Percival Puggina


 Na edição desta última quinta-feira, o Estadão traz artigo do economista Roberto Macedo analisando os dados de um recentíssimo relatório da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL). Esse robusto documento (216 páginas) traz o ranking dos países da região segundo o crescimento do PIB, com números de 2014 estimados pela Comissão.

 São 33 países os países que compõe a região. Estimando o crescimento do PIB brasileiro no corrente ano em 1,4% (expectativa otimista que sequer o Banco Central corrobora mais), o Brasil fica em 27º lugar, empatado com Cuba. Se adotarmos a expectativa mais realista, aquela com a qual os analistas do mercado vem operando, o Brasil ficaria em 30º, apenas à frente dos parceiros petistas da Argentina e Venezuela, e logo acima de Barbados (uma pequena ilha caribenha com 280 mil habitantes, integrante do Reino Unido). Lembra o autor do referido artigo que o governo tem retirado das próprias costas a responsabilidade por esse desastre, atribuindo-o a um rescaldo da crise internacional de 2008.

Ora, comento eu, como pode o mesmo governo que cacarejou como seus os ovos dos bons índices de 2007, 2008 e 2010, entregar para algum sujeito oculto no mercado mundial os ônus das contas do malfazejo período Dilma? E, principalmente, por que outros 29 países da região crescem mais do que o Brasil? Ao que me consta, todos produzem, consomem, compram e vendem no mesmo planeta que nós, embora nosso governo pareça viver no mundo da Lua.
 

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Percival Puggina


 Há algumas semanas se ouvia falar de uma pesquisa de intenção de voto cujo resultado teria sido engavetado pela emissora que o contratara. Dizia-se que os números eram inconvenientes ao governador gaúcho e, por isso, mantidos ocultos. Pois agora, o mesmo Instituto Methodus que teria feito aquela pesquisa, entregou nova pesquisa, desta feita à Rede Bandeirantes. Nela, Tarso aparece com 30% e Ana Amélia com 42%.

 Instalou-se, segundo relato da própria emissora, uma fortíssima pressão do Palácio Piratini no sentido de evitar, mais uma vez, que os números fossem tornados públicos. O simples pedido para que os dados não fossem revelados já seria um inominável abuso de autoridade, mas o caso se torna ainda mais grave quando o apelo vem acompanhado de ameaça. Assim: "Essa decisão (de publicar a pesquisa) vai acarretar nova relação entre nós e a Band (teor da mensagem enviada por jornalista do Piratini constante do jornal Metro, do Grupo Bandeirantes, edição de hoje, 19/agosto).

 O governador em nome de quem o jornalista do Palácio diz enviar a mensagem é um homem público que, há não muito tempo, para cada frase usava duas vezes a palavra "republicano" como sinônimo de transparente, de democrático, de subordinado ao Direito e à Justiça. Republicano era tudo de bom. Pois agora, "republicano" é usar o poder do Governo para intimidar órgãos de imprensa.

A pergunta que se impõe é a seguinte: quantas vezes algo assim já terá sido tentado? E levado a cabo? Quanto silêncio e omissão já foram impostos sob pressão?
 

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Percival Puggina


 Houve de tudo no velório de Eduardo Campos. Logo ele, uma pessoa bem educada, polida, teve um velório de anedota, onde houve de tudo. Visitantes posaram para selfies, a presidente Dilma levou as habituais vaias, uma repórter (como anda mal o nosso jornalismo!) saudou Marina Silva como "presidenta" e foi corrigida por ela que lhe retrucou - "Presidente!". Teve Lula ensopando de lágrimas seus sapatos de crocodilo (ou apenas as lágrimas eram de crocodilo?). E teve muita gente com o punho da mão esquerda erguido aos ventos, lembrando ideias que o neto do velho comunista Miguel Arraes deixara para trás havia um bom tempo.

 Esse gesto, de punhos erguidos não pode deixar de ser associado ao modo como os dois Josés, Dirceu e Genoíno, proclamados guerreiros, heróis do povo brasileiro, se manifestaram ao serem conduzidos para a penitenciária da Papuda.

 Pois foi esse mesmo gesto, comumente empregado por comunistas, marxistas e anarquistas, que os três filhos de Eduardo Campos tiveram a péssima ideia de fazer ao lado do caixão do pai, que Deus o tenha. E que coisa pior não nos sobrevenha.
 

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 A morte de Eduardo Campos traz para a ribalta a figura da acreana Marina Silva. Cuidado! A fala mansa da ex-vice de Eduardo Campos não se harmoniza com a rigidez e o radicalismo de suas posições. O dever cívico de conhecê-las não se cumpre ouvindo o meigo discurso eleitoral que vem por aí. Há informações muito mais precisas e irrefutáveis na biografia da candidata.

Seu primeiro alinhamento político deu-se com filiação ao Partido Comunista Revolucionário (PRC), célula marxista-leninista albergada no PT onde militou durante uma década. Foi fundadora da CUT do Acre e lá, filiada ao PT, conseguiu o primeiro de uma série de mandatos legislativos: vereadora em Rio Branco, deputada estadual, senadora em dois mandatos consecutivos. Em 2003, no primeiro mandato de Lula, assumiu a pasta do Meio Ambiente, onde agiu como adversária do agronegócio. Sua gestão deu-lhe notoriedade internacional e conquistou ampla simpatia de organizações ambientalistas europeias que agem com fanatismo anti-progressista em todo mundo, menos na Europa...

Foram cinco anos terríveis para o desenvolvimento nacional. No ministério, Marina travava projetos de infraestrutura, impedia ou retardava empreendimentos públicos e privados, aplicava a torto e a direito um receituário avesso às usinas, aos transgênicos, ao agronegócio, principal motor do desenvolvimento nacional e responsável pela quase totalidade dos superávits de nossa balança comercial. Os pedidos de licenças ambientais empilhavam-se, relegados ao descaso. Empreendimentos eram cancelados por exaustão e desistência dos investidores. Sempre irredutível, Marina incompatibilizou-se com governadores, com os setores empresariais e com a então ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Foram cinco anos terríveis!

De um leitor, a respeito da animosidade de Marina Silva para com o agronegócio: "Ela é uma praga de gafanhotos stalinistas reunidos numa pessoa só".
 

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O WIKIGATE

14/08/2014

 

 Chega a ser inacreditável que a rede wifi do Palácio do Planalto não exija identificação do usuário. Se o da minha casa tem senha, como pode ser totalmente liberada a rede existente na sede do governo da República? Enfim, essa é a alegação que vem sendo usada para eximir o governo de responsabilidades em relação ao conteúdo depreciativo introduzido no perfil de dois jornalista na wikipédia, a partir de um computador que usa aquela rede.

Tudo seria coisa para um sherlock de mistérios indecifráveis, não fosse o fato tão compatível com a conduta dos militantes que atuam nos altos escalões do governo. É deles que nascem os dossiês. É ali que se planejam os assassinatos de reputações. É dali que, a toda hora, surgem iniciativas para controlar a imprensa. Lei dos audiovisuais, Conselho Nacional de Jornalismo, Marco Regulatório da Imprensa, são algumas das muitas medidas que vêm sendo ensaiadas nesse sentido. Pode não ter vindo dali, mas veio dessa banda, há coisa de uns dois anos, ataque semelhante contra o perfil a meu respeito existente na Wikipédia.

O fato é que o governo e os governistas têm dificuldade de lidar com o contraditório, mesmo sendo beneficiados pelo apoio de um formidável grupo de partidos políticos que reduziu a oposição a meia dúvida de recalcitrantes, desprovidos de recursos humanos e financeiros. Isso é tão verdadeiro que, como tenho afirmado repetidas vezes, as vozes oposicionistas mais audíveis são de intelectuais, jornalistas, escritores. Pois até isso parece intolerável ao governo e provoca reações como a que atingiu perfis da wikipédia. Ademais, o governo que alega em sua defesa um pouco reconhecível zelo pela liberdade de imprensa, é fraterno aliado de tiranetes que usam inúmeros meios para restringir essa liberdade em seus países, como por exemplo (e apenas como exemplo, porque a lista é grande), na Argentina, na Venezuela, em Cuba e no Irã.
 

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Na próxima semana terá início o horário eleitoral gratuito. Ele existe, na teoria, para que os candidatos possam apresentar-se ao público e tornar conhecidos suas ideias e seus programas para os cargos que disputam. Na prática, porém, ele serve para que os marqueteiros transmitam ao eleitores mensagens capazes de angariar simpatia e votos junto às frações do eleitorado onde as pesquisas apontam que, com a mensagem adequada, esses votos podem ser exitosamente ciscados para seus candidatos.

Como afirmei anteriormente, a verdade é a primeira vítima nas campanhas políticas. Morre a pauladas verbais e é velada no necrotério da tevê e do rádio. Um longo velório de 45 dias, ao cabo dos quais os eleitores terão recolhido a enganosa sensação de haverem participado de uma experiência cívica. Se a eleição é para cargo majoritário - presidente, governador e senador, neste pleito - os debates poderiam ser uma alternativa mais adequada para tornar conhecidos os candidatos e seus programas. No entanto, com a multiplicação dos partidos e o consequente grande número de candidatos nanicos, também os debates ficam prejudicados pela presença de postulantes que nada têm a fazer na eleição a não ser usarem do momento eleitoral para exibições do tipo - "Olha aqui, mamãe, estou na tevê!"

Nada substitui o olho no olho entre o candidato e o eleitor. E isso, numa sociedade de massa, só pode acontecer com a redução do porte da circunscrição eleitoral, acabando com a eleição majoritária e instituindo o parlamentarismo combinado com alguma modalidade de voto distrital.
 

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