não um discurso marqueteiro. A crise que está aí é gravíssima. A gordura dos anos de bonança acabou. A realidade está gritando no bolso e na frustração das pessoas. E não há marketing que supere a força inescapável dos fatos. Os governos podem perder o controle da situação.

Promessas surrealistas e imagens produzidas fazem parte da promoção de alguns políticos e governantes. Assiste-se, diariamente, a um show de efeitos especiais capazes de seduzir o grande público, mas, no fundo, vazio de conteúdo e carente de seriedade.

Nós, jornalistas, temos um papel importante. Devemos dar a notícia com toda a clareza. Precisamos fugir do jornalismo declaratório. Nossa missão é confrontar a declaração do governante com a realidade dos fatos. Não se pode permitir que as assessorias de comunicação dos políticos definam o que deve ou não ser coberto. O jornalismo de registro, pobre e simplificador, repercute o Brasil oficial, mas oculta a verdadeira dimensão do País real. Precisamos fugir do espetáculo e fazer a opção pela informação. Só assim, com equilíbrio e didatismo, conseguiremos separar a notícia do lixo declaratório.

Transparência nos negócios públicos, ética, boa gestão e competência são as principais demandas da sociedade. Memória e voto consciente compõem a melhor receita para satisfazê-las. Devemos bater forte na pornopolítica. Ela está na raiz da espiral de violência que sequestra a esperança dos jovens e ameaça nossa democracia.

A sociedade está cansada da inconsistência de alguns governantes, de tanto jogo de faz de conta, de tanto cinismo. Quer mudança. Quer um projeto verdadeiramente transformador.

As cicatrizes que desfiguram o rosto de São Paulo e do Brasil podem ser superadas. Dinheiro existe, e muito. Falta vergonha na cara, competência e um mínimo de espírito público. Façamos reportagem. Informação é arma da cidadania.

 * O autor é jornalista.

 difranco@iics.org.br

 

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  • Alexandre Garcia
  • 09 Outubro 2016

 

O ex-presidente Lula, que já elegeu dois postes, agora não conseguiu reeleger vereador seu próprio filho – em São Bernardo do Campo, coração do PT. Onde o partido foi fundado (no neoclássico Colégio Sion de Higienópolis), São Paulo, o prefeito do PT perdeu por 2 milhões de votos de diferença. E nem quis depoimento de Lula no horário eleitoral, para não piorar. No maior estado, São Paulo, o partido afundou em 88% das prefeituras que tinha. O PT encolheu no país inteiro, reduzido a 40% das prefeituras que comandava. Até no Nordeste, onde lula apostava na sobrevivência do PT, o partido encolheu. Ao grito de Fora Temer!, o eco das urnas respondeu com um Fora PT.

As chances de Lula concorrer em 2018 despencaram. De um lado as urnas de domingo e de outro a Lava-Jato e a Justiça. Ele já foi denunciado duas vezes e não foi levado a Curitiba pela Polícia porque algo aconteceu no Aeroporto de Congonhas. Ele e Dilma, em 13 anos de administração petista, provocaram recessão no país que causa 12 milhões de desempregados, a volta da inflação, juros altos, desestruturação da economia e uma corrupção institucionalizada como nunca antes na história deste país. Lula deu de presente as instalações bolivianas da Petrobrás a Evo Morales e Dilma aprovou a compra de uma refinaria enferrujada no Texas. Quando gritam Golpe! O eco nos tanques vazios da Petrobrás responde com a mesma palavra.

Simbolicamente, o PT ficou confinado ao Acre, no extremo oeste do Brasil, mais próximo do Oceano Pacífico que do Atlântico. Rio Branco foi a única capital em que o PT se impôs. Aliás, foi mérito do prefeito que se reelegeu, que fez ótima administração e não usou na campanha os símbolos da cor vermelha e da estrela. Rio Branco é uma cidade exemplar, limpa e com suas ocas – centrais de serviços públicos. É um lugar onde até as UPAs funcionam. E um estado onde o PT ainda é aquele partido da ética, atributo perdido no resto do país para a corrupção institucionalizada, que começou já no primeiro mandato de Lula, com o mensalão. Se o PT ainda tiver esperança de renascer das cinzas, terá que decolar essa Fênix a partir do exemplo do Acre. Será que o resultado do Acre encontrará eco no PT do petrolão?

Vai ser difícil esse partido modificar seu caráter degradado pelo poder. O PT não teve a maior das virtudes, a humildade, e Lula, primeiro e único, se sente majestade. Nem a polícia levando quase todas as figuras importantes do partido, apeou os petistas da arrogância desafiadora de proprietários absolutos da verdade. Impregnados de uma ideologia que não deu certo em lugar nenhum do mundo e embriagados pelo poder, anestesiaram a ética original para realizarem as operações que hoje acabam em prisões, polícia, ministério público e justiça. Teria sido um bom combate se a causa não tivesse se tornado tão viciada. Se alguém gritar Ética! talvez só encontre eco no distante Acre.

 

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