• Alex Pipkin, PhD
  • 28 Agosto 2025


Alex Pipkin, PhD 

                   Hoje, ao ver a foto, achei que se tratava de montagem: o presidente descondenado, sorridente, de boné azul — e não vermelho, como se ironicamente tentasse confundir até o senso comum — distribuindo o adereço aos ministros, todos uniformizados como claque de auditório. Bordado na aba, com nosso dinheiro, dinheiro público, a epifania de botequim: “O Brasil é dos brasileiros”. Mas era fato. Na reunião ministerial de 26 de agosto de 2025, Brasília ofereceu mais um espetáculo de circo político. Hoje, as fotos confirmaram o inusitado; a pátria caberia numa aba de boné, azul-marinho, financiada pelos contribuintes.

O boné sintetiza o lulopetismo. Um gesto barato, frase de efeito, aparência de grandeza, resultado de desastre. Populismo é isso mesmo! Parece virtude, mas, à luz da razão e da ciência econômica, só produz atraso. O Brasil já conhece a receita: estatais inchadas, campeãs nacionais do BNDES que não competem, estaleiros em Rio Grande convertidos em ruínas. O preço é sempre o mesmo, isto é, gerações hipotecadas, a ilusão de soberania costurada com dinheiro público.

Enquanto isso, Trump aplica seu tarifaço, não como medida meramente econômica, mas como instrumento político e geopolítico: pressiona regimes autoritários, combate censura e perseguição política, exige respeito às liberdades individuais. O lulopetismo responde com… um boné. Enquanto uns jogam xadrez estratégico, outros bordam slogans, distribuem adereços, encenam patriotas de boutique. Esdrúxulo!

A soberania proclamada pelo boné? É a mesma que leva o presidente a Buenos Aires para defender Cristina Kirchner, corrupta comprovada, ou a apoiar ditadores e terroristas assassinos. É a mesma soberania que alinha o Brasil a regimes de censura e autoritarismo, enquanto persegue opositores com a ajuda da Suprema Pequena Corte. Vestem o boné por dentro; cortejam tiranos por fora.

O gesto resume o lulopetismo em um símbolo, aparentando cuidar do país, mas servindo apenas ao projeto de poder. O Brasil é dos brasileiros, dizem eles, enquanto cabides de emprego, corrupção e clientelismo devoram os recursos que deveriam pertencer à nação. O boné não é soberania, é caricatura.

É nessa caricatura que se revela a lição mais amarga: políticas nacional-desenvolvimentistas sempre fracassaram, independentemente da sigla. Fechamento de mercados, subsídios, reservas de mercado; cada episódio termina em ruína. O que muda é o adereço. Nos anos 80, computadores nacionais; hoje, bonés bordados com slogans, financiados com dinheiro público.

O Brasil, afinal, é dos brasileiros — mas apenas até caber no bolso de quem manipula o espetáculo. O resto é o rastro do populismo que insiste em se reinventar, agora em azul-marinho, sorridente, circulando nas redes sociais, como se um pedaço de tecido pudesse substituir pensamento, estratégia e liberdade. Rotundo populismo barato; horror.

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  • Stephen Kanitz, em Blog do Kanitz
  • 24 Agosto 2025

 

Stephen Kanitz

 

O que é ser de direita?

Pergunte a um jovem brasileiro e ele provavelmente não saberá responder.

Muitos acreditam que “ser de direita” significa apenas preocupar-se com dinheiro, enriquecer a qualquer custo, desprezar os outros e proteger a própria fortuna.

Mesmo entre jovens que se identificam com a direita, quase ninguém conhece os valores históricos que a sustentaram por mais de dois mil anos: cooperação humana, preocupação com a ética, lisura, reputação pessoal e o dever de deixar um legado às próximas gerações.

O problema é que a direita brasileira abandonou seu papel de defensora desses valores para se transformar em uma força quase exclusivamente de ataque à esquerda.

Por isso o resultado foi a polarização que paralisa o país até hoje.

É verdade que foi a esquerda que iniciou o embate com slogans violentos: “morte à burguesia”, “enforcar os capitalistas com a corda que eles mesmos fabricaram”, ou ataques à família, à poupança pessoal, à relação paciente-médico, e assim por diante.

Os nossos intelectuais da direita quase todos influentes no combate ao socialismo e ao progressismo dentro da Igreja.

Foi assim que a direita abandonou seu patrimônio mais valioso: o discurso da conduta humana, do não mentir, não roubar, não abandonar a família, não ser um peso na velhice, e centenas de outros princípios que organizam sociedades prósperas e coesas.

Hoje vivemos no pior dos dois mundos:

1. Uma esquerda em pânico, sem razão, que superestima a força da direita.

2. E uma direita sem voz própria, incapaz de divulgar seus verdadeiros valores e mostrar os benefícios concretos de vivê-los: prosperidade pessoal, estabilidade familiar e cooperação social entre ricos e pobres.

Em suma, a direita só terá futuro quando recuperar seu discurso afirmativo, lembrando aos brasileiros que valores conservadores não são meras tradições antiquadas, mas regras práticas já testadas de convivência, cooperação e prosperidade.

*              Reproduzido do excelente Blog o Kanitz em  https://blog.kanitz.com.br/o-erro-fatal-da-direita/?

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  • Gilberto Simões Pires, em Ponto Crítico
  • 22 Agosto 2025

Gilberto Simões Pires         

DÚVIDA - SENTIMENTO COMUM

Mais do que sabido, a DÚVIDA é um SENTIMENTO COMUM que surge quando nos deparamos com uma situação em que as informações são insuficientes para uma correta formação de opinião. Como tal se caracteriza pela INCERTEZA ou FALTA DE CONHECIMENTO SOBRE QUALQUER COISA. 

CERTEZA - CONVICÇÃO

A CERTEZA, por sua vez, é o CONHECIMENTO CLARO E SEGURO DE ALGO. Ou seja, é um ESTADO DE ESPÍRITO QUE INFUNDE CONFIANÇA E CONVICÇÃO NA VERDADE DE ALGO. É, enfim, acreditar que algo é a verdade baseada em FATOS.

CONVICTOS DE 2022

Com base nesses importantes conceitos, é sempre oportuno lembrar, por exemplo, que, em julho de 2022, vários líderes empresariais do país, sob o comando da ESFERA, organização que hoje reúne entre seus quase 50 associados grandes empresas, como BRADESCO, BTG Pactual, XP Investimentos, COSAN, MRV Engenharia, MULTIPLAN, HAPVIDA, MERCADO BTCOIN, etc...vieram à público, cheios de CONVICÇÃO, para AFIRMAR, e INFLUENCIAR, que eleger LULA seria muito melhor para o Brasil do que eleger BOLSONARO.

CERTEZA TOTAL

Se algum desses empresários tivesse alguma DÚVIDA, certamente não teria assinado o estúpido documento e muito menos teria declarado voto a um ex-condenado que lidera um partido político declaradamente COMUNISTA e como tal sempre disposto a mudar o regime político do país, onde a DEMOCRACIA dá lugar ao AUTORITARISMO.  

CERTEZA DO IMPOSSÍVEL

Ontem, não por acaso, tão logo o ministro-comunista do STF, Flávio Dino, achou por bem limitar  a aplicação de leis estrangeiras no país, as ações de bancos brasileiros -cujos líderes apoiaram a candidatura de LULA, simplesmente afundaram. E poucos minutos de pregão a perda atingiu a marca negativa de R$ 41,9 bilhões em valor de mercado. Que tal? De novo: tudo baseado na CERTEZA DO IMPOSSÍVEL. 

UMA ÚNICA CERTEZA

Pois, aqui ente nós e o mundo, a ÚNICA CERTEZA QUE PAIRA SOBRE O NOSSO EMPOBRECIDO BRASIL É QUE O POVO SERÁ MUITO PENALIZADO pela forma CRIMINOSA COMO VEM SENDO ADMINISTRADO. DISSO NINGUÉM MAIS TEM DÚVIDA. NEM MESMO OS MAUS E EQUIVOCADOS EMPRESÁRIOS....

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  • Alex Pipkin, PhD
  • 22 Agosto 2025


Alex Pipkin, PhD 

              Nunca tivemos tanto e fomos tão incapazes de ser. A modernidade nos deu conforto, tecnologia e abundância, mas arrancou-nos a virtude e a razão. Cada avanço material parece acompanhado de uma regressão ética: aquilo que deveria elevar a alma tornou-nos frágeis, autocentrados e complacentes. O conforto substituiu o dever, o prazer confundiu-se com sentido, e o que outrora era sagrado tornou-se supérfluo. A ausência de moralidade não é detalhe; é o terreno em que germinam o caos, a fragmentação social e a erosão do bem comum.

O sintoma mais evidente dessa decadência é a supremacia das emoções sobre a razão. Hoje, sentir basta para legitimar qualquer ato, qualquer fantasia, qualquer devaneio. O sentimentalismo tóxico alimenta ideologias utópicas e a cultura Woke, que prometem paraísos imediatos sem esforço, mérito ou responsabilidade. “Você pode ser quem quiser” não significa preparo ou aperfeiçoamento; significa autoafirmação instantânea, reconhecimento imediato e vitimização elevada à condição de virtude. O indivíduo não constrói caráter; reivindica privilégios simbólicos e emocionais.

Essa abdicação moral não se limita ao indivíduo. Sob o pretexto de ideologias, muitos se autolocupletam, buscando interesses próprios ou de grupos à custa do bem comum. O que deveria ser guiado pela virtude coletiva se transformou em disputa por privilégios, reconhecimento emocional e poder simbólico. A sociedade fragmentou-se em tribos de ressentimento, cada qual regida por emoções, não por princípios universais.

Sócrates, o maior filósofo moral, advertiu que “a vida sem exame não merece ser vivida”. Foi condenado à morte por se recusar a submeter a verdade às conveniências do momento. Morreu em nome da razão, da virtude e de princípios que transcendem interesses individuais ou coletivos. Hoje, sacrificamos a moral em nome do conforto, da ilusão e de ganhos efêmeros, esquecendo que a virtude é pré-requisito da vida coletiva e da dignidade humana.

Talvez seja hora de reencontrar aquilo que transcende interesses imediatos: o vínculo com o sagrado. Não necessariamente a religião formal, mas a reverência pelo que é eterno, imutável e superior à conveniência humana. Só a reconexão com essa dimensão pode oferecer resistência à incivilização e à corrosão da moral. Sócrates morreu pela virtude; nós precisamos viver por ela, cultivando disciplina, responsabilidade e propósito, individual e coletivo. Assim, não apenas sobreviveremos, mas resgataremos a grandeza que nos falta, e a vida, enfim, terá verdadeiro sentido.

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  • Dagoberto Lima Godoy
  • 22 Agosto 2025

 

Dagoberto Lima Godoy 

              Há bastante tempo cogito que a crise brasileira não se deve apenas à incompetência do governo Lula na condução da economia. A sucessão de erros, abusos e decisões controversas parece seguir uma lógica mais profunda. Lembro-me do que fizeram os bolcheviques em 1917: sem maioria popular ou força institucional aparente, assumiram o poder explorando o caos econômico, político e social, valendo-se de disciplina partidária férrea e de cálculo tático implacável. Não será exagero perguntar se o petismo — em aliança com setores da esquerda e grupos oportunistas — não estaria, à sua maneira, tentando algo semelhante.

A analogia pode soar ousada, mas os elementos que a sustentam estão à vista. O Brasil atravessa retrocesso econômico e instabilidade institucional e, longe de se empenhar em corrigir rumos, o governo parece tirar proveito da confusão. Paralelamente, o Supremo Tribunal Federal, outrora guardião da Constituição, converteu-se em protagonista de um ativismo sem freios, restringindo liberdades e perseguindo opositores. O discurso oficial insiste na defesa da democracia, mas o que se observa é um cerco crescente à liberdade de expressão e a criminalização da dissidência política.

A situação brasileira não replica a Rússia de 1917. O roteiro é mais próximo do chavismo na Venezuela: tribunais cooptados, opositores judicializados, economia conduzida ao colapso até que a sociedade aceite uma solução autoritária como mal menor.

O agravante está na dimensão internacional. As sanções já impostas pelos Estados Unidos — sob a justificativa de violações à liberdade de expressão e perseguições políticas —, somadas ao desgaste da imagem brasileira perante a comunidade internacional, não apenas marginalizam o país diplomaticamente, mas também impõem custos concretos à economia. E, ainda assim, o governo instrumentaliza esse desgaste, apresentando-o como ataque à soberania nacional e insistindo — sobretudo nas falas do presidente — em realimentar a desavença, como quem “cutuca onça com vara curta”.

A essa atitude belicosa soma-se o descaso de ministros do STF diante das desastrosas consequências do eventual descumprimento da Lei Magnitsky, reforçando a impressão de que há, de fato, um propósito estratégico de construção do caos.

O risco é claro: a ordem democrática brasileira pode ser corroída por dentro, num processo intencional de destruição econômica e erosão institucional.

A pergunta que se impõe é se a sociedade brasileira terá lucidez e força para resistir antes que seja tarde — ou se repetirá, em nova roupagem, a velha história de um país conduzido ao autoritarismo em nome da própria democracia.

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  • Stephen Kanitz, em Blog do Kanitz
  • 18 Agosto 2025

 

Stephen Kanitz

          Os Estados Unidos são o país com o maior mercado consumidor logo ao nosso lado.

Os americanos são um povo meio ingênuo, vivi com uma família por ano, e dois anos com meus colegas de Harvard. Não se interessam nem um pouco pelo Brasil, acham corretamente que temos pouco a oferecer além do samba.

São comunitaristas, do tipo que começam cooperando, acreditam num ganha-ganha para ambos os lados, jamais um soma zero como acham quem nunca negociou com eles.

Os super-ricos são de esquerda, Bill Gates, Elon Musk irão doar tudo para os pobres, algo que ninguém da esquerda brasileira pretende fazer.

Contudo o antiamericanismo no Brasil é mais do que uma opinião política: é um traço cultural, um mito nacional, um reflexo do nosso complexo de inferioridade travestido de soberania e não consequências de maus tratos ou guerras.

Cultivado por gerações de intelectuais, reforçado por militares, encenado por diplomatas e idolatrado por estudantes, esse sentimento tem custado caro ao país em termos de desenvolvimento, inserção internacional e até mesmo governança interna.

Em vez de exportar para o mercado americano como fizeram o Japão, Coreia do Sul e China, nossos economistas fizeram o contrário, pois insistem na política de substituição das importações americanas, por produtos nacionais fabricados aqui.

China, Coreia e Japão estão agora na frente, e o Brasil nunca mais conseguirá alcançar. Nesse período, estes países administrados por administradores e não por economistas criaram marcas poderosíssimas com Sony, Yamaha, Samsung, BYD, que americanos jamais permitiriam serem taxados.

Em suma, a única marca internacional que possuímos, a Varig, faliu.

Vargas usou a rivalidade entre americanos e alemães para barganhar investimentos, como a CSN. Recebeu ajuda, mas manteve um projeto nacionalista e autárquico.

Nos anos 50 a 70, a esquerda brasileira transformou os EUA no grande vilão do capitalismo internacional.

Curiosamente, mesmo durante a ditadura militar alinhada geopoliticamente aos EUA persistia um discurso nacionalista na economia e na cultura, desconfiando de multinacionais e resistindo à “entrega” de setores estratégicos.

Decretamos a “Moratória da Dívida Externa” bestamente em praça pública, assustando todos os depositantes dos bancos, em vez de ligar as 16 horas dizendo que não poderíamos pagar, e ninguém precisava ficar sabendo.

Durante os governos do PT, especialmente sob Lula e Dilma, o antiamericanismo ganhou status oficial.

O Brasil se aproximou dos BRICS, sabotou a Alca, criticou guerras americanas no Oriente Médio e buscou protagonismo no Sul Global.

Nas universidades e na cultura, o antiamericanismo é praticamente hegemônico. Livros, teses, filmes e músicas retratam os EUA como corruptores, violentos, racistas, imperialistas.

A elite cultural brasileira se define, muitas vezes, mais por aquilo que rejeita (EUA, liberalismo, capitalismo) do que por aquilo que propõe.

Enquanto isso, modelos administrativos, técnicos e educacionais americanos focados em eficiência, mérito e responsabilidade são descartados como “neoliberais” ou “coloniais”. Minha luta pró administrador nem obteve apoio das escolas de administração.

A insistência em ver os EUA como inimigo impediu o Brasil de fazer alianças estratégicas, como fizeram Coreia do Sul, Taiwan, Polônia ou Índia. Enquanto outros países usavam o capital, a tecnologia e o conhecimento americanos para se desenvolver, o Brasil preferia “resistir” e permaneceu estagnado.

Em nome da soberania, mantivemos estatais ineficientes, universidades ideologizadas e um setor público hostil à inovação.

Soberania volta às manchetes, reforçando mais 50 anos de substituição das importações, e ignorar o imenso mercado americano, bem como parcerias tecnológicas imprescindíveis pois nossas universidades nada pesquisam que seja útil para as empresas.

O Que Ganhamos com Isso?

Pouco. Um senso falso de independência, talvez. Um discurso soberano para consumo interno. Mas perdemos relevância internacional, acesso a mercados, investimentos em tecnologia e influência diplomática.

Portanto, está na hora do Brasil abandonar essa adolescência diplomática.

Os EUA não são um inimigo a ser odiado, nem um pai a ser bajulado.

São um parceiro estratégico, com o qual podemos e devemos ter relações pragmáticas, baseadas em interesses mútuos.

O antiamericanismo pode ser um excelente discurso para assembleias estudantis.

Mas é um péssimo alicerce para um projeto de país.

*           Reproduzido do excelente Blog do Kanitz, em https://blog.kanitz.com.br/

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