• José Maurício De Barcellos
  • 18 Setembro 2022

 

José Maurício De Barcellos

Bolsonaro será reeleito Presidente da República em 02 de outubro próximo.

A "Nova Ordem Brasileira" prosseguirá por todos os seus segmentos e por todas as suas dimensões, se firmando por décadas a fio, sustentada nos próximos governos que se sucederão nesta nova era.

O Brasil que, nas décadas de 1960 a 1970, deu os primeiros passos para se libertar das peias e da pecha de "republiqueta de banana" e de "nação terceiro-mundista", conquanto tenha patinado sob a abominosa influência do social-comunismo durante 35 anos, está vendo seu povo decidir, determinadamente, no sentido de que aqueles tempos de trevas não voltarão a atormentá-lo. Já disse e não perco a oportunidade de repetir para firmar. Não foi o Capitão quem decidiu resgatar nossa gente da sanha dos vermelhos. Foi o povo brasileiro, exausto de tanta destruição e de tanto atraso, que escolheu aquele líder como a ponta da lança de sua cruzada, rumo ao lugar de destaque que bem merece neste mundo a um passo de ser dominado pelo mal universal do comunismo escravagista, ateu e assassino, que acabou por se travestir de algo surreal denominado de "globalismo" ou de outros "ismos" igualmente degradantes.

Um mundo sob o domínio de uma ordem que paire sobre ele ao exclusivo talante de megas financistas da ordem de Jorge Soros, do Banco Morgan, da família Rothschild conquanto já tenha como refém os USA do demente Joe Biden, a Alemanha, a Inglaterra, a França, o Canadá, a Austrália, a Nova Zelândia etc, não tem futuro longínquo e seus maléficos efeitos estão arrasando a Europa, por exemplo.

Estou convicto de que, antes do fim da próxima década, estará relegada ao lixo da história, como o foram outras pretensões de dominação do planeta.

Reconheço que existe um enorme desequilíbrio de forças nesta luta travada entre o poder do mal contra os povos que este pretende subjugar, mas não me assusto ou me desespero.

Eles são muitos, são poderosos, por ora estão invisíveis para a grande massa cujo espírito quer para si. Porém, não obstante todo seu poder e potestade esqueceram que a liberdade e a alma dos dominados têm no Criador uma proteção inexpugnável.

Tudo quanto ultrajam em relação aos direitos fundamentais da pessoa humana, tudo quanto roubam dos vitimados e tudo quanto subtraem daqueles que dominam um dia se constituirá no libelo contra seus crimes que, em face da tal inevitável "volta do chicote" de que falavam os antigos, um dia lhes cortará a carne.

Não vou cair na armadilha de discutir as teorias que sustentam as excelências e a inevitabilidade daqueles vieses de dominação, a uma porque elas não conseguem explicar como vão substituir a inclinação natural para felicidade do homem sobre a terra e, a duas, porque o poder que hoje detêm morrerá com os próprios poderosos ou pouco depois do seu passamento, simplesmente porque é o bem e não o mal que perdura para eternidade.

Nem bem o próximo governo dos patriotas chegará ao seu fim e as quadrilhas de FHC a Temer já terão desaparecido tanto quanto seus respectivos chefões, seus asseclas e, com estes, os abastados que as sustentaram, os farsantes da elite sem escrúpulos que as incensam e os intelectuais da impostura que as apoiam.

A ruptura com tudo quanto levou o Brasil a beira do precipício ocorreu muito antes da chegada de Bolsonaro e de sua equipe de patriotas ao Planalto. Foram 35 anos de sofrimento e de decepções, de vergonha perante o mundo, que produziram a maior crise moral, econômica e social e que vitimou mais de 25 milhões de brasileiros. Aí nossa gente disse o seu basta.

Primeiro as ruas, desde 2013. Depois nas urnas em 2018. Agora em 2022, o povo apenas consolidou sua decisão de não mais tolerar a corrupção sistêmica, a incompetência e a dominação daqueles que professam o credo dos traidores e dos vendidos da Pátria.

Tal como o Planalto expurgou a bandidagem da política de dentro de seus muros, assim haverá de ser defenestrada a corja togada dos Tribunais.

Da mesma forma como se tem varrido os chupins da máquina governamental e os proxenetas do erário, há que se intensificar o expurgo do restante que ainda a infecta. 

Igualmente como estamos nos livrando das malditas entidades sindicais, ONG'S e associações de classes (ou desclassificadas) sustentadas com o dinheiro público inutilmente, havemos de pôr um fim no empresariado amigo e aliado na roubalheira de outrora.

Na consciência e no imaginário de nossa gente tudo isso vem se formando e se consolidando há quase vinte anos – desde o mensalão de Lula, em 2005 – e, posto que a imprensa v.v. (velha e venal) perdeu inteiramente o controle absoluto para influenciar e deformar a opinião pública, o inevitável foi que o poder do povo tradicionalmente usurpado pelos nojentos famosos, hoje passa ao largo destes e os confronta diariamente.

Tenho visto e assistido o desesperado esforço dos deformadores de opinião e suas ferozes partners nas mídias ensandecidas de ódio e vassalas dos Barões das Comunicações, no sentido de fazer desaparecer da face da terra a demonstração de força da ampla maioria do povo – hoje muito mais do que os quase 60 milhões que votaram no Capitão – em defesa da tríade Deus, Pátria e Família. Um a um ou uma a uma vão caindo em desgraça e se desmoralizando, ou seja, virando lixo aos olhos do Brasil de hoje.

Por isso mesmo pouco acrescenta para o futuro deste Brasil – que já exibe sua economia como modelo para um planeta em crise e que ocupa a cobiçada posição de líder do mundo em fornecimento de alimentos – aquilo tudo que se esconde e se distorce, aqui e no exterior, contra nossa gente e, como saltou aos olhos no "Dia da Independência", contra a mais legítima manifestação popular de se manter a "Nova Ordem Brasileira" a qualquer custo.

Nosso País conheceu o caos, a desordem, a dor e o sofrimento que nos foram impingidos pelo social-comunismo dos governos anteriores.

Nossa gente amargou o engodo e a desfaçatez dos tempos de FHC, tanto quanto a roubalheira sistêmica da gentalha de Lula e Dilma, bem como também o roubo, o contrabando e o descaminho de nossas riquezas, tudo consentido pela vermelhada em troca do reconhecimento daqueles desonrados da Pátria por governos de Países que nos sugam desde o ano de 1500, sem falar na entrega do nosso dinheiro suado para "narcoditadores" da "América Latrina" e isto, como disse anteriormente, ao longo de três décas. Se não fosse um povo pacífico e crente na força da fé religiosa, talvez já tivesse lavado com sangue sua honra ultrajada. Tenham, pois, juízo seus malandros e se eu estivesse na pele de vocês não abusaria da sorte.

Agora se avizinha uma nova era de progresso e de paz. Acho bom que os agentes da dor e da desesperança aceitem isso e não desafiem a força de um povo sofrido e a divina comiseração de um DEUS, que nossa gente chama de brasileiro.

*       Jose Mauricio de Barcellos, ex-Consultor Jurídico da CPRM-MME,  é advogado. 

**      Artigo publicado originalmente no Diário do Poder.

 

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  • Gilberto Simões Pires, em Ponto Crítico
  • 18 Setembro 2022

Gilberto Simões Pires         

ILHA DE PROSPERIDADE

Enquanto a INFLAÇÃO e a RECESSÃO avançam, sem dó nem piedade, deixando rastros de destruição econômica e social em praticamente todos os países do PRIMEIRO MUNDO, eis que no nosso Brasil, que também sente, e muito, os reflexos decorrentes da PANDEMIA e, mais recentemente, da GUERRA RÚSSIA/UCRÂNIA, passou a ser visto, comentado e apreciado como uma ILHA DE PROSPERIDADE em meio a um oceano economicamente revolto. 

INFLAÇÃO

No quesito INFLAÇÃO, que na realidade identifica a VARIAÇÃO DE PREÇOS DE PRODUTOS pelo efeito -ESCASSEZ e/ou DEMANDA MAIOR DO QUE A OFERTA-, os números atualizados apontam o que acontece, por exemplo, nos seguintes países: Lituânia: 15,5% ao ano; Polônia: 11%; Reino Unido: 9%; Índia: 7%; Coreia do Sul: 5%, etc.. Sem falar nos EUA, cuja taxa de inflação já superou o índice de preços do Brasil em 2022. Vejam que o CPI (índice de preços ao consumidor, na sigla em inglês) norte-americano acumula alta de 5,31% de janeiro a julho. Enquanto isso, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) do Brasil chegou a 4,77% no mesmo período. 

PIB

Já no que diz respeito ao PIB, um levantamento feito com 33 países que divulgaram números referentes ao segundo trimestre de 2022 mostra que o crescimento médio dessas economias foi de 0,5%, segundo dados disponibilizados pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). São 24 países com crescimento, 2 com estabilidade e 7 com retração, na comparação com o trimestre anterior. Pois, para surpresa geral, o nosso PIB cresceu 1,2% no segundo trimestre em relação ao anterior. E nesta semana o Banco Central informou que o Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), considerado um indicador prévio de desempenho do PIB, subiu 1,17% em julho na comparação com junho. Que tal? 

DETALHE IMPORTANTE

Detalhe importante: Holanda, Romênia, Croácia, Arábia Saudita e Israel estão entre os que mais cresceram no trimestre passado. Na lanterna do ranking aparecem Portugal, Lituânia, Letônia, Polônia e China, que por sua vez teve forte desaceleração no trimestre. Já o continente europeu está nas duas pontas do ranking: o crescimento na ZONA DO EURO foi de 0,7% graças, principalmente ao turismo. 

DESEMPENHO COMPARATIVO

Pois é, meus caros leitores. Enquanto o mundo todo sofre com INFLAÇÃO EM ALTA E CRESCIMENTO EM BAIXA, o nosso Brasil desponta com desempenho bem melhor comparativamente. Atenção: isto é algo jamais visto na história. E neste caso há que se reconhecer e aplaudir as acertadas medidas tomadas e operadas pela ótima equipe econômica chefiada por Paulo Guedes, pelo presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, sob a liderança do presidente Jair Bolsonaro.  

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  • Vanderlino Horizonte Ramage
  • 17 Setembro 2022

Vanderlino Horizonte Ramage

                 A Sociologia nos deve uma análise sobre os gaúchos. Que sociedade é esta? Sendo o Rio Grande do Sul, considerado um Estado racista, elegeu o primeiro (creio que único) governador negro brasileiro. Considerado um Estado machista, elegeu uma das raras mulheres governadoras. Considerado um Estado de “machos”, elegeu o primeiro governador gay, publicamente assumido.  Considerado um Estado conservador, é dominado por uma esquerda doentia. Em passado recente elegeu, por anos a fio, notórios esquerdistas para prefeitos da Capital e Governadores do Estado. É ilustrativo, mas os gaúchos jamais reelegeram um governador! As vestais (ou deuses) do STF, esbanjando conhecimento e cultura jurídica rebuscada, possivelmente dirão que se trata de um fenômeno teratológico (ou escatológico)!?

Um amigo levantou a hipótese de que se trataria de uma herança de Giuseppe Garibaldi, o “herói de dois mundos”, que por estas terras aportou nos primórdios do século XIX, se tornando figura proeminente da “Revolução Farroupilha”. Garibaldi, além de revolucionário, “carbonário”, “maçom” e “anarquista”, era chegado há um “rabo de saia”, portanto um contestador para os valores vigentes naquela época. Ao “roubar” Anita, pelas bandas de Laguna-SC, nosso herói provou de que era destemido, não só em combates, mas também no amor. Enfim voltou para Itália, onde se tornou um dos artífices da unificação italiana, deixando, entretanto aqui essa herança contestadora, peculiar aos gaúchos?!

Este chão foi berço de figuras que marcaram a história brasileira, particularmente do século XIX e XX. Luís Carlos Prestes, o “Cavaleiro da Esperança”, Getúlio Vargas, o “Pai dos pobres”, os generais da “Revolução de 1964”, Médici, Costa e Silva, Geisel, inclusive Figueiredo. Este último era carioca, mas por aqui se aculturou. Aliás, se comentava naquela época que, para ser Presidente tinha que ser “general e gaúcho”. Até o herói, da “A Revolta da Chibata”, o marinheiro João Cândido, era gaúcho. Também o era o “Libertador do Acre”, Plácido de Castro. Euclides da Cunha, em “Os Sertões”, descreve o Cel Moreira Cesar, gaúcho, herói da revolução 1893, nomeado para comandar a 4ª. expedição, na tentativa de acabar com a saga de Antônio Conselheiro, o místico de Canudos, no interior da Bahia, como sendo o único comandante que adentrou aquele território inóspito conduzindo a primeira tropa razoavelmente organizada. Nas expedições anteriores “era jagunço contra jagunço”. Infelizmente Moreira Cesar morreu no primeiro combate. Destino inglório para um herói!

O gaúcho, espécime até certo ponto exótico, contestador (e empreendedor), irrequieto, migrante, espalhou-se pelos brasis afora. Oeste de Santa Catarina e Paraná, Mato grosso do Sul, Rondônia, Acre e mais recentemente no Vale do Rio São Francisco, também não podemos esquecer dos 500 mil brasileiros que vivem no Paraguai, em sua maioria gaúchos.

As “Viúvas de Garibaldi”, segundo esse meu amigo, explicaria o “Estado Gaúcho” estar sempre na “oposição”, seria uma variante local do “Se hay Gobierno estoy contra”. Isto explicaria essa “esquerda”, tardia e doentia que viceja por aqui. Intelectualizada como os “Tarsos”, os “Buenos” e subdesenvolvida como as “Manoelas”, “Rosários”, “Lucianas”, os “Pimentas” e os “Dutras” etc. Figuras as quais batizei de “desonestos ideológicos”. Pois pregam aquilo que não acreditam, até por desconhecerem a essência do comunismo. Entretanto “defendem” temas de fácil apelo, os chamados “direitos das minorias”. “Defendem” a democracia desde que de acordo com seus interesses.  “Defendem” o socialismo, para distribuir as riquezas que os outros produziram. Entretanto, ao saírem de férias sempre serão encontrados nas mecas do capitalismo, Nova Iorque, Paris ou Londres, jamais em Cuba. 

Na linguagem de Gramsci seriam os “intelectuais orgânicos”. Paradoxalmente não se enquadram nessa categoria, pois são figuras meramente fisiológicas, patrimonialistas, economicistas etc. São fósseis vivos da esquerda brasileira. Cultivam uma vida parasitária à sombra do Estado! Nem os verdadeiros comunistas os levam a sério.

Enfim, estes são simples exercícios mentais na tentativa de explicar ou “justificar” o comportamento contraditório dos gaúchos. Ainda espero dos exegetas da sociologia e da política uma explicação mais acadêmica e palatável para o fenômeno (paradoxo) gaúcho!

*       Taquara-RS, junho de 2022.

**      Vanderlino Horizonte Ramage é Oficial Ref da Aer/Administrador

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  • Fernão Lara Mesquita, em O Vespeiro
  • 16 Setembro 2022

 

Fernão Lara Mesquita

A democracia brasileira divide-se em um palco virtual e uma plateia física. Nós, os eleitores dos eleitos deles, estamos na platéia só para assistir a uma "peça" que não escrevemos "levada" por atores que não escolhemos cujo ingresso fomos obrigados a comprar. E agora estamos rebaixados a claque de auditório, proibidos de rir ou chorar segundo a nossa vontade.

Nunca houve tanta discrepância entre o país descrito e o pais visto. O candidato mais amado nas pesquisas é o mais odiado nas ruas. Os mais graduados "aliados" de Lula - Alckmin e Marina Silva - são os seus maiores detratores. Os banqueiros são militantes "anticapitalistas", o crime tem território onde o Supremo Tribunal garante que a polícia não entra e os "guardiões da democracia" é que rasgam a constituição. Deltan Dallagnol e Sergio Moro são os "fichas-sujas" condenados a pagar indenizações, e os Renan Calheiros e Lula's os "fichas-limpas", impolutos e elegíveis. A economia brasileira "está em frangalhos" mas os empregos são recorde e a inflação, pela primeira vez na História, é menor que a dos Estados Unidos e da Europa. O Brasil é "o maior queimador de florestas do mundo", segundo a Europa e os Estados Unidos, mas onde o fogo come mesmo é na Europa e nos Estados Unidos. Os contratados do TSE, rabo do STF, juram para o Barroso e o Barroso jura para o Brasil que a urna eleitoral "é a mais segura do mundo" mas quem testar ou fotografar vai em cana. Dentro do STF ninguém ousa desafiar o chefão. Mas é só sair de lá, como Marco Aurelio Mello, e os olhos passam a ver a fábrica de bananices que aquilo virou...

Das duas uma: ou o mundo "nas juntas se desgovernou", como temia o jagunço Riobaldo, ou a realidade continua firme como sempre foi e o que está subvertido são só as palavras mesmo, coisa que só se decide - se se decidir e mesmo que se decida - nos próximos capítulos.

 

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  • Erika Figueiredo
  • 14 Setembro 2022

 Erika Figueiredo

            Elizabeth Alexandra Mary Windsor, mais conhecida como em 08 de setembro, Elizabeth II, Rainha da Inglaterra, faleceu na última semana, aos 96 anos de idade, de mal súbito, no Castelo de Balmoral, na Escócia. Foi ao encontro de seu amado esposo, príncipe Philip, que faleceu no ano passado.

A trajetória desta soberana, que reinou por setenta anos, tendo subido ao trono de modo inesperado, muito nos ensina acerca de legado, senso de dever e assunção de responsabilidades, e marcou, indelevelmente, o século XX, sendo, juntamente com Ronald Reagan, Margaret Thatcher e Winston Churchill, uma das grandes personalidades políticas de sua época.

O pai de Elizabeth, Rei George VI, foi rei por acaso. Seu irmão, Rei Edward VIII, renunciou ao trono subitamente, para casar-se com uma americana divorciada – Wallis Simpson – fato este impeditivo da manutenção do título e da função. Em decorrência disso, George tornou-se rei, muito embora não tenha sido preparado para assumir tal encargo.

Ocorre que o Rei George faleceu precocemente, em 1952, de um câncer no pulmão, tendo reinado por um curto período. Coube à sua filha mais velha, Elizabeth, casada e com um filho pequeno, sucedê-lo no trono inglês, sendo coroada, como soberana do Reino Unido, em 1953.

Para a nova Rainha, tratava-se de um fardo enorme. Afinal, da mesma forma que seu pai não fora preparado para ser Rei, esta jamais supusera tornar-se Rainha, posto que a linha de sucessão inglesa é totalmente voltada para o primogênito, seja este homem ou mulher. O Rei Edward, no entanto, abdicou, sem haver concebido herdeiros, o que abriu o caminho para a família de seu irmão.

Elizabeth assumiu o trono aos 25 anos, em um período extremamente conturbado, pós Segunda Guerra Mundial. A Europa juntava seus cacos, a economia ia de mal a pior, a tensão entre a URSS e os países ocidentais era latente, e neste cenário, essa jovem sem qualquer experiência em relações políticas ou diplomáticas, surgia.

Em uma viagem à Africa do Sul, foi comunicada sobre a morte de seu pai, e de sua ascensão ao trono. Seu discurso de coroação foi transmitido pelo rádio, e neste a Rainha comprometeu-se a dedicar sua vida ao reino Unido. E assim o fez. Estudou sobre os assuntos que não dominava, aconselhou-se com pessoas às quais admirava, foi humilde e sábia, como grandes líderes devem ser.

Muitas vezes incompreendida, até mesmo pelo esposo, sentia-se solitária e sobrecarregada. A série The Crown tornou-se uma febre mundial, justamente por descrever as dificuldades e os desafios desta que, tão jovem, tornou-se a Rainha mais popular da modernidade.

De comportamento austero e temperamento discreto e bastante reservado, Elizabeth fez o que é esperado de uma Rainha: reinou. Jamais agiu de modo intempestivo ou escandaloso. Priorizou a manutenção da imagem e da unidade do Reino, tomando decisões que contrariavam, inclusive, sua própria família.

Buscou uma vida ordenada, fugiu de vícios e de prazeres desmedidos, refugiou-se no campo por inúmeras vezes, exercitou a fé e a compreensão outras tantas. Foi julgada, mal interpretada, odiada. Mas também foi muito amada por seus súditos, que confiavam em sua Rainha e admiravam-na.

            Nos inúmeros conflitos e escândalos familiares que foi instada a dissolver, agiu com dignidade e discrição. Sofreu inúmeros golpes, muitos destes advindos do seio de sua própria família. Imagino que tenha se entristecido em muitas ocasiões, silenciosa e solitariamente. Afinal, a liderança traz consigo o isolamento.          Não deve ter sido fácil.

A Rainha teve um papel preponderante e decisivo em muitas situações históricas do século XX. Buscou a paz e a união entre as nações, e mesmo em momentos extremos, como o da Guerra das Malvinas e os conflitos envolvendo a Irlanda do Norte e o grupo extremista IRA, manteve a calma e buscou decidir com equilíbrio.

Viu o nascimento de netos, bisnetos, sobrinhos. Vivenciou a morte súbita da Princesa Diana, precedida por uma crise de proporções enormes, face às revelações feitas pela princesa, de que o marido a traía com Camila Parker Bowles, hoje Rainha Consorte, casada com o Príncipe Charles.

Charles assumiu com Rei, aos 73 anos de idade, em um momento delicado para o Reino Unido. Na mesma semana, este sofreu o impacto das mudanças em dois cargos importantíssimos: o de Primeiro Ministro e o de Soberano. No primeiro caso, pela renúncia de Boris Johnson, e no segundo, pelo falecimento da Rainha.

Há especulações de que, face ao temperamento retraído, ao peso dos escândalos do passado e à idade avançada, Charles renunciará em favor de seu filho, William. O tempo dirá. Por ora, cabe ao Rei manter a ordem, a unidade e o equilíbrio dentro de seu Reino, tendo como exemplo o comportamento de sua mãe e o imenso legado por ela deixado. “God save the king”!

“Sempre foi  fácil odiar e destruir. Construir e estimar é muito mais difícil.” Rainha Elizabeth II

*     Erika Figueiredo é Promotora de Justiça do Estado do Rio de Janeiro desde 1997, formada em Direito pela Universidade Federal Fluminense, Mestre em Ciências Penais e Criminologia pela UCAM.

**    Este artigo foi publicado originalmente no portal Tribuna Diária, em https://www.tribunadiaria.com.br/ler-coluna/1605/deus-salve-a-rainha.html

 

 

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  • Bruno Rigamonti Gomes
  • 13 Setembro 2022

 

Bruno Rigamonti Gomes

Uma teoria popular conhecida como efeito borboleta postula a ideia de que o simples bater de asas de uma borboleta poderia influenciar o curso natural das coisas e, eventualmente, provocar um tufão do outro lado do mundo. Pode-se inferir, a partir desta teoria, que uma determinada ação possui efeitos de primeira ordem, que decorrem diretamente do nexo causal entre eles e, por conseguinte, que os efeitos tornam-se ações para consequências futuras de incontáveis ordens. Em resumo, ao tomar uma determinada ação, como resultado, existe o que se vê (manifesta-se imediatamente) e o que não se vê (desdobra-se em sucessão).

O autor Frédéric Bastiat discorre sobre as relações entre causas e efeitos no campo da economia de modo claro e objetivo à medida em que exemplifica, em diversos setores, como atos ditos benéficos para a sociedade, via de regra tomados por força de lei, possuem danos inimagináveis a médio e longo prazos. A incapacidade do ser humano de prever os possíveis cenários futuros faz com que se privilegie os impactos imediatos de suas atitudes, apenas o que é visível, sendo que os que são invisíveis à primeira vista podem ser devastadores no porvir.

A primeira demonstração feita por Bastiat nesta obra está no capítulo “a janela quebrada”. Imagine que o filho de um indivíduo, ao chutar uma bola, quebre a janela de vidro do vizinho. Certamente o pai não ficará muito feliz em ter que ressarcir o morador ao lado. Entretanto, neste contexto, pode surgir o seguinte levantamento: “há males que vêm para o bem. Todos vão viver e o que seria dos vidraceiros se painéis de vidros nunca fossem quebrados?”.

O questionamento acima é apenas um indício de algo muito profundo enraizado em nossa sociedade há alguns séculos: quebrar janelas, metaforicamente, seria uma forma de fazer circular dinheiro, e que o incentivo da indústria em geral será o resultado disso, logo, algo bom para todos.

Ocorre que, se pararmos nossa análise restritivamente ao que é visto, o vidraceiro faria uma nova venda e poderia girar a economia com o valor em questão, todavia, deixaríamos de lado tudo aquilo que não é visto. O dinheiro que o pai gastou para realizar o reparo da casa adjacente não poderá ser gasto em nenhuma outra coisa. Portanto, se ele quisesse comprar um novo par de sapatos ou um livro de sua preferência, agora já não poderia.

Supondo que a janela se quebrou e que a única quantia que o indivíduo possuía fosse apenas o suficiente para comprar um novo vidro, ele ficaria apenas com este objeto. Em um outro cenário com a janela intacta, o indivíduo teria o vidro e poderia gastar com quaisquer outros itens de sua escolha. Assim, podemos inferir que a sociedade perde o valor das coisas que são inutilmente destruídas.

Ao tratar sobre impostos, é interessante observar uma outra falácia comum em discussões sobre “dinheiro público”: o que é existe é o dinheiro do pagador de impostos.

Há quem diga que “impostos são o melhor investimento, e que sustenta diversas famílias, sendo, portanto, um fluxo inesgotável, sendo a própria vida”. Todavia, o que não se percebe é que,quando um funcionário público gasta o dinheiro captado pela via de impostos, o contribuinte deixa de gastar esta quantia porque foi impedido de manter em sua posse tal recurso.

Em seu livro intitulado “A Lei”, Bastiat traz um termo que se conecta diretamente com o capítulo em questão: a espoliação legalizada. Isso quer dizer que o cidadão comum que paga impostos, é espoliado legalmente à força, não havendo alternativas a não ser abdicar de parte de sua renda e patrimônio para financiar a máquina estatal. Dizer que isso é importante para manter os gastos que beneficiam o próprio cidadão somente faria sentido caso os serviços que retornassem para o indivíduo custassem exatamente o mesmo que custariam se ele os fosse contratar isoladamente. Entretanto, este cenário só seria favorável se o cidadão decidisse contratar estritamente os mesmos serviços ao qual teve acesso com o dito dinheiro público.

Essas premissas aplicam-se também para obras públicas, tema que o autor explora na sequência. Bastiat afirma, categoricamente, que mais vale a organização proativa de um grupo de indivíduos para construir estradas e edifícios com dinheiro próprio do que serem obrigados a contribuir na construção de pavimentos que ninguém quer passar ou palácios que ninguém irá habitar. O cerne da questão está na liberdade de decisão que cada cidadão deveria ter se, porventura, não fosse obrigado a custear as atividades de setores públicos.

Frédéric Bastiat afirma que “a sociedade é o total dos serviços forçados ou voluntários que os homens realizam uns pelos outros; isto é, de serviços públicos e serviços privados”. Observemos, assim, os desdobramentos dos serviços públicos: atualmente existem, no Brasil,diversos servidores públicos com cargos considerados obsoletos, cujas funções não agregam valor à sociedade e, muito menos, justificam a destinação de recursos auferidos dos contribuintes. Ora, legalmente, por conseguinte, há uma inutilização tamanha de riqueza que poderia ser empregada no setor privado com maior eficiência, o que geraria prosperidade para a sociedade. Desse modo, é possível dizer que essa transferência de recursos não é relevante para o bem comum, muito menos movimenta a economia, sendo, simplesmente, um deslocamento de bens para aqueles que não os produziram.

Em uma sociedade ideal, privilegia-se o livre mercado, a autonomia dos geradores de bens e serviços em decidirem a melhor alocação de seus lucros e a garantia da melhora do padrão médio de vida como resultado dessa abordagem de mercado. Aqueles que interagem em uma cadeia produtiva, por exemplo, desde o produtor rural, os transportadores, os armazenadores, os manuseadores e os consumidores, todos esses têm em vista o benefício individual, mantendo relações claras sobre os motivos para as realizações de trocas entre si, gerando valor em cada inter-relação dessa rede hipotética.

Similarmente, podemos trazer à tona o que o autor aborda sobre crédito. Quando há interferência do governo nos critérios utilizados para se fornecer crédito às pessoas, deixando de lado as características que garantiriam que a figura do emprestador conseguiria receber de volta os recursos emprestados a algum mutuário para passar a emprestar para pessoas sem histórico positivo, ou que estejam em dificuldades e não ofereçam quaisquer garantias de devolução dos recursos emprestados, há um grande risco de que haja um aumento considerável na inadimplência, fazendo com que haja o encarecimento das taxas para eventuais novas captações de recursos, o que prejudicaria todos os novos empreendimentos que adviriam do acesso a capital mais barato.

Intervir em quem pode ter acesso a capital para privilegiar quem não tem boa reputação é um grande risco de levar todo o sistema financeiro a um colapso, a considerar o que aconteceu com a crise dos subprimes nos EUA no ano de 2008, quando havia muita liquidez nos mercados sem as devidas garantias atreladas.

O que muito se vê, hoje em dia, são visões de curto prazo para medidas tomadas por pessoas que ocupam cargos de poder. O que não se vê são indivíduos com a capacidade de previdência para entender que, aquilo que decorre após as consequências imediatas de ações, muitas vezes criam um problema maior do que o existente inicialmente, gerando mais caos do que soluções definitivas. A obra de Bastiat, ainda que relativamente curta, tem a capacidade de trazer pontos de reflexão que vão muito além do que os olhos pouco treinados conseguem visualizar,sendo, assim, uma luz no fim do túnel para aqueles que enxergam que é possível transformar a realidade em que nos encontramos por meio de atitudes que levem em consideração o longo prazo, ainda que seja necessário ter um curto prazo mais restrito, mas que, por fim, se tenham bons resultados perenes para todos.

*        Bruno Rigamonti Gomes é Associado II do Instituto Líderes do Amanhã. 

**       Reproduzido do site do Instituto Liberal, em https://www.institutoliberal.org.br/blog/o-que-se-ve-e-o-que-nao-se-ve-2/

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