• Gilberto Simões Pires, em Ponto Crítico
  • 09 Março 2021

 

Gilberto Simões Pires, em Ponto Crítico

REGISTRO

Antes de tudo um registro: da mesma forma como uma enorme parcela da população brasileira confesso que fiquei fortemente ABALADO, ainda que nada surpreso, com a decisão MONOCRÁTICA proferida pelo ideológico ministro-petista do STF, Edson Facchin, que tornou INVÁLIDO todo o processo de julgamento do ex-presidente Lula, tido e havido, com provas exuberantes, como BANDIDO NÚMERO 1 do nosso empobrecido Brasil.

 DESISTIR, JAMAIS

Feito o REGISTRO, o que cabe agora aos brasileiros que nunca desistem dos ideais de DECÊNCIA, ÉTICA e JUSTIÇA, é buscar FORÇAS para poder suportar os constantes e terríveis reveses que são proporcionados a todo momento pelos ideológicos ministros do STF. Não temos outra opção, meus caros seguidores, além de continuar lutando por dias e situações melhores para o nosso Brasil. Portanto, por mais ABALADOS E REVOLTADOS que estejamos, com total razão, jamais podemos pensar em entregar os pontos.  

 COMPETÊNCIA E MÉRITO

A rigor, ainda que soe como um certo consolo temporário, vale lembrar que o BANDIDO LULA, por ora, não foi INOCENTADO de seus inúmeros e terríveis CRIMES, ainda que seja esta a clara INTENÇÃO do ministro-petista Edson Facchin. O que realmente aconteceu, coisa que diminui nem um pouco a INDIGNAÇÃO E A REVOLTA com a decisão tomada pelo ministro canhoto, foi a ANULAÇÃO no que diz respeito à COMPETÊNCIA PROCESSUAL. Ou seja, a esperta decisão não atinge o MÉRITO, pois admite que todo o processo, se alguém tiver estômago para tanto, pode ser reiniciado da estaca ZERO. Que tal?  

  JUÍZES, DESEMBARGADORES E MINISTROS HUMILHADOS

O que mais preocupa é que desta vez todas as INSTÂNCIAS, exceto a última (que decide tudo ao seu bel prazer e não ao que manda a lei), foram ostensivamente HUMILHADAS, DESCONSIDERADAS e tornadas INCOMPETENTES perante a opinião pública, quer dos entendidos em leis quer dos que querem e defendem um mínimo de JUSTÇA. O ministro-petista Facchin deixou muito claro que os juízes da PRIMEIRA INSTÂNCIA são imbecis; os desembargadores da SEGUNDA INSTÂNCIA, idem; e os ministros do STJ, que ocupam a TERCEIRA INSTÂNCIA nada sabem de JUSTIÇA E MUITO MENOS DE LEIS.  Pode?   

O QUE PODE SER FEITO

Como a encrenca parece nunca ter fim, pois tudo que é decido pela Corte Suprema depende da lua, dos mares, dos planetas e, principalmente, daquilo que José Dirceu manda, o que pode ser feito, pela via democrática, é: 1- o uso do artigo 142 da Constituição Federal; ou, 2-  a aprovação, no Senado, da PEC DA BENGALA, reduzindo a idade de aposentadoria compulsória, que no meu entender deveria ser de 40 ANOS e não 70, como muitos querem. E mesmo assim é preciso definir critérios para nomeação daqueles que vão compor o STF, pois as últimas escolhas ATESTAM que os ocupantes não tem apreço por JUSTIÇA.  

 VOCÊ DECIDE!

Ah, para concluir, nunca devemos esquecer que entre os presidenciáveis para as eleições do próximo ano, 2022, só existem duas forças: BOLSONARO E LULA. Ainda que Lula não queira se candidatar, o que é pouco provável, ele vai fazer de tudo para ajudar seu escolhido a vencer o pleito. Isto significa, claramente, que quem não gosta da FORMA como Bolsonaro trata dos mais variados temas, não tem outra escolha senão ele ou Lula (ou quem ele vai indicar). De novo: a CRISE DE LIDERANÇAS nos obriga a entender que só temos apenas estas duas alternativas. Você decide! 

 

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  • Alex Pipkin, PhD
  • 08 Março 2021

Alex Pipkin, PhD

Parem o carro, o avião, o trem, o navio, seja lá o que for, porque eu quero descer!

Esse mundo “inteligente e igualitário”, retratado nas telinhas da Netflix, não é somente risível e burlesco, mas é sobretudo mentiroso.

Eu diria mais, perigoso. Tudo que tenho visto ultimamente, parece nos empurrar para uma escolha inevitável, quase como aquela travada entre o bem e o mal.

O bem é o mundo de Alice, nas maravilhas de um paraíso sem as amarras opressoras, da justiça social e do coletivismo, evidentemente, que com o insuflamento do Estado.

Preciso falar do mal? Ora bolas, a tradição, os costumes, a religião, os valores virtuosos que sobreviveram ao teste dos tempos, enfim, os valores civilizacionais judaico-cristãos.

Desculpem-me, mas muitos amigos escandalizados, recomendaram-me assistir “O Dilema das Redes”, classificando-o como espetacular e fidedigno.

Minha opinião, após assisti-lo: todo o filme é manipulado por meio de uma única visão compartilhada - sem nenhum contraditório - para justificar que somos controlados e aprisionados pelas redes sociais.

Evidente que não é assim; eu tenho minha agência, e teria várias perguntas sobre o que ali é mostrado como uma verdade incontestável.

Dilema implica na necessidade de escolha entre duas posições que são contraditórias. Neste documentário, como ele é apresentado, não me parece que haja dilema algum, há genuinamente uma única visão!

Bem, ontem assisti “Mary Queen of Scots” (2018).

Logo no início do filme, quase pulei do sofá.

A rainha Mary pode ter sido excepcional, uma mulher de fibra e tolerante, mas historicamente como o filme a retrata, é algo digo de uma legítima piada. Sim, claro, a força e a personalidade da mulher...

A visão “progressista” desse filme é uma piada histórica.

Colocar atores negros e asiáticos na corte do século XVI é um assassinato da verdade, grotesco.

Mary é apresentada como uma mulher extremamente tolerante, inclusive em relação a religião. Era católica, e é óbvio que naquele tempo e pelas circunstâncias vividas, ela não teria nenhuma condição de impor qualquer coisa.

A certeza histórica de liberdade sexual vivenciada na corte de Mary, imagino que só possa ser certeira nas mãos de cineastas do beautiful people.

Relações homossexuais existem desde que o mundo é mundo, mas no século XVI, até pelos tabus impostos pela igreja, duvido muito que fosse possível à liberdade na corte que o filme quer fazer crer.

Está mesmo magnífico assistir toda essa criatividade da turma progressista, com suas mentiras românticas e suas verdades romanescas.

Acho e espero que eles deem uma baixada de bola.

A mentira tem pernas curtas, e eles não vão continuar andando com elas...

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  • Valterlucio Bessa Campelo
  • 06 Março 2021

 

Valterlucio Bessa Campelo

"O melhor método para expulsar um demônio, se ele não ceder aos textos das Escrituras, é ridicularizá-lo, zombar dele, pois ele não suporta o escárnio." LUTERO

Em 1942, C. S. Lewis (Clive Staples Lewis), ex-ateu convertido ao cristianismo em 1929 aos 31 anos, publicou o livro “Cartas de um diabo a seu aprendiz”, em que Fitafuso, o protagonista, educa seu sobrinho Vermebile na arte de iludir e tentar as pessoas no sentido contrário ao cristianismo. Hoje em dia, certamente o autor é mais conhecido pela obra “O leão, a feiticeira e o guarda-roupas”, transformada há alguns anos em filme de sucesso estrondoso sob o título “As crônicas de Narnia”. Mesmo assim, as “Cartas” são fonte permanente de estudo e oferece uma leitura excepcional, repleta de sarcasmos em estilo que saltam do divertido para o profundo. Pensando sobre o momento que vivemos, lembrei do livro e, ao relê-lo, encontrei logo na primeira carta o que procurava. Vejamos no trecho abaixo, um alerta do diabo ao aprendiz.

“Parece que você vê a argumentação como o melhor método para mantê-lo afastado das garras do Inimigo. Talvez fosse esse o caso se ele tivesse vivido alguns séculos atrás. Naquela época, os humanos sabiam muito bem quando algo era provado logicamente ou não; em caso afirmativo, simplesmente acreditavam. Ainda não dissociavam seus pensamentos de suas ações. Estavam dispostos a mudar o modo como viviam a partir das conclusões tiradas de uma certa cadeia de raciocínio. Mas, com a imprensa semanal e outras armas semelhantes, conseguimos alterar tudo isso. O seu paciente sempre foi acostumado, desde criança, a ter uma dezena de filosofias incompatíveis dentro de sua cabeça. Ele não classifica doutrinas basicamente como ‘verdadeiras’ ou a ‘falsas’, e sim como ‘acadêmicas’ ou ‘praticas’, ‘antiquadas’ ou ‘contemporâneas’, ‘convencionais’ ou ‘cruéis’. O jargão, e não a argumentação, é o seu melhor aliado para afastá-lo da Igreja. Não desperdice seu tempo tentando fazê-lo pensar que o materialismo é verdadeiro. Faça-o pensar que é algo sólido, ou óbvio, ou audaz - enfim, que é a filosofia do futuro. É com esse tipo de coisa que ele se importa”.

Eis o ponto. Se fosse usual na época, seguramente Lewis teria empregado a palavra “narrativa” para sintetizar aquilo que Vermebile, o aprendiz, teria que dominar para atrair pro lado diabólico o seu paciente. Não é exatamente a superficialidade do raciocínio o que estamos assistindo no dia a dia? Quem se importa, principalmente entre os jovens, com a argumentação mesma que envolve qualquer teoria? Doutrinados por ideias contaminadas pela contemporaneidade rasa, pela fluidez de conceitos, pela subversão da lógica e pela ruptura com tudo que signifique tradição, o novo homem, como se influenciado por Vermebile não perde tempo com o aprofundamento de coisa nenhuma.

A geração “lacradora” aceita a “lacração” como fim de papo e o “cancelamento” como expulsão da contradita incômoda do território dialético. O tal “lugar de fala”, essa invenção fascista e torpe, limitou a liberdade do indivíduo que, se não pode se expressar, não tem motivos para pensar. Isso sem um segundo de reflexão, levada pela onda de bolhas, “tribos” e grupos identitários de toda espécie, que dominam a cena. Em decorrência, o debate fica tão consistente quanto as discussões do BBB que, aliás, apenas replicam as plenárias das universidades. Reduz-se as transformações sociais mais profundas a qualquer ideia que, mesmo de modo epidérmico, dê impulso ao progressismo globalista. Então, pelo menos aparentemente, o que verdadeiramente é submerge, dando lugar ao que mesmo não sendo se estabelece como se fosse. Vivemos, portanto, um mundo de mentiras e autoritarismo.

Veja-se na obra de C. S. Lewis que em seu aconselhamento ao sobrinho, o diabo já identifica como aliado a “imprensa semanal e outras armas semelhantes”. Alguma surpresa em relação ao que estamos vivendo? Os meios de comunicação de massa, não apenas no Brasil, estão a serviço permanente de uma transformação que, sem investigar as raízes dos problemas, sem considerar o pensamento médio da sociedade, afirma uma falsa ordem, incluindo neste processo a religião cristã em todas as suas formas. O anticristianismo atual é tão patente que o próprio Papa só aparece para emitir mensagens quando são de concessão ao “politicamente correto”. Neste ponto, é legítimo especular se o mesmo não estaria colaborando de boa vontade para o esquecimento da cultura tradicional e da própria religião.

Também pode-se perguntar a que se referia Fitafuso quando citou as “armas semelhantes” à imprensa, no conjunto de aliados do diabo na tarefa de retirar o homem do seu caminho cristão e da compreensão das coisas. Provavelmente tinha em vista os livros e teorias com as quais se debatia na época, mas, estivesse escrevendo em 2021, Lewis diria pelo diabo, com todas as letras, que Facebook, Twitter, Whatsapp, Instagram etc., atuam no mesmíssimo sentido de destruição da fé em Deus e da religião pelo selo ameaçador que possui sobre a liberdade de expressão. Vozes discordantes são canceladas, nenhuma oposição é permitida. Alguém garante que os textos bíblicos seriam publicados sem restrições em uma dessas plataformas? Sua excelência, o algoritmo, permitiria?

O forçamento e limitação da comunicação global às plataformas big tech’s atende plenamente outro conselho do diabo ao sobrinho. Disse o Fitafuso em certo trecho do livro que “o problema da argumentação é que ela leva a batalha para o campo do Inimigo. Ele também pode argumentar”. Com isso, o diabo requer um território no qual seja imbatível, um no qual o argumento não tenha espaço. Lembrou o “lugar de fala”? É um bom exemplo. Quando, em qualquer circunstância, ele for negado, estará em curso uma manifestação diabólica – de impedimento do argumento, nos termos de C. S. Lewis. O domínio da linguagem, ao modo sugerido pelo diabo distribui termos que dispensam qualquer elaboração acerca do seu significado. Outro exemplo é o “negacionismo”. Esta palavra, antes associada quase exclusivamente ao holocausto promovido pelo nazismo, foi primeiramente capturada pelos aquecimentistas climáticos e, agora, aproveitada pela “covideiros”, para interditarem um justo debate acerca de argumentos que podem ser tão somente carregados de ceticismo, de prudência, ou pertencerem ao senso comum.

Ouso dizer, em vista das transformações em curso, e da evidente subordinação humana a condições e regramentos dos quais não participa a não ser como plateia obediente, sem que possa pensar, expressar, agir e cumprir seu destino livremente, que este é um bom momento para levar a sério as “cartas do diabo”. Quem sabe, cada um de nós, que enxergamos o missivista, deva elaborar e realizar respostas à altura e, se possível, ridicularizá-lo, como recomendou Lutero.

*Conteúdo enviado pelo autor a Conservadores e Liberais.

Valterlucio Bessa Campelo escreve contos e opiniões em seu BLOG

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  • Gustavo Corção
  • 05 Março 2021

Gustavo Corção

A idéia de pátria e a correlata de patriotismo vêm sendo sabotadas, há séculos, pelas correntes históricas que nas últimas décadas formam o enorme estuário de equívocos que constituem o néctar, o uísque escocês dos “intelectuais” das chamadas esquerdas. A corrente anarco-socialista, bem como a marxista, sempre anunciaram em canto e prosa a Internacional, sem nunca suspeitarem que deste modo pretendiam combater uma exigência da alma humana tão profunda como a de querer constituir família.

 À primeira vista, e numa análise sem vigor, parece que o amor da pátria exclui o resto da humanidade e assim se opõe ao mandamento de Deus. Na verdade, todo amor exclusivo será egoísta e defeituoso, já que o próprio do amor, ainda que inclua as mais densas dileções, é ser difusivo. E se não for difusivo não é amor; será quando muito egoísmo ou amor próprio. 

 Vejamos como se entende, dentro do imperativo de universalidade, o bom fundamento do amor da Pátria. É sabido que nenhum homem esgota em sua vida e com suas aptidões todas as virtualidades da alma humana. Para bem manifestar toda a grandeza e toda a beleza da alma humana, em todas as suas possibilidades, foi preciso que os homens se multiplicassem e se diversificassem. A perfeição do homem se vê na humanidade desdobrada. Mas não basta essa multiplicação. Para bem exibir diante do universo e das galerias angélicas toda a riqueza do animal-racional, ou da alma feita à imagem e semelhança de Deus, foi preciso ainda recorrer ao curso da história e ao contraponto das civilizações. E além dos desdobramentos e dos alongamentos individuais, foi preciso diferenciar os agrupamentos humanos em tipo, com línguas, costumes e cultura diversificados.

 E este é o fundamento natural da pátria.

 Faz parte da grande e inebriante aventura humana esse tipo de experiência que consiste em viver, num dado território e ao longo de uma história, uma vocação comum, uma cultura comum, que se exprime não apenas pela língua comum mas por todo o jogo de símbolos, de significações multiplicadas que resultam das alegrias comuns e dos sofrimentos comuns expressos na profundidade das almas por sinais comuns.

 Quando eu penso com simplicidade no objeto do amor pátrio, eu penso numa grande comunidade que acabou de chegar na ponta de uma grande história e que acampou, se instalou numa imensa geografia. Tudo isso me envolve numa cercadura enorme, e tudo isso nos diz que somos portadores duma vocação, de uma parte, de uma tarefa na grande aventura humana. Toda essa cercadura, esse envoltório humano, cultural, sociológico, histórico, geográfico é um campo de forças que nos penetra, e que se cruza dentro de nós, e nos faz o que somos, o que sentimos e amamos. Curioso processo psicológico que sempre se repete para as coisas mais amplas e mais próximas. Nossos envoltórios, a família, o bairro, a pátria, são obras emanadas de nossas almas, e são elas que refluem e modelam nossas almas. Há por fora de nós um enorme Brasil exterior; há dentro de nós um Brasil interior de sentimentos e de virtudes que devem ser cultivadas e apuradas para que o Brasil exterior seja melhor e mais Brasil, e mais e melhor para formar as almas de seus filhos.

Precisamos cultivar essa piedade, esse respeito pelo grande quinhão que nos coube na prodigiosa aventura do gênero humano, não para nos excluirmos e nos fecharmos, mas para que nosso amor pátrio seja difusivo e se transforme em amor universal. Precisamos sentir e agir como se o mapa-mundi a cosmografia e a história fossem inconcebíveis sem a nossa presença.

 Não há nenhum espasmo de eloqüência convencional nem sombra de orgulho nesse reconhecimento de nosso valor: haverá até um ato de humildade acompanhado de um sentimento de responsabilidade. Aprendi essa lição do valor de cada ser dentro da Criação com um pobre cego, a quem uma senhora bondosa queria confortar e de quem lamentava a triste sorte. Agradecendo a bondade, o ceguinho confortou-a com estas palavras:

 — Sem eu o mundo não estaria completo. Faltaria minha cegueira...

 Tudo tem valor. Que valor tremendo, terrível, não terá essa comunidade pátria? Que aleijão enorme faria no mundo a falta desse jeitão coletivo, nosso, meu, seu, vosso, que chamamos Brasil! Esse modo de sermos, de falarmos, de sentirmos, essa esparsa alma comum: Brasil.

 E para não desmerecermos em tal tarefa (a de completar o universo!) precisamos friccionar nossos sentimentos e nossas virtudes, e para isto precisamos de comemorações, de sinais e símbolos já que nesta vida terrena, como disse o apostolo Paulo, vivemos entre sinais e enigmas. Daí a utilidade das bandeiras, dos hinos e das festividades cívicas que todos os povos normais sempre amaram. Mas a necessidade mais imperiosa e contínua que decorre da consciência patriótica é a do serviço prestado no dia a dia da vida profissional. Festejemos os dias da pátria, mas essas festividades seriam vazias e até falsas se não fossem sinais do desejo de servi-la.

 ***

 E peçamos a Nossa Senhora da Aparecida, à onipotência suplicante da Mãe de Deus, que nos proteja sempre como recentemente nos protegeu.

 (Este artigo foi publicado durante a semana da Pátria, em “O Globo”, de 05/09/1970.)

*     Reproduzido de Permanencia.org.br

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  • Prof. Ubiratan Iorio
  • 05 Março 2021

 

 

Ubiratan Iorio

 Vivemos tempos em que praticamente tudo em nossa vida é politizado. É sabido que esse fenômeno não é novo, pois começou há pouco mais de cem anos, mas vem se intensificando de maneira assustadora em nossos dias. Não é que eu defenda uma negação completa da política, irreal e imatura, somente penso que não é correto e chega a ser quimérico e infantil acreditar que ela tenha soluções para todos os nossos problemas e para os problemas ditos “sociais”.

Toda sociedade pode ser observada, segundo uma perspectiva de longa distância, como se estivéssemos bem no alto, na janela de um avião, olhando para baixo. Nesse caso, enxergaríamos os contornos de três grandes sistemas, exatamente os que compõem a sociedade, que são o sistema político, o econômico e o ético-moral-cultural. Veríamos, de longe, no sistema político, as relações políticas, as formas de governo e as instituições; na economia, os mercados e as instituições que estão por trás deles, as regulamentações, as fazendas e indústrias.  Mas o terceiro sistema - o ético, moral e cultural - parece ser o mais complexo e escondido dos três e nem sempre se consegue visualizá-lo facilmente do alto.

Esse último sistema constitui-se de um permanente processo evolutivo (uma ordem espontânea, na nomenclatura de Hayek), abrangendo todas as manifestações religiosas, associativas, artísticas e culturais, como, por exemplo, o longo processo de desenvolvimento da nossa música popular, desde a época das modinhas e lundus até o samba primitivo, o frevo, o samba-canção, a bossa nova e a (péssima) música brasileira contemporânea, ou como no cinema e teatro, observando como eram os filmes e as peças antigamente e como são hoje. Na base disso tudo, durante séculos, existiu um sistema ético e moral tradicional, que - claro - deve se modernizar, mas que não pode ser abandonado, simplesmente porque aquilo que era moralmente errado no século II ou no século XII dC deve continuar sendo errado no século XXI. Assaltar uma pessoa era errado, no Império Romano, no Brasil imperial e é errado em qualquer época e lugar. Onde estou querendo chegar? O que quero dizer com isso? Ora, simplesmente, que cada um dos três sistemas tem a sua maneira de funcionar, tem as suas leis, tem as suas características que os levam a operar independentemente, mas ao mesmo tempo, existe uma interdependência muito forte entre eles. E quero enfatizar que para que uma sociedade seja sadia os sistemas político e econômico precisam necessariamente subordinar-se às regras de boa ética e moral.

Ora, um ato econômico qualquer, ou um ato político pode ser moralmente correto, errado ou neutro. O que aconteceu durante todo o século XX e continua acontecendo até hoje é um fenômeno analisado de maneira magistral pelo historiador britânico Paul Johnson, em seu famoso livro Tempos Modernos, em que nos relata a história do mundo dos anos 20 até os anos 90 do século XX. Aconselho especialmente a leitura do primeiro capítulo, que resumo: porque nós podemos chamar o século XX de “século esquisito”, de tempos estranhos? Simplesmente, segundo Johnson, porque o sistema político, que antes tratava só de temas da política, passou a invadir tanto o sistema econômico quanto o sistema ético, moral e cultural. Isso se deu pelo processo de relativização moral crescente que foi acontecendo a partir da segunda metade do século XIX, em que foi sendo paulatinamente derrubada a barreira, que sempre foi bastante clara e incontestável,  que separa, na tradição judaico-cristã ocidental, o certo do errado. O que era certo era certo, o que era errado era errado e ponto final, todos aceitavam. E essa relativização passou a considerar, como o próprio nome está dizendo, que o certo e o errado são “relativos”. Assim, um ato qualquer, praticado em uma dada circunstância, seria errado, mas sob outra circunstância seria certo.

Por causa disso, as pessoas passaram a acreditar cada vez mais em soluções políticas. E o sistema político arrombou a porta e invadiu tanto o sistema econômico como o sistema ético, moral e cultural. Problemas econômicos, que antes eram solucionados no próprio sistema econômico, como por exemplo, salários, passaram a ser objeto de decisões políticas, com as leis estabelecendo salários mínimos. No plano da ética, moral e cultura, a mesma coisa: decisões de cunho pessoal, íntimo, como por exemplo, questões referentes ao aborto e ao homossexualismo, que eram tratadas no plano individual mediante considerações éticas, passaram a ser politizadas. E, de uns anos para cá, essa politização cresceu de uma maneira insuportável, a ponto de fazer o mundo de hoje parecer-se com um hospício. A verdade é que esse processo de politizar tudo já passou de todos os limites aceitáveis e toleráveis e já mostrou à sobeja ser um equívoco mortífero, fatal, funesto, nefando.

O grande erro, é que, ao valorizar cada vez mais essas ditas “soluções políticas”, as pessoas foram se esquecendo, cada vez mais, de que existem soluções econômicas para problemas econômicos que necessariamente são as melhores: são as leis da economia. E de que existe um desenvolvimento evolutivo, um processo natural de alterações lentas, de usos, costumes, linguagens e de hábitos que, muito mais do que qualquer solução política, leva nem vou dizer ao equilíbrio, mas às melhores soluções para a cultura. Em suma, ao dar uma autoridade ilegítima, ao conceder vênia a uma crença exagerada em soluções políticas, o grande erro foi o de abandonar, muitas vezes integralmente, as soluções econômicas e as soluções do próprio sistema ético, moral e cultural.

É preciso mudar isso. Para problemas econômicos, soluções econômicas; para problemas políticos, soluções políticas e para questões de natureza intima, ética, moral e cultural, retornar ao que já existe há séculos e que sempre funcionou bem, que é a tradição judaico-cristã.

As pessoas de bem precisam refletir sobre isso, antes que seja tarde demais.

*     O autor é doutor em Economia pela FGV

**    Publicado originalmente em ubirataniorio.org, em 02 de março de 2021

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  • Gilberto Simões Pires, em Ponto Crítico
  • 03 Março 2021

           

PROPÓSITO

Diante da enorme insistência da equivocada, ou mal intencionada, MÍDIA ABUTRE, que a cada noticiário destina um bom espaço para CULPAR, e imediatamente CONDENAR, a POLÍTICA DE PREÇOS dos combustíveis praticada pela Petrobrás, como responsável pelo aumento dos combustíveis, volto mais uma vez ao tema, desta feita com o PROPÓSITO de mostrar, ou desenhar, com todas as letras e cores, quem, efetivamente, deve ser RESPONSABILIZADO pelos valores que os consumidores pagam, não apenas pelos derivados do petróleo como de todos os PRODUTOS E SERVIÇOS que são vendidos em cada um dos 27 estados do nosso imenso Brasil.

A REALIDADE EM SC E NO RS

Primeiramente, é importante que os leitores saibam o que acontece, por exemplo, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. Pois, ontem, na viagem que fiz de Florianópolis para Porto Alegre, pela BR 101, fui anotando os preços da gasolina ofertados pelos postos situados à beira da estrada. Atenção: enquanto o preço médio da gasolina, praticado nos postos catarinenses, era de R$ 4,78/litro, ao atravessar o rio Mampituba, que dá acesso ao RS, a situação mudou da água para o vinho, ou da gasolina para o inferno. No trajeto Torres-Osório, o preço médio (ou fixo) que os postos gaúchos estavam praticando ontem, era de R$ 5,39/litro, ou seja, uma diferença, para maior, de 61 CENTAVOS. Esta é a nojenta POLÍTICA DE PREÇOS que o governo do RS pratica, PELO EFEITO ABUSIVO DO ICMS, para obter recursos que só tem um destino: pagar a FOLHA DOS SERVIDORES. Nada mais. 

COMMODITIES

Até aqui nada de novo, até porque a maioria dos leitores já sabia desta grande e nojenta vergonha. Pois, mesmo diante desta nua e crua e incontestável realidade, nem assim a mal intencionada MÍDIA ABUTRE desiste de apontar a Petrobrás como CULPADA pelo aumento do preço dos combustíveis. Muito menos se dispõem a aprender, informar e esclarecer que o PETRÓLEO, por ser uma COMMODITY, tem seu preço formado no MERCADO INTERNACIONAL. Da mesma forma, aliás, como a CARNE, os GRÃOS o os MINÉRIOS, por exemplo, onde o Brasil figura como grande exportador mundial,  também são COMMODITIES.

ESTRATÉGICO

Mais: para aqueles que vivem afirmando que o PETRÓLEO é ESTRATÉGICO, e por isto deveria ter seus preços CONTROLADOS PELO GOVERNO, é bom que tenham em mente que nada é mais ESTRATÉGICO do que ALIMENTOS. E nem por isso os importadores da nossa soja, milho, café, carne de frango, etc., que o setor agropecuário brasileiro produz e exporta em grande quantidade, aparecem por aqui fazendo apelos dramáticos para que o Brasil venda seus produtos por preços abaixo da cotação internacional. Tampouco vejo o povo brasileiro se intrometendo nos negócios onde os preços são definidos exclusivamente pela oferta e demanda.

DOSE DE ICMS

Agora, vamos ao que existe de pior. De pronto, todos sabem, não é permitido aos consumidores adquirir gasolina, por exemplo, em qualquer refinaria, por PREÇO DE FÁBRICA, ou seja, pelo preço -atual- de R$ 2,60/litro. Isto é simplesmente IMPOSSÍVEL, porque a tarefa de venda de combustíveis para veículos cabe, exclusivamente aos postos de abastecimento, que já recebem o produto onerado com alta dose de ICMS embutido através da estúpida SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA, a qual que praticamente DOBRA O PREÇO DO PRODUTO PRATICADO NA ORIGEM (Refinaria). 

ICMS SOBRE A ALTA DO DÓLAR? ISTO É CRIME HEDIONDO

Agora, o CRIMINOSO: uma vez que a POLÍTICA DE PREÇOS DOS COMBUSTÍVEIS tem como base DUAS VARIÁVEIS: 1- o PREÇO DO BARRIL DE PETRÓLEO NO MERCADO INTERNACIONAL; e 2- a VARIAÇÃO CAMBIAL; mesmo que o preço do barril de petróleo permaneça ESTÁVEL no mercado internacional , mas a cotação do DÓLAR suba frente ao real, aí os ESTADOS, de forma indecente e criminosa, calculam e cobram o ICMS sobre a VARIAÇÃO CAMBIAL. Entenderam? De novo: suponhamos que o preço do barril de petróleo se mantenha estável por vários dias no mercado, mas o dólar sobe 5% neste período, os governadores, sem dó nem piedade, aplicam e cobram o ICMS sobre a VARIAÇÃO DE 5% DO DÓLAR.  Isto deveria ser CRIME HEDIONDO!

Infelizmente, a MÍDIA SE CALA DIANTE DE TAMANHO ABSURDO E ROUBO E SE MOSTRA AOS GRITOS CONTRA A

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