O SACRIFÍCIO PARA COMPRAR PÃO EM CUBA

Fernando Doar Ochoa, em CubaNet

27/04/2021

 

Fernando Doar Ochoa

 HOLGUÍN, Cuba.- A confeitaria da padaria Doñaneli na cidade de Holguín abre às 8h30 da manhã, mas a partir da véspera seus clientes começam a organizar a fila.

Quando Raquel Reyes, uma aposentada de 71 anos, chegou às 5 da tarde, pensou que era uma das primeiras, mas se enganou: estava fazendo o número 27. “Os seis na minha frente marcaram para três ou quatro. Eu também faço o mesmo, meu marido, meus dois filhos e dois netos vão comprar comigo ”, conta a CubaNet.

A falta de alimentos devido à crise alimentar que atravessa o país torna o pão um ingrediente necessário na mesa cubana, algo que o pão padrão de 80 gramas por pessoa do mercadinho não resolve. A escassez aguda de farinha tem limitado a venda de produtos associados a essa matéria-prima. Já é "normal" encontrar  cartazes "Sem farinha, sem pão até segunda ordem" pendurados nas portas desses estabelecimentos.

As quatro padarias da cidade de Holguín que oferecem os pães liberados não conseguem atender a demanda. A venda foi restringida à taxa de dois pães de crosta dura por pessoa, um suprimento insuficiente que obriga a família a deixar a casa em desafio ao coronavírus. “Para que o pão chegue à família temos que marcar para todos”, confessa Raquel.

Sua nora, após o expediente, virá ocupar lugar na fila às 9 da noite, e depois seu filho fará isso às onze. “Organizamos as programações para proteger a fila”, diz Raquel. A senhora cumpre o último turno e volta para casa para fazer as tarefas domésticas.

Há clientes que ligam tarde da noite. Victor Reyes chegou às 12h30 da madrugada. Naquela hora, havia apenas três pessoas. Um deles ficou com ele por um tempo. Ansioso por cumprir seu tempo e ir para casa descansar depois de um árduo dia de trabalho, parecia a Victor que o tempo não passava. Ele se sentou no degrau da frente da loja e iniciou uma conversa banal com seu companheiro. Victor mal conseguia manter os olhos abertos, o cansaço estava começando a afetar seu corpo.

 “Estou aqui para garantir o lanche dos meus dois filhos”, diz Victor. Já passava das 2 da manhã quando conseguiu,finalmente, ir pra sua casa.

De madrugada a fila é um desafio: os clientes são expostos a uma multa policial de 2.000 pesos por violar o toque de recolher - medida para evitar a propagação do coronavírus - ou a bandidos que atacam com faca na mão aproveitando a solidão do momento.

No entanto, o desafio de fazer fila para levar pão ou outras mercadorias para casa é mais forte do que qualquer risco. “Holguín é uma cidade que não dorme, ao amanhecer você encontra pessoas na fila: deitadas sobre papelão nas calçadas para comprar motocicletas ou higiene pessoal nas lojas do MLC; para as caixas de charutos que serão vendidas na adega ou em um bar da cidade; ou assim para comprar pão ”, diz Leonardo Sánchez, um jovem que se“ surpreendeu ”na fila às 4 da manhã.

“Tenho que ficar até as 7h30 da manhã. Se eu for embora, alguém pode vir com o pretexto de que não havia ninguém e abrir outra fila e todo o sacrifício de muita gente se perder ”, diz Sánchez.

Às 7 da manhã chega o revezamento de Leonardo, que, apesar de não ter dormido a manhã toda, decide ficar para comprar. “É um sacrifício que deve ser passado para comer pão”, diz o jovem em tom consolador.

Tudo acontece numa calma aparente, mas com a aproximação da hora da venda, a rua se transforma em uma colméia de gente que vai aumentando progressivamente até obstruir o trânsito de uma das principais artérias da cidade.

As buzinas dos carros pedindo passagem não param. Um pedicab quase atropela uma mulher que parece um pouco deslocada.

Na hora da abertura, alguém que se propõe a organizar a fila é ignorado. “Isso é por prazer, é melhor esperar o organizador oficial do governo”, respondem.

A multidão é tão grande que muitas vezes os clientes esquecem o coronavírus e não mantêm distanciamento social. Uma situação que dois agentes “anti-fila” designados pelo governo mal conseguem controlar.

 “Não se aglomere, vá para a calçada, mantenha distância”, repetem incessantemente os organizadores da fila, que costumam ameaçar chamar a polícia.

A linha se estende por quase três quarteirões e com o passar do tempo a multidão cresce. Em repetidas ocasiões, há altercações entre pessoas que defendem seu lugar na fila.

Para a maioria, a espera pode levar até uma hora. Os clientes costumam reclamar de vendedores lentos. “Eles não têm pressa porque têm um salário e um horário fixo.

Todos os dias cerca de trinta pessoas ficam sem comprar. “A solução aqui é entrar na fila do dia anterior, se não ficar sem pão. Mas na minha idade isso é difícil para mim ”, diz um homem que não conseguia levar para casa a comida desejada.

As avaliações também apontam para a qualidade. “É um pão velho com pouco azeite no preparo, mas temos que comprar porque é o único. Não existe competição entre as padarias, estamos à mercê dos vendedores. Você pega ou passa fome ”, diz Mario Miranda, um homem que comprou depois de mais de uma hora na fila.

 

Publicado originalmente em CubaNet.org, no dia 22/04/2021

Tradução do editor do site.

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JURISTA IVES GANDRA E A CONDENAÇÃO DE LULA

Percival Puggina

23/04/2021

Percival Puggina

 Em longa entrevista sobre o caso Lula e o STF, publicada na Gazeta do Povo no dia 21 deste mês, o conhecido jurista Dr. Ives Gandra da  Silva Martins, ao falar sobre a competência do foro de Curitiba e a culpabilidade do réu Lula, disse:

Essa decisão concreta, nós tivemos um juiz que examinou exclusivamente provas, que foi o juiz Sérgio Moro, para condenar o [ex-]presidente Lula. Não entro a discutir valores, juízo de valor, do [ex-]presidente Lula. Quero analisar exclusivamente o processo. Por estar em férias, eu li aquela sentença de 200 e poucas páginas. Uma sentença que examina exclusivamente fatos e condena a base de fatos. O argumento da incompetência do foro já fora alegado naquele momento e reiterado junto ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que, também, decidiu não aceitar a incompetência de foro, eliminou a preliminar, afastou a preliminar, e aumentou a condenação exclusivamente à base dos fatos que lá estavam. Isso foi para o STJ. Os mesmos argumentos da incompetência de foro. E o STJ decidiu que não havia incompetência de foro e que ele foi condenado à base exclusivamente das provas que lá estavam. Isso foi para o Supremo Tribunal Federal, e o Supremo Tribunal Federal não aceitou a incompetência de foro e declarou que o presidente, evidentemente, teria que ser condenado em decorrência daquelas provas.

Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/republica/ives-gandra-martins-entrevista-stf-partido-oposicao/

Comento

Fico feliz por ver tão respeitada e ilustre personalidade do ambiente jurídico nacional afirmar algo que venho sustentando desde que o STF decidiu que Curitiba não era o foro adequado para julgar Lula. Para essa decisão, o STF deu cavalo de pau em tudo que fora feito até agora naqueles processos. Supõe-se que novos foros para diversos réus e condenados serão designados pelos ditadores togados que assumiram a República.

Como bem disse acima Ives Gandra, contrariando o que em seu voto afirmou o ministro Alexandre O Pequeno, como o alcunhou o jornalista Fernão Lara Mesquita, não foi esta a primeira vez que o STF tratou desse assunto. A mudança de opinião, digo eu, cumpre a agenda política do Supremo, cujo Rasputin mato-grossense diz ser o único órgão Judiciário que não se deteriorou com a Lava Jato.

O Brasil, mais uma vez, pensa o oposto.

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GILMAR MENDES E A REALIDADE PELO AVESSO

Percival Puggina

20/04/2021

Percival Puggina

Bojana Danilovic, moça sérvia de 29 anos, moradora de Uzice, escreve e lê de cabeça para baixo. Transcrevo o que foi  relatado a respeito pelo G1: “Quando Bojana vê um objeto, ele é invertido na retina, que fica no fundo do olho. Seu cérebro, então, deveria reposicionar a imagem, para deixá-lo na direção correta – só que isso não acontece”. Ela diz ser “a única pessoa no mundo a apresentar esse tipo de transtorno”.

No Brasil, temos um ministro do Supremo que sofre de problema semelhante na interpretação dos fatos. Em recente entrevista ao Estadão, o ministro – pasme, leitor! – afirmou que “a Operação Lava Jato provocou um ‘colapso’ no Judiciário, atingindo da primeira instância até o Superior Tribunal de Justiça (STJ). E acrescentou que essas instâncias sucumbiram a ‘pressões políticas’ da força-tarefa que comandou a operação em Curitiba. “O STJ não cumpriu adequadamente seu papel”, repreendeu ele.

Você agora está liberado para rir o quanto quiser diante de tamanho descolamento da realidade. Foi tudo ao contrário do que o ministro afirmou e eu, até em benefício dele mesmo, gostaria que fosse, de fato, resultado de um distúrbio de percepção.

Não obstante, por demanda de seu espaçoso amor próprio, o ministro tenta emplacar uma narrativa. E o faz afirmando, diante da repulsa nacional ao ativismo do STF, que todo o Poder Judiciário Federal anda de passo errado enquanto só ele e quem com ele, anda de passo certo.

A sociedade assiste estarrecida ao empenho com que o STF aparelhado pelo PT destrói a credibilidade da Corte. Lê estarrecida uma entrevista em que tamanha negação da realidade é dita e passa batida. Triste Supremo! Triste jornalismo! Este último, não só assistiu como transmitiu a inteira sessão em que a Corte decidiu anular as ações contra Lula. Como podem comprar tão barato a afirmação de que era aquela a primeira vez que o Supremo examinava a questão da competência da 13ª Vara Federal de Curitiba para casos da Lava Jato?

Não vão me enlouquecer! Não foi isso que ouvi de Edson Fachin  e não foi isso que ouvi de Rosa Weber quando votavam. Ambos referiram a "evolução das percepções" na Segunda Turma! O assunto era velho dentro do Supremo. A inacreditável decisão da semana passada revelou a face oculta de um Brasil das trevas, que volta a imergir na noite escura de nossas instituições.

O ministro, e quem pensa como ele, deveria ler o artigo publicado em Zero Hora do último fim de semana pelo digno e douto desembargador Luís Alberto Thompson Flors Lenz, do TRF-4 (que julga os recursos da Lava-Jato). O texto termina com esta afirmação: “A Lava-Jato não vem sendo desconstituída por suas falhas e eventuais equívocos, e sim pelos seus incontáveis acertos, principalmente em defesa de um país minimamente digno”.

* Percival Puggina (76), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.

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BIDEN QUER “EMPACOTAR” A SUPREMA CORTE

Joel B. Pollak

15/04/2021

Leio em Breitbart News

Joel B. Pollak

Os democratas vão apresentar um projeto de lei na quinta-feira para preencher a Suprema Corte ampliando o número de juízes de nove para treze, com as quatro novas vagas a serem providas imediatamente pelo presidente Joe Biden e pelo Senado controlado pelos democratas.

A proposta vem menos de uma semana depois de o presidente Biden assinar uma ordem executiva criando uma comissão para estudar a questão de saber se a Suprema Corte deveria ser ampliada. A comissão é chefiada por partidários democratas. No entanto, a ala mais à esquerda alertou que a comissão poderia ser usada para frustrar as mudanças desejadas, em vez de promovê-las.

Os democratas começaram a falar em empacotar a Suprema Corte depois que o juiz Brett Kavanaugh foi confirmado em 2018. Biden, certa vez, rejeitou a ideia, mas moveu-se para a esquerda no assunto, como fez em muitos outros. Ele se recusou a declarar sua posição até o final da campanha presidencial de 2020, após a confirmação da ministra Amy Coney Barrett, quando propôs a comissão.

Expandir a Suprema Corte para 13 juízes daria aos juízes liberais uma maioria nominal de 7-6. O Congresso pode definir o tamanho da Suprema Corte sem uma emenda constitucional, embora o último presidente que tentou empacotar a Suprema Corte, Franklin Delano Roosevelt, tenha se oposto a seu próprio partido.

Seu esforço é visto pelos historiadores como uma grosseira tomada de poder - mas que convenceu o Tribunal a parar de derrubar sua legislação do New Deal e permitir que os poderes do governo aumentassem.

Joel B. Pollak is Senior Editor-at-Large at Breitbart News

Comento

No Brasil, após as primeiras escaramuças travadas entre o governo e o STF, quando ficou visível a animosidade da Corte para com o presidente da República,  muitos pensaram na necessidade de retornar as aposentadorias para a anterior idade de 70 anos. Outros, cogitaram em limitar a 10 anos o tempo dos mandatos. Simultaneamente, os novos ministros não mais seriam de livre indicação do presidente, mas uma comissão de juristas indicaria três nomes à escolha do presidente. Outros, por fim, pensaram também nessa hipótese que, agora, seduz o presidente norte-americano. Ele tem em seu desfavor uma Corte de perfil conservador.

Aqui, até mesmo pensar nessas coisas que lá têm nome – chama-se “empacotar” o Tribunal – era considerado “golpe”. Aqui, tratava-se de “desempacotar” o pacote petista. Lá, Biden se prepara para fechar seu pacote esquerdista com um laço de fita azul, nomeando quatro novos membros para a Corte.

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TUDO PELO PODER, E DANE-SE O BRASIL!

Percival Puggina, com conteúdo do Diário do Poder

14/04/2021

Percival Puggina

 

Leio no Diário do Poder

Ao atingir a marca de 32 milhões de doses de vacinas aplicadas, o Brasil imunizou o equivalente à soma de toda a população de três países europeus: Bélgica, Portugal e República Tcheca.

Os europeus são elogiados pelo combate à pandemia, mas têm número proporcional de mortes maior que o do Brasil.

Na rica Bélgica, morreram 2.021 pessoas a cada milhão de habitantes. No Brasil o número é de 1,6 mil. A informação é da Coluna Cláudio Humberto, do Diário do Poder.

Se a campanha brasileira de imunização fosse realizada na Austrália, por exemplo, todos os 25 milhões de habitantes teriam recebido uma dose.

Os tchecos têm o segundo pior resultado do mundo: 2,6 mil por milhão. Em Portugal, foram 1,6 mil mortes para cada 1 milhão de habitantes.

No quesito mortes por milhão de habitantes, o Brasil é o 15º do mundo, também atrás de Itália, Reino Unido e Estados Unidos.

Comento

Há 36 anos aprendi com o amigo e mestre Prof. Cézar Saldanha Souza Júnior que, no presidencialismo, como o presidente da República é Chefe de Estado e Chefe de Governo, o amor à pátria frequentemente cede à política do momento. Assim, causar dano à imagem do país e depreciá-lo é entendido como dano ao governante que precisa ser derrotado. E a comunicação social vira uma sinistra operação de disiformation.  Em virtude desse fenômeno, mesmo com o time canarinho em campo, sempre há quem torça contra o Brasil.

Desde o resultado eleitoral de 2018, está escancarada a campanha contra a imagem interna e externa de nosso país, proporcionada por brasileiros inconformados, com apoio de companheiros e camaradas de aquém e de além-mar.

A grande mídia militante jamais dirá que o Brasil submeteu suas decisões de compras de vacinas aos cuidadosos protocolos da Anvisa.  E jamais relacionará a isso os percalços que os produtos de alguns laboratórios estão enfrentando em diversos países em virtude das urgências comerciais e políticas. Há 15 países onde a mortalidade por milhão é maior do que no Brasil, mas só aqui é o governo e não a doença que mata. Só não falta vacina nos países fabricantes, mas, dizem, o Brasil só não tem mais vacinas disponíveis por culpa do governo. E a crise política se instala não porque exista, mas porque é preciso que ela se instale.

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Nota de esclarecimento

Brasília (DF), 07/04/2021 - O Ministério da Defesa (MD) informa que a matéria "Hospitais das Forças Armadas reservam vagas para militares e deixam até 85% de leitos ociosos sem atender civis", publicada em 6 de abril, no portal da Folha de S. Paulo, contém graves manipulações, incorreções, omissões e inverdades, que levam o leitor à completa desinformação. 

Ao contrário do que induz o título da matéria, a grande maioria dos hospitais militares está com quase todos os leitos de UTI ocupados. Na realidade, muitos hospitais militares têm frequentemente removido pacientes para outras regiões para evitar o colapso. Assim como os hospitais civis, a situação varia de acordo com cada região. Os números são críticos e evoluem diariamente.

 A reportagem deliberadamente usou dados de hospitais pequenos, com poucos leitos, recursos limitados e de alguns que sequer possuem UTI.

No caso do Exército, a matéria afirmou que os leitos clínicos estão ociosos nos hospitais em Florianópolis-SC, Curitiba-PR, Marabá-PA e em Juiz de Fora-MG. No entanto, a reportagem omitiu que os leitos de UTI, dessas mesmas unidades, estão totalmente ocupados. No Paraná, no Pará e na Zona da Mata Mineira a ocupação é de, respectivamente, de 117%, 133% e 500%. Em Santa Catarina, não há leitos de UTI.

No caso da Força Aérea, o Esquadrão de Saúde de Guaratinguetá, também alvo da reportagem, está instalado dentro de uma escola de formação da FAB. Ele possui sete leitos de enfermaria Covid-19 para atender 3.000 militares, sendo que desse total 1.300 alunos estudam em regime de internato. Já os esquadrões de saúde de Curitiba-PR e de Lagoa Santa-MG possuem, respectivamente, seis e 13 leitos de enfermaria. Ressalta-se que essas unidades não dispõem de estrutura para internação de longa permanência e também não possuem disponibilidade de UTI.

A matéria mostra ainda todo o seu viés, tendencioso e desonesto, ao mencionar que as Forças Armadas “contrariam os princípios da dignidade humana e violam o dever constitucional do Estado de oferecer acesso à saúde de forma universal”. O jornalista deliberadamente ignora e omite todas as ações que as Forças Armadas vêm realizando há mais de um ano, em apoio abnegado à população brasileira, desde o início da pandemia.

O sistema de saúde das Forças Armadas possui caraterísticas específicas para atender militares que estão na linha de frente, atuando em todo o território nacional, nos inúmeros apoios diuturnos, como transporte de material, insumos, e, agora na vacinação dos brasileiros. A reportagem omitiu também que os hospitais militares não fazem parte do Sistema Único de Saúde (SUS) e que atendem 1,8 milhão de usuários da família militar (militares da ativa, inativos, dependentes e pensionistas), em sua maioria idosos, que contribuem de forma compulsória todos os meses para os fundos de saúde das Forças Armadas.

Mesmo com seu sistema de saúde fortemente pressionado, com carência de recursos e de pessoal, os profissionais de saúde militares também estão fortemente engajados nas Operações Covid-19 e Verde Brasil-2. As Forças Armadas seguem atendendo à população civil, especialmente as comunidades indígenas e ribeirinhas, tanto na Amazônia como no Pantanal, realizando evacuação de pacientes nas regiões mais críticas, transportando toneladas de oxigênio, medicamentos e suprimentos, transportando, montando e operando hospitais de campanha, além de, em parceria com a academia e com a indústria, fabricando respiradores.

Apesar de os dados do HFA e dos hospitais militares estarem disponíveis para acesso público na internet, a matéria insinua que há falta de transparência. Mesmo após a pasta ter respondido a todas as informações solicitadas dentro do prazo acordado, a reportagem ignorou que os leitos dos hospitais são operacionais e de alta rotatividade. Logo, ocupados tanto por pacientes com Covid-19, quanto por pacientes oncológicos e em pós-operatório.

Este Ministério sempre se colocou à disposição para informar e responder prontamente a todos os questionamentos demandados por esse veículo no que tange ao combate à Covid-19. Entretanto, a reportagem optou por buscar um viés claramente negativo em um assunto de tamanha relevância para a sociedade brasileira neste momento em que todos os esforços estão concentrados no combate ao novo coronavírus.

O MD lamenta que assunto de tamanha gravidade seja objeto de matéria que induz a sociedade brasileira à desinformação.

Reiteramos que as Forças Armadas atuam na atual pandemia, com extrema dedicação, no limite de suas capacidades, sempre com total transparência e prontidão, preservando e salvando vidas.

Centro de Comunicação Social da Defesa (CCOMSOD)
Ministério da Defesa

 

 

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