VIOLÊNCIA
Em todas as pesquisas de opinião pública, notadamente nos períodos pré-eleitorais, na extensa lista de preocupações que praticamente todos os brasileiros guardam, a que aparece sempre em primeiro lugar é a VIOLÊNCIA. Mais: como se distancia muito das demais, esta preocupação ganha uma proporção ainda maior.
CRIMINALIDADE URBANA
Sem a menor sombra de dúvida, o que faz o povo brasileiro colocar a VIOLÊNCIA no topo da lista de suas maiores e sérias preocupações é o dramático crescimento da criminalidade urbana, onde os marginais se sentem muito à vontade para assaltar, roubar e matar, inclusive com requintes de crueldade, como jamais se viu neste país.
PROLIFERAÇÃO DE VIOLÊNCIAS
Pois, se a VIOLÊNCIA URBANA surfou sozinha por um bom tempo na percepção dos brasileiros, o que se vê hoje é uma proliferação de inúmeras outras VIOLÊNCIAS, cujos estragos tem se mostrado ímpares, revoltantes e extremamente inquietantes.
TECIDO SOCIAL FRÁGIL
Envolvido por todos os lados com a brutal e destacada-VIOLÊNCIA URBANA-, que encabeça a lista de preocupações exposta pelos Institutos de Pesquisa, o povo brasileiro não tem se dado conta do quanto a VIOLÊNCIA está presente, de forma clara e selvagem, em praticamente todos os setores e ambientes longe das ruas.
PRESENTE
Com enorme grau de intensidade, a VIOLÊNCIA está presente na POLÍTICA, nos IMPOSTOS, nos PODERES LEGISLATIVO, EXECUTIVO e JUDICIÁRIO, no TRÂNSITO, nos SINDICATOS E MOVIMENTOS SOCIAIS, na ECONOMIA, no COMÉRCIO, na INDÚSTRIA, na DISTRIBUIÇÃO DE MEDALHAS de MÉRITO FARROUPILHA, nas LEIS ABSURDAS, no FUTEBOL, nas PRAIAS, nas FESTAS, nos BARES, nas ESCOLAS, nas CASAS, no IDIOMA, nas QUOTAS, na FALTA DE LIBERDADE, na PREVIDÊNCIA, na CARGA TRIBUTÁRIA, nos PRIVILÉGIOS, nos HOSPITAIS, etc, etc,
ADRIANA ANCELMO
É importante salientar também a brutal VIOLÊNCIA que o POVO BRASILEIRO sofreu com a PRISÃO DOMICILIAR da mulher do ex-governador Sérgio Cabral, Adriana Ancelmo, concedida pela ministra do STJ, Maria Thereza de Assis, sob o argumento de que ela precisa ir para casa para cuidar dos filhos. Pode?
FILHOS ABORRECIDOS
A propósito: só pelo fato da residência da criminosa Adriana Ancelmo ficar sem telefone e internet, como determina a Justiça, estou certo de que os filhos vão preferir ficar sozinhos. Até porque ficar em casa com uma criminosa, além de não ajudar na educação, ainda proíbe que os filhos conversem com seus amigos através das redes sociais.
Eu não gosto de saber, que apesar de caber duas vezes dentro do Estado de São Paulo, a Coreia dos Sul tem um crescimento sustentado maior que o do Brasil. Eu não gosto de ver da janela do meu quarto do hotel, onde até o vaso sanitário é Hi-Tec, quatro A380 de três companhias diferentes, sendo duas coreanas, pousarem em sequência, em menos de cinco minutos, num aeroporto duas vezes o tamanho do de Guarulhos e cinco vezes maior em movimento diário de passageiros e aviões.
Eu não gosto de voar para a Coréia do Sul.
Eu não gosto da polidez do seu povo, que faz um singelo motorista de ônibus descer, chamar um táxi e orientar seu motorista a me levar no endereço que eu desejava ir. Ou de um outro, o qual tendo percebido que eu esperava seu ônibus no sentido errado, atravessou a rua e me chamou para embarcar. Ambos sem falar uma palavra de inglês.
Eu não gosto de voar para a Coréia do Sul.
Eu não gosto da educação da sua juventude, que chama os mais velhos de "sir", mesmo sendo um desconhecido, e usam palavras como "bom dia", "obrigado"... Eu não gosto do nivel de qualidade do seu ensino básico, que capacita todo e qualquer jovem coreano, independente da classe social, a se qualificar para qualquer um dos centros de excelência do conhecimento na Europa e EUA, sem cotas ou privilégios, mas sim por mérito.
Eu não gosto de saber que suas escolas não estão partidarizadas e que ideologias são discutidas, e não doutrinadas.
Eu não gosto de voar para a Coréia do Sul.
Eu não gosto de ver a urbanidade de suas cidades, da limpeza e organização de suas ruas e da eficiência de seus serviços públicos. Eu não gosto de sentir a democrática liberdade individual e a proteção aos seu cidadãos. Eu não gosto de ver a sua cultura ser preservada sem permitir que seu povo seja contaminado e pela degeneração ocidental.
Eu não gosto de voar para a Coréia do Sul.
Eu não gosto de saber que você chegou a tal nível de desenvolvimento, tendo se reerguido em menos de cinquenta anos, das cinzas de guerra que não era sua, que arrasou sua economia e dividiu um povo.
Eu não gosto de você, Coréia do Sul. Você joga na minha cara, impiedosamente, a minha realidade.
(Publicado originalmente no Estadão)
Até quando interesses escusos abusarão da paciência do povo brasileiro? Por quanto tempo haverá tentativas de reduzir as relações espúrias entre políticos e empresários, colocadas a nu pela Lava Jato, a um compromisso sem consequências nefastas para nosso país?
Até quando zombarão de nós aqueles que afirmam que congressistas são apenas "despachantes de luxo", intermediários de inofensivos interesses das empresas?
Nunca antes ficaram tão evidentes as causas e as consequências da corrupção endêmica que nos afeta. Mas já intuíamos isso. Como entender que um país tão rico tenha uma população tão pobre?
Sabíamos que a corrupção desviava recursos públicos apenas para aumentar lucros de empresas e pagar propina. E esse "acarajé", esse suborno, chegava aos agentes públicos de diversas formas, desde o benefício indireto do uso de aviões, empregos para filhos e residências na praia até depósitos em contas no exterior, pagamentos em espécie e financiamento de caras campanhas eleitorais.
O câncer da corrupção corrói a própria democracia ao subverter as eleições. Dinheiro de corrupção irriga as campanhas políticas por meio de caixa um ou dois. Importa aqui a sua origem escusa. Proveniente de corrupção, esse valor não muda sua natureza pela aplicação posterior que lhe é dada. Mais que isso, tentar esconder sua gênese configura também o crime de lavagem de dinheiro.
E agora nem o temor da população impede mais as manobras. Políticos envolvidos no escândalo apresentam propostas para anistiar a prática ilícita e punir quem os investiga, processa e julga. Acham-se acima da lei só porque foram escolhidos para legislar. Não percebem que essa conspiração já é do conhecimento de todos.
Assim, apócrifos projetos de lei passeiam no Congresso com o objetivo de anistiar a corrupção, disfarçados como apenas uma anistia ao caixa dois. Afinal, por qual motivo os políticos deveriam temer ser acusados por esse tipo de crime?
Reportagem da rádio CBN de 2016 apontou que o TSE possui apenas uma única condenação criminal por caixa dois em sua história. Então, ainda que não anistiado de direito, há muito foi anistiado de fato.
Além desses projetos, outro tão nocivo já se encontra em tramitação acelerada no Senado. De autoria do senador Renan Calheiros, visa, sob a fachada de tratar do abuso de autoridade, apenas ameaçar aqueles que investigam, processam e julgam a corrupção.
Qual outro motivo para tanto açodamento, sem um debate amplo perante a sociedade? Por que não dão ouvidos à consulta pública feita pelo Senado em seu portal, em que 98% das respostas são contra o projeto como proposto?
Quem diz apoiar a anistia ao caixa dois deseja, na verdade, a anistia à corrupção, o fim das investigações da Lava Jato e a soltura dos condenados.
Mente, portanto, aquele que diz que o loteamento dos cargos públicos é o preço para governar o país, quando se sabe que dele resultam corrupção e falta de serviços públicos para a sociedade.
Torna-se um simples despachante a mando de criminosos aquele que defende interesses escusos na esperança de se manter na política. Por fim, abusa da autoridade aquele que a usa para criar leis com o objetivo tão somente de ameaçar procuradores e juízes.
Advogar essas ideias é desprezar a sociedade. Sabemos quem são e onde se encontram essas pessoas. Não ignoramos o que fizeram em noites passadas e que decisão tomaram.
São tempos difíceis, mas devemos, como povo, tomar os caminhos certos. O Brasil será, de fato, um país de trambiqueiros, condenado ao atraso e à pobreza, se perdoarmos a corrupção e deixarmos que intimidem as autoridades.
Carlos Fernando Dos Santos Lima, Júlio Carlos Motta Noronha e Roberson Henrique Pozzobon são procuradores da República e membros da força-tarefa da Lava Jato no Paraná
(Publicado originalmente em institutolioberal.org.br)
Cansei. Cansei de ouvir pessoas dizerem o que eu tenho que fazer, o que e como eu tenho que pensar, com quem devo me associar e quais ideias devo seguir.
Cansei de ouvir militantes do movimento negro dizerem como meu cabelo deve ser. “Não alise seus cabelos!”, eles disseram. Cansei!
Cansei de ouvir feministas dizerem que mulher pode ser o que ela quiser, menos se declarar não feminista. Aparentemente, você, mulher, é obrigada a ser feminista. Sua cabeça, minhas regras.
Deus, como estou cansada!
Cansei de ouvir socialistas/comunistas classificarem como alienados ou ignorantes todos os pobres, negros e gays que não são alinhados à esquerda do espectro político. Na visão vitimista desses seres iluminados, somente o combo “homem-branco-heterossexual-classe média-morador do Leblon” pode querer ser o que quiser. Será que não percebem a incoerência nisso? Será que não percebem que essa massacrante rotulação é só mais uma forma de opressão do livre pensar? Aliás, quem eles pensam que são para determinar o que outros indivíduos devem pensar?
Cansei. Estou farta da patrulha ideológica.
Desejo que você possa pensar de forma livre.
Desejo que você possa ser o que quiser. Use e abuse da sua individualidade. Seja livre!
Desejo que, em nome da liberdade individual, respeitemos todos os pensamentos e todos os indivíduos.
E eu desejo isso porque me inspiro em Ayn Rand, que disse: “A menor minoria na Terra é o indivíduo. Aqueles que negam os direitos individuais não podem se dizer defensores das minorias.”
E digo ainda: grito que cansei inspirada no jornalista e escritor brasileiro Luiz Gama: “O escravo que mata o senhor, seja em que circunstância for, mata sempre em legítima defesa.”
Entenda: ser liberal não é gostar de todas as escolhas das pessoas, mas entender que não é porque eu não as aprovo que eu tenho o direito de proibi-las.
É como já disse a fantástica escritora Clarice Lispector em sua obra “Água Viva” (1973): “escuta: eu não te deixo ser, deixa-me ser então”.
Sobre a autora: Patrícia Silva é Doutora em Educação pela UFF com realização de estágio doutoral na Ohio University. Trabalha como Pedagoga na Escola de Serviço Social da UFRJ. É uma das administradoras da Libertas, página do Facebook que tem como objetivo a apresentação de estudos sobre o liberalismo na educação e os ideais de liberdade.
(Publicado originalmente em http://www.eduardoaffonso.com.br)
– Garçom, me veja o cardápio, por favor.
– Nós não trabalhamos mais com cardápio, senhor.
– Vocês usam uma tabuleta, você me fala os pratos?
– Não, senhor, trabalhamos agora com lista fechada.
– Como assim, “lista fechada”?
– O senhor escolhe o restaurante (no caso, escolheu o nosso), e o nosso gerente escolhe o que o senhor vai comer.
– E o que é que eu ganho com isso?
– O senhor não precisa perder tempo escolhendo.
– Mas como vou saber o que vou comer?
– O senhor come o que o gerente achar que o senhor deve comer.
– Mas baseado em quê, se ele não sabe do que eu gosto?
– Baseado nos critérios dele.
– Que são…
– Ele pode querer que sejam os pratos mais caros. Ou os que usam ingredientes que estão com prazo de validade perto de vencer. Ou os que já estão prontos. Ou os que dão menos trabalho. Isso não cabe ao senhor decidir.
– Então eu me sento e…
– Senta, come o que o gerente quiser, e paga a conta.
– E se eu não gostar do prato?
– Nós não trabalhamos com essa possibilidade, senhor. Gostando ou não, vai pagar a conta do mesmo jeito.
– Bem, acho que vou então para outro restaurante…
– Todos agora trabalham assim, senhor.
– Mas quem decidiu isso?
– O Sindicato dos Donos dos Restaurantes.
– Pois então eu não vou mais comer fora. Vou comer em casa.
– Não tem problema, senhor. Posso trazer a conta?
– Que conta? Não vou comer nada…
– A do Fundo Suprapartidário dos Restaurantes. Comendo aqui ou em casa, o senhor tem que financiar os restaurantes.
– Por que é que eu tenho que financiar vocês?
– Porque se não financiar por bem, nós vamos conseguir o financiamento de outra forma, que é assaltando o senhor – um método também conhecido como Caixa Registradora Dois. O senhor pagar diretamente é muito mais civilizado, não acha?
– E quem me garante que eu pagando vocês não vão me assaltar do mesmo jeito?
– Ninguém, senhor. Ah, não aceitamos cartão. E os 10% são obrigatórios.
Publicado em Diálogos hipotéticos totalmente fictícios (ma non tropo)
No dia 14 de julho de 1889, centenário da Revolução Francesa, foi devidamente comemorada no Rio de Janeiro. Mas as festas tiveram inesperado desfecho: um tiro no Imperador D. Pedro II. O Imperador, sua consorte e a Princesa Isabel deixavam o Teatro Santana, no Rio de Janeiro, após assistirem a um concerto, quando ecoaram brados de Viva a República. Este primeiro incidente não teve maiores consequências. Quando a carruagem passava, pouco à frente, diante da Maison Moderne – o restaurante da predileção dos literatos da Corte – é disparado, em sua direção, um tiro de revólver, que se perde, sem atingir o veículo, seus ocupantes ou os batedores. Perpetrara-se um atentado contra o Monarca.
O centenário daquele acontecimento, que se comemoraria a 14 de julho de 1889, tornou-se o marco de grandes eventos. Até essa data, por exemplo, todos os adeptos da República deveriam ter libertado seus escravos. A Lei Áurea, porém, frustou-lhes os objetivos. Contudo, celebraram a efeméride e, como em outras solenidades, fizeram executar a Marselhesa, para desespero dos Monarquistas. A ojeriza destes pelo hino francês, que lhes sabia como deboche, está expressa no propósito manifestado por candidato conservador de, se a sorte sorrisse aos republicanos, no derradeiro pleito eleitoral travado no Império, refugiar-se em sua fazenda, para não ouvir os acordes provocativos daquela música.
Inesperada também foi a decisão do júri que julgou o autor do atentado.
O autor (Adriano do Vale, português de 21 anos de idade) do atentado foi preso - a grande maioria do júri decidiu pela negativa do fato, absolvendo-o.
O julgamento marcou-se para 23 novembro: Os jurados eram 12 e o réu foi absolvido por 10 votos. Estava repleta a sala do júri, por ocasião do julgamento de Adriano do Vale. Falaram o promotor público Lima Drummond, o curador Otoni e o defensor Ferreira Lima. Não houve réplica. E, não obstante o réu ter confessado amplamente o crime. Coisas do júri, dir-se-á. Um fato provado e confessado resulta inexistente, pela decisão dos jurados.
O 14 de julho foi, portanto, comemorado com efusão ruidosa, em que se misturavam a Marselha e os vivas à República. E, tudo isso, sem a mínima interferência policial, diante da mais absoluta complacência das autoridades. As manifestações hostis ao governo e ao regime tinham cunho rotineiro, durante o Segundo Reinado. Foi assim que, a 15 de julho de 1889, no dia seguinte ao que festejara o centésimo aniversário da Queda da Bastilha, emprestando-lhe um cunho de grande acontecimento republicano, Pedro II e membros da Família Imperial envolvidos em atos afrontosos. Herdando um Império no limiar da desintegração, Pedro II transformou o Brasil numa potência emergente na arena internacional.
O reinado de Pedro II veio a um final incomum — ele foi deposto apesar de altamente apreciado pelo povo e no auge de sua popularidade.
Ele não permitiu qualquer medida contra sua remoção e não apoiou qualquer tentativa de restauração da monarquia. Passou os seus últimos dois anos de vida no exílio na Europa, vivendo só e com poucos recursos.
Algumas décadas após sua morte, sua reputação foi restaurada e seus restos mortais foram trazidos de volta ao Brasil como os de um herói nacional. Sua reputação perdurou até o presente. Os historiadores o enxergam numa visão extremamente positiva, sendo considerado por vários o maior brasileiro.
Segundo, o Professor Doutor Arnaldo Niskier: “Quando se debate o que deve ser lecionado aos nossos alunos, a partir de uma nova concepção de currículo, a variedade é imensa. Na discussão em torno do assunto, a imaginação é o limite. Chegamos ao absurdo de ler propostas de cortar episódios como a Inconfidência Mineira e a revolução Farroupilha, sob o pretexto de que não contém elementos indígenas ou afrodescendentes em número expressivo. Querem reescrever a nossa história, como se isso fosse possível. Alguns professores defenderam a tese de que devemos abandonar os estudos das nossas matrizes eurocêntricas, o que atingiria a língua portuguesa, a sua literatura, e também a história do Brasil. Como abrir mão de tanta riqueza cultural?”
(Publicado originalmente em Diário do Poder)
Nelson Valente é professor universitário, jornalista e escritor.