Não é raro que os números divulgados pelo governo esbarrem contra a parede dos fatos. Dada a persistência oficial, temo pela parede. Acautelem-se os fatos!

 É o que percebo quando o governo anuncia, num microfone, que os empregos aumentam e, noutro, informa que os gastos públicos com o seguro-desemprego também aumentam. Segundo o IBGE, entre 2003 e 2013, o desemprego caiu de 12,4% para 5,4% da população. No mesmo período, o número de pessoas beneficiadas pelo seguro-desemprego elevou-se de 5 milhões para 8,5 milhões.

 Acontece algo semelhante com o bolsa-família. Não faz sentido que, havendo desenvolvimento econômico, os gastos com esse benefício cresçam sem cessar. E mais: chega a ser antissocial um programa de renda mínima que conceda benefício eterno a multidões cada vez mais acomodadas à própria situação. Programas dessa natureza são salões que devem ter porta de entrada e porta de saída, caso contrário não haverá oxigênio para todos.

Na atual situação, uma em cada quatro famílias brasileiras recebem o benefício. Eram 6,6 milhões em 2004, com um gasto de R$ 5,5 bilhões. Dez anos mais tarde, são 14,1 milhões de famílias, com gasto de R$ 25,2 bilhões. Há algo muito errado quando um governo gasta mais em bolsa-família do que em educação básica.
 

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 O governo israelense irritou-se com as manifestações oficiais do Brasil a respeito da atual crise entre Israel e o grupo terrorista islâmico Hamas. E contra-atacou através de seu porta-voz Yigal Palmor, sem circunlóquios diplomáticos. Bateu forte e direto. O jornal The Jerusalem Post afirma que Palmor disse ser, essa "uma demonstração lamentável de por que o Brasil, um gigante econômico e cultural, continua a ser um anão diplomático”, acrescentando que “o relativismo moral por trás deste movimento faz do Brasil um parceiro diplomático irrelevante, aquele que cria problemas em vez de contribuir para soluções”.

 São coisas que só acontecem em virtude do problema institucional brasileiro. Ao entregar Estado, governo e administração à mesma pessoa e seu partido, ele permite que nossa política externa fique parecida com os arroubos de um grêmio estudantil nos anos 60. Por quê? Pelo simples fato de que está sendo conduzida por pessoas que ali, nos grêmios estudantis dos anos 60, chegaram ao topo de seu discernimento político e filosófico. Assim, política externa brasileira, nos últimos 12 anos, torna o país aliado automático de quem for anti-americano ou neocomunista. Do jeito que a coisa vai, a cadeira no Conselho de Segurança da ONU, tão sonhada por Lula, será um banquinho no corredor.
 

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 Saíram de moda, eu sei. A pós-modernidade sepultou essa prática tão importante para a retificação das condutas. E não o fez por abandono ou esquecimento. Não. Foi por deliberação. A intelectualidade que domina a cultura ocidental decidiu que examinar a consciência faz mal e não bem. Prejudica e não ajuda. O importante não é fazer o melhor, mas sentir-se melhor. O resultado se vê em toda parte, difundindo-se com eficiência de fibra ótica. Um dos principais corolários disso, no plano individual, é atribuir-se aos demais, sempre, as responsabilidades e culpas de todos os males. Quem não examina a própria consciência, acaba por perdê-la. E com ela vão-se as culpas para outros ombros, sob paletós que não são nossos. Cômodo e conveniente.

 Noutro viés desse mesmo problema nasceu e se difundiu a Teoria da Dependência e sua obra mais conhecida, "Veias abertas da América Latina", da qual tenho tratado aqui em momentos recentes. Sua tese fundamental é a de que nós, os ibero-americanos, fomos desde sempre explorados, nossas riquezas drenadas, nosso desenvolvimento retardado e nossa autonomia asfixiada na periferia do capitalismo. Fôssemos habituados à prática do exame de consciência, provavelmente perceberíamos o quanto somos, nós mesmos, responsáveis por muitos dos males que nos afligem. Perceberíamos que fizemos escolhas erradas, que têm sido levianas nossas opções políticas e que ordenamos mal nossas prioridades (não foi esse o erro da Copa no Brasil?). Perceberíamos que tratamos com desinteresse e desleixo questões fundamentais e que agimos com sofreguidões de Macunaíma em momentos para os quais se requeriam homens e mulheres virtuosos, patriotas, com amor ao país e capacidade de renúncia. Mas está fora de cogitação ponderarmos nossas responsabilidades morais em quaisquer aspectos da nossa vida pessoal e da nossa condição de cidadãos. É muito mais fácil atribuir a culpa a Deus e ao diabo, aos ianques, à Coroa portuguesa, à latinidade, à exuberância do trópico, aos políticos que os outros elegem e reelegem. E por aí vai. Somos vítimas muito conscientes, isto sim, das malignidades alheias. Estamos sempre prontos para esmiuçar, escrupulosamente, a consciência ... dos outros.
 

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Em 30 de agosto de 2013, nosso ministro da Fazenda, num surto de otimismo, afirmou à Agência Brasil que esperava um crescimento de 4% no PIB brasileiro durante o ano de 2014. Depois de ter errado todas as suas previsões para o ano de 2013, ele acabou errando, também, em 2014. Ao longo deste ano, as estimativas do ministro foram declinando, minguando, passaram para algo como 2,5%, depois para 2,3% e ontem seu otimismo levou um novo tombo, rebaixando a estimativa para mero 1,8%.

A coisa não pára aí. Estamos no início do segundo semestre e o ministro já lançou essa nova previsão porque os mercados sinalizam números bem piores. Espera o governo que a informação puxe para cima as estimativas do mercado. De fato, os analistas ouvidos no Boletim Focus já falam em 0,97%. Ou seja, uma quarta parte do que Mantega colhia de sua bola de cristal nas previsões feitas em agosto de 2013.

Num ano eleitoral, é muito ruim ao governo que o cenário aponte para uma estagnação da economia porque, junto com ela, há um corolário de redução do emprego e aumento dos gastos com o seguro desemprego.
 

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 Terminou ontem uma das mais longas polêmicas da política estadual gaúcha. No dia 28 de abril de 1999, o governador Olívio Dutra encerrou os entendimentos que resultariam na implantação de uma montadora de veículos Ford no Rio Grande do Sul. A decisão favorável sobre o festejado projeto fora tomada no governo anterior. O contrato fora aprovado pela Assembleia Legislativa. Olívio Dutra e seu partido, recém chegados ao Palácio Piratini, tomados por espírito xenófobo, anti-americanista, decidiram renegociar todo o contrato. Olívio fez discurso contra a empresa. Proporcionou prolongados chás de banco a seus diretores. E, deliberadamente, tornou o Estado inadimplente. Após quatro meses disso, a FORD entendeu o recado, recolheu suas tralhas e foi embora. A partir de então, o PT e os porta-vozes do governo passaram a responsabilizar, sucessivamente, pelo ocorrido: 1) a empresa; 2) a crise da indústria automobilística mundial; 3) uma suposta decisão corporativa de levar a montadora para a Argentina; 4) o então presidente Fernando Henrique Cardoso, que teria concedido vantagens adicionais caso a Ford se radicasse na Bahia. O que os petistas nunca disseram é que, se o governo houvesse cumprido sua parte no contrato, a Ford, por força desse contrato, teria permanecido no Rio Grande do Sul. (segue ao lado)

 

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 O economista e contador Darcy Francisco Carvalho dos Santos, membro, como eu, do Grupo Pensar+, publicou em Zero Hora do dia 19 um artigo que pode ser lido na seção "Autores convidados" deste site. O autor, que acompanha com regularidade e grande conhecimento a situação das finanças públicas do Rio Grande do Sul, afirma: "Seja quem for o próximo governador, terá ele enorme dificuldade para manter a folha de pagamento em dia e cumprir os reajustes salariais já concedidos. Isso sem falar na recuperação dos investimentos e da melhoria dos serviços públicos, sabidamente insuficientes e de baixa qualidade". Passadas apenas 48 horas, Zero Hora desta segunda-feira traz matéria em que colhe a posição dos oito (dos quais quatro são fake) candidatos ao governo gaúcho. Todos prometem mundos e fundos exatamente onde estão os problemas de precariedade dos serviços públicos e as deficiências da infraestrutura estadual. Há, de parte dos candidatos, uma boa pontaria para acertar no alvo das carências. E os fundos de onde virão? Como bem registra a matéria, sobre essa pauta recai o silêncio das mais insuficientes generalidades.


Embora as campanhas eleitorais sejam concebidas para um encontro dos cidadãos com a situação do Estado, repete-se, mais uma vez, diante de nossos olhos e ouvidos cívicos, o velho e surrado distanciamento da realidade, tão próprio da nossa pior tradição republicana. Parece que os eleitores gostam de ser enganados e que os marqueteiros dos candidatos têm plena consciência disso.
 

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