• Gilberto Simões Pires, em Ponto Crítico
  • 22 Dezembro 2025

 

Gilberto Simões Pires   

   

RESUMO DO ANO

Quando o final do ano se aproxima, a grande maioria dos meios de comunicação apresenta um tradicional RESUMO dos principais acontecimentos vividos nos últimos doze meses, com destaques POLÍTICOS, ESPORTIVOS, CULTURAIS, CIENTÍFICOS e, lamentavelmente, lembrando TRAGÉDIAS E SUAS DOLOROSAS CONSEQUÊNCIAS. 

RETROSPECTIVA BRASIL 2025

Assim, quem se propõe a fazer a RETROSPECTIVA BRASIL 2025, só os CASOS DE NOTÓRIA CORRUPÇÃO, DESMANDOS, ROMBOS, MÁ ADMINISTRAÇÃO, TIRANIA , MUITA INJUSTIÇA E AUMENTO DE IMPOSTOS preenchem por completo todos os espaços destinados aos principais acontecimentos. Ou seja, com LULA NO COMANDO, o ano 2025 foi, sem dúvida, o ANO TRÁGICO, carregado de muita SAFADEZA MISTURADA COM FARTO POPULISMO. 

PERSPECTIVA 2026

Pois, com base em tudo que se viu ao longo de 2025, tudo leva a crer que o ano de 2026 será ainda mais trágico. Até porque a SANHA COMUNISTA, que ocupa desde sempre as mentes do PT e da esquerda em geral, é a de dar continuidade aos PROCESSOS DE DESTRUIÇÃO ECONÔMICA E SOCIAL, com a ajuda implacável da maioria dos ministros do STF, que faz valer -todos os dias- o CUMPRIMENTO DA DITADURA BRASILEIRA. 

RETROSPECTIVA 2026

Diante dessa triste realidade, o que nos resta é concentrar forças e olhar firme nas ELEIÇÕES 2026, na tentativa de fazer com que a RETROSPECTIVA DO PRÓXIMO ANO -2026- mostre, como ACONTECIMENTO PRINCIPAL as necessárias VITÓRIAS DE CANDIDATOS DE DIREITA - PARA PRESIDENTE, SENADO, CÂMARA FEDERAL E ESTADUAL E GOVERNADORES.  Que tal?

 

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  • Alex Pipkin, PhD
  • 19 Dezembro 2025


Alex Pipkin, PhD

            Uma das frases mais falaciosas do debate público contemporâneo nasce de uma indignação cínica e rasteira: “como trabalhadores podem tender a movimentos conservadores e liberais de direita?”.

A pergunta não é ingênua; é mal-intencionada. Parte da ficção segundo a qual o trabalhador é, por definição, um oprimido crônico, incapaz de pensar fora do roteiro que lhe foi bondosamente imposto.

Qualquer pessoa com um mínimo de honestidade intelectual percebe que a chamada “elite progressista” só sobrevive politicamente seduzindo trabalhadores por meio da inveja e do ressentimento. O mecanismo é antigo e eficaz.

Fabrica-se um inimigo moral — o empresário, o patrão, o “rico” — e, a partir dele, legitima-se a tutela permanente. Sem vilão, não há narrativa, e sem narrativa, não há massa de manobra.

A lógica — se ainda merecer esse nome — exige o apagamento do indivíduo. Sua dignidade, sua responsabilidade pessoal e sua capacidade de decisão são substituídas por um coletivo abstrato, amorfo, sempre apresentado como virtuoso e invariavelmente manipulado pelo Estado. O “bondoso Leviatã” promete proteção total, desde que o indivíduo abdique da própria autonomia e aceite ser administrado, evidentemente, com o dinheiro de terceiros.

O que essa engenharia ideológica se recusa a admitir é simples: a maioria dos trabalhadores, dos que trabalham de verdade, não se reconhece nesse mito. Deseja exatamente aquilo que o progressismo despreza, ou seja, emprego, estabilidade, crescimento e independência. Trabalhar, prosperar e não depender de favores estatais tornou-se, paradoxalmente, um ato quase revolucionário em terras tupiniquins.

A esquerda “progressista”, alimentada por um “marxismo tardio”, precisa manter vivo o mito do trabalhador oprimido para continuar existindo. Precisa pintar empregadores como exploradores e trabalhadores como vítimas perpétuas, incapazes de ascender sem tutela. É essa ficção que sustenta seu cabresto eleitoral.

Nada disso é acidental. Um Estado nababescamente hipertrofiado é condição de sobrevivência desse modelo. Normas e regulações se acumulam sob o pretexto de “proteger” o trabalhador, enquanto inviabilizam contratações. A legislação trabalhista inibe empregos; a tributação sufoca empresas; o crescimento econômico é sempre prometido, nunca entregue.

A máxima do “progressismo do atraso” permanece intacta: retirar dos criadores de riqueza — empresas e indivíduos produtivos — para sustentar estruturas improdutivas e dependências artificiais.

O mito marxista é intelectualmente moribundo, mas politicamente ativo, pois capturou as instituições-chave; a política, a mídia e, sobretudo, as universidades, formadoras de militantes, não de especialistas em suas diversas áreas do conhecimento. Ali, jovens idealistas são moldados e velhos dogmáticos reciclam seus dogmas.

O “progressismo do atraso” não produz nem inova, mas se tornou referência em gastar o dinheiro alheio. Sem assistencialismo permanente, sua retórica colapsa. Por isso, impostos sobem de maneira surreal, gastos explodem e a dívida cresce como se o amanhã fosse um detalhe irrelevante.
A solução é singela — e por isso mesmo tratada como heresia: menos Estado, menos saque tributário, mais liberdade para produzir. O resultado seria imediato, com mais investimentos, mais empresas, mais empregos, inclusive melhores.

Mas, pelo andar da carruagem ideológica, isso parece tão improvável quanto dente em galinha.

Ainda assim, o trabalhador que trabalha, o estudante que estuda e o intelectual que pensa sabem: riqueza e empregos nascem de menos Estado e mais indivíduo. Exatamente o oposto do mito — sempre progressista apenas no atraso.

 

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  • Dartagnan da Silva Zanela
  • 18 Dezembro 2025

 


Dartagnan da Silva Zanela          

             Tudo em nossa vida é uma questão de tempo — tudo, inclusive e principalmente o aprendizado e o amadurecimento. Há uma passagem do livro "De la estupidez a la locura" na qual Umberto Eco nos conta que, quando completou treze anos de idade, ia contando com muita alegria para todos os amigos, conhecidos e familiares que estava mais velho, e todos amavelmente o felicitavam. Chegando à Igreja, foi ter com o padre Celi e contou-lhe que estava completando anos; o padre, então, disse-lhe: "Muito bem, treze anos desperdiçados".

Isso tudo teria ocorrido em 5 de janeiro de 1945.

Tais palavras causaram-lhe um forte impacto. Essa observação o fez mergulhar dentro de si mesmo e refletir, em sua meninice, sobre o que ele tinha feito de sua porca vida até ali; podemos dizer que, de certa forma, aquelas ríspidas palavras provocaram a gestação daquele que viria a ser o Umberto Eco que todos nós conhecemos. Aliás, realmente o conhecemos ou apenas e tão somente reconhecemos a sua fama, que não é pequena? Bem, deixe quieto e sigamos em frente.

Provavelmente conhecemos tão bem a vida e a obra de Umberto Eco como conhecemos a nossa própria vida, mal e porcamente vivida. E esta, a nossa vida, deveria ser objeto de nossa reflexão diariamente — o que, sejamos francos, raramente o é. E não o é porque a mera possibilidade de vermos o desvelamento, diante dos olhos da nossa consciência, da verdade sobre nós mesmos, muitas e muitas vezes nos assombra. Por essa razão, preferimos a superficialidade das distrações nossas de cada dia. Por isso, mesmo com a face tocada pelas mãos de Cronos, continuamos insistentemente agindo feito crianças que, virando as costas para a realidade e para as verdades da vida, imaginam que estão fazendo com que todas elas deixem de existir.

Gosto sempre de lembrar da questão que, há muito, foi levantada por Nietzsche: quanto de verdade nós somos capazes de suportar? Quanto, cara pálida? Essa é uma das poucas questões das quais, nesta vida, nós não temos o menor direito de nos esquivar porque, como todos nós sabemos, apenas a verdade — somente ela — pode nos libertar de nós mesmos. Libertar-nos das nossas mentiras, dos nossos enganos e autoenganos, de todo esse material que nós utilizamos para forjar esse trem fuçado e mal acabado que chamamos de nossa vida.

Enfim, tomemos para nós as palavras ditas pelo padre Celi a Umberto Eco e reflitamos sobre este ano — e todos os anos — que foram mal vividos por nós até aqui.

*          O autor, Dartagnan da Silva Zanela, é professor, escrevinhador e bebedor de café. Autor de "A QUADRATURA DO CÍRCULO VICIOSO", entre outros livros.

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  • Gilberto Simões Pires, em Ponto Crítico
  • 18 Dezembro 2025

Gilberto Simões Pires

 

MENSAGEM ESTÚPIDA

Dias atrás, sem causar mínima surpresa, a estúpida petista Gleisi Hoffmann, Secretária de Relações Institucionais da Presidência da República, postou a seguinte mensagem, também estúpida, na sua conta da PLATAFORMA X:  

- A Mídia registra uma corrida das empresas de capital aberto para antecipar a distribuição de dividendos para seus acionistas neste final de ano. É uma MANOBRA INDECENTE, para fugir da cobrança de imposto de renda sobre dividendos que ainda são isentos e terão de pagar até 10% a partir do ano que vem, para isentar quem ganha até R$ 5 mil. Tem até empresa tomando empréstimo para antecipar lucros que ainda nem foram realizados. É o retrato do andar de cima da sociedade brasileira, que não tem preocupação com o desenvolvimento do país, a não ser com o seu próprio.

DESPREZO

Ora, em condições normais de temperatura e pressão, o sentimento mais adequado no tratamento de pessoas que pensam, dizem e escrevem com o mesmo ódio destilado constantemente pela estúpida petista Gleisi Hoffmann é o DESPREZO. Entretanto, por questão de JUSTIÇA, apenas JUSTIÇA, é preciso que se diga , com todas as letras, que NÃO EXISTE, MUNDO AFORA, MANOBRA MAIS INDECENTE do que o AUMENTO DE IMPOSTOS. Mais ainda quando o GOVERNO USA -INJUSTA E DESCARADAMENTE- GRANDE PARTE DO DINHEIRO ARRECADADO COM TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES PARA ALIMENTAR OS MAIS VARIADOS FOCOS DE CORRUPÇÃO, como acontece no nosso país. 

INSTRUMENTO LEGAL DE DEFESA

Antes de tudo é preciso que todos entendam, claramente, que tudo que as empresas estão fazendo para fugir do IR sobre DIVIDENDOS que AINDA ESTÃO ISENTOS do pagamento de 10%, que passará a ser cobrado a partir de 2026, além de absolutamente -LEGAL- deve ser visto como MEDIDA DE DEFESA CONTRA PODEROSOS ASSALTANTES DO DINHEIRO PÚBLICO.

GOVERNOS INDECENTES

Portanto, para que não paire dúvida, INDECENTE mesmo é a MANOBRA DO GOVERNO PETISTA, pelo fato de impor -coercitivamente- a alíquota de 10% de IR sobre DIVIDENDOS e de 17,5% sobre JUROS DE CAPITAL PRÓPRIO, aprovado nesta semana na Câmara e no Senado. Lembrando: ACIONISTAS são pessoas físicas e jurídicas que INVESTEM EM EMPRESAS. Como tal utilizam os recursos -POUPADOS- para INVESTIR EM PROJETOS com a perspectiva -arriscada- de RETORNO FUTURO. Como se vê, só GOVERNOS INDECENTES detestam INVESTIDORES. Ao contrário: ADORAM PARASITAS. QUE NADA PRODUZEM. 

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  • Samir Keedi
  • 13 Dezembro 2025

 

Samir Keedi

            Antes que alguém estranhe este título, explicaremos adequadamente. E este país é, claro, o Brasil. E dizemos país estranho porque quase nada aqui é coerente.

Somos pobres, não temos como crescer, as condições são todas inadequadas. E falamos em economia estranha, porque também nada acontece como deveria acontecer. Senão vejamos.

Todos sabem, falamos isso constantemente, e escrevemos com frequência, que consideramos o Brasil, fisicamente, em condições econômicas naturais, o melhor país do mundo. De longe. Ninguém por perto na segunda colocação. Estamos até cansados de escrever e repetir sobre isso, e alguém já deverá suspirar: puxa! essa história novamente!

Em condições de desenvolvimento, de crescimento acelerado, somos absolutamente únicos. Temos 7.500 quilômetros de costa marítima. Para exploração de praticamente tudo que quisermos. Inclusive melhoria da matriz de transporte, que é terrível. E a infraestrutura não ajuda. Prejudicando o comércio exterior, em que temos participação mínima, de cerca de 1,3% do comércio exterior mundial. Nada perto do potencial. E nem do que já fomos em 1950, de 2,2%. Não há coerência.

Quando olhamos para nosso território agricultável, vemos que é o maior do mundo, e em condições de expandir ainda por muitos e muitos anos. Somos, o que todo mundo diz, o celeiro do mundo. Em que alimentamos hoje um bilhão de bocas. E responsável pela maior parte do nosso superávit comercial, com exportação sempre maior que a importação. O superávit do agronegócio é normalmente bem maior do que o geral, sempre bem acima de 100%.. Sem o agro, seríamos eternamente deficitários na nossa balança comercial, e nem poderíamos comprar ou pagar algo por falta de recursos. No entanto, é um setor fartamente atacado pelas autoridades. Não há coerência.

Temos uma floresta fantástica. Temos um subsolo que nos faz grande exportador de minério. E, sob nossos pés, repousam 13% de toda a água doce do planeta. Sol praticamente o ano todo. Nem precisamos de mais, mas, muito ainda se poderia falar. E aqui não temos neve, gelo, terremoto, vulcão, furacão e eventos climáticos semelhantes.

Assim, o que precisamos mais? Exatamente aquilo que nos falta. Governo e políticos comprometidos, povo comprometido e cobrador, pensando em desenvolvimento, bem-estar. Com menos direitos e mais deveres. Menos assistencialismo e mais trabalho. Menos jeitinho e mais coisa séria. Bastaria um pouco de bom-senso ao governar. Patriotismo. Educação, saúde e segurança, aliado a tudo isso, tornaria este país único, imbatível, sem concorrentes.

E o que se vê é o contrário. Desleixo e falta de comprometimento, falta de cobrança, falta de boas escolhas. Falta coerência.

Sempre ficamos nos perguntando, o que teria acontecido com os Estados Unidos da América se aqueles “Pais Fundadores” tivessem vindo para cá, e não para a América do Norte. Se eles são a maior potência econômica e militar que o planeta já viu, o que eles seriam se tivessem vindo a um lugar bem melhor, com tudo que temos e o que não temos? Seriam únicos, de longe, por muito, muito tempo.

Nada no Brasil bate. Temos visto os reclamos sobre a taxa de juros, a segunda maior do mundo. Selic a 15%, com inflação em cerca de 5%. Ou seja, taxa de juros real de 10 pontos percentuais, ou 200%. E, falando em inflação, centro da meta determinada em 3%, com tolerância para mais e para menos de 50%, ou 1,5 ponto percentual, variando de 1,5% a 4,5%. Parece brincadeira. Um país coerente, que quer dominar a inflação, colocaria um centro da meta em 3% e uma tolerância de apenas 10% ou 0,3 ponto percentual para mais ou para menos, ou seja, entre 2,7% e 3,3%. Aí se veria seriedade. E, com essa taxa de juros e inflação, o cartão de crédito roda em torno de 400% ao ano. Isso é sério?

Para um país que sabia crescer, e cujos dados de 1901 a 1980 mostram isso, os dados de 1981 a 2025 são desalentadores e mostram que não se quer crescer. Não se quer voltar ao passado glorioso. Nesses 45 anos nosso crescimento médio anual é de ínfimos 2,0%.

E pensar que já soubemos crescer, já soubemos governar. Crescemos 5,76% entre 1901 e 1980. Mais ainda entre 1951 e 1980, quando nossa economia corria a 7,43% de média ao ano. E 7,64% entre 1959 e 1980. Tivemos crescimento de 6,29% entre 1964 e 1984. E 10,73% ao ano entre 1968 e 1974, com pico de 13,97% em 1973. Éramos chineses antes dos chineses entrarem em campo em 1978, emendando quase 10% de média ao ano desde então.

Aí veio o primeiro choque do petróleo em 1973, em que o barril de petróleo, de 159 litros, pelo que se sabe, e se não estivermos enganados, subiu de cerca de US$ 1.20 para cerca de US$ 12.00. No segundo choque em 1979, o preço subiu para cerca de US$ 40.00 o barril. Como importávamos cerca de 80% do petróleo que consumíamos, pois se dizia, sabe-se lá porque, que não tínhamos petróleo, a situação degringolou. Hoje somos exportadores de petróleo. Coisas do Brasil e dos brasileiros, em especial sabendo que nosso vizinho, a Venezuela, tem a maior reserva de petróleo do mundo. Talvez o petróleo fosse temperamental, e não quisesse vir ao Brasil, parava na fronteira.

Mas, em 1975, fazendo frente ao primeiro choque do petróleo, o presidente de plantão, General Ernesto Geisel, determinou a criação do Proálcool como combustível. Mas, posteriormente, como soi acontecer, não conseguimos fazer a coisa certa com nossa criação e hoje, nem somos o maior produtor do mundo, mesmo tendo o maior território agricultável da Via Láctea.

A situação se complicou e tivemos problemas sérios com nossas reservas internacionais. De modo que, em 1987, o governo José Sarney declarou moratória. Não tínhamos como pagar credores, nem nossas importações.

Foram tempos difíceis. O câmbio era centralizado desde sempre. Não podíamos ter conta no exterior e o dinheiro das exportações tinha que ser trazido ao Brasil e contratado câmbio, convertendo a moeda e recebendo em moeda nacional.  Nas importações, tínhamos que contratar o câmbio, entregar a moeda nacional ao banco. Nós pagávamos as importações, mas, nossos exportadores não recebiam, pois não havia moeda estrangeira disponível para pagá-los. Nem se podia remeter a alguém, que estivesse estudando no exterior, mais do que US$ 300.00 por mês.

Final dos anos 1970 e início dos anos 1980 tínhamos frota marítima mercante internacional,  não grande, mas, cerca de 30% do comércio exterior brasileiro era transportado pelos nossos navios. Hoje nossa frota mercante internacional é zero absoluto. Nossos navios transportam nossas mercadorias apenas dentro do país, entre portos nacionais, a chamada cabotagem. Quanto muito, alguma coisa, entre os países do Mercosul.

Alguém mais poderia ou gostaria de explicar o que aconteceu conosco nos últimos 45 anos? Por que perdemos quase tudo e nos colocamos nessa situação deplorável, como um país pobre, de renda per capita de US$ 10,000.00 e como país de quarto mundo, pois, de terceiro não somos, olhando para o conjunto de países do mundo.

Lembramo-nos de termos sido incluídos nos NICs – New Industrialized Countries em 1970, como aqueles países que no ano 2000 estariam voando e comandando a economia mundial. O que aconteceu e onde ficamos? Para onde foram aqueles que nos fizeram companhia no grupo, como Taiwan, Hong Kong, Singapura, Coréia do Sul? Todos sabemos que patamar atingiram, eles sim, são terceiro mundo, a caminho do primeiro.

Em 2000 fomos colocados em outro grupo, o BRIC com Rússia, China e Índia, e depois BRICS com a inclusão da África do Sul. Onde estamos e como estão indo China e Índia, esta a nova sensação? Até o Paraguai, antes motivo de chacota, está parecendo querer virar a nova Taiwan, e atraindo empresas brasileiras, assim como habitantes brasileiros.

Em quantos grupos ainda seremos colocados como aqueles do futuro, para iludirmos a todos e continuarmos sendo sempre o país do futuro?

Acordem brasileiros, chega de ser uma promessa e país do futuro. Vamos abraçar nosso passado, relembrá-lo, conversar seriamente com ele, e transformar o passado em futuro, que ninguém tem o que temos e que podemos ser o que quisermos.

*       O autor, Samir Keedi, é Mestre (Stricto Sensu) e pós-graduado (Lato Sensu) em Administração pela UNIP-Universidade Paulista. -Bacharel em Economia pela PUC-Pontifícia Universidade Católica. -Profissional de comércio exterior desde março de 1972. -Especialista em transportes; logística; seguros. Professor universitário de graduação e pós graduação desde 1996. -Professor e instrutor técnico desde 1996. -Palestrante em assuntos de comércio exterior e economia. -Autor de vários livros em comércio exterior. -Tradutor oficial para o Brasil do Incoterms 2000. -Representante do Brasil na CCI-RJ e Paris na revisão do Incoterms® 2010.

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  • Dagoberto Lima Godoy
  • 12 Dezembro 2025

 

Dagoberto Lima Godoy       

             O Nobel da Paz de 2025 não premiou apenas uma pessoa. Quando a filha de Maria Corina Machado subiu ao palco em Oslo para ler o discurso da mãe, quem ali falava era um povo inteiro tentando voltar a ter futuro. A narrativa que ela trouxe — “a história de um povo e sua longa marcha rumo à liberdade” — é, ao mesmo tempo, um retrato dramático da  Venezuela e um aviso ao resto do mundo.

O discurso mostrou com clareza que o desastre venezuelano não nasceu de um dia para o outro. Foi sendo construído, passo a passo, por meio de decisões políticas que pareciam “toleráveis” no começo: inchamento e partidarização da máquina pública, intimidação ou suborno da imprensa, compra de apoio político com dinheiro público, subordinação das forças armadas, manipulação das regras eleitorais. Instalou-se o  “terrorismo de Estado”, como a própria laureada descreveu, e qualquer dissidência passou a ser tratada como crime.

O resultado está diante do mundo: mais de 7 milhões de venezuelanos foram obrigados a deixar o país — uma das maiores diásporas da história recente da América Latina. E não saíram apenas profissionais qualificados: trabalhadores de todo tipo foram empurrados mundo afora pela simples necessidade de sobreviver. O que se anunciava como “redenção social” converteu-se em colapso econômico, fome, medo e silêncio.

No coração do discurso em Oslo está uma ideia simples e dura: democracias não morrem apenas por golpes militares; elas apodrecem por dentro quando as sociedades se acostumam ao abuso de poder. Por isso Corina insiste que as democracias precisam estar dispostas a “lutar pela liberdade se quiserem sobreviver”. Essa “luta” não é necessariamente armada; começa muito antes, na recusa a banalizar o arbítrio, na vigilância constante sobre quem governa, na exigência de transparência e responsabilidade.

Por isso, a mensagem de Corina deve ser entendida como grave advertência: a indiferença tende a virar cumplicidade. A erosão democrática prospera quando a maioria decide “não se envolver”, “não comprar briga”, “deixar pra lá”.

Ignorar esse recado é aceitar que aqui se repita, em graus variados, a mesma trajetória: primeiro achamos que “aqui nunca vai acontecer”; depois, descobrimos que “já é tarde para reagir”.

O discurso em Oslo nos convoca a outro caminho: desvelar sem medo o autoritarismo que se mascara de normalidade institucional, denunciar o aviltamento da Constituição e o abalo do Estado de Direito, reagir contra o uso perdulário dos impostos em excessos de “ajuda humanitária” que afrontam a própria dignidade dos assistidos e empurram o povo para a indolência e a submissão ao Estado provedor.

A história venezuelana prova o preço incalculável de ter acordado tarde demais. O Nobel da Paz deste ano nos oferece um alerta que não pode ser desprezado.

*        O autor, Dagoberto Lima Godoy, é engenheiro civil.

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