• Gilberto Simões Pires, em Ponto Crítico
  • 18 Setembro 2025

Gilberto Simões Pires

TETO PARA A DÍVIDA PÚBLICA

Ontem, o péssimo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que -para felicidade geral da Nação- andava sumido do noticiário, fez uma manifestação no mínimo confusa, ao declarar ser totalmente contrário ao projeto de lei do senador Renan Calheiros, que estabelece um TETO de 80% do PIB para a DÍVIDA PÚBLICA. Óbvio: quem só pensa, defende e age com o propósito de AUMENTAR, -SEM LIMITE- A DESPESA PÚBLICA, não tem como concordar com -LIMITE DE ENDIVIDAMENTO-. 

POR PARTES

Vamos por partes;

1- Na visão -caolha- do ENDIVIDADOR-MOR DA REPÚBLICA, o referido Projeto de Lei, se resultar aprovado,  “não trará os melhores resultados. Disse mais: o Ministério da Fazenda já tem regras adequadas e suficientes para assegurar a estabilidade das contas públicas, desde que executadas corretamente;

2- Já na ótica do relator do projeto, senador Oriovisto Guimarães, a DÍVIDA BRUTA DO GOVERNO FEDERAL (soma de todas as obrigações financeiras (empréstimos e financiamentos) assumidas pelo Governo Federal, pelo INSS e pelos governos estaduais e municipais do país), além de não poder ultrapassar 80% do PIB também não pode exceder a 6,5 vezes o VALOR DA RECEITA CORENTE LÍQUIDA DA UNIÃO. 

RESOLUÇÃO DO SENADO

Como se trata de uma RESOLUÇÃO DO SENADO FEDERAL, o mesmo depende apenas da aprovação da Casa, e como tal não precisa passar pela Câmara nem pelo presidente da República,  pois a Constituição dá ao Senado a competência de estabelecer LIMITES GLOBAIS PARA AS DÍVIDAS DA UNIÃO, DOS ESTADOS E DOS MUNICÍPIOS. E como a votação do Projeto está prevista para acontecer na próxima 3ª feira, 23/09, isto está deixando o ENDIVIDADOR-MOR em MODO DESESPERO. 

CÁLCULO CORRETO

Na real, a considerar que o Projeto venha a ser aprovado, o FATO é que na MÉTRICA, ou PADRÃO, do FMI, a DÍVIDA BRUTA DO GOVERNO FEDERAL, que inclui os títulos públicos que estão na carteira do Banco Central, SUPERA O TETO (80%) PREVISTO NO PROJETO DE LEI. Até porque a DÍVIDA PÚBLICA, se for levado em conta o que aponta o CÁLCULO CORRETO, já atingiu, em julho,  a marca de 90% DO PIB. 

É pouco provável, ou quase nulo, que o Senado leve em conta que o TETO previsto no Projeto já nasce FURADO, e como tal, para não se transformar em nova -LEI BURRA-, precisa ser alterado antes da votação. 

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  • Dr. Pedro Lagomarcino
  • 18 Setembro 2025

 

Dr. Pedro Lagomarcino

            Dizia Júlio César nos tempos da Roma antiga:

- "Dê as pessoas pão e circo, certifique-se de que suas barrigas estejam cheias e que elas tenham algo para vestir e se distrair. Assim elas não tomam as ruas para protestar".

"Mutatis mutandis", o povo brasileiro é o grande responsável de praticamente tudo que vivemos e vemos hoje.

Não adianta "tapar o sol com a peneira", ou tentar criar subterfúgios para transferir a responsabilidade para terceiros, no intuito de se engendrar uma causa de isenção de culpa.

O povo brasileiro não está, verdadeiramente, interessado em resolver problemas complexos. Tem sim, por hábito, nadar no raso. Não quer entender como se dão as relações de poder, não quer saber ou dialogar com maturidade sobre o que, como e por quê? Sabem aquela história de “aguardar o pacote cair do céu”? Por supuesto, ao que se observa, mesmo se “o pacote cair do céu”, se não estiver “embalado para presente e com fita”, o povo brasileiro é capaz de “descartar”, ou de “devolver ao remetente”.

Fato é que os representantes eleitos que temos com mandato são, sim, bem ou mal, cada um ao seu modo, o fiel retrato dos eleitores que votaram.

Ninguém recebe mandatos e é eleito por combustão espontânea.

Percebo há anos que o povo brasileiro gosta mesmo é de reclamar, mas nunca ou raramente quer se envolver. Gosta de ver o circo pegar fogo, de comentar o próximo escândalo, de eleger alguém para ser criticado e não raras vezes execrado. Entretanto, na época de eleição, apoia, financia e decide votar em candidatos que possam lhe alcançar favores pessoais com notório imediatismo, ou para um familiar, ou para um amigo próximo.

Esperar o que de um país, quando quem tem direito a voto procede desta forma?

Mudanças estruturais?

Prosperidade?

O povo brasileiro se esqueceu o que significa ser um representante eleito e, lamentavelmente, passou a idolatrar YouTubers, TikTokers e outros congêneres, achando que por ter reduzido sua personalidade, sua individualidade e sua capacidade cognitiva, simplesmente, a se tornar em seguidor de alguém, isso é estar representado, porém sem saber se o suposto líder que se segue (seja ele quem for) de fato tem aptidão, capacidade intelectual, articulação natural, para elaborar e promover mudanças e melhorias em prol do bem comum.

E assim se formam em bloco uma linha fordista dos novos Sísifos, porém com uma mudança dos novos tempos, qual seja, em vez de se pagar a pena de carregar a pedra até o topo da montanha, sabendo-se que ela cairá e terá de ser carregada eternamente de novo, agora "a pena" é dar coraçõezinhos e compartilhamentos sem filtro, até que o dia termine, sem que se tenha lembrado de viver e existir.

Lamento muito dizer, mas caminhamos, como país e como sociedade, diariamente, para trás.

É hora de refletir e de mudar comportamentos que nos atrasam e não nos levam a lugar algum.

Verdade seja dita, a envergadura moral de um homem é medida pelo seu caráter, pela visão de mundo que tem e por seus gestos mais simples.

E quem não quer se envolver para construir e fazer as mudanças, merece o pouco que lhe é entregue.

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  • Gilberto Simões Pires, em Ponto Crítico
  • 10 Setembro 2025

Gilberto Simões Pires

MENSAGENS NAZISTAS

Antes de tudo vale sempre lembrar que Adolph Hitler ao escolher o seu fiel escudeiro Joseph Goebbels para chefiar o MINISTÉRIO DA PROPAGANDA NAZISTA, tinha como propósito, mais do que comprovado, de garantir que as MENSAGENS NAZISTAS fossem -transmitidas e recepcionadas- com sucesso através -da arte, da música, do teatro, dos filmes, dos livros, do rádio, dos materiais escolares, da imprensa e, obviamente através de DISCURSOS e/ou PRONUNCIAMENTOS proferidos pelo DITADOR-. Mais do que sabido, e repetido à exaustão, a técnica mais utilizada era a de -RETIR MENTIRAS- até que as mesmas fossem entendidas como VERDADES.

SOBERANIA

Pois, na noite do dia 6 de setembro, quem se propôs a ouvir o MENTIROSO -PRONUNCIAMENTO- do presidente LULA -transmitido em -rede nacional de rádio e televisão- ficou com a clara impressão de que o texto -preparado pelo ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social do Brasil, Sidônio Palmeira-, foi integralmente inspirado na CARTILHA do Chefe da Propaganda do governo nazista, JOSEPH GOEBBELS. Desta vez, vale registrar, o FESTIVAL DE MENTIRAS teve como mote principal a cansativa REPETIÇÃO da expressão -SOBERANIA-. 

OITO VEZES

Mais: com o mesmo propósito consagrado por Goebbels, de REPETIR MENTIRAS ATÉ QUE AS MESMAS SOEM COMO VERDADES, ao longo dos 5 minutos e 25 segundos de pronunciamento, LULA usou e repetiu -OITO VEZES- a palavra SOBERANIA. E, como já era mais do que esperado, a MÍDIA TRADICIONAL, ou ABUTRE, que para tudo sempre tem algo a criticar, comentar, desconfiar ou repreender, não se dignou a fazer o menor comentário sobre TANTAS E REPETIDAS MENTIRAS.

DIREITOS HUMANOS UNIVERSAIS

Pois, a título de ESCLARECIMENTO me apresso, mais uma vez, em explicar que SOBERANIA é o PODER SUPREMO E INDEPENDENTE QUE UM ESTADO POSSUI para GOVERNAR SEU TERRITÓRIO SEM INTERFERÊNCIA EXTERNA -DESDE QUE CUMPRA O QUE MANDA A LEI -UNIVERSAL E INDIVISÍVEL que caracteriza os DIREITOS HUMANOS.

-UNIVERSAL-, porque se aplicam a todas as pessoas;

-INDIVISÍVEL, porque não podemos separar um do outro, ou escolher quais serão respeitados e quais não. A violação de um deles é uma ameaça aos demais. 

Essas diretrizes estão descritas na -DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS-, aprovada em 10 de dezembro de 1948 por 48 países, dos 58 que eram membros da ONU na época. Detalhe importante: - o BRASIL estava entre os países signatários. Atualmente, a ONU possui 193 países-membros e TODOS SÃO SIGNATÁRIOS DESTE COMPROMISSO INTERNACIONAL DE GARANTIA DE DIREITOS HUMANOS- e o BRASIL, REPITO, segue como PAÍS-MEMBRO. 

CUMPRIMENTOS

Ontem, o que se viu em todo o Brasil foi um verdadeiro -ATO DE SOBERANIA-, onde o POVO foi às ruas para DIZER -ALTO E BOM TOM- que não aceita a violação dos DIREITOS UNIVERSAIS, notadamente pela SUPREMA CORTE, órgão de cúpula do PODER JUDICIÁRIO, ao qual compete a GUARDA DA CONSTITUIÇÃO, como bem define o art. 102 da nossa LEI MAIOR.

A propósito, na qualidade de participante de todos os MOVIMENTOS PRÓ LIBERDADE DE EXPRESSÃO E DEMOCRACIA, envio os meus sinceros cumprimentos pelo VALOROSO SENTIMENTO DE PATRIOTISMO

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  • Alex Pipkin, PhDAlex Pipkin, PhD
  • 09 Setembro 2025

 

Alex Pipkin, PhD 

              Ao longo dos últimos oito anos, venho escrevendo sobre o que denomino de bommocismo destruidor. Aplicam-se políticas que soam como melodias sedutoras para a população, sobretudo para os mais pobres, mas que, no fundo, hipotecam o futuro. São medidas que encantam pela promessa imediata de alívio, mas que, no médio e no longo prazo, corroem as bases da economia, geram estagnação e atingem com brutalidade justamente aqueles que dizem proteger. Essa é a perversidade maior do populismo, ou seja, apresentar-se como bênção, quando não passa de maldição disfarçada.

A história econômica demonstra que intenções, por mais nobres que sejam, não imunizam políticas públicas contra resultados desastrosos. Como advertiram Friedrich Hayek, Milton Friedman e Thomas Sowell, a economia não se curva a discursos; responde a incentivos. Quando estes são mal desenhados, o efeito é devastador. O populismo, sobretudo o que se mascara sob slogans de “justiça social” e “igualdade”, distribui ilusões de curto prazo ao povo, mas cobra no futuro a conta da irresponsabilidade. Boas intenções não pagam dívidas.

No governo Dilma Rousseff, o represamento artificial dos preços de combustíveis e energia elétrica foi vendido como proteção ao bolso da população. O que se viu foi a Petrobras sangrar bilhões, tarifas explodirem e a confiança dos investidores evaporar. A medida que se anunciava “social” terminou por penalizar justamente os mais pobres.

No governo Lula, a redução do IPI para a linha branca foi saudada como motor do consumo popular. Geladeiras e máquinas de lavar ficaram mais baratas, é verdade, mas o ganho foi fugaz e artificial. Não houve aumento estrutural de produtividade; o que restou foi um buraco fiscal que recaiu sobre toda a sociedade.

O BNDES tornou-se um cassino estatal, onde apostas altas pagam-se com o dinheiro do povo. Nos governos Lula e Dilma, a política dos “campeões nacionais” despejou mais de meio trilhão de reais em empresas escolhidas a dedo. O discurso era de fortalecimento da competitividade global; a prática foi a concentração de privilégios e a socialização das perdas. Muitos desses “campeões” terminaram em escândalos de corrupção, enquanto o contribuinte arcava com a fatura.

Essa pedagogia perversa não terminou em 2016. Em 2023, com o retorno de Lula à cena do crime, vemos a tentativa de reedição do mesmo populismo econômico. A Petrobras voltou a priorizar a indústria naval nacional, pouco competitiva, em detrimento da eficiência. O BNDES, mais uma vez, é convocado para financiar projetos externos com o dinheiro do trabalhador brasileiro. A retórica é a mesma de sempre: desenvolvimento, empregos, justiça social. A realidade é o velho roteiro da ineficiência e da captura do Estado por interesses privados travestidos de bem comum.

A tentativa de redução da taxa de juros tornou-se a principal ferramenta desses governos populistas. Juros baixos não garantem crédito barato nem compensam políticas econômicas mal concebidas. No curto prazo, podem criar a ilusão de prosperidade e popularidade para o governo; no médio e longo prazo, resultam em inflação, distorções de preços e estagnação econômica. A prosperidade não se projeta com juros artificiais! É ilusão populista, doce aos ouvidos, amarga nos pés.

O populismo econômico sempre carrega a mesma marca. Uma promessa sedutora, mas com fatura pesada. Ao intervir de forma artificial, governos deseducam a população e criam gerações que acreditam que o Estado distribui prosperidade, quando, na verdade, só distribui dependência e estagnação.

Eis o ponto crucial e definitivo. O populismo não é apenas um erro de cálculo econômico. É uma falácia moral. Ele se apresenta como bondade, mas produz miséria. Proclama justiça, mas perpetua privilégios. Anuncia igualdade, mas entrega a desigualdade mais cruel, a do futuro sem esperança para os que mais precisam.

Ao fim, a realidade, implacável, sempre desmascara a farsa. Por mais que governos populistas maquiem o presente, a verdade econômica se impõe com dureza no longo prazo. O povo brasileiro já pagou caro por essas ilusões. A grande questão é se continuará disposto a pagar novamente pela mesma música enganosa, esse bommocismo destruidor que soa doce, mas retumba como tragédia para as próximas gerações.
 

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  • Samir Keedi
  • 09 Setembro 2025

 

Samir Keedi

             Temos um governo que não sabe o que é soberania nem independência. Como pode ser isso? O que, provavelmente, seja também o caso da maioria dos nossos politicos, jornalistas e o povo. Mas, mesmo assim, o governo iniciou uma campanha do que não conhece.

Quando Donald Trump, presidente norte-americano, impôs tarifas sobre as importações de mercadorias dos EUA de praticamente 100 países, todos protestaram, como é natural. Alguns também colocaram tarifas sobre importações de seus produtos dos Estados Unidos da América.

Mas,Outros Autores após um curto período de tempo todos, menos um, sentaram-se à mesa, negociaram as tarifas como países soberanos e amantes de seu povo. Isso é soberania. Defender seu país, seu povo, sua dignidade.

O que fez o Brasil? O que se considera a última bolacha do pacote? O único contrário à corrente? Sim, o que todos sabem. Criticou, critica e continuará no mesmo diapasão. Xinga, chama de nazista, etc.  – desnecessário perder tempo com repetição.

E, não quer conversar, não quer sentar à mesa. Pior, diz que está aberto à conversa se o presidente norte-americano desejar. Sim, isso mesmo, não é uma brincadeira nossa. É o único a agir destemperado, sem diplomacia, sem pensar no país. Do que devemos chamar isso? No mínimo de anão econômico e diplomático, para ser bonzinho? E ainda chama isso de soberania.

Soberano é defender seu país, seu povo, seus empresários, criar condições para o desenvolvimento. Portanto, vê-se que, sequer, sabe o que é soberania. Ah! Antes que nos passe despercebido, é soberania entregar o país à China, por interesse próprio e individual?

Deve ser soberania também ter as melhores condições físicas do planeta, país pronto de nascença para ser o melhor do mundo e ainda ser pobre 533 anos depois da descoberta e 203 anos após a independência. O que não é pouco tempo e nem novo em nossa opinião. É tempo suficiente para ser desenvolvido econômica e seriamente falando – vide EUA e Austrália.

Um país na posição 80 quando se trata da renda per capita, não deve ficar orgulhoso e iludido porque é a 10o. economia mundial considerando-se o PIB-produto interno bruto, como se ele fosse a medida ideal de desenvolvimento de um país.

Não é, e vamos dar exemplo claro e fácil, para não deixar dúvida, do que é riqueza e desenvolvimento, e não se deixar enganar pelo PIB.Voltando ao tema, é soberania e independência essa posição 80 em renda per capita entre 200 países?

  • EUA – PIB US$ 30 trilhões, renda per capita US$ 80 mil.
  • China – PIB US$ 19 trilhões, suposta 2a. economia mundial, e uma ínfima renda per capita de US$ 13 mil.
  • Brasil – PIB US$ 2,2 trilhões, suposta 10o. economia mundial, ridícula renda per capita de US$ 10 mil.

Que soberania e independência é essa do melhor país do mundo em condições físicas para ser a melhor economia do mundo, e ser o que é e, olhando para o comércio exterior, ver que é apenas pouco mais de 1% do comércio mundial de bens? Um dos países mais fechados do mundo?

E que soberania e independência é essa em que metade das nossas exportações são do agronegócio, atuando no comércio exterior praticamente apenas como fornecedor de matéria prima para ser industrializada por outrem? Atuar como colônia e praticamente colocando todos os ovos numa única cesta, e sendo comprado ao invés de sermos vendedores é soberania?

Soberania e independência é ser um dos melhores do mundo e estamos muito longe disso.

Soberania é ter todo o povo comendo bem e, pelo menos, 3 vezes ao dia. É todo o seu povo tendo água encanada e esgoto em casa e não apenas 50% dele. É todos, ou praticamente todos, tendo uma moradia digna. E mobiliada.

Soberania é ter emprego para todos, e todos tendo educação e competência suficiente para os empregos oferecidos. É ter carteira de trabalho assinada, ao invés de meros pouco mais de 40 milhões de brasileiros nessa situação.

Soberania é não ter 60 milhões de pessoas ou mais dependendo da bolsa esmola e as mais diversas bolsas oferecidas com recursos de quem trabalha. Bolsa até para estudar, como se não fosse interesse e obrigação das pessoas.

Tudo para poder controlá-las e ter um voto permanente para se perpetuar no poder as custos da ignorância e da pobreza da população. E isso após 20 anos de governo próprio Povo que pensa estar sendo privilegiado, enquanto é massacrado e dominado por décadas sem sequer pensar e saber disso, sem perceber e entender.

E não perceber que se massacra cada vez mais a educação, do maternal à universidade, de modo que se estude e não aprenda, e apenas pense estar aprendendo porque tem ou terá um diploma.

Pobre do melhor país do mundo, transformada num dos piores, e tudo por interesses próprios, individuais e mesquinhos.

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  • Rubem Sabino Machado
  • 06 Setembro 2025

 

Rubem Sabino Machado

 

Todas as cartas de amor são ridículas”, diria saudosa pessoa, digo, Pessoa, mas sem discordar, preciso apenas ressalvar: mas só as canções de amor são pra sempre...

Li, um dia uma crônica que, por estar em um imemorial jornal de papel – sim isso já existiu – nunca mais achei: não está nas redes.... Ela falava justamente disso e, um dia, aquela a quem dedico todas as canções do título, sugeriu – por que você não escreve a sua?!

Anos se passaram, muitas canções de outros temas não fazem mais sentido, mas a crônica das canções de amor não me saía da cabeça:  elas são mesmo pra sempre.  E pareciam que ficariam eternamente em minha mente sem saírem pro papel. 

Eu não tinha inspiração mas, um dia, estava de Roupa Nova: Não faz mal não ser compositor, se o amor valeu, eu te empresto um verso meu, pra você dizer”, aceitei a oferta do Serginho e abusei: comecei com essa estrofe inteira.  Que outras canções que não as de amor farão sempre sentido ou, ao menos, o mesmo sentido após anos, décadas, séculos? No futuro, outros dois, que sejam,  não terão esquecido os “detalhes tão pequenos”, enquanto que um outro, e não o Roberto,  “deve estar falando ao seu ouvido palavras de amor” pelo airpod. 

Saudades quase sempre têm a ver com distância ou, ao menos, com distanciamento.  Minha mãe um dia disse que tanta música fala em “so far away”.  E é verdade: desde a bela canção do Dire Straits  passando pelo Roxette, Rod Stewart e até pelos cacófatos do Leone..., um chato, mas com belas canções românticas.

Sting, você  pode inventar hoje uma historinha de stalker: pra negar as óbvias hipérboles  românticas daquela música, pra parecer politicamente correto em um tempo em que fingem não entender figuras de linguagem (uns não entendem mesmo), mas, meu caro, “every word you say, I’ll be watching you”.  E quando você tiver partido, românticos ainda estarão perdidos de amor, com o coração doendo, sem restar um traço sequer dessa sua explicação fajuta do sentido da canção.  Faz menos sentido que o Djavan explicando “Açai, guardiã” cuja razão para ouvir está na performance apaixonada do cantor, na melodia romântica e em trechos como “Solidão”, “Coração sangrando”, “Ilusão”, “A paixão” que a tornam uma canção de: “adivinha o quê”?! – e não estou me referindo a outra romântica, mas bem humorada de um Lulu cujo passado é o de um “último romântico”...

Aliás, canções de humor podem perder a graça no futuro, esquecido o contexto, ou serem curtidas só pela musicalidade ou perderem a graça ao se descobrir o significado: ou você sabia que Psycho Killer era sobre um assassino cruel que ligava gaguejando e enforcou crianças cuja mãe acabou indo pra França?  Preferia não saber dessa, né?  Eu também...

É.  Só as canções de amor são pra sempre.  Até as bregas que ficaram na nossa lembrança, quiséssemos ou não, ficaram por causa do amor.  De que fala “Evidências”: a mais pedida nos karaokês? E você acha mesmo que a conversa com o garçom seria lembrada se o grande amor de alguém não fosse se casar e não tivesse mandado uma carta para cruelmente avisá-lo?  Ou que alguém pensaria num Fuscão preto se ela não estivesse com outro “pela cidade a rodar”.  Cá entre nós: você teria curtido “Coisa Cristalina” do Wando, teria jogado calcinhas pra ele, teria desejado “da prisão dessa ternura nunca mais sair” se soubesse que a prisão era o vício de drogas de um amigo que não as abandonava por curtir ver uma luz e essa “coisa cristalina”?  Não!!! Você curtiu porque, pra você, era sobre amor.  E acha brega mas sabe a letra inteira dela, dela e de “Fogo e paixão”: que trata de quê, mesmo?

Alguém virá defender as canções de protesto, e eu chamo o Rauul: “todo mundo tem que reclamar”.  Elas até têm lá o seu valor, mas não são pra sempre:  passado um tempo, ninguém sabe mais o contexto e não fazem mais sentido além da forma.  Às vezes nem para os autores: um  “Cale-se” pode se tornar um mero cálice, mas  de cristal, cheio de vinho importado, com pelos menos 4 prêmios internacionais e usado, em Paris para brindar à censura: se esta for contra... “eles”. Apesar de todo o seu talento, apesar de você negar o que já defendeu,  apesar de revelar quem você é de verdade, “apesar de você, amanhã há de ser outro dia”:  um dia em que esse verso será apenas sobre uma mera  briga de namorados e as pessoas só entenderão o sentido pretendido: se for das suas canções de amor.

Só as canções de amor são pra sempre, só elas serão compreendidas a qualquer tempo, por quaisquer pessoas, em qualquer lugar, seja numa galáxia muito distante ou num “sofá: so far away”, ou num “show de rock and roll” com uma  anônima bem mais alto astral e divertida que a Mônica, que era chata – o filme só confirma—mas amava o Eduardo, ou num “trem azul” junto com  a “Irmã do Dr. Robert” e, não aceitar isso seria apenas negar as aparências, disfarçar evidências, fingir e enganar seu coração e a nós para, depois, naquele dia em que você quase pode “tocar o silêncio”, com o rosto dela “em pedaços, misturado com o que não sobrou”, admitir pra si mesmo:

I’ll never let you see

The way my broken heart is hurting me

I have my pride and I know how to hide

All my sorrow and pain:

I do my crying in the rain

 (A-ha)

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