Valdemar Munaro
G. W. F. Hegel (1770 – 1831), como dissemos, foi favorecido pelo rei prussiano, Frederico Guilherme II, para ser professor e reitor da universidade de Berlim, em 1818. A submissão da filosofia a instrumento de regime político fez Arthur Schopenhauer (1788 – 1860), contemporâneo, denunciar a inauguração de uma era idealista, escandalosa, de 'desonestidades'.
Com efeito, a filosofia idealista hegeliana, se prestou eficazmente para ser ovo de serpente e útero do marxismo. Seu 'modus operandi' atingiu a espinha dorsal da diaconia científica roendo a devoção do pesquisador pela verdade. Desde então, encharcados de idealismos imorais, pensadores e agentes sociais, políticos e jornalistas, juristas e teólogos, cientistas e pesquisadores passaram a regurgitar frutos insensatos das inteligências destruídas.
Hegel ensinou, despudorada e metodicamente, a enlamear o pensamento nas arenas políticas, sem perder a vergonha nem sentir remorso. As honestidades cederam lugar aos salamaleques de ocasião, conveniências e incensos dirigidos a 'camaradas' e 'companheiros'. Desde o ofício hegeliano, o número de intelectuais bajuladores cresceu exponencialmente e os 'caras de pau' se triplicaram. O amor e a dedicação a ideias necrosadas aumentou assustadoramente pondo em risco a sanidade mental dos mais inocentes pensadores. Basta observar que muitos ainda insistem cortejar leninismos, stalinismos, chavismos, castrismos, petismos, kirchnerismos, nazismos, comunismos, socialismos, etc., feitos de ideias e experiências práticas historicamente fracassadas e assassinas. A decadência, fruto abjeto de servilismos, revela carcaças imorais que rondam como zumbis a seara cultural.
É, porém, através da metafísica hegeliana que podemos identificar mais claramente os perversos princípios filosóficos e intelectuais que a acomete. Um deles é o da dialética. Etimologicamente, o termo 'dialeticai tecné' referia-se à arte de discorrer, discutir ou raciocinar. Tratava-se, portanto, de um mecanismo essencialmente argumentativo, situado no interior da racionalidade humana como mediador e dilatador dos assuntos tratados. Os 'dialetos', com efeito, se tornaram vertentes linguísticas-culturais expandidas ou dilatadas.
Os gregos foram mestres na arte da dialética e a empregavam para ampliação e esclarecimentos de discussões, diálogos e oráculos. Péricles, Sólon, Heráclito, Protágoras, Sócrates, Górgias, Isócrates, Demóstenes, Platão, Teofrasto, Aristóteles, Sófocles, Ésquilo, etc., artistas da dialética, manuseavam-na para estender e aprofundar conhecimentos e ideias.
Também os medievais em nada menores na utilização de argumentos e raciocínios discursivos, pela arte dialética deram origem às monumentais 'Quaestiones Disputatae', sínteses filosóficas e Summa Theologiae.
Com a chegada de Hegel, no século XIX, porém, a ordem se inverteu. O mentor do monstruoso idealismo ocidental que herdamos deslocou a dialética do seu nicho lógico para o âmbito da vida extramental. Ao invés de ser um adjetivo da inteligência, Hegel a elevou à condição de verbo do mundo real. Ou seja, por um decreto hegeliano, a dialética passou do estado lógico para o ontológico numa oposição demencial à metafísica aristotélica-tomista.
O que Hegel elaborou, segundo Schopenhauer, se assemelha ao descarrilamento de um manicômio fabricante de psicopatias. O que era para ser mera metodologia racional, passou a ser tratado como princípio intrínseco do mundo real. "O ponto principal a destacar, diz textualmente Hegel, é que não é só nos quatro objetos particulares tomados da Cosmologia que a antinomia se encontra: mas antes em todos os objetos de todos os gêneros, em todas as representações, conceitos e ideias. Saber disso, e conhecer os objetos segundo essa propriedade, faz parte do essencial da consideração filosófica. Essa propriedade constitui o que se determina mais adiante como o momento dialético do lógico" (Enciclopédia, I, Par. 48).
O resultado foi a fomentação e a fermentação de doutrinas guerrilheiras, cujo conteúdo e metodologia dialéticos passaram a ser compreendidos como parte integrante de uma mesma realidade movediça e conflitiva. "Entendemos por dialética, diz o historiador E. Colomer, uma teoria geral que afirma o caráter intrinsecamente móvel ou mutante da realidade em virtude de alguma negação, e por método dialético um estilo de pensar que procede mediante negações, precisamente porque supõe que a realidade é em si mesma dialética, ou seja, que se move mediante negações".
Assim, se tudo o que existir está assentado ou edificado sobre a dialética, também o serão, por consequência, a história, a política, o espírito e a matéria, a vida e a morte, o céu e a terra. Tudo, portanto, segundo Hegel, está, energeticamente, constituído e guiado pela lei dialética na qual e da qual nada, nem ninguém pode se subtrair. Somos, pois, seres essencialmente feitos de contradição e antagonismo, negação e afirmação. A natureza, a matéria, o espírito, o cosmos, tudo, enfim, hostiliza-se consigo mesmo e com os outros numa contínua e mútua intriga incapaz de apaziguamento e autodestruição. A realidade inteira, encharcada de luz e treva, bondade e maldade, escravidão e senhorio, domínio e submissão, poder e fraqueza, amor e ódio, vive o inferno de si mesmo, num percurso indestrutível e sem fim. A lei dialética, implacável e absoluta, substituiu a Deus.
Em palavras acomodadas e vulgares, pode-se dizer que a dialética significa, para Hegel, justamente o convívio existencial dos seres entre si, no caos e na ordem, na negação e na afirmação, na ruína e na edificação, ao mesmo tempo e no mesmo lugar. Inevitável e necessária, a dialética é o movimento antagônico histórico e político, cosmológico e espiritual de todos os seres consigo mesmo e com os negativos de si. Karl Marx agarrou com afinco essa ideia e a injetou no seu sangue marxista. Os agentes revolucionários mais próximos, Lênin e Stalin, chamaram justamente o marxismo de materialismo histórico e dialético.
Por essa razão, os conflitos, segundo o pensamento hegeliano, não devem nos assustar, nem, tanto menos, infortúnios e confusões que surjam, pois são sazonais e decorrentes do processo histórico. Contudo, como se conclui, se a dialética for histórica, jamais teremos a paz, nem o comunismo virá, nem o fim dos tempos e dos conflitos; mas se, porventura, o comunismo vier a acontecer, significa, então, que a análise da história está absolutamente equivocada.
Ou a dialética é real e jamais teremos paz, ou a paz é real e possível e a dialética uma grande mentira. Marxistas e hegelianos, porém, apreciam sobremaneira a presença de conflitos e jamais se empenham em diminuí-los, pois os veem como inevitáveis e necessários. Não se importam, tampouco, com as contradições. A paz, segundo eles, não virá dos processos civilizatórios, nem das diplomacias, muito menos de Deus, mas do cansaço e do esgotamento humanos.
Como se observa, a dialética hegeliana, numa tacada, pretendeu resolver o problema da iniquidade, da morte, do pecado e do sofrimento trazendo-os para o meio do sistema como membros legítimos do progresso. O mal, na perspectiva de Hegel, não deve ser tratado como 'malvado', mas como um ilustre hóspede, tão necessário e útil quanto o Bem. Hegel valorizou a mentira tanto quanto a verdade, a feiura tanto quanto a beleza, o mal tanto quanto o Bem por seus papéis dialéticos. Assim, segundo Hegel, se a maldade for tratada como necessária, aprenderemos ser possível extrair de sua presença, vantagens progressistas. É de enlouquecer.
Nas suas preleções sobre a filosofia da história, Hegel escreveu "O pensamento geral, a primeira categoria que emerge da contemplação das vicissitudes dos indivíduos, povos e estados, que por algum tempo existem... e desaparecem, é a categoria da mudança... A visão das ruínas de uma antiga potência nos induz imediatamente a considerar esta ideia de mudança no seu aspecto negativo. A esta categoria de mudança está, porém conectado em seguida também o outro motivo, que da morte surge a vida".
Dentre todos os filósofos, Aristóteles (322 a. C.) foi o que observou com perspicácia quanto imprescindível e eficaz é, à honestidade e à saúde intelectual de qualquer pensador, o respeito que se deve ter pelo princípio de não contradição. Essa lei "nos ordena a evitar contradizer-nos, seja em nossas palavras, seja em nosso pensamento. Ela nos diz que não devemos responder a uma questão dizendo simultaneamente sim e não. Dito de outro modo, ela nos diz que não devemos afirmar e negar a mesma proposição" (M. Adler). Aquele que se contradiz no que diz e no que faz, não é digno de credibilidade.
Hegel converteu-se no maior inimigo metafísico da filosofia de Aristóteles, justamente por ignorar e desprezar o que o estagirita diagnosticou. A contradição rejeitada e combatida por Aristóteles, tornou-se pela filosofia hegeliana, uma hóspede ilustre da razão por meio da qual, intelectuais inescrupulosos e hipócritas deram vazão às suas psicopatias.
Vê-se que o hegelianismo escancarado e escandaloso se ajusta às contradições de feministas inocentando estupradores, guerrilheiros proclamando-se pacíficos, comunistas zelando por suas economias privadas, pedófilos protegendo crianças, ditadores dizendo-se democratas, narcotraficantes combatendo ilícitos, corruptos vestindo-se de honestidade, larápios caçando ladrões, mentirosos perseguindo mentiras, tresloucados julgando lúcidos, raposas guardiãs de galinheiros, homossexuais bajulando próprios matadores, terroristas condenando o terror, herdeiros de valores judaico cristãos apoiando o antisemitismo , etc.
"O que é mais perturbador nos psicopatas, diz Kenneth Francis, tanto na realidade quanto no mundo da ficção, é que eles não acreditam ser loucos".
Quem nos libertará desse curral de contradições e hipocrisias hegelianas em que nos encontramos?
Santa Maria, 05/09/2025
Dartagnan da Silva Zanela
É salutar que, quando o assunto é educação, procuremos garantir que todos, como nos lembra Fernando Sabino, iniciem sua jornada do mesmo ponto de partida. No entanto, querer que todos obtenham os mesmos resultados no ponto de chegada, além de ser uma impossibilidade, é uma crueldade.
Essa observação, à moda mineira, feita pelo referido escritor, segue o mesmo caminho apontado pela professora Inger Enkvist, que nos lembra que é extremamente temerário um sistema educacional que exige muito pouco — ou que exige praticamente nada — dos estudantes em seus anos de formação.
No caso brasileiro, é um pouco pior, porque, além de pouco exigir dos jovens, ainda quer, a todo custo, incutir em suas cabecinhas que eles são protagonistas da construção do seu próprio conhecimento.
Não são poucas as autoridades políticas e acadêmicas que dizem aos quatro ventos que as aulas devem ser mais "interessantes", "diferenciadas", etc., para atrair os alunos, que devemos investir mais em "metodologias ativas", plataformas digitais, motivação e tutti quanti para que os infantes se interessem pelo conhecimento.
À primeira vista, tudo parece muito bonito. No entanto, se olharmos um pouco mais de perto, veremos que toda essa "boniteza" é ordinária, pois confunde, de forma vexaminosa, os meios para ensinar com os fins da educação, desdenhando por completo os princípios que estão guiando essa longa marcha para o brejo.
Ora, subjacente a todas as falas que dizem respeito a essa vereda, percebe-se claramente a presença de um forte hálito hedonista, onde apenas tem valor no ato de aprender aquilo que, em um momento imediato, provoca uma sensação de prazer, excluindo do cálculo educacional todos os dissabores que o aprendizado, na maioria dos casos, provoca inicialmente.
Não é à toa, nem por acaso, que muitíssimos alunos se frustram com facilidade. Os abençoados estão sendo apenas orientados para a satisfação imediata e irrefletida, porque não estão sendo educados para o fracasso.
Isso mesmo! É de fundamental importância que eduquemos nossos alunos para o fracasso, para que eles aprendam com as agruras, para que compreendam que as derrotas fazem parte do aprendizado. Privar as tenras gerações disso é uma tremenda crueldade.
Mas, ao que parece, o fracasso subiu à cabeça de doutos, burocratas e políticos, que não querem reconhecer essa obviedade ululante que há décadas vem arruinando nosso sistema educacional.
* O autor, Dartagnan da Silva Zanela, é professor, escrevinhador e bebedor de café. Autor de "A QUADRATURA DO CÍRCULO VICIOSO", entre outros livros.
Luiz Guedes, adv
Aproxima-se mais um sete de setembro e não vejo qualquer menção à semana da Pátria. Não leio qualquer informe do colégio da minha filha sobre o evento mencionado. Também não vejo alusão à data histórica nos jornais televisivos. Silêncio total.
Lembro-me que na minha época de escola a criançada toda ficava animada com o desfile que seria realizado em comemoração ao dia da Independência. Era um acontecimento. Durante toda a semana havia apresentação do tema nas disciplinas, em especial na de História.
Independência está correlacionada a um atributo essencial do Estado, que é a soberania. Palavra que voltou à moda nos últimos dias no Brasil, quando algumas autoridades afirmaram que o país não está subordinado às outras nações. Porém, a realidade parece demonstrar algo diverso.
A soberania tem dois aspectos: interno e externo. No primeiro, é a capacidade do Estado de elaborar as suas leis, administrar, julgar e organizar a sociedade por meio da vontade do próprio Estado, sem subordinação a outra autoridade, conforme lições de Teoria Geral do Estado. No segundo aspecto, isto é, no externo, é a capacidade do Estado de ser independente e não se subordinar a outro, aderindo às normas internacionais de forma voluntária, garantindo, portanto, a independência nas relações internacionais. De acordo com Jean Bodin[1], a “soberania é o poder absoluto e perpétuo de um Estado-Nação”.
É realmente soberano um Estado que tem cerca de 26%[2] da população vivendo sob as regras ditadas por facções criminosas? Esse é o maior índice da América Latina. Isso equivale a 55,48 milhões de brasileiros vivendo sob a autoridade de facções criminosas, nas áreas tomadas e mantidas pelo crime organizado, território sobre o qual o Estado brasileiro perdeu totalmente a soberania.
Isso é extremamente grave e, se nada de concreto for logo feito, mais território será tomado pelas facções criminosas, com mais brasileiros sujeitos às normas ditadas por entidades que não são as estatais. E, infelizmente, não se tem notícias que medidas efetivas estejam sendo elaboradas, estudadas ou implementadas.
A ameaça à soberania brasileira não parece vir de Estados estrangeiros, mas sim de entidades criminosas brasileiras, com a complacência das autoridades estatais brasileiras, que nada fazem, de forma efetiva, para cumprir o mister constitucional de aplicar a Constituição Federal e garantir a segurança pública aos brasileiros de todas as classes sociais. Agora compreendi por que não se fala mais em Semana da Pátria, cujo ápice costumava ser o desfile no 7 de setembro. Sem soberania, não é possível a independência.
Com certeza, Dom Pedro I, em 07 de setembro de 1822, ao declarar a independência do Reino português, não imaginava que, um dia, o seu amado Brasil estivesse na situação em que se encontra hoje.
Espero que no próximo ano eu possa estar escrevendo de algum espaço territorial brasileiro ainda soberano.
[1]BODIN, Jean (1576). Os seis livros da república. Tradução de José Carlos Orsi Morel. São Paulo: Ícone. 195 páginas. ISBN 978-85-274-1131-8
[2] https://oglobo.globo.com/brasil/noticia/2025/08/22/territorio-do-crime-brasil-tem-26percent-da-populacao-vivendo-sob-regras-de-faccoes-maior-indice-na-america-latina.ghtml
Gilberto Simões Pires
DEVEDOR CONTUMAZ
Como se sabe, ontem, 2/9, por 71 VOTOS A FAVOR E ZERO CONTRÁRIOS, o Senado aprovou o relatório do projeto de lei que institui o Código de Defesa do Contribuinte e estabelece regras mais duras contra o chamado -DEVEDOR CONTUMAZ- tipo EMPRESAS E PESSOAS FÍSICAS que deixam de pagar impostos de maneira planejada e repetida para FRAUDAR O FISCO. Este importante projeto, vale lembrar, foi retirado da gaveta após a megaoperação - CARBONO OCULTO-, deflagrada na semana passada pela Receita e Polícia Federal. Tudo leva a crer que face à acachapante votação obtida no Senado, o Projeto também será aprovado por unanimidade, ou muito perto disso, na Câmara Federal.
LEGALIZAÇÃO DO CALOTE DE PRECATÓRIOS
O que chama muito a atenção, é que logo após APROVAR -REGRAS MAIS DURAS AOS DEVEDORES CONTUMAZES-, no que diz respeito às EMPRESAS E PESSOAS-, os senadores aprovaram -EM DEFINITIVO-, por 72 VOTOS A FAVOR E 2 CONTRÁRIOS, uma PEC - (Projeto de Emenda Constitucional)- que simplesmente -LEGALIZA o CALOTE DE PRECATÓRIOS- e com isso -ABRE AS PORTAS PARA NOVOS GASTOS DO GOVERNO-. Pode? Em síntese, o Senado, aprovou o parcelamento e a ROLAGEM INDEFINIDA DE PRECATÓRIOS ESTADUAIS E MUNICIPAIS, RETIRA OS FEDERAIS DA REGRA FISCAL A PARTIR DE 2026 E AINDA REDUZ O ÍNDICE DE REAJUSTE DOS VALORES DEVIDOS.
ESTÍMULO À JUDICIALIZAÇÃO EM MASSA
Pois, na avaliação do Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário (IBDP), publicada na Gazeta do Povo de hoje, a aprovação da PEC DO CALOTE DO GOVERNO -dificultará o processo administrativo, estimulará a judicialização em massa e agravará a crise fiscal e social. “Trata-se de uma proposta que SACRIFICA A SEGURANÇA JURÍDICA, A RESPONSABILIDADE FISCAL DE LONGO PRAZO E A JUSTIÇA SOCIAL NO ALTAR DE UMA CONVENIÊNCIA ORÇAMENTÁRIA IMEDIATISTA E ILUSÓRIA, informa o relatório técnico do IBDP que analisa a medida.
ABRE CAMINHO PARA NOVOS GASTOS DO GOVERNO
Mais: como refere a matéria da Gazeta do Povo, ao retirar o pagamento dos precatórios do teto do arcabouço fiscal, a PEC ABRE ESPAÇO para o governo federal AMPLIAR GASTOS -sem comprometer a META-.
Como se vê, o Senado decidiu -PUNIR os DEVEDORES CONTUMAZES -PESSOAS JURÍDICAS E FÍSICAS- e praticamente com o mesmo número de votos achou por bem PREMIAR O GOVERNO LULA, que ganha o DIREITO DE SER O -DEVEDOR -OBSTINADO, INSISTENTE E, PORTANTO, CONTUMAZ-. Que tal?
Dagoberto Lima Godoy
A recente megaoperação contra o PCC, envolvendo sofisticados esquemas de lavagem de dinheiro em instituições financeiras, tornou-se não apenas um feito policial, mas também um episódio de repercussão política e institucional. A disputa por quem ficará com os louros — se o governo de São Paulo, responsável pela coordenação da Polícia Militar, ou o Governo Federal, com o Ministério da Justiça, a Polícia Federal e o Ministério Público Federal — ganhou contornos estratégicos em meio ao debate sobre a chamada PEC da Segurança.
Essa Proposta, patrocinada de forma insistente pelo ministro Lewandowski, pretende ampliar a centralização do controle sobre as forças policiais, subtraindo parte da autonomia hoje exercida pelos estados. Para os governadores, trata-se de um movimento que ameaça um dos últimos bastiões de poder real das administrações estaduais: a autoridade sobre suas polícias militares.
Para observadores mais atentos, a PEC não é apenas uma questão administrativa, mas parte de um processo de corrosão do pacto federativo e de construção de uma hegemonia federal que, na prática, seria mais um passo no processo que vai transformando o país num modelo de democracia apenas formal, consolidando um projeto de poder de viés autoritário.
Nesse contexto, o mérito da operação contra o PCC passa a ter peso político decisivo. Se prevalecer a versão de que foi a polícia paulista quem desbaratou o esquema, isso fortalecerá os argumentos contrários à PEC, como demonstração que os estados possuem capacidade técnica e operacional para enfrentar organizações criminosas de envergadura nacional sem a tutela da União. Por outro lado, se a primazia for atribuída ao Governo Federal — seja pela ação direta da PF, pelo protagonismo do MPF ou ainda pela narrativa de uma cooperação equilibrada —, o feito se converterá em capital político para o governo Lula, consolidando a tese de que somente a centralização poderá garantir eficácia no combate ao crime organizado.
O que está em jogo, portanto, transcende o episódio criminal. Trata-se de uma batalha simbólica e política sobre o desenho institucional da segurança pública no Brasil. A operação contra o PCC tornou-se um laboratório de poder: se a narrativa pender para os estados, a PEC encontrará resistência robusta; se pender para Brasília, abrir-se-á caminho para uma redefinição do equilíbrio federativo, com consequências de longo alcance.
Mais do que uma questão de mérito operacional, assiste-se à disputa por um troféu político que pode alterar os rumos da relação entre União e estados e, em última instância, o próprio formato da democracia brasileira.
Gilberto Simões Pires
SINO DA DITADURA
As fortes badaladas do SINO DA DITADURA BRASILEIRA, conduzida pela -JUNTA GOVERNAMENTAL- composta pelo presidente LULA, pela maioria dos ministros do STF e pelos irrelevantes presidentes da Câmara e do Senado, dão por encerrado o mês de agosto com a PROMESSA, ou CERTEZA, de que nos próximos quatro meses que restam para o fechamento de 2025 a -TIRANIA- será ainda mais implacável com aqueles que insistem com a volta da DEMOCRACIA.
LEI MAGNITSKY E TARIFAÇO
Antes de tudo há que se admitir que o que menos faltou neste incrível mês foi EMOÇÃO. Ainda que Donald Trump tenha SANCIONADO o ministro Alexandre de Moraes com a LEI MAGNITSKY no dia 30 de JULHO, o FATO é que a REPERCUSSÃO, assim como o ESPERNEIO DO MINISTRO E SEUS APOIADORES, aconteceu pra valer ao longo do mês de AGOSTO. Além disso, VALE LEMBRAR, o SOBERANO -TARIFAÇO- imposto aos produtos e serviços que o Brasil exporta para os EUA, entrou em vigor no dia 6 DE AGOSTO, deixando milhares de empresários exportadores em MODO -DESESPERO-.
TANTAS EMOÇÕES...
Como se já não bastasse TANTAS EMOÇÕES, na terça-feira, 26, a COMISSÃO PARLAMENTAR MISTA -que PROMETE INVESTIGAR as FRAUDES DO INSS-, deu início aos trabalhos. Ontem, quinta-feira, 28, a POLÍCIA FEDERAL e a Receita Federal entraram em cena para DEFLAGAR DUAS INUSITADAS OPERAÇÕES VOLTADAS AO COMBATE AO CRIME ORGANIZADO, mais precisamente o PCC.
QUASAR E TANK
1- OPERAÇÃO -QUASAR- que tem como objetivo desarticular uma organização criminosa especializada em lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta de INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A investigação identificou um esquema sofisticado que utilizava fundos de investimento para ocultar patrimônio de origem ilícita, com indícios de ligação com facções criminosas.
2- OPERAÇÃO -TANK-, visando o desmantelamento de uma das maiores redes de lavagem de dinheiro já identificadas no estado do Paraná. O grupo criminoso atuava desde 2019 e é suspeito de ter lavado pelo menos R$ 600 milhões, movimentando mais de R$ 23 bilhões por meio de uma rede composta por centenas de empresas, incluindo postos de combustíveis, distribuidoras, holdings, empresas de cobrança e instituições de pagamento autorizadas pelo Banco Central.
DÚVIDA CRUCIAL
Por mais importantes que sejam as EMOÇÕES vividas (até agora, faltando poucas horas para o encerramento do mês de AGOSTO), a grande e crucial dúvida que, infelizmente, paira na cabeça dos brasileiros dotados de discernimento é a seguinte:
1- o STF vai validar tudo aquilo que a CPMI DA FRAUDE DO INSS promete desnudar?
2- o PCC, que Lula garante não ser uma ORGANIZAÇÃO TERRORISTA e/ou CRIMINOSA, vai aceitar tudo aquilo que as DUAS OPERAÇÕES DEFLAGRADAS PELA POLÍCIA FEDERAL E PELA RECEITA FEDERAL devem revelar?
Confesso que tenho muita dificuldade para acreditar que algo de bom vai acontecer...